FACULDADE KURIOS            MARLEI SOUZA VITÓRIA VINHALUMA REFLEXÃO SOBRE A SEXUALIDADE DOS ADOLESCENTES       DENTRO DOS ...
MARLEI SOUZA VITÓRIA VINHALUMA REFLEXÃO SOBRE A SEXUALIDADE DOS ADOLESCENTES       DENTRO DOS PRINCÍPIOS MORAIS E ÉTICOS  ...
Aprovação:__________________________________________________________________________________________Nota _________________...
Agradecimentos:Agradeço a Deus, que me iluminou e me deu forças para subir mais essedegrau em minha vida, pois tudo que so...
RESUMOA sexualidade é definida como um elemento integral da vida e do ser individual esocial que valoriza as relações com ...
ABSTRACTSexuality is defined as an integral element of life and of the individual values andsocial relations with individu...
SUMÁRIO1 - Introdução: ......................................................................................................
1 – Introdução“A palavra “Adolescer”, vem do latim ad (para) + olescere (crescer) e significa:“crescer para”, ou seja, “cr...
As mudanças que ocorrem velozmente nesse período implicam muitas vezes emsituações em que, imperam discriminações sociais ...
compreendidos como fenômenos psicossociais, embora se manifestem emindivíduos especialmente durante a adolescência.Nesse c...
as identidades. Ela define, separa e, de formas sutis ou violentas, também distinguee discrimina. Tomaz Tadeu da Silva (19...
importância é dada para os meninos e meninas, muitas vezes, dependendo dasescolhas pessoais das tendências do grupo. O ero...
fortemente a definição desta etapa. Finalmente, o custo é o que a maioria dos paisusou na relação adulta-criança com seu f...
intensas. Que devem vencer a AIDS e outras doenças sexualmente transmissíveiscom atos responsáveis e não pelo uso da camis...
Neste sentido, o guia de Orientação Sexual: diretrizes e metodologias, elaborado noFórum Nacional de Educação e Sexualidad...
humanos passam por mudanças físicas da puberdade, nem todas as sociedadesreconhecem o período conhecido como a adolescênci...
acham que têm mais interesses em comum. O aumento da capacidade física emental durante a adolescência, juntamente com mais...
Em termos de desenvolvimento de relações sociais como deve ser é que, durante aadolescência, bem como a geração de uma alt...
confiança anterior no corpo e o domínio de suas funções são, subitamente,abalados, na puberdade, e precisam ser reconquist...
O desenvolvimento humano é, em geral, compreendido tanto na literatura científicaquanto nas teorias de senso comum, como u...
o modo como eles agem e como pensam que deveriam. Uma vez que você começaa refletir sobre suas ações e características, se...
de constrangimento, tanto      em termos de aparência e mobilidade física ecoordenação. No caso das adolescentes devem evi...
É preciso que a família e a sociedade não criem expectativas por que jovens têm dedemonstrar a necessidade de separação e ...
No início do puberdade, as meninas são muitas vezes em desacordo com suasmães. Adolescentes do sexo masculino, especialmen...
sua vida, sua morte, seu Deus. Na adolescência, porém, a necessidade e o impulsopara explicar o universo levam o jovem, nu...
religiosas da idade adulta. Não é pecado, nem heresia, nem blasfêmia, duvidar daexistência e das qualidades de Deus. Neste...
apenas as palavras e gestos expressivos, como também os comportamentos eatitudes que levam a assertividade, isto é, a capa...
emoções, sentimentos e bem-estar pessoal, decorrentes da história de vida de cadaum (FAGUNDES, 1992).Por isso requer uma i...
avaliar os impactos das informações advinhas do meio social com referencia asexualidade. (GUIA DE ORIENTAÇÃO SEXUAL, 1994....
Desta forma, “os rapazinhos são pressionados pelo grupo e, muitas vezes, pelaprópria família, que lhes dizem que não será ...
maioria das vezes, terão um ato sexual sem prazer. Outras moças envolvem-se poringenuidade, promessas, falta de informação...
namoro e envolvimento. Dentro deste aspecto, os jovens terão de compreender queseu corpo lhes pertence e que poderão escol...
evitar uma gravidez. Diante disso, a moça, muitas vezes, envolve-se numrelacionamento sexual para comprovar sua identidade...
Gravidez na adolescência é um assunto bastante atual tanto no ambiente dapsicologia quanto no da enfermagem e medicina, pr...
pelas ciências biológicas e médicas que possibilitam a implantação de rumos é sósabe a cada um tomar essa decisão.A medici...
carinho e pedirá carinho. Ocorre que a ligação afetiva mais forte e a pessoa em queela mais confia é a mãe, e neste caso n...
edipiano. Ora, a ausência de resolução do complexo de Édipo está na origem dequase todas as perversões sexuais e tendência...
diferente, que muda a cada dia, além das cobranças sociais até entãodespercebidas e isso, em geral, pode causar ansiedade ...
de modo a fazer com que eles extrapolem o mero nível informativo e atuem naformação, na mudança de atitudes favoráveis à p...
10 - Referências BibliográficasABERASTURY, A. e KNOBEL, M. Adolescência Normal. Porto Alegre, Ed. ArtesMédicas, 1992.BAPTI...
GHERPELLI, M. H. B. V. Diferente, mas não desigual - a sexualidade do deficientemental. São Paulo: Gente, 1995.GOLDBERG, M...
SILVA, Tomaz Tadeu. "A poética e a política do currículo como representação."Trabalho apresentado no GT Currículo na 21ª R...
Upcoming SlideShare
Loading in...5
×

Uma reflexão sobre a sexualidade dos adolescentes

14,148

Published on

Published in: Education
0 Comments
7 Likes
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

No Downloads
Views
Total Views
14,148
On Slideshare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
2
Actions
Shares
0
Downloads
140
Comments
0
Likes
7
Embeds 0
No embeds

No notes for slide

Uma reflexão sobre a sexualidade dos adolescentes

  1. 1. FACULDADE KURIOS MARLEI SOUZA VITÓRIA VINHALUMA REFLEXÃO SOBRE A SEXUALIDADE DOS ADOLESCENTES DENTRO DOS PRINCÍPIOS MORAIS E ÉTICOS Maranguape/CE 2011
  2. 2. MARLEI SOUZA VITÓRIA VINHALUMA REFLEXÃO SOBRE A SEXUALIDADE DOS ADOLESCENTES DENTRO DOS PRINCÍPIOS MORAIS E ÉTICOS Monografia apresentada ao Curso de Bacharel em Teologia da Faculdade Kurios, como requisito parcial à obtenção do título de Bacharelado em Teologia. Orientadora: Profª Ms. Rozaine F. Tomaz Maranguape/CE 2011 2
  3. 3. Aprovação:__________________________________________________________________________________________Nota ________________________Data ________________________ 3
  4. 4. Agradecimentos:Agradeço a Deus, que me iluminou e me deu forças para subir mais essedegrau em minha vida, pois tudo que sou ou posso a vir ser, dependeexclusivamente da sua vontade. Agradeço a minha família que sempre esteveao meu lado. Aos professores pelo apoio recebido durante o curso,contribuindo para o meu crescimento pessoal e profissional e em especial aminha orientadora: Profª Ms. Rozaine Fontes Tomaz. 4
  5. 5. RESUMOA sexualidade é definida como um elemento integral da vida e do ser individual esocial que valoriza as relações com pessoas, grupos, comunidades, culturas e Deus.Na adolescência a sexualidade é discutida a respeito das dinâmicas de gênero,poder, identidade, e autoimagem. Ela é considerada um período muito importantenas mudanças físicas, emocionais, psicológicas e sociais dos jovens. Compreendero crescimento e amadurecimento físico, cognitivo e religioso, lidar com sentimentosambíguos diante das frustrações, da euforia e do desânimo e ao mesmo tempo, lidarcom a aceitação ou rejeição social, preconceitos e discriminações é uma habilidadeque requer o suporte social de familiares, educadores, profissionais, da igreja e dacomunidade em geral. Este texto pretende informar e esclarecer sobre estesaspectos no desenvolvimento humano de jovens e adolescentes, procurando refletirsobre a sexualidade dentro dos princípios morais e éticos no período chamadoadolescência.Palavras-chaves: Sexualidade, Adolescência, Moral e Ética. 5
  6. 6. ABSTRACTSexuality is defined as an integral element of life and of the individual values andsocial relations with individuals, groups, communities, cultures and God. Sexuality inadolescence is discussed about the dynamics of gender, power, identity, and self-image. She is considered a very important period in the physical, emotional,psychological and social needs of young people. Understanding the growth andphysical maturation, cognitive and religious, before dealing with mixed feelings offrustration, euphoria and despair and at the same time, dealing with socialacceptance or rejection, prejudice and discrimination is a skill that requires socialsupport from family educators, professionals, church and community. This paperaims to inform and clarify these aspects in human development of youth andadolescents, seeking to reflect on sexuality within the moral and ethical principles inthe period called adolescence.Keywords: Sexuality, Adolescence, Morals and Ethics. 6
  7. 7. SUMÁRIO1 - Introdução: .......................................................................................................... 082 - A orientação sexual na adolescência: ................................................................. 103 - Conceitos Fundamentais para o Programa de Orientação Sexual: .................... 14 3.1 - Desenvolvimento humano: .................................................................... 15 3.2 - Relações sociais na adolescência: ........................................................ 17 3.2.1 - A independência: ..................................................................... 18 3.2.2 - A identidade: ............................................................................ 19 3.2.3 - A autoestima: ........................................................................... 20 3.2.4 - O comportamento: ................................................................... 21 3.2.5 - A segurança: ............................................................................ 23 3.2.6 - A religiosidade: ........................................................................ 24 3.2.7 - A comunicação: ....................................................................... 26 3.2.8 - A saúde sexual: ....................................................................... 274 - Sociedade e cultura: ........................................................................................... 285 - Adolescentes e Início da Vida Sexual: ................................................................ 296 - Adolescente e Anticoncepção: ............................................................................ 327 - Reações da adolescente frente à gravidez: ........................................................ 338 - Complexo de Édipo: ............................................................................................ 359 - Considerações Finais: ......................................................................................... 3710 - Referências Bibliográficas: ................................................................................ 40 7
