Capítulo 4O Ensaio com Partículas Magnéticas1. IntroduçãoO ensaio por partículas magnéticas é utilizado na localização de ...
2.2 – Linhas de campo magnéticoA presença de um imã numa região do espaço modifica este espaço, e diz-se que ele está sob ...
A permeabilidade magnética pode ser entendida como sendo a facilidade com que um materialpode ser magnetizado e é represen...
Figura 2 – Histerese magnética (esquemática)2.7 – Magnetismo num condutor elétrico retilíneo, numa espira e num solenóideA...
2.8 – Campos de fugaSe um ímã é dobrado numa forma semi-aberta ou fechada, as linhas do campo magnético sedistorcem na reg...
Os equipamentos portáteis podem formar conjuntos a partir de peças avulsas (1), dentre elas;barras de contato elétrico (2)...
Figura 9 – Dispositivos auxiliares (1) barra de teste de Yoke, (2) e (3) medidores deintensidade de luz branca e ultraviol...
Quanto ao modo de utilização, as partículas podem ser aplicadas a seco ou em suspensão numlíquido, em geral água ou um der...
A concentração de partículas em suspensão líquida deve ser bem controlada e tuboscentrifugadores como o mostrado na figura...
A inspeção com partículas fluorescentes requer uma câmara escura e o uso de luz ultravioletacom intensidade mínima de 1000...
A quantidade de corrente necessária para produzir magnetização longitudinal suficiente (daordem de 11.000 G ) para o ensai...
geral usa-se a técnica de magnetização contínua, que permite maior sensibilidade, commagnetização do material em teste na ...
5. IndicaçõesComo no ensaio por líquidos penetrantes, as indicações produzidas no ensaio com partículasmagnéticas podem se...
(a) (b)Figura 18 – Indicações do ensaio com partículas magnéticas coloridas (a) trincas emordeduras em cordão de solda e (...
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  1. 1. Capítulo 4O Ensaio com Partículas Magnéticas1. IntroduçãoO ensaio por partículas magnéticas é utilizado na localização de descontinuidades superficiais esub-superficiais em materiais ferromagnéticos e pode ser aplicado tanto a peças acabadas quantosemi-acabadas e durante as etapas de fabricação. Ele é baseado no princípio de que as linhas decampo magnético em um material ferromagnético são distorcidas por uma interrupção nacontinuidade do material, que pode ser provocada por variações dimensionais abruptas, presençade descontinuidades estruturais (como trincas e porosidades) ou presença de qualquer material(inclusões) com propriedades magnéticas diferentes do metal base. Se estas descontinuidades sãoabertas à superfície ou se estão suficientemente próximas à mesma, as linhas de fluxo distorcidasnesta região darão origem aos chamados campos de fuga, promovendo o aparecimento de pólosmagnéticos, capazes de atrair partículas magnetizáveis para esta região, revelando-as.As principais vantagens da inspeção com partículas magnéticas são:• é capaz de detectar descontinuidades superficiais e sub-superficiais;• sua realização é relativamente simples e rápida;• a preparação das peças para o ensaio é simples, não havendo necessidade das possíveisdescontinuidades estarem necessariamente abertas à superfície, como no ensaio comlíquidos penetrantes;• o tamanho e a forma da peça inspecionada tem pouca ou nenhuma influência noresultado.As principais limitações são:• á aplicável apenas aos materiais ferromagnéticos, ou seja, principalmente os açosestruturais ao carbono, de baixa e média liga, feros fundidos ligas a base de cobalto;• a forma e a orientação das descontinuidades em relação ao campo magnético interferemfortemente no resultado do ensaio, sendo necessário, em muitos casos, a realização demais de um ensaio na mesma peça;• muitas vezes é necessária a desmagnetização da peça após a inspeção;• em geral são necessárias correntes elétricas elevadas, que podem causar o aquecimentoindesejado das partes examinadas.2. Fundamentos2.1 – MagnetismoMateriais ferromagnéticos colocados nas proximidades de um ímã são atraídos ou repelidos porele. Este fenômeno é chamado magnetismo. Os ímãs podem ser naturais ou artificiais, fabricadosa partir de aços com propriedades magnéticas específicas para esse fim, neste caso chamados deímãs permanentes.
