Massagem terapeutica
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  • 1. A MASSAGEM TERAPÊUTICA STEWART MITCHELL A MASSAGEM TERAPEUTICA EDITORIAL EsTAmPA 1994
  • 2. FICHA TÉCNICA Título original: Massage. A Practical Introduction Tradução: Maria Manuela Santos Capa: José Antunes Fotocomposição: Byblos - Fotocomposição, Lda. Impressão e Acabamento: Rolo & Filhos - Artes Gráficas, Lda. Depósito Legal n.o 78044/94 ISBN 972-33-0973-4 Copyright.- (D Stewart Mitchell 1992 Edição original publicada por Element Books, Limited Grã-Bretanha, 1992 ú Editorial Estampa, Lda., Lisboa para a língua portuguesa
  • 3. íNDICE O PREFÁCIO... ................................................................. ............... 11 1. A MASSAGEM: SUAS ORIGENS ..... ... .......................... .... 13 2. A MASSAGEM DE RELAXAMENTO, MANUTENÇÃO E TERAPIA ........................................................................... 19 O movimento ..................O..................................................... .. 20 As mãos...... .............................................................. ...... 22 O prazer da massagem ........................................ .................. 23 Um convite à saúde ............... ................................................ 25 3. EXPERIÊNCIAS DE MOVIMENTO: A ANATOMIA DO MOVIMENTO ................................................................ 27 Os nossos músculos inteligentes .......... .................................. 27 Os modelos recortados... ........................... ............................. 32 Os ossos ........................................ .................................. 32 Os músculos ................................................................. ... 33 Como montar o modelo .............................. .................... 34 4. COMO SE MASSAJA ................................................... ....... 37 Como pôr as nossas mãos ao serviço da saúde .................... 37 As costas ......................................................................... 37 As pernas ......................................................................... 38
  • 4. Os braços ................................................................ As mãos ................. ... ............................................... Movimentos específicos ............................................... . Experimentar os diferentes movimentos .................. O diálogo das mãos ....................................................... Exercício .................................................................. 5. A MASSAGEM PRÁTICA .......................................... Massagens diárias para cada uma das partes do corpo. Preparação .............................................................. Casos em que não se deve massajar ...................... Massagem das mãos ............................................... Sequência da “respiração do corpo” ...................... Massagem das costas .............................................. Massagem das pernas ............................................. Massagem dos braços ............................................. Massagem do tórax ................................................. Massagem do abdômen ........................................... Massagem do pescoço (posiçã o deitada) ............... Massagem do pescoço (posição sentada) ............... Conclusão ................................................................ Massagens especiais - mobilização ............................... Membros ........................................... ....................... Ombros ................................................................... Ancas ...................................................................... Pescoço .................................................................. Revisão .......................................................................... 6. OS OBJECTIVOS DA MASSAGEM ......................... O estudo de um caso .................................................... O receio ........................................................................ As tensões e a postura .................................................. 7. AS TÉCNICAS ............................................................ Aromaterapia ................................................................. Para o rosto ...........................................................
  • 5. Para as costas.. ............................................................... 93 Hidroterapia ... .......... ..... ........................................................ 94 Para os espasmos musculares e alívio da dor ............... 95 Para as varizes da parte inferior da perna ................... 96 Osteopatia ............................................................................... 97 Para a articulação da anca ............................................ 98 Terapia da polaridade ............................................................ 99 Aninhar a cabeça ............................................................ 100 Reflexologia ........................................................................... 101 Os reflexos da coluna ....................................................... 102 Shiatsu ....................................................... ............................. 103 Para o ombro ............. ...................................................... 104 Para afadiga ................................................................... 105 8. MASSAGENS ESPECíFICAS PARA LESõES ................... 107 * que é uma lesão? ............................................................... 108 Triviais ............................................................................ 108 Graves ............................................................................. 109 * que acontece durante uma lesão? ...................................... 109 Lesões comuns ....................................................................... 110 Luxação ........................................................................... 111 Lesões nos ossos ............................................................. 111 Lesões na coluna ............................................................. 112 Lesões no desporto e no lazer ........................................ 112 Reabilitação ..................................................................... 113 Lesões nas articulações ................................................... 113 Lesões na pele ................................................................. 114 Lesões nos músculos e tendões ....................................... 115 Tratamentos para lesões ......................................................... 116 Estádio 1: Imobilização da lesão ................................... 116 Estádio 2: Como activar a circulação ........................... 117 Massagens ....................................................................... 119 Estádio 3: Exercícios de reabilitação ............................. 120 Vigor ................................................................................ 120 Flexibilidade .................................................................... 121 Coordenação . .................................................................. 121
  • 6. Predisposição para a lesão ..................................................... 122 Aptidão ............................................................................ 123 O cansaço e a tensão ..................................................... 123 Alimentação ............................................................. ........ 124 As lesões como acidentes ................................................ 124 A prevenção de lesões ........................................................... 125 Contenção ........................................................................ 125 Mobilização .. .................. ................................................. 126 Incentivo .......................................................................... 127 9. AUTOMASSAGEM COMO PRIMEIROS SOCORROS ..... 129 Prevenção geral ............ .......................................................... 130 Para as costas... ...................................................................... 132 Para traumatismo físico/choque emocional ............................ 133 Para o traumatismo fisico, queda, et( .. .......................... 134 Para o choque emocional .............................................. 135 Para o pescoço ....................................................................... 135 Para o abdômen ..................................................................... 137 Para a obstipação ................................................................... 139 Para as dores menstruais ....................................................... 140 Para os olhos ......................................................................... 142 Para os pés ............................................................................. 143 Para a noite ............................................................................ 144 10. MASSAGEM - OUTROS COMENTÁRIOS ....................... 145 Prática ................ .. .................................................................. 146 Confronto ou encontro? .................................................. ... .... 147 Profissionalismo .............. .... ................................................... 148 Treino formal ...................... ........................ ... . ................ 149 APÊNDICE - INSTRUÇõES PORMENORIZADAS PARA O DIAGRAMA DOS MúSCULOS ..................................... 153 GLOSSÁRIO ........................................................ .... .................... 169 OUTRAS LEITURAS .................................. ................................ 175 10
  • 7. PREFÁCIO Conheci Stewart Mitcheli ao longo de dez anos como um profissional dotado e tenho experiência pessoal da sua grande perícia em massagens. É bom que ele também ensine massagem, porque este método terapêutico, ainda que negligenciado, é muito eficiente. O termo alemão para tratamento médico é BehandIung, o que, traduzido literalmente, significa “manejo”. Esta sabedoria instintiva da língua alude às propriedades curativas das mãos e está ligada à “imposição das mãos” em formas espirituais da cura. Stewart fez um estudo cuidadoso dos vários aspectos e benefícios da massagem - e, em particular, agrada-me que a massagem como autotratamento e “ajuda mútua” entre familiares e amigos tenha sido investigada separadamente da massagem profissional. Neste tipo de dádiva, o doador é duplamente abençoado, pois temos muitas vezes ouvido dizer que, quem massaja o seu amigo, começa, ele próprio, a sentir-se melhor. Os capítulos estão cuidadosamente intitulados para que o leitor possa, com rapidez, encontrar os aspectos que mais lhe interesse aprofundar. Estou certo de que este livro responderá às suas necessidades reais - é o que desejo. Saiba-se, também, que Stewart tem pela frente muitos anos de ensino e defesa desta preciosa forma de terapia no seu Centro de Exeter. Dr. Gordon Latto
  • 8. A MASSAGEM: SUAS ORIGENS Podemos considerar a massagem como uma das mais generalizadas terapias energéticas dos nossos dias. É eficazmente utilizada em grupos de relaxamento, workshops e como um método de terapia natural. As suas origens remontam à própria história e características do ser humano. A arte da massagem tem sido praticada desde tempos antigos e continua a desfrutar de uma profunda expressão e impacto, tanto para quem a recebe como para quem a executa; a massagem proporciona a experiência do contacto, do movimento e da energia, qualidades associadas ao pleno bem-estar de uma pessoa. Em todas as culturas que conhecemos existe uma palavra para designar a massagem e, a partir do estudo dos clássicos, afigura-se-nos que os antigos Chineses, Gregos e Romanos praticaram métodos de massagem. Em algumas sociedades, a massagem tem mantido um carácter social, sendo praticada como uma manifestação de hospitalidade, como se verifica no Hawai, onde movimentos passivos chamados lomi-lomi são presenteados a convidados respeitáveis. Sob uma perspectiva estética, os antigos Gregos associavam a cultura física ao desenvolvimento das capacidades mentais e espirituais e criaram escolas de massagem nos seus 13
  • 9. ginásios, centros de saúde admiravelmente construídos, No Extremo Oriente, músicos e actores aprendem as técnicas da massagem para auxiliar o seu desenvolvimento artístico, e os intérpretes de kathakali, uma expressão primitiva de dança com raízes no Sul da índia, são tratados com massagens profundas executadas com os pés dos seus professores. Ao trabalharem com conceitos limitados do funcionamento do corpo, os antigos médicos utilizaram hábil e eficazmente a massagem no tratamento de estados de fadiga, doença e lesões, Hipócrates descreve anatripsis, literalmente “friccionar” os membros no sentido ascendente, como tendo um efeito mais benigno do que “friccionar” no sentido descendente, embora os conhecimentos sobre a circulação sanguínea fossem, nessa época, incompletos. É provável que os progressos da massagem tenham estacionado com a desagregação das civilizações grega e romana, embora no Oriente a tradição se tenha mantido. Na Europa, somente no século XVI, com o aparecimento em França de técnicas cirúrgicas relativamente sofisticadas, foi possível observar um ressurgimento da massagem associada à terapia. No final do século XIX, a procura da massagem terapêutica despoletou a formação de sociedades de terapeutas com o objectivo de administrar treino, promover a ciência da massagem e “salvaguardar os interesses do público e da profissão”. É interessante notar os requisitos pessoais de um massagista recomendável dessa época: Compleição física: não necessariamente robusto, pois, muitas vezes, as pessoas fortes carecem do delicado, e no entanto enérgico, sentido do tacto necessário; contudo, uma pessoa de compleição fraca não conseguirá obter resultados noutra pessoa debilitada; Inteligência e capacidade: uma vez que a massagem não é tão fácil de administrar como algumas pessoas poderão pensar, especialmente na sua adaptação a casos específicos; Um elevado padrão moral deve ser mantido em todas as circunstâncias, pois bastantes prejuízos foram causados por pessoas que não possuíam o necessário equilíbrio mental. Associação de Massagistas, 1984 14
  • 10. A actual popularidade da massagem pode ser explicada pela necessidade, cada vez mais premente, de um regresso aos valores “naturais”, em reconhecimento das condições altamente desgastantes da vida moderna. A reacção contra fundamentos inaceitavelmente desumanos, em particular na área da saúde, incentivou o renascimento de terapias que tinham sido banidas na era científica. Contudo, o presente entusiasmo pela massagem encontra alguma resistência. A massagem tem sido socialmente desprestigiada e pode subsistir alguma confusão quanto ao lugar que lhe cabe na terapia; subsiste, igualmente, um desconhecimento e uma incompreensão do corpo humano. Na primeira parte do livro (e como um fio que se vai desenrolando ao longo dele) é feita alusão à nossa admirável anatomia, apelando à imaginação; porque, primeiro que tudo, a anatomia é imaginação, Não é possível ter um conhecimento intrínseco do corpo, a menos que consigamos imaginar, por exemplo, as silenciosas, e no entanto poderosas, batidas do coração, a delicadeza e o vigor dos músculos e o equilíbrio da estrutura óssea que nos sustenta. A massagem é uma expressão muito sensitiva e sensível de contacto humano, cujo meio é o sentido do tacto, um sentido ao qual os seres humanos reagem particularmente. De entre todos os seres vivos, nós temos uma das mais longas infâncias e, durante esse período, dependemos do contacto seguro e firme que nos proporciona protecção e orientação relativamente ao mundo que nos cerca. Poder-se-ia dizer que a experiência da massagem começa no nascimento, quando os músculos do útero, pela sua contracção rítmica, iniciam o processo do parto. Após o nascimento, o nosso corpo, ao ser embalado, lavado e acariciado pelos nossos pais, prepara-se para a sua independência. À medida que nos tornamos auto-suficientes, os movimentos de massagem do próprio corpo tornam-se mais fortes; os movimentos dos nossos braços e pernas em contacto com o solo, por exemplo, permitem a nossa deslocação, mas são também necessários para permitir que a circulação sanguínea se faça eficazmente; e a gradual coordenação das nossas mãos permite-nos apertar, friccionar e aliviar qualquer desconforto que possamos sentir. 15
  • 11. Também emocionalmente, tal como os antigos Gregos pensavam, o carácter do nosso contacto físico com o mundo que nos cerca é muito estimulante. Enquanto no ventre, estamos bem protegidos e presume-se que os nossos sentidos estejam adormecidos; após o nascimento, à medida que nos vamos desenvolvendo e familiarizando com os sons, contemplando o que nos rodeia e exercitando o olfacto, estamos particularmente dependentes do conforto que o tacto nos transmite. Pesquisas modernas apontam no sentido de que, confrontada com a escolha entre o ser alimentada e o conforto do tacto sem alimentação, a criança optará preferencialmente pelo tacto. Assim, a nossa relação com as origens da massagem pode ser analisada de uma forma muito mais personalizada do que uma perspectiva histórica poderia sugerir; os movimentos de uma massagem administrada por outrem são poderosas recordações, para o adulto, da segurança e protecção do toque. Consequentemente, não devemos surpreender-nos pelo facto de os massagistas sentirem uma aptidão natural para a sua profissão. A massagem é uma actividade em que é muito mais importante a prática do que a aprendizagem teórica. O leitor deverá ser prudente ao frequentar cursos de noções básicas de massagem, pois é frequente raiarem o esotérico; no entanto, são úteis na medida em que lhe proporcionam o contacto com terceiros e um alargar da sua experiência pessoal. Um bom curso é aquele em que se sinta seguro. Uma história respeitante ao imperador Adriano, morto em 138, relata as origens do “centro de massagem”: Um dia, ao observar um soldado que mitigava as suas costas contra o mármore, nos banhos públicos, o imperador deteve-o e perguntou-lhe qual a razão do seu procedimento. Quando o veterano retorquiu que não tinha ninguém para o massajar, o imperador, apiedando-se do seu estado, entregou-o aos cuidados de dois assistentes. No dia seguinte, quando Adriano voltou a aparecer nos banhos, um largo número de cidadãos começou a friccionar as costas contra a parede, na esperança de usufruir da mesma boa sorte; mas o imperador, adivinhando as suas intenções, sugeriu-lhes que se massajassem uns aos outros! Copestake, The Theory and Practice of Massage, Lewis & Co., 1926. 16
  • 12. Embora incentive o leitor a tornar-se um genuíno praticante da massagem, este livro não desencoraja a massagem formal entre profissional e cliente; de facto, recomendo que usufrua das vantagens e mantenha as práticas profissionais que estejam ao seu alcance. Estou certo de que considerará, gradualmente, o contacto com um terapeuta cada vez mais útil, à medida que as suas próprias capacidades de massagem evoluam. 17
  • 13. A MASSAGEM DE RELAXAMENTO, MANUTENÇÃO E TERAPIA Quando nos sentimos saudáveis, sentimo-nos felizes, enérgicos e decididos. Podemos ser incentivados a melhorar a nossa saúde através de actividades físicas, desenvolvendo objectivos de cariz atlético ou criativo ou modificando atitudes consideradas prejudiciais. Numa abordagem em paralelo, a saúde não é um estado a alcançar mas sim uma atitude perante a própria vida. Não podemos lutar pelo que nos pertence por direito. “A saúde e o estar em forma são o mesmo?” É uma pergunta pertinente e tantas vezes discutida. A busca frenética da saúde pode ser confundida com o medo da doença e a sensação de culpa por todos os nossos hábitos “não saudáveis”. Um inquérito a um grupo de massagistas principiantes sobre uma definição de “saúde” originou várias respostas: “curiosidade”, “duas evacuações por dia”, “não ter dores”, “evitar conflitos”. Havia, no entanto, a opinião geral de que as bem intencionadas campanhas de saúde podiam ser confusas - por exemplo, manteiga ou margarina, correr ou não correr, manter a calma ou manifestar as emoções. “Clinicamente apto” era um conceito rejeitado pelo grupo que defendia ser esta uma definição mínima que reduzia uma pessoa à mera soma 19
  • 14. das várias partes do corpo. A ideia de uma saúde física e mental emergiu, e a nossa experiência psíquica da reencarnação foi analisada. Após um animado debate, chegámos à conclusão de que cada corpo tem uma mente própria”, a qual tem infinita capacidade de expressão - individual, sensorial, imaginativa e social. Para alguns, a saúde pode estar associada à realização de objectivos pessoais; contudo, muitos atletas e artistas de renome não gozavam de perfeita saúde; individualidades de sucesso referem- se muitas vezes à excessiva tensão emocional a que estiveram sujeitos durante todo o percurso. Por outro lado, conselhos para adoptarmos uma alimentação racional e moderarmos a ingestão de bebidas, assim como alterarmos alguns dos nossos hábitos de vida, não são totalmente convincentes raramente é contestado que demasiadas gorduras dietéticas danificam os vasos sanguíneos, que o tabaco irrita os pulmões ou que o facto de vivermos em permanente ansiedade esgota o sistema nervoso - evitar tais comportamentos não prova uma imunidade contra o desequilíbrio energético. Existirão condições individuais de saúde que permitam ao ser humano manter um perfeito equilíbrio físico e espiritual - no sucesso e no fracasso, nos excessos pontuais, na própria conservação - e, contudo, ter a capacidade de “gozar” de saúde? Talvez possamos inspirar-nos nas pessoas que, a caminho do estádio final das suas vidas, alegam as razões pelas quais se sentem em plenitude. Não raramente, podemos verificar a sua curiosidade, o seu entusiasmo pelo desafio e participação na própria vida, sem qualquer confiança manifesta. Neste livro tentaremos uma avaliação da saúde pela observação, investigação e experiência da massagem. Detenha-se por momentos para tomar consciência de que esta será uma aventura estimável, que lhe trará benefícios directos e possíveis de alcançar, ao mesmo tempo, é provável que seja uma experiência verdadeiramente agradável! O movimento O movimento, tantas vezes observado como um sinal de vida, é, seguramente, uma indicação de saúde. Isto é verdade não apenas rela- 20
  • 15. tivamente à rapidez e ao vigor mas, especialmente, quanto à coordenação, uma vez que um corpo bem coordenado sente-se, normalmente, tão bem quanto parece. A maior parte das nossas rotineiras tarefas físicas são dirigidas de forma inconsciente; contudo, foram pacientemente aprendidas. Da mesma forma, movimentos fáceis podem, no entanto, tornar-se desajeitados, provocando-nos posteriormente cansaço ou irritabilidade. Quantas vezes falhamos o último degrau ou tropeçamos no primeiro e ficamos verdadeiramente chocados por tal facto? Não nos congratulamos ao efectuar tarefas simples e, contudo, zangamo-nos quando falhamos; temos como certa a nossa capacidade de movimento, incluindo a satisfação que ela nos proporciona. Só avaliamos verdadeiramente a nossa mobilidade quando a perdemos, e é talvez por esta razão que as pessoas que a certa altura das suas vidas começam a sentir “dores nas costas” ou uma rigidez da nuca dificilmente convivem com essa situação. Alguns dos nossos movimentos mais complexos verificam-se no interior do corpo, estritamente inconscientes e alheios ao nosso control o voluntário: a circulação sanguínea, a propulsão dos alimentos através dos intestinos e, por exemplo, a erecção dos pêlos do corpo. Curiosamente, estes movimentos são, de igual modo, eficazmente realizados tanto pelos ociosos como pelos ágeis. Tal verifica-se porque o esforço resulta tanto daquilo de que somos feitos como do que fazemos connosco próprios. Isto pode explicar a razão por que algumas pessoas parecem manter a sua saúde não obstante os seus hábitos. O muitas vezes citado “cinquenta-cigarros-por-dia-garrafa-de-whisky-viciado-em-televisão” (que viveu até aos oitenta anos de idade) está já invariavelmente morto quando ouvimos falar dele, mas podemos considerar que até os abusos relativamente à saúde podem estar ligados a uma certa qualidade atlética. O que vale a pena salientar é que quanto mais obstinada e mundana é a motivação da pessoa sempre em busca da saúde, menos verdadeiro movimento se efectua quando a saúde se torna um objectivo em si próprio. A dimensão mecânica do nosso corpo pode ser exteriormente observada, mas poucos de nós detêm um conhecimento verdadeiramente íntimo do nosso mecanismo interior e até mesmo as nossas costas estão “atrás” 21
  • 16. de nós. Para as crianças, ter um corpo é excitante - é novidade! As nossas diligências iniciais estão recheadas de surpresas; inclusivamente os nossos erros, como deixar cair coisas e estatelarmo-nos no chão, são para nós divertidos e não sentimos o constrangimento ou o embaraço que tais circunstâncias nos podem causar quando adultos. Na fase adulta, somos mais tensos e temos muito mais a perder pelos nossos erros. Pagamos o preço desta tensão com um decréscimo do nosso sentido de humor. Como exercício (fig. 1), tente andar pelo quarto apoiado nas mãos, tal como fazia em criança, ou tente ver durante quanto tempo consegue manter-se apoiado somente numa das pernas. Como se sente ao fazer isto? Desconfortável, receoso, ou com uma fugaz sensação de libertação da tensão que o seu estado adulto lhe provoca? Fig. 1 As mãos Observe bem as suas mãos e movimente-as suavemente. Apesar de quaisquer reservas que possa ter sob o ponto de vista estrutural ou estético, as suas mãos são insuperáveis. Elas possuem a capacidade de executar tarefas incríveis. Poderá ter reparado que, curiosamente, exis- 22
  • 17. tem poucos músculos na mão: movimente os dedos enquanto observa os antebraços e verificará que os ossos dos dedos são comandados à distância pelos músculos do braço, como numa marioneta. Doutro modo, o constante movimento de umas mãos musculadas causaria o seu excessivo desenvolvimento, o que dificultaria gestos mais delicados. Está igualmente familiarizado com ambas as mãos? Quantos ossos consegue contar nos seus dedos? Como pode explicar que a sua mão consiga rodar a maçaneta da porta sem que o seu corpo siga o movimento? Juntamente com todas as suas capacidades de destreza, as mãos possuem notórias faculdades sensitivas, detendo a maior parte dos terminais nervosos de qualquer outra zona da pele. Os olhos dependem das mãos para confirmarem a realidade. O nosso desenvolvimento inicial da coordenação mãos - olhos é muito importante e, mais tarde na vida, se formos confrontados com a escuridão, as nossas mãos assumirão o comando com segurança. Quando inquiridas sobre a forma como se movimentariam num quarto às escuras, as pessoas normalmente respondem que se orientariam pelo som ou pela visualização de anteriores impressões, mas, provavelmente, as mãos estender-se-iam imediatamente para reconhecer o local, procurar orientação e resolver todo o problema. Este livro oferece-nos a oportunidade de tomarmos consciência da medida exacta em que podemos confiar nas nossas mãos terapeuticamente. Elas funcionam como instrumentos e como um meio de incitar o nosso corpo à saúde. O prazer da massagem Ainda que a ideia da massagem possa ser atractiva, o prazer de uma massagem não é algo imediatamente aceite por todas as pessoas. Há muitas razões para tal atitude, como, por exemplo, o facto de não se conservar uma recordação agradável da forma como se era tratado na infância, que poderá reflectir-se na sua fase adulta. Mas, felizmente, o corpo está concebido de tal modo que se automassaja constantemente e isso pode começar por nos transmitir alguma confiança: 23