  8. 8. 1 – Introdução“A palavra “Adolescer”, vem do latim ad (para) + olescere (crescer) e significa:“crescer para”, ou seja, “crescer”, “engrossar”, “tornar-se maior”, “atingir amaioridade”. A adolescência é um período marcado por mudanças biológicas,psicológicas, existenciais e sociais, compreendido entre a infância e a idade adulta,é marcado por transições de cunho essencialmente social e reflete, portanto,concepções históricas e culturais”. (BECKER, 1994; CALLIGARIS, 2000; CAMPOS,1990; PAPALIA, OLDS e FELDMAN 2006; PEREIRA, 2005).A sexualidade na adolescência é atualmente uma das questões mais abordadas ecomplexas e que tem causado muitas discussões em todos os segmentos dasociedade. Fala-se muito de sexo e sexualidade na adolescência. A televisão expõediariamente pessoas jovens, saudáveis e belas, cheias de amigos, vendendo aimpressão de uma época sempre feliz. No entanto, educadores lidam no cotidianocom crianças em transição da infância para a idade adulta, num período cada vezmais longo chamado de adolescência, no qual, ao lado da alegria, da saúde e dasamizades, ocorrem também dúvidas sobre sexualidade, dificuldades e sofrimentosrelacionados ao início da vida amorosa e sexual.Como estabelece Puig (1995), a ação do educador estará encaminhada paraestimular o processo de valoração de seus alunos para que chegue a dar-se contade quais são realmente seus valores e possam sentir-se responsáveis ecomprometidos com eles. Assim, infere-se que é importante desenvolver noeducando a ação reflexiva de modo que este seja capaz de pensar, de analisar, decontextualizar situações cotidianas que exigem uma determinada postura autônoma.Como abordar ou como intervir, nos dias de hoje, na vida e na educação dos jovense adolescentes sobre a questão da sexualidade dentro dos padrões da moral, daética, da responsabilidade e do respeito ao seu semelhante, nos princípiosreligiosos, no qual exige uma sociedade conservadora? Sim, por que, a sociedadepor mais evoluída que seja, ou por mais que os meios de comunicação banalizam aquestão da sexualidade na adolescência, ela é conservadora, mais ainda quando oassunto se refere às questões de princípios. 8
  9. 9. As mudanças que ocorrem velozmente nesse período implicam muitas vezes emsituações em que, imperam discriminações sociais acarretando sofrimento eangústia para muitos jovens. Enfrentar o crescimento e o amadurecimento pessoalde forma mais saudável exige muita colaboração e mediação dos adultos, isto é, osuporte social de familiares, amigos, médicos ou educadores, a igreja e acomunidade em geral. Neste sentido, entende-se que nessa fase a puberdade é umfenômeno biológico que registra as modificações físicas e corpóreas do crescimentoe amadurecimento humano, e diferentemente a adolescência, tal qual aconcebemos, é um fenômeno social e cultural (MAIA, 2003).Segundo Vitiello e Loureiro Júnior (1986) buscar um conceito exato para aadolescência e subjugar a sexualidade dentro de um contexto mais amplo é umatarefa difícil, porém ainda mais difícil é fixar seus limites cronológicos, pois adelimitação de seu inicio e término depende de fatores sócio-culturais, familiares epessoais. Apesar disso, muitos autores tentam definir esses limites em uma idadecronológica que varia entre 11 e 20 anos de idade. Basicamente, o surgimento dascaracterísticas sexuais secundárias seria proposto como o limite inicial - o que nãoacompanha obrigatoriamente a eclosão das características sociais e emocionais daadolescência, ora precedendo, ora surgindo após seu estabelecimento, e seu limitefinal seria a resolução das características psicoemocionais marcantes neste períodoadolescente. Cavalcanti (1987), completa esta idéia afirmando que a adolescência,socialmente, teria seu fim quando o grupo social atribuísse ao indivíduo o status, opapel e a função de adulto.É difícil separar as mudanças físicas das mudanças psicológicas, e do meio social ecultural em que este indivíduo se desenvolve na adolescência, isto é, as mudançasresultantes desse crescimento devem ser sempre consideradas como psicossociais,especialmente para a Psicologia. Papalia, Olds & Feldman (2006) citam, porexemplo, diversos problemas possíveis neste período relacionados à saúde física emental de jovens meninos e meninas que não podem ser considerados isolados dasociedade em que vivem: distúrbio de sono, de nutrição e de alimentação;obesidade, anorexia e bulimia nervosa, uso e dependência de drogas, devem ser 9
  10. 10. compreendidos como fenômenos psicossociais, embora se manifestem emindivíduos especialmente durante a adolescência.Nesse contexto a sexualidade inclui, mas não está limitada às dinâmicas de gênero,poder, identidade social, e autoimagem. Como tal, a sexualidade lida com asquestões de identidade e ser e não está limitada à conformidade, às exigênciasmorais e éticas da sociedade. Tais normas éticas e morais são de grandeimportância, mas a redução da sexualidade à aderência a estas normas emoralidades reduz a sexualidade a um de seus diversos aspectos. Segundo Osório(1992), a adolescência é uma etapa da vida na qual a personalidade está em fasefinal de estruturação e a sexualidade se insere nesse processo, sobretudo como umelemento estruturador da identidade do adolescente. Daí a necessidade debuscarmos conhecer melhor os mitos, tabus e a realidade da sexualidade para quepossamos abordá-la de forma mais tranqüila com os adolescentes, de manter umdiálogo franco e entender as manifestações dessa sexualidade aflorada e própria daidade. O universo complexo da sexualidade humana é raramente discutido.Especificamente, a moralidade sexual é freqüentemente reduzida às questões dequais práticas e atitudes sexuais são aceitas pela sociedade como um todo.2 - A orientação e educação sexual na adolescênciaA orientação sexual na adolescência ganha cada vez mais importância. Mais do quetransmitir que sexo por sexo é fuga e sexo com consciência é amor, discutir asformas de relacionamento entre adolescentes é também uma das grandespreocupações da sociedade. Causa estranheza observar o descaso e o desrespeitocom que o assunto ainda é tratado. Nem é preciso ser um especialista para percebera discrepância das atitudes. A adolescência, como qualquer estágio de crescimentoda vida humana é marcado por mudanças, as crises e a transição para novosestados de vida. A sexualidade nessa fase está em participar de todos essesacontecimentos. Não há maneira única para se aproximar da adolescência, dependedo julgamento com o qual é olhar para o aspecto que é realçado. Ao classificar ossujeitos, toda sociedade estabelece divisões e atribuem rótulos que pretendem fixar 10
  11. 11. as identidades. Ela define, separa e, de formas sutis ou violentas, também distinguee discrimina. Tomaz Tadeu da Silva (1998) afirma: Os diferentes grupos sociais utilizam a representação para forjar a sua identidade e as identidades dos outros grupos sociais. Ela não é, entretanto, um campo equilibrado de jogo. Através da representação se travam batalhas decisivas de criação e imposição de significados particulares: esse é um campo atravessado por relações de poder. (...) o poder define a forma como se processa a representação; a representação, por sua vez, tem efeitos específicos, ligados, sobretudo, à produção de identidades culturais e sociais, reforçando, assim, as relações de poder.De um ponto de vista cronológico é definido, aproximadamente, entre 12 e 20 anos.Dizemos mais ou menos, porque como todos os processos de um ser vivo sãoimpossíveis classificar as margens estáticas. Com a conquista da identidade pessoal(quem eu sou, de onde eu vim, pra onde eu quero ir ou o que eu quero ser) émarcado a partir do critério psicológico de abordagem, ao final deste período. Adefinição de papéis é a partir do ponto de vista sociológico que define aadolescência, estes, naturalmente, depende da cultura em que vivemos, não hápapéis específicos de nascimento. Finalmente, há um critério que já perdeu, pelomenos na civilização ocidental, a importância de que gozava no passado, oantropológico. A partir deste ponto de vista da entrada para a adolescência émarcada por ritos determinadas por cada cultura. Normalmente falamos deadolescentes como se fosse um grupo homogêneo, nós realmente falamos deestágios, e cada um é marcado por situações especiais que irão se manifestartambém na sexualidade.A sexualidade, afirma Foucault, é um "dispositivo histórico" (1999). Em outraspalavras, ela é uma invenção social, uma vez que se constitui, historicamente, apartir de múltiplos discursos sobre o sexo: discursos que regulam, que normatizam,que instauram saberes, que produzem "verdades". Sua definição de dispositivosugere a direção e a abrangência de nosso olhar. A primeira etapa, chamado deisolamento é entre 12 e 14 anos. Os meninos vivem um momento em que, sujeira edesordem fazem parte como uma reação às mudanças que seu corpo está sofrendo.Opõem-se às meninas como uma forma de superar a dependência materna.Masturbação é a única forma de atividade sexual. Ela, no entanto não rejeita oshomens. Entre 14 e 15 é dada a segunda fase, denominada incerteza. Grande 11
  12. 12. importância é dada para os meninos e meninas, muitas vezes, dependendo dasescolhas pessoais das tendências do grupo. O erotismo é dado através debrincadeiras e conversas. Na terceira fase, entre 15 e 17 será a abertura para aheterossexualidade. É o tempo dos grandes amores "pela vida". Existe uma grandeidealização de outra pessoa. Fantasias masturbatórias são dadas mais intensas.Esta etapa define a orientação sexual ("o que me atrai; um homem, uma mulher ouambos?"). A última fase, chamado de consolidação ocorre entre 17 e 19. Elafortalece a identidade ("você sabe quem ele é, o que ele quer e para onde vai").Relações afetivas são mais estáveis, é conseguido sem a idealização do amado ede muitos duelos intoleráveis. Só aqui você pode falar sobre liberdade eresponsabilidade. A humildade dos pais e o reconhecimento dessas deficiências sãopontos importantes a promover o reencontro com seus filhos a partir de umaperspectiva adulta. Um dos principais problemas para superar a crise é que nem ascrianças e nem os pais têm parâmetros fixos de se relacionar, o adolescente estáconstantemente mudando seu comportamento varia entre a criança e ocomportamento adulto. Há uma série de realizações que é um sinal de conformidadecom boa resolução da crise da adolescência:  Separação e independência dos pais;  Estabelecimento da identidade sexual;  Estabelecimento de orientação sexual;  Desenvolver um sistema pessoal de valores humanos;  Capacidade de estabelecer o amor duradouro e sexual e concurso de uma vez com a mesma pessoa;  Retorno emocional para os pais sobre a base de relativa igualdade.Não se pode esquecer jamais que, a adolescência é uma fase em desenvolvimentoque deve construir a sua própria liberdade, e isso não nos limita ajudá-los a seestabelecer no mundo. Nem demasiado rígida nem a liberdade total, que se senteabandono e negligência por parte dos pais, ajudarem seus filhos adolescentes embusca de equilíbrio e maturidade. Não há receitas, não "jovem", mas esteadolescente é o resultado de uma família, com uma história especial, que influencia 12