  2. 2. 2.2 – Linhas de campo magnéticoA presença de um imã numa região do espaço modifica este espaço, e diz-se que ele está sob aação de um campo magnético. O campo magnético pode ser visualizado quando limalhas de ummaterial ferromagnético são pulverizadas nesta região, por exemplo sobre uma folha de papelcolocada sobre um imã, como mostra a figura 1. As extremidades de um ímã são chamadas depólos magnéticos, Norte e Sul e, por convenção, as linhas de campo externas ao ímã se dirigemdo pólo Norte ao pólo Sul.Figura 1 – Visualização de linhas de campo magnético.Pode-se observar que em uma barra imantada, suas características magnéticas não são iguais aolongo de toda sua extensão, ocorrendo uma concentração da ação de atração magnética em suasextremidades, regiões denominadas pólos magnéticos. As partículas de limalha se comportamcomo minúsculos imãs e se alinham na direção do campo magnético, formando o que é chamadode linhas de indução ou linhas de fluxo. As linhas de indução são sempre contínuas e mostramclaramente a formação do campo magnético.2.3 – Vetor Indução Magnética BA ação de um imã em cada ponto do campo magnético pode ser caracterizada pelo vetor induçãomagnética, B. As unidades de medida do módulo do vetor indução magnética são o Tesla (T) ouo Gauss (G) e quantificam a concentração das linhas de indução numa pequena região do espaçoque contém o ponto considerado. O Tesla (T) é a indução magnética uniforme que produz umaforça constante de 1 N a 1,0 m de um condutor retilíneo situado no vácuo e percorrido por umacorrente elétrica constante de 1 A, sendo perpendiculares entre si as direções da induçãomagnética, da força e da corrente. 1 Tesla = 104Gauss2.4 – Força Magnetizadora HA força magnetizadora de um meio é conhecida como força magnetizadora H e pode ser medidaem Oersted (Oe) ou Ampères/metro (A/m). A razão entre B e H depende do material ou meiono qual o campo magnético é criado e define uma característica deste, que é denominada depermeabilidade magnética.2.5 – Permeabilidade Magnética
  3. 3. A permeabilidade magnética pode ser entendida como sendo a facilidade com que um materialpode ser magnetizado e é representada pela letra grega.A permeabilidade magnética de um material é a relação entre a condutividade magnética domaterial e a condutividade magnética do ar, ou, em outras palavras, a relação entre o magnetismoadquirido pelo material (B) na presença de uma força de magnetização externa (H).Dependendo de suas propriedades magnéticas ou do valor de µ, os materiais podem serclassificados como:• Ferromagnéticos: µ > 1São materiais que são fortemente atraídos por um imã, como o ferro, cobalto e quase todos ostipos de aço e são ideais para serem submetidos à inspeção pelo método das partículasmagnéticas (PM).• Paramagnéticos: µ = 1São materiais que são levemente atraídos por um imã, como a platina, o alumínio, o cromo, oestanho e o potássio. Não são recomendados para inspeção por PM.• Diamagnéticos: µ < 1São materiais que são levemente repelidos por um imã, como a prata, o zinco, o chumbo,o cobree o mercúrio. O ensaio por PM não é aplicável a estes materiais.2.6 – Histerese MagnéticaQuando um material ferromagnético é submetido a uma força magnetizante H, é induzido nesteum campo magnético B, que tende a aumentar quando H aumenta. Este crescimento de se dá porsaltos e de forma não linear. Depois que H aumenta acima de certos valores, a resposta domaterial em termos do campo magnético induzido diminui, até atingir um valor máximo de B,quando se diz que o material atingiu a saturação magnética.Diminuindo-se a força magnetizadora H, o valor de B tende a diminuir. Contudo, quando H seanula, o material pode reter um magnetismo residual. Para se anular completamente omagnetismo induzido deve-se aplicar uma força magnetizadora de sentido oposto à inicial. Seesta força continua aumentando, o material se magnetiza em sentido oposto e o campo podecontinuar aumentando até atingir novamente a saturaçãoEm outras palavras, a aplicação de uma força magnetizadora H a um material ferromagnéticoinduz neste um campo magnético B que é inicialmente proporcional a H. Até um certo limite,retirando-se a força magnetizadora o material retorna a seu estado inicial. A partir de um certovalor de B, mesmo com a retirada completa de H, um certo magnetismo residual existirá nestematerial e este só pode ser anulado com a aplicação de uma força magnetizadora em sentidocontrário e com um valor bem determinado. Para valores muito elevados de H, o material passa aresponder mais fracamente e depois não mais responde em termos de crescimento domagnetismo induzido, quando se diz que o valor máximo de B foi atingido e o material estámagneticamente saturado. Estes fatos são ilustrados na figura 2.
