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Bronquites: a causa e a cura
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de uma perda muito grande de espaço bucal, ou seja, tod...
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nuição do rendimento de aprendizado escolar em crianças, irri-
tabilidade, cacoetes, insegurança psico-social, instabilida...
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A língua dentro da boca funciona como uma verdadeira válvula
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A importância do sistema proprioceptivo da língua pode ser
testada por qualquer um: experimente tomar um copo de coca--col...
trar nenhum problema. Mas feito por um dentista ciberneta, o exame
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O leitor poderá observar que até uma úlcera duodenal am-
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CASUÍSTICA
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Epilepsias: uma
nova abordagem
Estampada em quadros medievais como a efígie do demônio,
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chegam relatos insinuando a possibilidade de minimizar as des-
ritmias que provocam o ataque epiléptico, através de terapi...
chamento compulsivo da boca. Os dentes e os lábios cerram-se
fortemente. Com isso o espaço bucal fica dramaticamente limit...
CASUÍSTICA
Dos inúmeros pacientes portadores de desritmias que passaram
pelo nosso consultório odontológico, A.M.C. foi um...
o afligiam. Continua ainda tendo alguns arrepios, algumas contrações
musculares e até algumas ausências, mas nunca mais ca...
(Em cada célula, o ser humano normal apresenta 46 cro-
mossomos, sendo 23 do pai e 23 da mãe. O mongol, no momento da
sua ...
das crianças portadoras da Síndrome de Down, preocupados com a
estética de seus filhos, costumam forçá-los a manter a boca...
relação geocêntrica universal. São estas alterações,por seu turno, que
irão intervir no seu desenvolvimento mental. Como s...
rios que se escondem através dos portadores da Síndrome de Down
— como resto de todas as outras disfunções provocadas por
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Uma leitura de sua boca através dos métodos da Biociber-
nética Bucal também deixa antever que a dificuldade de formu-
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1
A Busca de uma simbologia
universal: a boca e a cultura
II PARTE
A BOCA E O CONJUNTO BIOLÓGICO uma
abordagem sistêmica
(...
junto sócio-psicológico que se coníunde como seu próprio ser e que
atua em interação dinâmica com sua biologia. Descobrimo...
A BUSCA DE UMA SIMBOLOGIA
UNIVERSAL: A CULTURA E BOCA
Todas as áreas científicas, da biologia à física, despertam hoje
par...
Em sua essência básica, os íensores se manifestando dire-
tamente na relação do indivíduo é que estabelecem o sentido que
...
todo o soma orgânico, no DNA das células. O nosso cérebro
não passa de um computador de reverberação sistêmica de troca
de...
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Biocibernética bucal a cura pelos dentes

  1. 1. A Biocibernética Bucal apresenta-se hoje como uma das mais revolucio nárias técnicas terapêu ticas baseadas nos mo dernos conceitos de pos tura. Descobrindo na ^m / m DOCa a chave de inúme- V f " ras manifestações postu- W rais humanas, ela tem K I realizado curas que che- wi ' I gam a ser surpreenden- WÊb ' - . tes em uma vasta gama ~^L' / ^*j& de moléstias humanas: v » ^ i bronquites,epilepsias,úl- Jt^ 3 * ceras, disfunções do sis- ** tema digestivo e circula- tório, problemas mentais até então considerados insanáveis são alguns de seus campos de atuação. Até pacientes portadores de mongolismo têm sido substancialmente ajudados por esta fascinante es- cola de odontologia, inteiramente desenvolvida por pesquisadores brasileiros. Na verdade a Biocibernética Bucal não se assenta em conceitos já prontos e definitivamente fechados. Ainda aberta à pesquisa e à investigação, ela vem evoluindo rapidamente desde que foi formalizada em seus conceitos essenciais por volta dos primeiros anos da década de sessenta. O doutor Newton Nogueira de Sá é considerado hoje um dos mais férteis pesquisadores dentro da Biocibernética Bucal, e um terapeuta com casuística, comprovada em algumas centenas de casos, sendo atribuídos a ele os estudos que permitiram o aprofundamento maior da relação da boca com a Epilepsia e a Bronquite, entre outros. Clinicando na cidade paulista de Campinas, ele trabalha com a Biocibernética Bucal há pouco mais de dez anos. Foi formado em 1946 pela Faculdade de Farmácia e Odontologia de Arara-quara e se especializou em Cirurgia e Traumatolo-gia Buco Máxilo Facial e Implantes Subperiosteos, com inúmeros cursos de especialização em diversas áreas da Odontologia clássica. BIOCIBERNÉTICABüCfiL umarevoluçãona saúde editora Newton NogueiraM MB * <teSq ( r
  2. 2. ÍNDICE Introdução / Parte Em Busca de uma Compreensão Global............................ A Descoberta da 4.a Dimensão Bucal .............................. Bronquites: a Causa e a Cura no Vazio da Boca . . Rinites: o que são e como tratá-las ..................................... Doenças Circulatórias: da Anemia ao Enfarte Úlceras, Indigestões e Azias: um Novo Enfoque . Enxaquecas, Disfunções Hepáticas e Intoxicações Epilepsias: uma Nova Abordagem..................................... Mongolismo: a Ousada Esperança Terapêutica . . . // Parte — A BOCA E O CONJUNTO BIOLÓGICO A Busca de uma Simbologia Universal: a Boca e a Cultura /// Parte — OS ALICERCES DA ODONTOLOGIA DO TERCEIRO MILÊNIO Os Alicerces da Odontologia do Teiceiro Milênio Uma Visão da Dinâmica Energética Através da Boca .... 87 Aceleração Biológica e Vômitos ao Deglutir.................................. 94 Geocentrismo, Postura e a Busca do Homen Ereto ...................... 99 A.T.M.: por uma Terapia não Agressiva......................................... 106 Conceito de "top":Viga Mestra da Biocibcrnclica ...................... 115 ANEXOS A Busca de uma Simbologia Universal: Boca e Alimentação 127 Estatística .......................................................................................... 133 1 Em busca de uma compreensão global A humanidade avança hoje, emmeio à angústia e às convulsões do tempo, rumo a algumas das mais fascinantes descobertas que o conhecimento nunca antes ousou revelar aos homens. E, dentro deste contexto, as ciências médicas e biológicas assumem um papel de vanguarda — como não poderia deixar de ser. É a partir delas que emerge, sólida e cristalina, a consciência da universalidade da vida, da globalidade do Ser. A consciência de que o corpo é umtodo e que o indivíduo se encontra mergulhado na vida não como uma partícula isolada do Cosmos, mas como uma unidade vibrátil, pulsante, energética. Dentro da Odontologia, esta revolução sutil mas decisiva que vemos se desenrolar diante de nossos olhos tambémcomeça a deixar suas marcas profundas, libertando para a ciência algumas revelações que até então pareciam fortemente amordaçadas pelos dogmas do academicismo. Este princípio da globalidade Biofisiológica do ser humano, a certeza de que os fenômenos vitais são fragmentos da unidade 9 9 13 17 25 29 33 41 45 53 65
  3. 3. — onde a parte e o todo estão solidamente fundidos num único e grande conjunto — é que permitiu que se estruturassemas bases de uma nova escola da odontologia, a chamada Biociber-nética Bucal. Inteiramente nascida da pesquisa longa e sistemática de um grupo de profissionais brasileiros, unidos em equipes de estudo multidisciplinares, a Biocibernética Bucal abre hoje um dos mais promissores caminhos para o estudo objetivo dessa abordagem globalizante do ser humano. A Biocibernética Bucal — como quase toda grande descoberta ou quase toda grande síntese do conhecimento — nasceu a partir de constatações basicamente simples: nós dentistas vínhamos observando há muito tempo que, geralmente, quando os pacientes apresentavam certas e determinadas conformações e disfunções bucais, padeciam concomitan temente de outras disfunções orgânicas. Solucionadas as disfunções bucais, ax disfunções orgânicas apresentadas no início do tratamento também iam diminuindo. Isso nos levou a pesquisas profundas que acabaram por redi-mensionar a importância e as bases do equilíbrio postural da boca emsua relação com o todo orgânico. E assim, trabalhando à luz destes novos postulados, consta- tamos que à medida em que restabelecíamos a postura bucal em sua dimensão geocêntrica, o equilíbrio biológico nos vários sistemas orgânicos também se refazia, desaparecendo mesmo várias moléstias que existiam por ocasião do início do tratamento. Isso permitiu que, aos poucos, fôssemos estabelecendo re- lações, ligando determinadas patologias com determinadas dis- funções da boca, chegando assim a um verdadeiro mapeamento da estrutura de todo o corpo através da boca e dos dentes. Na verdade este não é um conceito novo na história da ciência e nem da medicina. Hoje já está largamente difundida a técnica do diagnótico pela íris e pelos olhos, mostrando que todos os problemas que afetam nosso organismo se refletem, como um espelho, na íris. Ocorre, no entanto, que, ao contrário da íris dos olhos, a boca tem-se revelado também uma estrutura-chave, capaz não só de espelhar as disfunções do organismo, como também de intervir nele de forma direta. Em suma, dentro da relação globalizante da parte com o todo, a boca cumpre um papel primordial — como estrutura de sustentação de toda a postura biológica. A importância desta posturação bucal para o conjunto da saúde humana vem sendo árdua e cuidadosamente experimentada no interior dos consultórios dos dentistas cibernetas. E, desde já, há indícios seguros de seu papel decisivo na solução de uma ampla gama de moléstias humanas. O trabalho que apresentamos agora se prende a pesquisas que elaboramos ao longo de vários anos com clientes de correções dentárias e ortopedias funcionais dos maxilares, mostrando como a simples reposturação da boca pode intervir na melhoria de inúmeras moléstias humanas. É importante esclarecer, neste ponto, que somos cirurgiões-- dentistas e fazemos ortopedia funcional dos maxilares e correções dos dentes. Nosso trabalho alcança apenas e tão somente a posturação do contexto bucal. Fazemos Ortopedia Funcional dos Maxilares, e o alcance mais amplo e profundo dos resultados de nosso trabalho está ainda aberto para ser investigado exaustivamente pelas outras áreas das ciências médicas e biológicas. 10 O
  4. 4. •«(fpIPIW^ 9 A descoberta da i.a Dimensão Bucal Como um verdadeiro Ovo de Colombo, fantástico em sua simplicidade singela, a descoberta estava pronta para ser reve- lada. A Odontologia clássica admite três dimensões funcionais em nossa boca: Altura, Lateralidade e Profundidade. A Biociber- nética Bucal,entretanto,descobriu que estas três dimensões são complementadas por uma quarta, que talvez só tenha permane- cido esquecida por tanto tempo graças à sua evidência quase cristalina. Esta dimensão é chamada hoje de 4.a Dimensão Bucal. Como veremos exaustivamente no decorrer deste livro, as implicações da 4.a Dimensão Bucal ainda não foram dimensio- nadas em toda a sua extensão. A nível introdutório e imediato, entretanto,vamos estabelecer a sua importância apenas na rela- ção com o aparelho respiratório. Para se compreender isto, basta perceber que o Vazio da boca é o espaço onde a língua trabalha. Não são necessários compêndios de fisiologia para que sua importância seja entendida mesmo pelos leigos: o ar que respi- "13
  5. 5. ramos antes de alcançar a luz dos alvéolos pulmonares atravessa a Orofaringe. Sobre a Orofaringe fica alojada a parte posterior da língua. Assim, dentro do espaço da boca, a língua funciona como uma verdadeira válvula de oxigenação — representando para o nosso sistema respiratório papel semelhante ao do coração no sistema circulatório (veja a figura 1). Apesarde sua evidente simplicidade, essa descoberta,esse novo conceito, arrasta atrás de si uma infinidade de conseqüências para todo o equilíbrio fisiológico do corpo humano. Afinal, o ar é um dos mais importantes valores energéticos da vida. Podemos passar até trinta dias sem ingerir uma única migalha de alimento, mas não passamos mais do que três minutos sem respirar, sob pena de comprometer irreversivelmente o equilíbrio orgânico. A primeira das dimensões bucais, a Altura, é determinada pela maior ou menor abertura da mandíbula em seus movimentos de abrir e fechar a boca; a segunda, a Lateralidade, define-se pelos arcos parabólicos formados pelos maxilares e dentes, enquanto a Profundidade vai da bateria dental anterior até onde se encontra a faringe. A 4.a Dimensão Bucal, então é representada pelo espaço vazio existente entre essas três dimensões e é exatamente dentro dela que a língua exerce todo seu trabalho. E, para que a língua possa exercer suas funções adequadamente, é necessário que seu espaço fisiológico dentro do contexto bucal seja também adequado. A falta desse espaço ou, em outras palavras, uma 4.a Dimensão Bucal atrofiada, gera inevitavelmente uma quebra no equilíbrio biológico, atingindo com seus efeitos os vários sistemas que lhe são conjugados. Assim, forma, espaço e função criam uma unidade dinâmica. A língua só pode cumprir seu papel essencial para todo o contexto respiratório quando há espaço e forma adequados. A compreensão dcslc conceito é vital para a discussão que se segue e é sobre da que se apoiam as bases da nova abordagem da Bronquile Asmática, da Epilepsia, bem como de toda sorte de moléstias de origem respiratória, circulatória e digestiva. Ilustração 1 14 15 i&íflife.ibiSÍiY
