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O público da internet costuma prestar atenção nos banners? Resultados de um procedimento investigativo

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Artigo publicado no ANPED 2005 – 3º Congresso Internacional de Pesquisa em Design. Mais informações em http://www.eduardobrandao.com/publicacoes/artigos-em-congressos/o-publico-da-internet-costuma-prestar-atencao-nos-banners-resultados-de-um-procedimento-investigativo/

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O público da internet costuma prestar atenção nos banners? Resultados de um procedimento investigativo

  1. 1. Artigo publicado no ANPED 2005 - 3º Congresso Internacional de Pesquisa em Design O público da internet costuma prestar atenção nos banners? Resultados de um procedimento investigativo Does the internet user pay attention to the banners? Results provided by an investigation procedure BRANDÃO, Eduardo Rangel Mestrando em Design: Ergonomia, Usabilidade e Interação Humano-Computador PUC-Rio - Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro LEUI - Laboratório de Ergonomia e Usabilidade de Interfaces em Sistemas Humano-Tecnologia MORAES, Anamaria de Doutora em Comunicação PUC-Rio - Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro LEUI - Laboratório de Ergonomia e Usabilidade de Interfaces em Sistemas Humano-TecnologiaPalavras-chave: ergonomia, interação humano-computador (IHC), usabilidade.Através deste trabalho pretende-se comentar a falta de interação entre os usuários da internet e os banners. Destaca-se apredição que os internautas não prestam atenção nas mensagens dos anúncios on-line, pois estas peças não fazem partedas suas estratégias de navegação. Para verificar este fato, utilizou-se um questionário via internet com um grupo de 19pessoas, comparando as respostas obtidas com os dados de uma pesquisa exploratória sobre os usuários da rede versusbanners. Tal comparação confirmou a predição apresentada. No entanto, alguns problemas relacionados à metodologiautilizada devem ser observados e corrigidos, com a intenção de eliminar qualquer possibilidade de viés em futurosestudos sobre a relação dos usuários da internet versus banners.Key-words: ergonomics, human-computer interaction (HCI), usability.The aim of this paper is the study of lack of interaction between the internet users and the banners. We predict thatinternet users don`t give attention to the banners messages. To verify this fact, a questionnaire with a group of 19people was used, and the answers had been compared with the data of an experimental research, about the relationshipbetween the internet users and the banners. Such data had confirmed the presented prediction. However, we mustobserve and correct some problems related to this research methodology, to eliminate any possibility of bias in futurestudies about this issue (internet users versus banners).1- IntroduçãoRESENDE (2002) afirma que ao falarmos das diversas possibilidades de comunicação através da internet,como as comunidades virtuais, e-mails, programas de mensagens instantâneas, entre outros, podemosclassificar como transmissão de informação apenas o inesperado, filtrando todos os elementos redundantes.Encontra-se um bom exemplo disso nas salas de bate-papo, onde palavras como você, mesmo, tudo, tecla,também, entre outras, são substituídas por termos como vc, msm, td, tc e tb, agilizando o processo de troca demensagens. Além da utilização destes termos, também é possível citar o emprego de uma simbologiaespecial para representar os sentimentos de alegria, tristeza ou raiva, por exemplo, aplicada, respectivamente,da seguinte maneira: :-), :~( ou >:-(. Através destes recursos, as palavras são comprimidas, criando um novocódigo que otimiza a comunicação, uma vez que apenas informação é transmitida. Mas é importante ressaltarque tal modelo só pode ser posto em prática se o receptor souber decodificar todos estes termos.Pensando neste processo de troca de informações através da rede mundial de computadores, tendo comometa uma comunicação ágil, fácil, rápida e sem interferências, este artigo buscou investigar o caso dosbanners1 veiculados nas home-pages2. Muitos discutem sobre qual a melhor maneira de se transmitir umaoferta através das páginas dos sites3. A resposta para esta questão ainda permanece em aberto. Não basta aoreceptor dos anúncios a tarefa de apenas decodificar as mensagens dos banners, mas estas peças publicitáriastambém precisam lutar com todo o restante do conteúdo das home-pages para atrair a atenção do usuário.
