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Rede Brasil
 

Rede Brasil

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Matéria sobre o case da central de negócios que reúne algumas das principais redes supermercadistas do Brasil.

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    Rede Brasil Rede Brasil Document Transcript

    • 46 Estratégia supeRmeRcado modeRno • jAnEiRo 2011 Rede brasil s.a. O que aprender com essa central Pulverizada pelo Brasil, a rede reúne empresas de grande e médio porte com objetivos comuns: oferecer importados exclusivos ao cliente, graças a negociações em conjunto, e se fortalecer com a troca de experiências. Juntas, elas cresceram 13% em 2010. C entrais de negócio existem muitas. Mas isso não quer di- zer que a Rede Bra- sil seja apenas mais uma. Tudo por lá é diferente. A começar pelo perfil dos integrantes. Diferentemente das centrais, que costumam reunir supermercados pequenos da mesma região, a Rede Brasil tem as- sociados nas cinco regiões brasileiras. São empre- sas fortes em seus locais de atuação: a menor das 16 associadas, o Supermercado Fortaleza, do Amapá, tinha meta de encerrar 2010 com faturamento de R$ 140 milhões. Já a parana- ense Condor e a paulista Coop, outras duas associadas, faturam mais de R$ 1,5 bilhão. O que motivou esse grupo heterogêneo a montar uma rede de negócios? Se você pensou em compras conjuntas, acertou apenas em par- te. E essa é outra diferença importante. “A Rede
    • | 47 Por Fernando Salles | salles@lund.com.br Brasil tem na troca de conhecimento entre os as- Grécia, Espanha, Itália, Portugal, sociados seu principal objetivo”, explica Antônio Argentina e Chile. Além de ob- José Monte, atual presidente da organização. Deu ter exclusividade na venda dos tão certo que se tornou uma empresa, a Rede Bra- produtos considerados com boa sil S.A, e todos os associados apresentaram cres- relação custo-benefício, o traba- cimento. Em 2010, juntos, elevaram as vendas em lho também aparece em forma de 13% e faturaram mais de R$ 9 bilhões, segundo da- rentabilidade. “As margens são, no dos estimados. As importações foram o começo de mínimo, o dobro em relação aos tudo e hoje garantem resultados excepcionais. demais itens de cada categoria”, garante Stecca. Além da importa- amplo mix de importados exclusivos ção, a área comercial da rede tam- Além de aumento nas vendas, o dobro do lucro bém busca exclusividade em mar- cas nacionais. É o caso dos lácteos Antônio Monte, que também preside a rede paulis- da linha Melko (leite e leite con- ta Coop – Cooperativa de Consumo, explica que a densado), das conservas Zuppa compra direta no exterior permite aos associados e das toalhas de papel Pratimais, contar com produtos vendidos exclusivamente em produzidas por fornecedores bra- suas lojas. Segundo Monte, são produtos de ótima sileiros a pedido da Rede Brasil. qualidade vendidos a preços competitivos. “Se antes um associado comprava algumas caixas de um vi- nho importado, hoje, com a rede, pode comprar um container inteiro, o que reduz o preço”, exemplifica. A Rede Brasil tem inúmeros comitês para Geralmente destacados nos pontos de vendas, al- troca de informações: infraestrutura, guns desses produtos já aparecem entre os mais ven- marketing, edificações, didos de suas categorias na mesma faixa de preço. Desde o início da negociação conjunta, os su- equipamentos, ruptura e RH permercados associados têm ampliado o sortimen- to de importados. Em 2008, ano em que ingressou na Rede Brasil, a Coop desembolsou R$ 500 mil em Na área comercial, a rede mantém itens produzidos no exterior. No ano passado, esse outros dois grupos de trabalho. valor saltou para impressionantes R$ 11 milhões. Um deles é o chamado “comercial Buscar importados e marcas exclusivas é uma das nacional”, que busca estreitar a re- atribuições de José Stecca, diretor comercial da Rede lação com fornecedores, mas sem Brasil. O executivo se dedica em tempo integral à negociar preços, algo que cada as- associação e coleciona ótimos resultados. Com seu sociado faz individualmente. trabalho, ajudou a importar mais de 30 mil caixas com 12 garrafas do vinho chileno Doña Dominga, mais perto do fornecedor elaborado pela vinícola Casa Silva. Há ainda rótu- Esforço para reduzir a ruptura los uruguaios, argentinos e portugueses, mas o se- tor de vinhos é apenas um exemplo do poderio das “A função do grupo é trocar in- negociações comerciais. “Hoje, as marcas exclusivas formações e desenvolver parcerias somam cerca de 350 SKUs em mais de 15 catego- para melhorar a logística, reduzir rias”, conta. De azeite, são dez marcas oriundas da ruptura, entre outros pontos. Ga-