  13. 13. fortemente a definição desta etapa. Finalmente, o custo é o que a maioria dos paisusou na relação adulta-criança com seu filho. É preciso estar preparado para aceitaras definições da vida em termos de valores, opções políticas, culturais e sexuais dosnossos filhos. O parâmetro ideal para o desenvolvimento de medição não é para sero que sempre sonhou ser, mas são felizes do jeito que escolher.Isto posto evidencia-se que, a sexualidade implica a expressão de umapersonalidade histórica e social. Ou seja, é um dos elementos essenciais naconstituição da pessoa, na medida em que faz parte da expressão de suapersonalidade, embora esta seja dinâmica e passe por modificações através dostempos (Fagundes (1992). Gherpelli, 1995). No mesmo sentido, Cabral (1995)reitera que o mundo e as relações entre os seres humanos, se forem compreendidosnuma dimensão histórica, processual e dinâmica, podem ser encarados comoestando em constante transformação.A sociedade vem se preocupando em proporcionar segurança e liberdade sexualpara os adolescentes, mas não consegue orientar adequadamente osrepresentantes do futuro da nação sobre o assunto. Isso sem contar a forma comque o tema é tratado na mídia, principalmente em novelas, filmes nacionais e emprogramas de auditório. Sem contar que, associada à distribuição gratuita dospreservativos e da abortiva “pílula do dia seguinte”, a liberdade de atos sexuais entreadolescentes torna-se cada vez mais normal, como um incentivo à promiscuidade. Oser humano não deve ser considerado apenas como um corpo. Sua alma necessitade afago. A simples promoção de sexo acintoso, sem responsabilidade e semcompromisso, também incita conseqüências trágicas como milhões de meninasgerando filhos, sendo violentadas, prostituindo-se à beira das estradas, criançasabandonadas por pais e mães despreparados para formar uma família e postadasem faróis à procura do sustento de cada dia.É claro, quem planta vento colhe tempestades. Devemos incentivar a formação defamílias com conceitos, raízes e sentimentos puros e morais. Conservadora ou não,a família é o sustento do espírito e a fonte de conforto nos anseios individuais. Amoral e a ética exigem que ensinemos aos jovens o autocontrole de suas paixões 13
  14. 14. intensas. Que devem vencer a AIDS e outras doenças sexualmente transmissíveiscom atos responsáveis e não pelo uso da camisinha. João Paulo II assim seexpressou sobre a camisinha: Além de o uso de preservativos não ser 100% seguro, liberar o seu uso convida a um comportamento sexual incompatível com a dignidade humana […]. O uso da chamada camisinha acaba estimulando, queiramos ou não, uma prática desenfreada do sexo […]. O preservativo oferece uma falsa idéia de segurança e não preserva o fundamental.A sociedade, de maneira geral, deve ter mais cuidado com o que simplesmente“controla a transmissão de doenças e evita filhos indesejados”. Ela deve transmitirprincípios e valores por intermédio da orientação, em busca do resgate das origense do respeito à moral e à ética. A satisfação do sexo não está restrita ao corpo, eladeve estar atrelada ao coração, espírito e mente.3 - Conceitos Fundamentais para o Programa de Educação e OrientaçãoSexualPercebe-se que o trabalho de Orientação Sexual é uma tarefa que necessita dacoletividade, tanto a família como as instituições tem sua parcela deresponsabilidades. Sendo importante reforçar também aqui neste trabalho que,todos os programas de orientação e educação Sexual contribuem para oenriquecimento de experiências e crescimento pessoal tanto para quem ministracomo para quem aprende. Dentro de um eficaz programa de orientação Sexual, osenvolvidos devem considerar alguns conceitos fundamentais, os quais se bemtrabalhados e caracterizados oportuniza os aprendizes a tomarem decisõesconscientes e serem capazes de expressarem adequadamente seus sentimentos eanseios.Para Xavier (2000), assim como os pais, os professores educam para a vida sexual,pela sua forma particular de ser, pelo fato de existirem como seres sexuados, quedesempenham papéis correspondentes ao estereótipo masculino e feminino. Amaneira como vivem e assumem a própria sexualidade e aceita a sexualidade dosoutros, em particular a dos/as alunos/as transparece nas suas atitudes e seuscomportamentos em sala de aula. 14
  15. 15. Neste sentido, o guia de Orientação Sexual: diretrizes e metodologias, elaborado noFórum Nacional de Educação e Sexualidade (1994), apresenta e classifica seisdestes conceitos fundamentais, os quais orientam para um bom trabalho quanto àsexualidade, sendo eles: Desenvolvimento Humano, Relacionamentos,Comunicação, Comportamento Sexual, Saúde Sexual e Sociedade e Cultura. Aseguir todos serão abordados e caracterizados para melhor compreensão dosleitores.3.1 - Desenvolvimento humanoPerceber que as mudanças cognitivas permitem ao adolescente ver como chegará aser no futuro e a fazer planos para alcançar o que desejam nele. Propicia também afacilitação no aprendizado mais avançado na escola, isto porque os adolescentessentem-se mais ansiosos por adquirir e aplicar conhecimentos novos e porconsiderar uma variedade de idéias e opções. Neste período a capacidade deraciocinar está em desenvolvimento, proporcionando um novo nível de consciênciasocial e julgamento moral. No desenvolvimento humano o indivíduo tem que aprender a gostar de seu corpo, desenvolver a autoestima, ser informado sobre a reprodução, reconhecer a sexualidade como parte do ser humano, aprender a relacionar com respeito e responsabilidade, reconhecer e respeitar as formas de atração sexual alheia e exercer os direitos de cidadania nas diferentes manifestações de sexualidade. (GUIA DE ORIENTAÇÃO SEXUAL. 1994 p.09).À medida que as faculdades cognitivas amadurecem, muitos adolescentes começama pensar sobre o que é possível em termos ideais, por isso passam a criticar asociedade, os pais e até mesmo suas próprias dificuldades. A partir de suasreflexões e questionamentos o jovem filtra, seleciona e acaba por adotar umaconsiderável parcela dos valores de sua família. Coletivamente percebem-se emtodos os ramos do conhecimento e da atividade humana uma busca de novosparadigmas e conceitos, novas formas de se ver, pensar e agir. A adolescência é operíodo da vida entre a infância e a idade adulta. Ela começa com a puberdade, umperíodo de rápido crescimento e desenvolvimento sexual. Enquanto todos os seres 15
  16. 16. humanos passam por mudanças físicas da puberdade, nem todas as sociedadesreconhecem o período conhecido como a adolescência como uma fase distinta dedesenvolvimento. Em algumas sociedades, como a indígena, por exemplo, ascrianças passam por uma cerimônia para marcar a sua passagem à idade adulta. Avantagem deste processo é porque evita a confusão que muitas sociedades têmsobre, quando para um adolescente devem ser reconhecidos os privilégios eresponsabilidades de adultos. Em sociedades ocidentais pré-industriais, criançasgeralmente têm início de trabalho adulto muito jovem. Vestem-se como adultos e,muitas vezes se comportavam como eles também. Depois de um longo dia, elestinham pouca energia de sobra para associar com os amigos.No mundo de desenvolvimento, a adolescência de hoje tem que esperar um longotempo antes de serem considerados adultos, estão autorizados a trabalhar emempregos de adultos, e são concedidos direitos de adultos e privilégios. Na verdade,a adolescência agora dura muito mais tempo do que ele fez no passado. Isto é emparte porque os jovens passam mais anos na escola agora. Embora a adolescênciapossa ser física e mentalmente madura, eles ainda podem ser financeiramentedependentes de seus pais. Em casa e na escola podem ainda serem tratados comocrianças mais jovens. Esta confusão pode levar muitos adolescentes a ressentir-seda maneira que às vezes são tratadas e podem reclamar sobre isso. Os adultospodem também sentir ressentimento contra os adolescentes. Os jovens podemtornar adultos desconfortavelmente cientes de que estão envelhecendo, os adultospodem, ocasionalmente, sentir ciúmes da força e energia dos jovens. Osadolescentes também pode às vezes parecer muito ameaçador para os adultos. Istoé em parte porque a adolescência é muitas vezes descrita como um período muitodifícil, especialmente pela mídia. Problemas surgem em algumas famílias, porque éum período de mudança. Os pais têm que se acostumar com a idéia de que seusfilhos estão crescendo, e que os adolescentes estão experimentando diferentes tiposde comportamento, aprendendo a lidar com seus corpos em mudança, e ajustando aseus novos papéis na sociedade.No entanto, a maioria dos adolescentes consegue passar por este período incólume.Na verdade, às vezes eles ficam mais próximos de seus pais, especialmente se eles 16
  17. 17. acham que têm mais interesses em comum. O aumento da capacidade física emental durante a adolescência, juntamente com mais liberdade, pode torná-lo ummomento muito emocionante da vida. Os adolescentes estão sujeitos a muitasinfluências diferentes. Enquanto eles herdam muitas características de seus pais,eles também são muito afetados por outros fatores, tais como as condições de vida,escolaridade, educação e religião. Nesta fase devemos estar de olhos bem abertospara o desenvolvimento humano como seres durante a adolescência. Primeiro detudo, vamos olhar para as mudanças físicas que ocorrem durante a puberdade e ossentimentos desses adolescentes e dos efeitos sobre si mesmos. Passando para ocrescimento mental, discutir as mudanças típicas da adolescência.Embora os padrões e como estes desenvolvimentos sejam incentivados na escola.Vamos então olhar para o papel que as relações familiares e de amizadedesempenham na vida do adolescente. Os adolescentes muitas vezes tornam-semuito envolvidos no trabalho exatamente como eles se vêem. Vamos ver como elescomeçam a ficar para trás e olhar para si próprios do ponto de vista dos outros natentativa de descobrir sua verdadeira identidade e a sua auto "real".3.2 - Relações sociais na adolescênciaQuando a criança entra na escola, a família é o grupo mais importante e quaseúnica referência. A criança tenta e conhecer novos colegas e novos adultos e sãoum segundo grupo faziam parte do social para a família. Mas na adolescência,aumentar significativamente espaços a possíveis trocas ou interações sociais, e,além disso, a referência enfraquece a família. A emancipação a esse respeito,durante o processo de aquisição de autonomia pessoal e como um elementoconstituinte do presente processo é, sem dúvida, os mais instintivos destaques danova situação social do adolescente. Neste conceito pode propiciar ao aluno condições de, identificar e expressar seus sentimentos, usufruir de intimidades e prazer, saber defender-se de possíveis vínculos de explorações e manipulações, escolherem dentro de suas possibilidades seu modo de vida e de convivência, desenvolver relacionamentos significativos. (GUIA DE ORIENTAÇÃO SEXUAL, 1994.p.31). 17
