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Cancer infravermelhos longosphoton

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  • 1. ACREDITANDO NA EFICÁCIA DO  TRATAMENTO À BASE DE RAIOS  INFRAVERMELHOS LONGOS  NO COMBATE AO CÂNCER  Ataca as células cancerosas!  Recupera a confiança para viver!
  • 2. 2  Aspectos positivos mais significativos do tratamento por hipertermia geral  do corpo humano à base de raios infravermelhos longos:  Œ Alivia as fortes dores características do câncer em fase terminal  • Apresenta maior sobrevida  Ž Reduz ou elimina as células cancerosas  • Proporciona maior segurança e impacto menor ao corpo do paciente  • Oferece facilidade operacional e permite aplicações freqüentes  ‘ Elimina a dor e aumenta o apetite desde a primeira aplicação  Desenho da capa do livro original­ Communication Arts/ Shinji Aoyama  Foto da capa do livro original­ Collor Box Nota da Tradução: Os nomes de instituições e pessoas contidas neste livro são transcrições do som para o alfabeto romanizado. LOCAL PARA INSERÇÃO DA AUTORIZAÇÃO PARA TRADUÇÃO E PUBLICAÇÃO E COPYRIGHT
  • 3. O efeito surpreendente da terapia à base de raios infravermelhos longos no  combate ao câncer — Uma introdução em substituição ao prólogo  3 O efeito surpreendente da terapia à base de raios infravermelhos longos no combate ao câncer Uma introdução em substituição ao prólogo Um método terapêutico que alivia a dor e prolonga a sobrevida Atualmente, o tratamento por hipertermia geral (de todo o corpo) está sendo novamente  reconhecido como um importante método terapêutico para o tratamento do câncer e, em  especial, o “tratamento por hipertermia geral à base de raios infravermelhos longos” vem  chamando  a  atenção  do  mundo  inteiro.  A  “hipertermia  geral  à  base  de  raios  infravermelhos longos” é um método de tratamento que consiste em elevar a temperatura  do corpo humano a 42 o  C e atacar as células cancerosas com o calor gerado.  Atualmente, a cirurgia, a radioterapia e a quimioterapia são denominadas “os três pilares”  do  tratamento  de  câncer. A  quimioterapia  é  um  tratamento  medicamentoso  à  base de  drogas  anticancerígenas.  Evidentemente,  o  tratamento  por  hipertermia  geral  não  está  incluído nesse caso.  O  “tratamento  por hipertermia  geral  à  base  de  raios  infravermelhos  longos”  conseguiu  aliviar a dor de pacientes terminais abandonados pelos médicos, que haviam optado pelo  tratamento  por  radioterapia  ou  quimioterapia,  proporcionando­lhes  maior  sobrevida  e  outros efeitos positivos.  Figura 1 ­ As grandes mudanças que estão ocorrendo no aspecto do tratamento do câncer
  • 4. 4  Nos Estados Unidos, a tendência do tratamento do câncer vem passando por mudanças  profundas e os métodos convencionais, como cirurgia, radioterapia e quimioterapia, são  considerados  “tratamentos  invasivos”  e  prejudiciais  ao  corpo  humano,  pois  as  drogas  anticancerígenas  acabam  atacando  não  só  as  células  cancerosas,  mas,  também,  as  células saudáveis.  Em  contraposição,  a  hipertermia,  a  imunoterapia  e  outras  formas  de  terapia  que  não  agridem  o  corpo  humano  são  denominadas  “tratamentos  não  invasivos”.  Esses  tratamentos  vêm  ganhando  destaque  nos  Estados  Unidos  em  virtude  dessa  característica.  A  imunoterapia  é  um  tratamento  à  base  de  medicamentos  denominados  agentes  imunomoduladores. Estes remédios não são nocivos ao corpo humano, diferentemente dos  anticancerígenos e  causam  efeitos positivos  que  aumentam  a  capacidade  imunológica  dos  pacientes. Entretanto, no estágio atual, ainda permanecem algumas dúvidas quanto à eficácia  da imunoterapia e estamos à espera de novas descobertas futuras.  Acreditamos que a “terapia não invasiva” seja a opção para o tratamento de câncer do  século  21.  Entre  as  terapias  dessa  natureza,  temos  a  plena  confiança  de  que  o  “tratamento por hipertermia geral à base de raios infravermelhos longos” proporcionará  efeitos surpreendentes no tratamento do câncer. Por que a hipertemia à base de raios infravermelhos longos agora A  hipertemia  geral  à  base  de  raios  infravermelhos  longos,  considerada  como  um  “tratamento  não  invasivo”,  oferece  algumas  vantagens  que  merecem  ser  destacadas.  Vamos apresentá­las em seguida:  • Alivia as fortes dores características do câncer terminal  ‚ Apresenta maior sobrevida  ƒ Reduz ou elimina as células cancerosas  „ Proporciona maior segurança e menor impacto ao corpo do paciente  … Oferece facilidade operacional e permite aplicações freqüentes  † Elimina a dor e aumenta o apetite desde a primeira aplicação  O “tratamento por hipertermia geral à base de raios infravermelhos longos” oferece essas  grandes vantagens, mas um aspecto que merece ser enfatizado aqui é o fato de aliviar as  fortes dores, características do câncer terminal.  Os  pacientes  terminais de câncer  sofrem  dores insuportáveis no corpo todo.  Podemos  considerar  um fator bastante  positivo  o simples fato  de o  paciente  ser  libertado desse  sofrimento.  Em segundo lugar, está o aumento da sobrevida. Observando os casos de tratamento por  esse método, é impressionante o seu efeito em relação à sobrevida, comparado­se com  outros métodos terapêuticos.
  • 5. O efeito surpreendente da terapia à base de raios infravermelhos longos no  combate ao câncer — Uma introdução em substituição ao prólogo  5  Seria  maravilhoso  se  um  paciente  terminal  com  três  meses  de  sobrevida  estimada  pudesse viver mais três ou cinco anos sem sofrer dores, levando uma vida relativamente  tranqüila. Além disso, não seria apenas a questão de viver mais tempo, mas o fato de  poder viver normalmente, alimentando­se com muito apetite.  E  mais ainda, já  houve casos  de alguns pacientes que  tiveram o  câncer  curado.  Esta  alegria é inimaginável para uma pessoa sadia, pois, mesmo que o ganho de sobrevida  seja  apenas  de  um  ano,  provavelmente  serão  dias  bastante  significativos  para  a  vida  dessa pessoa.  Em terceiro lugar, podemos destacar o efeito na diminuição do câncer. Aproximadamente  70%  dos  pacientes  submetidos  a  esse  tipo  de  tratamento  tiveram  a  diminuição  das  células cancerosas.  Atualmente, o “tratamento por hipertermia geral à base de raios infravermelhos longos”  não  permite  evidentemente  a  cura  total  do  câncer;  entretanto,  em  10%  dos  pacientes  tratados com esse método, não foi observada a presença de células cancerosas após a  terapia. Existem muitos casos em que a metástase dos ossos foi curada totalmente.  O  “tratamento  por  hipertermia  geral  à  base  de  raios  infravermelhos  longos”  apresenta  ainda  muitas  vantagens  que  os  leitores  poderão  conhecer  mais  detalhadamente  neste  livro.  O  Hospital  Luka,  localizado  no  bairro  de  Nakano  em  Tokyo,  interessou­se  pelo  “tratamento por hipertermia geral à base de raios infravermelhos longos” e foi o pioneiro  na introdução do aparato para a hipertermia adquirido da empresa americana Enthermics.  Em  fevereiro  de  1991,  o  hospital  iniciou  ativamente  a  aplicação  do  “tratamento  por  hipertermia geral à base de raios infravermelhos longos”.  O  tratamento  utilizando  esse  dispositivo  leva de  4 a  5  horas  por  aplicação,  para cada  paciente.  Uma  vez  que  um  único  aparelho  limitava  a  quantidade  de  pacientes  que  poderiam ser atendidos, o hospital colocou à disposição um segundo aparelho aquecedor  à base de raios infravermelhos longos para atender à expectativa dos pacientes.  O  Hospital Luka não é luxuoso,  ao  contrário,  é um  hospital  simples. No entanto, o  Dr.  Takashi  Takeuchi,  diretor­geral,  um  cristão  praticante,  vem  dedicando­se  à  terapia  em  contato  direto  com  os  pacientes.  Esse  hospital  desprovido  de  luxuosidade  oferece  um  tratamento médico de alto nível, equiparado aos melhores hospitais do mundo e continua  apresentando seus trabalhos em congressos nacionais e internacionais.  Dizem  que  o  câncer,  doenças  cardíacas  e  apoplexia  cerebral  são  as  três  maiores  doenças de adultos. Duas delas, doenças cardíacas e apoplexia cerebral, já estão sob  controle,  restando  apenas  a  cura  do  câncer,  este  considerado  o  último  problema  da  atualidade na  área da  Saúde. A  medicina  moderna  estará completa  ao  se encontrar  a  cura do câncer. Nós, médicos, estamos lutando dia e noite contra esse mal, e agora uma  luz de esperança começa a brilhar no céu do oriente.  Masayoshi Yokoyama
  • 6. 6 Índice  Um método terapêutico que alivia a dor e prolonga a sobrevida......................................................................3  Por que a hipertemia à base de raios infravermelhos longos agora...................................................................4  Capítulo 1 ­ Ofensiva contra células cancerosas  As células cancerosas são bastante vulneráveis à temperatura de 42 o  C..........................................................10  Mesmo aquecendo até 42 o  C, o risco para o corpo humano é zero..................................................................12  Existe um ponto comum entre a morte da célula cancerosa e a assadura de cama ..........................................14  As cinco razões da eficácia do tratamento por hipertermia geral no combate ao câncer..................................16  Submetendo­se pela primeira vez à uma terapia à base de raios infravermelhos longos ­  depoimento do Sr. T.T..................................................................................................................................20  “É isto! Para a hipertermia geral, os raios infravermelhos longos são a solução.” ..........................................21  A descoberta do tratamento por hipertermia remonta aos tempos do Egito antigo..........................................22  A necessidade urgente de incorporar a hipertermia geral na cobertura do seguro­saúde .................................23  É impossível aumentar a sobrevida do paciente por meio da hipertermia local ..............................................24  A terapia à base de raios infravermelhos longos é a estrela da esperança na cura do câncer ...........................26  O efeito da hipertermia geral é maior nas pessoas saudáveis.........................................................................27  Com uma seção de terapia, já é possível dispensar o analgésico....................................................................30  A notificação do câncer não provoca medo...................................................................................................32  Hipertermia geral pelo método de circulação extracorpórea..........................................................................34  Capítulo 2 ­ Por que os raios infravermelhos longos são  eficazes  no combate ao câncer  Existem diversas ondas eletromagnéticas .....................................................................................................42  Na realidade, a “dádiva do sol” são os raios infravermelhos..........................................................................44  Por que os raios infravermelhos têm um forte efeito térmico.........................................................................45  Por que os raios infravermelhos longos são melhores para a hipertermia.......................................................48  A segurança é garantida pelo dispositivo de parada automática de dois estágios............................................49  Os aparelhos de hipertermia geral de fabricação japonesa estão atualmente em fase de tratamento  experimental................................................................................................................................................52  Na alemanha, uma seção de terapia apresentou 64% de eficácia no tratamento do câncer ..............................54  O paciente nº 1, que recuperou a perda de sensibilidade da parte inferior do corpo........................................57  Apresentação de 20 casos de tratamento no congresso de hipertermia...........................................................58  O tratamento do câncer foi agilizado com a introdução do segundo aparelho ................................................59
  • 7. O efeito surpreendente da terapia à base de raios infravermelhos longos no  combate ao câncer — Uma introdução em substituição ao prólogo  7  Capítulo 3 ­ Elimina a dor e prolonga a sobrevida.  Uma apresentação de casos reais  Recuperado do câncer de pulmão que não havia chance de cirurgia...............................................................62  A terapia à base de raios infravermelhos longos foi eficaz no combate à metástase do  adenoma do tórax  nos dois pulmões ............................................................................................................64  Leva uma vida saudável mesmo depois de ter extraído o pâncreas e o baço...................................................65  Desapareceram as dores causadas pelo câncer que não tinha a possibilidade de cirurgia ................................66  O câncer do pulmão e a metástase apresentaram melhoras com o tratamento à base de raios  infravermelhos longos..................................................................................................................................67  Viveu mais de um ano depois de ter sido comunicado que a sobrevida era de três meses ...............................68  “Tenho a sensação real de ter recebido uma nova vida.”................................................................................69  Com dois ciclos de tratamento à base de raios infravermelhos longos melhorou o câncer  do estômago e a oclusão intestinal................................................................................................................70  Desapareceu totalmente a metástase do câncer no intestino grosso ................................................................71  O câncer da próstata desapareceu completamente com o tratamento à base de raios infravermelhos...............72  O câncer terminal do estômago melhorou com apenas um ciclo....................................................................72  Recuperou a condição física que estava debilitada com o câncer do pulmão..................................................73  Desapareceu a dor nas costas provocada pelo câncer do pulmão ...................................................................74  Em fase de observação depois da estagnação do câncer ................................................................................75  A luta contra o câncer que se prolongou durante 9 anos ................................................................................76  Recuperou­se do câncer do pulmão e hoje trabalha ativamente com política..................................................77  Recuperou­se muito bem do câncer terminal do pulmão, quando a sobrevida havia sido estimada  em três meses ..............................................................................................................................................77  Participou do jogo de golfe depois de um ciclo de tratamento contra o câncer renal e metástase  do fígado e pulmão ......................................................................................................................................78  Melhorou do câncer hepático e da metástase dos dois pulmões .....................................................................79  A parte inferior do corpo estava paralisada por causa da metástase dos ossos, mas teve alta  depois de dois ciclos ....................................................................................................................................79  Não há motivo de preocupação com a hipertermia geral, mesmo para as pessoas de idade avançada..............80  Houve uma reviravolta, passando do câncer de pulmão a um passeio na festa da cerejeira ............................81  A metástase do pulmão provocada pelo linfoma maligno melhorou de forma surpreendente..........................82  Recusou a cirurgia e viajou pelo mundo depois de ser tratado com a hipertermia geral ..................................83  Recuperada do câncer de mama com metástase nos ossos.............................................................................83  A cirurgia conservadora das mamas trouxe as piores conseqüências possíveis, mas ... ...................................85  Melhorou o câncer da mama direita e a metástase do fígado .........................................................................85  Uma breve estagnação do câncer de mama reincidente e da metástase ..........................................................86  Um médico clínico­geral que foi submetido à hipertermia geral à base de raios infravermelhos  longos por causa do câncer de mucosa uretral...............................................................................................87
  • 8. 8  Capítulo 4 ­ Os métodos terapêuticos que proporcionam felicidade  aos pacientes  A terapia deveria ser escolhida pelo paciente................................................................................................90  Foi alcançada a maior taxa de sobrevida no tratamento de câncer do pulmão ................................................91  Por que as drogas anticancerígenas provocam danos ao fígado .....................................................................92  Aprendendo com os pacientes que lutam contra o câncer..............................................................................94  Aprendendo com a terapia naturalista praticada pelos pacientes....................................................................95  O tratamento do câncer inicia quando o paciente recusa a terapia oferecida pelo hospital ..............................96  Um relato somente dos casos em que o câncer foi curado naturalmente ........................................................97  Aprendendo com a prática da boa alimentação, conduzida pelos pacientes....................................................98  O conhecimento mínimo que todos deveriam ter sobre a imunoterapia .........................................................98  Aprendendo com a imunoterapia praticada pelos pacientes...........................................................................99  A eficácia demonstrada no tratamento do câncer com um aparelho doméstico utilizado para a  terapia à base  de luz..................................................................................................................................102  Um paciente portador de câncer que experimentou um aquecedor geral do corpo desenvolvido  por ele  mesmo ..........................................................................................................................................103  Capítulo 5 ­ A atual situação do tratamento de câncer e sua  prevenção  O câncer é a doença de maior incidência....................................................................................................106  O câncer não surge repentinamente............................................................................................................108  Será que é realmente possível descobrir e tratar o câncer ainda em seu estágio inicial?................................ 111  Ainda não existe um medicamento que seja a palavra final......................................................................... 113  Vamos conhecer a realidade do tratamento de câncer.................................................................................. 114  O câncer de estado inicial não aparece na radiografia .................................................................................123  Por que ocorre a metástase do câncer .........................................................................................................124  Até que ponto os exames de câncer são eficazes.........................................................................................126  A dúvida sobre o julgamento de um processo de tratamento médico ...........................................................128  Os doze mandamentos que previnem o câncer............................................................................................129  Quais são os alimentos que podem prevenir o câncer?................................................................................131  Que tipo de alimentação poderia ter depois de contrair o câncer?................................................................133  Os cuidados com a saúde não podem ser deixados nas mãos de outras pessoas ...........................................135  O paciente com diabetes que conquistou a saúde por meio de jogging (corrida) ..........................................136  Por favor, salvem os pacientes como nós ­ para encerrar o livro..................................................................138  Colaborador de editoração do livro original: Kokichiro Tsukioka  Elaboração de gráficos e figuras do livro original: Minako Tsukioka
  • 9. 9  Capítulo 1  Ofensiva contra células cancerosas
  • 10. 10 As células cancerosas são bastante vulneráveis à temperatura de 42o C Inicialmente,  vamos explicar  sucintamente  a lógica  do  tratamento  por  hipertermia  e os  tipos de tratamento existentes.  As células cancerosas apresentam a característica de ter baixa resistência ao calor em  comparação com as células normais. A razão disso será explicada posteriormente, mas a  lógica  do  tratamento  por  hipertermia  é  eliminar  as  células  cancerosas,  aproveitando  o  calor gerado por esse método terapêutico.  Pergunta­se, então, a quantos graus as células cancerosas morrem. A resposta é: 42 o  C.  Uma temperatura acima desta prejudicaria também as células saudáveis, principalmente  as  do  cérebro.  Em  virtude  disso,  durante  o  tratamento  hipertémico,  a  temperatura  é  sempre controlada para manter­se em 42 o  C.  O tratamento hipertémico pode ser local ou geral, ou seja, em todo o corpo. (figura 2). Na  hipertemia  geral,  o  aquecimento  do  corpo  era  feito,  tradicionalmente,  pelo  método  de  circulação  extracorpórea  até  a  introdução  do  método  por  hipertermia  geral  à  base  de  raios infravermelhos longos. (As explicações sobre a hipertermia geral pelo método de  circulação extracorpórea estão resumidas nas páginas 34 a 40. O assunto é um pouco  específico e difícil de ser entendido; portanto, recomendamos a leitura somente àqueles  que tiverem interesse.)  Figura 2 ­ Tipos de hipertermia
  • 11. Capítulo 1 ­ Ofensiva contra células cancerosas  11  O  método  de  circulação  extracorpórea  foi  introduzido  há  mais  de  15  anos  e  muitos  resultados  positivos  foram  obtidos.  Esse  método  originou­se  do  aproveitamento  das  técnicas de circulação sangüínea empregadas durante uma cirurgia cardíaca.  Ao efetuar uma operação do coração, é necessário interromper o batimento cardíaco de  60 a 120 minutos. Entretanto, uma simples parada desse batimento acabaria provocando  também a interrupção do fluxo sangüíneo, levando o paciente à morte.  Por  esta  razão,  durante  a  cirurgia,  a  circulação  sangüínea  é  mantida  por  meio  de  um  aparato  artificial  cárdio­pulmonar,  externo  ao  corpo  do  paciente,  em  substituição  ao  coração que está sendo submetido à intervenção cirúrgica. Esse método é denominado  circulação extracorpórea e foi consolidado por volta de 1960.  Normalmente o sangue que circula pelo corpo retorna ao átrio direito do coração através  da  veia  cava.  Porém,  no  método  de  circulação  extracorpórea,  em  vez  de  o  sangue  retornar  para  o  átrio  direito  é  conduzido  para  o  circuito  do  mecanismo  de  circulação  extracorpórea.  Em  seguida,  o  sangue  recebe  a  oxigenação  do  aparelho  cárdio­pulmonar  artificial  e  é  enviado para dentro da veia cava do paciente. Esse método permite esvaziar o coração,  deixando­o sem sangue, e efetuar a cirurgia com maior facilidade.  Com a técnica disponível atualmente, o coração pode permanecer algumas horas parado  e  sua  função  é  substituída  pelo  aparato  cárdio­pulmonar  artificial.  O  “tratamento  hipertémico  geral  pelo  método  de  circulação  extracorpórea”  é  uma  aplicação  baseada  nessa técnica cirúrgica.  Na  cirurgia  cardíaca,  a  temperatura  do  corpo  do  paciente  durante  a  operação  é  controlada  para  manter­se  em  26 o  C  e,  depois  da  operação,  esta  temperatura  precisa  retornar para a faixa situada entre 36 o  C e 37 o  C. A diferença de temperatura entre os dois  momentos é de aproximadamente 10 o  C e o procedimento de retorno para a temperatura  normal exige muita técnica.  Por  outro  lado,  na  hipertermia,  basta  elevar  a  temperatura  de  37 o  C  para  42 o  C,  e  a  diferença é de apenas 6 o  C; portanto, isto pode ser considerado uma tarefa relativamente  fácil  se  compararmos  com  o  procedimento  de  controle  da  temperatura,  exigido  numa  cirurgia do coração.  Assim sendo, o “tratamento hipertémico geral pelo método de circulação extracorpórea”  tem como origem o aproveitamento da técnica e da experiência do método de circulação  extracorpórea e do controle de temperatura.  Entretanto,  o problema desse  “tratamento hipertémico  geral pelo método  de  circulação  extracorpórea”  é  o  grande  desgaste  físico  do  paciente  após  a  aplicação,  o  que  foi  melhorado  com  o  “tratamento  por  hipertemia  geral  à  base  de  raios  infravermelhos  longos”.
  • 12. 12 Mesmo aquecendo até 42o C, o risco para o corpo humano é zero Normalmente,  que  tipo  de  alteração  poderá  ocorrer  no  corpo  humano  quando  este  é  aquecido até 42 o  C ?  Em primeiro lugar, há o aumento da transpiração. Para repor a água perdida em forma de  suor, são injetados no paciente 2.000 cc. de solução de glicose com a concentração de  5%. Sem essa solução, o paciente correria o risco de desidratação.  Evidentemente,  quando  se  trata de uma  solução de glicose de  concentração 5%,  esta  contém açúcar e, ao ser injetado no paciente, provoca um aumento do teor de glicose no  sangue, trazendo efeitos benéficos para o tratamento do câncer.  Em segundo lugar, há a redução da quantidade de urina do paciente. Esta redução ocorre,  obviamente,  em  função  da  transpiração.  Contudo,  além  desse  motivo,  a  diminuição  da  quantidade  de  urina  está  também  relacionada  a  hormônios.  O  nosso  corpo,  quando  submetido  a  altas  temperaturas,  ativa  naturalmente  uma  função  auto­reguladora,  produzindo hormônios que inibem a liberação da urina (hormônios antidiuréticos).  Em  terceiro, a  pressão  sangüínea  tende  a  diminuir em virtude  da dilatação dos vasos  sangüíneos, causada pelo aquecimento do corpo. Entretanto, para a maioria dos casos, a  aplicação  da  solução de glicose a  5%  permite manter  a pressão  do  sangue dentro de  valores normais.  Em  quarto,  o batimento  cardíaco fica  acelerado  como  se  a  pessoa  estivesse  correndo  (figura  3). A  pulsação  aumenta  temporariamente  para  algo  em  torno  de  duas  vezes  a  pulsação anterio ao aquecimento. Em razão disso, durante o tratamento pelo método de  hipertermia geral, controlamos permanentemente a temperatura através de um monitor.  A quantidade de sangue que é bombeada pelo coração, num intervalo de um minuto, é  denominado  volume  cistólico.  O  volume  de  uma  pessoa  normal,  que  não  está  se  movimentando, é de 5 l/minuto. Ao elevar a temperatura para 42 o  C, este volume sobe  para 12 l/minuto, ou seja, o aumento do volume é duas vezes superior.  Em  quinto,  existem pesquisas sobre a variação do  eletrocardiograma.  São  observadas  algumas variações no eletrocardiograma durante  a hipertermia geral,  mas  todas  essas  variações  são  fenômenos  que  ocorrem  somente  durante  o  aquecimento  do  corpo  e  sempre voltam à normalidade quando este é resfriado.  Por  exemplo,  durante  o  aquecimento  poderá  ser  provocada  uma  arritmia  dos  átrios,  entretanto a arritmia ventricular já é mais difícil de ocorrer. Parece que os átrios são mais  sensíveis e reagem mais ao aquecimento do que os ventrículos. Contudo, isso não será  motivo de preocupação uma vez que a hipertermia geral à base de raios infravermelhos  longos é um tratamento seguro.  A quantidade de glóbulos vermelhos e brancos não sofre alteração com o aquecimento,  embora  haja  redução  na  quantidade  de  plaquetas  sangüíneas,  diminuindo  de  300  mil,
  • 13. Capítulo 1 ­ Ofensiva contra células cancerosas  13  Figura 3 ­ Variação do batimento cardíaco durante a hipertermia geral  Interpretação do gráfico  A  temperatura  é  controlada  durante  a  terapia  e  acompanhada  permanentemente  pelo  monitor, uma vez que o batimento cardíaco passará a ser quase o dobro do de antes do  aquecimento.
  • 14. 14  que é a quantidade antes do aquecimento, para aproximadamente 100 mil, em razão da  elevação da temperatura.  Porém, essa redução também não será motivo de preocupação, pois em uma semana  aproximadamente a quantidade volta ao normal (figura 4).  Pelas  explicações  anteriores,  acreditamos  que  foi  possível  o  leitor  compreender  que  existe  uma  variação  da  pressão  sangüínea  e  do  batimento  cardíaco  em  função  da  hipertermia geral, mas isso não trará nenhum problema do ponto de vista de segurança  para os pacientes.  Pergunta­se, então, quais serão as influências em outros órgão do corpo humano?  Começando pela conclusão, não foi constatada nenhuma influência no funcionamento do  fígado  e  outros  órgãos.  Em  geral,  quando  ocorre  algum  distúrbio  no  fígado  ou  no  coração, aumentam­se os valores de GOT,  GPT CPK, etc. do sangue, mas não foram  observadas variações desses valores em conseqüência da hipertermia geral.  Vamos pensar no limite de temperatura para o aquecimento. Quanto maior a temperatura,  maior  será  a  facilidade  de  erradicar  as  células  cancerosas.  Entretanto,  quando  esta  temperatura ultrapassa um certo limite, será o corpo do paciente que sofrerá danos.  Em razão disso, é necessário pensar na temperatura ideal de aquecimento para obter a  máxima eficiência. A temperatura de aquecimento está relacionada também com o tempo  de aquecimento. Esse tempo de aquecimento equivale ao tempo decorrido depois de ter  atingido a marca de 41 o  C.  Na  hipertermia  geral,  diz­se  que  o  limite  máximo  de  temperatura  para  combater  as  células  cancerosas  e  garantir  a  segurança  do  paciente  é  de  42,5 o  C.  Uma  experiência  realizada  com  macacos  japoneses  demonstrou  que  não  houve  nenhum  problema  ao  manter aquecido o corpo desses animais a 43 o  C, durante uma hora.  Entretanto, em pacientes clínicos, considera­se que uma temperatura de 41,8 o  C seja o  limite  para  a  hipertermia  durante  3  horas,  em  razão  da  diferença  de  idade  entre  os  pacientes e dos sintomas de doença apresentados por eles. Existe um ponto comum entre a morte da célula cancerosa e a assadura de cama Quando  um  doente  permanece  deitado  na  cama  por  um  ou  dois  meses  há  o  aparecimento de uma assadura na região das nádegas. Na medicina, essa assadura é  denominada escara de decúbito e trata­se de um fenômeno de destruição parcial da pele,  em conseqüência da obstrução do fluxo sangüíneo. Muitas vezes, essa destruição não se  limita apenas à pele, podendo chegar a atingir uma parte da membrana subcutânea ou  músculos.  Para evitar a assadura de cama, é importante virar o paciente ora para a direita, ora para  a esquerda, para que ele não fique deitado sempre em uma mesma posição. Ou seja, a  mudança constante da posição do corpo do paciente ajuda a prevenir a assadura.
  • 15. Capítulo 1 ­ Ofensiva contra células cancerosas  15  Figura 4 ­ Variação das plaquetas sangüíneas  Interpretação do gráfico  A quantidade de plaquetas sangüíneas, que era de 300 mil, atingirá o seu valor  mínimo em três dias depois da aplicação do tratamento, mas recuperará o valor  anterior em uma semana.
  • 16. 16  Nossa  equipe  faz  cirurgias  quase  todos  os  dias.  Em  geral,  uma  cirurgia  do  coração  demora  de  cinco  a  seis  horas,  mas  dificilmente  os  pacientes  sofrem  de  assadura  por  causa dessa cirurgia.  Não  foi  observado  nenhum  caso de  assadura  pelo  tratamento  por  hipertermia geral  à  base  de  raios  infravermelhos  longos,  atualmente  empregado. A  hipertermia  geral  pelo  método  de  circulação  extracorpórea,  praticado  anteriormente,  provocava  facilmente  assaduras apesar de o tempo de tratamento ser de apenas quatro a cinco horas. Viam­se  assaduras  não  só  nas  costas  e  nádegas,  partes  que  permaneciam  em  contato com  a  cama, mas também nos ombros, calcanhares, cotovelos e até na cabeça, na região que  ficava em contato com o travesseiro.  Quando  medimos  a  pressão  sangüínea,  prendemos  uma  braçadeira  com  o  manômetro  no  antebraço  do  paciente,  normalmente  é  muito  raro  que  isso  provoque  uma  hemorragia  subcutânea. No entanto, quando a hipertermia é feita pelo método de circulação extracorpórea,  acaba provocando hemorragia subcutânea na região do braço presa com essa braçadeira.  Como  havíamos  notado  muitos  casos  de  pacientes  com  assaduras,  providenciamos  quantidades consideráveis de esponjas e as colocamos em todas as partes do corpo do  paciente  que  eram  comprimidas.  Com  isso,  conseguimos  reduzir  as  assaduras  que  apareciam depois do aquecimento.  Existe uma razão muito clara para explicarmos em minúcias sobre assaduras nesta parte  do livro. O motivo é a relação existente entre a lógica de destruição da célula cancerosa e  a causa da assadura.  Quando  a  temperatura  do  corpo  atinge  42 o  C,  em  função  da  hipertermia,  o  fluxo  sangüíneo nos vasos menores é dificultado, causando a assadura. Essa mesma lógica  aplica­se também para as células cancerosas.  Dentro  do  tecido  canceroso  existem  poucos  vasos  sangüíneos,  razão  pela  qual  esse  tecido  apresenta  a  tendência  para  a  desnutrição.  Somando­se  a  isso  o  calor,  o  fluxo  sangüíneo, que já não é bom, fica ainda pior e seu estado de desnutrição é agravado.  Este fato leva o tecido canceroso à destruição. As cinco razões da eficácia do tratamento por hipertermia geral no combate ao câncer A  primeira  razão  da  elevada  eficácia  demonstrada  pelo  tratamento  por  hipertermia  é  a  manutenção do tecido canceroso em estado de desnutrição, conforme mencionamos acima.  A segunda razão é fundamentada na pesquisa de Visher, a qual comprova a facilidade  com que ocorre a diminuição do oxigênio localizado em um tecido canceroso. À medida  que  o  corpo  vai  sendo  aquecido,  aumenta  a  concentração  de  oxigênio  em  todos  os  tecidos do corpo; entretanto, no caso do tecido canceroso, ocorre um fenômeno inverso,  provocando a diminuição dessa concentração em temperaturas acima de 41 o  C (figura 5).  Acredita­se  que  esse  fenômeno  ocorra  por  causa  de  mecanismos  semelhantes  aos  da  assadura explicada anteriormente. A pesquisa de Visher apresenta em forma de gráfico a  eficácia da hipertermia com detalhes, relacionando­a à concentração do oxigênio.
  • 17. Capítulo 1 ­ Ofensiva contra células cancerosas  17  Figura 5 ­ Pesquisa de Visher/temperatura e pressão do oxigênio local  Interpretação do gráfico  Em comparação com um tecido normal, o tumor apresenta a diminuição da pressão do  oxigênio local em temperaturas baixas.
  • 18. 18  A terceira razão é o aumento da acidez que ocorre no interior de um tecido canceroso. A  parte interna de um tecido canceroso já é ligeiramente ácida, mas essa acidez aumenta  com o aquecimento e faz com que haja um acúmulo do ácido láctico.  O ácido láctico é uma espécie de resíduo envelhecido e, quando há insuficiência de oxigênio,  esse ácido não é decomposto, ficando retido dentro do tecido e provocando­lhe danos.  Por  exemplo,  quando  não  se  consegue  percorrer  nem  100  metros  com  força  total,  significa  que  o  oxigênio  não  está  sendo  distribuído  de  forma  suficiente  para  todos  os  tecidos do corpo, provocando a retenção do ácido láctico e a estafa física.  Entretanto, quando se trata de um jogging  (corrida), uma pessoa que está habituada a  correr  não  sentirá  cansaço,  mesmo  depois  de  correr  alguns  quilômetros,  porque  o  oxigênio é distribuído por todo o corpo, evitando o acúmulo do ácido láctico e a fadiga.  A título de curiosidade, os exercícios que exigem oxigenação abundante durante a sua  prática,  como  o  jogging,  são  denominados  “exercícios  aeróbios”  e  aqueles  sem  oxigenação, a exemplo de uma corrida com velocidade total, de “exercícios anaeróbios”.  Em suma, o ácido láctico é uma substância que provoca fadiga dos tecidos e o acúmulo deste  ácido no tecido canceroso causa a morte do tecido pela fadiga. Do ponto de vista fisiológico, o  processo  de  composição  dos  genes  de  células  cancerosas,  que  é  o  responsável  pelo  crescimento do câncer, é interrompido a uma temperatura entre 39 o  C e 40 o  C.  A quarta razão é a própria característica da célula cancerosa. Em geral, essas células  apresentam pouca resistência ao calor e morrem quando são aquecidas. Sabe­se que a  taxa  de  sobrevivência  das  células  cancerosas  diminui  à  medida  que  são aquecidas,  e  ainda,  essa  mesma  taxa  também  decresce  quando  as  células  são  submetidas  aquecimento prolongado (figura 6).  A  quinta  razão  refere­se  ao  aumento  da  capacidade  imunológica  do  paciente,  em  conseqüência do aquecimento. O aquecimento provoca a secreção de uma substância  semelhante  à  morfina  denominada  endorfina,  que  é  proveniente  do  sistema  nervoso.  Com a hipertermia, a ação do sistema imunológico é estimulada e a capacidade de auto­  recuperação do corpo, fortalecida, iniciando assim o ataque às células cancerosas.  Por exemplo, a febre alta provocada pela gripe é considerada como um dos mecanismos  do organismo para ativar o funcionamento do sistema imunológico.  Em geral, as células cancerosas apresentam baixa resistência ao calor e morrem quando  são aquecidas. Um aquecimento prolongado vai reduzindo a taxa de sobrevivência das  células cancerosas.  O mecanismo consiste no estímulo da ação dos glóbulos brancos e de anticorpos, em  função da alta temperatura, e serve também no combate ao vírus da gripe.  Por  essa  razão,  diz­se  que  o  resfriado  acaba  durando  mais  tempo  quando  tomamos  um  antitérmico  no  início  da  gripe  para  baixar  a  febre,  pois  isso  faz  com  que  a  capacidade  imunológica do organismo deixe de ser reforçada. Em se tratando de uma gripe, parece que a  cura é mais rápida quando se deixa aumentar a febre no seu período inicial, desde que não  apresente risco de pneumonia.  Os médicos clínicos­gerais só receitam antitérmicos quando a febre não baixa depois de dois  ou três dias. Podemos considerar que o aumento da capacidade de auto­recuperação do  corpo, proporcionado pela hipertermia, segue a mesma lógica do exemplo acima.
  • 19. Capítulo 1 ­ Ofensiva contra células cancerosas  19  Figura 6 ­ Tempo de aquecimento e taxa de sobrevivência das células cancerosas  Interpretação do gráfico  Em  geral,  as  células  cancerosas  apresentam  baixa  resistência  ao  calor  e  morrem  quando  são  aquecidas.  Um  aquecimento  prolongado  vai  reduzindo  a  taxa  de  sobrevivência das células cancerosas.
  • 20. 20 Submetendo-se pela primeira vez à uma terapia à base de raios infravermelhos longos - depoimento do Sr. T.T. De que forma um tratamento por hipertemia geral à base de raios infravermelhos longos  é executado na prática. Vamos apresentar o caso da experiência do Sr. T.T. (68 anos),  paciente portador de câncer pulmonar.  Esta manhã foi o marco do meu primeiro dia de hipertemia geral à base de raios infravermelhos  longos. Ontem à noite pude dormir calmamente com a ajuda de um tranqüilizante. Entrei na sala de  hipertemia geral do Hospital Luka às oito e meia. Instantes depois, entraram na sala o médico e a  enfermeira, que me ministraram outra dose de tranqüilizante programada para uma hora antes da  terapia. Eles examinaram o meu estado geral e fizeram exames de sangue, eletrocardiograma e raio  X torácico.  Os preparativos tais  como a colocação do saafro(?) para a aplicação do soro, inserção da sonda  para  medir  a  temperatura  do  esôfago,  etc.  foram  conduzidos  com  muita  habilidade.  (Nota:  A  temperatura interna do corpo humano com uma pequena defasagem em relação à temperatura da  pele; em virtude disso, a temperatura do esôfago é medida por meio de uma sonda para verificar se  esta atinge o valor previsto.)  Logo em seguida, deitei dentro de uma caixa de aço aquecida instalada dentro da sala de hipertemia  geral. Essa caixa é denominada câmara. É bastante quente. Disseram­me que dentro da câmara é  possível atingir 76 o  C.  A  sonda  de  temperatura  foi  conectada  ao  sistema  computadorizado.  Terminais  isolados  foram  colocados no peito, abdômen, coxa, reto e esôfago. Foi colocada também uma sonda urinária (tubo  para  urinar).  Quando  percebi,  já  estavam  sendo  medidos  automaticamente  a  pulsação,  o  eletrocardiograma e a pressão sangüínea, a cada cinco minutos.  Entrei na câmara despido, mas um vapor agradável cobria o meu corpo. Caí num sono profundo.  Devo  ter  permanecido  assim  cerca  de  uma  hora  e  quinze  minutos  quando  um  alarme  soou,  indicando  que  a  temperatura  no  interior  do  esôfago  tinha  atingido  41 o  C.  Fui  avisado  que  o  computador iria iniciar a contagem.  A maca foi retirada de dentro da câmara e rapidamente foram colocados um cobertor e uma manta  plástica sobre meu corpo. O aquecimento continuou por mais uma hora.  Anunciado pelo toque de uma campainha, foram retiradas as cobertas que envolviam o meu corpo,  uma hora depois. Foi ficando mais fresco, mas meu corpo estava literalmente ensopado de suor. A  sensação era bastante agradável e não sentia nenhuma dor. Parecia que estava no céu. Ouvi a voz  do médico: “Terminamos!”  Voltei ao quarto de internação depois de 30 ou 45 minutos. Ainda estava com sono. Já haviam se  passado três horas desde o início da terapia.  Esse paciente foi internado no Hospital Luka por causa do câncer pulmonar. Depois do  tratamento hipertérmico geral à base de raios infravermelhos longos está passando bem.  Atualmente, terminou o segundo ciclo de tratamento e diariamente vai ao trabalho com  muita disposição.
  • 21. Capítulo 1 ­ Ofensiva contra células cancerosas  21 “É isto! Para a hipertermia geral, os raios infravermelhos longos são a solução.” Antes de iniciarmos a hipertemia geral à base de raios infravermelhos longos, tivemos  experiência  com  150  casos  de  hipertermia  geral  pelo  método  de  circulação  extracorpórea, o que representa mais de 500 aplicações.  Quando  um  paciente  é  submetido  à  hipertemia  geral  pelo  método  de  circulação  extracorpórea,  ele fica  completamente  exausto  depois  da  seção. A  comparação  não  é  muito  feliz  e  pedimos  desculpas  por  isso,  mas  o  paciente  parece  uma  carpa  estirada  sobre uma tábua de cortar.  O  paciente  fica  três  dias  de  cama  depois  da  terapia  e,  no  quarto  dia,  quando  ele  consegue andar sozinho até o banheiro é uma verdadeira festa, comemorada por todas  as  pessoas  do  hospital.  Somente  depois  de  uma  semana  o  paciente  recupera­se  e  consegue andar sozinho pelo corredor.  A  freqüência  ideal  de  uma  hipertermia  geral  é  efetuar  a  segunda  seção  uma  semana  depois da primeira. Contudo, pelo método de circulação extracorpórea, é extremamente  difícil efetuar uma seção por semana, quando muito, a possibilidade é a de uma seção a  cada dez dias.  Em agosto de 1990, época em que estávamos trabalhando com o método de circulação  extracorpórea, visitamos o Hospital Harper, em Chicago, Estados Unidos, para verificarmos  o tratamento por hipertemia geral à base de raios infravermelhos longos. Na ocasião da  visita, observamos que a temperatura do esôfago atingia a marca de 41,8 o  C.  O que nos impressionou foi a cena em que o paciente estava conversando com o médico;  o  mais  surpreendente  ainda  foi  o  acontecimento  depois  da  seção  quando  o  paciente  levantou­se sozinho e retornou a seu quarto, de cadeira de rodas.  Quando vimos essas cenas, não pudemos conter nossa expressão de espanto: “Fantástico”.  Jamais poderíamos imaginar um paciente tão disposto imediatamente após uma seção de  hipertermia. Isto era inconcebível pelo método de circulação extracorpórea.  “É isto! Para a hipertermia geral, os raios infravermelhos longos são a solução.”  Vamos  mudar  um  pouco  de  assunto.  Atualmente,  um  dos  problemas  mundiais  é  o  aumento do número de casos de AIDS. Em especial, nos Estados Unidos e no sudeste  da  Ásia,  o  aumento  de  pacientes  com AIDS  está  tornando­se  um  problema  político. A  razão disso é a ausência de um tratamento definitivo para este mal.  Porém, o vírus da AIDS também apresenta pouca resistência ao calor, em virtude disso,  alguns  países  estão  fazendo  o  tratamento  hipertérmico  pelo  método  de  circulação  extracorpórea. Já foram apresentados alguns relatórios que afirmam a cura do Sarcoma  de Kaposi, que é um dos sintomas da AIDS, pela hipertermia.  Se o método de circulação extracorpórea é eficaz, deverá ser eficaz também o de raios  infravermelhos longos. No Japão não há notícia de cura da AIDS pela hipertermia, mas  nos Estados Unidos são apresentadas, na televisão, cenas de tratamento da AIDS por  esse método. De agora em diante, pretendemos analisar cuidadosamente os resultados  do tratamento da AIDS nos Estados Unidos.