  2. 2. Artigo publicado no ANPED 2005 - 3º Congresso Internacional de Pesquisa em DesignSites confusos, poluídos e com excesso de informação acabam dificultando a visualização da propagandaveiculada na internet.É possível que a origem do problema tenha relação direta com a falta de interesse do público que estánavegando pela rede. De acordo com NIELSEN apud ARAÚJO (1999), se um usuário não pretende clicarem uma determinada propaganda, não existe como fazê-lo mudar de idéia. O foco principal da pessoa énavegar de acordo com um interesse, e clicar num anúncio não faz parte dos seus objetivos, pois este bannerirá levá-lo para outro lugar não pretendido. NIELSEN apud ARAÚJO (1999) afirma ainda que o único meiode se fazer uma propaganda realmente funcionar na internet é inseri-la em uma ferramenta de busca. Nestecaso, existe uma chance maior de se veicular uma peça publicitária que esteja de acordo com os interesses dousuário.2- O procedimento investigativo utilizadoPara verificar a predição que o público da internet não costuma prestar atenção nas mensagens dos bannersinseridos nas home-pages, a realização de uma pesquisa, dividida em duas etapas, foi adotada comoprocedimento investigativo. Durante a primeira etapa, utilizou-se um questionário, enviado para a conta de e-mail de um grupo específico de participantes. Na segunda etapa do procedimento investigativo, comparou-seas respostas destes questionários com as informações obtidas em uma pesquisa exploratória, realizadaanteriormente, sobre os anúncios (banners) veiculados nas páginas da internet.3- O formato do questionárioPara GÜNTHER (2003), o questionário, pode ser definido como um conjunto de perguntas sobre umdeterminado tópico que não testa a habilidade do respondente, mas mede a sua opinião, seus interesses,aspectos de personalidade e informação biográfica. Este questionário pode ser administrado em interaçãopessoal (em forma de entrevista individual ou por telefone) ou pode ser auto-aplicável (após o envio porcorreio ou e-mail), sendo aplicado às mais diversas áreas das ciências sociais. GÜNTHER (2003) afirmaainda que, do ponto de vista da padronização das perguntas e transcrição das respostas, instrumentosdistribuídos por meio de e-mail têm grande potencial: são mais rápidos do que questionários por telefone emais baratos, porque eliminam custos de entrevistador, papel, impressão ou selo (questionários pelo correio).Por esta razão, decidiu-se enviar um questionário para a conta de e-mail de cada participante desta pesquisa.De acordo com OPPENHEIM (1992), a maioria dos questionários é composta de respostas “abertas” ou“fechadas”. Uma resposta fechada é aquela onde é oferecida para o respondente uma opção entre váriasalternativas de resposta. Já as respostas abertas, ou livres, não são seguidas por qualquer tipo de escolha, e aresposta tem que ser gravada na íntegra. OPPENHEIM (1992) classifica ainda que a maior vantagem dequestionários abertos é a liberdade que o mesmo fornece para os seus respondentes. Uma vez que taispessoas tenham entendido a intenção do questionário, eles podem deixar seus pensamentos vagaremlivremente, sem a necessidade de serem guiados por um arranjo de respostas previamente preparadas. Destaforma é possível obter suas idéias através de sua própria linguagem, expressada espontaneamente, e estaespontaneidade geralmente é de extremo valor como base para novas hipóteses. Levando em conta estasafirmações, optou-se por trabalhar com um questionário de perguntas abertas.Um grupo de 20 pessoas foi selecionado, cujo perfil era formado especificamente por homens e mulheres,com idade entre 25 e 35 anos, classe social A e B, nível de escolaridade superior completo e experiência denavegar pela internet. Estes participantes foram classificados em 4 grupos distintos: • Usuários com pouca prática de utilização da internet; • Usuários com muita prática de utilização da internet; • Usuários que abominam a presença dos banners nas páginas da web4; • Profissionais da área de internet, responsáveis pela criação, implementação e manutenção de sites.Dividiu-se os sujeitos em 2 sub-grupos, sendo o primeiro correspondente aos homens e o segundo àsmulheres. As seguintes perguntas foram enviadas para cada um:
