Vozes superpostas em duetos e solos: um estudo da sobreposição numa reunião empresarial Maria do Carmo Leite de Oliveira
Universidade de Mogi das Cruzes Estudos da Linguagem Lato Sensu Linguagem e Trabalho Docente Prof. Dr. Frank van de Wiel F...
Considerações iniciais acerca da análise de textos orais <ul><li>Língua Falada e Língua Escrita: </li></ul><ul><ul><li>Con...
Normas para transcrição . Ocorrências Sinais Exemplificação Incompreensão de palavras ou segmentos ( ) do nível de renda.....
Ocorrências Sinais Exemplificação Interrogação ? eo Banco... Central... certo? Qualquer pausa ... são três motivos... ou t...
* Exemplos retirados dos inquéritos NURC/SP No. 338 EF e 331 D2. Observações: 1. Iniciais maiúsculas: só para nomes própri...
Terminologia <ul><li>O tópico discursivo: </li></ul><ul><li>Tomado no sentido geral de assunto, o tópico pode ser entendid...
Terminologia <ul><li>O turno conversacional </li></ul><ul><li>Estruturalmente, o turno define-se como a produção de um fal...
Simultaneidade de Falas <ul><li>Dois tipos de simultaneidade de falas: </li></ul><ul><ul><li>Sobreposições; </li></ul></ul...
Objetivos <ul><li>Reexaminar o fenômeno da simultaneidade de fala: </li></ul><ul><ul><li>À luz das contribuições teóricas ...
Metodologia <ul><li>Análise de uma reunião empresarial do tipo informativa e da sobreposição de falas entre dois coordenad...
A sobreposição/interrupção e o sistema de tomada de turno <ul><li>Sobreposição/interrupção vista como uma propriedade de u...
A sobreposição e o processo interativo <ul><li>A abordagem de Goffman sobre as interações face a face: </li></ul><ul><ul><...
A sobreposição e o processo interativo <ul><li>Brown & Levinson (1987) – Teoria da Polidez – 3 padrões característicos de ...
Contexto do estudo <ul><li>Breve histórico; </li></ul><ul><li>Natureza da reunião; </li></ul><ul><li>Espaço da reunião; </...
O papel da sobreposição durante os solos <ul><li>O direito discursivo e pragmático ao solo implica o direito de fazer long...
 
Sobreposições e duetos harmoniosos <ul><li>As sobreposições durante os solos funcionam como uma segunda voz, um modo de se...
 
Sobreposições e duetos dissonantes <ul><li>O segundo e terceiro momentos da reunião se caracterizam pelas sobreposições qu...
 
Conclusão <ul><li>O significado social da sobreposição deve ser visto como uma construção conjunta dos participantes, a pa...
Referências Bibliográficas FÁVERO, Leonor Lopes et al.  Oralidade e escrita:  perspectivas para o ensino de língua materna...
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Vozes superpostas em duetos e solos