  • 22. 22 A descoberta do tratamento por hipertermia remonta aos tempos do Egito antigo Até chegarmos ao tratamento por hipertemia geral à base de raios infravermelhos longos,  foram efetuadas várias experiências, muitas destas aproveitadas em casos reais. Vamos  rever um pouco desta história.  A história do tratamento por hipertemia é bastante antiga. Vamos voltar até a era do Egito  antigo, há mais de cinco mil anos. Existe ainda hoje um registro escrito em língua egípcia,  em que há a frase: “O calor é eficiente para combater as doenças”.  Posteriormente, por volta do século IV a.C., o filósofo grego Hipócrates realizou também  uma terapia por hipertermia.  Hipócrates, também conhecido como o pai da medicina, é uma personalidade respeitada  pelos médicos do mundo inteiro.  A  hipertermia  moderna  para  o  combate  ao  câncer  tem  sua  origem  nos  registros  do  médico alemão Dr. Bush, de 1866. Quando dizemos “registros”, neste caso não se trata  de um ato consciente do Dr. Bush no uso da hipertermia para o tratamento do câncer,  mas de anotações baseadas na observação do médico ao acompanhar a cura do câncer  pelas altas temperaturas, a qual ocorreu por acaso.  Havia um tumor (câncer) no rosto de um paciente examinado por Dr. Bush. Além disso,  esse paciente acabou contraindo também uma doença denominada erisipela e teve duas  vezes uma febre alta entre 39 o  C e 40 o  C.  A erisipela é uma doença causada por bactérias estreptocócicas, que penetram através  de eczemas e cortes da pele. Antigamente, quando não havia antibióticos, eram doenças  fatais mas, felizmente, a erisipela desse paciente havia sido curada.  Foi um  espanto para  o  médico  perceber  que o tumor  do  rosto desse  mesmo  paciente  havia desaparecido.  Depois  de  observar  esse  fenômeno,  Dr.  Bush  propôs  um  tipo  de  terapia,  pensando  em  aproveitar  o  calor  a  uma  temperatura  maior  do  que a  do corpo  humano  para  eliminar  somente  as  células  cancerosas,  sem  que  as  células  saudáveis  fossem prejudicadas.  Após esse  acontecimento, podemos  relacionar os  seguintes fatos  históricos relativos à  hipertermia:  Em  1893,  o  médico  norte­americano  Dr.  Cally  injetou  substâncias  extraídas  do  estreptococo  em  38  pacientes  terminais  com  câncer  para  fins  terapêuticos.  Dentre  os  pacientes  que  tiveram  febre  por  causa  do  estreptococo,  12  tiveram  uma  melhora  significativa do quadro e 19 tiveram os sintomas aliviados. Esse extrato foi denominado  “Toxina de Cally” e, na época, foi utilizado como droga anticancerígena.  Em 1935, Dr. Wallen aplicou a hipertermia geral, aquecendo a superfície do corpo de um  paciente  por  meio de várias  lâmpadas  de carbono, instaladas dentro de uma  pequena  sala especialmente preparada.
  • 23. Capítulo 1 ­ Ofensiva contra células cancerosas  23  Em  1965,  Dr.  Srianarayan  experimentou  uma  hipertermia  geral,  aplicando  uma  leve  anestesia  no  paciente  e  imergindo  seu  corpo  em  água  aquecida  a  45,5 o  C.  Uma  leve  anestesia permite ao paciente suportar o calor.  Em 1974, Dr. Pettigrue aplicou uma anestesia geral no paciente e envolveu totalmente o  seu  corpo  com  um  papel  parafinado  e,  ao  mesmo  tempo,  fez  com  que  o  paciente  aspirasse ar aquecido a 80 o  C adicionado de oxigênio. O corpo foi mantido à temperatura  de 41,8 o  C por mais de 300 minutos. Os tumores reagiram bem à hipertermia e o referido  médico cita que, no caso do tumor do aparelho digestivo, o efeito da hipertemia melhorou  com a aplicação simultânea da quimioterapia.  Em 1979, Dr. Bull dos Estados Unidos vestiu o paciente com uma roupa de astronauta  desenvolvida pela NASA e efetuou a hipertermia geral.  Quando  os  astronautas  saem  do  ônibus  espacial,  o  ar externo  é  muito  frio, em  razão  disso, essas roupas dispõem de uma circulação de água quente para aquecer o corpo  dos  astronautas.  Os  astronautas  japoneses  Mamoru  Mouri  e  Chiaki  Mukai  também  vestiram essas roupas para embarcar em um ônibus espacial.  Em  1979,  Dr.  Parks  apresentou  um  relatório  sobre  a  hipertermia  geral  aplicada  pelo  método  de  circulação  extracorpórea.  Esse  método  de  hipertermia  permite  regular  as  condições físicas dos pacientes durante o tratamento; por essa razão, é considerado um  tratamento altamente seguro e muitas instituições japonesas estão aplicando esse tipo de  terapia (veja página 35).  Em  1985,  Dr.  Robins  efetuou  a  hipertermia  geral,  utilizando  os  raios  infravermelhos  longos em uma pequena sala metálica especial. O médico relata que, pela irradiação de  raios infravermelhos longos, foi possível manter  a  temperatura do  esôfago  e  do  reto a  41,8 o  C.  Esse  método  é  a  própria  hipertermia  geral  à  base  de  raios  infravermelhos  longos,  atualmente utilizada no Hospital Luka. Não é necessário o uso de anestesia geral, sendo  suficiente o uso de analgésicos comuns, e a baixa influência no sistema cardiovascular  são suas características. A necessidade urgente de incorporar a hipertermia geral na cobertura do seguro-saúde Conforme mencionado anteriormente, há dois tipos de hipertermia: por aquecimento geral  e  por aquecimento local. A  maior  parte das  aplicações de  hipertermia  no  Japão  é por  aquecimento local.  Entende­se por aquecimento local quando a aplicação é concentrada no local em que o  câncer está presente, como, por exemplo, no fígado em se tratando de câncer hepático.  O método mais utilizado no aquecimento local é aquele denominado "aquecimento por  indução de radiofreqüência". Coloca­se entre duas placas polares a parte a ser aquecida,  que  recebe  a  aplicação  de  ondas  de  radiofreqüência  de  8MHz  a  13MHz  (figura 7).
  • 24. 24  Por  esse  método,  é  possível  o  calor  alcançar  o  câncer  existente  nas  partes  mais  profundas do corpo, como nos casos de câncer hepático, intestinal e da bexiga, e ainda,  permite aquecer desde a superfície do corpo até regiões mais profundas. Esse método foi  desenvolvido principalmente no Japão.  Além do aquecimento por indução de radiofreqüência, são utilizados para o aquecimento  local outros métodos como: aquecimento por ultra­som, aquecimento interno do tecido,  aquecimento interno da  cavidade,  etc.  O  aquecimento interno da  cavidade  é feito pela  introdução de uma antena de aquecimento dentro de um balão como mostrado na figura  8 na bexiga, vagina, útero, ânus, esôfago, etc. (figura 9).  O professor titular Dr. Keizo Sugimachi, da Faculdade de Medicina da Universidade de  Kyushu, apresentou excelentes resultados obtidos no tratamento do câncer de esôfago  por  hipertermia,  utilizando  o  aquecimento  por  ondas  de  radiofreqüência  por  meio  da  inserção de uma antena de aquecimento no esôfago, como mostrado na figura 8.  A partir de abril de 1990, o tratamento à base de hipertermia por ondas eletromagnéticas  passou a ter cobertura do seguro­saúde. Entretanto, essa nova resolução é restrita aos  casos em que a hipertermia é aplicada em conjunto com a radioterapia. Para efeito de  seguro­saúde, somente o tratamento à base de hipertermia ainda não foi reconhecido. A  hipertermia geral também não é coberta ainda pelo seguro­saúde.  Quando um determinado método de tratamento tem a cobertura do seguro­saúde, pode  ter  maior  difusão  em  todo  o  território  japonês,  além  de  aliviar  financeiramente  os  pacientes.  Torcemos  para  que,  tanto  a  hipertermia  geral  quanto  a  hipertermia  local  consigam  cobertura do seguro­saúde, o quanto antes. É impossível aumentar a sobrevida do paciente por meio da hipertermia local A  principal  corrente  da  hipertermia  no  Japão  continua  sendo  a  do  aquecimento  local.  Evidentemente,  a  maioria  dos  trabalhos  apresentados  no  Congresso  Japonês  de  Hipertermia refere­se a resultados do tratamento por hipertermia local. (Trata­se de um  congresso sobre a hipertermia. Hipertermia significa: tratamento por calor.)  Conseqüentemente,  quando  participamos  desses  congressos,  sempre  assistimos  a  apresentações  de  trabalhos  sobre  os  resultados  terapêuticos  da  hipertermia  local.  Os  resultados apresentados nos congressos são espetaculares e isto faz com que se crie  uma idéia de que o método de aquecimento local tenha ficado consolidado como sendo a  própria hipertermia.  No  entanto,  temos  dúvidas  com  relação  à  hipertermia  local;  em  razão  disso,  o  nosso  trabalho ao longo desses 15 anos esteve voltado somente para a hipertermia geral.
  • 25. Capítulo 1 ­ Ofensiva contra células cancerosas  25  Figura 7 ­ Método de aquecimento por indução de radiofreqüência  Figura 8 ­ Dispositivo de aquecimento da vagina  Figura 9 ­ Desenho esquemático da bexiga/vagina/ânus
  • 26. 26  Uma  das  dúvidas  é  quanto ao  prognóstico  de  sobrevida  de  um  paciente  submetido  à  hipertermia local. Prognóstico é o termo que expressa o quadro de um paciente depois de  ser submetido a um tipo de tratamento. Por exemplo, quando o quadro apresenta uma  melhora expressiva, diz­se: “prognóstico favorável”. Ao contrário, quando o quadro piora  após o tratamento, diz­se: “prognóstico desfavorável”.  Portanto, “prognóstico de sobrevida” é o termo que expressa a situação de sobrevivência  de um paciente após o tratamento. Solicitamos aos leitores que observem os resultados  do tratamento por hipertermia local apresentados a seguir, tendo em mente o que foi dito  acima.  Normalmente, o resultado terapêutico de uma hipertermia local é classificado em quatro  grupos: “muito eficaz”, “eficaz”, “sem alteração” e “piora”.  Computando os  resultados  de  diversos  tratamentos  por  hipertermia  local,  a  soma  dos  resultados  enquadrados  em  “muito  eficaz”  e  “eficaz”  totalizam  mais  de  70%,  o  que  enfatiza a importância desse tipo de tratamento.  Porém, quando analisamos o prognóstico de sobrevida dos pacientes dos quatro grupos  classificados, não  há  muita diferença  entre  eles.  Não há  muita  diferença  na sobrevida  posterior ao tratamento por hipertermia local entre os pacientes enquadrados no grupo  “muito eficaz” e aqueles do grupo “piora”.  Por  exemplo,  é  classificado  em  “muito  eficaz”  o  grupo  de  pacientes  em que  o  câncer  desaparece temporariamente. Mas, com a recorrência do câncer, o resultado final acaba  sendo o mesmo de um grupo que se enquadra em "piora" depois do tratamento inicial.  Isto  não  passa  de  um  tratamento  pelo  tratamento. Até  podemos  dizer  que  não  é  um  tratamento  voltado  para  os  pacientes. Um  tratamento  de câncer  exige  resultados  mais  positivos,  como  evitar  a  morte,  ou  no  mínimo  prolongar  mais  a  vida  do  paciente.  No  entanto,  pela  hipertermia  local  atualmente  praticada  não  é  possível  proporcionar  uma  sobrevida maior aos pacientes. A terapia à base de raios infravermelhos longos é a estrela da esperança na cura do câncer Diz­se que o câncer é uma doença geral do corpo; portanto, um tratamento localizado  não é um verdadeiro tratamento. Um caso de câncer que pode ser curado por meio de  um tratamento local poderia ser extraído por meios cirúrgicos, o que seria mais prático.  O exemplo seguinte ajudará a compreensão dessa colocação. Vamos pensar no caso em  que todo o corpo esteja afetado pelo câncer e o tratamento por hipertermia local tenha  sido aplicado somente no gânglio linfático do pescoço, que está inchado.  Em conseqüência da terapia, o inchaço desse gânglio desaparecerá. Então, o resultado  do tratamento será avaliado como “muito eficaz”, mas, apesar de o gânglio linfático do  pescoço ter desinchado, o câncer permanece em todas as outras partes do corpo, o que  leva a concluir que o tratamento não proporcionou uma sobrevida maior ao paciente.
  • 27. Capítulo 1 ­ Ofensiva contra células cancerosas  27  Esses  aspectos  sempre  nos  fizeram  acreditar  que  o  tratamento  de  câncer  exige  uma  visão  global  do  corpo  do paciente.  Esse  nosso  pensamento  não  mudou  desde  quinze  anos atrás até hoje.  Por  outro  lado,  a  hipertermia  local  não  trouxe  para  nós  apenas  dúvidas,  mas  proporcionou também importantes pistas para a solução. O que pudemos observar nos  trabalhos sobre a hipertermia local, apresentados no Congresso Japonês de Hipertermia,  foi a temperatura dos tecidos cancerosos durante o tratamento.  Um  aspecto  comum  verificado  em  todas  as  apresentações  é  a  grande  quantidade  de  casos  enquadrados  como  “muito  eficaz”,  sempre  que  nesses casos  foram  observados  aumentos de temperatura dentro do tecido em razão do aquecimento. Esse fato parece  algo evidente.  Todos os resultados apresentados mostravam depois da terapia que os pacientes eram  enquadrados em grupos de “muito eficaz” ou “eficaz”, apesar de a temperatura interna do  tecido  ter  estado  em  um  patamar  baixo,  inferior  a  40 o  C  ou  até  inferior  a  39 o  C.  Isto  significa que o câncer localizado sofreu redução ou foi eliminado mesmo com essa faixa  de temperatura.  Esse  fato  merece  atenção.  Se  os  tratamentos  a  39 o  C  ou  a  40 o  C  têm  proporcionado  resultados tão eficazes, com a hipertermia geral, que eleva a temperatura do corpo a um  patamar de 41,5 o  C a 41,8 o  C, o efeito deveria ser ainda maior.  Na hipertermia geral, em que todo o corpo é mantido a uma temperatura constante, o  corpo  dificilmente  permaneceria  na  faixa  de  39 o  C  ou  40 o  C.  Em função  disso,  torna­se  válido  o  raciocínio  de  que  mais  casos  de  resultados  positivos  poderiam  surgir  com  a  aplicação da hipertermia geral.  Foram a partir dessas constatações que obtivemos a segurança e a certeza do sucesso  da terapia por meio do aquecimento geral do corpo, e a nossa equipe tem insistido na  hipertermia geral, em vez da hipertermia local.  A  partir  de  1984,  o  Congresso  Japonês  de  Hipertermia  passou  a  ser  realizado  anualmente e o Congresso Internacional de Hipertermia foi realizado na cidade de Kyoto,  em 1988. Desta forma, a hipertermia vem ganhando destaque mundial como a estrela da  esperança no tratamento do câncer.  No Congresso a ser realizado no outono de 1995, haverá o simpósio sobre a hipertermia  geral, que está chamando a atenção do mundo inteiro. O efeito da hipertermia geral é maior nas pessoas saudáveis Pelas  explicações  anteriores,  acreditamos  que  foi  possível  para  os  leitores  compreenderem o motivo da alta eficácia da hipertermia geral.  Vamos agora ver para quais tipos de câncer e para quais pessoas a hipertermia geral  apresenta maior eficácia e, para tanto, analisaremos o relatório nacional de hipertermia  geral, elaborado em 1992.
  • 28. 28  Esse  relatório  é  um  estudo  sobre  os  efeitos  da  hipertermia  geral  pelo  método  de  circulação extracorpórea, de 4 casos realizados na Universidade de Kanazawa, 14 casos  da  Faculdade  de  Medicina  Santa  Mariana,  49  casos  da  Universidade  de  Tottori,  141  casos da Faculdade Feminina de Medicina de Tokyo, que totalizam 208 casos.  Fala­se em câncer, mas existem diferentes tipos e foi constatado que a hipertermia geral  é eficaz para os seguintes:  Ÿ Câncer pulmonar  eficácia 32,2%  Ÿ Câncer de mama  eficácia 56,3%  Ÿ Câncer de pâncreas  eficácia 42,9%  Ÿ Melanoma (tumor negro maligno)  eficácia 55,6%  Ÿ Câncer hepático e da vesícula biliar  eficácia 66,7%  Verificando o efeito por sexo:  Ÿ Homens  Foi constatado efeito em 53 dos 131 casos, o que corresponde a 40,4%.  Ÿ Mulheres  Foi constatado efeito em 28 dos 77 casos, o que corresponde a 36,4%.  Ou seja, não foi observado diferença no resultado da terapia entre homens e mulheres.  Em seguida, verificando por idade:  Ÿ de 0 a 40 anos  50,0%  Ÿ de 41 a 50 anos  26,7%  Ÿ de 51 a 60 anos  40,3%  Ÿ de 61 a 70 anos  37,8%  Ÿ Acima de 70 anos  50,0%  No estudo comparativo por faixa etária não foi possível identificar grandes diferenças na  eficácia do tratamento. O que se pode afirmar é uma eficácia maior da hipertermia geral  em pessoas mais saudáveis e pouca eficácia em pacientes terminais que permanecem  de cama.  Paralelamente, foi constatado que a repetição da terapia várias vezes aumenta a eficácia.  Ÿ Uma única aplicação  eficácia 18,9%  Ÿ Duas aplicações  eficácia 39,6%  Ÿ Três aplicações  eficácia 35,9%  Ÿ Mais de quatro aplicações  eficácia 49,4%  Foi possível verificar que o efeito do tratamento aumenta proporcionalmente ao número  de vezes de aplicação.
  • 29. Capítulo 1 ­ Ofensiva contra células cancerosas  29  Figura 10 ­ Câncer de células pequenas do pulmão  Homem: 58 anos, imagem da tomografia computadorizada da região torácica  Esquerda = antes da terapia  Direita = depois da terapia  Existe a evidência de redução do câncer pulmonar indicado pela seta  Figura 11 Metástase do câncer da glândula tireóide no gânglio linfático do pescoço  Homem: 67 anos, imagem da tomografia computadorizada da região do pescoço  Esquerda = antes da terapia, a seta indica o  crescimento do gânglio linfático  Direita = depois da terapia
  • 30. 30 Com uma seção de terapia, já é possível dispensar o analgésico Vamos  apresentar  aqui  alguns  casos  em  que  os  efeitos  da  terapia  puderam  ser  observados.  A figura 10 mostra o caso de um homem de 58 anos de idade. Era um paciente portador  de câncer pulmonar, que não teve sucesso no tratamento por quimioterapia, ou seja, o  agente antineoplásico não produziu efeitos. Foram realizadas três seções de hipertermia  geral à base de raios infravermelhos longos e observou­se a redução do câncer. Este era  do tipo histológico denominado câncer de células pequenas.  A figura 11 é  o  caso de um  homem  de 67 anos. Trata­se de  metástase  do  câncer  da  glândula  tireóide  no  gânglio  linfático.  Com  quatro  seções  de  aplicação,  houve  uma  redução significativa do câncer.  A figura 12 é o caso de uma mulher de 40 anos. Sofre de hidropisia abdominal por causa  do câncer hepático e a parede abdominal está saliente. O câncer dessa paciente também  diminuiu  significativamente  com  quatro  aplicações.  Evidentemente  não  foi  utilizado  o  agente antineoplásico.  A figura 13 é o caso de uma mulher de 29 anos. O adenocarcinoma da parte inferior do  ouvido  transferiu­se  para  o  pulmão.  O  foco  de  metástase  do  pulmão  reduziu  bastante  com seis seções de terapia.  A  figura  14  é  o  caso  de  uma  mulher  de  67  anos.  Tratava­se  de  câncer  da  mama  esquerda,  mas havia  metástase  no  pulmão  e no  osso. Com três  seções  de terapia,  o  câncer, que formava um volume grande, cicatrizou­se.  A figura 15 é o caso de um homem de 58 anos. Trata­se do câncer de pâncreas sem a  possibilidade  de  cirurgia.  Com  quatro  seções  de  terapia  o  câncer  diminuiu,  houve  aumento de apetite do paciente e alívio das dores.  Além desses pacientes, todos os outros que foram submetidos à hipertermia geral à base  de raios infravermelhos longos ficaram felizes por ter a dor aliviada. O efeito mais certo  da terapia por hipertermia geral é a eliminação da dor. Este método terapêutico pode até  não diminuir o câncer, mas certamente elimina a dor.
  • 31. Capítulo 1 ­ Ofensiva contra células cancerosas  31  Figura 12 Câncer hepático  Mulher: 40 anos, imagem da tomografia computadorizada da região abdominal  Esquerda = antes da terapia  Direita = depois da terapia  Existe a evidência de redução do câncer hepático  Figura 13 Metástase pulmonar do adenocarcinoma da parte inferior do ouvido  Mulher: 29 anos, imagem da tomografia computadorizada da região torácica  Esquerda = antes da terapia  Direita = depois da terapia  Houve a diminuição do câncer indicado pela seta
  • 32. 32  Contudo, a maneira com que a dor desaparece difere bastante de um caso para outro.  Para alguns, a dor poderá voltar em duas ou três semanas e, para outros, a dor poderá  desaparecer por um período mais longo. A probabilidade de desaparecer a dor por mais  de três semanas pode chegar a 80% ou 90%.  Mesmo em pacientes que recebem uma injeção diária de morfina para aliviar a dor, na  maioria dos casos, os analgésicos poderão ser dispensados depois da primeira seção de  terapia. A notificação do câncer não provoca medo Quando a  dor causada pelo câncer é  aliviada e  surge  a esperança de uma sobrevida  maior, proporcionadas pela hipertermia geral, acreditamos que o desespero que envolve  os pacientes portadores de câncer passa a ser menor e eles podem recuperar novamente  a alegria de viver.  Atualmente, câncer ainda significa uma sentença de morte e, muitas vezes, anunciá­lo ao  paciente  pode  provocar  perda  do  ânimo  para  viver.  Em  geral,  mesmo  em  pessoas  socialmente  mais  destacadas,  a  revelação  do  câncer  tem  levado  os  pacientes  ao  desânimo, perda de apetite e da vontade de viver. Alguns deles chegam até a cometer  suicídio quando o câncer é diagnosticado.  Por esta razão, a “notificação do câncer” é tratada como um grande problema social. Ao  dar  o  diagnóstico  a  um  paciente  portador  de  câncer,  sempre  foi  alvo  de  discussão  a  questão de informar ou não à pessoa a sua verdadeira condição. Na maioria dos casos,  para evitar eventuais problemas com o paciente, o fato é informado para os familiares,  deixando de ser comunicado ao próprio paciente.  Entretanto, a nosso ver, quando o câncer passa a ser controlado pela hipertermia geral,  os  pacientes  deixam  de  ter  medo  mesmo  sendo  comunicada  a  presença  desse  mal.  Talvez  seja  até  exagero  dizer,  mas  com  a  hipertermia  geral  a  “notificação  do  câncer”  deixa de provocar medo nos pacientes.  Acreditamos  que  aliviar  a  dor  causada  pelo  câncer  por  meio  da  hipertermia  geral,  e  conduzir o tratamento, oferecendo aos pacientes a esperança de viver, sejam as nossas  missões  como  médicos.  Quando  o  paciente  cria  coragem  para  viver,  aumenta  sua  capacidade de auto­recuperação e espera­se uma cura do câncer ainda mais rápida.
  • 33. Capítulo 1 ­ Ofensiva contra células cancerosas  33  Figura 14 ­ Câncer da mama esquerda  Mulher: 67 anos  Esquerda = antes da terapia  Centro  =  depois  da  primeira  seção de terapia  Direita  =  depois  da  terceira  seção  Houve diminuição do tumor e sua cicatrização  Figura 15 ­ Câncer do pâncreas  Homem: 29 anos, imagem da tomografia computadorizada da região abdominal  Esquerda = antes da terapia  Direita = depois da terapia  Houve diminuição do câncer indicado pela seta
  • 34. 34  ¤ Para aqueles que pretendem conhecer o assunto de forma mais técnica Hipertermia geral pelo método de circulação extracorpórea Descrevemos a seguir a terapia à base de hipertermia geral pelo método de circulação  extracorpórea,  que  era  praticada  na  Faculdade  Feminina  de  Medicina  de  Tokyo.  Atualmente, este tipo de hipertermia não está mais sendo utilizada nessa faculdade.  Inicialmente, o paciente é deitado de costas e recebe uma anestesia geral. O sangue do  paciente é retirado pela artéria femural da coxa esquerda ou da direita, e aquecido a 45 o  C  por  meio  de  um  trocador  de  calor.  Em  seguida,  o  sangue  é  devolvido  ao  corpo  do  paciente através da veia femural (figura 16).  A temperatura do corpo do paciente é controlada em 42 o  C. Antes de efetuar a circulação  extracorpórea,  um  medicamento  denominado  heparina,  que  evita  a  coagulação  do  sangue, é injetado na veia, na proporção de 300 unidades a cada 1 kg de peso corporal.  A figura 17 mostra o tubo introduzido na artéria femural e veia femural. A figura 18 mostra  como esses tubos são colocados nessa artéria e veia.  Para  introduzir  o  tubo  na  artéria  e  veia  femurais,  coloca­se  antes  em  cada  vaso  sangüíneo  um  tubo  fino  de  plástico  de  5  mm  de  diâmetro,  denominado  cânula,  atravessando a pele. Esse método é chamado de perfuração trascutânea. Na conclusão  de  uma  seção  de  hipertermia  geral,  a  cânula  é  retirada  e  o  sangue  estancado  por  pressão.  Por  esse  método  não  há  necessidade  de  abrir  a  artéria  ou  a  veia  femurais,  nem  de  colocar  algo  incômodo  como  um  vaso  artificial.  O  método  de  perfuração  trascutânea  assim  executado  é  bastante  higiênico  e  não  oferece  nenhum  risco  de  infecção  local  causada por bactérias.  Existe  um intervalo  de  uma  semana entre  uma seção  de  terapia  e  outra e o  paciente  pode caminhar normalmente durante esse período. A perda de sangue durante a terapia,  ou seja, o volume de sangue perdido pela veia femural é de 1,5 l/minuto.  Em  seguida,  um  tubo  é  conectado  na  cânula  de  drenagem  do  sangue  e  250  ml  de  sangue  arterial  é  armazenado  num  recipiente  especial  denominado  reservatório.  Esse  sangue é aquecido por meio de um trocador de calor até uma temperatura entre 44 o  C e  45 o  C, e devolvido ao corpo do paciente através da veia femural. A temperatura da água  do  trocador  de  calor  é  mantida  abaixo  de  49 o  C  e  o  sangue  que  retorna  ao  paciente,  inferior a 45 o  C.  Nessa ocasião, há a necessidade de supervisionar por meio de um monitor se o sangue  que  retorna  ao  paciente  se  mantém  em  45 o  C.  Com  a  finalidade  de  monitorar  a  temperatura  do  corpo  do  paciente,  um  tubo  denominado  cateter  de  Swann­Ganz  é  introduzido na artéria pulmonar para medir sua temperatura.
  • 35. Capítulo 1 ­ Ofensiva contra células cancerosas  35  Figura 16 ­ Esquema de hipertermia geral  Interpretação da figura  O sangue é retirado da artéria femural (A), passa pelo reservatório de sangue, é aquecido a  45 o  C e retorna para a veia femural (V).
  • 36. 36  Figura 17 ­ Cânulas utilizadas na hipertermia pelo método de circulação extracorpórea  Figura 18 ­ Cânulas colocadas na artéria e veia femurais
  • 37. Capítulo 1 ­ Ofensiva contra células cancerosas  37  Figura 19 ­ Variação da temperatura de cada uma das partes / Mulher: 63 anos, câncer de útero  Interpretação do gráfico  Sessenta minutos depois de iniciar o aquecimento, a temperatura do corpo fica mais ou  menos constante. As temperaturas do esôfago e da bexiga apresentam valores maiores.
  • 38. 38  A temperatura do sangue que retorna ao corpo do paciente é avaliada por meio desses  indicadores de temperatura.  Além desta, as temperaturas do reto, das partes profundas da cabeça, da palma da mão  e  do  pé,  e  ainda,  do  sangue  retirado,  são  supervisionadas  por  meio  de  um  monitor.  Paralelamente, com a finalidade de preservar a segurança do paciente, são monitorados  também o batimento cardíaco, a pressão arterial, a pressão venosa central, etc.  Durante  a  terapia,  diversos  outros  procedimentos  são  adotados.  No  início  do  aquecimento, é  colocada uma  manta especial isolante  sobre o  corpo do paciente  para  evitar a dispersão do calor. Várias esponjas são colocadas nas partes do corpo que ficam  comprimidas  e  que  sejam  mais  suscetíveis  a  assadura,  tais  como  cabeça,  nádegas,  ombros etc., para prevenir contra a assadura de cama.  Depois  dessas  providências,  inicia­se  o  aquecimento  do  sangue.  O  aparelho  de  circulação extracorpórea permite um fluxo de 1,5 l/minuto; portanto, a temperatura do  corpo do paciente sobe com facilidade.  Acompanhando  as  variações  de  temperatura  da  artéria  pulmonar,  esôfago,  bexiga  e  tímpano (figura 19), observa­se que o aquecimento da bexiga é mais lento, embora, no  final, todas as partes do corpo estabilizam­se a uma temperatura próxima de 42 o  C. Isto é  o aspecto mais positivo da hipertermia geral, pois a manutenção de todas as partes do  corpo  a  uma  temperatura  constante  oferece  vantagens  para  eliminar  as  células  cancerosas.  Diz­se que para medir a temperatura da cabeça é recomendável medir a temperatura do  tímpano.  A  figura  20  mostra  o  dispositivo  para  medir  a  temperatura  do  tímpano.  A  colocação  de  algo  semelhante  a  uma  pequena  bola  de  algodão  permite  verificar  a  temperatura do tímpano, em  outras palavras, a temperatura do cérebro. A  medição da  temperatura  do  tímpano  é feita  introduzindo­se um  aparelho  mostrado  na figura  20  no  canal do ouvido externo.  Durante  o  resfriamento,  a  manta  especial  isolante  é  retirada  e  o  suor  do  paciente  enxugado. O resfriamento pelo método de circulação extracorpórea é iniciado, seguindo a  mesma  seqüência  adotada  para  o  aquecimento.  Em  aproximadamente  20  minutos,  a  temperatura  do  reto  cai  para  38 o  C.  O  processo  de  resfriamento  é  interrompido  nesse  instante, aguardando­se a queda natural da temperatura.  Na hipertermia pelo método de circulação extracorpórea, um ciclo de tratamento eqüivale  a quatro seções, realizadas na proporção de uma seção por semana.  Depois de 30 ou 40 minutos desde o início do aquecimento, a temperatura do corpo do  paciente  sobe  de  37 o  C  para  42 o  C.  Essa  temperatura  é  mantida  durante  três  horas,  passando em seguida para o processo de resfriamento (figura 21).
  • 39. Capítulo 1 ­ Ofensiva contra células cancerosas  39  Figura 20 ­ Medição da temperatura do tímpano  Interpretação da figura  Uma  sonda  de  temperatura  é  introduzida  no  canal  do  ouvido  externo  para  medir  a  temperatura do tímpano. Essa temperatura medida reflete fielmente a temperatura do corpo.
  • 40. 40  Figura 21 Foto de uma terapia por hipertermia geral
  • 41. 41  Capítulo 2  Por que os raios infravermelhos longos são eficazes no combate ao câncer
  • 42. 42 Existem diversas ondas eletromagnéticas Neste capítulo, vamos iniciar pela explicação de o que vem a ser os raios infravermelhos  longos.  Em nosso redor, estão presentes inúmeras “ondas” invisíveis que cruzam o espaço. O  raio  X,  que  é  utilizado  para  tirar  as  chapas  são  também  ondas.  A  luz  que  podemos  enxergar  também  são  ondas. As  ondas  de  rádio  e  de  televisão  também  são. A  única  diferença entre estas são os seus comprimentos, denominado freqüência.  Todas  recebem  o  nome  de  “ondas  eletromagnéticas”.  “Onda  magnética”  é  um  termo  oficialmente adotado do ponto de vista acadêmico, e é a forma correta de nomear as ondas  do campo elétrico e magnético ou as ondas da linha de força elétrica e magnética.  Falando dessa forma, parece algo complicado, e mais ainda, quando se diz ondas do campo  magnético, alguns leitores devem pensar: “Mas o que é isso?”. Talvez a comparação não  seja muito oportuna, mas poderá facilitar a compreensão se pensarmos que o magnetismo  emitido pelo PIP­ELEKIBAN* é algo similar às ondas de um campo magnético.  Por outro lado, as ondas do campo elétrico podem ser, por exemplo, a corrente.  Com  uma  pequena  variação  do  comprimento  de  onda,  essas  ondas  eletromagnéticas  apresentam características bastante distintas. Em virtude disso, há várias denominações  dadas às ondas eletromagnéticas, em decorrência também de razões históricas.  Relacionando  essas  ondas  a  partir  das  de  comprimento  mais  curto,  há  desde  raios  radioativos,  luzes  visíveis  e  até  ondas  elétricas.  Também  há  diversos  tipos  de  ondas  elétricas  (figura  22).  Por  exemplo,  nos  controles  remotos,  que  as  crianças  usam  para  conduzir carros de brinquedo, empregam­se ondas de rádio.  A luz visível é aquela que nos auxilia para visualizar as coisas. Quando o comprimento da  onda passa a ser menor do que o da luz visível, há os raios ultravioleta. Inversamente,  quando o comprimento é maior do que o da luz visível, há os raios infravermelhos, e a  onda com o comprimento maior ainda serão os raios infravermelhos longos.  Em palavras mais simples, a luz visível é aquela composta pelas cores do arco­íris, que  vão do vermelho ao violeta. Os raios infravermelhos têm comprimento de onda maior do  que o vermelho, e não conseguimos enxergá­los. Da mesma forma, não enxergamos os  raios ultravioleta, que têm comprimento de onda menor do que o violeta.  Historicamente, com exceção da luz visível, as ondas eletromagnéticas começaram a ser  utilizadas  a  partir  das  ondas  de  menor  freqüência.  Nas  comunicações  à  distância,  as  ondas  de  freqüência  mais  baixa  demonstram  melhor  desempenho.  Freqüência  é  o  número  de  vezes  que  uma  corrente  alternada  de  onda  eletromagnética  ou  corrente  elétrica  muda de  sentido durante o intervalo  de  um  segundo. Nessa ocasião,  conta­se  uma vez o par de positivo e negativo.  A  unidade  de  freqüência  é  expressa  em  Hertz  e  esse  termo  significa  o  número  de  vibrações.  Uma  mudança  de  sentido  eqüivale  a  uma  vibração,  por  isso  foi  adotado  o  Hertz como unidade.  * (N.T.= nome comercial de um magneto­terapêutico com fita adesiva)
  • 43. Capítulo 2 ­ Por que os raios infravermelhos longos são eficazes no combate ao câncer  43  Figura 22 Existe toda essa variedade de ondas eletromagnéticas  Interpretação da figura  Relacionando as ondas a partir das de comprimento curto, há desde raios radioativos até  ondas elétricas, passando pela luz visível. Também há diversos tipos de ondas elétricas.
  • 44. 44 Na realidade, a “dádiva do Sol” são os raios infravermelhos Os  raios  infravermelhos  são  tipos  de  ondas eletromagnéticas;  contudo,  são denominados  também  de  raios  térmicos  pela  sua  capacidade  de  conduzir  bem  o  calor  irradiado.  A  denominação "infravermelho" significa um raio que está além (do lado do comprimento de  onda maior) da luz vermelha, que é a luz de onda de maior comprimento dentre as luzes  visíveis.  Os raios infravermelhos também podem ter diferentes comprimentos de onda. As ondas mais  próximas da luz visível são denominadas "raios infravermelhos curtos" e, as mais afastadas,  "raios  infravermelhos  longos".  Os  raios  infravermelhos  longos  são  aqueles  utilizados  em  aquecedores e saunas e provavelmente muitos leitores conhecem esses raios; entretanto,  devem estar pensando: “o que vem a ser raios infravermelhos curtos?”.  Os  raios  infravermelhos  curtos  são  raios  térmicos  de  aproximadamente  1.000 o  C.  Por  exemplo, esses raios são emanados do carvão utilizado para assar uma enguia.  Dizem  que  os  raios  infravermelhos  curtos  são  responsáveis  pelo  excelente  sabor  da  enguia assada. Os raios térmicos emitidos deixam a superfície da enguia dourada e, com  isso,  o  sabor  é  retido  dentro  do  seu  filé,  tornando­a  ainda  mais  saborosa.  Em  contraposição, assar um bife no carvão provoca o seu encolhimento, em virtude disso,  está aumentando o número de restaurantes que utilizam os raios infravermelhos longos  para assar um bife. Dizem que o volume da carne não se altera e o calor atinge até o seu  miolo com os raios infravermelhos longos.  Os raios infravermelhos são também empregados nos controles remotos de televisores,  portas automáticas, medidor de distância de máquinas fotográficas, etc.  Na hipertermia, a característica dos raios infravermelhos longos de conduzir o calor até o  interior  dos  corpos,  é  muito  bem  aproveitada.  Em  especial,  os  raios  infravermelhos  longos, com comprimento de onda em torno de sete micra, não pinicam a pele e podem  chegar  às  partes  profundas  da  epiderme,  proporcionando  uma  sensação  de  calor  agradável  e  envolvente.  Em  virtude  disso,  são  muito  utilizados  em  aquecedores  domésticos de mesa e saunas de baixa temperatura.  Qualquer que seja o caso, recebemos muitos benefícios dos raios infravermelhos. Muitas  vezes  é  usada  a  expressão  “recebendo  a  dádiva  do  Sol”.  Mas  a  fonte  principal  deste  donativo é a energia solar e os principais responsáveis pela energia solar são a luz visível  e os raios infravermelhos.  Diz­se que a proporção é de 40% de luz visível e 60% de raios infravermelhos. Não será  exagero dizer que recebemos do Sol um donativo chamado raios infravermelhos.  Voltando os olhos para dentro de casa, hoje em dia, há um tipo de aquecedor elétrico que  está  fazendo  sucesso  pela  sua  segurança.  A  parte  principal  desse  aquecedor  é  o  elemento aquecedor de níquel­cromo. A eficiência de transformação de energia elétrica  em calor, de um filamento de níquel­cromo, é de 100%. Antigamente, esse filamento era  colocado no aquecedor sem nenhuma capa. Atualmente, o filamento de níquel­cromo é
  • 45. Capítulo 2 ­ Por que os raios infravermelhos longos são eficazes no combate ao câncer  45  colocado  em  forma  de  bobina  dentro  de  um  tubo  isolante  de  vidro  cerâmico  para  melhorar a emissão dos raios infravermelhos.  Dessa forma, para obter­se o calor, os raios infravermelhos são mais importantes do que  a luz visível. O carpete elétrico é feito com um aquecedor plano e pode ser considerado  um  produto  que  aproveita  ao  máximo  o  calor  de  condução. Além  disso,  do  carpete  é  emitido também o calor de irradiação, que aquece diretamente o corpo humano. Por que os raios infravermelhos têm um forte efeito térmico Todos devem ter estudado no ginásio que existem três formas de propagação do calor: a  “condução”; a “convecção” e a “irradiação”. Vamos explicar cada uma delas resumidamente.  O  calor  só  é  aproveitado  quando  se  transfere  de  um  corpo  para  outro.  Denomina­se  “condução de calor” a passagem gradativa do calor dentro de uma matéria, da região mais  quente para a região mais fria (figura 23). A velocidade de condução do calor é proporcional  ao gradiente de temperatura dentro desse corpo e depende da natureza do material.  O gradiente de temperatura é a inclinação correspondente à diferença de temperatura, se  houver,  entre  os  lados  direito  e  esquerdo  de  um  dado  corpo,  por  exemplo.  Conseqüentemente,  quando  se  diz  que  a  velocidade  de  condução  é  proporcional  ao  gradiente de temperatura, isto significa que essa velocidade é maior quanto maior for a  diferença de temperatura entre os lados direito e esquerdo do corpo.  A influência da natureza do material na velocidade de condução é mais fácil de entender. O  metal  e  a  madeira  apresentam  velocidades  diferentes  de  condução  do  calor,  e  isso  é  perceptível.  Alguns materiais quase não conduzem calor. O tijolo isolante térmico é um exemplo. Esse  tijolo  é  fabricado  com  cerâmica  que  contém  muitos  poros,  para  reter  o  ar  e  reduzir  o  movimento do calor. Ou seja, é um material que foi pensado para reduzir ao máximo a  condutibilidade térmica. No vácuo não há condução de calor, pois não existem átomos  que transmitem vibração térmica.  Em seguida, há o tipo de transmissão de calor que ocorre dentro de um fluido líquido ou  gasoso.  Quando  esses  fluidos  são  aquecidos,  sofrem  uma  dilatação  e  a  parte  mais  quente  sobe  e  a  mais  fria  desce,  desencadeando  um  movimento  de  calor.  Isto  é  denominado "convecção".  Quando tomamos um banho de imersão, aquecemos a água com gás. Ocorre que a água  é  aquecida  somente  na  parte  superior  e  a  inferior  continua  fria.  Este  fenômeno  é  o  resultado da convecção e o que ocorre é a subida da água mais quente por ser mais leve  e a água mais fria desce por ser mais pesada.  O mesmo acontece quando se acende um aquecedor a gás para esquentar o ambiente. O ar  aquecido pela combustão fica mais leve, subindo e com isso acaba aquecendo somente a  parte de cima do cômodo. Portanto, para aquecer um quarto por igual é preciso movimentar o  ar,  em  razão  disso,  para  controlar  a  temperatura  ambiente,  é  mais  eficiente  instalar  o  aquecedor na parte de baixo da sala e o ar condicionado na parte de cima.
