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Seminário os dilemas da energia e do desenvolvimento

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  • 1. SEMINÁRIO OS DILEMAS DA ENERGIA E DO DESENVOLVIMENTO ENERGIAS RENOVÁVEIS, A EXPERIÊNCIA DO BRASIL: ESTRATÉGIAS DE GESTÕES ENERGÉTICAS SUSTENTÁVEIS FERNANDO ALCOFORADOSEMINÁRIO OS DILEMAS DA ENERGIA EDO DESENVOLVIMENTO: TRANSIÇÕESREGIONAIS DA ENERGIATema: ENERGIAS RENOVÁVEIS, AEXPERIÊNCIA DO BRASIL: ESTRATÉGIASDE GESTÕES ENERGÉTICASSUSTENTÁVEISAutor: FERNANDO ALCOFORADOSalvador, 14/11/2012 1
  • 2. SEMINÁRIO OS DILEMAS DA ENERGIA E DO DESENVOLVIMENTO ENERGIAS RENOVÁVEIS, A EXPERIÊNCIA DO BRASIL: ESTRATÉGIAS DE GESTÕES ENERGÉTICAS SUSTENTÁVEIS FERNANDO ALCOFORADOENERGIAS RENOVÁVEIS, A EXPERIÊNCIA DO BRASIL: ESTRATÉGIASDE GESTÕES ENERGÉTICAS SUSTENTÁVEIS1. INTRODUÇÃOA humanidade enfrenta na atualidade um conjunto de desafios que é único. Os sistemasambientais dos quais depende a vida estão sendo ameaçados no plano local, regional eplanetário pelas ações humanas. E, embora um grande número de pessoas estejadesfrutando de níveis nunca antes vistos de prosperidade material, um número aindamaior permanece na pobreza crônica, sem acesso aos mais básicos serviços e confortosmodernos, e com oportunidades mínimas para o avanço econômico e social. Ao mesmotempo, a instabilidade e conflitos em muitas partes do mundo estão criando novos eprofundos riscos à segurança internacional.A energia é fundamental para o desenvolvimento econômico e social estando elaconectada de muitas formas a todos esses desafios. Em consequência, a transição pararecursos e sistemas sustentáveis de energia cria a oportunidade de abordar múltiplasnecessidades ambientais, econômicas e de desenvolvimento. Do ponto de vistaambiental, está cada vez mais claro que os atuais hábitos da humanidade em relação àenergia devem mudar para reduzir riscos significativos de saúde pública, evitar pressõesinsuportáveis sobre sistemas naturais fundamentais e, em especial, fazer frente aosriscos substanciais causados pelas mudanças climáticas globais.Ao estimular o desenvolvimento de alternativas aos combustíveis convencionais dehoje, uma transição para energia sustentável poderia também ajudar a enfrentar osproblemas relacionados com a segurança energética haja vista a possibilidade de que adisputa por reservas de gás e petróleo, finitas e distribuídas de forma desigual noplaneta, alimente tensões geopolíticas crescentes nas próximas décadas.O termo “energia sustentável” é usado para denotar sistemas, tecnologias e recursosenergéticos que sejam capazes de não apenas suprir, no longo prazo, as necessidadeshumanas – econômicas e de desenvolvimento – mas também o façam de formacompatível com: (1) a preservação da integridade subjacente dos sistemas naturais 2
  • 3. SEMINÁRIO OS DILEMAS DA ENERGIA E DO DESENVOLVIMENTO ENERGIAS RENOVÁVEIS, A EXPERIÊNCIA DO BRASIL: ESTRATÉGIAS DE GESTÕES ENERGÉTICAS SUSTENTÁVEIS FERNANDO ALCOFORADOessenciais, evitando, inclusive, mudanças climáticas catastróficas; (2) a extensão deserviços básicos de energia a mais de 2 bilhões de pessoas no mundo todo queatualmente não têm acesso a formas modernas de energia; e (3) a redução de riscos paraa segurança e do potencial para conflitos geopolíticos que poderiam advir da disputacrescente por reservas de petróleo e gás natural distribuídas desigualmente.O termo “sustentável” neste contexto abrange uma gama de objetivos programáticosque vai além da mera adequação de suprimentos energéticos. A energia está no centrodo desafio da sustentabilidade em todas as suas dimensões: social, econômica eambiental. Agora, e nas décadas à frente, nenhum objetivo político é mais urgente doque encontrar meios para produzir e usar energia que limite a degradação ambiental,preserve a integridade dos sistemas naturais subjacentes, eliminemos riscos causadospelas mudanças climáticas globais e contribua para o progresso em direção a um mundomais estável, pacífico, justo e humano.Cabe observar que combustíveis fósseis não renováveis e emissores de carbono (carvão,petróleo e gás natural) representam, aproximadamente, 80% do consumo de energiaprimária do mundo. A biomassa tradicional (combustão direta de madeira, lenha, carvãovegetal, resíduos agrícolas, resíduos de animais e urbanos, para cocção, secagem eprodução de carvão) representa a segunda maior parcela (10%), enquanto a energianuclear, hidrelétrica e outros recursos renováveis, incluindo a biomassa moderna(conversão de biomassa em eletricidade e o uso de biocombustíveis), a energia eólica ea solar, respectivamente, respondem por 6%, 2% e 1% do total. Este é o mix decombustíveis usados para gerar energia em todo o mundo. Mais uma vez, oscombustíveis fósseis – principalmente carvão e gás natural – dominam o mix derecursos, respondendo por 2/3 da produção global de eletricidade. As contribuições daenergia nuclear e hidrelétrica correspondem, aproximadamente, a 16% do total,enquanto os renováveis não hidro representam aproximadamente 2% da produçãoglobal.Muitas projeções indicam que os combustíveis fósseis continuarão a dominar o mixenergético por muitas décadas se nada for feito para mudar a realidade atual, com a 3
  • 4. SEMINÁRIO OS DILEMAS DA ENERGIA E DO DESENVOLVIMENTO ENERGIAS RENOVÁVEIS, A EXPERIÊNCIA DO BRASIL: ESTRATÉGIAS DE GESTÕES ENERGÉTICAS SUSTENTÁVEIS FERNANDO ALCOFORADOdemanda total por esses combustíveis e as emissões de carbono correspondentesaumentando na mesma proporção. As implicações dessas projeções, do ponto de vistado clima, são gravíssimas. Se as tendências para o próximo quarto de séculocontinuarem além de 2030, a concentração de dióxido de carbono na atmosfera poderáatingir 540-970 partes por milhão até 2100 – algo entre duas a três vezes a concentraçãopré-industrial de 280 partes por milhão.Com base nos numerosos cenários desenvolvidos pelo IPCC, atingir a concentração dedióxido de carbono na atmosfera de 280 partes por milhão exigiria reduções absolutasde emissões globais de 30% a 85%, em comparação com os níveis de 2000, até ametade do século. Previsões recentes sugerem que uma continuação das tendênciasatuais produzirá um aumento de quase 40% no consumo mundial de petróleo até 2030,numa época em que muitos especialistas preveem que a produção de petróleo estará,rapidamente, se aproximando seu ponto máximo. Urge evitar este cenário com amudança na trajetória atual da energia no mundo através da utilização acelerada detecnologias mais eficientes e de fontes sustentáveis de energia com baixo teor decarbono.A utilização de tecnologias de energia renováveis e outras formas avançadas edescentralizadas de energia podem suprir as necessidades mundiais de energia comemissões nulas ou quase nulas de gases do efeito estufa contribuindo para enfrentar osriscos de mudança climática sem nenhuma redução de consumo de energia. As energiasrenováveis são aquelas provenientes de ciclos naturais de conversão da radiação solar,fonte primária de quase toda energia disponível na Terra e, por isso, são praticamenteinesgotáveis. São exemplos de fontes de energia renovável a energia hidrelétrica, solar,eólica, do mar e geotérmica. Como exemplos de energia não renovável temos opetróleo, o carvão e o gás cujos recursos são esgotáveis.Como a permanência do dióxido de carbono e de outros gases do efeito estufa estão naatmosfera há séculos, as concentrações atmosféricas de gases do efeito estufa nãopodem ser reduzidas rapidamente, mesmo com cortes drásticos das emissões. Mudançasfundamentais nos sistemas mundiais de energia vão levar tempo. É improvável que haja 4
  • 5. SEMINÁRIO OS DILEMAS DA ENERGIA E DO DESENVOLVIMENTO ENERGIAS RENOVÁVEIS, A EXPERIÊNCIA DO BRASIL: ESTRATÉGIAS DE GESTÕES ENERGÉTICAS SUSTENTÁVEIS FERNANDO ALCOFORADOsoluções milagrosas para os problemas de energia do mundo. Uma correçãosignificativa de rumo não será consumada no tempo necessário para evitar riscosconsideráveis para a segurança energética e para o meio ambiente.Para ser bem-sucedida, a busca por sistemas sustentáveis de energia não pode se limitara encontrar alternativas aos combustíveis fósseis para o setor de transportes e parageração de energia com baixas emissões de carbono devendo também incluir umconjunto de medidas responsáveis e soluções correspondentes pelo lado da demandacom a adoção de medidas de eficiência energética. A maioria das instituições quedelineiam a política de energia atualmente, inclusive no Brasil, privilegia o lado dofornecimento. As necessidades do século XXI exigem que seja dada ênfase também aoaumento da economia de energia com a adoção de medidas voltadas para a eficiênciaenergética.2. ESTRATÉGIAS DE GESTÕES ENERGÉTICAS SUSTENTÁVEIS2.1- CENÁRIOS ENERGÉTICOS PARA O BRASILO Plano Nacional de Energia – PNE 2030 é o primeiro estudo de planejamentointegrado dos recursos energéticos realizado no âmbito do Governo brasileiro. A Figura1 apresenta a participação das fontes de energia na matriz energética brasileira em 2009. Figura 1- Oferta interna de energia no Brasil em 2009- % petróleo e derivados gás natural carvão mineral urânio hidráulica e eletricidade lenha e carvão vegetal produtos da cana outras renováveis 4% 18% 38% 10% 15% 1% 5% 9% 5
