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O progresso e o desenvolvimento ameaçados no mundo
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O progresso e o desenvolvimento ameaçados no mundo

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  • 1. O PROGRESSO E O DESENVOLVIMENTO AMEAÇADOS NO MUNDO Fernando Alcoforado* Progresso significa movimento para frente tendo como sinônimo avanço e progressão (Ver o Dicionário on line de português no website <http://www.dicio.com.br/progresso/>). O progresso pode ser definido como um processo cumulativo no qual o estágio mais recente é sempre considerado preferível e melhor, ou seja, qualitativamente superior, ao que o precedeu. Neste sentido, a mudança ocorre em uma determinada direção e essa progressão é interpretada como uma melhoria em relação à situação anterior. Assim, a mudança é orientada para o melhor, é necessária, isto é, não se pode parar o progresso, e é irreversível, isto é, nenhum retorno ao passado é possível. A melhoria seria inevitável. O amanhã sempre será melhor que o hoje. “Um projeto de desenvolvimento de um país ou de uma região só terá caráter progressista se gerar transformação, mudança, progresso, criação e distribuição de riqueza. O desenvolvimento econômico se materializa quando há transformação, mudança, progresso e criação de riqueza e o desenvolvimento social só acontece quando a riqueza é amplamente distribuída pela população, isto é, não é concentrada. Um projeto de desenvolvimento tem, portanto, caráter progressista quando o desenvolvimento econômico e o desenvolvimento social ocorrem simultaneamente” (ALCOFORADO, Fernando. Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia. Tese de doutorado. Universidade de Barcelona, <http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944>, 2003). Em sua obra The End of progress – How modern economics has failed us (O Fim do progresso- Como a economia moderna tem falhado), publicada pela John Wiley & Sons em 2011, Graeme Maxton, colaborador do The Economist e de uma ampla gama de jornais e revistas internacionais na Europa, Estados Unidos e Ásia e convidado regular em programas de notícias da BBC e CNN, trata das consequências da crise econômica mundial que eclodiu nos Estados Unidos em 2008, da superpopulação mundial que está se aproximando de seus limites (10 bilhões de habitantes), do esgotamento de recursos financeiros mundiais e da emergência da China como uma potência global que ameaça a hegemonia norte-americana no mundo. Nesta obra Graeme Maxton afirma que “a humanidade está se movendo para trás. A humanidade está destruindo mais do que construindo. Em cada ano, a economia mundial cresce aproximadamente US$ 1,5 trilhão. Mas, em cada ano, a humanidade devasta o planeta a um custo de US$ 4,5 trilhões. A humanidade está se movendo no sentido inverso gerando perdas maiores do que a riqueza que cria”. Maxton afirma que a humanidade experimentou rápido crescimento econômico, mas criou também um mundo instável. Segundo Maxton, em muitos países, pela primeira vez em séculos, nos defrontamos com a queda na expectativa de vida e com a perspectiva do declínio da produção de alimentos e da oferta de água, bem como a exaustão dos recursos naturais como o petróleo. Tudo o que está acontecendo no mundo conspira contra tudo que pregava o Iluminismo a partir do século XVIII, quando um grupo de pensadores começou a se mobilizar em torno da defesa de ideias que pautavam a renovação de práticas e instituições vigentes em toda Europa, levantando questões filosóficas que pensavam sobre a condição e a felicidade do homem. O movimento 1