  • 46. 46  A  “convecção  do  calor”  é  o  movimento  do  calor  no  sentido  contrário  à  gravidade, por  causa da massa de fluido que ficou mais leve, ou no sentido direcionado pela pressão.  A terceira forma, a irradiação, é a transmissão de calor de um modo um pouco diferente  do da condução ou da convecção. Quando o calor é transmitido através do espaço ou de  um corpo que conduz bem os raios infravermelhos, o calor move­se em forma de onda  eletromagnética,  com  vibração  situada  na  faixa  de  onda  dos  raios  infravermelhos.  O  exemplo a seguir facilitará a compreensão desse caso.  Quando  colocamos  as  mãos  diante  de  um  aquecedor,  elas  ficam  quentes,  mas  ao  colocarmos uma folha de papel grosso entre as mãos e o aquecedor, o calor não será  sentido. Trocando o papel grosso por um mais fino, o calor sentido será mais fraco,  mas este conseguirá atingir as mãos. Por meio de uma experiência prática fica mais  evidente o fenômeno  e  ao observarmos essa última  situação, o  papel fino  não está  em movimento; portanto, não está ocorrendo a transmissão de calor por convecção.  Além  disso,  a  condutibilidade  térmica  do  ar  é  extremamente  baixa  e  o  calor,  que  é  imediatamente sentido pelas mãos assim que são colocadas diante do aquecedor, não foi  conduzido através do ar. Resta concluir que o calor do aquecedor foi transmitido para as  mãos em forma de onda eletromagnética.  Entre o Sol e a Terra existe um vasto espaço em estado de vácuo, mas chega à Terra  uma  grande  quantidade  de  calor  proveniente  do  Sol.  No  entanto,  quando  o  sol  se  esconde atrás de uma nuvem, o calor é interrompido também junto com a luz.  Conforme explicado, a forma de transmissão do calor por um mecanismo semelhante ao  da transmissão da luz denomina­se “irradiação de calor”. A irradiação de calor ocorre por  meio de ondas eletromagnéticas de comprimento de onda maior do que o da luz, ou seja,  ocorre pela irradiação de raios infravermelhos.  Todas  as  matérias  são  constituídas  por  moléculas  e  cada  molécula  apresenta  uma  vibração própria. A vibração dos raios infravermelhos ocupa uma faixa praticamente igual  à da vibração das moléculas. Isto ocorre em quase todas as matérias.  Em decorrência disso, o encontro dos raios infravermelhos com a matéria provoca uma  ressonância  elétrica  por  causa  da  semelhança  de  sua  vibração  com  a das  moléculas.  Pela  ressonância,  a  energia  dos  raios  infravermelhos  é  absorvida  pela  matéria,  sem  desperdícios. Essa é a razão do forte efeito térmico dos raios infravermelhos.  Há  o  fenômeno  de  reflexão  ou  dispersão  quando  a  luz  passa  através  de  diminutas  partículas do ar, como poeiras ou gotículas de água. O arco­íris que aparece depois da  chuva ocorre pela mesma razão.  Ao  passo  que os  raios  infravermelhos,  em  razão  de  seu  maior  comprimento  de  onda,  apresentam reflexão ou dispersão menores, se comparados com os raios ultravioleta ou a  luz visível, e propagam­se melhor pelo ar. A sensação de calor imediato ao aproximarmos  as  mãos  do  aquecedor  deve­se  à  ação  dos  raios  infravermelhos,  que  apresentam  a  característica de ser menos reflexivos e dispersivos.
  • 47. Capítulo 2 ­ Por que os raios infravermelhos longos são eficazes no combate ao câncer  47  Figura 23 De que forma o calor se propaga  Interpretação da figura  Existem três formas de propagação de calor: “condução”; “convecção” e “irradiação”. Nos  raios infravermelhos, o calor é transmitido por “irradiação”.
  • 48. 48 Por que os raios infravermelhos longos são melhores para a hipertermia No  cotidiano  da  nossa  vida,  utilizamos  os  raios  infravermelhos  longos  com  freqüência.  Por  exemplo,  o  caso  de uma  batata­doce  assada  com  uma  pedra.  Ela  fica muito mais gostosa quando a assamos em uma pedra em vez de diretamente no  fogo. O calor da pedra é transmitido para dentro da batata e ela fica mais macia e  saborosa. Isto ocorre  por  causa  dos  raios  infravermelhos  longos  que  são  emitidos  pela pedra.  Outro  dia,  tive  a  oportunidade  de  ir  a  um  restaurante,  tipicamente  japonês,  para  saborear o banquete Kaiseki. Na mesa havia um prato com uma camada grossa de  sal  e uma  pedra  quente  sobre esse  sal. A  comida  foi  colocada  sobre  essa  pedra.  Pude saborear essa deliciosa comida, lembrando­me da lógica de assar uma batata­  doce em uma pedra.  O  calor  propaga­se  sempre  da  parte  mais  quente  para  a  mais  fria.  Mesmo  que  a  fonte  do  calor  recebido  sejam  raios  infravermelhos  longos,  a  lógica  é  a  mesma.  Esses  raios  geram calor  e,  se  não  houver  nenhuma forma  de  o  material  aquecido  dissipar  esse  calor  e  este  material  continuar  recebendo  mais  calor,  a  temperatura  aumentará cada vez mais. É o que ocorre na praia. No verão, a areia é muito mais  quente do que a temperatura do ar. Se por um descuido andarmos descalços sobre  a areia queimaremos as solas dos pés.  No  caso  de  um  aquecedor  de  ambiente  à  base  de  raios  infravermelhos  longos,  a  temperatura  sensível  do  ambiente pode  estar  baixa,  mas  com o  tempo o  corpo acaba  recebendo  a  irradiação  das  altas  temperaturas  e  um  manuseio  errado  desse  tipo  de  aquecedor pode provocar queimaduras.  Isso  ocorre  porque  a  temperatura  do  ar  em  volta  do  aquecedor  pode  estar  baixa,  mas  a  quantidade de calor gerado pelos raios infravermelhos, que a pele recebe, aumenta com o  tempo.  Mesmo  os  raios  infravermelhos  longos  irradiados  de  fontes  com  temperatura  de  60 o  C  ou  70 o  C  (o centro  do  comprimento  da onda  é  de  aproximadamente  8 micra),  podem até não provocar queimaduras, mas a sensação é de um calor considerável  quando  uma  pessoa  recebe  uma  grande  quantidade  dessa  irradiação  a  uma  pequena distância.  As  torradeiras  de  pão  mais  modernas  também  apresentam  uma  grande  diferença  em  relação  aos  modelos  antigos.  O  mecanismo  utilizado  nas  torradeiras  antigas  era  composto por duas placas de mica com um fio de níquel­cromo colocado entre elas. Mas  quando  o  pão  era  colocado  no  aparelho,  não  se  conseguia  torrá­lo  tão  bem  quanto  aparentava e, muitas vezes, saía um pão abaulado.
  • 49. Capítulo 2 ­ Por que os raios infravermelhos longos são eficazes no combate ao câncer  49  Entretanto, quando utilizamos uma torradeira de raios infravermelhos longos, torna­  se possível assar com uma diferença de temperatura menor entre a face e a parte  interna do pão, em virtude disso, a torrada não fica abaulada mesmo nos pães de  fatia mais grossa. O calor penetra bem no pão e este sai bem torrado.  Que  método  de  aquecimento  poderia  ser  utilizado  para  deixar  o  moti  (bolinho  de  arroz  amassado)  com  a  casca  bem  torrada  e  amarelada?  Quando  utilizamos  um  forno de microondas, o aquecimento serve mais para amolecer e derreter o moti do  que  propriamente  assá­lo.  Em  geral,  quando  o  moti  é  assado  em  forno  a  gás,  somente a casca fica queimada e o miolo continua duro. Em contrapartida, quando  utilizamos  um  aquecimento  à  base  de  raios  infravermelhos  longos,  torna­se  mais  fácil  controlar  a  temperatura  de  aquecimento  e  a  casca  fica  bem  amarelada  e  torrada.  Tudo  que  foi  dito  acima  é  mera  analogia,  mas  acreditamos  que  tenha  sido  possível  passar  aos  leitores  uma  idéia  geral  acerca  da  característica  dos  raios  infravermelhos  longos.  Os raios infravermelhos longos não aquecem somente a superfície dos corpos, mas  penetram  até  em  seus  interiores.  Ou  seja,  os  raios  infravermelhos  longos  são  capazes de aquecer até os tecidos sob a pele. Portanto, desde que sejam tomados  os devidos cuidados para evitar queimaduras, os raios infravermelhos longos podem  ser considerados fontes de aquecimento ideais para a hipertermia.  Contudo, para a aplicação dos raios infravermelhos longos como fontes de calor para a  hipertermia, é preciso estudarmos cuidadosamente qual é o comprimento de onda mais  apropriado  para  que  os  raios  possam  ser  absorvidos  pela  pele  de  forma  a  oferecer  conforto ao paciente. A segurança é garantida pelo dispositivo de parada automática de dois estágios Conforme explicado anteriormente, são três os métodos atualmente utilizados no mundo  para a prática da  hipertermia: o método de circulação extracorpórea, o método a roupa  de astronauta e o método por raios infravermelhos longos. Dentre esses, especialmente o  método  por  raios  infravermelhos  longos  apresenta  alguns  aspectos  que  superam  os  demais.  Em primeiro lugar, os raios infravermelhos longos transmitem o calor melhor do que  a  roupa  de  astronauta.  Em  segundo,  não  requerem  anestesia  geral  utilizada  na  circulação extracorpórea, e ainda, não existe a necessidade de retirar e devolver o  sangue, introduzindo­se um tubo dentro do vaso sangüíneo do paciente.  Desta forma, em todos os aspectos, o método por raios infravermelhos é o menos  invasivo  para  os  pacientes  e  com  isso  reduz  a  carga  suportada  por  eles.  Isso faz  com que aumentem de forma considerável a sua QOL (quality of life = qualidade de  vida).  Já  foi  dito  anteriormente  que  ficamos  impressionados  quando  presenciamos,  nos  Estados  Unidos,  a  cena  em  que  um  paciente  retornava  ao  seu  quarto,  a  pé  e
  • 50. 50  sozinho,  depois  da  terapia.  Pelo  método  de  circulação  extracorpórea,  isso  jamais  seria possível. Vamos agora explicar como funcionam os aparelhos de uma hipertermia  geral à base de raios infravermelhos longos.  O aparelho de hipertermia geral à base de raios infravermelhos longos utilizado no  Hospital  Luka  é  idêntico  ao  empregado  pela  equipe  do  Dr.  Robins  na  experiência  clínica  do Centro de  Câncer  da  Universidade  Estadual de Wisconsin.  O fabricante  desses aparelhos, a Enthermics, está sediado também  no estado de Wisconsin. O  Hospital de Luka foi o pioneiro na introdução desse aparelho no Japão.  O  aparelho é confeccionado em  aço inoxidável e  tem  o formato  de uma caixa.  Dentro  dessa caixa existe um cilindro, de 2m de comprimento e 90 cm de diâmetro, feito com  uma  chapa  de  cobre  de  1,2mm  de  espessura.  O  paciente  é  colocado  dentro  desse  cilindro deitado sobre uma maca.  Um  revestimento  cerâmico  é  aplicado  sobre  a  chapa  de  cobre,  pela  qual  os  raios  infravermelhos  longos  são  gerados.  O  elemento  aquecedor  em  forma  de  bobina  fica  instalado  na  parte  interna  do  cilindro  de  chapa  de  cobre  e  essa  bobina  aquece  a  cerâmica, fazendo com que os raios infravermelhos longos sejam irradiados.  Durante o aquecimento, a porta existente na entrada do cilindro é fechada e ficam para  fora do aparelho apenas a cabeça e o rosto do paciente (figura 24).  O aparelho dispõe de dois sistemas de controle para tornar sua operação segura. O  primeiro  sistema  desliga  automaticamente  a  fonte  de  alimentação  do  aquecedor  quando  a  temperatura  ambiente  atinge 75 o  C  e  o  outro,  efetua  a  mesma  operação  quando  atinge  80 o  C.  A  segurança  do  paciente  é  preservada  por  esse  dispositivo  automático de dois estágios.  Durante o aquecimento, é aplicada uma leve anestesia venosa à base de tiopental,  em  vez  de  anestesias  gerais  que  exigem  a  inserção  de  tubos  nos  brônquios  ou  outros  métodos.  Também  durante  o  aquecimento,  não  são  utilizados  aparelhos  de  respiração artificial e os pacientes mantêm sua própria respiração, sendo essas as  grandes diferenças do método de circulação extracorpórea. Paralelamente, é feita a  aplicação intravenosa de aproximadamente um litro de solução de glicose a 5%.  Em  seguida,  são  medidas  as  temperaturas  do  esôfago  e  do  reto  e,  quando  essas  temperaturas  atingem  o  valor  previsto,  retira­se  a  maca  da  câmara  de  aquecimento  e  envolve­se o paciente com uma coberta para evitar a fuga do calor. Em geral, para atingir  a temperatura desejada na faixa de 41,5 o  C a 41,8 o  C, são necessários de 60 a 80 minutos  a partir do início do aquecimento.  O corpo do paciente é mantido nessa temperatura de tratamento durante uma hora e é  posteriormente resfriado. Com a simples retirada da coberta que envolve o paciente, em  aproximadamente trinta minutos a temperatura do reto reduz­se para 39,5 o  C (figura 25).  Com isso, a seção de terapia está concluída.
  • 51. Capítulo 2 ­ Por que os raios infravermelhos longos são eficazes no combate ao câncer  51  Figura 24 Aquecedor à base de raios infravermelhos longos, desenvolvido  pela empresa Enthermics.
  • 52. 52  Segundo  Dr.  Robins,  os  pacientes­alvo  dessa  terapia  com  aquecedor  à  base  de  raios  infravermelhos  longos  são  aqueles  que  apresentam  uma  quantidade  de  glóbulos brancos acima de 2 mil, a quantidade de plaquetas sangüíneas acima de  100  mil  e  valores  de  bilirrubina  do  soro  sangüíneo  inferiores  a  2,0  mg/dl.  e  de  creatinina do soro sangüíneo inferiores a 2,0 mg/dl.  O valor de bilirrubina do soro sangüíneo é um dos itens analisados no exame de fígado  para demonstrar seu funcionamento e a creatinina, um dos itens analisados para verificar  o funcionamento dos rins.  Isto  significa  que  esse  tipo  de  terapia  não  pode  ser  aplicado  em  pacientes  com  pouca quantidade de glóbulos brancos ou plaquetas sangüíneas, ou ainda, naqueles  que apresentam insuficiência hepática ou renal. Outra condição da hipertermia geral  é a de que o paciente não tenha sido submetido à quimioterapia há duas semanas.  A outra vantagem da hipertermia geral à base de raios infravermelhos longos é o fato de  dispensar  a  internação.  Essa  terapia  quando  é  aplicada  pelo  método  de  circulação  extracorpórea, requer aproximadamente uma semana de internação do paciente depois  de  ter  sido  submetido  ao  tratamento. Além  disso,  quando  o  paciente  se  recupera  da  estafa física, já estará chegando a próxima seção de terapia, dessa forma, o paciente não  terá a possibilidade de sair da internação.  No caso do tratamento à base de raios infravermelhos longos, por ser menos invasivo, o  paciente pode retornar à sua casa no final da tarde do mesmo dia da terapia. Os aparelhos de hipertermia geral de fabricação japonesa estão atualmente em fase de tratamento experimental Até  agora  foram  apresentados  apenas  os  aparelhos  da  empresa  Enthermics,  mas  já  foram  construídos  protótipos  de  aquecedores  para  hipertermia  geral,  fabricados  no  Japão,  e  atualmente  está  em  fase  experimental.  Tratamento experimental  é  um  termo  médico e significa que está em fase de tratamento real do paciente, mas com a finalidade  de analisar a eficácia e os efeitos colaterais do tratamento.  Quando  se  fala  dessa  forma,  tem­se  a  impressão  de  que  estão  sendo  realizadas  experiências  com  seres  humanos;  entretanto,  antes  de  passar  para  essa  fase  experimental  do  tratamento,  já  foram  feitos  outros  testes  para  verificar  os  efeitos  e  a  segurança da terapia, utilizando diferentes métodos. O tratamento experimental é a última  fase dos testes para obter dados clínicos ainda mais concretos.
  • 53. Capítulo 2 ­ Por que os raios infravermelhos longos são eficazes no combate ao câncer  53  Figura 25 ­ Variação da temperatura de cada uma das partes  Interpretação do gráfico  A temperatura da câmara de aquecimento é a maior de todas e a temperatura de cada um  dos órgãos praticamente estabiliza­se depois de uma hora do início do aquecimento.  Apresentaremos  aqui  o  aquecedor  à  base  de  raios  infravermelhos  longos  da  empresa  Fujica.  As  dimensões  do  aparelho  são:  134  cm  de  altura,  242  cm  de  comprimento  e  110  cm  de  largura.  O  comprimento  é  praticamente  igual  ao  do  aparelho  da  empresa  Enthermics, mas a largura e a altura foram reduzidas para 2/3 do equipamento importado  (figura 26). O aparelho tem o formato de um túnel e sua estrutura é composta de duas  partes, sendo menor a parte que cobre as pernas e maior, a parte do tronco. O túnel de  cobertura da parte superior do corpo é deslizante e pode ser aberto a qualquer momento,  empurrando­o  para  o  lado  do  túnel  que  cobre  a  parte  inferior  do  corpo.  Poderão  ser  puxados  tubos  de  infusão  do  soro  e  fios  para  o  monitoramento  das  partes  laterais  do  aparelho.  O interior dos túneis foi projetado para permitir a convecção do ar. O ar que circula é seco  e, pelo fato de não conter umidade, pode oferecer maior conforto ao paciente pela sua
  • 54. 54  circulação. Contudo, pesquisas norte­americanas demonstram que esse recurso reduz a  eficiência do aquecimento.  O  aparelho  permite  ainda  refrigerar  o  pescoço  e  a  cabeça  do  paciente  durante  o  aquecimento  e,  mesmo  que  o  restante  do  corpo  esteja  a  42 o  C,  a  cabeça  poderá  ser  mantida  a  40 o  C.  Portanto,  a  medida  que  o  paciente  vai  acostumando­se  com  o  tratamento, ele pode ser submetido à terapia sem a administração de analgésicos.  Geralmente,  os  raios  infravermelhos  longos  são  emitidos  pela  cerâmica,  que  é  um  material inorgânico. Nesse aparelho fabricado no Japão, a fonte de calor é um material  orgânico. Segundo informações obtidas, o aparelho foi concebido para que o calor dos  raios infravermelhos longos, gerados por materiais orgânicos, fosse absorvido pela pele  do paciente sem que provocasse uma sensação de desconforto.  Para  a  medição  da  temperatura  do  reto  é  utilizada  uma  sonda,  que  tem  precisão  de  detecção de 1/100 de grau, e o aquecimento é controlado por computador. Depois de 90  minutos do início do aquecimento, a temperatura do reto atinge 42 o  C. Na Alemanha, uma seção de terapia apresentou 64% de eficácia no tratamento do câncer Em seguida, vamos apresentar também a hipertermia praticada na Alemanha.  Na Alemanha,  a  hipertermia geral  vem  sendo  praticada  há  alguns anos  na  cidade  de  Dresden.  Em 1965, Dr. Alden foi o pioneiro na aplicação dessa terapia de aquecimento geral do  corpo. Segundo o  método  utilizado  na época, o  paciente era  colocado  dentro de  água  quente e recebia uma injeção de solução de glicose e oxigenação. Depois de 25 anos de  pesquisa, a equipe do Dr. Alden passou a realizar o tratamento hipertérmico geral à base  de raios infravermelhos longos.  Os raios infravermelhos longos utilizados são aqueles com comprimento de onda mais  longo. Um aquecimento com duração de 60 ou 70 minutos eleva a temperatura do corpo  do paciente para 41,8 o  C ± 0,2 o  C. Antes de iniciar o aquecimento, é aplicada uma leve  anestesia intravenosa.  Em seguida, uma aplicação de solução de glicose a 10% no paciente faz subir a taxa de  glicose do sangue de 500  mg/dl a  700 mg/dl.,  depois de uma hora. O  valor  normal  dessa  taxa é  de 100  mg/dl ± 10 mg/dl.;  portanto,  durante  o aquecimento  o  paciente  permanece  temporariamente  em  estado  de  hiperglicemia.  Segundo  a  experiência  realizada,  o  estado  de  hiperglicemia  conseguido  dessa  forma  e  a  acidez  do  sangue  provocada pelo ácido láctico fazem com que o câncer fique vulnerável ao calor.  Nessa ocasião, uma grande quantidade de oxigênio é injetada no paciente. A adequação  da  quantidade  de  oxigênio  é  verificada,  medindo­se  a  concentração  de  oxigênio  do  sangue arterial. Este valor é denominado concentração de oxigênio do sangue arterial e,  durante  a  hipertermia,  essa  concentração  de  oxigênio  é  mantida  a  163 mm/hg ± 50 mm/hg. O valor normal é de 90 ± 10 mm/hg.
  • 55. Capítulo 2 ­ Por que os raios infravermelhos longos são eficazes no combate ao câncer  55  Figura 26 ­ Aparelho de aquecimento geral de fabricação japonesa  Interpretação da figura  A cobertura que envolve o paciente tem dois estágios e pode ser retirada da cama.  O corpo do paciente é mantido a 41,8 o  C, durante 60 a 75 minutos, e depois resfriado.  Não há nenhum efeito colateral.  O tratamento por hipertermia praticado na Alemanha termina com uma única seção, mas  apresenta  excelentes  resultados  (figura  27).  Na  Alemanha  também  não  se  ministram  medicamentos contra o câncer paralelamente à aplicação da hipertermia geral.
  • 56. 56  Figura 27 ­ Efeitos da terapia realizada em Dresden (Alemanha)  Interpretação do gráfico  Pode­se observar que o maior efeito ocorreu no câncer de mama e os casos de câncer de  útero e intestino grosso também registram alto índice de “muito eficaz”.
  • 57. Capítulo 2 ­ Por que os raios infravermelhos longos são eficazes no combate ao câncer  57  As  terapias  realizadas  na  Alemanha,  pelo  método  de  aquecimento  geral  do  corpo,  apresentaram os seguintes resultados.  A hipertermia foi aplicada em 98 pacientes que apresentavam um quadro cada vez mais  agravante de câncer e que não haviam reagido a nenhum outro método terapêutico.  Os  resultados  obtidos  na  terapia foram classificados  em  quatro  grupos:  “muito eficaz”,  “eficaz”,  “estável  (inalterado)”  e  “piora”.  Ao  observar  o  desempenho  da  terapia,  o  resultado de 63 pacientes tratados atingiu os níveis “muito eficaz” e “eficaz”,  de um total  de 98 pacientes, ou seja, a eficácia foi confirmada em 64% dos pacientes.  Se com apenas uma seção de terapia foi observada uma eficácia de 64%, a repetição  desse tipo de tratamento pode trazer resultados ainda mais surpreendentes. Atualmente,  esse método é utilizado também em casos de câncer em estado inicial. O paciente nº 1, que recuperou a perda de sensibilidade da parte inferior do corpo O primeiro paciente submetido ao tratamento pelo aquecimento do corpo à base de raios  infravermelhos longos, introduzido no Hospital Luka, era um paciente que havia perdido a  sensibilidade  da  parte  inferior  do  corpo  por  causa  da  metástase  provocada  pela  transferência do câncer do pulmão para a medula espinal.  “Quero  a  todo  custo receber  o  tratamento  hipertérmico geral”. dizia  esse  paciente que  estava  internado  no  Hospital  Luka,  desde  o  final  de  1990,  à  espera  do  tratamento  hipertérmico geral à base de raios infravermelhos longos.  Ele havia sido submetido várias vezes à quimioterapia e depois à radioterapia, em um  hospital universitário. Porém, depois dessas terapias, sofreu uma perda total dos sentidos  da parte inferior do corpo e apresentou a seguinte reclamação ao hospital:  “A  radioterapia  aplicada  nesse  hospital  universitário  foi  muito  forte  e  atingiu  a  medula  espinal, causando a perda dos sentidos”.  Entretanto,  o  médico  do  hospital,  responsável  pelo  paciente,  ignorou  a  reclamação,  dizendo: “A perda dos sentidos da parte inferior deve­se à transferência do câncer para a  medula espinal”.  Por esta razão, o paciente estava desconfiado dos médicos. Apesar disso, quando ele  ouviu comentários sobre o aparelho aquecedor à base de raios infravermelhos longos,  imediatamente  teve  vontade  de  experimentar  o  tratamento  por  hipertermia  geral  e,  segundo as palavras desse paciente, com sentimento de alguém que quer agarrar­se até  a  uma  palha  quando está se afogando.  Desde que foi internado no  Hospital  Luka, ele  aguardava  esse  tratamento  com  grande  ansiedade,  perguntando  para  si  mesmo:  “Quando vai ser? Quando vai ser?”.  O  hospital  havia  decidido  pela  introdução  do  aparelho  no  final  de  1990  e  este  foi  transportado para o Japão por via marítima, em janeiro de 1991, mas houve demora para  obter  a  licença  do  Ministério  da  Saúde  para  sua  utilização.  A  licença  finalmente  foi  concedida  depois  de  reescreverem  várias  vezes  o  documento  de  pedido  e  de  muitas  idas­e­vindas para o ministério.
  • 58. 58  Depois  disso,  havia  o  problema  de  transportar  o  aparelho  para  dentro  do  hospital.  O  aquecedor é composto por uma unidade principal de aço inoxidável, que pesa mais de  uma  tonelada,  e  por  um  sistema  computadorizado  conectado  à  unidade  principal.  Providenciamos dois veículos com guindaste, quebramos todas as janelas do segundo  andar do hospital e levamos meio dia para colocar o aparelho dentro do edifício.  Ao instalarmos o aparelho dentro da sala de terapia, a impressão que tivemos era a de  ter recebido uma enorme caixa de aço inoxidável, mas ao mesmo tempo, o clima também  era de tensão em função da responsabilidade que tínhamos de tratar o câncer por meio  desse aparelho.  Mas um problema maior ainda nos aguardava. Na época, os Estados Unidos estavam em  plena  Guerra  do  Golfo  e  todos  os  profissionais  norte­americanos  da  área  de  saúde  estavam proibidos de sair do país.  Tivemos o azar de enfrentar a coincidência da aquisição do aparelho com esse período  crítico.  Os  três  especialistas  o  médico­anestesista,  o  enfermeiro  especializado  em  anestesia  e  o  técnico  de  computador,  que  seriam  os  nossos  instrutores  técnicos,  não  puderam viajar para o Japão por essa razão.  A  vinda  deles  ao  nosso  país  ocorreu  somente  em  meados  de  fevereiro  de  1991,  logo  depois  de  terminar  a  Guerra  do  Golfo.  Após  a  chegada  da  equipe  americana,  foram  realizados treinamentos técnicos com duração de uma semana. A equipe do nosso hospital  efetuava a terapia todos os dias, junto com os instrutores, inclusive aos domingos.  O  primeiro  paciente  do  nosso  tratamento  parecia  mais  esperançoso  a  cada  seção  de  terapia, pois a melhora do quadro era perceptível.  Por  exemplo,  de  uma  vida  de  internação,  permanecendo  praticamente  todo  o  tempo  deitado  na  cama,  passou  para  uma  vida  em  cadeira  de  rodas.  Isto  representou  uma  grande  alegria para o  paciente. Além disso,  o apetite aumentou  e  a qualidade de vida  melhorou radicalmente.  Logo ele passou a aguardar com muita ansiedade as próximas seções de terapia.  “Não via um sorriso tão bonito nos últimos dois anos”, dizia sua mãe feliz, com lágrimas  nos olhos.  Um fato que merece ser destacado nesse caso é a recuperação dos sentidos da parte  inferior do corpo, que ele havia perdido. Apresentação de 20 casos de tratamento no congresso de hipertermia Em  setembro  de  1991  (Ano  3  da  era  Heisei),  foi  realizado  um  Congresso  Japonês  de  Hipertermia  quando  o  tratamento  hipertérmico  geral,  iniciado  em  fevereiro  do  mesmo  ano,  finalmente havia conseguido certa estabilização. Decidimos então apresentar nesse congresso  os casos de tratamento por hipertermia geral à base de raios infravermelhos longos.  Porém, essa decisão acabou criando para nós uma situação um pouco constrangedora,  pois  não  sabíamos  quais  casos  e  como  poderíamos  apresentar.  Talvez,  em  vez  de  constrangimento, a expressão mais adequada fosse preocupação eufórica.
  • 59. Capítulo 2 ­ Por que os raios infravermelhos longos são eficazes no combate ao câncer  59  Os primeiros tratamentos foram iniciados para atender os pacientes apresentados pela  Faculdade  Feminina  de  Medicina  de  Tokyo.  Mas  quando  esse  tipo  de  terapia  foi  apresentado em revistas e jornais, chegava de todas as partes do Japão uma infinidade  de pedidos de informação ou solicitações de pacientes interessados em receber esse tipo  de terapia. Ficamos surpresos com a repercussão.  O tratamento pelo método de raios infravermelhos longos é feito na proporção de uma  seção por semana e quatro seções totalizam um ciclo de tratamento.  Uma  vez  que  o  tratamento  do  paciente  requer  uma  seção  por  semana,  existe  uma  limitação  na  capacidade  de  atendimento  por  haver  um  único  aparelho  disponível.  Portanto, era impossível tratar todos os pacientes que haviam demonstrado interesse.  Por  outro  lado,  a  nossa  decisão  era  atender  o  máximo  de  pacientes  dentro  da  nossa  capacidade porque tínhamos a intenção de oferecer a “alegria de viver” ao maior número  possível  de  pacientes.  Essas  foram  as  razões de  continuarmos com  o  tratamento  dos  pacientes vindos da Faculdade Feminina de Medicina de Tokyo e mais os pacientes que  nos procuravam diretamente, num ritmo de 12 pacientes atendidos por semana.  Os pacientes submetidos à hipertermia geral são portadores de câncer terminal. Muitas  vezes empregamos o termo câncer terminal de forma simplista, mas esse quadro pode  representar  diferentes  fases  da  doença  terminal  e  muitos  pacientes  apresentavam,  de  fato,  um  quadro  próximo  à  última  fase  terminal.  Infelizmente,  para  alguns  pacientes  enquadrados nesse último caso, tivemos que interromper o tratamento, pois nem sequer  haveria a possibilidade de concluirmos um ciclo de seções. Existiram também casos de  agravamento  do  quadro,  antes  de  iniciarmos  a  terapia  e,  em  conseqüência  disso,  o  tratamento havia sido cancelado.  Diante dessas situações, resolvemos apresentar no congresso o resumo dos vinte casos  de pacientes que haviam concluído um ciclo de tratamento. Os pacientes selecionados  para esses vinte casos foram treze homens, de 33 a 73 anos de idade, e sete mulheres.  A  meta  para  a  temperatura  do  esôfago,  durante  a  hipertermia,  foi  estabelecida  entre  41,0 o  C  a  41,8 o  C.  Os  efeitos  resultantes  da  terapia  foram:  remoção  total  (CR)  10%;  remoção parcial (PR) 40%; remoção leve (MR) 30% e sem alteração (NC) 20%.  Esses  resultados  mostram  que  houve  algum  tipo  de  efeito  em  16  casos,  o  que  corresponde a 80% dos 20 casos analisados. Entre esses casos, dois pacientes tiveram  cura total e eles continuam vivos após três anos e meio da terapia, em plena atividade. O tratamento do câncer foi agilizado com a introdução do segundo aparelho A hipertermia geral à base de raios infravermelhos longos, realizada no Hospital Luka,  registrou um número de 160 pacientes e 900 seções concluídas, em janeiro de 1995 (Ano  7 da era Heisei). Em razão da expectativa de um efeito ainda maior quando o tratamento  é  continuado, os  pacientes  que apresentaram  resultados positivos  no  primeiro  ciclo de  tratamento foram submetidos ao segundo ciclo, com um intervalo de dois meses entre o  primeiro e o segundo.
  • 60. 60  Mesmo  para os  pacientes submetidos ao primeiro  ciclo,  que não  apresentaram  efeitos  palpáveis, planejamos um segundo ciclo depois de conversarmos atentamente com eles.  Alguns pacientes já chegaram a receber dez ciclos de tratamento.  Para os pacientes de câncer terminal, uma espera de três a seis meses é uma condição  extremamente cruel. Evidentemente, existiram casos em que não foi possível aplicar a  terapia  em  tempo  hábil  e,  outros  em  que  o  paciente  ficou  debilitado  fisicamente,  sem  possibilidade de receber o tratamento.  Para  resolver  esses  problemas,  não  havia  outra  alternativa  além  de  adquirir  urgentemente  um  segundo aparelho. Tomada a  decisão, os médicos e  as  enfermeiras  que trabalhariam exclusivamente com o aparelho aquecedor foram treinados, e iniciamos  a ação rumo à instalação do aparelho nº 2.  A partir do final de maio de 1995, um novo aparelho de modelo mais recente juntou­se ao  existente e está demonstrando o seu poder de tratamento do câncer terminal no Hospital  Luka.  O procedimento de tratamento do segundo aparelho é idêntico ao do primeiro; contudo,  baseando­se  na  experiência  de  quatro  anos,  estamos  procurando  aplicar  um  tipo  de  terapia que não prejudique o paciente.  Por  exemplo,  foram  introduzidos  aperfeiçoamentos  no  método  de  anestesia  e  conseguimos avanços ainda maiores. A mesma iniciativa foi tomada para a transfusão de  sangue  e  oxigenação  realizadas  durante  a  terapia,  em  que  procuramos  incorporar  ativamente o método terapêutico que utiliza simultaneamente a técnica de hiperglicemia e  hiperoxigenação,  aproveitando  a  experiência  alemã  no  campo  de  hipertermia  geral  à  base de raios infravermelhos longos. O novo aquecedor contém aperfeiçoamentos no seu  desempenho  e  é  mais  leve  e  compacto.  Para  adaptarmo­nos  a  essas  melhorias  introduzidas,  pretendemos  planejar  um  sistema  computadorizado  que  demonstre  confiabilidade e segurança cada vez maiores.  Estamos empenhados também no estudo do intervalo entre o primeiro e o segundo ciclo  de  tratamento  e  a  aplicação  de  outras  terapias  paralelas  durante  esse  intervalo  (quimioterapia,  imunoterapia  e  outras).  Estamos  também  canalizando  nossos  esforços  para o aperfeiçoamento dos exames realizados antes e depois da terapia, na análise da  inadequação da terapia e no abrandamento de suas condições, entre outros.  Um fator ainda mais importante é a relação entre o quadro da doença e a data e o horário  da terapia. Estamos planejando uma maneira de submeter o paciente à terapia o mais  breve  possível  depois  de  sua  inscrição,  para  evitar  situações  que  impossibilitem  a  realização dessa terapia em tempo hábil, por causa do agravamento do quadro clínico do  paciente depois da inscrição.  Atualmente, em razão da impossibilidade de conseguirmos a cobertura do seguro­saúde,  a hipertermia geral é considerada como uma consulta geral.
  • 61. 61  Capítulo 3  Elimina a dor e prolonga a sobrevida. Uma apresentação de casos reais destacando apenas
  • 62. 62 Recuperado do câncer de pulmão que não havia chance de cirurgia Existem muitos casos de câncer, diagnosticados como aqueles sem a possibilidade de  intervenção por meio de cirurgia, e que apresentam melhoras em virtude da hipertermia,  ou  ainda,  casos  de  pacientes,  cuja  sobrevida  anunciada era  de  três  meses  e  viveram  mais de cinco anos. Neste capítulo, vamos apresentar alguns desses casos.  Inicialmente, será apresentado o depoimento de um paciente, Sr. Marunaka Maruo (nome  fictício), que se recuperou do câncer pulmonar com a calcificação do câncer depois de  ser submetido ao tratamento por hipertermia geral na Faculdade Feminina de Medicina  de Tokyo.  "Tenho 28 anos de idade e sou funcionário de uma empresa. A minha estatura é 1,75 m e o peso  atual 53 kg. Em maio de 1987 (Ano 62 da Era Showa), sentia um cansaço geral no corpo e fiz um  exame médico na empresa. Naquela ocasião, disseram­me que havia uma mancha no pulmão. Fui  orientado pelo médico da enfermaria da empresa para fazer exames mais acurados e, em junho,  marquei uma consulta no departamento de cirurgia de uma faculdade particular.  O diagnóstico  indicou um tumor no mediastino e fui internado imediatamente (figura 28). Fui operado no dia 7  de agosto,  mas  não foi possível extrair o tumor.  Foi retirada uma parte do tecido afetado para  analisar a presença de células cancerosas, esse exame é denominado biópsia. Disseram­me que  era câncer do nervo e saí da internação sem ter feito mais nada.  Posteriormente, ouvi dizer que talvez a hipertermia geral pudesse trazer algum resultado. Fiquei  internado no Departamento de cirurgia I da Faculdade Feminina de Medicina de Tokyo,  sendo  submetido a quatro seções de terapia. Haviam dito para mim que depois de uma hipertermia o  paciente  ficava  exausto,  em razão  do  desgaste  físico;  contudo,  talvez em  razão  de  eu  ser  mais  jovem, senti que a terapia havia sido tranqüila.  Graças a essa hipertermia, a mancha do pulmão diminuiu um pouco e a célula cancerosa começou  a calcificar.  Como houve uma melhora considerável depois de um ano, fiz uma nova cirurgia em junho de 1988  (Ano 63 da Era Showa) e nessa ocasião foi retirado o câncer que havia na parte posterior da  cavidade torácica direita. O câncer havia calcificado e estava duro como uma pedra (figura 29).  Esta parte foi observada com um microscópio para uma análise patológica e não foi constatado  nenhum tecido maligno. Ou seja, não foi encontrado nenhum resquício do câncer (figura 30). Já se  passaram sete anos depois disso e continuo vivendo com saúde."
  • 63. Capítulo 3 ­ Elimina a dor e prolonga a sobrevida. Uma apresentação de casos reais  63  Figura 28 ­ Tumor no mediastino posterior/ sexo masculino, 28 anos  Figura 29 ­ Amostra da biópsia do caso acima
  • 64. 64  Figura 30 Tecido canceroso da figura 28 (imagem do tumor no mediastino posterior, não há  presença de tecido maligno e existe somente calcificação e fibrose) A terapia à base de raios infravermelhos longos foi eficaz no combate à metástase do adenoma do tórax nos dois pulmões Em  seguida,  vamos  apresentar  os  depoimentos  do  Sr.  Marukakari  Maruyori  (nome  fictício, sexo masculino, 65 anos), que foi submetido à hipertermia geral à base de raios  infravermelhos  longos  no  Hospital  Luka,  e  de  sua  esposa.  Havia  a  metástase  do  adenoma nos dois pulmões e a hipertermia geral foi iniciada a partir do dia 5 de setembro  de1992. o Depoimento do paciente  "O  adenoma  do  tórax  foi  diagnosticado  em  1991,  no  Hospital  K.,  onde  fui  informado  que  a  cirurgia  era  impossível  em  função  de  o  câncer  ser  muito  próximo  da  artéria.  Fui  internado  e  submetido ao tratamento à base de drogas anticancerígenas, mas esse tratamento foi interrompido  em  abril.  Informaram­me  no  hospital  que  o  tratamento  com  essas  drogas  não  poderia  ser  prosseguido por causa da redução de glóbulos brancos e tive que retornar para a minha casa.  O médico responsável pelo meu tratamento disse: “Agora você deve curtir a vida.”  A minha esposa havia sido notificada que eu viveria mais três meses. “Por favor, deixe­nos usar a  vacina Maruyama.”, suplicou assim a minha esposa.