  • 6. SEMINÁRIO OS DILEMAS DA ENERGIA E DO DESENVOLVIMENTO ENERGIAS RENOVÁVEIS, A EXPERIÊNCIA DO BRASIL: ESTRATÉGIAS DE GESTÕES ENERGÉTICAS SUSTENTÁVEIS FERNANDO ALCOFORADOFonte: PNE 2030A Figura 2 apresenta a estimativa de participação das fontes de energia na matrizenergética brasileira em 2030. Figura 2- Oferta interna de energia no Brasil em 2030- % 2030 petróleo e outras renováveis 9% derivados 28% lenha e produtos da cana carvão 19% vegetal 6% gás natural hidráulica e 15% eletricidade urânio carvão mineral 13% 3% 7%Fonte: PNE 2030A figura 3 a seguir mostra que a participação das energias renováveis na matrizenergética brasileira não sofrerá grande mudança em 2030 em relação a 2005. Figura 3- Fontes renováveis e não renováveis na matriz energética brasileira- % 60 50 40 30 Fontes renováveis Fontes não renováveis 20 10 0 2005 2010 2020 2030Fonte: Elaboração do autorA Figura 4 mostra que as emissões de CO2 continuarão elevadas apesar da pequenaqueda de 2012 a 2030 configurando que o PNE 2030 pouco contribui para mitigar ascausas das mudanças climáticas no planeta. 6
  • 7. SEMINÁRIO OS DILEMAS DA ENERGIA E DO DESENVOLVIMENTO ENERGIAS RENOVÁVEIS, A EXPERIÊNCIA DO BRASIL: ESTRATÉGIAS DE GESTÕES ENERGÉTICAS SUSTENTÁVEIS FERNANDO ALCOFORADO Figura 4- Evolução das emissões de CO2Fonte: PNE 20302.1.1- Cenários do setor elétricoO PNE 2030 indica que a oferta de energia elétrica por fonte em 2009 tem ascaracterísticas apresentadas na Figura 5 a seguir: Figura 5- Oferta interna de energia elétrica por fonte em 2009 (%) gás natural eólica biomassa importação 3% 0% 5% 8% derivados de petróleo 3% nuclear 3% carvão e derivados 1% hidráulica 77%Fonte: PNE 2030 7
  • 8. SEMINÁRIO OS DILEMAS DA ENERGIA E DO DESENVOLVIMENTO ENERGIAS RENOVÁVEIS, A EXPERIÊNCIA DO BRASIL: ESTRATÉGIAS DE GESTÕES ENERGÉTICAS SUSTENTÁVEIS FERNANDO ALCOFORADOA Figura 6 mostra que em 2030, o PNE 2030 incorpora à matriz elétrica novas fontes deenergia (eólicas, cogeração com biomassa da cana e resíduos urbanos), além doincremento de fontes nucleares e de carvão, em relação à situação existente em 2009. Aparticipação das usinas hidrelétricas continua a mesma de 2009. Figura 6- Oferta interna de energia elétrica por fonte em 2030 (%) cogeração eólicas resíduos outras biomassa 1% urbanos 1% carvão da cana 1% 3% 3% gás natural 9% nucleares 5% hidráulica 77%Fonte: PNE 2030Na publicação do Greenpeace sob o título [R]EVOLUÇÃO ENERGÉTICA-PERSPECTIVAS PARA UMA ENERGIA GLOBAL SUSTENTÁVEL(http://www.greenpeace.org/brasil/Global/brasil/report/2007/6/greenpeacebr_070202_energia_revolucao_energetica_brasil_port_v1.pdf), seu Diretor de Campanhas, SergioLeitão, afirmou, em síntese, o seguinte: Para alcançar altos índices de desenvolvimento, o Brasil precisará de energia. Desde a segunda metade do século 19, a energia desempenha papel fundamental na engrenagem da sociedade industrial moderna, movimentando inúmeros sistemas e equipamentos que, só no caso dos motores elétricos, consomem aproximadamente dois terços de toda a eletricidade produzida no mundo. Para que o Brasil alcance sua autonomia energética, é preciso levar em conta o extraordinário quadro de desafios em que se insere o debate sobre o assunto nos dias de hoje. Ao lado das questões que já integravam o cenário tradicional de análise, como a guerra constante pelo controle dos estoques de petróleo e gás, o problema do aquecimento 8
  • 9. SEMINÁRIO OS DILEMAS DA ENERGIA E DO DESENVOLVIMENTOENERGIAS RENOVÁVEIS, A EXPERIÊNCIA DO BRASIL: ESTRATÉGIAS DE GESTÕES ENERGÉTICAS SUSTENTÁVEIS FERNANDO ALCOFORADO global e das mudanças climáticas lançou a maldição definitiva sobre o uso dos combustíveis fósseis na matriz energética, que precisam ser reduzidos progressivamente e posteriormente descartados, devido ao alto índice de emissões de gases de efeito estufa provenientes da sua utilização. O que fazer com a limitação da utilização do potencial hidrelétrico na Amazônia em razão dos seus impactos socioambientais? O que fazer com a exploração do pré-sal por conta do aumento das emissões brasileiras dos gases de efeito estufa, bem como dos seus altos custos financeiros? Cabe perguntar se estamos preparados para enfrentar esses desafios e evitar que mais uma vez escolhamos os caminhos tortuosos que nos fazem chegar sempre atrasados ao futuro que outros países já alcançaram. Enquanto o mundo assiste a uma corrida tecnológica pela busca dos substitutos do petróleo, celebramos a descoberta do pré- sal como a redenção dos nossos pecados. Ao invés de radicalizarmos a opção pelo roteiro original e inovador que começamos a escrever a partir da crise dos preços do petróleo na década de 1970, quando iniciamos o programa de substituição da gasolina pelo álcool, iremos investir US$ 114 bilhões no pré- sal, praticamente o mesmo investimento feito ao longo de toda a existência da Petrobras, que alcançou a cifra de US$ 124 bilhões. Ainda que o governo consiga zerar o desmatamento, nossa maior fonte de emissões até 2020, é provável que a emissão de 1,4 bilhão de toneladas de CO2 provenientes da exploração do pré-sal venha substituir a primeira. Assim, as emissões nacionais – de 2,192 bilhões de toneladas de CO2 por ano, de acordo com o inventário do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) de 2005 – seriam praticamente dobradas. Esse acréscimo deixará o Brasil entre os três maiores emissores de CO2 do mundo, atrás apenas de China e Estados Unidos. Não podemos esquecer que os custos da exploração do pré-sal serão profundamente afetados pelas novas medidas de segurança que passarão a ser exigidas em decorrência do acidente com a plataforma da British Petroleum no Golfo do México, nos Estados Unidos. O maior desastre ambiental da história americana levou o presidente Barack Obama a renovar a moratória da exploração petrolífera em águas profundas. Até esse acidente era possível dizer que não dava para falar de petróleo sem falar da poluição. Agora será preciso dizer que não dá para falar de poluição sem falar de petróleo. Enquanto isso, por falta de uma política que incentive o uso de energias renováveis e limpas, estão abandonados em nossos canaviais um potencial de geração de 28 mil megawatts, o equivalente a duas Itaipu, segundo a União da Indústria de Cana de Açúcar (Única). O país que poderia ser conhecido como a civilização da biomassa desperdiça a oportunidade de liderar a revolução tecnológica, com seu emprego em escala mundial como 9
  • 10. SEMINÁRIO OS DILEMAS DA ENERGIA E DO DESENVOLVIMENTO ENERGIAS RENOVÁVEIS, A EXPERIÊNCIA DO BRASIL: ESTRATÉGIAS DE GESTÕES ENERGÉTICAS SUSTENTÁVEIS FERNANDO ALCOFORADO substituto dos combustíveis fósseis. O potencial eólico e solar, por sua vez, nem começou a ser explorado de maneira apropriada. É sobre essas encruzilhadas políticas e tecnológicas que trata o trabalho do Greenpeace, apresentando um cenário para o uso das energias limpas e renováveis no Brasil até o ano de 2050. Pensar o futuro num país que perdeu por completo a capacidade de planejar em longo prazo não é tarefa fácil. Ainda mais quando esse planejamento implica em abrir para a sociedade o debate sobre as opções de desenvolvimento que estão disponíveis, permitindo que as escolhas se façam de forma democrática, livre e pluralista. Para tanto é preciso dizer para a sociedade o custo ambiental e econômico de cada opção, as implicações geopolíticas de cada decisão que tomamos ao privilegiarmos o uso de uma determinada fonte de energia, como a nuclear, por exemplo, em detrimento das renováveis. Assim, ao falarmos de energia, estamos falando de desenvolvimento, do futuro que queremos construir para o país, para os nossos filhos e netos. Estamos falando se vamos alcançar o desenvolvimento revolucionando o modo como produzimos, com a incorporação de novas tecnologias, ou se vamos continuar utilizando as velhas tecnologias para eternizar nossa dependência da exploração dos recursos naturais fartos de que dispomos. Há quem invista em tecnologia, agregadora de valor, que permite lucros maiores e dispensa o uso de capital extensivo. Há quem continue querendo gastar toda a natureza do país para produzir aqui o que os outros pagam para fazer em seu lugar, numa relação de troca completamente desigual. O Brasil precisa escolher, e esperamos que escolha o primeiro caminho. Essa é a contribuição do Greenpeace para o debate do futuro do país. Corremos riscos, é verdade, ao apontar mudanças e desafinar o coro dos contentes. Mas, como diria o escritor Balzac, “não há nada mais infalível do que um profeta mudo”. Não há nada mais infalível do que a pessoa que não escreve suas profecias.A publicação do Greenpeace [R]EVOLUÇÃO ENERGÉTICA- PERSPECTIVASPARA UMA ENERGIA GLOBAL SUSTENTÁVEL informa que a evolução dademanda de energia está condicionada a três fatores chave:• Crescimento populacional, referente ao número de consumidores de energia.• Econômico, para o qual o Produto Interno Bruto (PIB) é o indicador mais usado normalmente. Em geral, o crescimento da demanda energética acompanha o crescimento do PIB. 10
  • 11. SEMINÁRIO OS DILEMAS DA ENERGIA E DO DESENVOLVIMENTO ENERGIAS RENOVÁVEIS, A EXPERIÊNCIA DO BRASIL: ESTRATÉGIAS DE GESTÕES ENERGÉTICAS SUSTENTÁVEIS FERNANDO ALCOFORADO• Intensidade Energética, ou a quantidade de energia necessária para produzir uma unidade de PIB.Para o Brasil, este relatório elaborou três cenários para o setor elétrico. O primeiro é oCenário de Referência, com dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), órgãoligado ao Ministério de Minas e Energia, que constam do estudo “Mercado de EnergiaElétrica 2006-2015”. O segundo é o Cenário Intermediário, elaborado em parceria peloGEPEA (Grupo de Energia do Depto. de Engenharia de Energia e Automação Elétricasda USP) e Greenpeace. E o terceiro é o Cenário da Revolução Energética, elaboradopelo Greenpeace. Na produção de todos os Cenários, o GEPEA/USP foi responsávelpela execução das modelagens e pela supervisão técnica do trabalho.Os três cenários baseiam-se nas mesmas projeções de crescimento populacional eeconômico e usam a mesma projeção de geração de eletricidade para 2050. No CenárioIntermediário e no Cenário de Revolução Energética, a geração de energia elétrica apartir de diferentes tecnologias de produção de eletricidade é complementada poresforços na conservação e uso racional de energia (eficiência energética).Os cinco princípios-chave que nortearam a revolução energética proposta são:1. Implementar soluções renováveis, especialmente através de sistemas de energia descentralizados2. Respeitar os limites naturais do meio ambiente3. Eliminar gradualmente as fontes de energia não sustentáveis4. Promover a equidade na utilização dos recursos5. Desvincular o crescimento econômico do consumo de combustíveis fósseisSegundo o Greenpeace, aumentar consideravelmente a eficiência energética é um pré-requisito crucial para atender a demanda a partir de uma matriz energéticaessencialmente renovável. Usar a energia de forma inteligente não é apenas benéfico doponto de vista ambiental, como também econômico. Na grande maioria dos casos, aoconsiderar-se a cadeia energética completa, adotar medidas de eficiência energética 11
