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Historia a-12-ano-resumo
 

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    Historia a-12-ano-resumo Historia a-12-ano-resumo Document Transcript

    • Apontamentos de História 12º anoAs transformações das primeiras décadas do século XXUm novo equilíbrio globalA Primeira Guerra Mundial decorreu entre 1914 e 1918. Em 1919 começaram a celebrar-se osprimeiros acordos da paz (participando apenas os países vencedores). A Conferencia da Paz pretendia,assim, lançar as bases de uma nova Europa, através do estabelecimento de uma nova ordeminternacional que garantisse a convivência pacífica entre as nações, surgindo um novo mapageopolítico da Europa. As principais transformações ocorridas foram o desmembramento dosimpérios, criação de novos países e alteração de fronteiras: Após a transformação do império russo (domínio do czar) num estado soviético (revolução bolchevique,1917), é a vez dos restantes impérios (Alemão, Austro-húngaro e Otomano) se desmoronarem e daremorigem a novos estados-nação: Finlândia, Estónia, Letónia e Lituânia (que faziam parte da Rússia),Polónia, Checoslováquia, Hungria, Jugoslávia (da Áustria);Os países vencedores (tais como a França, a Itália, a Bélgica) viram as suas fronteiras ampliadas aocontrário dos países derrotados (como a Áustria, Alemanha, Bulgária, Turquia), aos quais foram retiradosvastos territórios.Com o desaparecimento dos impérios, a maior parte dos estados optam pela democracia liberal sob aforma de regimes republicanos (à excepção da Rússia soviética)A Alemanha foi a grande perdedora: perdeu 1/10 da sua população, ficou desmilitarizada (exército earmamento reduzido), perdeu todas as colónias, foi-lhe retirada territórios, mas sentiu-se, sobretudo, alvode uma grande humilhação, pois foi considerada a principal responsável pela guerra e foi obrigada apagar indemnizações aos países vencedores.A Sociedade das NaçõesEm Abril de 1919 surgiu, sob projecto do presidente Wilson e com a esperança de que não houvesse outroconflito mundial, a Sociedade das Nações (SDN). A SDN tinha como objectivos principais manter apaz e fomentar a entreajuda a nível internacional, através da cooperação económica e financeiraentre os estados membros, promoção do desarmamento e a resolução dos conflitos pela via pacífica.Esta organização, no entanto, estava condenada ao fracasso, pois: os países vencidos foram excluídos, quer dos tratados de paz, quer da SDN; alguns dos países vencedores não estavam satisfeitos com as resoluções dos tratados de paz; os EUA não integraram a SDN, contribuindo para o descrédito da organização.Como consequência, a SDN mostrou-se incapaz de desempenhar o papel de organizadora da paz.A difícil recuperação da Europa e a dependência em relação aos EUADurante a guerra, os EUA eram o principal fornecedor em bens e serviços à Europa. No final da guerra,perante uma Europa destroçada (estava arruinada, tanto material como humanamente), a perda dahegemonia europeia agravou-se em favor da ascensão dos EUA. No período pós-guerra, a Europaenfrentou graves problemas como a inflação, desvalorização da moeda, desemprego, enfim, umcolapso económico. Evidenciou igualmente grandes dificuldades em reconverter a economia, o queagravou a sua dependência em relação aos EUA, aumentando os níveis de endividamento.A desvalorização da moeda e a inflação surgiram pois houve um recurso à emissão massiva de notas demodo a fazer face ás dividas, o que provocou uma desvalorização que se reflectiu numa subidageneralizada de preços (inflação), agravando mais as condições de vida das populações.Os EUA iniciaram, então, um período de franca prosperidade, são os designados “Loucos Anos 20”por viver um clima de euforia, optimismo e confiança no futuro. Em consequência, os países europeusficam mergulhados em dívidas ao estado americano que afirmou a sua supremacia. A eventualrecuperação da Europa deveu-se á ajuda dos EUA.
    • A Implantação do marxismo-leninismo na RússiaA Revolução de Fevereiro de 1917 (Revolução Burguesa)Os antecedentes para a Revolução Russa de Fevereiro de 1917 foram: O império russo era chefiado pelo czar Nicolau II sob a forma de uma autocracia, isto é, detinha opoder absoluto, o que provocava desagrado; Ao defender a liberalização do regime, o descontentamento do povo manifestou-se sob várias formas(surgiram as primeiras assembleias de operários, os sovietes), sendo a Revolução de 1905 (DomingoSangrento) uma delas, que originou uma certa abertura politica por parte do czar (convocou eleiçõespara o Parlamento (Duma), criou partidos políticos e aboliu certos privilégios da nobreza); O descontentamento face ao regime político agravou-se com a participação da Rússia na primeiraguerra mundial (milhares de mortos e desorganização da já débil economia russa); A sociedade russa era composta maioritariamente por camponeses, a burguesia ansiava paramodernizar o país e por um governo parlamentar, o operariado era um grupo minoritário. Sendo tãodesigualitária, não deixou de provocar anseios revolucionários.Em Fevereiro de 1917, estavam reunidas as condições para acontecer uma revolução, onde aBurguesia ascende ao poder (daí a se designar Revolução Burguesa), pondo fim ao czarismo einstaurando um regime republicano na Rússia. Os revolucionários exigem a abdicação de Nicolau II eformam um Governo Provisório, constituído por Kerensky e Lvov (que governam sob uma republica detipo liberal). Veremos que será deposto pela revolução socialista de Outubro de 1917, feita peloscomunistas.A Revolução de Outubro de 1917 (Revolução Soviética)No período entre Fevereiro e Outubro de 1917, a agitação social não diminuiu. Já não havia czar, masa Rússia continuava na guerra e os problemas económicos mantinham-se. A nível político, a Rússiavivia numa dualidade de poderes (os governos liberais, por um lado, e os sovietes, por outro, que eramcontra o Governo Provisório).Em consequência, em Outubro de 1917, os bolcheviques, com o apoio dos sovietes, conduziram àRevolução Soviética, onde o Governo Provisório foi substituído pelo Conselho dos Comissários do Povo,presidido por Lenine. Trotsky e Estaline também foram figuras importantes na revolução. A Rússiatransformou-se numa Republica não parlamentar e deu-se início a uma guerra civil (“ExercitoVermelho” – comunistas, “Exercito Branco” – liberais).Esta revolução foi responsável pela retirada da Rússia da guerra, e a nível ideológico foi responsável pelaimplementação dos princípios marxistas, através de Lenine. As suas ideias e a sua acção originaramo marxismo-leninismo. Os representantes do proletariado conquistavam o poder politico.Marxismo-leninismo  Aplicação prática das ideias de Marx por Lenine. Defendia que o proletariado erao que conquistava o poder (ditadura do proletariado), e igualava o poder do Estado ao PartidoComunista (Partido Único).A democracia dos sovietesA Revolução de Outubro foi vitoriosa graças ao apoio da população mais pobre da Rússia –camponeses, operários, etc. – organizada em assembleias denominadas sovietes. No dia seguinte árevolução, Lenine fez aprovar decretos revolucionários, no II Congresso dos Sovietes (Um Governoquando inicia as suas funções, tem que lançar decretos): decreto sobre a paz (convidava aos povos em guerra, á paz) decreto sobre a terra (aboliu a propriedade privada, entregando-a aos sovietes)Instaurando a paz e propriedade comunitária, os bolcheviques conseguiam, através dos decretosrevolucionários, responder aos anseios dos sovietes que tanto haviam contribuído para o sucesso darevolução. Esta legislação revolucionária servia, assim, de instrumento para a criação de umademocracia dos sovietes, um sistema político que atendia ás necessidades do proletariado.
    • O comunismo de guerra e a ditadura do proletariadoDe acordo com a teoria marxista, a ditadura do proletariado é a etapa de transição entre asociedade capitalista e a edificação do comunismo (sociedade sem classes). No decurso dessa etapa, oproletariado (classe dominante), deveria “abater os opressores”, retirando todo o capital á burguesia,centralizando os meios de produção nas mãos do Estado. Assim se chegaria a um ponto onde já não haviadesigualdade social, e o Estado (sendo um instrumento de domínio), deixaria de fazer sentido ecessaria de existir, e aí tornar-se-ia possível falar de liberdade. A ditadura do proletariado é umaetapa imprescindível para a construção de uma sociedade comunista, marcada pela supressão doEstado e pela eliminação da desigualdade social. A etapa final é então o comunismo.Comunismo  Etapa final da revolução proletária que se caracteriza pela extinção do Estado e pelodesaparecimento das classes sociais.O conjunto de medidas que conduziram á instauração da ditadura do proletariado denomina-se decomunismo de guerra (assim chamado devido ao facto de ter sido instaurada durante a guerra civil,1918-1921). O comunismo de guerra sucedeu à democracia dos sovietes, substituindo os decretosrevolucionários por novas medidas, mais radicais. toda a economia foi nacionalizada (fazendo parte do Estado); institui-se um regime de partido único, o Partido Comunista; O Terror institucionalizou-se com o estabelecimento da censura e a criação da Tcheca, policiapolitica.O centralismo democráticoEm 1922 foi criada a URSS (União das Republicas Socialistas Soviéticas). A organização do Estadocomunista da Rússia Soviética denominou-se de centralismo democrático, sistema que assentava nosseguintes princípios: o poder partia da base das sociedade, os sovietes. Os sovietes eram eleitos pela população porsufrágio universal, e a partir deles elegiam-se os poderes superiores; a organização do Partido Comunista seguia a mesma estrutura, as bases do partido elegiam osorganismos superiores; não existia separação clara dos poderes legislativo, executivo, judicial; apenas o Partido Comunista era permitido, pois considerava-se que era o único capaz de representar oproletariado, ou seja, proibiam-se todos os outros; o Estado era controlado pelo Partido Comunista.A NEP (Nova Politica Económica)A NEP consistiu numa viragem da economia, no sentido de superar a terrível crise económicaherdada da guerra civil. Considerando que o comunismo teria de ser construído com base no progressoeconómico, Lenine passou a defender medidas do tipo capitalista (recuo estratégico, para o socialismonão se edificar sobre ruínas) para estimular a produção: Estabeleceu um imposto a pagar, em vez dos camponeses entregaram todos os seus excedentes; permitiu a venda directa dos produtos dos camponeses; aceitou a ajuda do estrangeiro; eliminou o trabalho obrigatório.A NEP (1921-1927), resultou numa melhoria assinalável dos níveis de produção.A regressão do demoliberalismoOs anos que se seguiram á Primeira Guerra Mundial trouxeram á Europa profundas dificuldadeseconómicas e financeiras. Esta situação leva a um descontentamento generalizado que se traduzem greves e o espírito revolucionário estende-se por todo a Europa, isto é, o desespero das populaçõesperante a crise leva à procura de novas soluções politicas e à adesão de projectos políticosextremistas, quer de esquerda, quer de direita: Os partidos de esquerda intensificavam a sua acção, denunciando os males do capitalismo. NaAlemanha, proclamou-se “uma república socialista”. Mesmo na França, na Grã-Bretanha e na Itália, aonda revolucionária de esquerda se fez sentir, inspirada pela III Internacional de Moscovo fundada em1919 (que defendia a união do operariado a nível internacional, impondo o socialismo no mundo).Estes acontecimentos denunciavam as democracias liberais e a sua incapacidade em resolver osproblemas económicos e sociais. No entanto, em países como a Alemanha e a Itália, o medo aobolchevismo levou a que se apoiasse soluções politicas de extrema-direita, levando à adesão deregimes autoritários e fascistas (Jamais poderia agradar o controlo operário da produção à burguesia).A emergência dos autoritarismos, confirmava a regressão do demoliberalismo.
