Relatoria da PS de Viçosa/MG, 2010.

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Relatoria da PS de Viçosa/MG, 2010.

  1. 1. 1 Plenária de Superintendências – Viçosa, Setembro 2010Presentes: Santa Maria – NTP RI (Diego e Valau), Belém - CO (Casseb e Aninha), Diamantina (Geovanee Deir), Rural (Larissa e Mari), Campos – NTP Educação (Denisson, Gaúcho, Tati, Zé e Thaisa), Recife –CR5 (Tulio), Floripa – CR2 (Fábio e Janaina), Ilha – NTP Agroecologia (Verme), Botucatu – NTP MSP’s(Aiaiai), Montes Claros – CR3 (Galba e Juliana), Curitiba – CO EREA (Gabardo e Araujo), Cuiabá – CR4(Lucianna e Dione), Viçosa (Dani, Allan, Áquila, Macaúba e Luiz) e Piracicaba – CN (Sócana, Norris, Doce,Bolander, Paga, Leite Suspeito e Flufo)Grade: Sexta-feira (17) Sábado (18) Domingo (19) Manhã Chegada e acomodação Análise de Conjuntura Campanhas da FEAB Formação: Juventude e Tarde Repasse das instâncias Planejamento Universidade Auto organização das Noite mulheres e Estudo ENADE/ Cultural sobre o feminismo 1. Repasse das instânciasRegional 1Santa Maria: seminário da Regional pós PS; construção do plebiscito do limite da propriedade da terraem Frederico; assumiram o NTP de RI e irão acompanhar um espaço na Argentina com objetivo deformular sobre educação na AL; estão rearticulando o núcleo de reforma agrária e urbana; farão oprimeiro EIV urbano e o EIV Santa Maria; vão elaborar um documento avaliação do 53º CONEA; farãoum SQA até o final do ano estão; estão construindo o DCE e estão na direção da casa do estudante;proposta de realizar um CEPA; possibilidade de sediar o CLACEEA;Regional 2Florianópolis: está se organizando para as passadas da regional; realização do seminário da regional pósPS;Curitiba: fizeram o repasse para CN; construíram o plebiscito pelo limite da propriedade da terra; estãocomeçando o debate sobre o código florestal; curso de direito do MST dentro da UFPR; construindo oEIV PR; estão construindo o EREA Curitiba com o tema de relações internacionais, convite pra toda AL;
  2. 2. 2sem. de construção 26 e 27/10; terá um EREB; grupo dividido em comissões; NTP História eComunicação tarefas: administração da lista, busca de outras formas de comunicação, voltar a fazerjornalzinho da FEAB, via Lista da FEAB tipo boletim eletrônico, digitalizar e armazenar documentos(antigo e novos) da FEAB, material explicando como funciona a FEAB, continuar o trabalho do Chalito deCuritiba, pois o mesmo se encontra desatualizado,Regional 3MOC: realizaram o planejamento da FEAB, análise da regional; participar dos espaços nacionais,participar da construção do EREA em campos,Campos: UENF em greve [reposição salarial], estudantes, professores e funcionários, greve quepotencializou as mobilizações estudantis, construções junto UFI da Geografia, estão no DCE, articulaçãocom os sindicatos dos funcionários e professores, NTP educação vinculado aos cursos pagos de Pós naUFI, estão utilizando dessas mobilizações para aproximar estudantes, estará ocorrendo junto do MST 18e 19/09.Rural: tocaram a campanha do plebiscito, pelo GETERRA, NEARA. Construíram uma relação comassociação de moradores, espaço de emancipações da VIA, irão realizar espaços de trabalho de base,apresentação da FEAB, com a presença da CN e/ou CR, espaço sobre legalização do aborto, festa LGBTfeita pelo PONTES, terá eleição para o CA e DCE. NEARA constrói o EIV-RJ provavelmente será fim defevereiro começo de marçoDiamantina: calourada com presença de MOC FEABEEF, trouxe calouros para FEAB, e deu um bomretorno para o ME, criaram um grupo de FEAB e estão construindo um chapa de CA. Realizaram oplebiscito na escola de diamantina, continuar participação do DCE, e se inserir na construção do EIV- MGViçosa: participaram da semana de mobilização junto dos parceiros ABEEF e ENEBIO, realizaram um CF1e 25/09 terá CF2, fortalecer a Via campesina regional, estão construindo o SQA; o espaço agrário nazona da mata; que zona é essa?; estão na construção do EIV-MG, estão no CA; realizaram a Agrocopa;após o termino das atividades focaram na formação política dos grupos de FEAB, ABEEF, ENEBIO. Espaçode formação sobre o código florestal. Kátia Abreu, em Viçosa dia 21/09, terá um ato contra a senadorajunto do MST, MAB e ME de Viçosa.Regional 4Cuiabá [UNIC e UFMT]: levantamento das escolas novas na RG4, com intuito de levá-los ao EREAseminário construção em dourados próximo feriado 15/11, continuam articulando com os movimentosdo GIAS. Optaram por não construir o CA e na UNIC estão com o CA e irão construir o DCE que hátempos está parado, a UFMT fórum estadual a participam terá o CBEEF em 2011 em Cuiabá, sem deagrotóxicos semana que vem , ANDES, TSR, puxaram CF1, fizeram um cartilha de textos para aspassadas, estão se preparando para assumir uma PS, ou PNEB lá.Regional 5
  3. 3. 3Recife: Trabalharam o plebiscito e lançaram a campanha, por lá houve um seminário sobre a revoluçãocubana e situação palestina, farão um estudo sobre a realidade do mundo do trabalho agrário,organizaram um debate de políticos candidatos, seminário rg5 09, 10, 11 e 12 de outubro com espaçosde formação e chamado para as escolas de RG5.Regional 6Belém: CO, proposta de construção do EIV PA, campanha do plebiscito, fortalecer as relações com osgrupos da via campesina, curso de formação política do grupo junto da ABEEF , 30, 31/10 e 01/11elaborou um jornal sobre o CONEA.Regional 7Piracicaba: a CN se organizou para cobrir o vácuo da CR7, pensamos o financeiro da FEAB destacandoDoce e Paga para ficar em SP, estamos participando das reuniões da VIA, e articulações com os MS quese mudaram para SP, aproximamos uma galera nova pelo DCAgro, necessidade de formação pra essagalera, estudar os temas e ter atividade de difundir os temas para os estudantes que tem abertura paraos assuntos e ter o retorno dessa atividade. Parceiros ENEBIO e ABEEF. Temas: código florestal, questãoambiental, relação entre questão agrária formação profissional e universidade, transgênicos eagrotóxicos. Construção do EIV-SPIlha: o NTP fez uma reunião desde o CONEA, tocaram a calourada fizeram um planejamento do NTP, ogrupo GAISA e o C.A serão trabalhados com formação política, CF1, Kapado ira compor o CA na próximagestão, Inri vai contribuir com o NTP. GAISA conseguiu um espaço pra trabalhar a calourada.Botucatu: NTP MSP conversaram com DA, Chico e pessoas mais velhas de Botucatu, contato com CPT,Cáritas, MST da regional, mesa redonda sobre o código florestal FEAB, ABEEF ENEBIO, tentativa de CF1,mais não rolou completamente, não terá EIV-Botucatu 2011, os grupos estão esvaziados, vão sefortalecer construindo com os MSP e sindicatos.Regional 8Nenhuma escola presentePlanejamento CN PiracicabaNorris: Regionais 1 e 2Suspeito: Regional 3Bolander: Regional 4Flufo: Regionais 5 e 8Leite: Regional 6Paga: Regional 7, Mato Grosso do Sul, Maringá e LondrinaDoce: Regional 7 e Secretária operacionalAtividades realizadas até agora: Passada em Campos para construção do espaço de Boicote ao ENADEda PS; Passada em Montes Claros pro planejamento da regional. Reunião do coletivo de mulheres.Reunião da Assembléia Popular. Participação no seminário de agrotóxicos e eucaliptos da Via Campesina
  4. 4. 4na ENFF. Participação no ENEB (Feira de Santana) e no CBEEF (Lavras). Acompanhamento doplanejamento da coordenação nacional da ABEEF.Acompanhamentos/ Atividades nacionaisReuniões da Via: PagaColetivo de Mulheres da Via: Doce e CuiabáColetivo de Juventude da Via: FlufoColetivo de Educação e Formação: Suspeito e Cabelo ou Ed.Assembléia Popular Nacional: NorrisAssessoria política com o CEPIS;Campanhas: Agrotóxicos; Contra o extermínio da juventude; Contra as alterações do Código Florestal;Boicote ao ENADE;CONCLAEA: Reunião com a militância para o seminário de construção do CONEA 2. Divisão Sexual do Trabalho/ Feminismo e SocialismoTextos base:- “Novas Configurações da Divisão Sexual do Trabalho” - Helena Hirata e Danièle Kergoat- “Socialismo e Feminismo: uma relação necessária” - Mirla CisneAbertura de ponto: Marina Tiengo (Doce) Diversas análises, em grande parte análises pós-modernas, trazem que a desigualdade entrehomens e mulheres é algo cultural, o que traz a dificuldade de visualizar a base material destadesigualdade. Desta maneira, é importante deixar claro que a cultura é produzida nas e pelas relaçõessociais, sendo permeada pela ideologia, que é a expressão concreta dessas relações e se solidifica com aalienação. No caso das desigualdades entre