  • 12. SEMINÁRIO OS DILEMAS DA ENERGIA E DO DESENVOLVIMENTO ENERGIAS RENOVÁVEIS, A EXPERIÊNCIA DO BRASIL: ESTRATÉGIAS DE GESTÕES ENERGÉTICAS SUSTENTÁVEIS FERNANDO ALCOFORADOimplica custos inferiores ao investimento em geração. Desta forma, uma estratégiacoerente de eficiência energética ajuda a viabilizar eventuais custos extras durante a faseda introdução de recursos renováveis como solar e eólico no mercado.No Cenário de Referência, o consumo final de eletricidade, que era de 367 TWh(terawatts hora) em 2005, chega a 1639 TWh em 2050, um aumento de 4,5 vezes em 45anos. Já no Cenário da Revolução Energética, observa-se o consumo final deeletricidade atinge 1009 TWh em 2050, ou cerca de 38% inferior ao consumo doCenário de Referência.Medidas de eficiência energética têm potencial para reduzir o consumo em 413 TWh/a,adiando a necessidade de aumentar a geração elétrica durante o período de análise.Talredução progressiva do consumo deve ser alcançada por meio do uso de equipamentoselétricos eficientes em todos os setores. Outras medidas, como a conscientização dasociedade para economizar eletricidade e o gerenciamento da demanda elétrica a fim dedeslocar picos de utilização intensa, são essenciais para atingir tal redução.O Cenário 2005 do Setor ElétricoSegundo o Ministério de Minas e Energia, em 2005 o Brasil produziu 367 TWh/ano deeletricidade. Naquele ano, a matriz elétrica nacional era composta da seguinte forma:84% hidrelétricas, 4% biomassa, 4% gás natural, 4% diesel e óleo combustível, 1%carvão e 3% nuclear.CENÁRIO 2005Geração total: 367 TWh/anoHidrelétricas 84%Biomassa e resíduos 4%Gás natural 4%Diesel e Óleo combustível 4%Carvão 1%Nuclear 3% 12
  • 13. SEMINÁRIO OS DILEMAS DA ENERGIA E DO DESENVOLVIMENTO ENERGIAS RENOVÁVEIS, A EXPERIÊNCIA DO BRASIL: ESTRATÉGIAS DE GESTÕES ENERGÉTICAS SUSTENTÁVEIS FERNANDO ALCOFORADO Figura 7- CENÁRIO 2005 Nuclear Carvão Diesel e Óleo Fonte de energia combustivel Gás natural Biomassa Hidrelétricas 0 0,2 0,4 0,6 0,8 1 Participação na matriz elétricaO Cenário de Referência 2050 do Setor ElétricoPara 2050, o Cenário de Referência prevê a geração de 1639 TWh/ano. Nesta projeção,a geração hidrelétrica responde por 38%, gás natural, 34%, biomassa, 15%, nuclear, 6%,eólica, 4%, óleo combustível e diesel, 3% e carvão, menos de 1%. A participação dasenergias renováveis é de 57% e a contribuição da eficiência energética é desprezível.CENÁRIO DE REFERÊNCIA 2050Geração total: 1639 TWh/anoEficiência energética: 0 TWh/anoHidrelétricas 38%Gás natural 34%Biomassa e resíduos 15%Eólica 4%Nuclear 6%Diesel e Óleo combustível 3%Carvão 0%Painéis fotovoltaicos 0% 13
  • 14. SEMINÁRIO OS DILEMAS DA ENERGIA E DO DESENVOLVIMENTO ENERGIAS RENOVÁVEIS, A EXPERIÊNCIA DO BRASIL: ESTRATÉGIAS DE GESTÕES ENERGÉTICAS SUSTENTÁVEIS FERNANDO ALCOFORADO Figura 8- CENÁRIO DE REFERÊNCIA 2050 Painéis fotovoltaicos Carvão Diesel e Óleo combustivel Fonte de energia Nuclear Eólica Biomassa e resíduos Gás natural Hidrelétricas 0 0,05 0,1 0,15 0,2 0,25 0,3 0,35 0,4 Participação na matriz elétricaO Cenário Intermediário 2050 do Setor ElétricoJá no Cenário Intermediário, o GEPEA/USP considerou a geração total de 1160TWh/ano e a economia, através de medidas de eficiência energética, de 413 TWh/ano,com uma geração total de eletricidade bem menor (1160 TWh/ano) quando comparadoaos 1639 TWh/ano previstos no Cenário de Referência 2050. Do caminho proposto peloGEPEA/USP, foi eliminada a geração de eletricidade a partir de óleo combustível ediesel e considerada uma redução gradual na geração nuclear a partir de 2030. NoCenário Intermediário, a geração hidrelétrica responderá por 40%, gás natural, 25%,eólica, 8%, 24% de biomassa e menos de 1% de carvão. A parcela das energiasrenováveis na matriz elétrica brasileira chega a 72%.CENÁRIO INTERMEDIÁRIO 2050Geração total: 1160 TWh/anoEficiência energética: 413 TWh/ano 14
  • 15. SEMINÁRIO OS DILEMAS DA ENERGIA E DO DESENVOLVIMENTO ENERGIAS RENOVÁVEIS, A EXPERIÊNCIA DO BRASIL: ESTRATÉGIAS DE GESTÕES ENERGÉTICAS SUSTENTÁVEIS FERNANDO ALCOFORADOHidrelétricas 40%Gás natural 25%Biomassa e resíduos 24%Eólica 8%Nuclear 2%Diesel e Óleo combustível 1%Carvão 0%Painéis fotovoltaicos 0% Figura 9- CENÁRIO INTERMEDIÁRIO 2050 Painéis fotovoltaicos Carvão Diesel e Óleo combustivel Fonte de energia Nuclear Eólica Biomassa e resíduos Gás natural Hidrelétricas 0 0,05 0,1 0,15 0,2 0,25 0,3 0,35 0,4 0,45 Participação na matriz elétricaO Cenário da Revolução Energética 2050 do Setor ElétricoDe acordo com as projeções do Cenário da Revolução Energética, em 2050, 88% daeletricidade produzida no Brasil será proveniente de fontes renováveis de energia. Aprevisão é a geração de 1077 TWh/ano e uma economia de 413 TWh/ano através demedidas de eficiência energética. O pacote da Revolução Energética exclui a geração deeletricidade a partir de óleo combustível, carvão e nuclear. A geração hidrelétricaresponde por 38%, biomassa, por 26%, energia eólica contribui com 20%, gás naturalcom 12% e a geração a partir de painéis fotovoltaicos deve saltar de uma participaçãoinsignificante até 2030 para 4% em 2050. 15
  • 16. SEMINÁRIO OS DILEMAS DA ENERGIA E DO DESENVOLVIMENTO ENERGIAS RENOVÁVEIS, A EXPERIÊNCIA DO BRASIL: ESTRATÉGIAS DE GESTÕES ENERGÉTICAS SUSTENTÁVEIS FERNANDO ALCOFORADOCENÁRIO REVOLUÇÃO ENERGÉTICA 2050Geração total: 1077 TWh/anoEficiência energética: 413 TWh/anoHidrelétricas 38%Gás natural 12%Biomassa e resíduos 26%Eólica 20%Nuclear 0%Diesel e Óleo combustível 0%Carvão 0%Painéis fotovoltaicos 4% Figura 10- CENÁRIO REVOLUÇÃO ENERGÉTICA 2050 Painéis fotovoltaicos Carvão Diesel e Óleo combustivel Fonte de energia Nuclear Eólica Biomassa e resíduos Gás natural Hidrelétricas 0 0,05 0,1 0,15 0,2 0,25 0,3 0,35 0,4 Participação na matriz elétricaOs resultados do estudo do Greenpeace demonstram que o sonho do crescimentoenergético limpo, apoiado em fontes renováveis de energia, é possível. A matriz elétricanacional pode se tornar 88% renovável até 2050 – hoje esse índice está em 82% –acomodando as perspectivas mais otimistas de crescimento do país, com uma taxa deconsumo e de geração de energia elétrica três vezes maior em relação ao registrado em2005. Além disso, essa matriz ajudaria a consolidar o compromisso brasileiro de cortar,até 2020, de 36% a 39% o volume de emissões de gases de efeito estufa, com obenefício adicional de promover a economia de bilhões de reais. 16
  • 17. SEMINÁRIO OS DILEMAS DA ENERGIA E DO DESENVOLVIMENTO ENERGIAS RENOVÁVEIS, A EXPERIÊNCIA DO BRASIL: ESTRATÉGIAS DE GESTÕES ENERGÉTICAS SUSTENTÁVEIS FERNANDO ALCOFORADOO desafio de reduzir níveis de emissão de gases do efeito estufa, permitir o crescimentoeconômico e atender a cerca de 1 milhão de pessoas sem energia no país passanecessariamente pelo caminho da utilização de fontes limpas e sustentáveis de energia,como eólica, biomassa, solar fotovoltaica, solar térmica e hidrelétrica, entre outras. Ofuturo do Brasil e do planeta depende do redirecionamento dos subsídios hojedestinados a fontes convencionais e combustíveis fósseis poluentes – que se esgotarãono futuro – para fontes renováveis. O futuro exige uma revolução energética como aproposta pelo Greenpeace.No centro dessa revolução, está uma mudança no modo como a energia elétrica égerada, distribuída e consumida. A aplicação de soluções em prol de um futuro maislimpo passa por sistemas descentralizados, eliminação gradativa das fontes de energianão sustentáveis e promoção da equidade na utilização dos recursos naturais eenergéticos, desvinculando crescimento econômico do aumento do consumo decombustíveis fósseis.O sistema elétrico brasileiro apresenta inúmeras debilidades em seu planejamento aodefinir ou escolher empreendimentos a serem implantados, muitos deles atentatórios aomeio ambiente como é o caso da implantação de centrais hidrelétricas de grande portena Amazônia com sérios impactos ambientais sobre a floresta amazônica e os povosindígenas, a implantação de centrais nucleares sujeitas a riscos de acidentes e comproblemas de disposição final do lixo atômico e a implantação de termelétricasconvencionais baseadas em combustíveis fósseis (carvão mineral e gás natural)geradoras da emissão de CO2 para a atmosfera. Os frequentes “apagões” que vêm seregistrando no sistema elétrico deixa muito a desejar porque é baixa a confiabilidade dosistema elétrico configurando fragilidade no planejamento de sua operação.Para evitar a implantação de hidroelétricas de grande porte na Amazônia, éimprescindível: 1) o uso de PCH´s (pequenas centrais hidrelétricas) ou hidrelétricas demédio porte em várias regiões do Brasil; 2) a adoção da política de produzir energia empequena ou média escala e distribuída em mercados próximos das fontes de produção, 17
