Relatoria do sc do cff   diamantina mg
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Relatoria do sc do cff diamantina mg Document Transcript

  • 1. Seminário de ConstruçãoCURSO DE FORMAÇÃO FEMINISTA1 a 3 de Março de 2013, Diamantina MG. ABEEF – FEAB
  • 2. PROGRAMAÇÃO: 01/03 02/03 03/03 História do feminismo, das lutas Método (8h às 10h) feministas e auto- - Chegada e MANHÃ organização das Proposta de grade. Recepção mulheres. (10h – 12h) (8:30h-12h) Resgate/importância Apresentação do debate do Proposta de e Abertura Feminismo dentro Ementa, Assessoras. (14h as 16h) das Executivas (14h – 16h) - (14h as 15:30h) - TARDE Formação: - Encaminhamentos Patriarcado e Divisão em Avaliação Capitalismo Executivas (16:30h – 18h) (16:30-18hs) (15:30h – 17h) Repasse (17h – 18h) Formação: Patriarcado e Objetivos, caráter, Capitalismo sujeitas e princípio. (19h–20:30h) Sessão Pipoca e (19h – 21h) NOITE - Hasta Luergo - Mercado Cultural (21h-00h) Velho(21h- 00h) 1- Apresentação e Abertura: Rodada de Apresentações: Bell (CR Mata Atlântica ABEEF – Lavras MG);Andressa (CR Caatinga ABEEF – Cruz das Almas BA); Tamara (CN FEAB – Cruz dasAlmas BA); Priscila (Coletivo Retalhos de Fulô – Diamantina MG); Cibele (CN ABEEF– Belém PA); Bárbara (ABEEF – Diamantina MG); Thaís (Coletivo Retalhos de Fulô –Diamantina MG); Bruna (ABEEF – Diamantina MG); Bruna Lara (ABEEF –Diamantina MG); Paula (NTP de Gênero e Sexualidade FEAB – Diamantina MG);Carina (FEAB – Lavras MG); Taís (ENEBIO – Lavras); Stephanie (Coletivo Retalhos deFulô – Diamantina MG); Maíra (NTP de Gênero e Sexualidade FEAB – DiamantinaMG); Bianca (NTP de Gênero e Sexualidade FEAB – Diamantina MG).
  • 3. Durante a rodada de apresentações as mulheres presentes colocaram suasexpectativas para o Seminário de Construção e o que cada uma espera com arealização deste Curso. A partir disso, conseguimos visualizar que estamos comobjetivos comuns em fortalecer a auto-organização das mulheres em nossasexecutivas e coletivos e que o curso irá nos despertar a isto. Em seguida foram apresentadas nossa programação, a metodologia dos espaçose os acordos coletivos. Onde estamos? – Paula FEAB. Apresentação dos Vales do Jequitinhonha e Mucurí: O processo de ocupação daregião se deu quando começou a exploração do Diamante, característica forte daregião e da cidade de Diamantina. A região é caracterizada também pela fortepresença de camponeses, muita gente ainda mora no campo e existem muitascomunidades tradicionais, por isso a região carrega o estigma de ser o “Vale damiséria” e pouco desenvolvida, pois a economia é voltada para o consumo própriotendo uma economia interna. A partir da década de 70 houve alguns projetos dogoverno para o desenvolvimento da região e as localidades do cerrado, que eramcomunitárias, a partir de então passaram a ser devolutas o Estado e destinadas àsempresas privadas para produção eucalipto, expulsando os povos das suas regiões.Outro projeto foi a usina hidrelétrica de Irapé no rio Jequitinhonha, que veio com ointuito de trazer o progresso para região, mas trouxe muitas contradições. A regiãodos Vales é dividida em baixo, médio e alto, onde o baixo caracteriza-se por umlatifúndio atrasado e é onde está localizada a maior concentração deassentamentos do MST e onde ocorreu o Massacre de Felisburgo, em que olatifundiário Adriano Chafik executou 5 trabalhadores rurais e deixou feridos eescolas e barracos queimados no acampamento Terra Prometida. O massacrecompletou 8 anos e Chafik encontra-se impune e a região tem se mobilizado emtorno de uma Campanha por justiça a Felisburgo. A região do médio se caracterizapela grande migração dos trabalhadores para trabalhar no corte de cano nosudeste do país, onde as mulheres são conhecidas como “As viúvas dos maridosvivos”, por passarem por dificuldades tendo seus maridos por muito tempo fora decasa. Nos altos do Vale outro problema encontrado é a questão da compensaçãoambiental, sendo a cidade de Diamantina cercada por essas áreas privadas, ondeos trabalhadores e apanhadores de Sempre Viva (cultura de flores característica daregião e base econômica) e os quilombolas sofrem muito com as expulsões. Aregião apresenta uma grande quantidade de movimentos sociais organizados. A UFVJM: Inicialmente houve a criação da FAFEOD (Faculdade Federal deOdontologia) com apenas com curso de odontologia, que posteriormente
  • 4. transforma-se em FAFEID (Faculdade Federal Integrada de Diamantina) chegandoos cursos de agrárias e depois abrangendo a área de saúde. Em 2005 torna-seUFVJM (Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucurí) com umcampus em Diamantina e outro em Teofilo Otoni. Ela foi criada com a luta dapopulação que reivindicava os cursos, mas de fato não visou atender a demanda daregião. Em Diamantina muitos estudantes se organizaram em coletivos, sendo omais antigo o Aranã de Agroecologia e o coletivo de mulheres Retalhos de Fulô. AFEAB já é organizada a um bom tempo, inicialmente era composta por alunos dezootecnia e enfermagem, além da Agronomia, e a ABEEF está presente desde2001, mas passou um tempo desativada voltando as atividades em 2011. Existetambém o grupo de mobilizações chamado Estudantes em Movimento, compostopelos estudantes de humanidades, e a ENEBIO vem aos poucos se organizando. Osgrupos organizados possuem identificação com os vales e as comunidadespresentes e estão contribuindo na luta desses povos. 2- Formação: Patriarcado e Capitalismo – Amanda (Ex-FEAB – BH MG) O debate foi iniciado com uma pergunta a todas de quanto entendíamos sobreas relações patriarcais, algumas meninas apresentaram que ainda possuemconhecimento superficial e foi falado da importância sobre nos aprofundarmos naquestão para entendermos a estruturação da sociedade machista que vivemos.Amanda fala sobre a importância de nos aprofundarmos nos estudos e realizarmosleituras. Num primeiro momento foi realizada a leitura individual dos textos: “Divisãosexual do trabalho e relações sociais de sexo” (Dicionário Crítico do Feminismo deDaniele Kergoat) e “O trabalho das mulheres na sociedade capitalista – Algunsenfoques para reflexão” (Elaine Bezerra e Érica Dumont). Logo após iniciamos umdebate, apontando alguns pontos do texto como a diferenciação do trabalho, asdúvidas sobre o surgimento da família e a apropriação do trabalho doméstico ejornada dupla das mulheres. Em seguida, Amanda iniciou uma explanação colocando a importância deentender o que é o sistema capitalista e como o trabalho funda o ser social (nossacapacidade de se humanizar). O trabalho é a capacidade do homem modificar amatéria e a forma como cada sociedade organiza o seu trabalho define as suarelações e a medida que realizamos novas formas de trabalho criamos novasrelações sociais. Para compreender melhor o contexto de como surge a sociedadebaseada no patriarcado precisamos voltar à história holística e fazer as análisessociais, baseando-se no livro “A origem da família, da propriedade privada e doEstado” de Friedrich Engels.
