Pessoa com SurdezMirlene Ferreira Macedo Damázio
PresidenteLuiz Inácio Lula da SilvaMinistério da EducaçãoFernando HaddadSecretário de Educação a DistânciaRonaldo MotaSecr...
Formação Continuada a Distância        de Professores para oAtendimento Educacional Especializado            Pessoa com Su...
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PREF˘CIO         O Ministério da Educação desenvolve a política de educação inclusiva que pressupõe a                     ...
APRESENTAÇ‹OA         educação escolar do aluno com surdez é um desafio que estamos demonstrando, por meio                ...
SUM˘RIOCAP¸TULO IEDUCAÇ‹O ESCOLAR INCLUSIVA PARA PESSOAS COM SURDEZ .........................................................
Educação Escolar Inclusiva para Pessoas com Surdez1E        studar a educação escolar das pessoas com                    s...
das formas de representação da surdez como             formuladas, mantendo os processos de normalização                  ...
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Para saber mais......                           PIERUCCI, Antonio Flávio. Ciladas da diferença. São                       ...
Tendências Subjacentes à Educação das Pessoas                    com SurdezA         s tendências de educação escolar para...
total, em favor da modalidade oral, por exemplo,       são utilizadas no mesmo espaço educacional.                        ...
As posições contrárias à inclusão de alunos     adquirir a oralidade e a escrita, porém, dizer que nãocom surdez tomam com...
Para saber mais...                                                               BUENO, José Geraldo Silveira. Diversidade...
O Atendimento Educacional Especializado para os  Alunos com Surdez: uma proposta inclusivaO           trabalho pedagógico ...
O planejamento do Atendimento Educacional          Momento Didático-Pedagógico:                                           ...
O     planejamento     do     AtendimentoEducacional Especializado em Libras é feitopelo professor especializado, juntamen...
P                                                               Professor ministrando aula em Língua                      ...
O Atendimento Educacional Especializadoem Libras fornece a base conceitual dessa língua edo conteúdo curricular estudado n...
Maquete sobre a antiguidade oriental clássica   Recursos pedagógicos para estudo dos sólidos                              ...
No decorrer do Atendimento Educacional                                        Especializado em Libras, os alunos se intere...
Momento Didático-Pedagógico:                          estudo, procurando entendê-los, a partir                            ...
Criação de sinais para termos         científicos.                                                                        ...
34Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Surdez                                                            ...
Sinal criado para                                                                         35  expressar a idéia  do termo ...
Caderno de registro de                                                                           Língua de Sinais.        ...
Aluno utilizando o caderno de registro para explicar                                        termos em Libras          Os p...
• A avaliação processual do aprendizado por       ao da sala comum. O ensino é desenvolvido por um                        ...
• Dinamismo       e   criatividade na           elaboração de exercícios, os quais           devem ser trabalhados em cont...
O Atendimento Educacional Especializado para                   Dessa forma, no Atendimento Educacional                    ...
O professor de Língua Portuguesa em        dicionário ilustrado e livros técnicos. Organizaparceria com os professores da ...
Após o trabalho com o glossário para a                   Para esclarecerem dúvidas e polêmicas sobre                      ...
O Atendimento Educacional Especializadodeve ser organizado para atender também alunos queoptaram pela aprendizagem da Líng...
44     Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Surdez
Com o objetivo de alcançar estruturas               Em resumo, podemos afirmar que:gramaticalmente corretas, insere-se no ...
Para saber mais...                                  FERNANDES, Eulália. Linguagem e surdez. Porto Alegre:                 ...
O Papel do Intérprete Escolar2R                                                                      O que é um tradutor e...
Deficiência auditiva
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Deficiência auditiva

  1. 1. Pessoa com SurdezMirlene Ferreira Macedo Damázio
  2. 2. PresidenteLuiz Inácio Lula da SilvaMinistério da EducaçãoFernando HaddadSecretário de Educação a DistânciaRonaldo MotaSecretária de Educação EspecialCláudia Pereira Dutra
  3. 3. Formação Continuada a Distância de Professores para oAtendimento Educacional Especializado Pessoa com Surdez SEESP / SEED / MEC Brasília/DF – 2007
  4. 4. F icha Técnica C oordenação do Projeto de Aperfeiçoamento de Professores dos Municípios-Polo do Programa “Educação Inclusiva; direito à diversidade” em Atendimento Educacional Especializado Cristina Abranches Mota BatistaSecretário de Educação a DistânciaRonaldo Mota Edilene Aparecida Ropoli Maria Teresa Eglér Mantoan Rita Vieira de FigueiredoD iretor do Departamento de Políticas de Educação a Distância Helio Chaves Filho A utora deste livro: Atendimento Educacional Especializado para Pessoas com SurdezCoordenadora Geral de Avaliação e Normas em Educação aDistânciaMaria Suely de Carvalho Bento Mirlene Ferreira Macedo Damázio P rojeto Gráfico Cícero Monteferrante - monteferrante@hotmail.comCoordenador Geral de Articulação Institucional emEducação a DistânciaWebster Spiguel Cassiano R evisão Adriana A. L. ScrokSecretária de Educação EspecialCláudia Pereira Dutra I mpressão e Acabamento Gráfica e Editora Cromos - Curitiba - PR - 41 3021-5322D epartamento de Políticas de Educação Especial Cláudia Maffini Griboski I lustrações Alunos e professores da Fundação Conviver para Ser - Uberlândia - Minas GeraisCoordenação Geral de Articulação da Política de InclusãoDenise de Oliveira Alves Marcus Vinícius Silva (13 anos) Maria Clara Souza Freitas (14 anos) Mariana Oliveira Gomes (12 anos) Paulo Alberto Fontes Rocha (14 anos) Wesley Alonso de Oliveira (21 anos) Danilo Rischiteli Bragança Silva - Professor em Libras Elaine Cristina B. de Paula Bragança - Instrutora de Libras Fabíola da Costa Soares - Professora de Língua Portuguesa I lustrações da capa Alunos da APAE de Contagem - Minas Gerais Alef Aguiar Mendes (12 anos) Felipe Dutra dos Santos (14 anos) Marcela Cardoso Ferreira (13 anos) Rafael Felipe de Almeida (13 anos) Rafael Francisco de Carvalho (12 anos)
  5. 5. PREF˘CIO O Ministério da Educação desenvolve a política de educação inclusiva que pressupõe a ãotransformação do Ensino Regular e da Educação Especial e, nesta perspectiva, são implementadas diretrizese ações que reorganizam os serviços d Atendimento Educacional Especializado oferecidos aos alunos com de d d l l d f d ldeficiência visando a complementação da sua formação e não mais a substituição do ensino regular. Com este objetivo a Secretaria de Educação Especial e a Secretaria de Educação a Distânciapromovem o curso de Aperfeiçoamento de Professores para o Atendimento Educacional Especializado,realizado em uma ação conjunta com a Universidade Federal do Ceará, que efetiva um amplo projeto deformação continuada de professores por meio do programa Educação Inclusiva: direito à diversidade. Incidindo na organização dos sistemas de ensino o projeto orienta o Atendimento EducacionalEspecializado nas salas de recursos multifuncionais em turno oposto ao freqüentado nas turmas comunse possibilita ao professor rever suas práticas à luz dos novos referenciais pedagógicos da inclusão. O curso desenvolvido na modalidade a distância, com ênfase nas áreas da deficiência física,sensorial e mental, está estruturado para: - trazer o contexto escolar dos professores para o foco da discussão dos novos referenciais para a inclusão dos alunos; - introduzir conhecimentos que possam fundamentar os professores na reorientação das suas práticas de Atendimento Educacional Especializado; - desenvolver aprendizagem participativa e colaborativa necessária para que possam ocorrer mudanças no Atendimento Educacional Especializado. Nesse sentido, o curso oferece fundamentos básicos para os professores do AtendimentoEducacional Especializado que atuam nas escolas públicas e garante o apoio aos 144 municípios-pólopara a implementação da educação inclusiva. CLAUDIA PEREIRA DUTRA Secretária de Educação Especial
  6. 6. APRESENTAÇ‹OA educação escolar do aluno com surdez é um desafio que estamos demonstrando, por meio ar do trabalho de uma escola que abraçou a inclusão, sem restrições e incondicionalmente.O que transparece na sua apresentação são as possibilidades de osalunos com surdez aprenderem nasturmas comuns de ensino regular,tendo a retaguarda do AtendimentoEducacional Especializado – AEE.E sse atendimento é explicitado detalhadamente e nos faz conhecer o que se propõepara quebrar barreiras lingüísticas epedagógicas que interferem na inclusãoescolar dos alunos com surdez. Coordenação do Projeto.
