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2                              INTRODUÇÃO À TEOLOGIA       Inicio expondo alguns pontos que me pareceram fundamentais para...
31-Introdução geral e problematização        Prá começo de conversa é bom demarcar uma série de pressupostos/atitudes gera...
4       Nesse sentido é que se diz que não se pode fazer teologia sem fé...E quando se dizFÉ quer-se dizer que estamos dia...
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10outras expressões. Hoje não mais. Diálogo para dentro da igreja e para fora, para dentro dateologia católica e cristão e...
11enriqueceu...Não se pode mais pensar uma teologia dedutiva, que parte de verdades eimponha práticas. Hoje é preciso pens...
12uma perigosa separação...é preciso um equilíbrio, o momento da síntese da pastoral teológicae da teologia pastoral...5. ...
132- QUESTÕES NUCLEARESA)                    O QUE É TEOLOGIA               Theós: Deus               Logos: tratado, estu...
14b) O Que estuda a teologia e em que perspectiva?Como em toda a ciência é preciso distinguir o objeto material do objeto ...
15dos pobres dizendo que estão falando de DEUS. Se não se tem essa compreensão pode-seachar que o homem e a história não s...
16        ENFOQUES: SEXISTA (teologia feminista), ECOLÓGICO, ÉTNICO, teologia dasreligiões.        Só uma palavra rápida s...
17                  decisiva: praticar a vontade de Deus. Esse deve ser um objetivo sempre                  presente no te...
18       Como se processa? É uma teologia oral e falada. A linguagem preferencial é a poesia,o canto, o desenho, o gesto, ...
19na academia. Tanto num lugar quanto no outro ele está a serviço do povo de Deus. Tem ummomento de assessoria e um moment...
20       2- Há os teólogos(as)-aranhas. Esses são a antítese do tipo anterior. Tiram tudo de si edaí constroem suas teias ...
21                            2-Escritura                      12- Razão                                                  ...
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Introdução à Teologia / Gilmar Zampieri

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Introdução à Teologia / Gilmar Zampieri
Disponível em http://www.estef.edu.br/arno/wp-content/uploads/2011/03/Introdu%C3%A7%C3%A3o-%C3%A0-Teologia-2.pdf acesso em 20110727

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Introdução à Teologia / Gilmar Zampieri

  1. 1. 1ESCOLA SUPERIOR DE TEOLOGIA E ESPIRITUALIDADE FRANCISCANA GILMAR ZAMPIERI INTRODUÇÃO À TEOLOGIA PORTO ALEGRE, 2004
  2. 2. 2 INTRODUÇÃO À TEOLOGIA Inicio expondo alguns pontos que me pareceram fundamentais para uma introdução àteologia. Digo alguns pontos porque uma introdução a uma área do conhecimento é sempreseletiva. É impossível tratar em de tudo em espaço de tempo reduzido. Isso por um lado. Poroutro lado gostaria que ficasse desde já como pressuposto de que uma introdução sempre éum abrir o leque das questões que serão aprofundadas no decorrer do curso como um todo.Cada etapa desse curso cumpre uma função específica. A minha função não seráaprofundar questões específicas, mas “despertar” o desejo para conhecer mais. Éexatamente isso que me proponho. Despertar o desejo natural que temos para conhecer,aprofundar a nossa fé. Espero que consiga isso. E não espero outra coisa. Vamos aos pontos:1- Introdução geral e problematização1.1- Pressupostos/atitudes do fazer teológico1.1.1- Fé no mistério1.1.2- Amor às “coisas” da revelação1.1.3- Estudar ou fazer teologia1.1.4- Compromisso com o Povo de Deus1.2- Contextualização atual da teologia: cruzamento de duas experiências antagônicas. (Umade esperança e outra de suspeita)A) ESPERANÇA1- Na era da teologia para leigos2- Na era do pluralismo e reino do diálogo inter-religioso3- Uma pastoral mais exigente4- Sede de espiritualidade5- Pluridiversidade de lugares teológicosB) SUSPEITA1- Imediatismo2- Espiritualismo3- Controle centralizador4- Separação entre teologia/ pastoral5- O espírito do tempo2- Questões nuclearesa) O QUE É TEOLOGIA?b) O que estuda e em que perspectiva?c) Enfoques teológicos?d) Teologia para que?e) As formas ou níveis do discurso teológico3- TEOLOGIA E MÉTODO
  3. 3. 31-Introdução geral e problematização Prá começo de conversa é bom demarcar uma série de pressupostos/atitudes gerais quedevem ser como que pano de fundo, ou tela, em que se dependura o universo do FAZERTEOLÓGICO. Pressuposto: Posto antes, antes da base mesmo...é o alicerce sobre a qual seconstrói a casa...1- FÉ NO MISTÉRIO O pressuposto dos pressupostos é a fé no mistério. Esse pressuposto tem relação com ocaráter próprio do fundamento da TEOLOGIA: Deus. É preciso ter em conta que todoSABER tem seu mistério ( seu lado ainda não, seu lado de sombra, seu lado fascinante etremendo que nos encanta e nos põe suspensos). Até mesmo o saber científico. Basta ver, porexemplo, os insondáveis mistérios que se escondem no campo da medicina. Continua comoum grande mistério a cura do câncer, do prolongamento da vida, da AIDS etc... Nem tudo éluz na ciência, mesmo que ela se proponha a tudo clarear pela LUZ da Razão. Não há respostaúltima e absoluta sobre as pergunta da física ou cosmologia etc... Os cientistas ainda estãoatrás de uma explicação sintética da origem do universo,...sem falar do futuro do universo emexpansão ou em refluxo....A ciência não trabalha com a hipótese do mistério, Deus não jogadados e por tanto deve haver uma explicação para tudo, se ainda não se chegou é apenasdéficit do nosso conhecimento....UMA grande diferença com a teologia que não parte dopressuposto de tudo responder, mas de compreender. Se assim é com a ciência em geral, muito mais com a teologia por tratar doMISTÉRIO DOS MISTÉRIOS: DEUS. Quem se propõe fazer teologia tem que saber que seestá pisando em terreno misterioso e para isso é bom que soe aos ouvidos aquela voz de Deusdirigida a MOISÉS: “Tire as sandálias dos teus pés, porque este lugar em que está é uma terrasanta” (Ex, 3,5). Só com essa atitude de reverência religiosa consegue-se penetrar e avançarno mundo da teologia. Sem essa atitude básica corre-se sério risco de praticar uma teologiasecularizada...