  6. 6. 3 Bronquites: a causa e a cura no vazio da boca Fortunas incalculáveis em trabalho, dinheiro, tempo e dedicação são gastas a cada dia que passa, mobilizando verdadeiros exércitos de médicos, enfermeiros, e auxiliares, na tentativa de debelar o sofrimento dos milhões de pacientes que padecem de bronquites asmáticas ou crônicas nos mais diversos quadrantes do mundo. A nossa experiência de vários anos, acompanhando siste- maticamente a angústia de mais de uma centena de pacientes brônquicos e aplicando junto a eles os princípios de posturação revelados à ciência pela descoberta da 4.a Dimensão Bucal, é que nos permile afirmar hoje com convicção: se a bronquite crônica ou asmálica não foi ainda inteiramente debelada pelos tratamentos clássicos ou ortodoxos, isso se deve ao fato de que ela vem sendo tratada em seus efeitos colaterais e finais e não em seus eleitos causais. Há um dado decisivo, que até hoje havia escapado comple- tamente à observação dos sábios que se dedicaramumdia ao 17 I
  7. 7. estudo da bronquite: todo o paciente brônquico, sem exceção, sofre de uma perda muito grande de espaço bucal, ou seja, todos eles tem sua 4.a Dimensão Bucal profundamente reduzida por desvios de posturas mandibulares ou outras disfunções. Dessa forma, nestes indivíduos, a língua, que é constituída por tecidos moles, bem mais flácidos que os outros tecidos que formama boca, se vê gravemente comprimida em seu espaço funcional. Sem espaço fisiológico suficiente para se alojar, a língua é projetada então para trás, tombando a epiglote sobre a laringe e comprimindo a glote. Assim o canal de entrada e saída do ar dos pulmões permanece sempre bloqueado, como uma mangueira semi-obstruída por um poderoso garrote. É exatamente aí que reside a origem, a causa e também a pedra angular para o tratamento de todas as formas de bronquites. Para que isso fique claro, entretanto, é necessário que m-cursionemos um pouco pelos meandros da fisiologia clássica: como se sabe, os brônquios pulmonares se assemelham a uma árvore frondosa com seus inúmeros galhos. Iniciando-se na tra-quéia, os tubos constituídos por anéis cartilaginosos da chamada Árvore Brônquica se ramificam em estruturas mais delgadas ______ os bronquiolos — que já nos lóbulos pulmonares desembocam nos alvéolos — que são como pequenos sacos microscópicos atados no final dos tubos minúsculos. É ali que se processa a troca de oxigênio e gás carbônico com a corrente sangüínea (veja figura 2). A Bronquite — que pode ser aguda ou crônica — como seu próprio nome indica, é uma irritação ou inflamação dos bronquiolos. As bronquites agudas geralmente são benignas e de pouca duração; não apresentam maiores complicações. Já as bronquites crônicas apresentam maiores perigos c são, pelos conceitos clássicos, de difícil solução. A Árvore Brônquica produz, em condições normais, uma média de 100 centímetros cúbicos de muco por dia. Esse muco é uma substância viscosa constituída por uma combinação de 18
  8. 8. proteínas e hidratos de carbono, e uma de suas múltiplas funções é a de aquecer o ar inalado pelas vias respiratórias e funcionar como um filtro para as bactérias e demais partículas nocivas ao bom funcionamento pulmonar. É um sistema perfeito, montado pela Natureza para funcionar com a precisão de uma máquina transcendental. Acontece que, coma atrofia da 4.a Dimensão Bucal, com a perda do vazio da boca e o conseqüente tensionamento da língua sobre a epiglote e glote, o sistema todo entra em desarmonia. Como todo ser humano necessita de uma certa e definida quantidade de ar — num determinado espaço de tempo — para sua sobrevivência, o organismo do indivíduo bronquico faz funcionar o seu mecanismo de superação quando sente diminuído o fluxo de ar que entra em seus pulmões. E faz isso acelerando a velocidade do fluxo respiratório, alterando sua freqüência. De tal modo que, num indivíduo bronquico, a freqüência respiratória atinge 15, 20, 25, 30 ou até mais vezes por minuto — quando num indivíduo adulto normal em estado de repouso essa freqüência não deveria ultrapassar a casa das 10 ou 12 vezes por minuto. Nesse ponto iniciam-se os problemas: a passagem excessi- vamente rápida do ar pelas mucosas que revés tem a orofaringe e os brônquios — a exemplo do que acontece com qualquer líquido em qualquer superfície — provoca uma evaporação muito mais rápida do muco ali existente. A estrutura anatômica destas mucosas, no entanto, é muito sensível. E por isso o organismo desequilibrado precisa adotar medidas compensatórias urgentes, para evitar o ressecamento e o resfriamento destes órgãos. E assim — em mais um dos maravilhosos mecanismos de autodefesa criados pela natureza — o organismo passa a produzir mais muco a fim de evitar lesões e manter a integridade das mucosas. Quanto maiores e mais contínuos forem os estímulos ao ressecamento, maior será a formação de muco excedente. Acontece que, se por um lado o muco tormado na orofaringe é facilmente eliminado através da deglutição e dos escarros, por outro lado o muco formado na intimidade dos brônquios não tem como ser removido. Então esse muco tende a descer, sob a pressão da gravidade, indo se alojar nas partes mais interiores dos pulmões. Ali, onde o diâmetro das estruturas é muito reduzido, uma pequena quantidade de muco é mais do que suficiente para obliterar a passagem do ar, principalmente a nível dos alvéolos. Com a diminuição da passagem do ar, o fluxo respiratório torna-se ainda mais acelerado e o organismo tende novamente a aumentar a produção de muco, criando um eterno círculo vicioso de desequilíbrio. Temos assim o quadro de uma irritação ou de outras tantas irritações nos bronquíolos. A debilitação do paciente, provocada pelo agravamento do mal, o predispõe ainda a várias complicações e infecções — lançando-o na tempestade da angústia c do trauma emocional verificado por ocasião das crises asmáticas. Em casos extremos, quando o organismo não consegue produzir o muco suficiente de proteção, a árvore brônquica passa a sofrer os efeitos do ivssecamcnlo intenso, que provoca fissu-.as e rachaduras. líssas rachaduras se abrem em verdadeiros canais paia o e.xlravasamento do plasma sangüíneo, que atinge a luz dos alvéolos e — favorecido pela umidade e pelo calor ambiente - cria um meio de cultura ideal para a formação de colônias de germes. TRATAMENTO — Através de aparatologias endobucais, por nós criadas e desenvolvidas, podemos detectar se o mal bronquico está sendo causado por uma disfunção do contexto bucal. Feito isso, temos condições de reparar definitivamente a causa da disfunção. O tratamento por nós preconizado consiste no posturamento correto dos maxilares, língua e dentes, obedecendo a um posicionamento geocêntrico que propicie um 20
  9. 9. equilíbrio dinâmico nas relações orais, trazendo a cabeça a uma conformação postural benéfica a toda estrutura corporal. Raramente este tratamento ultrapassa os 60 ou 90 dias. CASUÍSTICA Em abril de 1980, uma senhora de 69 anos, residente na cidade de Limeira, nos procurou para lhe fazermos novas próteses totais. Soubera através de outros pacientes que respeitávamos, nas próteses totais, as curvas de "Spee" e de "Wilson" e utilizávamos normalmente material de boa qualidade, dependendo da vontade e disponibilidade financeira do paciente, o que tornava o trabalho confortável de usar, além de estético. Ao fazermos a anamnese da Sra. I.F.B., constatamos que ela era portadora de uma Bronquite Asmática desde os seus nove anos de idade e agora, com' seus 69 anos, a bronquite estava se tornando insuportável, sendo quase impossível conviver com ela. As crises eram constantes e as idas e vindas a hospitais também. Além do desgaste financeiro que já estava ultrapassando as suas possibilidades, I.F.B. sentia-se cansada de viver, pelo sofrimento que a doença lhe causava, com tanta falta de ar, espirros, rinites, dores de cabeça e outros problemas de ordem geral como fraquezas, fadiga e desânimo. Inicialmente fizemos-lhe uma prótese total superior, respei- tando aqueles princípios de que já falamos, e, no maxilar inferior, colocamos-lhe durante o período de tratamento uma placa de resina, com 7 "Tops", proprioceptivo, neural, de relacionamento, de circulação e digestivo, de segurança c de estabilidade. Fomos "checando" as suas disfunções apresentadas antes do tratamento com as alterações morfofisiológicas do seu contexto bucal. Aos vinte e um dias, conseguimos encontrara postura adequada e a sua real relação cêntrica da ATM (Articulação Têm- poro Mandibular) e o espaço ideal para o bomfuncionamento de sua língua. Em 120 dias, I.F.B. conseguiu liberar-se daquela Bronquite Asmática de 60 anos, regredindo juntamente com ela todos os sintomas já mencionados. Houve uma transformação completa. Aquela mulher pálida, sem vitalidade adquiriu uma cor boa, tornou- se mais bonita, não só emrazão das próteses, mas tambémpela saúde readquirida. As aparatologias do maxilar inferior, após encontradas as suas dimensões, foram substituídas por uma prótese total, dentro da nova memória de mordida. Ilustrações a, 4, 5 e 6 — Nas fotos à esquerda, a paciente I. F. B., portadora de inúmeros problemas de saúde, entre os quais uma bronquite asmática que a perseguiu durante décadas seguidas, vista de frente e de perfil, quando se apresentou em nosso consultório. As fotos da direita mostram mudanças não só na estrutura de seu rosto, como no auadro geral de vitalidade, após pouco mais de três meses de tratamento. 22 23
  10. 10. 4 Rinitcs: o que são v como tratá-las A Rinite, apesar de ser uma doença crônica bastante desa- gradável, sendo a maior incidência nas clínicas especializadas em alergias — não é considerada grave, pois não provoca conseqüências funestas para o ser humano. É uma inflamação das mucosas do trato aéreo nasal, acompanhada de corrimentos, es-pirros, coceiras, entupimento; estes sintomas costumam vir acrescentados de manifestações ocularcs, lacrimejamenío, ardência, fotofobia e coceira. Ela pode ser "Estacionai" e "Perene ou Constante". ^A A Rinite Alérgica Estacionai depende da exposição a alér-genos especiais, como determinados pólens de plantas. Quanto à Rinite Perene, ou renitente, ela é mais constante e ocorre durante todo o ano, com mais intensidade nos meses frios. Dentro dos conceitos clássicos, ela é creditada à sensibilidade aos ina-lantes domiciliares, às poeiras em geral. É uma doença crônica bastante desagradável, pois desencadeia uma série de anormalidades ao seu portador: dores de cabeça, perdas de apetite, insônias, insatisfação de sono, dimi- 25
