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  • 1. FUNDAMENTOS DA MEDICINA TIBETANA Volume I 1
  • 2. FUNDAMENTOS DA MEDICINA TIBETANA de acordo com a obra rGyud-bzi Volume I Elizabeth Finckh Traduzido por: Williams Ribeiro de Farias e Dra. Yeda Ribeiro de Farias Editora Chakpori 2
  • 3. Título original: Foundations of Tibetan Medicine Vol. I © 1978, Robinson and Watkins Books Ltd. Direitos autorais adquiridos pela Editora Chakpori 3
  • 4. ÍNDICE PREFÁCIO 5 AGRADECIMENTOS DA AUTORA 7 CAPÍTULO UM - O ESTUDO DA MEDICINA TIBETANA 8 CAPÍTULO DOIS - NOTAS HISTÓRICAS 17 CAPÍTULO TRÊS - OS AUTORES 25 CAPÍTULO QUATRO - TRABALHOS MÉDICOS 32 CAPÍTULO CINCO - CONTEÚDO DO RGYUD BZI 39 CAPÍTULO SEIS - O SISTEMA DA MEDICINA TIBETANA 53 CAPÍTULO SETE - ORGANISMO SAUDÁVEL E DOENTE 71 CAPÍTULO OITO - PESQUISA NA MEDICINA TIBETANA 103 TRANSLITERAÇÃO 109 TÍTULOS DOS TRABALHOS 110 BIBLIOGRAFIA 113 NOTAS 126 4
  • 5. PREFÁCIO Durante toda sua história o Ocidente tem mostrado uma saudável curiosidade e um vivo interesse na sabedoria e na filosofia do Oriente. O Tibete foi, especialmente, objeto de intensa especulação e sua posição extremamente isolada, aliada à sua política de desencorajamento aos estrangeiros, seduziu imensamente à imaginação e ao romantismo. Mas foram também as pessoas no Ocidente, estudantes, cientistas, escritores, historiadores e médicos quem manifestaram uma qualidade admirável de seriedade em suas tentativas de compreender o mundo asiático. Estes esforços pioneiros para descobrir, interpretar e avaliar o tesouro cultural do Tibete têm crescido enormemente desde 1959, quando o país foi invadido e ocupado pela China. É no campo da medicina tibetana que os cientistas Ocidentais têm realizado, recentemente, numerosos projetos, envolvendo a tradução e a interpretação dos textos e tratados médicos. Esta iniciativa deu origem à maiores possibilidades de contato e comunicação do que o existente anteriormente no Tibete. Foi causado também por um desejo de conservar e preservar a medicina tibetana como parte de uma rica herança cultural que está sendo atualmente influenciada e destruída pela China. A Dra. Finckh é talvez a primeira médica Ocidental a traduzir e interpretar os principais textos da medicina tibetana para uma língua Ocidental. Ela tem o mérito de 5
  • 6. haver estudado na Tibetan Medical School em Dharamsala sob a experiente orientação de médicos tibetanos em 1962. Foi com o auxílio destes médicos que os principais textos foram traduzidos e explicados. A medicina tibetana hoje goza de um rápido e crescente interesse e reputação entre os médicos Ocidentais. A ciência da medicina tibetana e sua praticabilidade está agora sendo reconhecida. Congratulo a autora pelos seus esforços diligentes e louváveis para propagar a medicina tibetana e desejo-lhe todo sucesso e bem-aventurança em seu nobre empreendimento. DALAI LAMA 6 de Março de 1972 6
  • 7. AGRADECIMENTOS DA AUTORA À Sua Santidade Dalai Lama ao apoiar e promover inicialmente meus esforços para estudar a medicina tibetana. Minha primeira palavra de agradecimento deve, portanto, ser dirigida à Sua Santidade. A seguir desejo mencionar o Dr. Yeshe Donden, Diretor da Escola de Medicina em Dharamsala e médico pessoal do Dalai Lama. Sem a orientação deste experiente médico a medicina tibetana jamais se tornaria inteligível para mim. Sou imensamente agradecida ao Dr. Yeshe Donden e também ao sábio tradutor Sr. Gyatsho Tshering. Muitos estudiosos tibetanos auxiliaram-me na preparação deste material: nos Himalaias, Chogyam Trungpa, entre outros, e num estágio posterior, eruditos tibetanos que estavam conferenciando em universidades alemãs. Devo fazer uma menção especial ao Geshe Gedun Lodroe, revisor no Seminário para História e Cultura Indiana na Universidade de Hamburgo, que estava sempre pronto a auxiliar-me com quaisquer explicações que eu necessitasse. Agradeço a todos estes estudiosos; de fato, a pesquisa com a medicina tibetana é possível apenas com o auxílio dos Tibetologistas. Finalmente, gostaria de agradecer aos professores Ronald Eric Emmerick (de Hamburgo), Klaus Sagaster (de Bonn) e Claus Vogel (Bonn), por lerem meu trabalho, corrigindo-o e fazendo sugestões úteis. 7
  • 8. O ESTUDO DA MEDICINA TIBETANA Pouco da medicina tibetana é conhecido no Ocidente até hoje. Na “terra proibida”, visitada por poucos ocidentais, a medicina era ensinada em escolas de medicina especiais e praticada principalmente por monges, os quais precisavam submeter-se a um longo treinamento. Estas escolas de medicina sempre foram fechadas aos visitantes ocidentais, ainda que na virada do século um grupo de estudiosos russos tenha desenvolvido um trabalho sobre os tratados médicos tibetanos. Sem a instrução oral transmitida por médicos tibetanos competentes, esta área pouco familiar da medicina permanece até nossos dias inacessível. Era costume no Tibete que o estudante fosse iniciado oralmente pelo professor, e ainda é verdade que sem tal explicação um médico Ocidental simplesmente não consegue assimilar a matéria. O absoluto segredo que envolvia a medicina tibetana no passado tem sido relaxado atualmente por fatores políticos. Em 1959, o Dalai Lama foi forçado a deixar seu país. Cerca de oito mil tibetanos juntaram-se a ele na retirada, entre eles doze médicos com os quais podemos agora fazer contato nos países em que estão asilados. Quando o centro de operações do Dalai Lama foi transferido para o norte dos Himalaias indiano (para Dharamsala, um pequeno vilarejo no Estado de Himachal 8
  • 9. Pradesh), uma escola de medicina foi ali estabelecida; pela primeira vez foi possível encontrar médicos tibetanos, e eu aproveitei a oportunidade. Minha especialidade é clínica geral, treinada também em neurologia, psiquiatria e medicina tropical. Em 1951, por intermédio da homeopatia e naturopatia, cheguei à acupuntura. Desde então tenho utilizado apenas este método de tratamento em minha prática médica. À princípio, eu possuía algumas dúvidas se estes métodos de cura estrangeiros poderiam ser satisfatoriamente aplicados em nosso clima e em europeus, mas a experiência logo as dispersou: contanto que as indicações sejam adequadamente avaliadas, a acupuntura pode ser empregada em europeus. Meu efetivo interesse no Tibete e particularmente em sua iconografia remonta a vinte e cinco anos. Pareceu-me portanto, natural estudar a arte de curar do Tibete, a qual até o momento permanecia desconhecida. Em 1962 passei três meses nos Himalaias. No Nepal, aprendi que os melhores médicos tibetanos estavam “na corte do Dalai Lama”. Através de uma carta de recomendação, obtive uma audiência privada com Sua Santidade o Dalai Lama. Surpreendentemente, foi-me dada permissão para estudar na escola de medicina. Recebi total apoio do Dalai Lama, que indicou seu médico pessoal, Dr. Yeshe Donden, diretor da escola de medicina, para explicar-me tudo. Além do mais, hábeis intérpretes foram colocados à minha disposição. A pesquisa em si provou-se muito árdua, porque era extremamente difícil encontrar a definição dos termos. Ao mesmo tempo, tornou-se evidente que meu conhecimento da língua tibetana era infelizmente 9
  • 10. inadequado. Um relacionamento amigável foi logo estabelecido entre mim e os extremamente cordiais médicos tibetanos. Um constante intercâmbio de cartas durante os cinco anos que se seguiram serviu para ampliar e complementar o campo de trabalho. Em 1967 fiz minha segunda viagem de estudos e visitei não apenas a escola de medicina mas também os vales dos Himalaias, onde pude observar o trabalho itinerante dos médicos tibetanos e coletar importante material para pesquisa. Durante audiência com Sua Santidade o Dalai Lama, obtive maiores informações sobre seu desejo de que todo material coletado fosse publicado em um livro sobre medicina tibetana: finalmente, seria um trabalho desenvolvido em colaboração com médicos tibetanos e baseado em suas fontes. A terminologia médica, sem a qual não podemos investigar a medicina tibetana, foi nossa principal preocupação. W. A Unkrig, estudioso nas línguas tibetana e mongól, escreveu: “A medicina lamaísta como um todo permanece um território inexplorado para nós; portanto, o médico, o botânico e o filologista ao explorá-lo, enfrentam tarefas específicas; nesta área é pouco provável que seja breve a substituição destes especialistas por um único estudioso com todas as habilidades necessárias”. i Unkrig mostra a dificuldade na definição acurada dos termos, uma vez que os dicionários em sua maioria não fornecem mais do que definições gerais. Os termos em tibetano e em mongól permanecem demasiadamente vagos para que possamos estabelecer seus numerosos equivalentes. Surgem ainda dificuldades especiais na definição das substâncias medicinais, das quais a grande maioria é proveniente do reino vegetal. A forma mais promissora 10
  • 11. para definir os termos com precisão é a comparação de textos em tibetano e em sânscrito. Nosso conhecimento da medicina indiana antiga, na qual se fundamenta a medicina lamaísta, é adequada, pelo menos como esboço para que possamos arriscar alguns passos em direção à medicina tibetana. Porém, “tal tentativa ainda não foi feita” – escreveu Unkrig em 1936. Entretanto, como será comprovado, C. Vogel fez esta tentativa. O primeiro passo, portanto, diz respeito à grande dificuldade com a terminologia médica; conseqüentemente, este árido tópico é o objeto do presente estudo. Seria presunção tentar uma definição dos conceitos sem o conselho e o auxílio de Tibetologistas. Por outro lado, alguns dos conceitos foram esclarecidos somente com explicações orais dos médicos tibetanos. Ambos têm contribuído na resolução das definições. A terminologia médica deve ser feita a partir das fontes. Os médicos tibetanos possuem um trabalho padronizado no qual o sistema e as regras de sua medicina estão assentadas. Este livro, que é o coração da medicina tibetana, é o ponto de partida deste estudo. O livro a que nos referimos recebe o título: “bdud rtsi snying po yan lag brgyad pa gsang ba man ngag gi rgyud”. O título será traduzido posteriormente, e no momento será utilizado o título abreviado “rGyud bzi”, o qual é freqüentemente denominado “Tratado das Quatro Raízes” ou “Os Quatro Tantras”, mas mais significantemente como “Quatro Tratados”. Trabalhei sobre partes desse livro juntamente com médicos tibetanos. Os textos não contém quaisquer especulações filosóficas, e nada seria mais errôneo do que promover tais reflexões. Apesar da 11
  • 12. medicina tibetana estar intimamente relacionada com o budismo, o caráter budista do livro mostra-se principalmente quando o Buda da Medicina transmite seus conhecimentos na forma de um Sutra, através do profeta Rig pai ye she. Os números que aparecem no texto e no sistema são indicações dos ensinamentos budistas ao estudioso. No passado, o estudioso podia supor com mais precisão a origem e a autoria do livro rGyu bzi. O que podemos afirmar com certeza é que o estudo da medicina tibetana deve começar com este livro. Uma vez que todos os Tibetologistas enfatizam este ponto, deixemos que tenham aqui a palavra inicial. C. Vogel nos oferece um importante volume. O famoso médico indiano Vagbhata escreveu um dos mais importantes tratados de medicina, o Astanga- hrdayasamhita. Este livro tem um papel especial no estudo da medicina tibetana. O Astangahrdayasamhita foi traduzido para a língua tibetana pelo estudioso tibetano Rin chen bzan po em colaboração com o sábio indiano Jarandhara (entre 1013 e 1055) e posteriormente incorporado ao Tan jur [bsTan „gyur = tradução tibetana da literatura comentada Indo-Budista] C. Vogel começou a comparar palavra por palavra da versão em sânscrito de Vagbhata com a versão tibetana incorporada ao Tan jur e traduziu ambas as versões para o inglês.ii Este trabalho é de excepcional valor para o estudo da medicina tibetana. C. Vogel escreve no prefácio: “Mesmo sendo este um ponto de partida adequado para qualquer pesquisa na área, há ainda um objetivo a alcançar: a tradução e a edição completa do rGyud bzi, o livro padrão da medicina tibetana, o qual supõe-se que tenha sido adaptado de um 12