    • Mutações nos comportamentos e na culturaAs transformações da vida urbanaNo início do século XX, havia cerca de 180 grandes núcleos urbanos (Londres, Paris, Moscovo, etc.). Estacrescente concentração populacional provocou significativas alterações na vida e nos valorestradicionais, ou seja, um novo modo de viver e de conviver no meio da multidão. Adquire-se novasformas de sociabilidade, tendo o crescimento urbano originado a criação de novos comportamentos quese massificaram (isto é, generalização dos mesmos hábitos e gostos). A racionalização e a redução dotempo de trabalho, assim como a melhoria do nível de vida permitiram dispor de dinheiro e tempo para odivertimento e prazer, fazendo com que a convivência entre os sexos se tornasse mais ousada elivre (que rompia completamente com as antigas regras sociais). Adere-se à prática do desporto e ao usodo automóvel.A crise dos valores tradicionaisOs tempos de optimismo, de confiança na paz, na liberdade, no progresso e bem-estar quecaracterizaram a viragem do século, ruíram subitamente com o eclodir da Primeira Guerra. A morte demilhões de soldados, a miséria e a destruição visíveis gerou um sentimento de desalento e descrençano futuro, que afectou toda a sociedade. Por outro lado, a massificação urbana, a laicização social queterminara com a influência da Igreja, e as novas concepções científicas e culturais são igualmenteresponsáveis pela ruptura no padrão de valores e comportamentos sociais tradicionais. Deu-se umaprofunda crise de consciência, que atinge toda a conduta social, falando-se assim duma anomia social(ausência de regras sociais). Esta crise de valores acentuou ainda mais as mudanças que já estavam emcurso.A emancipação da mulherA crescente presença da mulher em todos os sectores de actividade, mais notada a partir da PrimeiraGuerra, proporcionava uma relativa independência económica e esteve na origem de umaconsciencialização de que o seu papel no processo económico não tinha correspondência a um estatutosocial e politico dignos. No inicio do século XX, organizaram-se numerosas associações de sufragistasque lutaram pelo direito de participação na vida politica, etc. Contudo, só no final dos anos 20 foireconhecido à mulher o direito ao voto e de exercício de funções politicas. Emancipadas e libertas de todosos preconceitos, as mulheres passam a adoptar novos comportamentos sociais: frequentar festas eclubes nocturnos, praticar desporto, fumar e beber livremente, etc. A valorização do corpo e daaparência conduziu ao aparecimento de uma nova mulher que usava o cabelo curto (à garçonette) e comas saias mais curtas e ousadas.A descrença no pensamento positivista e as novas concepções científicasO Positivismo impusera a ideia de que a ciência tinha a resposta para todos os problemas daHumanidade. Mas, no início do século XX, verifica-se uma reacção anti-racionalista e anti-positivista,devido às teorias de alguns cientistas face à ciência (propunham o relativismo cientifico, segundo oqual a ciência não atinge o conhecimento absoluto): a teoria do intuicionismo, de Bergson, que defende que o conhecimento não era através da evidenciaracional mas sim pela intuição; a teoria da relatividade, de Einstein, que demonstra que o espaço, o tempo e o movimento não sãoabsolutos, mas relativos entre si (por exemplo, a massa do corpo depende do movimento); a teoria quântica, de Max Planck, que defende a existência de unidades mínimas de matéria quenão se rege por leis rígidas (o que permitiu explicar o comportamento dos átomos); a teoria psicanalítica, de Sigmund Freud, que explicava que as neuroses (qualquer desordem mental)são resultado de traumas, feridas, isto é, impulsos, sentimentos, desejos, instintos naturais aprisionadosno inconsciente. Criou um método terapêutico (psicanálise) que consistia em libertar o paciente dosseus recalcamentos (traumas), procurando trazê-los à consciência através da interpretação desonhos.Todas estas novas teorias põem em causa as “verdades absolutas” que sustentavam o positivismo,influenciando os comportamentos no quotidiano, pois nada mais é visto como absoluto mas comoquestionável e discutível.
    • As vanguardas: rupturas com os cânones das artes e da literaturaNas primeiras décadas do século XX houve uma revolução imensa nas artes, criando-se uma estéticainteiramente nova, que rompia com as tradições para mostrar uma nova visão da realidade. Essemovimento cultural ficou conhecido como o Modernismo (que revolucionou as artes plásticas, aarquitectura, a literatura e a musica). As principais vanguardas artísticas foram: Corrente artistica Principais características Exemplo  colorismo muito intenso; FAUVISMO pretendia transmitir serenidade e não a realidade, então utilizava a cor com total liberdade.  arte muito ligada a EXPRESSIONISMO sentimentos de angustia e critica social onde se evidencia um acentuado pessimismo, isto é, desenvolviam uma temática pesada, como o desespero, morte, sexo, miséria social.  Geometrização das formas CUBISMO (em cubos);  representação de vários ângulos do mesmo objecto, destruindo com as leis tradicionais da perspectiva e da representação;  Pablo Picasso foi o principal pintor desta corrente.  rejeita o tema ligado á realidade concreta, á descriçãoABSTRACCIONISMO do visível;  divide-se em abstraccionismo lírico (inspirado no inconsciente) e no geométrico (foca-se na racionalização, suprimindo qualquer emotividade pessoal) FUTURISMO  rejeita o moralismo e o passado, baseando-se fortemente na velocidade e nos desenvolvimentos tecnológicos;  também se baseava na guerra e na violência.  caracteriza-se pela oposição á arte em si, pelo cepticismo DADAÍSMO absoluto, pela improvisação;  A obra da Mona Lisa com bigode é um exemplo de dadaísmo. SURREALISMO  realça o papel do inconsciente na actividade criativa, combina o abstracto com o psicológico; procura abstrair- se da racionalidade.
    • O agudizar das tensões politicas e sociais a partir dos anos 30A GRANDE DEPRESSÃO E O SEU IMPACTO SOCIALNos anos 30, viveu-se uma trágica crise capitalista, iniciada nos EUA mas alargada ao resto do mundo,a que se deu o nome de “Grande Depressão”. Esta crise desencadeou-se a partir do crash bolsista deNova Iorque (1929), que teve origem nos seguintes factores: na especulação bolsista ( na crise de superprodução (o estilo de vida americano foi generalizado, dando-se a quebra progressivadas compras aos EUA pelo aumento da produção europeia, o que originou uma acumulação de stocks, ouseja, superprodução).O crash da bolsa provocou a ruína de imensos investidores, o que significou a ruína dos bancos(falência). Muitas empresas acabaram por falir, o que provocou elevados índices de desemprego.Houve uma diminuição do consumo, os preços dos produtos agrícolas registaram uma quebra acentuada edestruíram-se produções. A nível social, teve efeitos desastrosos.A grande depressão não atingiu apenas os EUA. Os países que estavam dependentes de empréstimos ecrédito dos EUA (Áustria, Alemanha), e os que exportavam matérias-primas (Austrália, Brasil, Índia)também sofreram, o que originou uma crise a nível mundial (excepção feita, á URSS, que não seguia omodelo económico capitalista).Em suma, os anos 30 foram tempos de profunda miséria e angustia: diminuição de investimento,produção, consumo, as falências, e o desemprego, além da queda dos preços (deflação). A gravidade dacrise exigiu, como veremos mais á frente, medidas de intervenção do Estado na economia,instalando a descrença no capitalismo liberal.AS OPÇÕES TOTALITÁRIASTotalitarismo  Sistema político que se opõe á democracia, pois concentra todos os poderes(legislativo, executivo e judicial) nas mãos de um chefe incontestado e de um só partido e quesubordina os direitos individuais aos interesses do Estado, que se considera dono absoluto da verdade.Temos como regimes totalitários o caso da Rússia Soviética, da Itália Fascista e da Alemanha Nazi.Nas décadas de 20 e 30 do séc. XX, a vida política da Europa foi caracterizada por uma emergência detotalitarismos (tanto de esquerda como de direita). Vários factores contribuíram para a suaimplantação: a crise económica e social (“Grande Depressão”); o ressentimento resultante da humilhação provocada pela derrota na guerra ou por uma vitória semrecompensas; o receio do avanço no comunismo (no caso dos regimes de direita); a fragilidade das democracias liberais-FASCISMO E NAZISMOA ideologia fascista foi liderada pela Itália (fascismo) e Alemanha (nazismo), que tinha comocaracterísticas: o totalitarismo (primazia do Estado sobre o individuo) e o antiparlamentarismo (ao contrário dosistema pluripartidário, presente nas democracias, impunha-se o partido único); o culto do chefe/elites (a separação de poderes deixa de existir, centralizando-se na figura de umlíder inquestionável que personifica a Nação. Adere-se á ideia do governos dos “melhores” (elites), quetinham que prestar adoração ao seu chefe incontestado) o culto da força e da violência (a oposição política é considerada um entrave, por isso, deve seraniquilada pela repressão policial, logo, a violência está na essência dos regimes, valoriza-se o instinto eacção); a autarcia como modelo económico (implementação de uma politica económica de intervenção doEstado para se atingir um ideal de auto-suficiência e acabar com o desemprego); o nacionalismo exagerado (devia-se sacrificar tudo pela pátria); utilização da censura, polícia política e propaganda como meio de difundir os ideais do regime.Assim, os regimes nazi-fascistas opunham-se ao liberalismo e á democracia pois defendiam que oindividuo e os seus interesses deveriam subjugar-se ao interesse supremo do Estado e não o contrário. Osfascismos atribuíam à fraqueza da democracia a incapacidade em dar resposta á grave criseeconómica. Defendia, por isso, a edificação de um Estado forte e a instauração do partido único.O Estalinismo (Rússia Soviética, URSS) apresenta diferenças dos outros regimes totalitários na medidaem que, é um regime socialista e de extrema-esquerda (Os fascismos são de extrema-direita eopõem-se ao socialismo). No entanto, os princípios básicos são os mesmos. O Fascismo opunha-seaos princípios socialistas, ou seja, rejeitava a “luta de classes”, porque dividia a Nação e enfraquecia oEstado. Contrapunha-lhe um outro sistema baseado no entendimento entre as classes sujeito aointeresse do Estado, concepção que conduziu ao corporativismo.
