SUMÁRIO
:: O Servo de Mãos Vazias 5
:: O Chamado: Crendo no Melhor de Deus 9
:: A Visão Profética: Crendo na Fidelidade de Deus 18
:: Relação ou Visão Errada de Deus 23
:: Complexo de Medo: Espírito de Covardia 34
:: Obsessão por Segurança 46
:: Pedro foi Pescar: Voltando as Velhas Redes 55
[Tire Deus do Armário!]
4
PREFÁCIO
O SERVO DE MÃOS VAZIAS
As verdades reveladas na Parábola de Jesus sobre os três servos e os
dez talentos: nela encontramos o relato
das três etapas do processo que torna
um ministério infrutífero.
Vivemos em uma época de desânimo. Talvez
nunca tivemos tantos registros e relatos de cristãos que
estão deprimidos, oprimidos e sobrecarregados. Pessoas
que buscam a Deus, mas não alcançam as Suas
bênçãos. Em seus corações elas dizem: “Onde está
Deus? Eu oro, mas a minha oração parece não passar
do teto. Quando falo do amor de Deus é como se
minhas palavras não alcançassem os ouvidos das
pessoas. Eu leio a Bíblia e obedeço à Sua palavra.”
“E por que me sinto tão vazio e frustrado? Por
[Tire Deus do Armário!]
que as promessas que prego não vêm sobre minha
vida? Por que Deus me persegue?”. Por quê?
Simplesmente porque essas pessoas têm um
relacionamento errado com Deus!
Esta crise do indivíduo está permeando as famílias,
como crises financeiras, lutas conjugais, impotência frente
à rebeldia dos filhos. Além dos desacertos emocionais
que levam as pessoas a buscarem refúgio em
relacionamentos fadados a tragédia. E esta crise da
família afeta a Igreja.
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O ambiente de frustração é o mais fecundo campo
para a desilusão. E uma vida sem propósito ou a
ausência de frutos na vida cristã aumentam a exaustão
e a fadiga frente aos desafios da vida. Encontramos no
lugar de vidas abundantes, cristãos cansados, esgotados,
reduzidos a nada. São vidas, famílias e ministérios
inteiros esmagados!
Para essas pessoas, a vida cristã é como se
houvessem ajuntado todas as suas economias para
comprar um “produto” que poderia ser a solução para
todos os problemas e a porta de entrada para todas as
bênçãos. Contudo, para obter esses resultados
precisavam de tempo para se familiarizarem com o
produto, de uma prática constante para confiarem nos
resultados e de alguma paciência para verem efeitos
permanentes.
Mas esse “produto” não funcionou como
esperavam. “Investimos tudo nEle”, justificam alguns.
“Foram meses de dedicação e confiança”, lamentam
[Tire Deus do Armário!]
outros.
E hoje, quando estas pessoas são indagadas sobre
onde está esse “produto”, onde está Deus em suas
vidas, elas apontam o armário de sua existência:
“Deixamos Ele sempre guardado, para o caso de
precisarmos. Tentamos sinceramente de todas as formas,
mas era muito complicado lidar com Ele. Chegamos a
ter medo que Ele pudesse nos causar algum dano
enquanto O utilizávamos. Um dia, quem sabe, quando
tivermos mais tempo ou dinheiro, Ele possa funcionar
melhor”.
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Talvez você se identifique com esses sentimentos.
Talvez você olha para a sua vida e vê determinação e
fidelidade para as quais não houve retorno. A
recompensa não vem e o que Deus lhe dá nunca é
suficiente. O relacionamento com Ele é sempre pesado e
desgastante.
Se você se sente assim, então você é um dos
servos da Parábola dos 10 Talentos (Mateus 25.14-
30).
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“O Reino do Céu será como um homem que ia
fazer uma viagem. Ele chamou os seus empregado e
pôs para tomarem conta da sua propriedade. E lhes deu
dinheiro de acordo com a capacidade de cada um: ao
primeiro deu quinhentas moedas de ouro; ao segundo
deu duzentas; e ao terceiro deu cem. Então foi viajar.
O empregado que tinha recebido quinhentas
moedas saiu logo, fez negócios com o dinheiro e
[Tire Deus do Armário!]
conseguiu outras quinhentas. Do mesmo modo, o que
havia recebido duzentas moedas conseguiu outras
duzentas. Mas o que tinha recebido cem moedas saiu,
fez um buraco na terra e escondeu o dinheiro do
patrão.” (Mateus 25.14-18)
Nesta parábola Jesus retrata a vida cristã e o
relacionamento com o patrão de três empregados
diferentes. Nela, o patrão ou senhor é Deus e os
servos ou empregados representam aqueles que foram
tocados pela Palavra, os que trabalham no Reino de
Deus.
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Todos aqueles homens foram escolhidos pelo
próprio senhor em função da confiança que depositava
neles e da capacidade de administração de cada um
(Mt 25.15). Não havia nenhum engano ou incerteza na
escolha, aquele senhor conhecia seus servos.
Deus sempre conhece seus servos intimamente (Jó
2.3) e é Ele quem concede os recursos. Por isso
entregou ao primeiro 500 moedas de ouro (cinco
talentos), ao segundo 200 moedas de ouro (dois
talentos) e com o último deixou 100 moedas de ouro
(um talento).
Para dois daqueles servos o encontro com o seu
Senhor, quando do Seu retorno, seria motivo de alegria
e de festa. Mas para o terceiro seria motivo de pesar.
E foi isso que aconteceu. Quando encontraram com o
Senhor, aqueles dois primeiros servos apresentaram os
resultados esperados. O primeiro que havia recebido 5
talentos agora possuía 10. E o que havia recebido 2
agora estava com 4 talentos!
[Tire Deus do Armário!]
Não há registro de que eles reclamaram da dureza
da região em que estavam e nem dos trabalhos
exaustivos e solitários aos quais foram submetidos. Não
houve lamúrias pelas noites em que se derramaram na
presença do Senhor, nem das idéias muitas vezes
confusas quanto a orientação de Deus para as suas
vidas.
Não foram citados os problemas psicológicos e
emocionais que enfrentaram, os quais lhes encheram de
medo, ansiedade, solidão e frustração. Não alegaram a
falta de tempo e de recursos financeiros para a
8
realização da obra. E nem contaram histórias
apavorantes e assustadoras de como o Diabo andou
rodeando e rugindo em volta deles.
Aqueles homens tinham uma vida vitoriosa, pois
criam em duas coisas: no chamado de Deus para a
vida deles e na visão profética que Deus lhes havia
dado.
[Tire Deus do Armário!]
9
UM
O CHAMADO: CRENDO NO
MELHOR DE DEUS
Todos temos um chamado de Deus para que nossas vidas sejam
usadas de forma plena. Somos chamados para
que nos tornemos agradáveis a Ele, semelhantes
em tudo a Cristo Jesus. Deus somente nos
revela a Sua vontade quando obedecemos
a esse chamado.
Tenho visto vidas inteiras desperdiçadas na
procura da “vontade de Deus”. Não no sentido de
obediência ou de estar no centro de Sua vontade, mas
na angústia de se ter um propósito para existir, para
viver.
As pessoas não aceitam respostas simples para
[Tire Deus do Armário!]
esta questão, elas querem ouvir e ver coisas
sobrenaturais sobre o que Deus quer fazer através
delas. Elas precisam se sentir especiais, querem ser
tocadas de modo diferente, desejam uma unção
tremenda, anseiam por visões sobrenaturais, buscam
emoções que vão além de qualquer adrenalina...
Para estas pessoas não basta a declaração de
Paulo aos Colossenses que “... por meio dEle [que é
Cristo Jesus], Deus criou tudo, no céu e na terra, tanto
o que se vê como o que não se vê (...). Por meio
10
dEle e para Ele Deus criou todo o universo.”
(Colossenses 1.16). Ou seja, elas não querem
encontrar propósito no Deus que se manifesta e opera
no ordinário da existência humana, tendo Cristo como
centro.
As pessoas não percebem a história da mesma
maneira. A maioria não consegue enxergar que Deus se
manifestou principalmente na vida comum do povo judeu.
Toda essa confusão tem origem em não se saber
quem se é de fato em Cristo Jesus. A maioria das
pessoas exclui totalmente a possibilidade de ser usado
de maneira plena por Deus. Isso porque têm a visão de
um Reino dos Céus dividido em “castas”: alguns são
especiais, alguns são ungidos, alguns são separados.
Já que Deus não falou com elas de forma
“especial”, se classificam na mais “baixa posição”,
como freqüentadores de cultos ou membros de bancos
de igrejas.
Muitos acreditam que são cópias de cópias.
[Tire Deus do Armário!]
Pensam que são cópias de seus líderes, que seriam
cópias de seus pastores, que foram cópias dos
missionários, que foram cópias... quando na verdade
TODOS somos originais do Original.
Cada cristão não é uma unidade abstrata,
convocada ocasionalmente para contribuir financeiramente
com a igreja. Cada cristão não é chamado para gozar a
posição de fiel ou para exercer uma função eclesiástica.
Cada cristão é chamado para viver e compartilhar na
totalidade de suas dimensões humanas e espirituais, até
que se torne a imagem e semelhança de Cristo.
11
Sei o quanto o coração do Senhor está triste, e
isto não somente pelo mal que Ele vê. Mas pela
incredulidade em Suas promessas, o não buscar da Sua
face, as dúvidas quanto aos Seus cuidados por nossas
vidas...
Como alguém consegue negar os cuidados de
Deus por sua vida, quando Deus não tem filhos
prediletos?
1. Não duvide!
Existem vários motivos pelos quais alguém pode
duvidar do chamado ou da vontade de Deus para sua
vida. Gideão, Isaías e Jeremias cumpriram
poderosamente os seus chamados. Mas no princípio,
eles também foram marcados pela incerteza.
Gideão
Gideão tinha todos os motivos humanos para
temer. O povo de Israel era constantemente humilhado
[Tire Deus do Armário!]
por seus inimigos midianitas. Eles roubavam as colheitas,
invadiam os campos e devoram as plantações (Juízes
6.3-6).
Entre milhares, Gideão era um dos que também
tinha uma família para sustentar, por isso estava
trabalhando escondido. Ele malhava trigo em um lagar!
Gideão estava tão amedrontado que usava o tanque de
pisar usavas para malhar o trigo (Jz 6.11).
12
Neste ambiente de desesperança o Anjo do Senhor
lhe aparece com uma saudação incomum: “Você é
corajoso, e o Senhor está com você!” (Jz 6.12).
Como isso é possível? Assim como o povo de
Israel, Gideão estava escondido, com medo, mas o
Senhor via em sua vida a coragem da fé necessária
para libertar uma nação. Por isso Gideão teve dúvida
quanto a presença de Deus ao declarar: “Se o Senhor
está com o nosso povo, por que... onde estão... Ele
nos abandonou...” (Jz 6.13).
Mesmo assim o Senhor lhe ordena: “Vá com toda
a sua força... Sou Eu quem está mandando...” (Jz
6.14). Mas Gideão retruca revelando dúvida da
comissão ou da tarefa: “Senhor, como posso...” (Jz
6.15).
E o Senhor insiste: “Você esmagará todos... como
se eles fossem um só homem.” (Jz 6.16). Gideão
pede uma prova, pois tinha dúvida da garantia da
vitória: “... então dá-me uma prova...” (Jz 6.17).
[Tire Deus do Armário!]
Você como Gideão têm duvidado da presença de
Deus? Tem duvidado da missão que Ele te deu?
Continua duvidando da garantia da vitória?
Pare de cobrar sinais e segurança! Você já
recebeu de graça, recebeu sem pagar, então dê sem
cobrar (Mt 10.8). Creia que quando o Espírito Santo
começa a agir, toda dúvida, inquietude e comoção são
expulsas. Deixe o Espírito testificar por você.
Isaías
13
Durante um período de 10 anos o rei Uzias sofreu
de uma terrível doença de pele, uma praga conhecida
por lepra (Números 13.1-59). Esta lepra do rei Uzias
surgiu a partir de um terrível pecado.