  • 13. atualmente desaparecido original em sânscrito, escrito pelo médico do Kashmir Candranandana por volta do século 8 D.C., e sobre o qual afirma-se que tenha sido escrito por nenhum outro que não Kumarajivaka, o famoso contemporâneo do Buda Sakyamuni. iii A condição indispensável, entretanto, para uma adequada compreensão do rGyud bzi é um íntimo conhecimento da terminologia médica tibetana, a qual por sua vez pode ser adquirido apenas através da minuciosa comparação de um texto médico de alguma extensão existente em sânscrito com a sua contraparte em tibetano. Nenhum trabalho parece condizer melhor do que o Astangahrdayasamhita de Vagbhata, a única descrição representativa da medicina indiana incorporada no cânone lamaísta.” Sobre o livro rGyud bzi, Unkrig escreve: iv “Pode-se supor, na verdade, que o lamaísmo, com compreensível reverência com que amplia sua literatura canônica, esta tendo suas raízes na Índia, teria utilizado como compêndio padrão o maior e mais compreensível dos trabalhos contidos no Tan jur, ou seja, o Astangahrdayasamhita (no volume 118), e seus comentários (nos volumes 119-122), no treinamento de seus médicos e na prática. Realmente, este não é o caso; a posição que o precedente devesse por direito pertencer ao tratado de Vagbhata tem sido ocupado por outro tratado e tem se mantido inalterada desde então. Esta posição pertence ao rGyud bzi. No entanto, este tratado, naturalmente suficiente, não foi incorporado ao cânone da literatura lamaísta e tampouco sabe-se sobre um hipotético original em sânscrito, o qual presume-se que esteja perdido. O fato de que na estrutura, pensamento e conteúdo ele seja inteiramente indiano de modo algum contradiz a suposição de que o rGyud bzi 13
  • 14. tenha sido escrito originalmente em tibetano. É fato marcante que de todos os livros apenas o rGyud bzi não foi incluído no Tan jur, mostrando que lhe asseguram uma posição de autoridade prática e teórica no corpo da literatura médica tibetana e forma a base toda a literatura restante de relevância, se de fato eles remontam à um original em sânscrito e devem ser, portanto, de idade considerável. Além disso, as várias edições em tibetano e em mongól não possuem o título em sânscrito transliterado o que é habitual que aconteça. Eu me deparei com um título em sânscrito apenas uma única vez em uma edição tibetana... Concluir deste exemplov que o trabalho possui um original em sânscrito, penso eu, é temerário. Que os Lamas atribuem uma idade considerável ao rGyud bzi não altera de forma alguma o fato de que, apesar de baseada praticamente em sua posição de autoridade face à literatura médica no Tan jur, eles não o incluíram neste último. Onde um devoto e uma tradição puramente orientada para a religião traçam a estrutura de idéias no rGyud bzi para o Buda em si, um outro denomina honestamente o autor como Kumarajivaka (em tibetano: „Ts‟o byed gzon nu), o famoso médico e contemporâneo do Buda Sakyamuni.” Neste estudo no qual pretende-se auxiliar em direção à compreensão da medicina tibetana, dois capítulos do valioso livro rGyud bzi. Que consiste de 15 capítulos, foram analisados, denominados capítulo 3 e capítulo 6 do Livro Um. A partir destes dois capítulos o sistema de medicina e as primeiras duas seções da ciência médica, o estudo dos organismos saudáveis e doentes, com suas terminologias, puderam ser expostos. O caráter específico da medicina tibetana não se tornará inteiramente 14
  • 15. transparente mesmo após a tradução completa do livro rGyud bzi. Ele se tornaria mais claro se houvesse mais descrições, ou seja, as denominadas influências que tiveram um efeito sobre a medicina tibetana: a) influências pré-budistas; b) budismo tibetano, c) medicina indiana antiga, d) medicina chinesa antiga. Concluindo a exposição sobre o estudo da medicina tibetana com algumas anotações sobre aplicabilidade, nós não devemos abandonar a intenção real de nosso trabalho. A medicina tibetana não apresenta apenas um elevado interesse teórico, mas, assim como a acupuntura, é aplicável no Ocidente. Como médica, eu encontro naturalmente mais facilidade para lidar com métodos de diagnósticos e terapêutica do que com a difícil terminologia médica, especialmente quanto ao material que está disponível para aplicação prática: pranchas de anatomia e tais pranchas são importantes para o diagnóstico e a terapia. Os tibetanos possuem muitos métodos típicos de tratamento que seria mais simples relacionar as características de sua medicina pelas descrições do método do que traçá-los a partir da terminologia médica. A tarefa mais difícil será o tratamento a partir das famosas preparações herbáceas tibetanas, uma vez que a definição exata das ervas é extremamente complicada. Ao lado disso o uso de preparações herbáceas tibetanas absolutamente puras será, por diversas razões, muito difícil. É por isso que métodos tibetanos típicos tais como a “sangria” e o moxabustão (cauterização) são tão valiosos, pois nos tornam independentes de medicamentos. Ambos os métodos são conhecidos por nós através da medicina chinesa, mas os métodos de aplicação acima citados têm 15
  • 16. sido magistralmente desenvolvido pelos tibetanos. Além disso, o moxabustão em certos pontos influencia favoravelmente o processo de meditação. Por experiência própria, podemos estabelecer que para certas doenças o método tibetano é superior aos demais. No momento, devemos resistir à tentação de comentar as aplicações da medicina tibetana para fazê-lo posteriormente. Os métodos de cura dos tibetanos serão descritos inteiramente em um trabalho adicional. Será fornecida, entre outras coisas, uma descrição detalhada destes procedimentos terapêuticos, os quais influenciam todas as meditações importantes. 16
  • 17. NOTAS HISTÓRICAS Na época do legendário rei gNya‟ khri btsan po conta-se que dois médicos notáveis fizeram uma viagem da Índia para o Tibete. Lá permaneceram por dez anos e introduziram a medicina indiana aos tibetanos. Um desses médicos casou-se com uma garota tibetana e seu filho tornou-se um famoso médico que foi encarregado de ensinar e disseminar a arte médica. A lenda conta como a hierarquia deste primeiro médico tibetano foi preservada em linha direta até o século 18. Os tibetanos pretendiam mostrar a continuidade de sua tradição médica. vi Em um período mais remoto, o conhecimento da medicina era transmitido oralmente pelo professor para o aluno; os tibetanos aprenderam a arte de escrever posteriormente. Sob o reinado do rei Srong btsan sgam po, de 620 a 640 D.C., o Tibete ganhou seu lugar na história como um estado independente. O budismo começou a se difundir e os tibetanos criaram sua escrita: o estudioso Thon mi Sambhota, enviado pelo rei ao Kashmir, desenvolveu a escrita tibetana a partir da indiana. O período seguinte, no qual os reis Khri srong lde btsan (reinou de 755 a 797) e Khri gtsug lde btsan (reinou de 815 a 838) tiveram um papel especial, foi marcado pelo relacionamento tibetano com a Índia e a China. Posteriormente, vários fatores levaram à divergência: o reinado começou a desintegrar-se culturalmente e 17
  • 18. religiosamente, o budismo sofreu um declínio e o último rei desta dinastia, Glang dar ma, foi assassinado em 842. O reinado do Tibete foi dividido em numerosos principados. Após a desintegração política e o declínio do budismo seguiu-se a segunda propagação do budismo, marcado sobretudo com o convite tibetano ao grande mestre indiano Atisha (982-1054). Professores vieram da Índia e do Nepal, e peregrinos tibetanos viajaram para os países vizinhos; desenvolveu-se uma vigorosa atividade de tradução, incrementando a literatura médica também. Nesta época viveu no Tibete o grande mestre da meditação Mi la res pa (1040-1123), um poeta de elevada reputação. Seu trabalho “Hundred-Thousand Songs” deve ser mencionado com relação à medicina: nestes versos surge uma clássica descrição da causa e do tratamento de uma doença de acordo com as idéias da religião Bon. vii A medicina obviamente atingiu seu auge no apogeu máximo do poder político. Sob o reinado de Khri srong lde btsan, afirmamos, houve três fatos de importância histórica para a medicina: 1. O debate de bSam yas (794)viii Sob a orientação do mais famoso médico da época, gYu thog pa Yon tan mgon po rnying ma, ocorreu um grande debate, no qual compareceram delegações de médicos dos seguintes países: Índia, China, Pérsia, Nepal, Sinkiang, Kashmir e Afeganistão. No debate que durou muitos dias os delegados deveriam definir a teoria e a prática de seus sistemas médicos. O tema da discussão era comparar o conteúdo e a teoria da medicina tibetana com os sistemas de outros países. De acordo com a história oral, o médico tibetano foi proclamado vitorioso no final do debate. 18
  • 19. 2. Os “Quatro Votos”ix O rei Khri srong lde btsan decretou os “Quatro Votos” que deveriam ser colocados em prática. 3. As “Treze Leis”x O rei Khri srong lde btsan decretou as “Treze Leis” que foram colocadas em prática. Como mencionado, é particularmente importante para a história médica o debate de bSam yas: durante a idade de ouro da arte da cura houve um intenso intercâmbio na área da medicina. Os sistemas médicos dos países mencionados tiveram influência sobre a medicina tibetana além de deixarem sua marca na literatura daquela época. Certamente o livro rGyud bzi já formara o ponto focal da medicina. Os estudos médicos daquela época foram baseados neste trabalho padrão. E mais, a tradição foi assimilada de modo que o ensinamento pelo livro não era suficiente e apenas a instrução oral transmitida pelo professor poderia tornar a medicina inteligível. Mesmo a rotina médica, conservada por todos os médicos, era transmitida ao estudante. O monastério de Sa skya foi fundado em 1073, e seus Grandes Lamas logo governaram o país. O sábio Sa skya (1182-1251) já reinava como sacerdote-rei. Neste ínterim, sob o comando de Gengis Khan, os mongóis tornaram-se bastante poderosos, subjugando não só a China, mas também o Tibete: em 1207 a soberania da Mongólia havia sido reconhecida. „Phags pa, sobrinho do sábio Sa skya, deu início à nomeação dos Grandes Lamas de Sa skya como vice-regentes no Tibete. Após os mongóis terem se convertido ao budismo, a medicina tibetana ganhou cada vez mais espaço na Mongólia: 19
  • 20. Lamas-médicos do Tibete eram convocados para serem médicos da corte dos príncipes mongóis. A medicina tinha um poder político real, pois “a primeira conversão dos mongóis ao budismo não foi profunda, sendo fundamentada, ao lado da necessidade de estabelecer uma doutrinação e aconselhamento político, na influência da medicina tibetana praticada por monges tibetanos”. xi Nesta época, durante a qual os tibetanos levaram seu conhecimento para os mongóis, a medicina deve ter adquirido algumas características extremamente não usuais. Ao mesmo tempo, a medicina tibetana foi por sua vez influenciada pelas “Quatro grandes escolas de medicina do período mongól”, xii que foram de alguma importância na China durante os períodos Chin e Yüan. Na diversidade da história do Tibete, a qual não podemos acompanhar mais profundamente, o grande reformador Tson kha pa (1357-1419) representou um papel importante. Foi introduzida novamente uma severa disciplina monástica, que fez do celibato uma regra. Tson kha pa fundou a seita dos Ge lugs pa. Após a fundação dos monastérios dGa‟ ldan (1409), „Bras spuns (1416) e Se ra (1419), todos localizados nos arredores da capital Lhasa, foram estabelecidos na mesma área as famosas escolas de medicina Chak po ri xiii e sMan rtsi khanxiv, os baluartes da medicina. Sob o governo do quinto Dalai Lama Ngag bdang blo rgya mtsho (1617-1682), o desenvolvimento do Tibete como uma teocracia atingiu seu auge. Após a morte do quinto Dalai Lama, Sans rgyas rgya mcho assumiu a regência. Este regente, que morreu em 1705, foi um estudioso extremamente versátil, interessava-se também pela medicina e escreveu muitos trabalhos médicos que 20
