O futuro é a engenharia
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O futuro é a engenharia O futuro é a engenharia Document Transcript

  • 18º CBENC- CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHEIROS CIVIS 8 a 11 de novembro de 2012- SALVADOR/BAHIAO FUTURO É A ENGENHARIAFernando Alcoforado*Nossa palestra contempla a abordagem de 4 pontos descritos a seguir:1) A evolução daEngenharia no mundo da Antiguidade à Era Contemporânea; 2) O futuro da Engenhariano mundo e como ela poderá contribuir para o progresso da humanidade; 3)Perspectivas de evolução da Engenharia no Brasil e como ela poderá contribuir para oseu progresso econômico e social; e, 4) Porque o futuro é a Engenharia.1) A evolução da Engenharia no mundo da Antiguidade à Era ContemporâneaA Engenharia é sinônimo de progresso, progresso técnico, de desenvolvimento em todoo mundo. A Engenharia tem sido utilizada ao longo da história da humanidade como ummeio para a conquista de melhores condições de vida para a sociedade em todos ospaíses do mundo. É o canal através do qual as pessoas podem adquirir condições parahabitar melhor, respirar melhor, se transportar com mais rapidez, adquirir conforto esegurança, ter acesso a alimentos mais nutritivos e saudáveis. Enfim, viver melhor. Obom funcionamento da Engenharia, portanto, não é de interesse apenas dos profissionaise empresários do setor. É de interesse de toda a sociedade, sendo sinônimo dedesenvolvimento.Desde os primórdios da humanidade, muita gente se ocupou de diversas tarefas que hojesão atribuições do engenheiro, e aí estão para provar as incontáveis e magníficas obrasde Engenharia desde a Antiguidade, como o Farol de Alexandria, as Pirâmides do Egito,os Jardins Suspensos da Babilônia, a Acrópole e o Partenon de Atenas, os antigosaquedutos romanos, a Via Ápia, o Coliseu de Roma, Teotihuacán no México, asPirâmides dos Maias, Incas e Astecas e a Grande Muralha da China, entre muitas outrasobras. O primeiro engenheiro foi provavelmente Imhotep que projetou e supervisionoua construção da Pirâmide de Djoser no Egito, uma pirâmide de degraus em Saqqara, porvolta de 2630 a.C.-2611 a.C.As obras de Engenharia, desde a Antiguidade até o século XV foram muito mais frutodo empirismo e da intuição do que do cálculo e de uma verdadeira engenharia.Leonardo da Vinci e Galileu Galilei, nos séculos XV e XVII, por exemplo, podem serconsiderados os precursores da Engenharia de base científica porque o que eles fizeram 1
  • 18º CBENC- CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHEIROS CIVIS 8 a 11 de novembro de 2012- SALVADOR/BAHIAera regido por leis físicas e matemáticas. Nos séculos XV e XVI, a engenharia navalsurge em Portugal. Os novos tipos de navios então desenvolvidos, como a caravela, irãoser fundamentais nos grandes descobrimentos marítimos, entre eles o do Brasil.Desde a Antiguidade até o século XV, a investigação científica, inclusive nas ciênciasfísicas e matemáticas, era quase mera especulação, em geral sem ter como alvoaplicações práticas. Havia, quando muito, alguma aplicação com finalidades militares.A Engenharia moderna se caracteriza pela aplicação generalizada dos conhecimentoscientíficos à solução de problemas dedicando-se, basicamente, a problemas da mesmaespécie que a engenharia do passado, porém, com a característica distinta e marcanteque é a aplicação da ciência.O nascimento da Engenharia moderna foi consequência de dois grandes acontecimentosque ocorreram na história da humanidade no século XVIII: a Revolução Industrial naInglaterra e o movimento filosófico e cultural denominado de Iluminismo na França. Namedida em que se desenvolviam as ciências matemáticas e físicas, a Engenharia foi seestruturando, mas somente no século XVIII foi possível chegar-se a um conjuntosistemático e ordenado de doutrinas, que constituíram a primeira base teórica daEngenharia.A Engenharia Civil, a Engenharia Militar e a Engenharia Naval foram as primeiras a sedesenvolver no mundo. A Engenharia Elétrica teve sua origem com as experiências deAlexandre Volta em 1800 e de Michael Faraday, Georg Ohm e outros, bem como com ainvenção do motor elétrico em 1872. O trabalho de James Maxwell e de Heinrich Hertzno final do século XIX deram origem à eletrônica. As invenções de Thomas Savery e deJames Watt deram origem à moderna Engenharia Mecânica. O desenvolvimento demáquinas especializadas e de ferramentas para a sua manutenção durante a RevoluçãoIndustrial levaram ao crescimento acentuado da Engenharia Mecânica. A EngenhariaQuímica - tal como a Engenharia Mecânica - desenvolveu-se no século XIX, durante aRevolução Industrial.Cabe observar que, a partir da Engenharia Militar, começou a desenvolver-seformalmente o ramo da moderna Engenharia Civil. Posteriormente, a Engenharia Civilsubdividiu-se em cinco especialidades tradicionais: 2