  3. 3. Artigo publicado no ANPED 2005 - 3º Congresso Internacional de Pesquisa em Design • Pergunta 1: “O que você acha dos banners veiculados na internet? Atrapalham a sua concentração, desviando a atenção em relação ao seu objetivo principal; Não ajudam e não atrapalham, são apenas indiferentes ao restante do site; Ou ajudam no processo de fixação de uma marca?” • Pergunta 2: “Você costuma prestar atenção nas mensagens dos banners?” • Pergunta 3: “Você sabe que existem diversos formatos de banner nas páginas de um site? Saberia identificar estes formatos, ou você nunca prestou atenção nesta situação?”Das 20 pessoas selecionadas, apenas 19 responderam as perguntas, sendo 10 homens e 9 mulheres. Muitasdas opiniões emitidas apresentavam argumentos similares, enfatizando o fato que o banner, de uma maneirageral, é encarado de forma parecida por diferentes sujeitos. Para uma melhor análise da situação, a seguirserão apresentadas algumas das respostas mais relevantes.4- As opiniões dos usuários sobre o banner4.1- A opinião dos homens4.1.1- Sujeito A - pouca prática de utilização da internetResposta para a pergunta 1: “sou indiferente. Não acho que atrapalhe a concentração”.Resposta para a pergunta 2: “quase nunca. Só me chamam a atenção os com mulheres nuas ou semi-nuas”.Resposta para a pergunta 3: “sim, sei que existem diversos formatos, sei que são identificados pelasdimensões (x versus y), mas não sei quais são. Sei que existem uns retangulares e uns quadradinhospequenos”.4.1.2- Sujeito B - muita prática de utilização da internetResposta para a pergunta 1: “acho que os banners ajudam na construção da marca. Até um certo limite éinteressante ter anúncios na página, principalmente no caso de uma oferta ou promoção imperdível. Masexistem os novos modelos de banner que se localizam sobre o conteúdo, impedindo a visualização dapágina”.Resposta para a pergunta 2: “quase não presto atenção nos banners. Da mesma forma que os panfletos domundo real, no mundo virtual poucas são as vezes que se lê realmente o conteúdo de um banner”.Resposta para a pergunta 3: “sei que existem vários formatos: ful-banner5, half-banner6, grandes, médios,pequenos, animados, estáticos e pop-up7, malditas pop-ups”.4.1.3- Sujeito C - usuário que abomina a presença dos banners nas páginas da webResposta para a pergunta 1: “eu particularmente não gosto dos banners, acho que são inconvenientes.Quantoà fixação das marcas, acho que os banners passam uma imagem negativa, pois pensamos no produto comoaquele que manda propagandas na hora em que temos outras coisas para fazer”.Resposta para a pergunta 2: “não. Raramente presto atenção nos anúncios”.Resposta para a pergunta 3: “sim, aqueles com uma pequena janela própria, outros que aparecem como umabarra vertical lateral, ou uma faixa horizontal na parte superior ou inferior da página”.4.1.4. Sujeito D - profissional da área de internetResposta para a pergunta 1: “depende de onde e como o banner esteja veiculado na página. Aliás, tambémdepende do quanto essa peça está bem dirigida ao meu perfil de consumo e de navegação. Se o produto ouassunto for interessante para mim, e se a publicidade não atrapalhar a minha leitura, a mensagem vai serbem-vinda! Tenho sérios questionamentos sobre o próprio modelo de publicidade amplamente praticado nainternet. O que a gente mais vê é uma abordagem de massa, em um veículo que justamente se destaca pelaspossibilidades de segmentação e personalização”.Resposta para a pergunta 2: “sim, mas presto atenção sempre pelo meu interesse profissional, já que trabalhocom conteúdo on-line. Como usuário comum, provavelmente eu limparia mentalmente esses amontoados debanners, botões, pop-ups, etc., e continuaria navegando”.Resposta para a pergunta 3: “sim, conheço detalhadamente os formatos porque trabalho com internet”.