  • 21. estão entre os mais importantes na área. Os reinados que se seguiram foram marcados pelas grandes inquietações políticas e por desavenças com o sempre crescente poder dos chineses. Sob o reinado do décimo-terceiro Dalai Lama, Nag dban thub ldan rgya mcho (1876-1933), o Tibete envolveu-se em mais conflitos, mas tornou-se independente politicamente em 1912, através da abolição da monarquia chinesa. Desta época em diante o Tibete isolou-se dos países vizinhos. O acesso às escolas de medicina tornou-se impossível aos visitantes estrangeiros. O décimo-quarto Dalai Lama, Ngag dbang blo bzang bstan „dzin rgya mtsho, nascido em 1935, precisou fugir do Tibete em 1949, após nove anos de ocupação chinesa. Cerca de 80.000 tibetanos conseguiram escapar. Eles encontraram asilo na Índia, no Nepal, Butão, Sikkim, Suécia e Inglaterra. Em 1960 o Dalai Lama transferiu a sede de seu governo no exílio para Dharamsala. Nos primeiros anos que se seguiram à fuga, a saúde dos tibetanos estava extremamente deteriorada: aqueles que vieram pelas montanhas foram acometidos pela tuberculose, e as crianças, particularmente, pelas doenças infecciosas. Este é também um aspecto da história médica, embora um tanto triste: a falta de resistência em um povo das montanhas às doenças da infância, obviamente desconhecidas para eles em tal proporção, e sua reação a estas e outras doenças próprias de áreas tropicais às quais eles não estavam habituados. O Dalai Lama ordenou que uma solução fosse encontrada; e então em 1961 foi fundada a “Tibetan Medical School” introduzindo a Residência médica. Deveriam ser realizadas as seguintes tarefas: 21
  • 22. 1. Os refugiados tibetanos deveriam receber tratamento médico.xv 2. A tradição da medicina tibetana deveria ser preservada. 3. Os poucos médicos tibetanos que haviam fugido deveriam ser reunidos para ensinarem estudantes e assim assegurar uma futura geração de médicos. 4. Os trabalhos médicos retirados do Tibete pelos médicos quando fugiram deveriam ser coletados e reunidos em uma biblioteca e relacionados. O doutor Yeshe Donden, o mais talentoso dos médicos, foi encarregado pelo Dalai Lama para a tarefa de dirigir a escola de medicina. Apesar da falta de meios adequados ele começou esta difícil tarefa juntamente com outros médicos tibetanos. Posteriormente ele foi designado médico pessoal do Dalai Lama. Após a fuga dos tibetanos o acesso à medicina tibetana tornou-se possível. O Dalai Lama reconheceu que o momento de divulgar e transmitir o conhecimento da medicina tibetana havia chegado, uma vez que permanecera até então cuidadosamente guardado. A atual situação da medicina tibetana. Os dados a este respeito foram baseados nas seguintes fontes: 1. Artigo do “Tibetan Bulletin”, dezembro 1968 (Vol. 4, nº 11 e 12, págs. 15-17), editor: Gyatso Tsering. 2. Duas visitas feitas pela autora: 1962 e 1967. a) A Clínica A primeira clínica era muito pequena e primitiva, sendo então ampliada. Em 10 de outubro de 1968 os prédios ampliados foram entregues pelo Dalai Lama para o 22
  • 23. funcionamento da clínica. Aqui, quatro a cinco médicos tratam cem a cento e cinqüenta pacientes diariamente. Os médicos tibetanos possuem boa reputação na Índia; não apenas tibetanos, mas também indianos de todas as partes do país chegam para receber tratamento. b) A Farmácia Foi primeiramente instalada em uma pequena cabana, e agora está instalada na clínica. Muitas das plantas necessárias para a fabricação dos medicamentos são encontradas apenas nos locais mais altos dos Himalaias: as plantas são coletadas pelos próprios médicos em exaustivas expedições que duram eventualmente muitas semanas. c) O Hospital Assim como a clínica há também um hospital com doze leitos que estão sempre ocupados, uma vez que os tibetanos são pouco inclinados a se internarem em hospitais indianos. d) O Treinamento De 2 de janeiro de 1969 em diante os estudantes, todos necessariamente com educação secundária completa, passaram a receber o seguinte treinamento: Um período de estudos de nove anos complementado por dois anos de treinamento prático. O fundamento do estudo é – assim como anteriormente – o livro rGyud- bzi. Atualmente, vinte estudantes estão sendo treinados, os quais passarão por um exame oral e escrito, e 23
  • 24. naturalmente devem dar demonstração prática de seus conhecimentos. e) A Biblioteca de Obras e Arquivos Tibetanos Após os livros tibetanos serem reunidos por algum tempo no Sikkim (Gangtok), no Namgyal Institute of Tibetology, o mesmo instituto foi fundado em Dharamsala em novembro de 1971, sob ordens do Dalai Lama, para exercer várias funções. Na Biblioteca existem agora 20.000 livros e manuscritos tibetanos, dos quais 3.000 são particularmente valiosos. A seção sobre medicina contém uma coleção de cinqüenta volumes; Yeshe Donden possui oitenta trabalhos sobre medicina. A Biblioteca de Obras e Arquivos Tibetanos está sob a direção de meu primeiro intérprete, Gyatso Tsering. A utilização das obras tibetanas, portanto, está muito mais fácil do que na época de minha visita quando não existia a Biblioteca. 24
  • 25. OS AUTORES A lista de autores (médicos, tradutores, estudiosos) fornecida pelos médicos tibetanos contém trinta e dois nomes. A escolha foi difícil e muitos médicos famosos não foram mencionados. Os autores mais importantes e aquelas personalidades que foram de grande significado para a medicina tibetana foram classificados em ordem cronológica. Segue-se um relato da carreira de Yeshe Donden, não apenas porque foi médico pessoal do Dalai Lama, Diretor do Tibetan Medical School e professor de outros autores, mas também para apresentar uma breve descrição do treinamento de um médico tibetano, mostrando que o rGyud bzi foi a base do estudo da medicina. 1) Vairocanaraksita Afirma-se que este famoso tradutor, que viveu na época do rei Khri srong lde btsan, traduziu o rGyud bzi para a língua tibetana. (Livro 1) 2) Candranandana (Tib.: Zla ba la dga‟ ba) Veio do Kashmir. Foi um médico e afirma-se que auxiliou Vairocanaraksita na tradução do rGyud bzi. C.Vogel xvi chama nossa atenção ao fato de que o nome foi incorretamente descrito na literatura como “Candrananda”: Huth assim como W.A.Unkrig 25
  • 26. (Introdução a “Die Tibetische Medizinphilosophie” de Korvin-Krasinski) não forneceram a correta transcrição do nome, apesar de Cordier já ter corrigido este erro há muito tempo. C. Vogel mostra posteriormente xvii que não há certeza de que este médico seja Candrabhinandana (Tib.: Zla ba [la] mngos dga‟) ou um outro Candranandana que afirma-se tenha vivido no século 11. (Livro 2) 3) gYu thog pa Yon tan mgon po rnying ma (o mais velho) Também viveu na época do rei Khri srong lde btsan e pode certamente ser considerado o mais famoso médico daquela época. Ele estudou na Índia durante três estadias neste país e escreveu muitos trabalhos sobre medicina. (Livro 3) 4) gYu thog pa Yon tam mgon po rnying ma (o mais jovem) Viveu no século 11. Este médico também visitou a Índia e a Pérsia. Afirma-se que tenha escrito vinte tratados sobre medicina e que tenha fundado uma escola. Ele elaborou uma revisão do rGyud bzi e é geralmente conhecido por ser o autor da atual versão do rGyud bzi. W.A.Unkrig escrevexviii que o ensinamento sobre o diagnóstico pelo pulso e a palpação é uma inovação atribuída a este médico. Yeshe Donden afirma que livros sobre o exame pelo pulso já haviam sido escritos por gYu thog pa Yon tan mgon po, o mais velho. Estas incertezas devem ser eliminadas, pois é de crucial importância conhecer a data exata da introdução do 26
  • 27. exame pelo pulso no Tibete, que remonta à influência chinesa. (Livro 4) 5) Rin chen bzan po (958-1055) Este estudioso, juntamente com o sábio indiano Jarandhara, traduziu, entre outros o trabalho do médico indiano Vagbhata, o “Astanga-hrdayasamhita”, para a língua tibetana. Na verdade este trabalho foi realizado em uma data relativamente posterior, fixada entre os anos de 1013 e 1055xix. Esta obra foi incorporada ao bsTan „gyur. 6) Bu ston (1290-1364) Organizou toda a literatura dogmática e litúrgica em uma seqüência lógica e deu ao bKa‟ „gyur [tradução tibetana dos ensinamentos orais de Buda] e ao bsTan „gyur [tradução tibetana da literatura comentada indo-budista] a sua forma atual. Bu ston foi um dos maiores historiadores tibetanos e escreveu muitos livros. Um breve resumo dos escritos médicos contidos no bsTan „gyur pode ser encontrado em seu livro “History of Buddhism” (Chos „byung).xx 7) Chos kyi ‘od zer No início do século 14 este Lama erudito traduziu o rGyud bzi para a língua mongól. Quanto a este aspecto W. A. Unkrig observa que a tradução do rGyud bzi para esta língua ocorreu na época em que os mongóis foram introduzidos ao Lamaísmo. O fato desta tradução ser desenvolvida e completada logo no início prova que o rGyud bzi era altamente considerado. 8) Blo bzan ‘prin las 27
  • 28. Logo após a invenção da escrita da Mongólia Ocidental – 1648 – o rGyud bzi foi traduzido por este estudioso (W. A. Unkrig). 9) Blo gros rgyal po Assim como o autor citado a seguir, viveu na Mongólia no século 17. (Livro 5) 10)Blo bzan chos grags Escreveu dois livros valiosos e freqüentemente consultados. (Livros 6 e 7) 11)Ja rud dge slon Chos kyi rgya mtsho Traduziu a obra Glang thabs da língua tibetana para a mongól.xxi 12)Güüsi Mi ‘gyur chos rje Traduziu o rGyud bzi da língua tibetana para a mongól. xxii 13)Sangs rgyas rgya mtsho (1620-1705) Autor de importantes trabalhos médicos; ambos os livros mencionados são reconhecidos como os comentários mais importantes do rGyud bzi. (Livros 8 e 9a -d) 14)bsTan ‘jin phun chogs Viveu por volta de 1800 e escreveu diversos trabalhos médicos altamente respeitados que são também particularmente valiosos pois foram impressos no Monastério de sDe dge (Tibete Oriental), (os blocos de impressão deste monastério são considerados por serem fidedignos). (Livros 10 e 11) 15)‘Jam dpal rdo rje 28
  • 29. Foi um médico mongól que exerceu a medicina no início do século 19. Não se sabe se este autor foi muito conhecido em sua época, mas como o Professor Lokesh Chandra reproduziu um trabalho do autor (ver no Apêndice “Títulos de Trabalhos”), um livro contendo valiosas explicações está à nossa disposição. (Livro 12) 16)mKhyen rab nor bu (1882-1962) Foi professor de Yeshe Donden. Este famoso médico fundou a Escola de Medicina sMan rtsis khan e é autor de diversos livros. mKhyen rab nor bu tinha ótima reputação, um grande número de estudantes e parece ter sido bem conhecido. (Livros 13, 14 e 15) 17)Yeshe Donden (Tib.: Ye shes don ldan) Nasceu em 1927, no Tibete Central em uma pequena vila próximo ao Lago Yar „brog. Desde a infância esteve em contato com a medicina através de seu avó, o qual gozava de ótima reputação como médico. Com 6 anos foi aceito como aluno no Monastério de „Bras spuns. Durante os primeiros sete anos foram estudados principalmente textos sagrados budistas. Quando Yeshe Donden tinha treze anos, foi aceito na famosa escola de medicina sMan rtsis khan. Permaneceu em sMan rtsis khan até a idade de vinte e três anos e estudou sob a experiência e orientação de professores como mKhyen rab nor bu e mKhyen rab „od zer, posicionados entre os mais famosos médicos de seu tempo. Após o término dos exames na Escola de Medicina Central, Yeshe Donden retornou à sua cidade natal e colocou em prática o conhecimento médico adquirido. 29