  18. 18. Em termos de desenvolvimento de relações sociais como deve ser é que, durante aadolescência, bem como a geração de uma alteração do tipo relação com os outros,também surge no adolescente uma nova compreensão de si mesmo.3.2.1 - A independênciaIndependência pode ser definida como tomar suas próprias decisões e capacidadede agir com base em processos de pensamento e critérios Também a própria partedo processo de desenvolvimento do adolescente é aprender a resolver seusproblemas sem intervenção externa. Com o aumento das suas competênciascognitivas e intuitivas, o indivíduo começa a enfrentar novas responsabilidades epara desfrutar da independência de pensamento e partes. Ele também começa ater pensamentos e fantasias sobre o seu futuro e sua vida adulta (faculdade;trabalho de formação e trabalho de começar uma família). O impulso para aautonomia manifesta-se através de mais conflitos entre ambas as partes; amanutenção da conexão é entendida no forte apego que se mantém por parte dacriança em relação aos pais. O aumento dos conflitos na grande maioria dasfamílias, ele parece consistir de um aumento nas brigas leves ou discussões sobreassuntos do cotidiano, tais como regras e regulamentos, códigos de vestimenta,encontros, notas escolares ou trabalhos domésticos. Os adolescentes e seus paisinterrompem uns aos outros com mais freqüência, ficando mais impacientesreciprocamente.Outras características que podem ser reconhecidas durante esta fase são: aquisiçãode independência dos pais e família; desenvolvimento do sistema de valores eaquisição de identidade própria; estabelecimento de relações efetivas com outrosindivíduos da mesma idade, tendência de egocentrismo nos interesses e metas,além da preparação para a carreira profissional. O adolescente enfrenta um mundocomplexo para o qual ainda não dispõe de um repertório adequado, pois asmudanças que o ambiente exige desta fase são em número muito grande, sendo aadolescência um período de aprendizagem de regras novas (BAPTISTA et al.,2001). A criança quando amadurece fisicamente para se tornar adulto, experimentaum crescimento rápido, com importantes modificações anatômicas e psicológicas. A 18
  19. 19. confiança anterior no corpo e o domínio de suas funções são, subitamente,abalados, na puberdade, e precisam ser reconquistados gradualmente pela própriareavaliação. O adolescente procura a segurança em seu grupo, que se acha,também, em fase de mudanças e de busca de aprovação (CAMPOS, 1990).Temos certas evidências de que uma elevação no conflito familiar está ligada não àidade, mas às mudanças hormonais da puberdade, o que poderia conferir apoio aoargumento de que se trata de processo normal e, até mesmo, necessário. O apegoaos pais, nem o aumento temporário dos conflitos, e nem o “distanciamento” dospais parecem significar que o apego emocional subjacente do jovem para com ospais tenha desaparecido, ou enfraquecido sobremaneira. A relação central com ospais e o apego a eles continuam a ser altamente significativos na adolescência,mesmo enquanto o adolescente se torna cada vez mais autônomo.3.2.2 - A identidadeA identidade que definem como a percepção de si mesmos ou conhecimento sobresuas características, ou personalidade. Uma das tarefas fundamentais daadolescência é atingir um senso de “a identidade pessoal e força”. E esse senso deidentidade precoce na criança vem parcialmente, desapegado, no início daadolescência, devido à combinação de um crescimento rápido do corpo e demudanças sexuais da puberdade. Ele se refere a tal período como aquele em que amente do adolescente é uma espécie de moratória entre a infância e a vida adulta. Aidentidade antiga não é mais suficiente; uma nova identidade precisa ser forjada,uma que sirva para colocar o jovem entre os inúmeros papéis da vida adulto-profissionais, sexuais, religiosos. Segundo Martins, Trindade e Almeida (2003) aciência naturalizou o fenômeno da adolescência como sendo um período detormenta: [...] ao caracterizar a adolescência como um estágio do desenvolvimento, deixou-se pouco espaço para as influências do meio. Sendo assim, era natural o adolescente viver uma época conturbada e não havia muita coisa a fazer para mudar sua característica, perspectiva essa que se incorporou ao pensamento social orientando as concepções mais tradicionais de adolescência (p. 556). 19
  20. 20. O desenvolvimento humano é, em geral, compreendido tanto na literatura científicaquanto nas teorias de senso comum, como uma sucessão de fases que caminhamrumo a um objetivo final. A Psicologia, durante muitos anos, limitou o estudo dodesenvolvimento humano à infância e à adolescência. Parece subjacente a essapostura a concepção de que a vida adulta seria o “período ótimo”, no sentido doápice do desenvolvimento. Todas as outras fases seriam avaliadas em função domodelo adulto. É inevitável a confusão acerca de todas essas escolhas de papéis.Como um adolescente é mais em gosto e aceita a maturidade de seu corpo começaa usar seu próprio julgamento, aprender a tomar decisões independentes e enfrentaseus próprios problemas, começa a desenvolver um conceito de si mesmo como umindivíduo. Conseqüentemente, eles desenvolvem uma identidade. No entanto,quando são difíceis os conflitos de definição sobre sua personalidade, suaindependência e sexualidade, o adolescente não pode desenvolver um conceitoclaro de auto ou uma identidade.A partir das interações estabelecidas ao longo de sua vida, o sujeito não apenasreconstrói representações acerca de objetos sociais, mas também acerca de sipróprio. Berger e Luckmann (1973) referem-se ao processo de construção daidentidade como tendo duas faces - a identidade objetivamente atribuída e aidentidade subjetivamente apropriada. Assim sendo, os outros vão mediatizando eatribuindo significados ao sujeito diferenciando-o dos demais e este, por sua vez, vaise apropriando e reconstruindo tais significados para formar as representações,sentimentos, idéias e opiniões acerca de si mesmo, constituindo, assim, suaidentidade.3.2.3 - A autoestimaA autoestima é definida como os sentimentos que uma pessoa tem sobre si mesmoe é determinado pela resposta à pergunta "Como Eu gosto do que eu sou?". Naadolescência ocorre com freqüência reduzida autoestima aumentada devido àexpressão do mudanças que ocorrem, os pensamentos que surgem e as diferentesmaneiras pensar sobre as coisas. Durante este período, os adolescentes tornam-semais pensativo sobre quem são e quem querem ser e observar as diferenças entre 20
  21. 21. o modo como eles agem e como pensam que deveriam. Uma vez que você começaa refletir sobre suas ações e características, se confrontado com a percepção de simesmos. Enfim, um conjunto de características que têm sido tomadas como umasíndrome normal da adolescência (Aberastury & Knobel, 1981).Uma das mudanças que ocorrem na autoestima, relacionada à faixa etária, é umaredução livre, no início da adolescência, vendo, posteriormente, a elevar-se demaneira constante e substancial. Lá pelo final da adolescência, o indivíduo de 19 ou20 anos possui uma idéia bastante mais positiva de sua auto-valia global do quepossuía aos 8 ou 11 anos. A breve queda na autoestima, no início da adolescência,pode estar associada não tanto à idade, mas à mudança de escola (ou dos “graus”numa mesma escola), ao mesmo tempo em que se dão as variações da puberdade.Pesquisadores observaram isso especialmente entre estudantes que passaram parao início de uma escola de segundo grau.Quando o processo de transição é mais gradativo, tal como o que se dá na escolaintermediária, que inclui da quinta à oitava série, não ocorre uma queda semelhantena autoestima, no início da adolescência. Conceitos de papel sexual naadolescência: crianças com 7 e 8 anos parecem tratar das categorias de gêneroscomo se fossem regras fixas; os adolescentes, vêem que uma ampla gama decomportamento ocorre entre os membros de cada grupo sexual. Andróginos –descrevem-se como possuidores de traços masculinos e femininos nãodiferenciados – descrevem a si mesmos como carentes de ambos. Olhe para osadolescentes, muitas vezes dão mais importância ao sentimento atraente e, setiverem sucesso, a autoestima diminui.3.2.4 - ComportamentoSabemos que os adolescentes têm a mudanças bruscas e rápidas na sua estruturafísica, este deve ser adicionado ao desenvolvimento das características deconsciência própria, sensibilidade e preocupação com suas alterações próprias docorpo, a tempo e excruciante comparação entre si. São possíveis que as mudançasfísicas não ocorram sob a forma síncrona, os adolescentes podem passar por fases 21