  1. 1. Vozes superpostas em duetos e solos: um estudo da sobreposição numa reunião empresarial Maria do Carmo Leite de Oliveira
  2. 2. Universidade de Mogi das Cruzes Estudos da Linguagem Lato Sensu Linguagem e Trabalho Docente Prof. Dr. Frank van de Wiel Felipe Maria Cláudia Raimundo
  3. 3. Considerações iniciais acerca da análise de textos orais <ul><li>Língua Falada e Língua Escrita: </li></ul><ul><ul><li>Contextos Conversacionais; </li></ul></ul><ul><ul><li>Planejamento e não planejamento; </li></ul></ul><ul><ul><li>Envolvimento e distanciamento. </li></ul></ul>
  4. 4. Normas para transcrição . Ocorrências Sinais Exemplificação Incompreensão de palavras ou segmentos ( ) do nível de renda...( ) nível de renda nominal... Hipótese do que se ouviu (hipótese) (estou) meio preocupado (com o gravador) Truncamento (havendo homografia, usa-se acento indicativo da tônica e/ou timbre) / e comé/ e reinicia Entoação enfática maiúscula porque as pessoas reTÊM moeda Prolongamento de vogal e consoante (como s, r) :: podendo aumentar para :::: ou mais ao emprestarem os... éh::: ...o dinheiro Silabação - por motivo tran-sa-ção
  5. 5. Ocorrências Sinais Exemplificação Interrogação ? eo Banco... Central... certo? Qualquer pausa ... são três motivos... ou três razões... que fazem com que se retenha moeda... existe uma... retenção Comentários descritivos do transcritor ((minúsculas)) ((tossiu)) Comentários que quebram a seqüência temática da exposição; desvio temático -- -- ... a demanda de moeda -- vamos dar essa notação -- demanda de moeda por motivo Superposição, simultaneidade de vozes { ligando as linhas A. na { casa da sua irmã B.        sexta-feira? A. fizeram { lá... B.                 cozinharam lá? Indicação de que a fala foi tomada ou interrompida em determinado ponto. Não no seu início, por exemplo. (...) (...) nós vimos que existem... Citações literais ou leituras de textos, durante a gravação &quot; &quot; Pedro Lima... ah escreve na ocasião... &quot;O cinema falado em língua estrangeira não precisa de nenhuma baRREIra entre nós&quot;...
  6. 6. * Exemplos retirados dos inquéritos NURC/SP No. 338 EF e 331 D2. Observações: 1. Iniciais maiúsculas: só para nomes próprios ou para siglas (USP etc.) 2. Fáticos: ah, éh, eh, ahn, ehn, uhn, tá (não por está: tá? você está brava?) 3. Nomes de obras ou nomes comuns estrangeiros são grifados. 4. Números: por extenso. 5. Não se indica o ponto de exclamação (frase exclamativa). 6. Não se anota o cadenciamento da frase. 7. Podem-se combinar sinais. Por exemplo: oh:::... (alongamento e pausa). 8. Não se utilizam sinais de pausa, típicos da língua escrita, como ponto-e-vírgula, ponto final, dois pontos, vírgula. As reticências marcam qualquer tipo de pausa, conforme referido na Introdução. PRETI, Dino (organizador). Análise de Textos Orais. São Paulo: Humanitas, 2003.
  7. 7. Terminologia <ul><li>O tópico discursivo: </li></ul><ul><li>Tomado no sentido geral de assunto, o tópico pode ser entendido como “aquilo acerca do que se está falando” (Brown e Yule, 1983:73). Ele é antes de tudo uma questão de conteúdo, estando na dependência de um processo colaborativo que envolve os participantes do ato interacional. </li></ul><ul><li>FÁVERO, Leonor Lopes. O tópico discursivo. In PRETI, Dino (organizador). Análise de Textos Orais. São Paulo: Humanitas, 2003. </li></ul>
  8. 8. Terminologia <ul><li>O turno conversacional </li></ul><ul><li>Estruturalmente, o turno define-se como a produção de um falante enquanto ele está com a palavra, incluindo a possibilidade de silêncio. Na conversação, ocorre a alternância dos participantes, isto é, os interlocutores revezam-se nos papéis de falantes e ouvintes. </li></ul><ul><li>FÁVERO, Leonor Lopes et al. Oralidade e escrita: perspectivas para o ensino de língua materna. São Paulo: Cortez, 2002. </li></ul>
  9. 9. Simultaneidade de Falas <ul><li>Dois tipos de simultaneidade de falas: </li></ul><ul><ul><li>Sobreposições; </li></ul></ul><ul><ul><li>Interrupções. </li></ul></ul><ul><li>São estudadas em cenários pessoais em que há uma </li></ul><ul><li>livre distribuição de turnos: </li></ul><ul><ul><li>Modelo de sistema de turno – fala um de cada vez. (SACKS, et al, 1974 ) </li></ul></ul><ul><ul><li>Intenção do falante de dominar ou participar do turno do falante concorrente. (Zimmerman e West, 1975) </li></ul></ul><ul><ul><li>Do estilo do contato de quem sobrepõe / interrompe. (Tannen, 1989) </li></ul></ul>
  10. 10. Objetivos <ul><li>Reexaminar o fenômeno da simultaneidade de fala: </li></ul><ul><ul><li>À luz das contribuições teóricas de Goffman (1963) – interação face a face. </li></ul></ul><ul><li>Verificar como os participantes reconhecem ou negociam o direito de quem tem a vez de falar: </li></ul><ul><ul><li>Situações de monólogo dirigido a uma audiência. </li></ul></ul>