No auge do seu reinado, Uzias havia se atrevido
a entrar no Templo do Senhor para oferecer incenso no
altar (II Crônicas 26.16). Esta função era exclusiva e
destinada aos sacerdotes descendentes de Arão (Nm
16.40). Por este abuso, no mesmo instante, Uzias se
tornou leproso (II Cr 26.19). O seu orgulho foi a sua
desgraça (II Cr 26.16).
Um jovem de uma rica e respeitável família,
chamado Isaías, mantinha uma estreita relação com esta
família real. Quando criança ele havia escutado sobre as
vitórias e conquistas de Uzias. Agora como adulto, seria
testemunha da morte deste rei pela lepra (II Cr 26.21-
23).
Sem Uzias como referência, Isaías um dia voltou
ao Templo do Senhor (Isaías 6.1), onde seu rei havia
[Tire Deus do Armário!]
se tornado leproso. Ali Isaías vê a glória do Senhor
encher aquele Templo com uma santidade aterradora,
que levava até os serafins a cobrirem as faces com as
asas (Is 6.2).
Eles clamavam com alta voz: “Santo, santo, santo
é o Senhor dos Exércitos: toda a terra está cheia da
Sua glória” (Is 6.3). O barulho das vozes dos serafins
fizeram que as umbrais das portas se movessem e os
alicerces do Templo tremiam.
Apesar da gloriosa presença de Deus encher
TODA a terra, Isaías justificou sua exclusão da Glória e
14
da presença de Deus. Isso porque Isaías ainda tinha
dúvidas por causa do passado.
Veja, o rei Uzias havia encontrado a morte neste
mesmo Templo. Por isso parecia impossível acreditar no
chamado de Deus para a sua vida, o chamado para um
pecador. Isaías colocou o rosto nas mãos e exclamou
com terror:
“Ai de mim! Estou perdido! Pois os meus lábios
são impuros, e moro no meio de um povo que também
tem os lábios impuros. E com os meus próprios olhos
vi o Rei, o Senhor Todo-Poderoso!” (Is 6.4).
Você vive em um passado que nunca passa?
Continua preso nos antigos e atrevidos pecados? Você
julga Deus por causa daquilo que aconteceu na vida dos
outros?
Se você sabe que Jesus já te salvou, então pare
de se preocupar. Pois Jesus é tudo o que o homem
precisa conhecer. Não existe vida fora do Seu conserto.
Seu passado com seus erros foram esquecidos pelo
[Tire Deus do Armário!]
Senhor.
Chegou o momento de você ir e levar este
conserto, esta restauração de Jesus ao mundo. Então se
levante e ande, pois é o Espírito Santo quem faz a
obra.
Jeremias
Quando o Senhor chamou a Jeremias, Ele
declarou que sabia exatamente a quem estava
chamando: “Antes que te formasse no ventre te conheci,
15
e antes que saísses da madre te santifiquei: as nações
te dei por profeta” (Jr 1.5).
Deus estava dizendo: “Antes do mundo ser
formado Jeremias, Eu já tinha um plano para a tua
vida. Te criei, escolhi e separei para que você pregasse
a Minha Palavra para as nações”.
Mas Jeremias colocou em dúvida a sua própria
capacidade ao justificar: “... não sei falar; porque sou
uma criança” (Jr 1.6). A expressão hebraica na’ar
(criança) era utilizada para qualquer pessoa com idade
entre 3 meses e 40 anos. Jeremias, a auto-intitulada
“criança”, tinha nesta época cerca de 24 anos de
idade.
Saiba que cada um tem o seu lugar no Reino.
Deus nos dá um chamado e depois abre as portas para
cumprir a missão. Ele lhe entrega as responsabilidades,
os talentos. Por isso o Senhor te diz: “Eu te chamei,
Eu te escolhi: nunca mais diga que não é capaz!”
2. Apenas diga SIM!
“Portanto, sejam humildes debaixo da poderosa [Tire Deus do Armário!]
mão de Deus para que Ele os honre no tempo certo.
Entreguem todas as suas preocupações a Deus, pois
Ele cuida de vocês. Estejam alertas e fiquem vigiando
porque o inimigo de vocês, o Diabo, anda por aí como
um leão que ruge, procurando alguém para devorar” (I
Pedro 5.6-8).
Pedro sabia muito bem o que o Espírito Santo
estava lhe dizendo quando escreveu estes versos. Ele
16
também teve que dizer um SIM para o chamado de
Deus.
Pedro
“O que será que Deus está querendo dizer?” –
foi a pergunta que Pedro começou a se fazer diante de
uma visão que lhe arrebatou dos sentidos (Atos 10.10,
17). Enquanto orava em um terraço Pedro teve uma
visão na qual desciam do céu aves, quadrúpedes e
répteis. Todos animais considerados imundos e proibidos
como alimento pela Lei de Moisés. Esses animais eram
acompanhados de uma ordem simples: “Pedro, levante-
se! Mate e coma!” (At 10.13).
Pedro estava faminto, estava esperando o almoço
ser preparado e conhecia a voz de quem falava com
ele. Apesar disso a resposta de Pedro foi de um temor
contraditório: “De jeito nenhum, Senhor!” (At 10.14).
Pedro estava dizendo “não” para a ordem, estava
dizendo “não” para o chamado de Deus. Isso não é de
[Tire Deus do Armário!]
todo incomum. Muitos passam a vida toda dando
respostas negativas ao chamado de Deus e
desconhecem que a paciência de Deus diante deste
“não” é uma oportunidade para que todos sejam salvos
(I Pe 3.15).
Mas este não era o caso de Pedro, ele era um
dos apóstolos escolhido por Jesus. Mesmo assim Pedro
fez como muitas pessoas, chamou Deus de “Senhor” e
Lhe respondeu negativamente.
Contraditório? Você alguma vez já fez isso? Disse
“não” para Deus? Neste caso o quanto Deus é de fato
17
“Senhor” de sua vida quando você lhe responde “de
modo nenhum”, “nunca”, “eu não”?
A ordem se repete por três vezes e, após
meditar, Pedro compreende essa visão: Deus estava lhe
chamando para coisas muito maiores do que qualquer
outra que ele já houvesse experimentado. Tudo que
Pedro tinha que dizer era “SIM”. Pois o Deus que o
chamava era “poderoso para fazer tudo muito mais
abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos”
(Efésios 3.20).
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Até mesmo as pessoas ao nosso redor podem
duvidar que Deus nos deu um chamado! Elas dizem:
“Você têm tudo para ter uma carreira brilhante. Saia
desta rotina de igreja. Você não vai chegar a lugar
nenhum andando com esses 'crentes'. Acorda! Deus não
te chamou, isso tudo é pura emoção, a realidade é
diferente, é outra. Você conhece a Bíblia, procure
[Tire Deus do Armário!]
discernir, Deus não chama as pessoas desse jeito não.
Os outros estão te usando.”
Jesus enfrentou os mesmos problemas em Seu
ministério. Os fariseus diziam que Ele estava possesso
pelo demônio (Mt 9.24) e que Jesus era um mentiroso
(João 8.13); seus conterrâneos diziam que Ele não
passava de um carpinteiro (Mt 13.55);
Herodes dizia que Jesus era João Batista que
havia ressuscitado (Mt 14.2); algumas pessoas da
multidão diziam que Ele era um enganador (Jo 7.12);
18
outras pessoas afirmavam que Jesus era apenas um
profeta (Marcos 6.15);
Seus discípulos ouviram falar que Ele era Elias ou
Jeremias (Mt 16.14); muitos do povo diziam que Ele
era um louco (Jo 10.20); os moradores de Nazaré
diziam que Jesus era um simples nazareno (Lucas
4.22); os judeus diziam que Ele era um desprezível
samaritano (Jo 8.48); os moradores de Jerusalém
diziam que Jesus era apenas um ser humano (Jo
10.33).
Mas o que Jesus fez em relação a tudo isso?
Apenas disse SIM ao chamado do Pai. Jesus se
humilhou debaixo da poderosa mão de Deus, lançou
sobre Ele todas as Suas preocupações e foi sóbrio,
esteve alerta e vigilante em todas as coisas.
Como conseqüência disso, Deus no tempo certo
exaltou Jesus, o mais humilde dos servos. Deus cuidou
de todas as Suas ansiedades geradas por Sua missão.
E o Diabo não O pode devorar! (I Pe 5.6-8)
[Tire Deus do Armário!]
Saía logo!
Para aqueles dois servos que receberam os
talentos, o chamado estava claro! O Senhor entregou a
sua propriedade, os seus bens, para que eles tomassem
conta (Mt 25.14). E para que através desse ministério
(o de ser administrador das coisas do Senhor) eles
cumprissem a Grande Comissão: dar lucros. O propósito
de Deus ao dar talentos ao Seu povo é sempre
produzir frutos.
19
Difícil? Decepcionante por não haver visões
celestiais ou profetas dançantes ao redor? Mas este era
o chamado do Senhor para as suas vidas.
Por terem plena convicção em seus corações
quanto ao chamado de Deus, os dois primeiros servos
“saíram logo”, começaram imediatamente, logo após o
chamado (Mt 25.16). Não havia dúvidas, não havia
temor, não precisavam de sinais especiais. O chamado
era um ato de fé, e a fé traz consigo as verdades que
o coração precisa.
[Tire Deus do Armário!]
20
DOIS
A VISÃO PROFÉTICA:
CRENDO NA FIDELIDADE
DE DEUS
Toda pessoa chamada por Deus precisa de uma visão,
algo que a possa mover com ousadia. Um desejo
ardente sempre acompanha a visão e a
impulsiona a prosseguir.
Todo chamado é acompanhado por uma promessa
profética. Uma visão das conquistas que se podem obter
em função de um posicionamento fiel de nossa parte.
Algumas vezes a visão profética é dada antes
mesmo do chamado. Foi isso o que ocorreu, por
exemplo, na vida de José. Ele primeiro teve sonhos que
[Tire Deus do Armário!]
lhe revelavam as promessas para sua vida, antes
mesmo de saber qual seria o chamado.
1. Muito além de sonhos
José
José tinha apenas 17 anos quando Deus lhe
revelou a visão profética para sua vida. O mais moço
entre seus 10 irmãos, José vivia um paradoxo entre ser
o predileto de seu pai Jacó e odiado por seus irmãos.
21
Este ódio tomou uma crescente desmedida quando
José começou a ter sonhos (Gênesis 37.8). Sonhos
de esperança e honra para José, mas perturbadores
para seus ciumentos irmãos (Gn 37.10-11).
As grosserias, a raiva, o ódio e a inveja de seus
irmãos culminaram na execução de um plano humilhante:
a venda de José como escravo pelos próprios irmãos
(Gn 37.28).
A descrição que o salmista faz de José é de “...
um homem vendido como escravo. Os seus pés foram
presos em correntes, e no seu pescoço puseram uma
coleira de ferro” (Sl 105.17-18). Os anos seguintes da
vida de José foram marcados por dificuldades e
injustiças.
Quando José parecia começar a se levantar e a
receber o mínimo de dignidade humana, ele foi
falsamente acusado de tentativa de estupro e colocado
em uma prisão. As correntes voltaram aos seus pés e
a coleira voltou ao seu pescoço (Gn 39.10-20).
[Tire Deus do Armário!]
Não, o grande conflito de José não era a rejeição
de seus irmãos; não era a condição humilhante de
escravo; não eram os anos de solidão em uma terra
desconhecida; não era a carência por afeição; não era
a dor da injustiça que o fez prisioneiro; não eram os
dramas psicológicos de uma vida em correntes...
O conflito de José era olhar para os grilhões que
o prendiam e mesmo assim acreditar nos sonhos de sua
juventude. Como ter certeza que não foram apenas
sonhos, enganos de seu coração? Como saber se de
fato Deus havia lhe falado? Será que José havia
22
desperdiçado 13 anos de sua vida fiel a nada (Gn
37.20)?
Foi Deus quem mandou José para o Egito.
Durante todo esse tempo Deus preservou a vida de
José, pois Ele tinha um propósito. Deus permitiu que
José ficasse “... na prisão até que se cumpriu o que
ele tinha dito. A Palavra do Senhor Deus provou que
José estava certo” (Sl 105.19).
José não ficou com o coração nas circunstâncias,
seus olhos não se fixaram nas correntes, ele não se
“limitou” ao fato de não ter a opção de ir ou vir. Ele
não procurou “ajudar” Deus a cumprir a visão profética
em sua vida. Não tentou subir socialmente através de
um relacionamento sexual com a mulher do seu senhor.