  4. 4. 4 Nesse sentido é que se diz que não se pode fazer teologia sem fé...E quando se dizFÉ quer-se dizer que estamos diante do sagrado e misterioso. A fé acontece antes e depois detoda a palavra, de toda a tentativa de SABER,...não se tem fé porque se conhece, mas apesardo conhecer. A atitude de fé na ciência está na segurança e na funcionalidade testada eprovada pela experiência...em teologia não há prova, e por isso mesmo exige-se fé...Todaprova em teologia acaba em ato de fé...assim é com a nossa maior prova, a ressurreição...A féé anterior a teologia...A fé não pode ser um resultado das demonstrações racionais sobreDEUS E A REVELAÇÃO (TEODICÉIA)...A teologia não é a própria fé, a teologia procededa Fé, interprete-a, empenha-se em compreendê-la, especialmente através de uma reflexãosistemática. Nesse sentido TEOLOGIA É CIÊNCIA DA FÉ. Uma ciência comparticularidades, como veremos no decorrer do curso. Voltaremos mais adiante sobre essasquestões. Para concluir: Não tenhamos a pretensão e o desejo de tudo conhecer e tudodesvendar, tirar o véu e ver face a face. Isso é uma tentação, é preciso deixar o mistério sermistério e entrar na dinâmica dele e crer por causa disso. Se buscarmos prova para tudo, anossa fé não se sustentará. Fé em virtude do mistério, do absurdo como diz Kierkegaard. Oque é central na nossa fé é mistério impenetrável totalmente pela razão: a encarnação, acrucificação, e a ressurreição. Mistério vem de muein: “fechar a boca”, “fechar os olhos”. Os olhos e a boca sãofechados porque o mistério transcende o ato de ver e falar. Aquilo que deixa de ser mistériodepois de se revelar não deveria ser chamado mistério propriamente.2- AMOR ÀS “COISAS” DA REVELAÇÃO Além dessa atitude, ou pressuposto básica que é a fé no mistério, há uma segunda queé o AMOR pelas coisas da fé. Amar é desejar. Desejo é sempre algo que nos falta. Não seama algo que se tem. Se já temos desfrutamos. Essa lição que vem da filosofia e da psicologiaé importante também na teologia. É preciso desejar o que nos falta. Em teologia nos falta oaprofundamento, a reflexão, sobre um dado primeiro que é a fé. E não uma reflexão pelareflexão, não o conhecimento pelo conhecimento. O saber só tem sentido para nos tornarmelhores. Amor às coisas da revelação. É preciso alimentar o amor, e aqui se alimenta comLEITURA, com participação, com busca, com desejo mesmo..com gosto pelas coisas darevelação....gosto pela bíblica sem ser carola ou fundamentalista....mas para não ser é precisoesforço, leitura, aprofundamento...
  5. 5. 5 Como tomar gosto pela Teologia? Eu diria que teologia é uma fruta que se apreciaenquanto se come. E o apetite vem comendo. Isso significa que é preciso vencer asresistências para chegar ao saboreio total da fruta. Para isso é preciso esforço, dar tempo, sedebruçar sobre o objeto do amor. O conhecimento se dá do simples ao complexo como numarelação amorosa humana. No início uma leve atração, que se não alimentada pode morrer. Talcomo o Amor, a teologia é uma tarefa permanente. Precisa ser renovada constantemente. Paraisso é preciso fazer uma teologia orante e não só teologia racional. Em relação ao estudoespecificamente falando vale a pena ouvir a sabedoria milenar do oriente: “Os cinco meiosexternos para progredir no estudo são: mestre, livro, casa, condiscípulos e orelhas. Os cincomeios internos para o estudante ter sucesso são: saúde, mente desperta, boa conduta,aplicação e gosto pela leitura”.... Muitas coisas se opõem ao estudo da teologia:- a cultura de massa baseada na comunicação audiovisual que a todos afeta, inclusive oteólogo. O lado passivador e sensacionalista pouco favorável a reflexão pessoal continuada.- O ativismo pastoral ou não, que dispensa o aprofundamento em nome da ação.- Um clima de hedonismo e materialismo que dificulta a mente a escarpar as montanhas maispuras e elevadas, como são as da fé.- Uma cultura dominada pelo saber instrumental. Vivemos um tempo em que o saber que nãoseja operacional ou técnico, parece ser coisa de desocupado...E outros3- ESTUDAR OU FAZER TEOLOGIA? Uma outra atitude ou pressuposto importante a ter presente no começo da teologia équanto a alternativa ESTUDAR OU FAZER TEOLOGIA? A opção recai aqui para oFAZER...O Estudar dá a impressão de algo que se adquire e se aprende. Aprender dá aimpressão que teologia é algo fixo, morto...uma coisa que se pode pegar, dominar, reproduzire adquirir como se adquire um carro e que se registra em nome próprio. Teologia não é só umSABER a ser transmitido e que alguém se apropria. Teologia é coisa viva, uma coisa que semovimenta, que nos escapa, que nos puxa, que nos impulsiona para frente. Não se podeimaginar que teologia seja resposta pronta e que sirva como um CATECISMO. Nesse sentidopara fazer teologia tem que se estar implicado nela...tem que haver uma disposição ao novo,ao instigante, ao ainda-não....É um FAZER em aberto...é uma obra ABERTA como dizECO...Uma obra em que o artista principal não é o Professor, e nem propriamente o ALUNO,mas o Espírito de Deus. Nesse sentido professor e aluno tem que estar aberto a um terceiro
  6. 6. 6que interpela e convoca para a frente... E por isso ambos abertos aos sinais dos tempos...Abertos as perguntas e apelos novos que vem da igreja e da sociedade....ter uma atitude críticapara ler nos acontecimentos a “mão invisível de Deus”...para isso tem que se apropriar da“fábrica de fazer teologia”... tem que passar pela história, pelas escolas teológicas, pelateologia bíblica, teologia patrística, monástica, moderna e contemporânea para chegar aTeologia da Libertação... Os grandes Teólogos da libertação são grandes por conhecer e saberfazer teologia por dentro da fábrica mesmo do fazer teológico... para isso tiveram que sedebruçar sobre a tradição...conhecer bem Agostinho, Tomás... Ranher etc...4- Compromisso Com o Povo Todo saber humano é serviço à vida. Um texto de São Bernardo é paradigmático naenumeração e qualificação dos vários tipos de saber: “Há os que querem saber só para saber.