  11. 11. Metodologia <ul><li>Análise de uma reunião empresarial do tipo informativa e da sobreposição de falas entre dois coordenadores. </li></ul><ul><li>Verificação de estratégias utilizadas pelos participantes para realizar duetos durante os monólogos (solos) de cada um. </li></ul><ul><li>Exame de como cada participante minimiza a segunda voz superposta ou retoma o solo, marcando seu status de primeira voz ou coordenador principal da reunião. </li></ul>
  12. 12. A sobreposição/interrupção e o sistema de tomada de turno <ul><li>Sobreposição/interrupção vista como uma propriedade de um modelo de conversação; </li></ul><ul><li>Sistema de turnos em que cada um fala de uma vez e em que a troca de falantes recorre, ou pelo menos, recorre uma vez. </li></ul><ul><li>Foram identificados desvios mais ou menos suaves no sistema de turnos entre falantes – sobreposição e interrupção. </li></ul><ul><li>Sobreposição – vista por alguns estudiosos apenas como uma fala durante o turno. </li></ul><ul><li>Interrupção – vista como uma superposição de dois turnos e, como tal, uma violação potencial ao direito de falar. </li></ul>
  13. 13. A sobreposição e o processo interativo <ul><li>A abordagem de Goffman sobre as interações face a face: </li></ul><ul><ul><li>Há uma ordem pública; </li></ul></ul><ul><ul><li>Os participantes de uma interação contribuem, conjuntamente, para uma definição única da situação em que estão envolvidos; </li></ul></ul><ul><ul><li>Os participantes de uma interação são fonte de informação uns para os outros. </li></ul></ul><ul><ul><li>O estudo das interações implica o estudo das relações sintáticas entre os atos de diferentes pessoas mutuamente presentes. </li></ul></ul>
  14. 14. A sobreposição e o processo interativo <ul><li>Brown & Levinson (1987) – Teoria da Polidez – 3 padrões característicos de membros de uma comunidade: </li></ul><ul><ul><li>Hierárquico; </li></ul></ul><ul><ul><li>Deferência; </li></ul></ul><ul><ul><li>Solidadariedade. </li></ul></ul>
  15. 15. Contexto do estudo <ul><li>Breve histórico; </li></ul><ul><li>Natureza da reunião; </li></ul><ul><li>Espaço da reunião; </li></ul><ul><li>Direitos de falar: </li></ul><ul><ul><li>Primeiro momento; </li></ul></ul><ul><ul><li>Segundo momento; </li></ul></ul><ul><ul><li>Terceiro momento. </li></ul></ul>
  16. 16. O papel da sobreposição durante os solos <ul><li>O direito discursivo e pragmático ao solo implica o direito de fazer longos monólogos, selecionar outros falantes quando oportuno e não ser interrompido livremente; </li></ul><ul><li>O solo é visto como uma manifestação de poder. </li></ul>
  17. 18. Sobreposições e duetos harmoniosos <ul><li>As sobreposições durante os solos funcionam como uma segunda voz, um modo de se fazer ouvir, durante os monólogos do outro participante; </li></ul><ul><li>Com relação à função discursiva, as sobreposições ora fazem repetições, ora fazem expansões da fala que foi superposta; </li></ul><ul><li>O dueto é constituído harmoniosamente porque os participantes recorrem ao que foi introduzido para criar a impressão de um único texto, uma só ideia, uma só linguagem. </li></ul>
  18. 20. Sobreposições e duetos dissonantes <ul><li>O segundo e terceiro momentos da reunião se caracterizam pelas sobreposições que desconstroem a impressão de monólogo, produzido a duas vozes para uma audiência; </li></ul><ul><li>As aparentes divergências manifestas nas sobreposições têm função interacional de contestar a voz daquele que faz o monólogo, seja como especialista, seja como coordenador da reunião. </li></ul><ul><li>As sobreposições não implicam disputa de turno, mas de competência. A dissonância provocada deixa a plateia sem saber a quem ouvir. </li></ul>
  19. 22. Conclusão <ul><li>O significado social da sobreposição deve ser visto como uma construção conjunta dos participantes, a partir de pressuposições sobre regras rituais que governam os relacionamentos públicos em determinadas situações. </li></ul><ul><li>São essas regras que definem quem tem o direito de falar e como esse direito pode ser negociado. </li></ul>
  20. 23. Referências Bibliográficas FÁVERO, Leonor Lopes et al. Oralidade e escrita: perspectivas para o ensino de língua materna. São Paulo: Cortez, 2002. OLIVEIRA, Maria do Carmo Leite de. Vozes superpostas em duetos e solos: um estudo da sobreposição numa reunião empresarial. In SOUZA-E-SILVA, Maria Cecília Perez; FAÎTA, Daniel. Linguagem e trabalho: Construção de objetos de análise no Brasil e na França. São Paulo: Cortez, 2002. PRETI, Dino (organizador). Análise de Textos Orais. São Paulo: Humanitas, 2003.

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