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Este trabalho consiste em uma discussão do tema ferramentas computacionais aplicadas à …

Este trabalho consiste em uma discussão do tema ferramentas computacionais aplicadas à
educação musical. Para tanto, discutimos a constituição da valorização da tecnologia na sociedade
urbana e algumas de suas implicações na constituição de indivíduos participantes desses aglomerados
sociais urbanos articulando os conceitos de virtualização e atualização de Pierre Levy, de modo a
permitir uma abordagem mais consciente de sugestões de como utilizar softwares de edição de partitura
como uma ferramenta pedagógica útil ao ensino de música.

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  1. Universidade Federal do Espírito Santo Programa Institucional de Iniciação Científica Relatório Final de Pesquisa Utilização de ferramentas computacionais no ensino da músicaIdentificação: Grande área do CNPq.: Área do CNPq: Título do Projeto: Utilização de ferramentas computacionais no ensino da música Professor Orientador: Prof. Dr. Ernesto Hartmann Sobrinho Estudante PIBIC/PIVIC: Esteban Marcos Viveros AstorgaResumo: Este trabalho consiste em uma discussão do tema ferramentas computacionais aplicadas àeducação musical. Para tanto, discutimos a constituição da valorização da tecnologia na sociedadeurbana e algumas de suas implicações na constituição de indivíduos participantes desses aglomeradossociais urbanos articulando os conceitos de virtualização e atualização de Pierre Levy, de modo apermitir uma abordagem mais consciente de sugestões de como utilizar softwares de edição de partituracomo uma ferramenta pedagógica útil ao ensino de música.Palavras chave: música, educação, tecnologia, educação-musical, linguagem-musical, virtualização,internet, sociedade, pensamento, software, editor-de-partituras, computador, pedagogia-musical.1 – Introdução A sociedade urbana na década de 1980, e principalmente nos anos 90, assistiu à popularização doscomputadores pessoais, esta ferramenta proporciona uma nova forma de relacionamento com oconhecimento e até entre os próprios indivíduos. O conhecimento musical também é influenciado poresses fatos, logo, a educação musical também. Para constituir um pensamento capaz de articular com essa conjuntura nos é importante fazerreferência a dois autores chave para a constituição da primeira parte deste trabalho, são eles Edgar Morine Pierre Levy. A utilização do conceito de pensamento complexo, apesar de pouco explícito, é utilizadoplenamente durante toda a constituição do trabalho, de modo a formar a unidade necessária à articulaçãode várias áreas do conhecimento científico para capacitar o nosso pensamento a lidar com uma grandevariedade de alternativas que se apresentam em um contexto de grande facilidade de obtenção deinformação proporcionado pela internet. Quando o assunto é a tecnologia, a articulação do pensamento dePierre Levy foi contemplada por nós a partir da articulação dos conceitos de atualização e virtualização,de modo a proporcionar uma discussão mais ágil, em conformidade com a necessidade gerada pelosindivíduos que se constituem em uma sociedade crivada pelo viés tecnológico. A utilização de softwares de editoração de partituras como ferramenta educacional direcionadapara o ensino de música constitui um meio útil de apreensão do conhecimento de linguagem musical compotencialidades de ser utilizado por educadores musicais. Dessa maneira, procuramos propor modos deabordar alguns conteúdos de linguagem musical de uma forma a proporcionar ao pensar a capacidade de 1
  2. Universidade Federal do Espírito Santo Programa Institucional de Iniciação Científica Relatório Final de Pesquisaarticular as atividades educacionais auxiliadas por computador com potenciais possibilidades deapreensão desses conteúdos.2 – Objetivo Propor um determinado uso do computador como ferramenta pedagógica para a apreensão deconteúdos referentes à linguagem musical.3 – Metodologia A metodologia utilizada foi a de revisão bibliográfica e pesquisas na internet seguidas de reflexãocom o intuito de constituir uma base de pensamento que suporte a utilização de softwares de edição departitura para fins de educação musical, possibilitando sugestões de como utilizar esses softwares nointuito de apreensão de conteúdos referentes à linguagem musical.4 – Resultados Como resultados, obtivemos, além da constituição de um pensamento, ou conscientização, que háuma importância implícita no uso de ferramentas computacionais para fins educacionais devido a suapresença massiva no cotidiano do indivíduo urbano, também exemplos de como softwares de edição departituras podem ser úteis à apreensão de conteúdos referentes à linguagem musical. Algumas possibilidades que abordamos foram a utilização desses programas de computador paraimprimir assuntos referentes à notação musical, como por exemplo, no caso onde há uma dificuldade porparte do aluno de se familiarizar com as figuras que completam uma unidade de compasso. Figura 1 – Figuras rítmicas em uma unidade de compasso. Na figura 1, temos o resultado de uma tentativa de inserir três semínimas e uma mínima em umcompasso 4/4. O software automaticamente imprime no pentagrama duas semínimas ligadas, pois há ummáximo de 4 semínimas em um compasso 4/4. Neste exemplo, terminamos por abordar dois assuntos delinguagem musical, o problema da quantidade de semínimas que cabem no compasso referido, assimcomo também a equivalência entra as figuras rítmicas de mínima e semínima. Outra forma possível de abordar o tema de equivalência de figuras rítmicas está explicada logoabaixo. Figura 2 – Equivalência duracional de figuras rítmicas. 2
  3. Universidade Federal do Espírito Santo Programa Institucional de Iniciação Científica Relatório Final de Pesquisa Temos impresso no pentagrama na clave de sol, em um compasso 4/4, duas semínimas e quatrocolcheias. É sabido que uma duas colcheias equivalem a uma semínima. Ao aluno inserir uma figura desemínima em substituição a primeira colcheia presente nesse compasso da Figura 2, temos o seguinteresultado: Figura 3 – Equivalência duracional de figuras rítmicas. O que ocorre na Figura 3, é que o software automaticamente substitui duas colcheias pelasemínima adicionada, sugerindo ao aluno a existência dessa equivalência duracional. Outro resultado interessante de ser citado é referente ao assunto tonalidade e armadura de clave,contanto, é útil fazer referência a duas espécies de software, os softwares proprietários e os livres. Adiferenciação dessas duas espécies de programas é caracterizada pelo fato de os softwares decaracterização livre, ou de código aberto (open source), mantém a disposição de qualquer programador