  7. 7. SUM˘RIOCAP¸TULO IEDUCAÇ‹O ESCOLAR INCLUSIVA PARA PESSOAS COM SURDEZ ............................................................ 13 Para saber mais... ................................................................................................................................................................. 16CAP¸TULO IITEND¯NCIAS SUBJACENTES ¤ EDUCAÇ‹O DAS PESSOAS COM SURDEZ ............................................... 19 Para saber mais... ................................................................................................................................................................. 22CAP¸TULO IIIO ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO PARA OS ALUNOSCOM SURDEZ: UMA PROPOSTA INCLUSIVA..................................................................................................... 25 Momento Didático-Pedagógico: O Atendimento Educacional Especializado em Libras na Escola Comum ............................. 26 Momento Didático-Pedagógico: O Atendimento Educacional Especializado para o ensino de Libras ........................................ 32 Momento Didático-Pedagógico: O Atendimento Educacional Especializado para o ensino da Língua Portuguesa................. 38 Para saber mais... ................................................................................................................................................................. 46CAP¸TULO IVO PAPEL DO INTÉRPRETE ESCOLAR ................................................................................................................... 49 Para saber mais... ................................................................................................................................................................. 52
  8. 8. Educação Escolar Inclusiva para Pessoas com Surdez1E studar a educação escolar das pessoas com social e o reconhecimento do potencial de cada ser surdez nos reporta não só a questões humano. Poker (2001) afirma que as trocas referentes aos seus limites e possibilidades, simbólicas provocam a capacidade representativacomo também aos preconceitos existentes nas desses alunos, favorecendo o desenvolvimento doatitudes da sociedade para com elas.1 pensamento e do conhecimento, em ambientes heterogêneos de aprendizagem. No entanto, existem As pessoas com surdez enfrentam inúmeros posições contrárias à inclusão de alunos com surdezentraves para participar da educação escolar, nas turmas comuns, em decorrência da compreensão 13decorrentes da perda da audição e da forma como seestruturam as propostas educacionais das escolas.Muitos alunos com surdez podem ser prejudicados Capítulo I - Educação Escolar Inclusiva para Pessoas com Surdezpela falta de estímulos adequados ao seu potencialcognitivo, sócio-afetivo, lingüístico e político-culturale ter perdas consideráveis no desenvolvi-mento daaprendizagem. Estudos realizados na última década doséculo XX e início do século XXI, por diversosautores e pesquisadores oferecem contribuições àeducação de alunos com surdez na escola comumressaltando a valorização das diferenças no convívio1 Doravante deve-se entender o uso do termo pessoa com surdez como uma forma de nos reportamos a pessoas com uma deficiência auditiva, independente do grau da sua perda sensorial.
  9. 9. das formas de representação da surdez como formuladas, mantendo os processos de normalização incapacidade ou das propostas pedagógicas das pessoas com surdez. desenvolvidas tradicio-nalmente para atendê-las que A inclusão do aluno com surdez deve não consideram a diversidade lingüística. Conforme acontecer desde a educação infantil até a educação Skliar (1999) alegam que o modelo excludente da superior, garantindo-lhe, desde cedo, utilizar os Educação Especial está sendo substituído por outro, recursos de que necessita para superar as barreiras em nome da inclusão que não respeita a identidade no processo educacional e usufruir seus direitos surda, sua cultura, sua comunidade. escolares, exercendo sua cidadania, de acordo com Estas questões geram polêmica entre os princípios constitucionais do nosso país. muitos estudiosos, profissionais, familiares e entre A inclusão de pessoas com surdez na as próprias pessoas com surdez. Àqueles que escola comum requer que se busquem meios para defendem a cultura, a identidade e a comunidade beneficiar sua participação e aprendizagem tanto surda apóiam-se no discurso das diferenças, alegando na sala de aula como no Atendimento Educacional que elas precisam ser compreendidas nas suas Especializado. Conforme Dorziat (1998), o especificidades, porém, pode-se cair na cilada da aperfeiçoamento da escola comum em favor de14 diferença, como refere Pierucci (1999), que em nome todos os alunos é primordial. Esta autora observa da diferença, pode-se também segregar. que os professores precisam conhecer e usar a Língua Diante desse quadro situacional, o de Sinais, entretanto, deve-se considerar que aAtendimento Educacional Especializado para Alunos com Surdez importante é buscar nos confrontos promovidos na simples adoção dessa língua não é suficiente para relação entre as diferenças, novos caminhos para a escolarizar o aluno com surdez. Assim, a escola vida em coletividade, dentro e fora das escolas e, comum precisa implementar ações que tenham