  • 18º CBENC- CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHEIROS CIVIS 8 a 11 de novembro de 2012- SALVADOR/BAHIA Engenharia Civil (em sentido restrito) - vocacionada para o projeto e construção de obras públicas e particulares, como infraestruturas, estradas, pontes e edifícios. Engenharia Mecânica - vocacionada para o projeto de sistemas mecânicos, como máquinas e veículos. Engenharia Elétrica - vocacionada para o projeto e o estudo de sistemas de produção e de aplicação da eletricidade, como geradores, motores elétricos e telecomunicações. Engenharia Química - vocacionada para a execução de processos químicos industriais em larga escala, bem como para desenvolver novos materiais e produtos químicos. Engenharia de Minas - vocacionada para o estudo e o desenvolvimento de processos de extração e de processamento de minerais.Paralelamente, algumas das ciências agrárias aproximaram-se da Engenharia eacabaram por nela se integrar, originando especialidades como: Engenharia Agronômica - vocacionada para a concepção e exploração de processos agropecuários. Engenharia Florestal - vocacionada para a exploração das florestas e para a produção de produtos florestais. Engenharia Zootécnica - vocacionada para o desenvolvimento das pecuária.A Engenharia Industrial que, inicialmente era um agrupamento de especialidades,tornou-se ela própria uma especialidade da Engenharia, vocacionada para oaperfeiçoamento de processos e da gestão industrial através da integração dos fatorestecnológicos, humanos e econômicos. Posteriormente, com o rápido avanço datecnologia, foram-se desenvolvendo e ganhando proeminência diversos novos camposda engenharia, como o dos materiais, produção, aeronáutica, computação, informática,eletromecânica, mecatrônica, robótica, nanotecnologia, nuclear, molecular, ambiente,geológica, alimentar e muitos outros.Cabe destacar que a Engenharia Aeronáutica lida com o projeto de aeronaves. Nostempos modernos, começou-se também a designá-la como "Engenharia Aeroespacial",dando ênfase à expansão daquele campo da Engenharia que passou também lidar com oprojeto de veículos espaciais. As suas origens podem ser traçadas desde os pioneiros da 3 View slide
  • 18º CBENC- CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHEIROS CIVIS 8 a 11 de novembro de 2012- SALVADOR/BAHIAaviação na virada do século XIX para o século XX. Durante a Segunda Guerra Mundial,inicia-se o desenvolvimento da Engenharia de Computação. A expansão radical dainformática depois do final da guerra, irá tornar tanto os engenheiros de computaçãocomo os engenheiros informáticos em alguns dos maiores grupos de profissionais daEngenharia. Surgiu também a Engenharia Mecatrônica vocacionada para o projeto e oestudo de sistemas robóticos. Basicamente é a união das engenharias mecânica comeletrônica.2) O futuro da Engenharia no mundo e como ela poderá contribuir para oprogresso da humanidadeO futuro da Engenharia no mundo depende bastante da formação que o engenheirovenha a ter nos anos futuros a ser ministrado pelas escolas de engenharia. Paracontribuir para o progresso da humanidade, seria desejável que a formação doengenheiro do futuro fosse orientada no sentido de que o mesmo adquira uma visãototalizante das engenharias estabelecendo as relações entre as partes e o todo em seuconjunto ao contrário do que ocorre em muitos países do mundo, inclusive no Brasil, naatualidade, que impõe o conhecimento fragmentado de acordo com as especialidades.No momento atual, existe excessiva especialização das áreas de engenharia imposta pelaera industrial. Esta excessiva proliferação de especializações produz engenheiros poucoadaptáveis à era atual, pós-industrial, que podem rapidamente tornarem-se obsoletos.Esta situação é desastrosa na era atual, onde a mudança permanente é a regra. Na eraatual é extremamente recomendável formar um engenheiro básico, tal como o médico eo advogado, e especializá-lo de acordo com as necessidades profissionais. Para formar oengenheiro básico, deve haver a eliminação das atuais especializações na graduação efazer com que estas sejam oferecidas nos cursos de pós-graduação. É preciso fazer,também, com que a educação continuada e a reciclagem sejam partes inseparáveis davida profissional e não uma exceção como ocorre hoje.Para contribuir para o progresso da humanidade, o engenheiro do futuro deveria serpreparado para valorizar os aspectos sociais (o ser humano) e ambientais (a natureza),além dos aspectos técnicos e econômicos, no exercício de suas atividades. Oprofissional da engenharia do futuro deveria ser preparado para assumir sua identidadecom todos os seres humanos procurando não comprometer com suas atividades o futuro 4 View slide