Não organizou um motim ou uma rebelião para que
pudesse fugir. Na cadeia não se tornou membro ou líder
de alguma facção criminosa.
Ele esperou, confiou e provou da Palavra de
Deus. Pois toda promessa passa pelo teste do tempo,
[Tire Deus do Armário!]
para que o homem seja provado e aprovado pela
Palavra de Deus.
2. Tudo ao seu tempo
Calebe
Assim como todo o povo de Israel que estava
escravizado no Egito, Calebe tinha como vontade de
Deus, como propósito para sua vida, a saída livre do
Egito e a conquista de “... uma terra boa e larga, uma
terra que mana leite e mel” (Êxodo 3.7-8). Calebe
23
havia sido chamado por Deus para participar do
ministério de libertação de um povo. Calebe havia sido
liberto com o povo para libertar o povo. Seu chamado:
Liberto para libertar.
Cerca de um ano depois que havia saído do
Egito, Calebe e mais onze companheiros receberam um
chamado específico, uma missão para conhecer a Terra
Prometida: “Vão... vejam bem que terra é essa” (Nm
13.17-20).
Após uma viagem empolgante de 40 dias e a
apresentação de provas irrefutáveis das maravilhas da
terra a ser conquistada, o relato muda tragicamente com
a covardia e a incredulidade de 10 destes 12 homens.
Neste caso também não havia engano na escolha dos
espiões, todos eram líderes e chefes de tribos do povo
de Israel (Nm 13.1-2).
Depois de um posicionamento e um livramento
dramático de Calebe e seu amigo Josué; ele recebeu a
visão profética para a sua vida: “Mas o meu servo
[Tire Deus do Armário!]
Calebe tem um espírito diferente e sempre tem sido fiel
a mim. Por isso eu farei com que ele entre na terra
que espionou, e os seus descendentes vão possuir
aquela terra” (Nm 14.24) “... e por isso darei a ele
e aos seus descendentes a terra por onde ele andou”
(Deuteronômio 1.36).
Aquela geração passou a vagar pelo deserto e
38 anos depois todos que saíram do Egito tinham
morrido (Dt 2.14-15), apenas dois israelitas que
haviam saído da escravidão estavam em pé: Josué e
Calebe. Um ano depois esses dois homens e a geração
24
que nasceu no deserto entram na Terra Prometida. Mas
cinco mais tarde, ou seja, quarenta e cinco anos desde
aquele evento no deserto, Calebe ainda não havia visto
a visão profética de Deus se cumprir em sua vida.
Calebe recebeu o que lhe foi prometido somente
quando teve certeza de estar pronto para receber a
promessa! “Olhe para mim! Estou com oitenta e cinco
anos e me sinto tão forte... ainda tenho bastante força
para combater na guerra e para fazer o que for
preciso” (Josué 14.10-11), disse Calebe a Josué. Ele
estava pronto para receber as bênçãos plenas de Deus.
Se não tivesse passado pelo tratamento de Deus,
Calebe nunca teria visto o cumprimento da promessa de
Deus para sua vida. Deus cumpre a Sua Palavra no
momento certo, quando estamos prontos. Pessoas
doentes, fracas, abaladas não precisam de bênçãos,
precisam de repouso, de descanso. Calebe estava forte,
ele foi provado e tratado pelo tempo.
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[Tire Deus do Armário!]
A promessa de Deus se cumpre em nossa vida quando
somos fiéis ao chamado. Quanto mais você cumpre o
chamado, mais a visão se torna persistente e vívida em
sua vida. Uma vida cristã de dores, lamentações,
frustrações e angústias não pode levar ao cumprimento
da visão profética.
Na parábola, para os servos que permanecessem
fiéis, a promessa era que festejariam com o Senhor e
seriam colocados em lugar de honra, sobre muito (Mt
25.21). E como alcançariam esta promessa para suas
25
vidas? Cumprindo a ordem, obedecendo ao chamado, no
caso multiplicando os talentos!
Após sua ressurreição Jesus esteve por um período
de 40 dias com os seus discípulos. Agora sem o Seu
Mestre, como poderiam achar propósito na vida? O que
o futuro lhes reservaria? O que fazer? Neste período
Jesus lhes respondeu todas essas questões. Ele lhes
deu uma visão profética: O REINO DE DEUS! E
também lhes deu um chamado, uma missão: “...
[vocês] serão as minhas testemunhas (...) até nos
lugares mais distantes da terra” (At 1.3-8).
Quando o Pai enviou o Filho, Jesus simplesmente
veio. E Jesus possuía a mesma expectativa em relação
aos seus discípulos (Jo 20.21). Realmente estes
homens não O decepcionaram. Paulo resumiu isso ao
dizer “... façam o que é direito e certo e que se
entreguem ao serviço do Senhor com toda a dedicação”
(I Coríntios 7.35). Olhando para o futuro, para a visão
profética, os discípulos partiram para cumprir este
[Tire Deus do Armário!]
chamado.
Para aqueles dois servos fiéis a visão profética se
tornou real. Eles entraram no banquete do seu senhor.
Se você cumprir a sua missão também ouvirá o próprio
Senhor lhe convidando: “Venha festejar comigo!” (Mt
24.21, 23).
26
TRÊS
RELAÇÃO OU VISÃO
ERRADA DE DEUS!
O cenário composto por chamado, visão profética, vitória e
recompensa muda drasticamente quando o terceiro servo se
apresenta diante do Senhor. Ele havia passado pelo processo que
tornou sua vida cristã infrutífera. Uma
vida sem propósito.
O último servo chega na presença do Senhor com
a seguinte saudação: “Senhor, eu te conhecia, que és
um homem duro” (Mt 25.24). Não vemos essa
declaração ou essa visão por parte dos dois primeiros
servos.
A Bíblia nos ensina que tudo o que Deus é em
um determinado lugar, Ele é em todos. Por isso os dois
[Tire Deus do Armário!]
primeiros servos não enxergavam o Senhor como
“homem severo”. Para eles o Senhor era aquele que
os faria entrar em Seu gozo, em Sua alegria (Mt
25.21).
Essa visão do “homem cruel” era exclusiva deste
único servo, era o modo pelo qual ele via o caráter de
Deus: severo, insensível, rude, duro, áspero.
O Pai nos concede talentos somente para investi-
los no Reino. O Senhor não entregou o talento a este
servo por motivos aleatórios. Não, Ele conhecia a
27
inclinação do seu coração e esperava um retorno dele.
Assim como também espera colher os frutos do
investimento que tem feito em sua vida.
Mas esse servo havia desenvolvido um
relacionamento com o Senhor baseado na visão do
“homem severo”. Quando não conhecemos o caráter do
Senhor passamos a viver com Ele em um sistema de
troca: damos o dízimo esperando uma recompensa;
vamos a igreja para que no dia seguinte nossos
problemas possam ser solucionados; deixamos de pecar
para que algo ruim não nos aconteça.
Logo esse sistema evolui de troca para escravidão,
onde a necessidade de submissão não ocorre por amor,
mas por opressão. Nesta visão além de troca, de
escravidão, o Senhor passa a ter um prazer mórbido em
castigar, oprimir, humilhar e provar o seu servo. O que
resta deste relacionamento é um profundo ressentimento
e amargura contra Deus.
1. Deus me decepcionou...
Um sentimento crescente é a decepção com Deus. [Tire Deus do Armário!]
Muitas pessoas não admitem, mas em seu íntimo elas
possuem uma espécie de amargura contra Deus. Elas
desistiram de lutar, pois Deus não lhes atendeu na
proporção da urgência de seus problemas. Elas ficaram
desiludidas, desgastadas, magoadas em seus
relacionamentos com Deus. E é isso que vemos na vida
de Jonas.
28
Jonas
Jonas recebeu um chamado para sua vida:
“Apronte-se, vá à grande cidade de Nínive e grite
contra ela, porque a maldade daquela gente chegou aos
meus ouvidos” (Jonas 1.2). Um chamado relativamente
fácil, porém que passava pelo coração estreito,
intolerante e insensível de Jonas.
O chamado de Jonas aparentemente não tinha
nenhuma relação com a visão profética que Deus lhe
havia dado: ele veria o restabelecimento dos termos de
Israel (II Reis 14.25). Pois esse chamado era para
que ele anunciasse o juízo sobre um povo pagão.
Após uma séria de desventuras Jonas finalmente
entregou a mensagem de condenação ao povo de Nínive
(Jn 3.3-4): a destruição total ocorreria em um prazo
de 40 dias. Mas o povo se arrependeu (Jn 3.5-9),
Deus usou de misericórdia (Jn 3.10). A destruição que
Deus mandou Jonas anunciar não aconteceu. Com isso
Jonas se encheu de raiva, frustração e ressentimento
[Tire Deus do Armário!]
(Jn 4.1).
Para Jonas o seu ministério havia sido colocado
em dúvida. Jonas ignorou naquele momento que “...
todo esforço nesse trabalho [do Senhor] sempre traz
proveito” (I Co 15.58).
Deus sempre compreende o nosso choro de dor, a
nossa confusão, a nossa aflição, o clamor humano. Pois
em essência é o mesmo clamor proferido por Seu Filho
na cruz do Calvário (“Meu Deus, meu Deus, porque
me abandonaste?” Mt 27.46). Mas o ressentimento de
Jonas levou Deus a perguntar-lhe: “Jonas, você acha
29
que tem razão para ficar com tanta raiva assim?” (Jn
4.4).
Mas Jonas via motivo sim, o seu ministério como
profeta era um fracasso, sua vida um sofrimento em
vão. O que havia adiantando enfrentar a temprestade no
mar? De que serviu os três dias no desconfortável e
mal-cheiroso ventre do grande peixe? Em sua
concepção Deus o havia traído.
Para Jonas, Deus não estava preocupado com a
sua vida, seu sacrifício e sua fidelidade, antes Ele havia
escolhido agir em favor de um povo pecador. O coração
cheio de ressentimento contra Deus fazia com que Jonas
visse como saída somente a sua própria morte.
---------------------------------------
Toda a raiva contra Deus começa com um
desapontamento. Talvez você não esteja com raiva de
Deus, mas de qualquer forma está decepcionado. E a
decepção fez com que você perdesse a confiança. As
[Tire Deus do Armário!]
coisas simplesmente não ocorreram exatamente como
você planejou, surgiu então a sensação de desorientação
ou de traição.
Isso agora lhe impede que se submeta
inteiramente a Ele. Sente-se deprimido com o momento
que está passando e desesperançado em relação ao
futuro. Por isso parou de orar. “Para que orar se
Deus só faz o que Ele quer mesmo?” – você pode
estar pensando. “Não vou perder meu tempo Lhe
dando minha opinião. Que Ele faça a Sua vontade” –
você pode estar desabafando.
30
De qualquer maneira, você não irá gozar a
plenitude das bênçãos de Deus para a sua vida. E
esse sentimento de rebeldia o irá afastar de Deus.
Aquele que dúvida não recebe nada de Deus. É como
a onda do mar, sem direção, não vem e nem vai,
inconstante (Tiago 1.6).
E agora quando você ora, é como se estivesse
colocando Deus em julgamento. Procura sempre fazer
uma troca ou barganha com Deus: “Se o Senhor me
atender, vou Lhe dar o dízimo, vou a igreja, vou Lhe
servir. Mas somente se o Senhor me responder. Se
não, vou viver do meu jeito que ganho mais”. Ou como
se o pedido fosse uma agressão: “Quer saber de uma
coisa? Faça o que Você tiver que fazer!”.
E tudo o que você precisa fazer é crer em
Deus! “Porque nós cremos com o coração e somos
aceitos por Deus; falamos com a boca e assim somos
salvos. Porque as Escrituras Sagradas dizem: 'Quem
crer nEle não ficará desiludido'.” (Romanos 10.10-11).
[Tire Deus do Armário!]