  • 65. Capítulo 3 ­ Elimina a dor e prolonga a sobrevida. Uma apresentação de casos reais  65  “A vacina Maruyama,  da Faculdade de Medicina Nihon, não é reconhecida pelo Ministério da  Saúde e, além disso, esse hospital pertence à corrente da Faculdade T.”.  Essa foi a resposta seca dada pelo médico." o Depoimento da esposa  "Desde  então,  visitamos  todos  os  grandes  hospitais  de  Tokyo,  sem  obter  sucesso.  Por  fim,  resolvemos optar pela hipertermia geral, apoiando­nos no livro do Prof. Dr. Masayoshi Yokoyama,  da Faculdade Feminina de Medicina de Tokyo.  De setembro de 1991 a fevereiro de 1993, o meu marido foi submetido a cinco ciclos de tratamento  no Hospital Luka. Durante  esse período  de  tratamento,  visitamos  o  Hospital  K.,  que  havia  me  notificado que o meu marido viveria somente até o final de 1991. “Que bom o senhor conseguir vir  andando”, disse o médico.  Ao ouvir essas palavras, falei sobre a hipertermia geral.  “Se vocês acham que isso cura o câncer, que se faça a hipertermia ou qualquer outra coisa.”  Fomos repreendidos dessa maneira por um dos médicos, que nem havia sido o médico responsável  pelo  meu  marido.  Desde  esse  incidente,  cortamos  totalmente  relações  com  o  Hospital  K.,  e  apostamos tudo nos medicamentos homeopáticos e na hipertermia.  O meu marido lutou de forma positiva para poder eliminar o câncer. Em abril de 1993, ele sofreu  uma oclusão intestinal e teve que ser internado. Teve alta no outono do mesmo ano e até hoje vive  normalmente morando em nossa casa. Todos os dias de manhã ele lê o jornal, de ponta a ponta,  come bem nas três refeições e não apresenta nenhum sofrimento ou dores. A única ressalva é a  preocupação com a evacuação por causa do ânus artificial." Leva uma vida saudável mesmo depois de ter extraído o pâncreas e o baço O próximo depoimento é do Sr. Maruuchi Maruji (nome fictício, sexo masculino, 62 anos).  No caso do Sr. Maruuchi, o câncer do estômago que tinha se infiltrado no esôfago havia  sido diagnosticado como câncer do esôfago, e ele foi submetido a uma toracotomia. Mas  isso  havia  provocado  hepatite  de  soro  sangüíneo  por  causa  da  transfusão  durante  a  cirurgia.  "Em  maio  de  1991 (Ano 3 da  Era  Heisei),  fui  notificado que  estava  com câncer  do  esôfago,  e  submetido à cirurgia. No entanto, o câncer não era de esôfago e sim do estômago. O câncer do  estômago havia se infiltrado até o esôfago. Foi feita a toracotomia e retirados o pâncreas e o baço.  “O câncer foi quase todo retirado, mas tenho quase certeza que isso voltará. É melhor receber o  tratamento por hipertermia”, disse o médico responsável.  Seguindo essa recomendação, fiz um ciclo de tratamento por hipertermia geral.  Graças à essa terapia, não tenho mais sintomas, como vômito, por causa de engasgamentos no  esôfago, ou como ficar longas horas sem poder me alimentar, e ainda hoje gozo de boa saúde.  Faz  quatro  anos  que  fui  operado.  Tive  também  hepatite  C  por  causa  da  transfusão  de  sangue  depois  da  cirurgia,  que  hoje se  transformou  em  hepatite  crônica,  mas  por  meio  de injeções  de
  • 66. 66  interferon (trata­se de um medicamento que havia criado a expectativa de cura do câncer, mas não  foi possível identificar  nenhum efeito para essa finalidade e vem  chamando a atenção pelo seu  efeito terapêutico contra a hepatite virótica), isso vem melhorando.  Se eu não tivesse feito essa terapia ... ao pensar nisso, tenho a sensação de aperto no coração.  Baseado nessa minha experiência, tenho recomendado a hipertermia a todos." Desapareceram as dores causadas pelo câncer que não tinha a possibilidade de cirurgia Existem  alguns  casos  em  que  uma  grande  melhora  foi  observada  com  o  tratamento  hipertérmico  geral  à  base  de  raios  infravermelhos  longos  no  combate  ao  câncer  considerado difícil e sem possibilidade de intervenção cirúrgica.  O Sr. Maruuchi Maru (nome fictício, sexo masculino, 69 anos) apresentava dores no peito  do lado direito e recebeu o diagnóstico de adenocarcinoma do hilo pulmonar direito e foi  internado no Hospital K. Ao serem observadas as imagens da radiografia, foi concluído  que existia uma infiltração no ventrículo direito e na veia cava superior e disseram que  não  haveria  possibilidade  de  cirurgia  com o  argumento  de  que foi  constatada também  uma pleurite tumoral.  No  Hospital  K.,  o  paciente  foi  submetido  a  dois  ciclos  de  quimioterapia,  mas  não  foi  constatado nenhum efeito. Nessa ocasião, o Sr. Maruuchi candidatou­se para receber a  hipertermia geral.  No dia 6 de dezembro de 1993, o Sr. Maruuchi compareceu ao Hospital Luka, munido de  uma carta de encaminhamento para fazer a consulta. Entretanto, por causa da febre e de  vômitos sucessivos, em decorrência dos efeitos colaterais das drogas anticancerígenas  ministradas, tornou­se inevitável adiar o início da hipertermia geral programado para o dia  seguinte.  O tratamento do Sr. Maruuchi foi iniciado no dia 27 de dezembro, três semanas depois da  primeira consulta. A partir do primeiro ciclo de tratamento, foi possível recuperar o apetite  do paciente e a dor do lado direito do peito havia desaparecido.  Posteriormente, foi realizado um segundo ciclo, no período de 10 a 31 de março de 1994,  mas não foi observada nenhuma melhora significativa nos exames do raio X e tomografia  computadorizada do tórax, embora a tosse e as dores haviam desaparecido e o apetite  aumentado, apresentando uma melhora geral do estado físico. Diante disso, existia uma  expectativa em torno do terceiro ciclo.  Entretanto,  o  Sr.  Maruuchi  teve  de  ser  internado  no  Hospital  K.,  em  razão  da  doença  abdominal aguda e o terceiro ciclo de tratamento, que estava programada para o período  de 1º a 8 de junho de 1994 teve de ser cancelada. Esse terceiro ciclo foi realizado entre  os dias 13 de agosto e 3 de setembro quando o paciente havia se recuperado.  Neste intervalo de tempo, o Sr. Maruuchi não havia reclamado de nenhum problema e os  sintomas de dor de barriga e de diarréia haviam desaparecido. Paralelamente, a dor no  peito  também  havia  desaparecido  a  ponto  de  não  necessitar  mais  da  injeção  de  analgésicos. O Sr. Maruuchi estava prestes a enfrentar o quarto ciclo de tratamento.
  • 67. Capítulo 3 ­ Elimina a dor e prolonga a sobrevida. Uma apresentação de casos reais  67  O marcador tumoral registrou índices normais durante o quarto ciclo. Foi constatada uma  leve anemia, mas os resultados apresentados no exame de sangue foram normais.  O marcador tumoral é uma substância que efetua o prognóstico do avanço do câncer, por  meio de valores observados no sangue. Essa substância é uma proteína especial que  contém  glicose.  A  primeira  descoberta  dessa  substância  ocorreu  em  1956.  Esta  foi  identificada dentro do soro sangüíneo e denominada de AFP.  Posteriormente, outros tipos de marcadores tumorais foram descobertos além do AFP e a  partir do conhecimento dos valores de cada tipo de marcador tumoral no sangue, tornou­  se possível identificar o tipo de câncer original e a existência da metástase.  Na  maioria  dos  casos  de  metástase,  principalmente,  a  previsão  pode  ser  feita  mais  rapidamente por meio de marcadores tumorais do soro sangüíneo do que pelas imagens  de  radiografia  ou  tomografia  computadorizada.  Alguns  pacientes  submetidos  à  quimioterapia chegam a pular de alegria a cada evolução do marcador tumoral. O câncer do pulmão e a metástase apresentaram melhoras com o tratamento à base de raios infravermelhos longos O  Sr.  Maruhara  Maruo  (nome  fictício,  sexo  masculino,  59  anos)  também  apresentou  melhoras  no  câncer  do  pulmão,  para  o  qual  era  considerado  impossível  efetuar  uma  cirurgia, com a hipertermia geral à base de raios infravermelhos longos.  Em abril de 1994 (Ano 6 da Era Heisei), o Sr. Maruyama estava sofrendo de um ataque  de tosse e dor nas  costas  e foi fazer  uma  consulta no Hospital Universitário  G.  Nessa  ocasião, o paciente foi comunicado que o câncer do pulmão direito havia evoluído para os  dois  pulmões  em  forma  de  metástase  múltipla,  e  foi  submetido  à  quimioterapia  e  radioterapia.  A  quantidade  de  aplicação  de  raios  radioativos  foi  de  30Gy  (grays).  Normalmente,  a  radioterapia é aplicada em unidades de 30 grays e unidades maiores do que esse valor  são consideradas prejudiciais ao corpo humano.  Depois de dois meses desses tratamentos, o Sr. Maruhara sentiu uma forte dor na região  lombar e, ao ser submetido a um exame mais minucioso, foi constatada metástase nos  ossos.  O caso foi considerado sem possibilidade de cirurgia, e o Sr. Maruhara compareceu ao  Hospital  Luka,  no  dia  22  de  setembro  do  mesmo  ano,  encaminhado  pelo  Hospital  Universitário G. Por meio da tomografia computadorizada torácica, foram encontrados o  câncer do pulmão direito e vários focos de metástase.  Um mês depois de comparecer ao hospital, o Sr. Maruhara foi submetido ao primeiro ciclo  de tratamento. Depois disso, foi aplicado o segundo ciclo entre os dias 5 de janeiro e 2 de  fevereiro de 1995  (Ano 7 da  Era Heisei),  quando  melhorou da tosse e da  dor  do lado  esquerdo  das  costas;  contudo  a  dor  da  parte  superior  direita  do  abdome  não  havia  desaparecido e foi­lhe ministrado um analgésico. O apetite também não foi recuperado
  • 68. 68  satisfatoriamente  e  a  expectativa  estava  sendo  depositada  no  terceiro  ciclo  de  tratamento.  Depois do segundo ciclo de tratamento, ele disse: “Fiquei contente por terem diminuído a  tosse e a dor nas costas. Acredito que me sentirei melhor fisicamente quando aumentar o  apetite.  Seria  melhor  ainda  se  eu  não  precisasse  tomar  analgésicos.  Com  tudo  isso,  descobri que a ganância do ser humano não tem fim.” Viveu mais de um ano depois de ter sido comunicado que a sobrevida era de três meses Existem muitos pacientes que foram diagnosticados com sobrevida de dois ou três meses  e que viveram por mais um ou até três anos depois de serem tratados pela hipertermia  geral. A Sra. Marumoto Maruko (nome fictício, sexo feminino, 43 anos) é uma delas.  Em junho de 1993 (Ano 5 da Era Heisei), ela teve uma hemorragia do útero e fez uma  consulta no Departamento de ginecologia do Hospital Universitário K. O exame revelou  que  ela  tinha  um  câncer  no  cérvix  e  foi  submetida  à  cirurgia.  Posteriormente,    foram  aplicadas a quimioterapia e radioterapia no período entre 13 de julho e 24 de agosto.  Porém,  ela  acabou  tendo  complicações  posteriores,  sofrendo  também  de  peritonite  cancerosa  e,  em  conseqüência  disso,  de  oclusão  intestinal  (íleo).  Em  virtude  da  impossibilidade  de  defecação,  teve  que  ser  introduzida  uma  sonda  ileostônica  para  a  retirada de gases. A Sra. Marumoto recebeu também uma sonda para que o suco gástrico  fosse drenado. A função renal também estava debilitada.  Ela  havia  ouvido  o  seguinte  comunicado  do  seu  médico  responsável,  do  Hospital  Universitário K.: “A sua sobrevida será de dois ou três meses.”  Foi nessa ocasião que a Sra. Marumoto decidiu pela hipertermia geral, mas nessa época  o  Hospital  Luka  estava  atendendo  inúmeros  pedidos  de  interessados,  que  souberam  dessa terapia pela televisão, e não havia previsão de quando ela poderia ser atendida.  O marido da Sra. Marumoto explica como era a situação da época:  “Antes  da  entrevista  individual,  o  hospital  realizava  uma  palestra  explicativa  sobre  a  terapia,  reunindo  inicialmente  de  cinco  a  dez  interessados.  Quando  participei  dessa  palestra,  fiquei  surpreso  ao  saber  que  a  maioria  dos  pacientes  ali  presentes  havia  recebido  tratamentos  em  universidades e hospitais integrados de renome e que esses pacientes haviam sido comunicados  para retornar a suas casas e passar os dias tranqüilos com a família, pois não havia mais nada  que poderia ser feito em termos de tratamento. Todos nós estávamos sofrendo com essa situação.  Voltar  para  casa  agora  só  traria  problemas  e  estávamos  à  procura  de  alguma  alternativa que  pudesse  ser  a  nossa  salvação.  Foi  quando  nos  deparamos  com  a  notícia  sobre  a  hipertermia,  veiculada pela televisão e jornais. Soube que todas as pessoas presentes na palestra haviam visto  esses noticiários e tiveram na hora uma reação: “é isto!”, inscrevendo­se imediatamente depois no  Hospital Luka. Fiquei surpreso com a semelhança da reação de todos os participantes.”  A  Sra.  Marumoto  continuou  o  tratamento  de  quimioterapia  e  radioterapia  no  hospital  universitário e  continuou com  o tubo inserido no  íleo. No  Hospital  Luka,  ela  estava na  enfermaria e foi submetida ao tratamento por hipertermia geral.
  • 69. Capítulo 3 ­ Elimina a dor e prolonga a sobrevida. Uma apresentação de casos reais  69  A terapia aplicada no Hospital Luka foi a seguinte:  De 13 de maio a 3 de junho de 1994, houve o primeiro ciclo de tratamento (recebeu a  equipe de reportagem de uma emissora de televisão).  De 5 de agosto a 26 de agosto de 1994, o segundo ciclo de tratamento.  De 28 de outubro a 18 de novembro de 1994, o terceiro ciclo de tratamento.  Com esses tratamentos, a Sra. Marumoto continua vivendo dois anos depois de ter sido  notificada  que  sua  sobrevida  seria  de  dois  ou  três  meses.  Acreditamos  que  esse  prolongamento  da  sobrevida  da  Sra.  Marumoto  deve­se  claramente  aos  efeitos  da  hipertermia geral. “Tenho a sensação real de ter recebido uma nova vida.” O  Sr.  Kimaru  Masamaru  (nome  fictício,  sexo  masculino,  57  anos)  também  é  outro  paciente que teve maior sobrevida graças à hipertermia geral depois de ter sido notificado  que viveria apenas mais dois ou três meses.  O Sr. Kimaru estava preocupado com a perda de apetite que vinha ocorrendo há dois  meses e procurou o Hospital Universitário K., em abril de 1994. O diagnóstico revelou o  câncer  da parte posterior  do  pâncreas.  Nessa  ocasião,  já  havia  metástase  múltipla no  fígado e foi comunicado que não haveria possibilidade de ser efetuada a cirurgia.  No Hospital Universitário K., ele foi submetido à quimioterapia, com a administração de  um  supositório  com uma  droga anticancerígena uma vez  ao dia,  e infusão  do  soro de  nutrição parenteral por veia central (IVH). O paciente não conseguia engolir a saliva e a  soltava pela boca. Em duas semanas de internação, o peso corporal, que era de 80 kg,  caiu para 60 kg.  “Sobrevida de dois ou três meses.”, foi avisado por seu médico responsável.  O Sr. Kimaru compareceu ao Hospital Luka no dia 16 de junho de 1994 (Ano 6 da Era  Heisei) para fazer uma consulta. Do dia 8 de agosto a 29 de agosto, ele foi submetido ao  primeiro ciclo de hipertermia geral no Hospital Luka e o quadro apresentou uma melhora  surpreendente.  Depois da terapia, o Sr. Kimura começou a passar mais tempo de pé, a fraqueza da parte  abdominal foi reduzida, o apetite e o ânimo aumentaram.  “Realmente eu sinto que ganhei uma nova vida.”, dizia ele, emocionado.  Entre os dias 14 de novembro e 5 de dezembro do mesmo ano, o paciente foi submetido  ao  segundo  ciclo  de  tratamento.  Antes  desse  segundo  ciclo  de  hipertermia  geral,  o  quadro do Sr. Kimaru havia melhorado muito e, no final de setembro, o soro de nutrição  parenteral por veia central (IVH) havia sido retirado. A dor de barriga e a diarréia, as quais  até então sofria com freqüência, haviam melhorado.  Recebemos  uma  carta  de  agradecimento,  que  dizia:  “Agradecemos  profundamente  a  melhora dos sintomas que surpreendeu até o próprio paciente.”  Era  do  médico responsável pelo paciente, do Hospital  Universitário  K. Apesar  disso,  o  exame  de  tomografia  computadorizada  da  parte  abdominal  revelou  que  não  havia
  • 70. 70  provocado  nenhuma  alteração  do  tumor  desde  o  quadro  verificado  no  dia  22  de  setembro, e ainda, foram observadas metástases em diversos pontos do fígado.  O terceiro ciclo de tratamento foi iniciado a partir do dia 8 de fevereiro de 1995 (Ano 7 da  Era Heisei). Foi observada a presença de um edema na coxa e o paciente estava com  dificuldade  de  respiração,  mas  a  dor  de  barriga  havia  desaparecido.  Não  foram  constatadas alterações no resultado do exame de tomografia computadorizada abdominal  e o peso corporal subiu para 75 kg. O paciente pôde voltar a uma alimentação normal.  “Graças ao tratamento, houve uma melhora significativa na QOL (qualidade de vida).”  Recebemos  mais  uma  carta  de  agradecimento  com  os  dizeres  acima,  do  médico  responsável pelo paciente.  O próprio Sr. Kimaru estava esperançoso em receber o quarto ciclo de hipertermia geral.  A  sobrevida,  que  seria  de  três  meses,  já  tinha  ultrapassado  oito  meses  e  o  Sr.  Kimaru  vinha  demonstrando  muita  vontade  de  viver  e  chegou  até  a  publicar  uma  coletânea de fotos, que ele considerava ser o trabalho mais importante da sua vida. Com dois ciclos de tratamento à base de raios infravermelhos longos melhorou o câncer do estômago e a oclusão intestinal Existe um outro caso assim: a Sra Amaharu Sadamaru (nome fictício, sexo feminino, 65  anos) teve câncer do estômago, o qual atingiu o intestino grosso, provocando repetidas  vezes  a  oclusão  intestinal.  Foi  informada  de  que  a  sobrevida  seria  de  dois  meses  e,  depois de dois ciclos de hipertermia geral retornou triunfante à sua casa no décimo mês.  A Sra. Amaharu havia sido operada de câncer precoce no estômago em 1988 (Ano 63 da  Era  Showa).  Posteriormente,  sofreu  a  metástase  do  cólon  signóide  e  foi  submetida  à  operação desse mal em 1990 (Ano 2 da Era Heisei). O cólon signóide fica localizado na  parte  inferior esquerda do abdome e  seu  nome é  proveniente  da curva  em S formada  pelo  intestino  grosso,  sendo  considerada  uma  das  partes  que  apresenta  tendência  ao  câncer.  As  condições  físicas  da  Sra. Amaharu não  eram  boas  após  a  operação do  câncer  do  cólon signóide e, além disso, de 1990 (Ano 2 da Era Heisei) a março de 1994 (Ano 6 da  Era Heisei), teve oclusão intestinal três vezes, mas não havia sido operada.  A paciente ficou internada durante dois meses no Hospital Universitário J. e foi submetida  a exames. Após o resultado dos exames, comunicaram­lhe que se tratava de câncer do  peritônio  posterior  e  que  a  oclusão  intestinal  tinha  sido  causada  pela  recorrência  do  câncer do cólon signóide. Foi informada também que a sobrevida seria de dois meses.  Ela não tinha apetite e estava muito fraca. Chegou ao Hospital Luka em uma ambulância  e foi internada no mesmo dia.  A hipertermia geral aplicada na Sra. Amaharu e sua recuperação foram as seguintes:  No  período  entre  1º  de  setembro  e  6  de  outubro  de  1994  (Ano  6  da  Era  Heisei),  foi  aplicada  um  primeiro  ciclo  de  tratamento.  Simultaneamente,  foi  aplicada  a  vacina
  • 71. Capítulo 3 ­ Elimina a dor e prolonga a sobrevida. Uma apresentação de casos reais  71  Maruyama, o soro de nutrição parental por veia central. Depois do primeiro ciclo, haviam  melhorado a ascite e o hidrotórax.  No  terceiro  mês, foi aplicada um segundo  ciclo e, a  cada  seção, o apetite  aumentava  visivelmente. No final do segundo ciclo, o apetite havia voltado ao normal. Paralelamente,  a anemia também havia desaparecido e a condição física geral melhorada.  No dia em que a paciente recebeu alta, nem parecia aquela pessoa que havia chegado  em uma ambulância. Ela tinha ido a um salão de beleza e cortado os cabelos e havia  rejuvenescido  muito. A  Sra. Amamaru  entrou  no  carro  junto  com  o  marido  e  a filha  e  voltou sorridente e triunfante para casa, aguardando ansiosamente ao terceiro ciclo de  tratamento, previsto para dois meses depois. Desapareceu totalmente a metástase do câncer no intestino grosso Em  seguida,  vamos  apresentar  o  caso  do  Sr.  Komaru  Marusen  (nome  fictício,  sexo  masculino, 67 anos), que lutou contra a metástase do pulmão e do osso, causada pelo  câncer no intestino grosso e que conquistou a vitória com o desaparecimento total desses  males.  No dia 4 de junho de 1990 (Ano 2 da Era Heisei), o Sr. Komaru havia sido operado de  câncer do cólon signóide no Hospital F. No dia 14 de novembro de 1991 (Ano 3 da Era  Heisei), foi descoberto que o câncer havia atingido o pulmão e os ossos, e o paciente  estava sendo submetido à quimioterapia.  O médico do Hospital F., responsável pelo paciente, tomou a seguinte decisão:  “Diante da situação, o tratamento recomendado é a hipertermia geral.”  O  Sr.  Komaru  compareceu  ao  Hospital  Luka  munido  da  carta  de  apresentação  desse  médico responsável.  O Sr. Komaru retornou aos seus trabalhos normais de dentista depois de ser submetido  ao primeiro ciclo de hipertermia geral à base de raios infravermelhos longos, entre os dias  15 de fevereiro e 8 de agosto de 1992 (Ano 4 da Era Heisei). Posteriormente, diante da  recomendação de sua família, submeteu­se ao segundo ciclo, do dia 17 de maio a 7 de  junho de 1993 (Ano 5 da Era Heisei). Durante esse período, foi efetuado um exame no  Centro  Nacional  do  Câncer  e  este  exame  confirmou  que  o  câncer  havia  sido  curado  totalmente.  “Estou  em  repouso  na  minha  casa,  mas  pouco a  pouco  estou  começando  a voltar ao  trabalho.”  Era a voz animada do Sr. Komaru ao telefone, que havia ligado para nós no dia 13 de  junho  de  1994  (Ano  6  da  Era  Heisei).  O  exame  realizado  posteriormente  também  no  Centro Nacional do Câncer revelou que não apresentava nenhum problema de metástase  nos ossos.  Com a ajuda da hipertermia geral, o Sr. Komaru havia vencido a batalha de sete anos  desde que o câncer foi descoberto, lutando contra a doença sem ter parado de trabalhar.
  • 72. 72  Em  nossos  corações,  temos  um  grande  sentimento  de  respeito  pelo  seu  espírito  de  bravura e perseverança.  Foi  um  caso  de  tratamento  que  nos  trouxe  o  seguinte  ensinamento:  a  aplicação  da  hipertermia  geral  à  base  de  raios  infravermelhos  longos  no  momento  adequado  e  na  quantidade adequada abre caminho para salvar o paciente do câncer, além de melhorar a  sua qualidade de vida. O câncer da próstata desapareceu completamente com o tratamento à base de raios infravermelhos A exemplo do Sr. Komaru, o caso do Sr. Marui Marumitsu (nome fictício, sexo masculino,  77  anos)  é  outro  exemplo  do  resultado  positivo  obtido  pela  hipertermia  geral  com  a  eliminação total do câncer.  O Sr. Marui foi submetido à operação da próstata em 1978 (Ano 53 da Era Showa), no  Hospital S. Do ponto de vista patológico, o câncer identificado na próstata era de grau  histológico altamente invasivo, mas o diagnóstico revelou tratar­se de câncer em estado  inicial.  Em  1986  (Ano  61  da  Era  Showa),  o  câncer  havia  voltado  e  o  paciente  ficou  sob  observação.  A  partir  de  1989,  apareceram  os  sintomas  de  fezes  sanguinolentas  e  de  hipertrofia da próstata e, no ano seguinte, o Sr. Marui foi submetido a exames por causa  de  dores  na  parte  inferior  do  abdome,  ocasião  em  que  foi  encontrado  o  câncer  da  próstata de grau moderadamente invasivo. Além disso, foi descoberto um pólipo no cólon  signóide e o paciente foi submetido à cirurgia para removê­lo.  Com esses antecedentes, o Sr. Marui compareceu ao Hospital Luka, demonstrando um  forte interesse pela hipertermia geral.  De 13 de julho a 3 de agosto de 1991 (Ano 3 da Era Heisei), foi realizado o primeiro ciclo.  De 6 de agosto a 1º de outubro de 1991 (Ano 4 da Era Heisei), o segundo.  Pela  aplicação  desses  tratamentos,  o  câncer  foi  considerado  totalmente  extinto  e  atualmente o Sr. Marui trabalha ativamente como presidente de uma empresa.  No questionário que foi realizado três anos depois do tratamento, datado de novembro de  1994 (Ano 6 da Era Heisei), o Sr. Marui respondeu:  “Apetite excelente. Não há dores no corpo e a qualidade de vida é a melhor possível. Faz  treze anos que tive câncer, mas não sinto nada de anormal e estou com muita saúde.”  Além da hipertermia geral, o Sr. Marui segue a terapia linfocitária, que é uma espécie de  imunoterapia,  e  dieta  alimentar  para  conseguir  uma  grande  vitória,  lutando  contra  o  câncer com bravura. O câncer terminal do estômago melhorou com apenas um ciclo de tratamento Vamos apresentar um outro caso importante de superação do câncer.
  • 73. Capítulo 3 ­ Elimina a dor e prolonga a sobrevida. Uma apresentação de casos reais  73  Trata­se do caso do Sr. Shiromaru Shigemaru (nome fictício, sexo masculino, 37 anos),  que havia feito uma endoscopia do estômago através da qual foi identificado o câncer  terminal  desse  órgão caracterizado  como  Bormann  IV na terminologia técnica.  O  caso  desse paciente havia sido diagnosticado como câncer sem possibilidade de cirurgia.  O  Sr.  Marui  foi  submetido  à  laparotomia  exploratória  e,  em  vez  de  ser  removido  o  estômago, foi injetada uma droga anticancerígena na cavidade abdominal e com isso o  tratamento foi considerado encerrado.  Esse paciente compareceu ao nosso hospital, encaminhado pelo presidente da empresa  em  que  trabalhava.  Duas  semanas  depois  da  laparotomia  exploratória,  o  paciente  foi  submetido ao primeiro ciclo de hipertermia geral. Em virtude da distância de sua casa até  o  hospital,  foram  realizadas  duas  seções  por  semana  em  vez  de  uma,  que  é  o  procedimento normal, e o ciclo foi concluído em duas semanas.  A primeira vez que o Sr. Marui esteve no Hospital Luka, o seu estado físico estava tão  debilitado que precisava de ajuda de uma enfermeira para subir a escada até a sala de  terapia, localizada no segundo andar. Entretanto, no segundo dia da primeira seção de  terapia, já havia melhorado bastante a ponto de conseguir caminhar pela escada sozinho,  subindo três vezes até o terraço da cobertura do edifício e descendo uma vez até a sala  de espera do andar térreo. A recuperação foi tão boa que já conseguia subir a escada  para a sala de terapia do segundo andar, sem segurar o corrimão.  Além disso, no dia seguinte da segunda seção, o Sr. Shiromaru foi sozinho à barbearia.  No dia posterior a terceira seção, o paciente pediu uma autorização para passear com a  esposa e, para nossa surpresa, ele havia ido até o jóquei clube localizado no bairro de  Futyú e disse que ficou o dia inteiro deitado na grama, apreciando a corrida de cavalos,  que é  seu  passatempo favorito.  Na  quarta  seção,  ou  seja, quando concluiu  o primeiro  ciclo de tratamento, fez uma viagem para sua cidade natal.  Posteriormente,  recebemos  do  presidente  da  empresa,  que  havia  encaminhado  o  Sr. Shiromaru ao hospital, uma carta de agradecimento juntamente com a doação de uma  grande  quantia  para  o  nosso  grupo  de  pesquisa.  O  caso  do  Sr.  Shiromaru  pode  ser  considerado um exemplo raro dentro da nossa experiência como médicos. Recuperou a condição física que estava debilitada com o câncer do pulmão Tradicionalmente,  o  câncer  de  maior  incidência  entre  os  japoneses  é  o  câncer  de  estômago, mas, atualmente, o câncer do pulmão vem aumentando assustadoramente. O  seu crescimento é tão grande a ponto de haver uma previsão, indicando que a incidência  do  câncer  de  pulmão  deverá  ultrapassar  a  do  câncer  de  estômago  no  Século  21,  ocupando a primeira posição entre os tipos de câncer que atingem a população japonesa.  O fumo e a poluição atmosférica são considerados as principais causas e mais prováveis  desse aumento vertiginoso do câncer do pulmão.  No caso de  câncer do pulmão, existe a dificuldade de descobrir essa doença ainda em  sua fase inicial. Mesmo por meio de um exame de raio X, o seu diagnóstico é prejudicado
  • 74. 74  por causa da localização de algumas partes, na região de sombra do coração. Em virtude  disso, acaba sendo atrasado o início do tratamento, trazendo sofrimentos ao paciente.  Contudo, mesmo em casos de pacientes terminais de câncer de pulmão, a hipertermia  geral à base de raios infravermelhos longos pode proporcionar bons resultados. Vamos  apresentar a seguir alguns desses casos.  A Sra. Maruta Marumi (nome fictício, sexo feminino, 54 anos) fez um exame médico em  junho de 1993 (Ano 5 da Era Heisei) e o resultado revelou uma metástase do pulmão  esquerdo originário do câncer do pulmão direito. O quadro da paciente foi considerado  terminal e ela foi imediatamente internada para ser submetida à quimioterapia.  De agosto a meados de setembro, a paciente recebeu três ciclos de quimioterapia e os  exames de  raio X e  tomografias  computadorizadas torácicas efetuados  posteriormente  não revelaram alterações significativas no quadro nem metástases para outros órgãos. A  paciente teve alta em outubro.  A Sra. Maruta teve alta não em função da melhora do câncer do pulmão. O tratamento  havia sido interrompido por causa da determinação da paciente, que dizia: “Não quero  mais continuar a quimioterapia.”  Como  o  seu  estado  físico  havia  sido  deteriorado  por  causa  dos efeitos  colaterais  das  drogas  utilizadas  nessa  terapia  e  a  paciente  sofria  de  perda  de  apetite,  queda  dos  cabelos, insônia e um cansaço generalizado, ela não sabia mais o que fazer.  Os glóbulos brancos também diminuíram e, a uma certa época, chegaram ao valor de  1.600/mm 3  (o valor normal varia de 4.000/mm 3  a 9.000/mm 3  ).  Foi nessa  ocasião  que  seu  marido  conheceu a hipertermia  geral  pela televisão e teve  uma  reação  imediata:  “É  isto!”.  E  assim,  a  Sra.  Maruta  compareceu  ao  Hospital Luka  acompanhada de seu marido. Ela ainda não sabia que era portadora de câncer.  A Sra. Maruta foi submetida ao primeiro ciclo de tratamento no período entre os dias 4 de  junho a 23 de junho de 1994 (Ano 6 da Era Heisei), o segundo ciclo ocorreu entre os dias  19 de agosto e 9 de setembro, e o terceiro entre 25 de novembro e 16 de dezembro. Com  essas seções de terapia, a Sra. Maruta recuperou sua saúde a tal ponto que já conseguia  executar normalmente as atividades do lar.  “Antes  de  tudo,  a  inexistência  de  efeitos  colaterais  deixou­me  tranqüila.  Tenho  muito  apetite e desapareceram a tosse e o catarro.”, dizia a Sra. Maruta.  Em razão da excelente qualidade de vida, ela acha que a doença foi totalmente curada.  “Quero  fazer  o  quarto  ciclo,  o  quinto  e  assim  prosseguir  com  o  tratamento.  Se  for  possível, gostaria que diminuíssem o intervalo entre um ciclo e outro.”  Essas foram as suas palavras depois de receber esse tipo de tratamento. Desapareceu a dor nas costas provocada pelo câncer do pulmão Agora é o caso da Sra. Marumae Maruharu (nome fictício, sexo feminino, 39 anos), cuja  dor  nas  costas  causada  pelo  câncer  do  pulmão  desapareceu  no  segundo  ciclo  de  tratamento. Em agosto de 1993, a Sra. Marumae fez uma consulta reclamando de dor na
  • 75. Capítulo 3 ­ Elimina a dor e prolonga a sobrevida. Uma apresentação de casos reais  75  parte direita das costas. O exame de radiografia mostrou uma mancha circular na parte  superior do pulmão direito e ela foi submetida a exames mais rigorosos no Hospital W. O  diagnóstico baseado no resultado desses exames foi câncer do pulmão de Estádio III, e  ela  foi  submetida,  no  mesmo  hospital,  a  dois  ciclos  de  quimioterapia  e  também  à  radioterapia com 45 grays. Uma irradiação de 45 grays é um valor relativamente alto.  Posteriormente,  durante  o  período  de observação  no  Hospital W.,  o  marcador  tumoral  indicou uma tendência de aumento e suspeitou­se de uma metástase para outros órgãos  distantes.  Ela  não  apresentava  dores  latejantes,  mas  desconfiados  da  metástase  nos  ossos,  os  médicos  fizeram  um  exame  de  tomografia  computadorizada  e  cintilografia  óssea  (exame  para  verificar  se  os  isótopos  são  absorvidos  pelo  tecido  canceroso  formado nos ossos), e a metástase foi descoberta.  O  sintoma  que  a Sra.  Marumae  sentia  era  somente  a  dor  do  lado  direito  das  costas,  continuando  normais  o  apetite  e  o  sono  e  não  apresentava  cansaço  generalizado  do  corpo.  Ela  havia  tentado  outros  tratamentos  de  medicina  popular,  tais  como  a  vacina  Maruyama, saru no koshikake, kani pack e outros, mas não obteve nenhum resultado. A  paciente  compareceu  ao  Hospital  Luka,  encaminhada  pela  Faculdade  Feminina  de  Medicina de Tokyo.  No Hospital Luka, a Sr. Marumae foi submetida ao primeiro ciclo de hipertermia geral à  base de raios infravermelhos longos,  entre os dias 22 de setembro a 19 de outubro de  1994 (Ano 6 da Era Heisei). Três dias depois dessa terapia aliviou a dor nas costas e,  posteriormente, essa dor foi diminuindo.  A partir da terceira seção do segundo ciclo de tratamento, realizada a partir de janeiro de  1995 (Ano 7 da Era Heisei), a dor desapareceu e foi suspenso o uso do analgésico para a  Sra. Marumae, que estava sendo administrado até então. Em fase de observação depois da estagnação do câncer pulmonar Não houve propriamente a diminuição do câncer do pulmão, mas o câncer estabilizou­se  no terceiro ciclo de tratamento. Este é o caso da Sra. Marumura Maruyo (nome fictício,  sexo feminino, 67 anos).  A Sra. Marumura foi diagnosticada como portadora de câncer do pulmão, localizado no  lobo  superior  do  pulmão  direito,  e  foi  imediatamente  internada  para  ser  submetida  à  quimioterapia.  No  entanto,  a  quimioterapia  foi  suspensa  por  causa  dos  fortes  efeitos  colaterais, como a redução dos glóbulos brancos, queda de cabelos, etc.  Posteriormente,  ela  procurou  o  serviço  de  atendimento  da  Faculdade  Feminina  de  Medicina de Tokyo e, encaminhada por esta instituição, compareceu ao Hospital Luka.  Foi  efetuado  o  primeiro  ciclo  de  tratamento  no  período  entre  28  de  outubro  e  17  de  novembro de 1993 (Ano 5 da Era Heisei) e desapareceram a tosse e o catarro. Depois do  primeiro ciclo, foi feito um exame no dia 6 de dezembro, no qual foi detectada a presença  de  fibrose pulmonar  nos  dois  pulmões,  causada  pela  radioterapia  aplicada  no  hospital  anterior.
  • 76. 76  O segundo ciclo foi realizado entre 7 e 27 de janeiro de 1994 (Ano 6 da Era Heisei). No  exame  realizado  em  17  de  fevereiro,  a  paciente  apresentou  boas  condições  físicas  gerais, sem dores, tosse e catarro. No exame de tomografia computadorizada torácica, foi  constatado que o câncer havia diminuído em comparação com a situação de três meses  antes.  Ao terminar o terceiro ciclo, realizado entre 2 e 23 de março, a paciente mostrou maior  apetite, dormia bem e a defecação voltou ao normal. Aumentou também o peso corporal  e não apresentou efeitos colaterais. A paciente voltou a viver com mais ânimo.  Depois  de  terminado  o  terceiro  ciclo,  o  câncer  pulmonar  da  Sra.  Marumura  foi  considerado estável e agora ela está em fase de observação. Pelos exames torácicos de  raio  X  e  tomografia  computadorizada,  não  foi  constatada  a  evolução  do  câncer  do  pulmão, mas não podemos julgar que o câncer tenha diminuído, razão pela qual existe  uma expectativa em torno do próximo ciclo. A luta contra o câncer que se prolongou durante 9 anos Vamos observar agora o caso do Sr. Furumaru Tsugimaru (nome fictício, sexo masculino,  62 anos), que infelizmente veio a falecer depois de lutar 9 anos contra a doença.  O Sr. Furumaru contraiu câncer do pulmão em 1989 e foi submetido a quatro seções de  hipertermia  geral  pelo  método  de  circulação  extracorpórea  na  Faculdade  Feminina  de  Medicina de Tokyo. Havia recuperado temporariamente a saúde e voltado ao seu trabalho  com agricultura.  Contudo, em outubro de 1992 (Ano 4 da Era Heisei), voltou a apresentar os sintomas de  catarro com sangue e tosse e retornou à Faculdade Feminina de Medicina de Tokyo para  consultas.  O  câncer  do pulmão  direito havia  atingido  também  o  pulmão  esquerdo  e  a  sétima costela do lado direito. Além disso, foi constatado também que havia metástase  nos ossos do tornozelo esquerdo. Ele foi internado no Hospital Luka, encaminhado pela  Faculdade Feminina de Medicina de Tokyo.  Em janeiro de 1993 (Ano 5 da Era Heisei), o paciente foi submetido ao primeiro ciclo de  hipertermia geral e a dor do lado direito do peito desapareceu, mas, no final de fevereiro,  foi internado novamente por causa de dificuldade respiratória. Seu estado respiratório era  bastante grave e o exame de radiografia do tórax mostrou que estava totalmente “sem  pulmão”, razão pela qual a hipertermia geral foi adiada.  Entretanto, em março, o Sr. Furumaru veio a Tokyo pela terceira vez, demonstrando um  forte desejo de ser submetido à hipertermia geral. Em função disso, o segundo ciclo foi  aplicado entre os dias 22 de março e 25 de abril. Depois da terapia, o paciente retornou à  sua casa sem apresentar dificuldade de respiração e também sem tosse e catarro.  Depois de retornar à sua casa, o Sr. Furumaru estava dedicando­se à agricultura, mas,  quando o peso do corpo começou a diminuir, aumentando a tosse e catarro, retornou ao  Hospital  Luka  em  julho  e  foi  submetido  ao  terceiro  ciclo  do  dia  12  de  julho  até  6  de  agosto.