asinstruções computacionais que constituem o software, dessa maneira possibilitando a constituição deverdadeiras comunidades de desenvolvedores que dispõem esses programas de forma gratuita, enquantono software do tipo proprietário, existem atribuições comerciais que pautam a possibilidade de uso dosoftware, sendo que as instruções que constituem o software são de propriedade intelectual do fabricante,mantendo limitada aos interesses do fabricante do software as possibilidades de adaptação de soluções deterceiros ao software proprietário. Nos utilizamos de um software de cada tipo para realizar estas observações. São eles o Musescore,software livre, e o Sibelius 7, software proprietário. Podemos notar na Figura 4 que ao selecionar a opção de armadura de clave (Key Signature), alémda armadura assinalada com os acidentes referentes à tonalidade desejada, está também assinalada atonalidade. Na figura 5 também podemos observar a mesma disponibilidade de informação, com a diferençaque no Musescore, o nome da tonalidade está disponível, em português, ao selecionar a armadura, aindadeixando explícita a equivalência existente entre tonalidades maiores e menores. Por se tratar de um software proprietário, e consequentemente estar atrelado a fins comerciaisestipulados pelo fabricante, o Sibelius está disponível em 7 idiomas, entre os quais o português não écontemplado. Já o software editor de partituras Musescore, por se tratar de um software constituído poruma comunidade não limitada a uma entidade ou empresa específica, tem interesses mais abrangentes eem decorrência disponibiliza um suporte a 21 idiomas, incluído português, tanto do Brasil como o dePortugal. Estes softwares também possibilitam a execução sonora das peças escritas neles, este fato noscoloca a frente de outra possibilidade, a de criar um ambiente de constituição de memória de um sentidode tonalidade, ou seja, se constitui um ambiente sonoro que explicita a tonalidade de um modo quecomumente é mais relacionado à musica, um modo sonoro. 3
  4. Universidade Federal do Espírito Santo Programa Institucional de Iniciação Científica Relatório Final de PesquisaFigura 4 – Armaduras de clave no Sibelius 7.Figura 5 – Armaduras de clave no Musescore 2.1. 4
  5. Universidade Federal do Espírito Santo Programa Institucional de Iniciação Científica Relatório Final de Pesquisa5 – Discussão e Conclusões “O cérebro humano é, como o dizia H. Simon, um g.s.p., General Setting Problems e também General Solving Problems. Mais potente é a sua atitude geral, e maior será a sua atitude para tratar de problemas particulares.” Edgar Morin Uma rejeição do computador como meio de promover o ensino formal de música pode ser vistacomo questão superada ao fazer uma leitura desatenta de alguns trabalhos que tratam do tema educaçãomusical e tecnologia, vide LEME e BELLOCHIO (2007) onde a prática educacional em música,combinada com o uso da tecnologia computacional pode se constituir na mente do leitor, como umarealidade geral, bastante difundida, sendo que na verdade é uma realidade em escolas localizadas, queconstituem uma minoria frente ao total abrangido pelo sistema educacional brasileiro. Em um contextoampliado fica constatada a existência de um déficit tecnológico, vide NUNES (2010), e até umaresistência ao uso do computador por parte de futuros professores. Com estas afirmações no pensamento,este trabalho pretende tratar essa dicotomia, onde apesar de a aceitação do computador como ferramentaeducacional ser uma realidade em muitas instâncias do processo educacional, como é possível observarem propostas cujas implementações estão acontecendo, como por exemplo, sistemas operacionais Linuxdesenvolvidos especialmente com fins educacionais: Linux Educacional desenvolvido pela UniversidadeFederal do Paraná (UFPR), Pandorga GNU/Linux e o Educatux, todos hospedados no portal do softwarepúblico brasileiro mantido pelo Governo Federal, assim como projetos de implementação de hardware noambiente educacional, que é o caso do projeto “One laptop per child” (OLPC), uma organização sem finslucrativos que promove a ideia de utilizar um computador, o OLPC XO (laptop desenvolvido para oprojeto), por aluno nas escolas: “A OLPC não é, em sua essência, um programa de tecnologia, nem o XO é um produto em qualquer sentido convencional da palavra. Somos uma organização sem fins lucrativos fornecendo um meio para um fim: que as crianças, mesmo nas regiões mais remotas do globo, tenham a oportunidade de desenvolver seu próprio potencial, sendo expostas a todo um mundo de ideias e contribuindo para uma comunidade mundial mais produtiva e sadia.” ONE (s/d) Ainda existe uma rejeição da utilização do computador como ferramenta efetivamente útil à práticaeducacional em música, como nos sugere VALENTE: “(...) o que transparece, é que a entrada dos computadores na educação tem criado mais controvérsias e confusões do que auxiliado a resolução dos problemas da educação. (...) Também provocou insegurança em alguns professores menos informados que receiam e refutam o uso do computador na sala de aula.” VALENTE (s/d) 5
  6. Universidade Federal do Espírito Santo Programa Institucional de Iniciação Científica Relatório Final de Pesquisa Para cumprir este objetivo, não é demais pensar em como os computadores chegaram ao patamarde importância que têm na sociedade urbana atual, e constatar que essa importância influi nas escolhastomadas pelos alunos. Sendo assim, fica constatada a importância de inserir o pensamento do professorno universo digital. Fizemos a escolha de, uma vez tratados esses temas, abordar o assunto do uso desoftwares de edição de partituras e sugerir algumas maneiras de como eles podem ser utilizados de formapedagógica pelo professor. Para iniciar nosso trajeto mental, é necessária uma preparação, para que consigamos melhorentender o como estamos sugestionados a fazer, ou não, uso das ferramentas computacionais; deste modonos colocamos no movimento de pensar a relação entre os indivíduos e a sociedade, pois desta maneira épossível que ao constatar a dinâmica onde a sociedade e os indivíduos estão unidade e elementosinterdependentes, haja a possibilidade de vasculhar as relações que constituem a motivação/desmotivaçãopara o uso do computador. Os indivíduos formam sociedade com o seu corpo físico, constituindo a população, e com o seucorpo mental constituindo o que podemos chamar de cultura. Nós estamos considerando como sendocultura aqui então, a construção mental coletiva, de modo que uma obra de arte, por exemplo, ou umacidade e sua arquitetura, são consideradas aqui como uma materialização do pensamento cultural.Pensamento cultural constituído a partir do relacionamento entre indivíduos constituídos