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Mundialização e globalização

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  • 1. Mundialização e globalizaçãoMuito boa gente faz hoje uma enorme confusão entre Mundialização e Globalização e paraque as dúvidas sejam desfeitas, eis como eu entendo e vejo estes dois fenómenossócio/económicos e culturais:Mundialização é um processo de aproximação entre homens quotidianamente inseridos emespaços geográficos diferentes. Aproximação que pode assumir múltiplas formas: daviabilidade de contacto pessoal á comunicação escrita; da troca de mercadorias produzidas poruns e outros á troca de informações, etc.. Assim sendo, podemos dizer que a mundialização éum processo que se iniciou nos primórdios da humanidade, com avanços e recuos, mastendencialmente crescente, manifestando-se de forma desigual nas diversas regiões domundo.Globalização é a maneira como a sociedade actual, etiquetada de “aldeia global”, estácondicionada pelo poder económico. Ou seja, é uma certa fase da mundialização mas comuma certa especificidade e que se caracteriza pelo reforço da ideologia neoliberal, peloaumento do capital fictício até níveis nunca anteriormente atingidos, num contexto dearticulação e mundialização acelerada dos mercados financeiros e pela adopção de políticaseconómicas, nacionais e internacionais, que reforçam o papel das multinacionais,empresarizam a economia mundial e dificultam a resistência dos povos.A história da globalização é a história da alteração quantitativa e qualitativa da financeirização,em que grande parte das operações são de capital fictício, isto é, de compras e vendas detítulos e divisas sem qualquer tipo de ligação, directa ou indirecta, aos processos produtivos.Periodizando-a, podemos datá-la para seu início os anos 80 do século XX. Para tal contribuíramdois aspectos particularmente relevantes: o advento da microinformática, a integração dasdiversas formas de informação e as redes de telecomunicações, por um lado, e o fim dosocialismo na Europa e na URSS e a tendência da hegemonização do capitalismo à escalamundial. São dois fenómenos de natureza diferente, mas que estão, ou podem estar,intimamente associados.É minha convicção que a mundialização é inevitável e a globalização não o é. Não o é na suaexistência e nas formas que assume.Se assim pensarmos, esta não condenação á globalização, a que parece estar todo o mundopolítico e económico convencido do contrário, podia e permitia que fossem libertadas energiassociais, vontades políticas e lucidez intelectual para combater esta crise.É bom que não tenhamos dúvidas que globalização é capitalismo – e frequentemente umcapitalismo com uma forma de actuação brutal, para além de ser também uma fase deimperialismo.

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