sendo assim, como seria atuar com alunos com sentido para os alunos em geral e que esse sentido surdez, em uma escola comum que reconhece e possa ser compartilhado com os alunos com surdez. valoriza as diferenças? Que processos curriculares e Mais do que a utilização de uma língua, os alunos pedagógicos precisam ser criados para atender a essa com surdez precisam de ambientes educacionais diferença, considerando a escola aberta para todos estimuladores, que desafiem o pensamento, e, portanto, verdadeiramente inclusiva? explorem suas capacidades, em todos os sentidos. Não se trata de trocar a escola excludente Se somente o uso de uma língua bastasse especial, por uma escola excludente comum. Ocorre para aprender, as pessoas ouvintes não teriam que alguns discursos e práticas educacionais ainda problemas de aproveitamento escolar, já que entram não conseguiram, responder às questões acima na escola com uma língua oral desenvolvida. A
  10. 10. aquisição da Língua de Sinais, de fato, não é garantia contemplando o ensino de Libras, o ensino em Librasde uma aprendizagem significativa, como mostrou e o ensino da Língua Portuguesa.Poker (2001), quando trabalhou com seis alunos comsurdez profunda que se encontravam matriculados Ao optar-se em oferecer uma educação bilíngüe, ana primeira etapa do Ensino Fundamental, com escola está assumindo uma política lingüística emidade entre oito anos e nove meses e 11 anos e nove que duas línguas passarão a co-existir no espaçomeses, investigando, por meio de intervenções escolar. Além disso, também será definido qualeducacionais, as trocas simbólicas e o desenvolvimento será a primeira língua e qual será a segunda língua,cognitivo desses alunos. bem como as funções em que cada língua irá Segundo esta autora, o ambiente em que a representar no ambiente escolar. Pedagogicamente,pessoa com surdez está inserida, principalmente o a escola vai pensar em como estas línguas estarãoda escola, na medida em que não lhe oferece acessíveis às crianças, além de desenvolver ascondições para que se estabeleçam trocas simbólicas demais atividades escolares. As línguas podemcom o meio físico e social, não exercita ou provoca estar permeando as atividades escolares ou serema capacidade representativa dessas pessoas,conseqüentemente, compromete o desenvolvimento objetos de estudo em horários específicosdo pensamento. A pesquisadora constatou que nesse dependendo da proposta da escola. Isso vai 15caso, a natureza do problema cognitivo da pessoa depender de „como‰, „onde‰, e „de que forma‰ ascom surdez está relacionado à: crianças utilizam as línguas na escola. (MEC/ SEESP, 2006) Capítulo I - Educação Escolar Inclusiva para Pessoas com Surdez [...] deficiência da trocas simbólicas, ou seja, o meio escolar não expõe esses alunos a solicitações Inúmeras polêmicas têm se formado em capazes de exigir deles coordenações mentais cada torno da educação escolar para pessoas com surdez. A vez mais elaboradas, que favorecerão o mecanismo proposta de educação escolar inclusiva é um desafio, da abstração reflexionante e conseqüentemente, os que para ser efetivada faz-se necessário considerar que avanços cognitivos (POKER, 2001: 300). os alunos com surdez têm direito de acesso ao conhecimento, à acessibilidade, bem como ao Considerando a necessidade do Atendimento Educacional Especializado. Conformedesenvolvimento da capacidade representativa e Bueno (2001:41), é preciso ultrapassar a visão quelingüística dos alunos com surdez, a escola comum reduz os problemas de escolarização das pessoas comdeve viabilizar sua escolarização em um turno e o surdez ao uso desta ou daquela língua, mas sim deAtendimento Educacional Especializado em outro, ampliá-la para os campos sócio políticos.
  11. 11. Para saber mais...... PIERUCCI, Antonio Flávio. Ciladas da diferença. São Paulo: Editora 34, 1999. POKER, Rosimar Bortolini. Troca simbólica e desenvolvimento cognitivo em crianças surdas: uma BRASIL, Ministério Público Federal. O acesso de alunos proposta de intervenção educacional. UNESP, 2001. com deficiência às escolas e classes comuns da rede 363p. Tese de Doutorado. regular. Eugênia Augusta G. Fávero; Luisa de Marillac P. Pantoja; Maria Teresa Eglér Mantoan. Brasília: SKLIAR, Carlos(org.). Atualidade da educação bilíngüe Procuradoria Federal dos direitos do cidadão, 2004. para surdos. Porto Alegre: Mediação, 1999. 2 v. BUENO, José Geraldo Silveira. Diversidade, deficiência e educação. Revista Espaço. Rio de Janeiro: INES. nº 12, p. 3-12, julho-dezembro, 1999. _______. Educação inclusiva e escolarização dos surdos. Revista Integração. Brasília: MEC. nº 23, p. 37-16 42, Ano 13, 2001 DAMÁZIO, Mirlene Ferreira Macedo. Educação Escolar Inclusiva das Pessoas com Surdez na EscolaAtendimento Educacional Especializado para Alunos com Surdez Comum: Questões Polêmicas e Avanços Contemporâneos. In: II Seminário Educação Inclusiva: Direito à Diversidade, 2005, Brasília. Anais... Brasília: MEC, SEESP, 2005. p.108 - 121. _________. Educação Escolar de Pessoa com Surdez: uma proposta inclusiva. Campinas: Universidade Estadual de Campinas, 2005. 117 p. Tese de Doutorado. DORZIAT, Ana. Democracia na escola: bases para igualdade de condições surdos-ouvintes. Revista Espaço. Rio de Janeiro: INES. nº 9, p. 24 -29, janeiro- junho,1998.