culturalmente. Para dinamizar nosso panorama, dizemos que a sociedade é o conjunto de ideias e comportamentosdos indivíduos se relacionando. Desta sentença podemos extrair duas significações, uma primeira onde osindivíduos, cada um com seus pensamentos e conclusões específicas se relacionam e constituem novasideias que podem ou não ser perpetuadas, formando o corpo geral da sociedade, a cultura, e é a culturaque trata de determinar os comportamentos e gostos gerais dos indivíduos; a segunda significação tratados comportamentos dos indivíduos que se relacionam, o que nos fala sobre os comportamentos dosindivíduos se relacionando, onde este relacionamento expressa a reprodutividade ou perpetuação de umcomportamento na sociedade, o que caracteriza os indivíduos como seres autômatos do organismo social,que apenas reproduzem um comportamento herdado de gerações anteriores de indivíduos, tomandoconsciência somente das tensões e das comunhões que os choques ou paralelismos entre comportamentossociais provocam. Nosso tautológico “passeio” mental entre os nossos conceitos de sociedade e indivíduos se deve aofato de entendermos que se trata de uma relação dinâmica, muito bem caracterizada no pensamento deEdgar Morin: “(...) somos produtores da sociedade porque sem indivíduos humanos não existiria a sociedade, mas uma vez que existe, com sua cultura, com seus interditos, com suas normas, com suas leis, com suas regras, produz-nos como indivíduos e, uma vez mais, como produtos produtores.” MORIN [s.d.] A par da ideia da relação de interdependência entre sociedade e indivíduos, é convenientecontextualizar a realidade social no tempo. 6
  7. Universidade Federal do Espírito Santo Programa Institucional de Iniciação Científica Relatório Final de Pesquisa Neste esforço de contextualização do que é a sociedade faremos a escolha por pensa-la nas cidadesatuais onde se verifica a presença em massa das TIC (Tecnologias da Informação e Comunicação). Para tanto, Pierre Levy diz: “Novas maneiras de pensar e de conviver estão sendo elaboradas no mundo das telecomunicações e da informática. As relações entre os homens, o trabalho, a própria inteligência dependem, na verdade, da metamorfose incessante de dispositivos informacionais de todos os tipos. Escrita, leitura, visão, audição, criação, aprendizagem são capturados por uma informática cada vez mais avançada.” LEVY (1992) O panorama desenhado por Pierre Levy pode nos remeter às mudanças ditatoriais que a culturaexerce sobre os indivíduos em uma sociedade. Para compreender a autonomia do indivíduo nopensamento de Pierre Levy, vamos introduzir os conceitos de atualização e virtualização. “(...) atualização (invenção de uma solução exigida por um complexo problemático). Mas o que é virtualização? (...) A virtualização pode ser definida como o movimento inverso da atualização.” LEVY (1996) Ilustraremos esses conceitos através da seguinte situação. Um professor está no instante depreparação de uma aula de instrumento para o seu aluno. Como já o conhece, consciente das deficiênciase evoluções dele, constrói a partir do seu repertório de conhecimentos um plano de aula onde será dadacontinuidade ao assunto da aula anterior. No realizar do ato de acalmar o turbilhão de possibilidades deaula passíveis de serem ministradas, através do planejamento de aula sendo constituído, se faz presente omovimento de atualização. Prosseguindo, o que nosso personagem professor não esperava é que o seucurioso aluno, no intervalo de uma aula e outra, resolveu por conta própria estudar uma nova música, queapresenta um conteúdo estrutural diferente do plano de aula construído no dia anterior. No instante emque o professor cumprimentar o aluno, e que este empolgado terminar de lhe mostrar a música,expressando a dificuldade em entender um certo trecho, o professor coloca o plano de aula em processode virtualização. O que ele havia planejado antes, talvez ainda possa ser tratado, isto dependerá daqualidade dos conhecimentos que o professor tem sobre o novo assunto que se apresenta e de suacapacidade de estabelecer um elo conceitual ou de eficiência temporal para cumprir o plano de aulainicial. A virtualização se mostra como o oposto à atualização. Enquanto o virtual é estar nadesconstrução da solução já definida, tornando-se as várias soluções possíveis, a atualização é a escolhade uma solução dentre as várias possíveis. “Virtualizar uma entidade qualquer consiste em descobrir uma questão geral à qual ela se relaciona, em fazer mutar a entidade em direção a essa interrogação e em redefinir a atualidade de partida como resposta a uma questão particular.” LEVY (1996) Desse modo, o plano de aula do nosso professor em questão, torna-se virtual a partir do momentoem que deixa de ser expresso em papel, como uma única solução, para existir no campo da problemática 7
  8. Universidade Federal do Espírito Santo Programa Institucional de Iniciação Científica Relatório Final de Pesquisamental, podendo ser as várias maneiras e métodos acumulados no repertório pedagógico do professor, queexistem em potência de ser utilizados, para entrarem em atualização no momento em que são requeridospela situação de aula no tempo presente. Podemos perceber que o processo de virtualização tende a atacar comportamentos já estabelecidos,sedimentados pela prática social. Neste momento pode acontecer de nos sentirmos atirados para dentro deum mar de dúvidas. Uma prática já sedimentada como verdade, pela virtualização é resignificada em maisuma das práticas em potência de poder ser utilizada junto com mais outras centenas de práticas que, aprincípio, tendem a cumprir um mesmo objetivo ao sofrer atualização. Novos espaços e velocidade se constroem através dos efeitos da virtualização, e podem causarespanto às mentes mais alinhadas à tradição do pensamento reducionista, onde o esforço em entender aspartes, separadas da unidade do todo, termina por eliminar do hábito do pensar as relações que constituemunidade às partes. A resposta da humanidade ao pensamento reducionista culmina no que Morin chamade pensamento complexo. “Complexus significa originariamente o que se tece junto. O pensamento complexo, portanto, busca distinguir (mas não separar) e ligar. Ao mesmo tempo, impõe-se, como vimos acima, outro problema crucial: tratar a incerteza.” MORIN [s.d.] O que se tece junto, no caso do professor de instrumento do nosso exemplo, são as práticas músicoinstrumentais. Desta maneira, o que guia a sua prática pedagógica é em sua gênese, o ensino doinstrumento. Com o planejamento de aula virtualizado no instante de realização da prática de ensino doinstrumento o professor tem um maior repertório de possibilidades para reagir às necessidades geradasinstantaneamente