- E isso é torpe curiosidade. (Desonesto,impudico, Infame, vil, abjeto, ignóbil). Hás os que querem saber para aparecer. – e isso é torpe vaidade... Há ainda os que querem saber para vender sua ciência, por exemplo, em troca dedinheiro e de honras. –E isso é um torpe ganho. Mas há também os que querem saber para edificar – e isso é caridade. Há ainda os que querem saber para se edificarem a si mesmo. – e isso é prudência”. A prática teológica com mais forte razão não pode terminar no puro saber, mas nocompromisso da fé e da caridade, no ministério da palavra e na luta pela libertação, enfim, naPráxis. TEORIA- PRÁTICA= PRÁXIS (Reflexão feita ação e ação refletida). Não basta saber O QUE, mas importa saber para QUE. Em teologia é importante apergunta: a quem interessa? A verdade teológica deve fecundar a vida e produzir vida. Ateologia é portanto um ministério e o teólogo um servidor, servidor da Palavra em favor doPOVO. Para isso não se pode fazer teologia alienada, desligada da realidade que deveiluminar. CLODOVIS COLOCA AQUI TRÊS FORMAS DE COMPROMISSO COM OPOVO1- Ao nível da causa. Luta ao lado do pobre e não somente simpatia intelectual emoral. Importa que se tenha um contato físico. E que se defenda as suas causas. É precisoestar lá onde o povo está. A teologia não pode ser de gabinete. Aqui luta-se pelos pobres.2- AO nível da caminhada. Não só o contato e a vivência ao lado do pobre. Mas
  7. 7. 7também luta-se com ele. É preciso dividir o tempo entre o trabalho teórico e o prático naorganização das lutas do povo dando aquilo que tem de específico, elementos teóricos,pedagógicos e políticos.3- AO Nível das condições de vida. Aqui luta-se como pobre. É preciso encarnar ojeito do pobre viver. Isso supõe uma inserção profunda na vida dos pobres. É preciso para issooptar pela inserção social. Viver onde o pobre vive.Existe um privilégio hermenêutico dos pobre. Deus esconde as coisas dele dos sábios e aoentendidos e as revela aos pobres. Um exame acurado da história poderia nos mostra oestreito entrelaçamento entre pobreza e sabedoria. SÓCRATES, BUDA ETC...Do ponto devista bíblico é possível fazer teologia silogizada sobre a libertação, mas então estaremosperdendo algo essencial que é a “opção histórica de DEUS pelos pobres”...Não se discute aquiquem é esse pobre, e o que significa pobreza, se é a real ou a do coração etc....essa é umaquestão importante mas que vai além do limite aqui...ver p. 178ss. Finalmente é preciso se perguntar aqui: Qual a contribuição específica que a práticatraz a inteligência da fé? A “força de inteligibilidade” da prática, ou sua “espessura epistemológica”( issosignifica dizer qual a relevância da prática para o conhecimento teológico) consisteprincipalmente em dois pontos:1- A PRÁTICA PROVOCA O CONHECIMENTO: E isso de muitos modos: a)levantando problemas concretos que a teologia transforma em questões teológicas. Porexemplo: a prática do aborto, a prática das separações entre casais, a prática do clone, aprática de paróquias que se vem sem atendimento por falta de padres...ou a prática deresistências dos pobres na luta pela participação e direitos sócio-político e eclesiais....ou atémesmo a prática abominável da guerra...etc..A rigor a prática não responde, mas interroga.Levanta questões. Cabe a reflexão teológica iluminar e buscar respostas.. 2- A PRÁTICA VERIFICA O CONHECIMENTO DO TEÓLOGO: Verificar significaliteralmente: tornar verdadeiro, reconhecer por verdadeiro. É o momento que equivaleà ciência de experimentação e verificação. Com isso dá um certo acabamento ao discursoteológico. Só na prática o conhecimento teológico se completa, se perfaz, se consuma. Sóquando praticada a fé se mostra em plena luz. Só quando Francisco beijou o leproso ele podeter certeza do processo de conversão levado a efeito. Como conclusão: a prática não responde, interroga, não conhece, reconhece. Franciscoreconheceu a Deus no beijo ao leproso. Com isso temos o movimento completo. Não só a fé
  8. 8. 8ilumina a vida, mas a vida ilumina a fé. Essa dialética é a maior contribuição da Teologia daLibertação. NÃO SÓ FÉ-TEOLOGIA-VIDA, MAS VIDA-TEOLOGIA-FÉ---É ADIALÉTICA FRUTÍFERA DA TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO. Não é pura indução mas umlevar a um momento superior como método complementar. A FALA DA AMADA Certa vez, passeando pela China, um jovem estudante conheceu uma menina de rarabeleza. Foi um encantamento mútuo e silencioso, uma vez que um desconhecia o idioma dooutro. Isso, porém, não impedira que se tocassem em sua alma. O estudante regressa a seupaís, prometendo, mais a si mesmo do que a ela, retornar um dia, para viver em definitivo sobas luzes daquele amor. De volta em casa, a ansiosa espera de que o carteiro lhe trouxesse um primeiro sinal desua amada. Teria ela em igual intensidade se afeiçoado a ele? Tê-lo-ia, quem sabe, esquecido?Mais alguns dias e chega a primeira carta. O regozijo mal lhe cabe no peito. Os signos aliinscritos, ainda que completamente ininteligíveis, são como ou tesouro inestimável, poisguardam em si o coração de sua amada. Às pressas, ele procura um tradutor. Quer saber tudo.O significado ordinário de cada palavra e o seu possível velado sentido. Quem sabe nãoestaria ali, cravada no profundo de um daqueles sinais, uma declaração de amor.Imediatamente, ele responde a carta, dizendo a ela de sua afeição e saudade. Cartas vêm e vão, até que o jovem começa a sentir um certo incômodo no fato de terque recorrer sempre a um tradutor. Estaria ele descrevendo com fidelidade a largueza e aprofundidade de seu amor? O jovem começa a estudar chinês. As mensagens da amadacontinuam chegando às suas mãos. Mas, a fim de que suas próprias respostas fossem precisasem estilo, em beleza e nuanças semânticas, ele protela sempre de novo suas cartas. Os anos sevão. Os estudos multiplicam-se, acuram-se e culminam numa brilhante tese sobre adiversidade dialetal da língua chinesa, fazendo daquele jovem um renomado perito emsinologia (estudo do que se relaciona com a china). As feições da amada, porém, submergemna obscuridade de uma vaga lembrança. Vez por outra, sobressaltavam-no ainda uma docesaudade e o ligeiro desejo de voltar àquele país, mas os compromissos acadêmicos e a idadeavançada já não permitem uma tal aventura. Era o triste fim de uma história repleta depromessas de felicidade: ele dominava agora, notavelmente, a fala da amada, escapara-lhe,porém, falar com ela de coração a coração, a ponto de perdê-la. Ele aprendeu por amor edesaprendeu a amar.