  11. 11. nuição do rendimento de aprendizado escolar em crianças, irri- tabilidade, cacoetes, insegurança psico-social, instabilidade emo- cional, entupimento constante das narinas, dificuldade de respirar pelo nariz, predispondo o paciente à respiração bucal. E, o que é o pior, na criança, a constante corisa, poderá transformá-la em uma adenoideana. Na abóboda naso-faríngea de toda criança, existem conglo- merados de tecidos linfáticos. Quando se irritam pela constante corisa, aumentam e vão formar as nefastas vegetações adenoi-deanas. Assim, estes tecidos vão fechando a passagem do ar pelas fossas nasais, obrigando a criança a manter a boca aberta para respirar. Com o tempo, este hábito de respiração mista altera paulatinamente a fisiologia do sistema através de rupturas intermusculares e interdentárias. O rosto da criança se afina, a boca fica entre-aberta, o maxilar inferior vai para traz, os lábios ficam sem tônus muscular, os dentes superiores se projetam para a frente e a criança vai adquirindo aquele aspecto pouco estétice do estereótipo adenoideano. Esta é uma doença considerada por muitos como praticamente sem solução, pois não costuma reagir às terapêuticas far-mo- médicas. São-lhe preconizadas várias formas de tratamento, mas quase sempre sem resultado. E aqui, mais uma vez, acreditamos que a dificuldade se deve ao fato de que ela vem sendo tratada em seus processos finais, colaterais, e não em suas causas. Em nosso trabalho clínico, temos constatado que as corisas e rinites, sejam alérgicas ou não, são mais conseqüência de uma alteração bucal do que qualquer outra coisa. Longe de ser uma doença ou uma alergia, na acepção estrita da palavra, corisas e rinites são mais um sintoma e um alerta de um desequilíbrio orgânico tendo como centro o contexto bucal. Perfeitamente curáveis, estes são os primeiros sintomas que costumam desaparecer quando se colocam aparatologias de correção postura] dos maxilares. A sua causa é idêntica à causa das bronquites, que vimos atrás: com a perda da 4.a Dimensão Bucal, a língua obstrui a passagem do ar para os pulmões e o indivíduo acelera a velocidade de seu fluxo respiratório, ressecando as mucosas e provocando rachaduras e estrias no trato aéreo, sensibilizando-o para todas as formas de afecções — até as gripes e resfriados. E, quanto maiores forem os estímulos ao ressecamento da mucosa, maior será a formação de muco, daí o aparecimento do corri-mento das fossas nasais e espirros constantes — as chamadas corisas e rinites alérgicas. TRATAMENTO — O tratamento por nós preconizado é proporcionar ao indivíduo portador da disfunção um maior espaço dentro da boca, para que a língua possa se anteriorizar, vir mais para frente, restabelecendo o espaço condizente para as suas funções. Os resultados são muito gratificantes. Tão logo é colocado o aparelho na boca, as melhoras se fazem notar. Há casos em que as rinites desaparecem em poucas horas. Em menos de uma semana quase todos os casos de rinites crônicas costumamregredir totalmente. CASUÍSTICA O nosso trabalho com bronquites e alergias respiratórias tem mostrado resultados quase que totais. Poderíamos citar centenas de casos de pacientes que nos procuraram para uma solução de problemas odontológicos normais mas que, concomitante-mente, eram portadores de certas e determinadas disfunções orgânicas que estavamintimamente ligadas com o contexto bucal. Um destes casos é A.M.VJr, um professor de educação física em São Paulo, com brilhantes vitórias em competições atléticas, mas que, apesarde todo o seu trabalho de cultivo ao físico e à saúde,tinha sua área respiratória toda comprometida por uma bronquite asmática e por corisas renitentes. Partimos com ele para um trabalho ortopédico com aparelhos por nós desenvolvidos. Estes aparelhos contêm o que chamamos de "top aéreo muscular". Graças ao restabelecimento imediato do espaço bu- 26 27
  12. 12. cal, em três dias a rinite do paciente desapareceu, como desa- pareceram ainda os espirros constantes que o abalavamtoda vez que entrava em contato com poeiras e perfumes. Desapareceu também em poucos dias a enxaqueca que o atormentava desde a adolescência. A sua bronquite asmática regrediu logo nas primeiras semanas, mas só desapareceu totalmente num período mais longo, de 80 dias. A demora no tratamento das bronquites deve-se à necessidade de um controle mais persistente do equilíbrio pos-tural endo-bucal. Encontrada a postura ideal, o nosso trabalho é de manter a nova memória de mordida, através de aparelhos mantenedores da postura bucal. Se o paciente tiver com os dentes em péssimas condições, podemos encerrar o tratamento reabilitando os seus dentes em porcelana, respeitando aquela dimensão ideal e funcional encontrada. Mas como A.M.V.Jr era portador de uma bonita dentição apesar das sérias perdas de espaços funcionais,o nosso trabalho restringiu-se em compensar aquela perda de espaço, sustentando a nova abertura através do chamado "aparelho mantenedor" que não é antiestético, pois fica imperceptível dentro da boca, sendo usado, normalmente, para dormir. Ilustrações 7 e 8 — Na foto à esquema o paciente A. M. J. quando se apresentou para o tratamento. Observe a perda de espaço bucal provocada pelo cruzamento de mordida. O maxilar inferior penetra profundamente dentro do maxilar superior. Isso provoca uma perda acentuada de espaço na dimensão da altura. O mesmo ocorre com a menina A. P. da foto ao lado. 5 Doenças circulatórias da anemia ao enfarte O sistema circulatório, em seu aspecto fisiológico básico, está profundamente associado ao respiratório. A função primordial, de carrear o oxigênio absorvido ao nível dos pulmões para a intimidade dos tecidos e células, constitui a essência energética da vida. Dessa forma, um sistema respiratório funcionando precaria- mente deverá acarretar conseqüências imediatas para o sistema circulatório. A mecânica é simples: se o pulmão mantém o fluxo natural, o pulsar da circulação sangüínea, sob o comando do coração, também será regular, sincopado, pleno e saudável. A partir do momento em que o sistema respiratório entra em dis-íinição, diminuindo o fluxo de oxigênio que dos pulmões alcança ■i corrente sangüínea, o coração também será obrigado a se adaptar a este novo ritmo. A respiração em um indivíduo adulto normal e em estado de repouso c de dez a doze vezes por minuto. Temos constatado que em indivíduo com a 4.a Dimensão Bucal atrofiada, a respiração pode ir a quinze, vinte, trinta ou até mais vezes por minuto. O sistema circulatório e respiratório andam em para- 28 29
  13. 13. leio: a cada quatro litros de ar que adentra aos pulmões, tem que entrar ao mesmo tempo cinco litros de sangue. É uma lei biológica: acelerando um, acelera o outro; desacelerando um deles, desacelera automaticamente o outro. Assim, o fluxo respiratório excessivamente rápido provoca um aceleramento do pulso cardíaco. As conseqüências deste aceleramento são largamente conhecidas por toda a medicina e a fisiologia clássicas, estando mesmo na origem das principais moléstias circulatórias. Afinal, o coração, e todo o conjunto pul-sante de veias e artérias é um sistema programado para funcionar segundo a cadência de um ritmo determinado e fora deste ritmo há o desgaste, a disfunção, a moléstia. As hemácias sangüíneas, isoladamente, são verdadeiros pul- mões circulando por todo o organismo. Elas levam oxigênio, auxiliam no metabolismo e trazem de volta as toxinas resultantes, para os pulmões eliminá-las através das vias respiratórias. As hemácias sangüíneas, quando circulam, pelos capilares pulmonares de um indivíduo adulto normal em repouso, têm um espaço de tempo de aproximadamente um segundo para absorver o oxigênio que se encontra nos alvéolos pulmonares, como também para eliminai o gás carbônico e outras toxinas vindas do metabolismo celular. Um segundo é tempo mais que suficiente para haver troca de oxigênio pelas toxinas, pois em Vi segundo as hemácias |.i si- encontram completamente cheias de oxigênio e livres do gas caihônico e demais toxinas. Isso, no funcionamento norni;il de um indivíduo em repouso. Em exercício ou em esforço maior, o in d iv í d u o e Iorçado a respirar mais depressa para compensai o desgaste que também é maior. E o coração é também forçado a aumentar o seu trabalho passando a bater mais depressa, pois o fluxo de sangue no pulmão também vai se alterar. Conforme aumenta a freqüência tias batidas cardíacas, a velocidade de passagem do fluxo sangüíneo dentro dos alvéolos pulmonares tambémaumenta. O indivíduo tem um limite máximo de 1 segundo e um limite mínimo de 0,3 segundos para fazer essa troca energética de oxigênio e expulsão do gas carbônico e demais toxinas das hemácias durante a sua passagem pelos alvéolos pulmonares. Entretanto, se o indivíduo tiver uma aceleração exagerada do fluxo sangüíneo dentro do alvéolos, ele não terá tempo para fazer aquela troca, advindo daí seríssimas conseqüências para o organismo. Ao invés dele dispor daquele tempo de 1 segundo até 0,3 segundos, esse tempo de aceleração irá para menos de 0,3 segundos e, então, as hemácias sangüíneas nesse tempo-espa-ço não terão capacidade plena de oxigenação. Será diminuída a sua capacidade de absorção de oxigênio e como conseqüência será diminuída também a eliminação das toxinas. Se isso ocorrer num indivíduo, esporadicamente, e por porco tempo, nada lhe vai alterar organicamente. Existem outros mecanismos de superação. Mas se for constante e por longos pe-i iodos de tempo este desequilíbrio entre fluxo respiratório e cir- culatório, entáo, os resultados serão desastrosos, advindo como conseqüência anemias c outras idiossincrasias sangüíneas, como doies de cabeça constantes, enxaquecas, intoxicações orgânicas, hi|>ol'i.',es tissulares, problemas hepáticos etc. Todas essas patologias só desaparecerão se eliminarmos as suas causas; e essas causas, na maioria das vezes, estão no cont e xt o bucal, pela perda de espaço funcional, seja de altura, seja na sua dimensão de lateralidade ou de profundidade. Esta perda de espaço vai provocar um desequilíbrio entre o sistema respiratório, circulatório, digestivo e excretório, alterando toda a bioquímica e todo o metabolismo orgânico. Com a hipo-oxigenação das hemácias em razão.da aceleração da fisiologia, as possibilidades de oxigenação do organismo também ficam diminuídas. E a conseqüência maior será refletida na micro-oxigenação, ou seja, na oxigenação periférica. Tão logo as hemácias saem dos pulmões, os tecidos por onde elas passam retiram os seus quinhões de oxigênio e empurram os seus detritos (jesultantes do metabolismo). Assim, na hipo- oxigenação os tecidos finais, na razão direta dos distan- 30 31
  14. 14. ciamentos dos pulmões, vão sendo prejudicados, pois também estão diminuídas as reservas de oxigênio que chegamdas hemá-cias. Esta é a razão do aparecimento da hipófise tissular, que inicialmente surge muito lentamente e se agravam com o tempo. A pele vai ficando cada vez mais pálida e o indivíduo se torna anêmico. Aí então procura-se compensar o desequilíbrio comcomida e remédios. Mas o que se está precisando é de respiração, de oxigênio e não de medicamentação, muito menos de comida. Comendo demais, sobrecarrega-se o organismo, e complica-se ainda mais o quadro. Esta tambémpode ser a causa de muitos casos de obesidade. Como vimos atrás, na exposição sobre a Bronquite, uma das principais causas do aumento do ritmo respiratório é exatamente a diminuição do Vazio da Boca, ou seja, da 4.a Dimensão Bucal. A simples reposturação do Vazio da Boca, portanto, através de aparatologia endo-bucal por nós desenvolvida, contribui rapidamente para o reequilíbrio do pulso cardíaco e o conseqüente distensionamento de todo o sistema circulatório. Mas não é só isso: a relação da boca como conjunto do sistema circulatório é muito mais ampla. Já é largamente conhecida pela medicina a influência do tônus muscular de um indivíduo no equilíbrio de sua pressão sangüínea. E uma vez que um dos resultados mais imediatos do tratamento pela Bio-cibernética Bucal prende-se justamente à normalização postural do sistema muscular — através do reequilíbrio geocêntrico do indivíduo — aí tambémos seus efeitos se fazem sentir rapidamente no sistema circulatório. 6 Úlceras, indigestÕes e azias: um novo enfoque O Sistema Digestivo é responsável por uma das relações primárias mais importantes entre o indivíduo e seu meio ambiente. É quando conquisla o leite materno que o indivíduo experimenta, talvez pela primeira vez na vida, este equilíbrio tão importante entre a tensão e a saciedade. A fome é, sem sombra de dúvida, um dos primeiros tensores humanos, entre aqueles que levam o indivíduo a agir no mundo buscando a realidade que se encontra fora de seu próprio ser. A quebra postural, portanto, deve fazer incidir de forma imediata os seus efeitos sobre o aparelho digestivo. Ao nível das relações mais diretas, a perda da 4.a Dimensão Bucal também produz efeitos imediatos no funcionamento do aparelho digestivo. Quando o indivíduo perde espaços nas suas dimensões bu-cais, seja em altura, por desgastes, quebra e perdas dentárias, seja na lateralidade, por perda ou extrações dentárias prematuras, extração de pré-molares, por apinhamentos dentários ou qualquer razão; seja na profundidade, por retração dos maxilares; sempre que o indivíduo perde este espaço bucal, a língua se pressuriza e entra emdisfunção. 32 33