  • 30. Posteriormente, tornou-se médico itinerante, ou seja, ele praticava medicina em todas as regiões do Tibete, estava freqüentemente em viagem e desta maneira veio a tomar conhecimento de todas as doenças que ocorriam naquele vasto país. De fato, é comum que muitos médicos tibetanos passem grande parte de seu tempo viajando; há também médicos que nunca tiveram residência fixa. Durante os anos em que esteve viajando, Yeshe Donden nunca rompeu suas ligações com seus professores. Ele visitava a capital Lhasa com freqüência para continuar sua educação e trocar experiências com seus colegas; sob a permanente orientação de seus professores seu conhecimento foi continuamente expandido. As Escolas de Medicina sMan rtsis khan e Chak po ri, ambas localizadas nos arredores da capital Lhasa, sempre foram consideradas os mais ilustres estabelecimentos de ensino médico e, apesar de existirem boas escolas de medicina em outras regiões do país, por exemplo, em Amdo, sKu „bum e sDe dge, era objetivo de todos os estudantes de medicina freqüentar uma ou outra das duas escolas mais famosas. Estudavam em sMan rtsis khan de quatrocentos a quinhentos estudantes, assessorados por cerca de trinta professores. A base do estudo era o livro rGyud bzi, cujo roteiro era o seguinte: Primeiro ano Parte 1 Segundo e terceiro anos Parte 2 30
  • 31. Quarto, quinto e sexto anos Parte 3 Sétimo, oitavo e nono anos Parte 4 Além deste livro era exigido que os comentários escritos pelos mais eminentes médicos tibetanos fossem estudados e memorizados; estes comentários eram geralmente baseados no próprio rGyud bzi. Antes e durante o período de estudos, os estudantes precisam aprender filosofia, astrologia e budismo. Os médicos tibetanos – assim como outros estudiosos tibetanos – conservam os livros mais importantes “em suas cabeças”. O trabalho prático era acrescentado nos últimos anos. Um estudante de medicina, portanto, tinha que estudar pelo menos dez a doze anos. Os tibetanos não possuem o conceito de especialização como é costume no Ocidente. A partir deste resumo da carreira de Yeshe Donden, é possível observar que este médico recebeu uma boa educação científica. Ele escreveu também alguns trabalhos médicos. 31
  • 32. TRABALHOS MÉDICOS O Tibete é a “Terra dos Livros”. Os médicos tibetanos possuem centenas de trabalhos médicos, mas até hoje não foi feita qualquer classificação sistemática dos mesmos no Ocidente. Nós também enfrentamos grandes dificuldades em nosso trabalho por causa de muitos aspectos pelos quais os livros podem ser descritos, por exemplo, classificação quanto à qualidade, quanto aos autores; classificação quanto ao grau de importância do trabalho médico; classificação cronológica. Minha segunda estadia nos Himalaias (1967), acima de tudo, destinou-se a trazer esclarecimentos sobre este ponto também. Ao nos defrontar com esta difícil escolha, chegamos à seguinte conclusão: quando saíram de seu país, os tibetanos puderam levar consigo apenas os livros mais importantes. Uma inspeção na biblioteca de Yeshe Donden em Dharamsala e um interrogatório detalhado sobre este assunto em especial confirmou nossa suspeita: a biblioteca continha, de fato, os mais valiosos tesouros e havia, portanto, uma certa garantia de que os livros mais importantes seriam encontrados entre eles. Os títulos foram fotografados, os livros examinados e o tamanho dos trabalhos anotados. Visitei as bibliotecas pessoais dos médicos itinerantes nos muitos vales dos Himalaias, mas não havia nada tão variado. Todos os médicos possuíam o 32
  • 33. rGyud bzi e afirmaram ser este o mais importante trabalho médico. O catálogo fornecido por Yeshe Donden continha 71 títulos. Aqueles considerados os mais importantes pelos médicos tibetanos estão descritos aqui. Estão compilados em ordem cronológica. A tradução dos títulos fornecida não nos dá indício do conteúdo. O resumo do conteúdo é mais informativo que a tradução dos títulos: nestes sumários estão explicações dadas por Yeshe Donden. As livros são descritos como segue: título, conteúdo, autor. Há informações adicionais para a maioria dos livros mais importantes: título abreviado, tradução do título abreviado, extensão.  Livro 1 bdud rtsi snying po yan lag brgyad pa gsang ba man ngag gi rgyud -Tradução do título:xxiii Tratado Secreto das Instruções sobre os Oito Ramos da Essência da Imortalidade -Título abreviado: rGyud bzi -Tradução do título abreviado: Quatro Tratados -Conteúdo: Ver Capítulo Cinco -Extensão: 396 fólios (frente e verso) Os tibetanos atribuem o livro rGyud bzi ao Buda, assim como alguns outros trabalhos, por exemplo, “gYu thog snying thig byin rlabs bla sgrub las kha byang”. Estes trabalhos, que datam de época muito remota, e incluem ainda “klu sgrub kyi sbyor ba brgyad pa‟i mchan”, atribuído a Nagarjuna, podem ser encontrados em Dharamsala.  Livro 2 rtsa dpyad rig pa rab gsal sde tshan lnga pa lag len pod chung 33
  • 34. -Conteúdo: Descrição exata do diagnóstico pelo pulso -Autor: gYu thogg pa yon tan mgon po rnin ma ( o mais velho). Este autor escreveu outros livros sobre o diagnóstico pelo pulso -Título: mnon ses gnad kyi hphrul hkhar. É digno de nota que este autor tenha escrito dois livros sobre o diagnóstico pelo pulso.  Livro 3 slob ma’i don du zong mchan -Conteúdo: Instruções práticas sobre o significado dos quatro tratados básicos sobre medicina. -Autor: gYu thog pa Yon tan mgon po rnin ma (o mais antigo)  Livro 4 cha lag bco brgyad -Conteúdo: retirado dos títulos dos capítulos Capítulos 2 e 5: Comentário sobre o rGyud bzi (parte 2) Capítulo 16: Sumário do rGyud bzi -Autor: gYu thog pa Yon tan mgon po gsar pa (o mais novo)  Livro 5 mes po tzal lung -Conteúdo: Medicina geral (um trabalho muito importante) -Autor: Blo gros rgyal po  Livro 6 sman ngag bka’ rgya ma -Conteúdo: Comentário sobre o rGyud bzi (parte 3) -Autor: Blo bzang chos grags  Livro 7 phyi ma’i rgyud kyi dka’ gnad rdo rje bdud ‘dul -Conteúdo: Comentário sobre o rGyud bzi (parte 4) -Autor: Blo bzang chos grags 34
  • 35.  Livro 8 bdud rtsi snying po yan lag brgyad pa gsang ba man ngag yon tan rgyud kyi lhan thabs zug rngu’i cha gdun sel ba’i katpura dus min ‘chi tzags gcod pa’i ral ri xxiv -Título abreviado: lHan thabs (Glang thabs) -Tradução do título abreviado: Apêndice (suplemento, métodos de tratamento) -Conteúdo: Comentário sobre o rGyud bzi (parte 3) -Extensão: 288 fólios -Autor: Sans rgyas rgya mtsho  Livro 9 Este livro consiste de quatro partes: I. gso ba rig pa’i bstan bcos sman bla’i dgons rgyan rgyud bzi’i gsal byed bai dur sngon po’i malli ka -Título abreviado: Bai du rya sngon po -Tradução do título abreviado: Berilo azul xxv -Conteúdo: Comentário sobre o rGyud bzi (Parte 1) -Extensão: 40 fólios -Autor: Sans rgyas rgya mtsho W. A. Unkrig observa (Introdução) que o autor deve ter escrito o livro com idade bastante avançada, e cita Varlakov, que data o texto entre 1745 e 1750. É fato, entretanto, que Sans rgyas rgya mtsho foi assassinado em 1705; portanto, o texto deve ter sido completado em uma data anterior (provavelmente 1687-1688). II. gso ba rig pa’i bstan bcos sman bla’i dgons rgyan rgyud bzi’i gsal byed bai dur sngon po’i phreng ba las dum bu gnyis pa bshad pa’i rgyud kyi rnam bshad -Conteúdo: Comentário sobre o rGyud bzi (Parte 2) -Extensão: 283 fólios 35
  • 36. -Autor: Sans rgyas rgya mtsho III.gso ba rig pa’i bstan bcos sman bla’i dgons rgyan rgyud bzi’i gsal byed bai dur sngon po’i phreng ba las dum bu gsum pa man ngag yon tan rgyud kyi rnam bshad -Conteúdo: 563 fólios -Autor: Sans rgyas rgya mtsho O autor já fez um comentário detalhado sobre o rGyud bzi no livro “lhan thabs” (288 fólios). A parte 3 parece ser também particularmente importante ou particularmente difícil. Trabalharemos com a função principal desta terceira posteriormente. IV.gso ba rig pa’i bstan bcos sman bla’i dgons rgyan rgyud bzi’i gsal byed bai dur sngon po’i phreng ba las dum bu bzi pa phyi ma rgyud kyi rnam btsad -Conteúdo: Comentário sobre o rGyud bzi (parte 4) -Extensão: 251 fólios -Autor: Sans rgyas rgya mcho  Livro 10 bdud nad gzhom pa’i gnyen po rtsi sman gyi nus pa rkyang btsad gtsal ston dri med tsel gong -Conteúdo: Descrição de plantas medicinais -Autor: bsTan „dzin phun tshogs  Livro 11 bdud rtsi sman gyi nus min rnam par btsad pa dri med sel phreng -Conteúdo: Descrição de plantas medicinais -Autor: bsTan „dzin phun tshogs xxvi  Livro 12 gso byed bdud rtsi’i ‘krul med nos ‘dzin bzo rig me long du rnam par tsar pa ‘jes tschar mig rgyan zhes bya ba btzugs so 36
  • 37. -Conteúdo: Apresentação do sistema de medicina, descrição de plantas medicinais. Anatomia, cirurgia. (Ilustrado) -Autor: „Jam dpal rdo rje  Livro 13 nad sman sprod pa’i nyams yig -Conteúdo: Descrição de plantas medicinais -Autor: mKhyen rab nor bu  Livro 14 lag len nyer mkho’i sman gyi sbyor dpe bdud rtsi pa’i bum bzang -Conteúdo: Tratado sobre a preparação de plantas medicinais -Autor: mKhyen rab nor bu  Livro 15 lag len gces rigs bsdus pa sman kun bcud du bsgrub pa’i las kyi cho ga kun gsal snang mdzod -Conteúdo: Descrição de métodos para extrair as toxinas das substâncias medicinais -Autor: mKhyen rab nor bu Evidentemente, algumas obras importantes não foram mencionadas nesta lista. Aqueles livros apontados pelos médicos tibetanos como os mais importantes são fornecidos abaixo: 1. rGyud bzi: Quatro Tratados (Livro 1) 2. Bai du rya sngon po: Berilo azul (Livro 9 a-d) 3. lHan thabs: Apêndice (suplemento, métodos de tratamento) (Livro 8) Uma descrição precisa destes trabalhos médicos é fornecida no Apêndice “Títulos dos Livros”. Resumindo, devemos mencionar que os trabalhos mais importantes 37
  • 38. são comentários sobre o rGyud bzi; esta é a opinião dos médicos tibetanos também. 38
  • 39. CONTEÚDO DO RGYUD BZI O livro rGyud bzi é considerado o coração da medicina tibetana. Este trabalho clássico é a base para o treinamento de médicos tibetanos e o ponto a partir do qual resulta toda a literatura relevante posterior, como descrito anteriormente. Para elucidar a estrutura do livro, seu conteúdo será delineado resumidamente como a seguir. As fontes para a descrição do conteúdo são: Informação dada por Yeshe Donden. A. Csoma de Köros: “Analysis of a Tibetan Medical Work”. P. A. Badmaev: O principal livro-texto para as ciências médicas do Tibete, o rGyud bzi, em uma nova tradução por P. A. Badmaev, com introdução na qual o autor explica os fundamentos da ciência médica tibetana (Parte 1 e 2 do rGyud bzi). Tem se tornado regra a utilização dos títulos abreviados para descrever as quatro partes do livro, as quais são usadas nas páginas seguintes. O livro está dividido em quatro partes. A tabela seguinte mostra os títulos abreviados, a extensão e as em seções e capítulos. 39
  • 40. Extensão Seções Capítulos Parte 1 11 Fólios 9 6 rtsa ba‟i rgyud Tratado Raiz Parte 2 43 Fólios 11 31 bshad pa‟i rgyud Tratado Explicativo Parte 3 275 Fólios 15 92 man ngag gi rgyud Tratado da Instrução Parte 4 67 Fólios 4 27 phyi ma‟i rgyud Tratado Final 396 Fólios 39 156 Parte 1 bdud rtsi snin po yan lag brgyad pa gsang ba man nag gi rgyud las dum bu dan po rtsa ba’i rgyud -Tradução: Primeira Parte do Tratado Secreto das Instruções sobre os Oito Ramos da Essência da Imortalidade, Tratado Raiz. -Título abreviado: rtsa ba‟i rgyud -Tradução do título abreviado: Tratado Raiz -Extensão: 11 fólios. 9 seções, 6 capítulos. 40
