Oficina de análise de imagem

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Oficina de análise de imagem: a imagem como narrativa, reflexo, enigma, memória, como realidade construída, imagem-conceito.

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  • Material organizado para alunos do curso de Graduação em Design mas, aplicável a áreas afins: Artes, Comunicação, Pedagogia, História. A leitura será feita a partir de conceitos básicos da semiótica. A sequência apresentada foi inspirada no livro do Alberto Manguel – LENDO IMAGENS.
  • Iniciamos pela apresentação etimológica da palavra IMAGEM. O dicionário de filosofia do Abbagnano, foi a referência principal.
  • Análise mais voltada para a imagem como instrumento de propaganda e dispositivo de consumo.
  • Reflexões aqui podem ser aprofundadas com o livro do Almeida (Imagens e Sons...), que traz uma leitura crítica sobre o uso da imagem na propaganda e na cultura contemporânea, de uma forma geral.
  • O exercício consiste em observar e comentar sobre propagandas impressas contidas em jornais, revistas, e outros meios gráficos ou digitais. E questionar-se sobre o poder que essas imagens têm, a quem se destina (que tipo de público), qual o apelo contido nela, que produtos ou ideias está vendendo. E que elementos podemos identificar na imagem que nos levam a fazer essas leituras.
  • Após analisar as imagens apresentadas, selecionar uma para o próximo exercício.
  • A imagem passa uma narrativa. Podemos criar uma história a partir de uma imagem que vemos. Os próximos slides apresentam inicialmente uma palavra e depois uma imagem. A ideia é imaginar o que a palavra passa e depois, comparar com a imagem apresentada. Cada um construirá uma imagem diferente para a palavra, diferente da imagem apresentada. Isso mostra o quanto a imagem direciona a imaginação, e a palavra, a deixa mais livre.
  • Imagine o que a palavra está trazendo.
  • Seria essa a mulher que você imaginou? E o que essa imagem de mulher está dizendo? Que mulher é essa? A que cultura pertence? Que modelo de mulher ela está passando? A quem se direciona essa propaganda?
  • Imagine a palavra.
  • Foi essa imagem que você viu?
  • E agora essa? Imagine...
  • Sua rosa era essa?
  • E esta palavra, o que lhe passa?
  • Foram esses os seus espinhos?
  • Depois desse jogo de imagem e palavra, voltamos aos recortes do exercício anterior. Agora a sugestão é uma atividade em grupo. Cada grupo irá colar os seus recortes, analisar e criar um texto para a sequência de imagens. Depois de concluído o trabalho, podem fazer uma apresentação para o restante da turma e deixar os cartazes expostos. Tempo médio para a produção (dependendo da turma com a qual se trabalha): 15 minutos.
  • Essa parte da análise acompanha leituras simbólicas dos elementos das imagens. Podem ser feitos especialmente com obras de arte, onde encontramos uma descrição do significado das cores, dos elementos, ou mesmo da propaganda, seguindo conceitos similares ou próprios da semiótica.
  • Esta é uma escultura em bronze, de uma figura feminina, datada do final do século XIX e início do século XX, localizada no Centro Cultural Palácio Rio Negro, no Centro Histórico de Manaus. Mede aproximadamente 1,30cm.
  • O exercício consiste numa leitura simbólica de cada um dos elementos que esta escultura apresenta. Esta leitura está baseada principalmente em pesquisas feitas em dicionários de símbolos.
  • Foram feitos 7 ângulos, apresentando 7 detalhes diferentes da peça. 1) e 2) na parte da cabeça são encontradas serpentes e uvas. Podemos ler como uma referência à medusa e à Baco, deus do vinho. Logo, duas divindades que denotam encantamento e festa, orgia. 3) e 4) no braço esquerdo, apoiado na cintura, visto frontalmente temos uma serpente e uma máscara de teatro. Podemos ler como veneno e disfarce. 5) nesta mão esquerda, vista posteriormente, temos um fruto, ou maça. Juntando a leitura da serpente, da figura feminina desnuda, podemos ler como uma referência à Eva e ao fruto proibido. 6) a figura traz um colar com um pingente em forma de caveira e uma serpente no pescoço. Caveira nos remete simbolicamente à inteligência e morte. E por fim, no detalhe 7, o braço direito da imagem traz um punhal, que só pode ser visto na parte posterior. Poderia ser lido como uma arma que está escondida quando se olha a figura frontalmente. Vista de frente, a imagem feminina atrai pela nudez. Olhada em detalhes, pode representar o pensamento masculino em relação à mulher nessa passagem do século XIX para o século XX, quando a mulher era vista como este ser misterioso, capaz de enfeitiçar o homem, a fêmea fatal.
  • Nesta parte, as imagens foram coletadas da internet, de cenas reais de países da África. A imagem aqui está testemunhando a realidade de milhares de famílias. A ideia é mesmo causar impacto e refletir sobre o que cada imagem está mostrando.
