UNIVERSIDADE PAULISTA                   Eva Aparecida de Gois Caio                TECNOLOGIA E EDUCAÇÃO“FORMAÇÃO DE PROFES...
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GOIS CAIO, Eva aparecida de.    “Formação De Professores do Ensino Superior diante dos Novos Paradigmas Educacionais    no...
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DEDICATÓRIA  Dedicado aos que desejam, acreditam e buscam por meios de alcançar a excelência na                         ed...
AGRADECIMENTOS Agradeço aos meus pais, João Caetano de Góis e Irene de Góis, alguns amigos e ao meuesposo, Fábio Aparecido...
A educação é uma coisa admirável,                   mas é bom recordar que             nada do que vale a pena saber      ...
RESUMOMuitas mudanças ocorreram através da história no quadro educacional brasileiro, traduzindo a dinamicidadesocial vinc...
ABSTRACTMany changes have occurred throughout history in Brazilian education, reflecting the social dynamics linked tochan...
SUMÁRIOINTRODUÇÃO ...........................................................................................................
7INTRODUÇÃO         A atuação profissional de qualidade realizada pelo professor está intimamente ligadaà metodologia esco...
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9         Conhecer as tecnologias educacionais é um dos pontos necessários para que estasnovas indicações legais se cumpra...
10uma indicação do que pode ser feito através desta máquina – que não deve vir para substituiro homem, mas para auxiliar s...
CAPÍTULO I: DOS INCENTIVOS E INDICAÇÕES LEGAIS          A educação precisa mudar, acompanhar a sociedade em que está inser...
12                             Tendo em vista o quadro atual da educação no Brasil e os compromissos assumidos            ...
131.1 – Do direito ao Ensino Superior que favoreça a implantação de Tecnologias naEducação        A fim de planejar a dist...
14         É necessário que os docentes tenham formação para utilizar novos recursos em suasatividades educativas cotidian...
15                        Art. 43. A educação superior tem por finalidade: I - estimular a criação cultural e o           ...
16                         a vida, abrindo as portas aos adultos que desejem retomar seus estudos, adaptar e              ...
17fundamental de inclusão social. Diante da escolha uma profissão, ou mesmo perante anecessidade de se auto-sustentar (ou ...
18                       sabedoria de uma instituição escolar que estabelecessem diretrizes de conhecimento               ...
19Público (...) que conduzam a, entre outros: (...) III – melhoria de qualidade do ensino; IV –formação para o trabalho; V...
CAPÍTULO II: ALGUNS CONCEITOS E REFLEXÕES SOBRETECNOLOGIA E EDUCAÇÃO        A Tecnologia nem sempre está disponível aos ci...
212.1 – TICS – Tecnologias da Informação e Comunicação         Antes das atualmente famosas tecnologias da informação e da...
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23        Justamente por não ser esta época igual a nenhuma outra do passado, nãodesencadeará no futuro nada similar ao qu...
24         Essa utilização das Tecnologias de Informação e Comunicação dão um caráter ainda maisparticular para tais inova...
25compreender as mudanças sociais e quais suas ações necessárias para contribuir com ainserção social de seu aluno, nos di...
CAPÍTULO III: O PROFESSOR DO ENSINO SUPERIOR NASOCIEDADE DA INFORMAÇÃO        O princípio de todo o processo educativo for...
27As transformações sociais são muitas e em todos os sentidos, caracterizando a sociedadecontemporânea como complexa e inc...
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32                        III – Empenhar-se em prol do desenvolvimento do aluno, utilizando processos que                 ...
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Universidade paulista formação de professores e o ensino superior diante dos novos paradigmas educacionais no século xxi 1...
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Universidade paulista formação de professores e o ensino superior diante dos novos paradigmas educacionais no século xxi 12_06_2010

  1. 1. UNIVERSIDADE PAULISTA Eva Aparecida de Gois Caio TECNOLOGIA E EDUCAÇÃO“FORMAÇÃO DE PROFESSORES DO ENSINO SUPERIOR DIANTE DOS NOVOS PARADIGMAS EDUCACIONAIS NO SÉCULO XXI” Estância Turística de Piraju 2010
  2. 2. UNIVERSIDADE PAULISTA Eva Aparecida de Gois Caio TECNOLOGIA E EDUCAÇÃO“Formação De Professores do Ensino Superior diante dos Novos Paradigmas Educacionais no Brasil no Século XXI” Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Universidade Paulista – UNIP, como parte dos requisitos para Obtenção do título de Especialista em Formação de Professores para o Ensino Superior, sob orientação da Profa. Me. Haydée Diva Traldi Meneses. Estância Turística de Piraju – SP 2010
  3. 3. GOIS CAIO, Eva aparecida de. “Formação De Professores do Ensino Superior diante dos Novos Paradigmas Educacionais no Brasil no Século XXI” Eva Aparecida de Gois Caio. 2010. 59 f(folhas). : il. ; 30 cm. Trabalho de Conclusão de Curso (Especialista em Formação de Professores para o EnsinoSuperior) Universidade Paulista – UNIP - Pólo Piraju, 2010. Não contém anexos. Orientadora: Profa Me. Haydée Diva Traldi Meneses 1. Tecnologia na Educação 2. Formação de Professores 3. Novos Paradigmas Educacionais do Século XXI 4. Novas metodologias de Ensino 5. Sociedade da Informação CDD:
  4. 4. Eva Aparecida de Gois Caio TECNOLOGIA E EDUCAÇÃO “Formação De Professores e o Ensino Superior diante dos Novos Paradigmas Educacionais no Brasil no Século XXI” Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Universidade Paulista – UNIP, como parte dos requisitos para Obtenção do título de Especialista em Formação de Professores para o Ensino Superior, sob orientação do Profa. Me. Haydée Diva Traldi Meneses.APROVADO EM:____ / ____ / ____ BANCA EXAMINADORA __________________________ Profa. Or. Me. Haydée Diva Traldi Meneses ___________________________ Prof. Me. ____________________________ Prof. Me.
  5. 5. DEDICATÓRIA Dedicado aos que desejam, acreditam e buscam por meios de alcançar a excelência na educação, ainda que na adversidade.Aos que se dedicam à construírem uma sociedade mais integrada, justa e digna em todos os setores, através do trabalho educacional.Aos que promovem mudanças em suas atitudes e instigam a melhoria da qualidade de vida. Aos que contribuíram para a realização deste trabalho, ressaltando minha família.
  6. 6. AGRADECIMENTOS Agradeço aos meus pais, João Caetano de Góis e Irene de Góis, alguns amigos e ao meuesposo, Fábio Aparecido de Gois Caio, pelo apoio e incentivo em todos os momentos, pela parceria, companheirismo e manifestação de carinho a cada instante da realização da pesquisa e elaboração da monografia.Agradeço também à tutora Luciana, que me auxiliou em todos os momentos de dúvida em relação ao curso como um todo e, especialmente, ao trabalho monográfico.
  7. 7. A educação é uma coisa admirável, mas é bom recordar que nada do que vale a pena saber pode ser ensinado. Oscar WildeO que é ensinado em escolas e universidades não representa educação, mas são meios para obtê-la. Ralph Emerson
  8. 8. RESUMOMuitas mudanças ocorreram através da história no quadro educacional brasileiro, traduzindo a dinamicidadesocial vinculada à alterações em ambientes escolares. Professores mudam suas formas de ensinar, os alunosaprendem de maneiras diferentes, ambos constroem juntos o conhecimento até então não percebido, e isto tudoacontece contemporaneamente devido à evolução, invenção e ampliação de acesso às tecnologias de informaçãoe comunicação (TICs), representadas principalmente pelo computador conectado à internet, que permitemdifusão e disponibilidade de dados a todos, cotidianamente, e que deve auxiliar as atividades escolares em todosos momentos. Ao professor, neste contexto, cabe educar-se continuamente para atender à demanda e ànecessidade educacional de seu tempo, aproximando-se dos alunos e fazendo destas ferramentas disponíveis suasaliadas no processo ensino-aprendizagem, pois estará imergindo no mundo real de seus alunos, aproximando oconhecimento sistematizado da vida particular dos mesmos, dando significado às atividades realizadas nasescolas. Claramente, como se ensina de modo diferente, também modifica-se a forma de avaliar, os instrumentosde ensino são outros e os de avaliação também – não se deve julgar o conteúdo reproduzido pelo aluno, mas suaformação global em relação ao conteúdo trabalhado. A modernização e adequação da educação, conforme oespaço e o tempo histórico em que ela acontece, contribui para a melhoria da qualidade do processoensino/aprendizagem e seus resultados finais, mas para isso precisa acontecer de modo consciente, através docompromisso docente de formar seres autônomos e capazes de inserir-se na sociedade como um todo, inclusiveno mercado de trabalho. Professores diante de novos paradigmas precisam demonstrar sua atitude de busca daprópria formação para melhor formarem seus alunos, aprender de uma maneira diferente e autônoma para formarseres igualmente independentes segundo novas metodologias, críticos, reflexivos – outros futuros formadores deopinião; Deste modo os docentes universitários, não apenas estarão atendendo a uma exigência legal, masfavorecendo seus alunos e o desenvolvimento de seu próprio trabalho. Reflexões sobre este assunto e acomprovação das necessárias mudanças educacionais são a essência desta monografia, e acontecerão pelolevantamento bibliográfico e análise de literatura pertinente ao tema.Palavras Chave: Tecnologia na Educação; Formação de Professores; Novos Paradigmas Educacionais doSéculo XXI; Novas metodologias de Ensino; Sociedade da Informação
  9. 9. ABSTRACTMany changes have occurred throughout history in Brazilian education, reflecting the social dynamics linked tochanges in school environments. Teachers change their ways of teaching, students learn in different ways, bothconstruct knowledge together hitherto perceived, and it all happens simultaneously due to the evolution,invention and expansion of access to information and communication technologies (ICTs), mainly representedby Internet-connected computer, enabling data availability and dissemination to everyone, everyday and thatshould help the school activities at all times. The teacher in this context it educate themselves continuously tomeet demand and the educational need of their time, approaching the students and making these tools availablein their allied teaching-learning process, because you will be immersed in the real world of their students byclosing the knowledge on the private life of them, giving meaning to the activities performed in schools. Clearly,how to teach differently, also changes to how to assess the teaching tools are others and the assessment as well -you should not judge the content played by the student, but his comprehensive training on the content worked.The modernization and adaptation of education, as space and time in history when it happens, helps to improvethe quality of teaching / learning process and its outcomes, but for that to happen consciously, through thecommitment of teachers to form beings autonomous and able to enter into society as a whole, including the labormarket. Teachers facing new paradigms need to demonstrate their attitude to search the very best training forgraduate students, learn differently and to form autonomous beings equally independent in accordance with newmethodologies, critical, reflexive - other future opinion makers; Thus teachers university, not only will be givena legal requirement, but encouraging their students and develop their own work. Reflections on this subject andproof of necessary educational changes are the essence of this monograph, and will happen by the literaturereview and analysis of literature concerning the theme.Keywords: Technology in Education, Teacher Education; new educational paradigms of the XXI Century, newteaching methodologies; Information Society