  • 18. * o músculo do diafragma entre o tórax e o abdómen comprime e solta alternadamente os órgãos digestivos a cada movimento de respiração profunda; * mesmo o mais ligeiro movimento dos músculos dos membros comprime e suaviza a pressão existente nas veias que se encontram na sua proximidade, mantendo o fluxo da circulação periférica; os braços, no seu movimento livre de balanço lateral à medida que andamos, relaxam os músculos das costas. Se formos capazes de imaginar isto, estamos no bom caminho para apreciar as vantagens que a aplicação da massagem nos proporciona. Dois exemplos do nosso quotidiano ilustram adicionalmente o mérito da massagem: 1. Quando não nos sentimos bem ou estamos cansados, muitos dos movimentos naturais do nosso corpo enfraquecem. Repare que quando é obrigado a permanecer sentado durante um longo período de tempo, as suas pernas parecem “inchar”. Se tiver tirado os sapatos, tal como faria numa longa Viágem, provavelmente irá sentir dificuldades em calçá-los de novo. Tal resulta da inibição dos movimentos naturais de massagem das pernas pelo facto de terem permanecido paradas enquanto esteve sentado e também porque o efeito da gravidade abrandou a circulação periférica. Não sendo tomadas providências, esta situação poderá induzir a uma dor de cabeça ou indolência. Contudo, após alguns minutos de simples movimentos de massagem, como comprimir e afagar, a situação poderá ser corrigida para conforto de todo o corpo. 2. A maior parte das pessoas terá Já experimentado uma sensação de rigidez, quer numa área menor, quer numa área máior do corpo, após uma colisão, uma queda ou até mesmo uma perturbação emocional desagradável. Os músculos é as articulações, que normalmente deslizam sem qualquer esforço sob à nossa pele, tornam-se dolorosamente relutantes e, como consequência, adoptamos uma postura rècecisa. Neste caso, a intervençã o da massagem pode ser valiosa, suavizando e elimi- 24
  • 19. nando não só o nosso estado, como também desencadeando uma sensação de tranquilidade no interior do nosso corpo. Talvez, por nós próprios, fôssemos capazes de recuperar a nossa serenidade; mas, a maior parte das vezes, estamos demasiado ocupados ou extenuados ‘para o conseguir. Um convite à saúde Para manter ou recuperar a saúde podemos fazer “tratamentos” ou talvez “estudar” ou ler livros sobre saúde. De entre as estimulantes e compensadoras possibilidades que a massagem nos oferece, temos a de uma combinação destas duas abordagens. O facto de administrar a massagem e de a receber reverterá sempre em seu benefício e permitir-lhe-á a descoberta de novas perspectivas no que respeita à saúde. As pessoas que aderiram recentemente à massagem exprimem, muitas vezes, o prazer que sentem na redescoberta do toque e do movimento tanto na qualidade da pessoa que recebe a massagem, pela sua capacidade de resposta, como na qualidade da pessoa que a administra, pelo aprofundamento da consciência de todos os seus sentidos. A recolha de elementos para este livro fez-se directamente a partir do tratamento e coordenação de trabalhos efectuados por pessoas que os consideraram úteis e agradáveis. Tanto no tratamento como no ensino, considero secundária a aquisição de té cnicas específicas para o desenvolvimento da sensibilidade; consequentemente, este livro fala de como depende exclusivamente de nós compreender e desfrutar da saúde. 25
  • 20. EXPERIÊNCIAS DE MOVIMENTO: A ANATOMIA DO MOVIMENTO Os nossos músculos inteligentes O nosso corpo é um motor aperfeiçoado. Comparativamente a outros seres vivos, podemos não ser tão elegantes, rápidos ou fortes, mas somente na forma humana existem atributos físicos combinados a um grau tão elevado. Os movimentos exteriores são estabelecidos por músculos que trabalham conscientemente ligados a uma estrutura óssea, enquanto no nosso interior o sistema muscular é o principal promotor de saúde - ao criar calor e ao estimular a circulação sanguínea e os processos digestivos e respiratórios. Mesmo quando aparentemente em descanso, os músculos vibram em antecipação do movimento. Tal permite-nos capacidade de resposta imediata, ao reagirmos, por exemplo, perante uma situação de perigo ou ao expulsarmos um pedaço de alimento que se alojou na traqueia. Uma descrição pormenorizada da estrutura e funcionamento do corpo é espantosa. Esta introdução aos músculos poderá incitá-lo a prosseguir no estudo do movimento corporal. 27
  • 21. Muitos massagistas consideram frustrante a necessidade de combinar um conhecimento intelectual do corpo com a sua aptidão espontânea e intuitiva para a massagem. Compensa tentar ultrapassar esta limitação pois, quanto mais se massajar, mais curiosidade se terá de tomar conhecimento do que se passa aquando da massagem. Embora tenhamos uma relação íntima com o nosso corpo, a forma como ele funciona pode ser mistificadora. A menos que se tenha estudado o corpo humano em lições de biologia, a ocasião mais comum para uma auto-investigação é durante um período de doença ou lesão. É uma experiência nem sempre positiva, pois, nessas alturas, o funcionamento do corpo poderá causar ainda mais equívocos. Tendo presente que o nosso corpo está em permanente movimento, mesmo quando é observado representado graficamente nas páginas de um livro, podemos começar a explorar a anatomia a partir do nosso conhecimento geral. A linguagem formal da anatomia não deverá intimidar-nos. A terminologia é muitas vezes uma expressão concisa para uma imagem familiar: a palavra “músculo”, por exemplo, deriva do latim musculus que significa “ratinho”, descrevendo o modo como a pele se agita quando um músculo se movimenta debaixo dela. Ao utilizar os modelos que se apresentam no Apêndice, é possível criar um modelo anatómico mais evidente do corpo em movimento. Também poderá aprender bastante pela observação dos movimentos do quotidiano, especialmente daqueles que, à partida, consideramos correctos. Reparar nas diferentes maneiras de entrar e sair de um carro ou apanhar um objecto que cai ao chão é tã o importante para os objectivos da massagem como a leitura sobre a actividade dos músculos. Há muitos e excelentes livros sobre a anatomia do corpo humano para um estudo mais aprofundado mas, para começar, utilize experimentalmente o seu próprio corpo e os dos seus amigos. A coluna vertebral é a estrutura “pivot” de todo o movimento e, juntamente com os músculos desenvolvidos das nádegas, ela diferencia a nossa postura da de outros seres vivos. Curiosamente, temos tendência para considerar as nádegas com “assentos” quando, na realidade, estes músculos são os principais responsáveis pela capacidade de nos mantermos de pé durante longos períodos de tempo. Ao contrário do canguru, 28
  • 22. por exemplo, que necessita de uma longa cauda para se equilibrar em pé, e até mesmo dos macacos (ocasionalmente obrigados a apoiar-se sobre as articulações das mãos), nós possuímos a liberdade de utilizar os nossos membros superiores para objectivos mais requintados - como a massagem! Os músculos da parte inferior das costas não se “cansam” facilmente (apesar da enorme tensão que aí se pode acumular), a menos que a acção de nos erguermos (e algumas vezes até mesmo a acção de içarmos o mais leve objecto) seja efectuada desajeitadamente. Percebemos, então, que as nossas costas “cedem”, o que provavelmente é uma resposta do músculo e não do temível disco - que, na realidade, não Mesliza”. Nestas circunstâncias, a evolução humana regride, ainda que temporariamente, e utiliza-se as mãos como apoio, tentando aliviar a coluna do peso do corpo; normalmente só se sente alívio quando o corpo repousa numa superfície plana. Embora estes incidentes possam ser dramáticos, a coluna é efectivamente muito mais vulnerável às posturas habituais que desequilibram a sua tensão. Embora estejamos habituados a referirmo-nos à coluna como as costas”, a sua posição está mais perto do centro do corpo; e quase todos os músculos de postura se lhe ligam. Enquanto um terminal da coluna pode estar sob um estado de tensão proveniente das pernas, o outro terminal tem de manter o equilíbrio da cabeça - uma façanha verdadeiramente notável. Enquanto o alinhamento for mantido, não haverá praticamente limites para o ininterrupto desempenho da coluna. Contudo, a tendência ocidental para cruzar as pernas (as coxas) quando estamos sentados, provoca graves danos na coluna (figs. 2 e 3). Normalmente, temos preferência por cruzar uma das pernas sobre a outra, o que cria uma constante torção e encurtamento dos músculos pélvicos mais profundos. Uma maneira de verificar o impacto causado pelo hábito de se sentar deste modo é observar a simetria das pernas do seu parceiro quando deitado e antes de um tratamento. Vulgarmente, um dos pés conservará uma posição mais direita do que o outro, que descai para o lado de fora da perna mais descontraída. Ao observar com mais atenção a bacia, pode verificar que o osso ilíaco (onde as mãos assentam nas ancas) está relativamente saliente no mesmo lado da perna mais 29
  • 23. tensa; isto confirma o aumento de tensão num dos lados do corpo. As pessoas assim afectadas também podem sentir dores num dos lados do pescoço ao fim do dia e, se for mulher, um aumento de pressão num dos lados do ventre durante o ciclo menstrual. Fig. 2 As suas massagens obterão resultados menos satisfatórios, se o seu parceiro tiver o hábito de “cruzar as pernas”. Aderimos a este hábito por inúmeras razões aparentemente licitas - para pousar um livro sobre as pernas, por inibição, ou simplesmente por ser uma maneira sofisticada de nos sentarmos. Somente quando começamos a sentir que não é assim tão vantajoso (a nossa perna começa a ficar entorpecida), tendemos a descruzá-las, Esta sensação premente e consciente é meramente uma indicação de um foco de tensão que está a ocorrer na postura da nossa coluna. Juntamente com o cruzar de pernas, e igualmente prejudicial, é a projecção da cabeça para a frente quando estamos concentrados a trabalhar numa secretária ou a conduzir (fig. 4). A tensão nas vértebras do 30
  • 24. pescoço persiste até nos sentirmos extremamente cansados e, nessa altura, os músculos do pescoço terão ficado rígidos. Fig. 3 O pescoço é composto por sete ossos separados, os quais, em conjunto com a cabeça na parte superior e o tórax na parte inferior, formam oito articulações de movimento potencial. Exercícios de rodar o pescoço não sã o indicados para estas articulações, especialmente se a tensão estiver concentrada numa delas. Tanto a parte inferior das costas como o pescoço são importantes centros de controlo nervoso do corpo e, por conseguinte, muito sensíveis a estados de tensão. Felizmente, este “estado nervoso” é também receptivo à massagem. Movimentos intensos em torno da coluna vertebral podem relaxar ou revigorar as zonas mais profundas e periféricas do corpo; e quando a massagem é aplicada terapeuticamente, a coluna vertebral merece sempre um cuidado específico de forma a reforçar os efeitos do tratamento. 31
  • 25. Fig. 4 Os modelos recortados (ver páginas 155-157) OS OSSOS A nossa estrutura óssea é vulgarmente conhecida por esqueleto, que significa «ressequido». Contraríamente à sua aparência quando os observamos numa sala de aula, os ossos vivos são uma estrutura extremamente dinâmica e versátil. Estão relacionados não só com o movimento como proporcionam também uma protecção aos órgãos, tais como o cérebro, e estão envolvidos na produção das células do sangue. É provável que conheça o nome de alguns ossos que são do conhecimento geral. Repare que a extremidade do osso mais longo do antebraço (cúbito) é o que nós consideramos como o cotovelo; o seu vizinho mais próximo (rádio) é o osso que executa o moviinento de rotação em torno dele e permite o familiar, mas no entanto complexo, movimento que a mão executa para desaparafusar. É também interessante confrontar a bacia com a disposição das espáduas. As clavículas e as omoplatas são importantes estruturas dos 32
  • 26. músculos dos braços. cujos movimentos nos diferenciam dos outros seres vivos. Contudo, ao usarmos os braços para carregar um objecto pesado, dissociamo-los do seu desempenho normal, que é o de nos acompanharem à medida que caminhamos balouçando diagonalmente ao mesmo ritmo que as pernas, e sentiremos rapidamente os efeitos de uma tensão que começará a desenvolver-se nos músculos das costas. Os ossos são muito leves mas, no entanto, extremamente fortes e, tal como os alicerces de uma estrutura, podem resistir a enormes pressões. Se ocorrer uma simples fractura, a recuperação óssea é normalmente tão completa que é Improvável que ela volte a acontecer no mesmo ponto. Enquanto a zona fracturada está imobilizada para permitir a sua recuperação, é benéfico submeter as restantes partes do corpo a uma massagem geral e, quando se recupera o uso de um osso fracturado, a massagem funciona como um forte auxiliar. Juntamente com o seu parceiro, inicie o reconhecimento mútuo da estrutura óssea utilizando o diagrama e localizando os ossos sob a pele. Os Músculos Os músculos estão distribuídos por todo o corpo, constituindo a quase totalidade do nosso peso e forma. Alguns são fáceis de localizar e têm nomes individuais, como os bem conhecidos bíceps, que ajudam a dobrar o cotovelo. Só sabemos da presença dos numerosos músculos erectores dos cabelos do corpo pelos seus efeitos, como, por exemplo, quando os cabelos estão em pé a fim de conservarem o calor dentro da pele. Os músculos só se contraem (Isto é, encurtam) para provocar um movimento e contam com a contracção dos músculos opostos para descontrair. Poderá verificar isto em si próprio: endireite o cotovelo. Se os bíceps (na parte anterior do braço) e os tríceps (na parte posterior) se contraírem simultaneamente, o cotovelo bloqueará imediatamente; quando os bíceps aumentam a sua contracção, os tríceps descontraem e o cotovelo dobra. Começando de novo a partir desta posição, tente o movimento no sentido Inverso. 33
  • 27. Os músculos são admiravelmente responsáveis. Dão-nos vigor, ajudam a manter o sangue quente, protegem-nos e defendem-nos com segurança contra quaisquer choques com o nosso meio envolvente. Por exemplo, ao cairmos, deveremos ser suficientemente prudentes para permitir que os músculos mais volumosos recebam o impacto em vez de esticarmos as mãos e corrermos o risco de fracturar o braço. Os músculos registam fielmente as nossas sensações e a sua tensão ajuda a aliviar situações desgastantes. Contudo, quando esta tensão não abranda suficientemente, as paredes interiores dos músculos e os tecidos que os circundam ficam irritados, desenvolvendo o clássico estado conhecido por fibrosite. Quase todas as pessoas sofreram já as consequências deste estado de tensão, e a massagem é justamente o tratamento adequado para o aliviar. Mesmo quando está sentado e pensa estar perfeitamente descontraído, todos os seus músculos continuam a pulsar a um nível muito baixo, o que lhe permite desencadear rapidamente a sua capacidade de resposta perante qualquer estímulo. Houve quem tivesse alcançado oficialmente o recorde de permanência em pé, completamente inerte, durante mais de vinte e quatro horas; mas uma breve experiência da sua parte demonstrará que os seus músculos se ressentem ainda mais em condições de hipoactividade do que de hiperactividade. Como montar o modelo Regressando agora ao modelo, os músculos devem ser recortados e colocados no esqueleto começando pelo número mais baixo. Esta numeração corresponde à forma como estão distribuídos pelo corpo. Por isso, deverá, em simultâneo, identificá-los no corpo do seu parceiro. Comece pelo músculo 1 e cole o ponto O com a sua extremidade óssea ao esqueleto, deixando a restante parte do músculo solta. Isto representa o ponto de fixação do músculo ao osso, enquanto a outra extremidade (ponto 1) representa o seu ponto de inserção noutro osso, que ele movimentará. Gradualmente, complete o modelo de acordo com 34
  • 28. as instruções dadas no Apêndice (páginas 153~154), identificando cada músculo no corpo do seu parceiro, à medida que vai prosseguindo. Conhecer e compreender o corpo a partir das suas estruturas básicas contribuirá para uma maior e mais apurada sensibilidade relativamente a todas as suas manifestações e permitir-lhe-á ajudar os seus parceiros de massagem em estados de tensão mais profundos e persistentes. Paralelamente, dissipará alguns dos mitos criados por peritos cuja insistência na terminologia enclausurou a saúde numa aura de secretismo, 35
  • 29. 4 COMO SE MASSAJA Como pôr as nossas mãos ao serviço da saúde Embora os massagistas tenham tendência para se concentrarem mais nas mãos, logo após uma pequena experiência verificará que a aplicação de uma massagem envolve todo o seu corpo: os seus músculos das costas aguentam os movimentos e acomodam o peso do seu parceiro; as suas pernas transferem o seu peso e dão consistência ao tratamento; os braços proporcionam o vigor para os seus movimentos. Contudo, é nos antebraços e nas mãos que se traduzem as manipulações específicas da massagem. Durante a massagem, o seu objectivo é estar tão descontraído quanto o seu parceiro, caso contrário a sua tensão poderá ser transmitida. Para evitar a tensão e o esforço resultantes da administração de uma massagem, considere os seguintes aspectos da sua própria anatomia. As costas Os músculos dos braços e das pernas cansam-se com mais facilidade do que os das costas. (Tendo isto presente poderá tomar consciência de 37 *//* ver com o livro
  • 30. [ do ela manifesta desenvolvem as ários factores: uma pendência de unia te a aplicação do ão muscular. te o curso de unia O como o Corpo da outra pessoa de,;,’,,,, dores nas costas.) Os massagista4k suas próprias dores nas costas em a? permanência numa posição inclinadi& , mão preferida e um certo grau de 1II@> 1 tratamento - o que naturalmente inibe é.. Para evitar que as suas costas se ressintam, massagem, execute com firmeza o movimento de effleurage (veja pág. 43), ligeiramente afastado do seu parceiro. Este movimento permitir-lhe-á esticar a parte superior das suas costas e, pelo realinhamento momentâneo da cabeça com a coluna, a pressão acumulada na parte inferior das costas é aliviada. Ocasionalmente, retrair os músculos abdominais e adoptar uma postura de joelhos dobrados, tão perto quanto possível da marquesa, também ajudará a diminuir a tensão das costas. Os massagistas deveriam aplicar técnicas de primeiros socorros e outros métodos de autotratamento (v. capítulo 8). As pernas Quer administre o tratamento de pé ou sentado, os músculos das pernas são usados para dar ritmo aos seus movimentos. Se a outra pessoa está deitada num sofá, coloque-se numa posição que alcance, confortavelmente, a cabeça e pés do seu parceiro sem ter necessidade de se mover. Dobre ambos os joelhos e, nessa posiçã o, sinta como alivia muito mais as suas costas enquanto está a aplicar a massagem. No caso de não conseguir alcançar as extremidades devido à marquesa ser demasiado alta ou, no outro caso, o sofá ser demasiado baixo, utilize um pequeno banco de massagem. Quando adoptar a posição de joelhos, utilize sempre os músculos das coxas para erguer e baixar as ancas enquanto estiver a administrar a massagem. Quando se utiliza esta postura e se tem tornozelos rígidos ou não se consegue apoiar todo o peso nos pés, é muito vantajoso recorrer ao banco de massagem. 38
  • 31. Os braços Os movimentos de empurrar e puxar são efectuados pelos músculos de ligação do braço às espáduas e ao tórax. Para que estes se desenvolvam, aconselha-se exercícios de levantamentos. Poderá ter necessidade de os efectuar no caso de, no início, se sentir fatigado; mas a prática regular da massagem desenvolve, por si mesma e gradualmente, a força necessária. A configuração do antebraço é admirável. Coloque o seu braço, com a palma da mão virada para cima, numa mesa; observará no antebraço muitos músculos que se comprimem ao passarem pelo pulso; na palma da mão os músculos bifurcam-se indo alcançar os dedos. Alguns deles detêm-se nos ossos da palma da mão, permitindo que esta se movimente em quase todas as direcções como uma “rótula”. O estudo do antebraço é um dos mais difíceis na anatomia mas é também, do ponto de vista estético, muito agradável. As mãos É estranho observar que, quando dobramos os dedos, os músculos do braço começam a contrair- se, embora, na realidade, isto se passe exactamente ao contrário. Vire o braço e observe a disposição a que corresponde a abertura da mão e a distensão dos dedos. Consequentemente, as nossas mãos podem permanecer delgadas e, no entanto, muito fortes; e as várias articulações dos dedos permitem uma agilidade quase ilimitada. Em toda a natureza não existe nada que se compare ao mecanismo das nossas mãos. Embora a pele das palmas das mãos seja relativamente espessa, ela contém inúmeros terminais nervosos - o que a coloca em segundo lugar, logo abaixo da pele dos pés. Estas duas partes do nosso corpo possuem ambas uma apurada sensibilidade. Podemos confiar tanto nos nossos dedos como nos nossos olhos, conforme este passatempo de massagista nos ilustra: Sente-se com um parceiro. A primeira pessoa desenhará algo simples (digamos, por exemplo, três pontos) com a ponta do dedo na palma da mão da outra pessoa, enquanto esta fecha os olhos. Depois, abrindo os 39
  • 32. olhos, ela tentará reproduzir o desenho na palma da mão da primeira pessoa. Se a reprodução for exacta, está certo e acrescente mais um traço na palma da mão do seu companheiro e veja até que ponto este consegue reproduzir os desenhos cada vez mais complicados e depois inverta os papéis quando o seu parceiro não conseguir completar um desenho. Ficará surpreendido ao verificar como é bem sucedido ao seguir o desenho do seu companheiro com o seu sentido do tacto em vez de com os olhos. Os progressos que podemos alcançar na massagem estão directamente relacionados com a nossa capacidade de resposta às informações que recebemos através das mãos, e este passatempo é bastante útil tanto para principiantes como para massagistas experientes. Movimentos específicos Os vários movimentos da massagem foram racionalizados no século xix por um sueco, o Professor Henry Ling. A sua “massagem sueca” foi incorporada na medicina, mas a sua reputação ressentiu-se pela popularidade alcançada pelos “gabinetes” de massagem e pelo declínio da sua aplicação na fisioterapia, que cada vez se tornava mais mecanizada. Esta infeliz conjugação de factores que interferiram no original trabalho de Ling não retirou a importância de que ele se reveste para todos os massagistas. Ling foi o primeiro ocidental a divulgar o carácter fisiológico da massagem, demonstrando os benefícios directos de movimentos específicos, tanto a nível físico como psicológico. A visualização destes efeitos à medida que trabalhamos é benéfica, particularmente quando somos principiantes e a autoconfiança é essencial. Construir a imagem do movimento permite dissipar a tensão que se pode desenvolver nas suas mãos quando se esforça demasiado e, além disso, o seu parceiro poderá desfrutar da sua capacidade para lhe explicar o que está a fazer, corroborando que a experiência aprazível que ambos estão a ter é efectivamente benéfica. Experimentar os diferentes movimentos Como “exercício de aquecimento” antes de administrar a massagem, poderá executar os seguintes exercícios de flexibilidade e fortalecimento: 40
  • 33. 1 .Afaste os cotovelos e una as pontas dos dedos; aperte lentamente até todos os dedos estarem esticados e perfeitamente unidos, com os pulsos completamente dobrados. Baixe as mãos para aumentar o esforço. 2. Cerre as mãos e depois projecte os dedos o mais separados e direitos possível; mantenha a posição durante dez segundos e repita seis vezes. 3. Descontraia as mãos e sacuda-as vigorosamente a partir dos pulsos e em todas as direcções, mantendo os cotovelos dobrados e os braços imóveis. Pare quando sentir as mãos “dormentes” e um formigueiro nos dedos. Fig. 5 Fig. 6 41
  • 34. Execute o próximo exercício lentamente pois ele exige muito das mãos e dos pulsos: *//* ver com o livro 4. (a) Coloque as mãos p s uma sobre a outra (fig. 5); cruze-as da direita para a esquerda e entrelace os dedos (fig. 6). (b) Afaste os cotovelos,@e afaste as mãos mantendo os dedos entrelaçados (fig. 7 e 8). (c) Descaia ambos os cotovelos e estenda os braços, o direito sobre o esquerdo, até as palmas das mãos ficarem viradas para fora... mas mantendo sempre os dedos entrelaçados (fig. 9). Repita o exercício cruzando as mãos da esquerda para a direita. Este exercício é inicialmente executado com êxito somente por dez por cento dos estudantes, não só por ser difícil mas também por ser muito confuso! Persista, pois estes movimentos são excelentes para aliviar a rigidez e o cansaço das mãos e dos antebraços. Fig. 7 Fig. 8 42
  • 35. Fig. 9 Os movimentos clássicos de Ling definem a massagem como uma combinação de três movimentos, effieurage, pétrissage e percussion (execute-os no seu próprio corpo ou no do seu parceiro de massagem para perceber como são efectuados e a sensação que provocam): Fig. 10 1. Afague lentamente uma superfície da pele, por exemplo, o antebraço ou a coxa, utilizando toda a palma da mão, com os dedos descontraídos (fig. 10). A isto se chama effleurage, ou seja, os movimentos iniciais de preparação para a massagem. Sentirá que são relaxantes e que, além disso, solicitam a sua atenção para a zona que está a ser 43
  • 36. massajada. O effleurage não é “agressivo: os seus movimentos não pressionam nem movimentam a parte que vai ser trabalhada; isto e muito importante no início e no final da massagem, Embora o effleurage, comparado com outros movimentos, seja fortemente superficial, os seus efeitos actuam com grande intensidade nas zonas mais profundas do corpo, devido às ligações nervosas que existem. * O movimento de effleurage permite-lhe harmonizar-se com a outra pessoa enquanto se prepara para o tratamento. * O movimento de effleurage é apreciado por pessoas fracas ou impacientes. * O movimento de effleurage é um bom exercício de paciência para os massagistas que estão ansiosos por “Começar a massagem”! 2a. Com a ponta dos dedos agarre uma superfície do corpo (por exemplo, a parte interna da coxa). Execute movimentos compressores com a polpa dos dedos polegares - a isto se chama pétrissage (fig. 11). Este tipo de pressão é indicado para os grandes músculos que se localizam nos membros e na parte superior das costas. O pétrissage regula a tensão destes músculos em vez de a tentar expulsar, ao que estes ofereceriam resistência. (Por exemplo, se os músculos do antebraço forem excessivamente comprimidos, os dedos contrair-se-ão ínvoluntariamente). Fig. 1 44
  • 37. * O movimento de pétrissage permite um trabalho pormenorizado no corpo. * O movimento de pétrissage é recomendado em crianças e pessoas idosas. * O movimento de pétrissage desenvolve a sensibilidade dos dedos. 2b. A maior parte das pessoas associa a massagem a movimentos profundos, do tipo dos da massagem desportiva, em que os músculos curvos, tais como os que se localizam na parte anterior da coxa, são comprimidos com toda a palma da mão e o polegar (fig. 12). Este movimento é utilizado para anular tensões profundas e equilibrar a tensão dos músculos. Libertando-os dum estado de tensão excessiva, permite auxiliar a circulação local e o coração; a massagem desportiva parece induzir as pessoas a sentirem que “alguma coisa está a ser feita” quanto ao seu estado! Embora condicionada ao volume de um músculo mais desenvolvido, a massagem desportiva também pode ser efectuada com as bases das mãos ou com os calcanhares, com as articulações ou com os cotovelos. Contudo, suspiros de prazer podem transformar-se em lágrimas, pois a experiência da massagem desportiva pode ser extremamente emocional devido às profundas tensões que estão a ser libertadas. Fig. 12 45 *//* ver com o livro
  • 38. * A massagem desportiva músculos muito desenvoj@’ * A massagem desportiva r, polegar, os quais se d~4, * A massagem desportiva pct,.,@ como a pessoa que foi maSSajada com effieurage. Ik O is que tenham esforços músculos do o massagista _Iados - termine O ,@ “’@ q@@_ 3. Para que as pessoas que recebem &.íí@2~gM,p0ssjun recuperar a energia necessária para retomarem o seu quotidian% embora sentindo-se completamente descontraídas, a massagem é ten~a com hábeis e firmes movimentos. Ling chamou-lhes percussion, sendo utilizado o movimento dos pulsos para estimular o corpo com as diferentes partes da mão. Os movimentos de percussion destinam-se a reintegrar os músculos atenuando os efeitos de um profundo estado de relaxamento ao introduzir o vigor necessário à nossa actividade quotidiana. Fíg. 13 46
