A educação através da biologia do amor e

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  • 1. A educação através da biologia do amor e do conhecimento de Humberto Maturana Por Eleison Diettrich
  • 2.  
  • 3. Objetivo do trabalho:
    • “ Meu objetivo é convidá-los a mudar o seu modo de ver, seu olhar”.(MATURANA, 2006)
    • Caleidoscópio: novo paradigma da ciência:a soma das partes não é igual ao todo, e a interferência do observador ao rodar o caleidoscópio.
    • Como surgiu a idéia de escrever sobre Humberto Maturana:
    • Fui apresentado a ele pelo professor de docência do ensino médio e fundamental, Celso Sanchez;
    • Através do meu trabalho voluntário como professor de Inglês e música, notei a falta de amor e respeito ao aluno: inspetores gritando, exigências de aparência, brigas entre alunos, etc.
    • Professores ainda resistentes às mudanças: CCAA, etc.
  • 4.
    • Mostrar que o trabalho do orientador deveria ser feito a partir de uma visão mais sistêmica, holística e integral. Múltiplas inteligências, Q.I. Q.E.
    • Ser mais tolerante com os alunos, utilizando conceitos mais qualitativos que quantitativos percebendo-se as múltiplas inteligências e ensinando através do amor, que é o domínio das ações que constituem o outro como um legítimo outro na convivência;
    • Valores que nos definem como humanos: cooperação, solidariedade, acolhimento e não a competição;
    • A emoção define a ação no processo de aprendizagem humana;
  • 5.
    • A emoção é importante para melhorar a assimilação nos estudos: neurociência – estados neuro-humorais (tônus);
    • Na práxis educacional, quanto mais se articula o conhecimento frente ao mundo, mais o educando se sentirá desafiado a buscar respostas e consequentemente a um estado de consciência crítica e transformadora frente a realidade;
    • Esta relação dialética é cada vez mais incorporada na medida em que educadores e educandos se fazem sujeitos do seu processo.
    • Ação – Reflexão – Ação
  • 6.  
  • 7.
    • Sistemas lineares X Sistemas complexos;
    • Descartes, Sec XVII;
    • Tudo que é dito é dito por um observador a outro observador que pode ser ele ou ela mesmo;
    • Todo ato de conhecimento é uma construção de um sujeito observador que vê, explica, classifica e qualifica os fenômenos a partir de uma emoção;
    • Rejeição X Amor;
  • 8.
    • Linguagem e Conhecimento
    • A linguagem como fenômeno biológico consiste num fluir de interações recorrentes que constituem um sistema de coordenações consensuais de conduta de coordenações consensuais de conduta;
    • (Maturana, 1978, 1988).
    • Daí que a linguagem, como processo, não tem lugar no corpo de seus participantes e sim no espaço de coordenações consensuais de conduta que constitui no fluir nos seus encontros corporais recorrentes;
  • 9.
    • Portanto são as palavras, gestos, sons, e outras condutas ou posturas corporais que participam, como elementos consensuais, no fluir recursivo das coordenações consensuais de conduta que constituem a linguagem.
    • A cada um de nós acontece algo nas interações que diz respeito a nós mesmos e não com o outro. E o que vocês escutam do que eu digo tem a ver com vocês e não comigo. Eu sou maravilhosamente irresponsável sobre o que vocês escutam, mas sou totalmente responsável sobre o que eu digo.
  • 10.
    • Conhecimento: Desde o Renascimento, tem sido visto como uma representação fiel de uma realidade independente do conhecedor (representacionismo);
    • A subjetividade ficaria preterida em relação à objetividade, e por isso pensando que o mundo é um objeto para ser explorado pelo homem em busca de benefícios, vemos hoje a degradação do nosso meio ambiente e o esgotamento dos recursos naturais. Visão errônea que somos separados do mundo;
  • 11.
    • O representacionismo é um dos fundamentos da cultura patriarcal. Na visão Maturanística, vivemos no mundo e por isso fazemos parte dele. Construimos o mundo em que vivemos durante nossas vidas, por sua vez, ele também nos constrói ao longo dessa viagem comum. Somos responsáveis por nossos atos.
