SUMÁRIO
!!
O Único e Verdadeiro Deus 05
1ª PARTE
!!
A Existência de Deus 07
!!
Pertinentes e Convincentes 10
!!
Histórico, Necessário e Verdadeiro 14
!!
Espontaneidade do Ser 19
!!
Derradeira Realidade 23
!!
Consciência Lúcida 27
2ª PARTE
!!
O Conhecimento de Deus 32
!!
A Busca pela Verdade 37
!!
A Revelação de Deus 43
O ÚNICO E VERDADEIRO
DEUS
Vivemos na escuridão de nossa imaginação: Quem
é esse Deus que recusamos aceitar?
FOI O FÍSICO Albert Einstein quem escreveu que “a
religiosidade do sábio consiste em espantar-se, em
extasiar-se diante da harmonia das leis da natureza, que
revelam uma inteligência tão superior que o pensamento e
o engenho humano não consegue desvendar”.
Como é fácil extasiar-se e perder-se diante da
natureza e de suas leis perfeitas! Mas além das aparências
que nos encantam e surpreendem existe um tesouro mais
precioso, esperando por ser descoberto, a Sabedoria
Superior que tudo criou.1
A natureza, a criação possui um valor e uma beleza
que são inteiramente dignos de serem apreciados em si
mesmo, pois conforme a definição de Emílio Conde (1901-
[O Pai das Luzes]
1971) a natureza oculta “mistérios indevassáveis de
indescritível beleza e de força não calculável”.2
1 “Assim, fixamos os olhos, não naquilo que se vê, mas no que não se vê,
pois o que se vê é transitório, mas o que não se vê é eterno” (II Coríntios
4.18 – NVI).
2 Conde, Emílio. Nos Domínios da Fé. Rio de Janeiro/RJ. CPAD. Pág. 28.
1ª Edição.
O profeta Isaías revelou que nenhum dos planos de
Deus podem ser frustrados e realiza tudo quanto deseja.3
Pois Deus é um Deus de propósitos, que vão além dos
planos e das vontades humanas.4
Mesmo quando estudamos a criação, temos que
considerar o propósito de Deus que é convergir em Cristo
tudo que existe no céu e na terra (Efésios 1.9-10). Pois
Ele é a raiz e a causa de todas as coisas. O maior
mandamento continua sendo o amor incondicional à Deus
(Mateus 22.37).
E o que mais justificaria nossa existência se não
fosse uma profunda adoração a Deus e um amor por Suas
Verdades?
[O Pai das Luzes]
3 “Eu faço conhecer o fim desde o princípio, e desde antigamente. O que
ainda não aconteceu. Eu digo: Meu plano se realizará, eu farei toda minha
vontade” (Isaías 46.10 – Alfalit).
4 “Muitos são os planos do coração do homem, mas é o propósito do
Senhor que permanecerá” (Provérbios 19.21 – ECA).
A EXISTÊNCIA DE DEUS
1ª PARTE
“Deus é Deus, fosse desolada toda a Terra. Deus é
Deus, estivessem mortos todos os homens”. (Petter
Dass, 1647-1707)
Deus existe? Quem é Deus? O que é Deus? Onde
Ele está?
Afirmar que Deus existe pode ser verdadeiro, mas
na filosofia essa declaração não é evidente em si mesma,
pois não possui valor demonstrativo. Sozinha nenhuma
pessoa consegue encontrar respostas para estas questões,
pois Deus é uma realidade que não pode ser observada.
A existência ilimitada de Deus em si mesmo,
independe de tempo, massa e espaço. Deus é “Aquele que
tem, Ele só, a imortalidade, e habita na luz inacessível; a
quem nenhum homem viu nem pode ver” (I Timóteo
6.16).
Mesmo que essa pessoa busque respostas na
[O Pai das Luzes]
ciência, ela ficará frustrada. A ciência não pode trabalhar
diretamente com coisas comuns, como “a cor e o som. E
vê-se obrigada a expressar tais qualidades mediante
termos quantitativos. Mas qualidades não são
quantidades. (...)
A ciência é incapaz de estudar elementos que não
possam ser pesados ou medidos, como a alma humana. E
nem pode tratar com ocorrências ímpares, como os
milagres, pois estes são uma manifestação distinta e
separada, da graça e do poder de Deus. Logo, o milagre
não pode ser repetido para análise em laboratório” . 5
Se a ciência não consegue lidar totalmente com
coisas que pertencem ao mundo “natural”, o que poderia
se dizer dos milagres, que pertencem ao mundo
“sobrenatural”. Pois o que são os milagres se não incríveis
rupturas das leis naturais?
A existência de Deus se opõe a qualquer tese,
verificação física, ambiente controlado ou situação
cientificamente verificável. Então, qual a diferença entre
um Deus transcendente e um inexistente ou imaginário?
A diferença está nos “olhos de quem vê” e isto
depende da revelação proposicional (o que dizem a
respeito de Deus) e da revelação existencial (a experiência
individual de cada criatura com Deus). Aquele que está
preso à escravidão do amor às coisas temporais considera
Deus inexistente, pois Ele não corresponde àquilo que ele
ama. Porém, aquele que se orienta pelo amor às coisas
celestiais, vê em todas as coisas temporais, o Deus
transcendente revelado nas Escrituras. Pois Deus vive e é
Vivo no poder de nossa fé.
É impossível mensurar plenamente o valor ou a
importância do mundo que nos é apresentado. Este valor
está sempre condicionado ao uso ou mesmo a finalidade
que se atribui à criação. E Cristo nos fez o audacioso
desafio de acreditar, confiar e valorizar, aquilo que não se
vê, mas que em sua excelência transcende em tudo o que
[O Pai das Luzes]
se vê. E invisibilidade não é sinônimo de inexistência, pois
até mesmo as criações de Deus que são mensuráveis,
continuam em sua maioria absoluta irreproduzíveis e
excedem o entendimento humano.
O homem não somente desconhece Deus, como
também nega a Sua existência tentando disfarçar aquilo
que é: um completo ignorante.
5 William W. Menzies & Stanley M. Horton. Doutrinas Bíblicas - Uma
Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro/RJ. CPAD. Pág. 20. 2ª Edição.
1996
3
Tu me perguntaste como me atrevi a pôr
em dúvida a Tua sabedoria, visto que sou tão
ignorante. É que falei de coisas que eu não
compreendia, coisas que eram maravilhosas
demais para mim e que eu não podia
entender. (Jó 42.3 – Nova Tradução na
Linguagem de Hoje)
Pode se ver o vento? Mas quando ele destruir sua
casa você saberá que por ali ele passou.
[O Pai das Luzes]
PERTINENTES E
CONVINCENTES
“Por causa de seu orgulho, o ímpio não investiga;
todas as suas cogitações são: Não há Deus”. (Salmo
10.4)
Será que é necessário acreditar que existam
verdades reveladas e inacessíveis ao conhecimento
natural?
Em geral existem cinco percepções diferentes de
Deus, as quais não perturbam e nem inquietam a
humanidade, como se fossem versões diferentes da
mesma realidade:
:: monoteísta (um Deus);
:: politeísta (vários deuses);
:: ateísta (sem Deus);
:: panteísta (Deus se identifica com a criação);
:: deísmo (Deus existe, mas está totalmente
[O Pai das Luzes]
separado da criação).
A palavra portuguesa “Deus” é derivada do latim
Deo, Dii, e aplicada ao ser supremo de muitas religiões e
de diferentes tradições. Mas desde a mais simples crença
até aos mais sofisticados sistemas filosóficos, a concepção
original de Deus sofreu muitas mudanças através dos
séculos. Pois quando se fala de Deus, todos os conceitos
sempre incluem algo material.
Mas “Deus” no aspecto bíblico não é um conceito
comum, mas específico. O ideal é sempre usar a definição
que melhor se harmonize com o sentido que é utilizado na
Bíblia. Com isso podemos fugir a intermináveis disputas
conceituais e terminológicas.
As diversas concepções de Deus estão baseadas
nas percepções individuais e coletivas. Pois o
conhecimento de Deus está fundamentado na intuição,
dedução e mesmo indução. Este conhecimento é o
resultado da concepção de mundo que cada um constitui.