no relacionamento professor-aluno, de modo que se o plano inicial não atende naqueleinstante à ideia de viabilizar o ensino do instrumento, o professor tem uma maior liberdade para decidirpor outra opção pedagógica. O mal estar produzido pela virtualização só cessa quando se compreendemas relações totais da prática educacional, suas implicações, caminhos e possíveis formas resultantes, o queem si, termina por gerar um novo ecossistema mental, onde a dimensão do repertório de práticas e acapacidade de combiná-las ou escolhe-las em detrimento de cada situação particular, proporciona umaatitude sempre ativa e dinâmica na prática educacional. A agilidade proporcionada pela virtualização é observável na obtenção de informação nassociedades informatizadas. Os aparatos tecnológicos de comunicação são o suporte material para achamada Sociedade da Informação (SI). A influência dos suportes informacionais, pode ser observada aseguir: “Na época do manuscrito, era no mínimo arriscado transmitir graficamente a estrutura de uma flor, a curva de uma costa ou qualquer elemento da anatomia humana. Mesmo que o autor tivesse sido um desenhista excepcional, era pouco provável que o próximo copista também o fosse. O mais comum era que, após duas ou três gerações de cópias, a imagem obtida não se parecesse nem um pouco com a do original. A impressão transforma esta situação. A arte do desenhista pode ser colocada a serviço de um conhecimento rigoroso das formas. Os editores de obras de geografia, de história natural ou de medicina convocavam os maiores talentos. Por toda a Europa disseminavam-se pranchas anatômicas ou botânicas 8
  9. Universidade Federal do Espírito Santo Programa Institucional de Iniciação Científica Relatório Final de Pesquisa de boa qualidade, com nomenclaturas unificadas, mapas geográficos cada vez mais confiáveis e tratados de geometria sem erros, acompanhados por figuras claras.” LEVY (1992) A disponibilidade de material informacional de boa qualidade termina impulsionando odesenvolvimento do conhecimento. Estes suportes, que possibilitam o desenvolvimento de umainteligência humana, trataremos a partir de agora como “Tecnologias da Inteligência” LEVY (1992). A primeira forma de Tecnologia da Inteligência no percurso histórico da civilização ocidental é aoralidade. Na Grécia Arcaica, eram os poetas que detinham a incumbência de transmitir a verdade pormeio do seu canto. Assim a tecnologia da oralidade era o principal meio de manutenção do conhecimentoacumulado pela sociedade numa cultura oral. “Durante milênios, anteriores à adoção e difusão da escrita, a poesia foi oral e foi o centro e o eixo da vida espiritual dos povos, da gente que – reunida em torno do poeta numa cerimônia ao mesmo tempo religiosa, festiva e mágica – a ouvia. Então a palavra tinha o poder de tornar presentes os fatos passados e os fatos futuros (Teogonia, vv.32 e 38), de restaurar e renovar a vida (idem, vv. 98-103).” TORRANO (1995) É interessante expor que esse tipo de cultura tem o poder de gerar algumas peculiaridades nomanejar do saber dos indivíduos que compõem essas sociedades: “Uma pesquisa realizada no Uzbequistão pelo etnólogo Luria no início do século XX, época na qual a alfabetização estava apenas começando, trouxe à tona certos efeitos da escrita enquanto tecnologia intelectual. Frente à lista “serra, lenha, plaina, machado”, os camponeses de cultura puramente oral não pensavam em classificar a lenha separadamente, enquanto que as crianças, assim que aprendiam a ler, observavam imediatamente que a lenha não é uma ferramenta. (...) diversos trabalhos de antropologia demonstraram que os indivíduos de culturas escritas têm tendência a pensar por categorias enquanto que as pessoas de culturas orais captam primeiro as situações (a serra, a lenha, a plaina e o machado pertencem à mesma situação de trabalho da madeira).” LEVY (1992) O advento da escrita, como pode ser constatado, gera novas maneiras de articular o pensamento. “Com a escrita, abordamos aqueles que ainda são os nossos modos de conhecimento e estilos de temporalidade majoritários. O eterno retorno da oralidade foi substituído pelas longas perspectivas da história. A teoria, a lógica e as sutilezas da interpretação dos textos foram acrescentadas às narrativas míticas no arsenal do saber humano.” LEVY (1992) A atualização do saber cultural deixa de se dar na efemeridade do instante das culturas orais, paraganhar tempos mais duradouros na escrita. A alfabetização em massa promovida nas escolas(consequência da Revolução Francesa), em conjunto com as facilidades que a invenção da imprensaproporcionou dão início a uma disponibilização de informação sem precedentes na história da 9
  10. Universidade Federal do Espírito Santo Programa Institucional de Iniciação Científica Relatório Final de Pesquisahumanidade, onde por meio da facilidade de obtenção de informação, a palavra escrita passa acompartilhar do tempo presente com a oralidade. Enquanto a atualização do pensamento no contexto dapalavra escrita é o texto em papel, a atualização do pensamento no contexto da oralidade é o som, faladoou cantado. Cabe lembrar que as tecnologias da inteligência, tramam junto no presente, não caem em desusopor tornarem-se obsoletas como sugere a lógica evolucionista. A oralidade continua sendo um importantemeio de comunicação da inteligência e não é substituída pela escrita. A inteligência agora passa a seutilizar das duas formas de comunicação, ganhando novas potencialidades de manifestação. O próximo passo no percurso histórico das tecnologias da informação se atualiza no advento datecnologia informática. Máquinas mecânicas de calcular, no século XVII, foram os primeiros esboços do que hojeconhecemos como computadores. A capacidade de realização de cálculos dessas máquinas chegou apatamares inimagináveis pelos seus criadores como, por exemplo, Leibnitz. O aumento da capacidade derealização de operações matemáticas até meados da década de 80 foi diretamente proporcional àdimensão física dessas máquinas, que podiam chegar a ocupar o espaço de um andar completo. “Em 1994, na Universidade de Harvard era construído o Mark I, que possuía 18 metros de comprimento, dois metros de largura e pesava 70 toneladas, este que foi o primeiro computador eletromecânico e era constituído por 7 milhões de peças móveis e sua fiação alcançava 800 km.” MUSEU [s.d.] Com o uso de transistores ao invés das válvulas utilizadas nos primeiros computadores, dá-seinício a uma relação inversamente proporcional entre o crescimento de capacidade de processamento etamanho dos computadores. A miniaturização dos computadores foi diretamente influenciada pelo uso denovos materiais (semicondutores) e novas lógicas de programação