  15. 15. A língua dentro da boca funciona como uma verdadeira válvula de oxigenação e de equilíbrio do funcionamento fisiológico entre vários sistemas biológicos. Dela depende o bom funcionamento do sistema respiratório, circulatório, digestivo e proprioceptivo. Ninguém pode viver sem a língua. Pode-se remover uma pequena porção dela, mas esta porção jamais poderá ultrapassar vinte por cento sob pena do indivíduo perecer. A perda de espaço bucal e o desequilíbrio de sua função, portanto, quebram o equilíbrio funcional entre os vários sistemas fisiológicos que lhe são conjugados. Daí o aparecimento de certas e determinadas doenças, idiossincrasias, disfunções respiratórias, circulatórias — como já vimos — e indigestões, flatu-léncias, úlceras gástricas e duodenais, prisões de ventre, anemias etc. Noventa por cento de quase todas as mazelas humanas têm algum início etiológico na boca. É dentro do contexto bucal que encontramos as pedras angulares de sustentação do equilíbrio orgânico; é aí que se deve iniciar a busca para a solução das disfunções e patologias do homem. O processo sensitivo que chamamos de proprioceptivo é um processo biofisiológico que nos proporciona a tomada de consciência de tudo o que se passa em nós e à nossa volta c que dá a possibilidade de defesa, de ataque e de vida. Eslá distribuído emtodo o soma orgânico e tem um de seus maiores referenciais dentro do contexto bucal. Quando qualquer alimento é introduzido em nossa boca, no exato momento em que ele entra em contato com os receptivos sensoriais da língua, disparam informações nervosas e bioquímicas pelo corpo: todo o sistema toma conhecimento dos elementos químicos, de sua quantidade e qualidade dentro da boca. Uma imensa rede de informações nervosas é disparudi: e imediata- mente se forma um tipo especial de saliva para aquele momento, com a finalidade de dissolver e retirar os elementos realmente necessários para a manutenção do corpo. Deglutimos saliva numa média de 1.400 vezes por dia. Às vezes até mais. Se esta saliva estiver alterada, muito ácida ou demais alcalina, com desequilíbrio em seu PH, ela vai alterar e desorganizar o suco gástrico, provocando perturbações digestivas que resultarão em indigestões, gástrites e úlceras. É vital o equilíbrio do PH da saliva. Sua função é preparar o alimento para a digestão ao nível do estômago e dos intestinos, separando certos e determinados elementos químico-energéticos contidos no bolo, para serem aproveitados pelo organismo segundo as solicitações de cada sistema orgânico, de cada órgão e de cada célula., A saliva sofre solicitações de toda ordem em sua composição química, dependendo das necessidades bio-físico-psíco--social e até comportamental do indivíduo. Para cada momento de tempo e de espaço existe um tipo especial de saliva. As "cuspidinhas" que costumamos dar ao longo do dia não são tão simples como podem parecer: são de uma elaboração altamente sutil, fisiológica e proprioceptiva. Sem saliva não há vida. Até os nossos tensionamentos mais sutis podemser detectados pela saliva. Tente cuspir quando estiver nervoso ou assustado. A saliva some e a boca fica seca. Se você quiser descobrir quando um indivíduo está tensionado, basta mandá-lo cuspir sobre uma superfície qualquer. Se a saliva estiver espu-mosa e cheia de bolinhas de ar, tudo bem. Mas se estiver vis-cosa, uniforme, pitialosa, o indivíduo estará passando por um momento de tensão, mesmo que ele não aperceba disso. Pois bem: sabemos que todo o ato proprioceptivo forma umtipo de saliva especial para aquele momento. Assim, vai depender desta propriocepção a nível da língua, o equilíbrio básico do PH de nosso aparelho digestivo e os sucos gástricos em elaboração. Ora, se a saliva se encontra alterada é óbvio que também vamos ter seríssimas alterações cm nossos sucos gástricos, daí a razão das újeeras gástricas, duodenais, azias e indigestões. 34 35
  16. 16. A importância do sistema proprioceptivo da língua pode ser testada por qualquer um: experimente tomar um copo de coca--cola ou de cerveja emgoles pequenos e bochechando umas vinte ou trinta vezes antes de engolir. No segundo ou terceiro gole perde-se ioda a vontade de beber. Quando o sistema proprioceptivo está alerta, nós só comemos aquilo que realmente precisamos e na quantidade justa e exata para suprir as necessidades do organismo. As pessoas costumam empaturrar-se de comida ou de bebida ludibriando o sistema proprioceptivo: engolem tudo muito rápido, não permitem a intimização dos alimentos com a saliva e com os receptores sensoriais da língua. Quando não damos tempoqpara a propriocepção digestiva bucal, passamos não só a comer mais do que o necessário, como comemos também aquilo que não precisamos. O estômago e os intestinos digerem quase tudo o que lhes cai dentro. Eles não são proprioceptivos, são sensitivos. Este conceito de intimização dos alimentos coloca por terra muitos dogmas alimentares, mas coloca também por terra alguns dogmas clássicos da odontologia: toda odontologia, afinal, é fundada no conceito de que os dentes têm um papel unicamente de trituradores de alimentos. E triturar, no caso, é o que menos importa. A nível odontológico, a principal descoberta da Biociber-nética Bucal para a terapia de todas estas moléstias prende-se à descoberta de que a compressão da língua, por falta de espaço bucal, gera não só a perda proprioceptiva deste órgão como também o tensionamento dos duelos salivares. Prensados, estes condutos terão seus diâmetros diminuídos ou interrompidos, impedindo a saída correta, adequada e no tempo certo dos sucos que vão compor a saliva. A quebra deste equilíbrio altera a saliva, desorganiza a bioquímica do corpo e o PH bucal. TRATAMENTO — Como foi vistu, a causa dos desequilíbrios do sistema, na maioria das vezes, é uma alteração morfo- fisiológica do contexto bucal, uma diminuição de suas formas. Ha falta de espaço fisiológico para a língua. Como início do tratamento, costumamos usar uma aparatologia que aumente a dimensão da altura da boca, usualmente chamada "Top" proprioceptivo, com apoio nos primeiros molares e nos pré-molares, e numa altura condizente com as necessidades pessoais de cada paciente. A seguir vamos checando as suas disfunções e o re-estabelecimento postural a nível geocêntrico. Isso feito, finalizamos com uma aparatologia mantenedora de postura, que deverá ser usada por um período de trinta a sessenta dias, dia e noite. Depois, só à noite e aos poucos o paciente se libera dela. Quando o paciente é portador de má dentição, recomendamos uma reabilitação total de seus dentes, como manutenção de postura na sua nova memória de mordida funcional. Em indivíduos sem dentes, a prótese total também poderá ser confeccionada dentro dos mesmos princípios, numa postura funcional, geocêntrica, observando as curvas de "Spee", de "Wilson" e os planos de "Kamper". Quando fazemos correções bucais, aumentando os espaços, as primeiras melhoras que os pacientes apresentam são relacionadas ao sistema digestivo. Indigestões, azias e gastrites desaparecem completamente em questão de dias. Já emtrinta, sessenta ou noventa dias, regridem totalmente até as úlceras gástricas e duodenais mais renitentes. O caráter rápido deste tratamento se deve, em primeiro lugar, à abertura do espaço bucal e depois à colocação de apara-tologias que excitam a propriocepção da boca, liberando instantaneamente os duetos salivares e provocando a produção de saliva abundante e equilibrada. Há casos em que os pacientes apresentam uma boa formação dentária e, mesmo assim, estão cheios de problemas no sistema digestivo. Um exame de sua boca feito por um cirurgião dentista que não conhece os nossos conceitos pode não encon- 36 37
  17. 17. trar nenhum problema. Mas feito por um dentista ciberneta, o exame assume outro enfoque. Vamos direto às medições dos espaços vazios. Constatando a falta de espaço, a primeira coisa que fazemos é colocar aparatologias próprias que levantem a sua dimensão vertical e liberem seus movimentos da ATM (Articulação Têmporo Mandibular). Muitas vezes, como veremos adiante, o principal problema é que a ATM está fora de sua relação cêntrica. O sistema proprioceptivo bucal também é ativado com a colocação do "Top". CASUÍSTICA Sempre que eu ia comprar material odontológico, sentia falta da presença daquele vendedor magrinho e atencioso. Perguntava por ele e a resposta, invariavelmente, era a mesma: "foi ao médico" ou "foi embora para casa porque estava passando mal". Fiquei sabendo, posteriormente, através dele próprio, que uma úlcera duodenal o martirizava desde 1981. Ele já tinha ouvido falar alguma coisa relativa ao nosso trabalho odontológico, mas nunca imaginara que aquela problemática estomacal e digestiva poderia ter como causa uma perda do espaço bucal. Ficou feliz quando o convidei para ir ao meu consultório para fazermos um estudo do seu caso. Levou-me as radiografias que possuía, uma datando de 27.8.81, com o seguinte resultado: "bulbo duodenalapresentando convergências de pregas mucosas para imagem de nicho central. arco duodenal anatômico. DIAGNÓSTICO: ÜLCERA DUODENAL:' 38 E uma outra radiografia datada de 8.3.82 com o seguinte resultado: "DUODENO: Piloro deformado, apresentando-se permeável, porém com edema, hiperemia. Bulbo duodenal apresentando ulceração na parede anterior de bordas regulares hiperemia e edema." Entrei em contato com o radiologista, dr. G.J.A., meu res- peitável amigo, para que ele acompanhasse o trabalho que iríamos desenvolver no paciente S.B. Já havíamos constatado através de estudos que o paciente estava com as dimensões bucais alteradas, embora fosse portador de uma boa dentição e também de boa articulação. Colocamos--lhe inicialmente um aparelho proprioceptivo neural e, após três meses de tratamento, transferimos o "top" neural para a parte posterior dos maxilares. Já nas primeiras semanas de tratamento, toda aquela quei- mação, dores terríveis e azias que o paciente sentia desapareceram. Os meses seguintes, emque continuou emtratamento conosco, foram somente para mantê-lo naquela postura bucal ideal que havíamos encontrado, e finalizarmos o trabalho. Como S.B. já não sentia mais qualquer dor, pedimos-lhe que providenciasse um novo raio X, para sabermos como estava radiologicamente sua úlcera duodenal. Em 19.12.83 ele nos trouxe a radiografia solicitada, com o seguinte resultado: "ESÔFAGO — ESTÔMAGO e DUODENO esôfago sem anormalidades. estômago sem anormalidade, topografia, motibilidade e relevo nuicoso normais. bulbo duodenal sem lesões de mucosa (grifo nosso) arco duodenal anatômico. ID: NORMAL:' 39 «k
  18. 18. O leitor poderá observar que até uma úlcera duodenal am- plamente caracterizada através dos sintomas doloridos e confirmada pelas radiografias apresentadas regride e desaparece quando tempor origem um desequilíbrio do PH salivar, em razão de uma postura bucal não correta. 7 Enxaquecas, disfunçÕes hepáticas e intoxicações Ilustrações 9 e 10 — Os dentes do paciente S. U., embora perfeitos, não impediam que a perda de espaço bucal lhe acarretasse sérios problemas de saúde. Todo o trabalho de correção foi baseado na recuperação deste espaço, através de aparelhos de top anterior. Esta abordagem globalizante e o estabelecimento de relação e constantes entre os diversos sistemas orgânicos é que tempermitido que a Biocibemética Bucal encontre respaldo às suas pesquisas, com resultados satisfatórios e gratificantes. A interligação íntima entre o sistema respiratório, circulatório, desintoxicação e oxigenação do organismo nos tem permitido identificar e contribuir para a cura de um sem número de moléstias, como as enxaquecas, as dores de cabeça crônicas e quase todas as formas de intoxicação renitentes do fígado e suas conseqüências já amplamente conhecidas em outros sistemas biológicos humanos. Altamente intoxicado por deficiência do processo de liberação de toxinas pelas hemácias, o indivíduo tem seu PH e toda a bioquímica orgânica comprometidos, prejudicando a oxigenação e todo o restante do organismo. TRATAMENTO: Como o exposto nos capítulos anteriores, l rata-se de restabelecer a função da boca, perdida com a atrofia da 4.a Dimensão, e de encontrar o equilíbrio geocêntrico do indivíduo. 40 41
  19. 19. CASUÍSTICA Em meados de 1978, apresentou-se em meu consultóric uma linda menina de 9 anos de idade, tez clara, cabelos escuros, olhos vivos e brilhantes, dentes bonitos. Procurou-nos porque seus pais souberam através de outros pacientes que a boca tinha íntima relação com os demais sistemas orgânicos. O seu maior problema era enxaqueca violenta que lhe afligia há muito tempo. Antes da dor de cabeça chegar, ela já começava a sentir os sintomas, comfortes dores de barriga e muita azia, sendo necessário, inclusive, tomar Ideral 10 mgs, para poder controlar esses prenúncios precursores da enxaqueca. Além da enxaqueca que a torturava, tinha outros pequenos sintomas desagradáveis que ela deixava de considerá-los em face daquele bem mais grave. À noite sentia um pouco de falta de ar, o peitinho parecia sempre cansado. Sofria de sinusite e suas axilas eram mal cheirosas, embora não descuidasse nunca da higiene pessoal. Fizemos a nossa proposta de tratamento que, em princípio, é utilizada em quase todos os pacientes, ou seja; colocá-la em uma nova rela- ção, dando-lhe mais espaço bucal a fim de reestabclccer o equilíbrio orgânico. Fizemos em A.P.S. uma aparatologia de liberação dos movimentos da ATM para distensioná-la e, em seguida, fomos dando-lhe mais espaço bucal através de aparelhos ortopédicos funcionais endo-bucais. Como os seus dentes estavam em desenvolvimento, foi fácil colocá-los e programá-los para se posicionarem corretamente. O resultado, como era de esperar, foi excelente. Durante o tratamento desapareceram todas as dores de cabeça, as azias, as náuseas, os vômitos, a boca amarga. Paralelamente, a falta de ar e a sinusite também foram cedendo, ficando a menina A.P.S. livre de todas as suas disfunções orgânicas. Inclusive perdeu o hábito de roer as unhas. 42 43 Ilustração 11 — A reprogramação de mordida da boca de A. P. S., através de aparatologia própria, a libertou dos inúmeros problemas que a acompanha- vam. Veja à foto, aparatologia de placas intermaxilares posteriores e o encappsulado em todos os seus dentes.