    • Somos autônomos porém não recebemos passivamente informações vindas do mundo exterior. Ao mesmo tempo dependemos dos recursos externos para viver. Autonomia e dependência deixam de ser opostos e se complementam uma a outra. Uma constrói a outra e por ela é construída, numa dinâmica circular.
  • 12.
    • Nenhuma proposição explicativa é uma explicação em si. É a aceitação do observador que constitui a explicação, e o que acontece com o observador em geral é que ele aceita ou rejeita uma explicação de maneira inconsciente.
    • O relógio não dá a hora, mas na dinâmica de relação relógio-observador, aí está a hora.
    • Maturana nos diz a respeito da capacidade de conhecer, que existem dois caminhos de reflexão ou dois caminhos de relações humanas.
    • 1) Se não nos fazemos a pergunta pela origem das capacidades do observador, nos comportamos na verdade como se tivéssemos a capacidade de fazer a referência a entes independentes de nós, a verdades cuja realidade é independente de nós, porque não dependem do que fazemos. A este caminho chamamos de objetividade-sem-parênteses.
  • 13.
    • 2)O outro caminho é o da objetividade-entre-parênteses, em que ao perguntarmos pela origem das capacidades cognitivas do observador sabemos que estas se alteram ou desaparecem ao alterar-se nossa biologia, e que não podemos mais desprezar o fato de que não conseguimos distinguir na experiência o que é ilusão e percepção. A validade das explicações que aceitamos se configura em nossa aceitação e não independente dela.
  • 14.  
  • 15.
    • O humano surgiu quando começaram a viver no conversar como uma maneira cotidiana de viver que se conservou geração após geração pela aprendizagem dos filhos. O que nos faz humanos é nossa existência no conversar. Constitui-se então de fato o viver na linguagem, a convivência em coordenações de coordenações de ações e emoções que se chama conversar.
    • Exemplo das irmãs gêmeas criadas por lobos.
  • 16.
    • Segundo Maturana, nossa forma de vida patriarcal européia surgiu do encontro das culturas patriarcal pastoril e matrística pré-patriarcal européia como resultado de um processo de dominação patriarcal diretamente orientado para a completa destruição de todo o matrístico.
    • Essa cultura pré-patriarcal foi destruída pelos povos pastores patriarcais indo-europeus vindos do leste, há cerca de seis mil anos. O patriarcado foi trazido à Europa por esses povos invasores, cujos ancestrais haviam se tornados patriarcais.
  • 17.
    • Para se entender melhor a origem do patriarcalismo, temos que analisar as comunidades humanas que seguiam os seus animais em suas migrações. Elas ainda não eram pastores, pois não eram proprietários desses rebanhos. Todos conviviam com essas comunidades em harmonia, até os lobos que também se alimentavam de carne dos seus rebanhos. Eram todos comensais. Essa criação de animais domésticos no lar implica uma maneira de viver diferente do pastoreio, pois é a atenção e o cuidado nas cercanias do lar, e não a apropriação, o emocionar que o define.
  • 18.
    • A cultura do pastoreio surge quando os membros de uma comunidade que vive seguindo as manadas de animais migratórios começa a restringir o acesso a ele de outros animais migratórios como os lobos.
    • Com essa alteração no emocionar e modificação cultural, o homem apreende a operação inconsciente que constitui a apropriação, isto é um limite operacional que negou aos lobos o acesso a seu alimento natural, agindo assim de modo sistemático.
    • A caça que antes era um ato sagrado de alimentação, torna-se violência.
    • Com a origem do pastoreio surgiu o inimigo.
    • A segurança em relação à disponibilidade dos meios de vida começou a ser uma preocupação, amainada pelo crescimento da manada ou do rebanho sob o cuidado do pastor.
  • 19.
