Frelich escritos-o-caminho-até-francisco

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Introdução aos escritos de Francisco de Assis. Extraído de http://www.estef.edu.br/arno/wp-content/uploads/2011/07/Escritos-o-caminho-at%C3%A9-Francisco.pdf acesso em 22 jul. 2011.

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Frelich escritos-o-caminho-até-francisco

  1. 1. Os “Escritos” como caminho a Francisco Os Escritos de Francisco de Assis são uma fonte inexaurível de riquezasporque seu autor viveu com uma intensidade profunda as mais variadas experiênciasde abertura a Deus, a todas as classes e situações de pessoas, a todas as criaturas danatureza, a todos os sentimentos e aspirações humanos, a todas as experiências de fé.Essas experiências transparecem nos seus escritos. São a via privilegiada para acessaro coração de nosso santo, porque lhes expõem as vibrações interiores. A essemanancial é imprescindível recorrer cotidianamente para manter viva a seiva docarisma que corre em nossas veias. Encontrar São Francisco de Assis1 é uma aventura do espírito, doce, forte,inquietante, aventura sempre nova. Às vezes ele nos vem ao encontro como os lugaresda nossa infância, onde tudo aparece assim presente, bom, familiar e, ao mesmotempo, assim distante, perdido. Mas, acima de tudo, mais vivo do que nunca!Francisco é um homem radicalmente enraizado no seu tempo e “peregrino doAbsoluto”. Ele parece inatingível e fora do nosso dia-a-dia. Porém, olhos e coraçõesperseguem-no com estupor de uma pergunta: está Francisco longe de nós ou estamosnós vivendo distantes da verdade de nós mesmos? O mistério de Francisco não é uma novidade. Este fazia, muitas vezes,Francisco ser incompreensível para os seus primeiros companheiros, como nos édescrito pelos Fioretti, quando Frei Masseo de Marignano, homem de grande santidadee discrição, que facilmente falava com Deus e de Deus, e por isso muito amado porFrancisco, interpelava o Santo sobre o porquê de ele atrair as pessoas: Fior 10.Francisco, com a sua resposta, corta toda tentação de triunfalismos humanos eresponde (Ler o texto: 1505). O mistério de Francisco se encontra e se esconde, assim, no mistério da Graça enas buscas e realidades históricas das pessoas e do mundo do seu tempo. Em Franciscoencontramos a inaudita atualidade de uma figura e de uma mensagem. A ele o nossotempo está olhando com interesse. Ali, parece, está escondido o mistério ao qualanelamos. Ali, cremos, há o caminho ao mistério, sonho e utopia ínsitos nossos.Francisco repropôs a cada pessoa e ao coletivo “a vida do Evangelho de Jesus Cristo”.Esta vida enriqueceu, de maneira extraordinária, a humanidade. Para tanto, necessáriose faz vivê-lo. O Evangelho deu a Francisco coragem viril e a candura de uma criança,amor filial ao Pai e amor fraterno a cada criatura, senso vivo de uma justiça superior àhistória do seu tempo e “doçura na alma e no corpo” no cuidar das chagas dos próprios1 Cf Carlo Paolazzi, Lettura degli “Scritti” di Francesco d‟Assisi, 3-4.