digital, assim chegando às dimensõesdos computadores atuais, que não cessam de nos prenunciar novas possibilidades, como as quecomponentes moleculares para computador podem proporcionar. INOVAÇÃO (2007) Até meados da década de 60 a relação da música com a computação, corria em paralelo: “Max Mathews, considerado o pai da Computação Musical, desenvolveu no Bell Laboratories, em Nova Jersey, o primeiro programa de computador para música em 1957, num computador de grande porte. O programa chamado Music I tinha uma única voz, de 1 forma de onda triangular, não possuía ADSR e só controlava a afinação, intensidade e duração dos sons.” MILETO, COSTALONGA, FLORES, FRITSCH, PIMENTA e VICARI (2004) É importante neste momento refletir que a intenção deste estudo histórico consiste em: aapropriação tecnológica dos meios computacionais pelos músicos. Sobre as apropriações tecnológicastemos:1 ADSR (Atack Decay Sustain Release) em português, ataque, decaimento sustentação e repouso, é umareferência ao comportamento dinâmico da amplitude da onda de um evento sonoro. (NOTA NOSSA) 10
  11. Universidade Federal do Espírito Santo Programa Institucional de Iniciação Científica Relatório Final de Pesquisa “Aquilo que identificamos de forma grosseira, como ‘novas tecnologias’ recobre na verdade a atividade multiforme de grupos humanos, um devir coletivo complexo que se cristaliza sobretudo em volta de objetos materiais, de programas de computador e de dispositivos de comunicação. É o processo social em toda sua opacidade, é a atividade dos outros, que retorna para o indivíduo sob a máscara estrangeira, inumana, da técnica.” LEVY (1999) A utilização de máquinas elétricas para produzir sons musicais pode ser pensada como a novafonte técnica que alguns músicos vinham buscando para renovar o seu fazer musical. O que por sua vez,abre novas formas de escuta e interação com a música. Seguindo para o percurso histórico, temos: “Por volta de 1915, um outro passo importante veio a ser dado com a invenção do oscilador a válvula, por Lee De Forest. O oscilador, que representa a base para a geração do som eletrônico, tornava possível a geração de frequência a partir de sinais elétricos e, consequentemente, a construção de instrumentos eletrônicos mais fáceis de manejar. O primeiro desses foi desenvolvido pelo russo Lev Termen (Leon Theremin), em 1919/1920 e foi melhorado por volta da década de trinta. Este instrumento, o “Theremin”, usava dois osciladores controlados pelo movimento das mãos do executante em torno de duas antenas verticais, sem nunca tocá-las. Outros instrumentos eletrônicos rapidamente o seguiram. O inventor alemão Jörg Mager introduziu alguns deles na década de trinta. O “Ondas Martenot” foi criado pelo francês Maurice Martenot e o “Tratounium” pelo alemão Friederich Trautwein, ambos em 1928. Neste mesmo ano o americano Lores Hammon produziu o primeiro órgão elétrico.” MILETO, COSTALONGA, FLORES, FRITSCH, PIMENTA E VICARI (2004) Além da busca de novos timbres através de máquinas elétricas como osciladores e filtradores defrequência, onde a referência história é Karlheinz Stockhausen, que criou em 1952 o segundo estúdio demúsica eletroacústica, o primeiro havia sido criado na França por Pierre Shaeffer e Pierre Henry onde abusca por novas sonoridades se deu através de gravações em fitas magnéticas de sons naturais, sucedidade processos de alternação de rotação, superposição de sons, execução em sentido inverso, o que foichamado de música concreta. MILETO, COSTALONGA, FLORES, FRITSCH, PIMENTA E VICARI(2004) “Ainda na década de 50, a partir da antiga ideia de criar sons usando a eletricidade, Herbert Belar e Harry Olsen inventaram o Mark II RCA Music Synthesizer, o primeiro sintetizador controlado por voltagem. Deste instrumento somente um modelo foi fabricado. Milton Babbit realizou as mais importantes composições com o Mark II Music Synthesizer, dentre elas Compositions for Synthesizer (1961) e Ensembles for Synthesizer (1964) para tape- music. O Mark II representa o final da era dos primeiros instrumentos eletrônicos.” MILETO, COSTALONGA, FLORES, FRITSCH, PIMENTA E VICARI (2004) 11
  12. Universidade Federal do Espírito Santo Programa Institucional de Iniciação Científica Relatório Final de Pesquisa Não demorou a que artistas mais populares também participassem do processo de construção eutilização de novas sonoridades. Este fato junto da criação e utilização de sintetizadores digitais encorajouos fabricantes a adotar como padrão para comunicação entre seus instrumentos musicais o protocoloMIDI em 1983, que é o divisor de águas no universo da criação musical auxiliada por computador, poisalém de promover um “idioma” padrão para comunicação entre os sintetizadores digitais, termina por serutilizado por praticamente a totalidade de softwares que fazem uso da técnica do sequenciamento para oofício de criação musical. O MIDI (Musical Instrument Digital Interface) é um protocolo de comunicação, ou seja, é como sefosse um “idioma” padrão utilizado para comunicação entre itens de hardware (computadores,sintetizadores digitais, teclados controladores, etc). É importante ressaltar que um arquivo no formatoMIDI, não contém sons, contém somente informações acerca de parâmetros do som, como altura,duração, intensidade e timbre, é uma espécie de tabela, ou matriz, que quantiza esses atributos e serve àmáquina digital parâmetros que ela necessita para disparar um evento sonoro. O fato do protocolo MIDIter como tarefa a simples transmissão de parâmetros de controle, fez dele uma ferramenta versátil, o que aleva a ser utilizada até hoje, apesar de limitações, em aplicações de áudio assim como no controle dedispositivos de vídeo e performance ao vivo. Ainda na década de 80, para ser mais preciso em 1983 a internet, termo utilizado desde 1974 paradescrever uma única rede TCP/IP 2 global, tornou-se: “a primeira rede de grande extensão baseada em TCP/IP, (...) quando todos os computadores que usavam o ARPANET trocaram os antigos protocolos NCP.” INTERNET [s.d.] A internet desde então cresceu em número de computadores e volume de dados, além de teraumentada a velocidade com que esses dados podem ser obtidos. A capacidade dilatada da internetproporciona hoje a possibilidade de, por exemplo, ouvir gravações musicais em alta qualidade, vervídeos, além de possibilitar a composição musical, em conjunto, à distância, em tempo real. Podemos observar através destas narrativas históricas, que a obtenção de informação através dostempos foi e continua sendo facilitada pelos meios tecnológicos gerados pela humanidade. Avirtualização dos produtos culturais, e a consequente facilidade de ter acesso a elas por meio da Internet,alavanca uma nova forma de construir o pensamento individual. De modo a explorar um pouco melhor como os indivíduos são influenciados pelo meio cultural emque estão inseridos, lembramos Thomas Kuhn, que ao pensar uma estrutura das revoluções científicas, sedepara com dois aspectos acerca de como os cientistas são levados a exercer sua vocação científica: “(...) muitos outros trabalhos serviram, por algum tempo, para definir implicitamente os problemas e métodos legítimos de um campo de pesquisa para as gerações posteriores de praticantes da ciência. Puderam fazer isso porque partilhavam duas características 2 TCP/IP é o protocolo de comunicação utilizado pelos computadores para viabilizar o envio e recebimento dedados na Internet. 12
