A relacao entre_afetividade_e_aprendizagem_num_olhar_psicopedagogico
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A relacao entre_afetividade_e_aprendizagem_num_olhar_psicopedagogico Document Transcript

  • 1. 1 A RELAÇÃO ENTRE AFETIVIDADE E APRENDIZAGEM NUM OLHAR PSICOPEDAGÓGICO Lisiane França Garcia Franquilin Pereira1 Resumo: Este artigo tem por objetivo apontar as relações entre afetividade ecognição no desenvolvimento da inteligência, bem como, identificar os fatoresfamiliar e pedagógico que influenciam na aprendizagem; analisar o desenvolvimentoafetivo paralelamente ao cognitivo a partir da teoria walloniana e piagetiana.Também vem a contribuir para uma análise mais profunda sobre os benefícios daafetividade na relação entre professor e aluno no processo de aprendizagem.Sustenta a importância de compreender a dimensão afetiva e cognitivaimprescindível para a promoção da aprendizagem. Portanto, esta pesquisa irácolaborar com os envolvidos no processo educativo no entendimento do papel daafetividade como o fio condutor na construção do conhecimento. Além disso,apresenta ao professor contribuições para que estabeleça uma relação de afeto comseus alunos e dimensione em sala de aula. No primeiro momento, veremos doisteóricos que serão apresentados de maneira a focalizar suas teorias e relações nocampo da educação. Em seguida, a afetividade como caminho para a aprendizageme, a influência familiar e escolar na vida afetiva da criança. Será concluído,abordando as perspectivas psicopedagógica para transformar a sala de aula umlugar de emoção.Palavras-chave: Afetividade. Aprendizagem. Emoção. Jean Piaget. Henri Wallon.Introdução Este artigo aborda a relação da afetividade com o desenvolvimento daaprendizagem pontuando as responsabilidades do professor como co-autor noprocesso de conhecimento do sujeito. O propósito na escolha do tema é mostrar que a afetividade desempenha umpapel importante na aprendizagem e que a relação afetiva estabelecida entreprofessor e aluno contribui no desenvolvimento cognitivo, psicológico, social e motorda criança. A afetividade tem um importante papel no desenvolvimento da personalidadeda criança onde as relações familiares e escolares apontam influênciassignificativas.1 Lisiane França Garcia Franquilin Pereira: Licenciada em pedagogia pela FAFIMC com habilitaçãoem supervisão educacional/matérias pedagógicas do Ensino Médio e pós-graduanda empsicopedagogia pela FATEC/FACINTER.
  • 2. 2 A partir disso, surge a oportunidade de investigar o olhar psicopedagógico narelação entre afetividade e aprendizagem, através de questões a respeito dasrelações afetivas como fio condutor na construção do conhecimento. Portanto, o papel do professor é diferenciado e específico para que o aluno sesinta amado, aceito, acolhido e ouvido, estabelecendo um vínculo com aaprendizagem. A relação que se estabelece com o aluno permeia os aspectos qualitativos erespeita o desenvolvimento individual, promovendo o interesse e estímulo para aconstrução do conhecimento.Afetividade: um caminho para a aprendizagem Nas mais variadas literaturas o tema afetividade é tratado com diversasdefinições e está relacionada a vários termos: emoção, estados de humor,motivação, sentimento, paixão, atenção, personalidade, temperamento e outrostantos. Dentre os diversos autores que trataram sobre o assunto, destaca-se HenriWallon que aborda a construção da pessoa completa delineando nas fases dedesenvolvimento estágios que caracterizam a psicogenética da aprendizagem comouma reformulação na passagem de um estágio a outro, pois Wallon vê o desenvolvimento da pessoa como uma construção progressiva em que se sucedem fases com predominância alternadamente afetiva e cognitiva. Cada fase tem um colorido próprio, uma unidade solidária, que é dada pelo predomínio de um tipo de atividade. As atividades predominantes correspondem aos recursos que a criança dispõe, no momento, para interagir com o ambiente. ( GALVÃO, p. 43, 2010). A teoria de Wallon requer o estudo integrado do desenvolvimento abrangendoos vários campos funcionais como afetividade, motricidade e inteligência. Propõe oestudo centrado na criança contextualizada, a psicogênese da pessoa completa. Na psicogenética walloniana, a passagem dos estágios de desenvolvimentocontesta as concepções que consideram o desenvolvimento uma linearidade “e oencaram como simples adição de sistemas progressivamente mais complexos que1 Lisiane França Garcia Franquilin Pereira: Licenciada em pedagogia pela FAFIMC com habilitaçãoem supervisão educacional/matérias pedagógicas do Ensino Médio e pós-graduanda empsicopedagogia pela FATEC/FACINTER.