  • 77. Capítulo 3 ­ Elimina a dor e prolonga a sobrevida. Uma apresentação de casos reais  77  Posteriormente, retornou a seu lar com saúde, mas teve que ser internado pela quarta  vez, em 20 de outubro,  novamente por causa de dificuldade respiratória. A aplicação do  quarto ciclo ocorreu de 25 de outubro a 15 de novembro e nessa ocasião ele também  retornou à sua casa, tendo melhorado da dificuldade respiratória, dor no peito, tosse e  catarro.  Dessa forma, o Sr. Furumaru não se intimidou em nenhum momento para enfrentar as  várias  metástases  originárias  do  câncer  do  pulmão  direito;  foi  muito  aplicado  no  tratamento  de  hipertermia  geral  e  lutou  todo  esse  tempo  contra  a  doença.  Em  uma  ocasião, teve que retornar à sua casa em razão da condição física apresentada, que foi  considerada inadequada para o tratamento, mas “tiramos o chapéu” pela sua persistência  de concluir até o quarto ciclo da terapia paralelamente a seu trabalho de agricultor.  Em janeiro de 1994 (Ano 6 da Era Heisei), o paciente teve que ser internado pela quinta  vez e pretendia ser submetido ao quinto ciclo de hipertermia geral. Contudo, seu estado  físico  geral  foi  considerado  muito  debilitado  e  inadequado  para  receber  esse  tipo  de  terapia. Até hoje, não conseguimos esquecer a imagem do Sr. Furumaru, saindo triste do  hospital rumo à sua casa.  O Sr. Furumaru veio a falecer em maio de 1994 (Ano 6 da Era Heisei), na sua terra natal.  Foram nove anos de luta contra a doença. Recuperou-se do câncer do pulmão e hoje trabalha ativamente com política Vamos  continuar  contando  mais  casos  de  câncer  do  pulmão  por  causa  da  sua  alta  incidência, mas não se trata apenas de histórias tristes. Existem casos, como o da Sra.  Marumoto Maru (nome fictício, sexo feminino, 66 anos), que conseguiu superar o câncer  e leva uma vida política bastante ativa.  Em  junho  de  1991  (Ano  3  da  Era  Heisei),  a  Sra.  Marumoto  foi  diagnosticada  como  portadora de câncer do pulmão e ficou sete meses internada num hospital universitário.  Durante esse período, foi submetida a três ciclos de quimioterapia e radioterapia.  Em março de 1994 (Ano 6 da Era Heisei), foi constatada a metástase na parede torácica.  Foi  aplicado  um  ciclo  de  hipertermia  geral  à  base  de  raios  infravermelhos  longos  no  Hospital  Luka,  entre  5  de  junho  e  1º  de  julho  de  1994  (Ano  6  da  Era  Heisei).  Posteriormente, foi aplicado o segundo ciclo, do dia 14 de outubro a 4 de novembro, o  quadro da doença na região torácica apresentou melhoras e o apetite aumentou.  Depois da terapia, a Sra. Marumoto recuperou a saúde e o ânimo para o trabalho. Recuperou-se muito bem do câncer terminal do pulmão, quando a sobrevida havia sido estimada em três meses Existem muitos casos em que um único ciclo de hipertermia geral conseguiu proporcionar  a melhora da doença, que chegou a surpreender nossa equipe. Um desses casos é o do
  • 78. 78  Sr. Maruki Maruo (nome fictício, sexo masculino, 68 anos), que veio fazer uma consulta  sobre o câncer do pulmão, apresentando como sintoma principal a tosse.  O Sr. Maruki foi submetido a exames no outono de 1994, por causa de tosse, que não  queria  cessar.  A  radiografia  do  tórax  mostrou  manchas  nos  dois  pulmões,  que  provocaram a suspeita de câncer do pulmão e uma broncoscopia foi efetuada no Centro  de Aparelho Respiratório da Faculdade Feminina de Medicina de Tokyo. O diagnóstico  indicou câncer pulmonar múltiplo com origem no pulmão esquerdo.  O  câncer  era terminal,  com  sobrevida  estimada  de três  meses, apesar da  tosse  ser o  único sintoma sugestivo apresentado. O Sr. Maruki recusou­se a receber o tratamento de  quimioterapia  enquanto  não  houvesse  sintomas  perceptíveis  por  ele  próprio.  Assim,  passaram­se três meses e, por fim, ele resolveu experimentar a hipertermia geral.  Na  primeira  seção,  o  Sr.  Maruki  estava  nervoso  e  a  pressão  sangüínea  subiu  várias  vezes  durante a terapia, mas posteriormente disse  que  pôde dormir  bem  e,  depois de  dois ou três dias de terapia, não teve mais tosse e sentiu­se muito bem.  A  segunda  seção,  realizada  uma  semana  depois,  sucedeu  da  mesma  forma  que  a  primeira e, a medida que a terapia prosseguia, foi diminuindo a tosse.  O Sr. Maruki estava feliz, contando para nós que seus amigos e parentes haviam falado  para ele: “Você não está tossindo mais e sua voz mudou ao telefone.”  Ele expressou seu desejo, dizendo: “Assim que terminar o primeiro ciclo, quero iniciar o  segundo ciclo o mais rápido possível.”  O Sr. Maruki disse que o apetite e o sono estavam normais e a evacuação estava melhor  do que antes. Participou do jogo de golfe depois de um ciclo de tratamento contra o câncer renal e metástase do fígado e pulmão O  Sr.  Marumura    Maru  (nome  fictício) foi  submetido  à  cirurgia  para  a  remoção  do rim  direito e desde essa operação, continuou recebendo a injeção de interferon. Em janeiro  de 1993 (Ano 5 da Era Heisei), foram descobertos o câncer do fígado e o do pulmão e  foi­lhe comunicado que a cirurgia era inviável. O câncer tinha o diâmetro de 4,7 cm.  Além  do  câncer,  o  Sr.  Marumura  era  portador  de  diabete  e  há  oito  anos  tomava  um  medicamento.  Paralelamente,  em  razão  da  tendência  de  demonstrar  cansaço  com  facilidade, tomava regularmente vitamina B12  e ácido fólico.  A  carta  de  encaminhamento  do  Hospital  Z.  dizia  que  o  paciente  continuava  com  a  quimioterapia e, apesar de não demonstrar resultados significativos, o câncer estava sob  controle e não apresentava piora do quadro.  O  motivo  da  vinda  do  Sr.  Marumura  ao  Hospital  Luka  também  foi  o  programa  sobre  a  hipertermia geral que havia assistido pela televisão. O paciente foi submetido ao primeiro ciclo  entre os dias 18 de outubro e 8 de novembro e, depois disso, o estado geral era bom, apesar  do catarro com sangue ter provocado um pouco de preocupação para a equipe médica.
  • 79. Capítulo 3 ­ Elimina a dor e prolonga a sobrevida. Uma apresentação de casos reais  79  Depois disso, o paciente está levando uma vida normal como um presidente de empresa  e  sua  recuperação  foi  muito  boa,  sentindo  o  corpo  leve  e  cheio  de  vitalidade  e  até  participou de um torneio de golfe.  Atualmente, o Sr. Marumura está aguardando com ansiedade o segundo ciclo. Melhorou do câncer hepático e da metástase dos dois pulmões Vamos apresentar mais um paciente,  que apresentou uma  melhora  depois do primeiro  ciclo de tratamento.  O Sr. Marui Marutoshi (nome fictício, sexo masculino, 59 anos) foi internado no Hospital N.,  no dia 3 de abril de 1994 (Ano 4 da Era Heisei), por causa de melena. O resultado do exame  revelou que se tratava de câncer hepático. Uma semana depois, foi descoberto que havia a  metástase nos dois pulmões e foi realizada também uma transfusão de sangue.  Nessa ocasião os familiares foram informados que a sobrevida seria de três meses, mas  esta notícia não foi comunicada ao Sr. Marui e ele continuava acreditando que era cirrose  hepática.  No dia 16 de abril, logo depois de ele ser internado, foi informado que não havia mais  tratamento a efetuar e ele saiu do hospital, retornando à sua casa. No Hospital N., o Sr.  Marui  nem  sequer  chegou  a  ser  tratado  com  quimioterapia  e  compareceu  ao  Hospital  Luka, levando a esperança dos familiares.  O Sr. Marui recebeu o primeiro ciclo de hipertermia geral à base de raios infravermelhos  longos  do  dia  7  a  28  de  junho  de  1994  (Ano  6  da  Era  Heisei)  e,  depois  da  terapia,  diminuíram a ascite e a sensação de abdome inchado. O apetite melhorou e aumentou  um pouco o peso corporal, passando a 65,5 kg.  Pelos bons resultados demonstrados no primeiro ciclo, o segundo ciclo estava previsto  para o dia 9 de junho, mas, em virtude da queda de função hepática, infelizmente o Sr.  Marui ficou em estado de observação. A parte inferior do corpo estava paralisada por causa da metástase dos ossos, mas teve alta depois de dois ciclos de tratamento Existe o caso de uma paciente portadora do câncer da glândula tireóide, que teve a parte  inferior  do  corpo  paralisada  por  causa  da  metástase  dos  ossos.  Com  dois  ciclos  de  hipertermia  geral,  essa  paralisação  havia  desaparecido e,  quando  recebeu  alta,  voltou  para casa sentada no banco de passageiros do veículo dirigido pelo seu marido.  A  Sra.  Marukawa  Marunae  (nome  fictício,  sexo  feminino,  42  anos)  havia  sido  submetida à cirurgia do câncer da glândula tireóide em março de 1986 (Ano 61 da Era  Showa) e o câncer havia se estabilizado temporariamente. Contudo, em abril de 1990  (Ano 2 da Era Heisei), as dores lombares pioraram depois do parto e ela procurou um
  • 80. 80  médico.  O  resultado  do  exame  mostrou  que  o  câncer  da  glândula  tireóide  havia  evoluído para os ossos.  A metástase nos ossos da Sra. Marukawa era múltipla, atingindo às vértebras cervicais,  torácicas  e  lombares,  costelas  do  lado  direito  e  o  crânio,  fazendo  prever  que  logo  a  paciente teria dificuldade de caminhar.  Em maio de 1990 (Ano 2 da Era Heisei), a paciente foi submetida à cirurgia das vértebras  cervicais  e  torácicas,  com  a  qual  foi  possível  estagnar  o  câncer  e  permitir  que  ela  andasse. Mas em março de 1992 (Ano 4 da Era Heisei), o câncer reapareceu na vértebra  torácica e a paciente foi comunicada que a cirurgia seria inviável.  Para  piorar  a  situação,  em  setembro,  ela  foi  notificada da  existência  de uma  pleurisia  cancerosa e  que  a  sobrevida  seria  de  mais  três  meses.  Nessa  ocasião,  a  paciente  já  apresentava a paralisia da parte inferior do corpo.  A Sra. Marukawa, que estava internada no Hospital S., ouviu as seguintes palavras do  seu  médico:  “Não  há  mais  nenhum  tratamento  que  possa  ser  feito,  volte  para  casa  e  passe os dias junto com seus três filhos.”  Depois disso, ela compareceu ao Hospital Luka encaminhada pela Faculdade Feminina  de  Medicina  de  Tokyo  e,  nessa  ocasião,  disse:  “Já  fiz  o  tratamento  com  radioterapia,  drogas anticancerígenas e vacina Maruyama e nada apresentou resultados, agora quero  experimentar a hipertermia geral.”  A hipertermia geral foi aplicada em dois ciclos seguidos, o primeiro no período entre 27  de maio e 17 de junho de 1993 (Ano 5 da Era Heisei) e o outro entre 23 de junho e 14 de  julho do mesmo ano.  Antes de terminar esses dois ciclos, a Sra. Marukawa já estava preocupada sobre o que  fazer  depois  de  sair  do  hospital.  Provavelmente,  ela  havia  percebido  diretamente  os  efeitos positivos da terapia. Ela lavou os cabelos, foi a um showroom de camas francesas  com  o  marido,  aguardando  ansiosamente  a  hora  de  retornar  para  sua  casa  e  fez  preparativos na expectativa de voltar novamente para a vida familiar.  Uma semana depois que o segundo ciclo foi encerrado, a Sra. Marukawa voltou para sua  casa  sentada  no  banco  de  passageiros  do  veículo  que  seu  marido  dirigia,  e  foi  embora  abanando as mãos. Para nós, esta cena de despedida da Sra. Marukawa foi muito marcante. Não há motivo de preocupação com a hipertermia geral, mesmo para as pessoas de idade avançada Em geral, as pessoas de idade avançada não têm condições físicas para suportar uma  cirurgia.  A  incisão  do  tórax  ou  abdome  é  uma  operação  bastante  difícil.  Porém,  a  hipertermia geral pode ser aplicada às pessoas idosas, desde que elas apresentem uma  certa resistência física.  Por outro lado, mesmo que os pacientes tenham idade na faixa dos trinta ou quarenta  anos, é impossível submetê­los à hipertermia geral quando estão muito debilitados por  causa  do  câncer.  Além  desse  problema,  existem  outras  pessoas  para  as  quais  o  tratamento por hipertermia geral seria inadequado, tais como pessoas com problema de
  • 81. Capítulo 3 ­ Elimina a dor e prolonga a sobrevida. Uma apresentação de casos reais  81  funcionamento do fígado, deficiência da função respiratória e outras. Portanto, desde que  não  apresentem  más  condições  físicas  ou  deficiências  funcionais  de  órgãos,  a  hipertermia geral pode ser aplicada também em pessoas de idade avançada.  O Sr. Yamamaru Daimaru (nome fictício, sexo masculino, 78 anos) é um desses casos.  Esse paciente estava internado desde outubro de 1990 (Ano 2 da Era Heisei), por causa  de  um  novo  derrame  cerebral.  Em  virtude  da  falta  de  apetite,  desânimo  geral  e  indisposição estomacal, o paciente foi submetido a um exame de gastroscopia, no dia 16  de maio de 1992 (Ano 4 da Era Heisei), e o diagnóstico indicou câncer no intestino, mas  não foi operado.  No caso do Sr. Yamamaru, a hipertermia geral foi aplicada a pedido do próprio paciente e  o segundo ciclo foi realizado entre os dias 1º a 22 de julho de 1992 (Ano 4 da Era Heisei).  A partir do dia 25 de janeiro de 1993 (Ano 5 da Era Heisei), foram aplicadas duas seções  de hipertermia, ou seja, apenas meio ciclo.  Depois  da  hipertermia  geral,  o  paciente  teve  alta  depois  do  desaparecimento  dos  sintomas sugestivos dos quais ele reclamava e o apetite também melhorou. Passou um  certo tempo em sua casa, mas no dia 25 de junho de 1993 (Ano 5 da Era Heisei), foi  internado em um hospital geriátrico por causa de perturbações psíquicas durante a noite  e da paralisação da metade do corpo.  Do hospital geriátrico recebemos a seguinte notícia: “A partir dos exames efetuados, não  foi constatado presença de câncer do estômago.”  Faz três anos desde a descoberta do câncer, mas o Sr. Yamamaru goza de boa saúde e  tem muito apetite.  Na pesquisa realizada em novembro de 1994 (Ano 6 da Era Heisei), ele escreveu:  “O  apetite  aumentou,  não  tenho  dores  nem  sofrimentos. A  minha  qualidade  de  vida  é  excelente.”  O que comprova seu bom estado depois da terapia. Houve uma reviravolta, passando do câncer de pulmão a um passeio na festa da cerejeira ... O Sr. Marudera Maruharu (nome fictício, sexo masculino, 80 anos) havia sido submetido  à  cirurgia  no  Departamento  de  cirurgia  do  aparelho  respiratório  de  um  hospital  universitário, por causa da metástase da pleura direita, provocada pelo câncer do pulmão  direito. No entanto, não foi possível retirar o foco canceroso e ele foi internado no Hospital  Luka, aceitando a recomendação de se submeter ao tratamento por hipertermia geral.  Na ocasião da internação, ele reclamava de fortes dores no lado direito do peito.  De 26 de julho a 19 de agosto de 1993 (Ano 5 da Era Heisei), foi aplicado o primeiro ciclo  de tratamento e a dor no peito foi aliviada, melhorando também o apetite.  Posteriormente, o segundo ciclo foi realizado entre os dias 6 e 27 de outubro.  O terceiro ciclo foi aplicado entre 9 de dezembro do mesmo ano e 10 de janeiro de 1994  (Ano 6 da Era Heisei).
  • 82. 82  E o tratamento continuou com a realização do quarto ciclo, entre os dias 24 de fevereiro e  18 de março.  Com o quarto ciclo de tratamento, o Sr. Marudera recuperou totalmente o ânimo, a ponto  de ter condições para passear a pé na festa da cerejeira e contemplar as flores, e ainda,  atender a uma reportagem de televisão. A metástase do pulmão provocada pelo linfoma maligno melhorou de forma surpreendente O exemplo seguinte é um caso em que um tumor maligno foi tratado durante muitos anos  por meio da hipertermia geral.  O paciente é o Sr. Kumaru Keimaru (nome fictício, sexo masculino, 42 anos). Antes de  comparecer  ao  Hospital  Luka  no  dia  22  de  maio  de  1992  (Ano  4  da  Era  Heisei),  encaminhado  por  um  hospital  vizinho  a  este,  o  paciente  havia  sido  submetido  à  quimioterapia  no  Hospital A.  e  no  Centro  Nacional  do  Câncer,  durante  dois  anos,  em  virtude da metástase óssea, causada pelo linfoma maligno.  No  entanto,  a  quimioterapia  não  apresentou  resultados  expressivos  e  o  câncer  evoluiu,  provocando  metástase  nos  ossos  (da  região  da virilha  e  bacia).  No  exame  efetuado  inicialmente  no  Hospital  Luka,  foram  observadas  reduções  de  glóbulos  brancos  e  plaquetas  sangüíneas,  razão  pela  qual  não  foi  possível  aplicar  a  hipertermia geral.  Diante dessa situação, o paciente ficou um mês em tratamento para melhorar o quadro  físico, como controle da quantidade de glóbulos brancos, o que permitiu a realização do  primeiro ciclo de hipertermia entre os dias 19 de agosto e 29 de outubro de 1992 (Ano 4  da Era Heisei).  Quando terminou o primeiro ciclo, os sintomas até então existentes, que eram dores na  coxa direita e nas costas e estado febril, praticamente haviam desaparecidos.  Em fevereiro de 1993 (Ano 5 da Era Heisei), foi descoberta a metástase no pulmão e o  Sr. Kumaru compareceu novamente ao nosso hospital com a intenção de prosseguir com  a  hipertermia  geral,  pois  ele  acreditava  que  não  podia  esperar  mais  nada  da  quimioterapia.  O  segundo  ciclo  foi  realizado  entre  os  dias  11  de  novembro  e  2  de  dezembro.  Os  efeitos  da  hipertermia  geral,  realizada  no  Hospital  Luka,  apresentaram  resultados  expressivos  e  os  familiares  do  Sr.  Kumaru  ficaram  muito  contentes.  O  quadro  do  Sr.  Kumaru  melhorou  tanto  que  surpreendeu  até  o  médico  do  outro  hospital,  que  era  responsável  pelo  paciente  e  crítico  da  hipertermia  geral.  Reconsiderando  sua  opinião,  esse médico passou a incentivar o Sr. Kumaru a continuar com a hipertermia geral.  Dessa forma, agora com o apoio de seu médico responsável, foram realizados o terceiro  ciclo, do dia 24 de janeiro  a 17 de fevereiro de 1994 (Ano 6 da Era Heisei), e o quarto  ciclo, de 24 de fevereiro a 7 de março.  Mais de  seis  meses  depois  da  terapia,  os familiares do  Sr.  Komaru visitaram  o nosso  hospital  e  fomos  informados  que  ele  estava  bastante  debilitado,  com  dificuldade  de
  • 83. Capítulo 3 ­ Elimina a dor e prolonga a sobrevida. Uma apresentação de casos reais  83  caminhar sozinho. Nesse momento, chegamos à conclusão de que a hipertermia geral já  havia perdido sua eficácia. Recusou a cirurgia e viajou pelo mundo depois de ser tratado com a hipertermia geral Vamos apresentar em seguida o caso de um paciente que recusou a cirurgia, preferindo a  hipertermia geral.  O Sr. Maruta Maru (nome fictício, sexo masculino, 56 anos) foi operado de um pólipo no  intestino grosso em 1991 (Ano 3 da Era Heisei), mas o problema não era propriamente o  pólipo e sim câncer no intestino grosso.  Em junho de 1993 (Ano 5 da Era Heisei), foi identificada uma metástase no fígado e os  médicos recomendaram uma cirurgia. O Sr. Maruta recusou essa sugestão e optou por  outros tratamentos, como chá de gezanko de Formosa, própolis, tratamento à base de  iodo e homeopatia (daisaikotou,  kannougan, etc.).  O primeiro ciclo de hipertermia geral à base de raios infravermelhos longos foi realizado  no período de 19 de novembro a 10 de dezembro de 1994 (Ano 6 da Era Heisei). Feito o  tratamento, desapareceram os sintomas de dor desagradável do lado direito do abdome,  tontura  e  febre;  contudo,  não  houve  nenhuma  alteração  significativa  em  relação  ao  apetite.  O início do segundo ciclo estava previsto para o dia 25 de fevereiro de 1995 (Ano 7 da  Era  Heisei)  e,  enquanto  aguardava  esse  próximo  ciclo,  o  Sr.  Maruta  passou  os  dias  trabalhando em Formosa. Recuperada do câncer de mama com metástase nos ossos Um  dos  fatores  de  risco  (elementos  que  causam  a  doença)  do  câncer  de  mama  é  a  obesidade,  que  tem  como  uma  das  causas  a  alimentação  com  alto  teor  em  gordura.  Talvez em função do consumo maior de gorduras animais em decorrência da alimentação  mais  ocidentalizada,  o  câncer  de  mama  vem  aumentando  muito.  Essa  foi  a  razão  de  resumirmos aqui alguns casos desse câncer.  A  Sra.  Marunaga  Marumaruko  (nome  fictício,  sexo  feminino,  50  anos)  faz  anualmente  exames de  câncer  de mama  e, no dia 9  de  maio de 1992  (Ano  4 da  Era  Heisei), um  caroço foi identificado e diagnosticado como câncer de mama. A paciente foi submetida a  uma  cirurgia  no  Centro  Estadual  do  Câncer  e,  depois  dessa  operação,  tomou  drogas  anticancerígenas  e  hormônios  e  recebeu  25  seções  de  radioterapia,  por  aproximadamente um ano.  Porém, em março de 1994 (Ano 6 da Era Heisei), a paciente foi submetida a exames por  causa  de  dores  lombares,  quando  foi  descoberto  que  o  câncer  havia  evoluído  para  metástase na bacia. Desde então, ela vem apoiando­se em tratamentos populares, como
  • 84. 84  MMK, própolis, quitina, kitosan (casco de caranguejo), etc., sem interromper seu trabalho  de meio período.  A Sra.  Marunaga iniciou a hipertermia  geral no Hospital  Luka a  partir do final de  1994  (Ano 6 da Era Heisei). O primeiro ciclo foi realizado de 21 de dezembro a 11 de janeiro de  1995 (Ano 7 da Era Heisei).  Ela resumiu os resultados obtidos com esse primeiro ciclo no seguinte depoimento:  “Tenho apetite e não sinto dores lombares. Fiquei indecisa se deveria continuar ou não  meu trabalho de meio período. Trabalho num salão de festa para casamentos. Existem  alguns  momentos  de  pico  no  trabalho  que  exigem  maior  tempo  de  dedicação,  mas  acredito que será possível continuar. Fico muito feliz quando a dor vai sumindo depois da  terapia e até esqueço que essa dor existe. Continuo tendo dúvida quanto à cirurgia que  fiz,  não  sei  se  foi  bom  ou  era  melhor  não  a  ter  feito.  Fui  operada  e  submetida  à  quimioterapia e radioterapia, mas em menos de dois anos, aconteceu a metástase. Creio  que a minha convivência com o câncer será longa e pretendo continuar lutando e manter  firme a minha determinação.”
  • 85. Capítulo 3 ­ Elimina a dor e prolonga a sobrevida. Uma apresentação de casos reais  85 A cirurgia conservadora das mamas trouxe as piores conseqüências possíveis, mas ... Em janeiro de 1993 (Ano 5 da Era Heisei), a Sra. Maruuchi Maruko (nome fictício, sexo  feminino, 46 anos) percebeu um caroço na mama direita e o exame citológico indicou que  era câncer de mama. A cirurgia foi marcada para o mês de maio. A Sra. Maruuchi havia  expressado  o desejo  de  ser  submetida à  mastectomia com a  remoção total  da  mama,  mas  o  médico  recomendou  a  cirurgia  conservadora  das  mamas  e  ela  acabou  concordando com isso.  Antigamente, quase toda cirurgia do câncer de mama era feita pela remoção total, mas,  atualmente, vem aumentando o número de cirurgias que procuram preservá­la. Isto não  ocorre apenas com o câncer de mama, mas também com o câncer de outras partes do  corpo e a tendência é conservar ao máximo a função dessas partes em vez de removê­  las completamente.  Provavelmente,  foi  por  essa  razão  que  o  médico  sugeriu  a  cirurgia  conservadora  da  mama,  mas  o resultado  acabou  caminhando  para  o  lado  negativo.  Foram  constatadas  metástases nas vértebras cervicais, torácicas e lombares, e ainda, no fígado e no útero.  Em setembro de 1993 (Ano 5 da Era Heisei), a paciente foi submetida à cirurgia a laser  para o câncer do útero e de terapêutica intra­arterial de tumores hepáticos para o câncer  hepático  e,  em  dezembro  de  1994  (Ano  6  da  Era  Heisei),  foi  operada  também  da  metástase da vértebra cervical.  Isso  criou  um  descrédito  por  parte  da  Sra.  Maruuchi  em  relação  à  primeira  cirurgia  realizada, por causa dos focos de metástase que haviam se espalhado inesperadamente.  No hospital em que foi operada, eram ministrados analgésicos de manhã e no final da  tarde,  para  controlar  as  dores  lombares,  além  da  quimioterapia  e  radioterapia  para  controlar a evolução do câncer.  Ao  optar  pela  hipertermia  geral,  o  médico  responsável  que  estava  cuidando  dela  até  então, fez  questão  de afirmar insistentemente que concordaria com essa  opção desde  que a Sra. Maruuchi se responsabilizasse pessoalmente.  O primeiro ciclo de hipertermia geral foi realizado entre 8 e 29 de janeiro de 1995 (Ano 7  da Era Heisei) e as dores lombares da Sra. Maruuchi apresentaram pequenas melhoras.  Também houve a diminuição do marcador tumoral do sangue.  A  Sra.  Maruuchi  está  tomando  em  sua  casa  remédios  homeopáticos,  como  juuzenntaihotou  e  reishi  (saru  no  koshikake),  e  também  própolis,  depositando  a  sua  esperança no segundo ciclo de hipertermia geral à base de raios infravermelhos longos. Melhorou o câncer da mama direita e a metástase do fígado A Sra. Takemaru Maruko (nome fictício, sexo feminino, 47 anos) foi operada do câncer da  mama direita em novembro de 1989 (Ano 1 da Era Heisei). Em março de 1993 (Ano 5 da
  • 86. 86  Era  Heisei),  foi  descoberta  a  metástase  óssea  (costelas  e  vértebras  lombares)  e,  em  dezembro, a metástase foi encontrada também no fígado.  Os tratamentos de hipertermia geral à base de raios infravermelhos longos, aplicados no  Hospital Luka, foram os seguintes:  Primeiro ciclo, de 5 a 26 de janeiro de 1994 (Ano 6 da Era Heisei).  Segundo ciclo, de 2 a 23 de fevereiro de 1994 (Ano 6 da Era Heisei).  Depois do segundo ciclo, a Sra. Takemaru faltou às outras seções, pensando talvez que  havia  sido  curada  totalmente,  pois  a  recuperação  de  sua  saúde  foi  surpreendente.  Entretanto,  depois  de  algum  tempo,  o  marcador  tumoral  indicou  um  aumento  e  foi  submetida ao terceiro ciclo a partir do dia 21 de dezembro até o dia 4 de janeiro de 1995  (Ano 7 da Era Heisei).  Na ocasião desse terceiro ciclo, a paciente não reclamava de nenhum sintoma. Seu peso  corporal  havia  aumentado  e  o  raio  X  das  costelas  do  lado  esquerdo  mostrava  boas  melhoras até perceptíveis por leigos. Uma breve estagnação do câncer de mama recorrente e da metástase A primeira vez em que a Sra. Sawamaru Maruko (nome fictício, sexo feminino, 63 anos)  foi diagnosticada como tendo câncer de mama e foi operada em 1968 (Ano 43 da Era  Showa).  Naquela  ocasião,  ela  havia  sido  submetida  a  mais  de  dez  seções  de  radioterapia.  Em  1982  (Ano  57  da  Era  Showa),  passados  14  anos  desde  a  cirurgia,  o  câncer  reapareceu na mama direita. Ela foi submetida à radioterapia durante um mês, e depois,  em 1984 (Ano 59 da Era Showa), a quatro seções de hipertermia geral pelo método de  circulação extracorpórea na Faculdade Feminina de Medicina de Tokyo.  Em julho de 1990 (Ano 2 da Era Heisei), a Sra. Sawamaru fez o exame de tomografia  computadorizada torácica em um hospital da cidade de Aizuwakamatsu e foi constatada a  metástase do câncer de mama no pulmão esquerdo e na parede e caixa torácicas. Ela foi  submetida a dez seções de hipertermia local e radioterapia no mesmo hospital.  Posteriormente, além desses tratamentos, a Sra. Sawamaru chegou a tomar durante seis  meses  drogas  anticancerígenas  na  Faculdade  Feminina  de  Medicina  de  Tokyo,  desde  outubro de 1990 (Ano 2 da Era Heisei). A tomografia computadorizada realizada naquela  ocasião não apresentou nenhuma anomalia.  Depois  dessas  passagens,  a  Sra.  Sawamaru  foi  submetida  à  hipertermia  geral  no  Hospital  Luka.  O  primeiro  ciclo  teve  de  ser  interrompido  em  razão  de  um  ferimento  externo da paciente e acabou demorando do dia 2 de maio até o dia 10 de julho. Depois  dessa terapia, a Sra. Sawamaru recuperou a saúde e voltou para a rotina da vida familiar.  Em virtude da melhora apresentada nesse primeiro ciclo de tratamento, a Sra. Sawamaru  deixou  de  freqüentar  o  hospital  com  assiduidade  e,  em  decorrência  da  falta  de  tratamento,  o  quadro  do  câncer,  que  havia  provocado  a  metástase  no  tórax,  acabou  piorando depois de dois anos.
  • 87. Capítulo 3 ­ Elimina a dor e prolonga a sobrevida. Uma apresentação de casos reais  87  Segundo ciclo de tratamento, de 8 a 28 de outubro de 1993 (Ano 5 da Era Heisei).  Terceiro ciclo de tratamento, de 4 a 25 de julho de 1994 (Ano 6 da Era Heisei).  Com esses tratamentos, desapareceram os sintomas dos quais a paciente reclamava. A  breve pausa conseguida agora pela Sra. Sawamaru, depois de 12 anos de tratamento do  câncer de mama recorrente e da metástase, é um fato bastante surpreendente. Um médico clínico-geral que foi submetido à hipertermia geral à base de raios infravermelhos longos por causa do câncer de mucosa uretral O Sr. Marui Marurou (nome fictício, sexo masculino, 43 anos) fez uma consulta médica  depois de verificar sangue na urina. O resultado da cistoscopia indicou câncer de mucosa  uretral.  A mucosa uretral é um tecido aderente à bexiga, porém já em regressão no ser humano e  em mamíferos em geral. A própria ocorrência do câncer de mucosa uretral já é algo raro e  o câncer do Sr. Marui faz parte dos pouquíssimos casos de que há notícia no Japão.  No  dia  3  de  março  de  1993  (Ano  5  da  Era  Heisei),  o  Sr.  Marui  foi  submetido  à  uma  cirurgia  para  remover  metade  da  bexiga.  Posteriormente,  após  quatro  ciclos  de  quimioterapia, o marcador tumoral voltou ao normal. Entretanto, os valores do marcador  tumoral voltaram a subir em julho e, em agosto, foi constatada uma metástase no pulmão  esquerdo.  Como  era  clínico­geral,  o  Sr.  Marui  sabia  muito  bem  sobre  sua  doença  e  chegou  a  conclusão  de que  a quimioterapia não traria o efeito  desejado.  Ele  optou  por  diversos  tratamentos, tais como dieta alimentar, enema com café, ungüento de tubarão, cogumelo  himematsutake, amigdalina, kikoh, além de três seções de terapia linfocitária pelo método  Satoh e uso de MMK e própolis, mas nada conseguiu conter a evolução da doença.  O Sr. Marui conheceu a hipertermia geral pelo jornal e compareceu ao Hospital Luka no  dia 11 de  outubro  de 1994  (Ano 6 da  Era  Heisei).  Nessa ocasião, ele  sentia  dores ao  urinar e percebeu a presença de sangue na urina. Pelos exames de ultra­sonografia e  tomografia  computadorizada  do  abdome,  foi  constatado  um  tumor  na  bexiga  e  hidronefrose do lado direito.  O  primeiro  ciclo  de  hipertermia  geral  do  Sr.  Marui  foi  realizado  entre  os  dias  11  de  novembro e 1º de  dezembro de 1994  (Ano 6 da  Era  Heisei) e foram apresentados os  seguintes resultados positivos:  Após  o  primeiro  ciclo,  desapareceu  a  dor  lombar  e,  durante  dois  ou  três  dias,  a  dor  durante a micção desapareceu completamente.  Após o segundo ciclo, desapareceu a sensação de inchaço do abdome e não houve mais  necessidade  do  enema.  O  apetite  voltou  ao  normal  e  a  dor  ao  urinar  ficou  quase  imperceptível.  Após o terceiro ciclo, desapareceram totalmente a dor lombar e a dor durante a micção. A  defecação também melhorou e as fezes ficaram mais grossas.
  • 88. 88  Após  o  quarto  ciclo,  a  urina  apareceu  novamente  com  sangue  depois  de  ele  ter  participado de um torneio de golfe no final do ano. O sangue foi estancado com o auxílio  da  cistoscopia.  Pelos  exames  de  tomografia  computadorizada  e  radiografia,  não  foi  observado variação do tamanho do tumor da bexiga.  Em  fevereiro  de  1995  (Ano  7  da  Era  Heisei),  recebemos  uma  carta  do  Sr.  Marui,  demonstrando uma grande expectativa em relação ao segundo ciclo de hipertermia geral.
  • 89. 89  Capítulo 4  Os métodos terapêuticos que proporcionam felicidade aos pacientes
  • 90. 90 A terapia deveria ser escolhida pelo paciente Já se passaram exatamente quatro anos desde que iniciamos a hipertermia geral à base  de  raios  infravermelhos  longos.  Ao  longo  desse  período,  atendemos  160  pacientes  e  efetuamos 900 seções de terapia.  Paralelamente,  entrevistamos  os  pacientes  que  foram  submetidos  a  essa  terapia  e  ouvimos de cada um deles de trinta minutos a uma hora de depoimento sobre as suas  experiências da árdua luta contra o câncer.  A maioria dos pacientes iniciou seu tratamento em grandes hospitais, tratamentos estes  baseados em cirurgia, radioterapia e quimioterapia e, posteriormente, passaram também  pela  experiência  da  imunoterapia, dieta  alimentar  e  tratamentos  populares.  Todos  eles  demonstraram muito espírito de luta e vontade de não perder a batalha contra o câncer.  Presenciamos com nossos próprios olhos inúmeros casos dessa luta pela vida.  Ao  mesmo  tempo,  deparamos­nos  também  com  momentos  de  profunda  emoção  e  lágrimas ao presenciarmos cenas de preocupação, carinho e dedicação, demonstrados  pelos  familiares  que  acompanhavam  os  pacientes.  Para  nós,  foram  incontáveis  momentos de muita emoção.  Considerando apenas o caso do tratamento contra o câncer, não podemos dizer ainda  que  a  medicina  atual e  seus  métodos  terapêuticos  são  os  melhores. Tivemos também  oportunidade de conhecer muitos pacientes que enfrentaram o câncer, caminhando junto  com seus médicos, conscientes da limitação dessas terapias. Os pacientes recuperavam  sua confiança graças à humildade e o apoio destes médicos.  Por outro lado, percebemos também, com muita tristeza e dor, que existem muitos casos  de  infelicidade  dos  pacientes,  em  razão  da  postura  conservadora  e  irredutível  das  pessoas responsáveis pelo tratamento.  Conforme apresentamos no capítulo 3, um clínico­geral, que estava sendo submetido ao  tratamento de câncer, optou pela hipertermia geral e disse: “Como médico, o tratamento  que  eu  aplicava  nos  pacientes  era  fundamentalmente  orientado  para  a  quimioterapia.  Agora  que  me  tornei  também  um  paciente  portador  de  câncer,  mudei  de  idéia.  Certamente,  quando  se  pensa  na felicidade do  paciente,  não  devemos ficar  insistindo  apenas  no  tratamento  à  base  de  quimioterapia.  Sou  da  opinião  de  que  devemos  experimentar outros tipos de tratamento escolhidos pelo paciente.”  Manifestando essas idéias, ele participou do primeiro ciclo de hipertermia geral.  “Experimentei  todos  os  métodos  terapêuticos  conhecidos  como  bons.  Depois  de  concluído o primeiro ciclo, as dores desapareceram e o ânimo voltou. Pude até participar  de um torneio de golfe. Não poderia ter acontecido coisa melhor. Estou muito feliz e vou  participar do segundo ciclo”, prosseguiu esse médico­paciente.  Em seguida, gostaria de apresentar algumas opiniões pessoais.
  • 91. Capítulo 4 ­ Os métodos terapêuticos que proporcionam felicidade aos pacientes  91  (1) Aplicação conjunta com a quimioterapia  Acredito  que  durante  um  determinado  período,  antes  e  depois  da  cirurgia,  o  uso  de  drogas anticancerígenas seja importante para evitar a evolução da metástase. Contudo,  ao  proceder­se  dessa  forma,  o  quadro  geral  do  paciente  deverá  ser  muito  bem  observado. Alguns médicos mantêm a quimioterapia, dizendo: “vamos continuar com a  quimioterapia  porque  não  há  outra  alternativa  além  de  drogas  anticancerígenas”.  É  inevitável  que  uma  conduta  dessa  natureza  seja  alvo  de  críticas,  pois  pode  causar  a  impressão de que estejam tratando os pacientes como cobaias.  Creio que duas semanas depois da quimioterapia seja o momento oportuno para iniciar a  hipertermia geral à base de raios infravermelhos longos.  (2) O ideal é realizar a hipertermia geral sem a cirurgia  Quando  existe  a  possibilidade  de  um  tratamento  cirúrgico,  essa  cirurgia  deverá  ser  efetuada  o  mais  rápido  possível  e  aplicada  a  hipertermia  geral  imediatamente  depois.  Essa  é  a  minha  opinião.  Entretanto,  num  futuro  próximo,  creio  que  não  será  nenhum  sonho realizar a hipertermia geral sem ter passado por uma cirurgia.  (3)  Aplicação conjunta com a radioterapia  Desde que o câncer esteja dentro dos limites para aplicação da radioterapia e que sejam  estabelecidos  a  quantidade de  radiação,  o período e o número de vezes,  a  realização  desse tipo de terapia em conjunto com a hipertermia geral poderá trazer resultados ainda  melhores. Porém, será preciso avaliar com muito cuidado os efeitos colaterais de uma  radioterapia.  (4) Aplicação conjunta com a vacina Maruyama  Além de terapias à base da vacina Maruyama, injeção de picivanil, kitosan, tratamento de  iodo, terapia linfocitária, reishi, germânio, própolis, etc., outras formas de terapia, como  homeopatia  e  imunoterapia  vêm  chamando  a  atenção.  Todos  esses  tratamentos  permitem aumentar a capacidade imunológica e podemos esperar deles efeitos indiretos.  Acredito  que  os  pacientes  poderiam  escolher  um  tipo  de  tratamento  imunológico  mais  adequado para o organismo de cada um.  No capítulo 5, vamos apresentar também a terapia baseada na dieta alimentar. Foi alcançada a maior taxa de sobrevida no tratamento de câncer do pulmão A maioria dos pacientes interessados na hipertermia geral à base de raios infravermelhos  longos que comparece ao nosso hospital, são pacientes terminais. Além disso, para uma  grande  parcela  desses  pacientes,  já  haviam  sido  esgotados  todos  os  recursos  de  tratamento e a sobrevida dos pacientes era estimada em dois ou três meses.
  • 92. 92  Por essa razão, quando os resultados da terapia aplicada a esses pacientes são vistos  sob a mesma ótica de uma doença normal, a impressão pode ser de certa maneira até  decepcionante e alguns podem até pensar: “puxa, só isso?”. Contudo, na nossa maneira  de  pensar,  se  conseguirmos  meio  ano  a  mais  de  sobrevida  para  casos  como  esses,  podemos até julgar que o efeito da terapia foi considerável.  Os fatos mostram a existência de pacientes que tiveram suas vidas prolongadas por mais  dois  ou  três  anos  graças  ao  tratamento  de  hipertermia  geral  à  base  de  raios  infravermelhos  longos,  ou  ainda,  de  pacientes  que  conseguiram  vencer  a  doença  e  retornaram ao trabalho. Acreditamos que a hipertermia geral seja uma terapia inovadora  e que possa criar novas perspectivas para os pacientes terminais.  Vamos  agora  verificar  os  efeitos  da  terapia  dos  40  casos  de  pacientes  terminais  apresentados anteriormente.  A idade dos pacientes variava de 20 a 78 anos, e havia 23 homens e 17 mulheres. Os  tipos  de  câncer  foram  classificados  segundo  o  foco  de  origem  e  foram  avaliados  os  efeitos da terapia sobre a doença conforme o caso.  Dos 40 pacientes terminais, 12 estavam vivos em junho de 1993 (Ano 5 da Era Heisei),  ocasião em que o trabalho foi apresentado no congresso, e a taxa de  sobrevida foi de  30%.  Verificando  os  sobreviventes  de  acordo  com  os  órgãos  em  que  a  doença  foi  originada, há 3 casos de câncer do pulmão, 2 casos de tumor do mediastino, 2 casos de  câncer do estômago, 1 caso de câncer  no intestino grosso, 1 caso de câncer de mama, 1  caso  de  linfoma  maligno,  1  caso  de  câncer  da próstata  e  1  caso  de câncer  do  útero.  Incluindo  o  tumor  do  mediastino  no  grupo  de  câncer  do  pulmão,  houve  5  pacientes  sobreviventes e foi a maior taxa de sobrevida apresentada.  Verificando  os  9  pacientes  que  não  apresentaram  resultados  na  terapia,  podemos  observar que, em sua maioria, trata­se de casos de atraso ou desistência da terapia.  O resultado dos 40 casos mencionados é mostrado em forma de gráfico (figura 31) para  que os leitores tenham uma visualização geral. Por que as drogas anticancerígenas provocam danos ao fígado Os leitores que continuaram a leitura desse livro até agora já devem ter entendido que o  câncer é uma doença que atinge o corpo todo. Não basta tratar apenas o local em que foi  encontrado  o  câncer  e  pensar  que  este  esteja  curado  com  isso,  pois,  procedendo­se  dessa  forma,  a  origem  da  doença  ainda  não  foi  eliminada  e,  muitas  vezes,  o  câncer  aparece novamente em forma de metástase.  A  aplicação  da  quimioterapia  pelo  uso  de  drogas  anticancerígenas  produz  temporariamente efeitos sobre todo o corpo, mas, a partir do instante em que aparece a  metástase, a quimioterapia torna­se impotente e, em determinados casos, poderá ser até  nociva por causa do efeito colateral das drogas anticancerígenas, que poderão reduzir a  capacidade imunológica do organismo.