homens e mulheres, fica clara essa alienação na naturalizaçãoe reprodução da opressão entre os sexos. Temos, dessa maneira, como base material da ideologia daopressão entre os sexos o surgimento da propriedade privada e a conseqüente dominação masculinaatravés do controle sobre a prole com duas intenções principais: o aumento da força de trabalho com oaumento da produção de riquezas e a perpetuação da propriedade privada através da herança. O surgimento da propriedade privada com a conseqüente dominação masculina dá nome aosistema conhecido como Patriarcado. De forma geral, este é um sistema de dominação e exploração dasmulheres exercida pelos homens, gerando hierarquia e desigualdade. É importante afirmar que o Patriarcado é anterior ao Sistema Capitalista. Porém, as análisesfeministas marxistas trazem que este é aprofundado e torna-se estruturante ao Capital. Esta relação entre Patriarcado e Capitalismo se dá a partir do momento em que o Capital cria adivisão entre o público e o privado, gerando o que chamamos de divisão sexual do trabalho. A divisãosexual do trabalho se dá nas e pelas relações sociais e tem vínculo direto com a divisão social dotrabalho. A divisão sexual do trabalho possui dois princípios fundamentais: a separação entre “trabalho demulher” e “trabalho de homem” e a hierarquia estabelecida nessa separação, de maneira que o
  5. 5. 5“trabalho de homem” possui mais valor do que o “trabalho de mulher”. Esta separação e hierarquizaçãodo trabalho são legitimadas pela ideologia naturalista que usa justificativas biológicas para afirmar queexistem “papéis sociais” determinados pelo gênero. Ideologia utilizada com freqüência pelo sistemahegemônico (Capitalista e Patriarcal) para fortalecer e naturalizar essa relação desigual e opressora. Com relação à divisão entre espaço público e privado, vale esclarecer como estes espaços sedispõem nas relações de trabalho de homens e mulheres. O espaço público é entendido como o espaçoda produção de riquezas e da política, o espaço valorizado. E é um espaço masculino. Já o espaço privado é tido como o espaço da reprodução social, espaço onde são realizadas asatividades necessárias para garantir a reprodução e manutenção da força de trabalho. É o espaço dasmulheres. Desta forma, não é de se estranhar que desde a infância as mulheres são educadas para oscuidados da esfera privada, são educadas a serem submissas, a lidar com miudezas, a serem passivas etímidas. Da mesma maneira, os homens são educados a serem valentes, decididos, fortes e provedores. Como trabalho essencialmente feminino temos o trabalho doméstico, neste nos debruçaremosmais especificamente. A primeira consideração a se fazer em torno do trabalho doméstico é que ele éinvisível, não é reconhecido e muito menos remunerado enquanto trabalho. É fácil de visualizar o quãofundamental este trabalho é para a reprodução da vida e da força de trabalho, porém, enquanto umtrabalho invisível ele também se mostra fundamental para o Capital, já que garante a reprodução daforça de trabalho e mantém os salários em um patamar inferior, ou seja, não é incorporado nos saláriosum valor que o garanta. Da mesma maneira, o Estado não tem custos com lavanderias públicas,restaurantes públicos, cirandas públicas... Ou seja, o trabalho doméstico enquanto um trabalho invisíveltraz um menor custo ao Capital. A própria educação, segundo a Constituição brasileira de 1988, é um dever do Estado e dafamília. Porém, é mais do que comum responsabilizar a família por uma má educação das crianças. Equando dizemos família, a realmente responsabilizada é a mãe, a mulher. É uma realidade que a mulher atualmente já está inserida na esfera da produção. Esta nosaparece como uma conquista histórica da luta feminista. Porém, não pode nos parecer enquantosuperação do patriarcado. A inserção das mulheres na esfera da produção não as retirou da esfera dareprodução e também não incluiu os homens na esfera da reprodução. Isso se traduz na dupla jornadade trabalho que a mulher passa a assumir: o trabalho fora e o trabalho doméstico. Também é necessárioreforçar que esta inserção das mulheres na esfera da produção também não se fez de forma igualitária,continua mantendo os princípios de separação e de hierarquia. O que isso significa? Que as mulheressão as responsáveis pelo trabalho das minúcias, pelo trabalho da organização, ganhando salários maisbaixos e em postos mais precarizados. A análise de como se dão as novas configurações da divisão sexual do trabalho traz umaprecarização e flexibilização do trabalho cada vez maior, incluindo o trabalho em tempo parcial para asmulheres, apresentado como uma solução para a dupla jornada de trabalho, mas que se coloca comoelemento que reforça a divisão entre a esfera pública e privada (já que os homens continuam a nãoassumir o trabalho doméstico). Esta precarização pode ser visualizada em números: as mulheres hojerepresentam 46% da população ativa mundial, 52% do desemprego e recebem 79% dos salários maisbaixos.
  6. 6. 6 Juntamente com o crescimento do trabalho precarizado, é notável também que cada vez maismulheres (burguesas) são empregadas para trabalhos de nível superior. O investimento maior nascarreiras por parte das mulheres burguesas, e especialmente das mulheres burguesas dos países doNorte, é acompanhado pela externalização do trabalho doméstico. Ou seja, as mulheres burguesascontratam mulheres da classe trabalhadora para a realizarem o trabalho doméstico de suas casas. A externalização do trabalho doméstico traz algumas conseqüências consigo. Primeiramente osmovimentos de internacionalização do trabalho reprodutivo e de feminização da imigração. De maneiraque, as mulheres burguesas dos países do Norte contratam em grande número mulheres trabalhadorasde países mais pobres para a realização deste trabalho. Outra conseqüência está no fato de que esta externalização do trabalho reprodutivo éinteressante ao Capital na medida em que contribui para o mascaramento e atenuação da relação deopressão entre homens e mulheres: dentro das casas as mulheres burguesas não fazem mais o trabalhoreprodutivo e conquistam grandes postos dentro de empresas. Contribui para a alienação de que opatriarcado está superado. Há análises de que temos quatro modelos que expressam a divisão sexual do trabalho: o modelotradicional, o modelo da conciliação, o paradigma da parceria e o modelo de delegação. No modelo tradicional, as mulheres assumem unicamente o papel de cuidados com a família e otrabalho doméstico. Enquanto os homens “trabalham fora”, assumem o papel de provedor. O modelo da conciliação traz a situação da dupla jornada de trabalho, ou seja, as mulheres,quase que exclusivamente, conciliam o trabalho da esfera privada (vida familiar e doméstica) e otrabalho da esfera pública (vida profissional). Os homens inseridos na esfera pública, não assumem aesfera privada. O paradigma da parceria se apresenta enquanto um modelo teórico elaborado na 4ªConferência Mundial sobre as Mulheres, organizada pela ONU em Pequim no ano de 1995. Este modelopresume a igualdade de estatutos sociais entre homens e mulheres, que são vistos enquanto parceiros,assumindo relações de igualdade de poder. Porém, é fácil visualizar que este modelo não condiz com aspráticas da sociedade atual. Por fim, temos o modelo da delegação, que expressa a externalização do trabalho doméstico.Como foi tratado anteriormente, neste modelo a mulher burguesa delega a realização do trabalhoprivado para a mulher trabalhadora. Esta análise e debate em torno da divisão sexual do trabalho traz claramente a questão materialde como o Patriarcado foi apropriado pelo Capitalismo e se torna estruturante deste. Quando pautamos a luta socialista, pautamos a luta por transformações e rupturas, a luta contrao sistema atual em sua totalidade: um Sistema Capitalista, Patriarcal e Racista. Esses sistemas deexploração e opressão de gênero e raça e etnia são anteriores ao Capitalismo, porém, são apropriados eencontram-se imbricados ao Capital. As relações entre esses três sistemas são relações dialéticas, se reproduzindo e se co-reproduzindo mutuamente, determinando o sujeito totalizante: a classe trabalhadora. Analisar oCapitalismo e compreender a classe trabalhadora com uma perspectiva totalizante implica, portanto,em analisar dialeticamente as relações entre Capital, Patriarcado e Racismo. Não é à toa o fato de 70%dos e das pobres no mundo serem mulheres.