  • 3. 3resultariam da reorganização de elementos presente desde o início.” (GALVÃO,p.41, 2010). Wallon (2007) classifica essa passagem de um estágio a outro como umareformulação, instalando-se crises que afetam a conduta da criança. Para compreender esta ideia, atentaremos a uma descrição dos cincoestágios e suas características centrais abordados pela psicogenética walloniana. Estágio impulsivo-emocional, que ocorre no primeiro ano de vida – a emoçãoé peculiar, instrumento privilegiado de interação da criança com o meio. Estágio sensório-motor e projetivo, que vai até os três anos – a criança seinteressa pela exploração sensório-motora do mundo físico. O desenvolvimento sedá através da função simbólica e da linguagem, pois “o pensamento precisa doauxílio dos gestos para se exteriorizar, o ato mental „projeta-se‟ em atos motores.Predominam as relações cognitivas com o meio - inteligência prática e simbólica.”(GALVÃO, p. 44, 2010) Estágio do personalismo acontece na faixa dos três aos sete anos – o pontocentral é o processo de formação da personalidade. Desenvolve-se a construção daconsciência de si, onde busca assegurar-se como sujeito autônomo, ocorrendo pormeio das interações sociais, que novamente norteia o interesse da criança para aspessoas e o retorno da preponderância das relações afetivas. Estágio categorial inicia-se por volta dos seis anos até os 11 anos – com aconsolidação da função simbólica e a diferenciação da personalidade atingida noestágio anterior, onde os progressos intelectuais apontam o interesse da criançapara as coisas, para o conhecimento e conquista do mundo exterior. Estágio da adolescência, a partir dos doze anos – a criança passa pelastransformações físicas e psicológicas, rompendo a serenidade afetiva caracterizadapelo estágio anterior, passando por conflitos externos e internos. Há necessidade deuma nova definição da personalidade, desestruturados devido às modificaçõescorporais provenientes da ação hormonal. Sob a perspectiva piagetinana, o conhecimento se dá a partir da ação dosujeito sobre a realidade e a aprendizagem depende do estágio de desenvolvimentoatingido pelo sujeito, onde cada novo estágio ocorre apenas quando há o equilíbrioque é fruto das assimilações e acomodações feitas no estágio anterior.1 Lisiane França Garcia Franquilin Pereira: Licenciada em pedagogia pela FAFIMC com habilitaçãoem supervisão educacional/matérias pedagógicas do Ensino Médio e pós-graduanda empsicopedagogia pela FATEC/FACINTER.
  • 4. 4 Quando participamos ativamente dos acontecimentos, é assimilado àestrutura mental informações correspondentes ao ambiente social, transformando oconhecimento adquirido em ações sobre o meio. O conhecimento assimilado constitui novas experiências e organiza novasideias e conceitos. As novas aprendizagens alicerçam-se nas anteriores, onde ainteligência desenvolve as aprendizagens mais simples dando base as maiscomplexas. Piaget (1964) distribui o desenvolvimento da criança por estágios, ocorrendouma modificação progressiva dos esquemas de assimilação, propiciando diferentesmaneiras de o indivíduo organizar seus conhecimentos tendendo sua adaptação. Os estágios evoluem como uma espiral, onde cada estágio engloba o anteriore o amplia. Piaget não define idades rigorosas para os estágios, mas se apresentamem um seguimento estável. Estágio sensório-motor (aproximadamente de 0 a 2 anos) – a criança aindanão representa os objetos mentalmente, pois sua ação é direta sobre eles. Osestímulos ambientais são essencialmente sensoriais e motores. Estágio pré-operacional (aproximadamente de 2 a 7 anos) – é nessa fase quea criança usa a linguagem e a capacidade de representação mental de um objeto ouacontecimento, pois suas ações passam a se interiorizar ganhando significação.Porém neste período não há reversibilidade do pensamento, ou seja, não consegueainda organizar objetos e acontecimentos abstraindo reflexivamente. Estágio operatório-concreto (aproximadamente de 8 a 11 anos) – nesteestágio o pensamento é reorganizado, vendo o mundo com realismo e deixam deconfundir o real com a fantasia. Já apresenta a capacidade de realizar operações,mas necessita da realidade concreta, pois seu pensamento é descritivo e intuitivo. Estágio da inteligência formal (a partir dos 12 anos, com patamar de equilíbriopor volta dos 14-15 anos) – é notável a transição para este estágio, pois sãoevidenciadas importantes diferenças que ocorrem nas características dopensamento que ultrapassa o real, possibilitando para que possa operarmentalmente sem intervenção do concreto. A criança utiliza o raciocínio hipotético-dedutivo, em que pensa e formula hipóteses que vão lhe permitir definir conceitos evalores.1 Lisiane França Garcia Franquilin Pereira: Licenciada em pedagogia pela FAFIMC com habilitaçãoem supervisão educacional/matérias pedagógicas do Ensino Médio e pós-graduanda empsicopedagogia pela FATEC/FACINTER.