  10. 10. SUMÁRIOINTRODUÇÃO ...................................................................................................................07CAPÍTULO I – Dos incentivos e indicações Legais..........................................................111.1 – Do direito ao Ensino Superior que favoreça a implantação deTecnologias na Educação ......................................................................................................131.2 – Inclusão Digital na Educação para Formação Cidadã e Inclusão Social......................16CAPÍTULO II – Alguns conceitos e reflexões: Tecnologias educacionais na Sociedade da......................................................................................202.1 – TICS – Tecnologias da Informação e Comunicação....................................................212.2 – Sociedade da Informação..............................................................................................222.3 – As Tecnologias Educacionais.......................................................................................24CAPÍTULO III – O professor do Ensino Superior e os Novos Paradigmas Educacionais .......................................................263.1 – Introdução de novas tecnologias na educação..............................................................283.2 – O novo papel do professor universitário na sociedade contemporânea........................303.2.1 – Formação Continuada para uma Educação de Qualidade..........................................343.2.2 – O Computador como Ferramenta de Ensino..............................................................373.2.3 – A Internet como aliada do processo educacional.......................................................403.2.4 – Novas formas de ensinar, novas perspectivas para avaliar........................................44CAPÍTULO IV: Novos paradigmas educacionais e a Educação à Distância no Ensino Superior............................................474.1 – Os novos paradigmas educacionais e o ensino superior...............................................484.2 – A Educação à distância como aliada à transformação do ensino superior...................50CONCLUSÃO......................................................................................................................54REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...............................................................................57
  11. 11. 7INTRODUÇÃO A atuação profissional de qualidade realizada pelo professor está intimamente ligadaà metodologia escolhida por ele para envolver os alunos no processo ensino-aprendizagem deseu ambiente acadêmico, a sala de aula, e isto é válido para todos os níveis de ensino. Formar professores que, ao se formarem, trabalhem do mesmo modo como os seus ofizeram não é suficiente para satisfazer as necessidades da sociedade contemporânea. Avelocidade da mudança de conceitos, paradigmas e tendências educacionais acompanham adinamização da sociedade e a descoberta (evolução em alguns casos) de novas tecnologias, eestas avançam amplamente na área de informação e comunicação. Conhecer estesfundamentos é essencial para uma educação de qualidade. Essas TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação) fazem parte do cotidiano detodos os homens e mulheres do século XXI, desde ao acordar pela manhã com umdespertador e assistir a um telejornal, ou folhear uma revista no trabalho, ouvir um programade emissora de rádio pelo aparelho do carro, receber torpedos no celular, até realizarpesquisas pela internet, entre outros. A informação está disponível a todo o momento, bastaum toque. Através da comunicação facilitada pelas TICs o acesso constante à informações tornadesnecessária a função de transmissor do conhecimento pelo docente, dando a esteprofissional um outro papel, o de mediador do conhecimento. Assim, ele não mais dirá o quedeve ser aprendido, mas como aprender, onde buscar os dados necessários para a construçãodo conhecimento. Para tanto, é preciso instigar nos alunos o desenvolvimento da crítica à informação,pois sem devida análise dos dados pode-se construir um conhecimento deturpado dedeterminada realidade: os questionamentos não apenas podem ser feitos como sãofundamentais na seleção de informações e na criação de novos conceitos, novas possibilidadesde trabalho e de vida social. Torna-se, assim, imprescindível que se reflita e se discuta sobre o novo papel doprofessor, sobre a formação que este deve ter desde universitário, a fim de que consigamformar alunos de acordo com o que a sociedade contemporânea precisa: capazes de buscardados e informações, de aprenderem a fazer sozinhos, de conviverem com o outro e a seremcidadãos. Neste sentido vale lembrar os quatro pilares da educação: aprender a aprender, a
  12. 12. 8fazer, a ser e a conviver, citados no livro “Educação, um tesouro a se descobrir”, organizadopor Dellors (1998) e publicado pela UNESCO, um dos estudiosos cujo trabalho servirá debase a este trabalho monográfico, cujo objetivo é tratar da formação de professoresuniversitário para a educação do Século XXI sob novas perspectivas e paradigmas, aptos atrabalhar com as novas tecnologias com seus futuros alunos, tanto os alunos de fundamental emédio quanto os graduandos de faculdades. Um professor que não consegue reconhecer a necessidade de mudar sua práticapedagógica em função das mudanças sociais, que mantém seus objetivos imbricados nopassado, não pode mais ser um profissional admitido entre o holl de bons professores. Épreciso haver um embasamento teórico-filosófico que norteie a ação dos professores, que nãopodem deixar de formar-se continuamente se quiserem exercer bem sua atividade: Aformação continuada permite ao professor entender as mudanças sociais e os reflexos que estatraz para a sala de aula, refletidas pelas ações e desejos dos alunos. É preciso que o professor se aproxime da realidade do aluno que manipula as TICsmuito mais que ele mesmo, em muitos casos, e faça dessa proximidade um trunfo para buscarnovos meios de ensinar e aprender. A tecnologia vem auxiliar o trabalho do professor demodo a motivar o aluno a fazer algo novo de nova maneira, e não insistir em fazer de mododiferente coisas velhas. A escola reflete a sociedade em seu tempo e espaço: ela não podeensinar neste século com os mesmos objetivos e com a mesma metodologia do séculopassado, isso não atrai os alunos, não os envolve, não os motiva, eles não se comprometem enão aprendem. O objetivo da educação, hoje, não é mais reproduzir o conhecimento, mas criar umnovo com base nos que se possui, acrescentando sempre – diferente do ensino tradicional depouco tempo atrás. Entretanto, não apenas os professores conseguirão transformar o quadroatual da educação, embora sejam peças fundamentais para a mudança, o poder para tanto nãolhes cabe. O professor pode ter certa autonomia em sala, mas efetivas mudanças acontecerãose envolverem-se todas as esferas da sociedade, principalmente as governamentais. Neste contexto, o Governo Federal, diante de discussões internacionais e nacionaisveio a alterar a regulamentação educacional no fim do século XX, para implantar, há longoprazo, durante o Século XXI, as diretrizes concebidas como pertinentes. Estão entre taisregulamentações as Leis de Diretrizes e Bases para a Educação Nacional e os ParâmetrosCurriculares Nacionais, dentre outros textos legais, que serão abordados no Primeiro Capítulodeste trabalho, assim como a necessidade de um Ensino Superior de melhor qualidade.
  13. 13. 9 Conhecer as tecnologias educacionais é um dos pontos necessários para que estasnovas indicações legais se cumpram, que as metodologias sejam adequadas de modo a atendera chamada Sociedade da Informação. Para isso é imprescindível que alguns termos, conceitose reflexões acerca da introdução de tecnologias educacionais no processo educativo sejamentendidos, refletidos e, posteriormente, postos em prática para afastar o fracasso do processoensino-aprendizagem do Século XXI. Estes termos serão discutidos no Segundo Capítulo. O aprendizado do aluno universitário deve ser voltado para sua independência, parasua auto-avaliação e sua formação integral para que ele se insira na sociedade como umcidadão ativo, um profissional capaz de exercer suas atividades com competência, comhabilidade, eficiência e eficácia. Se um professor aprender durante seus anos de EnsinoSuperior que ‘a educação pode acontecer de qualquer maneira’ ele será ao fim do processo umprofissional sem desenvolvimento algum, pois ele ‘estudará de qualquer modo’, se voltar aestudar, e ‘ensinará de qualquer jeito’, quando estiver lecionando, não permitindo mudançassatisfatórias na educação básica. Nesse sentido, o Terceiro Capítulo vem tratar da novapostura que o professor universitário, principalmente, precisa aprender para que a sociedadecomo um todo se estruture mais consciente e questionadora, uma população que lute por seusdireitos adquiridos, conseguidos pela justiça e o cumprimento dos deveres em benefíciopróprio, individual e coletivo. Não que este novo papel do professor seja fácil a se desempenhar, como pode servisto no Capítulo III, é preciso muito estudo, determinação e vontade. Assim como muitaspodem ser as conquistas, os caminhos a serem percorridos são inúmeros, os desafios daeducação perante a diversidade de informações disponíveis pela mídia em suas diversasvertentes, entre elas o computador conectado à internet, devem ser vistos de frente peloprofessor, e como aliados. O Ensino do Século XXI vem sendo amplamente marcado, principalmente, pelaintrodução do computador em ambientes escolares, ou mesmo ele próprio como sendo umambiente escolar, no caso da Educação à Distância. Todavia, não apenas pessoas distantespodem se comunicar pelo computador, muitas vezes é esta ferramenta conectada à redemundial que une ainda mais professores e alunos da modalidade de ensino presencial. Conhecer alguns conceitos e práticas de utilização do computador na educação,explorando suas possibilidades e as diferentes metodologias em detrimento das famosas aulasexpositivas apenas, portanto, se torna obrigação do professor contemporâneo. Em vistas disto,algumas possibilidades de uso desta ferramenta serão, imersas no texto, citadas ao leitor como
  14. 14. 10uma indicação do que pode ser feito através desta máquina – que não deve vir para substituiro homem, mas para auxiliar sua atividade cotidiana e melhorar os resultados finais. É relevante considerar, ainda, a existência do feedback, através do qual o alunopermite que o professor acompanhe seu desenvolvimento e escolha o melhor caminho a seguirpara dar continuidade ao seu trabalho, através da reflexão sobre suas ações e os resultadosalcançados. Deste modo, o professor universitário deve ter claras quais as possibilidades deavaliar seu aluno, e seu próprio trabalho, a fim de que o sucesso de suas tarefas comoeducador, efetivamente, aconteça ao longo do ano letivo, e, para além dele, para a vida doaluno. Só assim os desafios serão superados e o processo educacional alcançará excelência. Sob o norte dos textos publicados por estudiosos do assunto como Valente (2000),Almeida (2002), Dellors (1998), Kensky (2001), Levy (2005), Moran (2004), Assmann(2000), entre outros, serão utilizados os textos legais supracitados como base de uma revisão eanálise de literatura – metodologia escolhida para construção deste trabalho que tencionaconcluir pela comprovação da necessidade de mudar as formas de ensinar para melhorar aqualidade de ensino, mudando (para melhor) os resultados de avaliações externas e,principalmente, a auto-avaliação discente, além da inserção do mesmo no mercado detrabalho. O processo educacional da humanidade é um ciclo em que se ensina, se aprende, semodifica o jeito de ensinar para modificar-se o meio de aprender, e, consequentemente, osresultados obtidos de modo a satisfazer a sociedade de seu tempo, por isso ela é – tantoquanto a humanidade – dinâmica e flexível, mas que precisa de pessoas interessadas ecomprometidas com as transformações necessárias.