  4. 4. Figura 2 – Histerese magnética (esquemática)2.7 – Magnetismo num condutor elétrico retilíneo, numa espira e num solenóideA passagem de uma corrente elétrica ao longo de um condutor retilíneo induz linhas de campomagnético B que são círculos com centro no condutor. A intensidade do campo induzido B emum ponto qualquer externo ao condutor cai com o quadrado da distância do centro deste ao pontoconsiderado. As direções do campo e da corrente são sempre perpendiculares entre si. Se estecondutor forma uma linha fechada, o campo induzido se intensifica na região central, efeito queé intensificado se o condutor é dobrado em várias espiras, formando um solenóide. Isto émostrado na figura 3.(a)(b) (c)Figura 4 – Linhas de campo magnético induzido (a) num condutor retilíneo,(b) numa espira e (c) num solenóide.CorrenteCorrenteelétricaelétricaCorrenteCorrenteelétricaelétricaCampoCampomagnéticomagnéticoCampoCampomagnéticomagnéticoBobina deBobina deinduçãoinduçãoCorrenteCorrenteelétricaelétricaCorrenteCorrenteelétricaelétricaCampoCampomagnéticomagnéticoCampoCampomagnéticomagnéticoBobina deBobina deinduçãoinduçãoLinhas do CampoLinhas do CampoMagnéticoMagnéticoCorrenteCorrenteElétricaElétrica(++++)(-)CondutorCondutorLinhas do CampoLinhas do CampoMagnéticoMagnéticoCorrenteCorrenteElétricaElétrica(++++)(-)(++++)(-)CondutorCondutorForça Magnetizadora HMagnetismo Induzido BMagnetismo ResidualMagnetismo máximo(saturação)
  5. 5. 2.8 – Campos de fugaSe um ímã é dobrado numa forma semi-aberta ou fechada, as linhas do campo magnético sedistorcem na região entre os pólos Quando um campo magnético é induzido num material, aslinhas de campo ficam inteiramente contidas no material, se este é homogêneo. Contudo se omaterial apresenta descontinuidades que modificam suas propriedades magnéticas, as linhas decampo se distorcem e podem sair e entrar novamente no material, gerando localmente pólosNorte e Sul, de forma que o material se comporta, nesta região, como um ímã, o que é ilustradona figura 5.Figura 5 – Campos de fuga, capazes de atrair material magnetizável.3. EquipamentosOs principais equipamentos usados no ensaio com partículas magnéticas têm por funçãobasicamente produzir correntes elétricas e induzir campos magnéticos nas peças em exame, totalou localmente e podem ser portáteis ou estacionários. Outros equipamentos auxiliares são usadospara avaliação da sensibilidade e calibração, para iluminação adequada e para desmagnetizaçãodos materiais testados.Os equipamentos estacionários em geral são formados por vários módulos, tais como: fonte decorrente elétrica (1), bobina de magnetização e desmagnetização (2), barras de contato elétrico(3), reservatório de suspensão líquida de partículas magnéticas (4), bomba (5) e sistemas decontrole (6). Um equipamento típico é mostrado na figura 6.Figura 6 – Equipamento estacionário típico para inspeção com partículas magnéticas.2 361, 4 e 5 embutidos no gabinete
  6. 6. Os equipamentos portáteis podem formar conjuntos a partir de peças avulsas (1), dentre elas;barras de contato elétrico (2), eletroímãs, conhecidos como “yokes” (3), que podem ter pernasfixas ou articuladas, bobinas de magnetização e desmagnetização (4), fontes de luz ultra-violeta(5), mostrados na figura 7,Figura 7 – Equipamentos portáteis para inspeção com partículas magnéticas (ver texto).Alguns dispositivos auxiliares para avaliação da sensibilidade do ensaio e calibração dosequipamentos são mostrados nas figuras 8 e 9.Figura 8 – Dispositivos auxiliares (1) indicadores de campo magnético e (2) anel de Ketos.1 211 112 3 45
  7. 7. Figura 9 – Dispositivos auxiliares (1) barra de teste de Yoke, (2) e (3) medidores deintensidade de luz branca e ultravioleta, (4) e (6) medidores de campo magnéticoe residual e (5) medidores por efeito Hall.4. Materiais e ConsumíveisAs partículas magnéticas receberam este nome e ele tem sido usado por razões históricas, mas naverdade elas são facilmente magnetizáveis e não devem reter um magnetismo residual elevado.Elas são, em geral, uma combinação de finas partículas de ferro e óxido de ferro, com aaparência, quando secas, de uma farinha fina como a de trigo, e são o principal consumível usadoneste ensaio. Seu tamanho varia entre 0,2 µm e 0,4 mm, com distribuição granulométrica bemcontrolada. Elas podem ser coloridas (também chamadas de visíveis) ou fluorescentes. A figura10 mostra partículas coloridas vistas a olho nu e ao microscópio. As características desejáveispara as partículas magnéticas são:• devem possuir alta permeabilidade magnética;• devem possuir baixa retentividade;• devem ter o tamanho e a forma bem controlados;• devem ser atóxicas e• devem estar livres de sujeira, graxa e outros materiais que comprometam o seu uso.Figura 10 – Partículas magnéticas coloridas vistas a olho nu e ao microscópio eletrônico.1 2 3456
