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Cartilha "Complexo Tapajós"
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Cartilha "Complexo Tapajós"

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A iniciativa é uma produção da Frente em Defesa da Amazônia, do Movimento Tapajós Vivo e da Aliança Missionária Franciscana do Tapajós e objetiva apresentar e discutir com os trabalhadores da bacia do rio Tapajós o mega-empreendimento do governo federal que é construir cinco grandes hidrelétricas que inundarão 1.950Km² de florestas, comunidades, unidades de conservação e terras indígenas e ameaça o modo de vida e a biodiversidade em toda a região do rio Tapajós.

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  • 1. ONTRA O PROJET SC OC EN G OM OM RA PLE PLE LUTA ANTI-BAR XO PA S XO TAPAJÓS seus povos e culturas Itaituba - Amazônia - Brasil Janeiro de 2010
  • 2. VERDADES E ELETROMORTE X TAPAJÓS VIVO MENTIRAS SOBRE o PROMOÇÃO da cartilha: PROJETO de 05 ALIANÇA Anti hidrelétricas na bacia do Rio Tapajós – Santarém, Aveiro, Itaituba, Jacareacanga; Povo HIDRELÉTRICAS Mundurucu; movimentos sociais em defesa da Amazônia; Redes de Defesa da Amazônia. NA BACIA DO PRODUÇÃO COLETIVA: RIO TAPAJÓS Frente em Defesa da Amazônia, Movimento Tapajós Vivo e Aliança Missionária Francisclariana do Tapajós. TEXTO E MONTAGEM: Edilberto Sena, Enoy Sena ILUSTRAÇAO E DIAGRAMAÇÃO: Magna Arte FINANCIAMENTO: Frente em Defesa da Amazônia; Aliança Francisclariana; FASE - Programa Amazônia com apoio da Fundação Ford; Líder comunitário vereador Carlos Jaime e Congregação Verbo Divino ÁGUA E ENERGIA NÃO SÃO Em memória de Glenn Switkers, nosso grande companheiro norte americano e amazônida de MERCADORIAS coração, falecido há pouco dias, dedicava-se a defender nossos rios da sanha destruidora das barragens. Membro da “Organização Rios Vivos”, foi grande colaborador em nossa luta em defesa dos rios Xingu e Tapajós, desafiando os projetos de hidroelétricas do governo federal. Nossa eterna gratidão ao companheiro que continua vivo como inspiração em nossa luta. Glenn vive e nossos rios viverão! Corredeira do Alto Rio Tapajós Foto: GLENN SWITKERS homenagens póstumas ao grande companheiro
  • 3. TRA O PROJE CON TO ENS C G OM OM RA PE PLE LUTA ANTI-BAR X T A ÓS XO TAPAJÓS seus povos e culturas Itaituba - Amazônia - Brasil Janeiro de 2010
  • 4. APRESENTAÇÃO Defender o rio Tapajós, mantê-lo vivo e fluindo, é para os povos do Baixo Amazonas uma questão de vida e dignidade. É preciso tomar consciência de que construir cinco hidrelétricas, como pretende o governo federal, é destruir não só os rios Tapajós e Jamanxim, mas também destruir a vida da natureza e dos povos da região. Não se pode ficar calado ou apenas murmurando indignação quando serão inundados 1.950 Km² de florestas e terras indígenas. Energia limpa pode ser lá nas empresas receptoras, mas nas bacias do Tapajós ficará a sujeira e poluição. Por isso, a carta dos índios Mundurukus é o sentimento de todos e todas que vivem nesta região e lutam pela vida. CARTAS DOS INDÍGENAS Carta dos indígenas mundurukus da missão Cururu: Exmo. Senhor Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva Exmo. Senhor Ministro das Minas e Energia, Edson Lobão e demais Autoridades responsáveis pelo setor energético do Brasil. Nós comunidade indígena, etnia Munduruku, localizada nas margens do Rio Cururu do Alto Tapajós, em reunião na Missão São Francisco, nos dias 5 e 6 de novembro, viemos por meio deste manifestar à vossa excelência nossa preocupação com o projeto federal de construir cinco barragens no nosso Rio Tapajós e Rio Jamanxim. Para quem vai servir? Será que o governo quer acabar toda a população da bacia do Rio Tapajós? Se apenas a barragem de São Luis for construída vai inundar mais de 730 Km². E daí? Onde vamos morar? No fundo do rio ou em cima da árvore? Aximãyu'gu oceju tibibe ocedop am. Nem wasuyu, taweyu'gu dak taypa jeje ocedop am. (não somos peixes para morar no fundo do rio, nem pássaros, nem macacos para morar nos galhos das árvores). Nos deixem em paz. Não façam essas coisas ruins. Essas barragens vão trazer destruição e morte, desrespeito e crime ambiental, por isso não aceitamos a construção das barragens. Se o governo não desistir do seu plano de barragens, já estamos unidos e preparados com mais de 1.000 (mil) guerreiros, incluindo as várias etnias e não índios. Nós, etnia Munduruku queremos mostrar agora como acontecia com os nossos antepassados e os brancos (pariwat) quando em guerra, cortando a cabeça, como vocês veem na capa deste documento. Por isso não queremos mais ouvir sobre essas barragens na bacia do Rio Tapajós. Por que motivo o governo não traz coisas que são importantes para a vida dos Munduruku, para suprir as necessidades que temos: como educação de qualidade, ensino médio regular, escola estadual, posto de saúde, etc. Já moramos mais de 500 anos dentro da floresta amazônica, nunca pensamos destruir, porque nossa mata e nossa terra são nossa mãe. Portanto, não destruam o que guardamos com tanto carinho. Subscrevemos 09 caciques – capitães em sua denominação e cerca de 60 participantes dos dois dias de encontro, na missão São Francisco do Cururu. Missão Cururu, 03 de novembro de 2009
  • 5. ÍNDICE Esta é a capa da carta que dois jovens estudantes 1. Informações sobre o plano do da missão Cururu desenharam para a carta ao Governo para o complexo Tapajós 7 presidente Lula. 2. Complexo Tapajós - PAC - IIRSA 9 3. Tamanho das hidroelétricas previstas 11 4. Impactos irreversíveis das barragens na bacia do Tapajós 13 Impactos econômicos 13 Impactos sociais na região do Baixo Amazonas e rodovias 17 Impactos Ambientais na bacia do Tapajós 19 5. Mentiras da EletroMorte 23 6. O porquê de tantas hidrelétricas 25 7. Belo Monte 27 Carta dos Povos da Volta Grande do Xingu 28 Reações da sociedade civil organizada da região do Tapajós 29 8. Algumas questões para reflexão 30 Missão São Francisco do Rio Cururu 06 de novembro de 2009.