  15. 15. CAPÍTULO I: DOS INCENTIVOS E INDICAÇÕES LEGAIS A educação precisa mudar, acompanhar a sociedade em que está inserida. Estaquestão suscitada pelas mídias é comum e corriqueira, assim como encontrar pessoas querogam por mudanças, mas não se movem a fazê-la por inúmeros fatores culturais e sociais. O cenário da educação mudou, é fato. A sociedade evoluiu e a informação a cada diaestá mais acessível a qualquer cidadão devido à disseminação dos meios de comunicação,principalmente as mediadas pelas tecnologias, com merecido destaque à digital – como ainternet. Contudo, a reforma educacional depende sim do professor, mas não pode partirapenas dele, pois lhe foge o poder de promover tal transformação. O quadro educacional precisa do apoio e do incentivo dos órgãos estatais parapoderem ser discutidos, reestruturados, e para que os resultados sejam, efetivamente,satisfatórios, observando o Art. 205 da Constituição Federal promulgada em 1988 que diz serobjetivo da educação o “pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício dacidadania e sua qualificação para o trabalho”. Em vistas da necessidade desta reforma, Delors1 (1998), coloca que aresponsabilidade das mudanças na educação é primeiramente dos governantes: (...) só os responsáveis políticos podem, tendo em conta todos os elementos, suscitar debates de interesse geral, que são de necessidade vital para a educação. Trata-se de um assunto que diz respeito a todos, é o nosso futuro que está em causa e a educação pode, precisamente, contribuir para a melhoria do destino de todos e de cada um de nós. (DELORS, 1998, p.28) O Governo Federal do Brasil, em parceria com as demais esferas governamentais dopaís e diante de órgãos internacionais (como a Unesco e o Banco Mundial, por exemplo),possui um compromisso internacional com a qualidade de educação dos brasileiros, o queenvolvem projetos, metas e programas a serem seguidos. A mais comentada nos últimos anosfoi o Plano Decenal de Educação para Todos, que não apenas visa à democratização doensino, mas o melhoramento das condições em que o processo educacional vem acontecendo.1 Jacques Delors é presidente da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI, e organizador doRelatório para a UNESCO sobre os resultados dessa reunião: “Educação, um tesouro a se descobrir”, publicadoem 1998.
  16. 16. 12 Tendo em vista o quadro atual da educação no Brasil e os compromissos assumidos internacionalmente, o Ministério da Educação e do Desporto coordenou a elaboração do Plano Decenal de Educação para Todos (1993-2003), concebido como um conjunto de diretrizes políticas em contínuo processo de negociação, voltado para a recuperação da escola fundamental, a partir do compromisso com a equidade e com o incremento da qualidade, como também com a constante avaliação dos sistemas escolares, visando ao seu contínuo aprimoramento. (PCN Vol. 1, 1998) Neste documento pode-se notar que a década de educação (1993-2003) seriadestinada a estruturar a educação do país, instituindo novas metas e meios para que aeducação recebida pelas crianças, jovens e adolescentes seja condizente com as necessidadesdo conjunto global da sociedade. Como um dos primeiros resultados deste trabalho foi aelaboração, promulgação e publicação da LDBEN – Lei de Diretrizes e Bases da EducaçãoNacional, em que, o decorrer de suas páginas, fica clara a finalidade da educação para estanova época: “o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício dacidadania e sua qualificação para o trabalho” (LDBN 9394/96, Art 2º), além de “forncecer-lhemeios para progredir no trabalho e em estudos posteriores” (LDBN 9394/96, Art. 22). Desde o Ensino Fundamental, esta lei já predispõe que o aluno deve, além de saberler, escrever e calcular, ter “a compreensão do ambiente natural e social, do sistema político,da tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade” (LDBN 9394/96,Art. 32, II). A educação básica2, regulamentada nesta lei, traz ainda como item de formaçãoao educando que termine os estudos do ensino médio, entre outros “a compreensão dosfundamentos científicos-tecnológicos dos processos produtivos, relacionando a teoria com aprática, no ensino de cada disciplina” (LDBN 9394/96, Art 35, IV). Deste modo, aos estudantes fica garantida uma estrutura, legalmente, para que possaestudar para a vida, e não apenas para fins de avaliações bimestrais: o aluno precisa aprenderpara seu convívio em sociedade – tanto em sua comunidade, quanto sob aspectos nacionais emundiais – sendo capaz de tomar posicionamentos, atitudes, desenvolver projetos paramelhoria de sua qualidade de vida e do coletivo a que pertence. Uma das iniciativas mais significativas, pelo que se percebe pelas discussões atuais,é a implantação das tecnologias em sala de aula, pois além de favorecer o desenvolvimento doaluno elas apresentam a oportunidade de comunicação entre pessoas do mundo inteiro, a trocade informação e dos resultados de ações de diversos campos, matéria-prima essencial paraformação do conhecimento e desenvolvimento de cada um. Assim sendo, torna-se direito, e não privilégio, o acesso a estas tecnologias noambiente escolar.2 Composta por “educação infantil, ensino fundamental e ensino médio”. (LDBN 9394/96, Art. 21)
  17. 17. 131.1 – Do direito ao Ensino Superior que favoreça a implantação de Tecnologias naEducação A fim de planejar a distribuição das ferramentas tecnológicas necessárias a nova erada educação que se desenvolve, o poder público precisa saber quantos alunos efetivamenteestão matriculados em cada região do país, mais do que nunca, até então, e a potencialidadede aumentar o atendimento educacional a todos os brasileiros em idade escolar do ensinoregular, preferencialmente: “§ 2º O poder público deverá recensear os educandos no ensinofundamental, com especial atenção para o grupo de 6 (seis) a 14 (quatorze) anos de idade e de15 (quinze) a 16 (dezesseis) anos de idade”. (Redação dada pela Lei nº 11.274, de 2006) Para tanto, o Censo Escolar realizado a cada ano vem sendo cada vez mais detalhado,tanto no que tange ao número de alunos quanto aos equipamentos disponíveis na escola,inclusive sua utilização (se é voltada para a parte pedagógica e/ou administrativa somente ouse os alunos gozam de suas possibilidades também, além da forma que isto é organizado). Esta ação não apenas está prevista em lei como tem acontecido mais rapidamentepelo auxílio da internet desde o ano de 2007 no Estado de São Paulo, quando o Censo Escolarpassa a utilizar os dados do Sistema Prodesp como informações básicas e, através dasrespostas aos questionários virtuais fornecidos pela direção escolar nos formuláriosdisponíveis no site da educação (www.educacao.sp.gov.br) – contrariando o processo anteriorde impressão dos mesmos, preenchimento manual e conferência dos dados por terceiros antesde serem destinados ao órgão competente. Além do Censo Escolar, a Demanda Anual feita pelo levantamento prévio do númerode alunos a serem atendido nas escolas para o ano seguinte. Deste modo podem direcionar osmateriais conforme a necessidade e emergência das diversas localidades do país, favorecendoo ensino e o desenvolvimento do trabalho dos professores que atuam na área. Nesse contexto nota-se que o Ensino Superior fica sob aspecto secundário naeducação do país, sendo voltados os esforços para se melhorar o ensino básico. Contudo,neste ponto, levanta-se a questão sobre como formar melhor os alunos da educação básica seseus professores não tiverem tido formação voltada para tanto? Esta formação acontecerádurante a vida, será lapidada com a experiência – claro – mas é dentro das universidades quefuturos professores começarão seu trajeto de formação para desenvolverem seu trabalho, e porisso a atenção também deve estar voltada para esta modalidade de ensino.