  • 18. SEMINÁRIO OS DILEMAS DA ENERGIA E DO DESENVOLVIMENTO ENERGIAS RENOVÁVEIS, A EXPERIÊNCIA DO BRASIL: ESTRATÉGIAS DE GESTÕES ENERGÉTICAS SUSTENTÁVEIS FERNANDO ALCOFORADOao invés da produção concentrada de energia elétrica através de grandes centraishidrelétricas; 3) a implantação de usinas eólicas e sistemas híbridos nas localidadesmais apropriadas; 4) o uso de termelétricas convencionais com a utilização do gásnatural que é a fonte fóssil mais limpa, de turbinas eólicas e sistemas de energia solarfotovoltaica ou termossolar onde justificar sua implantação, se as fontes de produção deenergia elétrica em pequena ou média escala não forem suficientes; 5) a utilização dohidrogênio como fonte geradora de energia a médio e longo prazo; 6) a adoção dapolítica de economia de energia em todos os setores da atividade do país; 7) o uso dacogeração na indústria visando a produção de calor e eletricidade com a utilização deresíduos da produção industrial e do gás natural; e, 8) o uso do biogás proveniente dosaterros sanitários.A política de suprimento de energia elétrica requerida para o Brasil deveria contemplaro seguinte• Ao invés da implantação das hidrelétricas de grande porte para o suprimento de energia elétrica no Brasil, como tem sido a prática do governo federal há muitos anos, deveria ser adotada uma nova política que contemple o uso de PCH´s (pequenas centrais hidrelétricas) ou hidrelétricas de médio porte, bem como turbinas eólicas em várias regiões do Brasil.• Ao invés da produção concentrada de energia elétrica através de grandes centrais hidrelétricas, deveria ser adotada a curto prazo a política de produzir energia em pequena ou média escala e distribuída em mercados próximos das fontes de produção. A ênfase deveria ser a geração distribuída.• Se estas fontes de produção não forem suficientes, deveria haver complementação com o uso de termelétricas convencionais utilizando o gás natural que é a fonte fóssil mais limpa, de turbinas eólicas e sistemas de energia solar fotovoltaica ou termossolar onde justificar sua implantação.• A médio e longo prazo, deveria ser incentivada a utilização do hidrogênio como fonte geradora de energia.• As centrais nucleares, por sua vez, deveriam ser abandonadas como alternativa energética por problemas de segurança. 18
  • 19. SEMINÁRIO OS DILEMAS DA ENERGIA E DO DESENVOLVIMENTO ENERGIAS RENOVÁVEIS, A EXPERIÊNCIA DO BRASIL: ESTRATÉGIAS DE GESTÕES ENERGÉTICAS SUSTENTÁVEIS FERNANDO ALCOFORADO• Paralelamente a este esforço deveria haver prioridade na política de economia de energia em todos os setores da atividade do país e ao uso da cogeração na indústria visando a produção de calor e eletricidade com a utilização de resíduos da produção industrial e do gás natural.• Elevar a confiabilidade na operação do sistema elétrico para minimizar os efeitos dos “apagões” com o uso de sistemas de proteção duplicados em pontos críticos de suprimento, a duplicação de importantes linhas tronco de transmissão e a utilização de turbinas eólicas próximas da rede elétrica.2.1.2- Cenários do setor petróleoO Plano Nacional de Energia (PNE 2030) do governo federal apresenta a matrizenergético do Brasil em 2009 conforme está indicada na Figura 11 a seguir: Figura 11- Consumo de derivados de petróleo por setor em 2009- % consumo final não consumo na setor energético energético transformação 5% 14% 4% residencial 6% comercial industrial público 0% 13% 1% agropecuário 6% transportes 51%Fonte: PNE 2030Percebe-se na Figura 11 que a maior parte dos derivados de petróleo foi destinada aossetores industrial e de transporte, totalizando 64% do total.A Figura 12 indica que o consumo de derivados de petróleo em 2030 terá praticamentea mesma estrutura da registrada no ano de 2005. 19
  • 20. SEMINÁRIO OS DILEMAS DA ENERGIA E DO DESENVOLVIMENTO ENERGIAS RENOVÁVEIS, A EXPERIÊNCIA DO BRASIL: ESTRATÉGIAS DE GESTÕES ENERGÉTICAS SUSTENTÁVEIS FERNANDO ALCOFORADO Figura 12- Estrutura do consumo de derivados de petróleoFonte: PNE 2030A figura 13 indica que o consumo de gás natural em 2030 terá praticamente a mesmaestrutura da registrada no ano de 2005. Figura 13- Estrutura do consumo de gás natural 20
  • 21. SEMINÁRIO OS DILEMAS DA ENERGIA E DO DESENVOLVIMENTO ENERGIAS RENOVÁVEIS, A EXPERIÊNCIA DO BRASIL: ESTRATÉGIAS DE GESTÕES ENERGÉTICAS SUSTENTÁVEIS FERNANDO ALCOFORADOO Quadro 1 mostra o destino dos combustíveis líquidos por setor no Brasil. Quadro 1- Estrutura da demanda de combustíveis líquidos por setor COMBUSTÍVEL LÍQUIDO DESTINO DO COMBUSTÍVEL LÍQUIDO % Querosene Transporte (aeronaves) 98 Álcool Transporte (automóveis) 95 Gasolina Transporte (automóveis/ caminhões) 100 Diesel Transporte (automóveis/ caminhões) 78 Setor Agropecuário 14 Geração de energia elétrica 6 Óleo combustível Transporte (navios) 11 Indústria 61 Geração de energia elétrica 10 GLP Residências 80 Serviços 11 Nafta Uso não energético 100De acordo com a Figura 1, o petróleo foi responsável por 38% da produção de energiaprimária no Brasil em 2009. Os derivados de petróleo são utilizados em maior grau nossetores de transporte (51%) e industrial (13%) conforme demonstra a Figura 11.Qualquer solução que contribua para a redução do consumo de derivados de petróleodeve implicar na utilização de substitutos para a gasolina e o óleo diesel no setor detransporte e para o óleo combustível na indústria. Entre os substitutos da gasolina e doóleo diesel no setor de transporte podem ser citados o etanol e o biodiesel em curto 21
  • 22. SEMINÁRIO OS DILEMAS DA ENERGIA E DO DESENVOLVIMENTO ENERGIAS RENOVÁVEIS, A EXPERIÊNCIA DO BRASIL: ESTRATÉGIAS DE GESTÕES ENERGÉTICAS SUSTENTÁVEIS FERNANDO ALCOFORADOprazo e o hidrogênio a médio e longo prazo. O substituto do óleo combustível maisapropriado na indústria seria o gás natural pelo fato de ser a fonte fóssil mais limpaentre os combustíveis fósseis.É muito grande o potencial de produção de etanol e biodiesel no Brasil. Muitos analistasquestionam a produção de etanol e biodiesel argumentando que pode comprometer aprodução de alimentos. No Brasil, não haverá conflitos entre a produção de energia e aprodução de alimentos desde que haja uma política agrícola e energética articuladasentre si. Além disso, o Brasil dispõe de muita terra agricultável possibilitando conciliarambos os objetivos. Esforço deve ser feito também no sentido de utilizar o hidrogênioque se apresenta como a fonte de energia do futuro.Para contribuir no sentido de impedir as mudanças climáticas catastróficas em nossoplaneta, urge reduzir o consumo de petróleo com a adoção de diretrizes visando aexecução de programas que contribuam para sua substituição por outros recursosenergéticos. Neste sentido, é preciso efetuar a: 1) substituição da gasolina pelo etanol edo diesel pelo biodiesel em curto prazo no setor de transporte; 2) substituição dagasolina e do diesel pelo hidrogênio a médio e longo prazo no setor de transporte; 3)substituição do óleo combustível pelo gás natural e biomassa na indústria; 4)substituição do carvão mineral pelo gás natural na indústria; 5) substituição do dieselpela biomassa e gás natural no setor energético; e, 6) substituição do GLP pelo gásnatural no setor residencial.Adicionalmente, recomenda-se a adoção de diretrizes visando a execução de programasque contribuam para redução do consumo de petróleo e ações de economia de energia.Estas diretrizes são as seguintes: 1) produzir vapor e eletricidade na indústria com o usode sistemas de cogeração; 2) incentivar as montadoras de automóveis e caminhões nosentido de elevar a eficiência dos veículos automotores para economizar energia; 3)expandir os sistemas ferroviários e hidroviários para o transporte de carga emsubstituição aos caminhões; 4) expandir o sistema de transporte coletivo, sobretudo otransporte de massa de alta capacidade como o metrô ou VLT para reduzir o uso deautomóveis nas cidades; 5) restringir o uso de automóveis nos centros e em outras áreas 22
  • 23. SEMINÁRIO OS DILEMAS DA ENERGIA E DO DESENVOLVIMENTO ENERGIAS RENOVÁVEIS, A EXPERIÊNCIA DO BRASIL: ESTRATÉGIAS DE GESTÕES ENERGÉTICAS SUSTENTÁVEIS FERNANDO ALCOFORADOdas cidades; e, 6) incentivar a fabricação de máquinas e equipamentos de maioreficiência para economizar energia.2.2- BARREIRAS À PENETRAÇÃO DAS ENERGIAS RENOVÁVEIS NOBRASILAs principais barreiras para a penetração das renováveis estão relacionadas com osobstáculos de natureza política, de cunho legal, financeiro, fiscal, de capacitaçãotecnológica, de informação, educação e treinamento. Os obstáculos de natureza políticaresidem no fato de o setor elétrico e o setor petróleo serem dominados por autênticosfeudos que impedem a realização de um planejamento energético em bases racionais,sistêmicas em que prevaleça os interesses do País e não das partes. A filosofiadominante nos órgãos governamentais do setor elétrico é a de sempre incrementar ageração de energia elétrica através de usinas hidrelétricas de grande porte muitoinfluenciado pelas empreiteiras de grandes obras no Brasil e pouco interferir nademanda de eletricidade para economizar energia e a filosofia dominante na Petrobrás,responsável pelo suprimento de petróleo e gás natural, é a de privilegiar a expansão naoferta desses combustíveis fósseis em detrimento das energias renováveis.Enquanto prevalecer esta situação, muito dificilmente as energias renováveis terãoespaço na matriz energética brasileira. Elas serão consideradas de forma marginal pelosresponsáveis pelo planejamento energético do País como sempre ocorreram. Parareverter esta situação, o governo federal tem que assumir seu papel no planejamentoestratégico do setor de energia e não ficar à mercê dos feudos do setor elétrico e do setorpetróleo. Outra necessidade imperiosa diz respeito à participação dos estados emunicípios no planejamento energético do Brasil a fim de que as demandas dedesenvolvimento local do setor de energia sejam consideradas. Além de fazer com que ogoverno federal introduza um novo modelo de planejamento energético radicalmentediferente do atual, é um imperativo fazer com que os estados da federação e seusmunicípios participem do processo de planejamento a fim de que as demandas locais desuprimento de energia sejam devidamente consideradas. 23