Durante séculos discutiu-se a relação do homem
com o mundo por meio da percepção. Estas visões se
resumiam em idealismo (o pensamento forma o mundo,
tudo não passaria de “noções do espírito pensante”) e o
materialismo (a matéria é concedida para a percepção, às
coisas realmente existem).
Para alguns tudo o que existe faz parte de uma
única realidade, as coisas estão tão relacionadas que tudo
ao redor faz parte do homem. Nicolau de Cusa (1401-
1464) em “De docta ignorantia” afirmava que “quodlibet in
quolibet”, ou seja, neste mundo tudo está em todos.
Para outros, o individualismo é a realidade, cada
ser possui características ímpares e múltiplas que não se
encontram em nenhum outro. Guilherme Ockham afirmou
em “In Sentent” que cada coisa que existe é, de per si,
uma coisa individual.
Platão, de forma similar aos hindus, acreditava que
Deus não é perceptível ao mundo. Deus seria a única
realidade e o mundo seria aparente, uma manifestação
[O Pai das Luzes]
temporária, uma ilusão causada por uma percepção
equivocada da realidade.
Além destas deficiências de percepção ou recepção
de estímulos da presença de Deus, há ainda as
dificuldades de atribuir o verdadeiro significado ao
estímulo. O conhecimento dos efeitos e não da causa,
sempre deixam a razão em dúvida ou terminam em erro.
O homem se perde buscando, mesmo que se autodestrua.
Homens presos em sua própria busca. Todas as evidências
de Deus na natureza se manifestam como dúvidas para
aquele que não conhece a Bíblia. Pois alcançamos Deus
somente através das condições determinadas por Ele
(Jeremias 29.12-13).
Apesar das inúmeras provas moralmente
convincentes da existência de Deus, não existe evidência
absoluta. Através dos séculos filósofos, teólogos e
religiosos procuram mostrar como conhecer ou encontrar
Deus. De uma forma geral, sempre baseados no fato de
Deus não ser plenamente perceptível aos homens.
Uma busca que parte sempre do homem para
Deus. Quando na verdade desde o princípio Deus está em
busca do homem (Gênesis 3.9).
Nesta busca, muitos concluíram que Deus é apenas
um simbolismo ou um bom e feliz pensamento humano.
Vários O viram como uma força impessoal. Alguns
ignoraram deliberadamente a Sua existência.
Outros precisaram utilizar das várias áreas do
conhecimento para provar a existência de Deus. Todos
ignoraram que apesar do conhecimento filosófico e
científico da existência de Deus aparentar ser muito tênue
e frágil, é absolutamente seguro.
Muitos conseguem ver, não somente na criação,
mas em todos os fatos da vida, uma mensagem codificada
da presença e da vontade de Deus. E a felicidade ou a
aceitação dos fatos da vida passa a depender da
decodificação destas mensagens. De certa forma isso
também é alcançar a fé: aprender a apreciar o múltiplo
divino, sabendo vê-Lo em tudo o que existe e acontece.
[O Pai das Luzes]
Mas é impossível conhecer Deus se não for através
de Sua vontade graciosa de se revelar. A busca do homem
por Deus termina sempre no homem. Pois em relação ao
Verdadeiro e Único Deus, nada se pode pensar ou dizer
que contrarie o que foi revelado por Sua exclusiva vontade
através das Escrituras.
Não se pode conhecer, estudar e se relacionar com
o desconhecido, o que não foi revelado. O Infinito não
pode ser simplesmente descoberto pelo finito, se Ele não
se revelar.
A Teologia cristã não pode se limitar a reforçar os
ensinamentos do senso comum que se faz sobre Deus,
pois Deus não é aquilo que a maioria reconhece como tal.
A Teologia estabelece doutrinas a partir do estudo bíblico,
confronta-as com a realidade e com isso se torna um
conhecimento científico. Pois qualquer consideração sobre
Deus que não tenha sua origem na Bíblia, está condenada
à mera especulação.
Essas doutrinas sistematizadas pela Teologia já
não são tão singelas como as idéias populares acerca de
Deus. Elas implicam conceitos, que por definição são
representações através de palavras que caracterizam
objetos reais. Ou seja, as doutrinas são compostas por
conceitos que designam alguns aspectos da realidade
bíblica.
Fato que implica no respeito incondicional a
singularidade concreta de Deus, pois Ele é por Si mesmo
aquilo que é.
[O Pai das Luzes]
HISTÓRICO, NECESSÁRIO
E VERDADEIRO
“Por causa de seu orgulho, o ímpio não investiga;
todas as suas cogitações são: Não há Deus”. (Salmo
10.4)
A filosofia pode convencer alguém da existência de
Deus?
Deus é um Deus de revelação... O Salmo 19
apresenta três meios de se comprovar a existência de
Deus, mostrando que os efeitos ou as manifestações de
Deus no mundo são evidentes: através da natureza (1-6),
de Sua palavra (7-10) e dos testemunhos dos seus servos
(11-14).
Essas são provas claras, pois toda a criação é uma
expressão da presença explícita de Deus no mundo. Mas
para a fé é totalmente desnecessária prova física a partir
de uma interação Deus-Universo. Pois ninguém precisa
provar para outras pessoas que está vivo ou que de fato
existe a partir das coisas que faz, como escrever, pintar,
[O Pai das Luzes]
gritar.
Fora das Escrituras costuma-se apresentar seis
argumentos em favor da existência de Deus. Não que
estes argumentos tornam a existência de Deus necessária,
pois Deus, como fato auto-evidente, torna estes
argumentos válidos.
Esses argumentos que podem aduzir em apoio a
existência de Deus, não teriam sentido se fossem
aplicados a um ser imaginário.
A questão da existência de Deus não é um
problema, pois com algumas exceções, a humanidade é
unânime em reconhecer um Deus criador. O ateísmo é um
lamentável erro nascido do desespero humano, pois cerca
de 95% da população mundial acredita em um Ser
superior.
Porém esta maioria é composta de agnósticos 6,
ateístas passivos e cépticos, ou seja, pessoas que
simplesmente não podem afirmar se Deus existe ou não.
Por isso, vivem e organizam suas vidas sem tomar Deus
em consideração.
:: Argumento Ontológico: O homem somente pode
conceber um Ser absolutamente Perfeito, pois existe em
sua mente o conhecimento da existência de tal Ser.
Clemente de Alexandria, em sua obra “Stromata”, chama
este saber de “antecipação” (προληψις). Para Boécio o
conhecimento de Deus é inato ao homem. Este
argumento foi exposto originalmente por Anselmo de
Cantuária (Anselm de Cantebury, no século XI), por isso
ficou conhecido por “ratio Anselmi”.
:: Argumento Cosmológico: Do grego “cosmos”,
“mundo”. O Universo não existe por si mesmo, não é
autocriador, mas tudo o que existe depende de uma
Causa Primordial. Este argumento foi proposto no século
XIII por São Thomas Aquinas (1225-1274).
:: Argumento Teleológico: Do grego “teleos”, “desígnio”.
[O Pai das Luzes]
A espantosa ordem, inteligência e finalidade do Universo
demonstram a existência de um Ser Sábio ou uma Mente
Suprema. Este argumento também foi proposto por
Orígenes, em “Contra Celsum”.
:: Argumento Moral: A consciência universal do certo e
errado nos limites da crença pessoal, revelam um
Supremo Legislador.
6 O termo “agnosticismo” foi empregado por T. H. Huxley em 1876,
durante uma reunião da Sociedade Metafísica.
:: Argumento Estético: O conceito universal de estética e
beleza de formas, cores e sons, dentro dos vários
padrões, revela um Arquiteto que criou o belo.
:: Argumento Histórico: Não existe raça, por mais
primitiva que seja, desprovida de concepção religiosa.
Como é possível que inumeráveis pessoas venham a
concordar numa mesma idéia?
A simples possibilidade do conhecimento humano
ou o fato de haver algo superior à razão, são provas da
existência de Deus, que é considerado por teólogos como
uma idéia inata. Porém o materialismo, em sua doutrina
filosófica, reduz toda existência à matéria.
A própria consciência humana é reduzida a simples
mudanças físico-químicas no sistema nervoso. A ciência
“obriga” o homem a assumir o próprio destino.
Mas esses argumentos não ficaram sem críticas. Os
argumentos cosmológico e da beleza foram criticados,
principalmente, pelo filósofo inglês David Hume (1711-
1776). Ele criticava uma origem divina diante de tantos
defeitos na criação.