    • Fascismo (1922-1945) Sistema político instaurado por Benito Mussolini, em 1922. Suprime asliberdades individuais, defende a supremacia do Estado, e é profundamente totalitário, autoritário editatorial, ou seja, anti-democrático e anti-socialista. O termo fascismo também pode ser aplicado atodos os regimes autoritários de direita que se seguiram ao fascismo italiano (como o nazismo).Nazismo (1933-1945) Sistema político imposto na Alemanha, criado por Adolf Hitler. Tem osmesmos princípios que o fascismo, acrescenta-se, porém, o racismo e anti-semitismo que foipraticado de forma violentíssima. Proclamou a superioridade da raça alemã, negando completamenteoutras etnias (daí as perseguições aos judeus).Elites e o enquadramento das massas nos regimes fascistasAs elites, como já foi visto, eram compostas por membros considerados superiores, que tinham de serrespeitadas pelas massas (populações). A ideologia fascista difundiu-se através da propaganda, demodo a levar as populações a aceitar os valores fascistas. Surgiram diversas organizações com afinalidade de incutir os ideais fascistas nas populações (ou seja, enquadrar as massas): Organizações de juventude (As crianças (até ao estado adulto) integravam organizações onde lheseram incumbidos os valores fascistas, como o culto do chefe e do Estado); Partido Único (a filiação no Partido Fascista (Itália) ou no Partido Nazi (Alemanha) permitia aoscidadãos o desempenho de cargos públicos, e o acesso a um estatuto superior)A VIOLÊNCIA NOS FASCISMOSA ideologia fascista defendia a violência, pois achava que era nessa situação que o homem desenvolviaas suas qualidades. Assim, foi utilizada pelos fascistas para chegar ao poder, assim como para semanterem no poder. A violência fascista consolidou-se através do estabelecimento das seguintesorganizações: Milícias armadas (grupos armados que aterrorizavam qualquer forma de oposição politica); Polícias políticas (que assegurava que não houvesse qualquer tipo de repressão ao regime); Campos de concentração (criados, na Alemanha, eram locais onde as vitimas do regime fascistaeram sujeitas a trabalhos forçados, a tortura e ao assassínio em câmaras de gás)- Violência racista naziO desrespeito pelos direitos humanos atingiu os cumes do horror com a violência do seu racismo.Hitler colocou a raça ariana (alemães e austríacos) como superior às restantes. Esta sua tese foidesenvolvida na sua obra Mein Kampf, e obteve grande receptividade por parte dos nazis, o que levou aomaior desrespeito pelos direitos humanos.Obcecado pelo aperfeiçoamento da “raça ariana”, promoveu uma “selecção” de arianos (altos, louros,olhos azuis). Para tal, deveriam ser eliminados os “imperfeitos”, para além dos judeus (deficientes,velhos, doentes incuráveis, homossexuais), para se melhorar a raça (eugenismo).Os judeus tornaram-se o alvo preferido da perseguição nazi (pois eram considerados culpados peladerrota alemã na guerra e pelos problemas económicos sofridos) e sofreram na pele uma das maioreshumilhações e torturas na História. (anti-semitismo  termo que designa o ódio aos judeus).Passaram a não poder exercer nenhuma profissão, nem frequentar lugares públicos, foram obrigadosa viver em guetos (bairros separados), e a usar uma estrela amarela para serem rapidamenteidentificados. Durante os anos da Segunda Guerra Mundial, os nazis causaram a morte de cerca de 6milhões de judeus através da sua politica de genocídio (extermínio em massa) dos judeus. Peladimensão das crueldades cometidas nos campos de concentração, este genocídio ficou conhecido comoHolocausto.
    • EstalinismoO Estalinismo é uma outra vertente do totalitarismo, que ficou conhecida após a morte de Lenine(1924). O novo líder, Estaline, impôs a submissão violenta dos indivíduos ao Estado e ao chefe eempenhou-se na construção de uma sociedade socialista igualitária.Durante este regime, a economia soviética assentou em dois postulados: A colectivização dos campos (Pondo fim á NEP, Estaline ordenou que se expropriassem aspropriedades criadas durante a NEP, para dar origem a quintas colectivas (kolkhozes), o que originouforte oposição por parte dos kulaks (proprietários agrícolas), levando Estaline a persegui-los e deportá-los. Estaline defendia a colectivização dos meios de produção, pois no seu entender, era o queproporcionava uma efectiva igualdade social; A planificação económica (Estaline estabeleceu metas de produção para a economia, através dosplanos quinquenais (5 em 5 anos). Cada plano definia os objectivos a atingir e os meios necessáriospara o efeito. Como consequência, temos o desenvolvimento de alguns sectores de industria pesada e dostransportes.Esta politica económica permitiu ao país recuperar do atraso económico e atingir acentuados níveis decrescimento da produção agrícola e industrial, factores que permitiram á URSS afirma-se como dasgrandes potencias mundiais.Em termos políticos, Estaline impôs um regime totalitarista extremamente repressivo, pois até ásua morte, Estaline perseguiu os seus opositores e impôs a sua supremacia, através dos seguintespontos: purgas periódicas dentro do Partido, eliminando os elementos que o criticavam; os elementos considerados indesejáveis eram condenados a campos de trabalho forçado (Gulag); integração de crianças e jovens em organizações estalinistas; o Partido Comunista controlava tudo o culto da personalidade de Estaline, através da propaganda políticaA resistência das democracias liberaisO intervencionismo do EstadoA dimensão que a crise de 1929 alcançou, fez aparecer opiniões/teses de economistas como John Keynes,que defendem que a única solução é uma maior intervenção do Estado, pondo em causa o sistemacapitalista. Os EUA optam pela teoria de Keynes, que defendia que ao Estado deveria caber um papelactivo de organizador da economia e regulador do mercado, através do New Deal (designação dada ápolitica implementada nos EUA, a partir de 1933, que através de reformas económicas e sociais,combateu a depressão dos anos 30), posto em prática por Franklin Roosevelt (presidente dos EUAna altura).As medidas implementadas pela New Deal (33-34) foram: Financeiras Sociais Obras Públicas Agricultura Indústria Reorganização  Distribuição de  Construção de  Concessão de  fixação de da actividade dinheiro aos mais estradas, vias empréstimos e de preços para os bancária, pobres, instituição férreas, escolas, indemnizações produtosdesvalorização do de reformas por hospitais aos agricultores industriais dólar e controlo velhice/invalidez, (combate ao da inflação fundo de desemprego) desemprego, garantia de um salário mínimo e de liberdade sindical, redução para 40 horas de trabalho semanal.A New Deal permitiu uma recuperação económica, superando a crise que afectou o mundo capitalista. Oliberalismo económico passou a aceitar o intervencionismo estatal como estratégia de sobrevivência.