  • 39. Fig. 14 Os batimentos são vulgares movimentos de percussion, executados ao de leve com os dedos (como se pode observar nas habituais representações de massagem): coloque as palmas das mãos paralelas, estique ligeiramente os dedos e execute o movimento de batida a partir dos pulsos, de maneira a que os primeiros três dedos estabeleçam contacto com o corpo vibrando em simultâneo entre si (fig. 13). Bata lentamente e depois aumente o ritmo e a intensidade. Os batimentos “despertam” os músculos sem perturbar a sensação de relaxamento do seu parceiro. O movimento de ventosa é utilizado na parte inferior das costas, sendo igualmente benéfica a sua aplicação sobre toda a zona das costelas: forme uma “concha” com a palma das mãos; vire-a para baixo e execute movimentos de batida sobre o corpo dobrando alternadamente os pulsos (fig. 14). Comece lentamente e depois aumente o ritmo e a intensidade mantendo a posição da mão. Escutará um som surdo à medida que efectua os movimentos de batida sobre a pele; se ficarem 47
  • 40. marcas de dedos na pele, significa que a ventosa está a ser demasiado superficial e, nesse caso, a pessoa deverá estar a sentir um certo desconforto com este movimento de percussion. O movimento de ventosa estimula a circulação profunda nos grandes músculos preparando-os para entrar em acção. Tapotement é o movimento de percussion mais suave, sendo aplicado principalmente em torno do rosto, da cabeça e em áreas sensíveis ou magoadas: com a ponta dos dedos toque ligeiramente toda a zona do rosto evitando qualquer contacto directo com os olhos. Nas partes mais extensas mantêm-se os dedos unidos batendo ligeiramente sobre a pele. O movimento de tapotement, quando aplicado monotonamente, torna-se extremamente relaxante e pode ser utilizado para neutralizar os músculos doridos ou a pele irritada. O sistema de Ling apresenta uma fórmula dos movimentos que podem induzir a uma massagem satisfatória: effleurage percussion pétrissage Imassagem desportiva effleurage Os movimentos de effleurage são os primeiros e últimos a serem efectuados e são também a base para todos os outros movimentos; em 48
  • 41. vez de estabelecer momentos de pausa enquanto revê o seu plano de tratamento, aplique effleurage para dar à massagem uma continuidade relaxante. Pétrissage e a massagem desportiva suavizam estados de hipertensão e restauram o equilíbrio dos músculos. O facto de aplicarmos temporariamente movimentos intensos e firmes sobre o corpo de uma pessoa permite aliviar a sua tensão até estar restabelecido o desejado equilíbrio (daí a vulgar exclamação: “Não pare!”); os nossos movimentos funcionam como um sistema muscular auxiliar para o seu corpo. Os movimentos de percussion efectuados no final do tratamento induzem a uma minitensão no corpo de forma a despertar a pessoa para a sua actividade normal. Estimular ligeiramente os músculos surte um efeito de “imunização” contra as fortes pressões diárias da vida actual e não deverá provocar qualquer sensação desagradável! Eu recomendo que inicie a sua prática com base no sistema sueco ou massagem sueca para ganhar a confiança do seu parceiro; à medida que desenvolve a massagem pode explicar-lhe o que se está a passar e quais os motivos por que o faz. Desenvolverá o seu estilo pessoal consoante a interpretação que der aos vários movimentos e às reacções que eles provocam. Não se sinta compelido a “seguir à risca” a fórmula de Ling, pois ela só pretende servir de modelo inicial; no entanto, não deixe de confirmar se há correspondência entre o seu entusiasmo e o prazer do seu parceiro. O diálogo das mãos Embora deva prestar esclarecimentos sobre o seu trabalho, o facto de estabelecer uma conversa durante o curso de uma massagem pode muitas vezes interromper o feedback do contacto. Mantendo o silêncio temos consciência de novas sensações que podem interceptar tensões, permitindo assim que os benefícios do tratamento sejam mais duradouros. Não tem obrigatoriamente de comentar todo o seu processo de massagem e, ocasionalmente, poderá sentir-se impelido a desencorajar um excessivo interrogatório por parte de um parceiro nervoso. As alterações provocadas 49
  • 42. *//* ver com o livro por uili estado de tensão podem desq@. ent s de insegurança; coritudo, e embora com a pratica r este tipo de comportamenio, mantenha-se disponívell p um diálogo quando p ‘:@@ sentir que a pessoa tem necessidade <:@I pilizada. Durante a massagem, as nossas mãq@,, um diálogo com os músculos do nosso parceiro. A nossa act~.durante o curso da massagem depende muitas vezes da empatia --- que consigarTIOs estabelecer com a pessoa. Exercício Para tratar uma vulgar tensão nos ombros, estabeleça uma comparação entre os resultados obtidos quando se estabelece um diálogo e quando as suas mãos trabalham em silêncio: Sente o seu parceiro num sofá e coloque-se atrás dele. Verificará que um dos ombros está mais alto do que o outro, sendo normalmente o que corresponde à mão predilecta. Peça-lhe para contrair e soltar os ombros, especialmente o que se encontra mais elevado. Normalmente as pessoas têm dificuldade em relaxar o ombro mais tenso. Coloque as mãos do seu companheiro no colo (fig. 15). Levante, suavemente, o braço do lado mais tenso e dobre-o para trás das costas (fig, 16). Deixe o braço pender e massaje-o levemente desde o ombro até ao cotovelo. Apoiando todo o peso do braço, levante-o, leve-o à frente do corpo e depois mantenha-o estendido e direito (fig. 17). Lentamente, baixe o braço e volte a colocá-lo no colo (fig. 18). Afaste-se ligeiramente e observe de novo os ombros; o lado mais tenso estará agora mais baixo do que o outro. Execute os mesmos movimentos com o outro braço para nivelar os ombros. Se a sua prática da massagem se está a tornar demasiado rotineira ou se não está satisfeito com os movimentos que aplica, poderá estar simPlesmente cansado; por isso, não se esqueça de que é importante que 50
  • 43. Fig. 15 Fig. 16 Fig. 17 Fig. 18
  • 44. receba também uma massagem! Reler este capítulo poderá não só ajudá-lo a aperceber-se dos progressos que vem desenvolvendo nas suas massagens mas também recordar-lhe os objectivos que se pretendem com os vários movimentos. Tenha presente que, mais importante do que um esforço empenhado, aquilo que de facto e na generalidade as pessoas apreciam nas suas mãos é o relaxamento, a firmeza e o conhecimento profundo que elas proporcionam e detêm. 52
  • 45. A MASSAGEM PRÁTICA Massagens diárias para cada uma das partes do corpo Preparação As massagens são administradas em qualquer situação que pareça conveniente. A maior parte dos profissionais dispõe de uma sala sossegada, com uma marquesa de tratamento; mas, não sendo este o seu caso, poderá recorrer a uma mesa vulgar ou uma cadeira e, inclusivamente, alguns massagistas acham o chão perfeitamente conveniente para o efeito. O importante é que ambas as pessoas envolvidas neste processo se sintam igualmente confortáveis com o ambiente criado. A utilização do talco ou óleo nas suas massagens depende do seu critério e gostos pessoais e também de preferência do seu parceiro. O talco pode ser útil no início da massagem, enquanto o óleo se deve aplicar quando há necessidade de um trabalho mais pormenorizado. Um estado de ansiedade, que se poderá desenvolver num estádio inicial do tratamento, pode causar uma certa exsudação em ambas as pessoas, tornando o effleurage difícil; por outro lado, os movimentos de massa- 53
  • 46. gem aplicados sobre uma pele excessivamente seca podem criar uma fricção desconfortável. Consequentemente, pode aplicar talco antes do início do tratamento ou para a primeira massagem. A utilização do óleo é recomendável para crianças e pessoas idosas, pois atenua os efeitos de uma pressão directa excessiva. O óleo também resulta nos casos em que há necessidade de massajar uma articulação rígida ou dorida devido à sua acção deslizante. Não deverá aplicar o óleo directamente sobre o corpo mas deitá-lo aos poucos nas mãos e, seguidamente, espalhá-lo. Eu recomendo que pratique sem recorrer a lubrificantes. O contacto directo das suas mãos com a pele da outra pessoa é necessário para se aperceber do estado geral de tensão muscular. Além disso, nem todas as pessoas gostam de ser massajadas com uma substância oleosa ou pulverulenta; no entanto, algumas apreciam-nas quando, efectivamente, isso as ajuda a descontrair. Aperceber-se-á do facto facilmente. A maior parte dos adultos adere à sua primeira experiência de massagem com ideias preconcebidas. Indiferente à sua abordagem, a pessoa pode criar certas expectativas quanto à massagem como sendo uma experiência atlética ou hedonística, ao mesmo tempo desafiadora e relaxante, de certa forma imbuída de um carácter sexual ou totalmente terapêutica. No decorrer da massagem, estas ideias serão dissipadas, pois a questão incide, de facto, nas experiências de “contacto” que a pessoa viveu, quer actuais, quer durante a sua infância. Este aspecto de carácter psicológico significa que as pessoas são particularmente sensíveis ao contacto inicial e final da massagem; durante os seus tratamentos, execute sempre estes movimentos lenta e suavemente, com extremo cuidado, para transmitir uma sensação de tranquilidade. A sequência da massagem não obedece necessariamente a uma ordem especial, no entanto, e até adquirir prática, poderá seguir a que se apresenta neste capítulo. Para as pessoas que recebem tratamento pela primeira vez, a massagem das mãos (veja p. 56) pode ser uma boa maneira de começar, pois proporciona um ponto de contacto familiar e permite que se estabeleça uma comunicação visual e verbal mútua, como aconteceria em circunstâncias normais. 54
  • 47. Casos em que não se deve massajar Deverá sempre procurar informar-se sobre o estado geral de saúde das pessoas antes de iniciar qualquer massagem. Quando se trata de uma massagem de relaxamento e manutenção é pouco provável que deparemos com qualquer impedimento de ordem médica que impeça a pessoa de receber a massagem. Contudo, quando se confrontar com qualquer um dos quadros clínicos que a seguir se mencionam, execute os seus movimentos de massagem de acordo com a situação, a fim de proporcionar o máximo conforto. O ideal seria encontrar alguém que nunca tivesse tido qualquer problema de saúde. Quando se massaja por consentimento mútuo, qualquer um dos elementos se pode aperceber quando algo o incomoda. se tal acontecer, interrompa e analise a situação. A sua própria aptidão também é importante. O seu parceiro poderá pretender uma massagem vigorosa ou tranquilizante, independentemente da sua capacidade para a proporcionar nesse dia. Há uma responsabilidade mútua quanto ao que efectivamente ocorre durante um tratamento. Partindo deste compromisso mútuo, quando alguma das restrições se aplicar, quer à pessoa que está a receber tratamento, quer ao massagista, devemos prosseguir com precaução. Os casos que se salientam são: A pessoa está sob tratamento médico, tendo necessidade de tomar medicamentos com regularidade. A pessoa foi recentemente submetida a uma intervenção cirúrgica. A pessoa sofreu recentemente um acidente ou uma lesão. A pessoa fez recentemente tratamentos de osteopatia ou quiroprática. A pessoa está grávida ou menstruada. Embora existam situações graves em que a massagem é contra-indicada, é muito provável que esta esteja a ser desaconselhada em casos que só iriam beneficiar com o tratamento sem qualquer risco de poderem ser agravados pelo mesmo. Quando, perante uma determinada 55
  • 48. situação, estiver indeciso quanto à conveniência do tratamento, consulte um profissional experiente. Massagem das mãos As mãos, com os seus diversos músculos, articulações e diferentes espessuras de pele, são o primeiro ponto de contacto para o resto do corpo. A massagem das mãos, além de proporcionar uma sensação de tranquilidade, actua também ao nível do sistema nervoso e da circulação reduzindo a pressão do pescoço e cabeça. 1 . Deite o seu parceiro com o braço direito dobrado e o cotovelo apoiado sobre uma pequena almofada. 2. Com a mão entre as suas execute movimentos de effleurage, comprimindo suavemente dos dedos para o pulso, como se estivesse a calçar uma luva (fig. 19). Regresse aos dedos reduzindo a pressão e repita 12 a 20 vezes. 3. Com a palma virada para baixo efectue movimentos de pétrissage com as pontas dos seus dedos e polegares sobre as costas da mão e comprima toda a superfície. Massaje-a com os polegares 12 vezes. 4. Vire agora a mão para cima e comprima a palma e a base do polegar. 5. Mantendo a posição firme, efectue movimentos de effleurage como no ponto 2. 6. Apoie a mão e efectue movimentos de percussion sobre toda a superfície com os seus dedos firmemente esticados. 7. Efectue o effleurage levemente. Coloque a mão do seu parceiro sobre o abdômen e depois repita o tratamento na outra mão. Felicitações se esta for a sua primeira massagem! Pergunte ao seu parceiro quais os comentários ou críticas que tem a fazer e revele-lhe alguma coisa interessante que tenha notado nas suas mãos. Num estádio ulterior pode preferir que os seus tratamentos falem por si proprios. 56
  • 49. Fig. 19 Sequência da “respiração do corpo” A massagem geral que se começa pelas costas permite relaxar rápida e profundamente os músculos de postura. Algumas pessoas habituam-se mais facilmente ao tratamento quando não encaram o massagista. Numa fase preliminar, poderá achar conveniente seguir esta sequência da “respiração do corpo”. Permite desenvolver uma atmosfera calma e oferece-lhe a oportunidade de observar algo muito subtil sobre a estrutura óssea: 1 .Coloque o seu parceiro com o rosto virado para baixo. Ponha uma almofada debaixo do abdómen e dos pés. Os braços podem ser colocados à volta da cabeça ou ao lado do corpo (fig. 20). 2. Suavemente, coloque uma mão a meio das costas e a outra sobre a bacia. Peça-lhe que se descontraia e que respire profundamente. Poderá reparar que o tórax sobe e desce à medida que a respiração é feita; ainda que ligeiramente, consegue sentir um movimento análogo na bacia? 57
  • 50. Fig. 20 3. Retire a mão das costas e coloque-a suavemente na nuca. Após alguns minutos, o movimento da bacia tornar-se-á mais evidente. 4. Concentre-se agora no crânio para detectar um movimento mais fraco. A anatomia ortodoxa ensina-nos que nenhum movimento ocorre numa bacia parada e absolutamente nenhum no crânio; com a prática aperceber-se-á de que, na realidade, toda esta parte do corpo se movimenta em harmonia com a respiração. Quando estiver concluída a sequência, tanto você como o seu parceiro sentir-se-ão calmos e prontos para prosseguir o tratamento. Massagem das costas A massagem completa das costas leva, normalmente, cerca de 15 a 20 minutos e não deverá prolongar-se além disso quando estiver a ser efectuado um tratamento de massagem geral. 1. Coloque-se à frente da cabeça do seu parceiro, abrangendo toda a extensão do corpo. 58
  • 51. 2. Com as duas mãos, efectue movimentos de effleurage deslizando suavemente pelo meio das costas abaixo e regressando pelos lados do corpo até aos braços (fig. 21), Repita 10 vezes aumentando a intensidade. Fig. 21 3. Com os braços cruzados, e no sentido ascendente e descendente, comprima toda a extensão das costas utilizando as palmas das mãos e a zona dos pulsos, durante 30 segundos (fig. 22). Repita o effleurage por 5 vezes, Fig. 22 59
  • 52. Fig. 23 4. Desloque-se para o lado do seu parceiro. Incline-se ligeiramente sobre ele e efectue movimentos de effleurage na nádega oposta. Comprima durante 30 segundos (fig. 23). Pratique effleurage profundamente em movimentos circulares. Efectue movimentos de percussion (ventosa) na nádega durante 10 segundos seguidos de effieurage leve. 5. Pratique o effleurage dos lados do tórax. Durante 30 segundos efectue o pétrissage desde a axila até à cintura e regresse à axila (fig. 24). A seguir, pratique o effleurage profundamente em direcção à axila. Efectue a percussion (batimentos) durante 10 segundos seguida de effleurage levemente. 6. Pratique o effleurage na parte de cima do ombro desde a cabeça até ao braço., Efectue o pétrissage durante 30 segundos (fig. 25). Efectue a percusssion (batimentos) durante 10 segundos seguida de effleurage em movimentos circulares. 7. Mantendo a sua mão em contacto com o corpo, desloque-se para o outro lado e repita todos os movimentos. 8. Regresse à posição 1. Effleurage. como fez inicialmente, mas com movimentos mais leves e lentos terminando assim a massagem. 9. Cubra as costas com uma toalha e peça ao seu parceiro para respirar profundamente 3 vezes.
  • 53. Fig. 24 Fig. 25
  • 54. Como estão as suas costas, apôs ter administrado a massagem? Este é potencialmente o mais cansativo dos tratamentos, e os parceiros muito tensos formam uma superfície muito rígida para se trabalhar, Deverá estar consciente do esforço que está envolvido na posição ligeiramente inclinada que tem de adoptar para trabalhar toda a extensão das costas, pelo que deve desfrutar dos momentos de effleurage quando se sentir cansado. Lembre-se de manter os joelhos ligeiramente dobrados e tente não despender mais do que 20 minutos na massagem das costas. Peça ao seu parceiro que se vire lentamente, pois, caso contrário, ele poderá fazê-lo com um movimento desajeitado ao tentar erguer-se, se estiver sonolento, ou fazê-lo precipitadamente, Mantenha-se perto dele para evitar que isto aconteça, mas nã o tente levantá-lo: em vez disso, retire habilmente as almofadas e apronte-se para as colocar sob a cabeça e as coxas à medida que ele se vira, As almofadas são importantes para ajudar a pessoa a relaxar os membros e o pescoço e, além disso, prolongam os efeitos da massagem das costas. Fig. 26 62
  • 55. Massagem das pernas Com os seus extraordinários movimentos de equilíbrio e locomoção, os músculos das pernas são igualmente hábeis massagistas das suas próprias velas, reconduzindo o sangue despendido de volta ao coração, contra a considerável força de gravidade. Os doentes cardíacos, antigamente confinados a repouso absoluto, são agora aconselhados a efectuarem movimentos enérgicos de pernas para aliviar a tensão do coração. Os sintomas comuns de cãibras e varizes revelam um cansaço e uma excessiva tensão nas pernas - trate delas! 1 .Coloque-se junto aos pés do seu parceiro e de frente para ele, Massaje-o tal como fez com as mãos, embora todos os movimentos possam ser mais intensos, a menos que a pessoa seja muito sensível. Depois de comprimir em torno do dedo grande, siga para o peito do pé, regresse ao dedo; repita 6 vezes. 2. Dobre a perna e coloque a planta do pé sobre a marquesa. (Se a pessoa sofrer de varizes, não efectue os movimentos de compressão e de percussion). 3. Pratique o effleurage com a palma da mão e os dedos seguindo o contorno da parte inferior da perna (fig. 26). Massaje do tornozelo para o joelho, aumentando a intensidade nos movimentos ascendentes; repita 20 vezes. 4. Comprima e role os músculos da barriga da perna pressionando-os com o seu polegar contra o exterior da canela da perna durante 30 segundos, Pratique o effleurage profundamente 5 vezes. 5. Durante 15 segundos execute movimentos de percussion (batimentos) em torno da parte inferior da perna seguidos de effleurage leve. 6. Estenda a perna sobre a almofada e desloque-se para o lado. Pratique o effleurage desde o tornozelo até à bacia; repita 10 vezes. 7. Coloque toda a mão sobre a frente e o exterior da coxa com os polegares próximos do seu corpo. Com a mão nesta posição e mantendo os dedos unidos, comprima a perna durante 30 segun- 63
  • 56. dos, pressionando e soltando. Pratique o effleurage profundamente desde o joelho até à bacia; repita 5 vezes. 8. Efectue movimentos de pétrissage nos tendões da parte interna da perna, os quais podem ser sentidos na parte de trás do joelho; estes e os músculos da virilha são suavemente comprimidos com as pontas dos dedos. Comece pelo joelho e continue até dois terços do caminho para a virilha, sendo este o ponto onde os músculos se separam; repita estes movimentos durante 30 segundos seguidos de effleurage profundo 5 vezes. 9. Efectue movimentos de percussion (batimentos) em toda a coxa durante 15 segundos e de effleurage leve; depois, estenda e massaje toda a perna. Anatomicamente, existem manifestas diferenças entre as coxas do homem e as da mulher - as masculinas são mais musculosas e direitas, enquanto as femininas convergem nos joelhos e têm uma maior tensão na parte exterior. Por uma questão de comodidade e bem-estar, deverá massajar levemente a parte anterior de uma coxa masculina bem musculada e a zona das virilhas da mulher, pois são particularmente sensíveis perto da altura da menstruação, pelo que a massagem deverá ser extremamente suave. Massagem dos braços Os nervos do corpo estão distribuídos de tal modo que alguns dos que controlam os órgãos interiores estão directamente relacionados com os da pele. É este particularmente o caso dos órgãos do tórax com a pele dos braços. As pessoas que sentem uma pressão em volta do coração notam muitas vezes uma sensibilidade peculiar nos braços, devendo-se tal ao facto de a energia nervosa remetida para ambas as partes ter origem na mesma “raiz” do nervo situado na coluna. Através daquilo a que se chama “acção reflexa”, podemos transmitir ao tórax os benefícios relaxantes da massagem do braço. Esta massagem é, por si só, muito calmante, especialmente para quem não consegue aceitar a massagem geral do corpo. 1. Coloque-se na mesma posição que adoptou para a massagem da mão. 64
  • 57. 2. Efectue os movimentos de effleurage a partir do pulso para o cotovelo, 10 vezes, cingindo o braço com ambas as mãos (fig. 27). 3. Suavemente, efectue movimentos de pétrissage, comprimindo o antebraço no sentido ascendente e descendente durante 30 segundos. (Está a massajar os músculos que movimentam os dedos e, por isso, poderá notar a mão trémula.) Pratique o effleurage profundamente 5 vezes. 4. De forma a poder prosseguir confortavelmente com os seus movimentos de effleurage para a parte superior do braço, coloque a mão da pessoa no seu ombro, inclinando-se ligeiramente para a frente (fig. 28). Se preferir, pode colocar o braço sobre a marquesa ou levantá-lo com uma mão enquanto com a outra efectua a massagem. Pratique o effleurage do cotovelo para o ombro 10 vezes. 5. Com as palmas e polegares das duas mãos comprima firmemente os músculos. Continue em direcção aos músculos do ombro, durante 30 segundos. Efectue o effleurage profundamente 5 vezes. 6. Efectue movimentos de percussion (batimentos) em torno do braço durante 15 segundos seguidos de effleurage leve. Fig. 27 65
  • 58. Fig. 28 Tenha cuidado ao massajar a parte superior do braço para não comprimir o “osso do cotovelo”, no qual o nervo cubital, que vai pelo lado externo do braço desde o cotovelo, antebraço e mão até ao dedo mindinho, passa por detrás da parte interior da articulação do cotovelo. Isso não seria minimamente agradável para o seu parceiro, que está a relaxar; e, quanto a si, se na altura a mão dele estiver apoiada no seu ombro, poderá receber uma involuntária bofetada na orelha! Massagem do tórax O tecido do peito das mulheres é muito sensível e cobre os importantes músculos peitorais que movimentam os braços e se situam sobre as paredes do tórax. Os homens podem igualmente sentir um certo desconforto com a pressão directa no tórax, por isso esta massagem tem por objectivo os pontos de drenagem do sistema circulatório e não propriamente os músculos. Quando estes pontos estão muito activos, como durante a menstruação ou períodos de doença (gripe, por exemplo), as pessoas podem não suportar a massagem; contudo, os movimen- 66
  • 59. tos de ventosa, percussion ou fricção sobre as costelas podem aliviar a congestão do tórax. 1 .Coloque o seu parceiro com o rosto virado para cima: ponha-lhe uma pequena almofada debaixo dos ombros. 2. Continue o movimento de effleurage do braço com a palma da mão deslizando ao longo do tórax até à parte inferior da clavícula e sobre o esterno. Efectue o movimento de regresso à axila, ligeiramente mais intenso; repita 4 vezes. 3. Com as pontas ou os nós dos dedos percorra toda a superfície desde o esterno até à axila e somente nesta direcção. Nos homens, pode utilizar tanto a base da mão como os dedos. Repita 4 vezes e efectue o effleurage como no ponto 2. 4. Apoie o braço e movimente-o suavemente à volta do ombro, puxando-o ligeiramente para libertar a tensão dos músculos do tórax. 5. Depois de massajar os dois lados do tórax, solicite ao seu parceiro que respire profundamente e comprima a cavidade torácica durante a expiração. Coloque as suas mãos espalmadas sobre as partes externas do tórax e comprima suavemente, libertando a pressão para permitir uma inspiração mais profunda. Pode combinar a massagem do tórax com a das costas colocando o seu parceiro deitado de lado. Esta posição permite tratar metade das costas, os ombros e a cavidade torácica; tente os movimentos de ventosa para ajudar a suavizar a congestão no interior do tórax. Massagem do abdómen Instintivamente, temos tendência para nos retrairmos quando nos tocam na região do abdómen, talvez porque ela contém os nossos órgãos vitais e é uma zona íntima do nosso corpo ou, talvez, por a sentirmos relativamente desprotegida. O abdómen é, de facto, uma zona altamente nervosa e, juntamente com as razões apresentadas, não nos causa qual- 67
  • 60. quer surpresa quando algumas pessoas não suportam as cócegas que sentem nesta massagem. Poderá pensar que o facto de trabalhar esta zona provoca mais um estado de tensão do que de relaxamento; no entanto, insista, pois é uma massagem muito benéfica. Ensaie e pratique no seu próprio abdómen até desenvolver um toque mais aceitável para o seu parceiro. 1. Coloque-se ao lado da pessoa e perto da marquesa. Pratique o effleurage em torno do abdómen 10 vezes, no sentido dos ponteiros do relógio. Faça movimentos suaves mas não demasiado leves, senão estimulará reflexos no abdômen. 2. Cruzamento: é uma combinação de movimentos de effleurage/pressão que relaxam os músculos da cintura. Dobre os braços e coloque as palmas das mãos sobre a cintura e ligeiramente abaixo dela (fig. 29); comprima e levante a cintura e, seguidamente, deixe o corpo deslizar entre as mãos à medida que atravessa o abdómen. Dobre os braços alternadamente um sobre o outro e repita 6 vezes. Effleurage. Fig. 29 68
  • 61. 3. Com toda a palma da mão e os dedos esticados desde os polegares, comprima o centro do abdómen até às costelas e regresse à frente da bacia, executando este movimento 6 vezes. (Torne os movimentos mais leves à medida que se aproxima da bexiga, que se localiza na parte inferior do abdómen.) Effleurage. 4. Batimentos: esta é outra combinação de movimentos de effleurage/pressão que auxiliam a postura do abdómen. Utilize, alternadamente, a parte exterior e a palma da mão para executar uma ondulação firme desde a parte inferior até à parte superior do abdómen e repita 20 vezes (fig. 30). Este movimento descontrai os músculos da parte inferior das costas e retrai a bacia; os órgãos abdominais que estão deslocados pela gravidade são equilibrados e a congestão abdominal é aliviada. Effleurage. 5. Repita 10 vezes os movimentos de cruzamento e efectue o effleurage como fez anteriormente. Fig. 30 69
  • 62. A massagem abdominal é recomendada como uma excelente automassagem. As mulheres podem achar o movimento de batimentos do ponto 4, quando combinado com a massagem da parte inferior das costas, particularmente calmante para as dores menstruais. Esta massagem pode igualmente ajudar em “estados de depressão”, quando nos sentimos arrasados pelos problemas da vida, pois estimula os terminais nervosos do plexo abdominal, aumentando a energia. Massagem do pescoço (posição deitada) O nosso pescoço sustenta a cabeça mantendo-a firme e é também uma importante ponte de ligação entre o cérebro e o resto do corpo. Se considerarmos as enormes tensões a que o pescoço está sujeito, é notável que as comunicações sejam tão perfeitas. Isto acontece porque o pescoço é uma estrutura muito flexível e elástica - desde que os músculos estejam suficientemente relaxados. Os estados de ansiedade e inquietação aumentam a tensão do pescoço e os nossos ombros têm tendência para subir à medida que os problemas se acumulam. 1 .Com o seu parceiro deitado de costas coloque-se junto à cabeça. Nesta massagem execute todos os movimentos muito lentamente e explique-lhe claramente o que pretende fazer. 2. Para efectuar o movimento de effleurage, rode primeiro a cabeça suavemente para o lado esquerdo, como uma bola, não a levantando. Utilize a sua mão direita para massajar igualmente o pescoço até aos ombros, em movimentos ascendentes e descendentes, 10 vezes. Rode a cabeça para o outro lado e repita. 3. Voltando de novo a cabeça para o lado esquerdo, coloque os seus dedos debaixo do pescoço e o polegar ao longo dele. Comprima suavemente impelindo e retraindo a pressã o da mão sobre o pescoço (fig. 31 ). Evite a pressão directa do polegar. Faça-o durante 30 segundos e depois repita no outro lado do pescoço. 70