  • 93. Capítulo 4 ­ Os métodos terapêuticos que proporcionam felicidade aos pacientes  93  Figura 31 ­ Efeito da terapia dos 40 casos apresentados no congresso, por órgãos de origem.  Interpretação do gráfico  O  desaparecimento  total  ocorreu  em  10%  dos  casos  e,  atualmente,  depois  de  2  anos,  existem 12 sobreviventes do total de 40 pacientes analisados.
  • 94. 94  Por que as drogas anticancerígenas,  que  servem  para  tratar o  câncer,  são  nocivas  ao  organismo?  Porque  as  drogas  anticancerígenas possuem a característica de  atacar as  células saudáveis, além das cancerosas.  O  desenvolvimento  de  drogas  anticancerígenas  começou  basicamente  pela  toxina  denominada mostarda nitrogenada. Essa toxina prejudica o processo de composição do  DNA  pelas  células.  O  DNA  é  uma  substância  importante  que  contém  as  informações  genéticas e, quando as células cancerosas se dividem e se multiplicam, necessitam dos  “projetos” armazenados no DNA.  Pensando  de  forma  inversa,  quando  não  está  ocorrendo  a  divisão  das  células  cancerosas, ou ainda, quando essa divisão é muito lenta, essa toxina não pode agir. A  ação  das  drogas  anticancerígenas  deve  ocorrer  justamente  quando  há  uma  intensa  multiplicação das células cancerosas.  Assim sendo, as drogas anticancerígenas possuem uma ação prejudicial para a divisão  das células. Entretanto, a divisão das células ocorre tanto em células cancerosas quanto  em  células  normais  e,  por  essa  razão,  as  drogas  anticancerígenas  podem  prejudicar  também o processo de divisão das células normais e o organismo do paciente.  Os  órgãos  como  o  fígado,  que  possuem  uma  alta  capacidade  de  regeneração  e  multiplicação  das  células,  sofrem  grandes  danos  causados  pelas  drogas  anticancerígenas.  Essa  é  a  razão  dos  problemas  de fígado,  observados  em  pacientes  que utilizaram drogas anticancerígenas. Paralelamente, a queda de cabelos, a perda do  apetite e das funções da medula óssea são outros sintomas comuns que podem ocorrer.  Recentemente,  a  cisplatina  e  seus  derivados  vêm  sendo  utilizados  como  drogas  anticancerígenas  e  essas  drogas  apresentam  grande  toxidade  para  os  rins.  A  administração  da  cisplatina tem  causado  a  diminuição  da urina  e vem  aumentando os  pacientes que necessitam de tratamento por diálise.  Na  primeira vez  em  que  se utiliza  a  cisplatina, pode não haver  efeitos colaterais,  mas  pode  ocasionar  distúrbios  repentinos  nos  rins  na  segunda  aplicação.  Dependendo  do  paciente, esses distúrbios renais poderão ser passageiros, mas, em muitos casos, esses  problemas podem perdurar por muito tempo.  O caso da morte do paciente por causa da droga anticancerígena sorbidina ainda é um  acontecimento recente. Diante desses fatos, não podemos esquecer basicamente que as  drogas anticancerígenas apresentam efeitos colaterais significativos. Aprendendo com os pacientes que lutam contra o câncer Aprendemos muito com os pacientes que demonstraram interesse pela hipertermia geral  à  base  de  raios  infravermelhos  longos.  Em  primeiro  lugar,  com  suas  posturas  para  lutarem contra o câncer.  Existe o caso de uma senhora que não tinha conhecimento do câncer e havia seguido  cegamente  o  tratamento  prescrito  pelo  médico.  Quando  soube  a  verdade,  recusou  terminantemente  a  quimioterapia  ou  internação  e  não  perdoou  o  marido  que  havia
  • 95. Capítulo 4 ­ Os métodos terapêuticos que proporcionam felicidade aos pacientes  95  mentido  para  ela.  Procurou  por  conta  própria  outras  alternativas  de  tratamento,  como  imunoterapia,  terapêutica  naturalista,  dieta  alimentar,  etc.  e  chegou  até  a  hipertermia  geral.  Atualmente,  essa  senhora  concluiu  dois  ciclos  de  hipertermia  geral  à  base  de  raios  infravermelhos longos e leva uma vida igual ao de uma pessoa com saúde. Aprendendo com a terapêutica naturalista praticada pelos pacientes Em  segundo  lugar,  existe  um  tratamento  denominado  terapia  naturalista.  Entre  os  pacientes  que  foram  submetidos  aos  exames  e  tratamentos,  segundo  os  tradicionais  métodos terapêuticos para a cura do câncer, vem aumentando o número de pessoas que  recusam a cirurgia e a quimioterapia e buscam a solução na “terapia não invasiva”, que  vem sendo comentada atualmente nos Estados Unidos.  Dentre as “terapias não invasivas” estão a hipertermia, a imunoterapia, a homeopatia, a  dieta alimentar, a  ioga, método de Kikoh, a terapia de Simonton. Na terapia naturalista, o  paciente  escolhe  o  método  desejado  e  vai  conduzindo  o  tratamento,  baseando­se  no  raciocínio de “eu sou o médico responsável”, sem deixar o tratamento totalmente a cargo  do médico.  O  fundamento da  terapêutica naturalista é  criar uma  rotina  diária  de vida que  permita  conviver com o câncer e lutar contra essa doença. Isto significa assimilar hábitos corretos  para mudar a forma de vida, que estava errada antes de contrair a doença, desde como  movimentar o corpo até a defecação.  Apresentamos aqui dois livros sobre a terapia naturalista, lançados recentemente e que  nos sensibilizaram muito. Recomendamos a leitura dessas publicações.  O  livro  “A  maneira  de  evitar  em  99%  o  câncer  e  a  morte”, Tsuneo  Kobayashi,  editora  Dobun Shoin, descreve a seguinte passagem:  Existe nos Estados Unidos uma entidade chamada Associação de Medicina Holística da  qual  dizem  participar  mais  de  6  mil  médicos.  Essa  associação  tem  fama  de  ser  uma  entidade de pesquisa que procura também adotar como referência a medicina oriental,  sem depender apenas de terapias racionais da medicina ocidental.  A terapia holística significa “tudo por inteiro” e trata­se de uma terapia que concebe as  diferentes doenças como “expressão de uma anomalia geral que inclui o corpo e a alma”,  em  vez  de  considerar  simplesmente  doenças  de  órgãos  específicos.  Dizem  que  tem  apresentado resultados positivos, por meio da consolidação de um sistema terapêutico  para o tratamento do câncer, da hepatite crônica, da cirrose hepática, etc., com foco na  recuperação da capacidade de cura natural dos seres humanos.  A terapia holística é dividida nos três itens seguintes e é considerada uma terapia que  aumenta essa capacidade de cura natural.  • Terapia à base de esforço próprio  Ÿ  Postura para melhorar a vida cotidiana (alimentação, exercícios físicos, etc.)
  • 96. 96  ‚ Terapia para aumentar a capacidade de cura natural  Ÿ  Homeopatia,  comprimidos  de  vitamina,  imunoterapia,  terapia  de  renovação  (aumenta a capacidade imunológica)  ƒ Terapia para conter o câncer  Ÿ  Hipertermia e outras (radioterapia, cirurgia, etc.)  O autor do livro “Terapia naturalista, o método para você mesmo curar o câncer”, Chiaki  Ueda,  editora  Kounsha,  é  técnico  de  radioterapia  de  um  hospital.  Esta  publicação  apresenta o caso de um paciente de 55 anos de idade, que teve sua sobrevida estimada  em  seis  meses  por  causa  do  câncer  terminal  manifestado  em  vários  órgãos,  e  que  prosseguiu a terapia naturalista durante sete anos. Ficamos muito sensibilizados com a  leitura  do  livro  e  compartilhamos  das  idéias  do  autor,  pois  sentimos  realmente  que  a  terapia naturalista continua sendo inviável enquanto a própria pessoa não for comunicada  que é portadora desta doença.  Dentro da atual situação da medicina japonesa, a terapia naturalista deve ser iniciada a  partir  do  momento em  que  o  paciente  sai do  hospital,  recusando  a quimioterapia.  Isso  pode  acontecer  até  mesmo  com  um  paciente  que  seja  o  responsável  técnico  da  radioterapia de um grande hospital interdisciplinar. Não dando ouvidos à expressão de  piedade do médico responsável, o autor do livro inicia uma nova luta contra o câncer.  O  paciente  experimentou  a  terapia  à  base  de  alimentação  natural,  começando  pela  terapia  de  leite  em  pó,  que  fora  descoberta  por  acaso,  terapia  de  proteínas,  terapia  linfocitária,  nova  terapia  linfocitária,  vacina  Maruyama,  vacina  Hasumi,  folha  da  nespereira,  hipertermia  de  pressão  e  outras  terapias,  sempre  visitando  os  locais  onde  esses tratamentos eram realizados. Deste modo, a opção por uma determinada terapia  dependia exclusivamente de sua decisão, depois de conhecer a terapia e convencer­se  de sua eficácia.  Ficamos impressionados com a maneira que o autor conviveu com o câncer. Foram sete  anos  de  terapia  naturalista, impondo  disciplinas extremamente  rigorosas  para  sua vida  diária, tais como dieta alimentar, exercícios físicos, massagem, auxiliado pelos familiares,  massagem abdominal (massagem do intestino), etc., tudo isso conseguido por um forte  sentimento de autocontrole e fé, enquanto outros pacientes do mesmo quarto iam sendo  derrotados pela doença.  A realidade mostra que este tipo de terapia inicia quando o paciente recusa o tratamento  oferecido pelo hospital. Em todas as vezes, temos a forte sensação de que o problema  atual de tratamento contra o câncer reside nesse fato. O tratamento do câncer inicia quando o paciente recusa a terapia oferecida pelo hospital Dentre  os  pacientes  que  procuraram  o  Hospital  Luka  para  receber  o  tratamento  por  hipertermia geral, existem muitos que haviam ignorado a orientação dada pelo hospital  em que estavam e tiveram como resultado a sua vida salva por causa dessa rebeldia.
  • 97. Capítulo 4 ­ Os métodos terapêuticos que proporcionam felicidade aos pacientes  97  Isso poderá acontecer quando um paciente recebe o comunicado do médico responsável:  “Não temos mais nenhum tratamento para seu caso.”  E  o  médico  sugere  que  o  paciente  volte  para  sua  casa.  Quando  o  paciente  resolve  submeter­se à hipertermia geral à base de raios infravermelhos longos e pede a anuência  ou autorização desse médico, ele simplesmente diz: “Então vamos iniciar novamente o  tratamento com drogas anticancerígenas.” Existem de fato médicos que se comportam  dessa forma.  Outros médicos não admitem tratamentos diferentes dos das “terapias invasivas”, como  cirurgia,  radioterapia  e quimioterapia, considerando  essas outras formas  de  tratamento  como terapia popular ou terapia não­científica.  Quando iniciamos a hipertermia geral há quatro anos, não havia quase nenhum médico­  coordenador, de hospitais universitários ou hospitais nacionais, que assinasse um termo  de acordo. Atualmente, tem­se a impressão de que existe um número cada vez maior de  médicos demonstrando maior receptividade para esse tipo de terapia.  No  momento  em  que  a  hipertermia  geral  à  base  de  raios  infravermelhos  longos,  que  ocupa  uma  posição  próxima  à  terapia  naturalista,  ganhar,  o  quanto  antes,  o  reconhecimento da sociedade e o status de um tratamento contra o câncer, e ainda, a  aprovação para que esta terapia seja incluída no seguro­saúde, passará a ser um grande  apoio para os pacientes que tanto sofrem com esta doença. Um relato somente dos casos em que o câncer foi curado naturalmente Ao  longo  da  história, podemos  encontrar  muitas  pessoas  que  trabalharam  em  prol da  cura natural do câncer. As primeiras pessoas que reuniram os casos de cura natural do  câncer chamavam­se Everson e Cole. Entre os casos apresentados como cura natural,  estão incluídos  os  adenocarcinomas  e    sarcomas,  que  são  considerados  cânceres de  difícil cura.  O  professor  titular  Tei  Moritake  da  Universidade  de  Osaka  apresentou  há  15  anos  o  resultado  de  uma  pesquisa.  Era  uma  pesquisa  realizada  ao  longo  de  10  anos  para  acompanhar  a  situação dos  pacientes  depois  que  haviam  sido  operados  em  hospitais  universitários, ou pacientes que não puderam ser operados, ou ainda aqueles submetidos  à celiotomia, mas que o estado era tão grave a ponto de o médico, durante a operação,  fechar novamente o abdome sem nenhuma intervenção cirúrgica.  Na primeira apresentação, a incidência da cura natural era de um em cada mil casos. Na  segunda apresentação, o índice era de uma em cada 300 ou 500 pessoas.  Paralelamente, são apresentadas pesquisas que mostram a possibilidade de existir uma  relação  entre  a  cura  natural  e  as febres  altas.  Se,  por  ventura, existir  essa  relação,  a  hipertermia geral será um dos métodos terapêuticos que poderá auxiliar a cura natural do  câncer.  Nos Estados Unidos, segundo o Dr. Celery que pesquisou em detalhes os 450 casos de  desaparecimento  do  câncer,  foi  possível  verificar  que  150  pessoas  haviam  contraído  doenças que causavam febres altas.
  • 98. 98  Em uma outra pesquisa, o Dr. Hute, da Alemanha, reuniu e analisou 100 casos em que o  linfoma  maligno  infantil  havia  desaparecido  naturalmente  e  constatou  que  1/3  desses  pacientes contraíram doenças que causavam febre alta. Aprendendo com a prática da boa alimentação, conduzida pelos pacientes O terceiro ensinamento adquirido dos pacientes é a alimentação diária.  Ÿ  Substituir o arroz branco pelo arroz integral e comer sempre mastigando bem.  Ÿ  Para a proteína animal, abandonar as carnes e peixes que contêm muita gordura e  alimentar­se de frango, aproximadamente uma vez por semana.  Ÿ  Substituir o açúcar branco pelo açúcar mascavo.  Ÿ  Tomar leite em pó em vez de leite comum de vaca.  Tivemos  a  oportunidade  de  conhecer  muitos  pacientes  que  fizeram  uma  mudança  drástica dessa natureza na sua alimentação.  A mudança do hábito alimentar está mais associada à convivência com o câncer do que à  melhora da doença.  Para aqueles que pretendem iniciar a hipertermia geral à base de raios infravermelhos  longos, recomendamos aceitar com humildade essas sugestões vindas de pessoas que  estão vivenciando essa situação. O conhecimento mínimo que todos deveriam ter sobre a imunoterapia A imunoterapia é o quarto ensinamento adquirido dos pacientes.  O mecanismo imunológico é algo complexo e diversificado. Uma tentativa de explicar isso  de  maneira  simples  exigiria  dezenas  de  páginas;  portanto,  vamos  relacionar  aqui  somente  alguns  pontos  principais.  Os  leitores  que  acharem  o  assunto  complicado  poderão pular esta seção.  O corpo humano possui uma função para combater a invasão de substâncias estranhas a  ele, como vírus ou bactérias, e ataca essas substâncias para impedir sua multiplicação,  eliminando­as depois. Essa ação é denominada função imunológica.  A imunoterapia é uma tentativa de aumentar a capacidade imunológica = capacidade de  cura  natural  para  combater  o  câncer.  As  células  cancerosas  originam­se  do  próprio  organismo  da  pessoa,  mas  em  razão  de  sua  multiplicação  anormal,  este  organismo  considera­as como um corpo estranho.  Existia  uma  expectativa  em  torno  da  imunoterapia,  como  o  quarto  método  terapêutico  para a cura do câncer depois da cirurgia, quimioterapia e radioterapia. Infelizmente, essa  expectativa não está sendo atendida no momento.  As células responsáveis pela função imunológica são os linfócitos presentes no sangue.  Dentre  estes,  os  linfócitos  T  e  B  assumem  essa  função.  Por  sua  vez,  os  linfócitos  T
  • 99. Capítulo 4 ­ Os métodos terapêuticos que proporcionam felicidade aos pacientes  99  podem ser “linfócitos T killer”, que destroem os corpos estranhos, “linfócitos T helper”, que  aumentam a capacidade imunológica dos linfócitos T killer, “linfócitos T supressor”, que,  ao contrário, bloqueiam o excesso de linfócito T killer, etc.  A  imunoterapia  procura  reforçar  a  capacidade  de  ação  dos  linfócitos  T,  assim  como  estimular a ação dos anticorpos, que têm a função de atrair os corpos estranhos para  depois iniciar o ataque às células cancerosas.  Diferentemente  deste,  existe  um  outro  tipo  de  imunoterapia,  que  aproveita  o  próprio  mecanismo  imunológico  do  corpo  humano,  o  qual  enfrenta  diretamente  as  células  cancerosas. As células relacionadas com o mecanismo imunológico são os “linfócitos T  macrofágicos” e os “linfócitos T natural killer e esses são denominados células efetoras  antitumorais.  Além  disso, existe um  outro linfócito  killer  ativador  de linfocina. A  capacidade  de ação  dessa  célula  é  aumentada  por  um  tipo  de  linfocina,  que  tem  a  função  de  controlar  o  estado imunológico, denominado “interleucina­2”.  Os  agentes  terapêuticos  que  aumentam  a  capacidade  imunológica,  empregados  em  diversos tipos de imunoterapia, são denominados imunoestimuladores. Os medicamentos  imunoestimuladores  mais  utilizados  são:  BCG,  N­CWS,  Lentinan(?),  Ubenimex(?);  contudo, não existe nenhum agente que apresente um efeito comprovado do ponto de  vista clínico.  Recentemente,  um  método  terapêutico  baseado  em  uma  concepção  diferente  denominada  nova  imunoterapia  vem  sendo  desenvolvido  na  Universidade  de  Kyoto  e  esse  método está atualmente em fase de experimentação.  Existe  uma expectativa  em  torno  desse  método  que,  em  um  futuro  próximo,  poderá  ganhar  destaque  como  uma  imunoterapia direcionada para o câncer.  Até  agora,  os  critérios  para  avaliar  os  efeitos  de  uma  terapia  contra  o  câncer  concentravam­se  no  aspecto  de  redução  das  células  cancerosas.  Entretanto,  existem  dúvidas  quanto  à  validade  dos  critérios  tradicionais  de  avaliação  empregados  na  quimioterapia,  ou ainda,  se  esses  critérios podem  ser  objetivos  ou não  com  relação  à  avaliação  dos  efeitos da  “terapia  de  câncer  não  invasiva”,  como  a hipertermia geral  à  base  de  raios infravermelhos longos ou  a imunoterapia. Acreditamos  que é  chegada  a  hora de revermos esse assunto.  Levantamos essa questão porque acreditamos que seja importante e necessário adotar  critérios  com  enfoque  no  aumento  da  sobrevida  e  no  QOL  (qualidade  de  vida)  para  avaliar o efeito terapêutico do tratamento do câncer. Aprendendo com a imunoterapia praticada pelos pacientes Os  diferentes  tipos  de  imunoterapia  apresentados  até  agora  são  aqueles  aceitos  em  congressos.  Além  desses,  existem  muitos  outros  considerados  não  oficiais,  que  são  experimentados  por  pessoas  portadoras  de  câncer  terminal,  as  quais  não  podem  ser  submetidas à cirurgia, nem à quimioterapia ou radioterapia.  Vamos apresentar também esses tipos de imunoterapia, de forma resumida.
  • 100. 100 o Vacina Maruyama  Trata­se de uma vacina fabricada pelo falecido Dr. Chisato Maruyama, da Faculdade de  Medicina Nihon, a partir do bacilo da tuberculose estéril, baseando­se na observação de  que existem poucos casos de câncer em pacientes com tuberculose. Essa vacina não foi  aprovada  como  medicamento  para  o  tratamento  do  câncer,  mas  a  sua  fabricação  é  autorizada.  Uma injeção intradérmica de líquidos A e B é aplicada em dias alternados ou de 1 a 3  vezes por semana. Às vezes, o líquido A ou B é aplicado individualmente. O tratamento é  efetuado  segundo  as  orientações  do  Instituto  de  Pesquisa  de  Vacinas,  vinculado  à  Faculdade de Medicina Nihon.  Os seus efeitos são desconhecidos, mas acredita­se que não vai muito além de um certo  aumento  da  sobrevida.  Chegam  muitos  pacientes  de  todo  o  Japão  para  receber  esse  tratamento. o Vacina Hasumi  Trata­se  de  um  medicamento  desenvolvido  pelo  Dr.  Kichiro  Hasumi,  baseando­se  na  teoria acadêmica, que considera um vírus como agente causador do câncer, é aplicada  uma  vacina  intradérmica  fabricada  a  partir  da  urina  do  paciente.  É  efetuada  uma  orientação rigorosa quanto à dieta  alimentar e  existe  um certo  reconhecimento  do  seu  efeito  de  aumentar  a  sobrevida.  O  Consultório  de  Jukoukai,  localizado  no  bairro  de  Asagaya, em Tokyo, recebe inúmeros pacientes vindos de todo o país. o Terapêutica linfocitária  Nesta terapia, determinados linfócitos são retirados de 100 cc. do sangue de uma pessoa  jovem  e  saudável,  com  idade  entre 18 e 25  anos.  Depois de efetuar a  cultura  desses  linfócitos, estes são misturados a um líquido auxiliar para serem injetados por meio de  infusão. Esse é o procedimento da terapia que tem como objetivo aumentar a capacidade  imunológica dos pacientes.  Existem vários tipos dessa terapia e dela esperam­se bons efeitos. Não existe cobertura  para esse método terapêutico.
  • 101. Capítulo 4 ­ Os métodos terapêuticos que proporcionam felicidade aos pacientes  101 o Nova imunoterapia  Tratas­se de uma terapia desenvolvida pelo Dr. Atsushi Uchida, do Centro de Pesquisa  de  Radiobiologia  da  Universidade  de  Kyoto,  baseando­se  na  observação  de  que  a  capacidade imunológica depende muito de corpos sólidos. Neste método terapêutico, é  verificado  o  grau  de  ativação  do  ATK  (jiko  shuyou  saibou  shougai  (?)),  que  é  o  indicador  da  capacidade  dos  linfócitos  de  enfrentar  o  câncer,  e,  se  os  linfócitos  não  estiverem ativos, estes são estimulados por meio de células cancerosas ou combinados  com substâncias ativadoras mais adequadas, com a posterior aplicação no paciente.  Esse método foi criado pela primeira vez pelo Prof. Uchida e chamou a atenção ao ser  considerado como uma terapia que deu mais um passo além da imunoterapia tradicional. o Outros tipos de imunoterapia  • OK432 (yourenkinnseizai(?) de picivanil)  Existe  a  cobertura  do  seguro­saúde  por  ser  considerado  como  crestina(?)  da  droga  anticancerígena oral PSK (glicoproteína extraída do cogumelo kawaratake).  O CWS (casco externo) do BCG também já está sendo utilizado no tratamento clínico e  vem apresentando um certo resultado.  ‚ Terapia de iodo (MMK)  Trata­se  de  uma  terapia  experimentada  a  partir  da  constatação  de  que  as  pessoas  portadoras  de  hipertiroidismo  (doença  de  Basedow)  apresentam  baixa  incidência  de  câncer. Existem alguns relatórios demonstrando certa eficácia.  ƒ Terapia de própolis  É  um  medicamento  de  múltiplo  uso  fabricado  a  partir  de  uma  substância  extraída  da  colméia de  abelhas brasileiras.  No  Brasil, este  remédio  é apreciado  por  causa  da  sua  eficácia no combate a qualquer tipo de doença. No Japão, este é amplamente utilizado  como remédio de efeito rápido contra câncer e parece que sua eficácia é considerável.  „ Terapia de germânio  … Cogumelo Reishi  † Quitina, kitosan (casco de caranguejo)  ‡ Outros  As terapias à base de leite em pó, cenoura, caldo verde, folha de nespereira, vinagre de  arroz, chá de tahibo, ozônio, etc. parecem ser amplamente utilizadas.
  • 102. 102  ˆ Homeopatia  A  manipulação  de  remédios  homeopáticos  é  fundamentalmente  diferente  da  forma  de  manipulação dos remédios da medicina ocidental; portanto, sempre que for possível, o  seu uso deve ser baseado na receita de um médico especializado em homeopatia.  Nesta seção do livro, vamos apresentar três tipos de remédios homeopáticos, que nos  últimos tempos vêm sendo recomendados como medicamentos eficazes para pacientes  portadores  de  câncer.  Todos  esses  remédios  citados  são  à  base  de  essências  e  têm  cobertura do seguro­saúde.  Ÿ “Juuzen­taihotou” (Tsumura)  Ÿ “Hotchuu­ekkitou” (Tsumura)  Ÿ “Rikkunshitou” (Tsumura)  O “Juuzen­taihotou” é um remédio homeopático que age contra a queda da resistência  física, desânimo por estafa e falta de apetite, sintomas estes causados pelo câncer. O  “Hotchuu­ekkitou”  também  serve  como  fortificante  para  a  recuperação  da  resistência  física depois do tratamento de uma doença, mas trata­se de um remédio homeopático  que fundamentalmente tem o efeito de auxiliar o trabalho do organismo, evitando a queda  de  sua  função  digestiva,  razão  pela  qual  é  muito  recomendado  para  pacientes  submetidos  à  cirurgia  de  remoção  do  câncer  de  estômago.  O  “Rikkunshitou”  é  empregado  para  regular  as  funções  do  estômago  e  do  intestino  e  é  considerado  um  remédio eficaz contra a perda de apetite, anemia e desânimo causados pela estafa.  Além  disso,  outros  remédios  homeopáticos  podem  ser  empregados  de  acordo  com  o  local e o estado de evolução do câncer. A eficácia demonstrada no tratamento do câncer com um aparelho doméstico utilizado para a terapia à base de luz O sexto ensinamento dos pacientes é a terapia à base de raios infravermelhos longos e  raios  luminosos. A  hipertermia  geral emprega  também  os  raios  infravermelhos longos,  mas o exemplo citado aqui é de terapia à base de luz.  Os raios infravermelhos longos atingem as partes profundas do corpo humano e aliviam a  dor  pelo  seu  efeito  térmico;  além  disso,  enfraquecem  a  ação  do  tumor  e  eliminam os  edemas do tecido circundante.  Com um aparelho de uso doméstico destinado à terapia de luz, em apenas 20 minutos de  exposição  é  possível  obter  resultados  inesperados.  É  um  tratamento  que  pode  ser  recomendado como uma terapia auxiliar da hipertermia geral.
  • 103. Capítulo 4 ­ Os métodos terapêuticos que proporcionam felicidade aos pacientes  103 Um paciente portador de câncer que experimentou um aquecedor geral do corpo desenvolvido por ele mesmo Há um caso de uma pessoa que vinha lutando contra o câncer e que sofria dos efeitos  colaterais das drogas anticancerígenas e acabou desenvolvendo um aquecedor geral do  corpo, à base de raios infravermelhos longos, o qual foi testado por ela mesma. Trata­se  do Sr. Fujio Iguchi, que até hoje continua trabalhando ativamente na cidade de Numazu.  Vamos apresentar uma parte do seu depoimento.  "Sou um paciente portador de câncer e a doença foi descoberta em 1981. Desde que fui internado  em  um  hospital  nacional  local,  fui  submetido  a  várias  cirurgias,  mas  depois  disso  nem  a  radioterapia surtia mais efeito, sendo obrigado a sair do Centro do Câncer em abril de 1991 e  retornar à minha casa de cadeira de rodas.  Foi quando iniciei a experiência da hipertermia parcial na minha casa. Os resultados apareceram  e passei de uma vida sobre a maca para a vida de cadeira de rodas, e mais ainda, depois disso,  despedi­me da cadeira de rodas e passei a andar com o auxílio de uma bengala. A partir de 1993,  comecei a caminhar sem o uso da bengala.  Naquele  ocasião,  eu  pensava:  a  minha  experiência  não  podia  ser  vivida só  por  mim.  Eu  tinha  muita vontade de retribuir algo ao mundo e meu coração estava repleto desse sentimento. Pensei:  “Se o câncer pode ser tratado com a aplicação do calor, basta corrigir as atuais deficiências da  hipertermia para poder utilizar esse método.”  Foi a idéia que tive e, depois de pensar muito, concluí o seguinte:  “Talvez as deficiências possam ser corrigidas com o uso de raios infravermelhos longos que são  similares  às  ondas  eletromagnéticas. Obter  uma temperatura precisa,  por  meio de vibrações de  ondas  eletromagnéticas,  seria  uma tarefa  difícil,  mas  com os  raios  infravermelhos  longos  seria  possível controlar a temperatura.”  Por meio de raios infravermelhos longos posso aquecer parcialmente o corpo; contudo, isso não  teria  eficácia  para  os  casos  de  câncer  como  o  meu,  o  qual  atinge  o  corpo  todo,  se  eu  não  conseguisse um aquecimento geral do corpo. Então, se eu pudesse elevar a temperatura do corpo  para 42,0 o  C, talvez pudesse destruir o câncer. Enquanto eu pensava essas coisas, fiquei sabendo  da existência de um aparelho que aquecia todo o corpo e baseei­me nesse aparelho para fabricar  um outro dentro de minhas concepções.  Depositei a minha confiança no computador e tentei chegar aos 42,5 o  C de temperatura interna do  reto. Quando elevava a temperatura do reto até 40 o  C, a temperatura do meu corpo aumentava em  0,4 o  C. Confirmei se a temperatura do corpo atingiria 42,5 o  C quando a do reto alcançasse 42 o  C e,  depois, fiz três aplicações com a temperatura do reto a 42,5 o  C. O seu efeito foi espetacular e hoje  consigo levar uma vida quase normal.  Depois  de  concluir  o  tratamento  por  hipertermia  geral,  fiz  os  exames  de  tomografia  computadorizada e o de cintilografia e, ao que tudo pareceu, o câncer havia desaparecido. Parece  que pude comprovar com o meu próprio corpo a experiência vivida por uma pessoa, no ano de  1860, que disse: “o câncer sumiu”, depois de ter tido uma febre alta.
  • 104. 104  Desde dezembro de 1990, não tenho recebido nenhuma aplicação de quimioterapia. Atualmente,  estou fabricando  a  máquina  n o  6,  destinada  à hipertermia  geral,  pensando  em ser  útil  para  os  tratamentos médicos que virão. Na hipertermia geral, um grande problema era a refrigeração da  cabeça, mas logo estará pronto um aparelho similar a um freezer para resfriar essa região.  Em vez de a hipertermia geral ser a última terapia aplicada no paciente, este método baseado na  aplicação do calor poderia ser utilizado desde o início da doença e, se com isso pudesse destruir o  câncer,  acredito  que  poderia  salvar  muitos  pacientes  do  sofrimento  causado  pelas  drogas  anticancerígenas.  Quando  isso  se  tornar  uma  realidade,  será  motivo  de  grande  alegria.  No  momento em que conseguirmos a eliminação das células cancerosas por meio do calor, juntamente  com  a  metástase  que  esteja dominando  todo  o corpo,  imagino  que  o câncer  deixará  de  atacar  novamente.  Eu  não  tenho  nenhum  conhecimento de  medicina.  Apenas  tive  a  oportunidade  de experimentar,  com  meu  próprio  corpo,  que  o  câncer  tem  baixa  resistência  ao  calor.  Sou  apenas  um  simples  paciente, mas ficaria muito satisfeito se esse depoimento pudesse de alguma forma ser útil a outras  pessoas."
  • 105. 105  Capítulo 5  A atual situação do tratamento de câncer e sua prevenção
  • 106. 106 O câncer é a doença de maior incidência Todos nós temos a idéia de que o câncer é uma doença temerosa, mas existem outras  doenças além do câncer que também causam medo. Por exemplo, a apoplexia cerebral  ou o infarto do miocárdio são igualmente doenças comuns de adultos e muito temidas.  Então,  por  que  nós  achamos  que  o  câncer  seja  mais  temeroso  do  que  a  apoplexia  cerebral  ou  infarto  do  miocárdio?  Isto  acontece  porque  existem  muitos  casos  de  cura  para  as doenças  cardíacas  ou  apoplexia  cerebral,  de  forma  total  ou  considerável, em  decorrência dos tratamentos recebidos.  Entretanto, no caso do câncer, isto não é tão simples. O câncer é uma doença que requer  tratamentos extremamente complexos e de cura difícil. É por essa razão que as pessoas  temem tanto o câncer.  Antigamente,  o  câncer  não  era  uma  doença  tão  comum.  Os  seus  motivos  podem  ser  vários, como por exemplo: a diferença existente entre o ambiente da vida cotidiana atual  e do passado, mas o maior motivo decorre do fato de que antigamente grande parte das  pessoas  morria  antes  de  atingir  a  idade  do  câncer  em  função  de  outras  doenças  ou  ferimentos.  Recentemente,  as  pessoas  vivem  por  mais  tempo  e,  com  isso,  vem  acontecendo  um  aumento vertiginoso  de  morte causada por  câncer. As pessoas jovens  também  podem  contrair  essa  doença,  mas  isto  seria  uma  exceção,  pois  o  câncer  é  uma  doença  que  atinge pessoas de idade avançada. A taxa de incidência do câncer aumenta a medida  que a idade também aumenta.  O câncer é a primeira causa de morte entre os japoneses. A segunda, são as doenças  cardíacas  e  a  terceira, a  apoplexia  cerebral,  que  há  mais  de  dez  anos  era  a  primeira  causa no Japão. Em virtude de a sociedade ser constituída por uma população de idade  mais avançada, o câncer passou a ser a primeira causa de morte.  Em geral, a estatística da taxa de mortalidade expressa o número de mortes para cada  100 mil habitantes. Observando essa estatística, morreram de câncer 187,8 pessoas para  cada 100 mil habitantes. Estima­se que no ano de 1992 (Ano 4 da Era Heisei), 800 mil  japoneses haviam contraído câncer, dos quais morreram 230 mil. Há muitos anos, uma  grande quantidade de pessoas morria de tuberculose ou pneumonia, mas, atualmente,  são poucas as pessoas que morrem por causa dessas doenças (figura 32).  Em contrapartida, ano após ano, está aumentando o número de pessoas que morrem de  câncer. Diante dessa situação, é inevitável que o câncer seja considerado uma doença  temerosa  pela  população.  Em  virtude  disso,  os  médicos  japoneses  e  o  Ministério  da  Saúde  estão  sentindo  o  peso  da  necessidade  de  encontrar,  de  alguma  forma,  uma  solução para o tratamento dessa doença que tanto aflige a população.
  • 107. Capítulo 5 ­ A atual situação do tratamento de câncer e sua prevenção  107  Figura 32 Evolução anual da taxa de mortalidade por principais causas de morte  (Ministério da Saúde: “Estatística da Dinâmica Populacional”)  Interpretação do gráfico  Ano após ano, mortes por câncer e doenças cardíacas vêm aumentando acentuadamente.
  • 108. 108 O câncer não surge repentinamente Desta forma, vamos ver agora como o câncer surge e evolui. As pessoas que passaram  pela  experiência  de  conviver  com  pais  ou  familiares  portadores  dessa  doença  talvez  tenham  algum  conhecimento  sobre  câncer.  Entretanto,  as  pessoas  que não  passaram  pela mesma experiência provavelmente deverão desconhecer o assunto.  O  câncer  chega  de repente.  Mas  este ataque  do  câncer  que  surge  repentinamente, é  apenas  a sua  manifestação, pois  as  células  cancerosas já  existiam  no  organismo  das  pessoas;  essas  células  geralmente  demoram  mais  de  5  anos  ou,  em  determinados  casos, 15 anos para evoluírem até manifestarem seus sintomas. Por essa razão, tem­se  a impressão de que os sintomas aparecem repentinamente; entretanto, até o momento  de  manifestarem  seus  sintomas,  as  células  cancerosas  estavam  evoluindo  dentro  do  organismo do paciente, sem que tivessem provocado qualquer efeito maligno.  As células cancerosas, que em sua fase inicial não podem ser vistas sem o auxílio de um  microscópio, vão crescendo e levam de 5 a 15 anos para chegarem ao tamanho de um  pequeno  grão  de  feijão.  Em  outras  palavras,  se  o  câncer  não  tivesse  crescido  até  o  tamanho de um pequeno grão de feijão, não haveria a possibilidade de ser descoberto  em um exame médico.  Isto significa que um câncer considerado inicial já é um câncer relativamente evoluído.  Por exemplo, um câncer que se manifesta aos 50 anos de idade pode ser resultado do  crescimento das células que se tornaram cancerosas quando essa pessoa tinha entre 35  e 45 anos de idade.  No entanto, as células cancerosas que se formam no organismo, nem sempre chegam a  atingir  um  crescimento  significativo.  Dizem que elas podem  desaparecer  enquanto  são  pequenas, dependendo da capacidade imunológica da pessoa.  Dentro do nosso corpo, inúmeras células podem estar tornando­se cancerosas e depois  desaparecerem,  para  em  seguida,  aparecerem  novas  células  transformadas  em  cancerosas, e assim sucessivamente. Se uma dessas células evoluir, por obra do azar,  transformar­se­á em câncer e ocorrerá a manifestação da doença.  Em  virtude disso,  é  comum  dizer  que  se  examinarmos  com  cuidado  as  pessoas  com  idade acima da faixa dos 40 anos, que é considerada a idade do câncer, será possível  descobrirmos o câncer mesmo em pessoas saudáveis, porém, nesse caso, o câncer  é  isento  de qualquer  sintoma.  Nesse  sentido,  torna­se  importante  conceber  o  problema,  baseando­se na idéia de “conviver com o câncer” em vez de “eliminar o câncer”.  Vamos apresentar aqui alguns casos concretos, com a finalidade de ilustrar os sintomas e  situações de pacientes portadores de câncer para as pessoas que não tenham familiares  que sofram desse mal, pois para “conviver com o câncer”, será necessário ter um sólido  conhecimento sobre essa doença.  Que sintomas apresenta um paciente portador de câncer e o que origina sua internação?  Os  sintomas são  muito variados e dependem  do  local  em que  se  manifesta  o  câncer.  Nesta seção do livro, vamos apresentar alguns casos de câncer do pulmão.
  • 109. Capítulo 5 ­ A atual situação do tratamento de câncer e sua prevenção  109 o Um homem de 71 anos de idade, que descobriu o linfoma a partir de um exame de  cálculo biliar (caso •)  Esse paciente foi submetido à cirurgia de cálculo biliar em outubro de 1994 (Ano 6 da Era  Heisei). Antes  de  ser  operado,  foi  tirada  uma  radiografia  do  tórax,  como  um item  dos  exames de avaliação do quadro geral do paciente, quando foi descoberta uma mancha  estranha no lado interno do pulmão direito e ele foi encaminhado para um outro hospital  especializado, para ser internado.  Em  janeiro  de  1995  (Ano  7  da  Era  Heisei),  o  paciente  internou­se  em  um  hospital  universitário,  foi  submetido  a  exames  e  constatou­se  que  era  linfoma  do  tipo  B.  Pela  imagem da radiografia parecia câncer do pulmão, mas não era.  Dentro  de  um  significado  mais  amplo,  o  linfoma  é  incluído  também  como  um  câncer,  entretanto, um tratamento medicamentoso mostra­se mais eficaz do que para o câncer  pulmonar  normal.  Por  essa  razão,  atualmente  esse  paciente  está  sendo  submetido  à  quimioterapia. Espera­se que o paciente seja curado por meio desse tratamento. o Um homem de 55 anos de idade, que teve sua vida salva por causa da ausência de  metástase (caso ‚)  No caso desse paciente, foi a descoberta do catarro com sangue, em outubro de 1994  (Ano 6 da Era Heisei). O sangue estava misturado no catarro.  Esse sangue foi examinado por microscópio e descobriu­se que era carcinoma pulmonar  de  células  escamosas.  O  epitélio  de  células  escamosas  é  um  tipo  de  tecido  epitelial  vulnerável  à  ocorrência  do  câncer.  A  membrana  interna  do  pulmão,  assim  como  as  membranas internas de todos os órgãos fazem parte da epiderme e são formadas por  tecidos epiteliais, a exemplo de células escamosas.  Esse paciente tinha catarro com sangue, mas não foi identificada nenhuma anomalia pela  radiografia do tórax. As imagens de tomografia computadorizada também apresentaram  um quadro normal. Contudo, foi constatado um pequeno foco de câncer na superfície dos  brônquios do lobo inferior do pulmão esquerdo.  Em conseqüência disso, em meados de janeiro de 1995 (Ano 7 da Era Heisei), o paciente  foi submetido a uma cirurgia para remover a metade inferior do pulmão esquerdo, em um  hospital vinculado à uma universidade. Apesar de metade do pulmão esquerdo ter sido  removida, atualmente o paciente vive com saúde.  Esse caso é um exemplo de muita sorte. Como não havia a metástase, estima­se que a  possibilidade de sobrevida de 5 anos seja de aproximadamente 70%. Se o paciente não  tivesse sido submetido à cirurgia, provavelmente teria morrido em um ou dois anos. Sua  vida foi salva graças ao tratamento médico.  Para complementar, a taxa de sobrevida de 5 anos é a porcentagem de pacientes que  sobrevivem depois de 5 anos de operação. Por exemplo, vamos supor que 100 pessoas  tenham sido submetidas à operação de câncer do pulmão e, se 70 pessoas estiverem  vivas depois de 5 anos de operação, então a taxa de sobrevida de 5 anos será de 70%.  Essa taxa de sobrevida de 5 anos é utilizada muitas vezes como indicador para avaliar o  resultado do tratamento de câncer.