    • PORTUGAL NO PRIMEIRO PÓS GUERRAA 1ª República Portuguesa vigorou de 1910 a 1926 e foi um período conturbado pelos graves problemassociais, económicos e políticos que, no entanto, também se faziam sentir por toda a Europa, mergulhadaem difíceis condições de vida após o primeiro conflito mundial (1914-1918). Assim, o contexto político-económico-social que Portugal atravessava, não favoreceu em nada a 1ª República, que sendo vistainicialmente como a salvação, rapidamente deixou de o ser, por não responder às questões levantadaspela crise: dificuldades económicas: Com a entrada de Portugal na Guerra, a situação económica agravou-sebastante, em que se assistia a uma indústria atrasada e insuficiente, ao predomínio da agricultura, aoaumento do custo de vida, à balança orçamental deficitária, à falta de bens essenciais que levou àsubida dos preços, à desvalorização da moeda e a consequente inflação e aumento da dívida. instabilidade política: A guerra também trouxe consigo a instabilidade política. As divergênciasinternas eram frequentes, o próprio Partido Republicano subdividiu-se em vários partidos e os governoscontinuavam a suceder-se. A instabilidade governativa era inegável, visto que em 16 anos de regime,houve 45 governos. A constante tentativa de derrubar o regime não ajudava. instabilidade social: a subida do custo de vida provocou um grande descontentamento social, ouseja, o regime republicano perdeu muito apoio, principalmente das classes médias e do operariado. Houveuma grande agitação social, verificando-se vagas grevistas e movimentos anti-republicanos. ARepública perdeu, ainda, grande parte do suporte popular devido às suas medidas anticlericais (separaçãototal entre o Estado e a Igreja), o que teve efeitos catastróficos sobre a opinião pública, maioritariamentecatólica.Com um ambiente destes, tornou-se fácil o derrube da 1ª República através de um golpe de estadomilitar, que se deu a 28 de Maio de 1926. Este golpe pôs fim á República Portuguesa e deu-se início aum regime de Ditadura Militar que se manteve até 1933, altura em que é instaurado o Estado Novode Salazar, e dá-se inicio a uma nova vida política em Portugal.PORTUGAL E O ESTADO NOVOTal como aconteceu noutros países, cujos regimes foram influenciados pela ideologia fascista, também emPortugal se verificou a progressiva adopção do modelo italiano através da edificação do EstadoNovo. Designa-se, assim, por Estado Novo, o regime totalitário de tipo fascista que vigorou emPortugal de 1933 a 1974, caracterizado por ter um Estado forte, com supremacia sobre os interessesindividuais, anti-liberal, anti-democrático e anti-parlamentar, autoritário e nacionalista.Em 1928, foi nomeado para o governo, a fim de exercer funções de ministro das Finanças, António deOliveira Salazar que, devido á sua acção, conseguiu um saldo positivo para o orçamento de Estado,tendo sido nomeado chefe do governo em 1932 devido a esse “milagre económico”, passando a controlartodos os sectores (daí a que o regime seja normalmente denominado por Salazarismo).Este projecto político de Salazar (1933) caracterizou-se por diversos aspectos: CARÁCTER ANTI-DEMOCRÁTICODefendia um Estado forte (ditatorial, autoritário, anti-parlamentar e anti-democrático), que recusava asliberdades individuais e a soberania popular: “Tudo no Estado, nada Fora do Estado”. Salazar foi umforte opositor da democracia liberal e do pluripartidarismo. No entanto, também negava os ideaismarxistas e a luta de classes. Na sua óptica, o interesse de todos devia sobrepor-se às conveniênciasindividuais. Assim, os direitos individuais dos cidadãos não eram respeitados. Os opositores políticos eramperseguidos e encerrados em prisões políticas, o que demonstra o carácter repressivo do regimesalazarista. Os meios repressivos utilizados pelo regime eram a censura e as polícias políticas. Prestava-se o culto ao chefe, isto é, destacava-se a figura de Salazar, considerado “Salvador da Pátria”, que apropaganda política alimentava. Havia um partido único, a União Nacional.
    •  CARÁCTER CONSERVADOR E NACIONALISTAEm relação ao conservadorismo, Salazar empenhou-se na recuperação dos valores que consideravafundamentais, como Deus, Pátria, Família, Paz Social, Moralidade, Autoridade, que não podiam ser postosem causa. A base da nação era a família, o homem era o trabalhador e o papel da mulher foi reduzido.Empenhou-se também na defesa de tudo o que fosse tradicional e genuinamente português, revestindo deimportância a ruralidade e rebaixando a sociedade industrializada. Deu protecção especial à Igreja,baseado no lema "Deus, Pátria, Família". O carácter nacionalista destacou-se, pois louvou ecomemorou os heróis e o passado glorioso da Pátria, valorizou as produções culturais portuguesas eincutiu os valores nacionalistas através das milícias de enquadramento das massas. Além disso, o regimesalazarista utilizava as colónias em proveito dos interesses da nação, seguindo os parâmetros definidospelo Acto Colonial de 1930.CARÁCTER CORPORATIVISTA O Estado Novo mostrou-se empenhado na unidade da nação e no fortalecimento da Nação.Defendia, assim, que os indivíduos apenas tinham existência para o Estado se integrados emorganismos ou corporações pelas funções que desempenham e os seus interesses harmonizam-se para aexecução do bem comum.CARÁCTER INTERVENCIONISTAA estabilidade financeira tornou-se numa prioridade. O Estado Novo apostou num modelo económicofortemente intervencionista e autárquico, que se fez sentir nos vários sectores da economia: Agricultura (Portugal era um país maioritariamente rural, assim, pretendia-se tornar Portugal maisindependente da ajuda estrangeira, criando-se incentivos à especialização em produtos como a batata,vinho, etc. Um grande objectivo de Salazar, era tornar a economia portuguesa isolada de possíveiscrises económicas externas. A construção de barragens levou a uma melhor irrigação dos solos.) Indústria (A indústria não constitui uma prioridade ao Estado Novo. O condicionamento industrialconsistia na limitação, pelo Estado, do nº de empresas existentes e do equipamento utilizado, pois ainiciativa privada dependia, em larga medida, da autorização do Estado. Funcionava assim, como umtravão á livre-concorrência. Mais do que o desenvolvimento industrial, procurava-se evitar a sobreprodução, a queda dos preços, o desemprego e agitação social.) Obras Públicas (tinha como principal objectivo o combate ao desemprego e a modernização dasinfra-estruturas do país. A intervenção activa do Estado fez-se sentir através da edificação de pontes,expansão das redes telegráfica e telefónica, obras de alargamento nos portos, construção de barragens,expansão da electrificação, construção de edifícios públicos (hospitais, escolas, tribunais), etc. A políticade construção de obras públicas foi aproveitada (politicamente) para incutir no povo português a ideia deque Salazar era imprescindível à modernização material do País.O projecto cultural do RegimeNo contexto de um regime de tipo totalitário, a cultura portuguesa encontrava-se subordinada aoEstado e servia de instrumento de propaganda política. O Estado Novo compreendeu a necessidadede uma produção cultural submetida ao regime, por isso, pela via da persuasão, o Estado Novoconcebeu um projecto que vai instrumentalizar os artistas para a propaganda do seu ideal. A este projectocultural chamou-se de “Política de Espírito”.Foi o meio encontrado para mediatizar o regime, em que era proporcionado uma “atmosfera saudável”à imposição dos valores nacionalistas e patrióticos.Tudo servia para divulgar as tradições nacionais e engrandecer a civilização portuguesa (restauro demonumentos, festas populares, peças de teatro, cinema, etc.) Salazar defendia que as artes e as letrasdeveriam inculcar no povo, o amor da pátria, o culto dos heróis, as virtudes familiares, a confiança noprogresso, ou seja, o ideário do Estado Novo.
    • NASCIMENTO E AFIRMAÇÃO DE UM NOVO QUADRO GEOPOLÍTICOA RECONSTRUÇÃO DO PÓS-GUERRA- A definição das áreas de influênciaAinda decorria a 2ª Guerra Mundial, e já os “Aliados” – EUA, URSS, Inglaterra -, confiantes na vitória,procuravam estratégias para estabelecer uma nova ordem internacional, e definir os termos da paz que seavizinhava, através da realização de conferências, onde se chegaram a alguns pontos: Conferência de Ialta (Fevereiro de 1945)  Proposta de criação de uma organização mundial que fomentasse a cooperação entre os povos, que seria a ONU (Organização das Nações Unidas);  Desmembramento da Alemanha e confiá-la aos Aliados, consequentemente destruindo o regime nazi (estabelecimento da democracia na Europa) e imposição à Alemanha o pagamento das reparações da Guerra;  Definição das fronteiras da Polónia. Conferência de Potsdam (Julho de 1945), com o objectivo de confirmar as resoluções em Ialta  Confirmação da “desnazificação” e a divisão em 4 partes (pela URSS, EUA, Inglaterra e França) da Alemanha e da Áustria  Detenção dos criminosos de guerra nazis, que eram julgados no Tribunal de Nuremberga;  Especificação das indemnizações à Alemanha, isto é, o tipo e o montante.No final do conflito, estava definido um novo mapa político europeu, marcada pela emergência deduas grandes potências, vencedoras da Guerra, perante uma Europa destruída e desorganizada,emergindo, então, um novo desenho geopolítico que se sustenta na formação de definição de duasgrandes áreas de influência: a área soviética (URSS) e a área americana (EUA).A divisão da Europa reforçou a desconfiança e conduziu ao endurecimento de posições entre os dois blocosgeopolíticos, que marcaria o período da Guerra Fria.A ruptura entre os EUA e a URSS deveu-se à extensão da influência soviética na Europa de Leste, ouseja, a extensão do comunismo provocou a crítica das democracias da Europa Ocidental e dos EUA.Churchill utilizou a célebre expressão “cortina de ferro” para se referir ao isolamento da Europa deLeste, que estavam fechados ao diálogo com as democracias ocidentais.- ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDASA ONU foi criada em 1945, segundo o projecto de Roosevelt. Na Carta das Nações Unidas estão contidosos objectivos que presidiram à sua criação:  Manter a paz e a segurança internacionais (para evitar novos conflitos), desenvolver relações de amizade entre as nações (baseada no principio de igualdade entre os povos), realizar a cooperação internacional (para promover e estimular o respeito pelos direitos humanos) e harmonizar os esforços das nações para concretizar estes objectivos (servir como mediador)- AS NOVAS REGRAS DA ECONOMIA INTERNACIONALHavia consciência de que estava eminente uma grave crise económica, pois os países europeusencontravam-se arruinados e desorganizados. Assim, em 1944, na Conferência de Bretton Woods, umgrupo de economistas reuniu-se a fim de estabelecer uma nova ordem económica e financeirainternacional e relançar o comércio com base em moedas estáveis. As principais directrizes económicasque resultaram da conferência foram:  A criação do: Fundo Monetário Internacional (assistência financeira aos países em dificuldades), do Sistema Monetário Internacional (que assentou no dólar como moeda- chave), do Banco Internacional para a Reconstrução e Desenvolvimento (apoiava projectos de reconstrução das economias).