  • 18º CBENC- CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHEIROS CIVIS 8 a 11 de novembro de 2012- SALVADOR/BAHIAplanetário do gênero humano com o desenvolvimento de projetos que atentem contra avida no planeta como, por exemplo, aqueles que agridam o meio ambiente do planeta ealimentam a guerra.O engenheiro do futuro deveria aprender a incorporar as incertezas abordadas pelasvárias áreas da ciência e a delinear estratégias que permitam a sociedade enfrentar osimprevistos, o inesperado como, por exemplo, os terremotos e fenômenos atmosféricos.O engenheiro do futuro deveria adquirir a capacidade de fazer com que a Engenhariacontribua para que as relações humanas no mundo saiam de seu estado bárbaro atual aose opor à guerra e pugnar pela construção de um novo mundo baseado na cooperaçãoentre todos os seres humanos. Finalmente, o engenheiro do futuro deveria contribuirpara que a humanidade se constitua em uma comunidade planetária solidária.Esta proposta de Edgar Morin (antropólogo, sociólogo e filósofo francês, pesquisadoremérito do Centre National de la Recherche Scientifique de Paris e autor de mais detrinta livros), apresentada em sua obra Os sete saberes necessários à educação dofuturo (São Paulo: Editora Cortez, 2011), aplicada ao engenheiro do futuro representa aantítese do método adotado atualmente pelos engenheiros e empresas de engenharia nodesenvolvimento de suas atividades quando, na elaboração de projetos, consideramexclusivamente os aspectos técnicos, incluindo uma margem de segurança para reduziro risco de falha inesperada, e os econômicos visando a redução de custos e/ou amaximização dos lucros.O método atualmente adotado pelos engenheiros e empresas de engenharia traduz umavisão eminentemente tecnocrática porque desconsidera os impactos negativos e oscustos dos projetos do ponto de vista social e ambiental. É inadmissível elaborar, porexemplo, projetos industriais, energéticos, de transporte, etc. sem avaliar os problemasque os mesmos trazem para as populações residentes na área ou fora dela e os riscospara o meio ambiente.Sem esta nova abordagem, os engenheiros e as empresas de engenharia não contribuirãopara o progresso da humanidade. Na grade curricular dos cursos de engenharia ou napós-graduação deveriam ser incorporadas disciplinas relacionadas com as ciênciassociais, o meio ambiente e a gestão, o que significa dizer que o engenheiro do futuro 5
  • 18º CBENC- CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHEIROS CIVIS 8 a 11 de novembro de 2012- SALVADOR/BAHIAdeve ser preparado para fazer com que o seu papel seja capaz de contribuir para oprogresso humano.Existe a tendência de que a engenharia seja totalmente "computer based". Todas asáreas da Engenharia usarão a informática. Os problemas a serem resolvidos serãosistêmicos e as soluções serão multidisciplinares. O projeto de uma edificação, ponte ouqualquer obra de Engenharia será toda feita em computador e todas as variáveis comovento, estrutura, matéria-prima etc., serão testadas e simuladas em sistemas deprocessamento de dados. Um avião, por exemplo, será projetado, "construído" e voarámilhões de horas dentro do computador antes mesmo que uma única peça física desteavião seja fabricada. As obras de engenharia contarão mais com tecnologias cada vezavançadas e sistemas inteligentes de controle computarizado na sua execução.Os profissionais da Engenharia do futuro contarão cada vez mais com novasferramentas para a criação e o desenvolvimento de projetos, execução de obras e outrosserviços de engenharia. Os engenheiros de hoje já dispõem de muitas ferramentas queseriam inimagináveis há dez anos. Isso acontece porque os recursos de computaçãoavançam rapidamente e seu custo chega próximo de zero. Na realidade, a capacidade deprocessamento disponível hoje é quase infinita. A simples ideia de poder fazer mais deuma dezena de projetos alternativos diferentes para uma mesma obra e, em questão deminutos, obter respostas sobre a viabilidade de cada um deles é fantástico. Isso é o tipode coisa que levaria anos para se fazer no passado.Uma das ações muito diretamente ligadas à Engenharia diz respeito à inovaçãotecnológica que pode ser definida como a produção de algo novo que se destina amelhorar ou substituir