A vida de alguém se tornareferência e ideário na nossa    vida quando de alguma forma nós nos identificamos       com esta...
Clara, como sol,iluminou o meu caminho...
Atas doProcesso deCanonização Bula deCanonização Legenda
1194 – Nascimento de Clara na casa paterna,                em Assis.
Filha mais velha  de Hortolana e de Favarone,teve duas irmãs,Catarina (Inês) e     Beatriz.
“Quando sua mãe a estava esperando, foi à igreja e estando diante da cruz a orar     atentamente, pedindo a Deus que a soc...
•Vivência Religiosa•Formação na cultura da nobreza                        •Aprendeu a ler e                        escreve...
Os nobres são exilados de Assis       pelos burgueses.
A família de Clara refugia-se em Perusa,       onde permanece até 1204.
Clara estava prometida em casamentoa um jovem nobre da cidade de Assis.
Clara se encontrou frequentemente          com Francisco
“Francisco era a coluna e a única      consolação depois de Deus”;foi o fundador, o plantador e o auxílio...              ...
Quais sãoas pessoas concretasque em nossa história de vida tornaram-se     referências –plantadores de nossos   sonhos e i...
Francisco e Clarase encantarammutuamente pelo modode seguir Cristo e vivero Evangelho.     Conseguimos  nos deixar encanta...
Domingo de Ramos.Clara sai de casa e se consagra a Deus            na Porciúncula.
“O domingo de ramos, com a bênção  e procissão de ramos de palmeira,    desde muito possui um caráter nupcial. Liturgicame...
“Francisco tinha visto bem a razão para sugerir a Clara a fuga de casa,     no início da Semana Santa.Toda a vida cristã, ...
Na liturgia do Domingo de Ramos, dore glória entrelaçam-se, como um temaque depois se desenvolve nos diasseguintes, atravé...
Depois, entra no drama da Paixão,cortando os seus cabelos e com elesrenunciando inteiramente a si mesmapara ser esposa de ...
Ela já não terá as vestes requintadas da nobrezade Assis, mas a elegância de uma alma que sedespende no louvor a Deus e no...
Seguir Jesus Cristo na condição   dos pobres de seu tempo.
Francisco dá às Irmãs a sua  primeira forma de vida.
1216 – Por pressão de Francisco,Clara aceita a regra de São Bento     e o título de abadessa.                      Mas tam...
Clara, como Francisco, descobriu que é impossível seguir Jesus Cristo e     viver sozinha o Evangelho.
O critério básicopara as decisõesna vida da comunidadede irmãsé o bem comum.Uma das marcas daorganizaçãoda convivênciacomu...
As decisões importantes    devem contar com a participação        e o consenso de todas:admissão de candidatas;eleição d...
“Todas as irmãsdevem ser ouvidas,porque muitas vezes     é à menorque Deus manifesta   sua vontade.”Regra de Santa Clara
Em São Damião,                             todas as irmãs                            eram obrigadas                       ...
Em 1234, entra na Ordem das DamasPobres, Inês de Praga. No mesmo ano,Clara lhe escreve sua primeira carta.      Clara escr...
1253•Clara escreve sua última carta a Inês dePraga.•Dia 09 de agosto, após visita a Clara,Inocêncio IV manda apressar a ap...
RegraTestamento  BênçãoCinco cartas
A base da espiritualidadeque perpassa os seus escritosé a experiência de Jesus Cristo       amado e pobre.
Inês de Praga nasceu em 1205 e era filha       do rei da Boêmia, Otocar I.        Quatro cartas conhecidas.Pelas cartas, C...
Clara escreve a primeira carta após       receber a notícia de que Inês       desejava seguir seus passos.Podemos deduzir ...
“... indigna fâmula de Jesus Cristo e serva    inútil das senhoras enclausuradas do     mosteiro de São Damião, sua serva ...
O motivo que perpassa toda a carta de Clara é a “sagrada troca” que Inês fez:•Ser esposa de Jesus Cristo em lugar deser es...
Pobreza - Contemplação                            Relação intensa                            com Jesus CristoPrivações - E...
“Ó bem-aventurada pobreza,   que àqueles que a amam e abraçam       concede as riquezas eternas.Ó santa pobreza, aos que a...
O contexto da segunda carta está situadono fato de papa Gregório IX exigir que osbens do mosteiro e do hospital de Pragafo...