  8. 8. Quanto ao modo de utilização, as partículas podem ser aplicadas a seco ou em suspensão numlíquido, em geral água ou um derivado leve de petróleo.As principais características das partículas secas são:• são utilizadas como fornecidas, aplicadas diretamente na superfície a ser examinada;• em geral não são reutilizadas;• podem ser utilizadas sob condições ambientais adversas;• as partículas coloridas apresentam coloração cinza clara, preta, vermelha e amarela;• a cor é escolhida de forma a apresentar o maior contraste possível contra a superfície dapeça examinada e• o exame é realizado sob luz branca natural ou artificial.As partículas magnéticas fluorescentes secas estão também disponíveis, mas não são muitoutilizadas devido ao seu alto custo e limitações de uso.O uso das partículas magnéticas fluorescentes requer a utilização de luz negra e a disponibilidadede uma área de trabalho escura, requisitos geralmente não disponíveis para trabalhos em campo,onde o método a seco é o mais adequado.As partículas secas são aplicadas, em geral, por aspersores de borracha, como os mostrados nafigura 11.Figura 11 – Aspersores de borracha para aplicação de partículas magnéticas secas,As principais características das partículas úmidas são:• são fabricadas para serem utilizadas em suspensão, em um meio como água ou umdestilado leve de petróleo, a uma dada concentração;• são aplicadas na superfície de teste por meio de jatos, vazamento ou spray;• são disponíveis coloridas ou fluorescentes;• em geral são fornecidas como concentrados secos ou em pasta para serem preparadospelo usuário;• em alguns casos são fornecidas já misturadas com o meio de suspensão;• as suspensões são normalmente utilizadas em equipamentos estacionários e a suspensão émantida num reservatório e recirculada para uso contínuo e• podem também ser utilizadas de forma não reaproveitável, com as aplicações por aerosol.
  9. 9. A concentração de partículas em suspensão líquida deve ser bem controlada e tuboscentrifugadores como o mostrado na figura 12 são necessários para se determinar a concentraçãode uma suspensão após sua preparação ou durante a sua utilização quando contínua, emequipamentos estacionários.Figura 12 – Tubo centrifugador.Quanto à forma, as partículas podem ser esféricas ou alongadas. Partículas esféricas apresentammaior facilidade para formar aglomerados, mas são mais difíceis de magnetizar.5. Técnicas de InspeçãoDiversas técnicas podem ser usadas na inspeção com partículas magnéticas, dependendo dosmateriais e equipamentos disponíveis e da sensibilidade desejada. Com relação às partículas,pode-se usar a técnica a seco ou úmida e a visível ou fluorescente. Quanto à magnetização, estapode ser total ou parcial em relação ao objeto inspecionado, pode ser longitudinal ou transversal(ou circular) em relação ao eixo principal da peça, e ainda pode-se usar a magnetização contínuaou residual. Quanto ao tipo de corrente elétrica usado para induzir os campos magnéticos, estapode ser alternada ou contínua, retificada em meia onda ou onda completa,O ensaio com partículas secas é geralmente superior ao ensaio por via úmida para a detecção dedescontinuidades próximas à superfície, no exame de objetos grandes, com o uso deequipamentos portáteis para magnetização local e também quando a magnetização é realizadautilizando-se uma fonte de corrente retificada de meia onda, situação em que a mobilidade daspartículas é maior para descontinuidades relativamente profundas.Esta técnica entretanto não pode ser utilizada em áreas confinadas sem a utilização de protetorespara respiração, a probabilidade de detecção de descontinuidades superficiais finas é bem menordo que a obtida pela técnica por via úmida e as taxas de produção são menores dos que as obtidasutilizando-se a técnica via úmida. A técnica do pó seco ainda apresenta dificuldades paraadaptação em sistemas de movimentação para a realização dos exames e é difícil de ser utilizadaem posições de magnetização sobre-cabeça.