  22. 22. de constrangimento, tanto em termos de aparência e mobilidade física ecoordenação. No caso das adolescentes devem evitar o sofrimento desnecessário,se não for informado e preparado para a menarca (o início dos períodosmenstrual), o mesmo acontece com os adolescentes como deveriam fornecerinformações oportunas e precisas e se preparar para o início das relações em paresAssim, as relações humanas são determinadas pela cultura, mas, ao mesmo tempo,o ser humano também interfere e a modifica. Portanto, a sexualidade é um conceitocultural dinâmico que está em constante mutação. O adolescente normal vivemomentos progressivos e regressivos em função das tensões internas e externasque enfrenta. As tensões internas são as modificações próprias da adolescência, oprocesso puberal e outros aspectos. As externas referem-se à relação doadolescente com as exigências da família e da sociedade.O adolescente tem dificuldade de expressar seus sentimentos em palavras, e ofazem através da ação. Só aos poucos vão se organizando mentalmente e podendose expressar num discurso verbal coerente com sentimentos e ideias. Seguindo asideias de Aberastury e Knobel (1992), a adolescência é uma etapa de crise que éessencial para a formação da identidade adulta, marcada por sofrimento,contradição e confusão. A adolescência é um período de desequilíbrio einstabilidade, que configura uma “entidade semipatológica”, que denominaram de“síndrome normal da adolescência”. Osório (1992) definiu essa etapa como umacrise vital, na qual “... culmina todo o processo maturativo biopsicossocial doindivíduo”. Complementando, Kalina (1979) defendeu que é “... um processocomplexo, desenvolvendo-se por prolongado período, que se caracteriza porfenômenos progressivos e regressivos, produzida de forma simultânea ou alternadae abarcando todas as áreas da personalidade – corpo, mente e mundo externo”.Ainda segundo esse autor, adolescência deve ser compreendida como umfenômeno psicológico e social, no qual se observa uma dinâmica psíquicacaracterística do adolescente, que assume formas de expressão diferenciadaconforme o ambiente socioeconômico. Sua elaboração dependerá das aquisições dapersonalidade durante essa fase, das características histórico-genéticas e dos meiossocial e familiar. 22
  23. 23. É preciso que a família e a sociedade não criem expectativas por que jovens têm dedemonstrar a necessidade de separação e estabelecer sua própria identidade. Senão entendem este processo como normal, em algumas famílias podem surgirconflitos significativos sobre os adolescentes os atos ou gestos de desafio e sobreas necessidades dos pais para manter o controle e fazer a jovens continuam comcomportamentos de obediência de sua infância passados. Como os adolescentesse afastam dos pais em busca de sua própria identidade, o grupo de amigos oucolegas tem um significado especial, pode tornar-se um paraíso "seguro", no qual oadolescente pode testar novas idéias e comparar o seu próprio crescimento físico epsicológico.3.2.5 - A segurançaO mundo da adolescência está ligado às atividades de risco e insegurança e àintegridade física. Problemas de segurança em adolescentes decorrem de aumentoda força e agilidade que podem desenvolver antes de adquirir as habilidades paratomar decisões ótimas. A forte necessidade de aprovação pelos pares, juntamentecom os mitos "de adolescência", poderia causar ao jovem força para tentar atosarriscados e participar de uma série de comportamentos perigosos: de condução,esportes radicais, uso de substâncias. Se os adolescentes parecem ser isolados deseus pares, não têm interesse em escola ou nas atividades sociais ou mostrar umadiminuição repentina no trabalho escolar, ou esporte, seria motivo para exigir umaavaliação psicológica. Infelizmente, muitos adolescentes estão em alto risco dedepressão e potencial suicídio devido às pressões e conflitos que possam surgir nafamília, escola, organizações sociais e as relações íntimas. Vamos olhar para asegunda abordagem alusão ao topo lidar com mudanças de desenvolvimento nasrelações familiares. Ao passo evolutivo, são necessários para alcançar aemancipação do adolescente na família que eles se tornam jovens adultosindependentes. Na adolescência, o indivíduo percebe que, para ele os adultossignificativos não têm todas as respostas ou todas as soluções, para certo grau derebelião contra os pais é comum e normal. 23
  24. 24. No início do puberdade, as meninas são muitas vezes em desacordo com suasmães. Adolescentes do sexo masculino, especialmente aqueles que amadurecemcedo, também tendem a discordar mais com suas mães do que com seus pais.Estes conflitos diminuir ao longo do tempo, embora a relação de mãesadolescentes tende a mudar mais do que eles têm com a sua Os pais. É provávelque, à medida que se tornar independente dos seus pais, adolescentes a procurar oconselho do pai do mesmo sexo. Nesta fase da vida ocorre a emancipação psíquicado jovem de seus pais. Esta emancipação é mais ou menos traumática no modeloda autoridade parental (mais ou menos autoritária), o tempo estirpe, no entanto,sempre ocorre, há sempre uma separação. Os jovens tentam separar aindependência, mas também se sente saudade de proteção paterna. Deste modo,produzem uma tensão entre estes dois sentimentos. O adolescente está em umasituação ambígua, o que Hoje também é estendido por razões socioeconômicas eculturais.Como intensificar relações com os pares do sexo oposto, algo caiu sobre a relaçãocom o próprio sexo. Finalmente, em relação ao aspecto social do adolescente eseus amigos, Devo dizer que é verdade que os pais deixam de influenciar oadolescente, suas decisões ou seu modo de vida. Nem a influência de amigos émais intensa do que o pai. Neste conceito pode propiciar ao adolescente condiçãode, identificar e expressar seus sentimentos, usufruir de intimidades e prazer, saberdefender-se de possíveis vínculos de explorações e manipulações, escolheremdentro de suas possibilidades seu modo de vida e de convivência, desenvolverrelacionamentos significativos. (GUIA DE ORIENTAÇÃO SEXUAL, 1994.p.31).3.2.6 – ReligiosidadePode-se dizer que a característica mais marcante do espírito religioso daadolescência é, certamente, a dúvida. Na infância, a orientação religiosa não atingeo âmago do individuo, porque ele é altamente egocêntrico e o centro de sua vida,obviamente, não pode ser nada mais do que ele próprio. Além disso, a mente, nãopode ser nada mais do que ele próprio. Além disso, a criança não tem, antes daidade juvenil, condições nem necessidades de refletir sobre suas origens, seu Eu, 24
  25. 25. sua vida, sua morte, seu Deus. Na adolescência, porém, a necessidade e o impulsopara explicar o universo levam o jovem, num curso inevitável, às reflexões sobre aexistência de Deus e uma vida interior agitada, rica e confusa se exalta agora. Esteinteresse especificamente religioso predispõe o adolescente a convencer de queDeus existe e que dele promana toda a Vida. Esta predisposição mística, entretanto,não o põe a salvo das dúvidas, muitas vezes martirizantes. A participacao emgrupos religiosos, portanto, pode ser analisada como um importante vetor para aconstrução de identidades juvenis, representando espaco importante de agregacaosocial nessa fase de vida. (NOVAES e MELLO, 2002).Como tudo o mais, o jovem tem que descobrir sozinho, o que o induz a romper comas idéias tradicionais sobre a divindade e os destinos transcendente do homem.Acredita-se que o adolescente cria um novo universo de palavras para expressar aimagem divina e adota, para com ela, atitudes e vivência inéditas. Cada qual viveDeus à sua maneira e, por reverência ao centro personalíssimo da emoção – cujoconteúdo aparece como totalmente original e próprio – o jovem rebela-se facilmentecontra a religião objetiva como tal. Esta separação origina conflitos e desesperança,além de angustiantes dúvidas de natureza intelectual. Não raro, o adolescente, talcomo grande número de adultos, acredita que a divindade exista não só para criar emanter o universo, mas também para atender às necessidades humanas. Portanto,a esperança mágica é a crença nos milagres de que, de orações, se consiga deDeus os favores desejados. Muitos adolescentes se apóiam nessa fé, mas grandeparte deles contra ela se rebela violentamente.Portanto, a esperança mágica aos poucos cede lugar às reflexões mais profundas. Afé na magia sofre, então, grande comoção e, novamente, ocorre outra ruptura entreo espírito religioso e as tradições dogmáticas. Um vazio desesperador se expande ea decepção se consolida. O jovem abandona as orações e as práticas religiosas. Nofundo do seu ser, movimenta-se uma vigorosa vida mística, agora radicalmenteseparada do comportamento religioso tradicional. Entretanto, ainda quedesvinculado da prática religiosa, o adolescente vive dúvidas imensas e conflitoséticos intermináveis. Esta segunda fase da evolução do espírito religioso, marcadapela indagação, a dúvida e o desespero, é indispensável à formação das convicções 25
  26. 26. religiosas da idade adulta. Não é pecado, nem heresia, nem blasfêmia, duvidar daexistência e das qualidades de Deus. Neste período, as dúvidas são tormentosas enecessárias à evolução do espírito místico.3.2.7 – ComunicaçãoIncluso ao conceito comunicação, já que esta é um elemento que permite o serpassar informações quantos aos sentimentos, é necessário que o orientadorencontre uma metodologia que possa prover ao aluno a oportunidade de expressare refletir seus próprios valores e sentimentos afetivos presentes em seusrelacionamentos. Por meio da comunicação o individuo é capaz de encontrarcaminhos para a tomada de decisões, buscar ajuda, negociar os resultados eestabelecer assertividades em suas relações. Cabe ressaltar que atualmente asfamílias vêm se deparando com inúmeras mensagens de apelo sexual nos meios decomunicação e como apontam LOPES & MAIA (1993) o corpo e a sexualidade têmsido usado exaustivamente para divulgar e vender “desde sabão em pó até toalhasde banho”, tornando-se produto consumível.Essa banalização da sexualidade tem dificultado a tarefa de educar, de associarsexo a afeto, responsabilidade e promoção da saúde. Diante dessa realidade, asexualidade deve ser um tema de discussão e debate entre pais, educadores eprofissionais de saúde, tendo como objetivo encontrar maneiras de informar eorientar os jovens para que protelem ao máximo sua iniciação sexual, tenhamresponsabilidade, autoestima e pratiquem sexo com segurança. Na comunicação oindividuo pode pensar e avaliar alternativas e conseqüências, buscar informações,ser responsável em suas decisões, reconhecer na comunicação uma forma deexpressar seus relacionamentos, saber se tornar receptível diante das mensagensde outros e com isso ampliando sua visão de mundo, identificar os valoressocioculturais e posicionar-se em relação a eles. (GUIA DE ORIENTAÇÃO SEXUAL,1994.p.47).De acordo com o guia de Orientação sexual, o ser humano pode ser influenciadopelos valores e se modificarem interagindo diferentemente. Comunicação não são 26