    • Apesar de todos os esforços para desenvolver a economia mundial, a Europa continuava frágil. Com receioque a crise europeia se estendesse aos EUA, os americanos decidiram tomar medidas imediatas. Surge,assim, o Plano Marshall (1947), que consistiu na ajuda prestada pelos EUA à Europa após a SegundaGuerra Mundial. Este programa de auxílio foi acolhido com entusiasmo pela generalidade dos países, efoi verdadeiramente essencial à recuperação europeia, pois os países beneficiários receberam 14000milhões de dólares. Para operacionalizar esta ajuda, foi criada a OECE (Organização Europeia deCooperação Económica).Em 1949, dá-se a resposta da URSS ao Plano Marshall, com a criação do Plano Molotov e COMECON,que estabeleceu as estruturas de cooperação económica da Europa de Leste.A divisão do mundo em dois blocos antagónicos consolidou-se e os tempos da Guerra Fria estavamcada vez mais próximos…O TEMPO DA GUERRA FRIA – A CONSOLIDAÇÃO DE UM MUNDO BIPOLAR“Guerra Fria” é a expressão que se atribui ao clima de tensão político-ideológico que no final daSegunda Guerra Mundial se instalou entre as duas superpotências (EUA e URSS), e que se estende atéao final da década de 80. No entanto, nunca houve um conflito directo, caracterizando-se apenas pelacorrida aos armamentos, ameaças e movimentos de espionagem, conflitos locais, etc. Era uma “guerrade nervos”, sustentada pelo antagonismo de duas concepções diferentes de organização política (EUA –Liberalismo/Capitalismo; URSS – Socialismo/Comunismo).Assim, no tempo da Guerra Fria, assistiu-se á consolidação de um mundo bipolar. De um lado, umbloco liderado pelos EUA, politicamente adepto da democracia liberal, pluripartidária e economicamentedefensor do modelo capitalista (assente na livre iniciativa e na livre concorrência). Do outro lado, obloco liderado pela URSS, defensora do regime socialista, cujo modelo económico assentava nosprincípios da colectivização e planificação estatal da economia.O mundo capitalista Política de aliançasO acentuar das tensões políticas conduziu á formação de alianças militares que simbolizaram oantagonismo militar, ou seja, os EUA e a URSS procuraram estender a sua influência ao maior númeropossível de países. Criou-se a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), liderado pelos EUA(sendo o objectivo principal a segurança colectiva, isto é, ter a capacidade de resposta perante a umataque armado) e, em resposta, foi constituído o Pacto de Varsóvia, liderado pela URSS, para a defesamilitar do seu bloco. A prosperidade económica e a sociedade de consumoNo decorrer de 25/30 anos após a guerra, os países europeus recuperaram e viveram uma excepcionalrecuperação económica (a produção industrial cresceu, houve uma revolução nos transportes, cresceuo numero de empresas, a agricultura modernizou-se, o sector terciário expandiu-se, etc.). Estedesenvolvimento económico fez nascer a sociedade de consumo, isto é, as populações são incitadas acomprar um número crescente de bens que ultrapassam a satisfação das necessidades básicas (larmaterialmente confortável, bem equipado com electrodomésticos, rádio, TV, telefone, automóveis, etc.),tudo isto possível devido ao pleno emprego e bons salários (resultados da recuperação económica). Aforma que se arranjou para estimular o consumo, foi através da publicidade. A afirmação do Estado-ProvidênciaA Grande Depressão já tinha demonstrado a importância de um Estado económica e socialmenteinterventivo. O Estado torna-se, por esta via, o principal agente económico do país, o que lhe permiteexercer a sua função reguladora da economia. O país pioneiro do Welfware State, isto é, o Estado dobem-estar (Estado Providência), foi o Reino Unido, onde cada cidadão tem asseguradas as suasnecessidades básicas. Ao Estado caberá a tarefa de corrigir as desigualdades, daí o seuintervencionismo. As medidas principais do EP foram a nacionalização da economia e o garantir dereformas que abrangesse situações como maternidade, velhice, doenças. Este conjunto de medidas visaum duplo objectivo: por um lado reduz a miséria e o mal-estar social; por outro, assegura uma certaestabilidade á economia. O Estado-Providência foi um factor da prosperidade económica.
    • O mundo comunista O expansionismo soviéticoApós a 2ª Guerra, a URSS foi responsável pela implantação de regimes comunistas, inspirados nomodelo soviético, por todo o mundo, ou seja, estendeu a sua influência à Europa, Ásia e África.Os países europeus que aderiram ao modelo soviético foram a Bulgária, Albânia, Roménia e Polónia.Estes novos países socialistas receberam a designação de democracias populares (designação atribuídaaos regimes em que o Partido Comunista, afirmando representar os interesses dos trabalhadores, seimpõem como Partido Único, controlando as instituições do Estado).Como resposta à OTAN, a URSS cria o Pacto de Varsóvia, com objectivos idênticos: a assistência mútuaentre os países membros.Os países asiáticos que sofreram influência soviética foram a Mongólia, China e Coreia. O ponto fulcralda expansão comunista na América Latina foi Cuba, onde um punhado de revolucionários sob ocomando de Fidel Castro e do Che Guevara derrubaram o governo apoiado pelos EUA. Opções e realizações da economia de direcção centralNo final da 2ª guerra, a economia soviética estava arrasada. Para afirmar o seu papel de superpotência,obtido com a vitória, havia que recuperar e rapidamente.Para tal, foi recuperada a planificação económica, onde foi dado prioridade à indústria pesada. Assim, aURSS e os países de modelo soviético registaram um crescimento industrial tão significativo queascenderam à segunda posição da indústria mundial. No entanto, o nível de vida das populações nãoacompanhou esta evolução económica (faltavam bens de consumo, os horários de trabalho sãoexcessivos, os salários são baixos, as populações amontoam-se em bairros periféricos, etc.)No entanto, as economias de direcção central (dirigidas pelo Estado) evidenciavam as suas debilidades: a prioridade concedida à indústria levou à falta de investimento em outros sectores; a planificação económica, o “jogar pelo seguro”, reduzia certos factores importantes, como o risco noinvestimento, o que revelou ser um entrave ao progresso.Destes bloqueios económicos resultou a estagnação da economia soviética. Apesar de inúmeras tentativasde a ultrapassar, estes bloqueios acabarão por conduzir à falência dos regimes comunistas europeus, nofim dos anos 80. A extinção da União Soviética deu-se a 1991.
    • PORTUGAL DO AUTORITARISMO À DEMOCRACIAImobilismo político e crescimento económico do pós-guerra a 1974Politicamente, após a Segunda Guerra Mundial, Portugal manteve a mesma feição autoritária,ignorando a onda democrática que inundava a Europa. No que se refere à economia, viveu-se umperíodo conturbado na medida em que o atraso do país era evidente, não acompanhando ocrescimento económico do resto da Europa, marcado pela estagnação do mundo rural e pelaemigração. Por outro lado, também ocorreu um considerável surto industrial e urbano, e as colóniastornaram-se alvo das preocupações.A economia manteve estruturas que impossibilitaram o crescimento económico. Estagnação do mundo rural e o surto industrialApesar da agricultura ser o sector dominante, era pouco desenvolvida, caracterizada por baixosíndices de produtividade, que fazia de Portugal dos países mais atrasados da Europa. O principalproblema consistia na dimensão das estruturas fundiárias, no Norte predominava o minifúndio, quenão possibilitava mecanização; no Sul estendiam-se propriedades imensas (latifúndios), que seencontravam subaproveitadas. O défice agrícola foi aumentando, e ao longo dos anos 60 e 70 eassistiu-se a um elevado êxodo rural e emigração, pois as populações procuravam melhores condiçõesde vida, condenando a agricultura a um quase desaparecimento.Face a esta situação, a partir de 1953, foram elaborados Planos de Fomento para o desenvolvimentoindustrial. O I Plano (1953-1958) e o II Plano (1959-1964) davam continuidade ao modelo deautarcia e à substituição de importações, mas não contavam com o apoio dos proprietários. É só a partirde meados dos anos 60, com o Plano Intercalar de Fomento (1965-1967) e o III Plano (1968-1973), que o Estado Novo delineia uma nova política económica:- Defende-se a produção industrial orientada para a exportação;- Dá-se prioridade à industrialização em relação à agricultura;- Estimula-se a concentração industrial;- Admite-se a necessidade de rever a lei do condicionamento industrial (que colocava entraves à livreconcorrência. O grande ciclo salazarista aproximava-se do fim).No decurso do II Plano, o nosso país viria a integrar-se na economia europeia e mundial, integrando aEFTA, a BIRD e a GATT. A adesão a estas organizações marca a inversão na política da autarcia do EstadoNovo.Esta política confirmou a consolidação de grandes grupos económicos e financeiros em Portugal e oacelerar do processo industrial. A emigraçãoEnquanto que nas décadas de 30 e 40 a emigração foi bastante reduzida, a década de 60 tornou-se noperíodo de emigração mais intenso da nossa história, pelos seguintes motivos:- a política industrial provocou o esquecimento do mundo rural, logo, sair da aldeia era uma forma defugir à miséria;- os países europeus que necessitavam de mão-de-obra, pagavam com salários superiores;- a partir de 61, a emigração foi, para muitos jovens, a única maneira de não participar na guerraentre Portugal e as colónias africanas. Por essa razão, a maior parte da emigração fez-seclandestinamente. O Estado procurou salvaguardar os interesses dos nossos emigrantes, celebrandoacordos com os principais países de acolhimento. O País passou, por esta via, a receber um montantemuito considerável de divisas: as remessas dos emigrantes. Tal facto, que muito contribuiu para oequilíbrio da nossa balança de pagamentos e para o aumento do consumo interno, induziu oGoverno a despenalizar a emigração clandestina e a suprimir alguns entraves. A urbanizaçãoO surto industrial traduziu-se no crescimento do sector terciário e na progressiva urbanização dopaís. Dá-se o crescimento das cidades e a concentração populacional. Em Lisboa e Porto, as maiorescidades portuguesas, propagam-se subúrbios. No entanto, esta expansão urbana não foiacompanhada da construção das infra-estruturas necessárias, aumentando as construçõesclandestinas, proliferam os bairros de lata, degradam-se as condições de vida (incremento dacriminalidade, da prostituição…). Mesmo assim, o crescimento urbano teve também efeitos positivos,contribuindo para a expansão do sector dos serviços e para um maior acesso ao ensino e aosmeios de comunicação.
