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    Comunidades virtuais Comunidades virtuais Document Transcript

    • INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO: teoria & prática As Comunidades Virtuais Rogério da Costa The Virtual Communities 55Informática na Educação: teoria & prática, Porto Alegre, v.8, n.2, jul./dez. 2005. ISSN 1516-084X
    • INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO:teoria & prática Resumo: Esse artigo trata extensivamente a respeito do florescimento das comunidades virtuais, fornecendo exemplos dessas, bem como fazendo referência aos desafios e alguns cuidados quando da construção das comunidades virtuais. Entende as comunidades virtuais como um estímulo à formação de inteligência coletiva, que nos ajuda a lidar com o excesso de informação e pode nos abrir a visões alternativas de uma cultura. Aponta para os caminhos digitais de uma nova geração, que prefere a comunicação via blogs e fotologs e o uso de uma tecnologia disponível que possibilita o encontro físico. Palavras-chave: Comunidade virtual. Comunidade virtual móvel. Inteligência coletiva. Informação. Comunicação. Abstract: This article deals extensively on the birth of virtual communities, offering some examples and also mentioning some challenges and things to be careful of when building a virtual community. It understands virtual communities as a stimulus to the creation of a collective intelligence, which helps us to deal with the excess of information and can open for us alternative visions of a culture. It points out to the digital pathways to a new generation, which prefers communication via blogs and photologs, and the use of an available technology that makes physical meeting possible. Keywords: Virtual community. Mobile virtual community. Collective intelligence. Information. Communication. COSTA, Rogério da. As Comunidades Virtuais. Informática na Educação: teoria & prática, Porto Alegre, v.8, n. 2, p.55-73 , jul./ dez. 2005.56 As Comunidades Virtuais
    • INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO: teoria & prática Quando comecei a me orientar na WELL, a WELL e, até recentemente, a The-Park; outras procurava informação e encontrei-a. Contudo, logo me dei conta de que as pessoas que são promovidas pelos agentes da mídia dispõem da informação são mais tradicional, como a CNN e UOL, e muitas vivem interessantes do que a informação em si. da iniciativa de grupos de interesse, sejam eles Howard Rheingold empresas, ONGs, instituições educacionais, movimentos minoritários etc.1 Colônias de formigas? A WELL, que funciona até hoje, é o melhor exemplo de durabilidade, com seus membros O nome de Howard Rheingold está cultivando relações intelectuais, afetivas eintimamente ligado à cultura digital. Ele foi um sociais. A comunidade The-Park é outro bomdos pioneiros na divulgação das comunidades exemplo, tendo durado de 1994 até 2001. Comon-line, tendo participado ativamente de uma salas de bate-papo, fóruns, notícias e artigos, adas primeiras e mais famosas iniciativas de The-Park teve uma população de mais de 700que se tem notícia na área, a WELL (Whole Earth mil membros, sendo que mais da metade‘Lectronic Link), fundada em 1985 pelos editores contribuía com pequenas mensalidades. Elesda revista Whole Earth Review1. Rheingold podiam se tornar moderadores nos fóruns eanima, atualmente, uma outra comunidade salas de bate-papo, havendo também um bancovirtual, chamada Brainstorms. Em seu livro A de dados com artigos sobre os temasComunidade Virtual, publicado em 1993, na discutidos. Era também possível visualizar omesma época em que a Web estava nascendo, perfil de cada participante e conhecer seuRheingold já desenhava um mapa detalhado endereço eletrônico. Na primeira página do sitedos diversos tipos de comunidades on-line lemos: “Nossa intenção principal é oferecer umexistentes no mundo. Ele apontava para o local para que pessoas de todo o canto doimportante fato de que “não existe uma mundo, que tenham algo em comum, possamsubcultura on-line única e monolítica, mas antes se encontrar, dialogar e aprender sobreum ecossistema de sub-culturas, umas frívolas assuntos importantes, cultivar amizades,e outras sérias”, e também alertava que, “seja romances, relações e parcerias de negócios”2.uma comunidade aquilo que for, não se estánunca livre de conflitos”. Dentre outros exemplos de comunidades expressivas temos a Respublica, Quase uma década depois, pode-se fruto de uma iniciativa francesa de 1998, quedizer que essas sub-culturas virtuais estão possui cerca de 500 mil membros e contabilizaflorescendo por todos os cantos do planeta. Elas mais de 9 milhões de visitas mensais.são tão variadas que é simplesmente Multimania, ligada ao site de busca Lycos, comimpossível mapear todas as espécies e base também na França, soma um milhão desubespécies existentes. Há comunidades membros. No Brasil, temos a comunidade Uol,virtuais reunindo interessados em esportes, que está estruturada unicamente em salas deentretenimento, política, comércio, saúde, sexo, bate-papo, videopapo e videochats para osjogos, raça, gêneros, e no que mais pudermos visitantes. A presença simultânea de usuáriosimaginar. O ritmo com que elas se formam e se já atingiu 40 mil conectados. Outra iniciativa dedesfazem acompanha, basicamente, o mesmo sucesso é Caramail, de propriedade da Lycos,de todos os grupos humanos. Algumas poucas baseada em chats que chegam a 20 milpermanecem sólidas ao longo dos anos, como 57Informática na Educação: teoria & prática, Porto Alegre, v.8, n.2, jul./dez. 2005. ISSN 1516-084X
    • INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO:teoria & práticaconectados simultâneos e mais de 40 mil fóruns 2 Construindo sua comunidadede discussões, com uma população que passa O que é certo, e pouco comentado, é queda casa do milhão3. o investimento pessoal e financeiro dos Claro que não mencionamos aqui as promotores de qualquer comunidade on-line émega-comunidades, constituídas pela America altíssimo. Os desafios e problemas para seOn Line (www.aol.com), Microsoft Network (http:/ construir uma comunidade virtual começam, na/communities.msn.com), Geocities verdade, bem antes da questão sobre quais(www.geocities.com, ligada a Yahoo.com) e tecnologias utilizar e continuam bem depois queEzboard (www.ezboard.com). O que acontece é elas estão implantadas. É a relação entreque essas reagrupam um número enorme de membros e promotores uma das que maismicro-comunidades que vivem em seu interior, oferece problemas. Nem sempre o que osusufruindo das facilidades de suporte técnico e membros desejam é o que os promotores estãotecnológico oferecido. oferecendo. Por outro lado, é muito comum promotores fazerem suposições equivocadas O desenvolvimento das comunidades sobre as necessidades de uma comunidade, evirtuais é provavelmente um dos maiores disponibilizarem aquilo de que ninguémacontecimentos desses últimos anos, já que precisa. Por isso é preciso um balançoelas estimulam uma nova maneira de se “fazer constante entre as principais necessidades esociedade”, na expressão de Pierre Lévy, filósofo disponibilidades de uns e de outros. Amy Jofrancês mais conhecido por seus livros sobre a Kim, autora do livro Community Building on thecibercultura emergente 4. Os grupos de Web e uma das responsáveis pela concepçãodiscussão, listas de difusão, chats, mundos das