  • 2. iluminista atacou sistematicamente tudo o que era considerado contrário à busca da felicidade, da justiça e da igualdade. O que se verifica hoje em todo o planeta é a antítese do que preconizava o Iluminismo. Cabe observar que o pensamento iluminista elegeu a “razão” como o grande instrumento de reflexão capaz de melhorar e empreender instituições mais justas e funcionais. Tudo o que acontece na atualidade no mundo em que vivemos nega o pensamento de Emmanuel Kant, um dos filósofos do Iluminismo, que considerava a História caminhando na direção do melhor (KANT, Immanuel. Ideia de uma história universal de um ponto de vista cosmopolita. São Paulo: Brasiliense, 1986). Kant afirmou que a competição entre os seres humanos constituiria o grande motor da história gerando discórdias e concórdias entre os homens e, por uma razão ou por outra, conduzindo-os coletivamente através do Progresso. A história da humanidade demonstra, entretanto, que esta tese não é verdadeira porque a competição entre os seres humanos tem gerado a barbárie representada pelas revoluções com o conflito entre classes sociais e guerras entre povos e nações e a destruição da natureza. Com visão semelhante à de Kant, o filósofo e matemático francês Condorcet (1743-1797) era extremamente otimista. As ideias de Condorcet sobre a História eram de um enorme otimismo histórico. Condorcet acreditava que, àquela altura da História, o estado de evolução e aperfeiçoamento da humanidade não mais poderia ser interrompido, a não ser que ocorresse alguma catástrofe mundial, e que por isto caberia aos homens iluminados pela razão acelerar este progresso humano, que por si mesmo era inevitável. Para Condorcet, o Presente em que então viviam ele e seus contemporâneos tinha uma superioridade sobre todas as épocas do Passado, e, depois de adentrarem o degrau supremo, os seres humanos dos séculos vindouros não fariam mais do assistir ao acrescentar de novas luzes a um progresso inesgotável. A História seria para Condorcet, portanto, o registrar daquela que seria a lei suprema do desenvolvimento humano, a sua “perfectibilidade indefinida”. O Progresso constituía para Condorcet a grande lei que imprimia regularidade ao curso da História, e conhecer esta última, isto é, refletir sobre o que havia sido o homem até então e sobre o seu estado atual poderia contribuir para oferecer aos homens ilustrados os meios de acelerar o progresso e aproximar mais rapidamente a humanidade do futuro [CONDORCET. Esquisse d’um tableau historique dês progreès de l’esprit humain (Esboço de um quadro histórico do progresso do espírito humano). Paris: Garnier-Flammarion, 1988]. Cabe destacar que Condorcet afirmou que o estado de evolução e aperfeiçoamento da humanidade não mais poderia ser interrompido, a não ser que ocorresse alguma catástrofe mundial (grifo nosso). O cenário mundial atual aponta nesta direção com a possibilidade de um colapso total (interrupção generalizada e duradoura da internet, do esgotamento do sistema global de abastecimento de alimentos, de um pulso eletromagnético continental que destrói todos os aparelhos eletrônicos, do colapso da globalização, da destruição da Terra pela criação de partículas exóticas, da desestabilização do panorama nuclear, do fim do suprimento global de petróleo, de uma pandemia global, da falta de energia elétrica e de água potável, de robôs inteligentes que sobrepujam a humanidade e da deflação global e do colapso dos mercados financeiros mundiais) como preconizamos em artigo que publicamos no Blog de Falcoforado (http://fernando.alcoforado.zip.net) publicado em 21/05/2013 a não ser que, como diz Condorcet, homens iluminados pela razão acelerem o progresso humano, que por si 2
  • 3. mesmo era inevitável. O problema é que os homens iluminados de Condorcet ainda na surgiram para evitar a catástrofe mundial. Para evitar o desastre que se avizinha, a humanidade tem que construir uma nova sociedade que incorpore todos os povos do mundo inteiro que só será viável se for conduzida por um governo mundial democrático que seja capaz de planejar e controlar os sistemas caóticos que ameaçam a sobrevivência da humanidade e evitar o colapso de tudo como prevê John Casti em sua obra O Colapso de Tudo - Os Eventos Extremos que Podem Destruir a Civilização a Qualquer Momento (Rio: Editora Intrínseca Ltda., 2012). *Fernando Alcoforado, 73, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona, http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (P&A Gráfica e Editora, Salvador, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011) e Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), entre outros.S 3