  • Seria essa uma escola? Uma forma de aprender?
  • Em busca de alimento.
  • O que está sendo medido aqui?
  • Essa imagem dói?
  • E esta, o que nos diz? Geralmente a imagem de uma criança simboliza esperança, futuro, possibilidade. E aqui?
  • Criatividade? Necessidade?
  • Sono ou morte?
  • Nenhuma imagem é neutra. Todas estão carregadas de ideologias. E cada uma reflete a ideia de quem a tirou. E a leitura sempre será feita a partir do olhar e da experiência de quem lê.
  • Se estiver apresentando ou vendo o material de uma única vez, aqui vai a sugestão de uma pausa.
  • Aqui começa um exercício do espelho.
  • O exercício consiste em cada um abrir e olhar o que há numa caixa fechada. Observar a imagem que aparece, sentar e escrever sobre o que viu. Não pode comentar antes que todos terminem (se for em uma turma). No fundo da caixa, está um espelho e cada um verá uma imagem diferente, porque verá seu próprio rosto refletido.
  • As imagens a seguir foram retiradas do livro da Kátia Canton – ESPELHO DE ARTISTA (AUTO-RETRATO). E a atividade consiste em observar cada um dos auto-retratos e comentar sobre a imagem que cada artista tem de si mesmo, como se representam, que traços da sua personalidade passam pela imagem.
  • Aqui, a imagem é apresentada como fragmento de memória, ou suporte de memória. A partir da imagem vista, as memórias são revisitadas. A imagem como dispositivo de memória.
  • Foto das ruínas do Coliseu, em Roma. Que memórias esta imagem nos traz? Memória vividas e memórias aprendidas (já que conhecemos muito sobre os monumentos do mundo todo através dos livros, da internet, etc).
  • Foto do Partenon, na Acrópole de Atenas. O que esta imagem nos faz lembrar?
  • Um postal antigo de Manaus, retratando o cinema Odeon.
  • Um monumento localizado no Centro Histórico de Manaus, que foi destruído restando apenas a herma (tipo de busto) que encima o monumento. Essa imagem traz alguma memória? Se você conhece a cidade de Manaus, reconhecerá ao menos a Igreja da Matriz ao fundo.
  • Aqui podemos refletir sobre palavra e imagem. Nós criamos uma realidade com a imagem e essa realidade é possível de ser compartilhada.
  • Por esse aspecto, a imagem é tão usada na propaganda.
  • E se estamos vendo, estamos diante de uma realidade. Por isso a imagem é uma realidade criada.
  • O desenho dos 101 dálmatas pode render reflexões sobre o preconceito, dentro de uma visão marxista. Existem trabalhos escritos que tratam do tema.
  • Aqui, as referência são o livro O CINEMA PENSA, onde o autor apresenta a categoria CONCEITO-IMAGEM, dizendo que não só a palavra pode expressar conceitos, descrevê-los mas, a imagem é já um conceito, uma vez que explora formas de pensar e ver o mundo. O livro traz a análise de vários filmes a partir de correntes filosóficas, da filosofia grega à contemporânea.
  • Aqui usei as primeiras cenas de HOJE É DIA DE MARIA, buscando analisar os conceitos presentes nas imagens, da menina Maria, do figura do pai, da madrasta, da iluminação de fim de tarde, etc.
  • Nós vemos a partir do que aprendemos e conhecemos com nossa experiência. Nosso olhar é sempre temporal e cultural, pertence a um tempo e a um lugar.
  • Oficina de análise de imagem

    1. 1. IMAGEM Uma Construção Semiótica
    2. 2. Como você define IMAGEM? <ul><li>Do latim: Imago </li></ul><ul><li>Semelhança ou sinal das coisas, que pode conservar-se independentemente das coisas. </li></ul><ul><li>Aristóteles dizia: </li></ul><ul><ul><li>As imagens são como as coisas sensíveis, só que não têm matéria. </li></ul></ul><ul><li>Hoje: O mesmo que idéia ou representação. </li></ul><ul><li>(Abbagnano, 2000) </li></ul>
    3. 3. A imagem como propaganda
    4. 4. A imagem na propaganda <ul><li>Na publicidade contemporânea, a imagem é presença obrigatória. </li></ul><ul><li>Na publicidade, as imagens sugerem o que devemos fazer, o que devemos necessitar, o que devemos valorizar ou desejar. </li></ul><ul><li>Moldam pensamentos e comportamentos. </li></ul>
    5. 5. Exercício 1 Análise de Imagem na Propaganda
    6. 6. Exercício 2: Jogo das Imagens <ul><li>Escolha uma imagem qualquer da revista; </li></ul><ul><li>Recorte; </li></ul><ul><li>Guarde... </li></ul><ul><li>Aguarde... </li></ul>
    7. 7. A imagem como narrativa
    8. 8. Mulher
    9. 9. Mulher
    10. 10. Gatos
    11. 11. Gatos
    12. 12. Rosa
    13. 13. Rosa
    14. 14. Espinho
    15. 15. Espinho
    16. 16. Jogo das Imagens <ul><li>Retomando os recortes </li></ul><ul><li>Trabalho em grupos </li></ul>
    17. 17. A imagem como enigma
    18. 19. Exercício 3 Em busca de significados...