Seu argumento era que: se Deus criou tudo bom e
belo, e o Mal corrompeu essa criação, então o poder de
Deus é limitado frente ao Mal?
No século XIII, Tomás de Aquino havia tentado
provar a existência de Deus, argumentado que:
[O Pai das Luzes]
:: A realidade da mudança requer um agente da
mudança;
:: A cadeia do acaso precisa basear-se numa causa
primeira que não é causado;
:: Os fatos contingentes do mundo pressupõem um ser
necessário;
:: Observa-se uma gradação nas coisas que apontam
para uma realidade perfeita, no ponto mais alto da
hierarquia;
:: A ordem e o desenho da natureza solicitam, como
fonte, um ser que possua a mais alta sabedoria.
Emmanuel Kant (1724-1804) rejeitou e refutou
estes argumentos. Mesmo assim continua evidente que “a
mesma impossibilidade do ateu em provar que Deus não
existe é já uma prova da Sua existência”. 7
Mesmo a ciência jamais realizou uma descoberta
que negue a existência de Deus. O oposto: a evidência da
existência de Deus ultrapassa em muito à sua negação.
O mundo sensível jamais apresentou elementos
para a ciência provar a inexistência de Deus, mas concede
diariamente, uma base para a consciência de cada
indivíduo, que Deus existe. Mas se a ciência não nos
conduz à Deus, é porque suas pesquisas possuem fins em
si mesmas.
A crença na “existência de Deus é algo tão
fundamental ao pensamento humano que abandonar tal
conceito significa embarcar no encapelado mar da
irracionalidade, onde nada tem significado ou propósitos”.
8
Anselmo em “Proslogion, seu alloquium de Dei
existentia” conclui que é incapaz de pensar na não-
existência de Deus, pois simplesmente este pensamento
não corresponde à realidade.
O filósofo Kierkegaard (1813-1855) via o uso da
razão como uma desculpa para o homem se desviar da fé
e fugir da obediência a Deus. Kierkegaard enfatizava que a
experiência de Deus não pode ser provada por
argumentos, mas deve ser aceita pela fé, pois Deus está
muito além da razão humana.
7 A origem do homem segundo à Bíblia. Voz da Mocidade Pentecostal.
Curitiba/PR. CPAD. Pág. 8. Ano IV. Num. 32. Dezembro de 1977 –
Janeiro de 1978. Artigo de João Antonio Monroy.
8 William W. Menzies & Stanley M. Horton. Doutrinas Bíblicas - Uma
Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro/RJ. CPAD. Pág. 45. 2ª Edição.
1996
As questões quanto a existência de Deus ou a
veracidade da Bíblia não são para serem discutidas como
meras inquietações filosóficas. Pois o fim do homem não é
crer em Deus, mas conhece-Lo.
Nossa ligação com Deus não é uma economia de
bens ou valores, mas de vida e morte. Não diz respeito à
inteligência do homem, mas sim a sua existência: Se Deus
não existe, por que estamos aqui?
[O Pai das Luzes]
ESPONTANEIDADE
DO SER
“É Deus quem fala no homem, é Deus quem fala
pelo homem, é Deus que fala como homem, é Deus que
fala a favor do homem”. (Myer Pearlman)
De onde Deus veio? Teria Deus se criado,
tornando-se o Eu Sou quando ainda não possuía a Si
mesmo?
A Bíblia não é fruto de especulações, e sim da
divina inspiração (II Timóteo 3.16, 17). Por isso nenhum
dos seus livros propõe argumentos de natureza filosófica
ou racional quanto a existência de Deus como preliminar
da fé.
Isso porque os escritores da Bíblia foram
testemunhas da Verdade e apresentam Deus como um
fato. Não é através da via comum do conhecimento que
chegamos e nos aproximamos dos mistérios de Deus,
“Porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus
[O Pai das Luzes]
creia que ele existe” (Hebreus 11.6).
A Bíblia simplesmente mostra que Deus é quem
revela a Si mesmo de diferentes formas e meios. Ninguém
jamais descobriu Deus por acidente. Esta noção de
revelação ou de autodesvendamento, exclui a necessidade
de direcionar o homem para o conhecimento de Deus.
Em “De Magistro” (389 d.C.), Agostinho afirma que
não são as palavras que levam ao conhecimento, mas as
experiências alcançadas através dos sentidos. Segundo
Agostinho, as palavras servem apenas para trazer à
lembrança alguma experiência prévia. O ensino das
Verdades bíblicas não terá o efeito desejado se a pessoa
não tiver uma experiência com o próprio Deus. Na verdade
todos os ensinos bíblicos sempre requerem uma conversão
de mentalidade e atitude.
Encontramos na Bíblia expressões como “Deus
Todo-poderoso” (Gênesis 17.1). “Altíssimo” (Salmo
50.14), “Grandioso Criador” (Eclesiastes 12.1), “Grandioso
Instrutor” (Isaías 30.20), “Soberano Senhor” (Atos 4.24),
“Rei da eternidade” (I Tm 1.17). Essas e outras
expressões revelam um Deus que em Sua Natureza Íntima
é Vivo (Jr 10.10; Jo 5.26), Único (Deuteronômio 6.4; I
Coríntios 8.6) e Eterno (Lamentações 5.19; I Timóteo
1.17).
Deus é um ser ímpar e particular, essencialmente
distinto do homem e dotado de maravilhosos atributos e
qualidades distintivas de Seu caráter, que o fazem o Deus
que conhecemos. Ele já existia antes da criação (Is 41.4;
Jo 17.5), por isso Eliú, o buzita expressou:
26
Quão grande é Deus, e nós não o
compreendemos! O número dos seus anos
não se pode calcular. (Jó 36.26 – Edição
Contemporânea de Almeida)
Deus é infinito, independente e autoexistente. Ele
não somente existia antes da criação, na verdade nunca [O Pai das Luzes]
houve um momento no qual Deus não existisse – o que
exclui qualquer relação entre Deus e o começo temporal
do mundo.
Deus não depende de ninguém fora de si mesmo
para continuar existindo. Assim sendo, não é possível
afirmar que Deus foi ou há de ser, mas apenas que Ele é.
Deus é literalmente e plenamente atual, portanto eterno.
A infinitude de Deus em relação ao tempo é
chamada na Teologia de eternidade, e em relação ao
espaço de onipresença.
Quem deseja saber o que Deus fazia antes de criar
o mundo, não compreende a diferença entre tempo e
eternidade. O tempo existe somente para as criaturas, e
onde Deus habita não existe tempo e espaço. Conforme
escreveu Moisés:
02
Antes que os montes nascessem, ou que
tu formasse a terra e o mundo, sim, de
eternidade a eternidade, tu és Deus. (Salmos
90.2)
Deus não foi criado por “algo”, pois isso exige a
existência de outro “Ser” (Salmo 86.10); Deus não foi
criado a partir do nada, pois isso exige a existência de um
“Vazio absoluto” ou de um “Ser oposto” (Isaías 43.10;
44.8).
Por ser um Deus pessoal, que realmente se
importa com a sua criação, Ele repudia a descarada
mentira da existência de outros “deuses” (Isaías 40.12-
28; 46.5-10).
Deus é Aquele que existe por Si, independente de
tempo e espaço, de princípios ou limites (mas sendo o
princípio e o limite de todas as coisas); Deus é Aquele que
existe de forma absoluta, una e perfeita (nada falta ou
sobra em Deus): DEUS, AQUELE QUE É (Deuteronômio
32.39, 40). Conforme está registrado no Êxodo: [O Pai das Luzes]
14
E disse Deus a Moisés: EU SOU O
QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos
de Israel: EU SOU me enviou a vós.
(Êxodo 3.14)
“Eu Sou o que Sou”: Nele encontra-se a
imunidade, singularidade, pureza e superabundância do
ser. Hugo de São Vítor, em “De Sacramentis christianae
fidei”, argumentou que Deus não pode ser multiplicado,
pois é imenso (infinito dimensional); Deus não pode ser
diminuído, pois é uno; Deus não está sujeito a mudanças
físicas, pois está em todos os lugares; Deus não está
sujeito a mudanças temporais, pois é eterno.