  • 63. Fig. 31 4. Centre a cabeça Com ambas as mãos, repita o movimento de compressão desde a base do crânio e sobre toda a parte de trás do pescoço em movimentos ascendentes e descendentes. 5. Alongamento: a. rode a cabeça para a direita com a sua mão esquerda, depois cruze os antebraços e coloque a sua mão direita sobre o ombro esquerdo (fig. 32). Peça ao seu parceiro para respirar muito lentamente. Acompanhando a expiração, alongue lenta e niveladamente a cabeça em direcção ao ombro direito. Se o queixo se aproximar facilmente do ombro, então o alongamento é suficiente. Muito lentamente rode a cabeça para o outro lado e repita; b. apoie a cabeça com ambas as mãos e alongue-a para a frente. O queixo deverá aflorar o tórax. Utilize o mesmo ritmo respiratório do alongamento anterior; 71
  • 64. Fig. 32 Fig. 33
  • 65. c. é uma tracção. Segure toda a cabeça firmemente de maneira que o seu. parceiro se sinta confortável. À medida que ele expira, puxe a cabeça para a frente (fig. 33). Isto pode parecer-lhe arriscado mas, na realidade, é um movimento simples. Este alongamento assenta mais na força descendente exercida pelo movimento de expiração do que propriamente na sua tracção”, pelo que, efectivamente, é aplicada menos força do que nos alongamentos anteriores. 6. Pratique o effleurage em torno da cabeça, pescoço e ombros. Poderá aplicar uma massagem facial enquando o seu parceiro descansa dos alongamentos. Os alongamentos são seguros. Quando estica os músculos do pescoço do seu parceiro sentirá que eles “cedem” ligeiramente, o que é uma consequência do relaxamento provocado pela massagem anterior. Desde o momento em que executar lentamente os movimentos, o seu parceiro controlará sempre todo o alongamento; contudo, nas pessoas de meia-idade e que, naturalmente, têm menos flexibilidade, os alongamentos não deverão ser efectuados sem supervisão. Quando a pessoa tem problemas de artrite com manifesta evidência nos pulsos ou nas mãos, os danos poderã o ser extensíveis às articulações do pescoço, afectando a sua estabilidade; nesse caso, pode proporcionar uma versão muito suave da massagem do pescoço, colocando a pessoa sentada, de costas direitas. Massagem do pescoço (posição sentada) A massagem do pescoço pode ser igualmente aplicada com a pessoa sentada. Tem a vantagem de a pressão provocada pelas tensões poder ser deslocada no sentido descendente e, consequentemente, melhorar rapidamente o estado do pescoço e da cabeça. Esta pode ser uma massagem espontânea, que se pode efectuar em qualquer lugar e tem convertido muitos cépticos ao prazer que uma massagem geral pode proporcionar. 73
  • 66. 1 .Coloque-se atrás da pessoa e efectue movimentos de effieurage começando pelos lados da cabeça, descendo pelo pescoço, continuando nos ombros e acabando nos braços. Repita 6 vezes. 2. Execute ligeiros movimentos de pétrissage na parte mais alta dos ombros. Utilize os polegares apoiando os dedos nos ombros e mova-os do centro para a parte de fora, durante 30 segundos. Effleurage, como anteriormente. 3. Com a palma da sua mão direita, segure a testa da pessoa e, com a mão esquerda, durante 30 segundos, comprima para cima e para baixo a parte detrás do pescoço. Repita alternando as mãos. Effieurage, como anteriormente. 4. Deixe a cabeça descansar apoiada no seu abdômen. Pratique o effleurage desde a testa até às têmporas e do queixo às têmporas. Repita 6 vezes. 5. Pratique o pétrissage levemente no rosto em movimentos circulares, utilizando as pontas dos dedos (muito suavemente perto dos olhos), durante 30 segundos. Effleurage, como anteriormente. 6. Execute a percussion (tapotement), com as pontas dos dedos tocando todo o rosto durante 15 segundos. Effleurage. 7. Volte a colocar a cabeça direita continuando a apoiá-la com uma mão, pratique o effleurage num dos lados, 6 vezes, desde a cabeça, passando pelo pescoço, pelos ombros e chegando ao braço. Repita no outro lado. 8. Solicite ao seu parceiro que mantenha o pescoço fírme e repita os movimentos de effleurage com as duas mãos, 6 vezes, efectuando os movimentos cada vez mais levemente. Conclusão Após terminada uma sequência de massagem, cubra o seu parceiro e mantenha-o aquecido, prolongando-lhe, assim, a sensação de estar a ser cuidado. Após ter sido massajada, a pessoa pode sentir-se sonolenta ou ter mesmo adormecido ou sentir necessidade de falar; deverá estar disponível para este período de transição até estar restabelecida a “nor- 74
  • 67. malidade”, mas pode acontecer que sinta necessidade de se retirar. Os profissionais reconhecem esta probabilidade e preenchem uma hora de tratamento com uma massagem de cinquenta minutos a fim de disporem de alguns minutos para qualquer uma das situações. Quando há muito movimento, é fácil esquecer como estes poucos minutos são importantes para ambos; por isso habitue-se a considerá-los desde o início da sua actividade. Massagens especiais - mobílização Após terminar o tratamento, pode aumentar a sensação de relaxamento do seu parceiro com a “mobilização”. Isto envolve movimentar lentamente cada articulação, seguindo os seus movimentos normais com a colaboração, mas não a ajuda, do seu parceiro. O facto de permitirmos que alguém movimente o nosso corpo não é fá cil e mesmo quando, aparentemente, estamos dispostos a isso, somos por vezes incapazes de nos “descontrair” totalmente. Isto é um sintoma da extensão do acréscimo de energia a que as tensões por vezes induzem e que pode ficar enclausurada” no corpo. Com persistência e movimentos sensíveis, em vez de forçar, conseguirá eventualmente mover o corpo do seu parceiro com uma gradual diminuição de resistência. Membros As articulações dos braços e das pernas são feitas para se movimentarem livremente e possuem fluidos lubrificantes que asseguram a suavidade desses movimentos. Estes ocorrem normalmente por contracções dos músculos sobre as articulações; quando mobilizamos o nosso parceiro, as nossas mãos substituem os seus músculos. Para obter a máxima rentabilidade, movimente as articulações no sentido em que elas parecem querer mover-se e somente um pouco mais para além disso. Exemplo: Apoie o cotovelo na palma da mão e segure a mão do seu parceiro com a sua outra mão. Dobre lentamente o seu cotovelo, parando 75
  • 68. quando sentir que ele está a “ajudar”, até flectir completamente e a seguir volte à posição anterior. Repita até que a articulação do cotovelo se mova com facilidade. Repare que o cotovelo flecte, quer com a palma da mão virada para cima, quer para baixo, movimentando-se nas duas direcções. Ombros Estados de ansiedade e uma postura sempre igual reduzem severamente a capacidade de mobilidade de 360 graus que o ombro deveria ter: o seu parceiro consegue fazer rodar o braço direito sobre a cabeça, levar o braço esquerdo atrás das costas e dobrar o cotovelo tocando os seus dedos? Em caso negativo, o movimento que se segue será benéfico: 1 .Solicite ao seu parceiro que se deite de lado com uma almofada debaixo da cabeça e dobre a perna de cima para a frente para se firmar. 2. Massaje levemente o braço e a parte lateral do pescoço. 3. Entrelace o seu braço com o dele para apoiar o seu peso. Prenda o ombro entre as suas mãos (fig. 34). 4. Movimente o ombro para cima e para baixo, depois para a frente e para trás. À medida que o seu companheiro relaxa e o seu braço se torna mais pesado, inicie um movimento circular. Se, com as pontas dos dedos, conseguir alcançar a parte de baixo da omoplata, isso libertará mais tensão. 5. Volte a colocar o braço na posição normal e efectue o effleurage; depois solicite ao seu parceiro que se vire lentamente. Repita os movimentos no outro lado. Muitas pessoas consideram este tratamento soporífero; se, na altura em que terminar a massagem do segundo ombro, o seu parceiro tiver adormecido, é porque provavelmente tinha necessidade de o fazer; cubra-o e fique por perto. 76
  • 69. Fig. 34 Ancas A rigidez na anca é normalmente acompanhada por um aumento da tensão na nádega do lado afectado - o que pode ser observado colocando a pessoa deitada de barriga para baixo. Este tratamento é igualmente benéfico nos casos de dores nas pernas, as quais têm origem na parte inferior das costas; por exemplo, a desagradável sensação ao longo da parte posterior da perna conhecida como dor ciática e cuja pressão afecta o grande nervo ciático. 77
  • 70. 1 .Deite o seu parceiro de costas para cima. Coloque uma pequena almofada sob o abdômen e uma almofada grande sob os pés. Verifique a tensão nas nádegas. 2. Coloque uma mão na parte superior da coxa enquanto, lentamente, levanta e baixa o pé (fig. 35). Quando há um problema na anca, a articulação do joelho movimentar-se-á com dificuldade. 3. Com a palma da mão, pressione com força a coxa à medida que dobra o joelho até 90 graus. Aumente a pressão na coxa e, a seguir, baixe lentamente o pé, aliviando a pressão à medida que o pé toca a almofada. 4. Repita 3 vezes. Confirme se a tensão na nádega baixou e trate ambas as pernas até estarem igualmente relaxadas. (No caso de a tensão estar localizada somente num dos lados, coloque uma almofada sob o osso pélvico no lado oposto.) Fig. 35 Pescoço As articulações do pescoço permitem grande variedade de movimentos, ao contrário do resto da coluna, que tem de acomodar e apoiar O 78
  • 71. tórax e a bacia. Contudo, as elegantes curvas do pescoço são facilmente sujeitas a posturas rígidas, e estes movimentos pretendem fazer-nos recordar o amplo potencial do pescoço. 1 .Peça ao seu parceiro para se deitar de costas com a cabeça e o pescoço fora da marquesa e apoie-lhe a cabeça com as suas mãos. Esta posição é uma prova de confiança mútua; se a cabeça lhe escorregar das mãos, o seu parceiro conseguira provavelmente recuperar o controlo da situação, mas os músculos do pescoço não lhe desculparão o que aconteceu. (Para segurança de ambas as partes, pode colocar um apoio abaixo da cabeça, como uma pequena mesa, a fim de diminuir a distância, deixando, no entanto, espaço suficiente para permitir os movimentos. Antes de os começar, leia todo o texto e, a seguir, concentre-se nos movimentos.) 2. Muito lentamente movimente a cabeça Iydra cima, para baixo e para os lados (fig. 36). Se for bem sucedido, sentirá a cabeça aumentar gradualmente de peso à medida que o pescoço relaxa. 3. Baixe um pouco a cabeça e segure-a firmemente (fig. 37); rode-a para ambos os lados e, a seguir, baixe-a um pouco mais. Este é o movimento mais importante, por isso, não o apresse. 4. Repita todos os movimentos verificando sempre se o seu parceiro está descontraído e, seguidamente, apoiando sempre a cabeça, ajude-o a regressar à posição normal: deitado na marquesa. Coloque uma pequena almofada debaixo da cabeça e peça-lhe para respirar profundamente. Estes movimentos podem ser muito benéficos nos períodos que se seguem a lesões ou a doenças, devolvendo-nos a confiança relativamente à nossa capacidade normal de movimentação. Após um período de imobilidade, mesmo os movimentos mais rotineiros podem ser dolorosos; no entanto, os movimentos que descrevemos estão isentos de dor. O seu parceiro poderá sentir-se descontrolado após ter delegado em si a responsabilidade dos seus próprios movimentos: esteja, por isso, preparado para um certo desequilíbrio quando ele se levantar e advirta-o da necessidade de se movimentar lentamente no início. 79
  • 72. Fig. 36 Fig. 37
  • 73. Adquira experiência para estes movimentos praticando-os em pessoas em boa forma física, as quais podem inclusivamente partilhar do seu espírito de investigação! Se concluir que um movimento mais intenso poderá ser particularmente benéfico em certos casos, não deixe de confirmar antecipadamente se, para o caso em que está a trabalhar, há alguma contra-indicação. Quando o seu parceiro não está preparado para uma massagem mais profunda, é pouco provável que lhe possa causar qualquer dano, mas poderá confrontar-se com uma situação que irá anular todo o seu trabalho inicial de relaxamento. Revisão Antes de analisarmos as aplicações específicas da massagem, iremos rever o que aprendemos até agora: Está a desfrutar da massagem tanto quanto o seu parceiro parece estar? Para que as suas energias acompanhem o seu entusiasmo, não despenda mais do que uma hora em cada massagem. Uma sessão demasiado longa pode ser extenuante para ambas as partes, e se o número dos seus tratamentos aumentar, não terá capacidade para proporcionar a todos uma sessão muito longa. Tem estado a aprender algo sobre o corpo humano em cada massagem? Mesmo durante um tratamento muito breve, o seu parceiro está a proporcionar-lhe uma lição e uma oportunidade de compreender o funcionamento do corpo humano. Sem fazer com que ele se sinta um “espécime”, adapte o seu plano de tratamento de acordo com quaisquer alterações no seu estado. Tem consciência das implicações a nível emocional resultantes da prática de massagem? Ainda que queira apartar-se dos problemas das pessoas, poderá haver ocasiões em que a sua própria disposição o torna vulnerável às angústias 81
  • 74. do parceiro. Como lidar com esta situação? Se os seus tratamentos estão a decorrer bem, poderá não ter alterações nas suas proprías emoções relativamente à prática da massagem. A fadiga pode ser um sinal deste tipo de tensão e de esforço excessivo, e deverá ter consciência de que, tanto a nível emocional como físico, os seus músculos precisam de equilíbrio. Os profissionais aprendem a dissociar os problemas de uma pessoa para os da pessoa seguinte mediante um sistema de marcações, o que favorece uma concentração exclusiva no problema específico que se lhes depara nesse momento. Num ambiente mais informal é aconselhável seguir outros procedimentos formais, tais como lavar as mãos cuidadosamente ou anotar algumas das suas reacções durante a sessão. A médio prazo é também prudente não “carregar” os problemas emocionais do seu parceiro mesmo quando estes se lhe afiguram fáceis de “carregar”; as pessoas que solicitam mais do que lhes pode proporcionar com a sua massagem deverão ser encaminhadas para profissionais experientes. A sua prática está a aumentar? Quanto mais massagens administrar, mais evidente se tornará qual a parte do corpo ou quais os movimentos que mais naturalmente o atraem. Frequentemente, as pessoas sentem necessidade de cuidados específicos (p. ex.: “Os meus ombros incomodam- me”) e devemos tomá-los em consideração embora tenhamos consciência das vantagens de um tratamento completo do corpo. Sem evidenciar um carácter de diagnóstico, faça saber às pessoas que está a concentrar-se mais especificamente no tratamento de determinados pontos de tensão mais comuns. Em certas situações, isto pode ser a única via de acesso a problemas mais profundos, embora tratáveis, que por vezes as massagens gerais não conseguem solucionar. 82
  • 75. OS OBJECTIVOS DA MASSAGEM Agora que possui alguma experiência dos métodos, tanto você como o seu parceiro terão começado a perceber as razões pelas quais a massagem tem a merecida reputação de terapia. Concedermos a outras pessoas permissão para nos massajarem não é uma decisão que se tome de ânimo leve, contudo, submetermo-nos passivamente ao contacto não é o mesmo que nos disponibilizarmos a ser movimentados; é o estabelecimento da confiança e da cooperação que permite que os movimentos da massagem suavizem o desconforto físico e emocional. Benefícios contabilizáveis foram devidamente investigados por profissionais: em virtude da força persuasiva dos músculos por todo o corpo, a sua hábil manipulação ajuda a circulação sanguínea e os vasos linfáticos, estimula os órgãos do sistema digestivo e excretor e melhora o desempenho dos pulmões e da pele. À medida que os próprios músculos ganham vigor, o mesmo acontece com os nervos que os ligam à medula espinal e ao cérebro. Os nervos fornecem o estímulo para o movimento e sensibilidade e estão extremamente atentos à atmosfera no interior e no exterior do corpo. Não é fácil avaliar a massagem do ponto de vista psicológico, à excepção 83
  • 76. de que a maior parte das pessoas concorda que é uma experiência potencialmente agradável. Iremos agora observar um exemplo real de como a massagem ajudou a resolver um profundo problema emocional. O estudo de um caso Uma pessoa idosa, tendo sofrido uma ataque repentino de “vertigens”, foi observada pelo seu médico, que lhe diagnosticou tensão arterial elevada. Embora a paciente tivesse mantido o mesmo peso durante vários anos, o tratamento prescrito aconselhava-a a perder rapidamente alguns quilos, pelo que deveria fazer dieta. Em virtude de não se verificarem alterações, quer no peso, quer na sua tensão, uma amiga solidária dispôs-se a marcar-lhe um tratamento de massagem. A primeira sessão revelou uma forte tensão no pescoço e ombros. Durante a sessão, a paciente aludiu a uma crise emocional que envolvia o ressurgimento de uma outra pessoa na sua vida e o estado de tensão que o facto lhe estava a causar. Era uma situação dolorosa mas suportável, que tinha sido agravada pela dieta restritiva preconizada para o seu “problema de peso” e que, para ela, estava a ser mais um foco de tensão. Os ombros tornaram-se muito mais massajáveis quando se sentiu tranquilizada quanto ao facto de ser normal um aumento de tensão arterial quando se está sob um estado de tensão emocional. À medida que os tratamentos de massagem continuaram e se estabeleceu uma dieta quase normal, a situação manifestou alguns sinais de evolução e a sua tensão arterial baixou. Contudo, as sessões foram pautadas por uma considerável angústia quando a paciente enunciava os antecedentes da sua crise. Finalmente, conseguiu desabafar com a sua amiga e a sua vida regressou gradualmente à normalidade. Talvez este possa ser considerado um caso exemplar, à excepção de que a paciente estava tão preocupada com a sua reacção perante a cnse como com o que a originara. O que proporcionou a massagem a esta pessoa? 84
  • 77. 1 .Algumas vezes, o diagnóstico médico pode camuflar um outro problema, mas, neste caso, só realçou um aspecto da questão, e de um modo punitivo. A massagem destacou a tensão no pescoço e nos ombros como estando associada à carga emocional e, assim, o alarme provocado pelo diagnóstico inicial (que em si próprio estava a contribuir para a tensão emocional) foi minimizado. 2. O tratamento dos ombros e dos braços permitiu libertar a circulação entre as extremidades e o tórax (o qual tem tendência para se restringir com estados de angústia ou ira). Os controlos nervosos entre o tórax e os braços foram também influenciados e, por isso, foi praticada uma respiração profunda para aliviar a pressão. 3. Os tratamentos permitiram que a pessoa transformasse a atmosfera propícia do tratamento de massagem numa forma de expressão. Isto é bastante diferente de uma resposta em conversa ou análise, na qual se conclui que o problema se tornara fisicamente evidente. O seu diálogo com o massagista permitiu evoluir de uma simples comunicação verbal para resultados práticos a nível muscular; consoante a sua disponibilidade emocional; quando as palavras falhavam, o foco do tratamento regressava aos músculos e, quando a tensão era mais intensa, o diálogo estava presente. O receio A análise deste caso ilustra de que modo o receio, muitas vezes fundamentado em experiências anteriores, influencia os aspectos emocionais da nossa vida. Quando nos sentimos assustados, o nosso corpo desencadeia todo um mecanismo de defesa. A menos que nos tenhamos bloqueado com o medo, o nosso corpo cria, normalmente, as condições necessárias para que possamos actuar heroicamente; quando as circunstâncias impedem essa actividade, desenvolve-se um estado de tensão aguda. Em muitas circunstâncias chamadas “civilizadas”, a acção pode ser inaceitável ou pode mesmo provocar uma tensão ainda mais profunda 85
  • 78. (especialmente interpessoal), pelo que muitas vezes escolhemos uma forma de evasão mais calma e ostensiva, como, por exemplo, comer. De certa forma, esta resposta é curiosa, pois nós temos menos capacidade digestiva quando estamos assustados; alimentos indigestos não são devidamente absorvidos e originam substâncias que circulam pelo corpo e podem, em última análise, conduzir a uma tensão muscular e a uma rigidez nas articulações, características de um intenso estado de medo. A curto prazo, esta sensação de rigidez e desconforto induz a um verdadeiro sentimento de angústia à medida que vamos entrando num ciclo vicioso, permanecendo o problema original obscurecido. Sob o ponto de vista dietético, a opção de comer pode ser uma variante da nossa mastigação primitiva e, consequentemente, podemos considerar o acto de mastigar “pastilha elástica” e fumar seus sucedâneos. (Se a comida for ingerida em tais circunstâncias, afigura-se-nos, pelo estudo do processo digestivo, que comer devagar é menos prejudicial.) Se aquilo que procuramos na comida é uma certa compensação, o conforto que a massagem nos proporciona pode ser a resposta. O contacto necessita de ser genuíno, mais do que experiente embora possa levar o seu tempo habituarmo-nos a ter outra pessoa a “manobrar” o nosso stress. O massagista estará, então, em posição de alterar o nosso estado consciente de frustração ou confusão por uma experiência irrefutável da capacidade de resposta do nosso corpo perante uma tal situação. As tensões e a postura As tensões geradas pelo medo deformam igualmente a nossa postura. Por vezes respondemos a problemas insolúveis com um gesto de projecção do queixo para a frente, comprimindo os braços lateralmente ou recuando a bacia numa atitude de repulsa. Em situações semelhantes, os animais respondem com uma projecção do corpo como se crescessem de tamanho, mas os seres humanos acabam, normalmente, enfraquecidos. Uma tensão retida causa uma contracção da coluna vertebral cuja ma- 86
  • 79. nifestação inicial é uma dilatação do abdómen, um achatamento dos pés e uma inclinação da cabeça para trás. A massagem não só alivia esta tensão como também corrige a postura. Uma postura correcta liberta-nos de um subtil ciclo de tensões. Se uma pessoa mais alta se abaixa, isso faz com que ela pareça mais ou menos ameaçadora para as pessoas mais baixas do que ela? Quando recuamos a bacia se alguém se aproxima, será que nos apercebemos de que tal dá a impressão de que vamos cair sobre a pessoa? Em virtude de estarmos a aplicar um esforço adicional para manter uma tal postura, podemos persuadir os nossos amigos aparentando estarmos descontraídos, mas, mais cedo ou mais tarde, começaremos a ter dores. Os massagistas apercebem-se imediatamente de uma postura inconsistente, e os seus tratamentos têm por objectivo desafiar a tensão sem a remover prematuramente. É como se disséssemos a nós próprios: “Sinto-me ansioso, vou arquear um pouco as costas para relaxar” e esquecemo-nos de que, a curto prazo, umas costas arqueadas também criam ansiedade. Melhor seria descobrirmos tudo isto com a ajuda da massagem em vez de desenvolvermos um problema crónico que terá de ser “corrigido” por meios mais drásticos. Os movimentos da massagem induzem a uma sensação de espaço na nossa própria postura e proporcionam-nos a oportunidade de reavaliarmos as nossas reacções perante os problemas com que a vida nos confronta. Permitem-nos um equilíbrio que nos oferece perspectivas mais positivas perante as muitas situações angustiantes que nos rodeiam, proporcionado aos nossos músculos um desempenho mais construtivo da sua função. Num capítulo anterior descrevi de que modo o corpo se automassaja. Tendo começado a aprender ao que as massagens adicionais podem induzir, tal também lhe permite evoluir no seu conhecimento do corpo. Os seus progressos na massagem aumentarão se associar a sua aptidão inata para tratar a autoconfiança resultante do seu conhecimento. Tudo aquilo que descobrir sobre os benefícios a que a massagem induz, num caso de lesão ou num estado de doença, será uma inspiração para o seu trabalho, contribuindo, assim, para desenvolver mentes sãs em corpos sãos. 87
  • 80. 7 AS TÉCNICAS As técnicas são tratamentos específicos cujas aplicações conseguem alcançar progressos estáveis em determinados estados ou suavizar um problema em que os tratamentos tradicionais falharam. As técnicas estão muitas vezes imbuídas de um certo mistério, um certo fascínio, ou possuem um carácter mais individualizado e podem ser aprendidas em cursos muito dispendiosos. Algumas evidenciam as origens dos problemas e conseguem interpretar a anatomia do ser humano melhor do que qualquer livro, enquanto outras demonstram os talentos dos seus autores. As técnicas estão rodeadas por uma fama que parece sustentar uma promessa de êxito entre o profissional e o paciente. Em todas as profissões, a controvérsia pode gerar-se quanto à escola que administra o “ângulo” mais correcto de uma determinada técnica, e isto conduz à especialização em que o objectivo de beneficiar o paciente pode reduzir a importância do elemento humano nos tratamentos. As técnicas de êxito são descobertas de profissionais dedicados; mas, muitas vezes, não podemos ter a certeza de uma técnica representar o ponto culminante do trabalho de uma pessoa ou meramente um estádio efectivo numa nova direcção. Isto tem sido desconcertante para algumas escolas de terapia, visto que muitos dos famosos e inspirados fundadores 89
  • 81. foram incapazes de explicar satisfatoriamente os seus métodos especiais. Frequentemente, os alunos destes fundadores desempenham mais cabalmente as funções; todavia. poderíamos questionar se um “técnico de massagem”, passados cem anos da sua primeira demonstração, estaria ainda a realçar o seu método específico ou se, pelo contrário, teria adoptado técnicas mais avançadas. À medida que o leitor desenvolver a sua actividade, terá oportunidade de descobrir e aperfeiçoar as suas próprias técnicas. Gostaria que utilizasse este capítulo para experiências, sem criar a ideia de que tem ainda muito mais para aprender. As técnicas descritas ilustram uma qualidade específica do corpo e a perícia dos seus profissionais. Experimente-as e tente associar algumas ideias aos seus próprios métodos. Tente, mesmo que não se sinta inspirado, pois algumas destas técnicas permitir-lhe-ão ter uma ideia do que o seu parceiro poderia sentir se fosse tratado por um especialista. Não poderá reivindicar a perícia de famosos técnicos de massagem, mas, por uma aplicação sucessiva, pode chegar aos fundamentos que os seus pioneiros tinham em mente. Confiantemente, o meu prognóstico incentiva-o no sentido da criação das suas próprias inovações à medida que a sua prática se desenvolve: anote as suas técnicas intuitivas e observe a sua evolução. Aromaterapia A aromaterapia envolve uma massagem em que é utilizado um óleo previamente misturado com uma essência de planta. As próprias essências já são um pouco oleosas, muito aromáticas e normalmente demasiado concentradas para serem utilizadas puras. São extraídas por vários métodos, consoante a sua origem, que pode ser uma fruta, uma folha ou o caule de uma planta. São necessárias grandes quantidades de matéria-prima para produzir uma pequena quantidade de essência pura, e a sua colheita e produção demorada tornam-na dispendiosa. Os óleos essenciais têm sido utilizados terapeuticamente desde os tempos bíblicos. Nos últimos anos, a descoberta das suas composições químicas propiciou uma utilização crescente de essências sintéticas, mas 90
  • 82. estas vieram a tornar-se os perfumes da indústria cosmética. Embora incomparáveis, as novas essências detinham um custo de produção extremamente mais baixo e o seu elevado teor de álcool significava que podiam ser conservadas indefinidamente. Felizmente que a tendência actual aponta no sentido de um retorno aos produtos naturais, o que conduziu a um retornar da procura das verdadeiras e puras essências. Foram feitas investigações que demonstraram que os óleos essenciais possuem as propriedades medicinais que estão associadas às ervas, são anti-sépticos e capazes de equilibrar o estado de espírito de uma pessoa por via dos nervos olfactivos, Embora os óleos sejam extremamente concentrados, eles não provocam efeitos secundários quando correctamente aplicados, apesar de a reacção da pessoa ao tratamento poder ser mais de cariz emocional do que antecipadamente se poderá prever. O tratamento é administrado em massagens parciais e não em todo o corpo, com períodos de effleurage relaxante para permitir que a pessoa aprecie a fragrância do óleo. Para o rosto óleo - Lemongrass (Recomendo que compre um óleo disponível no mercado; pode acrescentar algumas gotas de essência a esse óleo vegetal de base para ensaio, mas isso não é o mesmo que a mistura.) 1. Sentado ou de pé, coloque-se junto à cabeça do seu parceiro. Coloque uma toalha ou fita para afastar os cabelos do rosto. 2. Deite nas mãos algumas gotas da mistura e espalhe-as suavemente sobre o rosto. Pratique o effleurage desde o queixo até às têmporas e sobre a testa; repita 10 vezes. 3. Com as pontas dos dedos, execute movimentos circulares sobre as faces durante 10 segundos. Pratique o effleurage em direcção às orelhas. 4. Efectue movimentos semelhantes ao longo do maxilar até às articulações, em frente das orelhas. Recue até ao queixo e con- 91