  7. 7. 7 As bandeiras feministas trazem consigo pautas como a socialização e coletivização do trabalhoreprodutivo, a soberania alimentar, a autonomia econômica das mulheres, a luta contra a violência (quefunciona como mecanismo de manutenção dos papéis de gênero), a legalização do aborto e aautonomia das mulheres sobre os seus corpos. As lutas feministas abordam também, dessa maneira, contestações diretas ao Capital,contestando a propriedade privada e a família burguesa, instituições que sustentam não só aoPatriarcado, mas também ao Capitalismo. A emancipação das mulheres encontra o Capitalismo comoum limite estrutural. Nós, militantes socialistas, temos o compromisso com a luta pela liberdade e igualdade. Lutaque está presente em todas as nossas atitudes, internamente de nossas organizações e externamentetambém, não tendo início apenas com a tomada do poder. A luta se dá com a tomada de consciênciarevolucionária, nos tornando lutadores e lutadoras do povo, contra todas as formas de dominação. Elutar contra isso implica inclusive a destruição de privilégios masculinos, do poder patriarcal. Sem Feminismo não há Socialismo! 3. Análise de Conjuntura Abertura de ponto: Joaquim Piñero (sri@mst.org.br) Conjuntura América Latina Conjuntura fruto do debate de espaço de Articulação Continental dos Movimentos Sociais, quetêm se debruçado sobre a proposta da ALBA. Existe um novo cenário político no continente americano.O momento atual traz um questionamento a cerca da existência de um processo de transição quefuturamente pode vir a convergir para uma situação onde os movimentos sociais podem partir para umasituação de ofensiva, ou dependendo das forças sociais, também podemos ter um retrocesso maior doque vivemos hoje. Vivemos um novo momento na luta de classes no continente. Existem, dentro disso,três projetos para a região e que estão em disputa. O primeiro projeto é aquele que é hegemonizado pelos EUA, que se configura como o ProjetoImperialista. Esse projeto está vivendo uma crise de hegemonia que se observa de várias formas, comoo fracasso da ALCA, a ofensiva militar na tentativa de retomar o espaço de influência (presença daquarta frota no Brasil. No Equador foram obrigados a retirarem suas tropas, pois o país decretou o fimdas bases militares estrangeiras em seus territórios. Porém, isso trouxe a necessidade de os EUA serearticularem para a formação de novas bases militares pelos países da América Latina, como aColômbia (sete bases no total, com proposta de combate ao narcotráfico, mas se configuraconcretamente como um monitoramento aéreo da região), Panamá, Costa Rica, Haiti, Peru e países doCaribe. Existe também articulações sendo feitas para inserção de uma nova base no Paraguai. Do ponto de vista econômico, a proposta da ALCA foi derrotada. Os EUA se utilizaram de outraforma para substituir esse projeto de integração, os tratados livres de comércio. Na América do Sulexistem os tratados dos EUA com Peru, Colômbia, Chile. Do ponto de vista político, temos o golpe em Honduras, com apoio da embaixada dos EUA. Éuma forma de atuação que está voltando, de forma a recuperar o espaço perdido e impedir a perda de
  8. 8. 8novos espaços. Também tivemos a tentativa de o golpe da Venezuela em 2002, a tentativa de criar umadesarticulação na Bolívia, tentativas de derrubada de governos democraticamente eleitos e que dealguma forma se opõem ao Projeto Imperialista. Como um segundo projeto para a região, temos o Projeto de Integração Capitalista, coordenadoe hegemonizado pelo Governo Brasileiro. Do ponto de vista econômico, tem um grande suporte doBNDES, de forma a ampliar as relações internacionais. Hoje o Brasil interfere em questões importantesque antes não interferia, tendo como motivações a participação no Conselho de Segurança da ONU. Algumas mudanças importantes na região tomam forma. O Brasil hoje é o segundo país depoder econômico da América, é hoje o 8º PIB mundial. O Brasil também começa a se articular com ospaíses subdesenvolvidos que hoje não compõem o G7, que é o BRIC (Brasil, Índia, Rússia e China),espaço de articulação continental importante (estima-se que em 2030 o PIB desses países irá superar oPIB do G7), tendendo a consolidar um reordenamento da economia mundial. Brasil ampliou e diversificou as suas relações de comércio, deixando de ter os EUA como o seuprincipal parceiro econômico. Também passou a atuar do ponto de vista diplomático na região doOriente Médio e tem uma participação ativa do ponto de vista militar no Haiti, o que se configura comouma das principais contradições brasileiras na sua atuação entre os países da América Latina. O BNDES tem capitalizado empresas brasileiras em diversas regiões e estas passam a atuar empaíses da América Latina, temos como exemplo as empreiteiras, a criação da Oi, a construção de umadas principais petroquímicas, fusão Sadia e Perdigão, fusão JBR com Free Boi, articulação com a VCP,área do Biocombustível. Temos ainda a Vale, Petrobrás e Embraer como as grandes empresas queatuam fora. A articulação UNASUR (União das Nações Sul-Americanas), caminha com a tentativa de criaçãode moeda única latino americana, a construção de um banco latino americano e fortalecimento dasforças armadas. Do ponto de vista das articulações comerciais, temos o Mercosul. Por fim temos o terceiro projeto, que se configura como um projeto alternativo de integração eque se contrapõe ao projeto imperialista e capitalista. Dentro desse projeto temos a proposta doProjeto da ALBA. É um projeto ainda em discussão. Os MSP têm avançado, mas ainda em processo deresistência e defensiva. Hoje a situação da luta no continente se configura com a disputa desses projetos. Não é umasituação de revolução ou de contra-revolução, mas é um processo em aberto e que depende daarticulação e da correlação de força dos movimentos e da classe trabalhadora. Avanço do Capitalismo no campo brasileiro Hoje existe um avanço grande e violento das empresas transnacionais no campo brasileiro,hegemonizando as áreas dos insumos, do mercado, do comércio, dos preços e da logística. É importanteentender o processo histórico para compreendermos como chegamos nessa situação. Dos Séc. XVI atéséc. XX tivemos o modelo agro-exportador, fundamentado no monocultivo, trabalho escravo elatifúndio, o chamado plantation. E este modelo ainda está presente no campo brasileiro. Depois temos o período de industrialização dependente (1900-1980), com uma reorganizaçãoda política brasileira. Com inicialmente 80% da população no campo e 20% na cidade, durante os anos80 houve uma completa inversão dessa população do campo para a cidade. Desafio que permaneceupresente tanto no primeiro período como no segundo foi a reforma a agrária.
  9. 9. 9 Qual é a situação hoje? Temos 850 milhões de hectares,- 360 milhões de hectares de áreas agricultáveis- 100 milhões de agropecuária extensiva- 100 milhões de áreas de proteção ambiental- 60 milhões de terras agrícolas- 100 milhões não agrícolas (foco de avanço, abertura de novas fronteiras agrícolas). Hoje a luta não é mais contra os grandes latifundiários, é contra as grandes empresas (CUTRALE,Vale, setor de celulose, açúcar), que tem atuações nos meios de comunicação, nas universidades, noCongresso. Temos sete produtos que são hoje considerados commodities, que são: a soja, a cana, a laranja,o milho, a celulose, a carne, e a aviação. Dentro deles, cinco são da área agrícola, que se configura comofundamental. Tem se reduzido a área de produção, porém, algumas dessas commodities avançam nãopara essas áreas improdutivas, mas sim para as áreas de produção de arroz, de feijão. Avanço sobre asáreas de produção de alimentos, com consecutivo encarecimento dos produtos. Hoje vivemos um momento de refluxo dos movimentos de massa e grande fragmentação dossetores e organizações da esquerda. Nosso desafio é ampliar o leque de nossos aliados, avançando naparceria campo-cidade e aproveitar as contradições que estão postas.Prosa em Plenária Relação Projeto Integração Capitalista e avanço do agronegócio no campo brasileiro. Com acrise, BNDES financiando as empresas transnacionais. Necessidade de entendimento das conseqüênciaspro povo brasileiro e pra América Latina desse modelo. Ao mesmo tempo em que há o avanço das empresas no campo, nunca na história do país houvetanto financiamento para a agricultura familiar. Como o agronegócio depende da agricultura familiar?Presença dos minifúndios, financiamento inclusive voltado para isso. Muniz Bandeira, estudioso da Geopolítica, faz análise sobre atuação dos EUA nas diversasregiões do mundo. De acordo com posicionamento de suas bases, é possível intervenção em qualquerponto do mundo em menos de uma hora. Os EUA conseguem resolver seus problemas financeirosatravés de seu complexo industrial-militar e do investimento em guerras e possibilidade de reconstruçãodos países destruídos, garantindo também a sua questão energética. Tivemos uma crise capitalista, que teve início no coração do capitalismo. Dados de que osnúmeros de desempregados e de pobres nos EUA já alcançaram os 45 milhões de pessoas, incluindo afalta de saúde pública. As guerras promovidas tanto no Iraque quanto no Afeganistão não deram contade resolver os seus problemas internos. Hoje a China detém grande parte da dívida pública do país, seanunciando como uma nova potência hegemônica. Eurásia hoje se configura como uma região estratégia, que os EUA tem perdido espaço,exemplo da Rússia que começa a retomar essa região (caso da Geórgia). Há um novo reordenamentopolítico também na região do Oriente Médio, exemplo, EUA não conseguem mais frear o Irã, correndo orisco de terem suas bases do Iraque atingidas.