  9. 9. 92- SINAIS DE ESPERANÇA E A PERMANÊNCIA DE SUSPEITAS EMRELAÇÃO À TEOLOGIA. Quero concluir essa introdução e problematização acenando para alguns pontoslevantados pelo Pe. Libânio, que me parecem importantes como começo de conversa.A- SINAIS DE ESPERANÇA:1. Na era da teologia de e para leigos: Teologia já não é patrimônio de profissionais, ou sacerdotes.... Cada vez maisassistisse ao aumento da procura da teologia por parte de LEIGOS que buscam clarear,compreender, aprofundar a sua fé dentro de uma sociedade plural e com variadas ofertasreligiosas e de valores...É o protagonismo dos leigos tomando forma com apropriaçãointelectual...Dioceses, institutos, paróquias, estão abrindo espaço exigido pelos própriosLEIGOS que buscam formação...isso demonstra a MAIORIDADE do cristão leigo e umenriquecimento da própria igreja...Sinal de esperança e vitalidade. DE LEIGOS: não só no nível de teologia popular, mas também no nível da teologiaprofissional, acadêmica. Ex. Maria Clara Bingemer, Faustino Teixeira, Yung Mo sung etc. Éevidente que ainda é território de cléricos.2. NO REINO DO PLURALISMO E DO DIÁLOGO: Na base de todo o pluralismo está a Bíblia...A experiência bíblica é uma experiênciahistórica e não metafísica unificante...por isso encontramos na bíblia uma pluralidade deteologias e perspectivas....O exemplo mais clássico aqui são os próprios evangelhos....por quenão temos um único evangelista? E a interpretação de PAULO dos evangelhos??’ Uma únicafé mas, manifesta, e entendida de muitas formas... Como reflexo disso, e da sociedade que éplural, temos a pluralidades de teologias... Não se pode falar sem mais em Teologia. É certoque há núcleos comuns como veremos e perspectivas, mas há na realidade várias teologias.Isso dá uma dinamicidade muito grande..teologia feminista, holística, da libertação,ecumênica, do diálogo inter-religioso. Entra aqui em cheio o debate entre a universalidade e aparticularidade da teologia... Diálogo. Diálogo é a palavra de ordem da contemporaneidade. Até que a igrejacatólica era a única e reinava triunfante, não precisava de diálogo. No máximo se tolerava as
  10. 10. 10outras expressões. Hoje não mais. Diálogo para dentro da igreja e para fora, para dentro dateologia católica e cristão e para fora da teologia confessional. Diálogo aberto, semdogmatismo para apreender do outro, das outras manifestações, das outras religiões. O futuroserá de diálogo entre as religiões ou será de intolerância e guerra entre as religiões.3. Uma pastoral mais exigente... A revolução industrial com o deslocamento da economia agrícola para uma economiaindustrial urbana globalizada está a exigir uma nova forma de fazer pastoral...o forte acento nacomunicação tecnológica com mil possiblidades apresenta-se como um grande desafioatual...reciclagem dos agentes... PASTORAL URBANO EM QUESTAO...INTERNETETC....Tudo isso é um desafio para o fazer teológico. É fundamental que se pense novasformas de evangelização e não se repita as velhas fórmulas de fazer pastoral. Inclusive asvelhas fórmulas da CEBs... É preciso um verdadeiro choque pastoral para a urbanidade. Épreciso entender a lógica descentralizada das cidades para fazer uma boa evangelização e porconseguinte uma teologia pertinente aos nossos tempos. Pensar a pastoral para além daestrutura tradicional da paróquia que se concentra em sacramentos e em um vínculo passivotanto do sacerdote ou dirigente, quanto do fiel. É preciso quebrar a lógica do sacramentalismoe formalismo da tradição. CRIAÇÃO, CRIATIVIDADE É A PALAVRA DE ORDEM.4. Sede de Espiritualidade... Inteligência racional, emocional e espiritual....ondade livros de auto-ajuda...esoterismo...espiritismo etc....mas também grupos espirituais queaprofundam sem cair no emocionalismo...A postura aqui é de acompanhamento crítico com osmovimentos espirituais... Como diz RAHNER... O Cristão do futuro ou será místico, ou nãoserá cristão....Uma profunda e afetiva comunicação entre Deus e o homem... Espiritualidade éfazer experiência do amor gratuito de Deus,..é uma mudança de coração de pedra para umcoração de carne... Em qualquer ambiente que se vai, da empresa a sala de aula, quando semexe com a questão da espiritualidade a recepção é imediata. Agora, é preciso pensar aespiritualidade como uma vida no ESPÍRITO Santo, e não como pietismo, oração, fuga domundo, intimismo etc...5. Pluridiversidade de lugares teológicos: A teologia clássica conheceu os famosos lugaresteológicos....(ESCRITURA E MAGISTÉRIOS E TEÓLOGOS SOBRETUDOTOMAS)...a modernidade sensível as angústias e esperanças do homem pôs em evidência aEXPERIENCIA HUMANA como lugar teológico enquanto “lugar de sentido”...Privelegiaram-se as experiências carregadas de densidade existencial: dor, a morte, angústia, ovazio, existencial etc...A teologia da libertação, por sua vez, pôs em evidência outro lugarteológico priviligiado: O POBRE. Com esses dois novos lugares teológicos a teologia se