  20. 20. 8 Epilepsias: uma nova abordagem Estampada em quadros medievais como a efígie do demônio, enovelada no labirinto dos séculos e relatada nas histórias que nos chegam desde tempos imemoriais, a Epilepsia é uma dessas doenças milenares que parecem ter sido arrancadas das profundezas da História para se plantar como um monumento indecifrável diante da mais avançada parafernália tecnológica da medicina moderna. Foi quase em vão que descobriram sua causa, na intimidade profunda do funcionamento elétrico do cérebro. Foi a duras penas que inventaram os medicamentos capazes de diminuir as mazelas do ataque, mas causando em troca um sem número de efeitos colaterais indesejáveis. A Epilepsia atravessou incólume o espaço das eras, para povoar ainda hoje sanatórios e hospitais do mundo. Entretanto agora, quando o conhecimento humano se desperta para a compreensão inexorável da globalidade dos fenômenos ila Natureza, para a compreensão da unidade biofisioló-gica do indivíduo, luzes decisivas parecem estar sendo lançadas para equacionar de unia vez por todas mais essa moléstia dos homens. Do recôndito de alguns laboratórios de pesquisa nos 45
  21. 21. chegam relatos insinuando a possibilidade de minimizar as des- ritmias que provocam o ataque epiléptico, através de terapias exclusivamente energéticas baseadas no estudo das ondas elétricas do cérebro. Trazendo uma contribuição decisiva para este processo, a Biocibernética Bucal — dimensionando a importância do Vazio ou da 4.a Dimensão da Boca — descobriu de maneira definitiva que a Epilepsia não é só um problema médico. Sua maior problemática está dentro do contexto bucal e por isso ela é, também, uma questão odontológica. Mais do que isso, a nossa longa experiência fartamente do- cumentada nos permite afirmar que é possível controlar o ataque convulsivo do epiléptico através de um tratamento relativamente rápido, baseado exclusivamente na reposturação do contexto bucal. A Epilepsia, na verdade, vinha sendo tratada até hoje com um erro de base. Sua questão central está muito longe de se restringir ao contexto das desritmias cerebrais. Segundo nos ensinam os tratados médicos, a Epilepsia começa por uma desritmia cerebral, com repercussões generalizadas por todo o corpo. Artur C. Guyton, em seu tratado de Fi-siologia, divide a moléstia em dois tipos básicos: a) — Epilepsia Generalizada e b) — Epilepsia Parcial. Na Epilepsia Parcial, que quase sempre é o resultado de alguma lesão orgânica localizada no cérebro, o ataque psico-motor que a moléstia provoca pode ser caracterizado de várias maneiras, indo desde um curto período de amnésia até ao ato motor de ataque a alguém. A Epilepsia Generalizada lambem é dividida em dois tipos básicos: a) — a de Grande Mal e b) a de Pequeno Mal. Na Epilepsia de Pequeno Mal, a desrilmia cerebral pode se manifestar na forma de uma ausência — quando o indivíduo sofre um curto período de inconsciência que vai de 5 a 20 segundos e durante o qual sofre algumas contrações espasmódicas dos músculos — ou na forma chamada mioelônica, quando o 46 indivíduo apresenta uma única contração muscular envolvendo, geralmente, os músculos da cabeça. Depois dessa sucessão de sintomas, ele retorna rapidamente à consciência e reinicia suas atividades normais. Já a Epilepsia de Grande Mal provoca, inicialmente, convulsões tônicas — generalizadas emtodo o corpo — seguidas de acessos por contrações musculares alteradas, também chamadas de convulsões clonicas. Essas convulsões chegam a durar de três a quatro minutos, arrastando atrás de si uma série de conseqüências indesejáveis. Apesar dessa longa série de classificações, que se desdobramc ramificam através de páginas e mais páginas dos tratados médicos, sempre houve um detalhe decisivo que permaneceu oculto da moléstia: determinadas desritmias cerebrais, aparentemente muito semelhantes, são capazes de se manifestar de forma absolutamente diferente de um indivíduo para o outro. Mais do que isso, a medicina hoje tem plena convicção de que milhares de indivíduos passam ou passaram por experiências de curtas desritmias cerebrais várias vezes na vida, sem ao menos se dar conta disso. Estudos médicos recentes chegam a afirmar que, principalmente nos grandes centros urbanos, quase toda a população padece de algumas formas incipientes de desritmias cerebrais, que raramente se manifestam organicamente. Trabalhando sobre estas certezas, e ainda à luz dos conceitos da Biocibernética Bucal, verificamos ao longo de vários anos de vivências junto a pacientes epilépticos que todos os portadores de convulsões mais graves sofrem de uma significativa perda de espaço bucal. Esta constatação clínica, aliada ao acúmulo de material teórico existente nas várias áreas do conhecimento médico acerca ile Epilepsia, é que nos levou à conclusão seguinte: a principal problemática do epiléptico processa-se a nível respiratório, a nível ilc convulsões respiratórias. Isso porque quando se iniciam as contrações musculares, a característica mais-marcante dos pacientes epilépticos é o fe- 47
  22. 22. chamento compulsivo da boca. Os dentes e os lábios cerram-se fortemente. Com isso o espaço bucal fica dramaticamente limitado, projetando a língua para trás e provocando o fechamento total da epiglote sobre a glote. O fluxo do ar para os pulmões, então, se interrompe. Se as convulsões tônicas ou mesmo clônicas forem de apenas alguns segundos e estiverem dentro dos limites suportáveis pelo indivíduo, nada lhe acontece. Porém se as convulsões ultrapassarem aqueles limites suportáveis e o indivíduo continuar mantendo os dentes cerrados, logo sentirá os efeitos da falta de oxigênio, caindo e se debatendo na tentativa de respirar. Sua pele torna-se cianótica, arroxeada, com a fisionomia grosseiramente assustada e uma expressão quase demoníaca. Suas contorções faciais são provocadas simplesmente pelo medo da morte, por asfixia. Essa tensão profunda, obviamente, deverá se manifestar ao nível dos reflexos cerebrais já desequilibrados. Os riscos, na verdade, não são pequenos: afinal o cérebro humano não pode ficar sem oxigenação por mais do que três ou quatro minutos, sob pena de se tornar irremediavelmente lesado, causando deformações e até paralisias ao corpo. Se o cérebro ficar nove minutos sem oxigenação, o indivíduo entra em coma definitiva sem condições de regresso. Comdez minutos o indivíduo morre. Por isso, através de um fabuloso mecanismo de superação, a Natureza provoca o desmaio do indivíduo durante o ataque epiléptico, antes que ela atinja o prazo fatal. Só assim ele relaxa seus músculos, abrindo a boca c permitindo que a língua volte a seu estado normal, restabelecendo o fluxo de ar aos pulmões. Desmaiado, mas salvo. Após este quadro, o epiléptico entra num estado de profunda depressão em todo seu sistema nervoso. Afinal o desgaste neuromuscular é muito grande e intenso, necessitando de um relax, que pode durar apenas alguns minutos ou até vários dias. 48 Diante de tudo isso, a evidência salta aos olhos — reafirmada hoje pelo vasto material comprobatório que possuímos: o indivíduo predisposto à Epilepsia, desde que tenha um bom posturamento bucal, com as dimensões corretas para o funcionamento da língua, está totalmente livre das conseqüências mais trágicas que se manifestam durante os acessos. Um indivíduo bem posturado não levará problemas para o nível dos distúrbios de oxigenação. Assim, quando muito, ele poderá ter pequenas contrações musculares, algumas ausências, mas não apresentará aquelas convulsões nervosas, nemestupores e nemdesmaios convulsivos. Por outro lado, a nossa experiência nos permite afirmar que é perfeitamente possível interromper o processo epilepti-forme da convulsão, através de umtrabalho exclusivamente odontológico, com próteses ortopédicas funcionais e reabilitacio-nais dos maxilares e da boca, que visam posturar corretamente o indivíduo. Assim, convém salientar que não tratamos de desritmias, pois ela é um problema cerebral e da alçada médica. Nosso trabalho alcança apenas e tão somente a interrupção do processo convulsivo,a nível respiratório. Acontece que, através do tratamento, quando o paciente adquire maior confiança em si próprio e se liberta dos complexos vexatórios e do pavor que os acompanha sempre que começam a sentir os prenúncios convulsivos, ele se distensiona e relaxa. Muitas vezes isso ajuda, até, a diminuir a incidência das desritmias. TRATAMENTO — O tratamento cndo-bucal do epiléptico, por nós desenvolvido com base em extensas pesquisas e estudos, alémde eficiente é relativamente rápido. Com vinte ou trinta dias, mais ou menos, o paciente já está totalmente controlado. Comsessenta dias já pode ir-se libertando paulatinamente dos medicamentos e então é aconselhável, por motivos óbvios, a assistência médica. 49
  23. 23. CASUÍSTICA Dos inúmeros pacientes portadores de desritmias que passaram pelo nosso consultório odontológico, A.M.C. foi um dos que mais marcaram em razão da gravidade do seu problema e do resultado obtido. Em meados de 1980, ele apresentou-se em meu consultório. Com 45 anos de idade, bem apessoado, A.M.C. procurou-me para desenvolver um trabalho de ortopedia funcional dos maxilares, pois a sua mandíbula estalava e doía quando mastigava ou abria a boca. Sentia-se nervoso e angustiado por causa das dores. Mas a sua problemática maior eram os ataques epilep-tiformes constantes que sofria. Como exercia um cargo de confiança em uma grande empresa, estes ataques além de seu aspecto vexatório estavam reduzindo a sua possibilidade de ascen-ção a postos mais elevados. Conjuntamente aos problemas de desritmias cerebrais das sérias convulsões, ausências e da ATM (Articulação Têmporo Mandibular), A.M.C. também tinha cãibras fortíssimas, dores de cabeça freqüentes, descamação das canelas, prisão de ventre, muita depressão com constantes crises de choro. Sua língua estava sempre machucada e cheia de dobras, tinha "língua geográfica", aspecto comum nos pacientes com pouco espaço funcional dentro do contexto bucal. Fizemos um estudo minucioso c profundo do seu caso. Constatamos uma grande perda de espaço cndo-bucal, por intrusão dentária provocada pelo seu constante apertar de mandíbula contra o maxilar superior e pelos desgastes dentários emconseqüência do seu costume de ranger os dentes. Estavam gastos, serrilhados, curtíssimos. Apresentavam-se totalmente roídos e alguns deles estavam quase chegando nas gengivas. Fizemos as devidas medições e checagens de postura c colocamos uma aparatologia própria, proprioceptiva, e uma placa dupla intermaxi-lar biocibernética com mastigantes, a qual deveria ser usada constantemente. Com ela, estaria livre de problemas maiores Tivemos o cuidado de equilibrar bem a placa numa postura adequada e o mais próxima possível de seu equilíbrio geocêntrico. Os resultados superaram as nossas expectativas. A partir da primeira semana, não teve mais convulsões; elas limitaram-se a pequenas contrações musculares e algumas ausências. Não caiu mais. Comsete dias, suas dores de cabeça sumiram, seu cabelo parou de cair, desapareceram suas cãimbras e com vinte e um dias todo o quadro patológico havia se equilibrado. Com 60 dias foi-lhe dada alta. Como manutenção da postura em sua nova memória de mordida foi-lhe feita uma placa dupla mastigatória intermaxilar em métalo-plástico com mastigantes, num plano correto obedecendo as curvas de Spee, de Wilson c o plano de Kaniper, que ;i us;i até hoje. ti raças ;i isso ele se sente sc-JMIIO, firme e livre das convulsões vexatórias que tanto Ilustrações 12, 13 e 14 — Na primeira foto, A. M. C. quando se apresentou em nosso consultório. Os dentes superiores cobriam totalmente os inferiores, produzindo grande quebra do contexto bucal. Na segunda foto, vemos a aparatologia utilizada durante o tratamento e na última foto, à direita embaixo, a aparatologia final, de manutenção de postura, utilizada para evitar que tivéssemos que trabalhar diretamente em seus dentes, de ótima conformação. 50 51