  • 5. 5 De acordo com a teoria de Piaget, o desenvolvimento afetivo se dáparalelamente ao cognitivo e tem intensa importância no desenvolvimento dainteligência: A afetividade não é nada sem a inteligência, que lhe fornece meios e esclarece fins. É pensamento pouco sumário e mitológico atribuir as causas do desenvolvimento às grandes tendências ancestrais, como se as atividades e o crescimento biológico fossem por natureza estranhos à razão. Na realidade, a tendência mais profunda de toda atividade humana é a marcha para o equilíbrio. E a razão – que exprime as formas superiores desse equilíbrio – reúne nela a inteligência e a afetividade. (apub BALESTRA, 2007, p. 49). As relações estabelecidas entre professor e aluno devem ser sustentadas porenorme porção de afetividade, pois a interação destes pares concebe o suporte paraa aquisição do conhecimento. O papel da afetividade é de uma energia que motiva o interesse e oentusiasmo, sem modificar as estruturas da inteligência. E essa afetividade é o fiocondutor que impele o sujeito ao conhecimento. Ao adquirir novos conhecimentos, o sujeito passa pelo processo deaprendizagem. Portanto, este processo é capaz de desenvolver competências emudar o comportamento. Neste processo estão envolvidos aspectos que circulam entre si: familiar epedagógico. Quando se fala em afeto, podemos encontrar convergências entre o queWallon e Piaget postularam. Para ambos a afetividade desempenha um papelessencial no funcionamento da inteligência. Piaget afirma que o nível afetivo segue os mesmos princípios dodesenvolvimento psicogenético identificado na inteligência. A vida afetiva, como a vida intelectual, é uma adaptação contínua e as duas adaptações são, não somente paralelas, mas interdependentes, pois os sentimentos exprimem os interesses e os valores das ações, das quais a inteligência constitui a estrutura. (PIAGET,1945/1990, p. 265) Wallon (2010) também elenca em sua teoria a afetividade, que ocupa lugarcentral na construção da pessoa e no conhecimento. Com o desenvolvimento, aafetividade unifica as conquistas da inteligência e converge para a racionalização.1 Lisiane França Garcia Franquilin Pereira: Licenciada em pedagogia pela FAFIMC com habilitaçãoem supervisão educacional/matérias pedagógicas do Ensino Médio e pós-graduanda empsicopedagogia pela FATEC/FACINTER.
  • 6. 6 Wallon propõe o estudo integrado do desenvolvimento, ou seja, que este abarque os vários campos funcionais nos quais se distribui a atividade infantil (afetividade, motricidade, inteligência). Vendo o desenvolvimento do homem, ser “geneticamente social”, como processo em estreita dependência das condições concretas em que ocorre, propõe o estuda da criança contextualizada, isto é, nas relações com o meio. Podemos definir o projeto teórico de Wallon como a elaboração de uma psicogênese da pessoa completa. (GALVÃO, 2010, p.31)Afetividade na família e na escola No âmbito familiar é onde o sujeito inicia suas primeiras aprendizagens.Desde o nascimento, todas as conquistas são acompanhadas pela família que lhedá incentivo esperando que a criança conquiste cada vez mais novas habilidades.Esta interação mobiliza a circulação do conhecimento e o acesso à aprendizagem,pois cada membro familiar tem sua própria forma de aprender e atuar na construçãode seu próprio conhecimento, aproximando o desconhecido para integrá-lo ao saber.O conhecimento será transmitido conforme a maneira de aprender, entre quemensina e quem aprende. A família deve dar importância à criança, incentivando seu pensamento,auxiliando a busca de autonomia, escutando sua fala e, oportunizando que façasuas escolhas onde será responsável por elas, pontuando limites na medida certa. Em algumas famílias encontramos o inverso: o impedimento da criança emsua autonomia, tolhendo suas escolhas e questionamentos, refletindo de maneiranegativa na aprendizagem tornando-o dependente e inseguro. Assim, a famíliaproduz marcas na aprendizagem, com modelos de juízo de valor que acreditamserem os corretos. O afeto na família é de suma importância para um desenvolvimento saudávelda criança, pois é o principio da autoestima e de valores equilibrados. O papel da família nas primeiras aprendizagens é “ensinar brincando”, poisesta interação proporciona o desenvolvimento de muitas habilidades. Antes de entrar na escola, a criança deveria ser estimulada em casa, sendooportunizado o contato com livros de acordo com sua idade, pois propicia o gostopela leitura e desde cedo estar em contato com o objeto do conhecimento.1 Lisiane França Garcia Franquilin Pereira: Licenciada em pedagogia pela FAFIMC com habilitaçãoem supervisão educacional/matérias pedagógicas do Ensino Médio e pós-graduanda empsicopedagogia pela FATEC/FACINTER.