Enquanto Deus é, a natureza vem a ser e deixa de
ser. Mesmo assim os homens continuam errando quando
definem que Aquilo que é (e sempre será) não é, e aquilo
que não é (e nunca será) é!
Por isso a pergunta de Agostinho continua atual:
quantos são capazes de ler no Eterno?
[O Pai das Luzes]
DERRADEIRA
REALIDADE
“Por causa de seu orgulho, o ímpio não investiga;
todas as suas cogitações são: Não há Deus”. (Salmo
10.4)
Como pode alguém conhecer e expor aquilo que é
infinito, imensurável, indescritível, incontável e que não se
pode pesar?
Jesus revelou a mulher de Samaria, junto à fonte
de Jacó, que Deus é Espírito (João 4.24). Por isso todos os
nossos conceitos e concepções devem reportá-lo a
condição espiritual, sabendo que Ele é invisível e
imperceptível aos sentidos (João 1.18).
Como Espírito, Deus não possui qualquer fator
quantitativo suscetível de ser avaliado ou medido. Apesar
disto, Deus é a medida de qualquer e toda perfeição. A
medida e aquilo que é medido são distintos.
Em sua obra “Quomodo substantiae in eo quod
[O Pai das Luzes]
sint, bonae sint, cum non sint substantialia bona”, Boécio
conclui que Deus é o que é, enquanto as coisas criadas
não são o que são. As criaturas podem até ser
existencialmente boas, mas não são essencialmente boas.
Somente Deus, o Sumo Bem, é em existência e
essência bom. Ou seja, Deus como agente moral livre e
inteligente é o que é não porque deva ser, mas porque
simplesmente é.
Como diria Orígenes, Deus é Espírito, mas está
além do espírito; Deus é o Pai da Verdade, mas é mais
que a verdade; Deus é o Pai da Sabedoria, mas é melhor
que a sabedoria; Deus é a Vida, mas é maior que a vida;
Deus é um ser, mas está além do ser.
Gregório de Nazianzo (330-390 d.C.) completaria
dizendo que Deus é toda a beleza, mas transcende toda a
beleza. Pode-se completar o pensamento de Gregório
afirmando que Deus é a própria beleza de tudo o que é
verdadeiramente belo. Em “De divisione naturae” (no
volume I), Scoto prefere adicionar o prefixo “super” aos
atributos de Deus, dando origem a “Teologia Superlativa”.
Deus cria coisas perfeitas, mas continua sendo
mais perfeito que elas, devido a eminência do Seu ser. E
Deus julga todas as coisas pois continua superior a tudo.
Deus é o único ser absoluto, logo os demais são
relativos; Deus é o único ser imutável, logo os demais são
mutáveis. Deus é o “non plus ultra” da realidade: algo que
não se ultrapassa.
Só Deus existe verdadeiramente, pois em relação à
Deus as coisas não tem uma existência verdadeira.
Valores como bem, belo e verdadeiro tem sentido pleno
somente quando ancorados em Deus.
Em geral existem extremas dificuldades na
compreensão dos chamados “Atributos de Deus”.
Infelizmente não existem analogias, comparações ou
conceitos adequados para definir o que Deus é em si
mesmo, sua essência é incognoscível. Ele tem a absoluta
liberdade de ser, sem jamais ter que explicar porque Ele é
o que é.
[O Pai das Luzes]
Se fosse possível comprovar a origem e a
existência de Deus, Ele já não seria Deus, pois teríamos
reduzido-O a cálculos humanos. Mesmo as expressões
empregadas para denotar o caráter ilimitado do Ser de
Deus, são em si mesmas frágeis e temporais.
É impossível descrever Sua Natureza superior com
palavras cujos significados muitas vezes parecem vazios,
oriundas de uma natureza inferior. Mas isto não significa
que os conceitos sejam representações indeterminadas de
Deus.
Deve-se evidenciar o contraste entre o objeto
conhecido e o conhecimento que se tem dele. Os conceitos
utilizados são comuns a Deus e às demais coisas, podendo
ser aplicados à sabedoria criada e Incriada. Mas é possível
conhecer Deus num conceito comum e exclusivo a Ele.
Embora os termos aplicados à Deus não exprimam
o que Deus é em si mesmo, eles nos ensinam o que Ele é
em relação às criaturas. Por isso O conhecemos através da
consciência, da natureza e, principalmente, da Bíblia.
Os atributos bíblicos para Deus são os mais dignos
encontrados na linguagem humana. Eles superam as
características humanas em qualidade, em perfeição e
intensidade. Cada atributo revela um sinal característico,
uma peculiaridade, uma propriedade de Deus.
Para Orígenes a visão de Deus é vedada a todos,
inclusive ao Filho de Deus. A Bíblia ensina que Deus habita
em uma luz inacessível, por isso transcende à todo
conhecimento humano. Se Deus fosse inteiramente
perceptível aos homens, não haveria nenhum mérito na
fé; mas se Ele fosse totalmente oculto, a fé seria inútil
para o conhecimento.
Mesmo que os termos ou expressões aplicados à
Deus sejam primeiramente baseados nas coisas mutáveis,
é lícito aplicá-los a Deus, pois a Escritura assim o faz. E
desta forma consegue expressar plenamente o
Inexpressível.
É difícil conceber Deus sem Seus atributos, pois
[O Pai das Luzes]
através deles Deus se revelou nas Escrituras. Os atributos
de Deus são co-extensivos com Sua natureza. Os atributos
são todo-difundidos ao ser de Deus, pois formam uma
unidade com Seu Ser, Seu Saber e Seu Querer.
Assim cada atributo por si só define Deus,
evidenciando suas características essenciais, permanentes
e distintivas.
O conhecimento finito e imanente não pode
alcançar a Verdade por meio de analogias que visam a
semelhança. Ou seja, por mais iguais que sem a medida e
o objeto medido, serão diferentes para sempre. Em todos
os conceitos de semelhança e contradição entre Deus e o
homem, a Bíblia considera a desproporção e a distorção
entre os seres.
Algumas vezes, em relação à Deus é preferível o
silêncio do que a palavra. Como diria Agostinho (354-
430), amamos o Desconhecido no conhecido.
[O Pai das Luzes]
CONSCIÊNCIA
LÚCIDA
“Por causa de seu orgulho, o ímpio não investiga;
todas as suas cogitações são: Não há Deus”. (Salmo
10.4)
Haverá algum lugar no Universo que Deus não
esteja? Deus é Senhor somente enquanto existirem
criaturas sujeitas ao Seu domínio?
Apesar de todos os avanços tecnológicos, a alma
continua primitiva em sua busca por ícones sagrados. Por
isso a Bíblia afirma que “o homem não viverá só de pão,
mas que de tudo o que sai da boca do Senhor viverá o
homem” (Deuteronômio 8.3). Porém, isso não justifica a
burrice impertinente de tentar representar ou reduzir Deus
a uma imagem (Salmo 115.4-8).
O homem para se conhecer procura no exterior
informações para comparação e contraste. Mas Deus
possui um conhecimento pleno de si, sem se referir a
[O Pai das Luzes]
nenhum outro ser.
Em Sua Natureza Íntima, Ele é
insondável, inescrutável e perfeito
(Salmo 89.6-8; Isaías 40.18; Tiago 1.17).
Sendo Espírito (Atos 17.24), Deus não
possui uma forma que se possa
visualizar, por isso nos proíbe de fabricar
imagens (Deuteronômio 4.15-19).
Não existe nenhum elemento material em Deus, o
que o torna independente do tempo e espaço. Ninguém
pergunta a forma, tamanho, peso ou cor de Deus; pois se
fosse um ser material, tais propriedades deveriam ser
verificadas. Se fosse evidente ao mais bruto olho material,
não seria necessária a ação da Palavra de Deus e do
Espírito Santo para comprovar Sua existência.
Na Bíblia, geralmente Deus se manifesta
antropomorficamente, porque é a forma mais ideal de
comunicar-se com o homem. Ou, como expressou Antônio
N. Mesquita, “porque esta forma tenha algo de superior,
que nós não podemos compreender”. 9
Em alguns relatos bíblicos, Ele se manifesta como
um Rei radiante em Seu trono (Daniel 7.9; Apocalipse 4.2-
3). Mas nunca é feita uma descrição de Sua fisionomia (Jô
1.18; Exôdo 33.20). O que nos resta são belas imagens
poéticas, como as de Emílio Conde: “Aquele que é mais
sutil que o ar, mais ligeiro que o relâmpago, e cujo olhar é
mais belo que um alvorecer de primavera, e mais suave
que a claridade das estrelas”. 10
Devido a infinita superioridade de Deus, mesmo
sendo imaterial pode criar algo material, revelando-se
Onipotente (Jó 42.2; Jeremias 32.17). Por isso
“entendemos que os mundos foram criados; de maneira
que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente”
(Hebreus 11.3).