  24. 24. o afligiam. Continua ainda tendo alguns arrepios, algumas contrações musculares e até algumas ausências, mas nunca mais caiu ou teve qualquer convulsão violenta. Após esse tratamento, A.C.M. adquiriu tanta confiança em si próprio conseguindo até promoções já merecidas mas, que lhe eram negadas emrazão dos ataques epileptiformes. É importante observar que os portadores desse mal têm suas compensações, pois normalmente são muito inteligentes, trabalhadores, minuciosos, e quando se libertamdas crises tornam-se mais calmos, confiantes e costumam progredir muito na vida porque são dotados de muita dinâmica e vontade. 9 Mongolismo: a ousada esperança terapêutica Conhecida desde há mais remota antigüidade, a moléstia chamada popularmenle de mongolismo — em decorrência da semelhança que as pessoas afetadas mostram aos olhos ocidentais com os indivíduos da raça mongol — afeta um em cada seiscentos indivíduos nascidos no mundo. Isso a transforma, estatisticamente, em uma das grandes moléstias da humanidade. Descrita em 1866 pelo médico inglês John Down, o mongolismo ficou sendo conhecido desde então por Síndrome de Down, nome preferivelmente aceito pela comunidade médica mundial, pois afasta conotações raciais. Embora até hoje a Síndrome de Down seja rotulada como um problema insanável, as pesquisas recentes da Biocibernética Bucal parecem estar abrindo uma nova estrada com resultados ainda não dimensionados em todo o seu alcance, para a terapia da referida moléstia. Esta afirmação pode ser chocante. Afinal, desde 1959, quando cientistas franceses mostraram que portadores da doença apresentam um defeito na divisão dos cromossomos, a Síndrome de Down (que recebeu a partir daí um novo nome: '"Trissomia 21") vem sendo tratada como um problema exclusivamente genético. 52 53
  25. 25. (Em cada célula, o ser humano normal apresenta 46 cro- mossomos, sendo 23 do pai e 23 da mãe. O mongol, no momento da sua concepção ou nos instantes seguintes, recebe umcromossomo a mais de um dos pais por erro na distribuição do material genético ou por quebra e transolação durante as primeiras divisões celulares.) Diante disso, a conclusão natural que se temtirado é a de que a recuperação do portador de Síndrome de Down só seria possível se intendêssemos diretamente no seu material genético. E isto, como todos sabem, está ainda muito além das condições da ciência moderna. Assim, todos os sintomas de retardamento mental, excitação nervosa, respiração deficiente e tantos outros observados nos portadores de mongolismo têm sido sumariamente atribuídos a este tal cromossomo a mais. Era esta a situação geral do estudo do mongolismo há anos passados quando começamos a trabalhar em nossa clínica com pacientes portadores da moléstia. P.W., um garoto de nove anos de idade, de Pedro Leopoldo em Minas Gerais, foi um caso típico. Bonito e meigo apesar dos traços característicos que vulgarizaram o nome de mongolismo à Síndrome de Down, ele sofria inúmeros problemas de saúde. Vivia com a boca aberta, a língua constantemente para fora, agitadíssimo, com o nariz sempre escorrendo ou entupido. A garganta e os pulmões permaneciam sempre cheios de calarro. Dormia mal, resfriava-se constantemente e queixava-se de eternas dores de cabeça e na barriga. Em decorrência de uma bronquite e unia rinite crônica, já começava a apresentar problemas cardíacos, lnloxieava-se diariamente com um volume assustador de remédios: decadron, amino-filinas, aerolin, bactrin, e tantos outros "ins'" encontrados na farmacologia moderna. Seu aparelho digestivo, e em decorrência uma outra série de sistemas orgânicos associados, funcionava precariamente. Era a primeira vez que tomávamos um contato direto e imediato com a moléstia desde que começamos a trabalhar com os conceitos da Biocibernética Bucal. Dentro de nossa perspectiva, o quadro clínico bucal do garoto era dramático: aos nove anos de idade a sua boca tinha a dimensão da de um garoto de dois anos. Hoje sabemos que este é um sintoma típico de todos os portadores de Síndrome de Down, sem exceção. Em outros casos — como o de S.I.H., por exemplo, uma paciente de 12 anos residente em São Paulo —, o quadro se agrava mais pela existência de várias genesias e outras falhas dentárias; nestes casos, alguns dentes permanecem inclusos dentro da parte óssea dos maxilares, não podendo romper por falta absoluta de espaço. Embora nosso trabalho como dentistas cibernetas alcance apenas e tão somente as correções e a postura do contexto bucal — sendo que a cura de moléstias orgânicas é uma atribuição da área médica —, já sabíamos de longa data a importância que o espaço da boca tem para o equilíbrio global da saúde dos indivíduos. Como já foi relatado, trabalhando com pacientes portadores de outras moléstias e que também sofriam atrofias menos dramáticas da 4.a Dimensão Bucal, sabíamos o quanto poderíamos trazer de melhoras para o estado geral do paciente se recuperássemos as suas dimensões bucais. A nossa primeira preocupação, assim, era apenas esta: res- tabelecer o espaço bucal e aproximar o paciente — da melhor forma possível — de seu equilíbrio geocêntrico universal. Estávamos certos que com isso melhoraríamos a sua capacidade respiratória, aliviaríamos seus problemas de saúde e lhes daríamos mais vida e mais dinâmica. Mas não nos passava pela cabeça a possibilidade de melhorar o quadro geral do retardamento mental característico destes pacientes — que apresentam dificuldades na alfabetização, na aprendizagem geral, na comunicação e capacidade de concentração. Com o decorrer dos meses, já em contato com outros pacientes portadores da moléstia, descobrimos que todo o quadro geral de atrofia bucal costuma se agravar por causa do hábito do paciente de empurrar a língua para dentro da boca. Os pais 54 55
  26. 26. das crianças portadoras da Síndrome de Down, preocupados com a estética de seus filhos, costumam forçá-los a manter a boca fechada — querendo tirar deles o hábito "feio" de manter a língua de fora. Mas o que eles não sabemé que isso agrava mais a redução do vazio da boca. Era este o caso de P.W., que emdecorrência já apresentava uma combinação inadequada de sucos salivares, tendo toda sua mecânica digestiva e a bioquímica do corpo alteradas. Tornava-se urgente ampliar suas dimensões bucais. Tão logo aumentamos sua dimensão vertical, as dores de cabeça de- sapareceram. Depois de apenas uma semana de tratamento orto- pédico funcional, o quadro já era outro: sua vitalidade aumentou, acabou a coriza constante e a dor de barriga. Em 45 dias o quadro de nervosismo crônico desapareceu. Não rangia mais os dentes e acabaram-se os problemas brônquicos. Nos meses seguintes, trabalhos realizados comoutros pacientes portadores de mongolismo apresentaram, com a mesma rapidez, resultados altamente gratificantes. Mas o que não esperávamos eram as mudanças rápidas que também aconteceram em seu quadro mental. Não melhorava apenas a capacidade de concentração e comunicação, mas também a sua coordenação motora e sua capacidade geral de aprendizado e alfabeti/ação. Segundo familiares, professores e parentes do convívio diário, os pacientes que vêm sendo tratados pelos métodos da Biocibemélica Bucal apresentam mudanças quase que imediatas também nas manifestações cotidianas de comportamento. Passam a impor, aceilar c inleragir diante de situações, já de maneira diferente. Como disse unia mãe: "6 como se ele descobrisse sua personalidade real". Pelo que consta na literatura aluai sobre a Síndrome de Down, estas melhoras são absolutamente improváveis através dos mais modernos e eficientes métodos clássicos de tratamento. Estes resultados nos levaram a formular a seguinte pergunta: será que todas as alterações do metabolismo profundo e da estrutura mental do portador de mongolismo podem mesmo ser atribuídas sumariamente ao tal cromossomo a mais? É grande o alcance e as implicações desta pergunta: em primeiro lugar nós concebemos o indivíduo como um todo, indi- visível e unitário. A sua boca é um espelho do seu soma, do seu corpo, da sua vida, da sua cultura. Seu comportamento, suas reações emocionais, sua "psique", enfim, não existem como uma entidade isolada, mas sim em interação dinâmica com todo o organismo. Além do mais, nossos trabalhos anteriores com pacientes epilépticos nos mostraram claramente a importância da respiração como fator crucial nos desmaios, nas quedas, e em todo aquele quadro anteriormente tratado ao nível exclusivamente cerebral. Com estas questões em mente, começamos a trabalhar com pacientes mongolóides de idade muito bem tenra. O objetivo era ter uma idéia geral de quando se iniciava o quadro de retardamento mental. Isso nos levou a uma conclusão que hoje não é expressa apenas por nós: o portador de Síndrome de Down, na maioria dos casos, ao nascer não é débil mental na sua totalidade ou na expressão exata da palavra. Apresenta,na maioria dos casos,algumas pequenas debili-dades físicas e mentais, que vão se agravando como seu crescimento. As abordagens clássicas admitem hoje que uma criança com Síndrome de Down tem tendência espontânea para a melhora, porque o seu sistema nervoso central continua a amadurecer como tempo; o problema é que este amadurecimento é mais lento que o observado nas crianças normais. Estas constatações nos conduzem à uma hipótese simples, mas que pela sua simplicidade pode tornar-se revolucionária: as disfunções genéticas do mongolismo determinam algumas alterações básicas no seu soma, na sua postura, na sua boca, na sua 56 57
  27. 27. relação geocêntrica universal. São estas alterações,por seu turno, que irão intervir no seu desenvolvimento mental. Como somos dentistas, buscamos o equilíbrio dos sistemas biológicos tendo como referencial básico o sistema bucal. Cabe às demais áreas médicas identificar outras formas de alteração e suas possíveis correções. Hoje, como se sabe, as abordagens reichianas abrem um vasto leque de opções para a interpretação do problema ao nível postural. No caso específico da boca do paciente com mongolismo, portanto, o que ocorre é uma atresia no seu desenvolvimento. Enquanto todo o seu corpo cresce e se desenvolve,a boca — e dentro da boca, especialmente, o seu maxilar superior — não se desenvolve. Cresce o corpo e a língua, menos seus maxilares. A grave perda de espaço bucal, que se agrava com a idade, provoca todo o fenômeno respiratório que discutimos atrás, gerando uma oxigenação deficiente também para o cérebro. Isso acarreta uma corrente contínua, pequena mas constante, de lesões cerebrais. Como muitas destas lesões são irreversíveis, é óbvia a conclusão de que um paciente mongol tratado desde a tenra idade tem muito mais condições de atingir uma vida normal na idade adulta do que aqueles que iniciaram o tratamento em idade mais avançada. Mas mesmo no caso deste último, o que ocorre é um eslancamento do quadro e uma reversão de suas possibilidades como relatamos nos casos acima. Até hoje não tivemos ainda oportunidade de acompanhar pacientes desde o seu nascimento até a idade adulta, numa seqüência contínua. Mas todas estas observações e os resultados clínicos concretos, obtidos em experiências com pacientes de diversas faixas de idade, têm nos levado a conclusões que não podem mais ser retidas. É preciso cxteriorizá-las, provocar o debate, para que o problema do mongolismo possa ser tratado a partir de uma abordagem multidisciplinar. 58 UMA HIPÓTESE OUSADA, A TITULO DE REFLEXÃO Navegamos, nestes séculos, por grandes mistérios. Além das galáxias distantes, sondamos novas palavras e grandes silêncios. Explodimos a essência do átomo. Cibernetizamos o mundo com máquinas fantásticas e desvendamos grandes revelações. Mas há um espaço, metido entre estas dimensões, onde a nossa consciência pouco atinge: é onde se revela o mistério da Vida, da evolução biológica e a dimensão transcendental do homem. Neste espaço, pequeno diante de toda a extensão do Universo, há pontos cruciais onde apenas tateamos. Sabemos muito pouco sobre a nossa própria origem e sobre o que nos guarda o futuro. Ao mesmo tempo nos parece tão certa a trama gigantesca da Natureza — experimentando espécies, transformando os seres e tecendo a seu modo o caminho da Evolução. Independente de toda a teoria evolucionista, que hoje sofre uma série de contestações de toda ordem, Darwin mostrou como as formas se repetem na Natureza. A natureza depende de formas anteriormente construídas para criar os novos seres. Não existe a função sem a forma e por isso toda a trama da evolução é também um experimento sobre as formas preexistentes na busca de criar as novas. Hoje sabe-se também que o arcabouço onde repousa este material experimental da Natureza se encontra na profundidade genética. Mas pouco sabemos acerca do mecanismo real da evolução das espécies e discutimos seriamente a possibilidade das correntes de degeneração serem tão fortes como as correntes da evolução, numa luta constante — dialeticamente entrelaçada — das forças da Natureza. * * * Tudo isso paira sobre a consciência quando se tenta extrapolar a dimensão física imediata para sondar os grandes misté- 59