  • 24. SEMINÁRIO OS DILEMAS DA ENERGIA E DO DESENVOLVIMENTO ENERGIAS RENOVÁVEIS, A EXPERIÊNCIA DO BRASIL: ESTRATÉGIAS DE GESTÕES ENERGÉTICAS SUSTENTÁVEIS FERNANDO ALCOFORADOOs obstáculos de cunho legal estão relacionados com o entrave representado pela faltade financiamentos apropriados de longo prazo. A aversão dos financiadores ao risco égrande, pois as energias renováveis apresentam alto custo de produção, o mercado aindanão está bem consolidado, a tecnologia não está bem difundida e a escala de produção éreduzida. Por isso, torna-se importante superar algumas barreiras políticas e legais, deforma que o investidor assuma o risco de investir e o financiador se sinta maisconfortável em apoiar as fontes renováveis de energia.Uma medida de cunho legal consiste na desoneração fiscal total ou parcial sobre osbiocombustíveis. A falta de uma apropriada estrutura legal para apoiar odesenvolvimento das fontes renováveis é um dos pontos mais citados por todos osestudiosos no assunto. Um aspecto da maior importância diz respeito à garantia deacesso à rede de transmissão e distribuição de energia elétrica, pois os custos delogística e conexão são mais elevados para pequenos produtores independentes. Há umasérie de mecanismos legais de apoio às fontes renováveis de energia sendo utilizadospor diversos países. Os mais comuns são:Fixação de Preços (Feed-in Arrangements) – Os geradores são garantidos por contratosque fixam os preços das energias com fluxo contínuo de recebimentos, graças a umaobrigação estipulada para o comercializador da energia. A Califórnia foi um dosprecursores a utilizar esse mecanismo na década de 1980 para a geração qualificadaatravés do PURPA (Public Utilities Regulatory Act), de 1978. Foi o sistema escolhidopela Alemanha e Espanha para incentivar a energia eólica e pelo Brasil para o Programade Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa).Leilões de Energia (Tendering Arrangements) – É um processo competitivo com baseem chamadas públicas periódicas de apoio a uma quantidade predefinida de energiarenovável. A França e a Inglaterra utilizaram essa opção para promover as energiasrenováveis. Não tiveram muito sucesso com esse sistema, pois as participações dasfontes renováveis nos seus mercados eram muito incipientes. No caso do Brasil, oMinistério de Minas e Energia já está utilizando este sistema através do Proinfa, caso aprimeira fase tenha tido êxito. Com um parque gerador já instalado, com indústrias 24
  • 25. SEMINÁRIO OS DILEMAS DA ENERGIA E DO DESENVOLVIMENTO ENERGIAS RENOVÁVEIS, A EXPERIÊNCIA DO BRASIL: ESTRATÉGIAS DE GESTÕES ENERGÉTICAS SUSTENTÁVEIS FERNANDO ALCOFORADOnacionais produzindo equipamentos, os leilões podem proporcionar maiorcompetitividade entre as fontes e entre os produtores.Participação Voluntária (Green Pricing Scheme) – Permite a participação voluntária deconsumidores dispostos a pagar um prêmio para apoiar a geração elétrica proveniente defontes renováveis.Certificados Verdes (Tradable Renewable Energy Certificate – TREC) – Acomercialização de certificados pode ocorrer se houver uma demanda voluntária deenergia renovável ou se houver alguma imposição legal de governo. Os certificadosapresentam a vantagem de se poder produzir energia renovável em locais onde ela émenos custosa, sem necessidade de transferência física de energia.As tecnologias renováveis sofrem competição desigual das tecnologias convencionaistambém em termos de preços dos usos finais. Muitas das plantas movidas acombustíveis fósseis, nucleares e hidroelétricas de grande porte foram construídas comsubsídios e a maior parte das plantas usando tecnologia convencional já foi amortizada.Há também a distorção da não apropriação de custos externos ou das externalidadesnegativas de tecnologias convencionais. Plantas movidas por combustíveis fósseisprovocam emissão de gases poluentes, como o dióxido de carbono, o dióxido deenxofre, óxidos de nitrogênio, entre outros contaminantes. Plantas nucleares geram lixonuclear e oferecem risco de contaminação por radioatividade. Plantas hidroelétricas degrande porte impactam negativamente sobre o meio ambiente durante a construçãodessas usinas, quando afetam a fauna e a flora local, além de populações que sãoobrigadas a migrarem dos locais onde vivem. O represamento da água contribui paraesta destruição, fazendo com que diversas espécies fiquem submersas e morram emuitos animais que conseguem fugir acabam saindo de seu habitat natural precisando seadaptar em novos lugares.Alguns países já impuseram taxas sobre o consumo de energia ou taxas sobre emissõesde carbono e outros poluentes. Outros preferiram isentar ou reduzir as taxas sobre asenergias renováveis, podendo essa ser uma boa alternativa para o incentivo dessas 25
  • 26. SEMINÁRIO OS DILEMAS DA ENERGIA E DO DESENVOLVIMENTO ENERGIAS RENOVÁVEIS, A EXPERIÊNCIA DO BRASIL: ESTRATÉGIAS DE GESTÕES ENERGÉTICAS SUSTENTÁVEIS FERNANDO ALCOFORADOfontes. Há também aqueles que procuram incentivar essas fontes com a depreciaçãoacelerada dos investimentos nesses energéticos.Os obstáculos nas etapas de pesquisa, desenvolvimento e demonstração são numerososno Brasil. Para se chegar à fase de plena comercialização da nova tecnologia, énecessário que o aparato industrial esteja preparado para dar suporte e esteja emconsonância com os objetivos traçados para fontes renováveis, fato este que não existeno Brasil. Na União Europeia, foram implementados os programas Joule (pesquisa edesenvolvimento), Thermie (demonstração) e Altener, esse último desenhado paraeliminar qualquer barreira não técnica. Algumas tecnologias já apresentam o retorno doinvestimento desejado pelos investidores. Por exemplo, a Dinamarca consolidou aindústria de geração eólica, a Finlândia e a Suécia apresentam forte capacitação emtecnologias de biomassa e a Alemanha e a Holanda são especializadas na fabricação decélulas fotovoltaicas.Outra barreira à penetração das energias renováveis na matriz energética brasileirareside no fato de haver falta de conhecimento e confiança pelos governantes e pelapopulação no potencial e nas possibilidades de desenvolvimento das energiasrenováveis. Não há uma consciência difundida junto aos governantes e à população dosbenefícios não energéticos, tais como o incremento da renda ou a geração de empregoslocais, que poderiam ajudar na aceitação e na difusão da nova tecnologia. Vários paísesindustrializados lançaram programas de governo promovendo as fontes renováveis. Asprincipais fontes incentivadas são: energia eólica, solar fotovoltaico, solar térmico,biomassa para geração elétrica, biomassa para geração de calor e biocombustíveis.Graças a esses programas, países como Dinamarca, Suécia, Finlândia e Áustriaconseguiram alcançar níveis importantes de participação de fontes renováveis em suasmatrizes energéticas. Atualmente, Dinamarca, Alemanha e Espanha detêm os maioresparques eólicos instalados.No caso do Brasil, as fontes renováveis de energia foram incentivadas por iniciativas dogoverno desde meados do século passado. O avanço da hidroeletricidade e da produçãode álcool carburante não aconteceria sem o decisivo apoio do governo federal. Osrecursos hídricos eram abundantes, mas as imperfeições do mercado eram tantas que as 26
  • 27. SEMINÁRIO OS DILEMAS DA ENERGIA E DO DESENVOLVIMENTO ENERGIAS RENOVÁVEIS, A EXPERIÊNCIA DO BRASIL: ESTRATÉGIAS DE GESTÕES ENERGÉTICAS SUSTENTÁVEIS FERNANDO ALCOFORADOfontes renováveis não poderiam se desenvolver sem incentivo governamental. Duranteum longo período, formou-se uma capacitação nacional extraordinária. O crescimentoda participação da energia hidroelétrica foi impulsionado durante a década de 1970,com a construção de usinas de porte como Itaipu e Tucuruí. Combustíveis sólidos elíquidos de biomassa foi outra saída encontrada pelo Brasil para enfrentar a criseenergética da década de 1970. O principal programa naquela época foi o Proálcool. Seuobjetivo era substituir a gasolina utilizada em automóveis, empregando tecnologiadesenvolvida em território nacional.O crescimento do mercado de álcool foi bastante significativo, principalmente após osegundo choque do petróleo. Em 1985, as vendas de automóveis a álcool representaram96% do mercado, mas, com a elevação do preço do açúcar no mercado internacional,houve uma queda acentuada da produção de álcool no fim da década de 1990, o quecontribuiu para a redução da produção de veículos a álcool. Atualmente, o álcool écompetitivo com a gasolina, mas ainda é necessário quebrar algumas barreiras surgidasao longo do tempo, como a confiança do consumidor na segurança de abastecimento docombustível. Isso tem sido um ponto-chave para tornar o álcool combustível umamercadoria que possa ser comercializada inclusive internacionalmente. O automóvelflexível é opção bastante interessante, permitindo que o consumidor possa decidir sobreo combustível economicamente mais vantajoso para ele, não ficando à mercê dedecisões dos produtores de álcool e açúcar.O governo brasileiro tem incentivado outras fontes renováveis de energia que não são,em sua maioria, competitivas nas atuais condições do mercado. Os exemplos maisrecentes de ações de promoção de aumento das fontes de energia renováveis na matrizenergética brasileira referem-se ao Programa de Produção e Uso do Biodiesel e aoPrograma de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa). O Programado Biodiesel tem como meta a adição de 2% de biodiesel ao diesel. Isso representa umaprodução de cerca de 800 milhões de litros de biodiesel. Durante os três primeiros anos,a adição é voluntária, pois a agroindústria não está preparada para produzir tal volumede biodiesel no curto prazo. A partir de 2008, a adição de 2% passou a ser obrigatória.Em oito anos, a obrigatoriedade passará para 5%. 27