produtos e serviços utilizados pelo homem. São exemplos deinovações, a máquina a vapor, o trem, o avião, a luz elétrica, o telefone, a internet,produtos farmacêuticos a partir da genética e, recentemente, a nanotecnologia. Hoje, ainovação se desenvolve em milhares de laboratórios de pesquisa equipados commodernos e sofisticados instrumentos e povoados de pesquisadores e técnicos altamentequalificados, sejam de empresas, sejam públicos ou privados.Cabe observar que a velocidade de introdução de novos produtos, processos e serviçosno mercado vem crescendo de tal maneira que há quem afirme que ainda não foraminventados 50% dos produtos que consumiremos daqui a 10 anos. Mais de 80% do 6
  • 18º CBENC- CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHEIROS CIVIS 8 a 11 de novembro de 2012- SALVADOR/BAHIAconhecimento que a humanidade acumula, desde seus primórdios, foram descobertosnos últimos oitenta anos. Assim como é verdade que o processo de inovação se inicianos laboratórios de pesquisa, é reconhecido também que ele se conclui na empresaindustrial, agrícola ou de serviços onde o conhecimento científico se transforma em algoprático, reproduzível em grande escala, capaz de ser utilizado ou consumido pelohomem. Essa etapa é um processo tipicamente conduzido pela Engenharia.3) Perspectivas de evolução da Engenharia no Brasil e como ela poderá contribuirpara o seu progresso econômico e socialA história da arquitetura e da engenharia no Brasil começa em 1549, com a fundação doGoverno Geral e da Cidade do Salvador por Thomé de Souza. O primeiro GovernadorGeral trouxe consigo um grupo de profissionais construtores com a ordem do Rei D.João III para que fizessem “uma fortaleza de pedra e cal e uma cidade grande e forte...como melhor poder ser”. A engenharia entrou no Brasil através das atividades de duascategorias de profissionais: os oficiais-engenheiros e os então chamados mestres derisco construtores de edificações civil e religiosa graças a cuja atividade os brasileirosde então tiveram teto, repartições e templos.O marco fundamental para o ensino superior no Brasil foi a vinda da família realportuguesa para o País, em 1808, fato este que permitiu a criação de diversasinstituições. Em 1810 foi criada a Academia Real Militar, a partir das instalações daReal Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho, cujo objetivo era formar oficiaisde infantaria, de artilharia, de engenharia e oficiais de classe de engenheiros geógrafos etopógrafos, com a incumbência de dirigir sistemas administrativos, de minas, decaminhos, portos, canais, pontes, fontes e calçadas.Ao longo da história da Engenharia brasileira tem sido grande o número de engenheirose empresas, das mais diversas áreas de atividades, que se têm se destacado pelacriatividade e pioneirismo das soluções adotadas nos projetos e nas obras queexecutaram. Da época da instalação das grandes siderúrgicas a partir daindustrialização na década de 1930, que alteraram o modelo e as possibilidades decrescimento do País, da fase da abertura dos eixos rodoviários de penetração, da criaçãode Brasília, na ação desenvolvimentista de Juscelino Kubitschek e da construção dasgrandes barragens na década de 1950, até o completo domínio da tecnologia de 7
  • 18º CBENC- CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHEIROS CIVIS 8 a 11 de novembro de 2012- SALVADOR/BAHIAexploração de petróleo “off shore” na década de 1990, muitas empresas nacionais emuitos engenheiros ajudaram a modernizar e a desenvolver o Brasil.Os engenheiros e empresas de engenharia colaboraram decisivamente para desencadearo processo de modernização do País. Inserem-se aqui também os administradorespúblicos engenheiros que tiveram larga visão e contribuíram para materializar ousadosprojetos de infraestrutura de energia, transportes e comunicações implantados no Brasilnos últimos 60 anos. Cabe lugar de relevo, também, os pioneiros na fabricação demáquinas e equipamentos, além de bens de capital e fornecedores de insumos queajudaram a proporcionar extraordinário impulso à Engenharia e à Construçãobrasileiras. A Engenharia foi, portanto, responsável pela construção do Brasil moderno.Apesar da enorme contribuição da engenharia brasileira à modernização do Brasil, elaprecisa se fortalecer ainda mais para contribuir para o progresso do País. Um dosgrandes desafios para a engenharia brasileira diz respeito à sua contribuição àparticipação do Brasil na corrida à inovação ao nível global. A situação brasileira édesvantajosa porque, enquanto os Estados Unidos, por exemplo, têm 800 mil cientistastrabalhando em