  28. 28. rios que se escondem através dos portadores da Síndrome de Down — como resto de todas as outras disfunções provocadas por mutações genéticas impostas pela Natureza. Uma corrente muito forte dentro do evolucionismo moderno defende a hipótese de que o homem primitivo evoluiu do ramo dos primatas por ter sofrido uma mutação genética que o tornou uma eterna criança. Um chipanzé tem a sua capacidade de aprendizado desenvolvida até uma fase muito curta de sua existência. No homem, esta capacidade existe espontaneamente por quase toda a vida. Seríamos então como antigos macacos tornados eternas crianças aprendendo sempre e graças a isso construindo sempre, evoluindo sempre. Esta analogia se insinua de forma persistente toda vez que trabalhamos com pacientes portadores de mongolismo, o que nos fez avançar — a título de reflexão — numa hipótese que para muitos poderá parecer extremamente ousada: a maior parte dos que sofrema Síndrome de Down guardam traços muito evidentes daquilo que poderíamos intuir como características das raças do futuro. Experimentos levados a cabo pela psicologia tradicional já mostraram a capacidade de auto-organização de uma comunidade de mongolóides. Ou seja, se deixarmos dez portadores de Síndrome de Down era uma casa, ao contrário do que ocorre com outros doentes mentais, eles se auto-organizam de uma maneira absolutamente pessoal c própria. Uma das características mais marcantes dos mongóis é o retardo no desenvolvimento do seu sistema nervoso central, que faz comque ele se desenvolva sempre, por umperíodo muito longo da vida. Outra característica marcante é a extrema flexibilidade de suas articulações e músculos. Ora, as modernas técnicas de trabalho corporal desenvolvidas por Wilhelm Reich e hoje abertas em várias linhas e correntes têm nos mostrado à exaustão a importância da flexibilidade e da desenvoltura destes sistemas para o processo de recepção de informações, de aprendizado e liberação das idéias fixas. Clinicamente nos chama a atenção, também, no paciente portador do mongolismo, a sua grande capacidade imaginativa, sua capacidade de mudar os referenciais externos que — de forma vulgarizada —- se reflete na mudança de ídolos e, por fim, sua extrema musicalidade, a variabilidade de sentimentos imediatos. Cada um destes pontos converge por si só a uma variabilidade de interpretação positiva já largamente discutida por especialistas de várias áreas. Aqueles que preconizam um novo homem capaz de se adaptar com facilidade à hipertrofia dos processos de conhecimento e informação modernos acreditam que este novo homem deveria, guardar — assim como nós guardamos a nossa eterna infância a nos diferenciar dos primatas — algumas diferenças básicas comrelação à raça atual: um tempo muito grande para ligação entre os neurônios, um sistema fisiológico capaz de se libertar por longo espaço de tempo das imposições de normas, crenças e valores e, em decorrência, uma tendência pequena ao aprisio-namento em idéias fixas. Como vimos, todas são características marcantes entre os mongóis. Mas o que acontece comos mongóis é que estas características muitas vezes são apenas tomadas como negativas, ou realmente são patológicas a partir do momento em que não se harmonizam com outros sistemas orgânicos. Um dos exemplos mais marcantes é a maturação do seu sistema nervoso central — que poderia lhe acarretar variáveis positivas num processo evolutivo — mas que é bloqueada pela má oxigenação cerebral causada pela quebra do espaço de sua boca. As variações na conformação de seu cérebro não podem ser apresentadas como fenômenos negativos, uma vez que sabemos muito pouco com relação a isso. Sabemos que o tamanho não determina a capacidade cerebral e as estruturas do cérebro do mongol são evoluídas como a nossa emseus traços mais importantes. 60 61
  29. 29. Uma leitura de sua boca através dos métodos da Biociber- nética Bucal também deixa antever que a dificuldade de formu- lação de raciocínios abstratos observada nos mongóis pode ter outras causas que não a deficiência do funcionamento cerebral: o maxilar superior reduzido significa que ele é portador de uma dificuldade de expressão gigantesca. Ou seja, é possível que ele tenha uma capacidade até maior que a usual de captar informa- ções, mas ao mesmo tempo uma dificuldade de ordená-las num processo interativo. O que nos leva a acreditar nisso é a pro- funda capacidade proprioceptiva inerente ao mongol: embora ele sinta dor normalmente e inclusive dores de dentes, ele é ca- paz de reordenar rapidamente seu sistema sensorial e emotivo, ao ponto de permitir até uma extração dentária sem anestesia. Com tudo isso, não pretendemos insinuar que o mongol não deve ser tratado. Muito pelo contrário: acreditamos apenas que a chamada Trissomia 21 pode ser um experimento ainda não acabado da Natureza, que guarda grandes possibilidades evolutivas ao lado do quadro patológico imediato. Em outras palavras, não acreditamos que temos apenas o que ensinar ao mongol, mas também muito a aprender com ele. Ilustrações 15, 16, 17 e 18 — Na foto da esquerda ao alto, uma boca típica de um paciente mongol, com perdas de espaço que provocam toda ordem de desequilíbrios nas conformações dentárias. Na foto da direita, ao alto, modelos típicos de bocas de pacientes mongóis, mostrando o reduzido espaço de todas elas. Na foto da esquerda, embaixo, o molde de um mesmo paciente portador de mongoiismo, primeiro quando se apresentou em nosso consultório, depois com nove meses de tratamento e por fim aos dois anos.
  30. 30. 1 A Busca de uma simbologia universal: a boca e a cultura II PARTE A BOCA E O CONJUNTO BIOLÓGICO uma abordagem sistêmica (Neste texto estão inseridos trechos de palestras proferidas pelo autor em diversas escolas de odontologia do Brasil). Na primeira parte deste livro, nós discutimos e apresenta- mos resultados relativos às disfunções orgânicas diretamente as- sociadas à constatação anatômica da perda, de espaço bucal. É um material de fácil assimilação pois prende-se a conceitos "di- geríveis" pelo senso comum. Estes trabalhos estão, praticamente, na origem de todas as conquistas mais importantes da Biocibernética Bucal. Ocorre, no entanto, que ao longo destas mais de duas dé- cadas de trabalhos clínicos,nós,dentistascibernetas, descobrimos que as relações da boca com o conjunto do organismo são muito mais amplas do que pensávamos no início de nossos trabalhos. Assim,lentamente,foi crescendo a necessidade de buscar- mos auxílio em outras áreas do conhecimento. Tínhamos cons- tatações clínicas empíricas. Tínhamos nas mãos resultados te- rapêuticos que muitas vezesassustavam a nós mesmos, tal a sua dimensão. O texto que se segue é umà tentativa de sistematizar e ver- balizar o conjunto de informações que norteiam o nosso trabalho. Descobrimos que quando o paciente vem ao nosso consultório não vem apenas com a boca, mas arrasta na verdade um con- 65
  31. 31. junto sócio-psicológico que se coníunde como seu próprio ser e que atua em interação dinâmica com sua biologia. Descobrimos, então, que não podíamos ver a boca, que não podíamos — aliás — nem tratar a boca corretamente se não construíssemos uma visão global do homem, de sua interação sócio-cultural e de sua interação com o Universo e com a natureza que o rodeia. Para alguns o texto abaixo poderá parecer muitas vezes carente de uma maior fundamentação científico-laboratorial. A estes aconselhamos que se atenham às constatações empíricas e que as utilizem para construir — se puderem — a indispensável cosmovisão abrangente própria. Mas é importante que fique claro que mesmo o experimento científico mais elementar arrasta atrás de si toda uma visão abrangente. Para outros, o texto que segue poderá pecar por ter deixado de lado uma série de abordagens também importantes quando se tenta globalizar uma visão do homem. São riscos que corremos conscientemente. Afinal, o que fazemos aqui é tão somente estabelecer as premissas de uma abordagem globalizante, fundamentada em resultados clínicos muito contundentes. Mas estamos certos que a formulação final desta abordagem é ha-balho para toda uma geração de estudiosos. A nossa preocupação, como dentistas, é a de mostrar a im- portância da boca paia o conjunto orgânico do homem, e contribuir desta forma para unia compreensão cada vez mais unitária e global do ser humano, de suas necessidades, de seus caminhos e descaminhos. A Odontologia Sistêmica, mais conhecida como Biociber-nética Bucal. não é uma especialidade da Odontologia, como a muitos possa parecer. Ela e um processo evolutivo conceituai, uma nova abordagem, com novos conceitos, princípios de unidade e de globalidade, que estão sendo aplicados em uma nova escola de articulação. Esta nova escola vemse impondo dentro da Odontologia graças a seus princípios básicos e fundamentais já largamente reconhecidos: 1 — parte de concepções unitárias e globais: 2 — apóia-se emidéias de programações genéticas; 3 — em reposição morfo-fisiológica dos fatores posturais; 4 — trabalha pelos distensionamentos e liberação dos movimentos da ATM (Articulação Têmporo Mandibular); 5 — pela liberdade de movimentos no plano horizontal segundo a dinâmica do espaço funcional do contexto bucal; 6 — busca o equilíbrio funcional dos sistemas biológicos, tendo como referencial- base o contexto bucal; 7 — propõe a contactuação de uma relação postural dental; 8 — o reposicionamento das posturas das classes 2 e 3 em classe 1; 9 — parte do conceito de que a boca é uma unidade dinâmica em integração com outras unidades biológicas; 10 —• e, por fim, globaliza estes princípios para permitir a checagem das dis- funções sistêmicas com as alterações anátomo-fisiológicas da boca, através de aparatologia própria. Estes conceitos são as verdades em que nos apoiamos. E usamos aqui o termo verdades em sua expressão mais aberta possível, pois não temos a intenção de impô-las, mas tão e sim- plesmente de mostrá-las. Nós já atingimos importantes patamares de desenvolvimento em nossas pesquisas e trabalhos, mas quanto mais estudamos e penetramos na essência da problemática bucal e de sua relação com todo o contexto orgânico, psíquico e social, mais sentimos que ainda estamos engatinhando e que existe muita coisa a ser estudada e pesquisada. Vem daí a importância de apresentarmos o nosso trabalho sempre a nível de informação e de reticulado. 66 67