  • 83. tinue em torno da boca, movimentando os lábios sem abrir a boca; repita 6 vezes. Effleurage. 5. Massaje à volta dos olhos e efectue o effleurage com um dedo e mais firme na parte superior; repita 3 vezes. 6. Procure linhas de tensão na testa - horizontais, verticais ou ambas - e friccione em ângulos rectos durante 10 segundos. Pratique intensamente o effleurage no sentido ascendente e descendente. 7. Segure os lóbulos das orelhas e puxe-os suavemente para baixo e para fora afastando-os da cabeça; repita 3 vezes. 8. Percorra todo o rosto com tapotement - batimentos com as pontas dos dedos - evitando os olhos. 9. Pratique o effleurage no rosto desde o queixo até às têmporas e sobre a testa, 10 vezes, tornando os movimentos muito suaves para terminar. 10. “Penteie” o cabelo, massajando suavemente o couro cabeludo. Agarre madeixas de cabelo e comprima-as ou puxe-as até o couro cabeludo esticar; repita 3 vezes. Não conseguirá voltar a massajar o rosto depois de esticar o cabelo, por isso complete o tratamento com effieurage sobre os ombros. Embora envidemos os melhores esforços para manter a higiene do nosso rosto, sob o ponto de vista de um massagista ele é, na realidade, uma parte do corpo que tendemos a negligenciar. As nossas expressões fixas conservam os músculos do rosto sob tensão durante longos períodos de tempo e a agressão da poluição da vida citadina e os efeitos do ar condicionado são altamente nocivos para a pele. Tensão no pescoço contribui, também, para aumentar as pressões que se instauram, especialmente em torno dos olhos, obstruindo a circulação e a drenagem. As mulheres podem confundir os benefícios intensos da massagem facial com os tratamentos de beleza “facial” e muitos homens terão perdido a oportunidade de experimentar esta massagem, pois, antigamente, ela era utilizada nos barbeiros. Revivifique a massagem facial! 92
  • 84. Para as costas (Rigidez e dores após actividades, e,@lórç,os, etc.) óleo - Salva 1. Antes de aplicar o óleo, friccione toda a zona das costas com a palma das mãos e as pontas dos dedos para activar a circulação (hiperemia). 2. Coloque-se junto à cabeça do seu parceiro. Verta o equivalente a uma colher de chá cheia de óleo nas mãos e aplique sobre as costas. (Poderá, depois, precisar de mais óleo, consoante o tipo de pele). 3. Pratique o effleurage 10 vezes no sentido inverso, massajando pelo meio das costas abaixo e regresso via cintura e lados do tronco até às axilas. 4. Com as pontas dos dedos “varra” toda a superfície das costas. 5. Com a parte exterior das mãos ou os nós dos dedos deslize pelas costas em ângulos diferentes. 6. Com movimentos firmes agarre a pele, especialmente na zona dos ombros. Pratique o effleurage profundamente. 7. Com os polegares faça movimentar a pele em forma de “S” (fig. 38). 8. Levante a pele e role-a entre os polegares e os restantes dedos desde a parte de cima das costas até abaixo e na parte lateral do tronco, 9. Repita o eft7eurage vigorosamente no sentido inverso na parte inferior das costas e, no retorno, distenda os ombros. 10. Cubra o seu parceiro e mantenha-o quente. Conceda-lhe o tempo necessário para recuperar do seu tratamento aromaterapêutico. Não tente comprimir os músculos das costas quando utiliza o óleo porque não terá controlo suficiente. Dirija os seus movimentos para a pele, tonificando-a e activando a circulação dos músculos que se encontram por baixo. Quando o seu parceiro se sentir emocionalmente fragilizado ou cansado, esta técnica “superficial” é a mais tolerável e inócua e revigora os músculos. 93
  • 85. Fig. 38 Hidroterapia A hidroterapia é aplicada em conjunto com a massagem. O efeito da água sobre o corpo pode aliviar profundamente a dor e redistribuir a circulação, além de ter uma acção tonificante. Os animais praticam uma forma de hidroterapia ao lamberem as suas feridas e ao mergulharem nas águas dos ribeiros quando estão feridos. O padre Kneipp, curador espiritual que viveu no século xix, foi pioneiro da hidroterapia na sua clínica da Baviera e granjeou fama pelo sucesso da sua técnica em muitos desequilíbrios do corpo humano. Os benefícios da terapia da água advêm da reacção do nosso corpo, que tem sangue quente: breves aplicações de água a diferentes temperaturas sobre a pele têm normalmente um efeito oposto; a água fria actua sobre o corpo como um tonificante e é, vulgarmente, preferida à quente, 94
  • 86. mas a temperatura depende da constituição da pessoa. As pessoas magras aguentam uma temperatura fria ligeiramente abaixo da temperatura normal do sangue, ao passo que os corpos robustos reagem melhor a extremos. O facto de nos deixarmos alarmar pela perspectiva de um contacto com água gelada fundamenta-se na expectativa de uma longa imersão. Contudo, o nosso corpo tolera o frio muito mais facilmente do que demasiado calor, tal como as crianças pequenas e as pessoas que recuperam de condições de frio extremo nos fazem recordar; um sobreaquecimento é muito mais perigoso para os nossos organismos. Os tratamentos quentes, que devem ser aplicados gradualmente, são utilizados para acalmar e relaxar e são particularmente eficazes na parte posterior do corpo. Os exemplos de hidroterapia que se seguem são de aplicação fácil e, todavia, muito eficazes em dois problemas comuns. Para os espasmos musculares e alívio da dor (p. ex., os músculos da barriga da perna) É difícil relaxar a imensa tensão de um espasmo muscular devido às deficiências químicas e nervosas no interior do músculo nesse momento, as quais o tornam hipersensível. Mesmo que sejamos capazes de aplicar uma pressão moderada à parte afectada, isso poderá ainda ser insuficiente. Poderíamos tentar mais pressão e substituir a dor inicial por uma ainda mais forte - como morder numa dor de dentes - mas tal poderia resultar em danos adicionais. O método que se segue é uma maneira muito mais segura de conseguir alívio: 1 . Tenha uma taça com água muito quente e uma com água fria. Coloque perto de si uma chaleira quente e um saco de gelo para acrescentar”. Ensope uma toalha de rosto em cada um deles; aplique a toalha quente depois de a torcer e durante 30 segundos; depois a fria, também durante 30 segundos. Repita 6 vezes mergulhando-as na água antes de cada uma das aplicações. 95
  • 87. (Após o quente e frio inicial, sentirá a temperatura menos acentuada e poderá, então, adicionar mais água quente e gelo após a terceira aplicação.) 2. Massaje o músculo durante 3 minutos, aplicando o effleurage profundamente. Cubra-o e mantenha-o aquecido. Esta hidroterapia funciona bem nos membros e no pescoço; os músculos do tronco, especialmente os das costas, respondem melhor a um curto e quente banho de imersão: 3 a 5 minutos antes e depois da massagem. Para as varizes da parte inferior da perna O sangue venoso, de volta ao coração por vasos de finas paredes junto à superfície do corpo, pode sofrer impedimentos. O sangue que circula nas pernas tem de superar adicionalmente o efeito da gravidade e, em casos de fortes pressões no abdômen ou durante a gravidez, as veias dilatam e o sangue “entope” em vez de fluir - as veias incham e as pernas doem. Esta técnica proporciona um gratificante effleurage e não comprime a veia dolorida. 1 .Prepare um banho quente e sente-se com as pernas fora da água. Com o chuveiro de mão (ou alguém que lhe verta a água fria) banhe a perna com água fria do tornozelo até ao joelho, e só nesse sentido, pelo menos 12 vezes (fig. 39). 2. Seque o corpo, mas as pernas envolva-as simplesmente numa toalha. Descanse durante 10 minutos com almofadas debaixo desta parte das pernas e os joelhos dobrados. 3. Faça uma massagem às costas e ao abdômen para aliviar a tensão das veias varicosas. 96
  • 88. Fig. 39 Osteopatia A osteopatia é uma forma de tratamento manipulatório, concebido no século XIX por Andrew Taylor-Still, no Karisas, EUA. Taylor-Still era um compassivo observador da estrutura óssea do corpo e defendeu que a nossa postura influencia fortemente o funcionamento dos outros sistemas, particularmente o nervoso. As técnicas osteopáticas têm como objectivo libertar uma tensão anormal de zonas lesionadas”, especialmente em torno da coluna vertebral. Os osteopatas recebem preparação rigorosa para se tornarem especialistas em problemas musculares, articulatórios e ósseos. A técnica é considerada vigorosa mas, nos últimos anos, a popular imagem das costas a estalar” cedeu lugar a um estilo mais suave. A técnica que a seguir se descreve é uma abordagem moderada e solicita a colaboração do seu parceiro. Pode ser utilizada em qualquer uma das articulações dos membros; depois de uma lesão estar sarada, mas com sinais de rigidez; quando, em consequência de más posturas, um dos lados do corpo se tornou mais leve do que o outro ou como um meio de relaxamento mais profundo após uma massagem geral do corpo. 97
  • 89. Deite o seu parceiro de costas. Dobre um dos joelhos e aproxime-o o mais possível do tórax. Repita com a outra perna e compare com a flexão da anca. (Pergunte ao seu parceiro se confirma a sua observação.) 2. Depois de relaxar ambas as pernas, dobre para cima a que está mais rígida” e, suavemente, pressione-a o mais possível em direcção ao tórax. Pare 3. Peça ao seu parceiro que contrane firmemente a pressão que exerce sobre ela. enquanto lhe oferece uma resistência igual para Firmar o seu esforço (fig. 40). Mantenha-a durante 5 segundos. 4. Diga-lhe para relaxar lentamente. À medida que a pressão diminui. acompanhe-a lentamente comprimindo a perna e aproximando-a do tórax. Incline-se sobre a perna, em vez de a empurrar com as mãos. e aguarde até a articulação se soltar um pouco Fig. 40 98
  • 90. 5. Recomece a partir desta posição e repita a técnica por mais duas vezes. Não deverá causar qualquer dor, e o seu parceiro ficará surpreendido por verificar até que ponto elas podem “ceder”. Não está a forçar a anca mas, antes, a conduzir a perna para o espaço criado ao soltar os músculos antagónicos da anca. Se o seu parceiro tiver um problema reumático na articulação, poderá não conseguir melhorar consideravelmente esta posição e a pressão será dolorosa. Contudo, se desfrutar da sua confiança, pode seguir a técnica, sem ser à letra”, o que permitirá relaxar a articulação e talvez até libertar a dor da rigidez. No entanto, num caso de substituição da articulação da anca, tome cuidado! As flexões forçadas sobre uma articulação artificial podem resultar em deslocação. Apoiando simplesmente a perna, com o joelho flectido, enquanto o seu parceiro a movimenta Cmovimento activo”), ajudará a relaxar os músculos sem correr riscos. Terapia da polaridade A terapia da polaridade é uma técnica subtil que considera o corpo como um sistema energético, com aspectos “positivos” e “negativos”: + na cabeça; - nos pés; + na parte anterior; - na parte posterior. O terapeuta coloca uma mão polarizada (+ = direita) sobre a parte do corpo que está a causar incómodo e, efectuando pouco ou nenhum contacto, produz um efeito equilibrador. Randolph Stone (1890-1983), um austríaco que viveu nos E.U.A. e na índia, é considerado o “pai” da terapia da polaridade, que descreveu como sendo uma mistura de técnicas orientais. A polaridade é particularmente útil quando os músculos estão de tal modo tensos que a massagem se torna difícil, ou quando não há possi- 99
  • 91. bilidade de os manipular, como, por exemplo, no caso de uma pessoa estar engessada. A aplicação da técnica em tensões crónicas pode ter efeito fortemente emocional. Eu apliquei esta técnica numa pessoa que tinha “ tentado” vários tratamentos durante alguns anos. Após 10 minutos de polaridade (o paciente tinha os olhos fechados e, por isso, não podia ver onde as minhas mãos estavam posicionadas) aludiu a sensações de desbloqueamento na sua cabeça. “Não sei o que esteve a fazer, mas eu não ia aguentar muito mais!” É uma boa ideia fazer um tratamento de polaridade para que possa ter consciência das sensações de “libertaçã o” que podem ocorrer para a eventualidade de a querer aplicar em alguém. Aninhar a cabeça Este é o tratamento preparatório para polaridades mais complexas. 1 . Com o seu parceiro deitado de costas, coloque as mãos aos lados da cabeça, com a esquerda ligeiramente mais alta. 2. Os dedos indicadores deverão apontar em direcção ao tórax. As mãos deverão acompanhar a forrma da cabeça, envolvendo-a ligeiramente mas sem a segurar (fig. 41). 3. Mantenha-se naturalmente descontraído sem qualquer esforço e conserve um espírito aberto. Não peça ao seu parceiro para se descontrair mas, ocasionalmente, diga-lhe para respirar fundo. 4. Faça-lhe sentir a sua presença com espontaneidade, como se estivesse simplesmente a fazer- lhe companhia, aceitando o seu estado em vez de tentar alterá-lo. 5. Inicialmente, restrinja a sessão a 5 minutos até estar familiarizado com esta técnica. Após terminar, efectue uma respiração profunda. A terapia da polaridade está particularmente indicada para as manifestações físicas consequentes de desequilíbrios psicológicos. Não se surpreenda pelas exteriorizações do seu companheiro resultantes da li- 100
  • 92. bertação de tensão: suspirar, tossir, rir ou chorar. Antes de decidir aplicar a polaridade em alguém, assegure-se de que tem condições para acolher manifestações emocionais espontâneas. Fig. 41 Reflexologia As antigas civilizações egípcias e chinesas aplicaram a reflexologia, algumas vezes designada por “Terapia de Zona”. Esta baseia-se na teoria de que os pontos reflexos espalhados pelos pés e pelas mãos estão relacionados com diferentes áreas do corpo. Conforme sabemos pela nossa experiência diária, as plantas dos pés e as palmas das mãos estão profusamente abastecidas de terminais nervosos, mas estes são independentes dos pontos reflexos. Pensa-se que a técnica evoluiu a partir da acupunctura chinesa, a qual, comparada com a racional medicina ocidental, é muito humanística 101
  • 93. e concebe a existência de uma energia global do corpo (incluindo a personalidade). Os reflexos prolongam-se desde as extremidades até ao topo da cabeça, ao longo dos “meridianos”, ou caminhos, e envolvem componentes da nossa saúde física e emocional. Ao aplicar pressão nos pontos reflexos, o reflexologista liberta a congestão ao longo dos meridianos e harmoniza o funcionamento dos órgãos do corpo. Os rfflexos da coluna Se se sentir inseguro quanto ao tratamento a aplicar em alguém com problemas” de coluna ou se o seu parceiro estiver com espasmos nessa zona, tente esta técnica: Fig. 42 102
  • 94. Com o seu parceiro de pé e, depois, deitado, compare a silhueta do pé com a da coluna. Pessoalmente encontrei sempre correspondência (fig. 42). Por exemplo, um longo arco do pé estará reflectido na região lombar da coluna. uma curva pronunciada sobre a base do dedo grande é normalmente observada como uma curva pronunciada na região dorsal da coluna. 2. Coloque uma almofada sob os joelhos e tornozelos, para que os pés fiquem estendidos. Sustenha o pé segurando ligeiramente os dedos e pratique o éffleurage no peito do pé com o dedo polegar ou a base da mãos. exercendo idêntica pressão em ambas as direcções. Com a ponta do polegar, percorra o peito do pé e procure sentir pontos duros ou “nós”. Estes pontos são, normalmente, inesperadamente dolorosos para as pessoas com problemas de coluna reflectirão os pontos mais tensos da coluna vertebral. 4. Usando a parte menos polposa do polegar mantenha uma pressão circular constante no ponto dolorido, como se o estivesse a esfregar. Poderá aumentar gradualmente a pressão e a dor diminuiirá. Ao longo da região do pé que representa a coluna há normalmente, pelo menos, dois pontos extremamente dolorosos. Despenda no mínimo 2 minutos em cada ponto. 5. Pratique o effleurage no peito do pé e passe para o outro. Antes do tratamento pode lavar os pés a tratar com água quente e, depois, as suas mãos em água fria. Se durante a massagem começar a sentir um certo desconforto nas mãos, pare e sacuda-as, será simultaneamente uma pausa refrescante e útil para o seu parceiro. Muitas pessoas adormecem durante o tratamento por reflexologia, por isso, para as acordar, pronuncie suavemente o seu nome ou toque-lhes levemente na mão. Shiatsu Shiatsu é uma palavra japonesa que significa massagem por pressão dos dedos. Os profissionais utilizam os polegares. os cotovelos e os 103
  • 95. calcanhares para erradicar as tensões do corpo. Muitos japoneses utilizam os serviços domiciliários do terapeuta de shiatsu e é vulgar os membros da família praticarem-no entre si. O shiatsu é conhecido por provocar um efeito calmante em casos de hipertensão e um efeito contrário em pessoas com problemas de tensão baixa. Muitos consideram esta técnica eficaz para aliviar dores, e isso prova o que instintivamente já sabemos - a pressão num ponto sensível liberta, muitas vezes, a tensão de uma área mais extensa. Presume-se que o shiatsu trabalhe com os meridianos do sistema chinês. Para o ombro Com o seu parceiro sentado, coloque-se atrás dele e peça-lhe para movimentar o ombro mais rígido. Comprima suavemente em torno da articulação do ombro e da omoplata. Poderá dar-se o caso de ele estar dolorido ou entorpecido nessa zona. Numa massagem normal tentar-se-ia descontrair essa área com pétrissage; em vez disso, tente o seguinte: 1. Faça pressão com o polegar e movimente-o por todo o ombro, sondando em profundidade. É muito provável que venha a descobrir um ou mais pontos inesperadamente doloridos. 2. Coloque o polegar (ou ambos os polegares, no caso de um ombro forte) directamente sobre um ponto (fig. 43). Peça ao seu parceiro que expire lentamente enquanto comprime directamente o ponto durante aproximadamente 10 segundos. Liberte a pressão gradualmente, à medida que ele inspira. 3. Deverá explicar os procedimentos ao seu parceiro para o preparar para os efeitos da pressão directa. O anterior ponto dolorido tornar-se-á menos sensível à medida que ele expira, e pode motivá-lo expirando em uníssono. Poderá também ajudar se ele visualizar a dor a ser expelida do seu corpo. 4. Repita 2 vezes mais noutros pontos circundantes. 5. Movimente o ombro suavemente e pergunte-lhe se ele sente os movimentos mais soltos. 104
  • 96. Fig. 43 Para a fadiga Este shiatsu combina-se com os princípios da reflexologia pelos seus benefícios: 1. Deite o seu parceiro de costas para cima, num chão almofadado, com uma pequena almofada debaixo dos pés, deixando-os a cerca de 30 cm um do outro. 2. Delicadamente, coloque-lhe os seus calcanhares sobre as plantas dos pés (fig. 44). 105
  • 97. 3. Aumentando gradualmente a pressão, comprima os pés, transferindo o seu peso alternadamente de um pé para o outro. durante 10 minutos no máximo. 4. Envolva os pés para os manter quentes e solicite ao seu parceiro que procure uma posição em que se sinta confortável para continuar a relaxar. Poderá ser uma boa ideia, no primeiro tratamento, banhar antecipadamente os pés em água quente para activar a circulação. Isso tornará as plantas dos pés mais flexíveis e poderá compensar a tendência para cãibras no peito do pé devido à compressão. Se esta circunstância se manifestar, pare imediatamente, estique-lhe o dedo grande e peça-lhe para respirar profundamente antes de tentar continuar. Pode ter ouvido falar de uma técnica de massagem que envolve “caminhar” sobre todo o corpo a partir dos pés e incluindo a coluna; é uma experiência maravilhosa mas não aconselhável sem supervisão de um perito. Tomei contacto com esta técnica por intermédio de uma indonésia altamente qualificada, tão hábil que conseguia seguir directamente de um corpo para o seguinte! Fig. 44 106
  • 98. MASSAGENS ESPECíFICAS PARA lESõES As lesões fazem parte do nosso quotidiano - são um registo dos nossos esforços excessivos. Por vezes, não nos apercebemos de uma lesão, como por exemplo uma antiga contusão que não sabemos explicar, enquanto a fractura de um osso, embora raramente fatal, se pode vir a tornar num dos maiores inconvenientes da vida. Todas as lesões são traumáticas na medida em que a nossa consciência regista uma reacção a qualquer agressão; quando vivemos esta situação, considera-se que estamos em “estado de choque”. Ao contrário da doença, em que muitas vezes ocorrem recaídas, nós temos uma capacidade de recuperação total na maior parte das lesões. Mesmo as pessoas educadas para considerar o parto uma doença, se admiram da capacidade de auto-recuperação de danos corporais. Ainda que as sofisticadas unidades hospitalares de cuidados intensivos e emergências proporcionem um atendimento especializado e uma monitorização perfeita, a sua atmosfera ultra-esterilizada e impessoal não acelera o processo curativo. Mesmo em circunstâncias de cuidados mínimos, até as lesões mais devastadoras se auto- regeneram. O nosso sistema nervoso é tão sensível que, por exemplo, quando temos consciência de ter feito um corte na 107
  • 99. pele já o nosso organismo iniciou o seu processo de restauro. Poucos medicamentos exercem uma acção positiva sobre as lesões; o osso fracturado - embora nalguns casos solicite a intervenção da cirurgia para alinhamento - sara e recupera sem quaisquer cuidados ulteriores. Na grande maioria, todos sofremos já lesões, mas, aparentemente, elas acontecem a alguns com mais frequência do que a outros. Não podemos assegurar a nossa saúde contra lesões; todavia, elas parecem ocorrer com uma certa predição: as pessoas em condições físicas precárias têm dificuldade em aguentar estados de tensão; o cansaço e a tensão tornam-nos vulneráveis até ao menor esforço; um regime alimentar desequilibrado pode conduzir a um estado de fraqueza geral; a falta de cuidados resulta, muitas vezes, em danos pessoais. Iremos iniciar a nossa análise descrevendo os aspectos teóricos da lesão relativamente aos tecidos mais delicados do corpo e abordaremos as massagens que podem auxiliar no processo curativo. Se quiser obter conhecimentos sobre o tratamento e o modo como lidar com as lesões, é essencial o estudo do “Manual de Primeiros Socorros” da Cruz Vermelha ou qualquer outro equivalente. O que é uma lesão? Quando nos lesionamos, a nossa reacção é proporcional à limitação que o facto nos causa. Sob o ponto de vista do tratamento, as lesões podem ser classificadas em dois grupos: “triviais”, os casos em que os danos são ligeiros e a recuperação depende de um período de descanso; e as “graves”, situações em que existe uma destruição ou interrupção do tecido, causando incapacidade. Triviais Esta categoria engloba situações e danos, circunstâncias em que partimos do pressuposto de que a nossa lesã o é insignificante em virtude da sua causa simples. Também as nossas reacções secundárias nem 108
  • 100. sempre são fáceis de avaliar; normalmente, há uma ligeira rigidez e alguma inflamação mas, se os sintomas abrandam após vinte e quatro horas, assumimos que se instaurou o processo de recuperação. Muitas lesões triviais são causadas por uma utilização abusiva do nosso corpo e se, ao abrandarmos o esforç o, a dor não desaparecer, a pausa e o descanso resolvem, normalmente, o problema. As lesões triviais que têm um carácter aparentemente periódico, tal como os “problemas de coluna”, requerem uma averiguação não só da extensão do estado, mas também das circunstâncias que o provocam. Graves Uma lesão inicialmente trivial pode derivar numa lesão mais grave. Aliás, tal será óbvio desde o momento em que um inchaço, perda de sangue ou uma dor mais intensa apareçam - o que indica a ocorrência de algum dano mais grave. “Graves” não significa mais risco de vida; na realidade, uma forte reacção à lesão demonstra que o organismo está saudável e na posse do pleno controlo das suas capacidades. Será, simplesmente, necessário mais tempo para recuperar e isso proporcionará a oportunidade para serem feitos os tratamentos adequados de modo a optimizar o esforço do corpo. O que acontece durante uma lesão? O corpo perde sangue. Em virtude de os capilares poderem romper-se com facilidade, as lesões envolvem, quase inevitavelmente, perda de sangue. O sangue derramado permanece entre as camadas dos tecidos do corpo e é posteriormente distribuído, sofrendo o efeito da gravidade. Tal explica a razão de uma nódoa negra nem sempre se manifestar na zona dolorida. Se houver uma perda significativa de sangue, isso pode causar um grave desequilíbrio na pressão arterial, muitas vezes mais grave do que a própria lesão. A hemorragia deve ser sempre estancada 109
  • 101. (tomando cuidado com quaisquer corpos estranhos no interior da ferida) com água fria, pressão e elevação, em vez do “torniquete”. Logo após a ocorrência da lesão, os pequenos vasos começam a constringir e o sangue coagula - acção levada a cabo pelas células coagulantes do sangue, as plaquetas, as quais, juntamente com os fibroblastos (ou células matriz) unem de novo os tecidos. Contando que uma lesão não seja agravada, tudo isto se passa muito rapidamente, por isso é aconselhável não mover desnecessariamente uma pessoa lesionada, a menos que ela esteja em posição de um perigo ainda maior, Há inflamação e dor. Em simultâneo com a perda de sangue, temos a acção das estruturas adjacentes não afectadas, as quais estimulam a dilatação dos vasos contíguos e permitem que o sangue, mais fluido do que o habitual, chegue à lesão. Este sangue contém um número adicional de células brancas, os leucócitos, que limpam a lesão - processo que se designa exsudação. A exsudação é extremamente eficaz na desinfecção da lesão, ajudando a endurecer a zona e inibindo o movimento, o qual agravaria os danos. A sua presença estimula igualmente o crescimento de tecido novo. Calor, vermelhidão, inchaço e fragilidade são indicadores de exsudação, Se considerarmos o significado implícito nesta resposta espontânea, deveríamos suportar as dores secundárias com ânimo, mas a intervenção da massagem pode suavizar muito o desconforto. O tratamento de uma lesão começa pelo controlo da dor e um tratamento cuidadoso terá por objectivo evitar complicações subsequentes de uma má interpretação das reacções. Lesões comuns Quando uma pessoa está gravemente lesionada é preferível entregá-la aos cuidados médicos do serviço de saúde mais próximo. Isto torna-se imperativo para que todos os aspectos da lesão possam ser devidamente examinados. Poderá ser solicitado para administrar primeiros socorros, mas o mais provável será a pessoa consultá-lo após o 110
  • 102. diagnóstico. O tratamento que aqui se descreve só tem aplicação após efectuado um diagnóstico competente; se for confrontado com uma situação em que tenha de lidar com uma lesão sem prévia assistência médica, deverá confiar nas suas próprias capacidades, seguir os princípios de primeiros socorros e actuar com autoconfiança para poder tranquilizar o lesionado. Luxação Normalmente, quando isto acontece, significa que uma articulação foi deslocada da sua posição normal, ou desarticulada, devendo-se receber tratamento por especialistas, em muitos casos sob anestesia geral. Uma vez fui um dos membros de uma equipa de cinco “não especialistas” que trataram, com sucesso, um ombro deslocado, mas isto passou-se numa ilha remota em que a única iluminação eram velas, Podemos ter sido auxiliados pelo facto de o lesionado estar sob os efeitos de excesso de álcool; certamente que o “choque” que a equipa sofreu ao tomar a decisão de o tratar foi maior do que o seu! Lesões nos ossos Muitas vezes, estas lesões estão camufladas por graves lesões nas articulações. A lesão mais grave que pode ocorrer nos ossos é uma fractura. a qual é. normalmente, tão óbvia e explícita que é difícil imaginar a situação, não rara, de uma pessoa que se passeia ignorando a sua perna partida. As fracturas variam desde uma simples lesão de esforço” até situações muito complicadas em que fragmentos de ossos interferem com outros tecidos (tal como uma costela com um pulmão). Talvez devido à confiança que depositamos na capacidade de regeneração dos ossos, outros factores, tais como a entorse e ruptura que estão associados à fractura, tendem a ser negligenciados. os tratamentos de massagem são aconselhados não só durante como após a imobilização de fracturas.