  10. 10. A inspeção com partículas fluorescentes requer uma câmara escura e o uso de luz ultravioletacom intensidade mínima de 1000 µW/cm2na superfície examinada e o tempo de espera noambiente escurecido deve ser de pelo menos 5 minutos antes de se iniciar o exame.A magnetização total ou parcial vai depender do tamanho das peças ou da área a ser examinada edos equipamentos disponíveis. A figura 13 mostra estas técnicas, usando um equipamentoestacionário e barras de contato, respectivamente. Em ambos os casos a magnetização é obtidapela passagem de corrente elétrica pelas peças em exame.(a) (b)Figura 13 – Magnetização total (a) usando uma bobina e local (b) usando barras de contatopara inspeção com partículas magnéticas.A magnetização longitudinal é indicada para detecção de descontinuidades perpendiculares aoeixo principal da peça e em geral pode ser feita com o uso de bobinas ou de um “yoke”, comomostra a figura 14.Figura 14 – Magnetização longitudinal.
  11. 11. A quantidade de corrente necessária para produzir magnetização longitudinal suficiente (daordem de 11.000 G ) para o ensaio pode ser estimada a partir do comprimento (L) e do diâmetro(D) médio da peça a ensaiar. Se a relação L/D for igual ou maior do que 4, o número deAmperes-espiras é dado por 35.000/(L/D+2). Se a relação L/D for menor do que 4 e maior doque este número é dado por 45.000/L/D.Quando se usa “yoke”, a magnetização deve ser tal que se consiga levantar a barra de testemostrada na figura 9 (1) com as pernas do “yoke” nas mesmas condições em que será usadodurante o ensaio.A magnetização transversal ou circular é indicada para detecção de descontinuidades paralelasao eixo principal da peça e em geral pode ser feita com o uso de barras de contato ou de umcondutor central, como mostra a figura 15.Figura 15 – Magnetização transversal.Quando a magnetização é feita com barras de contato, a corrente necessária para produzirmagnetização adequada dependerá da distância entre as barras de contato e da espessura da peça.Recomenda-se uma corrente entre 90 e 110 A para cada 2,5 cm de separação entre as barras, se aespessura for de até 2 cm. Para espessuras superiores a corrente deverá ser entre 100e 125 A paracada 2,5 cm de separação entre as barras de contato. Distâncias inferiores a 8 cm em geral nãosão usadas devido à tendência das partículas se aglomerarem na região de união das barras decontato com a peça, dificultando a interpretação.Se a magnetização for obtida por condução entre as extremidades da peça, a corrente necessáriaé da ordem de 1.000A para cada 2,5 cm de diâmetro da peça. No caso de uso de condutor centralsão usadas correntes de 100 a 1.000 A por polegada (2,5cm) de diâmetro do furo por ondepassará o condutor. É bom lembrar que a intensidade do campo cai com o quadrado da distânciaao centro do condutor.Na técnica da magnetização contínua as partículas são aplicadas simultaneamente com a induçãodo campo magnético. Entretanto, em algumas situações isso não é conveniente, por exemplo, porrazões de segurança, e nestes casos pode-se usar a técnica residual, na qual apenas o camporesidual é usado para gerar campos de fuga e indicar a existência de descontinuidades. De modoCorrente
  12. 12. geral usa-se a técnica de magnetização contínua, que permite maior sensibilidade, commagnetização do material em teste na região de saturação magnética.Corrente alternada produz campo magnético alternado, com inversão de polaridade na mesmafreqüência da corrente elétrica, o que dá maior mobilidade às partículas e maior sensibilidade aoensaio. Contudo, campos alternados se propagam apenas pela superfície da peça e portanto essatécnica não permite a detecção de descontinuidades sub-superficiais. Corrente contínua retificadaem meia onda permite ainda uma certa mobilidade das partículas, menor que em correntealternada. Corrente contínua com retificação em onda completa resulta na maior penetraçãopossível e menor mobilidade, sendo geralmente usada com partículas em suspensão líquida, oque compensa pelo menos parcialmente a menor mobilidade. A figura 16 mostra a forma deonda destes três tipos de corrente.(a) (b) (c)Figura 16 – Tipos de corrente (a) alternada, (b) retificada em meia onda e(c) retificada em onda completaAs etapas de realização do ensaio são mostradas na figura 17 e são:(1) (2) (3) (4)Figura 17 – Etapas de realização do ensaio com partículas magnéticas.1. preparação inicial da peça: consiste na limpeza da superfície de forma a permitir a interaçãodas partículas com os campos de fuga de forma a permitir um bom contraste entre partículase superfície. Esta etapa é mais simples que a etapa similar no ensaio com líquidospenetrantes. Podem ser usados meios químicos ou mecânicos, como lavagem, desengraxe,escovação etc, dependendo do estado da peça como recebida;2. indução do campo magnético, usando as técnicas e equipamentos descritos anteriormente,com intensidade adequada;3. aplicação das partículas magnéticas, secas ou em suspensão em líquido, de maneira uniformeao longo da superfície e na quantidade correta. Pequena quantidade pode ser insuficiente paragerar as indicações e quantidade excessiva pode diminuir o contraste e a sensibilidade doensaio;4. exame da superfície para identificação das possíveis indicações e interpretação em termos dapossibilidade de uso da peça.