  27. 27. apenas as palavras e gestos expressivos, como também os comportamentos eatitudes que levam a assertividade, isto é, a capacidade de dizer sim ou não aosfatos cotidianos. Como subdivisão deste conceito, está à negociação por meio doqual o individuo é capaz de enfrentar os problemas e de ser encorajado a buscarajuda se preciso for, ajuda essa que pode vir de um membro familiar, de umresponsável ou mesmo de um profissional especializado.3.2.8 - Saúde sexualSaúde sexual se refere a todos os cuidados básicos com o corpo sejam de higiene,de preservação, de tratamentos ou de prevenções. A proporção de adolescentesenvolvidos em atividade sexual diminuiu ao longo das últimas décadas. Apesar daatenção crescente para prevenção e educação em saúde, dados recentes indicamque as taxas de gravidez indesejada e doenças sexualmente transmissíveispermanecem mais altas em adultos jovens do que adultos mais velhos e maiores empaíses mais desenvolvidos. A sexualidade é elemento constitutivo do adolescente, jáque é um atributo inerente ao ser humano, que se manifesta independentemente dequalquer ensinamento; ela representa a forma como o indivíduo se comporta, pensaou agi. Faz parte da construção e expressão da personalidade do indivíduo. Resultada integração dos componentes biológico, psicológico, social e cultural.(FAGUNDES, 1995). A sexualidade é o nome que se pode dar a um dispositivo histórico: não à realidade subterrânea que se apreende com dificuldade, mas à grande rede de superfície em que a estimulação dos corpos, a intensificação dos prazeres, a incitação ao discurso, à formação dos conhecimentos, o reforço dos controles e das resistências, encadeiam-se uns aos outros, segundo algumas grandes estratégias de saber e de poder (FOUCAULT, 1999, p.100).A sociedade tende a reduzir a sexualidade à sua função reprodutiva e genital.Sexualidade e reprodução são processos que se expressam graças a órgãosespecíficos do ser humano e por isso tem uma estreita relação, mas são coisasdistintas. Reprodução é o processo pelo qual a vida é gerada, e sexualidade é muitomais do ser apto para procriar e apresentar desejos sexuais; intimidade, afeto, 27
  28. 28. emoções, sentimentos e bem-estar pessoal, decorrentes da história de vida de cadaum (FAGUNDES, 1992).Por isso requer uma informação adequada e a busca de ajuda em órgãos de saúdee profissionais especializados. De acordo com o Guia de Orientação Sexual, pormeio das reflexões de mensagens propostas neste conceito o aluno tem condiçõespara conhecer seu próprio corpo e aprender a cuidar dele, reconhecer que a saúde écondição necessária para usufruir de sexo com prazer, escolher um métodoanticoncepcional eficaz as suas características pessoais, evitar a contaminação dedoenças transmissíveis, buscarem acompanhamento médico e outrosprocedimentos como o autoexame, no sentido de prevenir doenças, etc. (GUIA DEORIENTAÇÃO SEXUAL, 1994.p.71).4 - Sociedade e culturaSexualidade em si, ao ser abordado no contexto geral, pode-se dizer que esta éinfluenciada pelos processos históricos, como também é moldada pelo meio social econseqüentemente efetivada conforme os elementos culturais em que o ser estáinserido. Quando se trata de sexualidade humana, é muito difícil chegar a umadefinição única para toda a sociedade, principalmente porque se acredita estarrelacionado apenas ao mundo privado. Mas a sexualidade, tanto como qualqueroutro tipo de interação entre duas ou mais pessoas, é regida por leis e costumesculturais da sociedade, que garantem o convívio social. Segundo Cohen (1993), nãose pode falar em sexualidade sem se falar em cultura, pois se trata de umaprodução social e cultural.Compondo o Guia de Orientação Sexual as mensagens levam a reflexão de temasque dão oportunidades de expressões e condições para: Vencer tabus epreconceitos, respeitar valores e estilos sexuais diferentes, exercer a cidadania seposicionando quanto às questões sexuais, defender o direito de todos quanto aoacesso às informações precisas de sexualidade, evitar discriminações ecomportamentos intolerantes, evitarem estereótipos a respeito da sexualidade, 28
  29. 29. avaliar os impactos das informações advinhas do meio social com referencia asexualidade. (GUIA DE ORIENTAÇÃO SEXUAL, 1994.p.89).Outro aspecto a considerar é a necessidade de conscientização de que asexualidade tem relação com os processos artísticos e é um direito fundamental quese respeitado com certeza garantirá a aquisição da autonomia e da cidadania.Somente por meio da conscientização da sociedade pode se trabalhar as crenças esentimentos, os tabus e preconceitos, pois é da sociedade que vem o papeldeterminante o qual influencia a cultura vigente.5 - Adolescentes e Início da Vida SexualVale mencionar que, jovens que têm vida sexual mais ativa em geral são os menosinformados. A ausência de informações corretas poderá levar o jovem a problemasde sexualidade ou a dificuldades emocionais. Diante disso, os rapazes, geralmente,acham-se sabedores de sexo, mas mostram intensa curiosidade velada quando sefala sobre o assunto. Paradoxalmente, dão uma grande importância á sua vidasexual ativa e, na mesma proporção da amostragem pesquisada, valorizam avirgindade da moça com a qual irão se casar. Sua primeira relação sexualnormalmente ocorre em prostíbulos, casas de massagem, com empregadasdomésticas ou, mais raramente, com as namoradas. (entre os treze e quinze anos).(VASCONCELLOS,1997). Cohen e Fígaro (1996) definiram relação sexual como “...um tipo particular de relação social, possuindo limites individuais e sociais. Osparâmetros sociais, dependendo da época e da cultura, sofrem variações, podendoser aceitos ou não pelos indivíduos. Muitos conflitos sexuais surgem da nãoaceitação dos tabus que a sociedade criou sobre a sexualidade humana, gerandocerta dificuldade para pensarmos sobre o que poderia ser considerado como normalou como patológico, em uma relação sexual”. Assim, as relações humanas sãodeterminadas pela cultura, mas, ao mesmo tempo, o ser humano também interfere ea modifica. Portanto, a sexualidade é um conceito cultural dinâmico que está emconstante mutação. 29
  30. 30. Desta forma, “os rapazinhos são pressionados pelo grupo e, muitas vezes, pelaprópria família, que lhes dizem que não será homem enquanto não tiver relaçõessexuais.” (VASCONCELLOS,1997,p.210). Outro aspecto é a necessidade dosjovens de provar a identidade sexual de macho e não correr o risco de ser chamadode “bicha, viado, bambi ou baitola”. A iniciação sexual e destacada como um rito depassagem, envolvendo distintos trânsitos entre a infância, a adolescência e ajuventude (CASTRO, 2004). Em tal caminho se da à afirmação da masculinidade(NOLASCO, 1993), modelagens sobre feminilidade e a busca por autonomia, o queno senso comum se traduz como o tornar-se homem e o fazer-se mulher,perpassando portanto, sentidos diversos como o que se entende por masculino,feminino e as realizações das trocas afetivas.Cabe mencionar que, os jovens vão tendo experiências e adquirindo desenvoltura.Envolve-se com moças, que na maioria das vezes nada significam para eles comopessoas. Interessam-se apenas pelo corpo ou para dar vazão à sua carga erótica.Logo, o medo das primeiras vezes vai sendo substituído pela segurança ecompetência. Comentará com os amigos. Contará vantagens. Terá status degaranhão. Por outro lado, também há rapazes absolutamente normais, que nãoprocuram se relacionarem genitalmente. Seja qual for o motivo, deverão serrespeitados na sua opção. No entanto, as moças geralmente são mais românticas,iniciando seu relacionamento sexual com mais idade que os rapazes. Quase sempreo fazem por amor ou (na periferia ou no interior) como prova de amor.A sexualidade tem sido abordada, por vezes, de uma forma insuficiente e simplista,disseminando uma concepção antiga que a articula com reprodução, referindo-se aocontato entre os dois órgãos genitais e à penetração do pênis na vagina, restringido-a assim ao coito. Além disso, pouca importância tem sido dada aos cuidados com ahigiene corporal e métodos contraceptivos, especialmente no que se refere ao usodos preservativos, como também a métodos profiláticos para com as doençassexualmente transmissíveis, em geral, AIDS, em particular (RIBEIRO, 1993).Uma vez provado, o envolvimento do par termina, principalmente se houvergravidez. As jovens querem ser amadas, tem medo de perder o namorado e, na 30
  31. 31. maioria das vezes, terão um ato sexual sem prazer. Outras moças envolvem-se poringenuidade, promessas, falta de informação, para agredir aos pais que lhes negaminformações, diálogo e carinho. Eles misturam a fantasia das novelas com a vidareal. Com tudo isso, os padrões comportamentais mudaram. Atualmente, muitosnamoros começam já pelas intimidades, toques e beijos. Tudo muito rápido, o maisrápido possível. Antes mesmo de saber o nome da pessoa com quem está.Entretanto, ainda há exceções. Outra causa de aceleramento da iniciação sexual éque a preparação para a vida profissional é muito longa.Nas classes mais privilegiadas, os estudos se prolongam e os jovens se casarãomais tarde, pois o inicio da vida profissional é bem mais tarde que nos meioshumildes. Nas classes mais simples, pode-se dizer que nem a adolescência existe.Quantos jovens de dose, quatorze anos já sustentam famílias! Desta forma, osjovens ficam curiosos para saber como é “transar”. Afinal, é um assunto tão falado.Os rapazes recebem a permissão social e familiar para transar e buscam o prazerfísico exclusivamente, as moças têm dificuldades quanto à família, à reputação, aomedo de serem abandonadas pelo rapaz, à questão da virgindade, da gravidez, doaborto. Pode-se dizer até, que é um ato abusivo. Como são meio crianças, nãosabem lidar com as perdas emocionais e, no caso das moças, da perda física (ohímen). Não há maturidade. Não sabem que a intimidade verdadeira é umaconquista progressiva.Não tem papel sexual definido, e o local escolhido, em geral, é inadequado. Ocorretudo muito depressa, o que poderá gerar condicionamentos impróprios para a suavida futura. Antes de iniciar a vida sexual, os jovens, homens e mulheres, deverão ser orientados e esclarecidos pelos pais e mestres. Se eles perguntam, não quer dizer que estão querendo fazer, e se nós os informamos, não estamos dando permissão. A postura dos adultos deve ser a de esclarecer sem permitir ou reprimir. (ABERASTURY, 1992, p.213)Enquanto os jovens aguardam o momento certo e a pessoa certa, precisam receberesclarecimentos e informações por meio de conversas sobre os medos, as dúvidas,as pressões familiares e sociais. Dialogar com eles também sobre amizade, amor, 31