    • 48 | Estratégia | supeRmeRcado modeRno • jAnEiRo 2011 Rede bRasil s.a. grupo regional que reúne os supermercados do Distrito Federal, Norte e Nordeste. Esse, sim, tem o objetivo de fazer compras em conjunto, com ga- rantia de entrega, para reduzir os sérios problemas de abastecimento na região. vendas no cartão de crÉdito Redução das taxas e da hospedagem das máquinas O esforço conjunto, porém, não se restringe à nego- ciação de produtos de consumo. Insumos também entram na conta. Além de obter redução de cus- tos na aquisição de sacolas plásticas, os integrantes uniram forças para negociar com as credenciado- ras melhores taxas nas vendas com cartão de cré- dito e hospedagem das máquinas. A iniciati- va foi possível após o fim da exclusividade joão dE FREiTAS no credenciamento de cartões, em julho do "Pressionar fornecedores ano passado. Todos os associados saíram ga- não faz parte das estratégias nhando. “Conseguimos uma redução total da Rede Brasil" acima de R$ 10 milhões”, comemora Monte. ANTÔNIO MONTE, PRESIDENTE DA REDE BRASIL E DA COOP experiÊncias compartilHadas dividir para multiplicar bons resultados nhamos nós e os fornecedores”, Dividir o trabalho em grupos ou comitês é uma ini- afirma Antônio José Monte. Nas ciativa que se estende a outras áreas do negócio. É aí conversas, é comum cada lado fa- que entra com mais força a tão propagada troca de lar de suas dificuldades e buscar conhecimento, apontada por muitos como o prin- formas de solucioná-las. “Com- cipal benefício da união. Cada um desses grupos de partilhamos até a relação de trans- apoio discute um tema específico, de acordo com a portadores para ajudar um forne- necessidade dos participantes, sempre com um “só- cedor”, lembra Antônio Monte. cio garantidor”, ou seja, a participação do presidente Essa postura já rendeu até elo- de uma das empresas associadas, que acompanha e gios da indústria: com orgulho, cuida para que a troca de informações avance e se Monte conta que no último evento transforme em benefícios práticos. SM Awards, em setembro de 2010, Há experiências com relação a temas como in- ouviu do presidente de uma gran- fraestrutura, marketing, edificações e equipamen- de empresa de bens de consumo tos, ruptura, entre diversos outros. No comitê de frases como “vocês da Rede Bra- recursos humanos, não há discussão de salários e, sil são diferentes mesmo, querem sim, de boas práticas e de treinamentos para me- parceria de verdade”. lhorar os índices de satisfação da equipe. Periodica- Há ainda em atividade um mente, há encontros presenciais, além de reuniões
    • 50 | Estratégia | supeRmeRcado modeRno • jAnEiRo 2011 Rede bRasil s.a. virtuais em média, a cada 15 dias. um software de gestão muito bem ajustado, a cata- Quem está mais avançado em de- rinense Imperatriz mandou seus profissionais até lá terminada área trata de repassar para conhecer a solução. Resultado: trocou de soft- conhecimento a quem se interes- ware sem medo de ter tomado a decisão equivocada. sar, conta Altevir Pierozan Ma- Nos seis anos de operação, a Rede Brasil coleciona galhães, um dos idealizadores da exemplos dessa troca de experiência. Para esclarecer Rede Brasil e sócio da Rede Mo- dúvidas sobre as mudanças no Fator Previdenciário, delo, com sede em Mato Grosso. por exemplo, a saída foi contratar um advogado es- Para ele, a transparência na troca pecialista no tema para dar palestra sobre o assunto a de informações é um dos pontos- todos os integrantes. Decisão bem mais barata e pro- chave para o sucesso do trabalho. dutiva do que a contração feita por cada empresa. Os “Todo mundo faz bem alguma próprios presidentes se encontram a cada dois meses em uma reunião de sócios para discutir o andamento “ Todo mundo faz