  • 5. Na Sociedade de Coletores o homem colhia o que era produzido pela natureza enão existia a relação de mediação capital para transformação da natureza com otrabalho, ao passo que essa mediação foi se desenvolvendo foi iniciando-se oprocesso de humanização, que é o fundante da sociedade. Assim, iniciam-se osprimeiros modos de produção (idade da pedra lascada, idade do fogo, etc) e vão sedesenvolvendo junto as primeiras formas de família, que nem sempre foi colocadacomo a base da nossa sociedade. A primeira forma de relação entre os sereshumanos em processo de humanização é a tribo ou os grupos, onde viviam livres esem relação de posse tanto materiais quanto para as pessoas. O primeirorompimento que existe nessa forma de organização é a Família Consanguínea,onde as relações sexuais deixam de existir entre pais e filhos, na verdade este é umpré-estágio do modelo de família que mais tarde vem a se tornar monogâmica. Tempos após, no segundo rompimento, surge a Família Panaluana, quando asrelações sexuais não ocorrem mais entre irmãos e apenas nas categorias quesurgem de primos e tios, o trabalho começa a ficar mais avançado e surgemprincípios de posses, onde os homens disputam territórios e saem para caças e amulher começa a controlar a prole tendo que determinar quem são filhos, tios,primos e sobrinhos. A partir de então mulher fica mais voltada para o ambienteprivado e o homem começa a assumir a responsabilidade de determinar o queseria a propriedade. Apesar da mulher e do homem desempenharem diferentesfunções de trabalho, nenhum dos dois é determinado como superior ou inferior, aforça do homem para a caça não é determinante para estas relações, é umacaracterística biológica que não delimita nada. Nesta fase também é inventado ociúme e o amor, e a invenção do incesto cumpre o papel de criar um padrão defamília. Começa-se a existir o sentimento da propriedade. O terceiro rompimento é o que cria a Família Sindiásmisca, quando as relaçõespassam a se dar entre pares, mas essa condição é dada somente para a mulher e ohomem continua sendo poligâmico. Nesta fase a propriedade privada é firmada e opapel do homem é controlar os meios e os territórios, fazendo com que o trabalhodo homem seja mais importante do que o da mulher em controlar e reproduzir aprole. Assim, já se estabelece uma divisão sexual do trabalho com condições desuperioridade para o trabalho do homem. A família monogâmica por fim é estabelecida no quarto rompimento, asrelações sexuais passam a ser em pares tanto para o homem quanto para amulher. Este modelo de família se mantém até os dias de hoje e é capaz de mantero controle da propriedade privada. A necessidade de estabelecer esse tipo defamília surge para manter uma relação de parentesco e direito a herança dos bensmateriais, onde cada vez mais a mulher fica voltada ao espaço privado parareproduzir e para que o homem tenha certeza de quem é sua linhagem que terádireito à sua herança. Neste momento o trabalho desempenhado pela mulher écolocado em condição de subordinação quanto ao homem, temos então o
  • 6. Patriarcado, que é a síntese das relações sociais que colocam a mulher neste papele determina ao homem poder de decisão, onde seu trabalho é mais valoroso porestabelecer a moeda de troca das posses. O patriarcado é apropriado e reestruturado pelo sistema capitalista paramanter sua estrutura de exploração do trabalho e produção de valores. OCapitalismo quando implantado gera desigualdades sociais tanto na forma detrabalho quanto no acesso as riquezas geradas por ele, onde há uma divisão socialdo trabalho que na verdade é primeiramente estabelecida na divisão sexual dotrabalho. Esta divisão tem como princípios a separação, que divide o que é dohomem e o que é da mulher, e a hierarquização, que coloca o trabalho do homemcomo superior ao da mulher. Dessa forma, a divisão se baseia nos gêneros, osquais são construídos socialmente e culturalmente e não biologicamente, comodescrevemos aqui. Ao fim da explanação da Amanda, foi debatido entre todas as mulheres comoeste modelo capitalista patriarcal influencia diretamente em nossas realidades ecomo no caso do curso das agrárias as divisões das nossas atividades são claras. Hátambém reflexos destes modelos dentro da nossa militância, onde práticasmachistas são também naturalizadas como em toda sociedade e que mesmoreconhecendo e afirmando que elas existem nós precisamos ainda avançar muitopara desconstruí-las. Para isso é necessário a auto-organização das mulheres,porque só nós que sentimos na pele essas divisões e o machismo que sofremospodemos protagonizar a luta contra o patriarcado e estabelecer as nossas pautas enecessidades. É necessário também avançarmos nos espaços mistos para levarmosas pautas para os companheiros e que eles consigam avançar para desconstruir omachismo nas suas práticas, mas antes precisamos nos fortalecer e criaridentidade para colocar, com preparo e propriedade, quais são as nossasdemandas para debate com eles. 3- Formação: História do feminismo, das lutas feministas e auto- organização das mulheres. – Érica (MMM MG) A companheira Érica fez uma introdução explicando a necessidade de realizarum estudo aprofundado de cada momento histórico onde se começa anecessidade de organização das mulheres, levando em consideração o surgimentodo Feminismo a partir de quando as mulheres se compreendem dentro dacontradição da divisão sexual do trabalho e se organizaram para desestruturar dealguma forma os princípios patriarcais. Num primeiro momento foi colocada a análise de 3 ondas feministas, que éuma forma de separar a história, mas não quer dizer que tenha ocorridoobrigatoriamente nessa ordem em todo tempo e lugar. Essas ondas perpassam
  • 7. uma pelas outras e em alguns lugares alguns elementos não passaram pelo mesmoprocesso, como é o caso do Brasil, mas são necessárias para compreender comosurgiram as vertentes feministas existentes hoje. A primeira onda do feminismo ocorreu entre os séculos 19 e 20, de 1868 a1879. Era o momento onde estouravam a Revolução francesa e Norte Americanapela luta por direitos entre Republicanos, onde também muitas pessoas seorganizavam para exigir seus direitos e as mulheres começaram a despertar para ascontradições vividas por elas. Algumas mulheres começaram a se organizar dandoorigem ao Movimento de mulheres sufragistas, que reivindicavam o direito aovoto, acesso à escola e às heranças e bens patrimoniais. Essa movimentação entãoficou conhecida como o Sufrágio Universal, pois as pautas giravam em torno dedireitos universais que os homens tinham e que as mulheres também começaram aexigir. Porém, era um movimento de mulheres burguesas, que se por um ladoconquistariam alguns direitos às mulheres como um todo, por outro demarcavamseus interesses de classe quando reivindicava controlar suas próprias riquezas eisto não era de acesso a classe proletária. Mas ainda assim as mulherestrabalhadoras começam a apoiar as sufragistas em busca de seus direitosuniversais. Em 1879 foi publicada a primeira obra que colocou um olhar das mulheresproletárias dentro do feminismo, o livro chamado “A mulher e o socialismo” deAugust Bebel, mas foram descritas formas utópicas colocando que a opressão dasmulheres teria um fim automaticamente quando se atingisse o socialismo. Estateoria foi defendida pelo Partido Democrático Alemão, que percebeu queprecisava acrescentar as pautas das mulheres em suas formulações. A partir deentão muitas trabalhadoras começam a aproximar do socialismo e se interessar emfazer parte do partido. Porém, nesta época era ilegal pela constituição a mulherparticipar dos partidos e assim surge a primeira auto-organização das mulheres,que não podendo entrar na política eram excluídas dos partidos e foram “forçadas”a buscar sua forma de organização política. Em 1910 as mulheres socialistas auto-organizadas eram cerca de 75 milmulheres e com suas manifestações elas conquistaram o direito a fazer parte dospartidos políticos mudando as leis do país. Depois dessa conquista algumasentraram para o partido, mas a maioria continuou com a auto-oganizaçãooriginando o Movimento de Mulheres Sociais Democratas, que tinha comolideranças a Clara Zctek e a Alexandra Kolontai. Até então as reivindicações eramos direitos universais, mas as feministas socialistas se diferenciavam das burguesasporque além disso elas pautavam um rompimento na estrutura do sistema desociedade, enquanto as burguesas visavam sua autonomia individual. Dessa formaas socialistas ficaram conhecidas como Feministas Radicais e as burguesas comoFeministas Liberais. “O gênero une, a classe separa!”