  12. 12. Tendências Subjacentes à Educação das Pessoas com SurdezA s tendências de educação escolar para Já a comunicação total considera as pessoas com surdez centram-se ora na características da pessoa com surdez utilizando todo inserção desses alunos na escola comum e qualquer recurso possível para a comunicação, a fime/ou em suas classes especiais, ora na escola de potencializar as interações sociais, considerandoespecial de surdos. Existem três tendências as áreas cognitivas, lingüísticas e afetivas dos alunos.educacionais: a oralista, a comunicação total e a Os resultados obtidos com a comunicação total são questionáveis quando observamos as pessoasabordagem por meio do bilingüismo. com surdez frente aos desafios da vida cotidiana. A 19 As escolas comuns ou especiais, pautadas linguagem gestual visual, os textos orais, os textosno oralismo, visam à capacitação da pessoa escritos e as interações sociais que caracterizam a Capítulo II - Tendências Subjacentes à Educação das Pessoas com Surdezcom surdez para que possa utilizar a língua da comunicação total parecem não possibilitar umcomunidade ouvinte na modalidade oral, como desenvolvimento satisfatório e esses alunos continuamúnica possibilidade lingüística, de modo que seja segregados, permanecendo agrupados pela deficiência,possível o uso da voz e da leitura labial, tanto marginalizados, excluídos do contexto maior dana vida social, como na escola. O oralismo, não sociedade. Esta proposta, segundo Sá (1999), não dáconseguiu atingir resultados satisfatórios, porque, o devido valor a Língua de Sinais, portanto, pode-sede acordo com Sá (1999), ocasiona déficits dizer que é uma outra feição do oralismo.cognitivos, legitima a manutenção do fracasso Os dois enfoques, oralista e daescolar, provoca dificuldades no relacionamento comunicação total, negam a língua naturalfamiliar, não aceita o uso da Língua de Sinais, das pessoas com surdez e provocam perdasdiscrimina a cultura surda e nega a diferença entre consideráveis nos aspectos cognitivos, sócio-surdos e ouvintes. afetivos, lingüísticos, político culturais e na aprendizagem desses alunos. A comunicação
  13. 13. total, em favor da modalidade oral, por exemplo, são utilizadas no mesmo espaço educacional. usava o Português sinalizado e desfigurava a rica Também define que para os alunos com surdez a estrutura da Língua de Sinais. primeira língua é a Libras e a segunda é a Língua Por outro lado, a abordagem educacional Portuguesa na modalidade escrita, além de orientar por meio do bilingüismo visa capacitar a pessoa para a formação inicial e continuada de professores com surdez para a utilização de duas línguas no e formação de intérpretes para a tradução e cotidiano escolar e na vida social, quais sejam: interpretação da Libras e da Língua Portuguesa. a Língua de Sinais e a língua da comunidade Contrariando o modelo de integração ouvinte. As experiências escolares, de acordo com escolar, que concebe o aluno com surdez, a partir essa abordagem, no Brasil, são muito recentes e dos padrões dos ouvintes, desconsiderando a as propostas pedagógicas nessa linha ainda não necessidade de serem feitas mudanças estruturais e estão sistematizadas. Acrescenta-se a essa situação, pedagógicas nas escolas para romper com as a existência de trabalhos equivocados, ou seja, barreiras que se interpõem entre esse aluno e o baseados em princípios da comunicação total, mas ensino, as propostas de atendimento a alunos com que são divulgados como trabalhos baseados na surdez, em escolas comuns devem respeitar as20 abordagem por meio do bilingüismo. especificidades e a forma de aprender de cada um, De fato, existem poucas publicações não impondo condições à inclusão desses alunos científicas sobre o assunto, há falta de professores no processo de ensino e aprendizagem.Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Surdez bilíngües, os currículos são inadequados e os Também, a escola especial é segregadora, ambientes bilíngües, quase inexistentes. Não se pois os alunos isolam-se cada vez mais, ao serem podem descartar também outros fatores, tais como: excluídos do convívio natural dos ouvintes. dificuldade para se formar professores com surdez Há entraves nas relações sociais, afetivas e de num curto período de tempo; a presença de um comunicação, fortalecendo cada vez mais os preconceitos. segundo professor de Língua Portuguesa para os alunos surdos e; a falta de conhecimento a Segundo alguns professores, é mais fácil respeito do bilingüismo. As propostas educacionais ensinar em classes especiais das escolas comuns, pois, dessa natureza começam a estruturar-se a partir essas classes além do agrupamento ser constituído do Decreto 5.626/05 que regulamentou a lei de apenas por alunos com surdez, a comunicação e Libras. Esse Decreto prevê a organização de turmas a metodologia de ensino da língua escrita e oral são as mesmas para todos. Entretanto nessas classes bilíngües, constituídas por alunos surdos e ouvintes os alunos com surdez não têm sido igualmente onde as duas línguas, Libras e Língua Portuguesa beneficiados na aprendizagem.
  14. 14. As posições contrárias à inclusão de alunos adquirir a oralidade e a escrita, porém, dizer que nãocom surdez tomam como referência modelos que se são capazes de aprendê-la reduz totalmente a pessoadizem “inclusivos” mas, na verdade, não alteram ao seu déficit e não considera a precariedade dassuas práticas pedagógicas no que se refere às práticas de ensino disponíveis para esse aprendizado.condições de acessibilidade, em especial às relativas Há, pois, urgência de ações educacionais escolaresàs comunicações. que favoreçam o desenvolvimento e a aprendizagem É preciso fazer a leitura desse movimento escolar das pessoas com surdez.político cultural e educacional, procurando A Língua de Sinais é, certamente, oesclarecer os equívocos existentes, visando apontar principal meio de comunicação entre as pessoassoluções para os seus principais desafios. com surdez. Contudo, o uso da Língua de Sinais Deflagram-se atualmente, debates sobre a nas escolas comuns e especiais, por si só, resolveriacomunidade surda, sua cultura e sua identidade. o problema da educação escolar das pessoas comEssas questões são polêmicas e, quando analisadas surdez? Não seria necessário o domínio de outrospelos antropólogos, sociólogos, filósofos e saberes que lhes garantam, de fato, viver, produzir,professores, levam a interpretações conceituais, tirar proveito dos bens existentes, no mundo emprovocando divergências relacionadas à indicação que vivemos? 21de procedimentos escolares. As práticas pedagógicas constituem o maior problema na escolarização das pessoas com Capítulo II - Tendências Subjacentes à Educação das Pessoas com Surdez Grande parte dos pesquisadores eestudiosos da cultura surda têm se apropriado da surdez. Torna-se urgente, repensar essas práticasconcepção de diferença cultural, defendendo uma para que os alunos com surdez, não acreditem quecultura surda e uma cultura ouvinte o que fortalece suas dificuldades para o domínio da leitura e daa dicotomia surdo/ouvinte (Bueno, 1999). escrita são advindas dos limites que a surdez lhes impõe, mas principalmente pelas metodologias A desafio frente à aprendizagem da Língua adotadas para ensiná-los.Portuguesa é uma questão escolar importante. ALíngua Portuguesa é difícil de ser assimilada pelo Neste sentido, é necessário fazer umaaluno com surdez. Segundo Perlin (1998:56), os ação-reflexão-ação permanente a acerca deste tema,surdos não conseguem dominar os signos dos visando à inclusão escolar das pessoas com surdez,ouvintes, por exemplo, a epistemologia de uma tendo em vista a sua capacidade de freqüentar epalavra, sua leitura e sua escrita. De fato, existem aprender em escolas comuns, contra o discursodificuldades reais da pessoa com surdez para da exclusão escolar e a favor de novas práticas educacionais na escola comum brasileira.
  15. 15. Para saber mais... BUENO, José Geraldo Silveira. Diversidade, deficiência e educação. Revista Espaço. Rio de Janeiro: INES. nª 12, pp. 3-12, julho/dezembro, 1999. FARIA, Mirlene Ferreira Macedo. Rendimento Escolar dos Portadores de Surdez na Escola Regular em Classe Comum do Ensino Fundamental. Espanha: Universidade de Salamanca, 1997. 148 p. Dissertação de Mestrado. DAMÁZIO, Mirlene Ferreira Macedo. Educação Escolar de Pessoa com Surdez: uma proposta inclusiva.22 Campinas: Universidade Estadual de Campinas, 2005. 117 p. Tese de Doutorado. PERLIN, Gladis T.T. „Identidades Surdas‰. IN: SKLIAR,Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Surdez Carlos (Org.). A surdez: um olhar sobre as diferenças. Porto Alegre: Mediação, 1998. Pólen-Núcleo de Estudo, Pesquisa e Apoio em Pedagogia e Diferença Humana: diferença humana em questão: Cadernos Unit/Mirlene Ferreira Macedo Damázio (Org.). V. 2. (2004), Uberlândia: UNITRI, 2004. SÁ, Nídia Regina Limeira de. Educação de Surdos: a caminho do bilingüismo. Niterói: Eduff, 1999.