    •  O fomento económico nas colóniasApós a guerra mundial, o fomento económico das colónias também passou a constituir uma preocupaçãoao governo. Angola e Moçambique receberam uma atenção privilegiada. Os investimentos do Estado nascolónias, a partir de 1953, foram incluídos nos Planos de Fomento. O objectivo desta preocupaçãoreforçada, era mostrar à comunidade internacional que a presença portuguesa era essencial aodesenvolvimento desses territórios, através de medidas como a criação de infra-estruturas, incentivosao investimento nacional, estrangeiro e privado, criação do EPP (Espaço Económico Português, comvista à abolição de entraves comerciais entre Portugal e as suas colónias), reforço da colonizaçãobranca e desenvolvimento dos sectores agrícola, extractivo e industrial.A radicalização das oposições e o sobressalto político de 1958Em 1945, a grande maioria dos países europeus festejavam a vitória da democracia sobre os fascismos.Parecia, assim, que estavam reunidas todas as condições para Salazar também optar pelademocratização do país. Salazar encenou, então, uma viragem política, aparentando uma maiorabertura, a fim de preservar o poder: antecipou a revisão constitucional, dissolveu a Assembleia Nacional e convocou eleições antecipadas,que Salazar anunciou “tão livres como na livre Inglaterra”.Em 1945, os portugueses foram convidados a apresentar listas de candidatura às eleições legislativas(para eleger os deputados da Assembleia Nacional). A oposição democrática (conjunto dos opositoresao regime no segundo pós-guerra) concentrou-se em torno do MUD (Movimento de UnidadeDemocrática), criado no mesmo ano.O impacto deste movimento, que dá início à chamada oposição democrática, ultrapassou todas asprevisões.Oposição Democrática  Expressão que designa o conjunto de forças políticas heterodoxas(monárquicos, republicanos, socialistas e comunistas) que, de forma legal ou semi-legal, se opunham aoEstado Novo, adquirindo visibilidade, face aos constrangimentos impostos às liberdades pelo regime, emépocas eleitorais.Para garantir a legitimidade no acto eleitoral, o MUD formula algumas exigências, que considerafundamentais, como o adiamento das eleições por 6 meses (a fim de se instituírem partidos políticos),a reformulação dos cadernos eleitorais e a liberdade de opinião, reunião e de informação. Asesperanças fracassaram. Nenhuma das reivindicações do Movimento foi satisfeita e este desistiu porconsiderar que o acto eleitoral não passaria de uma farsa. A apreensão das listas pela PIDE permitiuperseguir a oposição democrática.Em 1949, aquando das eleições presidenciais, a oposição democrática apoiou o candidato Norton deMatos, que concorria contra o candidato do regime, Óscar Carmona. Era a primeira vez que um candidatoda oposição concorria à Presidência da República e a campanha voltou a entusiasmar o País mas, noentanto, face a uma severa repressão, Norton de Matos apresentou também a sua desistência poucoantes das eleições.1958 – Ano de novas eleições presidenciais. O Governo pensou ter controlado a situação até que, em1958, a candidatura de Humberto Delgado a novas eleições presidenciais desencadeou um terramotopolítico. A sua coragem em criticar a ditadura, apelidou-o de “general sem medo”. O anúncio do seupropósito de não desistir das eleições e a forma destemida como anunciou a sua intenção de demitirSalazar caso viesse a ser eleito, fizeram da sua campanha um acontecimento único no que respeita àmobilização popular. De tal forma que o governo procurou limitar-lhe os movimentos, acusando-o deprovocar “agitação social, desordem e intranquilidade pública”.O resultado revelou mais uma vitória esmagadora do candidato do regime (Américo Tomás), mas destavez, a credibilidade do Governo ficou profundamente abalada. Salazar começou a tomar consciênciade que se estava a tornar difícil continuar a enganar a opinião pública. A campanha de HumbertoDelgado desfez qualquer ilusão sobre a pretensa abertura do regime salazarista.Humberto Delgado foi assassinado pela PIDE em 1965.
    • A questão colonialTornou-se difícil para o Governo Português manter a sua política colonial. Depois da segunda guerramundial, e com a aprovação da Carta das Nações Unidas, o Estado Novo viu-se obrigado a rever a suapolítica colonial e a procurar soluções para o futuro do nosso império.Em termos ideológicos, a “mística do império” é substituída pela ideia da “singularidade dacolonização portuguesa”. Os portugueses tinham mostrado uma grande capacidade de adaptação àvida nas colónias onde não havia racismo e as raças se misturavam e as culturas se espalhavam. Estateoria era conhecida como luso-tropicalismo.No campo jurídico, a partir de 1951, desaparece o conceito de colónia, que é substituído pelo deprovíncia ultramarina e desaparece o conceito de Império Português, substituído por UltramarPortuguês. A presença portuguesa em África não sofreu praticamente contestação até ao início da guerracolonial. Excepção feita ao Partido Comunista Português que no seu congresso de 1957 (ilegal),reconheceu o direito à independência dos povos colonizados.Entretanto, em 1961, no seguimento da eclosão das primeiras revoltas em Angola, começam a notar-se algumas divergências nas posições a tomar sobre a questão do Ultramar. Confrontam-se, então, 2teses divergentes: a integracionista e a federalista. A 1ª defendia a política até aí seguida, lutando porum Ultramar plenamente integrado no Estado português; a 2ª considerava não ser possível, face àpressão internacional e aos custos de uma guerra em África, persistir na mesma via. Defendia aprogressiva autonomia das colónias e a constituição de uma federação de Estados que garantisseos interesses portugueses. Os defensores da tese federalista chegaram a propor ao Presidente adestituição de Salazar. Destituídos acabaram por ser eles, saindo reforçada a tese de Salazar, queordenou que o Exército Português avançasse para a Angola, dando início a uma guerra que seprolongou até à queda do regime, em 1974.A luta armadaO negar da possibilidade de autonomia das colónias africanas, fez extremar as posições dos movimentosde libertação que, nos anos 50 e 60, se foram formando na África portuguesa. Em Angola, em 1955,surge a UPA (União das Populações de Angola) que, 7 anos mais tarde, se transforma na FNLA (Frente deLibertação de Angola); o MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola) forma-se em 1956; e aUNITA (União para a Independência Total de Angola) surge em 1966. A guerra inicia-se em Angola a1961. Em Moçambique, a luta é dirigida pela FRELIMO (Frente de Libertação de Moçambique) fundadaem 1962. A guerra estende-se a Moçambique em 1964. Na Guiné, distingue-se o PAIGC (Partido para aIndependência da Guiné e Cabo Verde) em 1956 e a guerra alastrou-se à Guiné em 1963.Portugal viu-se envolvido em duras frentes de batalha que, à custa de elevadíssimos custos materiaise humanos, chegou a surpreender a comunidade internacional.O isolamento internacionalA carta das nações unidas estabeleceu que todas as nações tinham o direito á sua autodeterminação.Contudo, Portugal recusou-se a aceitar esta ideia dizendo que as províncias ultramarinas faziam partede Portugal. Tal postura conduziu, inevitavelmente, ao desprestígio do nosso país, que foi excluído devários organismos das Nações Unidas e alvo de sanções económicas por parte de diversas naçõesafricanas. A recusa de todas as ofertas e planos (como a ajuda americana por exemplo), remeteu Portugalpara um isolamento, evidenciado na expressão de Salazar, “orgulhosamente sós”.A Primavera MarcelistaEm 1968, Salazar foi substituído Marcello Caetano, no cargo de presidente do Conselho de Ministros,que fez reformas mais liberais para a democratização do regime. Nos primeiros meses o novogoverno até deu sinais de abertura, período este conhecido por “Primavera Marcelista” (alargou osufrágio feminino por ex.). Contudo, o oscilar entre indícios de renovação e seguir as linhas dosalazarismo, resultou no fracasso da tentativa reformista. A PIDE mudou o seu nome para DGS ediminuiu, ao início, a virulência das suas perseguições. No entanto, face ao movimento estudantil eoperário, prendeu, sem hesitações, os opositores ao regime; A Censura passou a chamar-se ExamePrévio; se este, inicialmente, tolerou algumas criticas ao regime, cedo se verificou que actuava nosmesmos moldes da Censura;A oposição não tinha liberdade de concorrer às eleições e a política Marcelista era criticada como sendoincapaz de evoluir para um sistema mais democrático. Tudo isto levou á revolução de 25 de Abril de1974.