Em Sua Onipotência (“omnis” e “potentia”,
[O Pai das Luzes]
palavras latinas que juntas significam “todo poder”), Deus
possui a eficiência de fazer as coisas acontecerem. Ele
pode tudo o que é logicamente possível, desde que não
seja absurdo, arbitrário ou contrário à Sua natureza.
Pois se realizasse algo que contrariasse Sua
vontade positiva e racional, seria apenas impotência.
Existe uma obrigatoriedade em Deus de fazer tudo
9 Mesquita, Antônio Neves de. Estudo no Livro de Gênesis. Ob. Cit. Pág.
88.
10 Revista Obreiro. Rio de Janeiro/RJ. CPAD. Pág. 17. Extraído do
livro “Eles andaram com Deus” de Jefferson Magno Costa.
conforme Seu caráter. O poder de Deus e seu caráter são
totalmente idênticos ao próprio Deus.
E essa eterna Soberania revela um Ser
transcendente (infinitamente superior e distinto de tudo
quanto é temporal - tempo, espaço e conhecimento - II
Crônicas 2.5, 6; Isaías 43.13; 55.8, 9; Daniel 4.35;
Romanos 3.4) e imanente (presente e ativo em todos os
seres orgânicos e inorgânicos). Esta transcendência divina
pertence igualmente a todos seus atributos (Jeremias
31.3; Oséias 2.19). Deus é uma fonte substancial,
sobrenatural e superabundante de virtudes.
Não se deve cair em um dogmatismo teísta (ensina
que Deus é inseparável do mundo e da matéria), ou
monista (prega que tudo é composto por uma única
substância, Deus); pois Ele é Onipresente em Sua
Natureza Ativa (Deuteronômio 26.15; Jó 22.12; Salmo
73.25; 139.7-10; Provérbios 15.3; Jeremias 23.23, 24).
Assim, em Sua Infinitude Espacial (I Reis 8.27),
Deus pode estar presente em todos os espaços, de
diversas maneiras (Jeremias 49.16; Amós 9.2-4; Obadias
4; Naum 1.3-5); porém, apesar de estar presente, Deus
não faz de cada parte Sua habitação (II Reis 8.27; Isaías
57.15; Apocalipse 3.20).
Ele está de forma plena e simultânea em cada
momento do tempo e em cada parte do espaço. Enquanto
a Infinitude Espacial ou Imensidade diz respeito à
presença de Deus em relação ao espaço, a Onipresença
refere-se à Sua presença em relação às criaturas.
Deus opera na totalidade do indivíduo, agindo de
forma simultânea em sua mente, em sua vontade e em
suas emoções. Pois Deus “o alto e sublime, que habita na
eternidade, e cujo nome é santo”, é imanente para habitar
“com o contrito e abatido de espírito”, operando no
profundo das mais íntimas motivações “para vivificar o
espírito dos abatidos”, agindo no interior de cada
sentimento “para vivificar o coração dos contritos” (Is
57.15).
Deus não faz parte de um todo, pois conforme
sintetizou Orígenes, Ele é uma Unidade Espiritual
Absoluta. Scoto em sua obra “De divisione naturae”
(volume II) negou enfaticamente que o universo se
identifique com Deus, e que as criaturas sejam uma parte
Dele.
Deus é uma unidade simples, não é composto por
diversas coisas, nem por partes ou vários elementos
simultâneos. Como definiu Hugo de São Vítor, em “De
Sacramentis christianae fidei”, Deus é um ser em sumo
grau, essencialmente, verdadeiramente e imutavelmente
uno.
Spinoza, porém, via Deus em tudo o que existe e
tudo que existe em Deus: igualando Deus à criação, pois
para ele tudo que acontece são manifestações de Deus.
Para toda ação existe uma motivação. Mas a
criação foi um ato livre de Deus e nunca pode ser visto
como uma necessidade (Zacarias 12.1; Atos 17.25). Deus
não precisa de coisa alguma (Jó 22.2, 3), mas tudo criou
por Sua vontade (Apocalipse 4.11) e para Sua glória
(Efésios 1.6).
Uma criação por livre vontade, pois como diria
Clemente, Deus não é bondoso criador no mesmo sentido
que o ferro é quente ou por necessidade de natureza. A
“Confissão de Fé de Westminster” afirma que Deus criou o
mundo “para a manifestação de Seu poder, sabedoria e
bondade eternos” (Ec 3.11).
[O Pai das Luzes]
Não somente a criação, mas nenhum dos atributos
de Deus teve origem na necessidade, mas unicamente em
sua voluntária vontade. Deus é soberano mesmo em Suas
escolhas: a liberdade de Deus não está baseada apenas
em um arbítrio puro e simples.
Deus possui uma certa obrigação moral
exclusivamente consigo mesmo. A maior prova da livre
arbitrariedade de Deus foi a entrega voluntária de Jesus.
Diante de tantos mistérios o estudo da criação não
deve ser visto como um desafio intelectual, mas como um
desafio espiritual.
A Bíblia nos diz que a “natureza” revela a
existência de Deus (Gênesis 1.1; Marcos 13.19; Efésios
3.9), o poder (Isaías 40.28; 42.5; 45.18; Colossenses
1.16) e a sabedoria de Deus (Jó 9.4-10; 38.4-13;
Provérbios 30.4; Isaías 40.12-14). Mas não acrescenta
nada para nossa santidade e nenhuma revelação do futuro
(Romanos 1.19-20).
O apóstolo Paulo escreveu que “desde a criação do
mundo, os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e
sua divindade, claramente se reconhecem sendo
percebidos nas coisas criadas” (Romanos 1.20 – Versão
Alfalit Brasil).
Com base nisto, o teólogo Myer Pearlman explicou
que “a natureza é a revelação de Deus que se alcança
pela razão. Mas quando o homem está algemado pelos
seus pecados e sobrecarregada a alma, a natureza e a
[O Pai das Luzes]
razão são impotentes para esclarecer e aliviar a situação”.
11
Quando perguntamos porque, por quem e para
quem foi tudo criado, temos a resposta de que Deus é o
sustentador de todas as coisas. Deus é o único bem que
deve ser amado por si mesmo, mas aprendemos a amar
Deus e tudo que vem de Deus (I João 5.1): em Deus e por
Deus. Porque Nele, com Ele e por Ele a vida adquire
sentido.
Mas ai daqueles que amam mais os sinais de Deus,
como a natureza, do que ao próprio Deus:
33
Ó profundidade das riquezas, tanto da
sabedoria, como da ciência de Deus! Quão
insondáveis são os seus juízos, e quão
inescrutáveis os seus caminhos!
34
Por que quem compreendeu o intento
do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro?
35
Ou quem lhe deu primeiro a ele, para
que lhe seja recompensado?
36
Porque dele e por ele, e para ele, são
todas as coisas; glória pois a ele eternamente.
[O Pai das Luzes]
Amém. (Romanos 11.33-36)
O CONHECIMENTO
DE DEUS
2ª PARTE
11 Pearlman, Myer. Conhecendo as doutrinas da Bíblia. São Paulo/SP.
Editora Vida. Pág. 19. 24ª Edição. 1996
“Diante do espelho da majestade divina, o homem
vê melhor a imagem de sua própria pequenez”..
pequenez”..
(Raphael Zambrotti, 1972)
01
No princípio criou Deus os céus e a
terra. (Gênesis 1.1)
Foi “no princípio” (Gênesis 1.1), quando Deus não
era um deus (no sentido etimológico, pois não era definido
por conceitos antropomórficos), que tudo começou.
Após a criação do homem, Deus passou a ser
analisado sob a óptica material, como se Ele fosse um
mero e pálido reflexo da criatura ou apenas a sombra
gigantesca do homem, em vez de reconhecermos que nós
somos Sua imagem e semelhança (Gênesis 1.26).