  13. Universidade Federal do Espírito Santo Programa Institucional de Iniciação Científica Relatório Final de Pesquisa essenciais. Suas relações foram suficientemente sem precedentes para atrair um grupo duradouro de partidários, afastando-os de outras formas de atividade científica dissimilares. Simultaneamente, suas realizações eram suficientemente abertas para deixar toda espécie de problemas para serem resolvidos pelo grupo redefinido de praticantes da ciência.” KUHN (1998) Um bom exemplo de paradigmas que modificam os rumos de uma sociedade no caso da sociedadeinformatizada é o surgimento do software livre, onde a fascinação pelo conceito de liberdade e suassupostas consequências, foram suficientes para que programadores conectados através de listas de e-mailscomuns desenvolvessem um Sistema Operacional (SO), que seria disponibilizado de maneira aberta emconformidade com as General Public License (GNU), concebida com o intuito de garantir que todos osprogramas escritos, contemplados nessa licença, tenham o seu código de programação livre para uso e/oumodificação, assim como os códigos derivados dele, para toda a comunidade de usuários edesenvolvedores. Um software para um programador é um conjunto de instruções lógicas, ou rotinas de máquina,que convenientemente criadas e organizadas, cumprem funções definidas previamente. Para o usuáriocomum, software é um ícone no computador que quando clicado lhe permite escrever um texto, navegarna internet ou jogar por exemplo. Em uma sociedade onde o uso de computadores é amplamente difundido, e sua utilização é cadavez mais necessária para a constituição do ambiente social, é de se esperar que grande parte dosindivíduos constituintes de tais sociedades, estejam inclinados a preferir se utilizar de ferramentas que lhesão atrativas. “O poder imperativo e proibitivo conjunto de paradigmas, das crenças oficiais, das doutrinas reinantes e das verdades estabelecidas determina os estereótipos cognitivos (...)” MORIN (2000) O que tentamos por em evidência aqui é a potencialidade pedagógica que existe latente no uso decomputadores, esta consistindo em tirar proveito de uma provável aceitação inicial garantida pelo uso datecnologia, considerando indivíduos habituados a lidar com um ambiente cultural crivado por ferramentascomputacionais. A utilização da informática na educação começou a ser desenhada no princípio do século XX: “O ensino da informática tem suas raízes no ensino através das máquinas. Esta ideia foi usada para corrigir testes de múltipla escolha. Isso foi posteriormente elaborado por B.F. Skinner que no início de 1950, como professor de Harvard, propôs uma máquina para ensinar usando o conceito de instrução programada.” VALENTE [s.d.] A instrução programada de Skinner consistia em um material instrucional, dividido em módulos,onde o acerto por parte do aluno o capacitava para passar para outro módulo, o erro, podia direcioná-lopara módulos de reforço do material não assimilado. A construção, da máquina de ensinar de Skinner, era 13
  14. Universidade Federal do Espírito Santo Programa Institucional de Iniciação Científica Relatório Final de Pesquisaeletromecânica de modo que a dificuldade de construção de conteúdos educacionais diferenciadosimpediu sua popularização. Com o surgimento do computador, e a consequente obsolescência da atualização, LEVY (1996),dos conteúdos programáticos educacionais em máquinas mecânicas, foi inaugurada a possibilidade devirtualização do suporte de execução dos conteúdos educacionais para o meio digital, assim passa a haveruma popularização desse método de ensino (método de instrução programada) com o surgimento desoftwares construídos através da linguagem de programação para micro computadores. Os softwares educacionais podem ser pensados como: “(...) Por exemplo, Taylor (1980) classifica os softwares educativos em tutor (o software que instrui o aluno), tutorado (software que permite o aluno instruir o computador) e ferramenta (software com o qual o aluno manipula a informação). Assim, o tutor equivale aos programas do polo onde o computador ensina o aluno. Os softwares do tipo tutorado e ferramenta equivalem aos programas do polo onde o aluno “ensina” o computador. Já outros autores preferem classificar os softwares educativos de acordo com a maneira como o conhecimento é manipulado: geração de conhecimento, disseminação de conhecimento e gerenciamento da informação (Knezek, Rachlin e Scannell, 1988).” VALENTE [s.d.] No princípio softwares eram, e por algumas vezes ainda são, utilizados por professores no ensinoformal de música com o mero objetivo de produzir material didático, ou seja, impressão de provas,questionários e exercícios. Antes esse uso era justificado, pois as máquinas conseguiam desempenhar umpapel limitado de aplicações musicais. Com a miniaturização do computador e o aumento de suas capacidades de processamento e dearmazenamento, tornou-se possível a criação de softwares que atendessem a demanda de criação musical,dentre eles os softwares de editoração de partituras, que foram constituídos inicialmente para atender auma demanda de músicos profissionais, mas está cada vez mais acessível para o público que se inicia noestudo musical. Basicamente existem dois tipos de abordagem pedagógica da relação ensino-aprendizagem atravésdo computador: “Num lado, o computador, através do software, ensina o aluno. Enquanto no outro, o aluno através do software, “ensina” o computador.” VALENTE [s.d.] Os softwares de editoração de partituras podem proporcionar as duas experiências ao mesmotempo. Primeiramente, o direcionamento onde o computador via software ensina o aluno pode serverificado, por exemplo, na atividade de preencher as notas de um compasso. Para um estudante iniciante,muitas vezes é problemático saber quantas figuras rítmicas cabem dentro de um compasso. Utilizandosoftwares de notação musical como o Sibelius ou o Musescore, ele poderá verificar que o programa limitaautomaticamente a quantidade de figuras rítmicas de um compasso, sendo que se o estudante utilizar uma 14