  • 103. Lesões na coluna Estas lesões têm mais probabilidade de ocorrer em locais específicos de stress, entre vértebras características: por exemplo, desde o pescoço (cervicais) até ao tórax (dorsais) e na junção da coluna com a bacia (sacro-ilí aco). As lesões mais graves da coluna envolvem uma pressão inaceitável nos discos entre as vértebras, os quais actuam amortecendo os choques. Os discos estão projectados para acomodarem as várias pressões da postura e reduzem a sua espessura à medida que o dia evolui - tal como as almofadas da nossa mobília - recuperando a sua forma após o repouso. Contudo, com a pressão desigual, o disco pode ser comprimido contra estruturas adjacentes, tal como o nervo espinal, e, do local, pode irradiar uma dor intensa. As fracturas na coluna são emergências médicas. Para evitar problemas de coluna devemos manter uma postura correcta e alinhada, o que induz a mais resultados do que os próprios exercícios; mas os incentivos para uma postura aperfeiçoada têm de ser atractivos e mais aprazíveis se se quiser que um bom trabalho de massagem na coluna tenha efeitos duradouros no parceiro. Aplicando o seu conhecimento sobre a estrutura óssea, poderá conseguir demonstrar: - que a sua coluna está ao centro do corpo (mais do que as suas costas”) e está preparada para suportar, sem esforço, uma postura erecta; - que é mais importante sustentar os músculos do abdômen (mesmo com as mãos!) do que tentar relaxar umas costas tensas (fig. 45); - que o facto de se sentar provoca mais tensão numa coluna dolorida do que manter-se de pé; - que andar devagar ou deitar-se com as pernas levantadas e flectidas é relaxante para a coluna. Lesões no desporto e no lazer Estas lesões verificam-se em consequência de uma má preparação física, uma técnica deficiente e um entusiasmo excessivo Todos os desportos contêm uma margem de risco de lesão superior à da nossa vida 112
  • 104. quotidiana, especialmente quando são efectuados para contrabalançar um estilo de vida “não saudável”. Os desportos podem requerer um esforço unilateral do corpo e o stress que os desportos competitivos por vezes provocam ultrapassa os benefícios do próprio treino. Fig. 45 Como os músculos do abdômen sustentam a coluna Reabilitação Este processo envolve exercicios especiais que desempenham uma parte integrante da massagem, quando os auxiliares dos músculos, os ligamentos, que sustentam as articulações, estão também danificados. Lesões nas articulações Estas lesões ocorrem normalmente em consequência de quedas e variam desde a entorse, em que os ligamentos são esticados ou torcidos, até à luxação, uma grave e violenta perda de postura. Uma articulação acolherá, frequentemente, uma lesão para poupar a fractura de um osso 113
  • 105. principal. Isto pode ser conveniente a curto prazo; mas as lesões numa articulação saram lentamente e podem, mais tarde, provocar problemas de reumatismo se não forem devidamente tratadas, ao passo que os ossos cuidam de si próprios quase sozinhos. As articulações são indulgentes com pressões extremas desde que sejam muito lentas, enquanto que os movimentos repentinos, embora suaves, podem facilmente provocar rupturas. As técnicas de manipulação utilizam este princípio do “esticão” com fins terapêuticos, quando as articulações começam a ficar rígidas. Se experimentou este processo de tratamento de coluna, recordar-se-á de como a sua atenção é muitas vezes desviada pela conversa que o profissional vai mantendo consigo; por exemplo: “Sabe quantos osteopatas praticam no Arkansas?” - e enquanto procura uma resposta coerente, a sua problemática articulação é empurrada para trás e alinhada. Músculos fortes e flexíveis são a melhor protecção contra possíveis lesões de articulação. As rupturas de ligamentos podem ser cirurgicamente restabelecidas mas, desde o momento em que as partes rasgadas estejam em contacto e fiquem em repouso, a cura processa-se naturalmente. Foi provado que até mesmo o tendã o de Aquiles (acima do calcanhar), quando lesionado, recupera se as partes forem simplesmente unidas. Lesões na pele Estas lesões incluem esfoladelas, lacerações, queimaduras e escaldões. Todas elas respondem favoravelmente à aplicação da hidroterapia. A pele tem três camadas: a epiderme, a derme e o tecido subcutâneo (fig. 46). A pele possui forte poder de regeneração e, certamente, já observou que arranhões superficiais na epiderme recuperam normalmente no espaço de quarenta e oito horas. Para as feridas mais profundas, o tratamento com água proporciona as condições ideais para um efectivo alívio da dor, limpeza e protecção. As queimaduras que penetram na pele ou cobrem uma grande área requerem cuidados médicos especializados e o seu tratamento é complexo devido às importantes funções orgânicas da 114
  • 106. pele mas, ainda nesses casos, a humidade é considerada um auxiliar precioso. Um outro benefício evidente da aplicação da hidroterapia na pele é o facto de poderem ser evitados os pontos de sutura, salvo em circunstâncias muito graves, sendo assim possível limpar mais profundamente, o que evita as escaras. Fig. 46 Lesões nos músculos e tendões Estas lesões incluem dilacerações, rupturas e esforços. Os músculos protegem e movimentam o corpo e são solicitados para heróicas ‘intervenções. O tecido muscular recebe uma energia extraordinária em alturas de perigo, mas o nível subjacente da nossa aptidão física determinará a nossa rapidez de reacção. Contudo, alguns desportos e ocupações 115
  • 107. solicitam o desenvolvimento de certos músculos em detrimento de outros, e muitas lesões resultam deste desequilíbrio. Uma lesão muscular grave implica repouso absoluto e, se não obedecermos a esta imposição e não ficarmos imobilizados, poderemos acabar “engessados”. Embora eficaz como restrição e punição, isto não é necessariamente vantajoso para a lesão - que tende a ficar isolada do corpo ao qual ela legitimamente pertence. Nas pessoas em forma, as lesões recorrentes sugerem uma opção de desporto inadequada e, nas equipas, os jogadores têm de ser cautelosos quanto à posição em que jogam pois ela deverá ser sempre de acordo com a sua estrutura física. Para se especializarem em lesões, os massagistas podem aderir ao meio desportivo, como terapeutas gerais. Sei do caso de um profissional que ofereceu os seus serviços a uma equipa local de futebol americano cujos profissionais antecipam a lesão como parte do jogo! Com o incremento dos centros de lazer e a ênfase no desporto e saúde, as perspectivas apontam no sentido de uma procura crescente de tratamentos para lesões. Tratamentos para lesões O tratamento de uma lesão compreende três estádios: 1. Imobilização (24 a 48 horas). 2. Activação da circulação; massagem (após 48 horas). 3. Exercício de reabilitação (até estar restaurada a normalidade). Descreverei o tratamento para um tornozelo lesionado. Estádio 1 Imobilização da lesão Efectua-se com ligadura elástica e água fria. A reacção imediata do corpo à lesão é produzir exsudação, o componente sanguíneo que estimula o processo curativo e limpa a ferida. É importante restringir a 116
  • 108. quantidade de exsudação contendo exteriormente a lesão; isto evita um excesso de exsudação e impede o endurecimento em torno da lesão, o qual poderia originar coalescência. Os tecidos aderentes criam rigidez após a cura e causam dores. Num estádio posterior não podem ser eliminados pela massagem e, atendendo à sua gravidade, terão de receber intervenção cirúrgica. Outra causa possível para a coalescência é a massagem ou o exercício efectuado numa fase demasiado precoce do processo de recuperação da lesão. Os movimentos prematuros estimulam os tecidos danificados e provocam a formação de exsudação. A aplicação da ligadura: logo após a lesão o tornozelo deverá ser envolvido em camadas de algodão e numa ligadura. A lesão deverá então ser mergulhada ou banhada em água gelada durante 15 minutos (fig. 47). O frio ajuda a libertar a dor ao reduzir a condutividade dos nervos e aperta os capilares das estruturas superficiais para evitar ulteriores perdas de sangue. Por estas razões nunca aplique, no estádio agudo, calor numa lesão. As aplicações quentes deverão ser utilizadas mais tarde para aliviar espasmos musculares e aumentar o fluxo sanguíneo à lesão. A ligadura tem como objectivo segurar firmemente a zona, mas com a estrutura numa postura neutra e anatómica. Os joelhos e cotovelos podem ser ligeiramente flectidos, mas as lesões nos tornozelos deverão ser mantidas com este inteiramente flectido em direcção ao joelho. Se possível, a lesão deverá ser sustentada numa posição acima do nível do tórax. A ligadura deverá permanecer húmida e fria. Nesta altura, a pessoa lesionada deverá ser conduzida a uma unidade hospitalar. Após o diagnóstico, ou se não tiver encontrado qualquer unidade de saúde, continue com o estádio 2. Estádio 2: Como activar a circulação Após 36 a 48 horas, a maior parte das lesões de tecido mole terá desencadeado o seu processo curativo. O tratamento visa agora activar 117
  • 109. a circulação em torno da lesão e manter o corpo confortavelmente repousado. A ligadura é retirada e o tornozelo examinado. (Se não houver uma diminuição significativa do inchaço, a ligadura repor-se-á húmida e fria durante mais 24 horas.) Fig. 47 Se o inchaço diminuiu mas a lesão ainda está dolorida, utilize automassagem ou hidroterapia de contraste. Automassagem: peça ao seu parceiro para fazer movimentos, o mais energicamente que puder, acima e abaixo da zona lesionada; no caso do tornozelo, flectir o joelho e mexer os dedos do pé durante 2 minutos. Evite a estimulação directa e, de preferência, tenha a perna levantada. Por vezes, neste estádio, pode usar-se uma lâmpada de infravermelhos. Hidroterapia de contraste: aplique uma toalha muito quente alternando com uma fria, 3 minutos cada, por 6 vezes, terminando com fria. Se 118
  • 110. quiser poderá optar por um spray de água quente ou fria ou, nos casos de tornozelos ou de pulsos, imersões num recipiente fundo. NOTA: se a lesão incluir uma queimadura ou corte, omita a aplicação de quente e alterne frio com 3 minutos de descanso. Substitua a ligadura. Uma ligadura molhada não deverá ser mantida durante o período da noite, mas a lesão pode ser envolvida numa ligadura seca e mantida fria colocando uma toalha húmida à sua volta. Durante a noite, se o tornozelo se mantiver dolorido, deve ser mergulhado em água fria sem secar antes de voltar a colocar a ligadura. A ligadura do período da noite deve ser substituída de manhã. Massagens Após 48 horas, se a lesão tiver melhorado a ponto de ter diminuído o inchaço e a maciez, pode começar a fazer uma ligeira massagem com a mão. Caso contrário, repita os estádios anteriores. O facto de o inchaço não diminuir indica a existência de danos mais profundos, possivelmente ao nível de algum osso ou, situação que não é invulgar, o lesionado terá excedido as limitações que deveria cumprir. Se, em simultâneo com a lesão, a pessoa tiver sofrido choque emocional, estes estádios iniciais poderão ser mais morosos. 1 . Repita as aplicações quentes e frias. Efectue o effleurage profundo acima da lesão (e não sobre) e continue para além dela. Repita até notar uma diminuição significativa do inchaço. 2. Peça-lhe para, durante 2 minutos, tentar movimentar a zona em torno da lesão. Apoie a área com algodão seco e ligadura e tente que o seu parceiro se movimente normalmente durante o dia, com períodos de descanso. Quando doer, a lesão deve ser mergulhada em água fria. 3. Passados dois dias, se o inchaço continuar a diminuir, efectue o effleurage acima do tornozelo. Exerça-o levemente sobre ele e vigorosamente em toda a região acima. Efectue movimentos de 119
  • 111. fricção sobre a lesão, com as pontas dos dedos em movimentos circulares, tentando suvemente relaxar a pele sem a comprimir. Poderá colocar um pouco de óleo de essência de alfazema nos dedos, se o seu parceiro concordar. Repita o effleurage. Estes movimentos activam a circulação evitando, assim, que se dê a coalescência. O processo regenerativo dos tecidos não sofre qualquer alteração negativa. Para que a circulaçã o se complete, mantenha a zona lesionada elevada ou coloque-a sobre almofadas durante e depois da massagem. Consoante a gravidade da lesão, as massagens podem ser efectuadas todos os dias, até que a pessoa recupere a confiança e consiga movimentar normalmente a parte lesionada. A ligadura seca pode ser usada até o inchaço desaparecer completamente, mas durante o período da noite deverá ser retirada. Estádio 3: Exercícios de reabilitação Quando a parte lesionada estiver quase totalmente recuperada há, após a massagem, um conjunto de exercícios que poderão ser efectuados. (A massagem geral pode ser administrada 24 horas após a lesão.) Independentemente dos benefícios relaxantes a que ela induz, pode ser dispensado um particular cuidado às zonas que estão a compensar os condicionamentos provocados pela lesão - a perna oposta, os ombros, etc.) Estes exercícios têm três objectivos: restabelecer o vigor, a flexibilidade e a coordenação; e têm três fases: passiva, activa e de resistência. Vigor Passiva: segure cuidadosamente o pé e movimente-o em círculos, lembrando ao seu parceiro os movimentos normais do tornozelo. Activa: peça-lhe para movimentar o tornozelo lenta e voluntariosamente. 120
  • 112. De resistência: segure-lhe firmemente o pé e peça-lhe para repetir os movimentos anteriores tentando (mas não excessivamente) vencer a sua resistência. Deverá subsistir um equilíbrio de forças sem “vencedores”. Descanse e repita até que o seu parceiro se canse. Os movimentos de resistência são muito importantes para restaurar a confiança. Embora sob controlo, eles permitem que a pessoa se vá apercebendo da evolução da sua lesão. Os exercícios de fortalecimento devem ser efectuados em dias alternados. Flexibilidade Passiva: efectue os alongamentos apontando, flectindo e rodando o pé, mantendo-o durante 3 segundos no limite de cada movimento. Activa: peça ao seu parceiro para repetir os movimentos lentamente. De resistência: peça-lhe para apontar o pé forçando a sua resistência; a seguir a um curto período de descanso, movimente a articulação e a rotação para os dois lados. Os tecidos lesionados contraem-se e perdem a tonicidade durante o processo de restauro. Os alongamentos pretendem restabelecer a elasticidade e activar a circulação. Até que ponto a flexibilidade é reposta, não é fácil de apurar; a não ser que já conheça a pessoa e saiba qual era a sua capacidade física antes da lesão. A comparação com as outras partes do corpo que não foram lesionadas pode servir-lhe de orientação. Coordenação Passiva: ande para trás, para os lados, etc. Demonstre os movimentos que pretende que sejam efectuados. Exemplifique lentamente e repita se for necessário. 121
  • 113. Activa: dê-lhe algo que ele possa passar de um pé para o outro (uma bola, por exemplo); ponha música a tocar e movimente-se com ritmo. De resistência: peça-lhe para parar a meio passo; mudar rapidamente de direcção; equilibrar-se numa perna, etc. Os exercícios de coordenação ajudam a reintegrar uma lesão no resto do corpo. Este processo envolve recuperar um membro ou postura e isso é muitas vezes uma experiência emocional. Tenha sempre consciência de estar a estimular e não a ser coercivo e incuta ânimo constantemente. O factor criatividade neste conjunto de exercícios é uma motivação que pode ajudar o seu parceiro a recobrar a energia. As lesões podem ter uma componente depressiva a nível emocional que poderá oscilar entre um entusiasmo excessivo e o desespero. A sua convicção quanto à antecipação de resultados positivos e satisfatórios da lesão é extremamente importante. A maior parte das lesões dos tecidos moles (ou seja, a pele, os músculos e ligamentos das articulações e dos membros) pode ser tratada de acordo com o que foi exemplificado. O tratamento das lesões do tronco é mais complicado devido a um maior envolvimento nervoso. Tanto as lesões como os lesionados podem ser imprevisíveis e, durante todo o tempo em que terá de tratar da pessoa, terá oportunidade de revelar uma extrema paciência e admiração. Se tiver dúvidas sobre qualquer aspecto da recuperação consulte um profissional experiente. Predisposição para a lesão Possivelmente, as lesões ensinam-nos mais sobre nós próprios do que os estados de doença. Normalmente, o facto de a recuperação ser tão completa distingue as lesões da maior parte dos processos de doença. Ao sofrermos uma lesão, aprendemos como evitar problemas, ao passo que a doença e as razões que nos apresentam quanto à sua origem têm relativamente pouco efeito na sua incidência, se considerarmos as principais doenças actuais. (Ironicamente, quanto mais avaliamos os factores 122
  • 114. que contribuem para as doenças modernas, tais como as doenças cardíacas, mais elas se nos afiguram como lesões auto- infligidas.) Os factores de risco associados à lesão Incluem: nível de aptidão, cansaço e “tensão”, alimentação e aquilo a que preferimos chamar “acidentes”. Aptidão É difícil encontrar uma definição de aptidão com a qual todos concordem. O estado dos nossos pulmões e coração é, em parte, herdado; há os que tiveram a vantagem de ter tido um melhor começo de vida, enquanto que outros vacilam, apesar dos seus objectivos de boa saúde. Embora comecemos a reconhecer que certas actividades são potencialmente prejudiciais, algumas pessoas, não poucas vezes, perguntam-se se valerá a pena estarmo-nos a preservar, e se não devemos gozar de um certo grau de indulgência perante nós próprios! A atitude “tão apto quanto preciso de estar” pode ser mais filosófica do que complacente e reflecte a atitude de uma pessoa introvertida, descontraída com um livro e um cigarro, comparada com um executivo ofegante trabalhando como se fosse uma máquina electrónica. Uma pessoa verdadeiramente incapaz, confidentemente, sabe quais são as suas limitações. O cansaço e a tensão Ambos podem ser dois lados da mesma moeda, os quais sugerem um esforço que alcança e ultrapassa limites toleráveis. Por vezes poderia parecer que o cansaço é desculpa para faltar à obrigação, contudo, não há dúvida de que os nossos reflexos e reacções ficam entorpecidos pelo excesso de tensão. Os que saem ilesos de “chegar ao limite” podem ter sido bem sucedidos pelo facto de terem feito mudanças bruscas na sua vida - trabalhar duramente/ jogar duramente/ colapso/ recuar/. Talvez este processo seja eficaz mas, por muitos, é considerado demasiado exigente como caminho para se alcançar o relaxamento. 123
  • 115. Alimentação Má nutrição significa crescimento deficiente e, consequentemente, fraca capacidade de regeneração. Sociedades ricas padecem não só de uma alimentação refinada e empobrecida mas também da complexidade de um regime alimentar rico que fornece tanta energia como a que solicita; e o consumo exagerado de “boa” comida pode ainda resultar numa perda nutritiva. O factor dietético que mais contribui para a lesão são os alimentos artificiais que minam a eficiência do corpo. Os alimentos processados atrasam a cura enquanto o jejum a acelera; os alimentos “estimulantes” esgotam a energia; as populares dietas para reduzir o peso impugnam o apetite normal. No meio da muita polémica que envolve a dieta, persiste a confusão sobre a ingestão de líquidos. Antigamente, éramos aconselhados a beber pelo menos quatro litros por dia; posteriormente, a quantidade foi reduzida em cinquenta por cento; mas, com o actual conhecimento fisiológico, ainda é variável; acima de uma pequena quantidade, a necessidade de água, como a de alimentos, depende da constituição física da pessoa. Está provado que uma forte ingestão de qualquer líquido perturba a digestão e reduz o vigor. Os atletas são cautelosos quando bebem muito pouco, durante vários dias, antes de uma competição - o que aponta no sentido da consciência do risco de lesão. As lesões como acidentes Como explicaria um acidente? Consegue encontrar uma definição que lhe permita continuar a sentir-se seguro no mundo que o rodeia? Perfeitamente treinados, perfeitamente descontraídos e perfeitamente alimentados e, no entanto, incorremos na lesão. Quando isso acontece chamamos- lhe, habitualmente, um “acidente” . Partimos do pressuposto de que os acidentes são inesperados, inevitáveis e, de certo modo, injustos. Para a maioria de nós esta perspectiva não impede o nosso envolvimento absoluto em muitas actividades violentas e de alto risco. 124
  • 116. Cada vez mais temos consciência da componente emocional de muitas doenças. Ela aplicar-se-á igualmente aos casos de lesões? Talvez não, no sentido de que sofrer um naufrágio ou viver um tremor de terra sugere um carácter inevitável de certos acidentes. Não obstante, temos informações quanto às misteriosas coincidências associadas a tais acontecimentos. “Propenso a acidentes”, uma expressão que insinua que podemos ter tendência para nos lesionarmos em circunstâncias relativamente inocentes, é uma situação por que muitos terã o passado numa determinada altura de suas vidas. Nessas alturas o que induz à lesão pode ser tão intrigante como a propria razão por que ela aconteceu. Se estiver interessado em obter mais conhecimentos sobre lesões como acidentes, leia Man Against Himself [0 Homem Contra Si Próprio] de Karl Menninger, onde terá acesso a relatos fascinantes, por vezes pungentes, consequentes de informações recolhidas durante a sua prática de psicanalista. A prevenção de lesões Uma forma positiva de encarar a probabilidade de lesão será a de a encarar como uma alteração do tratamento regular, dando-lhe um carácter preventivo, pois sabemos como estimula a capacidade de regeneração do corpo. Isto está na linha de uma citação da terapia tradicional: “A prevenção é a cura e a cura é a prevenção. Esta abordagem permite-lhe proporcionar, como componente das suas massagens, ênfase na contenção, mobilização e elementos de sustentação do tratamento de lesões. Os métodos são mais bem assimilados quando aplicados em pessoas lesionadas, pelo que deverá preparar-se para estas eventualidades. Contenção O descanso imposto pela sessão de massagem é equivalente à aplicação da ligadura elástica: o corpo é imobilizado, o calor distribuído e 125
  • 117. a gravidade deslocada. Muitas pessoas habituar-se-ão à regularidade do tratamento, mas, para as que considerem ser mais fácil “andar para diante em vez de parar”, um descanso forçado não é apelativo; os seus movimentos de massagem terão de justificar a sua persuasão. As pessoas menos dinâmicas aguardam o seu tratamento como um paliativo e, futuramente, farão regularmente o seu tratamento. Enquanto as primeiras podem seguir a sua sugestão e ir de férias, mas incomunicáveis, estes últimos remeterão um postal: uma “massagem mensagem”. Para todos, a massagem proporciona um momento de pausa nos hábitos diários e ajuda-nos a evitar alguns dos danos que, de outro modo, seriam impossíveis de evitar. Mobilização Por vezes, a pessoa pode não apreciar o facto de trabalharmos mais intensamente certas zonas extremamente tensas do seu corpo, pois a concentração num determinado problema nem sempre é tão agradável como um tratamento geral. Contudo, pela observância de certos problemas dos quais as pessoas têm vagamente consciência, temos obrigação de tentar libertar a tensão e desbloquear a circulação do corpo. É necessário um intenso cuidado para se averiguar tensões profundas, pois não devemos transmitir à pessoa a sensaçã o de que o seu estado é pior do que ela pensara! A sua afinidade com a estrutura do seu parceiro e o rapport entre ambos devem permitir-lhe introduzir os tratamentos que considerar mais adequados. (É assim que as práticas evoluem à medida que se vai conquistando a confiança das pessoas pelo conhecimento que se tem do corpo delas, quase tanto como do seu próprio.) Atendendo ao carácter imprevisível da lesão, os movimentos de mobilização da massagem podem tornar-se uma componente de cariz profiláctico nos seus tratamentos gerais, A familiarização com a anatomia das articulações permitir-lhe-á exercitar as estruturas que as fortalecem. Experimente e crie o seu próprio programa de reabilitação. As 126
  • 118. pessoas muito cansadas ficarão surpresas por verificarem quão estimulantes os exercícios podem ser. Incentivo Frequentemente, o trauma emocional pode preceder a lesão física e, embora eu tenha descrito algumas lesões como “triviais”, devemos ter particular cuidado em não minimizar os sentimentos das pessoas. Os acontecimentos da vida afectam as pessoas de um modo ímpar e, algumas vezes, resultam em respostas contraditórias. Manifestações de conflito, tais como mágoa e ressentimento, são legítimas durante o tratamento e, como profissionais, temos capacidade para aceitar esta realidade, por isso, devemos deixar que a pessoa se manifeste livremente. O nosso desafio não é acalmar de imediato, mas deixar que a pessoa interprete os movimentos numa atmosfera protectora. As massagens regulares realçam as tensões ocultas da vida quotidiana; a tomada de consciência de que temos alguém que mantém um conhecimento real da nossa condição prolonga essa sensação de protecção. 127
  • 119. AUTOMASSAGEM COMO PRIMEIROS SOCORROS Podem surgir ocasiões em que o tratamento se torna necessário antes de conseguir contactar uma pessoa amiga ou um profissional - as emergencias raramente ocorrem em condições ideais de tratamento. Quando a sua necessidade imediata for enfrentar a situação conscientemente até conseguir a ajuda de um profissional, os auto-recursos que se seguem são aconselháveis. Estes processos foram testados em inúmeras circunstâncias - numa ilha deserta, em casa, em enfermarias de hospitais de alta tecnologia. Embora inicialmente planeados como primeiros socorros, são igualmente eficazes, e pode aplicá- los como preventivos. Ao incluí-los como componente do seu programa de manutenção de saúde, é provável que evite as circunstâncias agravadas que muitas vezes precedem uma emergência. Estou certo de que, quando tiver experimentado os primeiros socorros em si próprio, se sentirá confiante ao proporcionar muitos deles a uma pessoa amiga que deles possa ter necessidade - esperemos que não sejam todos no mesmo dia! 129
  • 120. Prevenção geral Um método extremamente evidente de minimizar a tensão diária, embora não adoptado pela grande maioria, é -nos demonstrado pelos nossos animais domésticos: Quando não é essencial estar de pé - sentar, com os joelhos bem flectidos; quando estar sentado é desconfortável - deitar, com a coluna anelada. Alguns poderão pensar que as circunstâncias e os convencionalismos limitam os seus esforços para seguirem estes conselhos. Contudo, as alternativas “civilizadas”, tais como estar de pé apoiado numa só perna, dobrarmo-nos ou sentarmo-nos e cruzar as pernas, são todas indícios de que o nosso corpo está cansado e está provavelmente a reflectir a consciência que temos da situação em que nos encontramos. Se conseguirmos descansar a nossa postura, mesmo por breves momentos, poderemos melhorar uma situação. Se for completamente impossível relaxar mais profundamente e o tempo for escasso, temos uma alternativa útil e rápida de repouso: 1. Procure uma porta que tenha um umbral suficientemente fundo que lhe permita segurar-se nele (fig. 48). (Nas casas modernas e escritórios não há, por vezes, essas condições; as lojas de desporto vendem barras que podem ser ajustadas de forma a ficarem fixas na ombreira da porta, e é aconselhável investir numa em consideração ao seu corpo e à porta.) 2. Segure-se firmemente mas relaxe os braços esticados. Deixe-os flectir lentamente à medida que apoia o seu peso neles. 3. Expire e imagine que está quase sentado num banco. Deixe os joelhos flectirem naturalmente e mantenha os pés em contacto com o chão. 4. À medida que sente todo o corpo a esticar, pode movimentar suavemente os joelhos de um lado para o outro, com a cabeça ligeiramente projectada para a frente. 5. Quando as mãos começarem a ficar cansadas, encolha o abdômen firmemente, volte a apoiar o seu peso nos pés e levante-se lentamente. 130
  • 121. Pode fazer isto sempre que sentir o corpo em tensão ou cansado, ou ainda numa situação, que lhe provoque os mesmos sintomas; o fim de tarde é a melhor altura para muitas pessoas. Fig. 48 131
  • 122. Para as costas Sem qualquer razão aparente, as costas por vezes “cedem”. normalmente, em menos de um segundo apercebemo-nos de que há algo de errado com a nossa postura, seguindo-se uma contracção de todos os músculos próximos, se não mesmo de todo o corpo! Embora essencialmente defensivo na sua reacção (a coluna é salvaguardada), o intenso aumento da tensão muscular é extremamente enervante. Por vezes, o corpo parece “congelar” e ser absolutamente incapaz de efectuar qualquer movimento sem ser auxiliado, mas a maior parte das pessoas sente uma grande necessidade de aliviar o peso da coluna. Os problemas de coluna são de tal modo comuns que o seu carácter universal permitiu que as técnicas de primeiros socorros se desenvolvessem intuitivamente. Os conselhos que a seguir se apresentam são para qualquer situação que envolva um espasmo muscular tanto na parte inferior como superior das costas. 1. Logo que o problema se manifeste (por exemplo, em consequência de um levantamento, uma flexão, uma queda, etc.) projecte o peso do corpo para a frente, apoiado nas mãos; incline-se sobre um móvel ou, se for grave, baixe-se e coloque as mãos no chão apoiando-se, portanto, nos pés e nas mãos. 2. Respire profundamente (o oxigénio ajuda a atenuar o espasmo) e tente avaliar a sensação. É muito provável que um dos lados das costas fosse inicialmente afectado e esteja a afectar outros músculos adjacentes. Peça a alguém para observar a sua postura, que evidenciará um desvio relativamente à tensão inicial. Se estiver sozinho movimente-se suavemente para a esquerda e para a direita 3. Quando estiver certo quanto ao lado que “cedeu” (não é necessário ter a certeza absoluta, nesta altura), deite-se sobre esse lado e gradualmente puxe o joelho oposto para cima o mais possível, para descansar o seu peso sobre ele. Deixe o cotovelo do mesmo 132