  16. 16. O Atendimento Educacional Especializado para os Alunos com Surdez: uma proposta inclusivaO trabalho pedagógico com os alunos principalmente de termos científicos. Este com surdez nas escolas comuns, deve ser trabalhado é realizado pelo professor e/ desenvolvido em um ambiente bilíngüe, ou instrutor de Libras (preferencialmenteou seja, em um espaço em que se utilize a Língua de surdo), de acordo com o estágio deSinais e a Língua Portuguesa. Um período adicional desenvolvimento da Língua de Sinais emde horas diárias de estudo é indicado para a execução que o aluno se encontra. O atendimentodo Atendimento Educacional Especializado. Nele deve ser planejado a partir do diagnósticodestacam-se três momentos didático-pedagógicos: do conhecimento que o aluno tem a 25 respeito da Língua de Sinais. • Momento do Atendimento Educacional Especializado em Libras na escola Capítulo III - O Atendimento Educacional Especializado para comum, em que todos os conhecimentos • Momento do Atendimento Educacional Especializado para o ensino da Língua os Alunos com Surdez: uma proposta inclusiva dos diferentes conteúdos curriculares, são explicados nessa língua por um professor, Portuguesa, no qual são trabalhadas as sendo o mesmo preferencialmente surdo. especificidades dessa língua para pessoas Esse trabalho é realizado todos os dias, e com surdez. Este trabalho é realizado destina-se aos alunos com surdez. todos os dias para os alunos com surdez, à parte das aulas da turma comum, por uma professora de Língua Portuguesa, • Momento do Atendimento Educacional graduada nesta área, preferencialmente. O Especializado para o ensino de Libras na atendimento deve ser planejado a partir do escola comum, no qual os alunos com diagnóstico do conhecimento que o aluno surdez terão aulas de Libras, favorecendo tem a respeito da Língua Portuguesa. o conhecimento e a aquisição,
  17. 17. O planejamento do Atendimento Educacional Momento Didático-Pedagógico: Especializado é elaborado e desenvolvido conjuntamente O Atendimento Educacional pelos professores que ministram aulas em Libras, professor de classe comum e professor de Língua Portuguesa para Especializado em Libras na Escola pessoas com surdez. O planejamento coletivo inicia-se com Comum a definição do conteúdo curricular, o que implica que os professores pesquisem sobre o assunto a ser ensinado. Em seguida, os professores elaboram o plano de ensino. Eles preparam também os cadernos de estudos do aluno, nos Este atendimento constitui um dos quais os conteúdos são inter-relacionados. momentos didático-pedagógicos para os alunos com No planejamento para as aulas em Libras, há surdez incluídos na escola comum. O atendimento que se fazer o estudo dos termos científicos do conteúdo a ocorre diariamente, em horário contrário ao das aulas, ser estudado, nessa língua. Cada termo é estudado, o que na sala de aula comum. amplia e aprofunda o vocabulário. A organização didática desse espaço de Na seqüência, todos os professores ensino implica o uso de muitas imagens visuais e de selecionam e elaboram os recursos didáticos para o todo tipo de referências que possam colaborar para o26 Atendimento Educacional Especializado em Libras aprendizado dos conteúdos curriculares em estudo, e em Língua Portuguesa, respeitando as diferenças na sala de aula comum. entre os alunos com surdez e os momentos didático- Os materiais e os recursos para esse fimAtendimento Educacional Especializado para Alunos com Surdez pedagógicos em que serão utilizados. precisam estar presentes na sala de Atendimento Os alunos com surdez são observados por todos Educacional Especializado, quais sejam: mural de os profissionais que direta ou indiretamente trabalham avisos e notícias, biblioteca da sala, painéis de gravuras com eles. Focaliza-se a observação nos seguintes aspectos: e fotos sobre temas de aula, roteiro de planejamento, sociabilidade, cognição, linguagem (oral, escrita, viso- fichas de atividades e outros. espacial), afetividade, motricidade, aptidões, interesses, habilidades e talentos. Registram-se as observações Na escola comum, é ideal que haja professores iniciais em relatórios, contendo todos os dados colhidos que realizem esse atendimento, sendo que os mesmos ao longo do processo e demais avaliações relativas ao precisam ser formados para ser professor e ter pleno desenvolvimento do desempenho de cada um. domínio da Língua de Sinais. O Professor em Língua de Sinais, ministra aula utilizando a Língua de Sinais São apresentados a seguir três momentos didático-pedagógicos do Atendimento Educacional nas diferentes modalidades, etapas e níveis de ensino Especializado. como meio de comunicação e interlocução.