  • 28. SEMINÁRIO OS DILEMAS DA ENERGIA E DO DESENVOLVIMENTO ENERGIAS RENOVÁVEIS, A EXPERIÊNCIA DO BRASIL: ESTRATÉGIAS DE GESTÕES ENERGÉTICAS SUSTENTÁVEIS FERNANDO ALCOFORADOO Proinfa é coordenado pelo Ministério de Minas e Energia e estabelece a contrataçãode 3.300 MW de energia no Sistema Interligado Nacional (SIN), produzidos pelasfontes eólica, de biomassa e de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), sendo 1.100MW de cada fonte. O ministério também coordena o Programa de DesenvolvimentoEnergético dos Estados e Municípios (Prodeem), instituído em dezembro de 1994. Esteprograma tem por objetivo atender às localidades isoladas, não supridas de energiaelétrica pela rede convencional, obtendo essa energia de fontes renováveis locais,notadamente painéis fotovoltaicos, de modo a promover o desenvolvimentoautossustentável, social e econômico dessas localidades. Para a consecução de seusobjetivos, o programa pode contar com recursos orçamentários a ele destinados; comapoio técnico dos órgãos setoriais envolvidos com as questões energéticas; e com apoiovoluntário dos estados, do Distrito Federal, dos municípios e de organizações públicas eprivadas nacionais e internacionais.O BNDES contribuiu com vários programas de governo para a promoção de fontesrenováveis de energia, para a substituição de petróleo e para a eficiência energética.Além dos programas tradicionais citados, o BNDES contribuiu no processo desubstituição de óleo combustível por eletricidade em indústrias através do programaEletrotermia. Na década de 1980, instituiu o Programa de Conservação do MeioAmbiente (Conserve), em parceria com agências multilaterais de crédito, cujo objetivoera estimular o controle da poluição em áreas urbanas, industriais e rurais. Aexperiência do BNDES se voltou basicamente para projetos em hidroeletricidade ebiomassa de bagaço da cana de açúcar e, em menor proporção, de resíduos de madeira.No caso do Proinfa, o BNDES participou das discussões sobre as condições doprograma pouco antes de seu lançamento. Vários riscos foram reduzidos com a estruturacontratual montada. O Ministério de Minas e Energia escolheu um mecanismointeressante para os produtores de energia, com a fixação de tarifas (feed-in tariffs) porum prazo de 20 anos. Com relação ao Programa de Biodiesel, o BNDES participou deetapas preliminares, como o planejamento e a concepção do programa. O Banco foiconvidado pelo ministério a integrar o Grupo Gestor no início de 2004. O Programa deProdução e Uso do Biodiesel foi lançado em dezembro de 2004, juntamente com umalinha de financiamento do BNDES que pode chegar a 90% do investimento em projetos 28
  • 29. SEMINÁRIO OS DILEMAS DA ENERGIA E DO DESENVOLVIMENTO ENERGIAS RENOVÁVEIS, A EXPERIÊNCIA DO BRASIL: ESTRATÉGIAS DE GESTÕES ENERGÉTICAS SUSTENTÁVEIS FERNANDO ALCOFORADOcom selo social e a 80% em projetos sem selo. O BNDES também incentiva a aquisiçãode máquinas e equipamentos homologados pelos fabricantes, para utilizar no mínimo20% de biodiesel, aumentando em até 25% o prazo do financiamento. A análise sobre odesenvolvimento de fontes renováveis mostra que elas são fundamentais para ocrescimento sustentável não só por questões ambientais, mas também por motivoseconômicos.Diferentemente da maioria dos outros países, o Brasil tem tradição e vantagenscomparativas para produzir energias renováveis, notadamente hidroeletricidade ebiomassa. Possui potencial para produção de energia eólica (principalmente noNordeste) e solar (em particular em regiões isoladas), mas essas tecnologias apresentamcustos de geração ainda muito elevados. Esses custos têm tendência declinante e a suaredução é função da capacidade instalada. Em um contexto de custos marginaisdecrescentes das novas fontes renováveis e de custos marginais crescentes das fontestradicionais, é provável que a produção de fontes renováveis seja competitiva no futuro.Cabe ao governo decidir se o país deve incentivar as fontes renováveis e selecionaraquelas que se adaptem melhor ao seu contexto.Para atrair interessados em investir na produção de fontes renováveis, não basta oferecerincentivos fiscais e financeiros. É necessário, em primeiro lugar, desenvolver umarcabouço institucional no Brasil no sentido de remover algumas barreiras apontadasneste trabalho. O financiamento a baixo custo não é suficiente, às vezes, para promoverfontes renováveis. Há a necessidade de inserir outras formas de incentivos, como adesoneração fiscal ou a depreciação acelerada dos investimentos. Não basta oferecerfinanciamento a uma determinada tecnologia se há muitos obstáculos em outras esferas.Enquanto as tecnologias se encontrarem em um estágio infante de desenvolvimento,com custos elevados e pequena participação no mercado, é necessário que se tenha umaparato legal, regulatório e institucional sólido, de forma a reduzir os riscos para osfinanciadores.É importante dar atenção à análise da capacidade financeira e empresarial dos potenciaistomadores de financiamento, para o êxito desses programas. Para que haja uma realconsolidação das energias renováveis, é preciso que o BNDES continue apoiando não 29
  • 30. SEMINÁRIO OS DILEMAS DA ENERGIA E DO DESENVOLVIMENTO ENERGIAS RENOVÁVEIS, A EXPERIÊNCIA DO BRASIL: ESTRATÉGIAS DE GESTÕES ENERGÉTICAS SUSTENTÁVEIS FERNANDO ALCOFORADOapenas o setor energético, mas também a malha industrial, notadamente a indústria debens de capital, que dá suporte a uma tecnologia potencialmente promissora. Osformuladores de políticas devem identificar nichos de mercado para o desenvolvimentode energias renováveis. Não há ainda diferenciação entre tecnologias mais ou menossustentáveis ou apropriadas a determinados locais. Também, não há incentivo paratecnologias que oferecem grande potencial de ganhos de eficiência e,consequentemente, de redução de custo de produção. O incentivo a tecnologiasapropriadas com potencial de redução de custos deveria ser um tema de estudo degrupos de trabalho no BNDES.A Eletrobrás, por exemplo, tem atuado no financiamento da eletrificação rural alocalidades isoladas utilizando fontes renováveis, como os painéis solares. Os bancos devarejo, os bancos de desenvolvimento regionais e as agências de fomento devem estarbem articulados no sentido de promover as energias renováveis, pois são eles que estãomais próximos do consumidor final, podendo identificar mais facilmente os nichos demercado e remover barreiras de informação. Outro ponto que merece reflexão refere-seà forma de atuação do BNDES na promoção de fontes renováveis: se vai financiarapenas projetos que visem ao aumento da oferta de energias renováveis e ou à reduçãode gases de efeito-estufa ou se vai ter uma participação mais ativa no mercado.Outras formas de atuação do BNDES seriam (i) a participação acionária de empresasdescapitalizadas, mas com potencial de crescimento no mercado; (ii) a oferta de créditodiferenciado para projetos de redução de gases de efeito-estufa; e, (iii) a participação emfundos de compra de créditos de carbono ou a retenção de parte das receitasprovenientes da venda de carbono de beneficiários do BNDES, para a formação de umfundo. Esse fundo poderia ter o objetivo de prestar garantias a projetos de pequeno porteou em estágio de desenvolvimento tecnológico inicial, ou seja, que tenham dificuldadede obter financiamento pelos caminhos tradicionais. Tendo uma participação mais ativanesses mercados, o BNDES estaria promovendo, direta ou indiretamente, a penetraçãode fontes renováveis na matriz energética brasileira, assim como as exportações debiocombustíveis para países com obrigações internas. 30
  • 31. SEMINÁRIO OS DILEMAS DA ENERGIA E DO DESENVOLVIMENTO ENERGIAS RENOVÁVEIS, A EXPERIÊNCIA DO BRASIL: ESTRATÉGIAS DE GESTÕES ENERGÉTICAS SUSTENTÁVEIS FERNANDO ALCOFORADO2.3- A BAHIA E AS ENERGIAS RENOVÁVEISNo que concerne ao estado da Bahia, da mesma forma que os demais estados dafederação brasileira, não formula nenhuma estratégia de desenvolvimento energéticoestadual haja vista que o governo federal concentra em suas mãos o poder de delineartodas as ações quanto ao setor de energia no Brasil. No campo das energias renováveis,a Bahia possui grande potencial eólico, de óleos vegetais para produção de biodiesel, depequenas centrais hidroelétricas e de energia solar. Apesar de ter todo este potencial, ogoverno da Bahia não toma iniciativas concretas visando o aproveitamento destepotencial, a não ser o da energia eólica.A Bahia é hoje um dos maiores e mais promissores polos de energia eólica do país. ABahia licenciou 133 projetos para implantação de complexos eólicos. Juntos, os projetossomam cerca de 3.200 MW de potência e colocam o estado como o segundo maior dopaís em potência contratada nos leilões de energia eólica realizados pelo GovernoFederal. 57 novos projetos de energia eólica estão previstos para se instalar no estado.Os empreendimentos somam aproximadamente R$ 6,5 bilhões em investimentos e têmprevisão de gerar entre 400 e 600 empregos na fase de operação. Quando estiveremoperando, os parques vão acrescentar aproximadamente 1.565 MW à rede elétrica.O Complexo Eólico Alto Sertão-I, o maior do Brasil, implantado em Caetité, consolidaa Bahia como o maior polo brasileiro em energia renovável. O projeto, avaliado em R$1,2 bilhão, provocou importantes reflexos na economia regional, com a criação de 1.300empregos diretos. Entre outros investimentos em infraestrutura necessários ao projetodestacam-se a implantação de 184 subestações unitárias de 690V/34.5kV, 104quilômetros de redes coletoras de 34,5kV, além de 77,5 quilômetros de linha detransmissão de 69kV.O Complexo Eólico Alto Sertão-I é composto por 14 parques, que tiveram sua energiacomercializada para a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), noLeilão de Reserva de Energia (LER) de 2009, e juntos possuem capacidade instalada de293,6MW. No total, foram montados 184 aerogeradores de 1,6MW e cada parque geraaté 30MW. Os 14 parques eólicos estão localizados nos municípios de Caetité, Igaporã 31