  32. 32. A BUSCA DE UMA SIMBOLOGIA UNIVERSAL: A CULTURA E BOCA Todas as áreas científicas, da biologia à física, despertam hoje para a importância do conceito de tensores. Tudo no Universo é submetido a forças pulsantes que no reino biológico se estabelecem pelo princípio de tensão-relaxamento, ou carga-e--descarga (Wilhelm Reich). Tensor é uma somatização dos espaços com as ações ener- géticas, numa interação de corpos e forças. São os tensores que nos impulsionam, que nos possibilitam a ter objetivos, metas e consciência de vida. Os tensores biológicos básicos universalmente aceitos são três: fome, sexo e amor. Estes tensores formam um tripé, sobre o qual se apoiam os demais tensores e as demais forças energi-zantes que sustentam, tensionam, movimentam e dão impulso à nossa vida. Como primeiro plano na reticulação biológica do Universo e na sua concretização, temos a fome — depois o sexo e em seguida o amor. A cada duas horas sentimos fome. Quando sentimos fome, manifesta-se também em nós a vida, impõe-se um objetivo, uma razão de viver. A fome é um tensor tão forte, uma imposição da Natureza tão implícita na Vida, que através dela podemos construir impérios ou destruir vidas. Nunca houve um caso, descrito por literatura científica, de alguém que tenha se matado comfome, como estômago vazio. Um suicida primeiro se alimenta e depois, então, se mata. Antes não. Dentro de nossas verdades, e tomando como ponto de partida toda a literatura e a busca universal do homem neste sentido, nós acreditamos que o nível de rcticulado maior do Universo, manifestado em nós, é o Amor. O tensor Amor se manifesta numa camada superior de conscientização, de concretização. É óbvio que um indivíduo com fome não,tem condições de amar enquanto não saciar sua fome. Também é evidente que uma pessoa com muita necessidade de sexo não tem condições de amar. Estes níveis são leis imutáveis da natureza e o indivíduo que não as respeita entra em pecado biológico e o preço do pecado é a doença, a disfunção e a morte. O equilíbrio bio-físico-psico-social e comportamental só se dá quando o indivíduo distingue exatamente o que é fome, o que é sexo e o que é amor. Esses tensores são bem definidos e têm suas características próprias. Amor é uma coisa, sexo é outra e fome é uma terceira. Pode-se comer com amor, como também pode-se fazer sexo com amor, mas uma coisa é diferente da outra. A confusão e a mistura levam à quebra da relação. Inicia-se aí o processo de disfunção somática. A forma de um indivíduo satisfazer a sua fome pode ter características de amor, mas não é o Amor. A satisfação do tensor Fome manifesta-se como uma lealdade com a vida e o indivíduo não pode quebrar esta lealdade, quando o faz, quebra também a sua possibilidade de amar. Quando, por exemplo, o indivíduo está com fome e para saciar esta fome tem a necessidade de destruir uma vida — seja animal ou vegetal — esta é uma ação de lealdade, aceita em toda a escala biológica. Mas se ele elimina mais animal ou corta mais vegetal do que necessita realmente para saciar a sua fome — se com a fome de comer um cabrito ele mata um boi — aí se estabelece a quebra da lealdade, desaparece a característica do Amor. Houve quebra na relação do ciclo da vida, institui-se o pecado. Os tensores tem freqüências e ciclagens diferentes. O sexo e a fome são de alta freqüência, porém inconstantes. Exigem a satisfação imediata, mobilizam poderes, forças energéticas interiores. O Amor é de baixa freqüência mas constante. A linguagem acadêmica não aceita que se fale em Amor nem que o estabeleçamos a estes níveis de conceito. Mas é o sentimento, a sensação, o princípio que um dia chamamos de Amor a razão da ligação, das solidariedades, das aglutinações sociais, familiares e grupais. 68 69
  33. 33. Em sua essência básica, os íensores se manifestando dire- tamente na relação do indivíduo é que estabelecem o sentido que poderíamos chamar de Direcional Vida: nascemos para comer, brincar, passear, amarmos terna e sexualmente, enfim, fazermos tudo aquilo que desejamos para cumprir nossa lealdade primária com a Vida. Ou seja, o Direcional Vida se encontra em sua plenitude quando nos é possível permitir que os tensores se manifestem com naturalidade ao mesmo tempo que possamser satisfeitos. O DIRECIONAL HISTÓRIA: NOVA INDIVIDUALIZAÇÃO As aglutinações sociais, familiares e grupais que permitem ao homem a construção da Cultura e as necessidades de entre--ajuda nos agrupamentos impõem o surgimento das Normas de Relação, que se estabelecem a partir de Valores e Crenças. A natureza da manifestação destes valores e crenças numa cultura determinada é objeto da Antropologia e da Sociologia. Para nós, no entanto, o que interessa em termos clínicos é perceber a maneira como estes valores e crenças foram interiorizadas nos indivíduos da NOSSA cultura, independente de qualquer juízo moral ou ético sobre eles. Toda a literatura médica e psicológica mais avançada admite que em nossa cultura os valores nos são introduzidos de forma dicotômica, quebrando a unidade do SER. Ou seja, as normas são impostas de maneira retilínca, que nos dão somente um ângulo limitado de visão. São normas que nos impedem de sentir, de viver, porque os sensores vão sempre ficar ligados nestas normas. As informações são assimiladas em nossos padrões de maneira não decodificada, originando aquilo que chamamos de Caixa Negra, que pode ser chamado ainda de arcabouço inconsciente, o limite impenetrável das normas retilíneas. O nosso mundo não é das crianças e sim dos adultos. As crianças incomodam os adultos. Elas são criadas, treinadas para servirem os adultos. Toda a nossa educação — por razões am- plamente discutidas no farto material existente a respeito — temsido conduzida como uma forma de bloquear, submeter, impor a razão da História — que a criança não domina — sobre a razão da Vida — que é seu sentido absoluto no mundo. A nível biológico, relativizado através da boca por nós dentistas cibernetas, tem sido possível constatar que emcrianças educadas até os sete anos sem imposição de normas, crenças e valores, mas numa educação simplesmente baseada na experimentação, jamais aparecem cáries, dentes tortos, maxilares re-truídos e outras distorções fís,icas. Acreditamos, através do estudo da conformação bucal, que a partir dos sete anos a criança está pronta para vivenciar os primeiros valores do Direcional História. Mas nunca antes disso. A nossa capacidade de codificar e observar informações é imensa. O sonho de todo profissional de computação é construir um computador que possa armazenar suas informações no líquido. Calcula-se que em um centímetro cúbico de líquido se possa gravar todo o conhecimento acumulado em toda a história da humanidade. As possibilidades de armazenamento de informações do corpo humano são infinitas. Neste conjunto, os dentes funcionam — para continuar uti- lizando a analogia — como as verdadeiras teclas do computador humano. Cada impulso recebido do mundo exterior, seja de que natureza for, é imediatamente registrado através de um toque dos dentes. Assim, depois de três anos de idade, quando a criança completa sua dentição de vinte dentinhos de leite, é que ela começa realmente a formar sua Caixa Negra interior. Há uma liberação de manifestações biológicas de toda ordem. Começam a se cristalizar os principais componentes da postura, e assimpor diante. Para nós, dentistas cibernetas, todo o sistema tem uma mente e uma memória próprias. Cada órgão é composto de bilhões de células e cada uma destas células tem, independente da outra, a sua própria memória, sua própria mente. A mente fica em 70 71
  34. 34. todo o soma orgânico, no DNA das células. O nosso cérebro não passa de um computador de reverberação sistêmica de troca de informações de comando. Assim, se as informações não forem cunhadas de forma global na mente das crianças, vai se formar uma Caixa Negra com informações distorcidas. A própria criança deveria apren- der por si o domínio sobre os seus circuitos, portanto, de infor- mação,antes da imposição de Normas, Valores e Crenças. Vou dar um exemplo corriqueiro: a criança derruba o cinzeiro da mesa e a mãe grita, berra, impõe uma lógica de limpeza externa à experiência da criança. Depois busca a vassoura e limpa. A criança registrou isso na sua caixa negra sem decodificar, sem somar. Não completou o ato, perdeu o domínio sobre o "te- clado" de seu "computador". Se este ato fosse encarado como um processo natural da vida da criança a mãe teria dito: "tudo é válido, só que agora você me ajuda tirar isso daí, que não pode ficar aí", ela completaria uma ação. Assumiria domínio e controle sobre o ato de derrubar e o ato de limpar. Agiu, experimentou. A psicologia moderna está cansada de mostrar como é que estas distorções se manifestam a nível dos principais tensores humanos como no caso da sexualidade não vivenciada na infân- cia, das distorções nos hábitos de alimentação e higiene e por fim na confusão imposta culturalmente entre o sentimento pri- mário e natural de Amor e a imposição de Normas, Crenças e Valores. Até os sete anos, a criança é Divina. Divina no sentido de que está construindo seu processo particular de Cosmovisão do mundo, através da experimentação. O papel da sociedade de- veria ser o de protegê-la. Não c o que ocorre, entretanto: de uma forma ou de outra vamos consolidando estruturas defor- mantes. É interessante como a nossa cultura sabe, inconsciente- mente, que a melhor fase para estruturar a educação de uma criança é no período de sua dentição decídua. É dos oito aos doze meses de idade, quando começam a nascer os dentes de leite, que inicia o processo de reunificação, a busca de suas possibilidades dentro do grupo, do bloco, a identificação do Pai e da Mãe. É aí também que começam as mais graves imposições ao nível de Valores e Crenças. O conjunto destas idéias, é sempre bom lembrar, não foi formulado por nós dentistas cibernetas. É o trabalho de uma geração inteira de médicos,psicólogos,antropólogos,educadores e psiquiatras. No entanto, nenhum dentista ciberneta é capaz de levar a bom termo o seu trabalho — ou seja, é capaz de fazer uma leitura em profundidade da estrutura da boca de seu pa- ciente — se não levar em conta esta visão globalizante. A cultu- tura interfere no soma orgânico, cristaliza-se no biológico, no físico. Esta é uma verdade cada vez mais aceita hoje em dia. Sabendo que as deformações orgânicas e as disfunções vi- tais só acontecem quando há um desvio no sentido inicial da vida; sabendo que toda a patologia vem de um bloqueio de Vida, o simples ato de olhar as deformações na boca de nossos pa- cientes adquire uma outra dimensão. Em conseqüência dos bloqueios introduzidos na criança através dos instrumentos do DirecionalHistória, é que aparecem — na sua primeira dentição — as cáries e os problemas de re- lação e oclusão. Quanto maior o bloqueio, maior será a altera- ção anátomo-fisiológica dentro do contexto bucal. As deforma- ções várias que uma criança sofre no seu período de crescimento são caracterizadas por desvios de dentição. A visão biogloba- lizante desenvolvida pela Biocibernética Bucal permite mapear detalhadamente cada um destes desvios de dentição com outras tantas alterações posturais e disfunções orgânicas que lhe são relacionadas e que influem também no comportamento sócio- psíquico do indivíduo. Portanto, cada alteração anátomo-fisio- lógica tem a sua história iniciada num bloqueio de vida, que se reflete em todo o organismo e se espelha na boca através de alterações claramente identificáveis. 72 73
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