  • 41.  Capítulo 1 A “Cidade da ciência médica”, cujos tesouros curam as 404 doenças do corpo, é descrita: os quatro lados das montanhas com suas ervas medicinais especificamente efetivas. Ao ser questionado pelo sábio Yid las skyes, o sábio Rig pa‟i ye shes explica-lhe a ciência da medicina como descrita por sMan pa‟i rgyal po, o Buda da Medicina.  Capítulo 2 As bases fundamentais da ciência médica é o livro rGyud bzi. O médico deve estudar as quatro partes deste trabalho: 1. Tratado Raiz, 2. Tratado Explicativo, 3. Tratado da Instrução, 4. Tratado Final. O médico deve estudar as oito partes da ciência: 1. Doenças do corpo (adulto), 2. Doenças das crianças, 3. Doenças das mulheres, 4. Doenças nervosas, 5. Ferimentos (cirurgia), 6. Envenenamento, 7. Doenças dos idosos, 8. Afrodisíacos.xxvii  Capítulo 3 Descrição dos organismos doentes e dos organismos saudáveis.  Capítulo 4 Descrição dos três métodos de exame = diagnóstico: 1. Observação, 2. Palpação, 3. Questionamento (anamnese).  Capítulo 5 Descrição dos quatro métodos de cura = terapia: 1. Nutrição, 2. Comportamento, 3. Medicamentos, 4. Tratamentos (externos).  Capítulo 6 41
  • 42. Descrição do sistema de medicina: das três raízes brotam nove troncos, quarenta e sete ramos e duzentas e vinte e quatro folhas. Parte 2 bdud rtsi snying po yan lag brgyad pa gsang ba man nag gi rgyud las dum bu gnyis pa bshad pa’i rgyud -Tradução: Segunda parte do Tratado Secreto das Instruções sobre os Oito Ramos da Essência da Imortalidade, Tratado Explicativo. -Título abreviado: bshad pa‟i rgyud. -Tradução do título abreviado: Tratado Explicativo. -Extensão: 43 fólios. 11 seções, 31 capítulos. 11 Seções 1.Introdução, análise 1 Capítulo 2.Embriologia, anatomia, fisiologia 5 Capítulos 3.Organismos doentes 6 Capítulos 4.Comportamento 3 Capítulos 5.Nutrição 3 Capítulos 6.Medicamentos 3 Capítulos 7.Métodos de cura, incluindo cirurgia 1 Capítulo 8.Existência livre de doenças 1 Capítulo 9.Diagnóstico dos organismos doentes e saudáveis 4 Capítulos 10.Métodos de cura 3 Capítulos 11.Ética, qualificação dos médicos 1 Capítulo 31 Capítulos Seção 1 Introdução, análise 1 Capítulo 42
  • 43. (7) Cap. 1 Análise Seção 2 Embriologia, anatomia, fisiologia 5 Capítulos (8) Cap. 2 Embriologia (9) Cap. 3 Anatomia (10) Cap. 4 Fisiologia (11) Cap. 5 A natureza dos três processos vitais (12) Cap. 6 Tipos de corpo (constituição) e suas funções Seção 3 Organismos doentes 6 Capítulos (13) Cap. 7 Condições insalubres, sinais de morte, sonhos (14) Cap. 8 Causas das doenças (15) Cap. 9 Condições para doenças, sintomas concomitantes (16) Cap. 10 Localização das doenças (sítios) (17) Cap. 11 Natureza das doenças, sintomas (18) Cap. 12 Divisão das doenças em 101 e 404 tipos Seção 4 Comportamento 3 Capítulos (19) Cap. 13 Comportamento diário (20) Cap. 14 Comportamento quanto ao clima e estações (21) Cap. 15 Conduta geral, hábitos, bom senso Seção 5 Nutrição 3 Capítulos (22) Cap. 16 Líquidos e sólidos (23) Cap. 17 Regras dietéticas. Erro na combinação de alimentos, i.e. leite e peixe, leite e frutas do tipo morango, ovo e peixe, mel e óleos vegetais. (24) Cap. 18 Hábitos alimentares regulares, corretos (quantidades) Seção 6 Medicamentos 3 Capítulos (25) Cap. 19 Preparação de medicamentos, sabor (26) Cap. 20 Eficácia dos medicamentos, descrição detalhada (27) Cap. 21 Farmacologia 43
  • 44. Seção 7 Métodos de cura, inclusive cirurgia 1 Capítulo (28) Cap. 22 Descrição dos tratamentos e instrumentos cirúrgicos Seção 8 Existência livre de doenças 1 Capítulo (29) Cap. 23 Observação das regras gerais para manutenção da saúde Seção 9 Diagnóstico de organismos doentes 4 Capítulos e saudáveis (30) Cap. 24 Diagnóstico geral, sintomas das doenças (31) Cap. 25 Diagnóstico de doenças específicas, anamnese (32) Cap. 26 Médico e paciente. Diagnóstico preciso de doenças curáveis e incuráveis (33) Cap. 27 Regras no tratamento Seção 10 Métodos de tratamento 3 Capítulos (34) Cap. 28 Descrição detalhada de tratamentos e medicamentos (35) Cap. 29 Dieta. Cura da obesidade e desnutrição (36) Cap. 30 Procedimentos gerais nos tratamentos Seção 11 Ética médica 1 Capítulo (37) Cap. 31 Qualificação dos médicos 44
  • 45. Parte 3 bdud rtsi snying po yan lag brgyad pa gsang ba man ngag gi rgyud las dum bu gsum pa man ngag rgyud -Tradução: Terceira parte do Tratado Secreto das Instruções sobre os Oito Ramos da Essência da Imortalidade, Tratado da Instrução -Título abreviado: Man ngag gi rgyud -Tradução do título abreviado: Tratado da Instrução -Extensão: 275 fólios. 15 seções, 92 capítulos. 15 Seções Introdução 1 Capítulo 1. Tratamento de doenças de rlung, mkhris pa e bad 4 Capítulos kan 2. Doenças internas 6 Capítulos 3. Febre, infecções 16 Capítulos 4. Órgãos sensoriais 6 Capítulos 5. Órgãos sólidos e ocos 8 Capítulos 6. Sistema urogenital 2 Capítulos 7. Doenças diversas 19 Capítulos 8. Epidemias e úlceras 8 Capítulos 9. Doenças da infância 3 Capítulos 10.Doenças das mulheres 3 Capítulos 11. Doenças neurológicas 5 Capítulos 12. Ferimentos 5 Capítulos 13. Intoxicações 3 Capítulos 14. Doenças senis 1 Capítulo 15. Afrodisíacos 2 Capítulos 92 Capítulos xxviii 45
  • 46. (38) Cap. 1 Introdução Saudação ao professor. O pedido é feito para gerar uma instrução oral e dissertativa sobre o tratamento das doenças. São feitas cinco diferenciações em todas as doenças: 1. Causa, 2. Causas secundárias, 3. Classificação, 4. Sintomas, 5. Tratamento Seção 1 Tratamento das doenças de rlung, 4 Capítulos mkris pa e bad kan (39) Cap. 2 Doenças de rlung (40) Cap. 3 Doenças de mkhris pa (41) Cap. 4 Doenças de bad kan (42) Cap. 5 Doenças combinadas de rlung, mkhris pa e bad kan Seção 2 Doenças internas 6 Capítulos (43-48) Cap. 6-11 Seção 3 Febre, infecções 16 Capítulos (49) Cap. 12 Febre comum (50) Cap. 13 Febre no calor ou no frio (51) Cap. 14 Febre alta (52) Cap. 15 Início da febre (53) Cap. 16 Elevação da febre (54) Cap. 17 Febre latente (55) Cap. 18 Febre oculta (56) Cap. 19 Febre persistente (57) Cap. 20 Febre mista (58) Cap. 21 Febre difusa (59) Cap. 22 Febre flutuante (60) Cap. 23 Infecções (61) Cap. 24 Infecções 46
  • 47. (62) Cap. 25 Infecções (63) Cap. 26 Infecções (64) Cap. 27 Infecções Seção 4 Órgãos sensoriais 6 Capítulos (65) Cap. 28 Doenças da cabeça (66) Cap. 29 Doenças dos olhos (67) Cap. 30 Doenças do ouvido (68) Cap. 31 Doenças do nariz (69) Cap. 32 Doenças da boca (70) Cap. 33 Doenças da garganta e bócio Seção 5 Doenças dos órgãos sólidos e 8 Capítulos ocos (71) Cap. 34 Doenças do coração (72) Cap. 35 Doenças dos pulmões (73) Cap. 36 Doenças do fígado (74) Cap. 37 Doenças do baço (75) Cap. 38 Doenças dos rins (76) Cap. 39 Doenças do estômago (77) Cap. 40 Doenças do intestino delgado (78) Cap. 41 Doenças do intestino grosso Seção 6 Sistema urogenital 2 Capítulos (79) Cap. 42 Doenças do sistema urogenital masculino (80) Cap. 43 Doenças do sistema urogenital feminino Seção 7 Doenças diversas 19 Capítulos (81-99) Cap. 44-62 i.e. rouquidão, anorexia, sede, soluços, dispnéia, cólicas, infecções, vômitos, diarréia, constipação, retenção urinária, micção freqüente, “diarréia indiana” (diarréia com febre; muito perigosa para tibetanos que visitam a Índia), gota, doenças reumáticas, doenças linfáticas, “veia branca”, doenças da pele, “doenças 47
  • 48. diversas” (encurtamento dos tendões, ferimentos causados por perfurações e flechas, corpos estranhos alojados na garganta, ingestão de aranhas e escorpiões, congelamento, rigidez na nuca) Seção 8 Epidemias, úlceras 8 Capítulos (100-107) Cap. 63-70 Seção 9 Doenças das crianças 3 Capítulos (108) Cap. 71 Doenças dos bebês (109) Cap. 72 Doenças comuns na infância (110) Cap. 73 Doenças neurológicas nas crianças (causadas por energias prejudiciais) Seção 10 Doenças das mulheres 3 Capítulos (111) Cap. 74 Doenças gerais das mulheres (112) Cap. 75 Doenças específicas das mulheres (113) Cap. 76 Doenças freqüentes nas mulheres Seção 11 Doenças neurológicas 5 Capítulos (114) Cap. 77 Doenças neurológicas causadas por energias prejudiciais (115) Cap. 78 Doenças mentais, insanidade (116) Cap. 79 Perda da memória (117) Cap. 80 Paralisias (118) Cap. 81 Emagrecimento nas doenças mentais crônicas Seção 12 Ferimentos 5 Capítulos (119) Cap. 82 Lesões por armas e ferramentas de trabalho (120) Cap. 83 Lesões na cabeça (121) Cap. 84 Lesões na região do pescoço (122) Cap. 85 Ferimentos no tronco (123) Cap. 86 Ferimentos nas extremidades superiores 48
  • 49. e inferiores Seção 13 Intoxicações 3 Capítulos (124) Cap. 87 Venenos preparados artificialmente (125) Cap. 88 Envenenamentos simples (acidental) (126) Cap. 89 Envenenamentos genuínos Seção 14 Doenças senis 1 Capítulo (127) Cap. 90 Debilidade senil Seção 15 Afrodisíacos 2 Capítulos (128) Cap. 91 Suporte à pessoa idosa (129) Cap. 92 Fortalecimento do organismo em processo de envelhecimento Parte 4 bdud rtsi snying po yan lag brgyad pa gsang ba man ngag gi rgyud las dum bu bzi pa phyi ma’i rgyud -Tradução: Quarta parte do Tratado Secreto das Instruções sobre os Oito Ramos da Essência da Imortalidade, Tratado Final. -Título abreviado: Phyi ma‟i rgyud -Tradução do título abreviado: Tratado Final -Extensão: 67 fólios. 4 seções, 27 capítulos. 4 Seções 1. Exame do pulso e da urina 2 Capítulos 2. Sedativos 10 Capítulos 3. Tratamentos radicalmente efetivos 7 Capítulos 4. Tratamentos externos 6 Capítulos 25 Capítulos Conclusão 2 Capítulos 27 Capítulos 49
  • 50. Seção 1 Exame do pulso e da urina 2 Capítulos (130) Cap. 1 Exame do pulso (131) Cap. 2 Exame da urina Seção 2 Sedativos 10 Capítulos (132) Cap. 3 Tratamento com fluidos (133) Cap. 4 Pós (134) Cap. 5 Pílulas (135) Cap. 6 Pastas (136) Cap. 7 Manteiga medicinal (137) Cap. 8 Cinzas medicinais (138) Cap. 9 Xaropes, caldos (139) Cap. 10 Vinho medicinal (140) Cap. 11 Tratamentos com minerais produzidos com pedras preciosos (141) Cap. 12 Certas plantas que produzem o mesmo efeito Seção 3 Tratamentos radicalmente 7 Capítulos efetivos (142) Cap. 13 Purgantes em geral (143) Cap. 14 Purgantes com efeitos ascendentes (suaves, moderados, fortes) (144) Cap. 15 Eméticos (145) Cap. 16 Substâncias para limpeza nasal (146) Cap. 17 Elixires para purgação (147) Cap. 18 Clisters (148) Cap. 19 Misturas para limpeza dos vasos Seção 4 Tratamentos externos 6 Capítulos (149) Cap. 20 Sangrias (150) Cap. 21 Moxabustão (151) Cap. 22 Compressas (152) Cap. 23 Banhos 50
  • 51. (153) Cap. 24 Ungüentos (154) Cap. 25 Tratamento cirúrgico Conclusão 2 Capítulos (155) Cap. 26 Resumo (156) Cap. 27 Classificação das 404 doenças 51
  • 52. Saudação ao leitor. Ficou claro com o resumo xxix do conteúdo que no Tratado Raiz (Parte 1 do livro rGyud bzi) certos conceitos fundamentais foram descritos: Capítulo 1 Introdução Capítulo 2 Descrição das quatro partes do livro rGyud bzi Descrição da ciência em oito partes Capítulo 3 1. Organismos saudáveis 2. Organismos doentes Capítulo 4 3. Observação 4. Palpação 5. Questionamento Capítulo 5 6. Nutrição 7. Comportamento 8. Medicamentos 9. Métodos de tratamento (externo) Capítulo 6 Apresentação do sistema de medicina A terminologia médica deve em primeiro lugar derivar seu sistema a partir do texto; portanto, voltaremos agora ao Capítulo 6 (Parte 1) do livro rGyud bzi. 52