  18. 18. O planejamento do AtendimentoEducacional Especializado em Libras é feitopelo professor especializado, juntamente com osprofessores de turma comum e os professores deLíngua Portuguesa, pois o conteúdo deste trabalho ésemelhante ao desenvolvido na sala de aula comum. Professor, explorando conteúdo curricular sobre civilizações antigas com recursos específicos em Libras para alunos com surdez 27 Professor explorando com o aluno com surdez o conteúdo curricular sobre o município de Uberlândia com recursos específicos em Libras Capítulo III - O Atendimento Educacional Especializado para os Alunos com Surdez: uma proposta inclusiva Professor explorando o conteúdo curricular sobre o universo e o movimento do sistema solar com recursos diversos para os alunos com surdez
  19. 19. P Professor ministrando aula em Língua d de Sinais dos conteúdos curriculares o oficiais Professor explicando termos científicos do contexto em estudo e dos conteúdos curriculares oficiais em Língua de Sinais28Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Surdez
  20. 20. O Atendimento Educacional Especializadoem Libras fornece a base conceitual dessa língua edo conteúdo curricular estudado na sala de aulacomum, o que favorece ao aluno com surdez acompreensão desse conteúdo. Nesse atendimentohá explicações das idéias essenciais dos conteúdosestudados em sala de aula comum. Os professoresutilizam imagens visuais e quando o conceito é muitoabstrato recorrem a outros recursos, como o teatro,por exemplo. Os recursos didáticos utilizados na sala Maquetes sobre o conteúdo em estudode aula comum para a compreensão dos conteúdoscurriculares são também utilizados no AtendimentoEducacional Especializado em Libras. Ilustramos, por meio de fotos, algunsrecursos didático-pedagógicos utilizados: 29 Capítulo III - O Atendimento Educacional Especializado para os Alunos com Surdez: uma proposta inclusiva Alunos com surdez no Atendimento Educacional Especializado em Libras Alunos explorando maquetes dos conteúdos Professor explorando conteúdos curriculares em Libras curriculares sobre com os devidos recursos didáticos historicidade
  21. 21. Maquete sobre a antiguidade oriental clássica Recursos pedagógicos para estudo dos sólidos geométricos30Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Surdez Maquete sobre trânsito Recursos pedagógicos para o estudo do sistema de numeração decimal e operações matemáticas
  22. 22. No decorrer do Atendimento Educacional Especializado em Libras, os alunos se interessam, fazem perguntas, analisam, criticam, fazem analogias, associações diversas entre o que sabem e os novos conhecimentos em estudo. Os professores neste atendimento registram o desenvolvimento que cada aluno apresenta, além da relação de todos os conceitos estudados, organizando a representação deles em forma de desenhos e gravuras, que ficam no caderno de registro do aluno.Caderno de estudo do aluno com surdez 31 Capítulo III - O Atendimento Educacional Especializado para os Alunos com Surdez: uma proposta inclusiva Ca Caixas de fotos e gravuras us usadas na sala de Atendimento Ed Educacional Especializado
  23. 23. Momento Didático-Pedagógico: estudo, procurando entendê-los, a partir das explicações dos demais professores O Atendimento Educacional de áreas específicas (Biologia, História, Especializado para o ensino de Libras Geografia e dentre outros); • Avaliam a criação dos termos científicos em Libras, a partir da Este atendimento constitui outro estrutura lingüística da mesma, por momento didático-pedagógico para os alunos analogia entre conceitos já existentes, com surdez incluídos na escola comum. O de acordo com o domínio semântico atendimento inicia com o diagnóstico do aluno e/ou por empréstimos lexicais; e ocorre diariamente, em horário contrário ao das • Os termos científicos em sinais são aulas, na sala de aula comum. Este trabalhado é registrados, para serem utilizados nas realizado pelo professor e/ou instrutor de Libras aulas em Libras. (preferencialmente surdo), de acordo com o estágio de desenvolvimento da Língua de Sinais em que o aluno se encontra. O atendimento deve ser32 planejado a partir do diagnóstico do conhecimento que o aluno tem a respeito da Língua de Sinais. O professor e/ou instrutor de LibrasAtendimento Educacional Especializado para Alunos com Surdez organiza o trabalho do Atendimento Educacional Especializado, respeitando as especificidades dessa língua, principalmente o estudo dos termos científicos a serem introduzidos pelo conteúdo curricular. Eles procuram os sinais em Libras, investigando em livros e dicionários especializados, internet ou mesmo entrevistando pessoas adultas com surdez, considerando o seguinte: • Caso não existam sinais para designar determinados termos científicos, os professores de Libras analisam os termos científicos do contexto em
  24. 24. Criação de sinais para termos científicos. 33 Professores estudando os termos científicos Capítulo III - O Atendimento Educacional Especializado para os Alunos com Surdez: uma proposta inclusiva P Professores analisando conceitos dos termos c científicos em Língua de Sinais
  25. 25. 34Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Surdez Professores criando o sinal do termo científico Pr Professores expressando e de desenhando os sinais
  26. 26. Sinal criado para 35 expressar a idéia do termo papiro Capítulo III - O Atendimento Educacional Especializado para os Alunos com Surdez: uma proposta inclusiva A organização didática desse espaçode ensino implica o uso de muitas imagensvisuais e de todo tipo de referências que possamcolaborar para o aprendizado da Língua deSinais. Os materiais e os recursos para esse fimprecisam estar presentes na sala de AtendimentoEducacional Especializado e respeitar asnecessidades didático-pedagógicas para o ensino Sinal criado para expressar a idéi d l i d idéia dode língua. termo civilização
  27. 27. Caderno de registro de Língua de Sinais. Professor explicando um conteúdo curricular Col m de r r realizada Colagem d gravura r liz d por aluno com surdez d mon tr ndo l no om rd z demonstrando de Libras, por meio de imagens a sua compreensão do termo representado em Libras36Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Surdez Desenho realizado por aluno com surdez demonstrando a surdez, compreensão do termo representado pelo sinal em Libras Os alunos recorrem sempre a esse caderno, como se fosse um dicionário particular. O caderno expressa sua compreensão sobre os termos representados em Libras. Aluno com surdez explicando para o professor e para os A seqüência de fotos a seguir ilustra os colegas os termos científicos em Língua de Sinais procedimentos descritos:
  28. 28. Aluno utilizando o caderno de registro para explicar termos em Libras Os professores do Atendimento Educacional • Este atendimento exige uma organizaçãoEspecializado de Libras fazem permanentemente metodológica e didática e especializada. 37avaliações para verificação da aprendizagem dosalunos em relação à evolução conceitual de Libras. • O professor que ministra aulas em Libras deve ser qualificado para realizar Em resumo, questões importantes sobre o o atendimento das exigências básicas do Capítulo III - O Atendimento Educacional Especializado paraAtendimento Educacional Especializado em Libras e ensino por meio da Libras e também, os Alunos com Surdez: uma proposta inclusivapara o ensino de Libras: para não praticar o bimodalismo, ou seja, misturar a Libras e a Língua Portuguesa que • O Atendimento Educacional Especializado são duas línguas de estruturas diferentes. com o uso de Libras, ensina e enriquece os conteúdos curriculares promovendo a • O professor com surdez, para o ensino aprendizagem dos alunos com surdez na de Libras oferece aos alunos com surdez turma comum. melhores possibilidades do que o professor • O ambiente educacional bilíngüe é ouvinte porque o contato com crianças e importante e indispensável, já que jovens com surdez com adultos com surdez respeita a estrutura da Libras e da Língua favorece a aquisição dessa língua. Portuguesa.