“O fio condutorda segunda carta  é o Caminho.”
“Não confie em ninguém, não consinta comnada que queira afastá-la desse propósito,que seja tropeço no caminho (cfr. Rm14,1...
A terceira carta é uma carta de consolaçãoa Inês e o consolo se traduz na imagem damorada: Inês é morada de Deus.  “Você v...
“Tenho a maior alegria e transbordo com amaior exultação no Senhor ao saber queestá cheia de vigor, em boa situação eobten...
Eu me alegro de verdade, e ninguém vaipoder roubar-me esta alegria, porque jáalcancei o que desejava abaixo do céu:vejo qu...
Vejo que são a humildade, a força da fé eos braços da pobreza que a levaram aabraçar o tesouro incomparável escondidono ca...
Quem vai me dizer, então, para não exultarcom tão admiráveis alegrias? Por isso,exulte sempre no Senhor (cfr. Fp 4,4)també...
Maria se fezmorada de Deus e trouxe Jesus ao       mundo  materialmente.Inês (e todos nós)   pode trazê-loespiritualmente ...
“Ponha a mente no espelho da eternidade, coloquea alma no esplendor da glória (cfr. Heb 1,3). Ponha ocoração na figura da ...
“Rogo e suplico no Senhor, querida, que deixe,  com sabedoria e discrição, essa austeridade   exagerada e impossível que e...
A quarta carta é uma carta de despedida e  Clara partilha com Inês o louvor de Deus.   O tema central desta carta é o Espe...
“Olhe dentro desse espelho todos os dias, órainha, esposa de Jesus Cristo, e espelhe nele,sem cessar, o seu rosto, para en...
Preste    atenção    noprincípio do espelho: apobreza daquele que,envolto em panos, foiposto no presépio (cfr.Lc 2,12)! Ad...
No meio do espelho, considere a humildade,ou pelo menos a bem-aventurada pobreza, as fadigas sem conta e as penas que supo...
E, no fim desse mesmo espelho, contemple acaridade inefável com que quis padecer nolenho da cruz e nela morrer a morte mai...
“Filha bendita, como a língua do corpo nãopode expressar melhor o afeto que tenho porvocê, peço que aceite com bondade e d...
“Que o Senhor esteja sempre  com vocês e   que vocêsestejam sempre   com Ele.”Bênção de Santa Clara
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Apresentação de Monica de Azevedo para o Congresso Clariano do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 20 e 21 set. 2012.

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Clara de Assis : biografia e cartas / Monica de Azevedo

  1. 1. A vida de alguém se tornareferência e ideário na nossa vida quando de alguma forma nós nos identificamos com esta pessoa.
  2. 2. Clara, como sol,iluminou o meu caminho...
  3. 3. Atas doProcesso deCanonização Bula deCanonização Legenda
  4. 4. 1194 – Nascimento de Clara na casa paterna, em Assis.
  5. 5. Filha mais velha de Hortolana e de Favarone,teve duas irmãs,Catarina (Inês) e Beatriz.
  6. 6. “Quando sua mãe a estava esperando, foi à igreja e estando diante da cruz a orar atentamente, pedindo a Deus que a socorresse e ajudasse no perigo do parto,ouviu uma voz que lhe disse: No parto, terásuma luz que vai iluminar o mundo.” PC 3 e 6
  7. 7. •Vivência Religiosa•Formação na cultura da nobreza •Aprendeu a ler e escrever, o que sabia fazer muito bem. •Sensibilidade com os pobres – doações.
  8. 8. Os nobres são exilados de Assis pelos burgueses.
  9. 9. A família de Clara refugia-se em Perusa, onde permanece até 1204.
  10. 10. Clara estava prometida em casamentoa um jovem nobre da cidade de Assis.
  11. 11. Clara se encontrou frequentemente com Francisco
  12. 12. “Francisco era a coluna e a única consolação depois de Deus”;foi o fundador, o plantador e o auxílio... (Test 38, 48)
  13. 13. Quais sãoas pessoas concretasque em nossa história de vida tornaram-se referências –plantadores de nossos sonhos e ideais de vida?
  14. 14. Francisco e Clarase encantarammutuamente pelo modode seguir Cristo e vivero Evangelho. Conseguimos nos deixar encantar pela vida de um(a) irmão(ã) que convive conosco e em nosso tempo?