    • Com a valorização da procriação, a família pastoril se transformou numa família patriarcal e o homem pastor converteu-se em patriarca. Mas essa transformação da maneira de viver na qual uma família nômade, comensal de alguma manada migratória de animais silvestres passou a ser pastora, teve uma conseqüência fundamental: a explosão demográfica, animal e humana.(Maturana- 2006-p.61).
    • Devemos atrever-nos a abandonar o emocionar da apropriação, valorização da procriação e do crescimento desmedido, controle, busca de segurança, autoridade, obediência e desvalorização da emoções e da sexualidade.
  • 20.
    • Um senhor é senhor porque só presta atenção a seus próprios desejos, negando os de seus servos obedientes. Esse é o caso, inclusive, quando alguém quer ser Senhor de seu próprio corpo. A atenção aos desejos e necessidades do outro destrói a autoridade (domínio) e cria a amizade (companhia). Quando isso ocorre, a obediência é substituída pela cooperação e a luta se transforma em aceitação e respeito mútuos na coexistência. Afirmando o direito senhorial do espírito sobre o corpo, tornou-nos indiferentes a este e limitou nossa auto-compreensão como seres que, como humanos, existimos de fato no entrelaçamento de emoção e razão.
  • 21.
    • A rigor, somos filhos do amor, e a biologia de nossas corporeidades, assim como a de nosso desenvolvimento infantil, pertence à biologia do amor. Além do mais, tudo isso ocorre de modo tão fundamental que o crescimento normal de uma criança humana requer a biologia da mútua aceitação em interações corporais íntimas com a mãe.
    • O desenvolvimento de uma criança – tanto como ser biológico quanto como ser social – necessita do contato recorrente com a mãe, em total aceitação no presente. Contudo, uma mãe não pode encontrar seus filhos nessa espécie de contato se ela, em virtude de uma atitude produtiva, está orientada para as conseqüências de suas interações com as crianças, e não para o modo como elas existem no presente do encontro.
  • 22.
    • Numa cultura centrada na produção – como é ou se tornou nossa cultura ocidental, não brincamos com nossas crianças, nós as preparamos para o futuro.
    • Entretanto, o que as crianças mais gostam é a busca e o encontro do equilíbrio no contato corporal com suas mães. Normalmente, nessas circunstâncias desejam compreender a importância da invenção e prática do equilíbrio corporal como um processo básico no desenvolvimento da consciência individual e social da criança.
  • 23.
    • Só se a criança alcançar a autoconsciência – ao viver sua infância na riqueza da experiência sensório-motora de seus primeiros anos de vida, em interação corporal em total aceitação com sua mãe – ela pode se separar desta (ou do pai), com a corporeidade efetiva de um indivíduo socialmente seguro pela aceitação e respeito por si mesmo.
    • Além disso, à medida que a criança cresce em autoconsciência, no domínio humano de relações espaciais e temporais, ela tem a possibilidade e é capaz de crescer como um adulto que não teme que sua individualidade vá perder-se ou se destruir por sua integração social.
  • 24.
    • Nós, seres humanos modernos do mundo ocidental, vivemos numa cultura que desvaloriza as emoções em favor da razão e da racionalidade. Em conseqüência, tornamo-nos culturalmente limitados para os fundamentos biológicos da condição humana. Valorizar a razão e a racionalidade como expressões básicas da existência humana é positivo, mas desvalorizar as emoções – que também são expressões fundamentais dessa mesma existência – não o é.
    • Na criança, a consciência individual surge com o desenvolvimento de sua consciência corporal, quando ela aprende seu corpo e o aceita como seu domínio de possibilidades, ao aprender a viver consigo mesma e com os outros na linguagem. Esse processo ocorre como um aspecto normal do desenvolvimento, no qual a criança só alcança a plenitude de sua integridade biológica sensório-motora, emocional e intelectual se vive na total confiança que a plena aceitação da mãe e do pai implicam.
  • 25.