  15. Universidade Federal do Espírito Santo Programa Institucional de Iniciação Científica Relatório Final de Pesquisafigura que exceda a unidade de tempo do compasso, é automaticamente gerada uma figura ligada a outrado compasso posterior satisfazendo a situação solicitada, como ilustrado na Figura 1. Figura 1 – Figuras rítmicas em uma unidade de compasso. A tentativa foi de inserir 3 semínimas e uma mínima no mesmo compasso. Independente dasfiguras rítmicas a ser utilizadas nos os softwares citados, nunca será excedida a unidade de tempo pré-definida no compasso. Outro exemplo de como podem ser utilizados os softwares de edição de partitura é no ensino daequivalência das figuras rítmicas. Temos o seguinte compasso (Figura 2): Figura 2 – Equivalência duracional de figuras rítmicas. Ao inserir uma semínima no terceiro tempo desse compasso, automaticamente obtemos o seguinteresultado (Figura 3): Figura 3 – Equivalência duracional de figuras rítmicas. Ou seja, o software substitui automaticamente duas colcheias pela mínima solicitada,possibilitando a noção da equivalência proporcional entre as figuras. Outro exemplo onde temos ilustrada a vetorização onde o computador ensina o aluno, está naopção de escolha de armadura de clave. 15
  16. Universidade Federal do Espírito Santo Programa Institucional de Iniciação Científica Relatório Final de Pesquisa Figura 4 – Armaduras de clave no Sibelius 7. Tanto o Sibelius (Figura 4) como também o Musescore (Figura 5), já disponibilizam o nome dotom correspondente à armadura de clave, de modo a propiciar ao estudante iniciante uma gama deinformações maiores para memorização. 16
  17. Universidade Federal do Espírito Santo Programa Institucional de Iniciação Científica Relatório Final de Pesquisa Figura 5 – Armaduras de clave no Musescore 2.1. Além da assimilação de signos referentes à escrita musical tradicional, podemos citar o fato de quea determinação de uma armadura de clave possibilita a limitação da paleta sônica a sons referentes aosistema tonal, de modo a viabilizar um aprendizado focado na sonoridade produzida por este sistemamusical. A ampliação deste pode ser alcançada através da inserção de alterações ascendentes edescendentes em qualquer nota na pauta, o que contribui para um aprendizado auditivo gradativo dasalterações a partir da tonalidade. Estes exemplos demonstram como o software pode ajudar o estudante a aprender de maneiradinâmica conteúdos relacionados à notação musical e ao tonalismo. A possibilidade de instrução a partir dos sons gerados pelo computador nos direciona ao uso deoutra ferramenta, os instrumentos virtuais3 para reprodução sonora das partituras escritas nos programas.Esta situação nos direciona para o outro sentido do vetor referente à relação ensino-aprendizagem atravésdo computador, agora o aluno ensina o computador a tocar a música através da escrita. Dependendo dos instrumentos virtuais utilizados, pode-se chegar a resultados surpreendentes,resultando em uma experiência muito satisfatória por parte do usuário.3 Os instrumentos virtuais são programas de computador que fazem o papel do instrumento musical na geração dossons para uso na arte musical, sendo que os sons gerados por computador podem ser imitações de instrumentosacústicos reais ou sons inexistentes na natureza, criados artificialmente. 17
  18. Universidade Federal do Espírito Santo Programa Institucional de Iniciação Científica Relatório Final de Pesquisa Vale dizer neste momento que as discrepâncias entre os softwares escolhidos para exemplocomeçam a aumentar a partir daqui. As bibliotecas sonoras contidas em cada um dos softwares diferemmuito em qualidade. Enquanto a biblioteca de instrumentos virtuais do software Musescore ocupa 5,8Mb, a biblioteca de instrumentos do Sibelius, na versão 7.1.2 build 46, alcança os 34,3 Gb. Essa diferençase deve à qualidade e detalhamento da construção dessas bibliotecas. Enquanto uma é concebida com finscomerciais (Sibelius 7), com o intuito de cativar compositores de trilhas a utilizar seu, o outro édirecionado principalmente a um público que não pode, ou não quer pagar por um software desse tipo,mas deseja escrever e ter suas músicas tocadas no seu computador ou no de outras pessoas ou aindasomente o pelo intuito de compartilhar as peças escritas com outros músicos. A internet promove um papel muito importante neste momento, pois ambos os softwares possuemsuporte online, assim como comunidades ativas de usuários que ajudam uns aos outros a resolverproblemas inerentes ao uso e desenvolvimento desses softwares de notação musical. É interessante observar também a forma como se articulam as comunidades referentes a cada umdesses softwares na internet. A comunidade do Sibelius, quando a questão é suporte, ou seja, como resolver problemasreferentes ao uso do programa, é muito ativa. Já existem inúmeros problemas resolvidos, e é bemprovável que caso o usuário venha a ter alguma dificuldade com o software, já haverá uma soluçãopostada pela comunidade. O suporte para esse grupo consiste em um blog, e uma plataforma decomunicação que se constitui em uma página na Internet mantida pelo fabricante, onde podem serencontradas as atualizações e correções de erros referentes ao programa. O fabricante tambémdisponibiliza uma plataforma de troca de partituras, e é neste momento que acontece algo curioso. A plataforma de troca de partituras não é dedicada a uma livre troca, mas se constitui como umaespécie de loja de partituras, onde você pode comprar arranjos de outros usuários. Caso o usuárioproprietário do arranjo disponibilize-os gratuitamente, é possível, assim como no caso de pagamento,imprimi-los. Caso contrário, somente é possível ouvi-los. Neste momento fica clara a conotaçãocomercial do tipo de troca promovido pela Avid, fabricante do Sibelius. O software Musescore apresenta como atrativos o suporte a 21 idiomas, contando com o idiomaPortuguês Brasileiro, diferente do software de notação musical da Avid que possui suporte a 7 idiomas(não incluindo o português), o que o faz muito atraente para um público carente do conhecimento delínguas estrangeiras aqui no Brasil. O problema referente a biblioteca de instrumentos virtuais pode serdiminuído com o uso de soundfonts4 melhor construídos, com suporte fácil no seu site. Uma plataforma digital para troca de partituras também está disponível para usuários doMusescore na internet, lembrando que é possível acessar essa plataforma, tendo disponíveis milhares departituras, pelo próprio editor de partituras, sempre que esteja conectado à internet, o que facilita epotencializa o uso deste programa. Outra vantagem do Musescore é o fato de ele ser multiplataforma, ouseja, ele pode rodar em vários sistemas operacionais, sendo eles: Windows (Microsoft), Mac OSx (Apple)e diferentemente do Sibelius, também possui suporte a Linux.4 “Soundfont é uma marca que, coletivamente, se refere a um formato de arquivo e tecnologiaassociada para preencher a lacuna entre áudio gravado e sintetizado, especialmente paraefeitos de composição musical assistida por computador.” (tradução livre) SOUNDFONT 18