  • 123. lado apoiar o peso da parte superior do corpo e vire a cabeça nessa direcção (fig. 49). 4. Mantenha o outro braço ao longo do corpo. Isto permitir-lhe-á respirar profundamente de novo e confirmar se as costas estão libertas. (Se tiver confundido o lado de maior tensão isto será extremamente desconfortável, embora não prejudique, e pode virar-se lentamente para o lado correcto.) 5. Descanse durante alguns minutos, descontraindo os músculos das costas, contraindo regular, profunda e controladamente o abdómen e imaginando todo o tronco a ser pressionado contra o chão pela força da gravidade. 6. Se sentir que está mais liberto, regresse cautelosamente à posição dos quatro apoios. Tente endireitar a coluna para uma posição mais erecta, apoiando-se num móvel qualquer, mas com os joelhos no chão. Se tiver outro espasmo, regresse à posição inicial durante mais alguns minutos. 7. Tente de novo, procure auxilio, de preferência apoiado nas mãos e nos joelhos e aguarde na posição horizontal inicial. Não se sinta derrotado pelo facto deste processo não ter tido resultados imediatos; provavelmente obteve um alívio da dor e certamente facilitou o trabalho que o seu massagista terá de fazer. Poderá reconhecer a posição horizontal como sendo muito semelhante à que convencionalmente é adoptada nos primeiros socorros para .1 recuperação” e, no caso das mães, estas podem recordá- la como uma das que lhes provocava um alívio da pressão que sentiam durante a gravidez. Se os problemas de coluna se repetirem, experimente esta sequência. Para traumatismo físico/choque emocional As duas experiências são registadas pelo nosso sistema de um modo muito semelhante, e o auxilio imediato a prestar em ambos os casos é a imobilidade. 133
  • 124. Fig. 49 As pessoas que recebem notícias perturbadoras referem muitas vezes o impacto em termos físicos - “Fiquei quase de rastos.” A fisiologia da reacção foi analisada em pormenor no capítulo “Lesões”. As consequências do trauma emocional afectam igualmente o sistema circulatório do corpo. Para o traumatismo fisico, queda, etc. 1 .Partindo do princípio de que não há hemorragia, agarre a parte lesionada com as mãos e comprima-a o mais firmemente possível, durante 3 minutos. Se sangrar, aplique uma compressa primeiro e, se houver um corte com vidros, comprima à volta. 2. Amarre com um pano ou toalha fria, evite pegar em coisas pesadas; se a dor durar mais de 12 horas procure assistência médica. Este tratamento é aconselhável para entorses, diminuindo o inchaço e a dor. Evite movimentar a zona lesionada até estar melhor, caso 134
  • 125. contrário poderá agravar o seu estado. Massaje acima e abaixo da lesão e respire profundamente. Para o choque emocional 1 .Procure um lugar confortável e macio, deite-se e encolha ligeiramente o corpo. Feche os braços em torno do tórax e do abdómen envolvendo-se em si próprio. Não “aperte” , pois precisa de respirar descontraidamente. 2. Ocasionalmente, relaxe os braços e movimente os dedos dos pés e das mãos durante alguns segundos. Repita até se sentir mais descontraído. Quando efectuamos a pressão da “imobilização” imitamos o papel que a exsudação desempenha nas lesões internas: assegurar a imobilidade. Este procedimento reduz o medo que sempre acompanha os “estados de choque” e podemos assim avançar mais facilmente para o segundo estádio da reacção - activar a circulação, o que nos devolve gradualmente a nossa capacidade de movimentação. Para o pescoço Os problemas dos músculos do pescoço podem ter incidência a nível psicológico (a Bíblia alude a pessoas com torcicolos). Mas, embora primorosamente projectada, esta estrutura é extremamente vulnerável: os saltos dos sapatos causam uma projecção da cabeça para trás e encurtam o pescoço; muitos de nós ouvimos melhor de um ouvido e, consequentemente, tendemos a virar o pescoço para o lado que melhor ouve; os movimentos violentos, tais como uma colisão de automóvel, embora possam poupar as vértebras, podem causar rupturas nos delicados nervos e vasos sanguíneos do pescoço. Isto, por sua vez, pode conduzir às dores nos braços a que nos referimos. 135
  • 126. As articulações do pescoço são normalmente muito flexíveis mas, quando continuadamente mal alinhadas, criam tensões compensatórias em torno dos ossos (muitas vezes ouvidas como um “estalar” durante os exercícios para o pescoço). Eventualmente, pode haver necessidade de o manipular e efectuar alguns exercícios para restaurar a postura. Se quiser alinhar descontraidamente o seu pescoço, tente o seguinte: 1. Enrole uma pequena toalha de modo a que o seu diâmetro seja aproximadamente de 8 cm. 2. Deite-se de costas numa superfície plana com os pés recuados para ficarem perto das nádegas. 3. Coloque a toalha debaixo do pescoço, não debaixo da cabeça, de modo a que a sua curva interna encaixe perfeitamente na toalha (fig. 50). Relaxe o maxilar. Fig. 50 136
  • 127. 4. Rode levemente a cabeça de um lado para o outro contra a toalha. Se um dos lados do pescoço estiver mais tenso, rode a cabeça para esse lado durante alguns segundos e depois rode-a lentamente, afastando-a o mais possível na direcção oposta. Descanse. O seu pescoço deverá sentir-se apoiado enquanto os músculos em tensão esticam ligeiramente. Respire profundamente e relaxe o maxilar de novo. 5. Rode lentamente a cabeça de volta ao centro; vire-se para um dos lados e sente-se com a ajuda dos braços. Movimente ligeiramente a cabeça em círculo. Desconforto no rosto e nos olhos beneficiam igualmente com este tratamento. Para congestionamentos do tipo dos da sinusite, aplique, durante o processo, uma toalha quente sobre as faces e uma fria nos pés. Para o abdómen As dores no abdómen podem indicar alguma coisa mais grave, uma vez que os nossos orgãos são, regra geral, relativamente insensíveis (Gandhi, o fundador da índia moderna, submeteu-se à extracção do apêndice sem anestesia.) Contudo, antes de pensarmos em qualquer coisa grave, devemos tomar em consideração que um desconforto abdominal agudo é normalmente uma consequência de indigestão. Duas causas vulgares são a ingestão de alimentos que, em simultâneo, podem ser incompatíveis, tais como gorduras e amidos, e comer sob um estado de ansiedade, consequentemente, com falta dos necessários sucos digestivos. A pressão resultante destas condições que se começa a formar nos intestinos pode ser substancial, embora possa ser suavizada. Tive oportunidade de felicitar uma pessoa pela sua descoberta espontânea de primeiros socorros. Era um condutor, uma pessoa ansiosa que comia substancialmente e, normalmente, à pressa: “Eu tenho habitualmente uma dor no abdómen e sempre senti que devia comprimi-la. Um dia assim fiz e ela desapareceu. Agora não me acontece com tanta frequência, mas a compressão ainda resulta.” 137
  • 128. 1 .Deite-se com os joelhos dobrados. Pode sentir toda a zona em volta da dor um pouco dura. Friccione suavemente com a base da mão. 2. Aumente a pressão até sentir o abdómen amolecer. Com a ponta dos dedos procure o ponto dolorido e lentamente comece a pressionar como que em direcção à coluna (fig. 51). 3. Pode começar a sentir um alivio ou um gorgolejar e um relaxamento crescente. Friccione novamente no sentido dos ponteiros do relógio. 4. Levante os joelhos até ao tórax e segure-se com as mãos. Relaxe e respire profundamente. Refluxo (ácido) do estômago para a boca pode indicar o início de um desequilíbrio no sistema digestivo superior, pelo que deverá consultar o seu médico. Fig. 51 138
  • 129. Para a obstipação Podemos mastigar bem quando estamos aborrecidos, mas os nossos intestinos funcionam desordenadamente. A obstipação significa uma retenção de tensão no intestino grosso e está, muitas vezes, associada a um estado de conflito entre a vida pessoal e social. O estado em si próprio não é uma doença, mas pensa-se ser um precursor de algumas doenças. Nem sempre é uma experiência desconfortável, embora devamos ajustar-nos à “norma” de uma eliminação diária por dejecção. É este esforço corajoso que pode eliminar o desconforto desnecessário. 1. Experimente agachar-se tendo como ponto de apoio uma maçaneta de porta, por exemplo, e baixe as ancas entre os pés. Tente manter os pés espalmados. 2. Relaxe o pescoço projectado para a frente e experimente retrair o abdómen, mantendo-o recolhido durante alguns segundos de cada vez (fig. 52). 3. Quando tiver flexibilizado as ancas, siga para o quarto de banho e sente-se no sanitário tal como praticou. Se tiver receio de cair, sente-se normalmente e levante os pés colocando-os sobre uma caixa de modo a que os joelhos fiquem mais altos do que as ancas. 4. Contraia e solte lentamente o abdômen várias vezes. 5. Cerre o punho e massaje profundamente em torno do abdômen, especialmente no lado esquerdo. 6. Relaxe e respire profundamente. Evite puxar para baixo e não tente forçar o intestino porque isso deverá ser feito naturalmente. Após alguns minutos, bem sucedidos ou não, levante-se. Repita todo o processo durante o dia se for necessário. Consulte um médico se as prisões de ventre forem contínuas e no caso de não conseguir obter resultados com o processo de primeiros socorros. 139
  • 130. Fig. 52 Para as dores menstruais Mais do que a eliminação envolvida no próprio período, a alteração de postura que o acompanha e se verifica na parte inferior das costas, é potencialmente perigosa. Os ligamentos da bacia perdem o controlo e a curvatura dessa parte das costas aumenta à medida que o abdómen dilata e fica congestionado. Ao contrário de certos pontos de vista que defendem que as mulheres não devem efectuar actividades físicas nessa altura, muitos dos desconfortos da menstruação podem ser suavizados invertendo simplesmente a bacia. Isto diminui a intensificação dos sintomas pela força da gravidade e é agradavelmente relaxante para o abdómen e para as pernas, que também recebem muita pressão. 140
  • 131. 1 .Deite-se com os joelhos ligeiramente flectidos. Rode o corpo para cima em direcção aos ombros, use os cotovelos como suportes e apoie as ancas com as mãos abertas (fig. 53). 2. Quando estiver firme, movimente lentamente as pernas, em movimentos circulares, e rode os tornozelos, flectindo os dedos dos pés, etc. 3. Respire lentamente e observe o movimento de contracção e descontracção do abdómen seguindo a respiração. 4. Permaneça nessa posição enquanto se sentir confortável, pelo tempo máximo de um minuto. Volte à posição normal lenta e gradualmente, evitando bater com a coluna e a bacia, pelo que deverá apoiar as mãos no chão à medida que baixa a posição. 5. Quando a coluna estiver totalmente plana eleve os joelhos até ao tórax, durante 10 segundos. 6. Não se levante logo; pode continuar com uma ligeira massagem no abdómen. Fig. 53 141
  • 132. Este procedimento pode ser efectuado antes, durante e após o período; considere esta altura importante para cuidar da sua postura. Se estiver insegura quanto ao modo como inverter o seu corpo, consulte um professor de ioga. Para os olhos No nosso quotidiano, os olhos tendem a dominar os outros sentidos; inclusivamente utilizamos a expressão “ estou a ver” quando tomamos conhecimento de alguma coisa que pode não estar necessariamente relacionada com a visão. A intensificação das pressões nos olhos provoca picadas, irritações e dor; interiormente, os olhos reagem intensamente às alterações a nível do sistema nervoso e a nível emocional, Apesar disso, possuem um rápido poder de recuperação e não parecem sofrer de desgaste (excepto quanto permanecemos com o olhar fixo ou focamos alguma coisa), Este primeiro auxilio chamado “espalmar” descansa os olhos e relaxa os músculos do pescoço. 1. Sente-se junto a uma mesa e liberte-se da roupa que tiver junto ao pescoço. 2. Coloque as palmas das mãos (não os dedos) sobre os olhos de modo a que não entre qualquer luminosidade. Incline-se para a frente e apoie os cotovelos na mesa (fig, 54). 3, As mãos devem apoiar quase totalmente a cabeça. (Quando a inclina ligeiramente para trás repare como os músculos do pescoço estão tensos.) Deixe o rosto afundar-se nas mãos. 4. Visualize uma cena viva e colorida com várias perspectivas; “olhe” com os seus olhos físicos, exercitando-os como se a imagem fosse exterior. 5. Após um minuto, deixe a imagem desvanecer-se e relaxe os olhos na escuridão das palmas das mãos. Respire profundamente 6 vezes. 6. Feche os olhos, endireite as costas lentamente e “lave” o rosto com as mãos, com movimentos do centro para os lados. Gradualmente, abra os olhos. Quando, por qualquer razã o, os seus olhos o incomodarem, efectue este exercício 2 vezes por dia e faça massagens ao pescoço. 142
  • 133. Fig. 54 Para os pés Os nossos pés são sacrificados desde o nascimento como nenhuma outra parte do nosso corpo aceitaria. O objectivo nem sempre é a protecção e, quando temos consciência disso, é provável que já tenham ocorrido situações irreversíveis - peito do pé descaído e desvios dos dedos, para mencionar só as mais comuns, É lamentável negarmos aos pés a sua contribuição para o relaxamento do nosso corpo; e uns pés livres de se movimentarem prestam um grande auxílio noutros desequilíbrios (como, por exemplo, nos problemas cardiovasculares e nos exercícios que eles solicitam). Escolha um de entre os que seleccionámos, ou faça-os todos. 1. Descalce os sapatos e as meias. Arraste os pés para a frente e para trás, utilizando os dedos como garras: eleve-se na ponta dos pés; enrole os dedos para trás tanto quanto possível e mantenha-os até doerem. 143
  • 134. 2. Coloque uma bola de borracha debaixo do pé e role-a para trás e para a frente, ao longo do pé. No banho, ponha água a correr e projecte-a com força sobre o tornozelo e chapinhe durante 3 minutos. 3. Com o chuveiro, projecte água fria com quanta pressão conseguir aguentar na planta dos pés e contra a barriga das pernas, durante 2 minutos. Não seque os pés, mas envolva-os numa toalha e deite-se com as pernas levantadas. Por vezes, estes métodos auxiliam igualmente nos casos de dores de cabeça. Os tratamentos com água são também úteis quando se sente cansado ou debilitado após um período de doença em que esteve na cama. Para a noite A insónia, embora perturbe, não é considerada fatal e, se não conseguirmos adormecer ou dormir, precisamos de desenvolver uma mentalização idêntica à dos casos de obstipação. Dormir não é uma coisa que decidamos fazer, mas algo que acontece normalmente; muitas vezes, o que nos perturba efectivamente é o estado de vigília, com os nossos pensamentos e sensações. Este auxiliar é outra forma de hidroterapia. 1 . Prepare-se para se deitar e vá ao lavatório. 2. Ponha a torneira de água fria a correr sobre as mãos e antebraços até estarem gelados, mas não dormentes. 3. Não os limpe mas passe a toalha ao de leve e vá directamente para a cama. 4. Adopte a sua habitual posição para adormecer (de preferência enroscado) e coloque as mãos entre os braços e o tórax. 5. Esqueça-se de que quer adormecer e fique tranquilo, respirando profundamente... boa noite... não vale a pena perder o sono com insônias... 144
  • 135. 10 MASSAGEM - OUTROS COMENTÁRIOS De todas as terapias que me foram dadas a conhecer enquanto estudante de naturopatia, as de contacto eram as mais revolucionárias. Até então, eu só tinha vivido o frio distanciamento do médico de família e associava as fisioterapias à enfermidade. Posteriormente fiquei a saber que nem sempre fora assim nos cuidados de saúde e hoje, entre as minhas fontes bibliográficas favoritas, estão os livros sobre massagens publicados na viragem do século. Durante os meus estudos em Edimburgo, li um artigo no Sunday Times londrino, da década de 70, que referia os contactos físicos entre adultos, por todo o mundo. Diagramas (sombreados a vermelho para contacto, a azul para pouco ou nenhum), evidenciavam que, quanto mais distante do equador, menos contacto havia. Na Escócia, o azul era somente interrompido por uma ligeira marca de vermelho nas mãos, cabeça e genitais! Tentei reconciliar estas descobertas com a resposta positiva dos pacientes de massagem na clínica. Todos pareciam aguardar o seu tratamento com impaciência e, ao terininar, mantinham- se na expectativa do próximo. Por várias razões, sendo talvez o factor acessibilidade o mais importante, a massagem terapêutica era difícil de encontrar. Inicialmen- 145
  • 136. te, os profissionais eram efectivamente poucos e distantes uns dos outros; hoje, a prática da massagem desfruta de um bem merecido ressurgimento entre todas as pessoas que desejam viver entusiasticamente uma vida saudável. Contudo, na nossa cultura, devido à associação entre massagem e prostituição, devido à massagem continuar a ser confundida comfisioterapia e devido a ser quase mais fácil aceitar as enxaquecas do que fazer massagem, existem ainda alguns problemas a ultrapassar. Analisarei alguns dos aspectos que as pessoas que frequentam cursos de massagem salientam com mais frequência relativamente aos amigos e familiares e descreverei as várias oportunidades de treino para as pessoas que desejem efectuar um estudo sério da massagem. Prática Para muitos entusiastas, a falta de prática impede que a sua massagem evolua. Curiosamente, para os novos massagistas, os amigos parecem preferir pagar a um estranho para receberem o que lhes está a ser oferecido gratuitamente. Isto tem de ser ultrapassado visto poder perpetuar a ideia de que a massagem é restrita aos profissionais. Uma inibição genuína quanto aos amigos e conhecidos advém do conflito entre a intimidade e o distanciamento. Os profissionais têm tendência para não tratar as suas esposas, não que haja alguma dificuldade prática; o que é paradoxal é o inesperado distanciamento apesar da intimidade. Por esta razão, durante as primeiras sessões dos cursos, quando se escolhem os parceiros de massagem, é importante que haja liberdade para rejeitar uma oferta de colaboração sem que a pessoa sinta que isso é uma rejeição negativa - pode acontecer mais vulgarmente que as pessoas se sintam atraídas em vez do oposto. Para que a pessoa não profissional possa adquirir prática, a oferta de serviços pode ser o melhor caminho. Se alguém tem um problema que seja boa oportunidade para pôr em prática o seu tratamento, faça uma oferta explícita. Ao apresentarmos um problema particular que possa- 146
  • 137. mos ter quanto a adquirir prática, temos, como alternativa às reticências dos amigos em aceitarem a nossa massagem (a maior parte gostaria de conseguir ultrapassar a inibição), uma probabilidade de resposta aos nossos problemas consoante a clareza da nossa abordagem. Confronto ou encontro? O maior problema que podemos encontrar mais cedo ou mais tarde no desempenho da nossa actividade é a compatíbilização da nossa sexualidade com o carácter físico da massagem. Isto não é um problema ímpar, uma vez que pesquisas efectuadas apontam no sentido de que, a nível de pensamento, os adultos ocupam muito do seu tempo com esse tema. O aspecto sexual pode evidenciar-se sempre que duas pessoas se encontram e, muito naturalmente, teremos de considerar essa componente quando estamos a trabalhar. Tal como noutras situações da nossa vida, o primeiro passo para clarificarmos qualquer ambiguidade de carácter sexual na massagem começa por termos consciência da nossa própria sexualidade. Se essa consciencialização estiver um pouco adormecida, pode estar certo de que despertará à medida que o seu empenho na massagem for evoluindo. Isto pode chocar os massagistas em início de actividade e a sua má interpretação pode causar um recuo; mesmo que considere estar esclarecido quanto a esse aspecto, o futuro irá testá-lo. Nem sempre nos conseguimos aperceber de quando um encontro pessoal começa a desenvolver um carácter sexual. Nesse âmbito, muitas das respostas passam-se a nível do “subconsciente” e, embora as suas massagens pretendam ser uma experiência agradável, pode nunca chegar a saber qual a natureza da sensação que o seu parceiro teve. Contudo, sob o ponto de vista deste livro, embora todo o corpo da pessoa possa ser considerado “sexual”, os órgãos reprodutores estão excluídos da massagem. (Os ginecologistas e os urologistas especializados nesta área de tratamento aplicam normalmente anestesia ... ) Durante uma aula, numa discussão de grupo, muitas massagistas disseram ser agradável a sexualidade fazer parte da experiência da 147
  • 138. massagem. Um elemento masculino concordou mas, ao ser inquirido sobre se a sua opinião incluía os seus parceiros de massagem masculinos, deixou de ter assim tanta certeza. No grupo, os elementos femininos opinavam que o “problema” podia ser minimizado trabalhando com pessoas do mesmo sexo. Embora seja muito importante sentir-se confortável com o seu parceiro, no estádio inicial da sua prática poderá não ser aconselhável excluir as pessoas; a massagem proporciona uma oportunidade de canalizar honestamente a sexualidade, e o embaraço ou a falta de informação do seu parceiro poderá estar a retratar a sua pró pria insegurança. Uma manifestação sexual pode ser representativa - de ira, medo e outras perturbações - e a sua atitude correcta é tão importante quanto a sua perícia e cuidado nos tratamentos. Uma boa massagem solicita a componente sensual da sua sexualidade, embora isso não se evidencie quando se trata de uma primeira massagem. As pessoas que na sua vida têm normalmente um comportamento controlado, podem ficar surpreendidas pela intensidade de uma massagem tranquila; alguns podem interpretar as novas sensações com alarmismo, sentindo a agitação das suas tensões como sendo mais caótica do que relaxante. Da sua posição, a pessoa pode ter dificuldade em ultrapassar a sensação de que, em vez de atenuar o seu estado de tensão, o massagista está a provocar alterações que o confundem. A componente sensual determina toda a informação que o massagista recebe através das suas mãos e, para os profissionais experientes, este é um aspecto importante da linguagem terapêutica. Tenha sempre em consideração que o seu parceiro, normalmente menos experiente do que você, responde sempre consoante o seu tratamento. A frase pretendia ser transcendental mas todos nós rimos quando, quebrando o silêncio de um curso de principiantes, um companheiro exclamou: “Isto está além do Profissionalismo. Se a sua massagem aliviou a dor de cabeça de alguém, é provável que atribua o facto ao método que utilizou, o qual terá diminuído a 148
  • 139. tensão concentrada nos músculos do pescoço. Se, com as suas massagens, está a ajudar alguém a quem foi diagnosticado um problema crónico, como asma ou hipertensão, é provável que esteja a conseguir alcançar os efeitos gerais da massagem de relaxamento e autoconfiança. As massagens benéficas que foram descritas neste livro, indubitavelmente terapêuticas, podem ser utilizadas pelos principiantes. Muitas pessoas, embora com um breve treino, demonstraram uma aptidão natural para a massagem. Os fisioterapeutas precisam de um treino especializado porque na sua carreira estão em permanente contacto com casos clínicos e complicações que estão fora do âmbito deste livro. Paralelamente, a massagem diária tem como objectivo ajudar a evitar problemas de saúde. No início da sua actividade, a própria massagem permite-lhe “aprender à medida que trabalha”, mas a determinada altura os seus sucessos irão estimular a sua verdadeira curiosidade quanto ao que efectivamente se está a passar - é quando pode começar a sentir que gostaria de prosseguir com um curso profissional. Há inúmeras abordagens a um estudo formal da massagem, embora nem todas realcem a componente humanística. Treino formal Um curso profissional envolverá um exame, e os massagistas “inatos” acham esta perspectiva pouco aliciante. Contudo, com vista à obtenção do seu diploma, o estudante deverá impressionar favoravelmente o examinador, o qual representa os seus futuros “clientes”. Neste estádio, o massagista deverá evidenciar estilo nos seus movimentos em vez de perícia e conseguir articular a análise racional do tratamento e a expliicação dos seus efeitos. Muitos dos estudantes de massagem são pessoas que pretendem uma mudança na sua carreira ou, mais frequentemente, pessoas com uma certa maturidade que, apesar de não terem antecedentes clínicos, decidem que a massagem é justamente o que lhes “Interessa”. Contudo, e de forma crescente, os profissionais de saúde, como enfermeiros e outros, começam a aperceber- se de que podem incorporar a massagem de manutenção no seu trabalho. 149
  • 140. Há muitas escolas de massagem independentes que oferecem inúmeros métodos de estudo complementar. Normalmente, os seminários têm lugar aos fins-de-semana, permitindo uma frequência em part-time, para aulas práticas e uma orientação no estudo e aprendizagem dos métodos. Alguns cursos avaliam os estudantes mediante um exame final da sua técnica; outros estão ligados a organizações profissionais. O Independent Examination Council [Concelho Independente de Avaliação] (ITEC) combina os dois métodos, oferecendo um sistema modulado de exames, onde os massagistas podem ir desde a terapia da massagem básica até à aromaterapia, lesões, nutrição, reflexologia e exercícios desportivos. Isto permite-lhes desenvolverem gradualmente a sua actividade, proporcionando, de início, tratamentos gerais e, posteriormente, o avanço para outras técnicas à medida que ganham experiência. O Northern Institute of Massage é uma organização de longa data que treina e diploma os massagistas nas várias formas de massagem terapêutica e nas terapias de manipulação. É importante ter consciência de que o seu curso de treinamento é simplesmente um preliminar para a prática da massagem. A palavra prática” é utilizada nas profissões para evidenciar que um profissional, quando inicia a sua actividade, não é “ perfeito” mas utiliza a sua experiência de trabalho para desenvolver, descobrir e refinar o seu entusiasmo inicial. Quando escolher um curso tenha consciência do que lhe está a ser oferecido ou prometido; deve esperar uma instrução transparente, acesso à experiência profissional do seu monitor e muito incentivo para o ajudar a organizar os seus próprios planos, incluindo uma supervisão pos-graduação. A sua escola poderá pô-lo em contacto com organizações profissionais para apoio, mas, a maioria das pessoas, quando termina o curso, fica com a sensação de estar “entregue a si próprio”. Certamente que assim tem de ser, e uma actividade evolui pelo esforço pessoal, pelas frustrações e pelas inspirações repentinas da pessoa. Se por qualquer razão não consegue manter contacto com a sua escola ou não tem colegas perto de si, trave amizades com outros pro- 150
  • 141. fissionais, partilhe problemas e casos difíceis com qualquer pessoa que lhe mereça confiança e evite a todo o custo o isolamento que pode ocorrer, quer nas actividades mais calmas, quer nas mais movimentadas. Mesmo nas escolas “alternativas” há uma atitude que defende que só os profissionais treinados são competentes para tratar outros, mas eu espero ter evidenciado ao longo deste livro que a massagem é mais uma experiência humana do que técnica. Faz parte dos nossos sentidos, como o dom de cozinhar uma refeição agradável que não envenene os convidados, ou o sermos capazes de ensinar a um amigo como nadar em segurança. Contudo, se decidir formalizar o seu interesse pela massagem através de um curso de treinamento, eu espero que a sua formação seja uma formação integrada - manter o contacto humano ao mesmo tempo que desenvolve as responsabilidades inerentes ao profissionalismo. Em conclusão, ofereço-lhe todo o meu incentivo, a si e aos seus companheiros, para seguirem as sugestões deste livro; como fonte de inspiração para contribuírem para a saúde e o bem-estar e para continuarem a desfrutar do prazer de dar e receber massagem. 151
  • 142. APÊNDICE INSTRUÇõES PORMENORIZADAS PARA O DIAGRAMA DOS MúSCULOS - Fotocopie a página 155 para o tamanho A3 em cartão, para mais estabilidade; as páginas 156 e 157 podem ser fotocopiadas para A3 em papel colorido. - Prepare tesouras e cola. - Pode querer colorir os músculos, pelo que deverá preparar o material que preferir. Os músculos foram numerados pela ordem em que devem ser colocados no esqueleto. Isto corresponde ao modo como estão distribuídos pelo corpo. Há inúmeros músculos importantes que não estão representados, tais como os que suportam os órgãos; os ligamentos das articulações também estão omissos. Com a prática, será capaz de detectar todos os músculos que se encontram sob a pele. Estudar o diagrama também o estimulará no sentido de aprender a acção dos músculos e pode ajudá-lo a identificar uma área de tensão mais profunda que deseje tratar. “0” no músculo indica a origem ou ponto fixo em que o músculo se liga ao osso. Este terminal deverá ser colado ao esqueleto. 153 “I” no músculo refere-se ao ponto de inserção que liga ao osso que pretende movimentar; deixe-o descolado no esqueleto para sugerir isto. Deve ter presente que os termos “origem” e “inserção” são relativos e utilizados por conveniência pelos anatomistas que assumem que, para efeitos de estudo, o corpo está parado em posição vertical. Por exemplo, o extenso músculo das costas (28. Grande dorsal) tem origem” na parte de trás do tórax e bacia, sendo o ponto de “inserção” na parte superior do braço para o puxar perto do tórax. (Peça a um amigo que lhe estimule este músculo beliscando-o nas partes laterais do tórax - imediatamente sentirá os seus braços dormentes do cotovelo para baixo). Contudo, noutra postura, as regras podem alterar-se: como, por exemplo, quando eleva o seu corpo e se apoia numa barra horizontal acima da sua cabeça e tenta puxar o corpo para cima (tórax dirigido para os braços); o princípio da “origem” e “inserção” estará agora invertido. Este é um dos muitos paradoxos anatómicos, e o leitor deverá desenvolver uma abordagem filosófica desde o início. Como ponto de referência, e para facilitar, podemos considerar a origem de um músculo como a parte mais próxima da coluna; o ponto mais afastado é a inserção. Embora tenhamos vindo a analisar a acção independente, muitos músculos estão, na realidade, envolvidos até ao mais simples dos movimentos. Eles coordenam-se para alcançar a precisão de postura e força que nós achamos tão natural na fase adulta da nossa vida. O músculo principal que inicia um movimento é chamado “primeiro motor”, enquanto o seu vizinho oposto, o “antagonista”, liberta lentamente a sua tensão, o que auxilia a suavidade e o controlo. (Os músculos bíceps e os tríceps da parte superior do braço são o exemplo mais óbvio.) Outros músculos vizinhos, que cooperam no alinhamento de um movimento, são chamados “sinérgicos”. Para começarmos, coloque alguns músculos no lado esquerdo do esqueleto e tente localizá-los no