  2. 2. 2irmãos. Por um momento, a luz do projeto de Deus, plenamente revelado em Cristo,volta a desposar-se em Francisco com o nosso sonho, mesmo se bruxuleante, semprevivo de um mundo pacífico e de uma humanidade reconciliada, que procura e conhecee vive a suprema justiça do amor. Nascido de uma experiência de vida, o ideal evangélico franciscano se impõecom força somente quando o encontramos encarnado e vivido por alguém “comsimplicidade e pureza”, como Francisco exigia de si mesmo e dos seus irmãos. Aquem, para encontrar Francisco, considera importante os escritos históricos, temosdois caminhos a percorrer. Uma é a das narrações dos Biógrafos, que narram aaventura de Francisco e da sua primeira fraternidade, caminho mais percorrido nesses800 anos. O outro é escutar o próprio Francisco, através dos seus Escritos. Além daRegra bulada e do Cântico do Irmão Sol, todos os demais Escritos de Franciscoficaram no esquecimento. Francisco, a partir dos seus escritos, ficou esquecido,também porque, no seu Testamento, ele se autodefine “simples e iletrado”. Nosúltimos anos, para conhecer Francisco, os olhos e a atenção se voltaram para os seusEscritos. Hoje sabemos que os Escritos são a Fonte primeira para encontrarmos a suainterioridade e sua identidade profundas e o seu projeto de vida evangélica (óbvio,sempre é importante manter a relação com as Biografias). O caminho dos Escritos, quesão breves, é muito mais difícil e austero. Este caminho nos obriga a esquecer as coresafetuosas, heróicas de tantas páginas biográficas para descer até o coração deFrancisco, redesenhando o mundo e a vida com os seus olhos e as suas palavras: ocaminho do seu rezar e louvar, das trevas juvenis de São Damião até o êxtase doAlverne; suas cartas, Admoestações... o seu grande projeto de fraternidade “segundo aforma do santo Evangelho”, que encontramos nas Regras, empenho particular deFrancisco, desafio à Igreja e para nós, hoje. Para chegarmos a Francisco, precisamoster claro que saber ou entender não basta, é necessário viver o Evangelho paraentender Francisco e a sua proposta.Estudo dos Escritos de São Francisco: Sirvo- me de:- “Fontes Franciscanas”: Frei José Carlos Pedroso, OFMCap.- Algum estudo, texto de Frei Aldir Crocoli, OFMCap.- Estudos de Frei Inácio Dellazari, OFM.- Estudos e pesquisas meus (Exp. Assis 2007 e agora).
  3. 3. 31. O que são Fontes ou uma Fonte? Água. Beber da Fonte, na fonte e não águatratada, ou de reservatório. Todo estudo sério e histórico precisa ir às Fontes. Bíblia: estudar e conhecerbem línguas e a terra Santa, e ter o pensar de Deus, entrar nele, ocupar-se com ele. Falando em FF, queremos saber qual a melhor forma de ter informaçõesgenuínas sobre São Francisco de Assis e o movimento franciscano. Francisco nunca foi tão conhecido como hoje. Mas foi só no fim do século XIXque se começou a trabalhar o material franciscano a partir das fontes garantidas,autênticas. Antes, era comum usar uma metodologia popular, que só visava adivulgação.1. Fontes.Fontes históricas são documentos de qualquer tipo em que possamos descobrir demaneira direta os fatos passados pelos quais estamos interessados. Muitas vezes são importantes também documentos indiretos, que são antigos ese basearam nas fontes. Na verdade, são subsídios para o estudo. Mas os subsídiosadquirem valor de fontes se os documentos mais antigos em que foram baseadostiverem sido perdidos.1.1. Tipos de Fontes.Há dois tipos principais de Fontes: os vestígios e os testemunhos.Os vestígios foram