  15. 15. Domingo de Ramos.Clara sai de casa e se consagra a Deus na Porciúncula.
  16. 16. “O domingo de ramos, com a bênção e procissão de ramos de palmeira, desde muito possui um caráter nupcial. Liturgicamente é celebrada a entrada festiva de Jesus emJerusalém, e misticamente a união de amor de Jesus com sua esposa, a Igreja, e para o povo esta era uma ocasião favorável para se procuraruma noiva ou se acertar um noivado.” Anton Rotzetter
  17. 17. “Francisco tinha visto bem a razão para sugerir a Clara a fuga de casa, no início da Semana Santa.Toda a vida cristã, e portanto também a vida de consagração especial,constituem um fruto do Mistério pascal e uma participação na morte e na ressurreição de Cristo.
  18. 18. Na liturgia do Domingo de Ramos, dore glória entrelaçam-se, como um temaque depois se desenvolve nos diasseguintes, através da obscuridade daPaixão, até à luz da Páscoa.Com a sua escolha, Clara revive estemistério. No dia dos Ramos recebe,por assim dizer, o seu programa.
  19. 19. Depois, entra no drama da Paixão,cortando os seus cabelos e com elesrenunciando inteiramente a si mesmapara ser esposa de Cristo na humildadee na pobreza.Francisco e os seus companheiros já são asua família. Depressa chegarão irmãs...No seu significado profundo, a«conversão» de Clara é uma conversãoao amor.
  20. 20. Ela já não terá as vestes requintadas da nobrezade Assis, mas a elegância de uma alma que sedespende no louvor a Deus e no dom de si mesma.No pequeno espaço do mosteiro de São Damião,na escola de Jesus-Eucaristia contemplado comafeto esponsal, desenvolver-se-ão no dia-a-dia ascaracterísticas de uma fraternidade regulada peloamor a Deus e pela oração, pela solicitude e peloserviço. É neste contexto de fé profunda e degrande humanidade que Clara se faz intérpretesegura do franciscano ideal, implorando aquele«privilégio» da pobreza(...).” Papa Bento XVI
  21. 21. Seguir Jesus Cristo na condição dos pobres de seu tempo.
  22. 22. Francisco dá às Irmãs a sua primeira forma de vida.
  23. 23. 1216 – Por pressão de Francisco,Clara aceita a regra de São Bento e o título de abadessa. Mas também consegue o “Privilégio da Pobreza” de Inocêncio III.
  24. 24. Clara, como Francisco, descobriu que é impossível seguir Jesus Cristo e viver sozinha o Evangelho.
  25. 25. O critério básicopara as decisõesna vida da comunidadede irmãsé o bem comum.Uma das marcas daorganizaçãoda convivênciacomunitáriarealizada por Claraé a participaçãoco-responsável.
  26. 26. As decisões importantes devem contar com a participação e o consenso de todas:admissão de candidatas;eleição da abadessa e sua deposição;contração de alguma dívida;eleição das discretas e das responsáveispelos diversos ofícios;capítulo semanal – que tem como finalidade arevisão de vida, a distribuição das tarefas decada uma, a decisão sobre o destino dasesmolas e outros aspectos que foremnecessários ao bem comum.
  27. 27. “Todas as irmãsdevem ser ouvidas,porque muitas vezes é à menorque Deus manifesta sua vontade.”Regra de Santa Clara
  28. 28. Em São Damião, todas as irmãs eram obrigadas ao trabalho, e não havia distinção entre trabalho mais nobre e trabalho menos nobre. Clara dava o exemplo.Em outros mosteiros femininos da época havia se criado uma dupla categoria de monjas:as coristas e as conversas ou serventes.
  29. 29. Em 1234, entra na Ordem das DamasPobres, Inês de Praga. No mesmo ano,Clara lhe escreve sua primeira carta. Clara escreveu seu Testamento provavelmente pelo ano de 1247.Em 1250, agrava-se o estado de saúde deClara e, provavelmente, por este tempocomeça a escrever a sua Forma de Vida.
  30. 30. 1253•Clara escreve sua última carta a Inês dePraga.•Dia 09 de agosto, após visita a Clara,Inocêncio IV manda apressar a aprovaçãode sua Regra.•Dia 10 de agosto, a bula com a aprovaçãoda Forma de Vida é levada para Clara emseu leito de morte.•Dia 11 de agosto, Clara passa para a vidaeterna. Os solenes funerais contaram com apresença do Papa e dos cardeais.