  • 8. A segunda onda do feminismo começa em 1960 e termina na década 70. Entreo fim da primeira onde e o início da segunda existe uma lacuna muito grande naluta das mulheres. Elas já haviam conquistado direito ao voto e à escola, masquando as feministas radicais começam a se distinguir enquanto movimento em1910, o Partido Social Democrático Alemão tirou como tarefa destituir osmovimentos feministas que tivesse um discurso autônomo do partido, pelo fatotambém de que eles haviam decidido por entrar na Primeira Guerra Mundial e oMovimento Feminista não apoiava. Então as feministas foram desmobilizadas até oinício dos anos 60, quando surgem novos movimentos. Esses movimentospossuíam caráter muito parecido com os da primeira onda, continuavam lutandopor pautas universais, mas a auto-organização das mulheres era mais forte e suaimportância mais clara. No Brasil era época de Ditadura Militar e os movimentos feministas surgemjunto aos partidos e movimentações em combate à ditadura. É um período degrande efervescência dos protestos e quando as feministas ganham bastanteespaço. A segunda onde é um período curto, o qual é mais marcado pelo ressurgimentodo movimento feminista. A palavra chave desta fase é IGUALDADE, mas mulheresqueriam ter o mesmo espaço na esfera pública que os homens e tiveramconquistas como a pílula anticoncepcional e o direito de usarem calças. A terceira onda do feminismo começa no início da década de 70,especificamente no marco do Maio de 68 na Europa, e dura até os dias de hoje.Essa fase se caracteriza como um momento indenitário das mulheres e vem muitoexpandir a cultura, como por exemplo, as mulheres negras do Movimento PanterasNegras começam a exigir espaço. O marco é o reconhecimento de aimpossibilidade de fundar uma igualdade dentro do sistema patriarcal paraconquistar os direitos universais, pois os moldes da educação, da política e da vidapública em si estavam todos voltados para o perfil do homem. Feministascomeçam a afirmar “Nós somos diferentes” e ocorre um rompimento com ouniversal e surgimento dos feminismos identitários, como de mulheres negras e delésbicas. A palavra agora é DIFERENÇA, porque o universal é masculino. Muitaspluralidades dentro do feminismo começaram a surgir e surgem até hoje, o quetorna essa uma onda muito complexa, onde psicanalítica explica de diversasformas. Começa a ocorrer, por exemplo, distinções entre o feminismo e ofeminino, e existem movimentos de mulheres que além de reivindicarem osdireitos universais pautam o direito de exercer a feminilidade. E é nesta fase quesurgem conquistas e pautas contemporâneas como autonomia do corpo, aborto,políticas públicas voltadas para mulheres, creches, etc. Diante das linhas identitárias podemos separar três princípios que surgem naterceira onda: o Universalismo, o Diferencialismo e o Pós-modernismo. Dentro
  • 9. disso, Érica nos conduziu a leitura individual de textos do Dicionário CríticoFeminista, que explicam esses princípios. Logo após assistimos um vídeo sobre aTerceira Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres, que traz as pautas eorganicidade do movimento, e por último nos dividimos em três grupos paradiscussão sobre os princípios e como eles estão presentes nos movimentos atuaisque conhecemos para socialização posterior. Grupo 1: Uma das principais pautas que vemos presentes com ideaisuniversalistas é a igualdade de salário, da equidade nas representações e no acessoàs políticas públicas. Mas na realidade os princípios universalistas e diferencialistashoje em dia se misturam muito nos movimentos e não conseguimos visualizarmulheres que pautem ou um principio ou outro. Porque mesmo quando se fala nabusca por esses direitos universalistas, o olhar voltado para as especificidades damulher existe na maioria desses movimentos que conhecemos, como MMC eMMM. Érica: É difícil observar um movimento que não traz a pauta universal, hoje ouniversal reivindica dentro das diferenças, a exemplo da saúde no parto e da formade educação. Mas é preciso pensar de forma não colonizada, ou seja, pensar anossa realidade primeiro e lutar por pautas em torno dela, não adianta se espelharem movimentos avançados lá fora que não condizem com nossa necessidade dopresente. Um exemplo é a Marcha das Vadias, que apesar de apresentar pautaspertinentes não veio dialogando com as pautas da classe trabalhadora em nossopaís. Grupo 2: O diferencialismo traz pautas que nos identifica como mulheres paraconseguir a igualdade, e esse é a crítica. Identidade como processo dereconhecimento das diferenças, fortalecimento e construção da identidade dasmulheres para atingir a igualdade. Onde se pauta a Igualdade dentro dasdiferenças. Este principio está bastante presente em todas as reivindicações dosmovimentos atuais. Érica: O acesso à educação não necessariamente é nossa identidade, mas sim oacesso à educação não sexista é o que esse principio vem trazer. As forma deidentidade são complexas porque há várias, precisamos cuidado de não ir sedividindo demais porque hoje as demandas é muito identitária e acaba dividindomais do que se juntando as mulheres e nisso e feminismo pode se perder. Se nossaluta é contra o liberalismo e o capitalismo, devemos pensar no individual mastendo interesse em construir enquanto classe. As coisas andam junto para nossaidentidade de classe. Grupo 3: Foi muito complexo entender as especificidades do Pós-Modernismo ea teoria queer, muito porque nunca foi discutido antes entre as executivos e osoutros grupos. Parece uma forma de ter identidade de varias coisas, identificar-secom que quiser e lutar contra a não esteriotipação. Esse principio é identificadonos grupos que pautam é a diversidade sexual.
  • 10. Érica: O sexo é uma construção social, nós nos tornamos homens e mulheres.Este princípio afirma isso fortemente e coloca que a sociedade comunista é umasociedade sem sexo, onde cada um é livre para ser e exercer da forma que quiser.Assim age o queer, que é ausência de sexo. Ainda é preciso se aprofundar e estudaressa teoria para entender melhor as propostas. Mas na opinião politica pessoal,pensar a sociedade como queer é muito idealista, pois torna-se uma abstraçãomuito irreal de ser praticada e pautada dentro da sociedade nesses moldes, porquea sociedade ainda nos difere e precisamos romper a estrutura patriarcal queocasiona isto primeiro. 4- Resgate/importância do debate do Feminismo dentro das Executivas – Cibele (CN ABEEF) e Tamara (CN FEAB) Bruna Lara realizou uma introdução sobre a importância da discussão de gênerodentro das executivas e de fazermos um resgate histórico para entender como osdebates foram inseridos. Em seguida Cibele contextualizou essa importância comos espaços de formação que tivemos no seminário, comparando os elementos dasquestões de gênero e de divisão sexual do trabalho que ocorre em nossos cursos. Foi feito um resgate de como surge a Universidade e como ela está a serviço docapital mantendo relação com o patriarcado e como esse perfil vem sendomodificado. Os cursos das agrárias surgiram para atender uma demanda do campoe desenvolvimento do agronegócio e fortemente as relações da divisão sexual dotrabalho estiveram e estão presentes na formação. Dessa forma, existe opressãodentro das universidades e os professores a reproduzem. O quadro de inserção das mulheres no mercado de trabalho e nas instituiçõesde ensino foi se alterando com o decorrer dos anos e das lutas das mulheres.Assim, em 2010 55% dos estudantes eram mulheres, não só em cursos que eramdefinidos como “femininos”. Mas anterior a isto, em 2003, tivemos umamovimentação do M.E. muito forte pautando o papel da mulher dentro dasuniversidade, não houveram muitos avanços em questão de conquistas, porém foio ponta pé inicial para fomentar essa discussão nas executivas. Tamara fez um link com esse contexto fazendo um resgate histórico dapercepção da mulher em relação à agricultura e mostrando que com o desenvolverdo agronegócio e da revolução verde para atender as demandas do capital, quandosurge o curso de agronomia, a realidade é toda voltada para o trabalho masculino.Hoje, por mais que as mulheres tenham conquistado seu espaço e direito de cursare exercer a profissão de agrônoma, elas estão restritas a laboratórios, salas de aulae muitas vezes à atividades desvinculadas com a própria área de atuação sala deaula, levando em conta também que nem sempre consegue se formar. Dentro daFEAB historicamente não foi diferente. O espaço político sempre foi