  11. 11. 11enriqueceu...Não se pode mais pensar uma teologia dedutiva, que parte de verdades eimponha práticas. Hoje é preciso pensar a teologia como reflexão da fé, da prática, daexperiência de vida. A vida é o lugar privilegiado de se fazer teologia.B- PERMANÊNCIA DE SUSPEITAS CONTRA A TEOLOGIA:1. A partir da pastoral imediatista “popular”: Há na sociedade um jogo de poder-dominação aceito pelas classes populares ereproduzido...Uns sabem e tem poder, outros não sabem e se submetem....Esse mesmoesquema se reproduz dentro da igreja como reflexo... Teólogos e clérigos sabem e a eles cabeo conhecimento,...Aos leigos cabe apreende-los e praticar....Essa postura levou nos últimosanos a camadas de leigos mais conscientes a suspeitarem da teologia por ser também centrode dominação teórica e ideológica, preterindo-a em nome da PRÁTICA gerandoanticlericalismo e anti-teoria... Por outro lado temos a tendência conservadora que suspeita dateologia moderna e a teologia da libertação favorecendo que se reproduza o esquema dedominação da sociedade...fazer teologia seria para esse grupo, perigoso para a fé, caindoassim para um pietismo simplista...2. A partir de uma perspectiva espiritualista: Teologia e espiritualidade se reclamam uma a outra, contudo há uma onda deespiritualidade de cunho emocional arredia a teologia,...a postura parece ser: “Prefiro nãorefletir sobre a fé, para não perde-la”...é uma atitude infantil que em nada contribui para oamadurecimento da fé, mas é uma atitude forte dentro da sociedade e da igreja...3. A partir de maior controle centralizador: Polo central do magistério e Teólogos...uma tensão complicada...A liberdadeacadêmica do teólogo está sob suspeita...casos recentes a acentuam-....BOFF, JacquesDepuis,...e outros...Fala-se de um inverno na IGREJA...depois da primavera eclesial do Pré-Vaticano com os movimentos litúrgicos, bíblicos, pastoral....a renovação de praticamentetodos os ramos da teologia feita então...a coleção teologia da libertação foi o último esforçosistemático antes da virada conservadora...50 volumes previstos...mas anda comdificuldades...o clima de liberdade foi substituído por um certo rigor vigilante, controlador deexpressão. Três teologias estão sob suspeita: LIBERAL EUROPÉIA, DA LIBERTAÇÃOLATINO AMERICA...E A TEOLOGIA DAS RELIGIÕES DO MUNDO ASIÁTICO...4. Distância entre teologia e pastoral: Há um divórcio entre teologia epastoral....a pastoral acusa a teologia de ser abstrata e se preocupar com o sexo dos anjos....ateologia acusa a pastorar de imediatismo e espontaneísmo...esse divórcio produz no aluno
  12. 12. 12uma perigosa separação...é preciso um equilíbrio, o momento da síntese da pastoral teológicae da teologia pastoral...5. O ESPÍRITO DO TEMPO ATUAL: A maior dificuldade para o fazerteológico talvez seja hoje exatamente o espírito do tempo. A atmosfera cultural querespiramos é adversa ao fazer teológico. Vivemos um tempo de falta de consistência nosvalores, nos princípios, há uma onda fortemente marcada pela relatividade de todas as teoriase práticas. Tudo o que é sólido desmancha no ar. Todo pensamento que se mostre seguro écriticado como totalitário ou conservador. Por outro lado assistimos hoje aquilo que umteólogo brasileiro Clodovis Boff chama de tempo de niilismo ou se quiser a perda completa deSENTIDO PARA A VIDA....Com a perda de sentido volta-se cada vez mais para a imediatez,para o pragmático, para o prazer dos sentidos, para o aqui e agora, ninguém mais está dispostoa sacrificar o presente em nome do futuro ou de valores e princípios. A era do VAZIO...issopor um lado é suspeita e por outro é uma chance...como dialogar com esse homem e mulherdo nosso tempo? CONCLUSÃO: Como diz Libânio, “Começa-se a teologia precisamente numa encruzilhada. A via dasuspeita cruza o caminho da busca. O estudante de teologia, ao olhar para um lado, vê osinúmeros marcos da suspeita. Mas, olhando para o outro lado, lá estão também os sinaisapontando para procura insistente de teologia que responda aos reclamos da atualidade”.
  13. 13. 132- QUESTÕES NUCLEARESA) O QUE É TEOLOGIA Theós: Deus Logos: tratado, estudo, SABER, CIÊNCIA.Teologia: atividade da fé que deseja saber: “fides quaerens intellectum” ATO 1 REVELAÇÃO- FÉ- TEOLOGIA- ato 2PROPOSTAFundamento da fé e da teologia. RESPOSTA ExistencialA teologia cristã não é um esforçoDo homem para chegar a DEUS. ComunitáriaÉ Deus mesmo que vem ao homem eSe revela por um ato de AMOR primeiro. Prática Fé consciente. Inteligência da fé. Crítica eaprofundamento da própria resposta a revelação e os desígnios de Deus. É a sistematização doato 1. É o confronto racional de esclarecimento entre o que é nossa fé e prática com a fé e aprática de DEUS em Jesus Cristo. Fé adulta, fé consciente. Por isso exige método. Disciplinas: QUE FALAM DE DEUS- Trindade, Cristologia, Criação. Do lado da Fé: Liturgia, Moral, espiritualidade, eclesiologia, pastoral,ecumenismo etc....No fundo teologia é articular os dois pólos de forma crítica e hermenêutica,isto é, de interpretação do que é a vontade de Deus na ação humana, e o que é da vontade dohomem na ação de Deus. A articulação da relação, eis o que é a teologia.O QUE É TEOLOGIA? É preciso ser bem objetivo aqui. Teologia é inteligência da féque por sua vez se articula e se defronta constantemente com a Revelação de Deus. Por issotemos um esquema simples. DEUS ----HOMEM-mulher Teologia - É a ciência do diálogo entre Deus e o homem. Como se faz isso?Bem, isso é o que se verá durante todo o curso. O paradigma desse diálogo é a história dopovo de Deus na bíblia. E por isso a concentração em temas bíblicos. Mas chamo a atençãoaqui. É sempre diálogo. Fala de Deus e fala e ação humana. PARA ESCLARECERMELHOR ESSA RELAÇÃO PASSAMOS AO SEGUNDO PONTO.