  31. 31. RegraTestamento BênçãoCinco cartas
  32. 32. A base da espiritualidadeque perpassa os seus escritosé a experiência de Jesus Cristo amado e pobre.
  33. 33. Inês de Praga nasceu em 1205 e era filha do rei da Boêmia, Otocar I. Quatro cartas conhecidas.Pelas cartas, Clara anima, inspira força eestimula Inês com o que a ela mesma dá vigor espiritual e suavidade ao coração.
  34. 34. Clara escreve a primeira carta após receber a notícia de que Inês desejava seguir seus passos.Podemos deduzir que a carta foi escrita por Clara antes do dia 11 de junho de 1234 – dia de Pentecostes, quando ocorreu uma festa de despedida oferecida pela corte real de Praga a Inês.
  35. 35. “... indigna fâmula de Jesus Cristo e serva inútil das senhoras enclausuradas do mosteiro de São Damião, sua serva sempre submissa, recomenda-se inteiramente e deseja, com especial reverência, que obtenha a glória da felicidade eterna. Sabedora da boa famade vosso santo comportamento e vida, que não só chegou até mim, mas foiesplendidamente divulgada em quase toda a terra, muito me alegro e exulto no Senhor.”
  36. 36. O motivo que perpassa toda a carta de Clara é a “sagrada troca” que Inês fez:•Ser esposa de Jesus Cristo em lugar deser esposa de Frederico II;•a troca das pompas e honras do mundopela santíssima pobreza e as privaçõescorporais, com toda a alma e com todo oafeto do coração;•deixar as coisas temporais pelas eternas;• deixar os bens terrestres pelos benscelestes....
  37. 37. Pobreza - Contemplação Relação intensa com Jesus CristoPrivações - Esponsalidade
  38. 38. “Ó bem-aventurada pobreza, que àqueles que a amam e abraçam concede as riquezas eternas.Ó santa pobreza, aos que a têm e desejamDeus prometeu o reino dos céus (Mat 5,3), e são concedidas sem dúvida alguma a glória eterna e a vida feliz! Ó piedosa pobreza, que o Senhor Jesus Cristo dignou-se abraçar acima de tudo, ele que regia e rege o céu e a terra, ele que disse e tudo foi feito!(Sl 32,9;148,5).”
  39. 39. O contexto da segunda carta está situadono fato de papa Gregório IX exigir que osbens do mosteiro e do hospital de Pragafossem administrados por Inês.Clara se coloca do lado de Inês na lutapela pobreza.
  40. 40. “O fio condutorda segunda carta é o Caminho.”
  41. 41. “Não confie em ninguém, não consinta comnada que queira afastá-la desse propósito,que seja tropeço no caminho (cfr. Rm14,13), para não cumprir seus votos aoAltíssimo (Sl 49,14) na perfeição em que oEspírito do Senhor a chamou. ... Se alguémlhe disser outra coisa, ou sugerir algodiferente, que impeça a sua perfeição ouparecer contrário ao chamado de Deus,mesmo que mereça sua veneração, nãosiga o seu conselho.”
  42. 42. A terceira carta é uma carta de consolaçãoa Inês e o consolo se traduz na imagem damorada: Inês é morada de Deus. “Você vai conter quem pode conter você e todas as coisas (cfr. Sb 1,7; Cl 1,17), vai possuir algo que, mesmo comparado com as outras posses passageiras deste mundo, será mais fortemente seu.”
  43. 43. “Tenho a maior alegria e transbordo com amaior exultação no Senhor ao saber queestá cheia de vigor, em boa situação eobtendo êxitos no caminho iniciado paraobter o galardão celeste.Ouvi dizer e estou convencida de que vocêcompleta maravilhosamente o que falta emmim e nas outras Irmãs para seguir ospassos de Jesus Cristo pobre e humilde.
  44. 44. Eu me alegro de verdade, e ninguém vaipoder roubar-me esta alegria, porque jáalcancei o que desejava abaixo do céu:vejo que você, sustentada por maravilhosaprerrogativa de sabedoria da própria bocade Deus, já suplantou impressionante einesperadamente as astúcias do espertoinimigo: o orgulho que perde a naturezahumana, a vaidade que torna estultos oscorações dos homens.