  • 11. hegemonicamente masculino e os estudantes de agronomia organizadoscumpriam com esse papel. A medida que foi avançando a inserção das mulheresno curso de agronomia, foi crescendo aos poucos a presença das mulheres nosespaços da FEAB. O debate de gênero na FEAB começou a surgir na década de 90,através das poucas companheiras que tentavam inserir a pauta. Sendo a FEAB umaentidade que visa a construção do socialismo através da formação de seus sujeitos,já tinham certa clareza de que para avançar no socialismo era necessário avançarno feminismo também. Em 1998, Tatiana Veloso, que foi CN pela escola de Cruz das Almas, conseguiutrazer bons avanços para a Federação, como sendo a primeira mulher que levoupara o espaço da CONCLAEA o debate de gênero e a inserção da bandeira emnome da FEAB. Mas nesta época ainda era dificultoso garantir o debate dentro daFederação, pois ele sempre era realizado junto com outras bandeiras e não eraaprofundado. Além disso, existiam contradições muito fortes em relação aospróprios companheiros que discursavam sobre a importância do debate defeminismo, mas tinham práticas machistas dentro dos espaços. A partir de 2000 começa ser pautada a necessidade de uma plenária demulheres, com o intuito de auto-organização, mas foi só em 2005 que foideliberado um espaço na grade do CONEA do ano seguinte para a plenária.Durante esse período surgiram os questionamentos sobre dividir ou não a plenária,alguns afirmavam que isso dividiria a luta, mas as mulheres que já tinham algumacúmulo sobre a auto-organização por participarem de espaços dos movimentossociais ou outros coletivos conseguiram afirmar que era preciso primeiro fortalecerquem está desfavorecido dentro desse sistema machista e patriarcal, garantindo arealização da auto-organização na FEAB. Em 2006 ocorreu o primeiro espaço de formação feminista numa PNEB que foimisto, onde se conseguiu realizar debates voltados para a temática separado dasoutras bandeiras. E no CONEA de Cuiabá houve a plenária de mulheres, que foi umespaço um pouco desajustado, pois era algo muito novo e as mulheres estavam emprocesso de reconhecimento, apenas algumas mulheres já tinham tido aquelaexperiência em outros espaços da militância, mas foi muito importante para ocomeço dessa discussão. Depois de ele ser realizado houveram algumas polêmicassobre sua legitimação e se continuaria na grade no ano seguinte, mas ascompanheiras lutaram e conseguiram garanti-lo. A partir de então, as mulherescomeçaram a tocar junto as lutas do 8 de março e foram impulsionadas a seorganizarem em coletivos e se aprofundar, compreendendo seus papeis naexecutiva. As pautas que antes não saiam do falatório que deveriam avançar,começaram a ser estimuladas e concretizadas. Em 2007 as deliberações reafirmavam a importância das mulheres se auto-organizarem dentro da FEAB. A plenária de mulheres trouxe uma formação maisprofunda sobre as questões de gênero e feminismo, o espaço paralelo para
  • 12. homens também consegue acumular mais. Durante o período foram surgindodiversos debates mais profundos, como até a questão do aborto. Já em 2008, noCONEA, a FEAB demonstra a vontade de construir um curso de formação feministae avançar no debate das companheiras. No CONEA de 2009, o debate de gênerocomeçou a voltar um olhar para as mulheres camponesas e a necessidade de nosaproximarmos das mulheres da Via Campesina para engrandecer o debate. Alémdisso, muitas demandas foram geradas para formação da militância, como debatermais patriarcado, aborto, relações de gênero, lei Maria da Penha, etc. Em 2010, noCONEA, começou a se firmar as parcerias com os movimentos sociais e a seidentificar com a MMM. Citaram a importância do trabalho de base ser realizadopautando a questão de gênero para a militância nova. Surge também a demandade entender as reconfigurações da divisão sexual do trabalho e inserção dasmulheres. Em 2011, houve o espaço de auto-organização, o espaço paralelo misto parahomens e para as mulheres que não se sentem contempladas na auto-organizaçãoe posteriormente um espaço de formação de gênero, esta estrutura da plenária demulheres foi um avanço e vem se mantendo. Neste ano conseguiu-se deliberarpela inserção na frente da descriminalização da mulher legalização do aborto.Outro avanço foi a criação de um NTP de Gênero e Sexualidade, que antes erajunto com Juventude, Cultura, Valores, Raça e Etnia, que seria divido no anoseguinte. Foi deliberado também que a próxima escola que assumisse a instânciaacumulasse para a proposta da realização de um curso de formação para asmulheres, pois muitas demandas precisavam ser acumuladas e as plenárias degênero durante o CONEA não estavam sendo suficiente para garantir os debates,levando em conta também a renovação da militância e de que sempre era precisoretroceder nos debates para os militantes novos acompanharem. Outra questãoimportante que aparece nas deliberações de 2011 é sobre a garantia da equidadede homens e mulheres nos espaços de formação promovidos pela federação. Ainda antes do CONEA de 2012, houve a possibilidade de construir o cursojunto com a ABEEF, que havia deliberado em seu ultimo congresso a construção deum curso em Belém do Pará, mas não foi possível realizar. Na PENEB de 2012 NTP,que estava com Cuiabá, trouxe um acúmulo sobre a necessidade de avançartambém na questão da diversidade sexual e que esse curso que seria realizado pelaFEAB fosse misto para suprir também tal demanda. Esse fator gerou algumasdivergências no CONEA de Cruz das Almas, onde discutiu-se em que lugar seriaesse curso e como aconteceria. A princípio ficou definida a possibilidade de sermisto, mas o encaminhamento sobre sua forma foi deixado para ser definido até aPS em conversa com a ABEEF, que a essa altura já havia deliberado pela construçãodo curso em Diamantina. Neste CONEA Diamantina assumiu o NTP de Gênero eSexualidade e em conversa com a ABEEF e o coletivo Retalhos de Fulô, levou para aPS a proposta de ser Comissão Organizadora do curso da FEAB e que ele fosse
  • 13. auto-organizativo para suprir as demandas de formação das mulheres e pararealiza-lo junto com a ABEEF e assim foi deliberado. Na PS de 2012 a FEAB seinseriu na Campanha contra a violência às mulheres, lançada pela Via Campesina,acreditando ser uma forma de trabalhar a questão de gênero nas escolas eincentivar a organização das mulheres com uma pauta concreta. Fazendo uma avaliação geral, a pauta de gênero e feminismo dentro da FEAB sóavançou de fato depois que conseguiu realizar os espaços de auto-organizaçãodentro da Federação, além das formações mistas também. Houve uma inversão nalógica das bandeiras que eram trabalhadas todas juntas por um NTP, pois antesdentro dele o debate de gênero era superficial e de 2005 para cá começou a sermais aprofundado até que as outras temáticas que passaram a não ser mais tãotrabalhadas. Assim, em 2013, Diamantina inaugura um NTP só de Gênero eSexualidade. Outro avanço também é que no passar desses períodos a questão dofeminismo se volta para um recorte classista, colocando-nos nas lutas com osmovimentos e deixando claro qual feminismo queremos. Avançamos em muitaspautas do que antes se restringia apenas aos debates internos da universidade.Ainda existem desafios como a necessidade de elaborar materiais de acúmulo,formar as mulheres em renovação e combater as práticas contraditórias dosmilitantes nos espaços e fora deles. E assim, dentro da demanda de acumular e nosaprofundar em tantas pautas, principalmente para nivelar o debate das mulheres efazer com que a formação feminista esteja presente nas escolas para além dosespaços do CONEA, a construção de um curso de formação feminista está sendoconsolidada. A companheira Thaís da ENEBIO trouxe um pouco sobre sua aproximação daexecutiva, que ocorreu no primeiro período, citou que nos encontros regionais enacionais nos quais participou sempre teve o espaço de gênero, que vemavançando dentro da entidade apesar de ainda estar com um discurso superficial.Esses fatores ocorrem também por ser uma entidade ainda nova que estádefinindo seus debates. Infelizmente não tiraram como centralidade para este anoa construção do curso feminista junto com a FEAB e a ABEEF, muito porqueprecisam amadurecer o debate dentro da entidade, mas as companheiras próximase que se interessam em acumular com o curso estão se dispondo a participar. Em seguida, Cibele fez um apanhado histórico sobre a inserção da discussãofeminista na ABEEF, com contribuições da Aremita (Ex-ABEEF), que viveu algunsdesses momentos. Primeiro ela trouxe o contexto da inserção das mulheres nocurso e dos desafios que enfrentam, muito parecido com a Agronomia, assim comoa inserção das mulheres dentro da ABEEF. Levando em consideração que em 1971a ABEEF surge e se delibera com um cunho socialista e uma visão de transformaçãoda sociedade, o debate do feminismo como forma de libertação das mulheres paraacumular à essas transformações não era pautado com força dentro da entidade.