2. Servir ao Senhor é pesado!
Quando temos um relacionamento errado com o
Senhor, a Sua mensagem e o Seu chamado tornam-se
pesos esmagadores. Na época de Jeremias toda uma
nação via a palavra do Senhor como um peso (Jr
23.33-40). O povo procurava os sacerdotes e profetas
e lhes perguntavam: “Qual é o peso do Senhor?” ou
literalmente “Qual é a carga da mensagem do Senhor
para nós?” (Jr 23.33). E os próprios ministros
31
suspiravam: “A mensagem do Senhor é uma carga” (Jr
23.38)!
Eles se sentiam “oprimidos” com a Palavra do
Senhor porque torciam as palavras do seu Deus, o
Deus vivo, o Senhor Todo-poderoso (Jr 23.36).
Quando perdemos o foco no chamado de Deus para a
nossa vida, Sua Palavra se torna um peso por não
estar em harmonia com os nossos desejos!
Considerar o chamado pesado, sua palavra uma
carga e amar a Deus um sacrifício, é uma ofensa ao
amor de Deus derramado sobre nossas vidas. Com
essas atitudes nós é que passamos a ser uma carga
para o Senhor (Jr 23.33), da qual Ele se livraria se
não fosse Sua misericórdia (Jr 23.39).
Fardo e jugo
O convite de Jesus é para que todos os que
estão cansado e oprimidos com suas pesadas cargas
venham até Ele, para que encontrem descanso (Mt
[Tire Deus do Armário!]
11.28). Indo até Ele, nossas cargas são trocadas por
Seu fardo leve e Seu jugo suave (Mt 11.30).
Fardo é o conjunto das coisas que são
transportadas sobre animais de carga. E o peso desta
carga foi estabelecido desde o princípio como “leve”.
Desde que Jesus pronunciou essa mensagem este
fardo não aumentou ou diminuiu seu peso em uma
grama sequer. Nem as mudanças nos relacionamentos
sociais, nem as alterações econômicas, nem as
mutações políticas puderam alterar o peso do fardo de
Jesus.
32
O jugo também não seria opressor. Jugo é a
peça de madeira que liga (emparelha) os bois para
que puxem o arado ou o carro. Mas apesar da
finalidade de seu uso, o jugo que Jesus lhe coloca se
ajusta perfeitamente: não pressiona, não marca, não
fere. O jugo simboliza domínio, sujeição, por isso Jesus
disse: “O meu jugo é suave” ou “os deveres que Eu
exijo de vocês são fáceis”.
Mas se de Jesus vêm o jugo suave e o fardo
leve, por que muitas vezes sobre nós o fardo é pesado
e o jugo é duro? Por que cumprir o chamado às vezes
se torna complicado? Por que a vida cristã se torna
difícil e o Evangelho parece esmagador?
Se o fardo nos cansa e sobrecarrega, e se o
jugo nos oprime e machuca é porque não são aqueles
que vêm do Senhor Jesus! Nos sentimos oprimidos,
frustrados, decepcionados quando nos colocamos embaixo
de zelos humanos. Perdemos o foco no nosso chamado
e nos preocupamos com coisas motivadas por nossa
[Tire Deus do Armário!]
paixão, nosso anseio, nosso desejo.
E o resultado das coisas que não estão alinhadas
com o nosso chamado é a frustração. A frustração é a
sensação de impotência, a sensação de derrota, após o
uso de todos os recursos.
Mas se buscarmos o Seu Reino, cumprirmos o
chamado acima de todas as coisas, não ficaremos
frustrados ou iludidos (Mt 6.33).
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33
Em diversas situações rejeitamos a Palavra de
Deus como se fosse um jugo de escravidão. Quando
tudo o que Jesus pediu é que levássemos até Ele os
nossos fardos!
Ele deseja saber de seus problemas, conhecer
suas preocupações, assumir os seus interesses,
responder às suas necessidades. Por isso Pedro
escreveu: “Entreguem todas as suas preocupações a
Deus, pois Ele cuida de vocês” (I Pe 5.7).
3. Olhamos as circunstâncias.
Quando olhamos as circunstâncias, nós mudamos o
nosso conceito sobre Deus. Tiramos os olhos do
chamado e da visão profética e vemos a situação em
que nos encontramos.
Existem pessoas que passam anos indagando “por
que?”: “por que tanto sofrer se eu não mereço? Se
eu sempre andei pelos caminhos do Senhor, se sempre
louvei o Seu nome, por que esse mal me consome?
[Tire Deus do Armário!]
Quanto tempo terei que esperar para ver alguma coisa
acontecer?”
Isso tudo ocorre porque o foco está errado, está
nas circunstâncias e não no Senhor que garante a
vitória!
Igreja de Tessalônica
Os missionários Paulo, Silas e Timóteo chegaram a
Tessalônica e durante um espaço de três sábados
seguidos pregaram o Evangelho na sinagoga local (At
34
17.2). Dois desses missionários tinham o corpo marcado
por uma aterrorizante surra com varas (At 16.22-23).
E por intervenção divina eles haviam recentemente saído
da cadeia mais bem guardada da cidade de Filipos (At
16.35-36).
Esses missionários apresentavam marcas de
descomunal sofrimento e visível pobreza. Mas não eram
mendigos ou pedintes, além da roupa do corpo talvez
possuíssem algumas ferramentas para confeccionar
tendas. Por isso em sua estada em Tessalônica
trabalharam de dia e de noite para não se tornarem um
peso para ninguém (I Tessalonicenses 1.9).
Apesar de toda esta circunstância anunciavam o
Evangelho “... com poder, com o Espírito Santo e com
a certeza de que esta mensagem é verdade” (I Ts
1.5). Mas nas três primeiras semanas, essa recém
fundada igreja suportou um sofrimento iminente. Um
grupo de “malandros e desordeiros” fizeram muita
confusão na cidade por inveja a mensagem pregada por
[Tire Deus do Armário!]
esses missionários (At 17.5).
Alguns recentes convertidos, como Jasão, tiveram
suas casas e propriedades invadidas, e foram levados
presos (I Ts 1.6-8). Foram subornados e coagidos a
darem parte dos seus bens (I Ts 1.9). E mesmo
assim eles receberam a palavra do Senhor em meio a
muita tribulação, com alegria do Espírito Santo (I Ts
1.6)!
Paulo então testemunhou que essa recente
comunidade tornou-se exemplo para todo o mundo:
“(...) vocês se tornaram um exemplo para todos os
35
cristãos das províncias da Macedônia e da Acaia. Pois a
mensagem a respeito do Senhor partiu de vocês e se
espalhou pela Macedônia e pela Acaia, e as notícias
sobre a fé que vocês têm em Deus chegaram a todos
os lugares” (I Ts 1.7-8).
Eles foram muito perseguidos, mais do que
qualquer outra igreja na época. Seus próprios
conterrâneos, seus vizinhos, conhecidos, talvez até
parentes, os perseguiram (I Ts 2.14). Recém
convertidos, seus matrimônios foram postos em prova (I
Ts 3.3), seus empregos foram testados e perderam o
respeito da comunidade (I Ts 4.11-12). Paulo afirma
que o Diabo atacou a igreja, cada família e cada cristão
de tal forma que ele ficou com medo da igreja ser
destruída (I Ts 3.5).
Mas a Igreja de Tessalônica não iria desistir, seus
obreiros e santos estavam decididos a viver o poder do
Evangelho: “Embora tenham sofrido muito, vocês
receberam a mensagem com aquela alegria que vem do
[Tire Deus do Armário!]
Espírito Santo” (I Ts 1.6), testemunharam Paulo, Silas
e Timóteo. Eles haviam de fato recebido o Espírito
Santo sobre suas vidas.
Paulo sabendo o que aquela igreja havia suportado
chegou a confidenciar que quando o “Senhor Jesus vier,
vocês [tessalonicenses] e ninguém mais são de modo
todo especial a nossa esperança, a nossa alegria e o
nosso motivo de satisfação, diante dEle, pela nossa
vitória. Sim, vocês [da igreja de Tessalônica] são o
nosso orgulho e a nossa alegria!” (I Ts 2.19-20).
36
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Onde está a alegria do Espírito Santo em seus
dias de lutas e aflições? O que está faltando? Ensinos
teológicos, cultos de avivamento? Não, segundo Paulo o
que fez diferença na vida dos tessalonicenses foi seguir
o exemplo do Senhor Jesus (I Ts 1.6).
Não sucumba à pressão! A Igreja de Tessalônica
sofreu grandes aflições, tremendas provações, tempos
difíceis, perseguições mortais. Mas estava cheia da
alegria do Espírito Santo. Se concentre no chamado de
Deus para a sua vida.
O chamado de Deus para a sua vida é real! Não
perca o foco no chamado, deixe que o próprio Senhor
se torne o Seu Defensor: “Ele fará com que a sua
honestidade seja como a luz e com que a justiça da
sua causa brilhe como o sol do meio-dia.” (Salmo
37.6)
Volte aos braços do Pai
[Tire Deus do Armário!]
O inimigo quer lhe manter convencido de que
Deus está bravo com você. E ele fica repetindo isso
para você de dia e de noite. Quem diz que você não
é digno? Quem diz que você não têm valor? Quem
recorda todos os pecados e falhas, e o acusa: "Você
tem mãos sujas, coração impuro! Sua alma não é
inocente. O Senhor nunca irá tocar em você!"?
Esta é a voz da velha serpente mentirosa, aquela
que mente desde o dia em que caiu do céu! Ele diz:
"Você não pode ir a igreja, sua vida é uma vergonha.
37
Você já fez tanta coisa errada que nunca será digno de
conviver com os santos!" Talvez você se sinta indigno
de ser chamado filho do Senhor. Você olha para as
pessoas que admira e talvez pense que nunca
conseguirá ser como eles, ter uma vida espiritual tão
consistente. E o inimigo continua lhe enviando mentiras
e você passa a culpar Deus por seus erros e fracassos.
Muitos chegam a um ponto que se sentem
indignos, abatidos, fracos, abandonados e traídos por
Deus. Esquecem de deixar queimar em seus corações o
amor de Deus: "Porque o Filho do homem não veio
para perder as almas dos homens, e sim para salvá-
las..." (Lc 9:56).
E quem acaba sendo o Senhor da sua vida? O
“homem duro” que lhe oferece serpentes no lugar de
peixes, pedras em vez de pão e escorpiões como se
fossem ovos? Ou o Pai amoroso que não negou Seu
Único Filho e com Ele quer lhe dar todas as demais
coisas?
[Tire Deus do Armário!]
Você sente que levou para casa um produto que
não comprou? Quem é O Senhor de sua vida é o
“homem cruel” que não respeita seus planos, seus
sonhos e seu íntimo? Ou o Deus “o Alto e Sublime,
que habita na eternidade, e cujo nome é Santo”, que
por vontade própria mora “com os humildes e os
aflitos”, que opera em suas íntimas motivações “para
vivificar o espírito dos abatidos”, que age no profundo
de cada sentimento “para vivificar o coração dos
contritos” (Is 57.15)?
38
Temos um dos maiores privilégios da história da
humanidade: o direito, a coragem e a liberdade de
entrar na presença de Deus e lhe chamar de Pai.
“Deus fez isso de acordo com o Seu propósito eterno,
que Ele realizou por meio de Cristo Jesus, o nosso
Senhor. Por estarmos unidos com Cristo Jesus, por meio
da nossa fé nEle, temos a coragem de nos
apresentarmos na presença de Deus com toda a
confiança” (Efésios 3.11-12).
Paulo nos diz que “Deus já havia resolvido que
nos tornaria seus filhos, por meio de Jesus Cristo, pois
este era o Seu prazer e a Sua vontade. Portanto,
louvemos a Deus pela Sua gloriosa graça, que Ele nos
deu gratuitamente por meio do Seu querido Filho" (Ef
1:5-6). Não existe outro motivo para a adoção a não
ser o Seu amor por você.
Deus é o Pai que te espera com os braços
abertos. Pedro escreveu que Deus tem um amor sem
limites por nós (I Pd 5.10). João escreveu que TODO
[Tire Deus do Armário!]
amor de Deus já foi derramado sobre a sua vida por
meio de Seu Filho Jesus Cristo (Jo 3.16).
Você crê em Jesus? Pois a Palavra de Deus
afirma que todo aquele que crê em Jesus recebeu o
direito de se tornar filho de Deus (Jo 1.12). Então
mude a visão que você têm do caráter de Deus! Em
nome de Jesus abra a porta do armário!