  • 7. 7 Infelizmente o que acontece são crianças de todas as idades passando amaior parte do tempo na frente da televisão ou plugadas na internet. Mas os pais porcomodismo ou por ausência substituem estes recursos por seu tempo com a criançae não visualizam pequenas coisas que poderiam dar certo e evitar situações deestresse com seus filhos. Muitos pais erroneamente pensam que o desenvolvimento começa na escola.Mas a base se dá na família, pois é onde a criança se estrutura, cria vínculosafetivos, iniciando seu desenvolvimento cognitivo e emocional. Não é somente a escola que deve educar e ensinar. A participação da famíliaé intransferível. SAMPAIO refere-se a esta situação dizendo Um vínculo afetivo familiar não é criado de uma hora para outra. Deve ser cultivado desde a primeira infância, respondendo aos seus infindáveis porquês, respondendo com paciência às inúmeras contra-argumentações, quando se proíbe de fazer algo, interessando-se pelo dia-a-dia escolar, e não só nas notas do boletim. Deve-se colocar à disposição para ajudar nas tarefas escolares sempre que o filho precisar, dizer “não” quando necessário e ser firme nesta posição, explicando, porém, as razões da negativa. (2009, p. 86) Os aspectos pedagógicos são fatores que podem interferir na aprendizagem,como a metodologia de ensino, as estruturas da turma, os critérios de avaliação,dentre muitos outros. Portanto, o professor deve ser capaz de construir com o aluno oconhecimento, para que este aluno possa perceber o mundo a sua volta e descobriroutras formas de aprender. Nesse sentido, SAMPAIO diz Para que a construção do conhecimento aconteça no sujeito aprendiz, é necessário que quem ensina tenha formado com ele um vínculo positivo e vice-versa. Assim, o aluno pode transformar este conhecimento, mas isto só irá acontecer se houver confiança nesta relação de ensino e aprendizagem, pois, para aprender, é necessário que o sujeito se autorize a aprender; do contrário, poderá existir um bloqueio de qualquer ordem, funcionando como uma sombra negativa sobre o sujeito, e a aprendizagem ficará impossibilitada. (2009, p.62) Porém, alguns professores justificam os problemas de aprendizagemresponsabilizando a família em seus conflitos. De fato, são os conflitos na família1 Lisiane França Garcia Franquilin Pereira: Licenciada em pedagogia pela FAFIMC com habilitaçãoem supervisão educacional/matérias pedagógicas do Ensino Médio e pós-graduanda empsicopedagogia pela FATEC/FACINTER.
  • 8. 8que contribuem muito para que se desencadeie o desinteresse pela aprendizagem,a baixa autoestima, a indisciplina, a falta de atenção e concentração e aagressividade. Mas a escola se isenta de sua responsabilidade, pois fica mais fácilconsiderar os conflitos familiares como único motivo para o fracasso escolar. E qual o papel do professor para ajudar esta criança? Acaso repensaram suametodologia, sua postura para que auxiliem esta criança ao invés de responsabilizá-la pelos problemas enfrentados em casa? Raramente a escola assume algum tipo de responsabilidade quando surgemdificuldades de aprendizagem, encaminhando esta criança para um psicólogo oupsicopedagogo. É imprescindível que o educador seja capaz de rever sua prática mobilizando-se para uma postura mediadora. CURY (2003, p.85) faz um alerta aos professores e pais para que observemsuas atitudes com as crianças em seu capítulo intitulado “Os sete pecados capitaisdos educadores” 1º corrigir publicamente – Esta ação causa no sujeito humilhação e traumasmuito difíceis de serem superados por toda a vida. Atitudes como esta produz umaparalisia na inteligência e suscita o medo de expor suas ideias. 2º expressar autoridade com agressividade – Por medo de perder suaautoridade, impondo-a com violência disfarçada em delicada inflexibilidade eresistência com receio de suas próprias fragilidades. Limites devem ser dialogados enão impostos. A verdadeira autoridade é conquistada com inteligência e amor. Oimportante é não perder o amor e a confiança de seus alunos. 3º ser excessivamente crítico – A crítica quando feita com exageros trazinfelicidade, frustação, fragilidade, medo de errar e de correr riscos. Permitir aespontaneidade da criança favorece a liberdade de ter as próprias experiências,mesmo que traga fracassos, riscos e sofrimentos. Assim aprenderá com sua própriaexperiência reconhecendo suas limitações, amadurecendo para a vida. Comoeducadores, devemos quando necessário, aconselhar e não usar a critica comoesmagadora de aprendizagens. 4º punir quando estiver irado e colocar limites sem dar explicações – Todoscometemos erros, mas o importante é o que fazer com eles. Como professores, são1 Lisiane França Garcia Franquilin Pereira: Licenciada em pedagogia pela FAFIMC com habilitaçãoem supervisão educacional/matérias pedagógicas do Ensino Médio e pós-graduanda empsicopedagogia pela FATEC/FACINTER.