pesquisa e desenvolvimento dos quais 81% estão nas empresas, 4% nogoverno e 15% em instituições de ensino superior, o Brasil possui apenas 137 milcientistas dos quais 65% dos pesquisadores estão nas universidades, 27% nas empresase 8% no governo.Estes números mostram que, ao contrário dos Estados Unidos, a contribuição dasempresas em P&D no Brasil é muito pequena. Outro aspecto a considerar é a de que éridículo falar em inovação tecnológica no Brasil com a indústria desnacionalizada e comos seus centros das decisões sobre produção e mercados, situados no exterior, como é ocaso da indústria brasileira. Tudo isto explica porque o Brasil continua sendo um dospaíses menos inovadores do mundo.A indústria desnacionalizada é fator determinante para o Brasil ser um país que investepouco em pesquisa, menos de 1 % do seu PIB, enquanto a maioria dos paísesindustrializados está no patamar médio de 3%. O Brasil investe pouco em educação,algo como 4,5% do PIB, enquanto nos países desenvolvidos esse índice chega a 7% oumais. Além disso, o Brasil ainda tem cerca de 10% de sua população analfabeta, sendoque, dos que leem mais de 30% não sabe interpretar o que leram em uma simples 8
  • 18º CBENC- CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHEIROS CIVIS 8 a 11 de novembro de 2012- SALVADOR/BAHIAmatéria de jornal. São os analfabetos funcionais. Enquanto nos países desenvolvidosesse índice é zero.Para a Engenharia brasileira elevar seu nível de contribuição ao progresso do Brasil, épreciso melhorar a qualidade da educação no País que é muito baixa. Segundo avaliaçãoda OCDE de 2010 – Programa Internacional de Avaliação de Alunos, PISA – o Brasilestá em 55º lugar, entre 65 países analisados. Abaixo do Chile, Uruguai, México eTrinidad e Tobago. Os dois melhores lugares estão ocupados pela China e pela Coréiado Sul. Os alunos brasileiros do nível médio brasileiro ficaram abaixo da média emleitura, matemática e ciência. Ora, são justamente essas disciplinas que representam osfundamentos para a formação do engenheiro.A absorção de conhecimentos nos atuais cursos de engenharia no Brasil não é eficienteporque, além de ter um número excessivo de especializações na graduação, as escolasde engenharia absorvem boa parte dos alunos de nível médio com insuficiência emportuguês, matemática e ciência. No Brasil, os cursos de engenharia deveriam serreestruturados visando formar o engenheiro básico cujas atribuições seriam redefinidaspelo CONFEA e pelo CREA, bem como as atribuições dos mestres e doutores deacordo com sua especialização. Deve-se também incluir a experiência adquirida naeducação continuada.O Brasil precisa equacionar definitivamente a questão da educação em todos os níveisde ensino, fundamento de todas as políticas públicas, a principal delas, a única que podeproduzir cidadãos habilitados a participarem como protagonistas do processo deacumulação e distribuição de riqueza. Daí a importância dos engenheiros, pois elesresumem na sua formação os saberes do que fazer e como fazer, indispensáveis aoprocesso de desenvolvimento de uma sociedade industrial moderna.Outro grande desafio da engenharia brasileira reside no fato de haver insuficiência deengenheiros no Brasil. Segundo dados do Conselho Federal de Engenharia Arquitetura eAgronomia (Confea), existem 712,4 mil engenheiros no país. De acordo com estudo doConselho Nacional da Indústria (CNI), para dar conta da demanda por engenheiros,seria necessário formar 60 mil engenheiros por ano no Brasil. Mas o que acontece noBrasil é que apenas 48 mil obtêm este diploma a cada ano. Segundo o levantamento daCNI iriam faltar 150 mil engenheiros em 2012 no Brasil. Enquanto isto o número de 9
  • 18º CBENC- CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHEIROS CIVIS 8 a 11 de novembro de 2012- SALVADOR/BAHIAdiplomados anualmente na China, Índia, Rússia e Coréia do Sul supera amplamente odo Brasil, conforme demonstra o Quadro 1 a seguir:Quadro 1- Engenheirosformados por anoPaís FormadosChina 400 milÍndia 250 milRússia 100 milCoréia do Sul 80 milBrasil 48 milEm termos de engenheiros, a Coréia do Sul forma todos os anos 80 mil dessesprofissionais, para uma população de 45 milhões de pessoas. O Brasil forma 48 milengenheiros para uma população de 190 milhões. Impressiona também que a cada 150mil estudantes que ingressam no curso de engenharia em nosso país, apenas 48 mil seformam, ou seja, somente 32%. Esta situação resulta da péssima qualidade do ensinomédio, sobretudo em matemática e ciências porquanto os alunos não têm capacidade deacompanhar os cursos.Uma das causas da insuficiência de engenheiros