  19. Universidade Federal do Espírito Santo Programa Institucional de Iniciação Científica Relatório Final de Pesquisa É neste ponto que podem ser melhor observados os paradigmas compartilhados por seusdesenvolvedores. Enquanto um foca no comércio o outro foca na liberdade. À primeira visa estamosinclinados a adotar a segunda opção e mergulhamos de cabeça nessa alternativa, entenda-se, a alternativado software livre. Mas não pretendemos fazer isso sem, antes, refletir um pouco sobre. O conceito de liberdade das licenças GNU ou GPL (General Public License) pode ser alcançado aoanalisar esta tradução livre da definição de software livre: “Por “software livre” devemos entender aquele software que respeita a liberdade e senso de comunidade dos usuários. Grosso modo, os usuários possuem a liberdade de executar, copiar, distribuir, estudar, mudar e melhorar o software. Com essas liberdades, os usuários (tanto individualmente quanto coletivamente) controlam o programa e o que ele faz por eles.” O QUE É [s.d.] Uma crítica feita a esse tipo de liberdade é que um desenvolvedor não é livre para utilizar trechosdo código licenciado nos termos da GPL em softwares com partes de código licenciado em uma licençacopyright. A resposta para esta indagação seria que quando há essa tentativa por hibridizar essas duaslicenças, uma precisa ceder, no caso da licença copyright, é geralmente uma pessoa ou empresa, enquantona GPL é um grupo grande de pessoas, que não necessariamente tem uma vontade coletiva única, casosomente uma delas se sinta lesada por uma mudança na concessão da liberdade de executar, copiar,distribuir, estudar ou modificar o software derivado de seu trabalho, não é possível essa mudança.Lembrando que as pessoas detentoras dos direitos de copyright, muitas vezes são mesmo uma empresa,que tem os seus interesses permeados por um viés econômico, gerar escassez para agregar valor, ou seja,restringir as possibilidades de cópia, modificação e distribuição de modo que eles sejam imprescindíveispara a obtenção do software, dessa maneira viabilizando a exigência de um valor monetário peloprograma. É este motivo que justifica de certo modo a defasagem dos softwares musicais produzidos emlicenças GPL, pois uma vez que muitos fabricantes de hardware, como os de interfaces de áudio porexemplo, não tem interesse em contribuir com uma comunidade que não compartilha de seus paradigmas,no caso, o paradigma comercial. No nosso caso, compartilhamos de um paradigma educacional, pelo qual este texto é direcionado.Desta maneira, o nosso intuito é em todo o decorrer deste trabalho o reconhecimento dos computadorescomo uma ferramenta viável para o ensino da música. Para finalizar, enumeraremos três casos queentendemos que abrangem todo o universo de possibilidades de ensino em música. O primeiro caso é quando o intuito é formar mão de obra para um mercado musical. Neste caso omais apropriado é fazer uso de softwares que estejam incluídos na comunidade de indivíduos quecompartilham do paradigma comercial. Garantindo um suporte da comunidade que compartilha desseparadigma. Temos um segundo caso, quando a intensão é de criação, o importante aqui pode ser tanto oproduto final, como também o próprio ato de criar, estando deste modo, essencialmente vinculada a 19
  20. Universidade Federal do Espírito Santo Programa Institucional de Iniciação Científica Relatório Final de Pesquisaqualidade da criação final às ferramentas utilizadas, pois é levado em conta o viés filosófico. Aqui, tantoum paradigma quanto o outro podem ser válidos, e até necessários para a produção final da obra. E ainda há o terceiro, onde o paradigma da liberdade, condensada nos termos da GPL, pode sermuito útil, na educação. Liberdade para usar, criar e modificar de acordo com as necessidades do usuário.6 – Referências BibliográficasEDUCATUX. Disponível em: <http://www.softwarepublico.gov.br/spb/ver-comunidade?community_id=20675454 >. Acesso em: 10 jun. 2012.HESÍODO. Teogonia. Tradução e estudo por Jaa Torrano. São Paulo: Editora Iluminuras, 1995.INOVAÇÃO tecnológica. Computador molecular: uma única molécula poderá substituir um transístor.2007. Disponível em: <http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=010165070905>. Acesso em 11 de jun. 2012.INTERNET. Wikipedia. Disponível em: < http://pt.wikipedia.org/wiki/Internet>. Acesso em 11 de jun.2012.KUNH, Thomas. A estrutura das revoluções científicas. Tradução por Beatriz Vianna e Nelson Boeira. 5.ed. São Paulo: Editora Perspectiva, 1998.LEVY, Pierre. As tecnologias da inteligência. [1992?]. Disponível em:<http://pt.scribd.com/doc/17394163/As-Tecnologias-da-Inteligencia>. Acesso em: 08 de jun. 2012.__________. Cibercultura. Tradução por Carlos Irineu da Costa. São Paulo: Editora 34, 1999.__________. Inteligencia colectiva: por una antropologia del ciberespacio. Tradução por FelinoMartínez Álvarez. 2004. Disponível em: <http://inteligenciacolectiva.bvsalud.org/channel.php?lang=es&channel=8>. Acesso em: 11 de jun. 2012.__________. O que é virtual. Tradução por Paulo Neves. [1996?]. Disponível em:<http://www.4shared.com/get/1E7olM7D/Cibercultura_-_Pierre_Levy.html>. Acesso em 11 de jun. 2012.LINUX educacional. Disponível em: <http://www.softwarepublico.gov.br/spb/ver-comunidade?community_id=11809207>. Acesso em: 08 de jun. 2012.MILETTO, E. M. et al. Introdução à Computação Musical. In: IV CONGRESSO BRASILEIRO DECOMPUTAÇÃO, 2004, Itajaí. Anais... Santa Catarina: [s.n.], 2004.MORIN, Edgar. A antropologia da liberdade. 1999. Disponível em:<http://escoladeredes.net/group/bibiotecaedgarmorin>. Acesso em 11 de jun. 2012.__________. Cabeça bem feita. Tradução por Eloá Jacobina. Rio de Janeiro: Editora Bertrand, 2003.__________. Da necessidade de um pensamento complexo. Tradução por Juremir Machado da Silva.[s.d.]. Disponível em: <http://escoladeredes.net/group/bibiotecaedgarmorin>. Acesso em 11 de jun. 2012.__________. Educação e cultura. Abertura do Seminário Internacional de Educação e Cultura, SãoPaulo, 2002. Disponível em: <http://escoladeredes.net/group/bibiotecaedgarmorin>. Acesso em 11 de jun.2012.__________. Os sete saberes necessários à educação do futuro. Tradução por Catarina Eleonora F. daSilve e Jeanne Sawaya. São Paulo: Cortez; Brasília, DF: UNESCO, 2000. 20
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