  • 9. 9inúmeras as situações que vivenciamos e que temos que corrigir o erro. Existemalguns erros dos alunos que nos acometemos de ira e acabamos agindo sem pensarlevando a consequências que não podemos voltar atrás. E este poucos segundo deira nos torna capazes de ferir as pessoas que amamos. Quando sentir que a raivaesta eclodindo, devemos sair de cena e esperar a temperatura da emoção baixar. Amelhor maneira de praticar educação é aproveitar o erro para levá-los a repensarsuas atitudes, adentrar em si mesmo, colocando-se no lugar dos outros, pois “amaturidade de uma pessoa é revelada pela forma inteligente com que ela corrigealguém.” (2003, p.95). A punição deve ser sem excessos, seja com castigos, privações e limites,estimulando a arte de pensar. Dizer o quanto ele é importante antes de lhe apontaros erros fará com que acolha suas observações e o ame para sempre. 5º ser impaciente e desistir de educar – encontramos em sala de aula alunosagressivos, inquietos, desatentos e com muitas outras características que nostornam impacientes e desanimados a educar. Não tomamos conhecimento dasituação e acabamos por desistir destes alunos. Mas devemos compreender que portrás de cada aluno agressivo, desatento, temos uma criança que necessita de afeto.Aqueles alunos insuportáveis é que testam nossa qualidade de educadores e agrandeza de nosso amor. Não desistir destes alunos nos darão retorno, mesmo quenão seja imediato. 6º não cumprir com a palavra – Não se promete aquilo que não se podecumprir. Dizer “não” sem medo ensina a lidar com perdas e frustrações, processoimportante na formação da personalidade. 7º destruir a esperança e os sonhos – O comportamento de alguns alunos nosleva a pensar e até mesmo a dizer: “Fulano não vai ser nada na vida, não temsolução”. E o pior, fazemos com que eles acreditem nisso, destruindo suasesperanças e atravancando os seus sonhos. Ao invés de ajudar a superar osconflitos, tornamos a dificuldade ainda maior e criamos um ser sem sonhos, semesperanças e conformado com seus males, pois “sem sonhos não há fôlegoemocional. Sem esperança não há coragem para viver.” (2003, p.102).1 Lisiane França Garcia Franquilin Pereira: Licenciada em pedagogia pela FAFIMC com habilitaçãoem supervisão educacional/matérias pedagógicas do Ensino Médio e pós-graduanda empsicopedagogia pela FATEC/FACINTER.
  • 10. 10 A afetividade torna-se um caminho para aprendizagem, pois é ponto deequilíbrio na relação entre professor e aluno contribuindo para uma práticapedagógica com um olhar e uma escuta diferenciados.Sala de aula: um espaço de emoção O professor deve repensar sua prática pedagógica colaborando para o processode construção do conhecimento do sujeito, bem como na relação eu-outro. O sujeito deve ser educado para a emoção em que possa ser autor de suahistória, saiba resolver conflitos pensando antes de reagir, a dominar seus medosenfrentando-os, compreender a vida em suas variações. Mas para isso, é necessário que o professor saiba trabalhar com a emoção que émais complexa do que qualquer outro conteúdo intricado. Para CURY, osprofessores devem saber que Educar a emoção também é se doar sem esperar retorno, ser fiel à sua consciência, extrair prazer dos pequenos estímulos da existência, saber perder, correr riscos para transformar sonhos em realidade, ter coragem para andar por lugares desconhecidos. (2003, p. 66) A sala de aula proporciona um espaço ilimitado de possibilidades para que este“educar para a emoção” seja pleno. Porém, muitos professores desperdiçam o tempo em que estão na sala de aulaapenas repassando conteúdos, que julgam ser mais importantes do que escutar eser escutado, sentir e fazer sentir, correr riscos para os sentimentos desconhecidosque podem surgir. Mas o que é emoção? A emoção são manifestações da vida afetiva e estão acompanhadas de reaçõescomo aceleração dos batimentos cardíacos, mudança no ritmo da respiração, eoutras manifestações corporais. Segundo WALLON citado por GALVÃO As emoções podem ser consideradas, sem dúvida, como a origem da consciência, visto que exprimem e fixam para o próprio sujeito, através do1 Lisiane França Garcia Franquilin Pereira: Licenciada em pedagogia pela FAFIMC com habilitaçãoem supervisão educacional/matérias pedagógicas do Ensino Médio e pós-graduanda empsicopedagogia pela FATEC/FACINTER.