no Brasil resulta, entre outros fatores,da desistência ou evasão dos alunos durante o curso que é muito grande chegando a60%. A evasão acontece no primeiro e no segundo ano principalmente devido ao altocusto de uma faculdade particular e pela formação deficiente em matemática e física doestudante no ensino médio que, em muitos casos, tem dificuldade para acompanhar ocurso.Além da carência de engenheiros, o Brasil forma mais de 77% de engenheiros emapenas quatro especialidades: técnico industrial (339.822, ou 33,87% do total),engenheiro civil (201.290, 20,06%), engenheiro eletricista (122.066, 12,16%) eengenheiro mecânico e metalurgia (109.788, 10,94%). Com a concentração em poucasespecialidades, o mercado fica ainda mais carente em outros nichos. O Instituto de 10
  • 18º CBENC- CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHEIROS CIVIS 8 a 11 de novembro de 2012- SALVADOR/BAHIAPesquisa Econômica Aplicada (Ipea) diagnosticou que o Brasil precisa, especialmente,de engenheiros de minas, de petróleo e gás, navais e de computação.Outra causa da insuficiência de engenheiros no Brasil reside no fato de muitos deles nãotrabalharem na profissão. Segundo o Ipea, em 2008, o número de graduados emEngenharia era de aproximadamente 750 mil profissionais, enquanto que o estoque deempregos formais nas ocupações típicas destes trabalhadores era de 211,7 mil. Emoutras palavras, para cada dois graduados em engenharia trabalhando com carteiraassinada em ocupações típicas de sua formação, há outros cinco em uma das seguintessituações: exercendo outras ocupações, desempregados, exercendo atividades comoprofissionais não assalariados, trabalhando em outros países ou simplesmente fora domercado de trabalho.O Brasil precisa de mais 150 mil engenheiros até o final de 2012, segundo dados daConfederação Nacional da Indústria (CNI), por causa de investimentos no setor deenergia, infraestrutura e a descoberta do pré-sal. Uma das áreas com maior necessidadede profissionais é a de petróleo e gás. O Ipea estima que em 2015, caso o crescimentodo PIB fique em 5% ao ano, serão necessários 1,155 milhões de engenheiros. E, comcrescimento de 7% ao ano, serão necessários 1,462 milhão de engenheiros. A projeçãopara 2022 aponta a necessidade de 1,565 milhões de engenheiros em ocupações típicas.De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o setor de petróleo egás (incluindo-se extração e refino) continuará expandindo sua demanda por essesprofissionais a taxas entre 13% e 19% ao ano. No Brasil, formam-se anualmente 48 milengenheiros em todas as especializações. Segundo os especialistas, nem para todas asáreas do setor de petróleo e gás a formação de engenheiro, mecânico, eletrônico ou deprodução, é suficiente.Para superar o problema da insuficiência de engenheiros no Brasil, o governo lançou,em 2011, o Pró-Engenharia. Elaborado por uma comissão de especialistas nomeada pelaCoordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), o projeto prevêinvestimentos de R$ 1,3 bilhões. O objetivo do projeto é ampliar o número deengenheiros formados no país – a partir de 2016 – e reduzir a taxa de evasão nos cursosde engenharia. Entre 2000 e 2009, o número de formandos de engenharia saltou de 22,8mil para 48 mil. Apesar do crescimento, a participação de engenheiros no universo de 11
  • 18º CBENC- CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHEIROS CIVIS 8 a 11 de novembro de 2012- SALVADOR/BAHIAformados nas universidades brasileiras caiu de 7% para menos de 6%. Como forma decomparação, na China, 35% dos formandos nas universidades são engenheiros; e naCoreia do Sul, 25%.Lamentavelmente, continuamos a ser essencialmente um país de baixo crescimentoeconômico, de baixa escolaridade da mão de obra (oito anos de estudo em média) e dereduzida escala de produção de inovação frente aos demais países industrializados ourecém-industrializados. Embora saibamos extrair petróleo de águas profundas, produzirnavios e aviões, isso ainda é insuficiente para a dimensão das necessidades sociais eeconômicas de nossa população.Para se desenvolver, o Brasil, não pode abandonar a sua Engenharia e, com o melhoruso desta, alavancar seu progresso econômico e social e evitar a eterna dependênciatecnológica em relação ao exterior. O Brasil é plenamente desenvolvido em diferentessetores de Engenharia. Da construção de estradas ao setor energético tudo é possível deser projetado e construído no Brasil. Em alguns setores, inclusive, o Brasil é referênciamundial, como é o caso da descida da Serra da Rodovia dos Imigrantes, ganhadora,recentemente de prêmio Pan-americano