  • 32. SEMINÁRIO OS DILEMAS DA ENERGIA E DO DESENVOLVIMENTO ENERGIAS RENOVÁVEIS, A EXPERIÊNCIA DO BRASIL: ESTRATÉGIAS DE GESTÕES ENERGÉTICAS SUSTENTÁVEIS FERNANDO ALCOFORADOe Guanambi. Além de contribuir com a criação de 1.300 empregos diretos, na fase deimplantação, impulsionou a economia local, tanto pelo aumento dos tributosarrecadados como pela geração de receita com a mão de obra utilizada na construção doempreendimento.Investidores como Brennand Energia, Chesf, Iberdrola, Renova Energia, ConsórcioPedra do Reino e SoWiTec do Brasil estão na lista dos vencedores, com projetos deparques eólicos para os municípios de Casa Nova, Juazeiro, Sobradinho, Morro doChapéu, Igaporã, Guanambi e Pindaí. A previsão é que os projetos entrem em operaçãoa partir de 2013. O estado da Bahia já tem protocolos assinados com 11 empresasligadas ao setor eólico para a instalação de um segmento eólico competitivo. Uma delasé a Alstom, fábrica de aerogeradores que está investindo R$ 50 milhões na unidadeindustrial de Camaçari e projeta faturamento anual de até R$ 1 bilhão, considerando acapacidade máxima. Das outras 10, três delas já iniciaram a implantação de parqueseólicos.A Renova Energia está investindo mais de R$ 2,3 bilhões na implantação de 27 usinas,Desenvix investe R$ 400 milhões na instalação de três usinas em Brotas de Macaúbas ea Eólica Energia investe R$ 150 milhões em uma usina no norte do estado, na região deSobradinho. Está caindo por terra o conceito de que a energia eólica é cara. Há poucosanos, seu custo alcançava em torno de R$ 240/MWh, passando para um preço médio deR$ 122,69/ MWh, na modalidade energia de reserva no último leilão. O preço alcançadoespecialmente pela fonte eólica nos dois certames deverá promover uma revolução nosetor. Ela foi vendida mais barata que as usinas de biomassa e PCH´s.A partir de março de 2007, as Secretarias do governo da Bahia (SECTI, SEMA,SEDIR, SEAGRI), de uma forma integrada e em consonância com o ProgramaNacional de Produção e Uso de Biodiesel do Governo Federal- PNPB, construíram umaproposta de Programa de Biocombustíveis para o Estado da Bahia. Em 05 dezembro de2007 foi instituído o Programa Estadual de Produção de Bioenergia (BAHIABIO) pelogoverno da Bahia. O Programa contempla o fortalecimento da indústria de bioenergiano Estado com inclusão social, zoneamento ecológico, incorpora pesquisas, a exemplode estudos para aumentar a produtividade das oleaginosas, particularmente a mamona, 32
  • 33. SEMINÁRIO OS DILEMAS DA ENERGIA E DO DESENVOLVIMENTO ENERGIAS RENOVÁVEIS, A EXPERIÊNCIA DO BRASIL: ESTRATÉGIAS DE GESTÕES ENERGÉTICAS SUSTENTÁVEIS FERNANDO ALCOFORADOteor olerífico, introdução de novos insumos para a produção de bioenergia, logística deprodução e beneficiamento de óleo vegetal e de etanol, e estrutura de comercialização.Na Bahia, há grande diversidade de oleaginosas potenciais, como o dendê, o algodão, ogirassol e a própria mamona, mas o pinhão-manso é visto como a grande promessa.Pode-se produzir pinhão-manso após quatro anos de plantado, mas com até nove mesesjá é possível ter bons resultados nesse cultivo. A usina localizada na RegiãoMetropolitana de Salvador (RMS) processará inicialmente mamona, girassol e dendê.Orçada em R$ 78 milhões, deve produzir 57 milhões de litros de biocombustível ao ano.Esta seria a terceira usina de biodiesel na Bahia, juntando-se à Brasil Ecodiesel nomunicípio de Iraquara e a Comanche em Feira de Santana. Apesar de a Bahia possuirdiversas oleaginosas que servem como matéria prima para o biodiesel, esta produçãoainda não é satisfatória para atender à crescente demanda das indústrias que estão seinstalando em solo baiano.O Programa de Bionergia da Bahia (BAHIABIO) estabeleceu uma meta de produção de197 mil m³ de biodiesel a partir de 2008, 517 mil m³ a partir de 2010 e 773 mil m³ apartir de 2012. No diz respeito às potencialidades para produção de Biodiesel, pode-sedizer que, a Bahia apresenta sérios problemas de produção agrícola, de infraestrutura, deassistência técnica, de capacitação agrícola, dentre outros. Com relação às matérias-primas apresentadas, a mamona apresenta alta viscosidade, baixa produtividade, semaumento considerável na área plantada, com registros de quedas nas últimas safras, comelevados índices de preços, sem levar em consideração ser um contrassenso queimarbiodiesel de mamona, por esta possuir características que a diferenciam das demaisoleaginosas. O dendê segue os mesmos requisitos da mamona, porém com um grandeobstáculo ambiental na região Sul e Baixo Sul. O amendoim e o girassol nem sequertêm produção em escala para alavancar o programa de biodiesel. O desenvolvimento dobiodiesel requer políticas agrícolas e industriais mais eficientes atreladas a um modelode organização da produção que possam conseguir potencializar as matérias-primas.No que diz respeito à biomassa, a empresa Energia Renováveis do Brasil (ERB),especializada na produção de biomassa, foi habilitada a receber incentivos do governoda Bahia, direcionados à diversificação da matriz energética no estado. A ERB vai 33
  • 34. SEMINÁRIO OS DILEMAS DA ENERGIA E DO DESENVOLVIMENTO ENERGIAS RENOVÁVEIS, A EXPERIÊNCIA DO BRASIL: ESTRATÉGIAS DE GESTÕES ENERGÉTICAS SUSTENTÁVEIS FERNANDO ALCOFORADOinvestir R$ 200 milhões em uma unidade de cogeração de biomassa para atender a DowBrasil, em Candeias (BA). A térmica usará eucalipto como matéria-prima para fornecerenergia para o parque da multinacional. Com o investimento, a empresa pretendereduzir as emissões de CO2 , que são liberados diariamente na atmosfera, através dasubstituição de 200 mil m3 de gás natural. A unidade de cogeração terá capacidade paraprodução anual de 1,08 milhão de toneladas de vapor industrial e 108 mil megawattshora de energia elétrica. Além de se comprometer em reduzir as emissões de gases deefeito estufa, o acordo selado entre e a empresa e o governo da Bahia, através doPrograma de Desenvolvimento Industrial e de Integração Econômica do Estado daBahia (Desenvolve), determina que sejam criados novos postos de trabalho e outrosestímulos à economia local. Em contrapartida, as autoridades irão fornecer os benefíciosfiscais provenientes do ICMS.Além das iniciativas acima descritas, o governo da Bahia implantou o projeto PituaçuSolar, que tornou o Estádio Governador Roberto Santos (Pituaçu) a primeira arenaesportiva com energia solar na América Latina, autossuficiente na produção de energia.2.4- ESTRATÉGIAS SUSTENTÁVEIS DE ENERGIA PARA O BRASILLevando em conta o exposto, as estratégias sustentáveis de energia requeridas para oBrasil são as seguintes:1) Colocar em prática as ações que contribuam para a viabilização do Cenário Revolução Energética proposto pelo Greenpeace.2) Superar as barreiras para a penetração das renováveis de natureza política, de cunho legal, financeiro, fiscal, de capacitação tecnológica, de informação, educação e treinamento.3) Adotar um planejamento energético no Brasil em bases racionais e sistêmicas.4) Assegurar a participação dos estados e municípios no planejamento energético do Brasil a fim de que as demandas de desenvolvimento local do setor de energia sejam consideradas.5) Oferecer financiamento aos investidores de energia renovável para eliminar sua aversão ao risco representada pelo alto custo de produção, o mercado ainda não 34
  • 35. SEMINÁRIO OS DILEMAS DA ENERGIA E DO DESENVOLVIMENTO ENERGIAS RENOVÁVEIS, A EXPERIÊNCIA DO BRASIL: ESTRATÉGIAS DE GESTÕES ENERGÉTICAS SUSTENTÁVEIS FERNANDO ALCOFORADO estar bem consolidado, a tecnologia não estar bem difundida e a escala de produção ser reduzida.6) Promover a desoneração fiscal total ou parcial sobre os biocombustíveis.7) Criar uma apropriada estrutura legal para apoiar o desenvolvimento das fontes renováveis no Brasil.8) Garantir o acesso à rede de transmissão e distribuição de energia elétrica aos pequenos produtores independentes.9) Utilizar mecanismos legais de apoio às fontes renováveis de energia tais como: i) Fixação de Preços (Feed-in Arrangements); ii) Leilões de Energia (Tendering Arrangements); iii) Participação Voluntária (Green Pricing Scheme); e, iv) Certificados Verdes (Tradable Renewable Energy Certificate – TREC).10) Apropriar os custos externos ou as externalidades negativas na comparação entre as tecnologias convencionais e as tecnologias renováveis11) Impor taxas sobre emissões de carbono e outros poluentes na operação de empreendimentos energéticos.12) Superar os obstáculos existentes em pesquisa, desenvolvimento e demonstração no Brasil reforçando os centros de P&D existentes e criando novos.13) Preparar o aparato industrial para dar suporte aos objetivos traçados para fontes renováveis.14) Conscientizar os governantes e a população dos benefícios não energéticos, tais como o incremento da renda ou a geração de empregos locais propiciadas pelas energias renováveis.15) Incrementar o apoio do governo federal aos programas de energias renováveis.16) Aumentar a contribuição do BNDES aos programas de energias renováveis.17) Desenvolver um arcabouço legal, regulatório e institucional sólido, de forma a reduzir os riscos para os investidores e financiadores de energias renováveis.18) Articular os bancos de varejo, os bancos de desenvolvimento regionais e as agências de fomento no sentido de promover as energias renováveis.19) Incrementar o aproveitamento do grande potencial de energia eólica da Bahia.20) Superar os problemas de produção agrícola, de infraestrutura, de assistência técnica, de capacitação agrícola, dentre outros que dificultam a implementação do Programa de Biodiesel no estado da Bahia. 35