  14. 14. 14b) O Que estuda a teologia e em que perspectiva?Como em toda a ciência é preciso distinguir o objeto material do objeto formal. OBJETO MATERIAL OBJETO FORMAL Em teologia o objeto material é Deus É a partir de onde se fala de Deus. e depois tudo o mais. Portanto tudo E aqui trata-se pois da fé e da pode ser teologizável. revelação. Objeto formal diz respeito ao aspecto, a dimensão, a face. É o ponto de vista, a ótica sobre o qual se fala de Deus.Tomemos um exemplo para entender o que significa o objeto formal. Um poeta- Um capitalista INSPIRAÇÃO NEGÓCIO FLOR Um jardineiro CUIDADO Um enamorado AMOR O interesse específico, a perspectiva, a visão, o enfoque é a forma de captar o mesmoobjeto material. E a perspectiva é o que caracteriza o objeto FORMAL. Isso é de extremaimportância porque conforme a perspectiva temos teologias diferentes e ciências diferentes. Ofísico não vê no universo numa perspectiva de fé. Deus é uma hipótese inútil, dizem oscientistas. O cientista vai ver o universo a partir das leis próprias da funcionalidade material. Em síntese: o objeto formal da teologia é Deus enquanto revelado e recebido na fé.Fazer teologia é diferente do que fazer filosofia da religião ou teodiceia que procura provarDeus pela razão.O OBJETO MATERIAL: o objeto material é o sobre o que se processa o conhecimento. Emteologia o objeto material é DEUS. Mas não só Deus. É Deus e tudo o mais. Tudo pode serobjeto quando lido a luz da fé e da revelação. A teologia não tem por objeto um objeto entreoutros. E aqui se distingue a teologia de outras ciência que sempre tem um objeto particular enão vê a partir do todo. Deus é determinante de tudo, e então qualquer objeto pode ser objetodo teólogo. (UMA FLOR, UM ATO, UM ENTE DA CRIAÇÃO, UM ACONTECIMENTODA HISTÓRIA) É evidente que Deus é o primeiro objeto. O mundo, o homem são objetossegundos. Como diz Tomás: “A teologia não trata por igual de DEUS e das criaturas, mas deDeus principalmente, e das criaturas na medida em que se relacionam com Deus como a seuprincípio ou fim”. É aqui que entra a teologia da libertação e que fala da história e das lutas
  15. 15. 15dos pobres dizendo que estão falando de DEUS. Se não se tem essa compreensão pode-seachar que o homem e a história não são lugares teológicos. Sob o enfoque de Deus toda acriação pode ser tratada.UM ESQUEMA:TEOLOGIA Á LUZ DA FÉ-REVELAÇAO DEUS (objeto direto) O MUNDO (objeto indireto) Objeto formal ou Perspectiva (como) Objeto material (o que)IMPORTANTE:1-Teologia não é discurso do homem sobre Deus. Deus é sujeito e objeto ao mesmo tempo. Oteólogo explicita a fala de Deus. Fora disso se cai no subjetivismo.2-Tudo é teologizável, mas nem tudo convém. Voltaire dizia que a teologia “fala de tudo emais um pouco”. É preciso ver a relevância histórica ou pastoral de se desenvolver este ouaquele tema da teologia. Os anjos são uma parte da criação. Que relevância teológica tem? Sebem que hoje tem mesmo...rs..OS POBRES E O REINO DE DEUS é objeto relevante paranós da América latina. Além do que o pobre e e sua libertação é uma temática capital nabíblia. Não é o pobre o centro da teologia, mas Deus. Mas o pobre ocupa no projeto de Deusum lugar de destaque. ESTÁ certamente entre os primeiros dos “objetos segundos”, se assimse pode dizer.3- Reducionismo epistemológico. - Há uma redução epistemológica (isto é, de método de conhecimento, de como se dá o conhecimento e seus procedimentos) quando se acha que se está fazendo teologia quando se fala das “coisas religiosas”. Há aqui uma redução de objeto, deixando de fora toda a outra realidade criacional. Não se vê que se pode falar de Deus a partir das coisas do mundo. SEM DUALISMOS. Ou não se vê que se pode falar do mundo do ponto de vista religioso. ESSA POSIÇÃO é representada por um pretenso espiritualismo, o de não misturar as coisas sagradas com as profanas. Como se isso fosse possível. Rahner: Não é possível falar de Deus senão falando do homem, E FALAR DO HOMEM É FALAR DE DEUS. - Há reducionismo epistemológico quando se pensa que se está fazendo teologia só por que se fala de DEUS, sem reparar o COMO se fala de DEUS. Reduz-se assim o fazer teológico ao objeto e não se contempla a forma. Nesse sentido se cai no ramo das ciências da religião e não propriamente na teologia.c) NOVOS ENFOQUES TEOLÓGICOS: Não reduzir a teologia ao objeto, mas por em evidência na perspectiva do sujeitosignifica dizer que em cada momento histórico aparecerá enfoques diversos que são pertinentepara o sujeito que vê. Trata-se pois de perspectivas, óticas ou pontos de vista que investem atotalidade da teologia. São ângulos a partir dos quais se faz teologia. É o que chamamostecnicamente de ENFOQUES TEOLÓGICOS SEMPRE A LUZ DA FÉ. Foco, enfoque, concentração do foco (ponto onde convergem os raios da luz). Focopode significar ainda o ponto onde se forma o PUS, OU ponto sede de qualquer doença. Algoestá mal, e por isso focaliza-se sobre ele para de alguma forma o curar.