  4. 4. Artigo publicado no ANPED 2005 - 3º Congresso Internacional de Pesquisa em Design4.2- A opinião das mulheres4.2.1- Sujeito A - pouca prática de utilização da internetResposta para a pergunta 1: “aparentemente são indiferentes, a não ser quando abre uma nova tela. Aí simatrapalha e muito. Mas os banners, pensando bem, acho que ajudam no processo de fixação de marca”.Resposta para a pergunta 2: “muito raro, em 95% das vezes eu não presto atenção”.Resposta para a pergunta 3: “nunca prestei atenção nos formatos”.4.2.2- Sujeito B - muita prática de utilização da internetResposta para a pergunta 1: “de forma geral, os banners passam indiferentes à minha navegação. Nãochateiam nem chamam minha atenção. Minha relação com eles depende um pouco do que estou fazendo nainternet. Quando estou num site que entro com freqüência e sei o que quero, ignoro complemente. Sei o lugardas coisas e vou direto lá. Quando estou navegando sem rumo ou visito um site pela primeira vez, dou umaolhada geral e acabo notando o banner. Acho que os banners funcionam mais quando oferecem um serviçoou produto que esteja disponível pela internet. Não vejo como forma de fixar marca”.Resposta para a pergunta 2: “vou citar um exemplo de banner que atraiu a minha atenção. O jornal O Globofez uma promoção de assinatura. Usou o cookie8 do cadastro e colocou Ana Carolina, assine o Globo. Nahora achei uma audácia usarem meu nome. Mas acabei assinando. Claro que já pretendia assinar e aquilo foisó um empurrão. Mas conheço pelo menos mais uma pessoa que assinou surpreendida com nome dela nosite”.Resposta para a pergunta 3: “sei. É para citar? Vão alguns: tradicional, half, button9, quadrado, quadrado nomeio do texto, aqueles que passam pela tela, enfim. Acho o seguinte: anúncio é anúncio e deve ficar muitoclaro que aquilo é uma propaganda. Por isso, tendo a preferir o tradicional, que todo mundo já conhece”.4.2.3- Sujeito C - usuário que abomina a presença dos banners nas páginas da webResposta para a pergunta 1: “atrapalha a concentração, desviando a minha atenção em relação ao meuobjetivo principal”.Resposta para a pergunta 2: “nunca, acho um saco”.Resposta para a pergunta 3: “já reparei em uns dois tipos: pop-ups (são os piores, detesto) e uma faixa nocabeçalho do site ou rodapé. Esses me irritam menos”.4.2.4- Sujeito D - profissional da área de internetResposta para a pergunta 1: “eu acho que o banner é menos eficiente do que as propagandas nas demaismídias. Como a internet é um veículo em que o usuário interage e a maioria das vezes ele está objetivandobuscar algum conteúdo específico que não só lazer (caso de mídias como a televisão e o rádio) a propagandaacaba ficando em segundo plano e as vezes nem é percebida. Não acho que atrapalha a concentração. Nocaso dos banners clássicos, eles não prejudicam o conteúdo. Os formatos alternativos são meio duvidosos,podem sim prejudicar a concentração. Em termos de brand acho relevante a mídia on-line mesmo com baixaapreensão”.Resposta para a pergunta 2: “depende do momento, mas de uma maneira geral não me atraem muito. Possodizer que de 20 banners que vejo, enxergo 5 e clico em 1”.Resposta para a pergunta 3: “sim, saberia sim! Full-banner, half-banner, button, skyscrapper10, pop-up,produzidos e animados em várias tecnologias”.5- Pesquisa anterior sobre a interação dos usuários da internet com o banner: uma comparação deresultados com os questionáriosApós a análise dos questionários, o procedimento investigativo partiu para a sua segunda fase, cujo objetivoera comparar as respostas dos participantes da primeira etapa deste estudo com os dados obtidos em umapesquisa exploratória, realizada anteriormente, sobre a relação do usuário com o banner aplicado no sentidohorizontal ou vertical da tela. Nesta pesquisa exploratória, buscou-se verificar quais formatos de propagandaon-line seriam capazes de garantir um maior grau de identificação e memorização das mensagens dos