  • 36. SEMINÁRIO OS DILEMAS DA ENERGIA E DO DESENVOLVIMENTO ENERGIAS RENOVÁVEIS, A EXPERIÊNCIA DO BRASIL: ESTRATÉGIAS DE GESTÕES ENERGÉTICAS SUSTENTÁVEIS FERNANDO ALCOFORADOBIBLIOGRAFIAALCOFORADO, Fernando. Aquecimento Global e Catástrofe Planetária, P&A Gráficae Editora, Salvador: 2010.______________________. Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil ecombate ao aquecimento global, Viena- Editora e Gráfica. Santa Cruz do Rio Pardo,São Paulo: 2011.______________________. O sistema mundial de energia sustentável. RevistaPolitécnica 10E, Ano 4. Salvador: Junho, 2011._______________________. O futuro do suprimento de energia no Brasil. RevistaPolitécnica 12E, Ano 4. Salvador: 2011.ALVES, José Eustáquio Diniz. Brasil pode ser "Arábia Saudita" da energia renovável,disponível no website <http://www.ecodebate.com.br/2011/06/09/o-brasil-pode-ser-a-arabia-saudita-da-energia-renovavel-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/>.AMBIENTE ENERGIA. Bahia entra no mapa da energia eólica disponível no website<http://www.ambienteenergia.com.br/index.php/2010/09/bahia-entra-no-mapa-da-energia-eolica/5730/>.COELHO, Suani; SILVA, Orlando Cristiano; CONSÍGLIO, Marcelo; PISETTA,Marcelo; MONTEIRO, Maria Beatriz. Panorama do Potencial de Biomassa no Brasil.ANEEL- Agência Nacional de Energia Elétrica, 2002, disponível no website<http://www.aneel.gov.br/biblioteca/downloads/livros/panorama_biomassa.pdf>.COSTA, Ricardo Cunha; PRATES, Cláudia Pimentel. O Papel das Fontes Renováveisde Energia no Desenvolvimento do Setor Energético e Barreiras à sua Penetração noMercado, disponível no website<http://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/bndes/bndes_pt/Institucional/Publicacoes/Consulta_Expressa/Setor/Energia/200503_8.html>. 36
  • 37. SEMINÁRIO OS DILEMAS DA ENERGIA E DO DESENVOLVIMENTO ENERGIAS RENOVÁVEIS, A EXPERIÊNCIA DO BRASIL: ESTRATÉGIAS DE GESTÕES ENERGÉTICAS SUSTENTÁVEIS FERNANDO ALCOFORADOCEPEL/ ELETROBRÁS. Atlas brasileiro de energia solar disponível no website<http://www.ccst.inpe.br/wp-content/themes/ccst/pdf/atlas_solar-reduced.pdf>.CRESEB/CEPEL. Atlas solarimétrico do Brasil disponível no website<http://www.cresesb.cepel.br/publicacoes/download/Atlas_Solarimetrico_do_Brasil_2000.pdf>.CRESEB/CEPEL. Estado da Bahia- Atlas do potencial eólico disponível no website <http://www.cresesb.cepel.br/publicacoes/download/atlas_eolico/atlas_eolico_BA.pdf>.ECONOMIA BAIANA. Bahia se consolida como maior polo brasileiro em energiarenovável, disponível no website <http://economiabaiana.com.br/2012/07/07/bahia-se-consolida-como-maior-polo-brasileiro-em-energia-renovavel/>.FAPESP ; [Amsterdam] : INTERACADEMY COUNCIL ; [Rio de Janeiro] :ACADEMIA BRASILEIRA DE CIÊNCIAS. Um futuro com energia sustentável:iluminando o caminho, 2010, disponível no website<http://www.fapesp.br/publicacoes/energia.pdf>.GELLER, Howard Steven. Revolução energética: Políticas para um futuro sustentável.<http://www.iee.usp.br/biblioteca/producao/2002/Teses/Geller.pdf.> São Paulo, 2002.MILANEZ, Artur Yabe; NYKO, Diego; REIS, Brunno. O déficit de produção de etanolno Brasil entre 2012 e 2015: determinantes, consequências e sugestões de política.Biocombustíveis, BNDES Setorial 35, p. 277 – 302.GREENPEACE. [R]evolução energética- Perspectivas para uma energia globalsustentável, disponível no website<http://www.greenpeace.org/brasil/pt/Documentos/greenpeacebr_070202_energia_revolucao_energetica_brasil_port_v1/>. 37
  • 38. SEMINÁRIO OS DILEMAS DA ENERGIA E DO DESENVOLVIMENTO ENERGIAS RENOVÁVEIS, A EXPERIÊNCIA DO BRASIL: ESTRATÉGIAS DE GESTÕES ENERGÉTICAS SUSTENTÁVEIS FERNANDO ALCOFORADOGREENPEACE. [R]evolução energética- A caminho do desenvolvimento limpo, ,disponível no website<http://www.greenpeace.org/brasil/Global/brasil/report/2010/11/revolucaoenergeticadeslimpo.PDF>.GREENPEACE. Investimento em energias renováveis pode gerar economia de US$180 bilhões por ano, disponível no website <http://www.greenpeace.org/brasil/pt/Noticias/investimento-em-energias-renov/>.INOVAÇÃO UNICAMP. O programa nacional do álcool disponível no website<http://www.inovacao.unicamp.br/etanol/report/IV_lr-rogerio_programa-nacionalalccol.pdf>.LISBOA, Alexandre Heringer. Financiamento de projetos e custos para produção deenergia limpa, disponível no website<http://www.forumdeenergia.com.br/nukleo/pub/financiamwento_e_custos_eolica_apresentacao_alexandre_lisboa.pdf>.MAGALHÃES, Murilo Vill. Estudo de utilização da energia eólica como fontegeradora de energia no Brasil. Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis,2009, disponível no website <http://tcc.bu.ufsc.br/Economia291554>.MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA. Plano Nacional de Energia 2030. Brasília,2007.MÜLLER, Mariana. Brasil possui o menor preço em energia eólica do mundo. OGlobo, disponível no website <http://oglobo.globo.com/rio20/brasil-possui-menor-preco-em-energia-eolica-do-mundo-5170374>.PORTO, Laura. Energias renováveis. Ministério de Minas e Energia disponível nowebsite<http://www.mme.gov.br/programas/proinfa/galerias/arquivos/apresentacao/VI.pdf>.RÜTHER, Ricardo. O potencial da energia solar fotovoltaica no Brasil. UniversidadeFederal de Santa Catarina – UFSC & INSTITUTO PARA O DESENVOLVIMENTO 38
  • 39. SEMINÁRIO OS DILEMAS DA ENERGIA E DO DESENVOLVIMENTO ENERGIAS RENOVÁVEIS, A EXPERIÊNCIA DO BRASIL: ESTRATÉGIAS DE GESTÕES ENERGÉTICAS SUSTENTÁVEIS FERNANDO ALCOFORADODAS ENERGIAS ALTERNATIVAS NA AMÉRICA LATINA – IDEAL, disponívelno website <http://www.ambbrasilia.esteri.it/nr/rdonlyres/f061d8fb-d4cc-4959-8baa-95917c22084d/46120/ufsc.pdf>.TOLMASQUIM, Mauricio T.; GUERREIRO, Amilcar; GORINI, Ricardo. Matrizenergética brasileira: uma prospectiva. Novos estudos- CEBRAP, no.79. São Paulo,2007, disponível no website <http://dx.doi.org/10.1590/S0101-33002007000300003>.TOLMASQUIM, Mauricio T. Perspectivas e planejamento do setor energético noBrasil. Estudos avançados, vol.26, no.74 São Paulo, 2012, disponível no website<http://dx.doi.org/10.1590/S0103-40142012000100017>.VIEIRA , J. M. ; SODRÉ, E.; LEAL, N.; GUEDES, D. F.; ALVES, F.; MELO, G.H.H.Uma análise de competitividade para geração de energia elétrica. XIII ERIAC- PuertoIguazú, Argentina, 2009, disponível no website<http://www.labplan.ufsc.br/congressos/XIII%20Eriac/C5/C5-05.pdf>. 39
  • 40. SEMINÁRIO OS DILEMAS DA ENERGIA E DO DESENVOLVIMENTO ENERGIAS RENOVÁVEIS, A EXPERIÊNCIA DO BRASIL: ESTRATÉGIAS DE GESTÕES ENERGÉTICAS SUSTENTÁVEIS FERNANDO ALCOFORADO*FERNANDO ALCOFORADO, Doutor em Planejamento Territorial eDesenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona (2003), Graduado emEngenharia Elétrica pela UFBA - Universidade Federal da Bahia (1966) e Especialistaem Engenharia Econômica e Administração Industrial pela UFRJ - UniversidadeFederal do Rio de Janeiro (1971), foi Secretário do Planejamento de Salvador(1986/1987), Vice-Presidente da ABEMURB – Associação Brasileira das EntidadesMunicipais de Planejamento e Desenvolvimento Urbano (1986), Subsecretário deEnergia do Estado da Bahia (1988/1991), Diretor de Relações Internacionais daABEGÁS - Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Gás Canalizado(1990/1991), Coordenador do Programa Nacional do Dendê- PRONADEN (1991),Presidente do Clube de Engenharia da Bahia (1992/1993), Presidente do IRAE-Instituto Rômulo Almeida de Altos Estudos (1999/2000) e Diretor da Faculdade deAdministração das Faculdades Integradas Olga Mettig de Salvador, Bahia (2003/2005).É atualmente professor universitário e consultor de organismos públicos e privadosnacionais e internacionais nas áreas de planejamento estratégico, planejamentoempresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos. Foiarticulista de diversos jornais da imprensa brasileira (Folha de S. Paulo, GazetaMercantil, A Tarde e Tribuna da Bahia), publicando artigos versando sobre economia epolítica mundial e brasileira, questão urbana, energia, meio ambiente edesenvolvimento, ciência e tecnologia, administração, entre outros temas. É autor doslivros Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (EditoraCRV, Curitiba, Paraná, 2012), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil ecombate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo,São Paulo, 2011), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development-The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG,Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (P&AGráfica e Editora, Salvador, 2010), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao SéculoXX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (Empresa Gráfica da Bahia,Salvador, 2007), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2007), OsCondicionantes do Desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado.Universidade de Barcelona, http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Umprojeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), De Collor a FHC- o Brasil e anova (des)ordem mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998) e Globalização (EditoraNobel, São Paulo, 1997), entre outros. 40

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