  • 53. O SISTEMA DA MEDICINA TIBETANA Este Capítulo 6 da Parte 1 do livro rGyud bzi está descrito como segue: A) Blocos de impressão (fólios 9b, 10a, 10b do meu bloco de impressão) B) Transliteração do texto C) Tradução do texto D) Apresentação do sistema A) (Bloco de impressão): Os livros tibetanos são apresentados como blocos de impressão (folhas soltas impressas de ambos os lados). Estes blocos de impressão são difíceis de serem adquiridos. Meu exemplar – um presente de meu professor Yeshe Donden – é muito confiável e valioso. B) (Transliteração): O livro rGyud bzi consiste principalmente de estrofes de quatro linhas, métricas. Há nove sílabas em cada verso. Os textos no livro rGyud bzi completo mostram, no entanto, que nem todos os capítulos são divididos em estrofes de quatro linhas. Os parênteses incluídos na transliteração referem-se aos fólios, páginas e linhas nos blocos de impressão. Os números entre colchetes [ ] correspondem aos mesmos na tradução, ou seja, na C) (Tradução) os números são incluídos no texto [5] -[30] desta forma de modo que o termo correspondente pode ser encontrado sem dificuldade. 53
  • 54. A) Blocos de impressão rGyud bzi, Parte 1 Capítulo 6 Fólio 9b 54
  • 55. rGyud bzi, Parte 1 Capítulo 6 Fólio 10a Fólio 10b 55
  • 56. B) Transliteração do texto de nas yang drang sron Rig pa‟i ye shes kyis „di skad ces gsungs so kye drang srong chen po ngon cig gnas lugs ngos „dzin gso ba‟i rtsa ba la [1] rnam gyur ma (9b6) gyur blta reg dri ba dang [2] zas spyod sman dpyad sdong po dgu ru „dril [3] yal ga lus la nad zungs dri ma gsum [4] nad la rgyu rkyen „dzug sgo gnas dang lam [5] ldang dus „bras bu ldog rgyu mdo don dgu [6] blta ba (10a1) lce chu reg pa rtsa la gsum [7] dri ba slong rkyen na lugs goms pa gsum [8] zas la zas skom drug ste spyod lam gsum [9] sman la ro dang nus pa gnyis gnyis drug [10] sbyar thabs zhi byed (10a2) drug dang sbyong byed gsum [11] dpyad gsum bzi bcu rtsa bdun gyes pa yin [12] rgyas pa‟i lo „dab dang po nyi shu lnga [13] nad kyi zin tig drug cu rtsa gsum dang [14] blta ba drug dang reg pa‟i rtsa rgyud gsum [15] dri ba nyer (10a3) dgu rlung zas bzi dang [16] 56
  • 57. C) Tradução do texto Então o grande sábio Rig pa‟i ye ses expressou-se novamente da seguinte maneira: “ Oh grande sábio, ouça- me! Nas raízes da organização (das partes do corpo) (A), do diagnóstico (B) (e) da terapia (C) desenvolvem-se (os seguintes) nove troncos: (organismo) alterado, (organismo (inalterado), observação, palpação, questionamento e nutrição, comportamento, medicamentos (e) métodos de tratamento (externos) (I-IX). Seus ramos no corpo (saudável) são (os seguintes): (fundamento) da doença (1), constituintes do corpo (2) (e) impurezas (excreções) (3) – três. [5] No (corpo) doente: causas (causas primárias) (4), causas desencadeantes (causas secundárias) (5), modos de entrada (6), locais de permanência (7) e caminhos (8), época de surgimento (de uma doença) (9), frutos (resultados) (10), causas contrárias (a cada uma) (11) e princípios (12) – nove. Na observação: língua e água (urina) (13, 14), no diagnóstico pelo pulso – três (15, 16, 17). No questionamento: causas produtoras (18), condições da doença (19), hábitos (20) – três. Na nutrição: alimentos (e) bebidas – seis (21-26). No comportamento – três (27, 28, 29). [10] Nos medicamentos – seis (diversos): dois (= metade de acordo com o) sabor (30, 31, 32) e dois (- metade de acordo com a) potência (33, 34, 35). Na combinação de medicamentos: sedativos – seis (36-41) e eliminativos – três (42, 43, 44). Nos 57
  • 58. tratamentos (externos) – três (45, 46, 47). (No total) quarenta e sete (ramos) subdividem-se destes troncos. No primeiro (tronco) (desenvolvem-se) vinte e cinco folhas (1-25). Na condição doentia (condição natural da doença) – sessenta e três (26-88) e na [15] observação – seis (89-94) e no diagnóstico pelo pulso – três (95-97). No questionamento – vinte e nove (98-126). Nutrição (em) (doenças) de rlung – quatorze (127-140). 58
  • 59. Mkhris zas bcu gnys bad kan zas dgu [17] spyod lam drug dang sman gyi ro nus dgu [18] khu ba gsum dang sman mar rnam pa lnga [19] thang phye bzi ril bu rnam pa gnyis [20] (10a4) tres sam lnga dang mi „da‟i bcos thabs dgu [21] dpyad ste bdun te nad gzhi brgyad cu brgyad [22] sum cu rtsa brgyad ngos bzung brtag pa ste [23] bcos pa‟i thabs la dgu bcu rtsa brgyad do [24] spyir sdoms nyis brgya rtsa (10a5) bzir rgyas pa yin [25] me tog nad med she ring gsal ba la [26] „bras bu chos nor bde ba gsum du smin [27] dpe dang sbyar te rnam grangs bkod pa yi [28] snying po lta bur bsdus pa‟i rtsa rgyud „di [29] shes rab blo ldan „ga‟ (10a6) yi spyod yul las [30] blo rmongs skye bo rnams kyis rtogs mi „gyur [31] spros dga‟ rgya chen gzhung du blta bar gyis [32] zhes gsungs nas drang srong Rig pa‟i ye shes de Sman pa‟i rgyal po‟i thugs kar thim par (10b1) gyur to / bdud rtsi snying po yan lag brgyad pa gsang ba man ngag gi rgyud las dpe don gyi rnam grangs rnam par bkod pa‟i le‟u ste drug pa‟o / bdud rtsi snying po yan lag brgyad pa gsang ba man ngag gi rgyud (10b2) las rtsa ba‟i rgyud ces bya ba rdzogs so // 59
  • 60. A nutrição (nas) (doenças) de mkhris pa (bile) – doze (141-152), alimentos e bebidas (nas) (doenças) de bad kan (fleuma) – nove (153-161). No comportamento – seis (162- 167) e no sabor e na potência (dos medicamentos) – nove (em cada) (168-185). Nas sopas – três (186-188) e na manteiga medicinal – cinco tipos (189-193). [20] Nas decocções e nos pós – quatro (em cada) (194-197), (198- 201), nas pílulas – dois tipos (202-203). Nas pastas – cinco (204-208) e nos medicamentos (eliminativos) – nove (209- 217). Nos tratamentos (externos) – sete (218-224). Bases das doença: desenvolvem-se oitenta e oito (folhas). Há trinta e oito (folhas) para os métodos diagnósticos. Para os métodos terapêuticos há noventa e oito (folhas). [25] No total desenvolvem-se duzentas e vinte e quatro (folhas). As (duas) flores desabrocham com a longevidade e na ausência de doença (saúde), (e) desenvolvem-se como três frutos: religião, prosperidade e felicidade. Com a listagem do número (de raízes, troncos, etc.) juntamente com a comparação (com a Árvore da Vida) este Tratado Raiz é delineado (resumidamente) (de tal forma) (como se fosse) o coração (a essência) ( dos três tratados seguintes). [30] Como (este Tratado Raiz) é a esfera de atividade somente das pessoas com um pouco de sabedoria e inteligência, aquelas pessoas menos inteligentes não o compreenderão, (no entanto, se elas) 60
  • 61. desejam trabalhar, permitam-nas consultar trabalhos mais detalhados.” Assim ele se pronunciou. Então o sábio Rig pa‟i ye ses emergiu do coração do Rei dos Médicos. O sexto capítulo sobre uma apresentação completa do número (lista) de comparações (com a Árvore da Vida) a partir do Tratado Secreto da Instrução sobre os Oito Ramos da Essência da Imortalidade. Aqui termina o assim-chamado Tratado Raiz do Tratado Secreto da Instrução sobre os Oito Ramos da Essência da Imortalidade. 61
  • 62. D) Apresentação do sistema O sistema deve ser derivado do texto. A identificação de todos os termos (raízes, troncos, ramos e folhas) foi possível apenas com as explicações seguintes, os comentários e diagramas: 1) Explicações orais de Yeshe Donden que elucidou cada termo. 2) Comentários e diagramas feitos a partir das reproduções dos blocos de impressão. a- cha lag bco brgyad (Detalhes, ver no apêndice “Títulos dos Trabalhos”). b- gso byed bdud rtsi‟i „khrul med ngos „dzin bzo rig me long du rnam par shar pa mdzes mtshar mig rgyan zhes bya ba bzhugs so (Detalhes, ver no apêndice “Títulos dos Trabalhos”). O Sistema é descrito nas primeiras oito páginas. Na apresentação do Sistema os termos no texto traduzido são apresentados com letras e números (Raízes A-C, Troncos I-IX, Ramos 1-47, Folhas 1-224). Antes da apresentação, no entanto, alguns dos termos devem ser explicados: [2] rnam gyur xxx = alterado. Este termo é o primeiro a aparecer no texto; no entanto ele se aplica ao Tronco II = organismo doente. [2] ma gyur = não alterado. Este termo aparece em segundo lugar no texto (provavelmente devido à métrica); no entanto, aplica-se ao Tronco I = organismo saudável, que deve vir em primeiro lugar no texto. 62
  • 63. O Sistema de medicina tibetana é representado sob a forma de uma árvore a qual possui três raízes: Raiz A = Organização (das partes do corpo) Raiz B = Diagnóstico Raiz C = Terapêutica Destas três raízes brotam nove troncos: Raiz A Raiz da Organização (das partes do corpo) gnas lugs rtsa ba Tronco I Não alterado (i.e. organismo saudável) rnam par ma gyur pa Tronco II alterado (i. e. organismo doente) rnam par gyur pa Raiz B Raiz do Diagnóstico (exame) ngos „dzin rtsa ba Tronco III Observação blta ba Tronco IV Palpação reg pa Tronco V Questionamento dri ba Raiz C Raiz da Terapêutica (métodos de tratamento) gso ba‟i rtsa ba Tronco VI Nutrição (dieta) zas Tronco VII Comportamento spyod pa (spyod lam) Tronco VIII Medicamentos sman Tronco IX (externo) Métodos de tratamento dpyad pa 9 Troncos 63
  • 64. Estes nove troncos correspondem às nove partes da ciência médica: Tronco I = Organismo saudável Tronco II = Organismo doente Tronco III = Observação Tronco IV = Palpação Tronco V = Questionamento Tronco VI = Nutrição Tronco VII = Comportamento Tronco VIII = Medicamentos Tronco IX = Métodos de tratamento Destes nove troncos crescem quarenta e sete ramos: Raiz A Tronco I Organismo saudável não alterado rnam par ma gyur pa (Bases da) doença (1) nad Constituintes do corpo (2) lus zungs Impurezas (3) dri ma 3 ramos Tronco II Organismo doente alterado rnam par gyur pa Causas (causas primárias) (4) rgyu Causas desencadeantes (secundárias) (5) rkyen Modos de entrada (6) „jug sgo 64
  • 65. Sítios de localização (7) gnas Trajetórias (8) lam Época de aparecimento (9) ldang dus Frutos (conseqüências) (10) „bras bu Causas opostas (umas às outras) (11) ldog rgyu Princípios (12) mdo don 9 ramos Raiz B Tronco III Observação blta ba Língua (13) lce Água (urina) (14) chu 2 ramos Tronco IV Palpação reg pa Diagnóstico pelo pulso (nas reg pa‟i rtsa rgyud doenças de rlung, mkhris pa e bad kan) (15, 16, 17) 3 ramos Tronco V Questionamento dri ba Causas produtoras (18) slong rkyen Condições das doenças (19) na lugs Hábitos (20) goms 3 ramos Raiz C Tronco VI Nutrição zas Alimentos (para rlung, mkhris zas 65
  • 66. pa e bad kan) (21-23) 3 ramos Bebidas (para rlung, mkhris pa skom e Bad kan) (24-26) 3 ramos Tronco VII Comportamento spyod pa (spyod lam) (para rlung, mkhris pa e Bad kan) (27-29) 3 ramos Tronco VIII Medicamentos sman Sabor (para rlung, mkhris pa e ro bad kan) (30-32) 3 ramos Potências (para rlung, mkhris nus pa pa e bad kan) (33-35) 3 ramos Sedativos (para rlung, mkhris zhi byed pa e bad kan) (36-41) 6 ramos Medicamentos eliminatórios sbyong byed (para rlung, mkhris pa e Bad kan) (42-44) 3 ramos Tronco IX Métodos de tratamento dpyad pa (externo) (para rlung, mkhris pa e Bad kan) (45-47) 3 ramos 66
  • 67. Sumário Tronco I 3 Ramos Raiz A - 12 Ramos Tronco II 9 Ramos Tronco III 2 Ramos Tronco IV 3 Ramos Raiz B - 8 Ramos Tronco V 3 Ramos Tronco VI 6 Ramos Tronco VII 3 Ramos Tronco VIII 15 Ramos Raiz C - 27 Ramos Tronco IX 3 Ramos 47 Ramos Estes quarenta e sete ramos correspondem aos detalhes gerais dos Troncos I-IX. Destes quarenta e sete ramos brotam duzentas e vinte e quatro folhas: Raiz A Tronco I (1-25) 25 Tronco II (26-88) 63 67
  • 68. Raiz B Tronco III (89-94) 6 Tronco IV (95-97) 3 Tronco V (98-126) 29 Raiz C Tronco VI (127-161) Nutrição nas doenças de rlung rlung zas 14 (127-140) Nutrição nas doenças de mkhris pa mkhris pa zas 12 (141-152) Nutrição nas doenças de Bad kan bad kan zas skom 9 (153-161) Tronco VII (162-167) 6 Tronco VIII (168-217) Sabor ro 9 (168-176) Potência nus pa 9 (177-185) Sopas (rlung) khu ba 3 (186-188) Manteiga medicinal (rlung) sman mar 5 (189-193) Decocções (mkhris pa) thang 4 (194-197) Pós (mkhris pa) phye 4 (198-201) Pílulas (Bad kan) ril bu 2 (202-208) Pastas (Bad kan) tres sam 5 (204-208) 68