  5. 5. Artigo publicado no ANPED 2005 - 3º Congresso Internacional de Pesquisa em Designanúncios, através de uma comparação entre o full banner (formato horizontal) e o skyscraper (formatovertical).Figura 1: a interface 1 representa o full-banner (retângulo amarelo, horizontal) inserido na tela. Sua largura correspondea 468 pixels e sua altura a 60 pixels. A interface 2 representa o skyscraper (retângulo amarelo, vertical) inserido na tela.Sua largura corresponde a 120 pixels e sua altura a 600 pixels.Durante esta pesquisa exploratória, foi selecionado um pequeno grupo de 3 participantes do sexo masculino.Cada pessoa desenvolveu 2 tarefas, uma na interface 1 e outra na interface 2. Um anúncio diferente eravisualizado de cada vez, onde a primeira tarefa era realizada com o full banner e a segunda tarefa com oskyscraper. Para não despertar rapidamente a atenção dos usuários sobre as propagandas utilizadas nasinterfaces, as tarefas não mencionavam, em nenhum momento, a existência de banners em cada home-page.Solicitava-se apenas que cada usuário, ao navegar pela página, encontrasse o grid de largada da corrida deFormula 1 (tarefa 1), ou as estréias cinematográficas da semana (tarefa 2).Todas as características da interface 1 e da interface 2 foram controladas durante a pesquisa exploratória,variando apenas o formato do anúncio aplicado no sentido horizontal ou vertical da página. Sendo assim, nãohouve variação nas cores, conteúdo e diagramação do texto, mensagem do banner, ilustrações e fotos dahome-page, assim como qualquer outro elemento presente na tela.Ao final das tarefas, cada participante foi perguntado sobre o fato de visualizar, ou não, os banners inseridosnas interfaces. A análise dos resultados mostrou que os anúncios não foram observados por nenhum dosparticipantes. Cada usuário tinha apenas uma vaga lembrança sobre uma faixa horizontal ou verticalveiculada em cada interface, que esta faixa exibia algum tipo de animação, mas os sujeitos não foramcapazes de recordar o conteúdo da mensagem exibida pela propaganda. A taxa de cliques foi de 0%, tantopara o full banner quanto para o skyscraper, confirmando a predição que os usuários não prestam atençãonas mensagens dos banners.6- ConclusõesNIELSEN (1997) afirma que a rede mundial de computadores é uma mídia dominada pelo seu espectador,ou seja, o seu público tem controle da situação e possui o comando do botão “voltar” (back) do seubrowser11. Esta situação difere de outras mídias, como a televisão, por exemplo, que é um veículo voltadopara o lado emocional do indivíduo e não requer um envolvimento ativo. BRIGGS e HOLLIS apudALMEIDA JUNIOR e NOJIMA (2002) acreditam que este envolvimento ativo do usuário, estimulado pela
  6. 6. Artigo publicado no ANPED 2005 - 3º Congresso Internacional de Pesquisa em Designnatureza da web, provoque uma lembrança inicial mais intensa da propaganda on-line (banner) do quepoderia se esperar de outra maneira.De qualquer forma, os dados obtidos com os questionários mostraram que a maioria dos participantes (19pessoas) da primeira etapa deste procedimento investigativo não costuma prestar atenção nas mensagens dosbanners veiculados nas home-pages. A comparação dos resultados destes questionários com os dadosobtidos na pesquisa exploratória (3 participantes) parece confirmar o fato destas pessoas serem indiferentes àpresença das peças publicitárias nas páginas da web, pois tais indivíduos estão navegando de acordo comuma tarefa específica, e os anúncios não fazem parte do seu objetivo principal (completar esta tarefa).Apesar dos resultados dos testes confirmarem a predição apresentada neste artigo, ou seja, o público dainternet não costuma prestar atenção nas mensagens dos banners inseridos nas home-pages, a questão dafalta de interação entre os usuários da internet e a propaganda on-line ainda não pode ser considerada comoencerrada. Alguns problemas relacionados à metodologia utilizada