39
QUATRO
COMPLEXO DE MEDO:
ESPÍRITO DE COVARDIA
Quando não conhecemos o caráter de Deus, quando temos um
relacionamento errado com Deus, quando temos
uma visão distorcida de Deus tudo o que nos
resta é o medo.
Definitivamente aquele servo era covarde. E não
tinha o mínimo constrangimento em confessar isso: “Eu
sei que o senhor é um homem duro, que colhe onde
não plantou e junta onde não semeou. Fiquei com
medo...” (Mt 25.24-25).
A humanidade vive sob o império do medo. Medo
da vida, medo dos desafios, medo de perder o
[Tire Deus do Armário!]
emprego, medo pela família, medo de sofrer um
acidente, medo de ser assaltado, medo de ficar doente,
medo de uma crise financeira. Medo é o combustível da
mídia e dos jornais sensacionalistas.
Mas o que pensar quando encontramos pessoas
que servem a Deus, mas que vivem acorrentadas pelo
medo?
Medo de se orgulhar pelo que Deus tem feito em
sua vida; medo de fracassar mais uma vez diante do
pecado; medo do dia que está começando; medo do
passado que nunca passa; medo do desconhecido que o
40
amanhã reserva; medo de suas idéias confusas; medo
da solidão e do abandono que uma vida cristã dedicada
possa causar.
Estas pessoas se entregaram ao Senhor, mas em
algum canto secreto elas continuam duvidando.
Continuam alimentando um relacionamento errado com
Deus. Não querem intimidade com o seu Senhor por
isso O guardam em um armário.
Qualquer relacionamento errado sempre gera o
medo. Por sua vez o medo escraviza, oprime e tortura.
O rastro deixado por uma vida de medo é de muita
confusão e dissensão. No caso deste servo, o medo era
a incredulidade!
1. Exceto eu!
Os Discípulos no Barco
“Logo em seguida [da multiplicação dos pães e
peixes], Jesus insistiu com os discípulos para que
entrassem no barco...” (Mc 6.45). Neste dia eles
[Tire Deus do Armário!]
haviam presenciado incríveis acontecimentos: multidões
sendo curadas e em seguida alimentadas a partir de
cinco pães e dois peixes (Mc 6.30-44).
Não Jesus “ordenou” que os discípulos entrassem
rapidamente no barco (Mt 14:22). Jesus insistiu com
termos mais fortes descrito por Marcos como “obrigou”.
Ele mesmo dispensaria a multidão e encontraria com
eles depois em Betsaida.
Temos um novo cenário: agora os discípulos de
Jesus estão num barco, no meio de um lago, fustigados
41
por um mar muito agitado. Eles estão com medo. E
estão nesta situação porque obedeceram a Jesus e
entraram no barco.
Seguir Jesus enquanto Ele fazia milagres era fácil
e prazeroso. Aprender sobre a fé sem esforço ao ver
os milagres do Mestre era agradável. Mas a idéia de
passar a noite em um barco no meio do lago parecia
muito arriscada.
Ao anoitecer, algo terrível aconteceu e uma
tormenta atingiu o barco. Os discípulos já haviam
remado muitas horas e agora estava escuro. O mar
revolto e o vento forte jogavam o barco com tanta
violência que aqueles pescadores experientes estavam
perdendo a coragem.
E não é de se admirar que estivessem
aterrorizados (Jo 6.19): em meio a escuridão os
discípulos vêem alguém caminhando sobre as águas em
direção a eles. O medo foi tal que Mateus e Marcos
relatam que os discípulos pensaram estar vendo um
[Tire Deus do Armário!]
fantasma (Mt 14.25).
Você consegue imaginar o que é ver “fantasma”
em meio a uma tormenta no escuro? Os discípulos não
acreditaram nos próprios olhos e “... pensaram que Ele
era um fantasma e começaram a gritar. Todos ficaram
apavorados com o que viram” (Mc 6.49-50).
Então Jesus se revelou e disse para não se
amedrontarem “... e subiu no barco com eles, e o
vento se acalmou. Os discípulos estavam completamente
apavorados” (Mc 6.51).
42
Mateus relata que Jesus rompeu os ventos, o mar
em agitação, e "... foi até lá [ao barco], andando em
cima da água" (Mt 14:25), somente ao despontar da
madrugada. Mas por que Ele não veio antes, logo nos
primeiros instantes da tormenta?
Marcos diz que Jesus “... viu que os discípulos
estavam remando com dificuldade porque o vento
soprava contra eles” (Mc 6.48). Por que Jesus ficou
assistindo a luta desesperada e os momentos de aflição
dos seus discípulos?
Porque somente quando Jesus entra no barco é
que vemos a fé começando a se manifestar nos
discípulos: “E os discípulos adoraram Jesus, dizendo: De
fato, o senhor é o Filho de Deus" (Mt 14:33).
Eles tinham visto naquele dia aleijados com pernas
tortas saírem correndo com toda liberdade, olhos cegos
sendo abertos e línguas mudas romperem em gritos de
louvores a Deus! E somente neste momento um
pouquinho de fé aparecia, mas essa não foi uma
[Tire Deus do Armário!]
declaração de fé definitiva dos discípulos no poder que
Cristo tinha em operar milagres!
Veja o relato de Marcos "... os discípulos estavam
completamente apavorados. É que a mente deles estava
fechada, e eles não tinham entendido o milagre dos
pães" (Mc 6:52).
Testemunhas incompreensíveis de vários milagres,
os discípulos haviam visto a multiplicação dos pães e
peixes. Mas o que seus olhos viram não foi
compreendido por sua fé. Jesus olhava para os seus
43
corações e sabia o que passa por seus pensamentos.
Havia dúvidas que ainda os aborreciam.
O que Jesus teria de fazer para levar os seus
discípulos a uma fé inabalável? Colocá-los em um
barco sozinhos.
O apóstolo Paulo descreve uma das suas
experiências da seguinte forma: “... as [tribulações,
aflições e sofrimentos]... foram muito além da nossa
capacidade de suportar... para que não confiássemos em
nós mesmos, mas em Deus, que ressuscita os mortos”
(II Co 1.8-9).
---------------------------------------
Aqueles homens eram escolhidos de Deus. O
Senhor conhecia seus corações e sabia que eles O
amavam profundamente e O serviam por livre vontade.
Eles estavam prontos para crer que Deus poderia operar
milagres nos outros.
Mãos defeituosas poderiam ser corrigidas sim. Um
[Tire Deus do Armário!]
aleijado de corpo retorcido poderia sofrer uma tão grande
transformação que de um salto se colocaria em pé e
correria! Claro que as multidões poderiam ser
alimentadas por um milagre!
O que eles não podiam era crer que Jesus faria
o mesmo por eles. Como muitos, eles não criam no
Deus que opera milagres quando estavam diante de
suas próprias crises. Era mais fácil duvidar, questionar e
temer do que entregar, descansar e crer no poder de
Jesus em nos livrar.
44
2. Deus não precisa de mim!
Uma das mentiras de Satanás é que Deus não
precisa de você. Ou pior, Deus não precisa de
ninguém! Era justamente essa a visão que o servo
tinha do seu senhor ao declarar: “Eu sei que o senhor
é um homem duro, que colhe onde não plantou e junta
onde não semeou” (Mt 25.24).
Ora, alguém que colhe onde não planta ou junta
onde não semeia precisa de alguém? O servo estava
razoando que o seu senhor era auto-suficiente em si
mesmo e em seus recursos. Que diferença ele poderia
fazer frente aos recursos quase ilimitados de seu
senhor? Por que ele deveria ser cobrado sendo apenas
um dos muitos servos disponíveis ao senhor?
Em seus pensamentos contraditórios o servo
concluiu: “O senhor não precisa de mim! Na verdade,
não precisa de ninguém”.
Moisés
[Tire Deus do Armário!]
“Moisés: Desça depressa...” (Êxodo 32.7). Após
um período de 40 dias de comunhão indescritível no
Sinai, Moisés recebeu essa ordem de Deus para voltar
ao acampamento israelita. Havia se passado pouco mais
de 4 meses desde que o povo de Israel tinha sido
milagrosamente liberto da escravidão do Egito. Apesar de
terem testemunhado o mover sobrenatural de Deus em
seu favor, bastaram 40 dias da ausência de Moisés
para a fé do povo se evaporar no calor daquele
deserto.
45
Israel cometeu o pecado abominável, nojento e
asqueroso da idolatria: atribuíram à uma imagem, um
bezerro feito de ouro, os milagres pela libertação da
escravidão do Egito! A essa imagem trouxeram ofertas
de gratidão, sacrifícios de submissão, gritos de alegria,
músicas de festa...
“Desça depressa porque o seu povo, o povo que
você tirou do Egito, pecou e me rejeitou” (Êx 32.7).
Não, Deus não estava desprezando o povo ao dizer “o
seu povo” para Moisés. Ele também não estava
transferindo a responsabilidade para Moisés ao enfatizar
“o povo que você tirou do Egito, pecou e me rejeitou”.
Na verdade Deus estava renovando o Seu compromisso
com o seu servo Moisés!
Deus estava confessando que os esforços de
Moisés para libertar o povo da escravidão, eram os
Seus esforços. Que a Sua dedicação durante o êxodo,
havia sido a dedicação de seu servo. Que o desejo de
Moisés em ver o povo de Israel livre, era o Seu
[Tire Deus do Armário!]
desejo. Sim, Deus estava revelando a íntima
cumplicidade que tinha com Moisés!
“... Agora não tente me impedir, vou descarregar
a minha ira sobre esta gente e vou acabar com eles”
(Êx 32.10). Moisés, fiel pastor, estava renovado da
presença santa do próprio Deus. Por isso é quase que
como Deus pedisse licença para seu servo. “Agora pois
deixa-me!”.
Deus havia compartilhado dos Seus propósitos com
Moisés desde o início. Os sonhos de Deus haviam sido
os sonhos de Moisés. Moisés havia se atrevido a viver
46
plenamente no centro do querer de Deus. Agora, Deus
revelava a Moisés que Ele se importava com os seus
sonhos, com os seus desejos, com suas angústias, com
suas dores, com os pormenores do seu íntimo. Deus
precisava do Seu servo!
---------------------------------------
É necessária uma cumplicidade com Deus, não
somente para se conhecer o Seu caráter, mas para
viver em conformidade com ele. Uma relação de Pai e
filho, onde o amoroso Pai supri tudo o que o filho
necessita. Uma relação de Rei e servo, onde o servo
humildemente se sujeita à vontade do Rei. Uma relação
de Mestre e discípulo, onde somos co-autores e
responsáveis por pregar o Evangelho a toda criatura, até
os confins da Terra!
Se você falhar e o Evangelho não for pregado
para um mundo perdido, ele continuará perdido. Pois
não existe outro plano alternativo. Deus precisa de
[Tire Deus do Armário!]
você! Não como escravo, mas como filho.
3. Existe um Espírito em você!
Timóteo
Timóteo era o jovem pastor encarregado da
importante igreja de Éfeso. Seu pai espiritual, Paulo,
estava preso em Roma e sabia que o seu fim se
aproximava rapidamente (II Tm 4.6). Ele se preocupava
em enviar ao jovem Timóteo várias instruções preciosas
para que ele pudesse cumprir o qual foi chamado.
47
Sua carta continha apelos comoventes. Paulo
via as suas próprias circunstâncias e se preocupava
com Timóteo. Apesar de preso, abandonado por todos
(com exceção de Lucas), esperando por sua
iminente execução, Paulo declarou: “Pois o Espírito
que Deus nos deu não nos torna medrosos; pelo
ministério para o contrário, o Espírito nos enche de
poder e de amor e nos torna prudentes” (II Tm 1.7).
Paulo já havia passado por diversas situações
difíceis na vida. Na verdade, acho que ninguém sofreu
como Paulo ao testemunhar o amor de Jesus. Uma
carta de Clemente de Roma, no segundo século,
testifica que Paulo esteve preso sete vezes. Além disto,
ele foi chicoteado cinco vezes, apanhou de vara três
vezes, sofreu tentativas de linchamento e foi apedrejado.