  • 14. Só em 2002 foi definida a bandeira de feminismo e começou a discutir asquestões mais para dentro da ABEEF. Mas foi em 2004 foi o marco da questão degênero e feminismo no CBEEF em Cuiabá, onde houve uma tentativa de abusosexual e com isso as mulheres da ABEEF promoveram uma reunião de mulherespara discutir o que estava acontece. Uma carta foi redigida pelas mulheres e lidana plenária final sobre a necessidade de começar a debater esse tema erepudiando o acontecimento, mas foram bastante hostilizadas peloscompanheiros. Havia dentro da ABEEF uma cultural com a temática floresGay e florestona,onde homens se vestiam de mulher e mulheres de homem de uma formapersonalista e machista, sem nenhum debate político. Avançando no debate sobreo que estava sendo as reproduções deste espaço, foi deliberada a sua proibição apartir de 2005. Porém, mesmo ele não existindo na grade muitas pessoas ainda orealizava durante as culturais. Esse ano foi também a época que teve de maneiramais efetiva a proposta de grupo de trabalhra com as questões de gênero, porém,naquele momento não foi possível internalizar, ate mesmo pelas barreirasimpostas pelos próprios militantes. A ABEEF participou do encontro de mulheres da UNE, porém não conseguiulevar o acúmulo para dentro da executiva e disputar um espaço. A auto-organização das mulheres começou a ocorrer em paralelo a espaços do congresso,onde eram feitas cartas de acúmulo pelas companheiras para leitura na plenáriafinal, sempre ressaltando a importância desse espaço. E em 2006 a carta citava aimportância da aproximação coma as mulheres dos movimentos sociais paraconseguir avançar nos debates. No CBEEF de 2007, em Aracaju, as meninas sentaram e decidiram a importânciade uma medida mais efetiva do espaço dentro do congresso. Assim, em 2008, emBelém, foi colocado pela primeira vez um espaço de gênero dentro da grade doCBEEF. No primeiro momento foi um espaço misto de formação e depois foiseparado, os meninos foram ver um filme e as mulheres foram para um espaço deauto-organização. Avaliando, não foi um espaço muito proveitoso, pois houvealguns problemas no funcionamento, assim foi definido que tinha a necessidade deuma companheira estar acompanhando o espaço dos meninos também. Em 2009, em Botucatu, foi realizado um espaço misto com o resgate dohistórico da opressão da mulher, mas houveram dificuldades por ser colocado nãoter ganho político dentro da executiva. Mas neste ano a bandeira de gênero éconsolidada. Jacqueline nos contou que em 2009, o espaço foi muito importantepara as mulheres, pois foi um momento de compreensão entre as companheiras,citando as opressões, porém, sem cunho politico. Em 2010, em Lavras, surge a criação de um grupo de e-mails entre as mulheresda ABEEF para conseguir aproximar o debate e trazer para dentro da ABEEF. Houveo espaço misto de formação, que depois foi dividido, e a socialização foi feita
  • 15. através do Teatro do Oprimido, onde foi relatado situações das meninas e dosmeninos dentro do curso. Durante o congresso essa questão da sexualidade foiaflorada durante uma cultural, com uma brincadeira que chama passa-pulso, sóque foi durante o curso de coordenadores que o debate foi politizado e essabrincadeira não foi compreendida na cultural por não ter existido um debateanterior, causou alguns constrangimentos e uma escola se retirou no congresso,mas a partir de então começou a ocorrer intervenções sobre sexualidade. Naplenária final, ocorreu uma divergência no debate de gênero, pois os meninosreclamaram que as meninas não estavam conseguindo tocar os espaços e asmeninas se retiraram da plenária. Depois dos debates foi ressaltado que ofeminismo que seria trabalhado dentro da ABEEF seria um feminismo marxista. Em 2011, em Cuiabá, foi deliberada a ideia do um curso de formação feministae dentro disso foi feita pelas mulheres uma chuva de ideias sobre os temas paraesse curso, por exemplo, patriarcado, mercado de trabalho, aborto e etc. Foisugerido que seria ou em Lavras ou em Belém, devido ao acúmulo, porém nodecorrer do ano Belém não teve como construir esse curso. Em 2012, foi ressaltada a importância de concretizar o curso e de conseguirfazer em parceria com a FEAB, onde a ABEEF de Diamantina se propôs a sercomissão organizadora deste curso. Porém algumas divergências estavamexistindo, pois a FEAB começava a visualizar um curso misto e a ABEEF já haviadefinido a necessidade de fazê-lo auto-organizado para as mulheres. Mas noCONEA de 2012, quando a FEAB de Diamantina pegou o NTP de Gênero eSexualidade, as executivas conseguiram se conversar e propor um curso com sedeem Diamantina realizado junto pelas duas executivas e com principio auto-organizativo. 5- Divisão entre as Executivas e Repasses / Construção do Sujeita, Objetivo e Caráter. A ABEEF, a FEAB, a ENEBIO e o Coletivo Retalhos de Fulô sentaram entre si paraavaliarem como anda a construção do feminismo dentro dos grupos a nívelregional e nacional e quais conquistas e avanços têm elencados para a construçãodesse curso, visualizando assim as sujeitas para o curso, os objetivos e o caráter.Em seguida ABEEF (Cibele) e FEAB (Tamara) repassaram sobre o mapeamento dasmulheres inseridas nas executivas por região e como as escolas estão tocando oscoletivos de mulheres e colocaram os pontos que visualizam para a construção docurso, assim como fez a ENEBIO e o coletivo. Foram elencadas demandas para as executivas como: conseguir dialogar econtemplar tanto as sujeitas novas no debate quanto aquelas que possuem umacúmulo maior; fazer a Federação entender a necessidade e importância desse
  • 16. curso; suprir as demandas dos debates que foram acumulando na FEAB; conseguirquebrar tabus dentro das executivas; levar o cuidado para a forma que esse debatevai ser inserido para as companheiras de primeiro contato; fazer com que o cursocapacite as mulheres para realizarem formação nas escolas e regionais. Diante das demandas das executivas, foram contemplados e compartilhadosos seguintes pontos de encaminhamento para a forma do curso:Sujeitas  Cursistas: Companheiras que estejam orgânicas nas executivas, mas que façam parte do processo de renovação e tenham ainda algum tempo de militância pela frente, e que estejam interessadas e dispostas em repassar para as escolas o acúmulo adquirido no curso (construtoras e multiplicadoras).  CPP: Mulherada que tenha mais acúmulo do debate e na executiva junto com a Comissão Organizadora e aquelas que estiveram no Seminário de Construção.  Homens (apoio estrutural): Companheiros que tenham clareza do debate e compreendam o processo pedagógico que é a participação deles na construção desse espaço para que as mulheres possam estar tocando a formação. Esses nomes devem ser tirados por indicação da CO e CN.Objetivos  Tornar mais evidente e clara a linha de feminismo que queremos seguir (recorte de classe).  Acumular e instrumentalizar as mulheres para o debate de gênero e feminismo para que possam difundir o conhecimento nos grupos.  Gerar material de acúmulo para as executivas.  Potencializar a auto-organização das escolas e para além das executivas, nos grupos e coletivos que as mulheres estão inseridas.  Enxergarmo-nos dentro das executivas como movimento feminista.  Aproximar dos movimentos de mulheres e dos grupos que pautem feminismo com recorte de classe, além de entender o que são e qual papel cumprem os diferentes movimentos feministas.  Fortalecer a Campanha da Via Campesina contra violência às mulheres.Caráter  Formativo intensivo/progressivo (Intenção de que traga uma formação aprofundada, mas que tenha cuidado em fazer um resgate inicial e inserir os debates progressivamente para que todas consigam acompanhar, levando em conta de que algumas podem estar mais aprofundadas que outras.)