nas duas etapas desta pesquisa devem serobservados e corrigidos, com a intenção de eliminar qualquer possibilidade de viés em futuros estudos sobrea relação dos usuários da internet versus anúncios (banners).Um primeiro ponto a ser discutido refere-se ao questionário utilizado. Para GÜNTHER (2003), em setratando de um questionário, é muito séria a problemática de amostragem inerente ao uso do e-mail einternet, pois a população alvo atingível é mais restrita. JORDAN (1998) afirma ainda que, possivelmente, agrande desvantagem da utilização de questionários preenchidos longe da presença do pesquisador é o fatoque apenas uma pequena parcela será completada e devolvida. O problema em si não diz respeito ao pequenonúmero de questionários, mas na probabilidade da pessoa, que reservou seu tempo e esforço para completareste questionário, não pertencer à amostra representativa que o investigador está interessado. Os quecompletaram o questionário podem ser exatamente aqueles com opiniões extremamente opostas sobre osassuntos que estão sendo perguntados. Além disso, de acordo com OPPENHEIM (1992), as maioresdesvantagens do questionário via e-mail são: • Geralmente possui baixa taxa de resposta e viés conseqüente; • Falta de oportunidade para corrigir falhas de interpretação, ou oferecer explicações adicionais e ajuda; • Falta de controle sobre a ordem que as perguntas são preenchidas, sem possibilidade de checar questionários incompletos ou respondidos por outras pessoas não pertencentes à amostra estudada; • Falta de oportunidade para a coleta de avaliações baseadas em observações.Em relação a pesquisa exploratória, é válido ressaltar que não é possível obter resultados satisfatórios comapenas 3 participantes. Dados confiáveis só poderão ser obtidos através da realização de novas pesquisas,com um número maior de pessoas. De acordo com RUBIN (1994), o número de participantes que opesquisador escolhe para testar problemas de usabilidade depende de vários fatores, incluindo: • O grau de confiança nos resultados que o investigador precisa; • O número de recursos disponíveis para instituir e conduzir o teste; • A disponibilidade do tipo de participante que o pesquisador quer utilizar; • A duração de cada sessão do teste de usabilidade; • O tempo necessário para preparar o teste de usabilidade.RUBIN (1994) também afirma que, caso o objetivo do estudo seja apenas expor a maior quantidade possívelde problemas de usabilidade no menor espaço de tempo, então deve-se utilizar pelo menos 4 ou 5participantes. Isto permite que a maioria dos problemas de usabilidade seja detectada. No entanto, o autorafirma que, caso seja possível, o ideal seria conduzir testes com pelo menos 8 indivíduos, pois com umnúmero menor de sujeitos o investigador corre o risco de ignorar algum problema que teria sériasramificações. RUBIN (1994) também sugere que o pesquisador deve conduzir mais de um teste durante oprocedimento investigativo, pois múltiplos testes serão capazes de fornecer maior confiança para o estudo,mesmo testando poucos participantes. Realizar 3 testes, cada um com 5 sujeitos, por exemplo, fará com que apesquisa utilize um total de 15 participantes. Segundo CHAPANIS (1962), infelizmente é muito difícilprever quantos sujeitos um pesquisador deve utilizar em um experimento. A maioria dos investigadoresexperimentais adquiriu algumas noções intuitivas sobre o número de pessoas que devem ser utilizadas em