  • 11. 11 jogo de atitudes determinadas, certas disposições específicas de sua sensibilidade. Porém, elas só serão o ponto de partida da consciência pessoal do sujeito por intermédio do grupo, no qual elas começam por fundi- lo e do qual receberá as fórmulas diferenciadas de ação e os instrumentos intelectuais, sem os quais lhe seria impossível efetuar as distinções e as classificações necessárias ao conhecimento das coisas e de si mesmo. (2010, p.63) A narrativa abaixo traz a realidade presente no cotidiano de uma sala de aula,retratando as diversas histórias presenciadas por muitos e vivenciadas por poucos. Relata a Sra. Thompson, que no seu primeiro dia de aula parou em frente aos seus alunos da quinta série primária e, como todos os demais professores, lhes disse que gostava de todos por igual. No entanto, ela sabia que isto era quase impossível, já que na primeira fila estava sentado um pequeno garoto chamado Teddy. A professora havia observado que ele não se dava bem com os colegas de classe e muitas vezes suas roupas estavam sujas e cheiravam mal. Houve até momentos em que ela sentia prazer em lhe dar notas vermelhas ao corrigir suas provas e trabalhos. Ao iniciar o ano letivo, era solicitado a cada professor que lesse com atenção a ficha escolar dos alunos, para tomar conhecimento das anotações feitas em cada ano. A Sra. Thompson deixou a ficha de Teddy por último. Mas quando a leu foi grande a sua surpresa. A professora do primeiro ano escolar de Teddy havia anotado o seguinte: Teddy é um menino brilhante e simpático. Seus trabalhos sempre estão em ordem e muito nítidos. Tem bons modos e é muito agradável estar perto dele. A professora do segundo ano escreveu: Teddy é um aluno excelente e muito querido por seus colegas, mas tem estado preocupado com sua mãe que está com uma doença grave e desenganada pelos médicos. A vida em seu lar deve estar sendo muito difícil. Da professora do terceiro ano constava a anotação seguinte: a morte de sua mãe foi um golpe muito duro para Teddy. Ele procura fazer o melhor, mas seu pai não tem nenhum interesse e logo sua vida será prejudicada se ninguém tomar providências para ajudá-lo. A professora do quarto ano escreveu: Teddy anda muito distraído e não mostra interesse algum pelos estudos. Tem poucos amigos e muitas vezes dorme na sala de aula. A Sra. Thompson se deu conta do problema e ficou terrivelmente envergonhada. Sentiu-se ainda pior quando lembrou dos presentes de natal que os alunos lhe haviam dado, envoltos em papéis coloridos, exceto o de Teddy, que estava enrolado num papel marrom de supermercado. Lembra-se de que abriu o pacote com tristeza, enquanto os outros garotos riam ao ver uma pulseira faltando algumas pedras e um vidro de perfume pela metade. Apesar das piadas ela disse que o presente era precioso e pôs a pulseira no braço e um pouco de perfume sobre a mão. Naquela ocasião Teddy ficou1 Lisiane França Garcia Franquilin Pereira: Licenciada em pedagogia pela FAFIMC com habilitaçãoem supervisão educacional/matérias pedagógicas do Ensino Médio e pós-graduanda empsicopedagogia pela FATEC/FACINTER.