bem alguma coisa e, quando esse dos negócios. Cada encon- conhecimento é compartilhado, todos se desenvolvem” tro acontece na sede de uma das empresas asso- altevir magalhães, um dos idealizadores da rede Brasil e sócio da rede modelo (mt) ciadas, e a ocasião também é aproveitada para uma coisa e, quando esse conheci- visita técnica às lojas, quando se descobrem novas mento é compartilhado, todos se soluções operacionais, iniciativas bem-sucedidas no desenvolvem”, afirma. “A melhor depósito, técnicas de crossmerchandising. forma de enterrar uma empresa é tocá-la apenas a partir da área co- desprendimento total mercial, daí a importância desses Associados não hesitam em abrir informações outros grupos de trabalho”, diz. Um bom exemplo da aplicação O consultor especializado em pesquisas Francis- prática dessa troca ocorreu há cer- co Rojo participou do processo de implantação da ca de três anos. Sabendo que a rede Rede Brasil, em 2003. Organizou reuniões, montou mineira Tonin – cujo proprietário, o primeiro planejamento e, desde então, dá apoio Luiz Tonin, é outro sócio-funda- em tudo o que a rede precisa. Entusiasta do projeto, dor da Rede Brasil – contava com o estudioso de varejo é categórico ao afirmar que a O crescimentO da rede Brasil em númerOs* Perfil 2009 2010 crescimentO Faturamento Varejo anual (milhões R$) 8.121.229.246 9.142.031.114 13% Nº checkouts 3.729 4.056 9% Nº de lojas 272 295 8% Nº de funcionários 38.477 41.193 7% Área de vendas (m²) 432.771 458.918 6% * os dados de 2010 estão projetados e ainda não consideram o Grupo mateus, que se associou em novembro
    • 52 | Estratégia | supeRmeRcado modeRno • jAnEiRo 2011 Rede bRasil s.a. forma de atuação da Rede Brasil perderam o foco em compartilhar experiências e representa uma experiência úni- conhecimentos, além de estimular o desenvolvi- ca no setor varejista. “O grupo mento próprio e dos demais integrantes. “É um foi maduro desde o começo e não exemplo único porque é um projeto difícil de ser perdeu o foco de que a união não viabilizado, que depende de total desprendimento tinha como objetivo pressionar dos proprietários e abertura de informação. Não fornecedor”, lembra. “Nos meus dá para simplesmente pensar em ganhar”, afirma. entrada de novos sócios o grupo desenha agora o planejamento Manual trará regras para admissão estratégico para os próximos cinco anos. o Para que todo esse entrosamento seja mantido, futuro reserva novas realizações. a rede tem muito cuidado ao avaliar o ingresso de novos sócios. No período de produção desta 30 anos no meio acadêmico, não reportagem, a Rede Brasil se preparava para aceitar vi nenhum projeto como o da um novo associado, o Grupo Mateus, empresa com Rede Brasil. É uma troca de ex- sede no Maranhão e cerca de R$ 2 bilhões de fatu- periências sem precedentes e que ramento. A aceitação foi unânime porque a forma vinho doña possibilita um aprendizado fantás- de trabalho e os valores da empresa maranhense já dominga tico”, afirma, animado. eram conhecidos por todos. Para as próximas avalia- exposto em Para Rojo, o conceito da Rede ções, a rede decidiu criar um manual de admissão. ponta de gôndola: mais Brasil deu certo e se fortaleceu O documento ainda está em produção, mas Monte de 32 mil caixas justamente porque os sócios não adianta que transparência é um quesito fundamen- importadas diretamente tal, assim como ter força no varejo local e não ser concorrente direto de outros associados. Será exi- gido ainda alinhamento com os valores da Rede, entre os quais respeitar os interesses do grupo, estabelecer acordos com fornecedores e com- partilhar os benefícios com os demais par- ceiros. Para traçar os próximos cinco anos, um planejamento estratégico foi encomen- dado à Fundação Dom Cabral. Altevir Ma- galhães lembra que o futuro pode reservar inúmeras possibilidades, entre elas, negó- cios conjuntos, cartão de crédito próprio e realização de seguros com a mesma apóli- ce. Enquanto isso, o grupo continua perse- guindo (e alcançando) vantagens mútuas, crescimento e eficiência. sm mais infO rmações divulgAção coop: www.coop-sp.com.br francisco rojo: pesquisa@franciscorojo.com.br modelo: www.modeloiga.com.br rede Brasil: www.rbsm.com.br