  7. 7. Artigo publicado no ANPED 2005 - 3º Congresso Internacional de Pesquisa em Designdiferentes tipos de experimentos, mas isto não impede que eles cometam erros. Como uma regra geral,pesquisas experimentais psicofísicas sobre funções sensórias simples, como a detecção de sinais de radar empainéis, por exemplo, necessitam de menos sujeitos que outros tipos de estudos. Pesquisas sobre oaprendizado, performance motora, etc., podem apresentar resultados errados caso não utilizem o númeromínimo de 20 ou 30 participantes. Em qualquer evento, será raro o experimento em ergonomia que poderáfornecer resultados confiáveis e definitivos com apenas 2 ou 3 pessoas.Devido aos motivos apresentados acima, deve-se afirmar que novos estudos sobre a relação dos usuários dainternet versus banners ainda são necessários. Até o momento, as informações obtidas ainda não são capazesde oferecer respostas precisas, pois resultados concretos e definitivos só poderão ser obtidos através dopreenchimento de questionários na presença do pesquisador (corrigindo falhas de interpretação, controlandoa ordem que as perguntas são preenchidas, evitando respondentes que não pertencem à amostra estudada ecoletando avaliações baseadas em observações) e utilização de um número maior de sujeitos, segundo asrecomendações dos autores citados anteriormente: um mínimo de 8 participantes, ou, caso seja possível, pelomenos 30 indivíduos.1 Banner: de acordo com MILLWARD BROWN INTERACTIVE apud RAE e BRENNAN (1998), o banner é oformato de propaganda mais comum na web, representando, de forma estimada, 80% de todos as ações publicitáriasveiculadas na rede mundial de computadores. A grande diferença entre o banner e o outdoor, ou qualquer outro tipo depropaganda, é o fato da internet permitir que o usuário clique sobre o anúncio, obtendo maiores informações sobre oproduto ou serviço anunciado, além de utilizar diferentes formatos, animações, sons, etc., ajudando no processo devenda de produtos ou divulgação de mensagens. De acordo com SANNA apud BARBOSA (2004), o banner é umapeça de publicidade como outra qualquer, ou seja, suas funções e objetivos são os mesmos de um anúncio em mídiaimpressa ou comercial de TV. Porém, um banner geralmente tem a função tática de permitir uma ligação entre oconsumidor e o site do anunciante, bastando um clique para isso. Também é válido ressaltar o significado de bannerpara STRAUSS e FROST (2001): são peças publicitárias de formato retangular ou quadrado, e ocupam um espaçoespecífico nas páginas dos sites. São similares aos modelos de propagandas utilizados na mídia impressa, como emjornais ou revistas. No caso da veiculação destes anúncios na internet, existe uma característica peculiar: a rede possui acapacidade de transmitir áudio e vídeo em poucos centímetros de espaço.2 Home-pages: a home-page é a página de um site. As home-pages, geralmente, contêm links para locais adicionados nosite ou em sites externos.3 Sites: um endereço dentro da internet que permite acessar os arquivos e documentos mantidos no computador de umadeterminada pessoa, empresa ou instituição. Existem sites com apenas um documento, porém, o mais comum é quepossua dezenas ou centenas de arquivos.4 Web: também conhecida como WWW ou World Wide Web (ampla teia mundial). Contém páginas interligadas,conhecidas como documentos de hipertexto (páginas da web).5 Full-banner: foi o primeiro formato de propaganda on-line utilizado na rede mundial de computadores, sendoconsiderado hoje em dia como o tipo de anúncio mais tradicional da internet. Consiste basicamente em um espaçoretangular (468 x 60 pixels), localizado em um ponto específico da tela do browser, e possui conteúdo estático ouanimado.6 Half-banner: possui as mesmas características do full-banner, sendo que a sua largura corresponde à metade dotamanho deste full-banner.7 Pop-up: "instantâneo". Uma pequena janela que surge repentinamente na tela do monitor para exibir determinadoaspecto em particular que se quer destacar, como uma propaganda ou um link.8 Cookie: pequeno arquivo armazenado nos browsers para facilitar o reconhecimento destes. Este recurso possibilita aidentificação de usuários e o direcionamento de documentos, de acordo com parâmetros pré-estabelecidos.9 Button: o button ou banner botão é um espaço de anúncio retangular que pode conter informações estáticas oudinâmicas. Seu tamanho é padronizado (120 x 60 pixels), mas pode variar em alguns sites.