    • As dinâmicas corporal e fisiológica da criança são diferentes se ela vive na confiança trazida pela aceitação, ou sob a dúvida ou a desconfiança que configuram a rejeição. E o seu corpo (e seu sistema nervoso) cresce de modo diverso em cada caso. Essa interdependência entre as dinâmicas corporal e de aceitação mútua – da confiança e da desconfiança na relação interpessoal está presente durante toda a vida humana.
  • 26.
    • Em nossa cultura, o desenvolvimento mental sadio da criança como ser amoroso, física, emocional e intelectualmente bem integrado, é frequentemente alterado, porque implica um modo de vida que exige continuamente que a mãe ou o pai dirijam sua atenção para além do presente de seu encontro com os filhos. Se os olhos da mãe ou do pai não se encontram com os da criança ou bebê ou não os tocam quando estes os tocam, a criança ou bebê se tornam seres sem identidade nem sentido próprio.
  • 27.
    • Isto é, caem num vazio existencial, pois carecem da referência operacional por meio da qual geram as coordenações sensório-motoras que, ao fazer deles seres sociais na linguagem, os tornarão humanos.
    • Brinca-se quando se está atento ao que se faz no momento em que se faz, pois estamos onde está a nossa atenção e não onde estão nossos corpos. Brincar é atentar para o presente.Brincar não tem a ver com o futuro. Brincar não é uma preparação para nada, é fazer o que se faz em total aceitação, sem considerações que neguem sua legitimidade.
  • 28.
    • O prazer está em se fazer algo sem nenhum esforço. O que só acontece quando se está brincando, na inocência de simplesmente ser o que se é no instante em que se é. Quando Jesus falou, tereis de ser como crianças, para entrar no Reino de Deus, disse precisamente isso: só quem vive na inocência, no presente, e não se distancia nas aparências nem no futuro das conseqüências do seu fazer, viverá no Reino de Deus.
  • 29.
    • Em seu desenvolvimento, a criança requer como elemento essencial a permanência e a continuidade da relação amorosa entre ela, sua mãe e demais membros da família. Isso é fundamental para o desenvolvimento fisiológico, para o desenvolvimento do corpo, das capacidades sensoriais, da consciência individual e da consciência social da criança.
  • 30.
    • Em geral, nossa cultura, embora fale de amor ele não é compreendido como um fenômeno biológico e não se crê nele como um fator constitutivo do humano.
    • Essa falta de visão do papel essencial do amor como o domínio das ações que constituem o outro como um legítimo outro na convivência , é porque pertencemos a uma cultura que desvaloriza as emoções, pois achamos que a as emoções são uma perturbação que interfere com a racionalidade. Nos lares, nas escolas, nos é pedido que controlemos nossas emoções e sejamos racionais.
  • 31.
    • A racionalidade é algo essencial, não há dúvida. Nada nesta palestra ou conversação poderia acontecer se não nos movêssemos no pensamento racional. Mas as emoções são igualmente fundamentais. Esta conversação não se daria sem a emoção que a sustenta, sem o desejo de tê-la num âmbito de mútuo respeito.
  • 32.
    • A linguagem tem a ver com o toque, o tocar-se e a sensualidade, e assim se mostra no que dizemos. Dizemos: acariciou-me com a sua voz, feriu-me com as suas palavras, ou tocou-me profundamente com o que disse. Ao conversar tocamo-nos uns aos outros, ao fazê-lo desencadeamos mudanças em nossa fisiologia. Podemos nos matar com palavras, do mesmo modo que elas podem nos levar à alegria ou à exaltação.
    • Pois bem, a criança pequena não sabe se queixar, não sabe o que lhe acontece, apenas desaparece pouco a pouco e se transforma num ser distante: e então chora ou fica doente, ou apresenta algum problema de desenvolvimento.
  • 33.
    • A educação fragmentada que não vê o aluno como um ser integral com múltiplas habilidades tanto intelectuais quanto emocionais, propicia um ser desestruturado, sem limites, sem responsabilidades e sem projeto de vida.
    • Uma analogia que sempre faço dos educadores é que nosso papel como mediadores é de arrumarmos, prepararmos a festa e quem faz a festa são os alunos.
    • FIM