deixados inconscientemente. Vestígios são, por exemplo, objetos(ossos, utensílios, armas...) ou tradições (como instituições, usos, costumes, ritmos devida...) ou mesmo escritos (como acordos políticos, anotações pessoais oucomerciais...).Os testemunhos foram deixados por pessoas que quiseram passar alguma coisa para ahistória. Estes podem ser mudos, orais ou escritos. Em geral são mais claros ereveladores, mas podem não ser tão originais, porque nós sempre julgamos eselecionamos o que comunicamos. É como que uma interpretação.Testemunhos mudos são, por exemplo, os monumentos, os ritos que se instituírampara preservar a história. Testemunhos orais são, por exemplo, mitos, provérbios,cânticos...Os testemunhos escritos costumam ser os mais importantes e são constituídosgeralmente por narrativas, documentários ou expressões de atividades artísticas.1.2. As Fontes Franciscanas. Nesta Experiência Assis nós iremos entrar em contatocom várias das Fontes Franciscanas: Vestígios e os testemunhos (fontes mudas, como
  4. 4. 4as grutas, monumentos; Fontes orais (não teremos) e Escritos – que também podem sertendenciosos, pois sempre se escolhe o que se quer falar ou escrever). Aqui vamos nosater aos documentos escritos e que podemos dividir em 3 grandes secções: os Escritosde S. Francisco, as Biografias e as Crônicas. Vamos dar a lista completa e algumaapresentação das mais importantes.2. Os Escritos de São Francisco2.1. Introdução. O que não são: - um programa apresentado por Francisco;- definições do que ele pensava;- o que queria que os outros pensassem;- um pensar abstrato ou intelectual. Francisco não é intelectual. O que são: o que Francisco escreveu é o transbordamento do que ele sentiadiante de Deus, das pessoas e da criação. A Deus ele celebra, canta a criação, exorta aspessoas. Frei Dorvalino Fassini opina: “Fonte é mais do que o texto em seu sentidohistoriográfico. A Fonte, que se encarnou em Jesus Cristo, irrompe também emFrancisco, Clara, Egídio, Junípero e em cada vocacionado à Vida Franciscana. (...) Porisso, vai-se ao texto não pra ver Francisco, mas para descobrir como ele se historioucom a Fonte”. O que é importante para nós: é que nesses Escritos nós auscultamos, apalpamose entramos em contato com a sua experiência viva, com a sua personalidade, com suasintenções, com a graça das origens. É assim que encontramos nele uma proposta devida. É importante não se limitar aos Escritos. Todas as Fontes, mesmo exigindo umaleitura crítica e atenta, são necessárias para entendê-lo, no seu tempo, na sua terra.Ajudam-nos a colher a sua Forma Vitae, ou como diz a velha antífona: Formaminorum! . É óbvio que todos os estudos que nos ajudam a compreender a IdadeMédia são de ajuda, ou até fundamentais. Os Escritos precisam ser lidos, meditados, rezados e assimilados. É preciso tercalma, reverência. Muita escuta e desejo de interagir. Cada Escrito se torna muitopobre e reduzido se não for bebido no conjunto de todos os outros. Francisco sabia escrever (atestam-no os seus Autógrafos). Não sabia o latimerudito. Escreveu e ditou ou fez escrever. Alguns textos são bem originais e outrosricamente adornados com citações bíblicas: encarregava irmãos para adorná-los, comoé o caso da Rnb e da CtaM. Geralmente ditava a um irmão, e, possivelmente, ditava no