  • 12. 12 um pouco mais de tempo na escola do que o de costume. Lembrou-se ainda, que Teddy lhe disse que ela estava cheirosa como sua mãe. Naquele dia, depois que todos se foram, a professora Thompson chorou por longo tempo... Em seguida, decidiu-se a mudar sua maneira de ensinar e passou a dar mais atenção aos seus alunos, especialmente a Teddy... Com o passar do tempo ela notou que o garoto só melhorava. E quanto mais ela lhe dava carinho e atenção, mais ele se animava. Ao finalizar o ano letivo, Teddy saiu como o melhor da classe. Um ano mais tarde a Sra. Thompson recebeu uma notícia em que Teddy lhe dizia que ela era a melhor professora que teve na vida. Seis anos depois, recebeu outra carta de Teddy contando que havia concluído o segundo grau e que ela continuava sendo a melhor professora que tivera. As notícias se repetiram até que um dia ela recebeu uma carta assinada pelo Dr. Theodore Stoddard, seu antigo aluno, mais conhecido como Teddy. Mas a história não terminou aqui. A Sra. Thompson recebeu outra carta, em que Teddy a convidava para seu casamento e noticiava a morte de seu pai. Ela aceitou o convite e no dia do casamento estava usando a pulseira que ganhou de Teddy anos antes, e também o perfume. Quando os dois se encontraram, abraçaram-se por longo tempo e Teddy lhe disse ao ouvido: obrigado por acreditar em mim e me fazer sentir importante, demonstrando-me que posso fazer a diferença. Mas ela, com os olhos banhados em pranto sussurrou baixinho: você está enganado! Foi você que me ensinou que eu podia fazer a diferença, afinal eu não sabia ensinar até que o conheci. (http://audio.momento.com.br/pt/textos.php?let=V&pg=6#inicio_conteudo) Assim como nesta história relatada, apresentamos algumas experiênciaspessoais. Em uma escola pública vivenciamos diariamente a necessidade que as criançastem de estar por perto demonstrando seu afeto. Em suas atitudes, podemosperceber o quanto buscam a reciprocidade desse afeto. Crianças que por nenhuminstante querem deixar da companhia de sua professora. Deixam de aproveitar osminutos de intervalo que lhes é proporcionado para conversar sobre sua vida. Em determinada turma, um dos alunos sempre surpreendia-nos com flores. Estegesto era repetido diariamente. E, nos perguntávamos como esta criança mantinhaesta atitude e qual o motivo de ser pontual em seu gesto, pois não houve nenhumademonstração especial dispensada a ela? Logo fomos percebendo que não seria necessária qualquer manifestaçãograndiosa de afeto, mas bastava ter a sensibilidade de sentir o seu mundo, encorajar1 Lisiane França Garcia Franquilin Pereira: Licenciada em pedagogia pela FAFIMC com habilitaçãoem supervisão educacional/matérias pedagógicas do Ensino Médio e pós-graduanda empsicopedagogia pela FATEC/FACINTER.
  • 13. 13a descobrir e inventar com suas capacidades e limitações, dar um mínimo deatenção. Porém o mais interessante é eleger a professora para confiar este afeto, que ésincero e sedento. A experiência afetiva é dificilmente expressa em palavras poistudo começa com um ato de amor. Acredito que de um encontro de amor, seja ele com o objeto ou mesmo com o outro, nasce e transforma-se a vida; mudam-se os destinos, tiram-se do nada todo um mundo de projetos de ideias que antes não existiam. Nasce uma espera, consolida-se um tempo e apalpa-se um espaço. As pulsões se transformam e sublimam-se, e, assim, educamos um ser para si e para o meio. As escolas deveriam entender mais de seres humanos e de amor do que de conteúdos e técnicas educativas. Elas tem contribuído em demasia para a construção de neuróticos por não entenderem de amor, de sonhos, de fantasias, de símbolos e de dores. (SALTINI, 1999, p.15) O professor tem em suas mãos a oportunidade de transformar vidas, formandoseres humanos que fazem a diferença no mundo. Por isso deve aproveitar o espaçoque a sala de aula oferece para viver e educar a emoção. Quando uma criança traz a seu professor um desenho que fez ou uma flor quecolheu no caminho da escola, deposita sua afetividade. Mas ao professor, é algo tãoinsignificante, que acaba esquecendo em cima de sua mesa. Porém esquece juntoque aquela criança coloca toda sua emoção naquela flor ou desenho. Quantas vezes uma criança vem ao lado do professor e fica a observar seusgestos, sua fala, sua maneira de escrever no quadro. Sem perceber, o professorestá sendo admirado por aquela criança que um dia, vai seguir o seu caminholembrando com afeto do valor e da emoção pela qual foi tratada. Por que não prestar mais atenção nos pequenos gestos que exprimem muitodaquilo que a criança tem a oferecer ou a solicitar. Às vezes, esquecemos que temos um papel de extrema importância na vida deuma criança e que, para ela, isso fará a diferença.1 Lisiane França Garcia Franquilin Pereira: Licenciada em pedagogia pela FAFIMC com habilitaçãoem supervisão educacional/matérias pedagógicas do Ensino Médio e pós-graduanda empsicopedagogia pela FATEC/FACINTER.