de Engenharia, aos programas ligados aoProálcool, à exploração de petróleo em águas profundas, construções de grandeshidroelétricas, como Itaipu, a maior em operação até bem pouco tempo, projetada,construída e montada por empresas brasileiras.4) Porque o futuro é a Engenharia.A Engenharia existe desde os mais remotos tempos. Pode-se afirmar que ela existedesde o aparecimento do homem na face da Terra. Se a entendermos como a arte deusar a técnica para realizar aquilo que a imaginação humana concebe, verificaremosque, enquanto existir a humanidade ela estará presente. A Engenharia, compreendidacomo a arte de fazer, consiste em aplicar conhecimentos científicos e empíricos àcriação de estruturas, processos e dispositivos, que são utilizados para converterrecursos naturais em formas adequadas ao atendimento das necessidades humanas.Na história da ciência, chama-se Revolução Científica o período que começou no séculoXVI com o Renascimento e prolongou-se até o século XVIII com a RevoluçãoIndustrial. A partir desse período, a Ciência, que até então estava atrelada à Filosofia,separa-se desta e passa a ser um conhecimento mais estruturado e prático. O 12
  • 18º CBENC- CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHEIROS CIVIS 8 a 11 de novembro de 2012- SALVADOR/BAHIARenascimento trouxe como uma de suas características a utilização de um senso críticomais elevado e uma maior atenção às necessidades humanas que permitiu ao homemobservar mais atentamente os fenômenos naturais em vez de renegá-los à interpretaçãoda Igreja Católica.Eventos marcantes da Revolução Científica, no início do século XVI, foram apublicação das obras "Das revolucões das esferas celestes" por Nicolau Copérnico e"Da Organização do Corpo Humano" por Andreas Vesalius. A publicação do Diálogosobre os dois principais sistemas do mundo por Galileu Galilei e o enunciado das Leisde Kepler impulsionaram decisivamente a Revolução Científica. Com esta Revolução,os objetivos do homem de ciência e da própria ciência acabaram sendo redirecionadospara uma era livre das influências místicas da Idade Média.Desde o início da Revolução Científica, há aproximadamente quatro séculos, oexercício da Engenharia tem evoluído rapidamente através da crescente utilizaçãosimultânea dos conhecimentos obtidos nas mais diversas áreas das atividadescientíficas. É sabido que a Engenharia está presente em todo o setor produtivo, a saber:nas fábricas, nos canteiros de obras habitacionais e de infraestrutura, nas universidades,nos laboratórios científicos, nos centros de pesquisas tecnológicas, nos transportes, nageração de energia, nas comunicações, na produção de alimentos, entre outrosempreendimentos, e na oferta dos chamados Serviços de Engenharia.As grandes mudanças que vêm ocorrendo na vida das pessoas, no mundo moderno,foram geradas pela tecnologia. A tecnologia de amplo domínio pelos países adiantados éalimentada pelo conhecimento acumulado e os grandes investimentos em pesquisa einovação. A humanidade precisa da Engenharia porque é ela que transforma oconhecimento acumulado em universidades e centros de pesquisa, públicas e privadas,em produtos e serviços disponibilizados à sociedade.Modernamente, são inúmeros os empreendimentos no Brasil e no mundo que contaramcom o decisivo apoio da Engenharia tais como as gigantescas usinas hidrelétricas deTrês Gargantas na China e Itaipu no Brasil/Paraguai, edifícios como o Empire StateBuilding em New York, o Capital Gate na cidade de Abu Dhabi nos Emirados ÁrabesUnidos, o Kingdom Tower, ainda em fase de projeto, que será construído na cidade deJeddah, Arábia Saudita, que deve possuir 275 andares quando estiver pronto, atingindo 13
  • 18º CBENC- CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHEIROS CIVIS 8 a 11 de novembro de 2012- SALVADOR/BAHIAa incrível marca dos 1,6 mil metros de altura, pontes como a mais longa do mundosobre o mar de 36,48 quilômetros construída na cidade litorânea de Qingdao e a Rio-Niterói no Brasil, grandes estádios de futebol, shopping-centers, aeroportos, ferrovias,rodovias e viadutos, navios transatlânticos, navios superpetroleiros e supergraneleiros,aviões a jato, foguetes espaciais, o maior acelerador de partículas e o de maior energiaexistente do mundo localizado em Genebra, Suiça, entre outros.O ser humano tem atualmente ao seu dispor produtos que o conhecimento e a tecnologiase agregam de forma nunca alcançada antes. O futuro aponta agora para a EngenhariaGenética, que associada à informática, oferece enorme possibilidade de contribuiçãopara o problema da fome no mundo. As comunicações instantâneas