  13. 13. 5. IndicaçõesComo no ensaio por líquidos penetrantes, as indicações produzidas no ensaio com partículasmagnéticas podem ser relevantes, irrelevantes ou falsas.Indicações falsas são aquelas que aparecem mas não são causadas por descontinuidades e simpor falhas de operação, como preparação inadequada da peça, ou uso errado do equipamento emateriais.As indicações irrelevantes são aquelas associadas com a geração de campos de fuga em regiõesonde existem variações conhecidas e esperadas, em função da geometria das peças ou doprocessamento sofrido, tais com cantos em rasgos de chaveta ou limite entre uma regiãocementada e outra não cementada, por exemplo.Indicações relevantes são indicações que realmente indicam a presença de descontinuidade eprecisam ser interpretadas e avaliadas em termos da possibilidade ou não de uso da peçaexaminada e da necessidade de reparos, se for o caso. A figuras 17 e 18 mostram indicaçõestípicas obtidas no ensaio com partículas magnéticas.(a) (b)(c) (d)Figura 17 – Indicações do ensaio com partículas magnéticas fluorescentes (a) e (b) trincasde forjamento e (c) e (d) trincas devidas ao tratamento térmico. (CONFERIR)
  14. 14. (a) (b)Figura 18 – Indicações do ensaio com partículas magnéticas coloridas (a) trincas emordeduras em cordão de solda e (b) trinca em peça forjada. (CONFERIR)6. DesmagnetizaçãoEm muitas situações é necessária a desmagnetização da peça após a inspeção com partículasmagnéticas, pois o magnetismo residual pode ser prejudicial ao funcionamento ou ao usoposterior do material ensaiado. Por exemplo, se a peça vai ser usinada após o ensaio, cavacos deusinagem podem ficar grudados na peça, prejudicando ou até mesmo impedindo a operação.A desmagnetização, em geral, é feita usando-se um campo magnético alternado decrescente como uso de bobinas de desmagnetização. O campo decrescente pode ser obtido usando-se umacorrente elétrica decrescente ou aumentando-se a distância entre a peça e a bobina, através damovimentação de um ou outro.7. AplicaçõesO ensaio com partículas magnéticas, como já dito, só é aplicável a materiais ferromagnéticos. Noque se refere aos processos de fabricação, o ensaio pode ser aplicado a peças usinadas, fundidas,forjadas, soldadas e outras, tratadas ou não termicamente, intercalado ou após o processamento.Quanto às descontinuidades, o método é sensível a descontinuidades superficiais e sub-superficiais, não necessariamente abertas à superfície. A natureza destas descontinuidades deveser tal que produza variações locais das propriedades magnéticas do material ensaiado, capazesde gerar campos de fuga, tais como, presença de vazios ou materiais estranhos (trincas,porosidades, falta de fusão ou penetração, rechupes, inclusões metálicas e não metálicas), regiõescom diferentes fases, causadas por tratamentos termo-químico-mecânicos (têmpera, cementaçãoetc.) ou ainda por variações bruscas de composição química, como na soldagem de materiaisdissimilares ou brasagem, por exemplo.Quanto ao tipo de indústria, este ensaio tem sido usado na fabricação e manutenção metal-mecânica em geral, como caldeirarias, tubulações, industriais naval, ferroviária, automobilística,de máquinas e equipamentos agrícolas, estruturas etc.

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