  5. 5. 5seu dialeto e o escrivão (um irmão perito na arte da escrita) já ia escrevendo no latimque conhecia.2.2. Quais são? Os Escritos que hoje possuímos são pouco mais de trinta, trinta e oito (nas nossaFF são 36 – Não registram a Bênção a Santa Clara (Ep 108), a Carta aos FradesFranceses – esta só é testemunhada na Crônica de Tomás de Ecleston) e a Carta a FreiJacoba (há alusão na 3Cel 37). É muito para quem se auto-definiu “ignorans et idiota”(ctaO 39: Ignorante e iletrado; Test 19; PA 11; 1Cel 27,1; TC 36,3). Ver também nasFF, à página 8.2.2.1. Exortações (são 3):- Admoestações- Testamento- Cântico “Ouvi, pobrezinhas!”2.2.2. Proposta de vida, textos legislativos (são 6): - Regra não bulada - Regra bulada - Regra para os Eremitérios - Forma de Vida para Santa Clara - Última Vontade para Santa Clara - Fragmentos de outra Regra não bulada2.2.3. Cartas (são 11): - Primeira Cara aos Fiéis - Segunda Carta aos Fiéis - Primeira Carta aos Custódios - Segunda Carta aos Custódios - Primeira Carta aos Clérigos - Segunda Carta aos Clérigos - Cara a toda a Ordem - Carta ao Ministro - Carta aos Governantes dos povos - Carta ao Frei Leão - Carta a Santo Antônio
  6. 6. 62.2.4. Orações (são 10): - Oração diante do Crucifixo - Exortação ao Louvor de Deus - Louvores para todas as Horas - Ofício da Paixão - Exposição sobre o Pai Nosso - Bênção a Frei Leão - Louvores a Deus Altíssimo - Saudação à Beata Virgem Maria - Saudação às Virtudes - Cântico de Frei Sol2.2.5. Fragmentos em outros livros: - Bênção a Frei Bernardo - Testamento de Sena - Ditado da Verdadeira e Perfeita Alegria - Carta aos Bolonheses - Carta a Santa Clara sobre o Jejum e - Bênção a Santa Clara - Carta a Frei Jacoba - Carta aos Frades FrancesesE tem ainda os não autênticos ou inseguros, entre estes: a „Oração simples pela paz‟(que surgiu na França em 1914).2.3. Francisco autor? Há uma grande variedade de modalidades nas quais Francisco passa por autor:a) Algumas vezes ele escreveu diretamente, sem auxílio de ninguém e de própriopunho (BLe, CtaL).b) Outras vezes escreveu sozinho, mas ditando o conteúdo a um secretário. É ocaso das orações, CISol.c) Ou alguém simplesmente anotava o que Francisco falava (Adm) e não sabemosse ele revisou os textos ou não.d) Em outras, ele escreveu ou ditou o que fora debatido por um grupo(Testamento) ou em um capítulo. Ou ainda, um assunto fora debatido com Francisco ealguém escreveu. Este é o caso da Rnb. As informações de que Cesário de Espira teriaacrescentado textos bíblicos atualmente já não é pacífica, pois certos textos são opróprio conteúdo central.e) Outras vezes ainda ele praticamente nada pôs de próprio, apenas recolheucitações bíblicas (Ofp). Neste caso, sua espiritualidade se revela (e muito) na seleçãofeita dos testos.
  7. 7. 7f) Por fim, fez o primeiro esboço da Rb. No texto trabalharam també]m Frades e aCúria Romana.Todas estas são formas de autoria. Francisco escreveu em latim. Dois textos noitaliano vulgar: CISol e OCr.2.4. História dos Escritos. Falávamos, acima, de “Forma minorum”. Com esta expressão se atinge o âmagoda vida franciscana. A Regra não é a forma, ou seja, o modo, o como, o todo e oelemento constitutivo dessa vida. Esta encontramos na figura viva de nosso paicomum, Francisco, que por sua vida e por sua exuberante personalidade representa otipo original e o modelo perene da vida franciscana, o ponto de referência para quemrecebeu o dom da vida franciscana. Como é que os Escritos de São Francisco chegaram até nós? Dizem nossas FF(p. 14) que „desde muito cedo, houve, por parte dos Frades Menores, grande interesseem recolher tudo aquilo que São Francisco escreveu ou mandou escrever‟. Assimforam surgindo escritos, Manuscritos que recolhiam tudo