  16. 16. 16 ENFOQUES: SEXISTA (teologia feminista), ECOLÓGICO, ÉTNICO, teologia dasreligiões. Só uma palavra rápida sobre a teologia feminista. Ao meu ver é uma das teologia,juntamente com a do diálogo inter-religioso, mais promissora para a igreja. Chegou o tempoda mulher ser respeitada dentro da igreja. Elas sustentam a igreja do ponto de vistaorganizacional mas ainda são tratadas como secundárias do ponto de vista efetivo dasdecisões e das conduções finais das coisas da igreja. Na sociedade civil isso é algo que estásendo superado faz tempo. Na igreja ainda vivemos o patriarcalismo. Do ponto de vista teológico a teologia feminista é responsável na consciência quetemos hoje de que homem e mulher foram feitos com igual dignidade e que portanto diante deDeus a superioridade de um sobre outro é algo cultural e deve ser encarado como tal. E oesforço das feministas é justamente mostrar como foi se constituindo historicamente umaconsciência e estrutura machista dentro da igreja. Para isso vão até a bíblia para mostrar asambiguidades dela em relação à mulher, o machismo ora direto ora velado. Fazem numprimeiro momento um processo metodológico de desconstrução, de crítica, às vezes forte eprovocadora. Num segundo momento propõe um novo relacionamento baseado na diferençasim, mas em pé de igualdade de condições inspiradas em Jesus Cristo que valorizava por igualhomem e mulher. O resultado já aparece, mas ainda estamos a caminho. O certo é que a teologia hoje,como um todo tem que ser feita com nova sensibilidade, que respeito o corpo como um todo,e não somente seja expressão da racionalidade.c) TEOLOGIA PARA QUE?Estamos aqui diante de algo muito importante no universo teológico. Como perspectiva deintrodução à teologia me parece fundamental. Estamos falando do objetivo da teologia. O queestará em questão aqui não será o seu objeto, mas sim o seu OBJETIVO, sua missão. Qual o objetivo, a finalidade da teologia? Em resumo daria para se dizer que teologia não existe para si mesma. Ela existe paraoutra coisa: a fé, o amor, a prática evangélica, enfim a vida cristã. Na história podemosperceber três acentos na finalidade da teologia. Teologia serve para conhecer, conhecer paraamar, e amar para praticar. Nessa formulação ficam sintetizadas as três correntes que discutema finalidade da teologia. CONHECIMENTO AMOR AÇÃO 1-(Tomismo) 2- (franciscanismo) 3- (teologia da libertação) 1- Direta e imediatamente a teologia existe para conhecer os desígnos de Deus. É uma finalidade irrecusável. Se a teologia não se propuser esse objetivo ninguém mais se proporá. Isso é fundamental. Sem essa finalidade cai-se na funcionalização da teologia. Porém não se pode parar nele. 2- Indireta e mediatamente existe para amar e servir a Deus. Há uma finalidade
  17. 17. 17 decisiva: praticar a vontade de Deus. Esse deve ser um objetivo sempre presente no teólogo cristão. 3- A teologia existe também como práxis de transformação tanto no nível pessoal como no nível estrutural. Temos aqui a teologia da libertação. Disso se depreende que teologia não é uma ciência do tipo teórica e nemsimplesmente prática. A tradição clássica distingue dois tipos de ciências. Ciência teórica e ciência prática. CIÊNCIA TEÓRICA CIÊNCIA PRÁTICA - Visa o conhecimento - visa a ação - lida com verdades universais - lida com verdades particulares - seu fim é o saber pelo saber - seu fim é em vista do fazer. - apreende as causas últimas - causa a própria realidade É uma ciência dupla: é uma ciência prática-teórica e teórica-prática. Ela visa os doisobjetivos concomitantemente. O conhecimento e a prática. Não existe corrente que sejaexclusivista nos objetivos. Apenas nota-se acentos circunstanciais. A diferença entre as váriasescolas é somente de Acento. A escola tomista diz que é mais “uma ciência do que prática”.Seria uma ciência teórica-prática. A escola franciscana diz que é mais prática que teórica.Uma ciência prática-teórica. A teologia da libertação tenta um meio termo. Seria então umaciência prática-teórica-prática. d) As formas ou níveis do discurso teológico Ordinariamente considera-se teologia o que fazem os chamados teólogos. E tal é osentido comum e estrito ou técnico da “teologia”. Todavia, também os pastores assim comoos simples fiéis pensam a seu modo a fé. E na medida em que o fazem eles também fazemteologia. Daí surgem três formas ou níveis fundamentais de teologia: teologia profissional,teologia pastoral e teologia popular. São três linguagens teológicas distintas. 1- Teologia Popular: é O modo de teologizar que pertence ao senso comum e tem aforma da linguagem ordinária. É a teologia do senso dos fiéis. É guiada pelo espírito daverdade como diz João 16,13. É a medicina popular da teologia. A seu modo a medicinapopular é medicina. É marcadamente espontânea. A seu modo a teologia popular é teologia.
  18. 18. 18 Como se processa? É uma teologia oral e falada. A linguagem preferencial é a poesia,o canto, o desenho, o gesto, o símbolo, a dramatização. É o caminho que a cultura popularexpressa sua visão das coisas e isso também no campo da fé. Não necessariamente é umateologia alienante e acrítica. A seu modo é crítica e até utópica. O povo sabe onde dói. Onde se processas? No cotidiano da vida, nos pequenos encontros de famílias, nosgrupos de jovens, na catequese, nas celebrações, nas partilhas da palavra, círculos bíblicos. MEIOS: Boletins, folhetos, roteiros litúrgicos, cartilhas, roteiros para grupos etc... OBS. É o momento que o povo se faz sujeito da caminhada da própria fé e da igreja. Éo povo que se faz sujeito da própria teologia. LER TESTEMUNHO DE CLODOVIS BOFF, in: LIBÂNIO p. 201. 2- Teologia Pastoral:É a forma ou o nível de teologia voltada para a evangelização.Tem seus procedimentos próprios, sua linguagem definida e destinatários. Situa-se no meioentre a reflexão existencial concreta e a teologia acadêmica. Essa incorporou o métodoconhecido como VER, JULGAR, AGIR, CELEBRAR E AVALIAR. É uma teologia feita emcentros de formação, grupos do CEBI, e em centros de teologia para leigos. Os textos dascampanhas das Fraternidades promovidos pelo instituto nacional de pastoral é um bomexemplo dessa teologia. Em assembléias diocesanas e até curso de formação para leigos querefletem a sua fé sistematicamente. São infinitos os centros de aprofundamento teológico emvista a pastoral que se espalham em todo país. Teologia para leigos da ESTEF é um bomexemplo disso. Os assessores vão construindo o saber teológico junto com o povo em vista daação pastoral mais qualificada. 