  • 6. Oi, caboco, Sabes o Sei sim, já vieram estás sabendo que a Eletromorte por aqui dizendo que vão fazer uma barragem quer destruir o rio Tapajós para bem aqui em frente a nossa comunidade. Perguntei construir hidreléticas? deles se vai ter muito prejuízo e me disseram que será pouco, mínimos os impactos, afirmaram. Sabes o quer O quê? dizer mínimos E como vai ficar o rio para baixo? E os peixes como é que vão subir na piracema? E Querem nós, como vamos poder andar construir um muro de 36 de canoa e metros de altura fechando pescar? o rio. Se fizerem isso, vão fazer um lago de 742 kilômetros quadrados, inundando florestas, o Parque nacional da Amazônia, as terras dos Aí é que está, caboco, se Mas quando, aqui nós deixarmos eles mesmo é que eles não fazerem essas barragens destruirão o rio. vai ser uma desgraça, atrás de outra para nosso Vou já de casa em casa povo. E tem mais, todos convidar todos os vizinhos os moradores ribeirinhos para uma reunião para a vão ter que sair de suas gente estudar bem essa terras, a indenização é bandalheira do governo, e vamos esclarecer todas as comunidades ribeirinhas, e vamos enfrentar quem vier aqui querendo instalar Mas caboco, só vocês não acampamento. terão força para impedir o governo de fazer usinas no Tapajós... e são cinco Eles que se metam a besta. usinas que a eletromorte Tô sabendo que tem gente quer construir. O governo pensando como nós. Sei que lá em Itaituba tem o Movimento Tapajós vivo, em Santarém tem a Frente em defesa da Amazônia e a Diocese de Santarém. Também sei que os índios munduruku já garantiram que nas terras deles o governo não mete a mão, vai ter enfrentamento. Portanto, a gente não está só, nossos vizinhos é que estão ainda parados. Mas vamos juntar todos e contra a força da união não há força de canhão que vença.
  • 7. INFORMAÇÕES SOBRE O PLANO DO GOVERNO PARA O COMPLEXO DO TAPAJÓS 1 O Governo está determinado a construir 05 mega hidrelétricas e futuramente mais duas outras na bacia do rio Tapajós Ver o tamanho de cada uma delas e a divisão das quedas. Para se ter uma ideia, o paredão fechando o rio Tapajós em São Luiz será de 36 metros de altura (+ ou - um prédio de 15 andares) de um lado ao outro do rio, gerando um lago de 742 km quadrados inundados (equivalente a centenas de campos de futebol), com várias conseqüências sócioambientais. O total de energia pretendida com as cinco usinas é de 10.682 megawatts. Veja que a usina de Curuá-una, em Santarém, é de 30 megawatts. A grande pergunta é: para quem tanta energia se o Pará já possui a segunda maior hidrelétrica do Brasil e ela já chega a São Luiz do Tapajós e Pimental? Também neste momento a Eletronorte está construindo novo linhão de Tucuruí via Altamira, descendo o rio Xingu, atravessando o amazonas até Almeirim e de lá seguirá uma linha para Macapá e outra para Manaus, pela calha norte. No dia 23/09/2008, o presidente da Eletrobrás afirmou em Agência Estado: “o consórcio empreendedor desenvolveu 14 hipóteses de projetos para a bacia do Tapajós e identificou 16 aproveitamentos hídricos. Dessa possibilidade, escolhemos a configuração que continha 03 usinas no rio Tapajós e seis usinas no rio Jamanxim”. Segundo o diretor presidente da CNEC Engenharia da construtora Camargo Correa (interessada em ganhar a concorrência para construir o Complexo Tapajós) e que fez o estudo de viabilidade do empreendimento, prevê a divisão do projeto em duas usinas: São Luiz do Tapajós, com 6,133 mil MW de potência e Jatobá, 2,338 mil MW. E o presidente da Eletrobrás conclui dizendo que nessa configuração, São Foto da Revista da Eletronorte Luiz do Tapajós terá um reservatório de 742 mil e 200 km quadrados e queda de água de 35,9 metros.