Através da história o homem tem se apresentado
como o centro e a medida para todas as coisas. Ignorando
que não existe nenhuma medida comum aplicável à Deus
e as criaturas, o homem fez com que Deus deixasse de
ser um ser real, para se tornar um simples conceito.
Os filósofos gregos tentaram provar que os mitos
não eram confiáveis e que não passavam de invenções
humanas. Xenófanes (570 a.C.) ensinava que todos os
deuses das mitologias eram criados à imagem e
[O Pai das Luzes]
semelhança dos homens. Para Xenófanes, qualquer ser
superior não passa de uma invenção humana, pois se os
cavalos pudessem criar seus próprios deuses, esses teriam
feições eqüinas.
Na ânsia por sabedoria, “tateando nas trevas de
sua cegueira espiritual, o filósofo pagão procurava Deus
como o Grande Desconhecido e criava para si mesmo uma
divindade que viesse satisfazer seus instintos morais e
resolver os seus problemas relacionados com a criação e o
governo do Universo.” 12
Todos somos capazes de conceber coisas que não
existem. Mas Anselmo de Cantuária em “Proslogion”
mostra que a Bíblia apresenta Deus como um ser em
comparação ao qual é inconcebível um outro maior ou
melhor.
Deus contém realizado todo o ser e toda
possibilidade em forma infinita, possuindo em si tudo o
que pode ser. Ele não pode ser maior e nem menor do que
é. Deve-se considerar que os gregos criavam seus deuses
conforme as paixões humanas, enquanto o livro de Salmos
louva: “Sabei que o Senhor é Deus: foi Ele e não nós, que
nos fez...” (Sl 100.3).
O homem com sua inteligência criada, é limitado
por sua própria existência (tempo, espaço e matéria), não
podendo superar a distância eterna que separa criatura do
Criador. Por isso não pode entender Deus: devido a
limitada percepção da realidade existente em si mesmo.
Ludwig Feuerbach (1804-1872) acreditava que
afirmações a respeito de Deus não iam além de afirmações
a respeito do homem. Como se Deus fosse composto, e
criasse forma e vida a partir de um conjunto de conceitos.
Como conceito, Deus passou a ser restringido
àquilo que cada homem é capaz de imaginar e
compreender. Como ser Vivo que opera entre os homens,
Deus é limitado à fé de cada um.
[O Pai das Luzes]
Por isso em 1925, Lettie Cowman disse muito bem:
“O que a nossa fé disser que Deus é para nós, Ele será”. 13
Pois Deus se revela na proporção da fé que o busca. Em
relação aos outros o termo Deus não possui
necessariamente a mesma intensidade de significação.
Desde o nascimento, nosso conhecimento começa
pela experiência sensível, sensorial. O mais evidente
conhecimento fundamenta-se nos sentidos, sobressaindo
às idéias consideradas inatas. Por isso o conhecimento
12 “A Fonte da Sabedoria”. Pontos Salientes. Rio de Janeiro/RJ.
JUERP. Pág. 15-16. 09/01/1972. Comentários de Raphael Zambrotti.
humano é essencialmente sensorial: para os “racionais”,
não existe nada na inteligência que antes não tenha
passado pelos sentidos (visão, audição, olfato, tacto e
paladar).
O empirismo chega ao extremo de negar a
possibilidade do surgimento de alguma idéia espontânea e
baseia todo o conhecimento na experiência. Para
Aristóteles (384-322 a.C.) não existe nada na razão que
não tenha sido experimentado antes pelos sentidos.
Epicuro colocava a percepção sensível como o limite de
todo o conhecimento.
Percebe-se que as diversas crenças que surgiram
na Grécia e em Roma, tinham em comum pelo menos dois
pontos: a matéria é a única realidade e os sentidos
constituem a fonte de conhecimento. Os gregos
procuravam entender por si mesmos os processos
naturais, dando início à separação da filosofia-ciência da
religião.
Este existencialismo era tão radical que ressaltava
a impossibilidade do homem alcançar a verdade absoluta,
nem com teorias ou argumentos, pois não se pode
ultrapassar os limites da realidade concreta.
Semelhantemente, para Heidegger nenhum filósofo
consegue escapar completamente das fronteiras da
finitude radical e dos limites impostos pelos horizontes do
indivíduo.
Epicuro pensava que a natureza das coisas é um
produto do acaso. De forma similar a alguns pensadores
modernos, Epicuro limitava o real à percepção dos
sentidos; esquecendo que no mundo dos sentidos impera
a subjetividade, enquanto que a objetividade possui pouco
acesso. Geralmente recebemos opiniões incertas sobre
tudo que “sentimos” ou “percebemos sensorialmente”.
Mas Deus encontra-se acima do mundo sensorial.
Tudo o que é real, no imaginário ordinário, deve
ser palpável. Mesmo a Psicologia Experimental já ter
13 Cowman, Lettie. Mananciais no Deserto. Venda Nova/MG. Editora
Betânia. Pág. 44. 10ª Edição. 1986
exaustivamente provado as falhas de nossa percepção, os
homens duvidam da existência de Deus, pois Ele escapa
aos olhos (Ele é Espírito!) e é imperceptível aos ouvidos.
Deus é uma experiência extrasensorial (João 1.18), o que
não implica em uma existência sombria e irreal (João
5.37; Filipenses 2.6). E a ciência somente não descobre
Deus, pois se limita à matéria.
Assim nenhuma noção transcendental pode surgir
de uma consciência intranscendental limitada por um
conhecimento sensorial e uma visão baseada em aspectos
opostos da multiforme realidade, como morte/vida,
verdadeiro/falso, dia/noite, amigo/inimigo, frio/quente,
natural/artificial, culpado/inocente, macho/fêmea...
O modo como pensamos e agimos está baseado
nesta distinção de opostos. E é inegável que, sem esta
distinção, os conceitos como bem/mal, certo/errado,
luz/trevas não fariam sentido, pois coisas binárias
caminham juntas e contrárias.
Por outro lado, qualquer pergunta que ultrapasse
estes pares de opostos são condenadas ao campo do
absurdo, por não possuírem uma lógica (dentro destes
limites).
Mesmo pontos de equilíbrio entre opostos não
estão totalmente claros: o equilíbrio entre as cores branca
e preta é a cinza; entre a direita e a esquerda é o centro;
entre o dia e a noite, é o anoitecer e o amanhecer.
Estes “equilíbrios” são vistos como formas distintas
(independentes de seus extremos), e não como pontos
que transcendem aos opostos (o meio que inclui os dois
extremos). Heráclito (540 - 480 a.C.) acreditava que sem
estes pares de opostos além de nada fazer sentido, o
mundo não existiria.
É por isso que questões como um Deus sem
começo e fim (em nossa visão tudo tem começo e fim), e
que criou tudo a partir do nada (o que é o “nada”?) já
estão condenadas, por nós mesmos, a receberem
respostas que, aparentemente, nunca farão sentido.
É considerado lógico somente aquilo que
corresponde ao pensamento humano. A
incompreensibilidade essencial de Deus está
fundamentada no abismo que separa Criador e criatura: o
real conhecimento de Deus transcende o nosso
entendimento na mesma proporção que Ele transcende o
nosso ser.
O conhecimento que temos de Deus, é bem
ilustrado por Paulo, ao mostrar que ele limita-se ao reflexo
no espelho e a sombra de um homem na entrada de uma
caverna (I Corintios 13.12). Mas o Espírito Santo nos
concede o antegozo de almejar o dia em que seremos
semelhantes a Ele, como resultado de O vermos como Ele
realmente é (I João 3.2).
Por esta razão deve-se evitar a tentação de
adaptar Deus aos nossos conceitos limitados:
20
Mas, ó homem, quem és tu, que a
Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá
ao que a formou: Por que me fizeste assim?
(Romanos 9.20)
[O Pai das Luzes]
A BUSCA PELA
VERDADE
“Eu sei, ó Senhor, que não é do homem o seu
caminho nem do homem que caminha o dirigir os seus
passos”. (Jeremias 10.23)
Para se encontrar a verdade é preciso se abstrair
de todas as considerações humanas?
38
O que é a verdade? (João 18.38)
Esta foi a pergunta feita por Pilatos à Jesus,
durante o seu julgamento. De alguma forma, esta mesma
pergunta volta a aparecer na vida de cada ser humano. E
muitas escolas filosóficas, seitas e descobertas do
cientificismo já se declaram possuidores desta verdade
final.