  8. 8. Artigo publicado no ANPED 2005 - 3º Congresso Internacional de Pesquisa em Design10 Skyscraper: aparece verticalmente na tela (120 x 600 pixels). Sua grande característica é o fato deste formato sercapaz de acompanhar o scroll da página. Resumindo, é um anúncio “difícil de perder”, pois permanece sempre visívelenquanto o usuário “rola” a tela para baixo para exibir o restante das informações contidas em uma determinada página.11 Browser: programa que permite navegar na internet. É conhecido por navegador e usado para visualizar osdocumentos HTML. Ele é capaz de interpretar tais documentos, exibindo-os de forma a facilitar a visualização einteração com o usuário. O Netscape Navigator e o Microsoft Internet Explorer são dois exemplos de browsers.7- Referências bibliográficasALMEIDA JUNIOR, Licinio Nascimento de, NOJIMA, Vera. A Mensagem dos Banners Pop-up:Usabilidade e Semiose. In: Congresso Internacional de Ergonomia e Usabilidade, Design de Interfaces eInteração Humano-Computador, 1., Rio de Janeiro, mai. 2002. Anais do USIHC 2002. 1º CongressoInternacional de Ergonomia e Usabilidade, Design de Interfaces e Interação Humano-Computador.Rio de Janeiro: LEUI - Laboratório de Ergonomia e Usabilidade de Interfaces em Sistemas Humano-Tecnologia, 2002.ARAÚJO, André, FABRIANI, Maria. O Guru da Web: Byte-Papo com Jakob Nielsen, especialista emdesign de sites. Internet.br, Rio de Janeiro, a. 3, n. 36, p 32-38, mai. 1999.BARBOSA, Vanessa. Banner: o outdoor da web. Webdesign. Rio de Janeiro, a. 1, n. 11, p. 47-50, nov.2004.CHAPANIS, Alphonse. Some special problems in experimenting with people. In: Research techniques inhuman engineering. 2 ed. Baltimore: The Johns Hopkins Press, 1962. p. 208-252.GÜNTHER, H. (2003). Como elaborar um questionário (Série: Planejamento de Pesquisa nas CiênciasSociais, Nº 01). Brasília, DF: UnB, Laboratório de Psicologia Ambiental.JORDAN, Patrick W. Methods for usability evaluation. In: An introduction to usability. 1 ed. London:Taylor & Francis, 1998. p. 51-80.NIELSEN, Jakob. Why Advertising Doesn`t Work on the Web. In: useit.com: Jakob Nielsen`s Web Site,1997. (http://www.useit.com/alertbox/9709a.html)OPPENHEIM, A. N. Questionnaire design, interviewing and attitude measurement. New Edition.London: Pinter Publishers, 1992. 303 p.RAE, Nathan; BRENNAN, Mike. The relative effectiveness of sound and animation in web banneradvertisments. Marketing Bulletin, 1998. Seção List of Contents, Volume 9 - 1998, Research Notes.Disponível em: <http://marketing-bulletin.massey.ac.nz/article9/article7b.asp> Acesso em: 02 out. 2004.RESENDE, Pedro Ivo Jorge Vieira de. A Arquitetura de Informação. Dissertação (Monografia de fim decurso) - Graduação em Publicidade e Propaganda, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro:UFRJ, 2002. 53 p.RUBIN, Jeffrey. Handbook of usability testing: how to plan, design, and conduct effective tests. 1 ed.New York: John Wiley & Sons, 1994. 352 p.STRAUSS, Judy, FROST, Raymond. E-Marketing Communication. In: E-marketing. 2 ed. New Jersey:Prentice-Hall, 2001. p. 212-276.Eduardo Rangel Brandão brandaoedu@gmail.comAnamaria de Moraes moraergo@rdc.puc-rio.br

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