Ele havia escrito cartas que percorreriam o mundo,
anunciando as boas novas de salvação. Paulo também
havia se tornado uma carta viva; não somente por sua
conduta de vida, mas pelas terríveis marcas de surras e
[Tire Deus do Armário!]
apedrejamento que trazia em seu corpo. Seu corpo
testemunhava Jesus. Em cada uma destas situações
Deus o havia livrado para que ele pudesse ir mais
adiante, levando o Evangelho para lugares e pessoas
inacessíveis.
Mas agora era diferente. Ele sentia que algo
começava a mudar. Na verdade Paulo sabia que logo
iria escrever uma nova carta. Uma carta que seria
escrita com o seu próprio sangue. Sua morte iria
testemunhar ao mundo o poder da fé em Cristo Jesus.
48
Foi durante a severa perseguição de Nero, que
Paulo foi levado a Roma onde passou nove meses de
prisão, no ano de 67. Estava condenado. Em função de
sua cidadania romana, Paulo não poderia ser crucificado,
pois era uma condenação humilhante para um cidadão
romano. Segundo Clemente de Roma, por ordens de
Nero, Paulo foi levado para fora dos muros da cidade,
onde foi decapitado por uma espada.
Do outro lado da carta estava Timóteo. Ele
também tinha seus desafios pela frente. Jovem,
inexperiente e responsável por uma das sete igrejas mais
importantes do mundo. Timóteo podia sentir medo de se
deparar com situação que não saberia como lidar.
Ele havia sido testemunha dos incríveis livramentos
de Deus na vida de Paulo. Atento aos apelos comovidos
daquela carta, seria natural que Timóteo temesse: a
iminente morte de seu líder era o sinal de que uma
grande e indescritível perseguição cairia sobre a Igreja.
Timóteo também enfrentou as prisões romanas em
[Tire Deus do Armário!]
diversas ocasiões. Ele sabia que a perseguição estava
chegando. E mesmo após a morte de Paulo ele
continuou a pregar. Aquele jovem possuía uma fé
inabalável, nada o desanimava.
Desde menino ele conhecia as Escrituras Sagradas
e as promessas que ela continha (II Tm 3.15). Ainda
jovem, ele já se tornara um exemplo até mesmo para
os anciões (I Tm 4.12). Isso graça aos esforços de
seu líder Paulo e do apoio de sua família (II Tm 1.5).
Segundo o testemunho de Nicéfero, no segundo
século, foi durante o reinado de Domiciniano (no ano
49
96 a.D.), que Timóteo foi espancado e apedrejado até
a morte em Éfeso. A mesma cidade na qual ele
dedicou parte de sua vida em pregar o amor de Deus.
---------------------------------------
Quando não se está plenamente certo da vontade,
do chamado de Deus, tudo que se faz está sob o
domínio do medo. E o fruto de um trabalho permeado
por medo é a frustração.
Quem não conhece a vontade de Deus faz coisas
que Ele não mandou ou para as quais não foi
chamado. Daí nasce a frustração. A frustração nada
mais é do que o acúmulo de atividades motivadas por
zelo e amor humanos.
Recuse-se a carregar qualquer peso ou fardo que
o Senhor não tenha lhe dado. Esqueça o fardo de
preocupações que a vida trás sobre você. Paulo tinha
grandes problemas que o cercavam. Timóteo tinha
grandes desafios pela frente. Mas eles lançaram todas
[Tire Deus do Armário!]
essas ansiedades, entregaram de forma decisiva todas as
suas preocupações a Deus, pois Ele cuida de cada um
de nós (II Pe 5.7).
Não tenha medo, conserve o equilíbrio, não perca
o foco do seu chamado. Coloque Deus no centro de
todas as coisas. Não se torne um impotente espiritual.
Não deixe que sua vida seja permeada por um espírito
de covardia.
Deus lhe deu um Espírito de poder, para exercer
autoridade plena. Também lhe deu um Espírito de amor,
para que você saiba como exercer esta autoridade. E a
50
principal característica da presença de Deus é a
moderação, a sobriedade, o domínio próprio, o
equilíbrio!
Lance o medo fora, deixe de ser covarde, pois
Deus nos enche de poder, de amor e nos torna
prudentes.
Coragem, não tenha medo!
O temor a Deus é um dom! (Is 11.1-2). Apesar
de constar em último lugar nesta lista de dons, o temor
não é inferior, pois ele é o princípio da sabedoria, e a
sabedoria consta em primeiro lugar entre os dons.
Este temor não é vil, mas o temor de filiação. O
temor vil, que é o medo, a covardia, é fruto de um
mundo no qual Deus está ausente. Mas o amor de
Deus afasta todo e qualquer medo: “No amor não há
medo; o amor que é totalmente verdadeiro afasta o
medo” (I Jo 4.18).
O próprio Deus é amor! Esse seu amor teve o
[Tire Deus do Armário!]
apogeu no envio de Seu Filho Jesus: “Porque Deus
amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho
unigênito, para que todo aquele que nEle crê não
pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16).
E através de Jesus todas as pessoas são
desafiadas a chamar Deus de Pai, pois Deus trata
amorosamente com os seus filhos. O Evangelho é uma
boa notícia de coragem:
Não tenha medo do sobrenatural de Deus em sua
vida! “Não tenha medo”, assim disse o anjo a Maria
51
por ocasião da anunciação do nascimento de Jesus (Lc
1.30). “Não tenha medo”, foram as palavras que José
ouviu de um anjo em sonho quando soube da gravidez
de sua futura esposa (Mt 1.20).
Não tenha medo da verdade sobre você mesmo!
Quando viu o poder de Deus sobre Jesus, Pedro caiu
de joelhos e implorou: “Senhor, afaste-se de mim, pois
eu sou um pecador!” (Lc 5.8). Mas Jesus lhe
respondeu: “Não tenha medo! De agora em diante você
vai pescar gente” (Lc 5.10).
Não tenha medo da sua fé em relação à dos
outros! Ao paralítico de Capernaum, trazido por alguns
amigos, Jesus disse: “Coragem, meu filho!” (Mt 9.2).
Não tenha medo do amor de Deus por você! A
mulher que sofria de uma hemorragia por mais de 12
anos, tocou sorrateiramente em Seu manto. E Jesus
confirmou a sua fé: “Coragem, minha filha! Você sarou
porque teve fé” (Mt 9.22).
Não tenha medo de um milagre de Deus para sua
[Tire Deus do Armário!]
vida! Ao verem Jesus andando sobre o mar os
discípulos se desesperaram e gritaram. Mas Jesus lhes
disse: “Coragem! Sou eu! Não tenham medo!” (Mt
14.22; Mc 6.50).
Não tenha medo de Deus tornar os seus sonhos
em realidade! Quando as mulheres encontraram-se com
Jesus após Ele ter ressuscitado, elas abraçaram os seus
pés e o adoraram. Então Jesus lhes disse: “Não
tenham medo! Vão dizer aos meus irmãos para irem à
Galiléia, e eles me verão ali” (Mt 28.10).
52
Não tenha medo da descrença dos que lhe
cercam! Enquanto Jairo esperava por Jesus, ele ficou
sabendo que sua filha morreu e não havia mais
esperança. Mas Jesus lhe disse: “Não tenha medo;
tenha fé!” (Mc 5.36).
Deus quer que você seja livre: livre do medo,
livre da dúvida, livre do pecado. Para isso você deve
se submeter ao senhorio, ao domínio e ao amor de
Cristo. Não tenha medo, abra a porta do armário, Deus
está te esperando! Este é o momento de você se
levantar e declarar:
“Chega de viver todo este tempo com medo. Em
nome de Jesus eu não vou mais ter medo da natureza
humana, do mundo e do Diabo. Quero que a minha
vida revele ao mundo a natureza gloriosa de Deus.
Sujeito a Cristo todos os meus pensamentos. Coloco aos
Seus pés todas as minhas emoções. Eu rejeito a minha
incapacidade e não acredito na minha fragilidade em
seguir ao Senhor. Para o meu Deus não há nada
[Tire Deus do Armário!]
impossível.”
Abra a porta do armário, Deus está te esperando!
53
QUINTO
OBSESSÃO POR
SEGURANÇA
Aí o empregado que havia recebido cem moedas chegou e disse: “Eu
sei que o senhor é um homem duro, que colhe onde não plantou e
junta onde não semeou. Fiquei com medo e por isso escondi o seu
dinheiro na terra.
Veja! Aqui está o seu dinheiro.”
O relacionamento com Deus exige transparência,
mas aquele servo “escondeu” o talento. O medo nos
leva a mentir para Deus. Temos medo de confessar as
nossas fraquezas, as nossas dúvidas, as nossas
incertezas. E isso nos leva a uma vida inteira de
mentiras, desculpas e pedidos a Deus de coisas que
[Tire Deus do Armário!]
não desejamos realmente. Quem têm medo vive em
insinceridade, hipocrisia e mentira com Deus.
E aquele servo não estava disposto a correr
nenhum risco pelo seu senhor. Ele poderia ter
depositado aquele valor em um banco e o senhor
receberia pelo menos com juros (Mt 25.27).
Ele estava cheio de pensamentos terríveis e
preocupantes: “Eu poderia... Se eu fosse... Eu não
estaria... Será que... E se...”. Sua conclusão: “Que
outros vivam, trabalhem e morram pelo Senhor, eu tenho
mais o que fazer”.
54
O servo havia entregue todo seu tempo e energia
aos seus próprios interesses. Agora estava carregado de
dúvidas e pecados, sem autoridade espiritual para
negociar os talentos do seu Senhor. O medo tirou a
sua autoridade. Por isso as coisas do Senhor estavam
enterradas.
Ele era um servo preocupado com seu próprio
bem estar, sem perspectiva de “futuro” nas coisas do
Senhor, não tinha tempo para gritar “poupa o teu povo,
ó Senhor” (Jl 2.17). Não se fortalecia mais na alegria
do Senhor, não acreditava no amor de Deus.
Muitos trabalham e estudam duramente, mas não
têm tempo para o chamado e a visão. Qualquer assunto
é mais prioritário do que a vida cristã. Quando puderem
eles “ajudarão”, talvez nas horas livres. Ignoram que
quando falhamos em cumprir os propósitos de Deus, a
visão não se torna realidade.
Deus procura pessoas dispostas a arriscar tudo.
Que dispensem a segurança e se arrisquem em águas
[Tire Deus do Armário!]
profundas. Que invistam tempo e dinheiro para tornar a
visão em realidade.
Jesus não morreu para que você tivesse uma
atividade religiosa, alguma coisa interessante para fazer
no final de semana. Também não foi para você
conseguir uma ocupação nos tempos livres. E não foi
para que alguém tivesse uma carreira eclesiástica:
diácono... presbítero... pastor... bispo... apóstolo...
ungido...
55
Ele morreu para a Sua salvação. E nos chamou
para crescermos em Sua Imagem e em Sua
Semelhança.
Sua vontade era que você recebesse Sua Graça,
mas não que se tornasse um sedentário espiritual. O
sedentário espiritual é alguém que não é capaz de se
mover ou de fazer coisa alguma no Reino. Ele ignora
que cada um de nós possui somente a sua própria
época, a sua geração para anunciar o Evangelho. E
essa missão é somente SUA, de mais ninguém.
O sedentário busca sua própria espiritualidade e a
comunhão pessoal com o Espírito Santo – e nada mais.
Dá conselhos e palpites, mas não se arrisca em nada.
Sabe o que Deus espera dele, mas está tomado pelo
medo que Deus possa lhe chamar. Quer todas as
garantias humanas que estará seguro, respaldado
financeiramente.
Considera suas coisas mais importantes do que a
obra de Deus. Vive para os méritos e honras da terra.
[Tire Deus do Armário!]
Pois Jesus disse que se as riquezas, as prioridades
estiverem no céu, o seu coração também estará lá (Mt
6.21).
Agora para o sedentário espiritual só lhe resta
destroços, pois optou por prioridades erradas, optou por
segurança. Não conhece o caráter de Deus. É
essencialmente covarde.
Em seus conceitos de segurança não sabe que
aquilo que Deus exige NUNCA ultrapassa as
possibilidades de cada pessoa.