  • 17.  Representativo (nomes por indicação para representar as cidades e regiões)Princípios  Auto-organização e autonomia das mulheres  Acompanhamento das companheiras. 6- Método Pedagógico Instituto de Educação Josué de Castro – Maíra (FEAB) e Bárbara (ABEEF) A intencionalidade do espaço foi apresentada para conhecermos a formateórica do método e como aplicar na prática alguns pontos do método como asfases de trabalho, encaminhando para a construção em nosso curso. O espaço então iniciou-se com a exposição do pontos principais do método quese adéquam ao curso, como sensibilização e valores que se encaixam e que devemser levados à nossa própria prática. Não são todos os pontos do método queiremos trabalhar, pois ele é um intensivo na escola do MST para convivência dossujeitos em 3 anos. Mas o método pedagógico do instituto não é fechado nemdogmatizado, ou seja, passível e flexível de adaptação de acordo com o sujeito,educandos e educadores (campesinos, mov. Estudantil, mov. Feminista). E dessaforma iremos adaptá-lo às nossas necessidades no curso. O que determina oprocesso educativo são os sujeitos e sua formação política. É a forma que vamosutilizar para conseguir alcançar os objetivos que tiramos. Existem 7 princípios filosóficos e 13 pedagógicos, que vão dizer sobre a visão domundo que temos e a pedagogia que vamos utilizar para colocar o queacreditamos em prática. Utilizamos eles quase que totalmente na íntegra porquecasa muito com o queremos (educação para a transformação social; educação parao trabalho e cooperação; educação voltada para as várias dimensões da pessoahumana..) Os objetivos da formação de um ser humano, garantindo a escolarizaçãodessas pessoas para alcançar o socialismo que acreditamos e almejamos. O método foi feito para sujeitos do campo, a realidade onde a pessoa vive é amatriz onde ela se forma. A tarefa é ajudar as pessoas a se darem conta darealidade, a serem mais críticas e movimentar para a mudança que queremos. Maso método está em permanente construção, não está fechado e sempre adaptamosde acordo com a realidade e os sujeitos. Esta aí para ser utilizado de forma quecaiba a cada realidade, ele não molda ou estabelece formas, mas indica caminhospara atingir os objetivos que visualizamos. As matrizes pedagógicas do método são: educação popular (Paulo Freire),formação política ideológica (bases teóricas marxistas), trabalho, coletividade(Makarenko), capacitação (Santos de Morais) e pedagogia do movimento (Caldart).Pelo curso ocorrer em um período pequeno, pode ser que não passemos por todas
  • 18. as fases do trabalho, mas precisamos afirmar a importância de cada processodestes no método. Existem 8 sub-linhas dos elementos pedagógicos que o método utiliza, mas nemtodos os 8 contempla o que buscamos com o curso e fazemos readaptações deacordo com o tempo/espaço que estamos inseridos, realidades e sujeitos.1. ENGENHARIA SOCIAL – fazer esboço do que queremos com essas mulheres comos tempos educativos que nascem da necessidade de mudar o conceituação de aescola não é só lugar de estudo mas de formação humana e a necessidade demudar a existência dos educandos.1.1 Tempos educativos: (tempo formatura, leitura, trabalho, plenárias, grupo etempo cultura)1.2 Trabalhos: como vai nos humanizar, reflexão sobre a organização e o jeito detrabalhar não mecanicamente, organicidade no trabalho e ao mesmo tempo areflexão de como está sendo realizado.1.3 Gestão democrática: todas gerindo juntas, co-gestão entre educadores eeducandos e auto gestão dessa coletividade.2. ARQUITETURA SOCIAL – estratégia de inserção, organização e funcionamento docurso compreendido sempre na coletividade.2.1 Estrutura orgânica: forma de organização dos educandos e educadores numacoluna vertebral, sustentação e continuidade coletiva com princípios organizativos.2.2 Organicidade: núcleos ou brigadas, mística, alimentação, secretária.2.3 Coletividade: bases de Makarenko, somos livres unidas por um objetivocomum, ninguém veio obrigada e sim depois que aceitamos temos acordos dométodo a seguir (unidade, disciplina, participação de espaços formativos e detrabalho).3. AMBIENTES EDUCATIVOS – trata de uma concretização do movimentopedagógico e sua intencionalidade de cada tempo que temos no curso. Como vãofuncionar os tempos educativos e como vamos utiliza-los e sua finalidade(engenharia social)3.1 Tempos educativos3.2 Situação de Aprendizado3.2 Espaços pedagógicos: espaços físicos pedagógicos que vão se realizar ostempos educativos que vamos trabalhar na escola, gerar reflexão sobre o espaçoque estamos, não simplesmente inserir um tempo trabalho um espaço semfinalidade.3.3 Cotidiano: queremos que os espaços onde estamos tragam o cotidiano maisaberto, a sensação de estar em casa, que a gente crie uma dinâmica numaperspectiva de humanização.
  • 19. 4. ESTUDO: compreender a realidade, contato e estudo daquilo que propomos afazer. Cada um vive e aprender no seu ritmo e tempo, porque cada pessoa quechega aqui vem com um acúmulo e historia diferente, ponto também pra gentetrocar vivências e conhecimentos.4.1 Ênfase em concepção de mundo4.2 Ênfase na Aprendizagem4.3 Elementos de estudo: vem pra desenvolver alguns hábitos e posturas para oaprendizado (vontade de saber, curiosidade e criatividade)5. MOVIMENTO – a partir de a existência a gente perceber a historicidade(entender e perceber os processos em andamento), maquinaria do processo,contradições presente.5.1 Partir da Existência5.2 Domínio da dialética: o agir para que nossa ação sejam mais eficazes e é umapráxis. Planejar em vista da práxis, ação e reflexão, relação entre os opostos.5.3 Fases do processo (durante o seminário de preparação da CPP, ver esse pontosna prática de como lidar com cada fase – como vamos lidar com essas fases quetendem acontecer?): Anomia, o primeiro contato com o método e reflexão do queestá acontecendo, tendência a introspecção; síncrese, a negação do processo, anão crença em seu funcionamento, questionamentos e domesticação do processopara garantir nele os interesses individuais; análise, a leitura do que estáacontecendo e o respeito, as vezes mesmo sem acreditar; síntese, a analiseconcreta, acredita e aceita o processo dando continuidade no andamento, é muitotambém sair desse processo individual, um dos objetivos do nosso curso, oprocesso coletivos de replicação do que foi passado.6. ACOMPANHAMENTO – é caminhar juntos educando e educador, importantepara a questão da humanização. Como fazer esse acompanhamento? Como vamosatuar com essas meninas diante do processo que elas vivem? Se faz necessárioadquirir a um conjunto de princípios: acreditar que pode acontecer uma mudança,partindo da realidade da pessoa e de onde ela estuda – análise de fora e qual seriao melhor caminho; assumir que não nos educamos sozinhos e sem juntos –acompanhamento é uma via de mão dupla, amizade, camaradagem, não osentimento de fazer porque tenho que fazer. Dentro disso, existem vários níveis deacompanhamento: CPP com CPP, CPP com cursistas, cursista com cursista.7. PERSONALIDADE: FORMAÇÃO DE CARÁTER – casa muito com o curso quandopensamos que queremos dar mais um caráter de sensibilização, com valoreshumanistas e socialistas com a convivência, comportamentos, hábitos (como agirrespeitando os hábitos dessas mulheres mas que elas saibam conviver com os