o que havia sobre o santo,em particular o que viera dele, inclusive alguns mosteiros dos Beneditinos foramcopiando e anexando alguns textos de Francisco aos seus Manuscritos. Frei Caetano Esser, na segunda metade do séc. XX examinou os Escritos de SãoFrancisco, entrou em contato com mais do que uma centena de Manuscritos. Vários,destes, provém do século XIII, sendo o mais importante o códice 338 da BibliotecaComunal de Assis (Metade do Séc.). Fazer coletâneas era normal: Francisco eraimportante e o Movimento Franciscano forte e de projeção na Igreja e nasUniversidades; São Francisco tinha incentivado os destinatários de seus escritos afazerem cópias, a guardá-los na memória e a colocá-los em prática (CtaG, seu final;final da ctaO; final da ctaCl e ctaCust). Assim, grande é o número de Manuscritos quetrazem coletâneas, umas mais completas e outras menos dos Escritos do Santo. Aolongo do primeiro século franciscano houve uma verdadeira proliferação destascoletâneas (foram copiadas). Alguns têm uma documentação muito antiga, outros constam de coleçõesmedievais, e outros foram descobertos há bem pouco tempo. Sua apresentação: 1) ostestemunhos mais antigos; 2) as coleções medievais; 3) outras descobertas.2.4.1. Os testemunhos mais antigos:a) Autógrafos (saíram das mãos de Francisco): são 3: a Bênção a Frei Leão eos Louvores a Deus Altíssimo, estão nos dois lados de um mesmo pergaminho,conservado e exposto na Basílica de S. Francisco em Assis. A Carta a Frei Leão, está
  8. 8. 8exposta na catedral de Espoleto. São pergaminhos pequenos, que Frei Leão guardou noseu hábito até o fim da vida. Pergaminhos: é de couro. Papiro: de planta. Trapo: pano(China).b) O códice B. 24 da Biblioteca Vallicelliana em Roma. Pertence à Abadia doSubiaco e contém um missal em que se transcreveu (entre os anos 1219 e 1238) aPrimeira Carta aos Clérigos. É o códice mais antigo com um Escrito de Francisco.Contém o sinal “Tau com a cabeça”, como na Bênção a Frei Leão.c) Um sermão de 1231: Pregando aos universitários de Paris, no dia 13 dejulho de 1231, um dominicano citou a Admoestação 6, atribuindo-a explicitamente aS. Francisco.2.4.2. As coleções medievais.Há 4 coleções antigas, já estudadas por Paul Sabatier (1858-1928) e Sofrônio ClasenOFM (+1975).a) O Códice 338 de Assis: Pertencia ao Sacro Convento de Assis e foi seqüestrado em1810, passando a pertencer ao governo italiano, que desde 1981, permitiu que voltassea ser guardado no convento. Foi escrito por frades do Sacro Convento antes de 1279,metade do século.b) A compilação de Avinhão. Trabalho de um Frade que, por volta do ano 1340,reuniu informações sobre o Santo que não constavam na Legenda Maior.c) O grupo da Porciúncula. São 8 manuscritos feitos por copistas profissionais,provenientes dos conventos da estrita observância. São do século XIV, um delescertamente antes de 1370.d) O grupo do norte ou da província da Colônia. São 11 manuscritos, feitos porprofissionais, fora da Ordem: cônegos regulares ou crucíferos. São do fim do séculoXIV ou do começo do século XV. Estes grupos somam uns 30 códices, que constituem a base de quase todos osoutros manuscritos conhecidos. Todas essas coleções apresentam as Admoestações, a 2CtaF, a CtaO e a SV. As3 primeiras dão também a Regra bulada e o Testamento. Assis, Avinhão e Norte dão também a REr e os LH. Avinhão e Porciúnculatrazem a BL e a SBVM. Assis e Avinhão dão o OP e o CIS. Só Avinhão traz a OC e aCtaA. Só Porciúncula tem a CtaM e Rnb. Avinhão dá um pedacinho do cap. 16 daRnb.