56
1. Sou muito novo ainda!
Davi
Davi havia acabado de se tornar rei de Israel, seu
reinado estava sendo reconhecido por outros reis vizinhos
e Deus fazia seu reino progredir por amor ao seu povo
(I Cr 14.2). Mas os filisteus ao saberem que Davi
havia se tornado rei enviaram seu exército para prendê-
lo.
Quando o exército filisteu se espalhou pelo vale
dos Refains, Davi não sabia o que fazer: o vale estava
tomado e os filisteus haviam começado a atacar e a
roubar (I Cr 14.8-9). Ele era muito novo ainda para
perder tudo. Mas a Bíblia diz: "Então Davi perguntou a
Deus: Devo lutar contra os filisteus? Tu me darás a
vitória?" (I Cr 14.10).
Davi não pediu conselhos para uma junta
administrativa ou organizou um comitê de avaliação,
mesmo que ele estivesse cercado por muitos sábios. Ele
não se apoiou e se respaldou no poder dos homens.
[Tire Deus do Armário!]
Davi se atreveu a orar de forma específica a Deus,
uma oração inteligente, sem expressões de louvores sem
significados, sem leviandade ou bajulação. Como diz a
Bíblia:
“Tenha cuidado quando for ao Templo. (...) Vá
pronto para ouvir e obedecer a Deus. Pense bem antes
de falar e não faça a Deus nenhuma promessa
apressada. Deus está no céu, e você, aqui na terra;
portanto, fale pouco. Quanto mais você se preocupar,
mais pesadelos terá; e, quanto mais você falar, mais
57
tolices dirá. (...) Não deixe que suas próprias palavras
o façam pecar. Assim, você não terá de dizer ao
sacerdote que o que você queria dizer não era bem
aquilo.” (Eclesiastes 5.1-3, 6)
Quando oramos de forma específica o Senhor
responde com uma orientação específica: "E o Senhor
lhe disse: Sobe, porque os entregarei nas tuas mãos"
(I Cr 14:10). O resultado desta oração é que Deus
abençoou Davi com uma grande vitória.
Mas logo os filisteus voltaram, se reagruparam em
um novo exército e começaram a atacar. Neste
momento, Davi poderia ter se enchido de si, se
orgulhado da recente vitória e se levantado como Sansão
e pensado: “Eu me livrarei como sempre” (Juízes
16.20). Mas Davi se recusou a depender de qualquer
estratégia que não fosse a Palavra de Deus: "E tornou
Davi a consultar a Deus; e disse-lhe Deus: Não subirás
atrás deles" (I Cr 14:14).
Deus sempre é criativo, não copia nada e dá a
[Tire Deus do Armário!]
cada pessoa um plano personalizado. Ele orientou Davi:
“Não os ataque daqui [do vale]. Dê a volta e ataque
pelo outro lado, perto das amoreiras. Quando você ouvir
barulho de marcha por cima das amoreiras, ataque-os
porque isso quer dizer que eu estou indo na sua frente
para derrotar o exército dos filisteus” (I Cr 14.14-15).
Qual conselheiro militar daria um conselho destes?
Em qual planejamento estratégico constariam estas
orientações? Apesar de todas as improbabilidades Davi
“... fez como Deus lhe ordenara” (I Cr 14.16). Ser
obediente a Palavra de Deus pela fé, muda qualquer
58
circunstância. Como conseqüência da obediência, os
homens de Davi “... feriram o exército dos filisteus
desde Gibeom até Gazor" (I Cr 14.16).
---------------------------------------
Assim como aconteceu com Davi, a vontade de
Deus é sempre feita por meio de pessoas que estão
dispostas a enfrentar tempos difíceis e a andar em
lugares perigosos e inseguros. Pessoas que não se
apóiam, que não têm como segurança a sua capacidade
intelectual, o seu poder financeiro, a sua força bélica.
Pessoas que estão seguras em Deus (Sl 23.4).
2. Terei que deixar tudo?
A Mulher de Ló
Havia terríveis acusações contra Sodoma e
Gomorra, pois os pecados de seus moradores pareciam
não ter fim. O julgamento de Deus estava prestes a
cair.
[Tire Deus do Armário!]
Não muito longe dali Abraão intercedia pela
misericórdia de Deus por aquelas vidas (Gn 18.16-33).
Abraão também sabia que no meio de tudo isso, a
família de seu sobrinho Ló enfrentaria uma terrível crise.
Deus ouviu a oração de Abraão e enviou anjos
para socorrerem Ló. Ele abriu as portas de sua casa
para os dois anjos que foram até Sodoma para livrá-lo.
Ló usou de toda a sua hospitalidade providenciando para
que os seus pés fossem lavados, preparando um bom
jantar e pães, e um lugar para que repousassem (Gn
59
19.1-3). Os anjos foram bem recebidos, mas a
mensagem que traziam não.
O coração da mulher de Ló, assim como a de
seus futuros genros, estava apegado ao vale, a cidade,
a casa, aos móveis, aos amigos, ao estilo de vida de
Sodoma. Quando Ló transmitiu-lhes o recado de
destruição dos mensageiros, “... eles pensaram que Ló
estivesse brincando” (Gn 19.14).
Talvez tivessem pensado: “Não é possível que
Deus possa fazer uma coisa dessas. Certamente esta
não é a Sua vontade. É possível que Ele mude os
Seus planos e nos livre. Não precisamos sair daqui para
que isso aconteça”.
De madrugada os anjos insistiram com Ló e com
sua família, mas não houve nenhum resultado. Por fim,
os anjos tiveram que forçar Ló e a família a fugirem,
arrastando-os para fora de Sodoma (Gn 19.15-16).
A compaixão de Deus por eles era grande. Deus
queria livrá-los da destruição através de uma fuga.
[Tire Deus do Armário!]
Porém, mesmo assim, a mulher de Ló olhou para trás
e morreu, se transformando em uma estátua de sal (Gn
19.26).
A mensagem de um dos anjos havia sido clara:
“Agora corre e salve a sua vida! Não olhe para trás,
nem pare neste vale. Fuja para a montanha; se não
você vai morrer” (Gn 19.17).
---------------------------------------
Se você deseja estar no centro da vontade de
Deus, desista de seguir os seus planos. Siga
60
exatamente os planos do Senhor para a sua vida.
Esqueça o que você tem que abandonar para fazer
isso. “... Pois o que pode ser visto dura apenas um
pouco, mas o que não pode ser visto dura para
sempre.” (II Co 4.18b)
Deseje e deixe que Ele faça as mudanças
necessárias em sua vida. Pois Deus não pode abençoar,
não pode livrar, não pode usar os que duvidam.
3. Só eu? Não fará diferença!
Eúde
Durante 18 anos os filhos de Israel estiveram
escravizados pelos moabitas. A vitória que Eglom - rei
de Moabe - havia conquistado sobre Israel foi através
de uma estratégia desleal. Os moabitas se uniram aos
amonitas e aos amalequitas, em um exército de
mercenários. Com isso conquistaram Jericó (Jz 3.13-
14).
Em diversas batalhas Israel havia vencido estes
[Tire Deus do Armário!]
povos. Mas agora havia um novo fator. O povo de
Israel havia pecado, tornaram-se infiéis e abandonaram
o Senhor. Eles estavam sozinhos nesta batalha e por
isso perderam.
Escravos na terra da promessa, os filhos de Israel
prestavam honras a Eglom pagando imposto aos
moabitas todos os anos. Até que um dia, um canhoto
chamado Eúde foi enviado pelo Senhor. Ele forjou uma
espada, a amarrou em sua perna por baixo de sua
roupa e foi ao encontro do rei Eglom (Jz 3.16-17).
61
Após prestar honras a Eglom entregando os
impostos, Eúde chegou perto dele e disse: “Tenho para
ti uma palavra de Deus” (Jz 3.20). Eúde conseguiu
uma reunião particular com Eglom em seu palácio. E foi
ali mesmo, com um único golpe de espada, Eúde matou
Eglom. A coragem de apenas um homem libertou uma
nação inteira. Logo em seguida Eúde tocou a trompeta
e Israel se reuniu em um exército. O ato de um dia
culminou com 80 anos de paz e liberdade (Jz 3.30).
Quais as garantias de sucesso que Eúde possuía?
Como poderia ter certeza que tudo ocorreria conforme
havia planejado? E se ele perdesse a vida nesta
empreitada solitária? E se os filhos de Israel não
respondessem ao seu chamado para a guerra?
Eúde só possuía duas certezas: Deus o moveu
para fazer uma espada para o rei Eglom e os filhos de
Israel clamavam a Deus contra Moabe.
---------------------------------------
Está na hora de você começar a pensar como o
[Tire Deus do Armário!]
Espírito Santo, além dos raciocínios deste mundo. Mova-
se dentro do domínio da ressurreição de Cristo Jesus,
viva com os olhos fixos na eternidade. Abandone todas
as garantias e seguranças deste mundo. E viva sem
medo do que os homens possam fazer com esse corpo
humano.
Creia que a única vontade perfeita é a de Deus!
Abandone os seus esquemas, os seus desejos egoístas
e a esfera humana do sucesso. Pois a Glória do
Senhor é suprema. E somente a presença de Deus
62
pode conceder um coração plenamente satisfeito e
descansado.
Toque o chifre de carneiro, faça um ajuntamento,
convoque os filhos de Israel: “Sigam-me. O Senhor
Deus deu a vocês a vitória sobre os inimigos...” (Jz
3.28).
Ele deixou Sua Glória por você!
Há mais de 2000 anos uma criança nascia em
um estábulo em uma obscura aldeia do Império Romano.
Passou 30 anos de sua vida como um humilde
carpinteiro, em uma cidade do Oriente Médio, quando
então começou a pregar.
Durante seu ministério de 3 anos não teve uma
residência para morar e viveu das ofertas dos seus
seguidores e da providência de Deus. Sua mensagem
era o poder é passageiro, as coisas deste mundo não
passam de pó e o Reino de Deus está dentro de cada
um.
[Tire Deus do Armário!]
Ao final de seu ministério ele foi preso e
condenado como um criminoso, para sofrer
vergonhosamente uma lenta e dolorosa morte na cruz.
Jesus foi esse homem que abriu mão de toda e
qualquer segurança nos padrões deste mundo em favor
de mim e de você.
A única garantia que Jesus precisava ter é que
Deus é Soberano: Ele estava lá quando tudo começou e
estará lá quando tudo terminar (Is 41.4). Por isso
ouça Deus dizendo de dentro do armário da sua vida:
63
“Venha me adorar”. Lance fora todo medo, abra a
porta e grite: “Eu irei te adorar, ó Senhor Deus”.
(Salmo 27.8)
[Tire Deus do Armário!]
64
SEXTO
PEDRO FOI PESCAR:
VOLTANDO ÀS VELHAS
REDES
O que leva as pessoas a desistirem? Por que as pessoas desanimam
quando seguir a Jesus é o melhor projeto
de vida? Quando seguir a Jesus é a experiência mais
maravilhosa que alguém pode viver
Mas Pedro voltou a pescar.
Três anos haviam se passado desde o primeiro
encontro de Pedro com Jesus. Pedro pescava quando
recebeu o convite do Mestre: “De agora em diante
serás pescador de homens”. A reação foi imediata:
[Tire Deus do Armário!]
Pedro, Tiago e João arrastaram os barcos para a praia,
deixaram tudo e O seguiram (Lc 5.10-11).
Ele foi testemunha de inúmeros milagres, preciosos
ensinos e indescritíveis manifestações de amor. Mas
agora Pedro havia desistido. Pedro desanimou. Pedro
voltou a pescar (Jo 21.1-9). O quê tinha acontecido?
Pedro havia sido aquele homem a quem Jesus
disse: “Você é Pedro e sobre esta pedra construirei a
minha Igreja” (Mt 16.16-18). Jesus lhe disse isso
porque Pedro havia feito a confissão de que Jesus
Cristo é o Senhor. E esta revelação lhe foi dada pelo
65
Espírito de Deus. Pois somente através do Espírito é
que alguém pode confessar: Jesus é o Senhor (I Co
12.3).
Como após receber esta revelação ele pôde
desanimar? Logo Pedro que estava destinado a se
tornar líder dos apóstolos e líder da Igreja.