  • 20. nossos para a transformação ou criação de valores), valores, emoção (deixar o mecânico de lado) e mística, que trata-se de compreender a importância desse momento para a harmonia, força e coesão do grupo, entender também como instrumento de luta para a sensibilização em outros sentidos e despertando outros sentidos, despertar para entender o processo, também é um acompanhamento para entender o que os cursistas estão sentindo, tentar compreender e conhecer os sujeitos, o que os espaços estão passando para eles. 8. OFICINA ORGANIZACIONAL DE CAPACITAÇÃO (OFOC) – direcionamento à organização e produção. Não iremos utiliza-la nos mesmo moldes para o curso, mas garantiremos produções e acúmulo com as oficinas (mídia, estêncil, batucada) que estamos propondo. * Encaminhamentos: otimizar a comunicação no grupo de e-mail, comissão para produzir material preparatório CFF e trocar os materiais de estudo sobre o método. 7- Grade, ementas e propostas de assessoria: 10-06 11-06 12-06 13-06 14-06 15-06Manhã Como funciona a Divisão sexual Mercantilização do Grandes A LUTA das sociedade do trabalho e corpo e Sexualidade Projetos e mulheres Chegada Capitalista Autonomia Economia Patriarcal. Econômica VerdeTarde Violência Formação Inscrições Histórico do contra a Profissional das Feminismo mulher mulheres Agroecologia e Direitos reprodutivos soberania alimentar Abertura – Opressões E agora Maria? Boas étnicas na vida Vindas das mulheresNoite Divisão dos Auto- Círculo de Oficinas Cultural e feira Avaliações e Grupos organização Mulheres de trocas Socializações Identidade
  • 21. EMENTAS:- Abertura: Apresentações (CPP, Executivas, Cursistas), contextualização daregião/Diamantina e apresentação do método, metodologia e acordos. + ElementoX (Lançamento do Livro, apresentação de dança, etc)- Divisão das Úteros/Pétalas*: Momento lúdico onde serão divididos os grupos detrabalho, estudo e discussão durante todo curso.- Identidade: Os grupos se dividem para se conhecerem e criar uma identidadecomum, pensando no nome do grupo e apresentações.- Como funciona a sociedade Capitalista Patriarcal: Entender as Relações deGênero dentro do Histórico do Patriarcado a partir da Economia Política, fazendoum recorte de classe.Indicação de Assessoras: Mahara (MMM – São João); Estér ou Taty (MST – MOC);Débora (MMM – BH); Roberta Traspadini (UFVJM – TO)- Histórico do Feminismo e Auto-organização: Abordar o histórico do Feminismo,evidenciando o feminismo popular, e trazer o histórico, o conceito e a importânciada Auto-organização das Mulheres.Indicações de assessorias: Érica (MMM – BH); Amanda (Ex-ABEEF – Belém PA);Maíra (MMM Bahia);- Divisão sexual do trabalho e Autonomia Econômica: Realizar uma leitura sobreas relações sociais de classe e de sexo dentro do mundo do trabalho, evidenciandoas questões da jornada dupla/tripla , bem como a precarização e a limitação dascondições do trabalho feminino. Além disso, dar atenção à condição depermanência e capacitação das estudantes universitárias.Indicações de assessoras: Amanda (Ex-FEAB – BH); Tatau Godinho (SOF – SP);Bernadete (MMM – BH); Rosângela (MMC – DF)- Violência contra a mulher: Abordar as diversas formas de violência praticadascontra as mulheres (campo, cidade e universidade) e como contribuem para amanutenção do sistema capitalista patriarcal. Além disso, entender comofuncionam e se aplicam as leis e direitos das mulheres, focando a Lei Maria daPenha.
  • 22. Indicações de Assessoras*: Via Campesina Brasil; Jacqueline (Direito / 55 CONEA -Maíra)- Opressões étnicas na vida das mulheres: Entender a questão racial e como oracismo potencializa a opressão machista sobre as mulheres indígenas e negras.Fazer um resgate do papel histórico da mulher negra na luta por uma sociedadelivre de opressões, trazendo as conquistas e desafios pelo movimento feministanegro.Indicações de assessoras: Núbia (Retalhos de Fulô – Diama); Núcleo Negra Zeferina(MMM – Salvador BA); Maria Mariana (Retalhos de Fulô – Diama) Mulheres Sind-UTE (Maria Catarina – Divinópolis)- Círculo de Mulheres: Momento espiritual de se reconhecer enquanto natureza,proporcionando uma reflexão sobre o sagrado feminino e de acumular força para aluta e trazer perspectiva de unidade entre as mulheres, resgatando valores que ocapitalismo nos tira a todo instante.Indicação de Assessoria: Mírian (FEAB – Viçosa); Dani (Diama)- Mercantilização do corpo e Sexualidade: Como o capitalismo se apropria docorpo da mulher, padronizando a beleza, a sexualidade, as relaçõesheteronormativas e as questões econômicas (entender a proposta de lei sobre alegalização da prostituição).Indicação de assessoras: Mirla Cisne (Rio de Janeiro ?), Laís (BH, Associação deLésbicas de Minas), Mari (Ex-FEAB e LPJ – RJ)- Direitos reprodutivos: Tratar sobre as implicações das diferenças sociais dascondições de saúde para mulheres entendendo o que é a questão do aborto e qualé o debate sobre sua descriminalização e legalidazação.Indicação de assessoras: Débora Del Guerra (MMM – BH), Krika (Levante – BH),Nath (DENEM – Uberlândia)- Oficinas:  Batucada – MMM  Estêncil - Malu e Bárbara L.(Diama)  Medicinais (formas de curas para o feminino) - Mulher tradicional*  Autodefesa (ver possibilidades com algumas participantes que podem estar vindo)*
  • 23.  Produção de material didático (paródias, folders, cartilhas, CD´s, fotos, vídeos) – Indicação de Tamara*- Grandes Projetos e Economia Verde: Resgatar como se dá a exploração da classetrabalhadora e dos recursos naturais, exercida pelo agronegócio, e entender osproblemas que os grandes projetos do capital (mineração, barragem, agronegócio,grandes eventos) afetam a vida das mulheres com suas falsas soluções“sustentáveis” e de desenvolvimento.Indicativo de assessoras: Mulheres do MAB (Lívia – BH) e da SOF, Larissa Packer(Curitiba – PR), Camila Pistache (MMC ?)- Agroecologia e soberania alimentar: Compreender a agroecologia para além daciência e sim como um movimento político-ideológico contrapondo o modelo doagronegócio, fazendo um resgate do protagonismo da mulher nessa construção ena garantia da segurança e soberania alimentar do nosso povo. Além disso,mostrar como a nossa formação nas universidades está ligada à construção daagroecologia.Indicativo de assessoras: Rosamaria (Aranã - ?), Mulheres (Via e MMC), VanessaAlves (Ex-FEAB – GO)- Cultural com feira de trocas: resgatar a prática e valores da troca de materiais,sementes, artesanatos, saberes e culturas.- A LUTA das mulheres: Trazer mulheres dos movimentos campesinos e da cidadepara apresentarem os movimentos e relatarem suas experiências de lutas econquistas.Indicativo de assessoras:MMC – Cibele irá encaminhar por BrasíliaMST – Cidona, Kely, Enir (Diama)MAB – Atingida direta, Lívia, Preta (Diama)MMM – Bernadete (BH)Executivas ABEEF e FEAB (Cibele e Tamara)- Campanha contra a violência contra a mulher: Apresentação da campanha e suaimportância no diálogo sobre o combate à violência, elencar ações e comoconstruí-la localmente.