  18. 18. 14 É necessário que os docentes tenham formação para utilizar novos recursos em suasatividades educativas cotidianas, a risco de todo o equipamento que o governo se esforça emprovidenciar se torne apenas lixo eletrônico, inutilizado antes mesmo de se tornar obsoleto.Diante disso, além comprometimento do professor com sua profissão de tomar a iniciativa ecapacitar-se continuamente, o governo garante que: § 3o O Distrito Federal, cada Estado e Município, e, supletivamente, a União, devem: (...) III - realizar programas de capacitação para todos os professores em exercício, utilizando também, para isto, os recursos da educação a distância; (...) § 4º Até o fim da Década da Educação somente serão admitidos professores habilitados em nível superior ou formados por treinamento em serviço. (LEI nº 11.330, de 2006) Ao pretender formar novos professores, os docentes universitários precisamdisponibilizar conhecimentos sobre as funções do professor em suas diversas possibilidadesde atuação, pois, não sabendo se os professores formados pela instituição de ensino superiorserão admitidos em rede pública municipal, estadual, federal ou rede particular, se tornafundamental que se observe, entre outros documentos, o que diz o Estatuto do Magistério,publicado no Estado de São Paulo (Estado escolhido por ser o local foco de pesquisa dentre osdemais Estados brasileiros) em seu art. 61, que trata dos direitos dos professores: I – ter a seu alcance informações educacionais, bibliografia, material didático e outros instrumentos, bem como contar com assistência técnica que auxilie e estimule a melhoria de seu desempenho profissional; II – ter assegurada a oportunidade de freqüentar cursos e formação, atualização e especialização profissional; III – Dispor, no ambiente de trabalho, e instalações e material técnico- pedagógico suficientes e adequados para que possa exercer com eficiência e eficácia suas funções; IV – ter liberdade de escolha e de utilização de materiais, de procedimentos didáticos e de instrumento de avaliação do processo ensino- aprendizagem, dentro dos princípios psico-pedagógicos, objetivando alicerçar o respeito à pessoa humana e a construção o bem comum. (Lei Complementar 444/84 Estatuto do Magistério, arts. 61-63 e art. 95) Quando o professor sabe seus direitos (bem como se compromete com seus deveresassumidos, também acessíveis na legislação vigente), tem como reivindicar que elesrealmente aconteçam, deixando de ser apenas uma garantia impressa para se tornar,efetivamente, um meio de realização de sua atividade profissional. Outro fator relevante, neste sentido, é que o professor universitário, formador deoutros professores, precisa ter consciência de que o Ensino Superior tem algumasparticularidades, que visam alcançar finalidades predeterminadas:
  19. 19. 15 Art. 43. A educação superior tem por finalidade: I - estimular a criação cultural e o desenvolvimento do espírito científico e do pensamento reflexivo; II - formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua; III - incentivar o trabalho de pesquisa e investigação científica, visando o desenvolvimento da ciência e da tecnologia e da criação e difusão da cultura, e, desse modo, desenvolver o entendimento do homem e do meio em que vive; IV - promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicações ou de outras formas de comunicação; V - suscitar o desejo permanente de aperfeiçoamento cultural e profissional e possibilitar a correspondente concretização, integrando os conhecimentos que vão sendo adquiridos numa estrutura intelectual sistematizadora do conhecimento de cada geração; VI - estimular o conhecimento dos problemas do mundo presente, em particular os nacionais e regionais, prestar serviços especializados à comunidade e estabelecer com esta uma relação de reciprocidade; VII - promover a extensão, aberta à participação da população, visando à difusão das conquistas e benefícios resultantes da criação cultural e da pesquisa científica e tecnológica geradas na instituição. (LEI 9394/96) Estas funções do ensino superior contribuem para a formação do profissionalgraduado crítico e em condições de formar outros cidadãos, especificamente, ao se falar emcursos de graduação de formação de professores. Quando um professor tem desde seus tempos de faculdade o entendimento de seumeio, desenvolve seu espírito crítico e criativo, busca dados, refuta informações repressoras einverdades do cotidiano, situações indignas de sobrevivência, ele se torna apto a exercer suafunção social para mediar o conhecimento a outros alunos, permitindo que seu discurso e suasações eduquem seus pupilos para uma sociedade mais igualitária e consciente das causas econsequências de seus atos – e isso se torna quase impossível se o professor não for umpesquisador, um produtor de novos conhecimentos. É função de um formador de professores, conforme os textos legais, indicar oscaminhos para realização de estudos, para cumprimento de seu papel social depois degraduado. Visto que o mercado de trabalho é a principal via de inserção social, e que este setorestá cada vez mais equipado tecnologicamente, é tarefa do professor não apenas instigar quese as tecnologias sejam utilizadas em meio acadêmico, mas orientar como estas ferramentaspodem ser agregadas ao processo educacional a fim de favorecer o aprendizado e odesenvolvimento de habilidades necessárias a utilização deste material. Para tanto, asuniversidades precisam ofertar, (...) como meio de adquirir qualificações profissionais, conciliando ao mais alto nível, o saber e o saber-fazer, em cursos e conteúdos constantemente adaptados às necessidades da economia; como recinto privilegiado da educação ao longo de toda
  20. 20. 16 a vida, abrindo as portas aos adultos que desejem retomar seus estudos, adaptar e enriquecer os seus conhecimentos, ou satisfazer seu gosto de aprender em qualquer domínio da vida cultural; (...) (DELORS, 1998, p.24) Além disso, as faculdades e universidades precisam ter como meta de ensino aqualificação do profissional, não apenas o acesso aos mecanismos que movimentam aeconomia do país: “É sua tarefa, também, formar no domínio técnico e profissional, as futuras elitese os diplomados de nível médio e superior de que os seus países necessitam, para poderem sair dociclo de pobreza e de subdesenvolvimento em que atualmente se encontram enredados. (DELORS,1998, p.25). Deste modo não apenas os estudantes, mas a sociedade como um todo se alimentará destaboa formação para seu desenvolvimento em todas as esferas, melhorando a qualidade de vida doscidadãos.1.2 – Inclusão Digital na Educação para Formação Cidadã e Inclusão Social Antes de qualquer comentário a respeito da inclusão digital, sobre seu processo eimplicações, é necessário, entender do que se trata tal termo tão em voga neste início deséculo. No anseio de explicar, não em sua amplitude, mas, sim, em poucas linhas, o termoInclusão Digital, segundo a professora Rondelli (2003) da Universidade Federal do Rio deJaneiro, pode ser entendido da seguinte maneira: Inclusão digital é, dentre outras coisas, alfabetização digital. Ou seja, é a aprendizagem necessária ao indivíduo para circular e interagir no mundo das mídias digitais como consumidor e como produtor de seus conteúdos e processos. Para isto, computadores conectados em rede e softwares são instrumentos técnicos imprescindíveis. Mas são apenas isso, suportes técnicos às atividades a serem realizadas a partir deles no universo da educação, no mundo do trabalho, nos novos cenários de circulação das informações e nos processos comunicativos. (RONDELLI, 2003) Neste contexto, vale lembrar que através dos sistemas de computação é que astransações bancárias, pagamentos comerciais e outras atividades são realizadas, ainda quepasse despercebido pelas pessoas. Pelo uso da tecnologia suas relações cotidianas estão sendopautadas, inclusive as do mercado de trabalho; Deste modo, percebe-se o quanto a inclusãodigital está ligada à cidadania e à inserção social por meio das relações interpessoais. Entendendo que a cidadania envolve diversos aspectos, entre outros, o econômico, queestá diretamente ligado ao mercado de trabalho, como comentado acima, este é fator
  21. 21. 17fundamental de inclusão social. Diante da escolha uma profissão, ou mesmo perante anecessidade de se auto-sustentar (ou prover a família), o indivíduo se torna ferramentahumana e descobridor de si, de suas potencialidades, se sente útil enquanto ser social,contribui para o desenvolvimento do país, mas encontra, ao mesmo tempo, um dos desafiosque mais assola o Brasil há décadas: o desemprego, a falta de oportunidade. Embora muitas vagas venham sendo criadas nos últimos anos, a falta de qualificaçãoda mão-de-obra, principalmente a falta de conhecimento de informática em geral, vem sendocada vez mais um entrave para o acesso do cidadão ao seu preenchimento – o que vemreforçar a idéia da necessidade de estudar, de ser um alfabetizado digital para se tornar,também, incluso social e exercer plenamente sua cidadania. Nota-se que a sociedade, nestecontexto, pede por uma formação mais específica, que atenda as necessidades do mercado detrabalho e do cidadão, que perceba a novas perspectivas de uma sociedade em movimento ecriação, e, “(...) Exatamente para poder criar esta nova sociedade, a imaginação humana deveser capaz de se adiantar aos avanços tecnológicos, se quisermos evitar o aumento dodesemprego, a exclusão social ou as desigualdades de desenvolvimento”. (DELORS, 1998,p.18) Assim sendo, o domínio das tecnologias deve ser proporcionado a todos, elas nãodevem servir para aumentar as diferenças entre os que possuem acesso às mesmas ou não.Segundo Delors Trata-se de fazer com que os que têm mais necessidades, por serem mais desfavorecidos, possam beneficiar-se destes novos instrumentos de compreensão do mundo. Deste modo, os sistemas educativos, ao mesmo tempo que fornecem os indispensáveis modos de socialização, conferem, igualmente, as bases de uma cidadania adaptada às sociedades de informação. (DELORS, 1998, p.66) A referida inclusão digital vem sendo apontada como o caminho mais curto paraacesso à cidadania e para uma possibilidade de se atuar dinamicamente na sociedade, detornar-se sujeito de sua própria história e contribuir com a história e desenvolvimento do paísde modo positivo. Entretanto, deve-se entendê-la não apenas como a possibilidade de acessoàs mídias digitais, como o computador, mas seu domínio por parte de quem delas fizer uso: épreciso que se veja e se saiba dar significado ao uso das ferramentas para que realmente hajasentido em utilizá-las. Dizer que inclusão digital é somente oferecer computadores seria análogo a afirmar que as salas de aula, cadeiras e quadro negro garantiriam a escolarização e o aprendizado dos alunos. Sem a inteligência profissional dos professores e sem a
  22. 22. 18 sabedoria de uma instituição escolar que estabelecessem diretrizes de conhecimento e trabalho nestes espaços, as salas seriam inúteis. Portanto, a oferta de computadores conectados em rede é o primeiro passo, mas não é o suficiente para se realizar a pretensa inclusão digital. (RONDELLI, 2003) É preciso, a fim de se realizar efetivamente um processo de Inclusão Digital noBrasil, que haja políticas de Inclusão digital que abandonem o pensamento simplista, querevejam as ações feitas e se baseiem nos resultados do passado para adequar à realidade asnecessidades da população, conforme pontua Neto (2006). As pessoas tem que perceberrelevância em suas ações, utilidade nas atividades que desenvolvem, dar meios para arealização pessoal e profissional, “isto significa transformar operador ou formulador dainclusão digital em um indivíduo apto para enfrentar o desafio onipresente da complexidade”.(NETO, 2006, p.4) É no interior das Instituições de Ensino Superior que os futuros professores estudame pensam esta complexidade social, oriunda da complexidade humana, e começarão a elaborarsuas estratégias de ensino. Para tanto é necessário que se tenha consciência de que em sala deaula usa-se tecnologia apenas para melhor desenvolver os conteúdos: “(...) Isso exclui, porexemplo, as apresentações em Power Point que apenas tornam as aulas mais divertiras (ounão!), os jogos de computador que só entretém as crianças, ou aqueles vídeos quesimplesmente cobrem buracos de um planejamento mal feito”. (POLATO, 2009, p.51). Astecnologias trazem benefícios para a educação tanto quanto malefícios, dependendo do modocomo for utilizada pelo profissional docente. Para um adulto ser cidadão, aprender a usar a tecnologia a seu favor, incluir-se sociale digitalmente, precisa ser educado para isso desde a infância – daí a importância da formaçãodo professor, e da compreensão do ambiente social, do sistema político, da tecnologia, dasartes e dos valores que fundamentam a sociedade, como diz a Indicação CEE (ConselhoEstadual de Educação/SP) nº 08/2001; Isso contribuirá para que todos os alunos tenhamacesso igualitário à ciência e à tecnologia a fim de se firmar uma Base Nacional Comum deFormação, de acordo com o parecer CEB (Conselho de Educação Brasileiro) nº 004/98, art.3º, subitem 6, alínea “a”, item IV; A educação, portanto, como um todo precisa da integraçãodas tecnologias em suas atividades diárias a fim de atender os anseios da população, formarpessoas aptas a adentrarem ao mercado de trabalho de modo competente. Isto não é privilégio de alguns bons professores, é meta para a educação do país,como enuncia o Plano Nacional de Educação (PNE) e a Constituição Federal: “a articulação eo desenvolvimento do ensino em seus diversos níveis e a integração das ações do Poder
  23. 23. 19Público (...) que conduzam a, entre outros: (...) III – melhoria de qualidade do ensino; IV –formação para o trabalho; V – promoção humanística, científica, tecnológica do país.” (art.214 - CF). Também na Constituição Federal (1988), em seu art. 218, diz que “O Estado apoiaráa formação e recursos humanos nas áreas de ciências, pesquisa e tecnologia, e concederá aosque dela se ocupem, meios e condições especiais para o trabalho”. Fica clara, assim, apreocupação de adequar o ensino à realidade em que se encontra. Não é uma totalidade depessoas que possuem as tecnologias de comunicação em seus lares ou à sua disposiçãodiariamente, mas precisam saber como utilizá-las para, ao ser necessário, não ficar exclusodas situações em que este conhecimento seja imperioso. A sociedade contemporânea não pede por pessoas que entendam e reproduzam oconhecimento, mas que consigam buscar dados e construam o seu próprio, só assim ele terá aoportunidade de não ser incluído na sociedade e terá condições para atuar crítica econscientemente no seio da mesma. Isso é função dos “sistemas educativos [que] devem darresposta aos múltiplos desafios das sociedades da informação, na perspectiva de umenriquecimento contínuo dos saberes e do exercício de uma cidadania adaptada às exigênciasdo nosso tempo”. (DELORS, 1998, p.66) Por este motivo, serão explicitados alguns conceitos sobre as tecnologias dainformação e da comunicação para depois serem tratados o novo papel do professor e suasdiversas possibilidades de trabalho nos capítulos seguintes.