    • Da revolução à estabilização da democraciaO Movimento das Forças Armadas e a eclosão da RevoluçãoO problema da guerra colonial continuava por resolver. Perante a recusa de uma solução política peloGoverno Marcelista, os militares entenderam que se tornava urgente pôr fim à ditadura e abrir ocaminho para a democratização do país.A Revolução de 25 de Abril de 1974 partiu da iniciativa de um grupo de oficiais do exército português– O Movimento dos Capitães (1973), liderado por Costa Gomes e Spínola, que tinha em vista oderrube do regime ditatorial e a criação de condições favoráveis à resolução política da questãocolonial. Estes acontecimentos deram força àqueles que, dentro do Movimento (agora passava-se adesignar por MFA – Movimento das Forças Armadas), acreditavam na urgência de um golpe militarque, restaurando as liberdades cívicas, permitisse a tão desejada solução para o problema colonial. Depoisde uma tentativa precipitada, em Março, o MFA preparou minuciosamente a operação militar que, namadrugada do dia 25 de Abril de 1974 pôs fim ao Estado Novo.Operação “Fim-Regime”A operação militar teve início com a transmissão, pela rádio, das canções-senha, que permitia às unidadesmilitares saírem dos quartéis para cumprirem as missões que lhes estavam destinadas. A resistênciaterminou cerca das 18h, quando Marcello Caetano se rendeu pacificamente ao general Spínola.Entretanto, já o golpe militar era aclamado nas ruas pela população portuguesa, cansada da guerra e daditadura, transformando os acontecimentos de Lisboa numa explosão social por todo o país, umaautêntica revolução nacional que, pelo seu carácter pacífico, ficou conhecido como a “Revolução dosCravos”. A PIDE foi a última a render-se na manhã seguinte.A caminho da democraciaO desmantelamento das estruturas do Estado NovoO acto revolucionário permitiu que se desse início ao processo de desmantelamento do Estado Novo.No próprio dia da revolução, Portugal viu-se sob a autoridade de uma Junta de Salvação Nacional, quetomou de imediato medidas: O presidente da República e o presidente do Conselho foram destituídos, bem como todos osgovernadores civis e outros quadros administrativos; A PIDE-DGS, a Legião Portuguesa e as Organizaçõesda Juventude foram extintas, bem como a Censura (Exame Prévio) e a Acção Nacional Popular; Ospresos políticos foram perdoados e libertados e as personalidades no exílio puderam regressar aPortugal; Iniciou-se o processo da independência das colónias e organização de eleições para formara assembleia constituinte que iria aprovar a nova constituição da República. A Junta de SalvaçãoNacional nomeou para Presidente da República o António de Spínola, que escolheu Adelino para chefiar ogoverno provisório.Tensões políticas ideológicas na sociedade e no interior do MFAO período SpínolaOs tempos não foram fáceis para as novas instituições democráticas. Passados os primeiros momentosde entusiasmo, seguiram-se dois anos politicamente muito conturbados, originando gravesconfrontações sociais e políticas. Rapidamente começaram as reivindicações, as greves e asmanifestações influenciadas pelos partidos da esquerda. O governo provisório mostrou-se incapaz degovernar o país e demitiu-se, o que fez com que o poder político se dividisse em dois pólos opostos. De um lado o grupo apoiante do general Spínola (procurava controlar o movimento popular quepodia originar outra ditadura, desta vez de extrema-esquerda) Do outro lado a comissão coordenadora do MFA e os seus apoiantes (defendia a orientação doregime para um socialismo revolucionário.O desfecho destas tensões culminou com a demissão do próprio general Spínola, após o falhanço daconvocação de uma manifestação nacional em seu apoio, e a nomeação de outro militar, o general CostaGomes, como Presidente da República.
    • A radicalização do processo revolucionárioNo período entre a demissão de Spínola (Setembro 1974) e a aprovação da nova Constituição daRepública (1976), Portugal viveu uma situação política revolucionária repleta de antagonismos sociais.Durante estes dois anos, o poder esteve entregue ao MFA, a Vasco Gonçalves, que assumiu uma posiçãode extrema-esquerda e uma forte ligação ao Partido Comunista. A data-chave é 11 de Março de 1975:tentando contrariar a orientação esquerdista da revolução, António de Spínola tentou um golpe militar(fracassado). Em resposta, a MFA cria o Conselho da Revolução, ligado ao PCP, que passa a funcionarcomo órgão executivo do MFA e tornou-se o verdadeiro centro do poder (concentra os poderes da Juntade Salvação Nacional e do Conselho de Estado), e propõe-se orientar o Processo Revolucionário emCurso - PREC que conduziria o País rumo ao socialismo.As eleições de 1975 e a inversão do processo revolucionárioDas eleições de 1975, sai vitorioso o Partido Socialista, que passa a reclamar maior intervenção naactividade governativa. Vivem-se os tempos do Verão Quente de 1975, em que esteve iminente oconfronto entre os partidos conservadores e os partidos de esquerda. É em pleno “Verão Quente”que um grupo de 9 oficiais do próprio Conselho da Revolução, encabeçados pelo major Melo Antunes,crítica abertamente os sectores mais radicais do MFA: contestava o clima de anarquia instalado, adesagregação económica e social e a decomposição das estruturas do Estado. Em consequência, VascoGonçalves foi demitido. Era o fim da fase extremista do processo revolucionário. A revoluçãoregressava aos princípios democráticos e pluralistas de 25 de Abril, que serão confirmados com aConstituição de 1976.Politica Económica anti-monopolista e intervenção do Estado a nível económico-financeiroOs tempos da PREC tinham em vista a conquista do poder e o reforço da transição ao socialismo.Assim, nessa altura, tomaram-se um conjunto de medidas que assinalaram a viragem ideológica nosentido do marxismo-leninismo: o intervencionismo estatal (em todos os sectores da economia), as nacionalizações (o Estadoapropriou-se dos bancos, dos seguros, das empresas, etc., passando a ter mais controlo da economia), areforma agrária (procedeu-se à colectivização dos latifúndios do Sul e à expropriação e nacionalizaçãopelo Estado e a constituição de Unidades Colectivas de Produção (UCP). Graças ao partido comunista foiaprovada a legislação para a reforma agrária com protecção dos trabalhadores e dos grupos económicosmais desfavorecidos através das novas leis laborais, salário mínimo nacional, aumento de pensões ereformas.)A opção constitucional de 1976Depois de um ano de trabalho, a Assembleia Constituinte terminou a Constituição, aprovada em 25 deAbril de 1976. A constituição consagrou um regime democrático e pluralista, garantindo asliberdades individuais e a participação dos cidadãos na vida política através da votação em eleiçõespara os diferentes órgãos. Além disso, confirmou a transição para o socialismo como opção dasociedade portuguesa. Mantém, igualmente, como órgão de soberania, o Conselho da Revoluçãoconsiderado o garante do processo revolucionário. Este órgão continuará a funcionar em estreita ligaçãocom o presidente da República, que o encabeça. A nova constituição entrou em vigor no dia 25 de Abril de1976, exactamente dois anos após a “Revolta dos Cravos”. A Constituição de 1976 foi, sem dúvida, odocumento fundador da democracia portuguesa.O reconhecimento dos movimentos nacionalistas e o processo da descolonizaçãoO processo descolonizadorA nível interno, a “independência pura e simples” das colónias colhia o apoio da maioria dos partidos quese legalizaram depois do 25 de Abril e também nesse sentido se orientavam os apelos dasmanifestações que enchiam as ruas do país. É nesta conjuntura que o Conselho de Estado reconhece àscolónias o direito à independência. Intensificam-se, então, as negociações com os movimentos aosquais Portugal reconhece legitimidade para representarem o povo dos respectivos territórios. No entanto,Portugal encontrava-se num a posição muito frágil, quer para impor condições quer para fazer respeitaros acordos. Desta forma, não foi possível assegurar, como previsto, os interesses dos Portuguesesresidentes no Ultramar. Fruto de uma descolonização tardia e apressada e vítimas dos interesses depotências estrangeiras, os territórios africanos não tiveram um destino feliz.
    • O fim do mundo soviéticoA Era Gorbatchev – uma nova políticaNo início dos anos 80, a União Soviética encontrava-se numa situação preocupante.Foi na conjuntura de crise que surge Mikhail Gorbatchev, eleito secretário-geral do PCUS em 1985. Semquerer por em causa a ideologia e o sistema político vigente, Gorbatchev entendeu, no entanto, sernecessário iniciar: um processo de reestruturação económica, perestroika (assiste-se a uma descentralização daeconomia, através da adaptação da economia planificada a uma economia de mercado, onde passa a serreconhecida a livre iniciativa e a livre concorrência); uma política de transparência, glasnot (foi reconhecida a liberdade de expressão, aboliu-se acensura e acabou-se com as perseguições políticas, visando a participação mais activa dos cidadãos navida política)Para além da reconversão económica e a abertura democrática, Gorbatchev também pretendia umaaproximação ao mundo ocidental, nomeadamente no sentido do desarmamento, para se chegar a umclima internacional estável.O colapso do mundo soviéticoEntretanto, as reformas liberais empreendidas por Gorbatchev tiveram grande impacto nos países deLeste europeu. No ano de 1989, uma vaga democratizadora varre o Leste, assistindo-se a umasubversão completa do sistema comunista : Na Polónia, Checoslováquia, Bulgária, Roménia, etc, ospartidos comunistas perdem o seu lugar de “partido único” e realizam-se as primeiras eleições livres dopós-guerra. Assim, a “cortina de ferro” que separava a Europa, começa a dissipar-se: as fronteiras como Ocidente são abertas e, nesse mesmo ano, cai o Muro de Berlim, reunificando a Alemanha (antesdividida em duas pelo muro). Ainda é anunciado, o fim do Pacto de Varsóvia e, pouco depois, a destituiçãodo COMECON. A Checoslováquia divide-se em duas repúblicas – A República Checa e a Eslováquia. Origem de novos estados independentes, através da extinção da Jugoslávia, como a Eslovénia,Bósnia-Herzegovina, CroáciaNesta altura, a dinâmica política desencadeada pela perestroika tornara-se já incontrolável, conduzindo,também, ao fim da própria URSS. Gorbatchev nunca pretendia o fim do comunismo ou do socialismo,tenta parar o processo pela força, fazendo com que o apoio da população se concentre em Boris Ieltsin,que é eleito presidente da República da Rússia, em Junho de ’91 (que toma a medida extrema de proibiras actividades do partido comunista).No Outono de ’91, a maioria das repúblicas da União declara a sua independência. Em 21 de Dezembro,nasce oficialmente a CEI – Comunidade de Estados Independentes, à qual aderem 12 das 15 repúblicasque integravam a União Soviética.Estava consumado, assim, o fim do bloco soviético e da URSS.Os problemas da transição para a economia de mercadoA transição para a economia de mercado mostrou-se difícil e teve um impacto muito negativo na vidadas populações. Perante o fim da economia planificada e dos subsídios estatais, muitas empresas faliram,contribuindo para o desemprego; a continuada escassez dos bens de consumo, a par da liberalização dos preços, estimulou uma inflaçãogalopante (subida de preços), que não era acompanhada por uma subida de salários, lançando apopulação na miséria.Os países de Leste viveram também, de forma dolorosa, a transição para a economia de mercado.Privados dos importantes subsídios que recebiam da União Soviética, sofreram uma brusca regressãoeconómica. De acordo com o Banco Mundial “a pobreza espalhou-se e cresceu a um ritmo mais aceleradodo que em qualquer lugar do mundo”. A percentagem de pobres elevou-se de 2 para 21% dapopulação total. O caos económico instalou-se e agravaram-se as desigualdades sociais.