  • 8. Oh! Irmã Marisol, nós tá preocupada com hidrelétricas aqui. Pain explicou ontem que peixes vão fugir, nós não vai poder mais ir a Itaituba de canoa, e nossos filho como vão viver sem peixe? É verdade, minha filha. Se nós cruzarmos os braços e só esperar pela FUNAI, tudo vai ser destruído. Hidrelétricas não é para índio, nem caboco, é só para empresas grandes dos pariuat (brancos) de lá de longe. Mas irmã, nós vai enfrentar. Mulher índia ajudar home índio a flechar e cortar cabeça de pariuat inimigo. Índia sabe usar facão. Nós não quer hidrelétrica no Tapajós, no Jamanxim, no Cururu. Irmã, a senhora Olha filha, se junta com nós? Vamos ficar se deixarmos eles soltos, a junto dos pariuat bons que Eletronorte quer afogar terras defendem o rio Tapajós, lá em dos índios mundurucus e dos Jacareacanga, Itaituba, ribeirinhos. Quer fazer cinco Fordlândia, Aveiro e Santarém. barragens grandes tapando o Pain disse que estão formando rio; bichos vão fugir pra longe, uma aliança de todos nós castanheiras ficarão afogadas, amigos do Tapajós. Nós mulher peixes vão pra longe. mundurucu vamos lutar junto.
  • 9. COMPLEXO TAPAJÓS – PAC – IIRSA 2 Continuação da colônia Amazônia Hidrelétricas na bacia do Tapajós atendem a um plano governamental (Plano de Aceleração do Crescimento, o PAC) que está comprometido com outro plano mais amplo, o Iniciativa de Integração da Infraestrutura da América do Sul, o IIRSA. Algumas informações sobre IIRSA: O IIRSA foi criado em 2000 pelos presidentes dos países da América do Sul, entre os quais o brasileiro Fernando Henrique Cardoso. A ideia mestra veio do BID, Banco Interamericano de Desenvolvimento, com predomínio dos Estados Unidos da América do Norte; Objetivo – criar corredores de ligação física entre os oceanos Atlântico e Pacífico em dez corredores na América do Sul. A ligação inclui: rodovias, ferrovias, hidrovias, telecomunicações e energia elétrica; “O pesquisador da FASE, Guilherme Carvalho, no livro: “O protagonismo brasileiro na implementação da IIRSA”, diz o seguinte: “Tal integração baseada no novo regionalismo é compreendida, portanto, enquanto uma nova etapa para completar e consolidar as reformas estruturais em andamento nos diversos países do continente (BID, 2000), buscando ampliar a participação da iniciativa privada em todas as atividades econômicas, inclusive naquelas em que o Estado é o principal agente e nas quais é considerado ineficiente na provisão dos serviços”. As finalidades do Plano IIRSA são: ** Reduzir custos de transporte de produtos aos mercados; ** Aumentar a competitividade econômica dos países sul americanos (no escoamento de seus produtos ao mercado mundial); ** Dinamizar o comércio intra e extra regional (domínio do Brasil); ** Ampliar a participação da iniciativa privada nas economias nacionais e proteger juridicamente os seus investimentos; ** Redefinir o papel do Estado (para facilitar a exploração das riquezas nacionais pelo capital); ** Garantir a infra estrutura (a interligação regional). Ver Guilherme Carvalho, 2004. O governo Lula se comprometeu a respeitar os acordos dos governos anteriores, o que garantiu sua primeira e segunda eleição. Por isso, em seu PAC, a perversa decisão de construir as hidrelétricas de Belo Monte, as cinco na bacia do Tapajós, além das outras no rio Madeira.
  • 10. Oi! Parente, Vocês têm razão. você com essa camisa do O governo está Movimento Tapajós Vivo, deve ser enganando o do nosso lado? Outro dia chegaram pessoal dizendo aqui uns cara com camisa da que as cinco eletromorte, nós cercamos eles, hidrelétricas vão só indagando o que estavam fazendo e trazer benefícios eles só disseram que estavam para nós. Pura medindo a fundura do rio e a força mentira! da cachoeira do Chacorão. Ficamos desconfiados. Me explica bem isso, É verdade sim, pescador. é verdade que vão Se deixarmos eles meter mandar todos nós das as mãos, vão fazer 1950 comunidades irmos kilômetros quadrados de embora daqui não sei inundações aqui na pra onde? Que vão região. Não haverá mais fazer cinco grandes piracema de peixes, vai lagos nos rios tapajós aumentar as pragas de e jamanxin e que vão mosquitos e nós vamos ter alagar matas, de ir embora para as cemitérios, casas e favelas de Itaituba, não sei mais o quê? Santarém, Trairão. Até Jacareacanga vai ficar metade da cidade no fundo. E ninguém vai fazer nada? Nem os prefeitos? Nem as igrejas? Nem os sindicatos? Vamos aceitar a desgraça assim, só chorando e xingando? Nada disso, pescador. Por isso estou aqui. Já tem bastante gente tomando consciência e querendo se juntar para impedir essa desgraça. Pode contar comigo Os índios nessa parada. Vou mundurucus já reunir nossa estão prontos para comunidade, chamar ir à luta e só vocês para nos esperam por você esclarecer melhor e e seus vizinhos. Já vamos unir forças pra existe um defender o que é movimento nosso: a vida e o chamado Tapajós Tapajós. Queremos o Vivo que está Tapajós Vivo e fora a organizando a Eletromorte!!! resistência dos povos do Tapajós.
  • 11. TAMANHO DAS USINAS PREVISTAS 3 O que é grande e o que é pequena pra eles? Usina de São Luis dizem que vai ser de 6.133 Mw Divulgação: Mini usina município de Santarém Esta é uma pequena usina que causa mínimos impactos ambientais Obs: A ANAEL diz que pequenas usinas são as consideradas de até 30 megawatts, porém: A Eletronorte anuncia as potências previstas para as duas pequenas usinas sendo 881MW para a usina do Jamanxim e 802 MW para a usina do Cai. QUEM ESTÁ DIZENDO A VERDADE??? PARA QUE MAIS HIDROELÉTRICAS SE JÁ EXISTE A DE TUCURUÍ???