  • 69. Medicamentos para limpeza mi „da‟i bcos thabs 9 (209-217) Tronco IX (218-224) 7 224 folhas Sumário Tronco I 25 folhas Raiz A - 88 folhas Tronco II 63 folhas Tronco III 6 folhas Raiz B - 38 folhas Tronco IV 3 folhas Tronco V 29 folhas Tronco VI 35 folhas Raiz C - 98 folhas Tronco VII 6 folhas Tronco VIII 50 folhas Tronco IX 7 folhas 224 folhas Estas 224 folhas correspondem aos detalhes específicos dos Troncos I-IX. Há (duas) flores (nad med pa = saúde e tshe ring = longevidade), que geram três frutos (chos = religião, nor = prosperidade e bde = felicidade). As flores e os frutos estão classificados no Tronco I, “Organismo saudável”. 69
  • 70. O Sistema da Medicina Tibetana: 3 Raízes 9 Troncos 47 Ramos 224 Folhas 9 áreas da ciência 47 224 detalhes médica detalhes específicos gerais Raiz A I Organismo saudável 3 25 Organização II Organismo doente 9 63 12 88 Descrito no livro rGyud bzi, Parte 1, Capítulo 3 Raiz B III Observação 2 6 Diagnóstico IV Palpação 3 3 V Questionamento 3 29 8 38 Descrito no livro rGyud bzi, Parte 1, Capítulo 4 Raiz C VI Nutrição 6 35 Terapia VII Comportamento 3 6 VIII Medicamentos 15 50 IX Métodos de tratamento (externo) 3 7 27 98 Descrito no livro rGyud bzi, Parte 1, Capítulo 5 70
  • 71. ORGANISMO SAUDÁVEL E DOENTE No capítulo anterior o Sistema da medicina tibetana foi extraído do texto e apresentado. O próximo passo é descrever as nove áreas da ciência médica. Da primeira raiz saem dois troncos que correspondem às duas primeiras áreas da ciência médica denominadas: Tronco I = organismo saudável e Tronco II = organismo doente. Estes dois troncos são descritos no Capítulo 3 (Parte 1) do livro rGyud bzi. Devemos, portanto, dedicarmos ao Capítulo 3 agora, o qual será exposto da mesma maneira que o capítulo anterior: A) Blocos de impressão (fólios 6b, 7a, 7b, 8a de meus blocos de impressão B) Transliteração do texto C) Tradução do texto D) Apresentação C) (Tradução): a tradução deste capítulo apresentou grandes problemas. Ainda que a tradução de Yeshe Donden, acompanhada com suas explicações orais tenham possibilitado a identificação das oitenta e oito folhas, minha tradução foi bastante imprecisa. A tradução do sétimo ramo foi particularmente difícil. Entretanto, recorri ao Professor Emmerick para auxiliar- me, e foi ele quem traduziu estas passagens e finalmente produziu uma tradução em inglês de todo o capítulo. Esta primeira tradução em inglês, para a qual os tradutores tiveram acesso aos meus blocos de 71
  • 72. impressão, foi gentilmente colocada à minha disposição. O Professor Emmerick havia dado início à tradução do livro rGyud bzi; um número considerável de capítulos já pode ser utilizado. É importante mencionar aqui que os comentários tibetanos (por exemplo, “Bai du rya sngon po”) foram extensamente utilizados. O capítulo em questão foi revisado e expandido. xxxi Felizmente uma tradução deste importante livro está sendo realizada afinal por um especialista. 72
  • 73. A) Bloco de impressão rGyud bzi, Parte 1 Capítulo 3 Fólio 6b Fólio 7a 73
  • 74. rGyud bzi, Parte 1, Capítulo 3 Fólio 7b Fólio 8a 74
  • 75. B) Transliteração do texto de nas drang srong Yid las skyes kyis drang sron Rig pa‟i ye shes „di skad ces gsol to kye ston pa drang sron Rig (6b5) pa‟i ye shes lags gso ba rig pa‟i rgyud sde rnam bzi las rtsa ba‟i rgyud la ji ltar bslab par bgyi „tsho mdzad sman pa‟i rgyal pos btsad du gsol zhes zhus pa las / thugs kyi sprul (6b6) pa drang sron Rig pa‟i ye shes kyis „di skad ces gsungs so kye drang sron chen po Yid las skyes dan po rtsa rgyud mdo yi gnas bstan pa [1] rtsa ba gsum la „dril ba‟i sdong po dgu [2] (7a5) gyes pa‟i yal ga bzi bcu rtsa bdun te [3] lo „dab nyis brgya rtsa bzhir rgyas pa yin [4] gsal ba‟i me tog „bras bu lnga ru smin [5] „di dag rtsa ba‟i rgyud kyi sdoms su bshad [6] de nyid rgyas par bkrol na „di lta ste [7] nad dang lus zungs dri (7a6) ma rnam pa gsum [8] rnam par ma gyur pa dang gyur pa las [9] 75
  • 76. C) Tradução do texto Então, pronunciou-se o sábio Yid las skyes ao sábio Rig pa‟i ye shes: “Oh professor, sábio Rig pa‟i ye ses! Como o Tratado Raiz dos Quatro Tratados sobre a ciência médica pode ser aprendido? Permita que ele seja exposto pelo Médico, o Rei da Medicina.” Sendo formulada a questão, o sábio Rig pa‟i ye shes, a Emanação do Coração (de Buda), falou como segue: “Oh grande sábio Yid las skyes! Primeiro, deve ser ensinado o tópico contendo um resumo (do ensinamento) do Tratado Raiz. Nas três raízes há nove troncos que crescem (delas). (Destes), emergem quarenta e sete ramos, e brotam duzentas e vinte e quatro folhas. [5] (Duas) flores reluzentes (e seus três) frutos se desenvolvem. Estes (aspectos) são explicados neste resumo do Tratado Raiz. Se estas verdades forem explicadas, seus detalhes serão como segue: De acordo, se os três fatores a seguir: as (bases das) doenças, os constituintes corporais e as excreções estiverem inalteradas ou se estiverem alteradas, 76
  • 77. lus ni gnas dang „joms par byed pa yin [10] nad ni rlung dang mkhris pa bad kan gsum [11] srog „jin gyen rgyu khyab byed me thur sel [12] „ju byed mdangs sgyur sgrub (7b1) mthong mdog gsal lnga [13] rten myag myong tshin „byor byed bco lnga‟o [14] dangs ma khrag sha tshil rus rkang khu ba [15] lus zungs bdun yin dri ma bshang gci rngul [16] de ltar rnam grangs nyi shu lnga po [17] ro dang nus pa spyod lam rnam (7b2) gsum po [18] thams cad mnyam par gnas pas „phel „gyur zhing [19] de las ldog pa gnod par „gyur ba yin [20] nad ni skyed par byed pa‟i rgyu gsum ste [21] de la lhan cig bskyed pa‟i rkyen bzi yis [22] „jug sgo rnam pa drug tu (7b3) zhugs nas ni [23] lus kyi stod smad bar du gnas bcas shing [24] rgyu bar byed pa‟i lam ni bco lnga ru [25] na so yul dus dgu ru „phel byed de [26] „bras bu srog gcod pa yi nad dgur smin [27] ldog pa‟i rgyu ni bcu dang gnyis su „gyur [28] (7b4) mdo don dril bas tsha grang gnyis su „dus [29] 77
  • 78. [10] eles fazem com que o corpo permaneça saudável ou o destróem. As (bases das) doenças são três: rlung (vento), mkhris pa (bile) e bad kan (fleuma) (I). Os cinco (tipos de rlung são: aquele que) sustenta a vida (1), (aquele que) produz claridade (do quilo) (7), (aquele que) satisfaz (os desejos) (8), (aquele que produz) visão (9), (e aquele que torna) clara a cor (da pele) (10). (Os cinco tipos de mkhris pa são: aquele que) apóia (11), (aquele que causa) decomposição (12), (aquele que produz) sabor (13), (aquele que causa) satisfação (14) (e aquele que) faz (com que as articulações) se curvem (15). (Estes grupos – cinco de cada – perfazem) quinze. [15] Quilo (16), sangue (17), carne (18), gordura (19), osso (20), medula óssea (21), (e) sêmen (22) são os sete constituintes do corpo (II). As excreções (impurezas) são fezes (23), urina (24) (e) sudorese (25). Portanto, o total é vinte e cinco. Se o sabor, a potência (do alimento) e o comportamento, (estes) três fatores (e) todos (os vinte e cinco itens acima mencionados) permanecem equilibrados, (o vigor do corpo) se elevará, [20] mas, se tais fatores se desviarem deste (estado de equilíbrio), eles prejudicarão (o corpo). 78
  • 79. Dependendo das doenças, há três causas primárias que as produzem (IV), (acompanhadas) por quatro causas secundárias, que as desenvolvem em conjunção com cada (caso) (V). Quando (estas doenças) entrarem (no corpo) através das seis maneiras de entrar (VI), elas se localizam em seus sítios de residência (VII), nas (partes) superior, média e inferior do corpo [25] mas nas quinze trajetórias de circulação (VIII), nas quais (aquelas causas) fazem as doenças circularem, são a idade, a região e as estações (IX) que fazem com que se desenvolvam de nove (maneiras). Quando seus frutos (resultados) (X) estiverem amadurecidos em nove doenças que interrompem a vida, como causas desencadeantes (primárias) que são opostas (entre si), elas tornam-se doze (XI). (Todas estas doenças) podem ser condensadas em dois princípios (XII): quente e frio. 79
  • 80. De ltar drug cu rtsa gsum gso bya‟i nad [30] de la „dod chags zhe sdang gti mug gsum [31] rlung mkhris bad kan rim pas skyed pa‟i rgyu [32] de la dus gdon zas dang spyod lam bzhiz [33] de dag (7b5) „phel dang zad par gyur nas ni [34] pags la gram zhing sha la rgyas pa dang [35] rtsa ru rgyu zhing rus la zhen pa dang [36] don la „bab cing snod du lhung bar „gyur [37] bad kan klad pa la brten stod na gnas [38] mkhris pa mchin dri la brten bar na (7b6) gnas [39] rlung ni dpyi rke la brten smad na gnas [40] rus pa rna ba reg bya snying srog long [41] khrag rngul mig dang mchin mkhris rgyu ma dang [42] dvangs ma tsha tshil rkang khu btsang gci dang [43] sna lce glo mcher pho mkhal lgang pa rnams [44] lus (8a1) zungs dri ma dbang po don snod lnga [45] rlung mkhris bad kan rgyu ba‟i lam du btsad [46] rgas pa rlung mi dar ma mkhris pa‟i mi [47] byis pa bad kan mi yin na sos gnyan [48] ngad can grang ba rlung gi yul yin te [49] 80
  • 81. [30] Há portanto sessenta e três tipos de doenças (a maioria das) quais podem ser curadas. Dentre estas existem três (denominadas) desejo (26), aversão (27), ilusão (28) que são as (três) causas desencadeantes (primárias) da elevação de rlung (vento), mkhris pa (bile) e bad kan (fleuma) respectivamente. Quando estes (três) conectados elevam-se ou reduzem-se através das quatro (causas secundárias, denominadas) época (29), energias prejudiciais (demônios) (30), nutrição (31) e comportamento (32), (penetram o corpo através das seis formas de entrada, ou seja) [35] espalham-se pela pele (33), expandem-se na carne (34), circulam nas veias (35), estabelecem-se nos ossos (36), descem para os órgãos sólidos (37) e penetram nos órgãos ocos (38). Bad kan, mantido no cérebro, tem como sítio a região superior (39) (do corpo). Mkhris pa, mantido no diafragma, tem como sítio a região mediana (40) (do corpo). [40] rlung, mantido nos quadris e coxas tem como sítio a região inferior (41) (do corpo). Ossos (42), audição (44), tato (44), coração (45), (canais) vitais (45) e intestino grosso (46); sangue (47), sudorese (48), olhos (49), fígado (50), vesícula biliar (51) e intestino delgado (51); quilo (52), carne (52), gordura (52), medula óssea (52), sêmen (52), fezes (53), urina (53), nariz (54), língua (54), pulmões (55), baço (55), estômago (56), rins (55) e bexiga urinária (56); [45] afirma-se que (cada uma das) cinco (categorias): constituintes corporais, excreções, órgãos sensoriais, órgãos sólidos e ocos são 81
  • 82. trajetórias de circulação de rlung (vento), mkhris pa (bile) e bad kan (fleuma). Uma pessoa idosa (57), (de acordo com sua natureza,) está (sob a influência de) rlung; uma pessoa jovem (58), (de acordo com sua natureza,) está (sob a influência de) mkhris pa; uma criança (59) (de acordo com sua natureza,) está (sob a influência de) bad kan, (ou seja), a doença (é determinada) pela fase da vida. (Uma região) fria (e) com brisas perfumadas (60) é uma região na qual ocorre (aumento de) rlung. 82
  • 83. (8a2) skam sa tsha gdung che ba mkhris pa‟i yul [50] rlan can snum pa bad kan yul du btsad [51] rlung nad dbyar dus dgongs dang tho rangs ldang [52] mkhris pa ston dus nyin dgung mshan dgung ldang [53] bad kan dpyid dus srod dang snga (8a3) dro ldan [54] „tsho ba gsum zad „du ba gshed du babs [55] sbyor ba mshungs dang gnad du babs pa dang [56] dus „das rlung nad srog rten chad pa dang [57] tsha ba la „das grang ba gting „khar ba [58] zungs kyis mi thub rnam par „tshe ba (8a4) rnams [59] „bras bu srog gcod nad dgu zhes su btsad [60] rlung mkhris bad kan tzi dang ma tzi ba [61] gnyis gnyis bzi ru ldog pas bcu gnyis so [62] rlung dang bad kan grang ba chu yin te [63] khrag dang mkhris pa cha ba me ru „dod [64] (8a5) srin dang chu ser cha grang thun mong gnas [65] de ltar rnam grangs brgyad cu rtsa brgyad kyis [66] nad gzhi‟i rnam pa ma lus shes par „gyur [67] tzes gsungs so bdud rtsi snying po yan lag brgyad pa gsang ba man ngag gi rgyud las (8a6) lugs nad gzhi‟i le‟u ste gsum pa‟o 83