    • Os pólos de desenvolvimento económicoProfundamente desigualitário, o mundo actual concentra a sua força em 3 pólos de intensodesenvolvimento: os Estados Unidos, a União Europeia e a região da Ásia-Pacífico.A hegemonia dos EUACom o colapso do bloco soviético, os EUA passaram a reunir todas as condições para se afirmarem como agrande superpotência mundial. A hegemonia que os EUA detêm sobre o resto do mundo alicerça-senuma incontestada capacidade militar, numa próspera situação económica e no dinamismocientífico e tecnológico que evidencia.O poder americano afirmou-se apoiado pelo gigantismo económico e pelo investimento maciço nocomplexo industrial militar. Os EUA têm sido considerados os "polícias do mundo", devido ao papelpreponderante e activo que têm desempenhado, afirmando a sua supremacia militar.A sua hegemonia assenta, igualmente, na prosperidade da sua economia. Os EUA afirmam-se como osmaiores exportadores, devido ao dinamismo das suas empresas de bancos, turismo, cinema, música.O sector primário não foi, porém, abandonado. Em resultado da elevada produtividade, os EUA mantêm-se como os maiores exportadores de produtos agrícolas.A sua indústria também revela grande dinamismo, tendo como consequência a liderança dos EUA emsectores de produção de automóveis, têxteis sintéticos, produtos farmacêuticos, etc.Durante a presidência de Bill Clinton, tornou-se prioridade o desenvolvimento do sector comercial,procurando-se estimular as relações económicas com a região do Sudoeste Asiático (criando a APEC -Cooperação Económica Ásia-Pacífico), e estipulou a livre circulação de capitais e mercadorias entre osEUA, Canadá e México (através da NAFTA – Acordo de Comércio Livre da América do Norte)Finalmente, a hegemonia dos EUA resulta também da sua capacidade de inovar, reflexo do progressocientífico-tecnológico que evidencia. São os que mais investem na investigação científica,desenvolveram os tecnopólos (parques tecnológicos, empresas ligadas à tecnologia). O sector terciárioocupa um enorme peso na economia americana (cerca de 75 %).A União EuropeiaDesde a sua criação, em 1957, que a União Europeia (naquela altura, CEE) tem vindo a consolidar-se querpela integração de novos estados-membros, quer pelo aprofundamento do seu projecto económico epolítico. Assim, integraram-na: Nos anos 70 – Inglaterra, Irlanda e Dinamarca (1973) – Europa dos 9; Nos anos 80 – Grécia (1981), Portugal e Espanha (1986) – Europa dos 12; Nos anos 90 – Áustria, Suécia, Finlândia (1995) – Europa dos 15.Recentemente entraram os Países Bálticos: Chipre, República Checa, Eslovénia, Eslováquia, Hungria,Polónia, Letónia, Lituânia, Malta (Europa dos 25).O principal objectivo da CEE era a união aduaneira, concretizada em ’68. No início dos anos 80 vigoravaa Europa dos 9, porém, o projecto europeu encontrava-se estagnado.Decidido a relançar o projecto europeu, Jacques Delors, concentrou-se na renovação da CEE: Em 86 foi assinado o Acto Único Europeu, que previa o estabelecimento de um mercado único,onde, para além de mercadorias, circulassem livremente pessoas, capitais e serviços. Em 92 celebrou-se o Tratado da União Europeia (Tratado de Maastricht) que estabelece uma Uniãoeuropeia (UE), fundada em três pilares: o comunitário, de cariz económico e, de longe, o maisdesenvolvido; o da politica externa e da segurança comum (PESC), e o da cooperação nos domíniosda justiça e dos assuntos internos. Foi instituída a cidadania europeia e definiu-se o objectivo daadopção da moeda única. A 1 de Janeiro de 1999, onze países inauguram oficialmente o euro, quecompletou a integração das economias europeias. O euro entra em vigor em 2002.Dificuldades da união políticaTêm sido muitos os obstáculos à criação de uma Europa política: os países que não se identificam natotalidade com o projecto europeu, ou os que resistem às medidas que implicam a perda da soberanianacional, a integração de mais países (conjugar interesses de países diferentes), que não tem favorecido ocaminho de uma Europa mais unida, a incapacidade da EU de resolver questões como o desemprego, etc.
    • O Espaço económico da Ásia-PacíficoO milagre japonês dos anos 50 e 60 deu início a um processo de desenvolvimento económico queiria, nas décadas seguintes, contagiar outros países asiáticos. Com efeito, o sucesso do Japão serviu deincentivo e de modelo ao desenvolvimento dos “quatro dragões”: Hong Kong; Singapura; Coreia do Sul;Taiwan.Os quatro dragões compensaram a escassez de recursos naturais com o esforço de uma mão-de-obra barata e abundante, com o apoio do Estado (que investiu altamente no ensino, tendo em vista aqualificação profissional da população, apostou em políticas proteccionistas com vista a atrair os capitaisestrangeiros e na exportação de bens de consumo). Em resultado, estes países conseguiram produzir, apreços imbatíveis, produtos de consumo corrente que invadiram os mercados ocidentais,promovendo sectores como o da indústria automóvel, construção naval, etc.Quando a crise afectou a economia mundial na década de 70, o Japão e os “quatro dragões” iniciaram umprocesso de cooperação económica com os membros da ASEAN (Associação das Nações doSudoeste Asiático), que agrupava a Tailândia, Indonésia, Filipinas e Malásia. O desenvolvimento destespaíses resultou das necessidades de matérias-primas, recursos energéticos e bens alimentares, de queeram importantes produtores, por parte do Japão e dos “quatro dragões” que, em troca, exportavambens manufacturados e tecnologia. Este intercâmbio deu origem a uma nova etapa de crescimento,mais integrado, do pólo económico da Ásia Pacífico.O crescimento teve, no entanto, custos ecológicos e sociais muito altos: a Ásia tornou-se a regiãomais poluída do Mundo e a sua mão-de-obra permaneceu, maioritariamente, pobre e explorada.A questão de TimorTimor foi dos poucos casos na Ásia onde se instaurou uma democracia através de um processo deautodeterminação.Em 1974, a “Revolução dos Cravos” agitou também Timor Leste, que se preparou para encarar o futurosem Portugal. Na ilha, onde não tinham ainda surgido movimentos de libertação, nasceram três partidospolíticos (A UDT (União Democrática Timorense), que defendia a união com Portugal num quadro deautonomia; A APODETI (Associação Popular Democrática Timorense), favorável à integração doterritório da Indonésia; E a FRETILIN (Frente Revolucionária de Timor Leste Independente), comum programa independentista, ligado aos ideais de esquerda.)Esta última, em 1975, declara, unilateralmente, a independência do território, mas em Novembro, ogoverno indonésio ordena a sua invasão por tropas suas. Timor resiste, e a sua resistência continuouactiva nos anos 80, encabeçada por Xanana Gusmão (líder da FRETLIN). Em 1991, a consciência dacomunidade internacional foi despertada, através do visionamento de imagens de um massacre a civistimorenses. No fim da década, a Indonésia aceita finalmente que o povo timorense decida o seu destinoatravés de um referendo, que fica marcado para Agosto de 1999. O referendo, supervisionado por umamissão das Nações Unidas, a UNAMET, deu uma inequívoca vitória à independência, mas desencadeouuma escalada de terror por parte das milícias pro-indonésias. Uma onda de indignação e desolidariedade percorreu então o Mundo e conduziu ao envio de uma força de paz multinacional,patrocinada pelas Nações Unidas. A 20 de Maio de 2002 nasce oficialmente a República Democrática deTimor Leste.Modernização e abertura da China à economia de mercadoO arranque da China para o processo de modernização e abertura à economia de mercado teve inícionos fins da década de 70, altura em que Deng assumiu o poder. O Líder chinês iniciou um processo degrandes reformas económicas, lançando as bases do desenvolvimento agrícola, industrial e técnico daChina. Seguindo uma política pragmática, Deng dividiu a China em 2 áreas geográficas distintas: Ointerior, essencialmente rural, permanecia resguardado da influência externa; e o litoral abrir-se-ia aocapital estrangeiro, integrando-se plenamente no mercado internacional. O sistema agrário foi reestruturado. Entre 1979 e 1983 as terras foram descolectivizadas eentregues aos camponeses, estes que podiam, então, comercializar os seus produtos num comércio livre.Assim, a produção agrícola chinesa cresceu 50% em apenas 5 anos. O sector industrial foi altamentemodificado em favor da exportação. Em 1980, as cidades de Shenzhen, Zuhai, Shantou e Xiamen,passaram a ser “Zona Económicas Especiais”, eram favoráveis ao negócio pois o investimentoestatal estava aí concentrado.