  • 12. Oi! Jaraqui, pra onde você vai Ora! ora! com essa cambada de colegas? estamos indo rumo às cachoeiras lá do Jamanxim e do Tapajós, é que chegou nosso tempo de ir para a desova e lá é que é bom, tem fartura... Como assim, tambaqui? Esses rios são enormes e ricos, nunca vão se acabar, nem Que bom com os garimpos se acabaram. Verdade que as águas que vocês da piracema, surubins ficaram ruins, mas dá pra viver numa boa. pirapitingas, jatuaranas e outros colegas têm essa sorte. Pena que vai se acabar essa farra toda... Então, Jaraqui, ainda Como assim, não te disseram que o acabar...??? governo brasileiro quer acabar com a vida boa dos peixes da E o pessoal ribeirinho não vai enfrentar? E o pessoal de Itaituba, Santarém, Jacareacanga e os índios mundurucus vão ficar parados? Então te liga: a Eletromorte quer construir cinco Pois é, Jaraqui, nossa esperança é que grandes barragens na bacia do há um movimento crescendo chamado Tapajós. E aí, mano velho, não haverá Tapajós Vivo, que está se organizando mais subida e descida de peixe, nem para barrar essas desgraças. de gente. Só a barragem de São Luiz, a primeira, terá um paredão de 36 metros de altura. Ainda bem que tem gente corajosa, que vai lutar pra salvar nossos ricos e Além dos peixes belos rios. Mas já vou acompanhar os de piracema também vão sofrer os colegas para subir as cachoeiras e ribeirinhos, os moradores de Itaituba e vou contar essa triste notícia para até de Santarém. Eles sabem que se não eles. Tchau, tambaqui!! houver mais piracema eles não vão mais comer peixes gostosos e vão perder suas casas e suas terras.
  • 13. IMPACTOS IRREVERSSÍVEIS DAS BARRAGENS NA BACIA DO RIO TAPAJÓS 4 O economicismo em confronto com o equilíbrio do ecossistema da Amazônia. HIDRELÉTRICAS NA BACIA DO TAPAJÓS ENERGIA LIMPA NAS PONTAS E TRÁGICAS NAS FONTES São Luiz do Tapajós - ribeirinhos conversando Foto - Pe Edilberto Sena “Nós não queremos essas barragens aqui no rio Tapajós, porque hoje a gente vive, pesca, banha, viaja com esse rio. Se vier a barragem vão destruir tudo o que é nosso... e nós como vamos viver?” IMPACTOS ECONÔMICOS A população do Pará já tem energia abundante de Tucuruí, tanto que até exporta energia para outras regiões. Os municípios aqui que ainda não tem é por falta de vontade política de municípios e Estado em não “puxar” um linhão e conduzir energia para a Calha Norte. 1/3 da energia é consumido pela população do Estado; 1/3 vendido a baixo custo para as grandes empresas Albras, Alunorte, Vale, etc. e o restante exportado para o Sul e Nordeste.
  • 14. Fessora, o que Aninha, ainda bem que uma hidrelétrica? você perguntou isso. Na rua ouvi o Hidroelétrica é uma usina pessoal falando para gerar energia elétrica preocupado sobre com turbina dentro do rio. uma tal hidroelétrica que disque querem fazer aqui perto. Que é isso? E por que o pessoal está tão preocupado? Não é uma coisa boa? Seria muito boa coisa, Aninha, mas é que aqui querem construir uma enorme usina, querem fechar o rio, fazer um paredão mais alto que uma castanheira para juntar muita água e lançar na turbina. E aí, não Nem pescar? Isso mesmo, Aninha, poderemos mais vão alagar tudo, vão andar de canoa? mandar a gente E papai vai ter embora e a escola vai que sair com a ficar no fundo. gente daqui? E a escola onde vai ficar? Fessora, a senhora tem que chamar todos os pais da gente para unir todos e não deixarem eles fazerem essa desgraça. Essa não, fessora, vou falar com Você tem razão, Aninha, vou chamar papai e mamãe pra gente fincar todos os pais e vamos nos juntar ao pé e não deixar eles destruírem pessoal do Movimento Tapajós Vivo e nosso rio, nossa vida. os Índios Munduruku e conscientizar o governo a não destruir nossas vidas e o rio. Fessora, vou escrever uma carta pra o presidente Lula dizendo que ele não pode fazer essa crueldade com a Isso mesmo, gente. Moro aqui, mas Aninha, todos juntos, daqui não saio. unidos, não deixaremos eles fazerem a usina afogar nossas matas, nossas casas e nossas vidas.