  • 14. 14 Conclusão O artigo aqui apresentado propõe aos professores uma reflexão profunda emsua prática pedagógica, buscando a compreensão da importância nas relações queestabelece com seus alunos. O estudo proposto acerca da relação entre afetividadee aprendizagem leva a algumas considerações com base na convergência dasteorias de Henri Wallon e Jean Piaget, ao que tange correlação da afetividade com ainteligência. Ambas tem funções definidas e ao se agregar, permite aodesenvolvimento da aprendizagem. Cabe aos pais e professores cumprirem com seu papel na tarefa de educar,colaborando no desenvolvimento da criança. É com a família que a criança tem seuprimeiro contato com a aprendizagem. Por isso os pais devem proporcionar umaestrutura afetiva adequada para que obtenha resultados significativos nodesenvolvimento cognitivo da criança. A família é fundamental para que a criança tenha um desenvolvimentosaudável. Por isso é imprescindível que família a escola instituam um elo decomunicação, pois ambas necessitam uma da outra. E a escola é a responsável por dar continuidade na construção iniciada pelafamília, despertando o interesse da criança para o conhecimento. As dificuldades de aprendizagem devem ser encaradas como desafios aserem superados com a parceria da escola e da família. Para que haja um equilíbrio cognitivo e afetivo a alternativa é que família eescola assumam suas reponsabilidades. É na sala de aula que o professor tem a oportunidade de demonstrar suaafetividade de modo que o processo educativo seja efetivo. As relações entreprofessor e aluno estabelecem vínculos de afeto que colaboram para a estabilidadeemocional da criança e o envolvimento com a aprendizagem. Desta forma podemos perceber que a afetividade é um fator indispensável noprocesso de desenvolvimento humano, pois norteará o processo de ensino eaprendizagem. Portanto acreditamos que o professor terá qualidade em suasdecisões quando se comprometer com o desenvolvimento de habilidades e1 Lisiane França Garcia Franquilin Pereira: Licenciada em pedagogia pela FAFIMC com habilitaçãoem supervisão educacional/matérias pedagógicas do Ensino Médio e pós-graduanda empsicopedagogia pela FATEC/FACINTER.
  • 15. 15competências, colaborando na construção de um aluno plenamente realizado emsuas aprendizagens e uma pessoa mais feliz. O importante é aprender a amar. “O amor é um conceito diverso, repleto de contrastes, antíteses, paradoxos e peculiaridades que o tornam tão singular quanto complexo. (...) amor transcende qualquer ciência. Ele nasce, cresce e se multiplica, ocupando espaços maiores ou menores, mas sempre edificados com o que há de mais nobre no espírito e no coração do ser humano (CHALITA, 2003 P.22)”1 Lisiane França Garcia Franquilin Pereira: Licenciada em pedagogia pela FAFIMC com habilitaçãoem supervisão educacional/matérias pedagógicas do Ensino Médio e pós-graduanda empsicopedagogia pela FATEC/FACINTER.
  • 16. 16 ReferênciasCURY, Augusto J. Pais brilhantes, professores fascinantes: a educaçãointeligente: formando jovens pensadores e felizes. Rio de Janeiro: Sextante,2003.GALVÃO, Isabel. Henri Wallon: uma concepção dialética do desenvolvimentoinfantil. Rio de Janeiro: Vozes, 2002.PIAGET, Jean. O raciocínio na criança. 2. ed. Rio de Janeiro: Record Cultural,1967.______. Seis estudos de psicologia. 9. ed. Rio de Janeiro: Editora ForenseUniversitária, 1978.POLITY, Elizabeth. (Org.). Psicopedagogia: um enfoque sistêmico: terapiafamiliar nas dificuldades de aprendizagem. 1. ed. São Paulo: Vetor Editora, 2004.RELVAS, Marta Pires. Fundamentos Biológicos da Educação: Despertandointeligências e afetividade no processo de aprendizagem. 3. ed. Rio de Janeiro:Wak Editora, 2008.SALTINI, Claúdio J. P. Afetividade e inteligência. 3. ed. Rio de Janeiro: DP&A,1999.WALLON, Henri. A evolução psicológica da criança. 1. ed. São Paulo: MartinsFontes, 2007.1 Lisiane França Garcia Franquilin Pereira: Licenciada em pedagogia pela FAFIMC com habilitaçãoem supervisão educacional/matérias pedagógicas do Ensino Médio e pós-graduanda empsicopedagogia pela FATEC/FACINTER.