  24. 24. CAPÍTULO II: ALGUNS CONCEITOS E REFLEXÕES SOBRETECNOLOGIA E EDUCAÇÃO A Tecnologia nem sempre está disponível aos cidadãos, seja pela renda familiar,pelas condições geográficas (pois muitos lugares não contam com energia elétrica, tampoucoé atendido pelas empresas de serviço telefônico), ou outros fatores diversos. Tal situaçãocausa distanciamento cada vez maior entre países em desenvolvimento e os desenvolvidos,podendo desencadear o aparecimento de pólos do conhecimento: um que o gera e outro que orecebe. Os esforços para que essa distância desenvolvimentista não se alargue ainda maisdevem se voltar para a disseminação do conhecimento e o acesso à informação, assim estadisparidade atual pode se tornar, de certo modo, vantajosa aos países menos desenvolvidos,ou em desenvolvimento – como é o caso do Brasil. No relatório feito à Unesco, Delorscomenta que Uma espécie de “compressão” tecnológica parece ser a solução em muitos casos: não é necessário que os países em desenvolvimento passem, sucessivamente, por todas as etapas percorridas pelos países desenvolvidos e terão, muitas vezes, vantagem em optar logo pelas tecnologias mais inovadoras. (DELORS, 1998, p.191- 192) A disseminação da informação não fica a cargo, exclusivamente, das Instituiçõesescolares, atualmente, outros meios de comunicação, inclusive, e principalmente, os de massa(como TV, Rádio, Jornal e Revista) se encarregam disto. Entretanto, ainda é nas instituiçõesescolares que a principal fonte de informação especializada se concentra, sejam embibliotecas (inclusive as digitais e/ou virtuais), ou mesmo em sala de aula – mas vale salientarque as aulas precisam ser inovadoras, coerentes e condizentes com a sociedadecontemporânea e suas necessidades, que os professores optem pelas tecnologias de ponta emelhorem, deste modo, os resultados de seu trabalho. As Instituições, portanto e impreterivelmente, precisam estar aptas a atender alunos eoutras pessoas que busquem estes dados, e, assim, pode ser que esta ‘vantagem’ seja sentidapela população em vistas do preparo dos profissionais da educação, e, devido a isso, oconhecimento sobre seus conceitos e possíveis formas de utilização, se torna imprescindívelpara dar-se continuidade ao trabalho.
  25. 25. 212.1 – TICS – Tecnologias da Informação e Comunicação Antes das atualmente famosas tecnologias da informação e da comunicaçãosimbolizadas pelo computador, principalmente conectado à internet, outras inovaçõesantecederam o campo de discussão social, principalmente no setor da educação. Assim comoos computadores, merecem destaque entre as tecnologias desenvolvidas para o fim deinformar e facilitar vias de comunicação, outras inovações que o acompanharam: As inovações que marcaram todo o século XX, quer se trate do disco, do rádio, da televisão, da gravação audiovisual, da informática ou da transmissão de sinais eletrônicos por via hertziana, por cabo ou por satélite, revestiram uma dimensão não puramente tecnológica, mas essencialmente econômica e social. A maior parte destes sistemas tecnológicos, hoje miniaturizados e a preço acessível, invadiu uma boa parte dos lares do mundo industrializado e é utilizada por um número cada vez maior de pessoas no mundo em desenvolvimento. Tudo leva a crer que o impacto das novas tecnologias ligadas ao desenvolvimento das redes informáticas vai se ampliar muito rapidamente a todo o mundo. (DELORS, 1998, p. 186) As Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs), conforme nota-se no textode Delors, são essenciais para multiplicar fontes de dados e facilitar o acesso dos mesmos aquem de interesse, mundialmente. Fato é que neste cenário se desponta a cada dia ocomputador, que se torna ferramenta de armazenamento de dados, produção de material, localde acesso a informações, entre outras possibilidades: As tecnologias informáticas multiplicaram por dez as possibilidades de busca de informações e os equipamentos interativos e multimídia colocam à disposição dos alunos um manancial inesgotável de informações: * computadores de qualquer capacidade e complexidade; * programas de televisão educativa por cabo ou satélite; * equipamento multimídia; * sistemas interativos de troca de informações incluindo correio eletrônico e acesso direto a bibliotecas eletrônicas e a bancos de dados; * simuladores eletrônicos; * sistemas de realidade virtual em três dimensões. (DELORS, 1998, p.190.191) Enfim, enumerar quais as tecnologias de informação e comunicação se tornadesnecessário ao levar-se em consideração que estas fazem parte do cotidiano, ainda quemuitos não se dêem conta disto. Em nada se parecem com as tecnologias do passado (comoferramentas de trabalho – martelos, alavancas, roldanas, entre outros), como diz Assman, masenvolve a humanidade e lhes proporciona um desenvolvimento cognitivo incomensurável emrelação às outras:
  26. 26. 22 “As novas tecnologias da informação e da comunicação já não são meros instrumentos no sentido técnico tradicional, mas feixes de propriedades ativas. São algo tecnologicamente novo e diferente. As tecnologias tradicionais serviam como instrumentos para aumentar o alcance dos sentidos (braço, visão, movimento etc.). As novas tecnologias ampliam o potencial cognitivo do ser humano (seu cérebro/mente) e possibilitam mixagens cognitivas complexas e cooperativas. Uma quantidade imensa de insumos informativos está à disposição nas redes (entre as quais ainda sobressai a Internet). (ASSMAN, 2000, p.9) O aparecimento destas tecnologias abriu tantas oportunidades de trabalho edesenvolvimento humano (individual e social) que difundiram-se pelo mundo, facilitando otrabalho, a comunicação, a disseminação de dados e a produção do conhecimento, dandoorigem a uma nova era aos homens contemporâneos, onde o que mais vale é o conhecimentoque se tem. Nesta era, a sociedade assume uma nova face no planeta: tendo deixado de serescravista, agropecuária, industrial, entre outras estruturas sociais, a sociedade assume aforma de Sociedade da Informação, conforme tratar-se-á abaixo.2.2 – Sociedade da Informação3 De acordo com o tópico anterior, a sociedade da informação não apareceusimplesmente, é resultado de um processo evolutivo das tecnologias que possibilitou aveiculação rápida e em grande escala de informações, além de permitir a comunicação entrepessoas diferentes em distâncias imensas – inclusive em tempo real – abrangendo todo oplaneta. Neste sentido, Delors diz que As novas tecnologias fizeram a humanidade entrar na era da comunicação universal; abolindo as distâncias, concorrem muitíssimo para moldar a sociedade do futuro, que não corresponderá, por isso mesmo, a nenhum modelo do passado. As informações mais rigorosas e mais atualizadas podem ser postas ao dispor de quem quer que seja, em qualquer parte do mundo, muitas vezes, em tempo real, e atingem as regiões mais recônditas. Em breve, a interatividade permitirá não só emitir e receber informações, mas também dialogar, discutir e transmitir informações e conhecimentos, sem limite de distância ou de tempo. (DELORS, 1998, p. 39-40)3 “A Sociedade da Informação é um conceito utilizado contemporaneamente. Busca identificar a sociedade e aeconomia que faz o melhor uso possível das Tecnologias de Informação e da Comunicação. Numa Sociedade daInformação, as pessoas aproveitam as vantagens das tecnologias em todos os aspectos das suas vidas: notrabalho, em casa e no lazer”. (in http://www2.ufp.pt/~lmbg/livro_ict03.htm). Ainda neste sentido, segundoAssman, “A expressão “sociedade da informação” deve ser entendida como abreviação (discutível!) de umaspecto da sociedade: o da presença cada vez mais acentuada das novas tecnologias da informação e dacomunicação. Serve para chamar a atenção a este aspecto importante. Não serve para caracterizar a sociedade emseus aspectos relacionais mais fundamentais”. (ASSMANN, 2000, p.8)