  10. 10. 10 Hoje já não cabe mais uma reforma agrária clássica, como forma de criar uma base consumidorae modernização do campo. Hoje é preciso criar uma reforma agrária de novo tipo, tendo que ser umapolítica de Estado. O governo hoje destina 100 bilhões de reais para o agronegócio e 20 bilhões para a agriculturafamiliar, porém, os pequenos produtores não têm condições de acessar esse recurso, excluindo ospequenos que realmente precisam desse recurso. Do ponto de vista da tática, a Via tem analisado que este ano foi bastante ruim, vivemos umprocesso de descenso bastante grave, não conseguimos pautar bandeiras de luta que sejam de interessede toda a classe trabalhadora, temos uma grande apatia social. Do ponto de vista estrangeiro temos uma bandeira importante, contra as bases militaresestrangeiras, mas ela ainda não se configura enquanto uma bandeira que unifique a classe e quepossibilite o reascenso do movimento de massas. Brasil: aumento da população obesa. Isso tem vínculo direto com o modelo destinado àprodução de alimentos. População presente principalmente nas periferias do país. Isso é umacontradição desse modelo. Temos a tarefa de explorar essas contradições. Não temos uma burguesia nacional, a burguesia brasileira é subordinada aos interesses de umaburguesia internacional. A burguesia brasileira age, portanto, não pensando no desenvolvimento dopaís e sim a partir de sua dependência externa. Acompanhado pelo fato da classe não se enxergar comouma nação. A reforma agrária clássica é feita de forma a dinamizar a economia, viabilizando a inserção docapital no campo. O caso do Brasil se apresenta como um caso particular, desde a colonização, jánascemos com o latifúndio e monocultura. A Revolução Verde cumpre esse papel de dinamizar aeconomia. Essa reforma agrária clássica já não cabe para a burguesia brasileira. A reforma agrária noBrasil também traz consigo uma ameaça com relação ao fornecimento de alimentos aos paísesdesenvolvidos, já que o país assume o modelo agro-exportador. A reforma agrária que propomos é fundamentada no modelo camponês para o campo,pautando a soberania alimentar, a agroecologia e de cunho popular. A reforma agrária só ocorre se nãofor acompanhada por um levante popular e das massas, só acontece a partir das pressões populares. As massas só se mobilizam quando há perspectivas concretas de mudanças. A presença degrandes empresas se configura como possibilidades de empregos. Crise ideológica, presença hegemônica dos valores burgueses, concepções pós-modernas. Tudoisso tem reflexo direto pra dentro da Universidade e pra dentro dos processos que vivemos dentro doME. As universidades foram pensadas também pelo capital. Fragmentação do conhecimento,transnacionais, mercantilização da educação, etc Estudantes têm quem avançar do plano estratégico para o plano tático dentro da Universidade.Requer avanço nas formulações táticas. Qual a nossa capacidade de avançar pra além da agitação epropaganda do ME, com relação à construção do conhecimento. Dependência de elementos internos eexternos. Necessidade de consolidar formas de organização estudantil. Pautar lutas que sejam concretas,que sejam possíveis de conquistas também. Necessidade dos MSP demandarem para a universidade e capacidade de isso ser concretizado.
  11. 11. 11 O Agronegócio tem como foco central o negócio, escanteando cada vez mais as questõessociais, aliança muito forte com o setor empresarial e financeiro, tendo como essência: - Grandes extensões de terra em grandes escalas - Monocultura e Commodities - Uso intensivo da mecanização agrícola, reduzindo a força de trabalho - Uso intensivo de agrotóxico - Super exploração da força de trabalho - Exploração e degradação dos recursos naturais O que seria um modelo alternativo para isso? Com certeza é algo que se contrapõe a essaessência do agronegócio. A reforma agrária vem como algo que não cabe nesse modelo, sendo umatransformação que é fundamental para a conquista do Socialismo. Existem leis que dão base para avanço nesse processo: função social da terra, questãotrabalhista, questão ambiental previstas na Constituição. Porém, o Estado só cumpre leis a favor daclasse trabalhadora quando há pressão e mobilização popular – ocupações. Hoje o Governo só resolvesituação de conflitos. Temos que na Universidade produzir conhecimento que acumule para a alteração dessemodelo. Necessidade de aprofundamento em técnicas que pautam outro modelo para o campobrasileiro, como a agroecologia. Tivemos ao longo da nossa história momentos em que foi possível realizar a reforma agrária: - 1888, com a abolição da escravidão. Havia uma grande massa de trabalhadores provenientesda escravidão. Em 1850 foi feita a lei de terras, de forma a tentar conter esse processo. - 1930, com a revolução industrial. Com o crescimento das indústrias, era um momento propíciopara a reforma agrária clássica. - 1964, com o Jango. A reforma agrária estava dentro das reformas clássicas previstas. Golpe - 1985, com a democratização. No governo Sarney foi elaborado o primeiro plano de reformaagrária. - 2002, com a eleição do Lula. Foi feito o segundo plano nacional da reforma agrária, assentando1 bilhão de famílias ao longo dos quatro anos de governo. Manteve a política de resolução de conflitos. Isso traz para nós a necessidade da mobilização popular Desafios: - ainda não sabemos o que é esse projeto alternativo, necessidade de aprofundar. Março de2011 está sendo organizada uma assembléia continental dos movimentos sociais, em Foz do Iguaçu. - novembro 2010: reunião dos movimentos sociais brasileiros para definir qual é a nossaestratégia para levar para a assembléia continental. - envolvimento dos movimentos na campanha contra as bases militares. - o seminário do agrotóxicos culminou com uma grande campanha nacional sobre essasquestões do alimento envenenado e desse modelo.
  12. 12. 12 4. Formação: Juventude e Universidade Abertura de ponto: Carlos Henrique Menegozzo (Virtude) O que é fazer disputa política na sociedade? Num determinado período da sociedade não havia espaço de organização coletiva dasexperiências de trabalho. Existia uma relação direta clara entre crise econômica e crise revolucionária. Apartir da implementação do capitalismo há um compartilhamento de experiências das massas,concentração de pessoas no espaço e compartilhamento de experiências coletivas. Há a identificaçãoum no outro e a criação de espaços de organizações coletivas. É aí que surgem os sindicatos, osmovimentos. Crise econômica não gera mais automaticamente a crise revolucionária, as organizaçõespolíticas criam uma esfera que tratam do convencimento das pessoas, de que as coisas se acertam. Acrise atual é uma prova disso, há esquemas (TV, escola, igreja, empresas, sindicatos) que convencem aspessoas de que as coisas já estão em processo de resolução. Concretamente significa que para transformar a sociedade há uma série de questões queprecisam ser equacionadas, sem isso não há movimento real. A luta política só é de massa quandoconseguimos falar na língua do povo. A primeira questão que temos que tratar no trabalho de base éfalar na língua do povo, partindo da experiência concreta das pessoas. Como segundo ponto, dentro desse livro de experiência que as pessoas já trazem, há umacúmulo construído pelas relações sociais concretas vivenciadas, de forma a transformar a realidade. Eesse transformar a realidade é processual. Para transformar as formas como as pessoas pensam,precisamos transformar as formas materiais, trabalhando dentro do nível de experiência real da massa. Quais são as relações materiais concretas nas quais o estudante vive no Brasil, qual é a culturaestudantil espontânea de hoje, para assim conseguirmos pensar a transformação social. O que é ser estudante? A experiência de ser estudante é algo muito mais complexo do que simplesmente estarmatriculado em uma instituição de ensino, não é uma categoria pronta, dada. O movimento estudantil está em crise porque não conseguimos compreender que o estudante éuma categoria social em extinção e o que o capitalismo impõe a universidade contribui para que issoaconteça. Primeiro bloco: situação de ser jovem enquanto uma categoria social, estar sendo preparadopara o que está por vir no futuro. O jovem em que não trabalha ou que trabalha em tempo parcial, háuma dependência com a família, quanto maior a dependência, maior a pressão vinculadora, menor oseu alcance social, de experimentação. O estudante é o instrumento de continuidade da família,principalmente da classe média, para a capacitação profissional. Também quem não depende da família,mas tem um trabalho integral, então está no outro extremo, também não tendo tempo paraexperimentações. Segundo bloco: universidade enquanto espaço de atividades em comum, ser estudante é serjovem na universidade. A questão curricular. Se o curso que o jovem faz tem um conteúdo crítico, ajudao jovem a pensar criticamente a sociedade e pensar alternativas. Se o ensino é mais verticalizado, nãohá uma relação de criatividade do conhecimento, reforça uma postura passiva em relação ao