  32. 32. namoro e envolvimento. Dentro deste aspecto, os jovens terão de compreender queseu corpo lhes pertence e que poderão escolher se querem ou não ter relaçõessexuais, contando que estejam conscientes das conseqüências desse seu ato. Arelação sexual humana não pode reduzir-se ao prazer egoísta. Ela está a serviço doamor efetivo, verdadeiro, duradouro. Faz parte de um relacionamento maduro,compromissado, e que envolve a totalidade da vida das pessoas. A busca egoístado prazer não realiza, nem satisfaz as aspirações mais profundas do ser humano.Não se sabe quando é o momento certo de iniciar a vida sexual. Cada um terá dedescobrir o seu. Cada pessoa tem o seu momento certo; por isso, é preciso refletirpara descobri-lo. É importante criar expectativas. Vou entregar-me à primeira pessoacom a qual me envolver emocionalmente. Não será mais gratificante esperar atéencontrar a pessoa com a qual pretendo me casar para construir família. O que meleva a ter relações sexuais antes do casamento Minha opção baseia-se emconvicção profunda ou deixo-me levar pelas pressões sociais (GOLBERG, 1988,p.214). Estas e muitas outras questões devem ser analisadas antes de se tomarqualquer decisão neste sentido. O momento certo, o melhor momento para seráaquele no qual ambos tiverem certeza de estarem juntos construindo a própriafelicidade. Não a felicidade que se reduz a mais um orgasmo, mas aquele queenvolver e se realiza em todas as dimensões humanas.6 - Adolescente e AnticoncepçãoEnsinar sobre anticoncepcionais significa permitir relações pré-conjugais, nemincentivar ou estimular seu uso. Visa informar e prevenir. Vale ressaltar que osjovens interessam-se muito em saber quais os métodos para evitar uma gravidezprecoce e um provável aborto. Como atualmente vive-se numa época de grandeliberação sexual, será preciso questionar os jovens se este é o melhor caminho queos torna mais felizes e realizados como pessoas. Não será, antes, a expressão deum vazio existencial e uma falta de sentido na vida. Assim, as informações quemuitos jovens têm são errôneas ou deturpadas. Existem adolescentes que tomamuma pílula na hora coito ou colam-na vagina pensando que desse modo podem 32
  33. 33. evitar uma gravidez. Diante disso, a moça, muitas vezes, envolve-se numrelacionamento sexual para comprovar sua identidade feminina.Entretanto, não se protege usando anticoncepcional, porque supõe que se nãoquiser não vai se engravidar. Para evitar um sentimento de culpa, não usaanticoncepcional, acreditando que, se o fizer, estará premeditando o uso de seucorpo. Por sua vez, os rapazes acham que usando camisinha de Vênus a relaçãonão tem graça, e que o ato fica como se estivesse comendo bala com o invólucro. Édifícil conscientizar os jovens a respeito da anticoncepção. Pais e mestres nãopodem e não devem sonegar informações. É preciso deixar os preconceitos de ladoe orientar os jovens, mostrando que o que acontece no relacionamento de um casalé da responsabilidade dos dois, e não somente da mulher. Deve-se conscientizar deque o aborto, principalmente o clandestino, é muito pior do que a anticoncepção.Pais e mestres precisam ser instrutores dos jovens. Se não o forem, será obalconista da farmácia, serão os amigos ou vizinhos. Aprenderão fatalmente deforma errada, utilizarão métodos errados e serão vitimas da desinformação.7 - Reações da adolescente frente à gravidezSegundo Tiba (1994, p. 333) nessa fase da vida que se vivenciam as grandesmudanças, sendo estas tanto físicas mentais como espirituais. A adolescente passapor uma profunda desestruturação da personalidade que com o passar dos anos vaise estabelecendo. Ela ainda ressalta que quando a adolescente sente que estágrávida, ela geralmente se desespera, se essa gravidez não tiver sido planejadasurgem vários sentimentos. Onde mistura emoção, raiva, sendo a mulher maisemotiva e sabe que dentro de si vai formar um novo ser. Assim aparece um grandeconflito que já faz parte de sua formação. Mesmo em situação normal a gravidezgera um impacto para qualquer mulher, por que junto com ela vêm as mudançasfísicas inevitáveis. A mulher tem consciência que seu corpo mudará por algunsmeses, que precisará ter mudança de rotina, de alimentação, atividades físicas eprincipalmente acompanhamento médico. Dentro deste contexto surgem muitasduvidas para as adolescentes grávidas. 33
  34. 34. Gravidez na adolescência é um assunto bastante atual tanto no ambiente dapsicologia quanto no da enfermagem e medicina, principalmente por implicações. Aadolescência em si já é um processo de mudanças tanto física, como psicológica.Ter um bebê é uma decisão bastante difícil que envolve muitas renúncias, por isso oapoio tanto da família da menina, como do rapaz e de sua respectiva família é degrande importância, tanto pelo lado financeiro como emocional. Além disso, não sepode esquecer que a sexualidade precoce é um comportamento de risco, e agravidez não planejada é apenas uma se suas conseqüências como a contaminaçãoda Síndrome da Imunodeficiência Adquirida – AIDS ou SIDA e outras DoençasSexualmente Transmissíveis – DSTs. O fenômeno da gravidez na adolescência nãoé novo. Novas são as formas de compreendê-lo, segundo o pensamento dasociedade ocidental moderna. A análise deste fenômeno nas camadas popularesexige um entendimento que depende das determinações econômicas esocioculturais, bem como dos diferentes valores de cada segmento que interagemem nossa sociedade. (MENEZES, 1996, p. 63).As problematizarão acerca dessas temáticas são infindáveis. Perguntas que foramperguntas, perpassando temas tão complexos, paradoxais, enigmático, polêmico, emuitas vezes proibidos e prazerosos em que se experimenta o prazer de saber eproduz-se o saber sobre o prazer nos espaços das instituições em que se promovemas significações. É essa a grande questão saber responder corretamente e na horacerta os questionamentos sobre sexo, não ultrapassando os limites impostos pelasociedade, mas não deixar de esclarecer que sexo é coisa natural, mais deve serpraticado com responsabilidade e isso requer aprender e pensar no futuro que cadaum quer para sua vida. Isso tudo é um desafio para o jovem, ultrapassar limitesimpostos pelo mundo e aguçar o olhar para as relações entre poder-saber-verdade,significa assumir a sexualidade e a responsabilidade é indissociável e requernavegar entre tensões, contradições, aceitar ou não as idéias prontas, e jamais serestringir ao binarismo. Requer aprender com Foucault (1999) que o mínimo deliberdade de que dispomos para atuar cotidianamente nas dentro desta revoluçãoque é nosso corpo requer sabedoria, responsabilidade, requer pensar que osconhecimentos considerados “verdadeiros” sobre a natureza humana produzida 34
  35. 35. pelas ciências biológicas e médicas que possibilitam a implantação de rumos é sósabe a cada um tomar essa decisão.A medicina higieniza dava assistência permanente à família e à escola para que asatividades e relação aí presentes não se tornassem geradora de desajuste, cuidandoeducando para que meninos se tornassem homens e meninas e tornassemmulheres, com características muito demarcadas: docilidade e submissão parameninas; esperteza e agitação para os meninos (RIBEIRO, 1996, p. 299). Contudo,o grande desafio é este: atentar que o movimento que produz dominação dos corpospode também produzir resistência. E essa luta deve reivindicar o direito à diferença econtrapõe-se aos mecanismos completos de aceitar tudo que lhe proposto, explora edominação, presença na vida cotidiana sobre a forma de categorizaçãoindividualização, identificação e imposição de uma verdade, assim deve-se ficaratento a tantas perguntas e inquietação dos jovens que na adolescência se senteperdido e deve ser apoiado pelos adultos que já passaram por isso. Quandoacontece a gravidez indesejada as adolescentes se sentem traída por ela mesma, eàs vezes tomam decisões que complicará mais sua vida, também colocam culpasnos que te rodeiam.8 - Complexo de ÉdipoEle constitui o outro pólo da evolução da criança. Entre quatro e cinco anos, ela, quetem conhecimento intuitivo das coisas, percebe que seu pai e sua mãe diferem noplano genital e mantêm um com o outro uma relação da qual é excluída. Uma partedo bolo não lhe pertence, por culpa de um terceiro que se interpõe entre sua mãe eela. Ora, o embaraçoso é que esse rival é seu pai. Impossível entrar em conflitoaberto com ele sem pôr em questão seu amor filial; por outro lado, a criança percebemuito bem que não poderá rivalizar em força com esse gigante. Perderia as penasse arriscasse. Vê-se claramente o que há de essencial nesse conflito: a forte atraçãoda criança pelo progenitor do sexo oposto e a surda agressividade implicada por suarivalidade amorosa. Portanto, não se pode entender a atração sexual na criança nosentido genital da maneira como ela ocorre na puberdade. Esse prazer damanipulação demonstrará o despertar das zonas erógenas, a criança gosta do 35
  36. 36. carinho e pedirá carinho. Ocorre que a ligação afetiva mais forte e a pessoa em queela mais confia é a mãe, e neste caso não é estranho que a criança espere e exijacarinho da mãe. Essa ligação carinhosa e afetiva entre mãe e filho é que irápropiciar a caracterização do complexo de Édipo como nos fala Rosa apud Freud(1994:106): “Para o menino, objeto da pulsão é a mãe, ou melhor, mãe fantasiada.para a menina o objeto é inicialmente fantasiado e depois no 2º tempo o pai”.Pode-se afirmar que de forma inconsciente a menina procura agradar o pai, vistoque, o tem como objeto de pulsão, por outro lado, o menino faz de seu pai um idealem que ele próprio gostaria de se transformar. Neste momento, a criança dá umenorme salto a frente, tornando-se capaz de vivenciar emoções mais complexas,pois a sua energia de origem sexual que era exclusivamente no seu próprio corpo,passa a ter um novo objeto, quer dizer a menina sente atração pelo pai, o meninopela mãe. Para a criança é tudo o que ela pode querer de um “casamento”, é ocomplexo de monopólio da afeição pelos pais. Para Oliveira : A situação edipiana pode ser o grande ponto decisivo de sua vida. Pode determinar se lhe será possível, um dia estabelecer relações sexuais satisfatórias com outra mulher ou pode fazer dele um homossexual. Problemas da mesma espécie são enfrentados, quando uma menina chega a vida sexual adulta. Os pais são, portanto, os principais responsáveis pela modelação de seu caráter e lançamento dos alicerces de seus futuros padrões de comportamento. Só através desses padrões já existentes, é que sua sexualidade pode oportunamente encontrar expressão. (1992:11, 17)O conflito se desfaz quando a criança angustiada pela ambigüidade dos sentimentosque nutre pelos pais consegue identificar-se validamente com o progenitor domesmo sexo; com o pai, se tratar de um menino; então voltará seu amor, não maispara a mãe, mas para outra mulher que não faz parte da constelação familiar.A partir desse momento, a criança adota uma adaptada a seu sexo: o meninodedica-se a jogos viris, agressivos, enquanto a menina afirma sua feminilidade,brincando com bonecas ou de enfermeira. Na resolução desse conflito, a atitude dospais é determinante. Um pai demasiado violento pode aumentar o medo e, portanto,a agressividade do seu filho, o que compromete sua necessária identificação comele. Pelo contrário, um pai ausente, fraco ou muito absorvido pela profissão nãopode assumir o papel de rival válido; pode comprometer a evolução do complexo 36