  • 24. - Formação Profissional das mulheres: Como a educação sexista reflete nainserção dessas mulheres no mundo do trabalho, trazendo um histórico desde aeducação básica, porém, com ênfase na educação universitária. A partir dessadiscussão, entender a importância do feminismo dentro do movimento estudantil.Indicativo de assessoras: Fluflo (Ex-FEAB – SP) e Leilane (Ex-ABEEF – Aracaju)- E agora Maria? Reunião das executivas de curso e coletivos onde se discutirá oplanejamento das ações das mulheres nas executivas como trabalhar os espaçosde gêneros nas escolas e respectivos coletivos e avaliação do acúmulo do curso.- Avaliações: Realizar entre os grupos avaliação do geral do grupo (metodológico epolítico) e o que representou para as organizações. *(as avaliações mais específicase estruturais serão feitas pelos grupos de trabalho diariamente)- Socializações/Encerramento: Socializar o que foi discutido em cada grupo eplanejar propostas de articulação em comum entre as executivas. 8- Encaminhamentos:- DATA DO CURSO: Foi avaliado que temos algumas dificuldades de calendário para garantir aparticipação das mulheres no curso, pois estamos num ano atípico de atrasos porconta das greves e com atividades das executivas acumuladas. Outro aspectoimportante a ser avaliado é quanto a estrutura para o curso a ser garantida pelaComissão Organizadora, onde os locais visualizados só estarão disponíveis emjulho, mas por outro lado em junho seria mais fácil a construção do curso por aindaser inicio do semestre na UFVJM. Assim foram pensadas duas propostas de dataspara serem avaliadas pela Comissão Organizadora junto às outras escolas:  10 - 15 de junho (Seminário da CPP 07 a 08)  15 - 20 de julho (Seminário da CPP 12 a 14)* Prazo para fechar a data: 31 de março.- Número de vagas: Dadas algumas limitações estruturais em garantir um grande número decursistas e compreendendo o caráter representativo multiplicador para as sujeitas.  CPP: 20
  • 25.  ABEEF: 20  FEAB: 20  Outras executivas: ENEBIO (8), ENESSO (2), ANECS (2), FENED (2), ENEFA(2), DENEM(2)  Retalhos de Fulô: 4  Meninos para Estrutural: 8 (2 CN’s + meninos do sudeste e de Diamantina).TOTAL: 90* Se houver uma reavaliação estrutural, possibilidade de aumento de vagas eredirecionamento de vagas para Retalhos e ENEBIO.- Ficará aberto para algumas meninas de Diamantina do Coletivo Retalhos de Fulôparticiparem pontualmente de algumas formações – pensar em como se dará essadinâmica no decorrer do curso.- Comissões:  Financeira (projeto, mapeamento de parcerias com apoio financeiro, conseguir R$ dentro das escolas (cada escola): CN’s.  Orçamento dos gastos URGENTE: CO Diamantina.  Estrutural (alojamento, alimentação, local curso, materiais limpeza, escritório, controle de gastos): Diamantina  Método CFF (propor tempos educativos e trabalho, contato assessoras para o curso, textos preparatórios): CN e Diamantina  Metodologia SCPP: Objetivos -> formar minimamente CPP (mulheres com algum acúmulo), repassar grade, estudo do método, divisão e especificação da função de cada CPP´s para cada tarefa, participação dos meninos num espaço específico para compreensão do processo pedagógico ao qual estarão inseridos): Diamantina.  Comunicação e divulgação (mapear as indicações, produzir ficha de inscrição, carta convite às cursistas, otimizar grupo de e-mails existente, divulgação direcionada, representante da CN de cada regional indicarem nomes): CN e CR  Encaminhar materiais, relatoria e texto do método: CN.
  • 26. AVALIAÇÃO do Seminário de Construção:1) Estrutura: Muito boa, tanto a alimentação e o lugar que foi o seminário,apesar da distancia do alojamento ter atrapalhado um pouco os horários. Mas naverdade faltou cuidado com os horários e disciplina consciente.2) Metodologia: ficou apertado na metodologia de discussão da grade eementa. No mais tudo os outros dias ficou contemplado e foi muito massa aincorporação da cultura regional. Faltou a sensibilização nos espaços, mas nãovendo a mística como tarefa. Outro ponto negativo foi a coordenação nãoconseguir garantir o cuidado na inscrição e não deixar dispersar no espaço, terclareza do papel de cada tarefa, mas isso é atribuído ao todo pois faltou respeitonas falas e com as companheiras e houveram alguns atropelamentos. A tarefa derelatoria cumpriu.3) Político: Sobre o espaço do Histórico do Patriarcado foi esperado maisaprofundamento, porém pelo fato de termos falado que não tínhamosconhecimento do assunto achamos que isso pode ter sido a razão da facilitadoranão ter aprofundado no espaço. Mas no final das contas para algumas meninas oespaço foi aprofundado e para outras não, pq depende mesmo do nível que cadauma estava sobre a questão. Pelo tempo a metodologia não foi dinâmica, foi umpouco cansativo pelo fato da escolha do texto que foi difícil. Mas cumpriu com aementa que a CO tinha proposto. Quanto ao espaço do Histórico do Feminismo:Trouxe de uma forma muito clara e respeitosa sobre as conquistas das mulheres.Mesmo pelo fato de ter sido um estudo aprofundado trouxe a metodologia degrupos e de trazer a teoria na prática o que foi muito bom. Ambas estimularam aleitura e o estudo, isso foi um fator positivo, mas se os textos tivessem sidoencaminhados antes facilitaria pelo fato da complexidade dos mesmos. O espaçode Histórico na executiva cumpriu com a proposta, o espaço de formação sobre oMétodo também cumpriu.Outros pontos: Durante a execução da avaliação continuamos no vício de nãorespeitar as inscrições. Faltou o esclarecimento de algumas duvidas, de minutos.Cuidado com as sujeitas que não tem familiaridade com certos temas, do jeito dese colocar e impor certas questões, que pode ser pesado. Que isso fique para ocurso, para olharmos mais quem esta com dúvida e tentar compreender ascompanheiras em suas diversidades do conhecimento.
  • 27. “QUANDO UMA MULHER AVANÇA, NENHUM HOMEM RETROCEDE!” “Maria, Quando nada for possível de ser mudado e a pré-história nos parecer, enfim, triunfarNão se sinta como uma folha ao vento, ao contrário, lute, esbraveje, desvie, coletive-se e lembre- se da opressão que não quer cessar Mas, Maria, vá com as outras! Entenda a história, olhe para trás, clame por Rosa Luxemburgo Levante bandeiras vermelhas Deixe-as flamejar Defenda um projeto popular Mas, Maria, vá com as outras! Não se deixe sucumbir, subsumir, oprimir Troque o tanque da cozinha pelos tanques de guerra Transforme a vida, conjugue verbos no infinitivo: revolucionar, emancipar, comunar Erga o arco da promessa de Louise Michel Mas, por favor, Maria, vá com as outras!
  • 28. Aprenda, conheça e não esqueça Das mulheres que fizeram sua história de hoje Lembre-se de Frida kahlo, Aurora Furtado, e Helenira Resende Organize-se e milite em associações feministas e socialistas como Alexandra Kollontai Escreva como Clara Zetkin E se prepare para estar no olho do furacão Mas, lembre-se, Maria, vá com as outras! E quando for necessário pegar em armas Não se furte de seus momentos de indecisão, dúvida, mas nunca de covardia Grite contra todas as formas de opressão e exploração, Esteja nas primeiras fileiras da revolução Emancipe-se, autonomize-se, Mas, com clamor, Maria, vá com as outras! Mesmo quando a luta arrefecer E mulheres e homens sucumbirem Saiba que a existência determina a consciência E que a voragem dos acontecimentos nos exigem respostas rápidas e coerentes Mas, Maria, vá com as outras! Abandone sua vida predicativa Esse trabalho doméstico que oprime, estrangula, degrada e a reduz a apêndice dos homens Construa um novo caminho e apesar das curvas e contratempos Pinte novas quimeras Reconheça seu papel nesta sociedade desigual Junte-se a classe trabalhadoraE deixe-a perceber, que é em você e em todas nós, que se encontra a parte mais combativa e abnegada da luta pelo socialismo Mas, Maria, não desacredite, Vá com as outras!”