  27. 27. 23 Justamente por não ser esta época igual a nenhuma outra do passado, nãodesencadeará no futuro nada similar ao que já se conhece, e é por este motivo que asinstituições de ensino não podem se ater a metodologias de ensino anteriores nos dias atuais,esta prática não condiz com a realidade atual, nem preparará as gerações para o futuro. Épreciso ter consciência que antes os jovens e as crianças não tinham acesso a outras formas delazer que não fossem as brincadeiras coletivas, as histórias em quadrinhos ou passeios pelosparques, praças ou rodas de amigos, mas hoje “A experiência da abundância e da liberdade deescolha no que se refere à música, à televisão e que aos poucos se estende também a outrastecnologias informacionais passou a fazer parte do cotidiano de muitíssima gente”.(ASSMANN, 2000, p.13), tornando até mesmo a individualidade egoísta um risco eminente aser combatido com prudência. Como dito ao início do trabalho, a sociedade está em processo de construção, decriação, as novidades são muitas, contínuas e crescentes. Principalmente as tecnologias dearmazenamento e transmissão de informação são amplamente utilizadas, e são acompanhadaspor inovações organizacionais, comerciais e jurídicas, alterando os padrões de vida do homemem todas as suas relações com o outro e consigo próprio. Nem mesmo a sociedade dainformação como um todo, conforme se conhece hoje, está impassível de mudanças, segundoAssman (2000) “No futuro, poderão existir modelos diferentes de sociedades da informação,tal como hoje existem diferentes modelos de sociedades industrializadas. Esses modelospodem divergir na medida em que evitam a exclusão social e criam novas oportunidades paraos desfavorecidos”. (ASSMANN, 2000, p.9). A intenção de se utilizar destas tecnologias da informação e da comunicação deforma mais igualitária busca, exatamente, esta transformação social, quiçá para umasociedade educativa, como Delors (1998) transcreve na obra analisada, que se baseia naaquisição, atualização e utilização dos conhecimentos disponíveis, que para ele são as trêsfunções principais do processo educativo. Para o autor, Com o desenvolvimento da sociedade da informação, em que se multiplicam as possibilidades de acesso a dados e a fatos, a educação deve permitir que todos possam recolher, selecionar, ordenar, gerir e utilizar as mesmas informações. A educação deve, pois, adaptar-se constantemente a estas transformações da sociedade, sem deixar de transmitir as aquisições, os saberes básicos frutos da experiência humana. (DELORS, 1998, p.19-20)
  28. 28. 24 Essa utilização das Tecnologias de Informação e Comunicação dão um caráter ainda maisparticular para tais inovações, dão uma face educacional ao uso das máquinas, que passam a serconhecidas como Tecnologias Educacionais devido ao seu uso, conforme tratado no item seguinte.2.3 – As Tecnologias Educacionais Sinteticamente, pode-se dizer que “Entendem-se por tecnologias educacionais astécnicas, aparatos, ferramentas e utensílios com potencial de utilização no desenvolvimento eapoio aos processos educacionais, seja para realizá-los ou para a melhoria de sua qualidade”.(in www.mec.gov.br). Esta qualidade de ensino está intimamente ligada ao processoeducativo e à metodologia utilizada pelo professor, pois disponibilizar a informação somentenão condiz com a atividade docente inovadora, tampouco o fato de difundir informaçãoapenas não a caracteriza a sociedade da informação, neste formato de sociedade asinformações precisam fazer parte do desencadeamento de um vasto e continuado processo deaprendizagem. Neste sentido, Sorde & Lüdke afirmam que “A escola é um dos espaços que mais sofrem as consequências das mudanças que ocorrem na sociedade. Advoga-se que as escolas devem rejuvenescer seus objetivos e processos de trabalho tidos como defasados em relação às demandas do mercado. Espera-se que respondam com prontidão aos desafios impostos pelos novos contextos sociais, que implicam mudanças paradigmáticas na forma de ensinar, aprender, avaliar. Mesmo concordando com essas premissas, não podemos abster- nos de examinar com mais rigor essas idéias, de modo a superar análises apressadas e superficiais dos fenômenos sociais em geral e dos educativos em particular”. (SORDE & LÜDKE, 2009, p.13) O processo educativo como um todo envolve uma série de ações, de regulamentaçãopolítica e institucional para, então, chegar às escolas a possibilidade de se trabalhar,efetivamente, sob novas perspectivas e paradigmas – visto que a autonomia dos professoresmuitas vezes é limitada pelo próprio sistema educacional. Todavia, a responsabilidade maior do sucesso da educação é do professor, pois é elequem coordena as ações educativas e se utiliza dos materiais disponíveis, que trabalha sob aégide da legislação vigente, que atende diretamente seus alunos e percebe neles asnecessidades mais urgentes em relação ao aprendizado. Devido a isso o preparo do professorestá cada vez mais em foco, se ele não tiver uma formação inicial e continuada, como
  29. 29. 25compreender as mudanças sociais e quais suas ações necessárias para contribuir com ainserção social de seu aluno, nos diversos setores a que tem direito de exercer sua cidadania? Sob esta questão, nota-se que a preocupação com a seleção dos docentes paraadentrar as salas de aula estão cada vez mais rigorosos – o professor precisa atender à suasociedade a riscos de não ser mais professor atuante. Porém, não apenas o recrutamento estásendo mais criterioso, é preciso que – uma vez em sala de aula – o professor recebacapacitação condizente com o que se espera de seu trabalho. Delors (1998) também pontuaeste quadro em seu texto salientando que É preciso tentar em especial recrutar e formar professores de ciências e de tecnologia e iniciá-los nas novas tecnologias. De fato, por todo o lado, mas, sobretudo nos países pobres, o ensino científico deixa a desejar quando todos sabemos quanto é determinante o papel da ciência e da tecnologia na luta contra o subdesenvolvimento e a pobreza. Importa pois, em particular nos países em desenvolvimento, remediar as deficiências do ensino das ciências e da tecnologia, nos níveis elementar e secundário, melhorando a formação dos professores destas disciplinas. (DELORS, 1998, p.162) Deste modo percebe-se que a preocupação com a formação do professor não éapenas a inicial, a dos professores de educação básica, mas a formação de novos professoresformados nas disciplinas específicas de ciências e tecnologia e/ou capacitação dos atuantes, afim de que se produza mais e melhor nos países em desenvolvimento e mais pobres. Saber aciência que se lecionará é imprescindível tanto quanto aprender a dar aulas de mododiferenciado a seres diferentes presentes em uma mesma sala, ainda que numerosa tantoquanto heterogênea – não se faz diferente com o ensino inovador, independentemente dadisciplina a ser ensinada, a ciência e a tecnologia precisa margear o trabalho a fim de que oaluno passe a ter o conhecimento da área estudada e a novas formas de percebê-la, fazê-la e abuscas mais dados sobre ela. Nesse sentido o papel do professor na sociedade da informação mediada pelastecnologias educacionais muda completamente, não mais transmite conhecimentos, masindica caminhos, como será comentado adiante.
  30. 30. CAPÍTULO III: O PROFESSOR DO ENSINO SUPERIOR NASOCIEDADE DA INFORMAÇÃO O princípio de todo o processo educativo formal está na educação básica, que precisaser de qualidade a fim de que cada um possa utilizar de todas as possibilidades de aprender ede aperfeiçoar-se, durante e após a escolaridade. Neste ponto a educação precisa ir ainda maislonge, deseja-se que na escola o aluno desenvolva ainda mais o gosto e prazer por aprender, acapacidade de aprender cada vez mais, de aprender a aprender, e este sentimento deve sertransmitido pela escola. Os alunos formados atualmente precisam ser curiosos, autônomos,capazes de – em muitas situações – ter seu lugar ‘alternado’ com o professor, tornando oprocesso ensino-aprendizagem possibilidade de aprender e de ensinar a ambos. Sob esta perspectiva, a sociedade se tornaria educativa, onde os indivíduos seeducam uns aos outros, permanentemente, proporcionando maior desenvolvimento social,político, econômico, cultural, entre outros. Neste sentido, segundo Giardino, O Brasil tem um grande desafio a enfrentar para transformar a educação em alavanca de desenvolvimento. O uso do microcomputador em educação, um meio tecnológico inovador, provoca a transformação no processo ensino-aprendizagem. Para viabilizar esta mudança de paradigma, precisamos investir maciçamente na capacitação de professores, que estão entre os quais mais podem beneficiar-se pela adoção das tecnologias como um instrumento de mudança e a capacitação continuada é uma fonte constante de motivação para a melhoria da qualidade de materiais de aprendizagem a custos mais baixos que os envolvidos em outras modalidades mais tradicionais. (GIARDINO, 2006, p.12-13) Este desafio pode ser entendido pela falta destas capacitações, seja pelo espaço, peloalto custo, ou qualquer outro fator. Diante disto, e da tarefa docente a ser realizada, oprofessor não pode desanimar e deixar seu trabalho continuar como está, ou como vemdesenvolvendo há anos. Embora seja legalmente garantida sua formação em exercício – comocomentado no início do trabalho – o Governo não conseguiu ainda abranger os projetos deformação em exercício para todos os professores, limitando ainda as vagas; Nem por isso oprocesso educacional aguarda que novas vagas surjam e que os professores sejam preparados,a necessidade de mudanças é eminente. Todavia as mudanças não acontecem apenas pelas necessidades exteriores, mas pelamotivação de cada um. Nesse sentido os próprios professores precisam perceber a realidadeem que estão inseridos e buscar respostas para superar os desafios que aparecerem.