  13. 13. 13conhecimento e uma relação tecnicista com o conhecimento. Isso tem acontecido e estimulado,contribuindo para que o estudante se enquadre, há uma relação de subordinação intelectual com oprofessor. Com relação ao laço de sociabilidade. O contato com pessoas que podem pensar da mesmamaneira cria esse laço que reforça a comunidade de experiência. Quando a universidade funciona deforma fragmentada ela cria um movimento de espalhar, tirando daquela comunidade o carátercomunitário. Se ela funciona de forma integrada ela contribui para esse caráter comunitário. Terceiro bloco: ser estudante no Brasil é ser jovem na universidade, de classe média, dentro deuma sociedade subdesenvolvida. Isso significa que a universidade passa a falsa idéia de ascensão social.Há o movimento de jogar o movimento de expansão do ensino pra frente. A família de classe mediadeposita no estudante a perspectiva de realização profissional. O estudante quando percebe o mercadode trabalho restrito, há uma frustração com essa idéia de ascensão social. Quando o estudante sente afrustração, há um estalo, há uma diminuição da pressão vinculadora. Há uma situação paradoxal de teracesso ao ensino superior, poder ter uma visão crítica do mundo e se perceber enquanto privilegiado. O que afinal é ser estudante? Quanto mais essas variáveis representarem uma pressãovinculadora ao sistema, menos estudante o aluno matriculado vai ser. O cara matriculado na faculdadevira estudante quando há possibilidade de vivenciar uma experiência do que é ser estudante, de superara pressão vinculadora ao sistema. Ser estudante é uma situação historicamente determinada. No Brasil... A universidade continua elitizada, o recorte de classe acontece mais em função da localidadegeográfica (centralidade) e da natureza (universidade) do estabelecimento do que entre público eprivado. Universidades em lugares centrais são elitizadas, independentemente de ser pública ouprivada. Dos anos 60 para cá... Os anos 60 foram um período de expansão econômica, havia possibilidades de trabalho emtempo parcial. Depois, crise econômica, enxugamento da classe média, menos oportunidades deemprego. Maior a pressão da família com a formação profissional, com os estudos, aumenta a pressãovinculadora com o sistema. Por outro lado, aumenta a frustração do jovem com a carreira profissional. Repressão nas universidades. Universidades particulares. O fato de o estudante estar pagando o curso, aumenta a pressãovinculadora, de ter que ser alguém na vida. Nos anos 60 tivemos o processo de federalização, criando um sistema de ensino superior e umasituação comum entre os estudantes do Brasil todo, cria uma comunidade de experiência e apossibilidade de uma identidade coletiva. Depois houve um processo de fragmentação do ensinosuperior (cada vez mais cursos técnicos e especializados) e também internamente dentro dasuniversidades (departamentalização). Exemplo da retirada da faculdade de pedagogia de dentro dafaculdade de filosofia, com a intenção de formar um pedagogo técnico. Isso se reproduziu com outroscursos também. Formação apenas para o mercado de trabalho. O planejamento espacial dentro doscampi reflete isso também. Fragmentação no nível dos cursos, dentro de cada curso. Opção pelo sistema de matrícula porcrédito, que tem como contrapartida a formação flexível no nível do curso, tornando o curso mais
  14. 14. 14eficiente. Há como conseqüência, um desencontro no espaço da universidade, um embaralhamento darede de sociabilidade.Prosa em Plenária Vivemos em uma sociedade de consumo, e é estratégico pro capital ter uma concepção dejuventude, de forma a criar um mercado para esse jovem. Quando nos voltamos para a universidade,temos uma universidade pronta para atender as demandas do mercado. Há uma ideologia dominanteem torno do que é ser jovem. Dificuldade de desconstruir essa ideologia dentro da universidade. Identidade estudantil proporcionada pelas experiências no espaço estudantil. Choque culturalencontrado. Juventude tem que definir o que quer na vida, tem uma pressão da família. Há umaconfusão ideológica, uma possibilidade de disputa para um projeto de sociedade. E temos perdido essesestudantes para espaços mais reacionários. Temos que identificar quais são as reais demandas. Contradições vivenciadas pelo jovem dentro da universidade. Qual é o papel do ME? Conseguirdialogar, conseguir canalizar as contradições e indignações em um canal maior. Movimentos trazem uma preocupação de debate da condição da base desses movimentos,importância de fazermos esse debate. No Brasil temos poucas formulações em torno desse tema de ME.Nós mesmos não temos entendimento de qual a nossa base social. Para consolidar o trabalho de base,nossa primeira tarefa é entendermos qual a nossa base. O que constitui o ME? Quais são as suasparticularidades? Quais as particularidades para o estudante de agronomia? Necessidade detranspormos o debate geral da juventude para a juventude estudantil. Sobre o trabalho de base. Em cada conjuntura o conteúdo revolucionário se atualiza (mas nãoperde a essência) e a forma tem que se adequar à realidade. Importância da nossa firmeza ideológicaquando vamos fazer o trabalho de base. CEPIS coloca que existem processos de formação deconsciência, quando fazemos o trabalho de base, não temos que rebaixar o conteúdo, temos queadaptar a forma. Temos que ser firme ideologicamente e temos que ser flexíveis quanto à forma. Terfirmeza ideológica não significa sermos vanguardistas. Ao longo dos últimos anos tem que intensificado a entrada da classe trabalhadora nauniversidade. Temos alguns desafios, até onde mediamos o nosso posicionamento e a nossaradicalidade? Há possibilidade de massificação do movimento estudantil? Historicamente isso foipossível em torno de algumas pautas. Como massificar, manter a radicalidade? A massificação existequando envolve a indignação, envolve a materialidade. Mauro Iasi: a massa em geral luta por questõesconcretas, que são coorporativas. Como incorporar tudo isso? Como trabalhar com estudantes que nãosão a primeiro momento classe em si. Hoje percebemos a dificuldade de o movimento estudantil crescer, fazer lutas e envolver ocoletivo dos estudantes. CEPIS coloca que o povo nunca está errado, temos que buscar onde nósestamos errando. Quando percebemos a nossa dificuldade de trabalho de base e os espaços esvaziados,percebemos que nós enquanto esquerda estamos tendo dificuldade de fazer trabalho de base.Precisamos entender quem é o sujeito inserido na universidade e qual o papel que essa instituiçãocumpre para o capital. Temos análises enquanto esquerda concretamente? Precisamos fazer essasanálises para potencializar o nosso trabalho de base.
  15. 15. 15 Rio de Janeiro como o segundo pior na educação, isso contribui para a compreensão do porqueda universidade estar elitizada. Universidade sucateada. Proporcionar e estimular o interesse políticodos e das estudantes. O jovem que entra na universidade não tem consciência de classe. Para fazer o trabalho de basetemos primeiramente que conhecer o sujeito, conhecer suas demandas. Conhecer a situação específicado estudante, sem perder a intencionalidade da luta de classes. Com relação à forma. As pessoas chegam na universidade com conhecimento e com conceitosformados. Temos que saber lidar com isso a forma de dizer as coisas muitas vezes pode afastar aspessoas, mas também pode aproximar o estudante. As pautas concretas, corporativas são importantespara essa aproximação. Os movimentos têm as suas pautas corporativas, mas elas têm um apontamentoestratégico. Temos que conseguir apontar. Com relação à massificação, tem que acontecer com relaçãocom a conjuntura atual. Os jovens que se inserem na universidade vêm embebidos em vivências pessoais e diversas.Pensar novas maneiras de aproximar os estudantes. Quem é esse sujeito que constitui a base da FEAB. Entender qual é o papel da Agronomia hojeno Brasil. Temos desafios: qual o papel da Universidade no capital, qual o papel do agronegócio no país,quem é o estudante que entra na universidade hoje e com qual perspectiva. Temos pessoas que entramcom uma visão romântica da agronomia, mas a maioria vem com a perspectiva do desenvolvimento, doagronegócio. Temos a tarefa de desmistificar o que é trazido hegemonicamente a respeito doagronegócio e destrinchar esse modelo. A mídia contribui muito para essa falsa propaganda do agronegócio, os estudantes a vida todatem o contato com essa propaganda. Como desconstruir isso? Como despertar a consciência? Para fazer trabalho de base temos que existir enquanto estudante, ter visibilidade, estar nosespaços, estar no dia a dia, nas pautas específicas (sem perder o cunho estratégico). Faltammetodologias e formas de diálogo. Como fazer a disputa ideológica em um tempo curto, em um espaço onde os estudantes sãotransitórios? Importância que o ME tem no processo revolucionário. Questão da formação profissional.Formação que tem um caráter político e isto não é colocado para os estudantes dentro do espaçoformal universitário. A atuação enquanto profissional tem um caráter político e de acúmulo para a lutagrande. Estudante sofre uma pressão de forma a não se entender enquanto uma categoria. Temos atarefa também de aproximar os estudantes do povo. É colocado que a universidade tem uma funçãosocial, mas esta sociedade não entendida enquanto povo, universidade acaba por favorecer a poucos.Temos que nos entender enquanto estudante, mas também enquanto povo, e na prática também. Análise com relação às movimentações urbanas que tem surgido (possível movimento dosatingidos pela copa, realidade de muitas capitais brasileiras). Identificação do sujeito, garantia da perspectiva da transformação social, visualizar quais pautasque fazem diferença na luta de classes, que acumulam. ME: espaço de atuação na universidade, questionamento da educação. Realidade do REUNI.Dificuldade de diálogo com os estudantes que entraram pelo REUNI (pelo fato do ME ter se posicionadocontra). Um dos maiores desafios que temos hoje no ME é o resgate da luta social.