  9. 9. 92.4.3. Outras descobertas. Há também algumas coleções conservadas em códices doséculo XIV e XV. A mais importante está guardada no Antonianum de Roma.Numerosos manuscritos só dão um ou dois Escritos, em geral a Rb e o Test.Todos estes pergaminhos foram descobertos nos últimos anos do séc. XIX ou noséculo XX. “Ouvi, pobrezinhas” só foi descoberto em 1976, por Giovanni Boccali,após indicações das Clarissas.2.4.3.1. Edições impressas.Nos tempos modernos as edições dos Escritos de Francisco estão ligadas a estudiososque as publicaram. Eis os mais importantes:1) Lucas Wadding: fez a primeira edição desde a invenção da imprensa (uma coleçãonão sistemática). É um frade irlandês que publicou os Annales Minorum. Usou apalavra Opusculos (obrinhas). Hoje falamos em Escritos. Este livro era enorme e tinha710 páginas. Ele como que recolheu tudo o que tinha. Não precisou pela autenticidadee nem pela sistemática. A primeira tradução de Escritos de S. Francisco foi Francesa,1632.2) Paulo Sabatier: é um pastor protestante e escreveu uma Vida de São Francisco, em1893. Estudou os pergaminhos que falavam de Francisco e revolucionou as buscasfranciscanas, já muito insatisfeitas com a coleção de Wadding por ter incluído obraslegítimas juntamente com outras inseguras ou apócrifas. As publicações de Sabatieranimou outros estudiosos e pesquisar e rever os Escritos de São Francisco e as Fonteshistóricas. A questão franciscana movimentou os estudiosos. A partir distocomeçaram, já no século XX a aparecer edições críticas.3) Leonardo Lemmens (franciscano - 1904), publicação dos estudiosos de Quaracchi,perto de Florença. Limitou-se aos escritos em latim, logo não incluiu o Cântico de FreiSol, cujo original era em italiano, e estava no códice 338, usado por ele. HeinrichBoehmer (leigo - 1904), de Tübingen. Apresenta a história dos Escritos, a edição deWadding e distingue os diversos escritos do Santo. A partir destas os Escritos deFrancisco ficaram já bem reduzidos. Sabatier colaborou com os dois, que estudaramseparadamente, mas a conclusão é muito próxima.4) Caetano Esser (edição crítica é de 1976. Viveu de 1913-1978). Nos primeirosdecênios do século XX os estudiosos encontravam muitos novos manuscritos. Estavaem alta a Questão Franciscana. Os Escritos foram cada vez melhor conhecidos. Esserfez sua tese sobre o Testamento. Comparou um por um os pergaminhos que traziam otexto. Foi percebendo a dependência entre os diversos códices e estabeleceu a basepara uma edição crítica. Continuou a estudar todos os escritos do Santo. Conseguiureunir 196 códices que continham os Escritos, sem contar mais 56 que só tinham aRegra não bulada e o Testamento. Em 1976 saíram duas edições críticas: a de Esser e a
  10. 10. 10outra de João Boccali, ofm. Este publicou uma concordância dos Escritos de Franciscoe de Santa Clara. O texto de Esser serviu de base para as traduções modernas.5) Em 2001 (25 anos depois) foi celebrado um Congresso em cima dessa edição e foitomada a decisão de manter esta Edição, mas também se decidiu publicar um anexocom várias modificações e melhoramentos. Este trabalho continua. Sempre avançamose melhoramos. No Brasil, em 2004 fomos contemplados com uma nova edição das FFcom os textos de Francisco e de Clara e das principais fontes do primeiro séculofranciscano.6) Uma nova edição. Em 1995 as Edizioni Porziunola, de Assis apresentaram asFontes Franciscani (latim). São 2.581 páginas em papel bíblia. Traz todas as Fontesmais importantes, com preciosas introduções atualizadas (traz os Escritos, a Legenda eo Processo de Santa Clara). É edição na versão crítica.7) 2009: Edizione critica, a cura di Carlo Paolazzi, ofm. Francesco d‟Assisi. Scritti.Para celebrar o 8º Centenário da Aprovação da Forma de vida.2.4.3.2. Para se ter uma idéia de como se faz uma edição crítica. O fundamental é estudar todos os pergaminhos antigos para chegar a estabelecerum texto seguro, isto é, o mais próximo possível do que foi escrito no tempo de S.Francisco.„Quanto mais velho o pergaminho mais próximo do texto verdadeiro‟, é princípioválido (caso o códice 338 de Assis), mas nem sempre garantido. Um textointermediário pode ter copiado com maior autenticidade. Então, para termos uma idéia,há regras que foram estabelecidas:1. O latim menos certo ou textos com os italianismos não corrigidos.2. Alguns textos estavam decorados (Testamento e Regra): é preferível a formadiferente.3. A Ordem mudou muito e certas expressões sobre a vida fraterna não seentendiam mais. Então o costume era tomar outra palavra em uso. Aqui é importante oconhecimento da história, pode ajudar a perceber o texto corrigido.4. A linguagem teológica de Francisco e companheiros é anterior à Escolástica. Otexto mais antigo é o menos correto, ou com linguagem certamente mais antiga.5. S. Francisco usava uma prosa despojada, sem belezas de estilo. Entre umpergaminho que tem um texto mais bonito e outro com linguagem mais rude, é precisoficar com o menos bonito.