Para muitos, “verdade” seria uma explicação lógica
(conseqüentemente limitada), apoiada por argumentos
sólidos e por provas. Para outros, “verdade” é apenas a
versão que se sobressai.
[O Pai das Luzes]
Para Agostinho a verdade é uma evidência
necessária, sempre constante e indefectível; para Anselmo
de Cantuária (em “Dialogus de Veritate”), “a verdade é
uma retidão perceptível somente ao espírito”; para Hugo
de São Vítor (em “Eruditionis Didascalicae”) a verdade é
um saber verossímil, fidedigno e insuscetível de suspeita.
O filósofo francês René Descartes (1596 – 1650)
utilizava-se do método de dúvida cartesiano na busca pela
“verdade”: não aceitar como verdade nada que não seja
claro e distinto; decompor os problemas em suas partes
mínimas; deixar o pensamento ir do simples ao complexo;
revisar o processo para ter certeza de que não ocorreu
nenhum erro.
Existe uma Verdade por trás das “verdades
convencionais”? Existe O Correto por trás das coisas
corretas? Esta Verdade e Correto é Deus ou as instituições
sociais-religiosas?
Como constatou o filósofo e psiquiatra Karl
Jaspers, a verdade varia de indivíduo para indivíduo. Por
isso a “verdade objetiva” refletiria apenas as crenças
convencionais do momento.
A crença mais comum afirma que a sociedade
como um todo não pode ir além dos valores e verdades
que construiu. Nesta óptica a verdade seria apenas um
meio da sociedade promover seus interesses.
Foi a partir do século XIX que a noção de verdade
passou à ter que contar, essencialmente, com a aprovação
da ciência. Mas para obter o “status” de ciência, é
necessário que o objeto de estudo possa ser observável,
mensurável e reproduzível.
Existe uma Verdade por trás destas “verdades
convencionais”? Existe O Correto por trás das coisas
corretas? Esta Verdade e Correto é Deus ou as instituições
sociais-religiosas? [O Pai das Luzes]
Este quadro racionalista piora se for considerado
que uma “parcela ponderável de pensadores, ainda
acredita que, em sua fantástica insuficiência, a razão e a
ciência tudo explicariam e que a Humanidade, auto-
suficiente e autogeradora, é, ao mesmo tempo, alfa e
ômega da Criação”. 14
Existem verdades que vão além do indivíduo, além
das experiências pessoais proclamadas como verdadeiras.
14 Cultura e fé.
Jornal O Estado de São Paulo. São Paulo/SP. Agencia
Estado. Pág. A2. Ano 121. Num. 38975. 03 de julho de 2000. Artigo de
Ives Gandra da Silva Martins.
Mesmo que alguém desconsidere Deus como real ou não
participe de Sua realidade, isso não altera a Verdade.
Mesmo que não saiba ou não admita, todas as criaturas do
Universo já se beneficiaram do amor de Deus.
A humanidade sofre de uma ausência de motivação
(para que serve isso?) que produz o absenteísmo. A
pergunta principal na busca da Verdade torna-se relativa
não à existência ou a veracidade de Deus, mas quanto a
Sua utilidade. Para que serve Deus?
Mesmo não encontrando a Verdade na razão e na
ciência, a fé em um Deus presente no mundo torna-se
inútil para uma mentalidade voltada para o conhecimento
naturalista. Também se torna desnecessário um Deus que
opera, invariavelmente, em prol do bem supremo do
homem, pois a ciência investiga e define os mecanismos
conscientes e subconscientes humanos.
Com isso a máxima do Evangelho (que “Deus
amou o mundo” – João 3.16) é derrubada: o mundo não
precisa do amor de Deus, pois segundo a ciência, o mundo
é auto-suficiente (desde sua origem) e pode fazer o
homem feliz. O tema principal da vida inconsciente é a
busca pela felicidade.
Assim o homem tenta, inutilmente, preencher o
espaço vazio que pertence ao amor de Deus. Ninguém
ama aquilo que não conhece, por isso os homens
desprezam
Aquele que os quer retirar do lamaçal do pecado,
[O Pai das Luzes]
esquecendo que Deus “é sobre todos, e por todos e em
todos” (Efésios 4.6). Mas será possível conceber um
engano e uma cegueira pior do que considerar-se auto-
suficiente, quando nem mesmo pode-se garantir a vida?
Não são os pecados dos homens que limitam e
anulam o amor de Deus, mas exclusivamente a soberba e
a presunção. Ao homem natural pode parecer inconcebível
que um Deus completo e satisfeito em si mesmo, seja
capaz de amar um mundo imperfeito.
O Evangelho de São João afirma que “Deus amou o
mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para
que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a
vida eterna” (3.16).
O escritor Eugênio Joaquim de Oliveira observou
que “Deus deu, isso denota um ato de humilhação, porque
Ele nos procurou a nós, quando nós o deveríamos Ter
procurado. Nisto está a prova do verdadeiro amor de
Deus: de haver Ele se humilhado para oferecer-nos
comunhão consigo. Não foi o homem pecador que
procurou Deus, mas Deus que procurou o homem!” 15
10
Nisto consiste o amor: Não em que
nós tenhamos amado a Deus, mas em que
ele nos amou. (I João 4.10 – Versão Alfalit
Brasil)
Como pode o homem compreender o amor de
Deus? Como disse Sofar, o naamatita, “porventura
alcançarão os caminhos de Deus ou chegarás à perfeição
do Todo-Poderoso?” (Jó 11.7).
O amor de Deus é mais alto do que os céus, mais
profundo do que o inferno, mais comprido do que a terra e
mais largo do que o mar (Efésios 3.17, 18; Jó 11.8, 9).
Por isso Paulo declarou que Deus é “poderoso para fazer
tudo muito além de toda medida do que pedimos ou
entendemos” (Efésios 3.19, 20).
Devemos então adorar a Deus pelo que Ele é. [O Pai das Luzes]
Adorá-Lo em razão de Sua natureza, em função do Seu
ser em Si mesmo. Muitos que amam a Deus, não o amam
por Ele, mas em função de interesses próprios.
Se depender unicamente dos “racionalistas”, os
homens perdem a esperança e ficam presos à um sistema
que limita o conhecimento humano aos fatos materiais (I
Coríntios 15.19). E se os ensinos de Cristo forem apenas
palavras sábias de um homem para esta vida, então os
que nelas acreditam serão o povo mais infeliz da terra.
15Oliveira,Eugênio Joaquim de. Orvalho de Sião. Rio de Janeiro/RJ.
CPAD. Pág. 8. 1979
Não há lugar para o Espírito, pois colocaram a própria
razão como autoridade suprema.
Mas nem a razão ou a natureza pode revelar
plenamente a Verdade alcançada pela fé: que Deus
intervém no Universo em favor do homem (Hebreus 1.1).
Deus está acima de todo espaço, todo o tempo e todo o
conhecimento.
O homem não é autosuficiente e necessita de
Deus, tanto quanto uma corça ofegante necessita de água
no deserto (Salmo 42.1-2). Deus espera amorosamente
que todos os homens se convertam de seus maus
caminhos (Ezequiel 18.29-32).
A Bíblia não é um longo discurso filosófico, e nem
sequer pretende propor uma filosofia, mas nos revela que
não existe efeito sem causa (Gálatas 6.7). Em um
processo de regressão em um debate científico sobre o
“efeito que é a causa de outro efeito”, chega-se a diversas
hipóteses que desenvolvem mais dúvidas do que
respostas.
Um regresso “ad infinitum” é um absurdo que deve
ser normalmente rejeitado. Este debate terminaria
questionando, formulando e reformulando as mesmas
dúvidas ou apenas transferindo o problema da origem da
causa anterior.
Mas uma regressão à luz da Bíblia revelaria que a
razão causal e finalista de tudo quanto não possui razão
de ser é o próprio Deus (Atos 17.28), a única natureza
[O Pai das Luzes]
incausada. A própria criação nos revela que não é nela que
devemos buscar a razão de ser. Pois a criação é resultado
da atividade criadora de um Deus Pessoal (Apocalipse 1.8)
e não de um conjunto de forças cegas e destituídas de
inteligência.