  16. 16. 16 Fazer trabalho de base é um processo pedagógico, temos um processo de formação constante,para uma atuação militante que supera o ME. Ao mesmo tempo que o militante se forma, tambémaproxima novos estudantes, também faz trabalho de base. A disputa dentro da universidade é a disputade consciência do jovem que se aproxima das pautas da esquerda, mas também é com o jovem que vaiser o futuro burguês. O debate corporativo, o debate do dia a dia é potencializado quando estamos preparados paraisso. Temos que nos formar para qualificar as nossas ações cotidianas, tendo centralidade aondeconseguimos colher mais frutos. Não temos essa centralidade atualmente. Num momento aonde osestudantes não se identificam mais enquanto estudantes temos que afinar qual é a nossa mensagem,qual a nossa centralidade. Formas: pautas estudantis mais corporativas, a questão profissional (trazendopropostas). Temos que explorar as contradições, mas o momento histórico exige uma centralidade. Ehoje a questão profissional se sobressai da questão mais estudantil. Luta do povo não é dissociada da luta estudantil. A disputa dos espaços de organização dosestudantes, as pautas estudantis também são importantes.Fechamento Virtude Explorar esse processo traz uma auto-análise. Entender o que é o estudante é também nosentender, entender a nossa trajetória. Ser militante, ser estudante na sociedade brasileira é algo muitomais complexo do que ser matriculado em uma instituição de ensino superior. Se o movimentoestudantil está em crise, é porque o próprio estudante deixou de existir como existia na década de 60. Pensar o trabalho de base: com o estudante real, com as situações concretas. E entender queexistem especificidades em cada espaço, relações diferentes com a faculdade. A massificação do movimento em torno de uma identidade estudantil é um desafio estratégico,não se coloca com a estruturação do ensino superior no Brasil. As executivas de curso também são um fenômeno historicamente localizado, anos 60 elas nãotinham força. É exatamente com a fragmentação da universidade que elas ganham força, pois o quefundamenta essas executivas é a questão da carreira. Existe a possibilidade para que o ME se massifique hoje? Acho que não. Temos que ter muitopresente o que dá para fazer e o que não dá. O nosso foco é a transformação social, se isso vai seratravés do ME ou não, não podemos perder nosso foco. O Fora Collor e as ocupações em 2007 sãoexemplos de como o ME se massificou, mas as formas são diferentes. É importante manter atividades nauniversidade, mas tudo isso tem o seu limite e não podemos colocar pro movimento estudantil umpapel maior do que ele tem capacidade de fazer. A dificuldade de massificar é sentida de uma forma muito concreta: “ME é grupinho”,dificuldade de diálogo. Isso é produto do processo de fragmentação da universidade. Cria pequenosguetos de sociabilidade. Esses guetos se expressam institucionalmente, antes nos anos 60 essas coisastodas funcionavam como uma coisa só. Hoje não há diálogo entre esse guetos. O trabalho de base tem que considerar primeiro esse aspecto, a língua do estudante não é umalíngua só, são várias línguas. Além de entender as línguas, temos que pescar o bom senso a partir do nosso ponto detransformação social. Estabelecer essa ponte entre o bom senso espontâneo da massa e a nossaperspectiva consciente.
  17. 17. 17 O trabalho de base acontece no nível de consciência da massa. O que muda a situação é muita gente organizada fazendo uma coisa de cada vez. É só a massaque vai fazer transformação. Colocar o estudante em movimento. Dificuldade maior, se colocamos o estudante em movimento, precisamos saber qual é aquelatransformação que queremos e que é possível fazer. Essa transformação que pode ser feita e altera acorrelação de forças. Assim criamos uma ligação entre uma pauta específica e a geral. Por exemplo,como convencer ao estudante que a reforma agrária altera a universidade? Encontrar essa pautapossível de fazer e que altera a correlação de forças e fazer o diálogo com a universidade. A identidade em torno da carreira é algo historicamente mais favorável do que a identidade detodos os estudantes de um Estado. Há uma mesma situação no mercado de trabalho, uma mesmapolítica da grade curricular. Aí nós temos uma brecha. Pensar quais são as manifestações de bom sensoa partir das quais podemos construir uma ponte com a nossa proposta de transformação social.Queremos colocar o estudante em movimento, tal como ele é. A situação geral de inserção na universidade, mesmo com os processos do REUNI, traz que osestudantes são majoritariamente de classe média. O ME é uma manifestação radicalizada de um setorda classe média que tem potencial revolucionário. Uma coisa é ser de classe média e se identificar com o povo, a outra é nos identificarmos tanto,que recalcamos o fato de sermos da classe média. Isso traz para nós não conseguirmos nos localizar, nãoter claro qual é o nosso papel. 5. Campanha do Boicote ao ENADE Abertura de ponto: NTP Educação (Campos) A educação que temos hoje reflete a própria sociedade, família e mídia também contribuemnesse processo de educação. Neoliberalismo age diretamente na educação, como exemplo temos oBanco Mundial. O ENADE é um método de avaliação que veio do SINAES, que está inserido dentro do projeto doREUNI. Antes tínhamos o ENEC, exame que só avaliava o estudante. Porém hoje vemos que o ENADEtambém passa por uma avaliação apenas do estudante. Outra problemática está no fato de que o ENADE faz uma avaliação sem propostas, pra além deum ranking das melhores universidades, que recebem maiores verbas e maior visibilidade na mídia e nasociedade. Isso contribui para a deterioração das universidades que ficam nas posições mais baixas. As provas não são específicas por região. Quem está financiando as universidades? O ENADE tem a função de avaliar a universidade nosentido de melhorar seus retornos para a sociedade ou tem a função de manter e perpetuar essesistema de educação para poucos? Todo ano as executivas de curso se organizam para fazer um boicote a esse sistema deavaliação, que na verdade é um sistema punitivo. A campanha se concretiza a partir do estímulo aosestudantes não fazerem as provas e colar o adesivo na prova como forma de manifestação e unidadeem torno da campanha.
  18. 18. 18 Temos avançado no sentido de construir uma proposta coletiva de uma avaliação real doensino, já que a realidade é a precarização deste. Tentativa de acumular em uma proposta alternativade avaliação, trazendo os professores, o ANDES para contribuir nesse processo. O FENEX agora vai tratar em grande parte desta pauta e desta proposta. Esse ano a agronomiavai fazer o ENADE e no FENEX, as executivas das agrárias e da saúde ficaram de tocar essa campanha.Prosa em plenária Histórico do processo do ENADE? Existe um curso que foi excluído? Quais são os outros cursos? O ENADE tem que ser entendido como parte do processo de mercantilização do ensino superior.O caráter mais problemático dele é político, além dos problemas técnicos. A pauta do ENADE traz a questão da educação como um todo e também da inserção do capitalnas universidades. Em Botucatu houve o boicote pela Florestal ano passado. Teve como conseqüência que agora aFaculdade vai fazer um sistema de educação por si. De certa maneira o ENADE tem uma proximidade muito grande com o Provão. Em 2003/2004 aproposta do SINAES entrou na universidade, que trouxe consigo o ENADE, a avaliação interna dauniversidade. Em tese o ENADE não avalia só o estudante, avalia também a estrutura, os professores. Aquestão de excluir os cursos com 2 notas baixas efetivamente não acontece. O ENADE tem presença obrigatória do estudante. Importância de fazer o processo de trabalhode base efetivo, já que o estudante tem que ir. Para as universidades particulares, geralmente acontece um cursinho pré-ENADE, para que asuniversidades tenham boas posições e ganhem verbas. O boicote é fundamental. Não é só fazer o boicote pelo boicote, temos que politizar o boicote. O ANDES lançou uma cartilha falando de todo o processo do ENADE. Construir e pensar juntocom o ANDES o que seria uma proposta alternativa de avaliação. ANDES já fez uma proposta. Fazer uma proposta na perspectiva da Universidade Popular. A universidade tem que ser avaliada pela sociedade e tem que cumprir uma função social. Com relação à metodologia, a propaganda é que se todo mundo for bem no ENADE auniversidade vai ficar melhor, ter mais recursos. Os estudantes que fazem o boicote e os cursos são bastante criminalizados. Importância doboicote ser para além do boicote, trazer uma proposta clara e politizada, proporcionando um diálogocom outros estudantes, professores e com a sociedade. Todas as cartilhas que saíram do ENADEreproduzem a crítica do provão, tem que ser mais aprofundada e politizada. Nos coloca a pensar a educação e a fazer o trabalho de base também. Importante nosaprofundarmos sobre essa pauta. 6. Campanhas Avaliação das últimas campanhas da FEAB
  19. 19. 19 -2007/2008: “Os transgênicos e a CTNBio” Essa campanha estava inserida em uma campanha maior “Por um Brasil livre de transgênicos”,realizada por diversos setores e organizações, e o papel da FEAB e ABEEF foi questionar o papel daCTNBio. Avaliamos que através de cartilhas, folders, cartazes, a campanha teve um importante papel noenfrentamento, na disputa ideológica, e foi positivo. Porém, tivemos dificuldade de dialogar com a baseem algumas situações. A bandeira envolvida nos debates era de Ciência e Tecnologia. E o método pararepercussão da campanha foram seminários de debates nas Universidades, o que a tornou maisconcreta das últimas campanhas na FEAB. -2008/2009: “Transnacionais na Universidade: Educação contra o Povo” Campanha realizada também em conjunto com a ABEEF. Avaliamos que principalmente por nãoestar inserida numa conjuntura em que as organizações não pautavam a questão, não teve grandesrepercussões. Porém, o papel central que essa campanha cumpriu foi a de formação da militância, poisnos instrumentalizou no debate sobre a bandeira de Universidade e Formação Profissional. O métodoutilizado para isso foi estudos e debates nos espaços da FEAB, além da produção da cartilha. Acampanha permitiu a continuidade e aprofundamento nas questões levantadas pela campanha anterior. -2009/2010: “Esse pacote já Era!” A Campanha se propôs a intensificar o trabalho de base para a FEAB, trabalhando a bandeira deFormação Profissional. Para isso, a campanha deu continuidade às campanhas anteriores, questionandoo modelo do agronegócio e o papel da Universidade. Os métodos utilizados foram cartaz para dialogarmassivamente com os estudantes e uma cartilha, que não foi utilizada por dificuldades materiais emestar pronta durante a gestão. Avaliação Geral Há anos que temos tido como central o enfrentamento ao agronegócio como linha de ação paranossas campanhas. Avaliamos que essa linha tem sido acertada, porém necessitamos aprofundar equalificar o método. Para massificar uma campanha entre os estudantes e para dar conta de realizar oenfrentamento ideológico é preciso usar as ferramentas e a linguagem adequada. Nesse sentido, avaliamos a importância de as campanhas serem puxadas no início ou no meioda gestão das coordenações nacionais, pois quando deixamos pro final, quase sempre não damos contade botar a campanha pra funcionar. Também é importante ressaltar que não precisamosnecessariamente a cada ano construir uma nova campanha, mas se formos, ela precisa estar conectadaa esse eixo central de combate ao agronegócio. As campanhas cumprem o papel de fazerem a disputa ideológica com os estudantes, através dotrabalho de base; a formação política da militância sobre o tema, acumulando para a FEAB; demonstraro posicionamento da FEAB frente à conjuntura e fazer enfrentamento ideológico ao modelohegemônico, nas questões do campo e da Universidade. Todos esses elementos estão presentes nascampanhas, e a intensidade de cada um deles varia conforme a leitura que fazemos da realidade.Portanto, o caráter e o objetivo de cada campanha se alteram na conjuntura.