  29. 29. • A avaliação processual do aprendizado por ao da sala comum. O ensino é desenvolvido por um meio da Libras é importante para que se professor, preferencialmente, formado em Língua verifique, pontualmente, a contribuição do Portuguesa e que conheça os pressupostos lingüísticos Atendimento Educacional Especializado teóricos que norteiam o trabalho, e que, sobretudo para o aluno com surdez na escola comum. acredite nesta proposta estando disposto a realizar • A qualidade dos recursos visuais é primordial as mudanças para o ensino do português aos alunos para facilitar a compreensão do conteúdo com surdez. curricular em Libras. O que se pretende no Atendimento • A organização do ambiente de aprendizagem Educacional Especializado é desenvolver a e as explicações do professor em Libras competência gramatical ou lingüística, bem como propiciam uma compreensão das idéias textual, nas pessoas com surdez, para que sejam complexas, contidas nos conhecimentos capazes de gerar seqüências lingüísticas bem curriculares. formadas. • O Atendimento Educacional Especializado Nesta perspectiva, a sala de recursos para o em Libras oferece ao aluno com surdez38 segurança e motivação para aprender, sendo, Atendimento Educacional Especializado em Língua Portuguesa deverá ser organizada didaticamente, portanto, de extrema importância para a inclusão do aluno na classe comum. respeitando os seguintes princípios:Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Surdez • Riqueza de materiais e recursos visuais (imagéticos) para possibilitar a Momento Didático-Pedagógico: abstração dos significados de elementos O Atendimento Educacional mórficos da Língua Portuguesa. Especializado para o Ensino de • Amplo acervo textual em Língua Língua Portuguesa Portuguesa, capaz de oferecer ao aluno a pluralidade dos discursos, para que O Atendimento Educacional Especializado os mesmos possam ter oportunidade para o ensino da Língua Portuguesa acontece na sala de interação com os mais variados de recursos multifuncionais e em horário diferente tipos de situação de enunciação.
  30. 30. • Dinamismo e criatividade na elaboração de exercícios, os quais devem ser trabalhados em contextos de usos diferentes. A seguir apresentam-se imagens doAtendimento Educacional Especializado para oensino da Língua Portuguesa: 39 Professora de Língua Portuguesa, explorando termos específicos do conteúdo em Língua Portuguesa Capítulo III - O Atendimento Educacional Especializado para os Alunos com Surdez: uma proposta inclusiva Professora de Língua Portuguesa explorando gravuras com legendas em Língua Portuguesa escrita Professora de Língua Portuguesa revisando os conceitos curriculares em Língua Portuguesa escrita
  31. 31. O Atendimento Educacional Especializado para Dessa forma, no Atendimento Educacional ensino da Língua Portuguesa é preparado em conjunto Especializado, o professor trabalha os sentidos das palavras com os professores de Libras e o da sala comum. A equipe de forma contextualizada, respeitando e explorando a analisa o desenvolvimento dos alunos com surdez, em estrutura gramatical da Língua Portuguesa. Esse processo relação ao aprendizado e domínio da Língua Portuguesa. inicia-se na educação infantil, intensificando-se na Neste atendimento, a professora de Língua alfabetização e prossegue até o ensino superior. Portuguesa focaliza o estudo dessa língua nos níveis morfológico, sintático e semântico-pragmático, ou seja, como são atribuídos os significados às palavras e como se dá à organização delas nas frases e textos de diferentes contextos, levando os alunos a perceber a estrutura da língua através de atividades diversificadas, procurando construir um conhecimento já adquirido naturalmente pelos alunos ouvintes.40Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Surdez P f Professora de Língua d Lí Portuguesa ensinando a Língua Portuguesa escrita para os alunos com surdez A Aluno com surdez elaborando f frases sobre o conteúdo estudado
  32. 32. O professor de Língua Portuguesa em dicionário ilustrado e livros técnicos. Organizaparceria com os professores da sala comum e os termos específicos em um glossário ilustrado,da Libras, realiza estudos dos termos específicos conforme pode ser visto nas ilustrações abaixo:do conteúdo curricular, utilizando toda fonte Exemplo de glossário com termos específicosde pesquisa bibliográfica possível, em especial, ilustrados1. 41 Capítulo III - O Atendimento Educacional Especializado para os Alunos com Surdez: uma proposta inclusiva 1 Imagens e conceitos retirados de dicionários e livros variados.
  33. 33. Após o trabalho com o glossário para a Para esclarecerem dúvidas e polêmicas sobre ampliação e aquisição do vocabulário do Português, o estudo dos contextos e dos conteúdos curriculares, são feitos estudos pontuais dos diferentes significados o professor de Língua Portuguesa e os professores e formas de uso que as palavras podem assumir em de turma comum organizam um caderno de estudo, diferentes contextos (estudo de palavras sinônimas no qual exemplificam conceito por conceito, e homônimas) e sua aplicação a partir da própria procurando oferecer esclarecimentos pontuais para palavra, de frases prontas em que essas são empregadas o aprendizado dos alunos. palavras, textos ou imagens que se reportem às situações em questão.42Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Surdez
  34. 34. O Atendimento Educacional Especializadodeve ser organizado para atender também alunos queoptaram pela aprendizagem da Língua Portuguesa namodalidade oral. Nesse caso, o professor de portuguêsoferece aos alunos as pistas fonéticas para a fala e aleitura labial. Elaboração e interpretação de textos emLíngua Portuguesa: 43 Capítulo III - O Atendimento Educacional Especializado para os Alunos com Surdez: uma proposta inclusiva Leitura e interpretação de textos Representação da interpretação do texto por meio de desenho O aluno com surdez precisa aprender a frases conectadas formam orações; orações transpostasincorporar no seu texto as regras gramaticais da escrita por meio de conectivos formam períodos e assimna Língua Portuguesa. por diante, até chegar ao texto. Assim, se inicia o A Língua Portuguesa estrutura-se a partir da trabalho com os alunos, paralelamente à ampliaçãocombinação de vocábulos que conectados corretamente do vocabulário, a elaboração de tópicos frasais.dão sentido: palavras combinadas formam frases; Veja exemplo:
  35. 35. 44 Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Surdez
  36. 36. Com o objetivo de alcançar estruturas Em resumo, podemos afirmar que:gramaticalmente corretas, insere-se no trabalhoregras gramaticais propriamente ditas, que os alunos • O Atendimento Educacional Especializadoouvintes, facilmente compreendem, por terem como para aprendizagem da Língua Portuguesacanal comunicativo à língua oral. No caso dos alunos exige que o profissional conheça muito bemcom surdez, faz-se necessário criar o canal que os a organização e a estrutura dessa Língua,leva a essas compreensões. Esta situação é observada bem como, metodologias de ensino dena análise morfológica – flexão de gênero, número e segunda língua.grau de substantivos e adjetivos, bem como nas • O uso de recursos visuais é fundamentalflexões verbais de modo, tempo e pessoa, ao para a compreensão da Língua Portuguesa,estabelecerem nas frases e textos, a concordância seguidos de uma exploração contextualverbal e nominal. do conteúdo em estudo; Por isto a necessidade de iniciar este • O atendimento diário em Línguatrabalho nos primeiros anos de escolarização, pois Portuguesa, garante a aprendizagem dessauma vez que iniciados tardiamente neste processo, língua pelos alunos. 45mais obstáculos encontrarão na conquista da • Para a aquisição da Língua Portuguesa, éhabilidade comunicativa escrita. preciso que o professor estimule, No Atendimento Educacional Especializado permanentemente, o aluno, provocando- Capítulo III - O Atendimento Educacional Especializado parapara o ensino da Língua Portuguesa, o canal de o a enfrentar desafios. os Alunos com Surdez: uma proposta inclusivacomunicação específico é a Língua Portuguesa, ou • O atendimento em Língua Portuguesa éseja, leitura e escrita de palavras, frases e textos, o uso de extrema importância para ode imagens e até mesmo o teatro, para a representação desenvolvimento e a aprendizagem dode conceitos muito abstratos. Vários recursos visuais aluno com surdez na sala comum.são usados para aquisição da Língua Portuguesa. • A avaliação do desenvolvimento da Desta forma, os alunos precisam ficar Língua Portuguesa deve ocorreratentos a todos as pistas oferecidas para continuamente para assegurar que secompreenderem a mensagem. O atendimento nessa conheçam os avanços do aluno comlíngua contribui enormemente para o avanço surdez e para que se possa redefinir oconceitual do aluno na classe comum. planejamento, se for necessário.