comunidades virtuais da AOL e do iVillage,virtuais multiparticipantes, videogames coletivos oferece três conselhos básicos nesse terreno5.on-line e comunidades sem fio apresentam um Uma comunidade, em primeiro lugar, devecrescimento espetacular. As salas de bate-papo, começar pequena e crescer lentamente comopor exemplo, são uma febre não apenas entre um organismo vivo, incluindo descobertas aoos jovens, mas entre pessoas de várias idades, longo do processo, modificando-se. Osincluindo os chats que possuem recursos 3D, gestores, por sua vez, precisam estar atentoscom seus avatares pitorescos. O que não falta aos sinais que os membros emitem, procurarsão histórias de pessoas que se conheceram compreendê-los constantemente e se fazerem chats e fóruns e tornaram-se amigas, compreender por eles. É bom ter em mente quenamoradas, casaram-se (ou se divorciaram), os gestores são os responsáveis peloarranjaram trabalho, etc. Há alguns anos, comportamento ético acordado pelaaqueles que trabalham nos mais diversos tipos coletividade. Finalmente, toda comunidade devede negócios, nas várias esferas da caminhar para a autonomia de iniciativa de seusadministração, nas universidades e escolas participantes, incentivando-os a expressaremtêm se interconectado cada vez mais através suas idéias e acatando suas sugestões.do correio eletrônico e do site de sua instituiçãoou organização. Essas pessoas constituem Como estratégia fundamental, Amy Kimverdadeiras comunidades virtuais de trabalho aconselha aos promotores estabelecerem come de troca de informações e conhecimentos. clareza os objetivos da comunidade, bem como os benefícios que seus membros terão ao58 As Comunidades Virtuais
    • INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO: teoria & práticaparticiparem dela. É sempre bom lembrar que envolviam, mas Rheingold percebeu nelas umaa participação de alguém numa comunidade relação mais profunda, motivado em especialon-line implica investimento de tempo, pela questão do excesso de informação. Compaciência e compreensão de coisas novas, efeito, um dos problemas da rede, em sua visão,muitas vezes difíceis de serem assimiladas. A era o da “oferta demasiada de informação emenos que o projeto consiga preencher uma poucos filtros efetivos passíveis de reterem osnecessidade real, os usuários não se sentirão dados essenciais, úteis e do interesse de cadamotivados em participar. Sabe-se que, em geral, um”. Rheingold estava atento ao fato de que osas pessoas vão até o lugar que lhes oferece programadores se esforçavam paraalgo de que necessitam e que não podem desenvolver agentes inteligentes queencontrar em outro lugar. Sendo assim, para se realizassem a busca e filtragem de informação,dedicar aos compromissos de uma poupando o usuário “da terrível sensaçãocomunidade virtual, é preciso que a pessoa causada pelo fato do conhecimento específicotenha claro para si qual será seu benefício procurado estar enterrado em 50 mil páginasprincipal. de informação recuperadas”. “Mas já existem”, dizia, “contratos sociais entre grupos humanos3 As mentes coletivas – imensamente mais sofisticados, embora Voltemos às análises visionárias de informais – que nos permitem agir comoRheingold em seu Comunidade Virtual de 1993. agentes inteligentes uns para os outros”.Ele percebeu que as comunidades virtuais são Isso, de certa forma, ampliava o conceitolugares onde as pessoas se encontram, mas de mente coletiva, pois não se tratava apenas,são igualmente um meio para se atingir diversos como imaginava Turoff, de resolver problemasfins. “As mentes coletivas populares e seu em conjunto, em grupo, coletivamente, como oimpacto no mundo material podem tornar-se fazem as colônias de formigas. Ao contrário, auma das questões tecnológicas mais idéia de mente coletiva que mais seduziasurpreendentes da próxima década”, Rheingold era a de um grupo estimulado aantecipava. Na verdade, a idéia de uma mente trabalhar em função de um indivíduo, dosou uma inteligência coletiva mediada por benefícios mais claros e palpáveis que elecomputadores não chega a ser uma novidade. pudesse vir a obter. Ele nos lembra que asEm 1976, o pesquisador americano Murray comunidades virtuais abrigam um grandeTuroff, idealizador do sistema de intercâmbio número de profissionais que lidam diretamentede informação eletrônica (EIES), considerado o com o conhecimento, o que faz delas umponto de partida das atuais comunidades instrumento prático potencial. “Quando surge aonline, prenunciava que “a conferência por necessidade de informação específica, de umacomputador pode fornecer aos grupos humanos opinião especializada ou da localização de umuma forma de exercitarem a capacidade de recurso, as comunidades virtuais funcionam‘inteligência coletiva’ (...) um grupo bem como uma autêntica enciclopédia viva. Elassucedido exibirá um grau de inteligência maior podem auxiliar os respectivos membros aem relação a qualquer um de seus membros”6. lidarem com a sobrecarga de informação”. Em Turoff visualizou as comunidades virtuais suma, é no horizonte do excesso de informaçãoe o potencial de inteligência coletiva que elas que encontramos as comunidades virtuais, funcionando como verdadeiros filtros humanos 59Informática na Educação: teoria & prática, Porto Alegre, v.8, n.2, jul./dez. 2005. ISSN 1516-084X
    • INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO:teoria & práticainteligentes. A estratégia de fornecimento e fase embrionária, evoluindo através de seusutilização de informação através do ciberespaço antepassados culturais: revistas, jornais,seria, na visão de Rheingold, uma maneira shoppings, televisões etc. Mas hoje já há algoextraordinária de um grupo suficientemente inteiramente novo, uma espécie de segundagrande e diversificado de indivíduos conseguir onda da revolução interativa que a computaçãomultiplicar o grau individual de seus desencadeou: um modelo de interatividadeconhecimentos7. baseado na comunidade, na colaboração muitos-muitos”9. Mais recentemente, Pierre Lévytem defendido a participação em comunidades Johnson não desconhece o antigo evirtuais como um estímulo à formação de longo percurso de comunidades como a WELL,inteligências coletivas, às quais os indivíduos considerada por Rheingold como um autênticopodem recorrer para trocar informações e filtro comunitário inteligente. Mas o que ele temconhecimentos. Fundamentalmente, ele em mente aqui são as conseqüências dapercebe o papel das comunidades como o de intervenção cada vez mais ampla e complexafiltros inteligentes que nos ajudam a lidar com dos agentes inteligentes nas relações entre oso excesso de informação, mas igualmente como membros de comunidades virtuais. Ele estáum mecanismo que nos abre às visões interessado, acima de tudo, na performance dosalternativas de uma cultura. “Uma rede de filtros atuais, que aumenta na medida em quepessoas interessadas pelos mesmos temas é há um incremento do número de usuários e denão só mais eficiente do que qualquer informações. Isso quer dizer que os agentes emecanismo de busca”, diz ele, “mas sobretudo filtros colaborativos tornam-se mais espertos edo que a intermediação cultural tradicional, que úteis na medida em que mais informações esempre filtra demais, sem conhecer no detalhe indivíduos fluem através deles.as situações e necessidades de cada um”8. Lévy Dois bons exemplos disso são Napsterestá profundamente convencido, da mesma e Morpheus, softwares que permitem àsforma que Rheingold, de que uma comunidadevirtual, quando ela é convenientemente pessoas trocarem músicas, imagens eorganizada, representa uma importante riqueza arquivos entre si através da rede. Nesse caso, quanto maior o número de usuários e deem termos de conhecimento distribuído, de documentos disponíveis no sistema, melhor écapacidade de ação e de potência cooperativa. o desempenho dos softwares e, em Já Steven Johnson, que além de conseqüência, maiores são os benefícios parajornalista e escritor é um dos promotores da cada um. O Napster não só funcionou, comocomunidade virtual Plastic.com seu sucesso resultou numa enorme batalha(www.plastic.com), afirma num recente artigo, judicial com a poderosa indústria fonográfica.