  31. 31. 27As transformações sociais são muitas e em todos os sentidos, caracterizando a sociedadecontemporânea como complexa e incerta, imprevisível quanto aos novos desafios, que,segundo Kenski (2002), “se refletem diretamente na ação docente. O professor de todos osníveis de ensino não pode mais se postar diante do conhecimento como “aquele que sabe”,mas sim como “aquele que pesquisa”. (KENSKI, 2002, p.102). Pesquisar para formar-se a sipróprio e assim exercer melhor sua função é educar-se ao longo de toda a vida, como prevêem inúmeros pontos o relatório transcrito por Delors. Principalmente no ensino superiorespera-se que as possíveis falhas do ensino básico sejam supridas e a formação se dê acontento, mas como o próprio autor coloca, este pedido aos professores é muito. Pede-se-lhes muito, agora que o mundo exterior invade cada vez mais a escola, principalmente através dos novos meios de informação e de comunicação. De fato, os professores têm na sua frente jovens cada vez menos enquadrados pelas famílias ou pelos movimentos religiosos, mas cada vez mais informados, terão de ter em conta este novo contexto, se quiserem fazer-se ouvir e compreender pelos jovens, transmitir-lhes o gosto de aprender, explicar-lhes que informação não é conhecimento e que este exige esforço, atenção, rigor, vontade. (DELORS, 1998, p.26-27) Sendo assim, embora seja um pedido alto, os professores precisam alcançá-lo sepretendem que o processo educacional do qual participam tenha sucesso. Delors (1998)pontua a necessidade de meios, tanto em quantidade como em qualidade, disponíveis aoprofessor para que exerça bem sua função, tanto no que tange a livros quanto aos meios detecnologia da informação. Contudo, fica a cargo do professor utilizar este material comdiscernimento, responsabilidade, instigando nos alunos a participação, a curiosidade,incentivando que se sintam motivados a aprender e o façam por prazer. Mas, como ninguémvive sozinho em se tratando de sociedade, de ser humano, Delors (1998) salienta que osprofessores devem trabalhar em equipe, principalmente no que tange ao ensino médio, dandoares de transdisciplinaridade e transversalidade aos conteúdos a serem trabalhados. Segundoele, isso “levará à diminuição do insucesso, fará emergir determinadas qualidades naturais dosalunos, e facilitará, portanto, uma melhor orientação dos estudos e dos percursos individuais,na perspectiva de uma educação ao longo de toda a vida”. (DELORS, 1998, p.27-28). Oaprendizado sobre o trabalho em equipe e a valorização de se trabalhar deste modo deveiniciar-se, senão antes, dentro das universidades, além das outras atribuições que estasinstituições de ensino já possuem: É preciso, enfim, que o ensino superior continue a desempenhar o papel que lhe cabe, criando, preservando e transmitindo o saber em níveis mais elevados. Mas as
  32. 32. 28 instituições de ensino superior desempenham, também, uma função determinante na perspectiva de uma educação repensada no espaço e no tempo. Devem juntar a eqüidade à excelência, abrindo-se plenamente aos membros de todos os grupos sociais e econômicos, sejam quais forem os seus estudos anteriores. As universidades, em especial, devem dar o exemplo inovando, com métodos que permitam atingir novos grupos de estudantes, reconhecendo as competências e os conhecimentos adquiridos fora dos sistemas formais e dando particular atenção, graças à formação de professores e de formadores de professores, a novas perspectivas de aprendizagem. (DELORS, 1998, p.122) Formar professores que bem atuem no Século XXI é compromisso importantíssimopara o desenvolvimento da sociedade, e devem ser assumidos pelas instituições de ensino,pelos professores (de todas as modalidades), do Governo, das famílias, da sociedade em geral– a educação não se faz para um ou por um sujeito, mas pelo trabalho de todos, desde quemproduz o material a ser estudado, de quem estuda, de quem o escolhe e o distribui, de quem oexplora, de quem conduz o processo, até aquele que recebe o resultado disso na vidacotidiana. Conforme visto até aqui, devido ao formato social contemporâneo, uma daspremissas urgentes é introduzir as novas tecnologias na educação, que isso depende daformação do professor e que esta por sua vez depende de movimento por parte das instituiçõesgovernamentais, particulares, e principalmente de si próprio e de seu compromisso consigo ecom a sociedade. Por isso, algumas formas de se introduzir as tecnologias na educação epossibilidades de uso seguem como assuntos da presente discussão.3.1 – Introdução de novas tecnologias na educação As novas tecnologias desenvolvidas pela humanidade são apenas ferramentas, quepodem ser usadas para o bem ou para o mal, para ensinar ou para disfarçar o malplanejamento, para preencher o tempo das aulas que não se quer dar. É preciso, antes deselecionar qual a tecnologia a ser usada para determinada aula, ter consciência de que “Dasoma entre tecnologia e conteúdos nascem oportunidades de ensino (...) Mas é preciso avaliarse as oportunidades são significativas”. (POLATO, 2009, p.51). Se o aluno não se envolvercom a ferramenta selecionada ou se esta estiver fora da realidade do aluno, se a atividadeproposta não for compatível com o desenvolvimento do mesmo, o ensino perde o sentido, nãotem significado, não há aprendizado. A escola precisa rever quais os pontos do desenvolvimento tecnológico que não
  33. 33. 29foram implantados em suas unidade, passando a contextualizar os modelos e conceitosfilosóficos e pedagógicos, adaptando-se. Porém, vale ressaltar, a tecnologia deve serimplantada, a realidade escolar contextualizada com o uso de tais mídias, mas em momentoalgum deve valorizá-la em detrimento de seu próprio criador – o homem, pois a tecnologiadeve estar a serviço dele como uma ferramenta, e não o contrário. Assim, o professor utiliza-se dos equipamentos eletrônicos para recuperar a origem, amemória do saber apenas, estabelecendo ordem e direcionamento para a realização destaspráticas com base nos conhecimentos, vivências e posicionamentos apreendidos nos diversosambientes e equipamentos, assim como Kenski coloca em seu discurso no livro Ensinar aEnsinar (2002, p.99). Estas ações se comunicam diretamente com o fato de que os programasescolares devem ser permanentemente renovados e deste processo os professores devem fazerparte, apontando caminhos e finalidades do uso das tecnologias com base nos resultadosobtidos e nas perspectivas de ensino. Nesse sentido vale lembrar que estas experiências eperspectivas quanto ao uso nas novas tecnologias precisam ser o objetivo claro de inovação: Colocamos tecnologias na universidade e nas escolas, mas em geral, para continuar fazendo o de sempre – o professor falando e o aluno ouvindo – com um verniz de modernidade. As tecnologias são utilizadas mais para ilustrar o conteúdo do professor do que para criar novos desafios didáticos. O cinema, o rádio, a televisão trouxeram desafios, novos conteúdos, histórias, linguagens. Esperavam-se muitas mudanças na educação, mas as mídias sempre foram incorporadas marginalmente. A aula continuou predominantemente oral e escrita, com pitadas de audiovisual, como ilustração. Alguns professores utilizavam vídeos, filmes, em geral como ilustração do conteúdo, como complemento. Eles não modificavam substancialmente o ensinar e o aprender, davam um verniz de novidade, de mudança, mas era mais na embalagem. (MORAN, 2004) Os meios tecnológicos permitem, em relação aos conteúdos a serem trabalhados,“uma difusão mais ampla de documentos audiovisuais, e o recurso à informática, porapresentar novos conhecimentos, ensinar competências ou avaliar aprendizagens, oferecegrandes possibilidades”, segundo Delors (1998, p.161). Tais oportunidades não devem serdesperdiçadas pelo professor, e serão caso elas sejam utilizados conforme Moran afirmaserem, ainda que o fato seja negado por quem o pratica. Como dito acima, as tecnologias são ferramentas, dependem da opção e escolha deuso do professor para que o resultado de seu uso com os alunos seja satisfatório ou desastroso.Segundo Delors (1998, p.161), as tecnologias da comunicação quando bem utilizadas podem“tornar mais eficaz a aprendizagem e oferecer ao aluno uma vida sedutora de acesso aconhecimentos e competências, por vezes difíceis de se encontrar no meio local”, e isto se dápelo fato de que a “tecnologia pode lançar pontes entre países industrializados e os que não o
  34. 34. 30são, e levar professores e alunos a alcançar níveis de conhecimento que, sem ela, nuncapoderiam atingir” (DELORS, 1998, p.161). Claro que esta dificuldade não diz respeito àcompetência de cada um, mas a distância, ao custo, entre outros fatores, são empecilhos queteriam de ser transpostos pelos mesmos, cuja aproximação presente não se faz possível,apenas a virtual. Além disso, o professor pode buscar suprir suas dificuldades pedagógicas atravésdestas tecnologias, como assistindo um programa educacional de TV, acessando páginaseducacionais, lendo livros on-line, realizando cursos a distancia, entre outras formas deutilização destes meios, melhorando assim sua competência pedagógica e o nível de seuspróprios conhecimentos. Ou seja, a introdução das tecnologias educacionais nas instituições de ensino exigemudanças no quadro educacional, principalmente em relação ao papel do professor que ensinaaos alunos a avaliar e a gerir a informação a que tem acesso de modo prático e significativo,reflexivo e crítico, diferentemente de sua ação docente anterior de transmissor doconhecimento. Assim sendo, o processo de educação, hoje, revela-se muito mais próximo davida real dos envolvidos do que os métodos tradicionais, começando a surgir em salas de aulanovos tipos de relacionamento, que dependem da postura do professor e de seu entendimentoacerca de suas novas funções e desafios neste novo quadro social.3.2 – O novo papel do professor universitário na sociedade contemporânea Como visto, não apenas a sociedade é dinâmica quanto o desempenho do professordurante o desenvolvimento de suas atividades precisa ser para acompanhar a sociedade,atender seus anseios e proporcionar aos alunos as condições favoráveis à inclusão digital,inserção social, e exercício da cidadania. Neste momento, entretanto, entende-se comonecessário também “(...) repensar a formação de professores de maneira a cultivar nos futurosprofessores, precisamente, as qualidades humanas e intelectuais aptas a favorecer uma novaperspectiva de ensino (...)” (DELORS, 1998, p.157), pois só assim o docente poderácompreender em sua plenitude qual seu novo papel no cenário da educação da sociedadecontemporânea. Partindo dessa premissa, quanto a formação dos professores, Delors (1998)coloca que o crescimento do volume de informações e conhecimentos é gigantesco, mais quea outras profissões, até, se dê importância à formação do professor nas instituições de ensino