3- Teologia profissional ou acadêmica: A teologia do terceiro nível denomina-seacadêmica ou profissional. É o que geralmente se entende por teologia. É a reflexão crítica esistemática da fé. Pratica-se essa teologia na academia, nas universidades. Compreende ograu acadêmico de bacharelado, mestrado e doutorado. Se o bacharelado capacita no mínimopara uma teologia pastoral, o mestrado e doutorado capacita para uma maior sistematizaçãodos vários elementos da teologia e suas articulações como veremos na discussão sobre ométodo. É assim que se forma os profissionais e pesquisadores na área da teologia e quesustentam e reproduzem os centros acadêmicos da igreja. O lugar privilegiado é a academia, asala de aula, os congressos etc. Já não basta ler folhetos e boletins mas é preciso esquentar acadeira, fazer esquemas, ler artigos de ponta, livros, teses,.... O teólogo acadêmico tem uma dupla inserção: um pé na comunidade eclesial e um pé
  19. 19. 19na academia. Tanto num lugar quanto no outro ele está a serviço do povo de Deus. Tem ummomento de assessoria e um momento de produção teórica. O povo sempre o acompanha,levantando questões que vem de baixo e organizando sistematicamente essas questões. Nacomunidade ele faz teologia COM O POVO, na academia A PARTIR DO POVO. AS TRÊS FORMAS DE ELABORAÇÃO TEOLÓGICA: Teologia Popular Teologia Pastoral Teologia ProfissionalDescrição Espontânea e difusa Mais orgânica e Mais elaborada e ligada ao povo com rigorLógica Da vida cotidiana Da ação prática Da ciênciaMétodo Evangelho- vida Ver, julgar, agir. MH, MSALugar CEBs, grupos Centros de pastoral Institutos teológicos diversosMomentos altos Encontro de CEBs Assembleias Congressos pastorais teológicosProdutores Animadores leigos Pastores e agentes de Teólogos de profissão em geral pastoralProdução oral Testemunhos, Palestras, relatórios Cursos, assessorias celebraçõesProdução escrita Roteiros, cartilhas Pregação,doc. Artigo, livros pastorais TIPOS DE TEÓLOGOS(as) Há três tipos de teólogos conforme a sua postura frente ao fazer teológico: 1- Há os teólogos(as)-formigas. Só transmitem o que recolhem dos outros. Sãoalmoxarifes, guardas de armazém. Para eles, teologia é saber o que os outros teólogosdisseram e não como é mesmo a verdade em questão. Esses são os teólogos eruditos. Comoenciclopedistas, sabem tudo sobre um assunto determinado, mas nada acrescentam de novo epróprio. São teólogos de gabinete. Parecem-se mais geladeiras, que conservam as coisas, quea estômagos, que digerem, assimilam e transformam as coisas em substância pessoal.
  20. 20. 20 2- Há os teólogos(as)-aranhas. Esses são a antítese do tipo anterior. Tiram tudo de si edaí constroem suas teias teóricas. São especuladores de grande criatividade. Não importa sesuas elucubrações tem fundamento bíblico ou na realidade. O gosto pela abstração os leva aser perderem nas nuvens do racionalismo abstrato ou do idealismo puro. 3- Há, por fim, os teólogos(as)-abelhas. Esses representam a síntese dos doismodelos anteriores. Eles tiram o néctar de todas as flores, o digerem e o transformam no melde suas sínteses pessoais. Esses são os teólogos realmente cultos: a partir de uma boa base deinformação ou erudição fundamental, partem para a criação com pertinência prática ehistórica. TEOLOGIA E MÉTODO Teologia não se faz espontaneamente. Espontânea é a fé. A teologia, ciência da fé, exigemétodo. Nada se faz com rigor sem método rigoroso. E o que se entende por método? A etimologia da palavra nos diz o que se entende por método no seu sentido bemgeral. A palavra método significa “segundo o caminho”, indica seguimento, busca. Em suaetimologia, a palavra aponta para o que se faz ou se conhece usando um caminho. Nessesentido é plenamente aplicável à teologia. O modo de ser da verdade divina , paradoxalmentemais que em qualquer outro campo, é estar oculta; e requer um método, uma via de acessoprecisa e regularmente seguida. O conjunto de procedimentos destinados a assegurar acompreensão e a posse da verdade teológica, não pode ser arbitrário. Quando se fala de método em teologia o interesse não é discutir essa ou aquelateologia em particular e nem se preocupa com tratados teológicos, mas especificamente sobrea PRÁTICA teológica. O método diz respeito não a teologia, mas ao teologizar. Diz respeitoao exercício mesmo do fazer teológico. Não responde o problema do que é teologia, ou qualsua missão e finalidade, mas como se faz teologia. O método tem a ver com o processo teológico: os elementos que estão em jogo e asregras de sua articulação interna. Isso porque teologia não se faz de qualquer jeito, mas temum processo como num processo judicial. A causa pode ser boa, mas se se falhar no processoperde-se a causa. Poderíamos ainda comparar o método e seus elementos com uma receita debolo. Para se fazer um bolo é preciso os ingredientes e o modo de preparar (método). Ométodo são os passos: é a combinação dos ingredientes seguindo passos, um caminho.QUAIS OS ELEMENTOS E QUAIS AS SUAS ARTICULAÇÕES INTERNAS DO FAZERTEOLÓGICO?
  21. 21. 21 2-Escritura 12- Razão 1-FÉ 3- a igreja 11- Linguagem 4- o senso dos fiéis 10- filosofia e ciências 5-Tradição TEOLOGIA 9-Outras teologias 6- Dogma 8-Prática 7- MagistérioA método tratará de todos esses elementos em sua articulação interna no fazer teológico. Édisso que ser trata quando se fala em método em teologia.REGRAS DE ARTICULAÇÃO: A articulação desses elementos obedece a uma logicidade nofazer teológico, por exemplo: - A FÉ deve ter a primazia absoluta na teologia - A Bíblia é o primeiro testemunho a ser ouvido - A Razão deve estar a serviço da compreensão do dado revelado - A prática é a uma fonte de teologia, assim como uma de suas finalidades. - A linguagem da teologia é a da analogia, pois só ela se adequa ao mistério. - O magistério é o critério de autenticidade etc... - Quanto aos processos internos: antes de tudo é preciso ouvir os testemunhos da fé, em seguida, aprofundar o seu conteúdo e finalmente defronta-lo com a prática.OBS. ESTE É EM GRANDES LINHAS O MÉTODO DA TEOLOGIA.

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