  • 110. 110 o Uma  mulher  de  74  anos  de  idade,  que  teve  o  câncer  descoberto  por  um  exame  geriátrico (caso ƒ)  Uma mancha anormal foi constatada na radiografia do tórax dessa pessoa, por meio de  um exame  geriátrico  realizado  em outubro de  1994  (Ano  6  da  Era  Heisei).  Havia  sido  identificada a imagem de um caroço de 3cm x 4cm na parte inferior do pulmão esquerdo.  Por  essa  razão,  ela  foi  internada  em  10  de  dezembro  de  1994  e  submetida  a  uma  cirurgia,  no  dia  6  de  janeiro  de  1995  (Ano  7  da  Era  Heisei),  para  remover  a  metade  inferior do pulmão esquerdo. Era um carcinoma de células escamosas.  O  tumor  era  relativamente  grande e havia  metástase no  gânglio linfático.  O  câncer do  pulmão pode ser classificado em Estádio I, Estádio II, Estádio III e Estádio IV. O Estádio I  é  o  câncer  inicial  e  o  Estádio  IV  é  a  fase  mais  avançada  da  doença.  No  caso  dessa  paciente, foi identificado por meio da cirurgia que o câncer era de Estádio IV.  Quando  o  caso  é  dessa  natureza,  o  prognóstico  da  doença  (previsão  do  quadro  da  doença depois do tratamento) não é muito bom e a taxa de sobrevida de 5 anos é de  14,9% em média. o Uma mulher de 58 anos de idade, que não pôde ser salva por causa dos focos de  metástase em todo o pulmão (caso „)  Essa mulher sofria de hipertensão desde alguns anos antes e estava sendo tratada por  um  médico  especializado  em  doenças  cardíacas.  Duas  ou  três  vezes  ao  ano,  eram  tiradas radiografias do tórax para exames.  Em novembro de 1994 (Ano 6 da Era Heisei), procurou um hospital de cardiologia por  causa  de  uma  gripe  e  foi  tirada  uma  radiografia  do  tórax  nesse  hospital,  quando  foi  constatada uma mancha de aproximadamente 2,5 cm na parte inferior do pulmão direito.  Pelo  resultado  dos  exames,  foi  identificado  que  se  tratava  de  um  adenocarcinoma  pulmonar. A radiografia  mostrava apenas uma mancha do  tamanho de  uma  moeda  de  dez centavos e o restante do pulmão era normal.  Ela foi operada em janeiro de 1995 (Ano 7 da Era Heisei) e foram constatadas muitas  pintas  salientes,  de  aproximadamente  três  centímetros  de  diâmetro,  na  superfície  do  pulmão direito. Ao examinar essas pintas por meio de um microscópio, percebeu­se que  todas eram focos de metástase. Ou seja, não era apenas um foco de câncer do tamanho  de  uma  moeda  de  dez  centavos,  mas  havia  metástase  em  toda  a  face  do  pulmão.  Paralelamente, havia também a metástase no gânglio linfático e o câncer do pulmão era  de Estádio III.  Quando há metástases, a taxa de sobrevida de 5 anos é praticamente zero. Todos os  pacientes morrem depois de cinco anos. o Um  homem  de  36  anos  de  idade  que  tinha  hemoptise,  mas  ninguém  conseguia  encontrar o foco da doença (caso …)  O catarro com sangue começou por volta de janeiro de 1994 (Ano 6 da Era Heisei) e o  paciente  consultou  um  médico,  mas  não  foi  detectada  nenhuma  anomalia.  Quando  chegou o verão,  começou a  sentir  uma  moleza geral do  corpo  e,  segundo o  paciente,  “não queria mais trabalhar”.
  • 111. Capítulo 5 ­ A atual situação do tratamento de câncer e sua prevenção  111  Em novembro, foi internado por causa de uma hemorragia do pulmão direito. A hemoptise  chegava a um copo por vez, a cada dois dias. Foi submetido a vários exames de clínica­  geral,  mas não foi possível detectar  as causas da hemorragia pulmonar.  Porém, havia  sido identificado que a hemorragia era na parte superior do pulmão direito.  Em fevereiro de 1995 (Ano 7  da Era  Heisei), foi removida  a  parte  superior do pulmão  direito,  no  Departamento  de  cirurgia,  para  estancar  a  hemorragia.  Ao  solicitar  ao  Departamento  de  patologia  um  exame  minucioso  da  parte  superior  do  pulmão  direito  removida,  foi  descoberto  um  pequeno  adenocarcinoma  no  topo  do  pulmão  direito  e  a  hemorragia era proveniente desse local.  Nesse  caso,  não  havia  metástase  no  gânglio linfático.  Conseqüentemente,  acredita­se  que o prognóstico pós­operatório deva ser bom e a taxa de sobrevida de 5 anos é de  60% a 70%. o Um  homem  de  67  anos  de  idade,  que  pelo  exame  neurológico  não  foi  possível  detectar a anomalia (caso †)  Esse paciente sentiu uma tontura em fevereiro de 1994 (Ano 6 da Era Heisei) e começou  a ter dificuldades para caminhar. Não conseguia mais movimentar as mãos e os pés com  suavidade  e  demonstrava  dificuldade  também  para  falar.  Em  virtude  do  agravamento  desses  sintomas,  o  paciente  foi  submetido  a  diferentes  exames  no  Departamento  de  neurologia  clínica,  tais  como  tomografia  computadorizada,  ressonância  magnética,  encefalografia, etc., mas todos os resultados eram normais.  Sem  conhecer  as  causas  dos  sintomas,  foi  feita  dessa  vez  uma  tomografia  computadorizada do tórax. Em uma radiografia convencional do tórax, o resultado havia  sido normal, mas pelas imagens da tomografia computadorizada foi constatado um tumor  de aproximadamente 3cm x 2cm na região central do tórax e, ao examinar, constatou­se  que era câncer pulmonar de pequenas células.  Para  o  câncer  de  pequenas  células,  as  drogas  anticancerígenas  são  eficazes  e  imediatamente o paciente foi submetido à quimioterapia. Esse caso parece ser bastante  raro e estima­se que a sobrevida seja de um ano aproximadamente. Será que é realmente possível descobrir e tratar o câncer ainda em seu estágio inicial? Os casos • a † apresentados aqui foram seis casos de cirurgia, efetuadas uma atrás da  outra  pela  nossa  equipe.  Nesses  casos,  o  câncer  do  pulmão  havia  sido  descoberto  acidentalmente por meio de radiografia, ou ainda, pelos sintomas de gripe ou sintomas  neurológicos reclamados pelo paciente, e os exames de câncer foram iniciados depois  disso.  As  pessoas  que  apresentavam,  antes  da  cirurgia,  catarro  com  sangue  ou  sintomas  semelhantes aos de gripe foram examinadas e, somente em função disso, o câncer do  pulmão havia sido constatado.
  • 112. 112  Em três dos seis casos apresentados (casos •,‚ e …), a taxa de sobrevida de 5 anos é  boa, indicando valores em torno de 50% ou 60%, mas para os outros três casos (ƒ „ e  †), a sobrevida é de um a dois anos.  Esses pacientes haviam apresentado apenas pequenos sintomas de gripe ou catarro com  sangue, mas na  realidade  essas pessoas, que pareciam  saudáveis, já  estavam com  a  doença incurável. Esses pacientes devem ter tido um sentimento semelhante ao de que  “a infelicidade não escolhe hora para chegar”.  Diante disso, alguém poderá imaginar que estará seguro se houver um acompanhamento  médico, mas esta idéia nem sempre é verdadeira. No caso „, o paciente estava sendo  tratado por um médico cardiologista desde alguns anos, por causa de hipertensão.  Esse paciente também era examinado por meio de radiografia do tórax, que era efetuada  duas  ou  três  vezes  ao  ano.  O  câncer  do  pulmão  havia  sido  descoberto  a  partir  dos  sintomas de gripe, porém, nessa ocasião, já era demasiado tarde.  A evolução do câncer é variável, ora pode ser lenta, ora ser repentinamente acelerada.  Acredita­se que o caso „ seja também do tipo que tenha avançado de forma acelerada.  A  radiografia  era  efetuada  duas  ou  três  vezes  ao  ano,  mas,  mesmo  assim,  isso  não  permitiu a identificação precoce do câncer.  Diante disso, o leitor poderá pensar: se tivesse efetuado a radiografia do tórax com mais  freqüência poderia ter identificado o câncer ainda em sua fase inicial. No entanto, há uma  grande dúvida e será fácil perceber diante do seguinte fato: dos seis casos apresentados,  existiram três casos em que uma radiografia convencional do tórax não havia revelado  nenhuma anomalia, por essa razão, jamais podemos afirmar que o diagnóstico precoce  seja  possível  somente  com  uma  radiografia.  Na  realidade,  até  podemos  dizer  que  a  identificação de câncer do pulmão ainda em sua fase inicial, por meio de radiografia, é  uma tarefa bastante difícil.  Em contrapartida, submeter um paciente à radiografia com muita freqüência pode trazer  outros  problemas.  Os  raios  X  são  radioativos,  portanto,  estes  poderão  provocar  alterações  dos  fatores  genéticos  do  paciente  ou  redução  de  seus  glóbulos  brancos.  Diante disso, podemos dizer que, preferencialmente, é melhor evitar a radiografia quando  se pensa em termos de saúde.  Antigamente, nas escolas primárias japonesas, era realizado uma vez ao ano um exame  médico por meio de radiografia; entretanto, hoje em dia, o exame passou a ser realizado  uma vez a cada dois anos, por causa da preocupação com a radioatividade.  Dizem que a ação mais importante contra o câncer é “descobrir e tratar ainda em sua  fase inicial”, mas será que essa colocação é realmente verdadeira?  O  percurso  de  um  paciente  com  câncer  até  chegar  ao  diagnóstico  é  bastante  diversificado,  como  pudemos  observar  nos  seis  casos  apresentados.  Diante  dessa  realidade, aclamar e adotar como lema a identificação precoce do câncer preocupa­nos  muito, pois, isso poderá até deixar os pacientes e médicos neuróticos, contrariando o que  se poderia esperar dessa ação.
  • 113. Capítulo 5 ­ A atual situação do tratamento de câncer e sua prevenção  113 Ainda não existe um medicamento que seja a palavra final Atualmente, ainda não podemos dizer que o tratamento de câncer seja algo perfeito.  Acredita­se que o tema da medicina do século 21 seja curar os pacientes portadores de  câncer de uma forma plena.  Se o câncer pudesse ser curado sem depender de uma intervenção cirúrgica, seria uma  coisa  fantástica  e  provavelmente  todos  concordariam  com  isso.  Entretanto,  se  pudéssemos remover todo o tecido canceroso por meio de cirurgia, seria melhor. Porém,  muitas vezes, não temos condições de efetuar a cirurgia por causa da idade do paciente  ou de outras restrições.  Em  certa  época,  quando  surgiram  o  remédio  denominado  mostarda  nitrogenada  e  os  antibióticos denominados mitomicina e bleomicina tivemos a sensação de que o câncer  poderia  ser  curado  no  dia  seguinte.  Quando  o  interferon  foi  descoberto,  também  aconteceu o  mesmo e foi  criada  uma expectativa como se esse medicamento fosse o  supra­sumo das  drogas anticancerígenas. No entanto,  o  interferon  também  não foi um  “remédio fatal” para tratamento do câncer.  Todas essas substâncias citadas apresentaram resultados fantásticos dentro de um tubo  de  ensaio.  Contudo,  em  experiências  com  animais a  sua  avaliação  caiu  um  pouco  e,  quando  foram  testadas  clinicamente em  seres humanos,  a decepção  tomou  conta por  causa da taxa de cura demasiadamente baixa. Por que será que isso aconteceu?  O  maior  motivo  para  que  isso  aconteça  está  no  seguinte  fato:  não existe  um  sistema  metabólico  específico  para  as  células  cancerosas.  Além  disso,  o  sistema  metabólico  poderá apresentar diferença de intensidade e o sistema que ocorre com freqüencia em  células  cancerosas  está  presente  também  nas  células  normais.  Portanto,  quando  se  pretende  atacar  as  células  cancerosas,  por  meio  de  obstrução  do  sistema  metabólico  dessas células, as células normais também acabam sendo afetadas.  Por  exemplo,  os  genes  cancerígenos  denominados  oncogenes  são  substâncias  que  existem  dentro  das  células,  mas  esses  genes  não  são  vistos  apenas  nas  células  cancerosas,  eles  estão  presentes  também  nas  células  normais.  Por  sua  vez,  as  substâncias  denominadas  marcadores  tumorais  não  são  peculiares  de  células  cancerosas,  sendo  estes  marcadores  apenas  substâncias  encontradas  nas  células  cancerosas em quantidades relativamente grandes. Ou seja, uma vez que não existe um  sistema  metabólico  específico  para  as  células  cancerosas,  não  existe  também  um  medicamento que sirva de obstáculo para esse sistema.  As drogas anticancerígenas existentes atualmente possuem a característica de obstruir a  multiplicação das células. Isto significa que estas drogas são preparadas, com base na  premissa  de  que  as  células  cancerosas  apresentam  uma  multiplicação  intensa  e  as  normais não.  Ao  ministrar  remédios que inibam as células  de proceder sua  multiplicação,  acarretará  também  obstrução  e  danos  a  células  normais  que  necessitam  de  uma  multiplicação
  • 114. 114  permanente, como nos casos do fígado ou medula óssea. Paralelamente, são verificados  também efeitos colaterais, como redução de glóbulos brancos, por exemplo.  Ainda  não  foi  descoberta  uma  diferença  do  ponto  de  vista  fisiológico,  que  permita  identificar  com  clareza  uma  célula  normal  de  uma  cancerosa.  Atualmente,  ainda  não  foram  identificadas  também  proteínas  e  outras  substâncias  químicas  peculiares  de  células cancerosas.  Os marcadores tumorais também estão presentes nas células normais, apesar de ser em  pequena  quantidade.  Portanto, não  se pode  esperar  muito  do  tratamento  denominado  “terapia de míssil”.  A terapia de míssil consiste no seguinte: quando ocorre a formação de uma substância  peculiar  na  superfície  das  células  cancerosas  denominada  glicoproteínas  (substâncias  resultantes  da  combinação  de  glicose  e  proteína),  o  organismo  reconhece  essas  glicoproteínas  como  substâncias  estranhas  e  cria  anticorpos  para  combatê­las.  Uma  substância tóxica é combinada com esses anticorpos criados para serem atirados como  mísseis contra as células cancerosas em questão, para combater o câncer manifestado.  A  idéia  dessa  terapia  é  interessante  e  existe  um  método  que  conseguiu  patente  internacional, mas, ao que parece, existe uma dificuldade muito grande para fazer com  que a substância tóxica acerte apenas as células cancerosas, tal como foi previsto em  teoria. Vamos conhecer a realidade do tratamento de câncer Apresentaremos agora os tipos de tratamentos empregados atualmente no combate ao  câncer, que se manifesta em diferentes partes do corpo, e seus resultados terapêuticos.  Por ser o câncer a primeira causa de morte da população japonesa, será fácil imaginar  que  os  resultados  da  terapia  não  são  bons.  Mas  para  prevenir  contra  o  câncer,  será  importante também conhecer a realidade do seu tratamento.  Com esta finalidade, vamos observar os recentes resultados de tratamento dos principais  casos de câncer.  • Câncer da glândula tireóide  Noventa porcento dos casos de câncer da glândula tireóide são cânceres diferenciados,  denominados “câncer de mamilos”, e seu crescimento é lento. A grande maioria desse  tipo de câncer melhora com a cirurgia para sua remoção e, em uma pequena parte dos  casos, provoca a metástase por via sangüínea. Os casos de câncer da glândula tireóide,  suscetíveis de metástase, necessitam de drogas anticancerígenas e atualmente aguarda­  se o aparecimento de drogas anticancerígenas mais eficazes.
  • 115. Capítulo 5 ­ A atual situação do tratamento de câncer e sua prevenção  115  Figura 33 Mama esquerda/ incidência do câncer de mama por região  ‚ Câncer de mama  Um tipo de câncer que pode ser descoberto até por leigos é o câncer de mama. O câncer  em si já é uma doença sem sintomas e os sintomas e as dores aparecem somente em  seu estágio avançado. Em virtude disso, tem­se a impressão de que o câncer aparece  repentinamente,  de  um  dia  para  outro.  Contudo,  em  se  tratando  do  câncer  de  mama,  qualquer  pessoa  pode  identificá­lo  ainda  em  sua  fase  inicial,  bastando  para  isso  uma  observação cuidadosa.  O câncer de mama tem alta incidência entre as mulheres (poderá ocorrer também nos  homens) e a região externa do quadrante superior da mama (figura 33) é a parte mais  vulnerável para essa doença.  Mediante  um  toque  nessa  região,  o  câncer  de  mama  poderá  ser  descoberto  com  facilidade, mesmo que a pessoa não seja um médico ou uma enfermeira.  Certa vez,  uma  senhora de  34  anos  de idade, dona de casa, percebeu um  caroço na  mama direita, que provocava um pouco de dor e foi consultar um médico cardiologista.  Esse médico aplicou uma compressa sobre o caroço da mama e, para espanto geral, ele  continuou fazendo isso durante um ano. O caroço da mama direita foi aumentando até  que  surgiram  as  dores  e,  diante  disso,  essa  senhora  marcou  uma  consulta  em  um  hospital universitário.
  • 116. 116  Assim que o médico viu a mama, percebeu imediatamente que se tratava de câncer. A  pele  da  região  em  que  existia  o  caroço  havia  mudado  de  cor,  apresentando  uma  coloração cor­de­laranja. A paciente foi internada no ato e, depois de realizar os exames  de rotina, a mama direita foi removida. Todavia, o câncer já havia provocado a metástase  nos ossos.  Foi um acontecimento frustrante, uma vez que o destino poderia ter sido mudado caso a  paciente tivesse recebido um tratamento adequado antecipadamente. Essa experiência  amarga fez perceber que compete também aos pacientes encontrar um bom médico.  Uma  outra  senhora,  também  dona­de­casa,  que  tinha  um  bebê  de  oito  meses  compareceu para uma consulta: “Li em uma revista a maneira de descobrir o câncer de  mama e, ao verificar a mama por meio desse método, encontrei um pequeno caroço de  aproximadamente 6mm x 8mm na região inferior esquerda”, disse.  Foi  feito    biópsia  por  punção  no  ambulatório  (trata­se  de  um  método  de  exame  que  consiste em retirar a célula por meio de uma agulha oca, espetando­a no local afetado  pela doença e depois examinar o tecido retirado por meio de um microscópio, o método é  pouco invasivo). O resultado do exame não apresentou dúvidas e revelou a existência de  um tecido de câncer de mama. A paciente foi internada logo em seguida e submetida à  cirurgia  de  remoção  da  mama  esquerda.  Depois  de  realizar  um  exame  geral,  não  foi  encontrada a metástase em nenhuma parte do corpo. Esse é um exemplo que mostra o  resultado positivo do auto­exame para casos de câncer de mama.  Um  alerta  para  aqueles  que  pensam  que  o  câncer  de  mama  é  uma  doença  só  de  mulheres, pois os homens também estão sujeitos a esse tipo de câncer.  Um homem de 57 anos de idade compareceu para uma consulta: “Tenho um caroço na  mama”, disse. Foi feita uma cirurgia no ambulatório para remover esse caroço e, depois,  um exame patológico para analisá­lo. Era realmente um câncer de mama. Foi a primeira  vez  que  encontrei  um  paciente,  sob  minha  responsabilidade,  portador  de  câncer  de  mama. Já se passaram cinco anos depois da operação e o paciente está bem de saúde.  A vida de um paciente não é protegida pelo médico. É preciso que cada paciente adote  uma postura de proteger a si próprio. O médico apenas auxilia o paciente a fazer isso.  Até  porque,  existem  médicos  que fazem  compressa  em  uma  paciente  com  câncer  de  mama  e  continuam  a  fazer  isso  durante  um  ano.  Existem  muitos  médicos  que  são  considerados  autoridades,  mas  somente  em  uma  área  de  especialização  bastante  restrita.  Existem  também  médicos  que,  quando  saem  de  sua  especialização,  só  conhecem a medicina em um nível semelhante ao de uma pessoa leiga.  Em  geral,  o  câncer  de  mama  provoca  um  tumor  localizado  e  sua  metástase  ocorre  principalmente  nos  nódulos  linfáticos,  pelo  menos  em  seu  estágio  inicial.  No  Japão,  a  quantidade  anual  de  pacientes  com  câncer  é  de  15  mil  pessoas.  Calcula­se  que  na  população feminina, a cada 40 ou 50 mulheres, uma por ano contrai essa doença.  O pico de incidência por idade acontece na faixa dos 40 a 50 anos e diz­se que a taxa de  incidência  é  alta  em  mulheres  que  tiveram  o  primeiro  parto  tardio  ou  poucos  partos.  Observando por região da mama, a maior ocorrência é verificada no quadrante superior  externo.
  • 117. Capítulo 5 ­ A atual situação do tratamento de câncer e sua prevenção  117  Em épocas passadas, a cirurgia realizada para o câncer de mama era a remoção total da  mama do lado afetado juntamente com os músculos localizados sob a mesma. Contudo,  há  dez  anos,  aproximadamente,  começou  a  ser  empregado  um  método  cirúrgico  denominado  cirurgia  conservadora  do  músculo  peitoral,  que  remove  apenas  a  região  afetada pelo câncer, preservando o músculo.  Por meio desse método, a cirurgia torna­se mais fácil e, em virtude da permanência da  mama, as pacientes ficam mais tranqüilas depois da operação. Isso traz efeitos positivos  para a paciente, tanto física, quanto socialmente. Por mais que o câncer seja curado, um  tratamento  não  teria  o  menor  sentido  se  depois  da  cirurgia  a  paciente  não  pudesse  retornar  à  vida  normal  que  levava  e,  felizmente,  estão  aumentando  as  pessoas  que  pensam dessa maneira.  ƒ Câncer do pulmão  Nos  últimos  anos, o  câncer do  pulmão vem aumentando de forma muito  acelerada. O  tabagismo e a poluição atmosférica são apontados como as suas causas.  A maioria dos casos do câncer de pulmão não apresenta nenhum sintoma. O que ocorre  com  muitas  pessoas  é  a  descoberta  do  câncer,  por  acaso,  a  partir  de  uma  mancha  estranha  encontrada  em  uma  radiografia,  que  por  sua  vez  é  tirada  sem  muito  compromisso,  aproveitando  a  oportunidade  de  um  exame  médico  rotineiro.  Nesse  exemplo, não são poucos os casos em que o câncer é curado por cirurgia.  Em contrapartida, quando os pacientes procuram o hospital depois que manifestam os  sintomas como dores no peito ou nas costas, aumento de tosse ou escarro, respiração  difícil  etc., quase  sempre  é  demasiado  tarde,  o  que  impossibilita  a  realização  de  uma  intervenção cirúrgica.  O câncer do pulmão precisa ser descoberto cedo, caso contrário, torna­se difícil curar a  doença por meio de cirurgia. Supondo­se que chegam ao hospital quatro pacientes com  câncer,  dentre  estes  apenas  um  poderá  ter  a  possibilidade  de  cirurgia.  Outros  três  já  estão com a doença  muito  avançada  e não  terão  mais  condições  de serem  operados.  Segundo estatísticas, para cada cinco pacientes apenas um apresenta a possibilidade de  cirurgia.  E mais ainda, mesmo que haja a possibilidade de cirurgia, o seu resultado não é muito  animador.  Em  média,  a taxa de  sobrevida de 5  anos depois da  operação  é de  31,7%  aproximadamente.  Não só o câncer do pulmão, mas qualquer tipo de câncer pode ser dividido em quatro  fases a seguir: Estádio I, Estádio II, Estádio III e Estádio IV. Essas fases indicam o estado  de evolução do câncer.  Ÿ Estádio I: quando o câncer está em seu estado inicial sem a metástase nos gânglios  linfáticos.  Ÿ Estádio II: quando apresenta metástase somente nos gânglios linfáticos próximos ao  câncer.  Ÿ Estádio III: quando apresenta  metástase nos gânglios linfáticos um pouco afastados  do foco do câncer, mas que não chega a atingir outros órgãos do corpo.  Ÿ Estádio IV: quando apresenta metástase em outros órgãos do corpo.
  • 118. 118  Será  apresentado  aqui  o  gráfico  que  mostra  os  resultados  da  cirurgia  do  câncer  do  pulmão, embora  essa  cirurgia  seja  possível  apenas  em  um  de  cada  4  ou  5  pacientes  (figura 34).  Estes dados foram apresentados pelo Centro Nacional do Câncer e indicam que a taxa  de sobrevida de 5 anos dos pacientes de Estádio I é de 54,9%, dos pacientes de Estádio  II é de 39,0%, dos pacientes de Estádio III A (estádio III de quadro leve) é de 14,9% e dos  pacientes de Estádio III B (estádio III de quadro grave), 0%. Quando se trata de Estádio  III B, todos os pacientes morrem dentro de cinco anos e para os pacientes de Estádio IV,  esta taxa é de 4,4%.  A média da taxa de sobrevida de 5 anos, dos pacientes de Estádio I a Estádio IV é de  31,7%. De acordo com esta estatística, além de a possibilidade de cirurgia estar restrita a  um caso para cada quatro pacientes, mesmo que essa cirurgia seja realizada, apenas um  entre três pacientes poderá sobreviver cinco anos depois da operação.  O resultado da cirurgia mostra uma situação desastrosa apesar do aumento acentuado  dos  casos  de  câncer  do  pulmão.  Espera­se  que  novos  métodos  terapêuticos  possam  aparecer, a qualquer custo.  „ Câncer do esôfago  O  alimento  ingerido  chega  ao  estômago,  passando  pelo  esôfago.  O  esôfago  ocupa  o  espaço entre a boca e o estômago, e o termo em língua japonesa que corresponde a  esôfago é formado pelas letras “alimento” e “caminho”, por ser o esôfago o caminho por  onde passa o alimento. O câncer do esôfago provoca o estreitamento de seu canal e o  paciente  passa  a reclamar  de  sintomas  como a sensação de alimento  preso no  peito,  dificuldade de engolir o alimento ingerido, etc.  No caso de câncer do estômago, não existe um tratamento clínico e a única alternativa é  a cirurgia com a remoção do foco de câncer. O método de cirurgia do câncer de esôfago  consiste na suspensão do estômago e do intestino depois de remover o esôfago.  Evidentemente, a região inferior do esôfago, isto é, a parte mais próxima ao estômago é  mais fácil de ser operada e a região mais próxima da boca, ou seja, quando o câncer está  na parte superior do esôfago, dificulta um pouco a suspensão do estômago e do intestino  depois  da  cirurgia.  Conseqüentemente,  o  resultado  da  operação  do  câncer  da  parte  inferior do esôfago é melhor do que o da operação da parte superior.  O resultado geral da cirurgia do câncer de esôfago apresenta 50% de taxa de sobrevida  de  5  anos,  conforme  mostra  a  figura.  Porém,  apesar  de  esse  valor  ser  superior  ao  resultado do câncer do pulmão, existe ainda muito caminho a ser percorrido (figura 35).
  • 119. Capítulo 5 ­ A atual situação do tratamento de câncer e sua prevenção  119  Figura 34 Taxa de sobrevida de 5 anos depois da cirurgia do câncer do pulmão  (estatística do Centro Nacional do Câncer)  Interpretação do gráfico  A taxa de sobrevida de 5 anos do câncer do pulmão em estado leve é de 54,9%.  A média geral da taxa de sobrevida de 5 anos, considerando todos os estádios, é de 31,7%.
  • 120. 120  … Câncer do fígado  O fígado é o maior órgão do corpo humano. O tratamento do câncer do fígado consiste  na remoção do foco da doença ainda em seu estado inicial. Embora a retirada total do  fígado  seja  proibitiva,  existe  a  possibilidade  de remover  aproximadamente  até  metade  deste órgão.  As técnicas de diagnose melhoraram muito nos últimos anos e, por meio de tomografia  computadorizada,  ultra­sonografia  e  outras  métodos  novos,  já  é  possível  diagnosticar  com facilidade os cânceres do fígado menores do que 2 cm de diâmetro, proporcionando  condições  para    uma  intervenção  cirúrgica  mais  objetiva.  A  descoberta  do  câncer  do  fígado, quando ele é  ainda pequeno, facilita a cirurgia, pois basta remover parte deste.  Entretanto, para o câncer do fígado, a possibilidade de efetuar uma intervenção cirúrgica  é  de  apenas  um  caso  para  cada  cinco  pacientes  (taxa  de  intervenção  de  aproximadamente 20%).  Recentemente,  vem  sendo  experimentado  um  método  de  injetar  álcool  nos  focos  pequenos de câncer do fígado, com a finalidade de matar esse foco e seus resultados  são positivos. Seria maravilhoso se houvesse a possibilidade de um tratamento tópico do  câncer, em vez de cirurgia.  † Câncer do estômago  No período de pós­guerra do Japão, o câncer do estômago era o de maior incidência,  atualmente, este vem diminuindo ano após ano. A intervenção cirúrgica adotada para o  câncer do estômago é a remoção deste órgão juntamente com os gânglios linfáticos em  seu redor.  A taxa de sobrevida de 5 anos vem aumentando e para o câncer do estômago de Estádio  I, isto é, câncer do estômago de estado inicial, a taxa registrada é de 98%. Essa mesma  taxa para o câncer de Estádio II é de 77%, de Estádio III é de 44% e de Estádio IV, o  índice é de 15%.  Essa melhoria dos resultados da cirurgia teve o respaldo dos avanços das técnicas de  diagnose. O câncer do estômago está sendo identificado mais cedo e vem aumentando  os  casos  de  cirurgia  desse  câncer  e,  com  isso,  o  desempenho  do  tratamento  vem  melhorando também.  Em  casos  de  câncer  do  estômago  de  estado  inicial,  outros  métodos  cirúrgicos  estão  sendo experimentados ativamente, tais como a cirurgia por meio de endoscopia em vez  de  incisão  abdominal  (figura  36),  a  cirurgia  pela  cavidade  abdominal,  também  por  endoscopia, com um aparelho introduzido pelo abdome.  Entretanto,  o  câncer  do  estômago  poderá  provocar  metástase  no  fígado  ou  pulmão  quando não é tratado, o que o levaria a uma situação fora do âmbito da cirurgia.
  • 121. Capítulo 5 ­ A atual situação do tratamento de câncer e sua prevenção  121  Figura 35  Resultado de cirurgia do câncer do esôfago/Curva de sobrevida depois da  cirurgia de remoção da obstrução, em 3 zonas de ocorrência do câncer do esôfago:  regiões superior e central do peito e região inferior do peito.  (Coordenadoria de pesquisa do Ministério da Saúde: pesquisa por questionário  realizada em 10 instituições)  Interpretação do gráfico  A média geral da taxa de sobrevida para casos de câncer do esôfago é de aproximadamente  50%.
  • 122. 122  Figura 36 Cirurgia de um câncer do estômago em estado inicial, por meio de endoscopia  Interpretação do gráfico  É  injetada  uma  solução  salina  na  parte  inferior  do  câncer  para  soltar  o  foco  da  camada  muscular e posteriormente este é removido.
  • 123. Capítulo 5 ­ A atual situação do tratamento de câncer e sua prevenção  123 O câncer de estado inicial não aparece na radiografia Acreditamos  que  os  casos  apresentados  até  agora  tenham  permitido  ao  leitor  compreender  o  quão  difícil  é  tratar  o  câncer.  Talvez  a  explicação  esteja  em  ordem  invertida, mas vamos pensar agora como o câncer é originado.  Existem dois fatores causadores do câncer, que agem em duas etapas distintas. A primeira  etapa é a presença de fatores cancerígenos. Esses fatores são agentes externos e por meio  de  algum  tipo  de  ação  dão  origem  ao  câncer.  Alguns  afirmam  que  o  cigarro  contém  substâncias cancerígenas e, portanto, é causador de câncer. Contudo, existe também outra  teoria, com muitos adeptos, que afirmam ser um vírus a causa do câncer.  Em  1945,  uma  bomba  atômica  foi  lançada  em  Hiroshima  e  a  cidade  foi  coberta  pela  radioatividade  e,  em  virtude  disso,  por  volta  de  1952  e  1953,  houve  muitos  casos  de  leucemia  entre  os habitantes  dessa  cidade.  Paralelamente, durante a  Segunda  Guerra  Mundial,  havia  uma  fábrica  localizada  na  ilha  de  Ookunoshima,  no  mar  interno  de  Setonaikai, que fabricava gases tóxicos. Muitas pessoas que trabalhavam nessa fábrica  tiveram câncer de fígado manifestado por volta de 1962.  Desta forma, em uma primeira etapa, será necessário existir algum fator predisponente  para originar  o câncer e, na segunda  etapa,  entra em ação  um fator que  estimulará  o  câncer  gerado.  Sem  a  presença  desses  fatores  desencadeantes  no  organismo  do  paciente, não ocorreria o crescimento das minúsculas células cancerosas, mesmo que o  câncer tivesse sido gerado (figura 37).  Há também a notícia da presença de oncogenes também nas células normais, mas, via  de regra, esses oncogenes permanecem dormentes e inativos, razão pela qual as células  normais não se transformam em células cancerosas.  Entretanto, quando os oncogenes recebem um determinado tipo de energia, proveniente  de  fatores  cancerígenos,  esses  genes  acabam  se  despertando  e  as  células  normais  transformam­se  em  cancerosas.  Quando  isto  acontece,  essas  células  normais,  que  sofreram  a  transformação,  praticamente  deixam  de  lado  os  seus  trabalhos  originais  e  passam a ser células totalmente estranhas, repetindo única e exclusivamente o processo  de divisão incessante.  Uma  célula  normal  interrompe  sua  multiplicação  quando  atinge  um  limite  considerado  necessário, controlado por um certo mecanismo. Entretanto, no caso das células cancerosas,  esse mecanismo é ignorado, prosseguindo desmesuradamente o processo de multiplicação.  Algumas  células  cancerosas  preservam  uma  pequena  parcela  do  trabalho  original  de  uma  célula  normal,  porém,  quanto  mais  maligna  for  a  célula  cancerosa,  maior  será  a  perda  dessa  função  original.  Em  função  da  divisão  e  da  multiplicação  das  células  cancerosas, os tecidos em seu redor acabam sendo pressionados e destruídos.  Foi  dito  há  pouco  que  a  multiplicação  das  células  cancerosas  é  desmesurada,  mas  quando se trata de um câncer em seu estado inicial, o seu crescimento ainda é bastante  lento. Conforme mencionado anteriormente, estima­se que o câncer leva de 10 a 15 anos  para crescer, até chegar a ter aproximadamente 1 cm, o equivalente ao tamanho de um  pequeno feijão.
  • 124. 124  Figura 37 Fatores predisponentes e desencadeantes do câncer (teoria de dois estágios)  Um  câncer  de  pequenas  proporções  não  provoca  nenhum  sintoma.  Além  disso,  um  câncer inicial de pequeno tamanho não pode ser visualizado por uma radiografia, nem  por  endoscopia.  O  comportamento  do  câncer  durante  a  fase  inicial  é  algo  bastante  tranqüilo.  Uma outra característica do câncer é a sua presença em locais com pouco oxigênio ou  queda da capacidade imunológica e isto pode ser notado pela natureza das causas que  provocam  o  câncer.  Em  locais  com  pouco  oxigênio,  uma  célula  normal  não  poderia  sobreviver, o que não acontece com as células cancerosas, que conseguem sobreviver  mesmo em ambientes com falta de oxigênio. Em outras palavras, podemos dizer que as  células cancerosas são aptas para viver em ambientes com deficiência de oxigênio.  Ao  lado  dessas  considerações  acerca  da  origem  do  câncer,  merece  também  ser  destacada a teoria que defende a influência de vírus na geração do câncer. Por que ocorre a metástase do câncer A  medida  que  o  câncer  cresce,  este  desloca­se  pouco  a  pouco  acompanhando  o  movimento  das  células que estão  em  sua volta,  paralelamente,  movimenta­se também  por  conta  própria,  como  se fossem  amebas  e  vai  se  infiltrando  no interior  dos  tecidos  vizinhos.  Além disso, o câncer poderá atravessar a parede dos vasos sangüíneos e penetrar na  corrente  sangüínea,  ou  ainda,  mergulhar  na  linfa  dos  vasos  linfáticos  e  ser  carregado  para lugares distantes. Nesses lugares, o câncer infiltra­se entre os tecidos e multiplica­  se, aumentando seus companheiros. Isto é a metástase do câncer (figura 38).
  • 125. Capítulo 5 ­ A atual situação do tratamento de câncer e sua prevenção  125  Figura 38 Assim acontece a metástase do câncer  Os focos de metástase do câncer iniciam ativamente a divisão e a multiplicação, de modo  idêntico  ao  foco  original  do  câncer.  A  maior  dificuldade  encontrada  no  tratamento  do  câncer reside nos problemas gerados pela metástase.  Segundo os dados de 1990, do Ministério da Saúde, somente 40% dos pacientes com  câncer, que procuraram o hospital para fazer consulta, foram diagnosticados como casos  em  que  ainda  poderiam  pensar  em  cirurgia,  e  mesmo  assim,  com  muita  ressalva.  Os  outros 60% já estavam com a metástase em outras partes do corpo.  Em casos de câncer do estômago, que é até agora o tipo de câncer mais freqüente no  Japão, os pacientes que puderam ser submetidos à cirurgia foram 36%, dentre aqueles  que procuraram um hospital, e outros 64% dos pacientes já apresentavam metástase e  foram operados apenas pró­forma.  No caso de homens, em 1993, o câncer do pulmão ultrapassou o câncer do estômago,  passando  a  ser  o  primeiro.  Para  o  câncer  do  pulmão,  somente  16%  dos  pacientes  portadores que procuraram um hospital puderam ser operados, havendo a predominância  de  pacientes  com  metástase,  que  representam  outros  84%,  para  os  quais  nada  mais  adiantaria ser feito.  O  Prof.  Dr.  Harufumi  Kato,  da  Faculdade  de  Medicina  de  Tokyo,  é  uma  autoridade  japonesa em cirurgia de câncer do pulmão. Segundo o relatório do Dr. Kato, 60% dos  pacientes  que  procuram  o  hospital  já  apresentam  um  quadro  avançado  de  câncer  do  pulmão, eliminando qualquer hipótese de cirurgia.