  • 15. As cinco hidrelétricas na bacia do Tapajós não serão mais para abastecer as populações do Pará: Segundo informação do Movimento dos Atingidos por Barragens, o MAB, a energia fornecida pela EletroMorte às grandes empresas como Vale, Albrás, etc., sai 40% mais barata do que para as residências. O jornalista Lúcio Flávio Pinto explica isso: ... Portanto o Pará perde dividendos, o Brasil perde dividendos e as populações não ganham nada, a não ser as prefeituras, que ganham um pequeno *royalty. *Isto é, uma pequena renda destinada ao município pela riqueza retirada Com a expulsão dos ribeirinhos de suas comunidades, diminuirá a produção familiar, a pesca artesanal (justamente essas que são as atividade principais que mantém a cidade) e as populações urbanas terão impacto econômico. Essa fuga trará um “inchaço” às periferias das cidades e por não haver emprego para todos, viverão em estado de miséria. O Custo financeiro das Usinas: o que diz a Eletrobrás e o que dizem os críticos. USINA Dados Oficiais Dados dos Críticos - São Luiz R$ 15 bilhões ou R$ 25 bilhões ao final ? - Jatobá R$ 7 bilhões ou R$ 10 bilhões ao final ? - Chocorão R$ 8 bilhões ou R$ 10 bilhões ao final ? - Caí R$ 1.7 bilhões ou R$ 3 bilhões ao final ? - Jamanxin R$ 1.4 bilhões ou R$ 2.5 bilhões ao final - Dos Patos R$ 1.2 bilhões ou R$ 1.8 bilhões ao final - Jardim do Ouro R$ 800 milhões ou R$ 1.2 bilhões ao final ? - TOTAL R$ 35 bilhões ou R$ 53.5 bilhões ? QUEM PODERÁ SABER
  • 16. Oi! Jovem, por Não vamos que estão destruir nada, até a Tu pensas que a gente é agitando o povo floresta em redor otário? Pensa que a da região? As de cada usina gente não sabe que isso cinco usinas na vamos recuperar e é propaganda enganosa, bacia do ficarão melhor do Tapajós serão para depois destruir os que são hoje. feitas com rios e matas e em seguida dizer que houve um erro? Calma rapaz, olha, cara, vocês todas essas querem enganar a usinas vão gente, mas aqui trazer não se construirá muito nenhuma usina. É emprego melhor saíres daqui pra vocês. logo e avisa teu pessoal que aqui o povo está unido e não vai deixar Serão 75 mil empregos, entrar empreiteira. dos quais 25 serão diretos empregados nas obras. Vamos gerar energia limpa para o Brasil! Isso é nosso segredo. Não metam a E quantos vocês cara, pois aqui não deixaremos. são? E quem está com vocês?
  • 17. Foto: Pe. Edilberto Sena IMPACTOS SOCIAIS NA REGIÃO DO BAIXO AMAZONAS E RODOVIAS: Se os povos da região cruzarem os braços e a Eletromorte construir as barragens, eis os prejuízos irreversíveis que advirão: Populações que serão expulsas de suas terras 300 famílias de São Luiz, Pimental, Periquito e Aldeia Nova dos Munduruku de baixo; 600 famílias da cidade e periferia de Jacareacanga; Dezenas de aldeias munduruku que vivem às margens do Tapajós e Jamanxim; Migração intensiva em busca de emprego. A Eletromorte calcula: 75.000 pessoas que buscarão empregos e dizem eles que só 25.000 terão emprego nas obras; e as 50 mil pessoas que ficarão de fora? Inchaço das cidades especialmente Jacareacanga, Itaituba, Miritituba, Trairão, entre outras. Quem viveu a desordem de Itaituba no tempo forte dos garimpos no alto Tapajós, pode imaginar o que poderá vir pela frente. Santarém também sofrerá muito com a migração de pessoas que chegarão em busca de emprego e de sobrevivência.
  • 18. Vocês, com esse Oh! Seu Adão, o Sr. negócio de contra pensa em sua barragens, estão mercearia, em ganhar cegos. Não veem dinheiro. que as usinas vão gerar empregos e vai correr Não pensa em seus filhos e dinheiro e netos e os filhos dos ribeirinhos. desenvolvimento Lembra do tempo dos garimpos? pra região? Como corria muito dinheiro aqui em Itaituba e agora, onde Rapaz, o que vale é está esse dinheiro do ouro? o progresso. Essas Quem ficou rico e quem ficou usinas vão trazer pobre? progresso. Me diga, seu Adão, a fábrica de cimento trouxe desenvolvimento para a região? Quanto custa um saco de cimento feito com o calcário da nossa terra, energia de Tucuruí e isenção de impostos? O isso é verdade. Sr. Sabe que aumentou Itaituba hoje quase 100% o preço. está parada, corre pouco dinheiro. Já Pronto, seu temos energia Adão, o Sr está de Tucuruí e o vendo. preço da energia Além de que vai haver mais um inchaço de migrantes atrás de emprego, os ribeirinhos vão deixar de pescar. Sabe que é mesmo! Não tinha atinado pra isso. Então a Eletromorte está enganando a gente? Querem fazer usinas para os de fora e nós ficamos com a sujeira? Isso que não! Entendeu, não é, seu Adão? A gente está nessa luta e queremos mais gente lutando pra não deixarmos o governo nos destruir para servir aos de fora. Contem comigo! Até hoje pensava que era coisa boa, agora compreendo que quem gosta de nós somos nós mesmos.
  • 19. IMPACTOS AMBIENTAIS NA BACIA DO TAPAJÓS Se todos nós cruzarmos os braços, só reclamando e ficando parados, veja o que poderá acontecer se o governo construir as usinas do Tapajós: Grandes áreas que serão alagadas: Áreas indígenas serão atingidas em 55 km quadrados; O PARQUE NACIONAL da AMAZÔNIA será atingido 9.935 hectares; A FLONA Itaituba I atingida em 9.632 hectares; A FLONA Itaituba II atingida em 40.836 hectares – 9.27 % da Flona. O PARQUE NACIONAL DO JAMANXIN atingido em 24.202 hectares. A FLONA Jamanxin será atingida em 15.060 hectares.