  20. 20. 20 Campanhas pra este período Contra os Agrotóxicos A campanha contra o uso de agrotóxicos que vem do MPA e pode ter mais força por ser trazidapelos movimentos sociais do campo e tem a capacidade de dialogar com a cidade sendo transversal nasociedade, por se relacionar diretamente a questão da alimentação. Nesse sentido precisamosnecessariamente associar os agrotóxicos com o agronegócio e questionar este modelo de agriculturaque está colocado, fazendo uma ligação com o trabalho que foi feito na campanha do pacotetecnológico. Com isso a proposta é que esta campanha seja massiva e que façamos um material quetenha uma abrangência com um formato que seja referenciado para conseguir ser debatido pelosestudantes, para poder ser discutido nas nossas bases. Vemos também a necessidade de conseguir darcontinuidade em algumas pautas que não foram tocadas com tanto corpo na campanha passada,envolvendo setores organizados da sociedade em geral. Temos que conseguir fazer também o embateàs transnacionais, dando visibilidade a quem é o nosso inimigo na questão dos agrotóxicos, trabalhandoesta formação utilizando os materiais constituídos. Visualizamos a necessidade de iniciar nesse semestreesse debate para embasar posteriores análises mais aprofundadas, sendo que isso deve ser feito naspassadas regionais e nacionais. Temos que trabalhar estes temas nos nossos encontros massivos, onde temos fertilidade paracrescer neste debate e isto traz uma ponte interessante de conseguir, por ser uma pauta concreta,debater as propostas do que construir como alternativa, para além do debate político. Na questão dosmateriais existem textos bons que trazem elementos e acúmulos para serem trabalhados e espalhadospelas escolas, pela CN e pelas CR. Para além disso temos que produzir materiais de agitação paratrabalho massivo e aproveitar o uso de vídeos e místicas, indo para a rua também para fazer o embateideológico, sendo mais um trabalho da militância. Vamos construir um material mais de proposição decomo atuar para as campanhas, não como um projeto fechado, mas para conseguir trabalhar nasescolas mais novas de uma maneira mais coesa. Contra as alterações do Código Florestal Na campanha sobre o código florestal o central é conseguir somar força com quem estiverfazendo lutas para reverter o processo para fazer mais pressão para que esta campanha ganhe peso poisé pra logo que este novo código seja aprovado, conseguindo fazer lutas concretas. Quem temprotagonizado essa luta são os movimentos sociais e ambientalistas, sendo importante que nossamilitância some nessas articulações a nível local Contra o extermínio da juventude Outra campanha deliberada é contra o extermínio da juventude, que dialoga com as cidades ecom as pastorais, sendo bastante fértil para estabelecer relações interessantes com outros movimentos,alem de ser uma pauta tocante para o momento, compreendendo que o movimento estudantil é ummovimento de juventude.Prosa em plenária - Em Recife está sendo proposto um ato com outras executivas para fazer o debate sobre aalteração do código florestal e com outros grupos organizados. Trazem uma proposta de levar para o
  21. 21. 21FENEX para que seja realizada uma mobilização nacional contra a alteração do código florestal, numcaráter pedagógico. - Todo ano montamos uma campanha, obviamente considerando o acúmulo anterior, masdevemos propor campanhas que tenham um eixo central em longo prazo para trabalhar um temaespecifico para darmos um norte mais bem definido e com maior possibilidade de conquistas reais.Deve-se ter uma metodologia que operacionalize isso. - Temos uma debilidade de materializar as campanhas em ações diretas e concretas queaglutinassem os estudantes numa pauta comum, como na campanha da reforma universitária. - Temos que trabalhar melhor a agitação e propaganda nas nossas campanhas para ajudar aaglutinar e agitar os estudantes nessas pautas, sem perder a politização, mas saber fazer o trabalho debase com as ferramentas que temos. - A CN e as CR nas passadas tem que trabalhar obrigatoriamente os materiais sobre ascampanhas para dar corpo a estes debates e fazer com que cheguem as nossas bases. - Podemos nos utilizar da realidade local e de experiências com agrotóxicos para trabalhar asensibilização dos estudantes com conjuntura mais palpável para nossa base. - Não dá pra discutirmos a alteração no código florestal num momento de embate como este àalteração, com certeza o código pode ser melhorado, mas não podemos nos confundir na pauta nestemomento. - Para entender melhor a campanha do extermínio da juventude é importante estudarmos asmudanças no mundo do trabalho, para fortalecer nosso debate. 7. Repasse do Seminário Internacional contra o monocultivo do Eucalipto e Seminário Nacional contra o uso de agrotóxicos- Seminário internacional contra o monocultivo do eucalipto: Foi tirado o fortalecimento do dia 21 de Setembro de 2010 (dia mundial contra o monocultivode árvores) para serem feitas ações pontuais em conjunto para denunciar os males dos monocultivos,socializando informações, debatendo com a comunidade e fazendo enfrentamento. Dia 21 de setembro de 2011: construir um dia nacional de mobilização contra o monocultivo deeucalipto mais consolidado e com mais peso, elaborando cartazes que tragam o embate do agronegóciocom a nossa proposta de desenvolvimento para o campo, ações diretas, atos de denúncia das empresasdentro das universidades e elaboração de materiais comuns de trabalho de base e formação. Foram tiradas mais duas semanas de conscientização e luta contra o monocultivo de eucalipto,uma em junho e outra em setembro de 2011, aproveitando que o dia 05 de junho é o dia do meioambiente.- Seminário nacional contra o uso de agrotóxicos:Presentes: Via Campesina, MPA, MMC, MST, CPT, PJR, CIMI, FASE, UFC, REDE-MG, FIOCRUZ, FBSAN,CONSEA, CUT, CAA Norte de Minas, FEAB, ABEEF, ENEBIO, EXNETO, ENEN, UFFS, Núcleo Trama, Terra deDireitos, Cáritas, AMA-RJ, CONAB, Rádio Agencia, Caros Amigos, Correio da Cidadania e Brasil de Fato.