  • 126. 126  Desde  há  muito  tempo,  dizem  que  a  melhor  forma  de  combater  o  câncer  é:  a  identificação precoce da doença e a cirurgia ainda no seu estado inicial. Apesar dessa  preocupação, os números que aparecem nos resultados do tratamento deixam muito a  desejar, demonstrando o quanto ainda é precária a situação dos tratamentos realizados. Até que ponto os exames de câncer são eficazes Por mais que se esforce na identificação precoce e tratamento do câncer ainda no seu  estado  inicial,  a  metástase  acaba  acontecendo  na  maioria  dos  casos,  dificultando  o  tratamento  desta  doença.  Mesmo  diante  dessa  realidade,  continuam  prosseguindo  as  ações  em  prol  da  identificação  precoce  do  câncer  e  do  tratamento  no  estado  inicial,  assim, muitos exames médicos continuam sendo realizados com o objetivo de descobrir  o câncer ainda em sua fase inicial.  Pergunta­se,  então,  o  exame  de  câncer  é  realmente  eficaz?  Vamos  pensar  um  pouco  sobre esse assunto nesta seção do livro.  O primeiro câncer formado é denominado foco original. Quando o câncer é removido, por  meio de cirurgia, enquanto permanece nesse foco original, o resultado do tratamento será  bom. Todos reconhecem que a melhor forma de tratar o câncer é identificá­lo e tratá­lo  ainda em seu estágio inicial. Nesse sentido, além de câncer do estômago e do intestino  grosso,  vem  aumentando  também  a  identificação  precoce  do  câncer  de  fígado,  apresentando melhoras no resultado de seu tratamento.  Entretanto, quando a situação depende única e exclusivamente de identificação/cirurgia  do câncer em estado inicial, sem nenhuma outra alternativa, não podemos deixar de dizer  que o tratamento do câncer está demasiadamente atrasado, em comparação com outras  áreas da medicina. Porque acreditamos que: “O paciente sente­se mal, vai a um hospital,  é tratado e curado”, sendo a postura normal e correta da medicina e da terapia.  Porém, em se tratando de câncer, é impossível obter bons resultados sem que este seja  descoberto e removido, enquanto não estiver apresentando nenhum sintoma. Na maioria  dos  casos,  comparecer  ao  hospital  depois  de  terem  aparecido  sintomas  graves  já  é  demasiado tarde (figura 39).  O exame de câncer é realizado em todo o território japonês para evitar que a descoberta  seja tarde. Os funcionários das empresas são obrigados a fazer o exame uma vez por  ano e para as pessoas com mais de 65 anos de idade, já existe um sistema próprio para  os exames geriátricos. De um lado, esses exames médicos deixam as pessoas com uma  neurose de câncer, por outro, pode­se dizer que os deixam mais tranqüilos.  Contudo, nos Estados Unidos, algumas pessoas levantaram dúvidas sobre esse sistema  de  exames  de  rotina. A  gota  d’água  para essa manifestação  de  dúvida foi  a pesquisa  realizada pelo Dr. Fontana da Mayo Clinics, que é considerado o hospital mais renomado  dos Estados Unidos. A pesquisa do Dr. Fontana tratava do seguinte:
  • 127. Capítulo 5 ­ A atual situação do tratamento de câncer e sua prevenção  127  Figura 39 Câncer do pulmão e sua metástase no cérebro  Interpretação da fotografia  As células cancerosas do pulmão na região do tronco pulmonar (figura superior) provocaram  uma metástase no cérebro e formaram um foco de câncer dentro do cérebro (figura inferior:  imagem da tomografia computadorizada do cérebro).
  • 128. 128  Um pouco menos de 10 mil pessoas, compostas por homens fumantes acima de 45 anos  que representam a população de alto risco de câncer do pulmão, foram divididos em dois  grupos por meio de um sorteio. Um dos grupos foi submetido à radiografia e exame de  escarros, a cada quatro meses, e para o outro grupo não foi efetuado nenhum exame.  Ao longo  de  cinco anos, foram identificados 206  pacientes  com  câncer do pulmão, do  grupo submetido ao exame, e 160 portadores, do grupo não examinado. A descoberta do  câncer foi mais rápida no grupo examinado e sua taxa de sobrevida de 5 anos foi bem  mais alta do que o grupo não examinado, apresentando um índice de 33% contra 15%.  Apesar do resultado apresentado, no final, o número de pessoas que acabou morrendo  por causa do câncer de pulmão foram 122 casos, para o grupo examinado, e 115 casos,  para  o  grupo  não  examinado,  o  que  significa  nenhuma  diferença  do  ponto  de  vista  estatístico.  A conclusão que pode ser tirada a partir do resultado dessa pesquisa é a seguinte:  Os exames permitiram descobrir muitos casos de câncer do pulmão; entretanto, casos  mais graves que levam o paciente à morte apareceram nos dois grupos, em quantidades  quase iguais, e os exames realizados não foram capazes de evitar essas mortes.  Esse tipo de pesquisa foi realizada na Europa e nos Estados Unidos, para um grupo da  ordem de dez mil pessoas, e a partir de seus resultados foi concluído que os exames de  câncer do pulmão e do intestino grosso não são eficazes para evitar a morte por câncer  e, por este motivo, os exames de câncer não são realizados. Apesar dessa contraprova  forte, os exames médicos coletivos e periódicos são realizados em grande quantidade no  Japão.  Acreditamos  que  daqui  para  frente  a  questão  da  necessidade  ou  não  de  continuar  examinando as pessoas com saúde é um assunto que deverá ser analisado com muito  cuidado.  O relatório do Dr. Fontana mostrou que, apesar do exame ser realizado a cada quatro  meses,  não  foi  possível  diminuir  os  casos  de  morte  e  isto  é  altamente  significativo  e  profundo. A dúvida sobre o julgamento de um processo de tratamento médico A  cada  ano,  vêm  aumentando  processos  judiciais  relativos  a  acidentes  médicos.  Isto  acontece principalmente nos Estados Unidos, e um médico cirurgião­cardiologista paga  anualmente  prêmios  de  seguro  da  ordem  de  100  mil  dólares  (aproximadamente  10  milhões de ienes). No Japão, isto significaria repassar toda a renda anual de um médico  para o pagamento do seguro. Nos Estados Unidos, o prêmio de um seguro é bastante  caro e chegam até dizer que o médico não poderia sobreviver sem que tivesse ganhos  altos.  Fatos semelhantes vêm ocorrendo também no Japão e, há alguns anos, foi noticiado no  jornal um caso interessante de acidente médico. Havia sido encontrada, por acaso, uma  mancha  com  suspeita  de  ser  câncer  do  pulmão,  em  uma  radiografia  do  tórax  de  um  paciente de 57 anos de idade, presidente de uma empresa, quando havia sido submetido
  • 129. Capítulo 5 ­ A atual situação do tratamento de câncer e sua prevenção  129  a  um  exame  em  um  grande  Centro  de  exames  médicos  da  cidade,  que  realiza  aproximadamente  50  mil  exames  anualmente.  A  mancha  estava  localizada  na  região  superior  direita  da  área  pulmonar  e  tinha  aproximadamente  3cm  de  diâmetro.  Imediatamente,  o  paciente  foi  submetido  a  exames  mais  rigorosos  em  um  hospital  universitário,  e  foram  constatadas  metástases  do  câncer  do  pulmão  no  fígado  e  no  cérebro e o exame revelou que não haveria a possibilidade de cirurgia.  Há  mais  de  dez  anos,  esse  presidente  não deixava  de fazer  seu  exame  anual  nesse  mesmo Centro. Diante disso, foram analisadas as radiografias dos últimos três anos e a  mancha com suspeita de câncer do pulmão não foi constatada na radiografia de três anos  antes, contudo, havia uma mancha suave nas radiografias de dois e de um ano antes.  Esse  presidente faleceu  nove  meses depois  da  descoberta  da  metástase  do câncer  e  seus familiares  processaram  o Centro  de  exames,  dizendo: “Foi uma falha  do Centro,  pois há dois anos já havia manchas no pulmão.”  Segundo as notícias do jornal, a decisão do tribunal deu a causa ganha para os familiares  do paciente, e o hospital foi derrotado no processo. O valor da indenização atingiu a cifra  de 170 milhões de ienes. De acordo com o julgamento, a decisão teve o seguinte teor:  “Se o câncer do pulmão tivesse sido descoberto no Centro, dois anos antes, e o paciente  submetido à cirurgia, não teria acontecido a morte do presidente.”  Essa decisão despertou muito interesse em mim e pensei: “Se há dois anos o câncer do  pulmão tivesse sido descoberto e o paciente submetido à cirurgia, será que a vida desse  presidente teria sido salva?”  A  pesquisa  do  Dr.  Fontana,  anteriormente  mencionado,  mostrou  que,  entre  realizar  exames a cada quatro anos ou passar cinco anos sem exame nenhum, não há nenhuma  diferença  no resultado  da  morte dos  pacientes, constatação essa que  contradiz com o  julgamento do tribunal do Japão.  Há  dez  anos,  a  WHO  (Organização  Mundial  de  Saúde),  Associação  Americana  de  Combate ao Câncer, Conferência Internacional de Câncer do Pulmão e outras entidades  fizeram  o  seguinte  pronunciamento:  “Não  há  sentido  em  tirar  radiografias  indiscriminadamente, pois isto não ajudará o diagnóstico precoce.”  Nos  últimos  anos,  os  Estados  Unidos  vêm  orientando  suas  ações  com  ênfase  na  prevenção, em vez da identificação precoce. Apesar disso, no Japão, muitas radiografias  de pessoas com saúde continuam sendo tiradas, com o objetivo de descobrir a doença  precocemente. Pensando em termos de exposição à radioatividade, talvez isto seja uma  atitude  criminosa.  O  momento  atual  está  mais  para  canalizar  esforços  em  prol  da  prevenção e tratamento, do que descobrir o câncer ainda no seu estado inicial. Os doze mandamentos que previnem o câncer O  câncer  é  uma  doença  extremamente  difícil  de  tratar  depois  que  manifesta  seus  sintomas. Quando se trata de metástase, a situação é ainda mais complicada. Por esta  razão, quando  se  trata de  câncer, a prevenção passa  a  ser  uma ação importante e já  existem orientações quanto a seus procedimentos.
  • 130. 130  Por exemplo, o panfleto publicado pela Fundação para a Promoção da Pesquisa sobre o  Câncer, sob a supervisão do Centro Nacional do Câncer, apresenta os itens abaixo como  “Os doze mandamentos para evitar o câncer":  1. Tenha uma alimentação balanceada do ponto de vista nutritivo.  2. Diversifique a alimentação diariamente.  3. Evite comer em demasia e procure comer menos gordura.  4. Procure moderar a bebida alcoólica.  5. Reduza o fumo.  6. Procure obter dos alimentos certa quantidade de vitaminas e bastante fibras.  7. Menos alimentos salgados e alimentos quentes, depois de esfriar.  8. Evite partes queimadas da comida.  9. Cuidado com alimentos embolorados.  10. Não se exponha demasiadamente aos raios solares.  11. Pratique esporte, moderadamente.  12. Cuide da higiene do corpo.  Esse  método  preventivo  foi  elaborado  a  partir  de  longos  anos  de  vivência  dos  pesquisadores de câncer, mas o cumprimento dos doze mandamentos não vai além de  certos cuidados a serem tomados para diminuir relativamente a oportunidade de contrair  a  doença.  Evidentemente,  poderão  ocorrer  casos  de  câncer  apesar  do  cumprimento  desses mandamentos,  mas  podemos dizer  que a  probabilidade  de  contrair o câncer é  mais baixa quando estes são seguidos.  Os doze mandamentos não podem ser considerados perfeitos, uma vez que as causas  do câncer não estão bem claras. Quando estas vierem a ser conhecidas, talvez possa ser  criado um método que consiga prevenir completamente o câncer, como uma vacina ou  outros métodos.  O conhecimento que há sobre a origem do câncer atualmente, é o fato de a doença ser  desencadeada por algo que entra pela boca ou é aspirado pelo nariz, estresse do dia­a­  dia,  etc.  Não  há  dúvida  de  que  uma  vida  regrada,  a  prática  moderada  de  esporte,  a  higiene corporal e outras iniciativas são fatores que diminuem a probabilidade de câncer.  Diga­se  de  passagem,  oito  dentre  “Os  doze  mandamentos  para  evitar  o  câncer”  são  relativos  à  alimentação,  isto  significa  que  os  cuidados  com  o  hábito  alimentar  é  considerado algo imprescindível para a prevenção do câncer.  Os  especialistas  que  pesquisam  sobre  o  câncer  chegam  a  até  considerar  que  seria  possível evitar o câncer em 30% por meio do aperfeiçoamento do hábito alimentar. Diz­se  que  deixar  de  fumar  poderia  evitar  o  câncer  em  30%,  sendo  assim,  o  cumprimento  desses doze mandamentos significaria a redução de probabilidade em aproximadamente  60%, pelo menos em tese.
  • 131. Capítulo 5 ­ A atual situação do tratamento de câncer e sua prevenção  131 Quais são os alimentos que podem prevenir o câncer? Há  muito,  a  relação  entre  o  câncer  e  a  alimentação  vem  chamando  a  atenção  dos  médicos. O câncer do intestino grosso é um bom exemplo para ilustrar essa relação.  A incidência de câncer do intestino grosso no Japão era extremamente baixa comparada  à  Europa  e  aos  Estados  Unidos,  porém,  nos  últimos  anos,  esse  tipo  de  câncer  vem  aumentando a cada ano e, para alguns, poderá até ultrapassar a incidência de câncer do  estômago no ano 2000. Também nos Estados Unidos, a incidência de câncer do intestino  grosso é maior do que a de câncer do estômago, desde após a Segunda Guerra Mundial.  A causa que provocou o aumento do câncer do intestino grosso no Japão é a mudança  dos hábitos alimentares. Supõe­se que o câncer do intestino grosso não teria aumentado  tanto se a população continuasse a alimentar­se da tradicional comida japonesa. Dizem  que esse aumento foi causado pela alimentação mais gordurosa à moda ocidental.  O Dr. Heisaburo Ichikawa (diretor­geral emérito do Centro Nacional do Câncer), a quem  dedico meu profundo respeito como mestre, escreveu em seu livro “Memórias do câncer”:  “Existe uma profunda relação entre o câncer e a alimentação (...) dentro de uma visão  panorâmica, não se pode esquecer que, em termos gerais, a comida japonesa é a melhor  alimentação para prevenir o câncer (...) a comida japonesa tem pouca gordura vegetal;  por isso, a incidência do câncer de mama, câncer do intestino grosso, câncer da próstata,  etc., pode ser  menos da metade a 1/10, em comparação com os países da Europa e os  Estados  Unidos.  Além  disso,  a  existência  da  fibra  vegetal  torna­a  ainda  melhor.  Nos  Estados Unidos, pelo reconhecimento desse fato, existe um boom da comida japonesa,  ironicamente, o boom no Japão é de comida francesa”  Com essas palavras, o respeitado mestre teceu altos elogios à comida japonesa. o Para o câncer de mama  Uma alimentação mais gordurosa aumenta a probabilidade do câncer de mama. O Dr.  Winder dos Estados Unidos pesquisou sobre a relação entre a taxa de mortalidade por  câncer de mama e a quantidade de gordura consumida, em diferentes países do mundo.  De acordo com essa pesquisa, existe uma diferença muito grande na taxa de mortalidade  por câncer de mama entre os holandeses, que consomem 200g de gordura por dia e os  japoneses que consomem somente 80g. Entre esses dois estão os países intermediários,  como a Argentina, onde se consome uma grande quantidade de carnes, e a Suíça, com  alta taxa de consumo dos derivados de leite.  Também no  Japão, o  Dr. Takeshi  Hirayama  do Centro de  Câncer vem  realizando  uma  pesquisa detalhada sobre os casos da doença e, do ponto de vista estatístico, o risco de  câncer  de  mama  é  maior  em  mulheres  que  consomem uma  quantidade  relativamente  grande de gordura.  Por  que  um  consumo  maior  de  gordura  acaba  provocando  mais  casos  de  câncer  de  mama? Diz­se que há uma certa relação entre a gordura e os hormônios, facilitando a  geração do câncer de mama.
  • 132. 132 o Para os cânceres do intestino grosso e reto  Dizem que uma alimentação estimulante da evacuação dificulta a formação do câncer no  intestino grosso. Uma alimentação rica em fibras vegetais, por exemplo, permite maior  facilidade de evacuação e previne o câncer do intestino grosso e reto, em contraposição,  uma alimentação gordurosa prolonga o tempo de permanência dos alimentos no intestino  e torna suscetível a ocorrência do câncer.  O Dr. Denis Berkitt, que descobriu o linfoma, apresentou uma pesquisa interessante em  1971, na qual diz:  “A baixa incidência de câncer do intestino grosso em países africanos deve­se à grande  quantidade  de  fibras  vegetais  da  comida  africana  em  geral  e  o  pouco  tempo  de  permanência dessa comida no intestino.”  Atualmente,  os  países  com  alta  incidência  de  câncer  do  intestino  grosso  e  reto  são:  Estados Unidos, Inglaterra, Austrália etc., e os de baixa incidência são: Índia, Colômbia,  etc. A diferença da taxa de ocorrência do câncer entre esses países chega a 50 vezes.  Nos Estados Unidos, a taxa de ocorrência do câncer de intestino  grosso é de 20 a 25  casos para cada 100 mil pessoas e o Japão registra apenas 1/3 desse valor. Entretanto,  essa mesma taxa entre os descendentes de japoneses, que residem na costa oeste dos  Estados Unidos, não apresenta quase diferença entre o índice verificado na população  norte­americana  de  origem  branca.  Os  descendentes  de  japoneses  de  primeira  e  segunda geração, que tinham hábitos alimentares mais próximos do povo japonês, e os  de  terceira  e quarta  geração  apresentam diferentes  taxas de  ocorrência  desse  tipo de  câncer. o Para o câncer do estômago  Dizem que os alimentos salgados provocam câncer do estômago, além do problema de  hipertensão.  Até  20  anos  atrás,  o  mais  comum  entre  os  japoneses  era  o  câncer  do  estômago. Porém, a cada ano esse tipo de câncer vem diminuindo e, em contrapartida,  os cânceres do intestino grosso e reto vêm aumentando, disputando o primeiro lugar com  o câncer do pulmão. A causa desse fenômeno é a mudança qualitativa da alimentação  dos japoneses, sendo as principais causas o aumento da gordura, redução de glicose e  diminuição de consumo de alimentos salgados.  Uma pesquisa foi realizada pelo Dr. Kazuo Tajima e Dr. Sukemoro Tominaga, do Centro  do  Câncer  de Aichi,  entre  1981  e  1983,  tendo  como  alvo  93  pacientes  de  câncer  do  estômago,  93  pacientes  de  câncer  do  intestino  grosso  e  reto,  em  um  total  de  186  pacientes  da  região  de  Nagoya.  Essa  pesquisa  revelou  dois  tipos  de  alimentos  que  supostamente  apresentam  uma  relação  mais  profunda  com  o  câncer  do  estômago:  conserva de acelga salgada e peixe salgado seco.  Paralelamente, outras pessoas dizem que as partes queimadas de um peixe assado, por  exemplo,  também  provocam  o  câncer  de  estômago;  entretanto,  existe  uma  pesquisa  recentemente  realizada  na  região  de  Kita  Kyushu,  com  139  pacientes  portadores  de  câncer de estômago, segundo a qual, o câncer de estômago está mais relacionado com o  fumo e não apresenta nenhum vínculo com os peixes assados. Ainda de acordo com a
  • 133. Capítulo 5 ­ A atual situação do tratamento de câncer e sua prevenção  133  mesma  pesquisa,  a  alimentação  que  dificulta  a  formação  do  câncer  do  estômago  é  composta por muitas frutas e mais de dez xícaras de chá verde por dia. o Para o câncer do pulmão  Diz­se que a carotina é eficaz na prevenção do câncer de pulmão. Os noruegueses são  os maiores consumidores de vitamina A do mundo, por causa dos peixes que consomem.  A taxa de ocorrência do câncer de pulmão é inversamente proporcional ao consumo de  vitamina A.  Em comparação com os homens que têm um consumo de vitamina A inferior à média, os  que  consomem  grande  quantidade  dessa  vitamina  apresentam  taxa  de  ocorrência  do  câncer  de  pulmão  extremamente  baixa.  Os  mesmos  resultados  são  apresentados  também no Japão.  Entretanto, existe uma outra teoria que diz: a substância eficaz na  prevenção  do  câncer   não é a vitamina A e  sim  o  carotenóide,  contido em legumes e  verduras de cor amarela e verde. De qualquer forma, dentre todas as alimentações que  podem  prevenir o  câncer, fundamentalmente a comida japonesa parece  ser  melhor do  que a comida ocidental. Parece também que é melhor consumir menos carne, com uma  dieta alimentar centrada em vegetais, porém é preciso moderar a quantidade de  missô  (pasta de soja), shoyu (molho de soja) e sal, por causa de a comida japonesa apresentar  tendência de ser salgada.  Existe uma vila  rural  na  província de Yamanashi,  conhecida pela  longevidade de  seus  habitantes. Um relatório que pesquisou sobre a alimentação de seus moradores mostra  que esta é totalmente baseada em vegetais e, nos jantares, esta refeição é acompanhada  de apenas mais uma fatia de peixe­serra ou tiravira do Pacífico secos. A população vive  de agricultura, subindo e descendo as estradas da montanha e a maioria dos habitantes  tem mais de 80 anos de idade e vive com saúde. Que tipo de alimentação poderia ter depois de contrair o câncer? Existem  pessoas  que,  infelizmente,  acabam  contraindo  a  doença,  embora  tenham  cumprido  “Os  doze  mandamentos  para  evitar  o  câncer”  e  tomado  cuidado  com  a  alimentação. O que poderia ser feito neste caso?  Infelizmente, ainda não existe uma orientação clara a respeito. Quanto a esse aspecto,  nós,  médicos  clínicos,  precisamos  reavaliar  a  nossa  conduta  e  efetuar  pesquisas  consistentes.  Por outro lado, existem muitos pacientes que estudam seriamente sobre o câncer depois  de  contrair  essa  doença  e  vêm  obtendo  bons  resultados,  mediante  uma  mudança  do  hábito alimentar.  Paralelamente,  existem  médicos  especializados em câncer que  estão  orientando esses pacientes.  Vamos apresentar a seguir o conteúdo básico desta alimentação.  A base do pensamento da terapia alimentar vai além da postura até agora adotada pela  medicina  ocidental  e  busca  uma  concepção  mais  próxima  da  medicina  oriental,  ou  a
  • 134. 134  fusão dessas duas medicinas, procurando ver o ser humano por completo, em vez de ver  a doença separadamente para cada órgão do corpo.  Baseando­se nesse raciocínio, a terapia alimentar procura colocar em prática um tipo de  terapia  combinada  com  outros  métodos  terapêuticos,  tais  como:  a  homeopatia,  a  imunoterapia, a hipertermia, o método de kikoh (fluxo de energia espiritual), terapia de  Simonton (uma espécie de terapia espiritual), etc.  Acreditamos que a terapia alimentar, que se baseia nesse pensamento, não apresenta  erros básicos em sua concepção. O restante ficará a critério do paciente para decidir se  deve ou não praticar essa terapia e, pelo visto, o sucesso da terapia parece depender de  sua própria atitude.  • Terapia alimentar durante os três primeiros meses depois da operação  No período pós­operatório, os pacientes e seus familiares geralmente estão muito mais  preocupados com a  alimentação mais nutritiva, ou seja, a alimentação que engorda. Eles  fazem de tudo para repor a deficiência de alimentos que não podiam ser consumidos até  então, ou para recuperar o peso perdido.  Na verdade, nesta fase é preferível  uma  alimentação  de baixa  caloria  (entretanto  será  necessário acima de 1.000 calorias por dia) e fazer as três refeições de forma regrada,  sem exageros. Em vez de começar desde o início com arroz integral, são recomendados  o  leite  em  pó  e  alimentos  batidos  no  liqüidificador  (frutas,  ovos,  iogurte,  etc.)  e,  para  complementar,  outros  tipos  de  alimentos  são  recomendados,  tais  como  legumes  e  verduras de cor amarela e verde e da época, peixes pequenos, pequenos peixes cozidos  e secos, filhotes de sardinha secos, etc.  Quanto ao leite em pó, existe à venda nas lojas de alimentos de saúde, leite com proteína  de soja, enzimas e bactérias bifidus.  ‚ O alimento principal recomendado é o arroz integral  O arroz integral deve ser mastigado bem (60 a 100 vezes), durante a mastigação procure  misturar  o  arroz  com  boa  quantidade  de  saliva.  O  arroz  branco  não  é  considerado  adequado por causa de o seu embrião ter sido retirado e este é considerado importante  do ponto de vista da alimentação.  ƒ Que tipo de alimento é bom para complementar o arroz  A carne vermelha deve ser evitada. Procure comer frango uma a duas vezes por mês. Os  peixes mais gordurosos, como peixe­serra, sardinha e a barrigada do atum devem ser  evitados. Poderão ser consumidos pequenos peixes e peixes cozidos e secos. Quanto  aos  ovos,  deverá ser dado preferência  aos de galinhas  criadas  com  ração,  segundo o  método natural.  Além desses, outros alimentos recomendados são: a raiz de loto, cozido de alga sargaço,  abóbora,  pimentão,  alho,  cenoura,  salsa,  komatsuna  (variedade  de  repolho  chinês,  Brassica Rapa var. pervidis), brócolos, alga hijiki (Hizikia fusiforme), soja, aipo, couve­flor,  etc.  „ Prefira açúcar mascavo em vez de açúcar branco
  • 135. Capítulo 5 ­ A atual situação do tratamento de câncer e sua prevenção  135  O açúcar mascavo é recomendado para substituir o açúcar branco que não é bom, mas  procure evitar os doces.  … Coma legumes e vegetais isentos de agrotóxicos  † O álcool e o fumo deverão ser consumidos em pequena quantidade  A melhor solução é deixar de fumar.  ‡ Coma alimentos ricos em vitamina A, C e E  A medicina ocidental também enfatiza sua função de alimento preventivo de câncer.  ˆ  Limitar  a  quantidade  de  sal  é  muito  importante,  tanto  como  método  preventivo,  quanto como método terapêutico  Limite  o  consumo  para  menos  de  10mg  por  dia.  Menos  de  8mg  por  dia  seria  melhor  ainda.  ‰ Tenha uma alimentação balanceada e diversificada  Diz­se  que  os  complementos  do  arroz  devem  ser  preparados  com  criatividade  e  variedade,  geralmente  se  estabelece  uma  meta  para  que  sejam ingeridos  30  tipos  de  alimentos diferentes por dia.  “A alimentação depois de contrair o câncer” ora apresentada poderá servir de referência  não só para a terapia, mas também para a prevenção dessa doença. Acreditamos que a  refeição  para  prevenir  o  câncer,  assim  como  a  refeição  para  tratar  o  câncer  deverão  incorporar os alimentos de uma refeição agradável, a qual será conseguida por meio de  um esforço conjunto do paciente e seus familiares. Os cuidados com a saúde não podem ser deixados nas mãos de outras pessoas No final deste capítulo, gostaria de apresentar a minha (Yokoyama) maneira de pensar  sobre a saúde.  Andei pensando de que modo poderia manter e aumentar a saúde, que eu considero ser  a base da nossa vida cotidiana. A minha decisão foi praticar o jogging (corrida) todas as  manhãs. Todos os dias de manhã, faço dez minutos de ginástica e depois corro mais ou  menos dois quilômetros.  Existem  pessoas  que  correm  muito  concentradas  e  pensam  que  estão  fazendo  um  jogging. Mas  isto não  é jogging.  O  jogging  significa  correr  de forma  relaxada  e livre  e  jamais  poderia  ser  uma  competição.  No  bairro  onde  eu  moro  existe  uma  associação  denominada “Associação dos Amantes da Corrida de Suginami, Tokyo”. Trata­se de uma  entidade cujos participantes têm como atividade acordar todos os dias às seis horas da  manhã, ir até uma praça vizinha, fazer dez minutos de ginástica e, em seguida, fazer dez  minutos de jogging. Fiquei sócio dessa associação.
  • 136. 136  Essa  entidade  foi  fundada  em  1966  e  este  ano  completa  29  anos  de  existência,  caminhando  rumo  à  comemoração  de  seu  30 o  aniversário. Atualmente,  estou  tendo  o  privilégio de ser o presidente dessa associação. A lista de associados registra mais de  100 pessoas, mas apenas 30 pessoas aproximadamente reúnem­se todas as manhãs.  Dessas  pessoas, 70%  são mulheres  e  sinto  que  estamos  realmente vivendo a era  do  woman power.  Em janeiro, às seis horas da manhã, o dia ainda está escuro e sabemos que as pessoas  estão perto,  mas  não  conseguimos enxergar muito bem  o  rosto  delas.  No céu  escuro  antes de amanhecer, brilha Vênus que anuncia a chegada do dia. Em fevereiro, às seis  da manhã, o céu já é mais claro e, no início de março, seis horas da manhã coincide  exatamente com o horário do nascer do sol em Tokyo. Quando o tempo não é chuvoso,  estamos todos os dias reunidos, em uma grande turma, fazendo ginástica e jogging sob o  céu azul. É nessa hora que sinto a importância da saúde e agradeço por tê­la.  O  sentimento de  gratidão  a alguém poderá variar  de  pessoa  para pessoa; uns  podem  agradecer a Deus, outros agradecem à Terra, ou ainda agradecer a seus antepassados,  mas sempre que estou no hospital e em contato com pessoas doentes, sinto o quanto é  gratificante ter saúde e penso nisso todas as manhãs.  Eu  pratico  ginástica  e  jogging,  mas  as  pessoas  de  idade  mais  avançada  fazem  10  minutos de walking (caminhada) em vez de jogging (corrida) e retornam às suas casas.  Queria  aproveitar a  oportunidade  para  falar  agora  do  Sr.  K.,  que  conseguiu  entrar em  forma de maneira magnífica, graças ao walking e ao jogging e com isso reconquistar a  saúde do seu  corpo. Acordar  todas as  manhãs em  determinado  horário e fazer  certos  exercícios físicos faz muito bem para o corpo e o espírito. O paciente com diabetes que conquistou a saúde por meio de jogging (corrida) O Sr. K. é proprietário de um edifício residencial e financeiramente está em boa situação.  Quando  ele  ingressou  na  nossa  “Associação  dos  Amantes  da  Corrida  de  Suginami”  estava com 67 anos de idade e, naquela ocasião pesava 72kg com estatura de 1,60m.  Sua aparência era arredondada e sofria de diabetes por causa da obesidade e precisava  receber aplicações da injeção de insulina todos os dias. Quando enfrentava uma ladeira,  a sua respiração ficava ofegante mesmo ao subir andando, ou seja, ele era também um  potencial portador de doenças cardíacas.  Quando o Sr. K. era jovem, passava os dias com trabalhos e mais trabalhos, sem praticar  nenhum  exercício  físico  em  especial. Aos  69  anos  de  idade,  com  um  pouco  mais  de  tempo disponível,  resolveu praticar algum  tipo de  exercício,  seguindo a  recomendação  médica.  Inicialmente, o Sr. K. começou a caminhar conosco todas as manhãs, durante 30 minutos  ao redor do parque.  Em um mês, somente com essa caminhada de 30 minutos todas as manhãs, o peso do  Sr. K. diminuiu de 72kg para 71kg. No segundo mês, ele fez o mesmo exercício e, com  isso, perdeu mais 1kg de seu peso, passando para 70kg.
  • 137. Capítulo 5 ­ A atual situação do tratamento de câncer e sua prevenção  137  No terceiro mês, foi introduzida, em alguns trechos da caminhada, uma corrida leve de  aproximadamente 5m, desta forma, ele caminhava durante 30 minutos, corria um pouco e  depois voltava  a  caminhar. A distância de  corrida ia  sendo aumentada gradativamente  quando ele deixava de demonstrar cansaço.  O peso do Sr. K., depois de três meses, diminuiu mais 1kg e passou para 69kg, ou seja,  por meio de uma caminhada de 30 minutos todas as manhãs, ele conseguiu reduzir 3kg  de seu peso em três meses.  Por  causa  dessa  redução  acentuada  do  peso,  em  certo  momento  o  Sr.  K.  chegou  a  pensar que estava com câncer, mas havia sido um ledo engano.  Depois de passar seis meses, desde que iniciou a caminhada, a respiração do Sr. K. não  ficava  mais  ofegante  quando  subia  uma  ladeira  a  pé.  Mais  tarde,  ele  já  estava  conseguindo correr vagarosamente, porém de forma contínua, ao longo dos 30 minutos  matinais. O seu peso também diminuía 1kg a cada mês regularmente e, depois de um  ano e meio, conseguiu o grande feito de reduzir de 72kg para 54kg. Depois de chegar a  esse estado, não houve mais a redução além desse peso, por mais que ele continuasse  a correr.  As roupas que o Sr. K. vestia ficaram todas largas e ele teve que reformar todas elas,  entretanto,  ganhou  uma  coisa  muito  especial,  que  não  poderia  ser  substituída  por  nenhuma  outra.  Isto  é,  obteve  saúde,  que  permite  agora  ao  Sr.  K.  subir  uma  ladeira  correndo, sem sentir nenhum problema. Além disso, o diabetes também foi curado e a  injeção de insulina tornou­se desnecessária.  O Sr. K. continua correndo todos os dias. Quando uma pessoa pretende praticar algum  exercício  dentro  da  cidade,  os  mais  recomendados  são  o  walking  e  o  jogging.  Estes  exercícios são fáceis de serem praticados, não requer dinheiro e podem ser praticados  sozinho. Por esta  razão, acreditamos que  seja o  melhor  método para  cuidar  de  nossa  saúde.  Faz 29 anos desde que surgiu a Associação dos Amantes de Corrida de Suginami e, ao  longo  desses  anos,  muitas  pessoas  idosas  chegaram  a  falecer,  mas,  somente  duas  pessoas  faleceram  de  câncer  e  o  restante  das  pessoas  foi  por  morte  natural  por  envelhecimento.  A exemplo do Sr. K. aqui apresentado, temos a convicção de que a saúde não é uma  dádiva de Deus, mas algo que cada pessoa deve conquistar pelo seu próprio esforço. As  pessoas que  pensam  que a prevenção e  a  terapia  poderão  ser  deixadas  a  cargo  dos  médicos  de  hospital  estão  enganadas.  É  preciso  também  que  cada  um  participe  ativamente da prevenção e tratamento do câncer.  A expectativa média de vida da população japonesa é de 76 anos para os homens, e 81  anos  para  as  mulheres.  No  entanto,  curiosamente,  a  expectativa  média  de  vida  de  médicos, que possuem seus consultórios, é de 67 anos. Muitas pessoas pensam que os  médicos têm uma vida longa, mas isto não acontece na vida real. As pessoas em geral,  que são leigas em medicina, vivem mais do que os médicos, em virtude disso, confiar  somente nas  palavras  desse  médicos  poderá  levar  as  pessoas  à  morte,  com  a  idade  ainda na casa dos 60 anos.
  • 138. 138  Os cuidados com a saúde exigem uma dedicação de cada um e não podemos ficar na  dependência de outras pessoas. Ter uma boa saúde não seria a nossa maior alegria? Por favor, salvem os pacientes como nós - para encerrar o livro No verão de 1990, uma senhora foi internada no Hospital Luka por causa de um câncer  terminal (ginecológico). Essa paciente soube dos efeitos da “hipertermia geral à base de  raios  infravermelhos  longos”  na  Faculdade  Feminina  de  Medicina  de  Tokyo  e  fez  o  seguinte  pedido  insistentemente:  “Por  favor,  tragam  do  exterior  um  aparelho  de  hipertermia geral à base de raios infravermelhos longos para o Hospital Luka e salvem os  pacientes como nós.”  Quanto  à importação  do aparelho de  hipertermia  geral à  base de  raios  infravermelhos  longos, o Prof. Dr. Masayoshi Yokoyama da Faculdade Feminina de Medicina de Tokyo,  responsável pelos atendimentos ambulatoriais especiais do Hospital Luka e também seu  conselheiro  que  sempre  nos  tem  orientado,  já  haviam  mencionado  esse  assunto.  Entretanto, por motivos de: • a terapia não ser coberta pelo seguro­saúde; ‚ o alto custo  do aparelho (100 milhões de ienes) sem garantia de retorno; ƒ a falta de espaço para a  instalação do aparelho no Hospital Luka e outras razões, havíamos chegado à conclusão  de que era melhor aguardar outra oportunidade para sua aquisição. Esta era a situação  existente.  Pouco tempo depois dessa decisão tomada, em um encontro que pareceu uma obra do  destino,  tive  a  grata  satisfação  de  conhecer  o  Dr.  Robins,  do  Centro  do  Câncer  da  Universidade Estadual de Wisconsin, conhecido nos Estados Unidos como a autoridade  em hipertermia geral à base de raios infravermelhos longos.  Nessa ocasião, tive a oportunidade de ver o aquecedor de hipertermia geral à base de  raios  infravermelhos  longos  da  empresa  Enthermics  (HD2001),  desenvolvido  por  ele,  e  ouvir suas opiniões sinceras. Durante uma reunião com o Dr. Robins, ele explicou­me em  detalhes sobre a hipertermia geral à base de raios infravermelhos longos e os resultados  obtidos.  Por meio desse encontro, pude constatar que esse tipo de terapia tem sido muito eficaz,  apesar dos poucos casos de tratamento efetivamente aplicado em pacientes, mas a sua  eficácia pôde também ser verificada pelos resultados apresentados em experiências com  animais e no tratamento do câncer desses animais.  Além disso, descobri que essa terapia apresentava alguns pontos positivos, tais como a  facilidade de aplicação do método, a segurança do paciente, menos sobrecarga para o  corpo  do  paciente,  possibilidade  de  aplicação  freqüente,  desaparecimento  da  dor  e  aumento do apetite logo depois da primeira seção de aplicação. Com isso, pude constatar  também que esse método terapêutico era o tratamento que estávamos procurando.  Pelos  relatórios  posteriores  a  1986,  que  o  Dr.  Robins  me  enviou  mais  tarde,  pude  reconhecer  mais  uma  vez  o  quanto  essa  terapia  é  maravilhosa.  A  aparência  do  Dr.  Robins,  digna  de  um  pesquisador,  as  suas  palavras  seguras  e  objetivas  quando
  • 139. Capítulo 5 ­ A atual situação do tratamento de câncer e sua prevenção  139  conversava,  faziam­me  lembrar  o  Dr.  Ben  Casey,  o  famoso  médico  do  seriado  de  televisão norte­americano, existente há algum tempo.  Inicialmente, eu tinha o desejo de apresentar essa terapia como algo que pudesse salvar  muitos pacientes que sofriam de câncer. Entretanto não pude conter a transformação que  estava ocorrendo em meu sentimento, quando esse desejo passou a ser algo semelhante  à uma missão.  E, no  outono  de  1990,  havia chegado  a  hora  de  decidir se íamos  ou não  introduzir  o  aquecedor  no  hospital.  Evidentemente,  não  havia  nenhum  aparelho  desse  gênero  no  Japão,  nem  tampouco  a  garantia  de  ter  a  cobertura  do  seguro­saúde  em  um  futuro  próximo. Pensamos muito e só chegamos a uma decisão próximo ao final do ano, depois  de concluirmos que valeria a pena experimentá­lo mesmo enfrentando muitas barreiras.  Ao  longo  desses  4  anos  de  trabalho  com  a  hipertermia  geral,  160  pessoas  foram  atendidas e 900 seções foram efetuadas no Hospital Luka. Quanto a seus resultados, já  apresentamos em detalhes neste livro. Baseando­me  nesses resultados clínicos, tenho a  certeza  de  que  a  “hipertermia  geral  à  base  de  raios  infravermelhos  longos”  trará  um  grande benefício para os pacientes que sofrem de câncer e para seus familiares.  Takeshi Takeuchi
  • 140. 140 Os autores  Masayoshi Yokoyama  Nasceu em 1936 na província de Niigata. Formou­se pela Faculdade de Medicina da Universidade de Niigata  em 1961. De 1967 a 1968 estudou cirurgia cardiológica como  bolsista da Faculdade McGill  do Canadá  e  Faculdade Duke nos Estados Unidos. Em 1983, tornou­se professor titular do Departamento de Cirurgia I da  Faculdade Feminina de Medicina de Tokyo. Doutor em medicina.  Especializado em cirurgia cardiológica, a sua competência como cirurgião é altamente reconhecida nacional  e  internacionalmente.  Baseando­se  em  sua  técnica  e  experiência,  desenvolveu  a  hipertermia  geral  pelo  método  de  circulação  extracorpórea.  Obteve  muitos  resultados  positivos  no  tratamento  do  câncer  e  é  conhecido  atualmente  no  mundo  como  um  grande  especialista  em  “hipertermia  geral  à  base  de  raios  infravermelhos longos”, resultante do aperfeiçoamento do método de circulação extracorpórea.  É autor de “Adaptação, uso e controle de marcapassos” e “Compreensão e convivência com o marcapasso”  (ambos  da  editora  Bunkodo);  “Os  rumos  da  medicina  atual”  (empresa  jornalística  Asahi)  e  outras  publicações.  Takashi Takeuchi  Nasceu em 1926 na província de Hokkaido. Formou­se pela Escola Superior da Marinha em 1945. Em 1950,  formou­se pela Faculdade de Medicina da Universidade Hokkaido. Em 1960, fundou o Hospital Luka (30  leitos),  em  Nakano,  Tokyo.  De  1987  a  1990,  foi  professor  em  regime  de  tempo  parcial  da  Faculdade  Feminina de Medicina de Tokyo. Fundou  o Centro Nacional de  Hipertermia  Geral  em  fevereiro de 1995,  ocupando o cargo de diretor­geral. Diretor­superintendente do Hospital Luka. Doutor em medicina.  Dedica­se ao tratamento do câncer pelo método de hipertermia geral à base de raios infravermelhos longos  desde  fevereiro  de  1991.  Até  agora,  fez  900  aplicações  em  160  pacientes,  apresentando  resultados  importantes. É considerado o Sol da esperança especialmente pelos pacientes terminais de câncer.  Ÿ Informações sobre o conteúdo deste livro pelo telefone 03­3389. Acreditando na eficácia da hipertermia geral no tratamento do câncer (isento de selo de inspeção)  3 de julho de 1995, primeira impressão  Autores: Masayoshi Yokoyama e Takashi Takeuchi Ó  Editor: Ken­ichiro Sakai  Editora: Kanki Shuppann  Chiyoda­ku, Koji­machi 4­1­4, cidade de Tokyo CEP102  Telefone: 03 (3262) 8011  Fax: 03 (3234) 4421  Transferências: 00100­2­62304  Impressão: Vector Insatsu  Efetuamos a substituição de livros com problema de impressão ou encadernação. Ó Masayoshi Yokoyama/Takashi Takeuchi 1995 Printed in Japan  ISBN­7612­5513­7C0047
  • 141. Capítulo 5 ­ A atual situação do tratamento de câncer e sua prevenção  141  (esta página apresenta outros livros da série "pensando na  saúde".)

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