“The swarm next time”, que os seis últimos anos Pois bem, a contribuição de cada indivíduo noda Web foram de pseudo-interatividade, e que sistema Napster pode ser considerada mínima,finalmente o ciberespaço começa a nos oferecer já que eles precisam disponibilizar, quandoaquilo que foi sua promessa original: alimentar muito, seus arquivos de música para auma inteligência coletiva pela conexão de todas comunidade. São as pequenas formigasas informações do mundo. “Podemos ver os levando seu minúsculo pedaço de folha para oprimeiros anos da Web”, diz ele, “como uma centro de um enorme formigueiro! Em60 As Comunidades Virtuais
    • INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO: teoria & práticacontrapartida, o benefício é ter a sua disposição deveríamos atribuir às comunidades on-line?todas as músicas disponibilizadas por todos Há algumas iniciativas que alimentamos membros do planeta! conotações mais utópicas, e que levam as pessoas a duvidarem da possibilidade de uma É possível notar, de fato, que no mesmo inteligência ou mente coletiva. Trata-seritmo em que as publicações e ofertas de daquelas que pressupõem graus elevados deprodutos e serviços foram se avolumando no sacrifício dos membros em função de algumciberespaço, as comunidades virtuais foram objetivo ou causa maior. Com idéias formigandoaprimorando suas técnicas de auxílio e de todo lado, os indivíduos vão engendrandoorientação aos usuários, conquistando assim uma obra com a sinergia de suas inteligênciassua confiança e atraindo sua participação. Hoje, ou de suas ações. Um dos raros casosalém da comunicação direta entre os membros, conhecidos desse gênero na rede, e aliás comque funciona como fonte de dicas e sugestões, um sucesso extraordinário, é o da comunidadeé possível contar com as mais variadas citações virtual OSDN.com (open source developmentfeitas em grupos de discussão ou em salas de network- www.osdn.com), que reúnebate-papo, com os votos ou críticas dos usuários programadores de todo o mundo dispostos aa produtos e serviços, com a opinião de colaborar no desenvolvimento de softwares comespecialistas convidados, com serviços de código aberto. O sistema operacional Linux (quepersonalização e, cada vez mais, com a ação possui mais de 30% do mercado mundial dedos knowbots. servidores - www.linux.com) é a melhor prova Todos esses recursos fazem das de resultados dessa autêntica espécie decomunidades virtuais verdadeiras fontes de mente coletiva. Mas a WELL também provou queconsulta e, como conseqüência previsível, uma comunidade on-line pode socorrer ummuitos visitantes usufruem mais do que membro doente num país distante, mobilizandocontribuem. O próprio Rheingold nos dá uma recursos financeiros e humanos emestatística que é válida até hoje, a de que cerca pouquíssimo tempo10.de 16% de usuários, num fórum ou chat, A segunda maneira de se interpretar umacontribuem com 80% do volume total de inteligência coletiva é entender umapalavras, embora haja muitos à escuta, comunidade virtual como um excelente filtroinvisíveis, sendo livres de participar ou não, e inteligente que pode ser consultado porque usam os recursos da coletividade como qualquer um a qualquer momento. Nesse caso,fonte variada de orientação. Ora, o fato de muitas é o grande material acumulado no formigueiropessoas apenas consultarem e não que socorre cada pequena formiga em suascontribuírem diretamente com o coletivo, por si necessidades.só, poderia ser entendido de forma negativa.No entanto, os agentes inteligentes vieram, em 4 Um zumbido na Rede...tempo, contrabalançar essa tendência, pois elesconseguem capitalizar, em prol da comunidade, Vejamos um dos exemplos mais contundentes do que seria uma comunidadeaté mesmo as consultas mais simples virtual inteiramente baseada no conhecimento,daqueles que dela não participam ativamente. e que só pôde se constituir com a ajuda de Mas que tipo de mente, afinal de contas, agentes inteligentes. Trata-se de 61 Informática na Educação: teoria & prática, Porto Alegre, v.8, n.2, jul./dez. 2005. ISSN 1516-084X
    • INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO:teoria & práticawww.abuzz.com, criado em janeiro de 2000 pelo podemos perguntar qualquer coisa, desdeThe New York Times. A idéia do NYT foi explorar, assuntos triviais até problemas técnicos oude uma forma inteligente, o modo como as teóricos. Podemos nos informar sobre produtospessoas buscam informações e e serviços, ou sobre os melhores sites de algumconhecimentos e colaboram umas com as assunto. Os membros da comunidadeoutras através de um ambiente on-line. Foi respondem. Isso significa, obviamente, que setambém, do ponto de vista comercial, uma alguém deseja fazer uma pergunta, deve estarestratégia para incorporar o potencial de disposto a responder, pelo menos de vez emparticipação de seus assinantes através da quando, a algumas que lhe serão formuladas.Internet, bem como para conseguir novos Afinal, é a reciprocidade que faz a comunidade.assinantes. Mas o usuário não precisa se preocupar: o agente inteligente filtra as questões remetidas Uma autodefinição na primeira página pela comunidade, e só as endereça para osdiz o seguinte: “Abuzz é uma rede de membros cujo perfil combine o melhor possívelconhecimentos que usa o correio eletrônico e a com a pergunta. Dessa forma, os participantesWeb para conectar você com pessoas, que não tiverem se declarado amantes dainformações e pontos de vista que lhe sejam música clássica, por exemplo, não serãorelevantes”. De maneira estratégica, ele dá forçados a responder questões sobre Mozart.também uma definição de seus membros, que No entanto, se por um lapso, algum dessessoa como um lembrete ético: participantes se empolgar em comentários “Os membros de Abuzz são pessoas musicais a respeito do filme Amadeus, então o inteligentes e com conhecimento como você. agente não terá como evitar de lhe enviar Eles não são experts contratados, mas algumas belas questões sobre Antonio Salieri, pessoas que gostam de compartilhar o conhecimento pelo conhecimento. Eles são, o famoso adversário de Mozart. de uma maneira distinta, o ingrediente não- técnico que torna Abuzz mais interessante do Para o agente inteligente de Abuzz.com, que uma sala de bate-papo, mais conveniente tudo que auxiliar na construção do perfil dos do que um news group, mais receptivo do que um fórum e mais humano do que um mecanismo membros e na melhor troca possível entre de busca”. perguntas e respostas é importante. Assim, as respostas recebem aplausos, o que estimula a Seis meses após seu lançamento, participação; o tempo que alguém leva paraAbuzz.com tinha mais de 350 mil membros em responder é computado, para que aqueles queatividade. Seu princípio de funcionamento é perguntam tenham idéia do tempo médio deextremamente simples e atraente do ponto de resposta; caso o usuário não receba umavista do usuário, mas altamente sofisticado e resposta no tempo médio, o agente lhe propõecomplexo do ponto de vista da solução refazer a pergunta etc. Esses e outros recursostecnológica. O principal recurso de Abuzz.com é fazem de Abuzz.com um excelente exemplo deo sistema de “perguntas e respostas”, que atrai comunidade que é movida exclusivamente pelaas pessoas pela simplicidade e praticidade. partilha de conhecimentos, por uma inteligênciaSimples, porque a primeira coisa que vemos coletiva.na página inicial é o espaço para colocarmosnossa questão; prático, porque recebemos as O jornal The New York Times, por suarespostas por e-mail. De fato, em Abuzz.com vez, encontrou em Abuzz.com um ambiente vivo62 As Comunidades Virtuais
    • INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO: teoria & práticaque o orienta em muitas pautas e discussões. (www.plastic.com). Trata-se de umaAlém disso, o próprio jornal fornece links de comunidade virtual, composta por pessoasmatérias interessantes para os grupos de interessadas em usufruir de um jornalismo quediscussão e coloca questões sobre diversos é produzido, na maior parte das vezes, a partirtemas para a comunidade, numa forma da experiência de leitura que seus própriosinusitada de provocação e diálogo. É o que membros possuem dos vários sites de notíciaspoderíamos chamar de uma autêntica conversa espalhados pela Internet. O ponto essencial éentre um meio de comunicação impresso e sustentar que os princípios da informaçãoseus assinantes e leitores. jornalística acabam por isolar os acontecimentos noticiados da esfera na qual a5 As redes de conhecimentos experiência do leitor poderia ser realmente afetada. Para tentar superar essa distância, os A televisão também tem seus exemplos promotores do site propõem que seus membrosinteressantes na área do conhecimento. Um escolham notícias e artigos de qualquer pontodeles é o da emissora americana CNN e de da rede que gostariam de comentar e as enviemsua comunidade on-line11. É comum, durante para a direção de Plastic.com. A coletividade,sua programação, a inserção de pequenas então, tem acesso a essas notíciaschamadas para discussões em sua página na selecionadas e podem acrescentar sua própriaInternet, em geral sobre os assuntos mais avaliação. Em pouco tempo um sistema deimportantes do dia. De fato, enquanto outras notas foi implantado para estimular osemissoras são fiéis à idéia de que é preciso melhores comentadores. Contando com maismanter a audiência ligada o maior tempo de 25 mil pessoas registradas, a Plastic.compossível em seus programas, a CNN não teme teve, após um ano de lançamento, mais de 13que o interesse pelos fóruns e chats que ela mil links para artigos e notícias publicados epromove na rede possa vir a dividir a atenção que receberam mais de 90 mil comentários dados telespectadores, numa espécie de comunidade. O site funciona como um perfeitocompetição entre Internet e TV. Ao contrário, a jornal coletivo, que pode ser consultado porfórmula parece, no fundo, reforçar a fidelidade temas, pelas melhores avaliações, por artigosao canal, já que as pessoas encontram no site etc12.o espaço adequado para prosseguir com Uma experiência que tem se mostradodiscussões sobre assuntos de seu interesse igualmente eficiente no campo docom outros internautas. Isso faz com que a conhecimento, é o site Fathom.comemissora atue como promotora de debates e (www.fathom.com), fundado no início de 2001não mais, exclusivamente, como fonte de por um consórcio envolvendo as seguintesdifusão de informações. No fundo, os instituições: Columbia University, Londonparticipantes dessa comunidade virtual School of Economics and Political Science,possuem hoje uma visão mais ampla da Cambridge University, The British Library,própria CNN, que não se esgota na tela da Smithsonian Institution’s National Museum oftelevisão. Natural History, The New York Public Library, No campo do jornalismo on-line, uma University of Chicago, Americam Film Institute,boa fonte de inspiração é o site Plastic.com RAND e Woods Hole Oceanographic Institute. O objetivo principal de Fathom.com é atrair o 63Informática na Educação: teoria & prática, Porto Alegre, v.8, n.2, jul./dez. 2005. ISSN 1516-084X
    • INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO:teoria & práticainternauta para o interior de um circuito de capital publicamente aos vizinhos e à prefeitura local ode conhecimentos e expertises autenticadas. O fato de que tinham sido condenados por abusoslogan de Fathom.com é: “você deseja participar sexual. Isso acabou gerando no site uma sériedo mundo das idéias, não apenas porque elas impressionante de argumentos a favor e contra,são desafiadoras e contra-intuitivas ou que serviam muito bem para nos mostrar ocomplexas, mas porque você gosta disso, quanto é complexa uma sociedade e suasporque isso é bom para sua carreira, para sua idéias. Trata-se, portanto, de uma iniciativa umalma, porque você pode”. O consórcio traduz pouco diferente daquela de comunidadesum novo conceito, o de convergência cultural, virtuais que discutem temas gerais. Na Ágoraao reunir universidades, bibliotecas, editoras e Virtual a questão é cidadania, democracia,museus. Nele encontramos centenas de cursos direitos etc.on-line, com seus respectivos grupos de A Speakout possui uma audiência de 2,5discussão, oferecidos pelas instituições, bem milhões de visitas mensais, sendo que 190.000como inúmeros produtos relativos ao são de usuários únicos. A estratégia é simples:conhecimento (livros, CD-ROMs, vídeos, CDs, como Ágora política virtual, o site consegue captarperiódicos). Um sistema de indexação por a atenção dos políticos para o que está sendoproximidade permite ao usuário saber quaiscursos oferecidos relacionam-se com quais discutido. Isso dá força à palavra do internauta (netcitizen), que é assim atraído e estimulado aoutros, e quais produtos, referentes aos cursos, declarar suas idéias. Há um sistema depodem ser encontrados no próprio site. Isso remessa de e-mails do usuário diretamentepermite uma alternância entre pesquisa em para os políticos ou para os partidos. Sãoprofundidade e pesquisa tangencial. Ann debatidas questões de sua comunidade local,Kirschner, presidente de Fathom.com, diz que osite tem tido mais de 750 mil visitantes únicos de sua cidade, estado, país e do mundo. Há também o incentivo à formação de grupos depor mês, e que possui mais de 100 mil usuários interesse, e a abertura de canais derecebendo e-mails regularmente ao final do comunicação com as autoridades competentesprimeiro ano de atividade. (é o lobby do cidadão). A transparência do Já no campo da política, um site como relacionamento entre políticos e cidadãos noSpeakout.com (www.speakout.com) inaugura site funciona também como forma deuma idéia muito recente na Internet, a da Ágora compromisso público documentado.Virtual13. Ele procura recuperar o espírito da Se pensarmos que as comunidadesprática política que floresceu entre os antigosgregos, que em praça pública – a ágora — criam mundos próprios, percebemos que édiscutiam as questões de sua cidade. A essa atividade cotidiana, que inclui a publicação de textos, a indicação de links, a produção deSpeakout.com é uma iniciativa que visa atrair questões e a expectativa em receber umaos internautas para um cenário inteligente de resposta não se sabe de quem, a ida e vinda dediscussão política. Um caso polêmico debatido mensagens, enfim, é isso que cria, pouco arecentemente no site, dizia respeito à votaçãode uma lei sobre ex-condenados por abuso pouco, um mundo próprio de significação,sexual. Ela pretendia obrigá-los, quando povoado por seres virtuais: idéias, conceitos, sentidos. O objetivo maior está na sensação demudassem de residência, a declararem pertencer a um ambiente que todos constroem64 As Comunidades Virtuais
    • INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO: teoria & práticae compartilham. de comunidades, afirmam que seu engajamento deveu-se ao fato de que elas o6 Comunidades virtuais e ajudam a decidir o que comprar. Constatou-se,comércio eletrônico também, que eles fazem em média 20 Num livro extremamente provocador, referências de sua comunidade virtual parachamado Cluetrain- Manifesto para uma outras pessoas, além de comprarem 5 vezeseconomia digital, publicado em 1999, Levine, mais que não membros e apresentarem umLocke, Searls e Weinberger, quatro autores período de permanência, em termos deamericanos ligados ao setor de marketing, fidelidade ao site, 50% superior aos nãoanunciam o fim dos negócios convencionais. membros14.Eles defendem a idéia de que, no fundo, Esses dados explicam porque muitosnegócios são conversações, e que uma usuários, mesmo não sendo participantespoderosa rede global de troca de idéias já ativos de comunidades, permanecem obtendoestaria em curso com a expansão das informações através dos fóruns de discussãotelecomunicações. “Através da Internet”, e dos mais variados comentários ali deixadosafirmam, “pessoas estão descobrindo e pelos membros, pois isso os auxilia em suasinventando novas maneiras de compartilhar compras e outras atividades. Isso indica, maisrapidamente conhecimento relevante. Como um uma vez, que as comunidades vêm sendoresultado direto, mercados estão ficando mais usadas como filtros de informação.espertos — e mais espertos que a maioria dasempresas”. Para eles, isso não seria na verdade A comunidade de comércio eletrôniconenhum segredo, pois parece ser evidente que mais famosa continua sendo a www.ebay.com,o mercado em rede sabe mais que as verdadeiro bazar composto por clientesempresas sobre seus próprios produtos. E tanto reunidos pelo interesse comum em tópicossendo a notícia boa ou ruim, eles contam para relacionados aos mais diversos produtos. Elestodo mundo. alimentam um número enorme de fóruns de discussão. Outro exemplo é o da comunidade Mais recentemente, uma série de formada pela empresa Cisco Systems, quepesquisas confirmaram as intuições do estimula profissionais da área de infraestruturaManifesto. Elas contrariam a idéia de que tecnológica a compartilhar informações sobrecomunidade virtual e comércio não se produtos e tecnologias em seus fóruns (http://misturam. A técnica básica utilizada pelos forums.cisco.com). A comunidade patrocinadainstitutos de pesquisa, num grande pela AT&T WorldNet (http://communityport.att.net/levantamento feito ao longo do ano 2000, foi a ) possui inúmeras salas de bate-papo, fórunscomparação entre membros ativos de uma extremamente variados, concursos e eventos.comunidade on-line e simples visitantes dos No Brasil, a Sabido.com e Icomo.com são bonsmesmos sites. Segundo a Andersen exemplos de espaços de discussão eConsulting, 62% dos compradores em Internet informação sobre produtos e serviços. Háafirmam que as considerações de outros também comunidades de vendedores eclientes e suas recomendações os orientaram compradores em sites de comércio eletrônico,na compra on-line. Já a Forrester Research trocando informações relacionadas a preço,levantou que 30% dos usuários, participantes qualidade, estoques etc. A Amazon.com é, de 65Informática na Educação: teoria & prática, Porto Alegre, v.8, n.2, jul./dez. 2005. ISSN 1516-084X
    • INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO:teoria & práticacerta forma, um bom exemplo desse tipo de portáteis. O essencial é poder estar “semprecomunidade. ligado” em qualquer lugar15. Todas essas iniciativas têm objetivos A revolução real na computação sem fiomuito claros: fidelização dos clientes, não é comercial ou tecnológica, mas social.incremento de negócios e vendas, redução de Conectadas a todo momento e em qualquercustos na captação de membros, melhor lugar, as pessoas podem comunicar e cooperarcompreensão de seu mercado através da de novas maneiras. Na Finlândia e no Japão,contínua conversação entre os usuários de sua países que oferecem com sucesso essacomunidade, etc. tecnologia há mais tempo, os serviços de dados para dispositivos móveis tornaram-se uma7 O enxame dos “sem fio” plataforma importante para a interação de A enorme evolução das comunidades grupos. Isso acabou surpreendendo os que sóvirtuais está profundamente ligada ao esforço acreditavam nesses novos serviços como outradespendido pelas pessoas durante a década maneira de se acessar conteúdos.de 90. Elas estabeleceram laços sociais, As dificuldades em se navegar nos sitescomerciais e amorosos através de seus especialmente criados para quem possui umdesktops. Elas aprenderam a conversar nas celular ou palmtop (os assim chamadossalas de bate-papo, a discutir sobre os mais serviços WAP), aumentaram a importância dasvariados assuntos nos fóruns, a enviar e receber mensagens de textos simples para a interaçãoe-mail para resolver todo tipo de problema, a entre os mais diversos grupos. Na Europa, eparticipar de listas de discussão e de grupos principalmente na Finlândia e Suécia, o que temde notícias. Em suma, a Internet lhes feito muito sucesso entre os usuários depossibilitou a invenção de novas formas de portáteis é o serviço SMS (Short Messagingcomunicação, sem grandes preocupações com Service - serviço de mensagens curtas), que éa presença física ou com a situação geográfica o equivalente no mundo dos “sem fio” ao e-maildos interlocutores, sem precisar sequer dar dos computadores. Hoje ele é o serviço maisimportância, muitas vezes, ao gênero ou comum na Europa, sendo que ao longo de 2001situação social daqueles com quem se foram mais de 200 bilhões (isso mesmo!) deconversava. mensagens enviadas. Além do SMS, os Contudo, parece que o início do conhecidos serviços de e-mail, comunicadorséculo 21 está preparando outra mutação na instantâneo e chat também estão disponíveismaneira como as pessoas se comunicam. Se nos aparelhos móveis. No Brasil, o SMSolharmos para a direção certa, será possível também já é oferecido como serviço por muitasdetectar os primeiros sinais de comunidades operadoras de telefonia celular, mas ele é bemvirtuais distanciando-se dos desktops e saindo menos conhecido do público – tanto quanto eledo ciberespaço. É a chegada das comunidades é pouco divulgado.“sem fio”. A essência desses novos grupos tem Mas o que são essas comunidadesum nome: mobilidade. Eles se conectam por virtuais móveis? Como será que elas funcionamtelefones celulares, palmtops ou pequenos em aparelhos como os celulares e palms, porrádio transmissores de curto alcance. São os exemplo? Eles são tão minúsculos e66 As Comunidades Virtuais
    • INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO: teoria & práticadesajeitados para falarmos ou tomarmos nota Ora, mesmo com esses recursosde algo, que fica impossível imaginar que disponíveis, que permitem quando muito umaalguém consiga, além disso, digitar mensagens comunicação monossilábica, fica difícil pensarpara participar de um chat! Será que nossas numa comunidade virtual móvel de formadefinições de comunidade ainda se aplicam similar aos grupos que se formam na Internet.nesse caso? Essa última parece ser um ambiente mais favorável à multiplicação de idéias, de As pessoas associam comunidade comentários e discussões, assim como évirtual, em geral, com as mensagens lineares propícia à busca por informações complexas.que podem ser acompanhadas num fórum de Sob esse aspecto, o ciberespaço é mesmo umdiscussão on-line. Mas o modo como essa lugar desprovido de materialidade, de presençadiscussão é experimentada na tela do física, que é aliás aquilo de que muitoscomputador, não é o mesmo de como ela o é reclamam. O ciberespaço é basicamente umnum celular, palm ou pager. As restrições do meio que favorece a comunicação nãotamanho da tela, da memória, da banda de presencial.transmissão e da navegação acabamquebrando o curso linear de uma conversa em Já as comunidades virtuais que seinumeráveis pedaços. Os usuários, então, só formam em torno de celulares, palmtops etêm acesso a partes da discussão, o restante outros dispositivos sem fio têm funcionado,estando acessível apenas em seus PCs. No cada vez mais, como apoio a açõescaso dos chats, inventou-se um sistema bem coordenadas de grupos num espaçooriginal para facilitar a composição de geográfico. Por isso a afirmação de que amensagens no telefone celular: as shortcuts, essência dessas comunidades é o movimento,um pequeno arquivo com mensagens pré- a reunião dos grupos em espaços físicos. Éprogramadas. Digitando-se dois ou três conhecido o exemplo em que grupos de jovenscaracteres, podem-se obter rapidamente adolescentes de Helsinque, conectados emexpressões, frases, perguntas e respostas seus celulares por todo o canto, combinamprontas, que ajudam o usuário nessa árdua numa fração de segundos um encontro numtarefa que é escrever dispondo de oito teclas16. shopping. Eles chegam como enxames! Os agentes inteligentes também Essas comunidades servem,desempenham um papel importante nos literalmente, para muitas pessoas se acharemaparelhos móveis, justamente porque tarefas umas às outras, e se conhecerem em grupo.como digitar mensagens e navegar através de Isso é experimentado em raras ocasiõesmenus ainda são particularmente difíceis quando se trata de comunidades que evoluemnesses dispositivos. O uso de agentes serve na Internet. Mas aqui, entre os sem fio,para atenuar o esforço da pessoa, seja encontrar-se presencialmente parece ser o queantecipando a palavra que ela começou a digitar, há de mais interessante. Rheingold nos fala deseja reduzindo uma lista de restaurantes locais ativistas que se mobilizam nas ruas e de jovenscom base em suas preferências ou lhe que se encontram em clubes. É o oposto dosauxiliando na busca de informações filmes de ficção científica, em que chips sãorelevantes17. inoculados em seres humanos para controlá- los em suas ações e deslocamentos físicos. 67Informática na Educação: teoria & prática, Porto Alegre, v.8, n.2, jul./dez. 2005. ISSN 1516-084X
    • INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO:teoria & práticaAqui, parece que um potencial de revolução 8 Blogs e fotologs - A novapermanente encontra-se entre as mãos dos “cultura”jovens. Os blogs parecem uma espécie de Dois produtos para crianças e reação à afirmação de que na Web haveria umaadolescentes, lançados recentemente nos proliferação de identidades simuladas. No casoEstados Unidos, chamam a atenção justamente dos chats, isso parecia bem evidente parapara esse fato. Um deles é um curioso alguns críticos, devido em grande parte àbrinquedo lançado pela empresa Hasbro, que enorme quantidade de nicknames. Em fórunsé alimentado com três pilhas e opera através isso seria menos evidente, mas não menosde uma banda de rádio de curta distância. As temerário, já que supomos estar em umcrianças compõem mensagens com uma ambiente “mais sério”. O fato é que a identidadecaneta, seja tocando-a no minúsculo teclado no mundo on line sempre provocou polêmicas.ou escrevendo diretamente na tela, como num Basta ver as discussões conduzidas pelospalmtop. Depois, basta aos membros de um teóricos da Ead e seu pavor de que o aluno “dosuposto “grupo secreto” ou de uma “Sociedade outro lado do computador” não seja realmentedos Cavaleiros de Avalon” pressionarem um ele! Ou então todos os problemas provocadosbotão e pronto: mensagens são enviadas de por maníacos sexuais que assediam jovensuns para os outros através de ondas de rádio através de salas de bate-papo. Contudo, háque alcançam a vizinhança. E isso sem que teóricos que afirmam que a maioria dosseus pais tenham que pagar qualquer tarifa ao usuários da Internet provavelmente não constróifinal do mês18. deliberadamente novas identidades (HINE, 2000). Devido então à proliferação dos chats e Outra novidade é a que a empresa dos avatares e nicknames, construiu-se umCybiko está promovendo, um aparelho bem pouco essa imagem de que na Web as pessoasesperto que oferece comunicador instantâneo não são as pessoas, ou de que há um enormee jogos interativos para crianças e adolescentes. jogo de faz de conta funcionando por detrás deÉ preciso estar a uma certa distância de outro milhares de mentes “verdadeiras”.usuário para poder receber os avisos e jogar. Oaparelho vibra quando um amigo – ou alguém A chegada dos blogs causa surpresaque satisfaz uma especificação qualquer – entra nesse aspecto. Essa nova forma de publicaçãoem seu raio de ação num shopping, num on line propõe de cara ser uma legítima ecinema ou em qualquer lugar em que a criança autêntica representação de seu autor.esteja19. Manifestação pura de sua intimidade. O que não era possível na correria dos chats e na confusão Esses dois exemplos servem para dos fóruns (porque fórum sempre foi uma lutaindicar o quanto as novas gerações estarão para desatar as muitas linhas discursivas, ousendo formadas numa cultura em que a uma autêntica polifonia), agora é possível comdinâmica parece ser a da mobilização física os blogs, onde alguém pode se construirpromovida por um espaço virtual, ao qual se diariamente, cumulativamente, e conversar aestá permanentemente ligado, não importa partir de um certo ponto de vista, de sua zonaaonde se esteja. Rheingold acredita que já iluminada! Aqui podemos nos lembrar das tesesnasceram as crianças que jamais usarão um de Leibniz e dos muitos caminhos possíveisPC.68 As Comunidades Virtuais
    • INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO: teoria & práticaque podem ser percorridos dentro de uma identidades e realidades são tornadasmesma cidade. São diferentes os percursos disponíveis na Web”.para cada indivíduo, diferentes portanto a forma Há que se notar, com relação aocomo cada um pode perceber onde vive, vivendo- problema da identidade, que a experiência onse no entanto na mesma cidade. Se somarmostodos os percursos, teremos reconstituído uma line pôs à prova esse velho tema filosófico. Isso ficou muito claro quando tivemos a explosão depluralidade de mundos dentro de um mesmo e agentes inteligentes que funcionavam com baseúnico mundo! na auto declaração do perfil das pessoas. O Do mesmo modo, para além do seu melhor exemplo é o que funciona no site dopróprio blog, para além dessa pequena região New York Times, abuzz.com, que nos mostra oiluminada de cada um, há os links, que quanto é difícil para uma pessoa o ato de sepromovem justamente a existência de um auto declarar, ou seja declarar suasmundo maior que o mundo pessoal. Pertencer preferências, seus conhecimentos, suasa um mundo, eis o que o blogueiro também competências. Todos nós, quando confrontadosquer. E a remissão de links pode ir ao infinito com a necessidade da auto-avaliação ou autopois, diferentemente da grande maioria dos descrição, somos menos fiéis do quesites, a liberdade de se colocar links em blogs é gostaríamos de ser. Não por vontade detambém o que dá a sua força e interesse. Nesse enganar aos outros ou a nós próprios, masjogo de referências, vale lembrar dos softwares sobretudo porque esse tipo de inflexão sobre sigratuitos de referrers, ou seja, dos softwares não é usual. Não é que não pensemos em nós,que revelam os sites ou blogs que fazem mas não nos confrontamos cotidianamentereferência ao seu, aqueles que possuem um com a necessidade de se descrever! Portanto,link para você. No caso dos blogs, o fato de de se colocar para fora de si, de se apresentar.haver uma comunidade de “blogueiros” já nos A experiência do Abuzz mostra que, dedá uma idéia, mesmo que aproximada, de fato, é na dinâmica das ações que melhorquem refere-se a quem. Isso produz uma visãode mundoWeb mais palpável do que nas compreendemos uma pessoa, seus gostos,comunidades virtuais via chat e fórum. Os blogs preferências, conhecimentos, etc. Não esqueçamos que todo coletivo é umasão povoados por outdoors, verdadeiras portas negociação constante de preferências. O que oque nos levam aos mundos vizinhos do agente inteligente do Abuzz faz é construir umblogueiro, zonas de proximidade semântica. A perfil dinâmico da pessoa, seguindo seusreferência aqui é proposital, pois se trata mesmode uma espécie de web semântica (aquela passos no site, procurando “entender” o queproposta por Tim Berners-Lee), só que ela efetivamente gosta ou prefere. Esse perfil dinâmico acaba por se diferenciar em muitoconstruída no braço pela rede de “blogueiros”. daquilo que foi declarado inicialmente pelo9 A identidade X perfil dinâmico usuário como sendo “minhas preferências”. Então, no caso da comunidade virtual Abuzz, as Como diz Christine Hine, “ao invés de se pessoas passam a interagir segundo suasperguntar sobre o que são identidades mais legítimas preferências e acabam porrealmente e se a realidade está realmente lá, receber de uma máquina, como feedback, umamelhor é procurar saber como, onde e quando imagem de si, que talvez possa até lhe 69Informática na Educação: teoria & prática, Porto Alegre, v.8, n.2, jul./dez. 2005. ISSN 1516-084X
    • INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO:teoria & práticasurpreender, mas que é baseada no que de O blog não seria então exatamente umfato ela faz, troca, pratica, conversa, etc. O agente diário, forma que guarda sobretudo opiniões nãointeligente não investiga quem as pessoas publicáveis sobre os que rodeiam alguém. Isso“realmente” são, ele apenas procura interagir porque essas opiniões são muitas vezescom características de sua identidade com as “disruptivas”, desagregadoras, nocivas emquais entra em contato. Assim, as identidades relação ao outro, e outras vezes não publicáveissão tratadas como performances localizadas, porque retratam pontos frágeis do próprio autor,como perfis dinâmicos. situações de temor não resolvido, fruto exclusivo da relação entre a “cabeça” de quem as produz10 A fabulação: construção com o mundo (real ou imaginário).coletiva da intimidade e do imaginário Talvez por isso muitos blogs possam ser No caso dos blogs as coisas são ainda considerados uma manifestação dodiferentes em relação às conhecidas narcisismo ainda mais forte do que os diários.comunidades virtuais. De fato, dizer que um blog Em sua confecção eles procurariam preservarpessoal é uma espécie de diário íntimo seria seus autores da exposição de “segredos” quenão atentar para o que de fato ocorre. A pessoa seriam lançados no mundo aberto dosaté pode começar seu blog valendo-se de suas comentários. Por outro lado, é aqui justamentelembranças cotidianas, que incluem notícias, que reside a força maior dos blogs: afinal quemassuntos corriqueiros, ouvi dizer, além dos se interessa por esses pequenos segredos,aspectos pessoais, aquilo que mais por esse cotidiano tão cotidiano que se tornapropriamente pertenceria ao “íntimo”. Mas a intolerável, insuportável, como diz Deleuze!simples publicação dessas lembranças, Diante do intolerável e do insuportável só noscontudo, faz delas outra coisa, algo que pode resta fabular! É aqui que começa a literatura, oser interpretado por um outro, avaliado e momento em que alguém se põe a fabular sobrecomentado. A partir do momento em que uma si e sobre o mundo.interpretação (sob o nome de comentário) seinterpõe nas “páginas” do blog, o que de fato 11 Literatura blogcomeça a dirigir a composição do blog é uma Essa discussão a propósito damistura de pessoas, de pontos de vista, de fabulação nos leva por caminhos beminteresses e preferências. Voltamos ao aspecto interessantes. Muitos percebem hoje nos blogsdo jogo de preferências como química doscoletivos. Desde que alguém se põe a falar uma nova forma de literatura. Há realmente escritores que se utilizam de blogs para construirsobre “si”, este “si” adquire diversas faces seus textos, outros para conversar com odependendo das interpretações com as quais público, ter idéias, como se diz. O fato é que háele se defronta. Os caminhos do “si”, seus 10 anos atrás diziam que a literatura estavadesdobramentos página após página não são, moribunda, quase defunta. Diante de umadigamos assim, definidos por ele próprio, maspela rede que passa a formar, e da qual máquina editorial e de distribuição inteiramente dirigida pelo mercado, pelo hit-parade, pelosdepende de certa forma. O que presenciamos, top ten , como dizia Deleuze, pela política dosentão, é uma espécie de construção coletiva da best sellers, não restava mesmo muito coisaintimidade. aos jovens perdidos no deserto da literatura70 As Comunidades Virtuais
    • INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO: teoria & práticasenão mendigar de porta em porta, como aliás beleza através das palavras (lembram-se doo fizeram muitos nomes da literatura mundial, Brasil Legal de Regina Casé. Os blogs traduzemHenry Miller que o diga. melhor que os chats essa banalidade cotidiana, que preenche a vida de todos nós. Mas também Acontece que a cosmo demoníaca hoje nos abrem para os efeitos de fabulação, comovirou outra coisa, virou uma inflação de escritura, em Clara Averbuck e Joca Reiners Terron.palavras e frases publicadas por todos os lados.Os jovens escritores não estão mais no deserto, 12 Fotologsestão no meio de uma avalanche de blogs, queé a forma moderna de produção através da qual Os fotologs são, em sua maioria,eles têm que se afirmar, realizar uma obra. Hoje trabalhos em fotografia mais do que fotos pessoais. Essas, na verdade, freqüentam muitoesse jovem não está mais no limbo, solitário, mais os blogs do que os flogs. Um flog é umano abandono do único mundo sobre o qual, interpretação do mundo através da câmerafinalmente, ele deveria escrever. Agora esse fotográfica de seu autor ou de fotos que elejovem autor se debate em meio a uma profusãode interpretações do mundo, que soam como considera especiais. Com certeza os fotologsum alvoroço em meio ao qual ele deve lançar são ótimos suportes para experimentações em arte e, mais ainda, para uma arte com interaçãosuas frases, verdadeira construção coletiva de através dos comentários que as pessoasnosso imaginário contemporâneo. deixam. Além disso, é possível navegar horas A fabulação, não esqueçamos, é a por flogs através dos links na lista dos fotologsconstrução de muitos mundos nesse único dos amigos. Como a lista é composta pormundo, é a produção de uma dimensão afetiva pequenas fotos, podemos navegar de link eme artística que salta do interior mesmo da link só pelo prazer que as fotos nos despertam.banalidade cotidiana. É por exemplo o poder Então, há uma relação entre os flogs e ados documentários de Jean Rouch e Eduardo construção de uma comunidade orientada peloCoutinho. O homem comum não fala apenas olhar, pela fruição das imagens. É uma formade sua miséria, da falta, da injustiça que lhe de compartilhar coletivamente tanto seu pontoacomete. Ele tampouco fala apenas do blá blá de vista sobre o mundo, como incluir nele suablá cotidiano que nos rodeia, esse universo do estética. Um flog desse gênero bem conhecidoefêmero que alimenta nossas redes sociais. O é o da brasileira Sinistra (www.fotolog.net/homem comum também fabula, também produz sinistra). Trata-se de uma fotonovela construídaReferênciasBRADSHAW, Jeffrey M. (org.). Software Agents. Massachusetts: MIT Press, 1997.D’AMARAL, Márcio Tavares (org.). Contemporaneidade e Novas Tecnologias. Rio de Janeiro: SetteLetras, 1996.DAVENPORT, Thomas; BECK, John. A economia da atenção. São Paulo: Campus, 2001DIZARD JÚNIOR, Wilson. A Nova Mídia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.ERCÍLIA, Maria. Internet. São Paulo: FolhaExplica, 2000.FIGALLO, Cliff. Hosting Web Communities: building relationships, increasing customer loyalty, andmaintaining a competitive edge. Nova Iorque: Wiley Computer Publishing, 1998 71 Informática na Educação: teoria & prática, Porto Alegre, v.8, n.2, jul./dez. 2005. ISSN 1516-084X
    • INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO:teoria & práticaFOSTER, Don. Author Unknown: on the trail of anonymous. Nova Iorque: Henry Holt & Company,2000.FRAGOSO, Suely. De Interações e Interatividade. In: Compós, X Encontro. Santos: UniversitáriaLeopoldianum, 2001.HAYLES, Katherine. How we became post-human: virtual bodies in cibernetics, literature andinformatics. Chicago: Chicago Press, 1998.HINE, Christine. Virtual Ethnography. Londres: Sage Publications, 2000.JENSEN, Jens F. “Interactivity – Tracking a New Concept in Media and Communication Studies”. In:Paul A. Mayer (org.), Computer Media and Communication. Oxford: Oxford University Press, 1999.JOHNSON, Steven.Cultura da Interface. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.KIM, Amy Jo. Community Building on the Web. Berkeley: Peachpit Press, 2000.LEMOS, Andre; PALACIOS, Marcos (org.). Janelas da Cibercultura. Porto Alegre: Sulina, 2001.LÉVY, Pierre. A Conexão Planetária: o mercado, o ciberespaço, a consciência. São Paulo: Editora34, 2001._____. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 1999.MAES, Pattie. Agents That Reduce Work and Information Overload. In: Jeffrey M. Bradshaw (org.),Software Agents. Massachusetts: MIT Press, 1997.ROBINS, Kevin; WEBSTER, Frank. Times of the Technoculture: from the information society to thevirtual life. Nova Iorque: Routledge, 1999.SHAPIRO, Andrew. The Control Revolution. Nova Iorque: Public Affairs, 1999.STEFIK, Mark. Focusing the Light: Making Sense in the Information Explosion. In: The Internet Edge.Massachusetts: MIT Press, 1999.STEFIK, Mark. Internet Dreams: archetypes, myths, and metaphors. Cambridge, Massachusetts:MIT Press, 1996.SWANN, Phillip. TV dot Com: the future of interactive television. New York: TV Books,2000.TURKLE, Sherry. Life on the screen. Nova Iorque: Simon & Schuster, 1995.VAZ, Paulo. “Mediação e Tecnologia”. In: Mídia, Cultura e Tecnologia. Rio de Janeiro: RevistaFamecos, dezembro de 2001, pgs 45-58.WERTHEIM, Margaret. Uma História do Espaço de Dante à Internet. Rio de Janeiro: Jorge Zahar,2001.Notas1 Vide <http://www.wholeearthmag.com>, <http://www.well.com>, <http://www.rheingold.com>.2 Apesar de encerrada, a página continua ativa: ver acima: <www.the-park.com>.3 Vide idem: <www.respublica.fr>, <www.multimania.fr>, <www.caramail.com>.4 Pierre Lévy, Cyberdémocratie. Paris: Odile Jacob, 2002.5 Amy Jo Kim, Community Building on the Web. Berkeley: Peachpit Press, 2000. Pode-se consultaro site da autora, www.naima.com/community, que possui links para sites que disponibilizamferramentas para se construir comunidades virtuais, fóruns de discussão sobre o assunto, etc.Outro livro importante é o de Cliff Figallo, antigo diretor da comunidade WELL, Hosting Web72 As Comunidades Virtuais
    • INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO: teoria & práticaCommunities: building relationships, increasing customer loyalty, and maintaining a competitiveedge. New York: Wiley Computer Publishing, 1998.6 Turoff, 1976, citado por Rheingold, A Comunidade Virtual. Lisboa: Gradiva, 1996.7 Rheingold atesta, contra os incrédulos que desconfiam desse tipo de troca de conhecimentos einformações, que “na comunidade virtual que melhor conheço, o conhecimento bem apresentadoé uma valiosa moeda de troca (...) Quem fornece respostas rigorosas e bem escritas ganhaprestígio ante toda a audiência virtual. Os especialistas entram em competição para a resoluçãodos problemas”.8 P. Lévy, op. cit.9 O artigo em questão, publicado na Web em 15/01/01, pode ser encontrado procurando-se por“feedmag” em <www.archive.org>10 Cf. Rheingold, op. cit., cap.1.11 <www.cnn.com>12 Seguindo um pouco esse gênero, encontramos em www.salon.com uma comunidade quefunciona com comentários sobre os mais diversos assuntos, notícias, produtos e serviços. NoBrasil, um exemplo é o do site Caros Amigos, que possui uma comunidade virtual bem ativa eque se formou em torno das notícias e informações veiculadas pela revista.13 Ver também <www.politics.com> e <www.grassroots.com>14 Essas pesquisas encontram-se disponíveis em <www.participate.com/research/>15 Os americanos utilizam as expressões: wireless, para sem fio, always on, para sempre ligado.16 Exemplo de alguns shortcuts disponíveis em <www.mgage.com>: digita-se “@1” para se obter“Hi There!”, “@2” para “Nice to meet you all”, “@30” para “Wanna go to the movies?”, e assim pordiante.17 O agente que antecipa as palavras que o usuário está digitando no celular é fruto da tecnologiaT9, desenvolvida pela empresaTegic, subsidiária da AOLTime Warner. Essa tecnologia já está disponível em alguns aparelhosno Brasil.18 Consulte <www.tigertoys.com>19 Consulte <www.cybiko.com>Recebido em novembro de 2005Aceito para publicação em dezembro de 2005Rogério da CostaProfessor no Programa de Pós-graduaçãoem Comunicação e Semiótica da PUC-SP.E-mail: rogcosta@pucsp.br 73Informática na Educação: teoria & prática, Porto Alegre, v.8, n.2, jul./dez. 2005. ISSN 1516-084X
    • INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO:teoria & prática74 As Comunidades Virtuais