  11. 11. 112.4.3.3. Datação dos Escritos. Conforme página 18s das nossas FontesFranciscanas e Clarianas.2.5. Metodologia de leitura. Para uma metodologia mais científica de leitura importa ter presente as diversasformas em que Francisco foi autor. Isso interfere na compreensão. Ter presente o momento cronológico ou psicológico, pessoal em que elaborou:é ver o texto, contexto e pretexto. Há sempre um porquê e um para quê. Francisco é homem longe das ambições literárias, mas, por sua origem, émercador dotado de inato espírito prático, no agir, no falar, no escrever. Cada palavra éimportante: pode fechar um negócio ou perdê-lo! Ligado ao seu mundo interior, apalavra de Francisco é instrumento ágil e segura que está direcionada ao objetivo. Para não fazer uma leitura fundamentalista, é importante fazer umas perguntas:quando; por que (Francisco responde a qual situação; o que se passava com Francisco(contexto pessoal). É importante ainda saber desde onde se lê, isto é: a partir de que lugar social.Assim, não existe uma leitura neutra. Certas dimensões do conteúdo apenas quem vivea experiência poderá perceber. Ter cuidado de não ler os Escritos com a idéia de mito de Francisco que asbiografias nos passaram (Fioretti).3.1. Em grupos:1) Admoestações. Ler, conforme acima, e Admoestação VI. Tentar evidenciar quandofoi escrito, o que estava acontecendo, o problema entre os Frades que Franciscoprocura sanar. A espiritualidade do texto, e qual o Escrito onde o mesmo tema éabordado: ler no contexto, com a maneira de pensar de Francisco. Atualizar.2) Testamento: ler, conforme acima; tomar um parágrafo do Testamento: o queFrancisco quer confirmar ou corrigir; o que estava acontecendo. A espiritualidade dotexto e onde Francisco tem voltado a este tema? Ler no contexto. Atualizar.3) Ouvi, pobrezinhas: ler, conforme acima. Ler o texto, entender o que estavaacontecendo com a Clarissas em São Damião e a preocupação de Francisco. Perceber
  12. 12. 12o jeito de Francisco falar com as Irmãs. Espiritualidade no contexto dos demaisEscritos. Atualizar.4) Regra bulada: Ler, conforme acima. Tomar o cap. IX. Quais dificuldades havia navida da Fraternidade? Perceber o jeito de Francisco, as palavras que usa, sua firmeza.Entender a espiritualidade do texto com outros Escritos. Atualizar.5. Regra não bulada. Ler, conforme acima. Tomar o cap. V, 13-17. Quais dificuldadeshavia na vida da Fraternidade? Perceber o jeito de Francisco, as palavras que usa, suafirmeza. Entender a espiritualidade do texto com outros Escritos. Atualizar.6. Regra para os Eremitérios. Ler, conforme acima. O porquê deste texto. Quaisdificuldades havia na vida da Fraternidade? Perceber o jeito de Francisco, as palavrasque usa, sua energia e convicção. Entender a espiritualidade do texto com outrosEscritos. Atualizar.7. Forma de Vida para Santa Clara. Ler, conforme acima. Essencialmente, o queFrancisco diz? Quais dificuldades havia na Fraternidade, ou qual segurança quertransmitir? Perceber o jeito de Francisco, as palavras que usa, o seu coração de mãe.Entender a espiritualidade do texto com outros Escritos. Atualizar.8. 2ctaF. Ler, conforme acima. Tomar os vv. 4.22-27. Quais dificuldades havia entreos Irmãos e Irmãs da Penitência? Perceber o jeito de Francisco, as palavras que usa,sua firmeza. Entender a espiritualidade do texto com outros Escritos. Atualizar.

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