    19. 21. A imagem como testemunho
    20. 22. Exercício 4 Escrever o que a imagem desperta
    21. 30. O que uma imagem é capaz de provocar?
    22. 31. <ul><li>Pausa! </li></ul>
    23. 32. A imagem como reflexo
    24. 33. Exercício 5 Caixa-surpresa! Descreva o que você viu na caixa.
    25. 34. ESPELHO DE ARTISTA Auto-retrato
    26. 35. Pedro Américo - 1893
    27. 36. Modigliani - 1919
    28. 37. Benedito Calixto - 1923
    29. 38. Antonio Gomide - 1930
    30. 39. Flávio de Carvalho - 1965
    31. 40. José Antonio da Silva - 1958
    32. 41. José Antonio da Silva - 1955
    33. 42. Yolanda Mohalyi Yolanda jovem - 1940 Yolanda adulta - 1946 Yolanda madura - 1948
    34. 43. Anita Malfatti - 1922
    35. 44. Tarsila do Amaral - 1923
    36. 45. Alberto da Veiga Guignard - 1931
    37. 46. Karl Schimidt-Rottluff – s/d
    38. 47. Mário Zanini – s/d
    39. 48. Ismael Nery – s/d
    40. 49. Edgard de Souza - 1995
    41. 50. Marc Chagall - 1914
    42. 51. Alex Flemming - 1998
    43. 52. Lourdes Colombo - 1987
    44. 53. Rodrigo Cunha - 2000
    45. 54. A imagem como memória
    46. 59. A imagem como realidade criada
    47. 60. Imagem x Palavra <ul><li>“ A palavra evoca algo que está ausente; </li></ul><ul><li>A imagem é (já) presença, aqui e agora.” </li></ul><ul><li>(Rossi, 2006) </li></ul><ul><li>“ As imagens e os movimentos sonorizados do cinema e da televisão têm um grau forte de ”realidade”. Realidade no sentido de que aquilo que a pessoa está vendo “é” mais do que “parece ser”. (Almeida, 2004) </li></ul>
    48. 61. <ul><li>“ Na projeção de um filme ou na televisão qualquer coisa ou pessoa que apareça está sendo vista e não lida ou escutada. Existe porque está sendo vista.” </li></ul><ul><li>(Almeida, 2004) </li></ul>
    49. 62. Um desenho, muitas histórias...
    50. 64. A imagem como conceito ou CONCEITO-IMAGEM
    51. 65. Hoje é dia de Maria Linguagens artísticas e significados simbólicos
    52. 66. <ul><li>A nossa visão está impregnada de experiências anteriores, associações, lembranças, fantasias, interpretações; está comprometida com nosso passado, com nossa época e lugar, com nossos referenciais . </li></ul>
    53. 67. <ul><li>O que se vê não é o dado real, mas aquilo que se consegue captar, filtrar e interpretar acerca do visto, o que nos é significativo. </li></ul>
    54. 68. <ul><li>Assim, a leitura de uma imagem é uma aventura em que cognição e sensibilidade se interpenetram na busca de significados, lançando múltiplos olhares sobre um mesmo objeto. </li></ul><ul><li>(Pillar, 2006) </li></ul>
    55. 69. Referência bibliográfica <ul><li>ALMEIDA, Milton José de. Imagens e Sons: a nova cultura oral. São Paulo: Cortez, 2004. </li></ul><ul><li>CABRERA, Julio. O Cinema Pensa. Rio de Janeiro: Rocco, 2006. </li></ul><ul><li>CANTON, Kátia. Espelho de Artista (auto-retrato). São Paulo: Cosac Naify, 2004. </li></ul><ul><li>MANGUEL, Alberto. Lendo Imagens. São Paulo: Companhia das Letras, 2001. </li></ul>
    56. 70. <ul><li>ROSSI, Maria Helena Wagner. Imagens que falam: leitura da arte na escola. Porto Alegre: Mediação, 2006. </li></ul><ul><li>PILLAR, Analice Dutra. A Educação do Olhar: no ensino das artes. Porto Alegre: Mediação, 2006. </li></ul><ul><li>Oficina preparada por Evany Nascimento – arte-educadora. [email_address] </li></ul><ul><li>Paneiro.blogspot.com </li></ul>

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