  37. 37. edipiano. Ora, a ausência de resolução do complexo de Édipo está na origem dequase todas as perversões sexuais e tendência à homossexualidade.9 - Considerações FinaisApós essas constatações algumas reflexões são necessárias: Por que temos quelutar para garantir os direitos e a igualdade com relação à nossa vida sexual? Porque o pensamento de que a sexualidade se refere apenas às práticas sexuais, comose elas não sofressem influência social e religiosa, nos restringe a viver sob regras enormas rígidas? Por que essa visão estreita da sexualidade nos coloca sob adimensão do normal e do não normal? Talvez porque vivemos numa cultura, numadada sociedade, que tem expectativas de papéis sociais determinados e que,portanto, preveem comportamentos, valores e sentimentos dentro de certos padrõesdefinidores de normalidade, padrões que regem o que devemos ou podemosaprender, também sobre nossa sexualidade. Entender a sexualidade como umconceito amplo é um pressuposto essencial para ações educativas eficazes, umavez que é necessário pretender abarcar no processo reflexivo as mediações sociais,históricas e individuais presentes na educação sexual, se queremos contribuir para aemancipação dos educandos também nesse campo.Assim, devemos entender que no desenvolvimento dos jovens e adolescentes asaúde sexual implica em assumir as responsabilidades pelas próprias atitudes emrelação à própria vida sexual e à do outro; o desenvolvimento de atitudes reflexivas,conscientes, distantes daquelas que reproduzem os padrões ora vigentes e queespelham uma repressão que se torna um mecanismo de controle social,estabelecido e mantido pela própria sociedade ao longo da história humana,depende de ações educativas que sejam, essencialmente, reflexivas, e que visemao desenvolvimento de uma consciência verdadeira sobre o vasto campo deproblemas sociais, históricos e pessoais envolvidos no exercício da sexualidade.Ao pensar sobre a sexualidade na adolescência costumo ter a imagem metafóricado período de amadurecimento psíquico e adaptações drásticas. Além disso, asconcepções sociais já estabelecidas, com novas responsabilidades e cobranças. Omenino ou a menina na adolescência também vai lidar com um corpo novo e 37
  38. 38. diferente, que muda a cada dia, além das cobranças sociais até entãodespercebidas e isso, em geral, pode causar ansiedade e angústia e exigir certacompreensão social do mundo dos adultos (MAIA, 2003).Diante das mudanças físicas do corpo, cognitivas do pensamento e sociais ospúberes e adolescentes vivem um cotidiano atribulado de ambigüidade desentimentos e emoções em relação à sua sexualidade. São conflitos e dúvidas querefletem um sentimento de temor; medo em não pertencer a um padrão denormalidade socialmente desejável. Este padrão refere-se a estética corporal, aidentidade e ao gênero, a saúde, a beleza, a capacidade de exercer a atração e asedução, a expressão da afetividade e do desempenho sexual. Além disso, vivem demaneira conflituosa as dúvidas em relação ao tamanho dos órgãos sexuais, aodesempenho em uma relação sexual, à virgindade e mesmo à realização de práticassexuais, especialmente quando também se misturam os valores morais e religiososda família.Muitas pesquisas ainda mostram que os adolescentes têm acesso a informaçõesgerais sobre sexualidade, porém ainda revelam informações distorcidas edeturpadas e assumem pouca prevenção quando se referem aos métodosanticoncepcionais, às doenças sexualmente transmissíveis e a temas relacionados àprática da sexualidade. A melhor maneira de lidar com essa situação é, sem dúvida,a prevenção. O que, no entanto, extrapola o nível informativo e depende em grandeparte, de uma educação sexual que favoreça a discussão, a troca de idéias, areflexão, esclarecimentos e a apropriação do saber entre os jovens e os educadores.Neste sentido, não podemos desconsiderar o contexto da puberdade e daadolescência no desenvolvimento. É preciso perceber, compreender e refletir se ecomo os possíveis conflitos na adolescência interferem no cotidiano de jovensmeninas e meninos, também na vida escolar, afetiva e social. Se há esta percepção,como podemos ajudar esses jovens a dialogar e a refletir sobre essas questões? Emque medida tem o conhecimento amplo em relação às teorias do desenvolvimentopara compreender as mudanças físicas e psicossociais dos nossos jovens? Em quemedida tornou as informações sobre sexualidade acessíveis e reflexíveis aos jovens 38
  39. 39. de modo a fazer com que eles extrapolem o mero nível informativo e atuem naformação, na mudança de atitudes favoráveis à promoção da saúde sexual?Uma última reflexão final é necessária: Será possível pensarmos as questões daadolescência sem considerar diferentes contextos sociais e, em muitos casos, comprecárias condições sociais, educacionais e econômicas? A que tipo deadolescência pode nos referir ao pensar nos meninos marginais, infratores emiseráveis? Ao pensar nas meninas pobres, de pouca idade (11, 12 anos), queficam em casa cuidando de seus irmãos mais novos e da casa para que sua mãee/ou pai possam trabalhar fora? Para muitas pessoas, esse período da adolescênciapraticamente não existe. Muitos meninos e meninas, embora sendo crianças,realizam tarefas que correspondem às atividades de um adulto, tendo que assumirresponsabilidades sociais, viver e conviver de forma totalmente diversa, a passagempela adolescência. Em que medida a adolescência que estudamos na literatura atualconsidera as desigualdades sociais e econômicas de muitas sociedades?Faltam estudos, inclusive, que acompanhem o período de adolescentes em famíliasmenos favorecidas economicamente, nos quais a criança é inserida no mundoadulto do trabalho mais cedo e tem menos acesso a bens materiais. Seconseguirmos pensar sobre essas questões, debater o tema da sexualidade comoalgo educativo, dialogar entre diferentes profissionais como trabalhar a sexualidadeem diferentes situações, já seria um grande feito. Acredito que propostas educativassobre sexualidade poderiam contribuir sobremaneira para uma educação sexualemancipatória na adolescência e, sobretudo na promoção de uma vida sexualsaudável e responsável para toda a vida. 39
  40. 40. 10 - Referências BibliográficasABERASTURY, A. e KNOBEL, M. Adolescência Normal. Porto Alegre, Ed. ArtesMédicas, 1992.BAPTISTA, M.N.; BAPTISTA, A.S.D.; DIAS, R.R. Estrutura e suporte familiar comofatores de risco na depressão de adolescentes. Psicol. cienc. prof. v.21, n.2, p.52-61, 2001.BECKER, D. O que é adolescência. 11. ed. São Paulo: Brasiliense, 1994. 98 p.(Coleção primeiros passos, n. 159).BERGER, P.; LUCKMANN, T. A construção social da realidade. Petrópolis: Vozes,1973.CABRAL, J. T. A sexualidade no mundo ocidental. Campinas: Papirus, 1995.CALLIGARIS, C. A Adolescência. São Paulo: Pubifolha, 2000. (Coleção FolhaExplica).CAMPOS, D. M. S. Psicologia da adolescência: normalidade e psicopatologia. 12.ed. Petrópolis: Vozes, 1990.CASTRO, M. et al. Juventudes e Sexualidade. Brasilia: Unesco, 2004.CAVALCANTI, R. C. Adolescência. In: VITIELLO, N. (Org.). Adolescência hoje.Mimeo, 1987.COHEN,C. O Incesto um Desejo. São Paulo, Casa do Psicólogo ed., 1993.COHEN , C. e FÍGARO, C. J. Crimes Relativos ao Abuso Sexual. In: Cohen, C.;Ferraz, F.C.; Segre, M. Saúde Mental, Crime e Justiça. São Paulo, Edusp, 1996,pp.149-170.FAGUNDES, T.C.P.C. Educação Sexual- prós e contras. Revista Brasileira deSexualidade Humana, São Paulo, v. 3, n.2, p. 154-158, 1992.FAGUNDES, Tereza Cristina Pereira Carvalho. Educação sexual: construindo umanova realidade. Salvador: T.C.P.C. Fagundes, 1995.FORUM NACIONAL DE EDUCAÇÃO E SEXUALIDADE. Guia de orientação sexual:diretrizes e metodologia. Tradução e adaptação Grupo de Trabalho e Pesquisa emOrientação Sexual, Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS, Centro deEstudos e Comunicação em Sexualidade e Reprodução Humana. – 7ª Ed. – SãoPaulo: Casa do Psicólogo, 1994.FOUCAULT, Michel. História da sexualidade I: a vontade de saber. Rio de Janeiro:Graal, 1999. p. 100 40
  41. 41. GHERPELLI, M. H. B. V. Diferente, mas não desigual - a sexualidade do deficientemental. São Paulo: Gente, 1995.GOLDBERG, M. A. A. Educação Sexual - uma proposta, um desafio. São Paulo:Cortez, 1988.GTPOS, ABIA, ECOS. Guia de orientação sexual: diretrizes e metodologia (da pré-escola ao 2º grau). São Paulo: Casa do Psicólogo; Fórum Nacional de Educação eSexualidade, 1994, 112 págs.KALINA, E. Psicoterapia de Adolescentes: teoria, técnica e casos clínicos. Rio deJaneiro, Ed. Francisco Alves, 1979, 2a edição.LOPES, G.; MAIA, M. Desinformação sexual entre gestantes adolescentes de baixarenda. Rev. Sexol., v. 2, n. 1, p. 30-33, jan./julho 1993.MARTINS, P. de O.; TRINDADE, Z.A.; ALMEIDA, A. M. de O. O ter e o ser:representações sociais da adolescência entre adolescentes de inserção urbana erural Psicologia Reflexão e Crítica 16 (3), p. 555-568, 2003.MAIA, A.C.B. Sexualidade e Deficiências no Contexto Escolar. Tese de doutorado.Universidade Estadual Paulista: Marília, 2003.MENEZES, Maria Costa Moreira. A gravidez e o projeto de vida. São Paulo. Ed.Artes médicas. 1996.NOLASCO, S. A. O Mito da Masculinidade. Rio de Janeiro: Rocco, 1993.NOVAES, R. ; MELLO, C. Jovens do Rio. Rio de Janeiro: Comunicações do ser, nº.57, ano 21, 2002.OLIVEIRA, M.K. Vygotsky. Aprendizado e Desenvolvimento: Um processosóciohistórico. São Paulo: Ed. Moderna, 1992.OSÓRIO, L.C. Adolescente hoje. 2. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1992.PAPALIA, D.E.; OLDS, S.W.; FELDMAN, R.D. Desenvolvimento Humano. Traduçãode Daniel Bueno. 8a edição. Porto Alegre: Artmed, 2006.PUIG, J. M. Ética e valores: métodos para um ensino transversal. São Paulo: Casado Psicólogo, 1995.RIBEIRO, Antoni Silva, Sexualidade, São Paulo, Ed. Moderna, 1996.RIBEIRO, Marcos (org.). Educação sexual: novas idéias, novas conquistas. Rio deJaneiro: Rosas dos tempos, 1993. 413 p.ROSA, Luiz Alfredo Garcia. Freud e o inconsciente. Rio de Janeiro: Copyright, 1994. 41
  42. 42. SILVA, Tomaz Tadeu. "A poética e a política do currículo como representação."Trabalho apresentado no GT Currículo na 21ª Reunião Anual da ANPED, 1998.TIBA, Içami. Adolescência: o despertar do sexo. São Paulo: Gente, 1994.VASCONCELOS, S. J. S. de. Raízes e caminhos do pensamento piagetiano noBrasil. In: FREITAG, B. (Org.) Piaget: 100 anos. São Paulo: Cortez, 1997.VITIELLO, M. T.; LOUREIRO JÚNIOR, G. R. Aspectos sócio-políticos dasexualidade na adolescência. In: VITIELLO, N. Sexologia II. São Paulo: Roca, 1986.p. 55-57.XAVIER Filha C. Educação Sexual na Escola: O Dito e o Não-Dito na RelaçãoCotidiana. Campo Grande (MS): UFMS; 2000. 42

×