globais, os novosprodutos químicos e farmacêuticos, a intensificação no consumo e produção de energiae transportes, o aumento da produtividade agrícola, a incrível cooperação tecnológicaacrescentada à medicina, são exemplos flagrantes dessa revolução científica etecnológica.A transformação do conhecimento produzido em laboratórios por profissionais de váriasáreas, inclusive engenheiros, cabe aos engenheiros projetar e realizar. Não é à toa queem todas as definições da engenharia, e são muitas, encontramos as palavras “aplicaçãoprática de princípios científicos visando à transformação da natureza com economia derecursos”. A profissão de engenheiro é tão importante que a China, que vem crescendo àtaxa de 10% do PIB por ano, coloca todos os anos mais de 400 mil engenheiros nomercado.A tecnologia e o conhecimento começam a abrir a cortina de um futuro rico e promissorpara a humanidade. Sua influência sobre o social, o econômico e o político transformarátotalmente a estrutura da nossa sociedade. Os engenheiros são agentes transformadoresdessa nova realidade. É o engenheiro quem transforma o conhecimento desenvolvidonos laboratórios em produtos que vão melhorar a vida das pessoas. É ele, o engenheiro,o elemento principal da revolucionária transformação silenciosa que ocorre no mundomoderno. O compromisso da Engenharia é com o ser humano e com a sociedade.A Engenharia deve ser entendida como uma cultura, aberta para a sociedade, ativa napromoção de seu desenvolvimento procurando como propósito a melhor qualidade devida. Como o desenvolvimento tecnológico depende fundamentalmente da capacidade 14
  • 18º CBENC- CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHEIROS CIVIS 8 a 11 de novembro de 2012- SALVADOR/BAHIAem Engenharia, pode-se afirmar que educação, ciência, engenharia e tecnologia estãointimamente relacionadas. Os engenheiros são os maiores responsáveis pelaconcretização das inovações geradas pela Revolução Científica e Tecnológica ouTerceira Revolução Industrial em curso. A Engenharia é estratégica para o progresso dahumanidade.*Fernando Alcoforado, Doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pelaUniversidade de Barcelona (2003), Graduado em Engenharia Elétrica pela UFBA - Universidade Federalda Bahia (1966) e Especialista em Engenharia Econômica e Administração Industrial pela UFRJ -Universidade Federal do Rio de Janeiro (1971), foi Secretário do Planejamento de Salvador (1986/1987),Vice-Presidente da ABEMURB – Associação Brasileira das Entidades Municipais de Planejamento eDesenvolvimento Urbano (1986), Subsecretário de Energia do Estado da Bahia (1988/1991), Diretor deRelações Internacionais da ABEGÁS - Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Gás Canalizado(1990/1991), Coordenador do Programa Nacional do Dendê- PRONADEN (1991), Presidente do Clubede Engenharia da Bahia (1992/1993), Presidente do IRAE- Instituto Rômulo Almeida de Altos Estudos(1999/2000) e Diretor da Faculdade de Administração das Faculdades Integradas Olga Mettig deSalvador, Bahia (2003/2005). É atualmente professor universitário e consultor de organismos públicos eprivados nacionais e internacionais nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial,planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos. Foi articulista de diversos jornais daimprensa brasileira (Folha de S. Paulo, Gazeta Mercantil, A Tarde e Tribuna da Bahia), publicandoartigos versando sobre economia e política mundial e brasileira, questão urbana, energia, meio ambiente edesenvolvimento, ciência e tecnologia, administração, entre outros temas. É autor dos livros Os FatoresCondicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, Paraná, 2012),Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora eGráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), The Necessary Conditions of the Economic andSocial Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co.KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (P&A Gráfica e Editora,Salvador, 2010), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na EraContemporânea (Empresa Gráfica da Bahia, Salvador, 2007), Globalização e Desenvolvimento (EditoraNobel, São Paulo, 2007), Os Condicionantes do Desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese dedoutorado. Universidade de Barcelona, http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Um projetopara o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), De Collor a FHC- o Brasil e a nova (des)ordem mundial(Editora Nobel, São Paulo, 1998) e Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), entre outros. 15