  37. 37. Para saber mais... FERNANDES, Eulália. Linguagem e surdez. Porto Alegre: Artmed, 2003. FREIRE, Alice. Aquisição de português como segunda língua: ASSIS-PETERSON, Ana Antônia de. A aprendizagem de uma proposta de currículo. Revista Espaço. Rio de Janeiro: segunda língua: alguns pontos de vista. Revista Espaço. Rio de INES. nª 9, p. 46-52, janeiro-junho, 1998. Janeiro: INES. nª 9, p. 30-37, janeiro-junho, 1998. GERALDI, João Wanderley. O uso como lugar de construção AVÉROUS, Pierre; COLLIN, Marie-Marthe. De olho no céu e dos recursos lingüísticos. Revista Espaço. Rio de Janeiro: INES. na terra. São Paulo: Scipione, 1991. nª 8, p. 49-54, agosto-dezembro, 1997. CANTARATO, Ana Lúcia V. Aquisição da Língua Portuguesa GLÓRIA, Maria R.; VERGES, Oriol. Viajando através da por crianças surdas. Revista Espaço. Rio de Janeiro: INES. nª 6, história: da Pré-história ao Egito. São Paulo: Scipione, 1991. p. 60-62, março, 1997. LIMA, Maria Cecília M. P.; et. al. Fonoaudiologia e surdez: CONTARATO, Ana Lúcia V.; BAPTISTA, Elaine da R. possibilidade de atuação na linguagem escrita. Revista Espaço. Diversidade textual no ensino de Língua Portuguesa escrita Rio de Janeiro: INES. nª 16, p. 73-77, dezembro, 2001. como segunda língua para surdos. Revista Espaço. Rio de Janeiro: INES. nª 9, p. 67-70, janeiro-junho, 1998. Meu 1ª LAROUSSE dicionário. São Paulo: Larousse do Brasil, 2004.46 COSTA, Jucelino. Pistas sinestésicas: uma estratégia facilitadora para a alfabetização de pessoas surdas. Revista Espaço. Rio de PIMENTA, Maria Ednéa; RAMOS, Maria Inês B.; SOARES, Janeiro: INES. nª 18/19, p. 106-111, dezembro/2002- Regina Célia. Fonoaudiologia numa proposta bilíngüe. Revista julho/2003. Espaço. Rio de Janeiro: INES. nª 10, p. 74-75, dezembro, 1998.Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Surdez DAMÁZIO, Mirlene Ferreira Macedo. Educação Escolar de POKER, Rosimar Bortolini. Troca simbólica e desenvolvimento Pessoa com Surdez: uma proposta inclusiva. Campinas: cognitivo em crianças surdas: uma proposta de intervenção Universidade Estadual de Campinas, 2005. 117 p. Tese de educacional. UNESP, 2001. 363p. Tese de Doutorado. Doutorado. REBELO, Ana Paula S. R.; COZER, Maria Beatriz R.; DORZIAT, Ana; FIGUEIREDO, Maria Júlia F. Problematizando PINHEIRO, Neusa Maria S.; COSTA, Jucelino. Pistas o ensino de Língua Portuguesa na educação de surdos. Revista sinestésicas: uma estratégia facilitadora para a alfabetização de Espaço. Rio de Janeiro: INES. nª 18/19, p. 32-41, dezembro/2002- pessoas surdas. Revista Espaço. Rio de Janeiro: INES. nª 18/19, julho/2003. p. 106-111, dezembro/2002-julho/2003. FARIA, Mirlene Ferreira Macedo. Rendimento escolar dos SVARTHOLM, Kristina. Aquisição de segunda língua por portadores de surdez na escola regular em classe comum do surdos. Revista Espaço. Rio de Janeiro: INES. nª 9, p. 38-45, ensino fundamental. Espanha: Universidade de Salamanca, janeiro-junho, 1998. 1997. 148 p. Dissertação de Mestrado.
  38. 38. O Papel do Intérprete Escolar2R O que é um tradutor e intérprete espaldados pelos novos paradigmas inclusivos, as pessoas com surdez têm de Libras e Língua Portuguesa? conquistado atualmente direitosfundamentais que promovem a sua inclusão social. 1 O reconhecimento da Língua Brasileira de É a pessoa que, sendo fluente em LínguaSinais – Libras, em abril de 2002, e sua recente Brasileira de Sinais e em Língua Portuguesa, tem aregulamentação, conforme o decreto nª 5.626, de 22 capacidade de verter em tempo real (interpretaçãode dezembro de 2005, legitimam a atuação e a simultânea) ou, com um pequeno espaço de tempoformação profissional de tradutores e intérpretes de (interpretação consecutiva), da Libras para o PortuguêsLibras e Língua Portuguesa. Garante ainda a ou deste para a Libras. A tradução envolve a modalidade 49obrigatoriedade do ensino de Libras na educação escrita de pelo menos uma das línguas envolvidas nobásica e no ensino superior - cursos de licenciatura e processo.de Fonoaudiologia e regulamenta a formação deprofessores da Libras, o que abre um amplo espaço, Capítulo IV - O Papel do Intérprete Escolarnunca antes alcançado, para a discussão sobre aeducação das pessoas com surdez, suas formas de Postura éticaocorrência e socialização. Nesse contexto, a formação profissional dos A função de traduzir/interpretar é singular,tradutores e intérpretes de Libras e de Língua Portuguesatorna-se cada vez mais valorizada, pois a presença destes dado que a atuação desse profissional leva-o a interagirprofissionais é fundamental para a inserção das pessoas com outros sujeitos, a manter relações interpessoais ecom surdez, que são usuárias da Língua de Sinais. profissionais, que envolvem pessoas com surdez e ouvintes, sem que esteja efetivamente implicado nelas,2 Texto escrito pelas intérpretes Alessandra da Silva e Cristiane Vieira de Paiva Lima segundo as idéias da proposta desenvolvida pois sua função é unicamente a de mediador da pela Profº Mirlene Ferreira Macedo Damázio para o Atendimento comunicação. Educacional Especializado na perspectiva inclusiva.

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