  • 143. corpo do seu parceiro; a seguir monte urna perna ou um braço, ou uma secção do tronco e comece a colá-los na origem, os números mais baixos primeiro. Repare que cada origem tem um pedaço de osso que corresponde à sua posição no esqueleto. 154
  • 144. PERSPECTIVA ANTERIOR O Direita. Pescoço Direita. Tórax v t> Esquerda. Braço V -0 -0 Esquerda. Antebraço Esquerda. Ini. da Bacia C> 1> @Í op 14, ‘& O 156
  • 145. PERSPECTIVA POSTERIOR O Direita. Costas V -0 <I Esquerda. Braço Esquerda. Coxa V Esquerda. Antebraço > Direita. Perna O 119
  • 146. PERSPECTIVA ANTERIOR (FRENTE) Músculo do pescoço - lado direito 1. Esternocleidomastoideu: tem origem no esterno e clavícula (cleido) e o seu ponto de inserção é uma proeminente parte do crânio, a apófise mastoideia. Corte e cole ao longo da clavícula e na parte de cima do esterno. Acção: independentemente, flecte o pescoço e roda a cabeça; em conjunto, os músculos anulam mutuamente a acção rotativa e flectem poderosamente o pescoço. Projecte a cabeça para a frente e vire-a para o lado - sentirá o músculo a trabalhar. Efectuamos um movimento semelhante quando levantamos a cabeça da almofada para ver o despertador - se tivermos dormido demasiado, o choque pode provocar um espasmo neste músculo. Músculos do tórax - lado direito 2. Peitorais (significa “peito”): pequeno peitoral tem origem nas costelas superiores e o seu ponto de inserçã o na omoplata. Corte e cole nas costelas. Acção: ajuda a fixar a omoplata ao movimento do ombro. 3. Grande peitoral: tem origem na clavícula e esterno, e o seu ponto de inserção no úmero. Corte e cole na clavícula e esterno. Acção: puxa o úmero para a frente e roda-o para dentro. Este músculo modela a parte superior do tórax e forma a parte da frente da axila; é o principal interveniente no exercício de “compressão”. Músculos do braço - lado esquerdo 4. Coracobraquial e braquial: o coracobraquial tem origem na omoplata e o seu ponto de inserção no úmero. 158
  • 147. Acção: movimento de balanço do braço para a frente como quando andamos. O braquial tem origem no úmero e o seu ponto de inserção no cúbito. Acção: flecte o cotovelo. Corte e cole na omoplata e a meio do úmero. 5. Bíceps (originalmente significa “duas cabeças”): tem origem na omoplata e ponto de inserção no rádio (o osso mais pequeno do antebraço). Corte e coloque sobre o músculo 4. Acção: em conjunto, os músculos 4 e 5 flectem o braço e o cotovelo. Os bíceps formam a conhecida (embora não exclusiva) proeminência masculina no braço. 6. Deltóide (assim chamado pela sua forma de “D” grego): tem origem na clavícula e omoplata, depois converge, e o seu ponto de inserção é na parte exterior do úmero. Corte e cole na omoplata, Acção: puxa o úmero, para fora do lado do tórax. Os deltóides são representados como dragonas nos uniformes militares, simbolizando a força e o poder da pessoa que as ostenta. Músculos do antebraço 7. Flexor profundo dos dedos: tem origem no cúbito e ponto de inserção nas falangetas (ossos dos dedos). Corte e cole no cotovelo. Acção: flecte a última articulação dos dedos. Como experiência do controlo do músculo, veja se consegue flectir os dedos separadamente. 8. Pequeno palmar: tem origem no úmero e o ponto de inserção no segundo e terceiro metacarpos (ossos das mãos). Corte e cole no cotovelo. 159
  • 148. Acção: flecte e puxa o pulso para fora. Quando se coloca um violino em posição de tocar, o pulso é controlado por este músculo. Músculos do interior da bacia 9. Pequeno psoas e psoas ilíaco: tem origem na última vértebra torácica e todas as lombares; o pequeno psoas tem o seu ponto de inserção na bacia e o psoas ilíaco no fémur (osso da perna). Corte e cole na coluna vertebral. Acção: o pequeno psoas flecte a bacia, isto é, movimento de recuo; o psoas ilíaco flecte a articulação da anca e roda o fémur para dentro, como no movimento de “cruzar as pernas”. Músculo da coxa - lado direito 10. Recto interno: tem origem no osso do púbis e o ponto de inserção na tíbia (o osso principal da perna). Corte e cole na parte inferior da bacia. Acção: puxar o joelho para dentro e flecti-lo. 11. Grande adutor: tem origem no osso da anca (parte inferior da bacia) e o ponto de inserção no fémur. Corte e cole na bacia. Acção: movimenta (principal adutor) a coxa. Pode sentir-se incomodado por outros adutores, não representados no diagrama, quando por exemplo andar a cavalo pela primeira vez! 12. Vasto interno; 13. crural; 14. vasto externo: os três têm origem no fémur e o ponto de inserção com o recto anterior via rótula, na tíbia. Corte e cole na parte superior da perna. Acção: ajuda a distender (endireitar) o joelho. 15. Recto anterior: tem origem em dois pontos do ilíaco (parte superior da bacia) e o ponto de inserção, juntamente com os músculos vasto, na tíbia via rótula. 160
  • 149. Acção: principal extensor do joelho, flexor da anca desde a sua ligação até à bacia. Os músculos 12-15 são também conhecidos por quadríceps (músculos de quatro cabeças), por o ponto de inserção ser comum. Dê um bom pontapé e sinta a actuação dos quadríceps. 16. Costureiro: tem origem no ilíaco e ponto de inserção na tíbia. O costureiro é o músculo mais longo do corpo. Corte e cole na bacia. Acção: flecte a anca e joelho e roda a perna para dentro. Para se sentar como um costureiro antigo, utilize o costureiro para puxar os joelhos para fora e sente-se com as pernas cruzadas. Músculos da perna - lado esquerdo 17. Longo peroneal lateral: tem origem no perónio (o osso superficial mais pequeno) e ponto de inserção sob o primeiro metatarso (osso do pé). Corte e cole no joelho. Acção: revira (vira para fora) o pé e ajuda a flectir o tornozelo, como quando se puxa o atacador do sapato. 18. Extensor comum dos dedos: tem origem no perónio e tíbia e ponto de inserção nos últimos ossos dos dedos dos pés. Corte e cole no joelho. Acção: distende os dedos dos pés e ajuda a flectir o tornozelo. 19. Tibial anterior: tem origem na tíbia e ponto de inserção no lado de baixo do primeiro metatarso e tarso adjacente (tornozelo). Corte e cole no joelho. Acção: inverte (vira para dentro) o pé e ajuda a flectir o tornozelo. A articulação do tornozelo tem vários ligamentos fortes (pequenas bandas fibrosas) que protegem a articulaçã o de distensões provocadas pelos músculos principais e peso de corpo. Quando a protecção é vencida, a articulação cede e o tornozelo “torce”. 161
  • 150. Músculos do abdómen 20. Transverso do abdómen: tem origem na vértebra lombar, ilíaco e costelas inferiores, e está também ligado aos músculos da parte inferior das costas. Contorna o abdómen, e o ponto de inserção é na base do esterno e um tendão central que vai desde o tórax até ao osso do púbis. Corte e cole na bacia e costelas, só no lado direito (para que possa observar o músculo psoas à esquerda). Acção: comprime os órgãos abdominais como um “espartilho”. 21. Grande recto abdominal: tem origem no osso do púbis e ponto de inserção na quinta à sétima costelas. Corte e cole no púbis no lado direito. (Tenha presente que o lado direito do esqueleto é o seu lado esquerdo quando olha para ele.) Acção: flecte a coluna projectando o tórax para a frente; auxilia o transverso a comprimir o abdômen, A contracção dos músculos abdominais para dentro ajuda à função de dejecção do intestino grosso. “Puxar para baixo” o intestino provoca obstipação devido à constrição da sua acção espontânea. 22. Grande oblíquo: tem origem no ilíaco dirigindo-se para o púbis e tem também ligação aos músculos da parte inferior das costas. O ponto de inserção é nas primeiras três ou quatro costelas inferiores e tendão central do abdómen. Corte e cole à bacia no lado direito. 23. Pequeno oblíquo: a origem e ponto de inserção contrapõe o grande oblíquo - origem na caixa torácica e ponto de inserção no ilíaco. Corte e cole na secção das costelas do grande oblíquo. Acção: em conjunto, estes músculos projectam o tronco para a frente; se o grande, num dos lados, flectir com o pequeno do lado oposto, o tronco roda, como quando estamos de pé e nos viramos para o lado sem mover as pernas. Os músculos oblíquos procuram manter um contorno de cintura agradável frequentemente desafiando sérias possibilidades contrárias. Os 162
  • 151. heróicos exercícios para readquirir a musculatura abdominal são frequentemente anulados por desenfreados e “inúteis” exercícios - movimentos correctivos levados a um ponto de esforço tal que só nivelam a parte superior e forçam os nossos órgãos para baixo, pronunciando o ventre. Os exercícios abdominais mais producentes são executados com o corpo invertido ou semi-invertido (por exemplo o ioga Shoulderstand), em que as pernas balançam e flectem suavemente. Após ter executado metade do diagrama, estará familiarizado com a origem e ponto de inserção dos vários músculos. Agora continue para a secção seguinte, tendo presente que o corpo não tem efectivamente uma “frente” ou “costas”, mas é na verdade mais cilíndrico, com a coluna vertebral ao centro. Tente reconhecer, pela descrição da sua acção, quais os novos músculos “antagonistas” dos que já colou. Posteriormente, pode copiar as páginas de novo e aplicar os músculos à frente e atrás aos pares, como antagonistas. Noutra altura, oculte a numeração e tente, de memória, colocar os músculos no esqueleto. Nem todas as pessoas se sentem completamente familiarizadas com todos os grupos de músculos mesmo após uma considerável experiência prática. Se todo o diagrama lhe parece demasiado complicado, comece por um grupo numa área em que se sinta mais confiante e deixe a sua curiosidade conduzi-lo, pouco a pouco, para outros músculos. PERSPECTIVA POSTERIOR (COSTAS) Músculos das costas (coluna e tórax) - lado direito 24/25. Sacrolombares (um termo colectivo para os erectores da coluna): têm todos origem na parte inferior da coluna e ponto de inserção nas costelas superiores e, finalmente, no crânio. 163
  • 152. Corte o 24 e cole totalmente na bacia, coluna e tórax; cole o 25 no osso sacro (parte inferior da coluna). Acção: projecta a coluna e o pescoço ao puxar a extremidade da vértebra. Descobrirá o sacrolombar colocando-se em pé curvado. 26. Rombóide pequeno e grande rombóide: têm origem na última cervical (pescoço) e vértebra superior torácica e ponto de inserção na extremidade da omoplata. Corte e cole na vértebra. Acção: rodam a omoplata puxando-a em direcção à coluna. 27. Os quatro músculos escapulares por ordem descendente: Supraspinhoso: tem origem na omoplata acima do sulco e ponto de inserção no úmero. Acção: ajuda o músculo deltóide a levantar o braço. Infraspinhoso: tem origem sob o sulco e ponto de inserção na parte de fora do úmero. Acção: roda o braço para fora. Pequeno redondo: tem origem na extremidade da omoplata e ponto de inserção na parte de fora do úmero. Acção: auxilia o infraspinhoso e ajuda a suster o braço no ombro (arredonda no encaixe). Grande redondo: tem origem na parte inferior da omoplata e ponto de inserção na parte interior do úmero. Acção: roda o braço para dentro e ajuda a suster o braço no ombro. Corte e cole a aba da costela no tórax de modo que a extremidade da omoplata peri- naneça adjacente aos músculos rombóides. Pode então, se levantar a omoplata, observar os músculos da coluna. 28. Grande dorsal (o músculo mais extenso das costas): tem origem no osso sacro, no ilíaco e nas costelas inferiores e ponto de inserção na parte interior do úmero. Corte e cole na coluna e bacia.
  • 153. Acção: puxa o braço, projecta-o para trás e roda-o para dentro. A forma deste músculo é um “V” alargado. O grande dorsal e os músculos escapulares formam a parte traseira da axila. 29. Trapézio: tem origem no osso occipital do crânio (atrás) e coluna vertebral, descendo até à última vértebra torácica e ponto de inserção nas extremidades da clavícula e omoplata. Corte e cole à coluna e crânio. Acção: eleva e puxa para trás os ombros como “na acção de encolher os ombros”. Pode detectar facilmente o trapézio belíscando ao longo da parte de cima dos ombros. Músculos do braço - esquerda 30. Tríceps (originalmente significa “três cabeças”): tem origem na omoplata e úmero e ponto de inserção no cúbito (cotovelo). Corte e cole na omoplata. Acção: distende o cotovelo em clássica oposição aos músculos bíceps. 31. Deltóide (perspectiva posterior): veja texto do músculo 6. Corte e cole na parte superior da omoplata. 32. Angular: tem origem nas quatro vértebras cervicais superiores e ponto de inserção na parte superior da omoplata. Corte e cole no pescoço. Acção: eleva a omoplata. Músculos do antebraço - esquerda 33. Primeiro radial (antagonista do pequeno palmar 8): tem origem no úmero e ponto de inserção na base do segundo e terceiro metacárpicos. Corte e cole no cotovelo. Acção: distende e impele o pulso para fora. 165
  • 154. 34. Extensor comum dos dedos (antagonista do flexor profundo dos dedos 7): tem origem no úmero e ponto de inserção nas falangetas. Acção: distende os dedos. Cerre e endireite os dedos para observar os movimentos antagónicos perfeitamente sincronizados dos flexores e extensores. Repare igualmente como os músculos adelgaçam desde o braço formando delgados tendões que atravessam o pulso até à mão - isto é extraordinariamente hábil pois evita que as mãos aumentem de tamanho em consequência do uso constante como acontece com os filamentos dos músculos principais. Músculos da coxa - esquerda 35. Bíceps femural: tem origem no osso da anca e ponto de inserção no perónio e tíbia. Corte e cole na bacia. Acção: flecte e roda o joelho para fora; distende (recua) a articulação da anca. 36. Semitendinoso: tem origem no osso da anca e ponto de inserção na tíbia. Corte e cole na bacia. Acção: flecte e roda o joelho para dentro; distende a articulação da anca. 37. Semimembranoso: tem origem no osso da anca e ponto de inserção na tíbia. Corte e cole na bacia. Acção: como o semitendinoso. Igualmente ilustrado no 37, é a segunda e mais curta “cabeça” do bíceps femural que tem origem na parte inferior do fémur. Corte por entre o músculo maior e mais pequeno e prenda sob o femural e directamente no osso para se juntar ao seu parceiro, deixando o semimembranoso como o músculo predominante do grupo. Os músculos flexores da coxa são normalmente conhecidos como “tendões da curva da perna”, segundo o castigo medieval 166
  • 155. que consistia em decepá-los. São muitas vezes lesionados em actividades desportivas e podem levar muito tempo a recuperar devido ao seu envolvimento na postura vertical e no caminhar. Os seus pontos de inserçã o são facilmente detectados na parte de trás do joelho. 38. Pequeno glúteo: tem origem na parte de fora do ilíaco e ponto de inserção na parte de fora do fémur. Corte e cole no ilíaco. Acção: puxa o fémur para fora e roda-o. 39. Glúteo médio: tem origem na extremidade do ilíaco e ponto de inserção no fémur. Corte e cole no ilíaco. Acção: semelhante ao pequeno glúteo. 40. Grande glúteo: tem origem no ilíaco, sacro e cóccix e ponto de inserção no fémur. Corte e cole no sacro para observar o pequeno glúteo e o glúteo médio. Acção: distende a articulação da anca e roda o fémur para fora como numa postura oriental de dança. Os glúteos são vitais para manter a postura vertical do corpo e, em conjunto com os tendões da curva das pernas e o grupo quadricípite, movimentam as pernas. A gravidade ajuda igualmente este movimento, permitindo que o fémur balance como um pêndulo. Relaxando conscientemente as articulações do joelho e tornozelo à medida que as pernas caminham, reduz o esforço dos músculos das coxas e é útil quando se recupera de uma lesão nos músculos das costas. Músculos da perna - direita 41. Solhar: tem origem na tíbia e perónio e ponto de inserção no calcâneo (calcanhar), o maior osso do tarso. Corte e cole na parte detrás do joelho. Acção: plantar (para baixo) flecte o tornozelo, isto é, coloca em bicos de pés. 167
  • 156. O músculo mais pequeno, também representado com origem no fémur e ponto de inserção com solhar, é o plantar delgado, um acessório do músculo que se segue, 42. Gémeos: tem origem no fémur e ponto de inserção no calcâneo. Acção: vigoroso flexor do tornozelo e, devido à sua origem no fémur, ajuda a flectir o joelho. Os músculos 41 e 42 dão vigor aos nossos passos quando caminhamos rapidamente ou corremos; quando não estão em movimento, permitem erguer o corpo em bicos de pés. Se estiver confuso com uma determinada parte do corpo, amplie, para maior clareza, uma parte do esqueleto e dos músculos. Poderá ter necessidade de repetir a colocação dos músculos até estar completamente familiarizado com a anatomia, pelo que deverá utilizar pouca cola para poder fazer as correcções que entender. Contudo, não desanime, pois, no corpo real, a disposição dos músculos nem sempre é como descrita nos livros; por exemplo, o pequeno psoas, um dos músculos mais pequenos, pensa-se estar ausente em cerca de trinta por cento da população! 168
  • 157. GLOSSÁRIO Abiluzir: termo anatómico que significa mover um membro, afastando-o da linha mediana. Aduzir: oposto do termo acima; aproximar do meio. Anatomia: ciência sobre a forma, a estrutura e as partes do corpo. Assusta, de início, os aprendizes empenhados da massagem, porém, enquanto aprendem a massajar, eles têm a vantagem de aprender a anatomia viva dos seus parceiros. Artéria: vaso tubular que leva o sangue do coração para outras partes do corpo. As artérias tornam-se progressivamente mais finas, passando a arteríolas e, depois, a capilares minúsculos com o tamanho apenas de uma célula em diâmetro. As pesquisas têm demonstrado que a vida ocidental, cheia de stress, pode causar a degeneração prematura das artérias. Artrite: inflamação de estruturas que contêm articulações (artrite reumatóide). Quando o revestimento dos ossos que formam uma articulação se gasta e fica dorido, chama-se a isto osteoartrite. Bíceps: músculo que se prende aos ossos em dois pontos (literalmente: com duas cabeças”), por exemplo, o músculo que se pode sentir atrás dos joelhos. Músculos com três pontos de contacto são tríceps, na parte de trás do braço; com quatro, quadríceps, na parte da frente da coxa. Bolsa serosa: almofada cheia de fluido que protege as articulações dos membros. Quando a articulação é sujeita a repetidas e excessivas pressões exteriores, a bolsa pode ficar inflamada (bursite). Brônquios: tubos em formas de ramos, que chegam aos pulmões, subdividindo-se sempre à maneira de uma árvore. Os brônquios mais finos chamam- 169
  • 158. -se bronquíolos e terminam em “botões”, alvéolos, nos quais se dá a troca dos gases respiratórios. Enquanto as “árvores” dos nossos pulmões expiram dióxido de carbono, as da terra inspiram-no; o oxigénio que elas expiram é aproveitado pelos nossos pulmões. Caudal. relativo ao cóccix. Cefálico: relativo à cabeça. Ciática: inflamação do nervo ciático, que começa no fundo das costas, passando pela parte de trás da perna e pela parte de baixo do pé. A ciática acompanha, com frequência, desarranjos nas vértebras, quando estão desalinhadas ou comprimidas. Cifose: deformação da coluna, da qual resulta uma convexidade exagerada na zona torácica. Derme: a verdadeira pele, que fica mesmo por baixo da camada protectora externa. Tem uma delicada sensibilidade, formando, simultaneamente, uma eficaz barreira térmica e hidrostática para o corpo. Desvio de disco: designação incorrecta de um disco intervertebral (habitualmente lombar) pressionado. O disco, que tem a forma de almofada, não se pode desviar, mas por vezes forma uma saliência e irrita os nervos que saem da coluna. Os discos não podem ser “postos no sftio” mesmo com as técnicas mais sofisticadas, mas pode-se aliviá-los com apoio do corpo e uma ligeira tracção. Diafragma: músculo em forma de cúpula que separa o tórax do abdômen. A função activa do diafragma é ajudar o funcionamento dos pulmões, ao mesmo tempo massajando ritmicamente os órgãos digestivos. Diagnóstico: determinação da doença que uma pessoa tem. Pode levar a uma “categorização” e despersonalização do paciente ou cliente. Alguns médicos preferem perguntar: “Que tipo de pessoa tem esta doença?” Dorsal. relativo às costas. Escoliose: desvio lateral da espinha dorsal que, visto de trás, forma curvas em S. Os três desvios da coluna comuns, descritos no glossário, podem ser congénitos ou resultado de uma lesão ou adaptação ao meio. Especialista: profissional com alta formação, normalmente muito experiente, mas correndo o risco de “achar cada vez mais em cada vez menos”. Eversão: reviramento para fora. Fibrosite: inflamação da membrana do músculo, causada por excesso de tensão ou por lesão. G5: instrumento mecânico de massagem. É manual e não substitui a massagem à mão, mas pode completá-la. Também é útil no tratamento de lesões. Tem por base uma cabeça de borracha circular que vibra horizontalmente. 170
  • 159. Hipertensão: alta pressão do sangue, anormal e indesejável. Pode ser avaliada subjectivamente ou medida com a ajuda do esfigmomanómetro, uma braçadeira inflável que se coloca no braço. Embora a palavra se traduza simplesmente como “medidor de pressão das pulsações”, o seu aspecto e a sua colocação fazem aumentar bastante, com frequência, a pressão do sangue. Hipotensão: baixa pressão do sangue. Não é encarada, no Reino Unido, como particularmente grave para a saúde (embora na Alemanha os hipotensos sejam tratados do mesmo modo que o são os hipertensos no Reino Unido). Imobilização: colocação do corpo em tal posição, que a tensão seja mínima, especialmente em caso de lesão. Exemplos: descansar um joelho flectido sobre uma almofada; apoiar o braço numa banda suspensória. Inserção: a ponta de um músculo ligada ao osso que ele deve mover. Exemplo: o músculo gastroenémio humano insere-se no osso do calcanhar e, puxando-o, estica o pé. Inversão: viragem de fora para dentro. Lordose: concavidade excessiva nas vértebras lombares da coluna, Marquesa: mesa especial para massagem, Pode ser fixa ou móvel e deve ser adaptada à altura do executor. (Para testar: ponha-se de lado para a marquesa, braços nos flancos; flicta, o pulso até a mão estar horizontal - esta é a altura da marquesa recomendada para si.) Massagem: manipulação dos tecidos moles do corpo para fins terapêuticos. Há registos de diversas formas de massagem em todas as civilizações, desde os tempos mais remotos. Médio: relativo ao centro. Parceiro: alguém que acede ser massajado ou com quem se troca massagens. Postura: alinhamento eficaz do esqueleto, relativamente a qualquer posição, mas normalmente associado à posição de pé. Postura pode também significar atitude, o que sugere que uma posição tem componentes físicas e emocionais. Praticante: alguém que faz massagem profissionalmente ou com interesse próprio. Prostrado: posição deitada de rosto para baixo. Psicologia: o estudo do pensamento, da emoção e do comportamento, diferente da psiquiatria, que é uma especialidade da medicina que trata doenças da “mente”. Quadriceps: ver Bíceps. Reflexo: contracção involuntária de um músculo que resulta de um estímulo inesperado. Na massagem, ocorre em caso de “cócegas”, de uma pancada demasiado repentina ou profunda. 171
  • 160. Reumatismo: outrora usado para designar as formas comuns de artrite. Sistema circulatório: sistema responsável pelo movimento do sangue pelo corpo através do coração e vasos sanguíneos, artérias e veias e vasos linfáticos. Sistema endócrino: sistema responsável pelo funcionamento das hormonas no organismo. As hormonas são mensageiras químicas, contidas nas glândulas estrategicamente colocadas em várias partes do corpo. Nos momentos críticos da nossa vida, as hormonas são libertadas directamente na corrente para efectuarem modificações subtis no metabolismo. Sistema linfático: sistema de circulação complementar, onde a circulação se dá no mesmo sentido que nas veias. A linfa, que é a água recolhida dos tecidos, juntamente com glóbulos brancos para desinfecção, corre, purificando-se pelo caminho, da periferia do corpo até à parte superior do tórax, onde volta para a corrente sanguínea mesmo antes de entrar no coração. A linfa é periodicamente filtrada ao passar pelos gânglios linfáticos, estrategicamente colocados nos espaços vazios do corpo: atrás dos joelhos, debaixo dos braços, etc. Os gânglios contêm também células purificadoras muito poderosas, os linfócitos, que podem ser transferidas para a linfa em caso de emergencias acidentais ou doença. Sistema nervoso central. a parte dos nervos do corpo que compreende o cérebro, a medula espinal e anexos. O SNC tem como característica o controlo das acções conscientes e deliberadas dos músculos e da mente. Os nervos motores dão aos músculos ordens de contracção, os nervos sensitivos transmitem a dor, o calor, o frio para interpretação do cérebro. Os nervos saem dos espaços entre as vértebras e podem ser prejudicados por anormalidades na articulação. Sistema nervoso vegetativo ou autónomo: controla funções involuntárias ou inconscientes, como a respiração e a digestão. O SNV tem duas partes complementares: nervos simpáticos, que dizem respeito ao estímulo, actos enérgicos (acelerar); e nervos parassimpáticos, que inibem (abrandar). Através destes mecanismos, o meio interno do corpo mantém-se em harmonia. Stress: situação de tensão excessiva e permanente. Diferentemente de tensões autocontroladas (algo dói, e nós, habitualmente, paramos), o stress pode ser mais difícil de reconhecer subjectivamente. Supino: posição deitada de rosto para cima. Tendão: fibras no fim de um músculo que o ligam a um osso. Forçar de mais o músculo pode inflamar o tendão, provocando a tendinite. Terapia: à letra, tratar e olhar pelo doente. “Tónus”: ligeiras e contínuas contracções musculares que mantêm a pos- 172
  • 161. tura e ajudam o fluxo do sangue. Se escutari-nos o “tónus” com o ouvido encostado à pele, podemos ouvir estalidos semelhantes aos que se ouvem durante exercícios em que se roda a cabeça. Tracção: alongamento da espinha dorsal, normalmente resultado de um esforço exterior. A tracção espontânea ocorre, em cada exalação, de uma ponta da coluna à outra. Tratamento: aquilo que o terapeuta nos dá; um “prazer”. Trauma: à letra, “lesão”; tem consequências físicas e psicológicas. Triceps: ver Bíceps. Vasoconstrição: diminuição das artérias mais finas; palidez; efeito da água fria sobre os vasos sanguíneos da pele. Vasodilatação: alargamento das artérias finas; rubor; o efeito do álcool sobre os vasos da pele (sentimo-nos “quentes”). A rápida alternância de vasoconstrição e vasodilatação nos minúsculos vasos do abdômen, quando estamos nervosos, dá a sensação de batimento de asas de borboleta. Veia: vaso tubular que conduz o sangue de volta ao coração. Relativamente superficiais, as veias podem ser vistas e sentidas, especialmente quando varicosas, tumefactas e lutando para anular os efeitos da gravidade. 173
  • 162. OUTRAS LEITURAS Amadon, A. The Fold Out Atlas of the fluman Body, Bonanza Books, 1984. Asimov, 1. The Human Body, New American Library, 1963. Bertherat, T. The Body Has lts Reasons, Heinemann, 1988. Bettany, C. The Thinking Body, Arrow Books, 1989. Curtis Shears, C. Nutrition Science & flealth Education, Nutrition Science Institute, 1978. Freud, S. The Psychopathology of Everyday Life, Penguin, 1975. Hauser, G. B. Better Eyes Without Glasses, Faber, 1956. Ingham, E. Reflexology - Stories the Feet Can TelI, Ingam Publishing Inc., 1984. Knott, B. S. & Voss, E. Proprioceptive Neuromuscular Technique, Hoeber-Harper, 1962. Lederman, E. Good Health Through Natural Therapy, Kogan Page, 1976. Liechti, E. Health Essentials: Shiatsu, Element, 1922 [Shiatsu, na ed. port. publ. pela Editorial Estampa, 19941. Lewis, S. An Anatomical Wordbook, Butterworth-Heinernann, 1990. Li-Hui, J. & Zhao - Xiang, J. Pointing Therapy. Shandong Seience Press, 1984, Masters, P. Osteopathy for Everyone, Penguin, 1988. Siegel, A. Polarity Therapy, Prism Press, 1987. 111omson, C. L. Hydrotherapy - Water and Nature Cure, Kingston Publications, 1970. Wildwood, C. flealth Essentials: Aromatherapy, Element, 1922 [Aromaretapia, na ed. port. publ. pela Editorial Estampa, 1994]. Wirhed, R. Athietic Ability and the Anatomy of Motion, Wolfe, 1984. 175
  • 163. IIEMIMIMA"LMEMNETEVNS Volumes publicados: 1 - A CURA PELA COR / Ted Andrews 2 - ACUPUNCTURA / Peter Mole 3 - MANUAL COMPLETO DE MEDICINA NATURAL / Marcia Starck 4 - IRIDOLOGIA 1 James e Sheelagh Colton 5 - HOMEOPATIA 1 Anne Clover 6 - REFLEXOLOGIA @ Inge Dougans e Suzanne Ellis 7 - O DIAGNóSTICO PELA RADIESTESIA 1 Arthur Bailey 8 - AROMATERAPIA 1 Christine Wildwood 9 - A CURA ESPIRITUAL Jack Angelo 10 - REMÉDIOS FLORAIS Christine Wi ldwood 11 - A TÉCNICA ALEXANDER 1 Richard Brennan 12 - NUTRIÇÃO E SAúDE 1 Hasnain Walji 13 - SHIATSU / Elaine Liechti 14 - CUIDADOS COM O CORPO E A PELE / Sidra Shaukat 15 - A MASSAGEM TERAPÊUTICA 1 Stewart Mitchell 16 - CHI KUNG 1 James MacRitchie 17 - CROMOTERAPIA 1 Pauline Wilis 18 - AYURVEDA / Scott Gerson 19 - OS CRISTAIS E A SAÚDE 1 PhyIlis Galde 20 - VISUALIZAR PARA CURAR 1 Pieduigi Lattuada 21 - GUIA DE MASSAGEM MÁGICA 1 Angela Donetti e Valerio Lupano 22 - COMO CURAR COM A ENERGIA DAS MÃOS / WIcáo Stnfo 23 - SAÚDE E ENERGIA EM 16 ETAPAS 1 Pauline Wilis e Theo Gimbel 25 - HIPNOTERAPIA 1 Hellmut W. A. Karie 27 - CINESIOLOGIA 1 Maggie La Tourelle e Anthea Courtenay 28 - MANUAL PRÁTICO DF HOMEOPATIA / Ruggero Dujany A publicar: 24 - OSTEOPATIA / Edward Triance 26 - QUIROPRÁTWA / Michael B Howitt Wils,)n