  • 20. Não entendo nada dessa coisa de cinco hidrelétricas na bacia do Tapajós. Vi um filme muito legal, esclarecia tudo, dizia que o governo vai construir as usinas sem destruir o meio ambiente. Por que então essa gente está contra, esse movimento Tapajós Vivo? Até padre está contra? Mas seu Totó, me admiro do Sr., anda em estudos de boa nova, faz cursos e ainda engole aquele filme de mentira da Eletromorte? Então o Sr. acha que cinco lagos inundando terras dos índios, do Parque Nacional da Amazônia, barrando os rios, expulsando os ribeirinhos, o Sr. acha que não vai destruir o meio ambiente? Minha mana, até pensei nisso, Pois é, seu Totó e já imaginou para achei esquisito que eles dizem que vão construir escadinha onde vão mandar os moradores de para peixes de piracema, mas aonde já! Pimental, Periquito, São Luiz, Jacareacanga, Sai Cinza? Pois é, né! Só que não me meto nessas coisas, que dão muita confusão. Vou cuidar é de preparar o culto dominical de domingo, Mas sim, e o Sr. vai explicar essas preciso ler o evangelho desgraças na sua homilia? Seria bom, seu para a homilia. Totó, tem muita gente que não está sabendo dessa desgraça anunciada! Mas, mana como já que Ah! não, seu Totó, vou misturar as coisas de como é que Jesus faria Deus com essa desgraça se ele morasse aqui? dos homens? Lá a gente Como ele enfrentou os precisa rezar para isso exploradores do povo não acontecer. naquele tempo? Sabe que é mesmo! Ele chamou os doutores da lei de Agora sim, seu Totó, assim vale a pena eu ir lá hipócritas, que na igreja também. exploravam o povo, que vivia como Temos que nos unir ovelhas sem pastor. todos e enfrentar a Sabe que vou fazer a Eletromorte. Não mesma coisa lá na podemos deixar eles igreja, vou mostrar a destruírem nosso rios, enganação da nossas matas e nosso Eletronorte contra povo. nós.
  • 21. Morte dos peixes migratórios, chamados de piracema – só para começar a barragem de São Luiz do Tapajós terá um paredão de 36 metros de altura de ponta a ponta do rio, fechando totalmente a dinâmica natural do rio. A Eletromorte diz que construirá escadinhas para os peixes passarem. Acontece que não há nenhuma experiência positiva no mundo em que peixes subam e desçam escadinhas artificiais nos rios. Quem afirma isso é o especialista em recursos hídricos, Glenn Switkers da ONG Rios Vivos. O que vai acontecer é que os peixes que tenham ficado para desova nas cachoeiras de cima, ao retornarem com seus filhotes caiam com a correnteza nas turbinas e sejam esmagados; Foto: Revista Eletronorte Escadinha para peixes da EletroMorte Foto: Enoy Sena Produção de Dióxido de Carbono, altamente venenoso. Isto será provocado pelas árvores que serão inundadas pelas barragens, ficando no fundo dos lagos as raízes, folhas e galhos que apodrecerão e provocarão a subida dos gazes. Quebra do ritmo normal dos fluxos do rio Tapajós e Jamanxim. As praias em frente a Itaituba e ao longo do rio (Aveiro, Itapuama, Boim, Jacareacanga, entre outros) sofrerão secas imensas e na frente de Santarém o rio Tapajós será empurrado pelas águas turvas do Amazonas, até, quem sabe onde? Alter do Chão? Aramanaí? Basta ver neste verão de 2009 como o Amazonas domina o Tapajós. Imagine se Área alagada na barragem do Curuá-Una deixarmos a Eletromorte construir imensas construída 30 anos atrás – Santarém/Pará barragens em São Luis, Jatobá e mais adiante. Foto – piloto comandante Walter Frente da cidade de Santarém - dezembro de 2009
  • 22. Ei! Moço, você faz parte desse pessoal que anda combatendo o projeto do governo de construir as usinas no Tapajós. Vocês não entendem do assunto e falam tolices! – Ih! Cara, tu é que não entende de respeito à natureza, nem aos povos e ambiente da Amazônia. Só pensas no teu lucro e te rebaixa aos planos do Nós da Eletronorte trabalhamos pelo progresso. Serão cinco belas hidrelétricas neste rico Tapajós. É o bem do Brasil que construímos, nunca antes neste país se Estás enganado. pensou nisso. Neste rio não construirão nada que venha prejudicar nossos povos e a Vocês mentem, Só um governo democrata como o falando em do Lula da Siva pensa em gerar energia limpa, energia limpa. quando sabemos que irão inundar 2.350 km quadrados de floresta, interromper o ritmo normal do Sabe o que é isso? rio com Defendemos o meio barragens ambiente, por isso imensas. optamos por hidrelétricas em vez de uso de petróleo. Chamas isso de energia limpa? É o que Enquanto formos veremos!!! vivos e unidos não farão essa desgraça no rio Tapajós!
  • 23. MENTIRAS DA ELETROMORTE Vai ter Impactos mínimos: 5 Disse o Sr. Sinval Zaidan Gama, alto funcionário da Eletrobras no dia 20/05/2009 no Fórum Nacional promovido pelo INAE Instituto Nacional de Altos Estudos: “Não vai ter nenhuma população.” “Vamos manter a floresta melhor do que hoje”. E diz mais: “nós vamos agir na selva, fazendo a intervenção com desmatamento mínimo possível durante a obra. E ao terminar a obra, nós vamos reconstruir a selva. Ou seja, “As florestas ficarão intactas, com a mínima interferência, sem nenhum acampamento, sem cidade, sem nenhuma infraestrutura”. Como acreditar em tais afirmações feitas lá em Brasília para quem desconhece o que é a Amazônia e seu ecossistema? Se: A barragem de S. Luiz será de 745 km quadrados. Isso é impacto mínimo? 9.935 hectares de floresta do parque nacional da Amazônia seram inundados? A barragem de Jatobá será de 646,5 km quadrados. Isso são impactos mínimos? A barragem de Chocorão será de 616,23 km quadrados. Impactos mínimos? O total de inundações na bacia será de 3.084,85 km. COMO SE PODE FALAR EM IMPACTOS MÍNIMOS? Como pode se falar de florestas intactas com mínima interferência... e melhor do que hoje, se: SERÃO ATINGIDAS 105.590 HECTARES DE ÁREAS PROTEGIDAS ao longo da bacia do Tapajós. Tudo para construir cinco hidrelétricas para servir a quem? “Ao Brasil,” dirá a EletroMorte” - Qual Brasil? - A custa de quem e de quanta biodiversidade da Amazônia?