Mas Pedro foi o primeiro a desistir. Ele deixou o
chamado e voltou à antiga profissão, as velhas redes,
dizendo: “Eu vou pescar” (Jo 21.3). O que Pedro
estava realmente dizendo era: “Eu simplesmente não
agüento isso. Para mim não dá mais”.
1. Compreensão errada de Jesus!
Logo após a Sua ressurreição, Jesus apareceu na
estrada de Jerusalém para a cidade vizinha Emaús. Ali
se encontrou com dois de seus discípulos, que estavam
abatidos por causa de Sua morte (Lc 24.15-16).
Enquanto eles conversavam e discutiam, Jesus chegou e
começou a caminhar com eles. Olhando para o jeito
[Tire Deus do Armário!]
triste deles, lhes perguntou sobre o que conversavam.
Ora, Jesus sabia por que estavam tristes, sabia
sobre o que conversavam! Mas o Senhor não estava
brincando com os sentimentos daqueles discípulos. Ele
estava fazendo com que expusessem seus sentimentos
reprimidos, revelassem as profundezas da alma,
verbalizassem a incredulidade do coração: “... a nossa
esperança era que fosse Ele quem iria libertar o povo
de Israel. Porém já faz três dias que tudo isso
aconteceu” (Lc 24.21).
66
Assim como Pedro, eles tinham uma visão, uma
compreensão errada de Jesus. Esperavam que Jesus
fosse um líder revolucionário, mas em termos políticos.
Eles achavam que Jesus empunharia uma espada,
atacaria as famílias romanas e libertaria todo o povo de
Israel.
Cerca de quarenta dias depois, quando Jesus foi
levado ao céu, os discípulos voltaram ao assunto: “É
agora que o Senhor vai devolver o Reino para o povo
de Israel?” (At 1.6). Eles não haviam entendido que
Jesus veio para ser o Senhor e o Salvador de todos os
corações. Pedro e os demais discípulos tinham uma
compreensão errada de Jesus.
2. Medo nas provações!
Uma grande e terrível provação se aproximava de
Pedro. Jesus o havia prevenido sobre oque aconteceria
naquela noite da ceia: “antes que o galo cante, você
dirá três vezes que não me conhece” (Jo 13.38).
[Tire Deus do Armário!]
Mesmo assim Pedro achava que estava pronto.
Poucas horas antes, eles tinham atravessado o
riacho de Cedrom e Pedro ousadamente havia sacado
de sua espada para lutar contra um grupo de soldados
que vinha prender a Jesus.
Agora Pedro estava sentado em meio aos guardas,
se aquecendo em volta de uma fogueira no pátio da
casa do sumo sacerdote (Lc 22.55). Foi quando uma
empregada o reconheceu (Lc 22.56). Pedro temeu e
depressa respondeu: “Mulher, eu nem conheço esse
67
homem!” (Lc 22.57). Havia começado a grande
provação de Pedro. Enquanto isso Jesus estava diante
dos seus acusadores.
Um pouco depois outra pessoa o reconhece, e
Pedro rapidamente responde: “Homem, eu não sou um
deles!” (Lc 22.58). Finalmente, cerca de uma hora
depois, Pedro é novamente reconhecido. Ele nega e
ofende Jesus dizendo aos acusadores: “Juro que não
conheço esse homem de quem vocês estão falando!
Que Deus me castigue se não estou dizendo a
verdade!” (Mc 14.71).
Apenas algumas horas antes Pedro estava
empunhando uma espada em defesa de Jesus. Mesmo
sem ter nenhuma chance de vencer. Mas agora aquele
homem que negava a Jesus não era nem de longe uma
sombra do intrépido Pedro. Aquele era um homem
totalmente arrasado. Um homem covarde, amedrontado
diante da provação.
3. Insegurança: somos influenciáveis!
No lago da Galiléia junto com Simão Pedro [Tire Deus do Armário!]
estavam Tomé, Natanael, Tiago, João e mais dois
discípulos. Sete dos onze discípulos de Jesus estavam
reunidos ali (Jo 21.2). Quando Pedro disse aos outros:
“Eu vou pescar” estes discípulos se dispuseram: “Nós
também vamos pescar com você!”
Todos somos sujeitos a influência. O que os
discípulos estavam dizendo era: “Pedro sabe o que está
fazendo. Nós esperávamos que ele fosse um líder
68
maravilhoso. Mas ele desistiu. Se ele desistiu nós
também podemos desistir”.
Temos a péssima tendência de tomar aquilo que é
negativo nos outros e trazer para nós. Veja a confissão
de Isaías: “Ai de mim! Estou perdido! Pois os meus
lábios são impuros, e moro no meio de um povo que
também tem lábios impuros” (Is 6.5). Isaías confessava
não apenas o seu pecado, mas também que ele vivia a
influência do povo, a influência negativa.
E quem é que não vive hoje? Nós não estamos
imunes as coisas que nos cercam. Temos uma
tendência pecaminosa. Por isso a advertência de Jesus:
“Vigiem e orem para que não sejam tentados. É fácil
querer resistir à tentação; o difícil mesmo é conseguir”
(Mc 14.38).
Mas Pedro foi restaurado!
Pedro havia passado pelo processo descrito por
Jesus na Parábola dos Três Empregados (Mt 25.14-
[Tire Deus do Armário!]
30): 1) Ele tinha uma visão, uma compreensão errada
do seu Senhor, de Jesus; 2) Pedro foi tomado por um
espírito de covardia em sua provação; 3) Pedro e os
discípulos não se sentiam seguros.
O servo da parábola havia desistido, havia
fracassado logo após ter recebido uma grande benção
de seu senhor: um talento! Talvez ele houvesse
passado por um longo período de espera por aquele
momento. Ele havia demonstrado em gestos, palavras e
intenções que queria receber mais de seu senhor: mais
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confiança, mais intimidade. E o senhor viu o seu
desejo. Quando finalmente recebeu, o servo desistiu.
De forma semelhante, Pedro e os discípulos
haviam recebido a maior revelação de todos os tempos:
a ressurreição de Cristo! No domingo à tarde eles
estavam escondidos, com medo dos líderes judeus. Os
discípulos haviam perdido a esperança naquele que disse
“Eu Sou a vida” (Jo 11.25), pois viram quando Ele
caminhou para a morte (Jo 19.30). Agora, entre portas
fechadas, Jesus aparece no meio deles e os desafia:
“Que a paz esteja com vocês!” (Jo 20.19).
Sim, eles deviam ficar em PAZ, pois seriam
enviados por Jesus. Em plena glória da ressurreição,
Jesus soprou sobre eles e disse: “Recebam o Espírito
Santo” (Jo 20.22).
Uma nova comissão, uma nova unção, poder para
vencer o pecado. Era uma revelação tremenda demais
para eles! Tomé se desespera ao ouvir estas verdades
da boca dos discípulos (Jo 20.24-29), até que um
[Tire Deus do Armário!]
encontro com Jesus rompe a sua incredulidade ao
reconhece-Lo. “Meu Senhor e meu Deus!” (Jo
20.28) é a confissão de todo homem que se encontra
com Jesus.
Agora Pedro desistiu. O que tinha acontecido? Ele
já havia falhado em função de seu orgulho, da sua
auto-justificação (Jo 13.37). Era como se agora Pedro
não quisesse correr o risco com essa revelação. Pedro
passou três anos ao lado de Jesus e não havia
entendido o Seu ministério. E agora a revelação da cruz
era mais do que podia agüentar. Ele achou que era
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melhor com velhas redes do que com as revelações de
Deus!
Assim como o servo da parábola, Pedro se abateu
espiritualmente. O que fazer com o que o Senhor lhe
tinha dado?
Por não compreender o caráter de Jesus, por
temer as provações e se sentir inseguro como líder, ele
recuou para os seus antigos caminhos. O tempo que
antes era dedicado a seguir Jesus, agora era
desperdiçado em velhas redes.
Você acha que jamais irá compreender as coisas
de Deus para a sua vida? Que se esforça, mas sempre
se sente vencido pelos medos, pela dúvida, pela
incerteza? Que o Senhor dá instruções mais claras aos
outros, Ele fala com os outros servos, mas não fala
com você? Que apesar de seu jejum, sua oração, as
leituras da Palavra, você não tem feito progressos? E
você pensa em buscar outra alternativa, como “vou
pescar”, para sair desta situação de seguir e nunca
[Tire Deus do Armário!]
alcançar Jesus?
Mas foi ali, diante das velhas redes e da antiga
vida que Jesus apareceu novamente aos discípulos.
Jesus sempre é atraído para a maior necessidade, a dor
mais angustiante, o desânimo mais profundo. Por isso
Ele foi até Pedro e os discípulos.
Naquela praia onde pescavam, logo após um jantar
na presença de sete discípulos mudos, Jesus perguntou:
“Simão, filho de João, você me ama mais do que estes
outros?” (Jo 21.15). Jesus não estava provocando
Pedro pelo fato dele ter desistido. Pedro estava na
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verdade recebendo uma nova revelação, uma revelação
para nunca mais desistir.
E que revelação era esta? A força para seguir
Jesus em qualquer situação era o amor! O amor acima
de qualquer medo. O amor acima de qualquer dúvida.
O amor acima de qualquer situação. O amor a Jesus
por aquilo que Ele é e não por aquilo que você acha
que Ele está fazendo.
Jesus fez três vezes essa pergunta a Pedro. Em
cada vez que ele respondia “sim, o senhor sabe que
eu o amo, Senhor!”, Jesus acrescentava: “Tome conta
das minhas ovelhas!” (Jo 21.15-17).
O Mestre não estava lembrando para que Pedro
vigiasse para não O negar novamente. Nem o
incentivando para que orasse pedindo forças para nunca
mais desistir. Muitos menos estava cobrando uma leitura
constante das Escrituras para que conhecesse melhor
quem Ele era. A ordem agora era: “Tome conta das
minhas ovelhas!”.
[Tire Deus do Armário!]
Jesus estava restaurando a vida de Pedro. Mais
do que isso, também dizia como ele poderia se prevenir
de trancar Deus em um armário. Muitas pessoas
procuram ouvir a Palavra de Deus. Sim, elas acham
bonito o que dizem para elas: “Eu li ‘Tire Deus do
armário’ e foi incentivador”. Mas para elas, é tão bonito
quanto uma música romântica ou uma pintura cheia de
ternura.
Elas ouvem o que a Palavra de Deus diz, porém
não fazem nada daquilo que aprenderam. Não tiram
Deus do armário. Nem se quer chegam perto da porta
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do armário. Não conseguem sentir a presença poderosa
de Deus, o Senhor, querendo passar pela porta que
fecharam. E toda pessoa que mantém escondido Deus
dentro de um armário, acaba humilhada e envergonhada.
Mas Pedro entendeu a mensagem de Jesus:
transbordar o amor de Deus em nossa vida até que ele
chegue a outras pessoas. Pedro abriu a porta. Pedro
tirou Deus do armário. Ele escancarou aquela porta que
quando foi fechada só lhe trouxe o mal.
E essa é a mensagem de Jesus para a sua vida:
“Se você me ama, esqueça os seus erros e
fracassos. Levante-se, abra a porta e volte para Mim.
Eu te restauro. É possível recomeçar. Desista de viver
para as suas falhas, para as suas dúvidas, para os
seus problemas. Pare de se concentrar em fazer as
suas próprias coisas. Seja corajoso, não tenha medo e
nem se deixe perturbar pelo medo. Se você me ama,
invista todas as suas forças na vida cristã: apascente as
minhas ovelhas. Assim como o Pai me enviou, Eu
[Tire Deus do Armário!]
também envio você. Estou com você todos os dias.”
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Tire Deus do Armário Author: Eliy Wellington Barbo more
Tire Deus do Armário Author: Eliy Wellington Barbosa da Silva
Você olha para a sua vida e vê determinação e fidelidade para as quais nunca houve retorno? Sente que a recompensa não vem? Seu relacionamento com Deus está pesado e desgastante?
Se você se sente assim, convido você a conhecer o segredo de um renovado e duradouro relacionamento com Deus.
Tire Deus do Armário irá lhe conduzir a uma nova dimensão de sua relação com Deus, o seu Pai. E lhe reacenderá a ardente chama de paixão pelo chamado que Deus tem para a sua vida. less
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