  22. 22. 22 Como agir na campanha tirada do seminário:- Denúncia das empresas que produzem e utilizam agrotóxicos- Combinar o debate contra os agrotóxicos com a discussão sobre os impactos socioeconômicos,ambientais e na saúde que já afetam a população através dos agrotóxicos.- Combater o mito do agronegócio para a sociedade e denunciar suas conseqüências.- Denunciar permanentemente na sociedade as empresas que lucram vendendo venenos.- Influenciar e disputar a elaboração dos currículos para que estes tenham um enfoque agroecológico.- Esclarecer alguns setores sociais em universidades: estudantes, professores e trabalhadores sobre operigo do uso de agrotóxicos.- Criar e divulgar estudos e pesquisas sobre o perigo do uso de agrotóxicos junto aos movimentossociais.- Negar o pacote do modelo do agronegócio.- Acompanhar e pautar a denuncia dos agrotóxicos no CBA- Incluir nos EIV a temática dos agrotóxicos.- Articular no FENEX com as outras executivas uma proposta de ação conjunta sobre a campanha contrao uso dos agrotóxicos.- Trabalhar a campanha construindo uma semana de mobilização conjunta com as executivas sobre acampanha.- Trabalhar com as cartilhas que já existem e criar um material de agitação.- Trabalhar a campanha do extermínio da juventude relacionando com a pauta dos agrotóxicos e suainfluência neste debate. Como garantir a implementação das ações:- Fazer um mapa das articulações entre as empresas fabricantes de venenos, fusões e centralização:cadeia do veneno e dos remédios, divulgando estes dados na campanha;- Denunciar os dados aos consumidores nos supermercados;- Construção de uma coordenação nacional composta por um representante de cada entidade Realizar ações no dia nacional do meio ambiente (05 de junho) e no dia da soberania alimentar (16 deoutubro) trabalhando as influências dos agrotóxicos na saúde dos agricultores e das famílias e a atuaçãodas empresas privadas nos diversos setores da sociedade; Foi tirada uma coordenação nacional composta por um representante de cada entidade a sereunir dia 17 de novembro de 2010 no CEPATEC em São Paulo para socialização do que já foi feito e paraarticulação das próximas ações. 8. Síntese das Deliberações do CONEACOORDENAÇÃO NACIONAL- Acumular e propor o debate ao restante da Federação sobre reorganização do ME no GT de Formação;- Divulgar e propor a segunda semana nacional de mobilização no FENEX sobre a campanha dosagrotóxicos;- Propor e articular, junto às Coordenações Regionais, os seminários regionais;- Junto com as CR propor espaços expandidos de articulação regional de executivas;
  23. 23. 23- Articular regional e nacionalmente a Via Campesina e a ANA;- Participar do Encontro de Diálogos e Convergências no final de 2010;- Pensar em como levar para os espaços nacionais o debate da construção do CBA; - Avançar nos métodos de agitação e propaganda e articular nacionalmente com outros movimentos dajuventude;- Articular com as outras executivas de agronomia da América latina espaços que fortaleçam o debatesobre a CONCLAEA - Acumular no debate sobre universidade popular.COMISSÃO ORGANIZADORA DO CONEAEspaço de EIV na troca de experiênciasNÚCLEOS DE TRABALHO PERMANENTES • NTP de educação – Campos:- Inserção na luta unificada com o movimento da educação a partir de cinco eixos principais: assistênciaestudantil, democracia nas universidades, mais investimentos nas universidades públicas, combate amercantilização da educação e a busca por uma educação emancipatória, contribuindo assim para aconstrução de um novo projeto de educação;- Manter o debate sobre o REUNI, PROUNI e ENADE;- Propor junto com a CN um espaço sobre cotas raciais, étnicas e de ensino público para a PNEB. • NTP de Agroecologia – Ilha Solteira- Junto com a escola de Fortaleza e com a CN devem pensar num espaço sobre concepção deagroecologia para o CBA;- Junto com a CN pensar num espaço sobre concepção de agroecologia para a PNEB, fazendo um resgatehistórico do protagonismo da FEAB nesse tema e construindo um material que aponte perspectivas; • NTP Juventude, Cultura, Valores, Raça e Etnia, Gênero e Sexualidade - Aracaju- Acumular sobre o debate de mística para o próximo periodo;- Acumular sobre o debate das drogas e propor um espaço sobre este assunto para o CONEA;- Acumular no debate sobre o patriarcado e sobre a legalização do aborto para junto com a CN proporum espaço sobre este tema para a PNEB;- Junto com a CN deve acumular sobre a reconfiguração da divisão sexual do trabalho e sua atualconfiguração. • NTP de Relações Internacionais – Santa Maria- Junto a CN deve pensar e propor um espaço para analisar a conjuntura da CONCLAEA e suareestruturação, para a PNEB. • NTP de Ciência e Tecnologia – Porto Alegre- Deve acumular no debate sobre a lei de inovação tecnológica; • NTP de História e Comunicação - Curitiba- Junto com a CN deve decidir o que fazer com a lista antiga de e-mails da FEAB e também sistematizaros materiais produzidos pela FEAB nos ultimos anos.TAREFAS GERAIS
  24. 24. 24- Propagandear e construir os EIVs e SQAs de acordo com a realidade de cada região, suscitando aparticipação de internacionalistas no EIV - Articular regionalmente espaços de diálogo com os movimentos sociais de modo a inserir suas pautasna universidade.- Fomentar a construção regional de espaços conjuntos com movimentos de mulheres (MMM e MMC,por exemplo), nos inserindo na frente pela não criminalização das mulheres e legalização do aborto. - Participação no Seminário de Universidade Popular; - Devemos continuar nosso esforço de propagandear meios de comunicação deesquerda como o Jornal Brasil de Fato, além de livros de editoras de esquerda como aEditora Expressão Popular.- As escolas devem debater a bandeira de gênero com foco no patriarcado para o espaço da PNEB.- Nos inserirmos na construção do 8 de março da Via Campesina.- Explorar o debate de gênero de modo a contribuir para o trabalho de base nas universidades.- Socializar o acúmulo sobre a frente de legalização do aborto e as mulheres se inserirem no debatesobre esta questão para ajudar no acúmulo para a PNEB.- Fazer uma lista de emails das mulheres da FEAB - Cada escola deve articular lutas conjuntas com os novos cursos (Universidade Nova), como os deagroecologia- Potencializar a participação de militantes da CONCLAEA nos EIVs e a nossa participação nas passantias;- Fazer formação dentro das escolas da FEAB sobre as campanhas para inserirmos o debate delas nascalouradas e espaços com os ingressantes, para além do trabalho com a militância. 9. Calendário Setembro21: Dia mundial contra os monocultivos de árvores – ações pontuais e agitativas sobre o assunto25-26: Seminário Regional II28: Dia Internacional pela Legalização do Aborto20-22: Seminário de Agrotóxicos – Várzea Grande (Reg. IV)23-24: Oficina de formação MMC – Quilombo Mutuca (Reg.IV)25-26: CF2 – Viçosa21: ato da Kátia Abreu - Viçosa Outubro09-10: Seminário Regional I16-17/23-24: Seminário de construção EREA-Sul14-16: Seminário de Questão Agrária – ViçosaSeminário colonização do norte do estado do Mato Grosso (sem data)31-02: CF1 e CF2 (Reg.IV – indicativo)09-11: Seminário Regional V15-17: Seminário Regional VI30-2: Seminário Regional III (indicativo)01: Seminário de discussão QA (Diamantina)09-11: Fórum de Agroecologia (Araras – Reg VII)
  25. 25. 2509-10/16-17: CF1/ Formação Agroecologia (Ilha – Reg VII)25-29: Semana de Agroecologia (UFRA – Reg.VI)16: Dia da soberania alimentar – ação contra o uso dos agrotóxicos09-12: Congresso de los Pueblos – Colômbia08-16: Congresso da CLOC – Quito09-12: Encontro Nacional da Mulheres Argentinas2-7: Encontro Internacional dos Atingidos por Barragens - México Novembro19-21: Seminário de Construção do EREA (Reg.III+VII)13-15: Seminário de Construção do EREA (Dourados Reg.IV)16...: Seminário da Regional IVSem data: Congresso Cearense de Agroecologia1 e 2: Seminário de Planejamento do EREA (Reg. V)13-15: Seminário de Construção do CONEA05-07: Seminário Regional VII17: Reunião da secretaria operativa da Campanha contra os Agrotóxicos Dezembro18-19: SQA Estadual (Rio) JaneiroEIV Regional Agrário (Santa Maria)EIV – PREIV – SC02-24: EIV-MGSem data: Seminário de Construção do ERA (Marabá)EIV-SP: 2ª semana de jan até 1ª de fevereiro FevereiroEIV Regional Urbano (Santa Maria)EIV-RJ Março8 de março: Dia internacional da luta das mulheres14: Dia internacional de luta contra as barragensEIV-PA3º ENAAG – Encontro Amazônico de Agrárias (UFRA)PNEB: sem data (meio de março)Encontro dos Movimentos sociais da ALBA – Foz do Iguaçu/PR Abril21-24: EREA – Sul24: Páscoa sem PNEB!21-24: EREA-Sudeste21-24: EREA-Nordeste17: Luta Internacional pela RA
  26. 26. 26 Maio1º de maio: Dia do trabalhador17: Dia Nacional de Reflexão sobre a formação do eng agronomoEREA – Reg IVSQA – Botuca (maio ou junho) JunhoSemana dia 5: Semana de conscientização e luta contra o monocultivo de eucalipto28: Dia internacional da luta gay e lésbica Julho54º CONEEEAAAAAA!!!!

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