  • 24. Olha Sr. Ministro, seu problema é que Posso entender a reação do assumiu esse cargo por política, não caboclo e do indígena contra por entender de barragem. as usinas, mas um cientista ser contra o desenvolvimento? Olha aí, dr. Não sou Isso é um erro. O senhor cientista, mas tenho e o governo só pensam em poder de decisão e crescimento econômico e trabalho pelo PAC nem um pouco preocupados do meu governo. com a melhoria de vida da população. Lembra até o ex-ministro da ditadura Delfim Neto, que disse “vamos fazer o bolo crescer para depois O bolo cresceu, pois dividí-lo”. Já pensou eu ter somos a nona potência mundial que me ajoelhar e o “bolo” é divido entre os poucos, já muito ricos, e aos pés do Ibama nada sobra pros muitos na probreza. para conseguir licença ambiental para a continuação da obra? Aí é que está a diferença. Alguns servidores do Ibama são sérios e responsáveis. Eles usam a inteligência Como assim? Tire o você mesmo a conclusão. Quer dizer que não sou Quem alardeia que “forças demoníacas estão contrárias à construção das hidrelétricas” e ignora os estragos às populações locais e ao meio ambiente, é o quê???
  • 25. O PORQUÊ DE TANTAS HIDRELÉTRICAS? 6 Para que e para quem o governo quer construir tantas hidrelétricas? As maiores empresas aqui na região Oeste do Pará a serem beneficiadas hoje pelo complexo tapajós: ALCOA em Juruti, MINERAÇÃO RIO DO NORTE, MRN em Oriximiná, VALE DO RIO DOCE, em Marabá, RIO TINTO, na calha Norte, SERABI EXPLORAÇÃO DE OURO MECANIZADO no Tapajós em Novo Progresso, CARGILL em Santarém, CAIMA (fábrica de cimento) em Itaituba e as grandes fazendas a instalarem frigoríficos na região, entre outras. Potencial hidrelétrico do Brasil Além delas há outras grandes empresas no país que usufruirão das usinas, incluindo-se as empresas de montagem da Zona Franca de Manaus. Estas são a razão da obstinada decisão do governo Lula, que considera os maiores entraves ao crescimento econômico do Brasil: Os ribeirinhos, Os quilombolas, Os indígenas, As ONGs e O Ministério Público Federal.
  • 26. Ei! Pariwat! Que veio Nossa empresa tem fazer aqui em terras contrato com a indígenas? De onde você Eletronorte e vamos vem e com ordem de construir uma barragem quem? aqui e mais quatro outras adiante, nos rios Tapajós e Jamanxim. E quem disse que a Eletromorte manda em Nós respeitar a Não se preocupe, terra Constituição! cacique. Nós vamos indígena? causar mínimos impactos e compensaremos os índios. Munduruku não confia em pariwat, menos ainda na Camargo Corrêa e na Eletromorte. Aqui ninguém mete a mão, nem lobinho, nem Lobão! Olha cacique, nossa empresa tem contrato com a Eletronorte e em breve chegaremos aqui com as máquinas. Vocês se entendam com a Funai. Que está pensando, Pariwat? A nação Munduruku já está se organizando para a guerra. Com o apoio dos parentes de luta, vocês não entram aqui para destruir rios Tapajós e Jamanxim.
  • 27. BELO MONTE 7 Um aviso para nós do Tapajós P Previsão da EletroMorte é fazer de Belo Monte (Xingu) a maior hidrelétrica genuinamente brasileira, pois Itaipu é binacional. 11.000 Megawatts de potência. Embora os pesquisadores críticos afirme que será o maior desastre hidrelétrico do país, ao lado de Balbina (Amazonas), pois o rio Xingu seca muito no verão. E ficarão paradas as turbinas parte do ano. Sem respeitar as leis ambientais, a EletroMorte decidiu realizar audiências públicas de faz de conta em apenas 4 locais, quando mais de 15 locais serão atingidos pelas barragens de Belo Monte. Nas audiências de faz de conta, controlaram a entrada de pessoas interessadas, colocaram pelotões policiais para assustar e controlar a presença de críticos, e os próprios indígenas que foram vigiados pela Funai. O Ministro das Minas e Energia, decidiu que o leilão para as empreiteiras construtoras deveria ser feito dia 21/12/2009 e portanto, o IBAMA deveria publicar o licenciamento ambiental, sem falta no dia 21/11, um mês antes como exige a lei. Como o IBAMA não o fez, dois altos funcionários do órgão foram exonerados. Furiosos os indígenas escreveram uma carta ao Presidente da República e seus ministros. Foi assim: Em carta destinada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a outras autoridades, os índios responsabilizam o governo pelo que poderá "ocorrer aos executores da obra, aos trabalhadores e aos povos indígenas no caso de ter continuidade o projeto da represa de Belo Monte de forma arbitrária". "O Rio Xingu pode se transformar em um rio de sangue, que o Brasil e o mundo estejam cientes com o que possa ocorrer no futuro se os governantes não respeitarem nossos direitos", afirmaram os índios na carta, divulgada pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), organização ligada à Igreja Católica. Os índios insistem que não vão voltar a dialogar com nenhum representante do governo, pelo fato de já terem falado "tempo demais"