  45. 45. Vejo que são a humildade, a força da fé eos braços da pobreza que a levaram aabraçar o tesouro incomparável escondidono campo do mundo e dos coraçõeshumanos, com o qual compra-se (cfr. Mt13,44) aquele por quem tudo foi feito (cfr.Jo 1,3) do nada. Eu a considero, num bomuso das palavras do Apóstolo, auxiliar dopróprio Deus, sustentáculo dos membrosvacilantes de seu corpo inefável.
  46. 46. Quem vai me dizer, então, para não exultarcom tão admiráveis alegrias? Por isso,exulte sempre no Senhor (cfr. Fp 4,4)também você, querida.Não se deixe envolver pela amargura e odesânimo, senhora amada em Cristo, gozodos anjos e coroa (Fp 4,1) das Irmãs.”
  47. 47. Maria se fezmorada de Deus e trouxe Jesus ao mundo materialmente.Inês (e todos nós) pode trazê-loespiritualmente em seu corpo ao mundo.
  48. 48. “Ponha a mente no espelho da eternidade, coloquea alma no esplendor da glória (cfr. Heb 1,3). Ponha ocoração na figura da substância (cfr. Heb 1,3) divinae transforme-se inteira, pela contemplação, naimagem (cfr. 2Cor 3,18) da divindade. Desse modotambém você vai experimentar o que sentem osamigos quando saboreiam a doçura escondida (cfr.Sl 30,20), que o próprio Deus reservou desde oinício para os que o amam. Deixe de lado tudo queneste mundo falaz e perturbador prende seus cegosamantes e ame totalmente o que se entregou inteiropor seu amor, aquele cuja beleza o sol e a luaadmiram, cujos prêmios são de preciosidade egrandeza sem fim (Sl 144,3).”
  49. 49. “Rogo e suplico no Senhor, querida, que deixe, com sabedoria e discrição, essa austeridade exagerada e impossível que eu soube quevocê empreendeu, para que, vivendo, sua vida seja louvor (cfr. Is 38,19; Sir 17,27)do Senhor, e para que preste a seu Senhor um culto racional (cfr. Rom 12,1) e seu sacrifício seja sempre temperado com sal (Lev 2,13; Col 4,6).”
  50. 50. A quarta carta é uma carta de despedida e Clara partilha com Inês o louvor de Deus. O tema central desta carta é o Espelho,no qual resplandecem a pobreza, a humildade e a caridade que pode ser contemplada com a graça de Deus.
  51. 51. “Olhe dentro desse espelho todos os dias, órainha, esposa de Jesus Cristo, e espelhe nele,sem cessar, o seu rosto, para enfeitar-se toda,interior e exteriormente, vestida e cingida devariedade (Sl 44,10), ornada também com asflores e roupas das virtudes todas, ó filha eesposa caríssima do sumo Rei. Pois nesseespelho resplandecem a bem-aventuradapobreza, a santa humildade e a inefávelcaridade, como, nele inteiro, você vai podercontemplar com a graça de Deus.
  52. 52. Preste atenção noprincípio do espelho: apobreza daquele que,envolto em panos, foiposto no presépio (cfr.Lc 2,12)! Admirávelhumildade, estupendapobreza! O Rei dosanjos, o Senhor do céue da terra (cfr. Mt11,25) repousa numamanjedoura.
  53. 53. No meio do espelho, considere a humildade,ou pelo menos a bem-aventurada pobreza, as fadigas sem conta e as penas que suportou pela redenção do gênero humano.
  54. 54. E, no fim desse mesmo espelho, contemple acaridade inefável com que quis padecer nolenho da cruz e nela morrer a morte maisvergonhosa. Assim, posto no lenho na cruz, opróprio espelho advertia quem passava para oque deviam considerar: ó vós todos quepassais pelo caminho, olhai e vede se há outrador igual à minha (Lm 1,12). Respondamos auma voz, num só espírito, ao que clama e grita:Vou me lembrar para sempre e minha alma vaidesfalecer em mim (Lam 3,20). ”
  55. 55. “Filha bendita, como a língua do corpo nãopode expressar melhor o afeto que tenho porvocê, peço que aceite com bondade e devoçãoisto que eu escrevi pela metade, olhando aomenos o carinho materno que me faz arder decaridade todos os dias por você e suas filhas.”
  56. 56. “Que o Senhor esteja sempre com vocês e que vocêsestejam sempre com Ele.”Bênção de Santa Clara

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