  35. 35. 31superior, pois “ estas têm um papel decisivo a desempenhar na formação de professores, nainstauração de relações estreitas com os estabelecimentos de formação pedagógica que nãopertencem ao ensino superior e na preparação de professores de formação pedagógica”.(DELORS, 1998, p.142-143) Ao incluir a tecnologia em seu dia-a-dia como ferramenta de ensino no sentido demotivar o aluno, de aproximar a realidade dele do cotidiano e o conteúdo da escola de modo adar mais significado ao que está aprendendo, e, percebendo que pode buscar seuconhecimento sozinho com o auxílio destas tecnologias, o professor precisa entender que suafunção é muito mais que transmitir dados, é orientar o aluno quanto a como e onde pesquisar,no caso da internet ou de jornais, revistas, é preciso que se leve em consideração a ideologiade cada instrumento e responsáveis por sua criação. Neste sentido o professor se tornou ummediador na relação do aluno e seu conhecimento, quando, através da interação,envolvimento, motivação e autonomia na busca do conteúdo, o aluno aprende melhor. Sob este contexto, Kenski (2002, p.105), afirma que são exigidas novas qualificaçõespara os professores, mas que ao mesmo tempo eles tem à disposição inúmeras oportunidadesde ensino e de aprendizagem que se apresentam: Os projetos de educação permanente, as diversas instituições e cursos que podem ser oferecidos para todos os níveis de ensino e para todas as idades, a internacionalização do ensino – através das redes – criam diferentes oportunidades educacionais para aqueles professores que aceitam estes desafios e se colocam abertos a estas novas e estimulantes funções. (KENSKI, 2002, p.105) A sociedade da informação realmente deixa muitos desafios à cargo do professor, daescola de modo geral, administrar as novas informações, orientar os alunos, formar-secontinuamente a fim de estar sempre atualizado e em sintonia com a realidade temporal emque vive, conviver em grupo e com uma realidade diferente da ideal, contudo, ao aceitar serprofessor, estes desafios todos – e os demais que surgirem – devem ser entendidos comosendo todos aceitos. Não só por aceitar os desafios, mas a fim de cumprir as exigências da profissão, oprofessor precisa conhecer suas obrigações diante das instituições em que vão trabalhar.Assim, como dito a princípio, ainda que o professor não adentre à rede estadual de ensino, oprofessor universitário precisa prepará-lo para tanto. Por este motivo, a Lei complementar444/84 do Estatuto do Magistério dos docentes do Estado de São Paulo, diz que o professortem por obrigação, entre outros itens:
  36. 36. 32 III – Empenhar-se em prol do desenvolvimento do aluno, utilizando processos que acompanhem o progresso científico da educação; (...) IX – respeitar o aluno como sujeito do processo educativo e comprometer-se com a eficácia de seu aprendizado. (...) XIII – considerar os princípios psico-pedagógicos, a realidade sócio-econômica da clientela escolar e as diretrizes da Política educacional na escolha e utilização de materiais, procedimentos didáticos e instrumentos de avaliação do processo ensino/aprendizagem. (Lei Complementar 444/84 Estatuto do Magistério, arts. 61- 63 e art. 95) Se o ensino superior não estiver embasado pela ciência e atualizado com seusavanços e novas descobertas, ainda ao se formar o aluno já estará obsoleto na sociedade, épreciso que o professor se dedique e faça parte deste quadro evolutivo, inserindo o aluno nestemesmo meio para que ele também se torne num pesquisador comprometido com seu próprioaprendizado. Considerando a realidade do aluno e a política educacional, conforme consta noEstatuto, a utilização do materiais e as metodologias utilizadas devem estar de acordo com otempo histórico em que a educação acontece, bem como o processo avaliativo deve favorecero desenvolvimento do aluno, e não apenas classificá-lo segundo o que não sabe – neste pontoo professor precisa dominar as técnicas de planejamento, reflexão, ação e redirecionamento deseu trabalho, ajustando as possíveis falhas de modo a suprir as dificuldades dos alunos,contribuindo para a sua plena formação. Diante disto, entende-se que o papel de educador como o detentor e únicoresponsável pela educação já não se corporificar mais: é indispensável que ele próprio seadapte aos novos meios de ensinar. Conforme se pode analisar no texto de Kenski (2001,p.95), o ato de ensinar não é discutido como uma função do professor tão somente, mas como“organizações de aprendizagem”, onde o mérito de ensinar na sociedade da informação seriavoltada para que os alunos consigam utilizar-se dos “bons programas eletrônicos”, nãodependendo diretamente do docente que o aprendizado aconteça – ele orienta e os alunosatravés da pesquisa aprendem sozinhos, principalmente a encontrar caminhos para aconstrução de seu próprio conhecimento. Assim sendo, o aluno – em continuidade aoprocesso educacional, além de ler e escrever precisa se manifestar oralmente a fim decontribuir com outros acerca de seu aprendizado e propicie ao professor meios de avaliá-lo eauxiliá-lo na aquisição de seu saber, que igualmente deve fazer uso da fala para instigar osalunos a buscarem dados e informações, a refletirem, a compreenderem melhor o que estãolendo, acessando ou usando enquanto ferramenta, com ênfase nas tecnologias (que muitasvezes ainda são desconhecidas pelos alunos): Na escola, território em que supostamente predomina a leitura e a escrita, a oralidade nunca foi apartada. É através da voz e dos gestos do professor que os
  37. 37. 33 alunos são encaminhados na compreensão e análise dos saberes existentes nos textos, nos livros, nos sites e CD-ROMs. A forma oral de transmissão das informações faz recortes, seleciona, valoriza e reinterpreta a suposta objetividade do texto. É através da fala do professor que os saberes socialmente valorizados são trabalhados com todas as leituras que o professor tem diante daqueles conhecimentos. (KENSKI, 2001. p.101) É através da fala do professor que sua compreensão de mundo, visão política,domínio do assunto e paixão pelo sabre são demonstrados aos alunos. Contudo, aulas que seutilizem apenas da fala caem na tradicional aula expositiva, em que os alunos não participam,apenas ouvem e reproduzem o que ouve. O professor precisa utilizar a fala não como meio deexposição do conteúdo (pois para saber sobre determinado assunto basta realizar uma leiturapor qualquer via de disseminação de informação), mas, sim, de diálogo, fazendo com que oaluno participe das aulas e se sintam integrados ao processo ensino-aprendizagem como peçae ator fundamental de seu próprio desenvolvimento. Segundo o texto de Kenski, inclusivepelo diálogo, o trabalho do professor implica na ativação das várias memórias dos alunos, demodo a interligá-las, transcendendo os limites da escola, ainda que isto aconteça de modoinformal, sem registros em planos de ensino e/ou planejamentos, mas pela partilha doconhecimento acumulado pelas experiências e situações vividas: As memórias de um grupo social – incorporadas nas linguagens, histórias, lendas, canções, relações interpessoais, brincadeiras e rituais, festas, tradições, nos hábitos e nos mitos – estão permanentemente presentes nas escolas de todos os tempos, através das ações e interações espontâneas entre professores, alunos e demais pessoas que por ali circulam. (KENSKI, 2001, p.97) Deste modo, o professor se enquadra no papel de agente de memória, sendoresponsável pela preservação das recordações, da história, da cultura local, sem deixar debuscar na cultura mundial os novos conhecimentos produzidos. Assim como Kenski pontuasobre o professor assumir a postura de agente de memória, diz que “Um outro papel estruturaldo docente é ser agente das inovações. O profissional que vai auxiliar na compreensão,utilização, aplicação e avaliação crítica das inovações surgidas em todas as épocas, requeridasou incorporadas à cultura escolar.” (KENSKI, 2002, p.97). Em conformidade com suasafirmações, pode-se dizer que, ao negligenciar sua nova função de mediador do conhecimentoatravés de metodologias inovadoras, o professor nega seu papel de educador, colocando-se asi mesmo longe de suas atribuições profissionais de professor, e neste sentido éimprescindível que, enquanto formador de opiniões e de novos professores, o professoruniversitário assuma sua nova postura e exerça sua função em prol do aluno e da sociedadecomo um todo, influenciando em uma formação para toda a vida e ao longo dela.
  38. 38. 343.2.1 – Formação Continuada para uma Educação de Qualidade Mesmo sendo este ponto extremamente relevante, esmiuçá-lo profundamente em umúnico tópico poderia ser visto como desnecessário por vir surgindo ao longo deste texto emdiversos momentos, entretanto, compreende-se que o conceito de educação continuada precisatambém ser abordado de modo particular a fim de que não seja visto apenas como umcomplemento das atividades a serem realizadas, mas como uma ferramenta dedesenvolvimento humano e social, individual e coletivo, que favorece a quem se forma e aquem convive com ele, criando laços de aprendizado mútuo. A educação ao longo de toda a vida não é um ideal longínquo mas uma realidade que tende, cada vez mais, a inscrever-se nos fatos, no seio de uma paisagem educativa complexa, marcada por um conjunto de alterações que a tornam cada vez mais necessária. Para conseguir organizá-la é preciso deixar de considerar as diferentes formas de ensino e aprendizagem como independentes umas das outras e, de alguma maneira, sobrepostas ou concorrentes entre si, e procurar, pelo contrário, valorizar a complementaridade dos espaços e tempos da educação moderna. Em primeiro lugar, como dissemos, o progresso científico e tecnológico e a transformação dos processos de produção resultante da busca de uma maior competitividade fazem com que os saberes e as competências adquiridos, na formação inicial, tornem-se, rapidamente, obsoletos e exijam o desenvolvimento da formação profissional permanente. (DELORS, 1998, p.104) Em vistas disso pode-se dizer que o profissional que não estiver continuamente, aolongo de toda a vida, buscando dados novos e adequando-se ao seu tempo e espaço, devido avelocidade de mudanças proporcionada por esta revolução que a Sociedade da Informaçãocoloca à população mundial, ficará à margem do processo de desenvolvimento de sua nação,abrindo mão de sua atuação cidadã que implica, entre outras coisas, em contribuir para aformação de novas gerações com vistas no passado e perspectivas de futuro conforme arealidade presente. Deste modo, o conceito de educação ao longo de toda a vida éfundamental e imprescindível para novas portas serem abertas neste século, possivelmentetodas, segundo o texto de Delors, isto porque este conceito “Ultrapassa a distinção tradicionalentre educação inicial e educação permanente. Aproxima-se de um outro conceito propostocom freqüência: o da sociedade educativa, onde tudo pode ser ocasião para aprender edesenvolver os próprios talentos”. (DELORS, 1998, p. 117) A sociedade educativa, como já citada no decorrer do texto, seria um ideal a seralcançado pela sociedade da informação, onde não apenas a informação se difunde peloplaneta, mas o conhecimento, onde uns educam aos outros e a si mesmo o tempo todo.

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