  • 28. Carta do Movimento Xingu Vivo, em novembro de 2009, às autoridades. Vila da Ressaca, (Senador José Porfírio), 07 de novembro de 2009 Carta dos Povos da Volta Grande do Xingu Nós, mais de duzentas lideranças entre ribeirinhos, comunidades indígenas (Juruna do Paquiçamba, Arara do Maia da Volta Grande, Xikrin do Bacajá, Juruna do km 17, Xipaya da Aldeia Tukamã e Aldeia Tukaiá, Kayapó da Aldeia Kararâo, índios da cidade de Altamira), agricultores, pescadores, estudantes, representantes dos povos indígenas do Mato Grosso e do Pará, Preocupados com os graves impactos sociais e ambientais para a região e nossas vidas representados pela Usina Hidrelétrica de Belo Monte, reunidos na Vila da Ressaca, entre os dias 05 e 07 de novembro de 2009, para o II Encontro dos Povos da Volta Grande do Xingu, que teve caráter de audiência pública convocada pelo Ministério Público Estadual, manifestamos nossa posição contrária ao projeto da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, bem como nossa indignação com o processo de exclusão a que estão submetidas as populações da Bacia do Xingu, especialmente aquelas da Volta Grande do Xingu. Denunciamos a falta de esclarecimentos às dúvidas apresentadas pela população durante as visitas realizadas pelas empresas de consultoria Elabore e LEME ... Repudiamos o parecer da FUNAI sobre o Projeto da UHE de Belo Monte, que considera como mitigáveis impactos que na verdade seriam irreversíveis... Solicitamos que os resultados das análises feitas pelo Painel de Especialistas sobre o projeto de Belo Monte sejam levadas em consideração pelo órgão ambiental responsável pelo licenciamento e que.. Exigimos a consolidação do projeto de agricultura familiar nessa região, iniciado nos anos 1970, através do ordenamento fundiário e ambiental, da infra- estrutura para os assentamentos, da recomposição do passivo ambiental, da melhoria da qualidade de vida dos moradores das áreas rurais e urbanas, assim como a implementação das Reservas Extrativistas. Acreditamos serem esses os investimentos necessários para um.
  • 29. Reações da sociedade civil organizada da região do Tapajós Iniciaram em 2007 as ações de sensibilização das comunidades pela FRENTE EM DEFESA DA AMAZÔNIA, FDA. Depois de uma tomada de consciência sobre o plano do governo, foi realizado um estudo e 04 companheiros(a) que fizeram a uma visita a São Luiz do Tapajós, Pimental, Periquito e Aldeia Munduruku de baixo. O Pe. João Carlos, do Movimento Br. 163 sustentável integrou a equipe. Pouco as comunidades sabiam e pediram um encontro mais amplo para estudar as questões. 2008 no mês de março – Lideranças do movimento Br. 163 sustentável realizaram um seminário na cidade de Itaituba. Dois companheiros da FDA participaram deste seminário com um documentário informativo. 70 pessoas compareceram ao encontro. Foi a primeira entrada de sensibilização na cidade de Itaituba, onde muitos ignoravam o plano da Eletromorte. Boa aceitação da maioria dos presentes com exceção de alguns presentes. Outubro de 2008 – Movimento Tapajós Vivo foi criado para ampliar as alianças e organizar um amplo seminário em dois lugares, um dia em Itaituba e um dia em São Luiz do Tapajós. Onze membros da FDA e a companheira Antônia Melo, do Movimento Xingu Vivo colaboraram com o evento, assim como o pesquisador Glenn Switkers de São Paulo e mais outros conhecedores da questão. Compareceram 400 pessoas na cidade e mais 200 pessoas em São Luiz do Tapajós. Maio de 2009 – Coordenação do Parque Nacional da Amazônia, o PNA convidou seus conselheiros para um estudo sobre os impactos que poderão causar à área do PNA. Convidaram representantes da Eletromorte e um representante da FDA de Santarém, como contraponto de informação. Vieram 03 engenheiros de Brasília e Manaus. O confronto de informações deu aos conselheiros do PNA subsídios a uma tomada de decisão de denunciar o complexo Tapajós como violador da lei que protege os Parques nacionais. 2008 – Encontro de caciques no rio Tapajós, Taquara, Tauari. 2009 – Encontro de caciques em Escrivão, médio Tapajós- Pastoral Social da Diocese. 2007 – Seminário sobre hidrelétricas no Tapajós foi promovido pela Pastoral da Diocese de Santarém junto com a FDA = em Santarém, com 400 participantes em 03 dias. Em Santarém – 2008 Seminário promovido pela Pastoral Social para comunidades católicas. Novembro 2009 – Três encontros importantes: Em Trairão no Dia Nacional da Juventude – 110 jovens da Prelazia de Itaituba estudaram o plano do Complexo Tapajós; Na missão Cururu, entre os índios Mundurukus, um encontro de 02 dias de sensibilização, promovido pela aliança religiosa Francisclareana e membro da FDA. Indígenas sensibilizados escreveram carta ao Presidente Lula dizendo que não aceitam hidrelétricas no Tapajós que prejudicam suas terras; mais um dia de estudo em Jacareacanga, promovido pela mesma aliança religiosa, compareceram 60 pessoas, maioria indígenas Munduruku. Também reagiram bem às informações.
  • 30. ALGUMAS QUESTÕES PARA REFLEXÃO DOS 8 LEITORES E DE GRUPOS INTERESSADOS O que mais impressionou das informações da Cartilha? As cartas Munduruku e Kaiapó dão um recado bastante forte às autoridades. Você concorda com elas? Por quê? Por que será que o Governo Federal insiste em construir 5 grandes hidroelétricas no Rio Tapajós? e porque não consulta as populações da região? Depois de entender o conteúdo da Cartilha, qual sua decisão sobre o plano das hidro- elétricas? -Indiferente? -Indignado(a)? -Decidida(o) a enfrentar junto com a aliança em defesa do tapajós? Por quê?
  • 31. TAPAJÓS VIVO