Hoje alguns homens que “divinizaram” o
racionalismo e a tecnologia, não conseguem enxergar A
VERDADE que está diante de seus olhos: DEUS É A
ORIGEM DAS ORIGENS.
Os homens não compreendem suas limitações e
recusam-se a dobrarem seus joelhos perante a sabedoria
de Deus. Pois para aquilo que todo homem tem de melhor,
Deus possuí “um caminho ainda mais excelente.” (I
Coríntios 12.31)
“Deixem de enganar-se a si mesmos. Se você pensa
que tem sabedoria acima do normal, conforme avaliação pelos
padrões deste mundo, faria melhor se pusesse tudo de lado e
se tornasse um tolo, antes de permitir que isso o afastasse
da verdadeira sabedoria do alto. A sabedoria deste mundo é
loucura para Deus. Tal como o livro de Jó afirma, Deus usa
a própria inteligência do homem para apanhá-lo; ele tropeça
na sua própria ‘sabedoria’ e cai. E, de igual modo, no livro
dos Salmos, nos é dito que o Senhor conhece muitíssimo
bem como a mente humana raciocina e quão louca e fútil ela
é” (I Coríntios 3.18-20 – Versão Linguagem de Hoje).
[O Pai das Luzes]
A REVELAÇÃO
DE DEUS
“Estes mostram a norma da lei gravada no seu
coração, testemunhando-lhes também a consciência e os
seus pensamentos, mutuamente acusando-se ou
defendendo-se ”. (Romanos 2.15)
Paulo em sua carta aos Romanos nos fala de uma
“lei escrita no coração”. Esta lei são conceitos morais
básicos, o que confirma e valida a revelação de Deus
(Romanos 2.11-15).
Esta “revelação” do coração é como um “segundo
conhecer”, do grego suneidêsis, que remete a idéia do
“saber juntamente”, “consciência consciente”, “consciência
espiritual”, “consciência moral”. E é justamente esta
revelação divina na natureza humana que tem impedido a
humanidade de se autodestruir.
Deus estabeleceu padrões absolutos do bem e do
mal. Nossa consciência, que nos acusa ou exime de
[O Pai das Luzes]
culpas, que nos adverte ou incentiva, é composta pelo
testemunho conjunto da Palavra de Deus e de Sua lei em
nosso coração.
A “revelação geral” de Deus, é uma revelação
cósmica-antropológica, ou seja, é a revelação que Deus
faz de si através da natureza e da humanidade. Apesar de
ser uma revelação objetiva, válida e racional, após a
queda da humanidade, nosso conhecimento sobre Deus foi
afetado.
Deus passou a ser o “DEUS DESCONHECIDO” (Atos
17.23), que manifesta o Seu poder eterno e a sua
natureza divina à uma humanidade obtusa (Romanos
1.18-21), cuja mente está presa na escuridão (II Coríntios
4.4).
A “revelação geral” de Deus foi de tal forma
corrompida que deu origem a milhares de religiões e
divindades. Todas as religiões possuem gravíssimas
distorções da revelação de Deus, pois existe um fator
demoníaco que opera nas religiões (I Coríntios 10.20).
A Bíblia valida esta “revelação geral”, porém nega
a sua autoridade quando sancionada apenas pela razão.
Pois esta revelação não possui poder de salvação, nem
adiciona nada ao conhecimento que temos de Deus a
partir da Bíblia. Ela serve como testemunha do que Deus
é, e denuncia a pecabilidade da vida humana.
É impossível conhecer ou compreender o plano
divino de redenção através da teologia natural da
revelação geral. Mesmo que o homem percorra o melhor
que puder com os sentidos e a razão o universo, só em
Cristo encontrará a sua identidade com Deus.
Deus revelou dramaticamente o plano de salvação
por meio de Jesus (Hebreus 1.1). Pois Jesus Cristo é a
forma mais sublime da revelação de Deus.
Mesmo que o conhecimento cognitivo de Deus grite
a todas as pessoas, a humanidade recusa-se a buscar um
conhecimento existencial e experimental de Deus. A
sociedade reprime e rejeita Deus, pois o pecado
corrompeu a vontade humana.
[O Pai das Luzes]
O verdadeiro conhecimento de Deus envolve um
relacionamento pessoal através da redenção em Cristo
Jesus. Ter comunhão com Deus é conhecer a essência, a
perfeição e as exigências morais de Deus. A Bíblia
apresenta um princípio ético e moral de conduta agradável
a Deus (Provérbios 1.3).
A Bíblia é mais que uma mera testemunha dos atos
divinos, é a revelação especial de Deus (João 20.31). Os
termos empregados na comunicação verbal de Deus na
Bíblia devem ser compreendidos a partir da
correspondência lingüística. Deus emprega pensamentos e
atos humanos ao se expressar na Bíblia. Em Sua
sabedoria, usa termos humanos que se aproximem ao
máximo de Sua verdade.
Existem termos “unívoca”, que possuem um único
significado como “caneta”. E existem termos “equívoca”
que possuem significados diferentes como “livro” de ler ou
o ato de livrar. As palavras empregadas na Bíblia são
“analógicas”, pois são qualitativamente iguais. Se colocam
entre a unívoca e a equívoca, como por exemplo a palavra
“corrida”. Por isso os termos empregados por Deus tem o
mesmo significado, pois são proposições verbalmente
racionais. Elas são diferentes em grau e não em tipo ou
gênero.
A compreensão e mesmo a aceitação destes
termos não depende totalmente da razão, está mais ligado
a fé. Pois a razão nos remete ao saber limitado ao
medíocre conhecimento e experiência humanas.
Apesar das limitações em exprimir Deus através de
palavras, o que está registrado na Bíblia é verdadeiro e
suficiente. A revelação contida na Palavra de Deus é única
e voluntária, seu conteúdo limita-se a vontade de Deus.
Toda experiência subjetiva é obscura e variável. E
isto impregna a “revelação geral”. Todos carecem de uma
compreensão da mensagem integral de Deus. Somente
através da Bíblia temos a certeza da vontade de Deus (I
Corintios 14.8; II Pedro 1.9).
A mensagem de Deus para hoje contém as
[O Pai das Luzes]
mesmas Verdades dos dias em que foram escritas na
Bíblia. Desprezar a vontade de Deus é frustrar os cuidados
de Deus para nossas vidas.
A mensagem total de Deus se encontra somente na
Bíblia. Não existe qualquer outra fonte que possa ser
considerada. Não existe um “outro testemunho”. A Bíblia
revela não somente os atos de Deus, mas também os
Seus significados. Por isso Jesus nunca realizou nenhum
milagre que não fosse acompanhado por uma palavra
divina.
É a Bíblia a Palavra de Deus? Ou ela apenas
contém a Palavra de Deu? Onde termina a Palavra de
Deus e começa o registro humano?
A mensagem de Deus para nós está na Bíblia.
Todas as palavras da Bíblia são divinas e humanas. Ela
contém um registro inspirado e revelado por Deus. A
revelação de Deus pode ser ignorada, mas nunca
destruída.
[O Pai das Luzes]
O Pai das Luzes - Série Bereshit Author: Eliy Well more
O Pai das Luzes - Série Bereshit Author: Eliy Wellington Barbosa da Silva
As questões quanto a existência de Deus ou a veracidade da Bíblia não são para serem discutidas como meras inquietações filosóficas. Pois o fim do homem não é crer em Deus, mas conhece-Lo.
Nossa ligação com Deus não é uma economia de bens ou valores, mas de vida e morte. Não diz respeito à inteligência do homem, mas sim a sua existência: Se Deus não existe, por que estamos aqui?
“Deixem de enganar-se a si mesmos. Se você pensa que tem sabedoria acima do normal, conforme avaliação pelos padrões deste mundo, faria melhor se pusesse tudo de lado e se tornasse um tolo, antes de permitir que isso o afastasse da verdadeira sabedoria do alto. A sabedoria deste mundo é loucura para Deus. Tal como o livro de Jó afirma, Deus usa a própria inteligência do homem para apanhá-lo; ele tropeça na sua própria ‘sabedoria’ e cai. E, de igual modo, no livro dos Salmos, nos é dito que o Senhor conhece muitíssimo bem como a mente humana raciocina e quão louca e fútil ela é” (I Co 3.18-20 – Versão Linguagem de Hoje). less
0 comments
Post a comment