  • 84. [50] (Uma região de) terra seca (e) quente (61), e onde, conseqüentemente, prevalece a miséria, é uma região onde ocorre (elevação de) mkhris pa (bile), (e uma região) úmida e oleosa (62) é uma região onde ocorre (elevação de) bad kan. As doenças de rlung emergem na estação chuvosa (verão), no final da tarde e ao amanhecer (63), as doenças de mkhris pa emergem no outono, ao anoitecer e à meia- noite (64). As doenças de bad kan emergem na primavera, ao anoitecer e pela manhã (65). [55] Os três fatores que sustentam a vida completaram-se (esgotaram-se) (66). A combinação (de frio e quente oculta o tratamento necessário, desta forma, o paciente) cai nas mãos do algoz (67). Mistura (de medicamentos) semelhantes (68) (à doença sendo ela quente ou fria). Um ponto vital é atacado (69) (por armas). A sustentação da vida é interrompida, (porque) o tempo no qual era possível o (tratamento) da doença causada por rlung terminou (70). (O momento certo) (para o tratamento de uma doença) quente foi ultrapassado (71). Ser acometido por frio intenso (72), (porque o momento certo para o tratamento de uma doença fria passou). Os constituintes (corporais) não são capazes de suportar (tratamentos médicos) (73). Perseguição aguda (74) (por energias prejudiciais): [60] estas nove doenças que encurtam a vida são conhecidas como fruto (o resultado). rlung, mkhris pa e bad kan – estando equilibrados ou não equilibrados – combinados de dois em dois – tornam- se opostos um ao outro – de quatro (formas), resultando em doze (causas opostas umas às outras) (75-86). 84
  • 85. rlung e bad kan são (por natureza) frios (e semelhantes à) água (87). Sangue e mkhris pa são (por natureza) quentes (e semelhantes ao) fogo (88). [65] Microorganismos e soro são considerados frios e quentes. Portanto, com a enumeração dos oitenta e oito itens, todos os tipos de bases para as doenças são conhecidos.” Assim disse ele. O Terceiro capítulo sobre a organização (das partes do corpo e) as bases das doenças do Tratado Secreto da Instrução sobre os Oito Ramos da Essência da Imortalidade. 85
  • 86. D) Apresentação Esta parte de nosso estudo continua com a definição da terminologia médica que tem prioridade para iniciar a pesquisa em medicina tibetana, e a qual, sem especulações filosóficas, deve ser deduzida a partir dos textos. Esta inflexível apresentação, entretanto, obrigará o leitor a ter o trabalho de executar esta terminologia médica por si mesmo. Yeshe Donden explicou cada um dos conceitos individuais, e certos termos que correspondem aos ramos e folhas individuais deste complicado sistema foram enumerados. Antes de dar início à apresentação do organismo saudável e doente, alguns dos termos devem ser explicados, por exemplo, aqueles cujos equivalentes em sânscrito foram fornecidos: No começo do capítulo o sábio Yid las Skyes (Sânscrito: Manasija) pede ao sábio Rig pa‟i ye shes (Sânscrito: Vidyajnana), que já foi mencionado no capítulo anterior, para explicar a ciência médica para ele. Ambos os sábios são personificações (sprul pa) do Buda da Medicina sMan rgyal po (Bhaishajyaraja). [15] dangs ma e [43] dvangs ma xxxii [65] chu ser = de acordo com alguns autores: “Pus”, mas Yeshe Donden explica esta palavra como: Soro - linfa - acúmulo de fluido aquoso. [65] tsha ba, grang ba = aqui tem também diversos significados. Yeshe Donden: Parasitas (microorganismos) e soro (acúmulos de fluido aquoso) estão relacionados – quando causado por sangue e bile – ao calor, e quando causado por rlung e bad kan – ao frio. 86
  • 87. A partir do texto podem ser definidos os seguintes termos: Tronco I = organismo saudável 3 ramos (detalhes gerais) 25 folhas (detalhes específicos) Tronco II = organismo doente 9 ramos (detalhes gerais) 63 folhas (detalhes específicos) Os termos – extraídos do texto em questão – precisam ser, algumas vezes, traduzidos no sistema apresentado com algumas alterações gramaticais; na definição dos nove ramos do Tronco II, as abreviações tibetanas usuais tiveram que ser adicionadas. 87
  • 88. Raiz A, Tronco I inalterado (i. e. = organismo saudável) rnam par ma gyur pa Tronco I possui 3 ramos: 1º ramo = (bases das) doenças (I) nad vento rlung bile mkhris pa fleuma bad kan 2º ramo = constituintes do corpo (II) lus zungs 3º ramo = excreções (impurezas) dri ma 3 ramos Estes 3 ramos correspondem aos detalhes gerais do tronco = organismo saudável. Do 1º ramo crescem 15 folhas Vento rlung 1 Sustentador da vida (1) srog „dzin 2 Movimento ascendente (2) gyen rgyu 3 Penetrante (3) khyab (byed) 4 (Acompanha) fogo (4) me xxxiii 5 Remoção descendente (5) thur sel bile mkhris pa 1 Promoção da digestão (6) „ju byed 2 Produção de radiância (7) mdangs sgyur 3 Satisfação (desejos) (8) sgrub 4 Promoção da visão (9) mthong (byed) 5 Clareia a cor (da pele) (10) mdog gsal 88
  • 89. fleuma bad kan 1 Sustentador (11) rten (byed) 2 Decomposição (12) myag (byed) 3 (Promove o) sabor (13) myong (byed) 4 (Promove a) satisfação (14) tsim (byed) 5 (Promove a) flexão (15) „byor byed Vento, bile e fleuma apresentam, cada um, cinco tipos: todos os quinze tipos possuem uma localização, uma função e uma área de atividade particular. Do 2º ramo crescem 7 folhas Constituintes do corpo lus zungs 1 Quilo (16) dangs ma 2 Sangue (17) khrag 3 Carne (18) sha 4 Gordura (19) tshil 5 Ossos (20) rus pa 6 Medula óssea (21) rkang 7 Sêmen (22) khu ba O quilo é transformado em sangue – o sangue enriquece diferentes partes do corpo e transforma-se em carne – a carne transforma-se em gordura – a gordura transforma-se em osso – o osso transforma-se em medula óssea – a medula óssea transforma-se em sêmen (na mulher, em “secreção interna”). 89
  • 90. Do 3º ramo saem 3 folhas Excreções (impurezas) dri ma 1 Fezes (23) bshang ba 2 Urina (24) gci ba 3 Suor (25) rngul 25 folhas Estas 25 folhas contém detalhes específicos do tronco = organismo saudável. Raiz A Tronco I 3 ramos Ramo 1 = 15 folhas Ramo 2 = 7 folhas Ramo 3 = 3 folhas 25 folhas Do tronco I crescem também: 2 flores = saúde e longa vida 3 frutos = religião, prosperidade e felicidade 90
  • 91. Raiz A, Tronco II alterado (i.e. = organismo doente) rnam par gyur pa O Tronco II tem 9 ramos 1º ramo = causas produtoras skyed par byed pa‟i rgyu (primárias) (IV) (rgyu) 2º ramo = causas desencadeantes lhan cig bskyed pa‟i rkyen (secundárias) (V) (rkyen) 3º ramo = formas de entrada (VI) „jug sgo 4º ramo = locais de instalação (VII) gnas 5º ramo = trajetórias (VIII) rgyu bar byed pa‟i lam (lam) 6º ramo = idade, região, época (IX) na so, yul, dus (ldang dus) 7º ramo = frutos (resultados) (X) „bras bu 8º ramo = causas opostas ldog pa‟i rgyu (ldog rgyu) (uma à outra) (XI) 9º ramo = princípios (XII) mdo don (dril) 9 ramos Estes 9 ramos correspondem aos detalhes gerais do tronco = organismo doente. Do 1º ramo crescem 3 folhas Causas produtoras (primárias) skyed par byed pa‟i rgyu (rgyu) 1 Desejo (26) (Relacionado a rlung e „dod chags produz 42 doenças) 2 Aversão (27) (Relacionado a mkhris zhe sdang pa e produz 26 doenças) 3 Ilusão (28) (Relacionado a bad kan e gti mug produz 33 doenças) xxxiv 91
  • 92. As três causas produtoras correspondem aos três venenos = dug gsum. Na Roda da Vida tibetana, o centro da roda consiste destes três símbolos: 1 Desejo = galo vermelho 2 Aversão = cobra verde 3 Ilusão = porco negro Do 2º ramo crescem 4 folhas Causas desencadeantes (secundárias) lhan cig bskyed pa‟i rkyen (rkyen) 1 Época (29) dus 2 Energias prejudiciais (30) gdon 3 Nutrição (31) zas 4 Comportamento (32) spyod pa Do 3º ramo crescem 6 folhas Formas de entrada „jug sgo 1 Pele (33) pags pa 2 Carne (34) sha 3 Vasos, nervos (35) rtsa 4 Ossos (36) rus pa 5 Órgãos sólidos (37) don 6 Órgãos ocos (38) snod As seis formas de entrada possuem as seguintes funções: 1. As doenças difundem-se na pele. 2. As doenças expandem-se na carne. 3. As doenças circulam nas veias, (nervos). 4. As doenças assentam-se firmemente nos ossos. 5. As doenças descem para dentro dos órgãos sólidos (don). 92
  • 93. 6. As doenças acumulam-se nos órgãos ocos (snod). As doenças originam-se nas seis entradas. Do 4º ramo crescem 3 folhas Locais de instalação (sítios) gnas 1 Região superior (39) stod na gnas 2 Região mediana (40) bar na gnas 3 Região inferior (41) smad na gnas 1. Região superior do corpo: Doenças quem em seu estágio inicial, são causadas por bad kan, instalam-se no cérebro, ou seja, estão localizadas na região superior do corpo. 2. Região mediana do corpo: Doenças que, em seu estágio inicial, são causadas por mkhris pa, ou seja, estão localizadas na região mediana do corpo. 3. Região inferior do corpo: Doenças que, em seu estágio inicial, são causadas por rlung, ou seja, estão localizadas na região inferior do corpo. Do 5º ramo saem 15 folhas Trajetórias (circulação) rgyu bar byed pa‟i lam (lam) Aqui dois conceitos são apresentados de forma combinada: a) rlung (vento), mkris pa (bile) e bad kan com b) os 5 componentes 1 Constituintes do corpo lus zungs 2 Impurezas (excreções) dri ma 3 Órgãos sensoriais dbang po 93
  • 94. 4 Órgãos sólidos don 5 Órgãos ocos snod Os primeiros dois componentes já foram descritos: 3 Órgãos sensoriais dbang po 1 Ouvidos (44) rna ba 2 Tato (44) reg bya 3 Olhos (49) mig 4 Nariz (54) sna 5 Língua (54) lce 4 Órgãos sólidos don xxxv 1 Coração (45) snying 2 Fígado (50) mchin pa 3 Pulmões (55) glo ba 4 Baço (55) mcher pa 5 Rins (55) mkhal ma 5 Órgãos ocos snod 1 Intestino grosso (46) long ka 2 Vesícula biliar (51) mkhris pa 3 Intestino delgado (51) rgyu ma 4 Estômago (56) pho ba 5 Bexiga urinária (56) lgang pa (6 Vesícula seminal, útero) (bsam se‟u) Esta classificação dos órgãos em grupos é notável. Na medicina tradicional chinesa os seguintes órgãos são definidos como os cinco tsang = órgãos sólidos (yin): fígado, coração, baço, pulmões, rins, (circulação – sexo). Este grupo de órgãos correspondem aos cinco don. Os seis fu = órgãos ocos são mostrados como: vesícula biliar, intestino delgado, intestino grosso, bexiga, triplo aquecedor. A classificação dos órgãos nestes grupos é idêntica à chinesa.xxxvi O órgão “bsam se‟u”, que aparece 94
  • 95. no sexto lugar e que não é encontrado em nosso texto, pertence a snod (órgãos ocos). No entanto, deve ser mencionado aqui que os tibetanos geralmente assinalam este órgão como o sexto snod; ele representa um papel importante na prática, isto é, no diagnóstico pelo pulso, xxxvii visto que aqui seis snod são palpados. A descrição das trajetórias mostra pela primeira vez uma combinação dos órgãos e suas relações com rlung, mkhris pa e bad kan. As quinze trajetórias, ao longo das quais se movimentam as doenças, são – de acordo com Yeshe Donden – controladas pelos cinco componentes: constituintes corporais, excreções, órgãos sensoriais, don e snod. Yeshe Donden denomina estas trajetórias de “canais”. Rlung (vento), mkhris pa (bile) e bad kan (fleuma) possuem diferentes “canais” ou trajetórias nos quais eles circulam: rlung como constituinte corporal: ossos rlung como excreção: (pêlos) [ba spu]xxxviii rlung como órgão sensorial: ouvido, [tato] rlung como don (órgão sólido): coração [canais vitais] rlung como snod (órgão oco): intestino grosso mkhris pa como constituinte corporal: sangue mkhris pa como excreção: suor mkhris pa como órgão sensorial: olho mkhris pa como don (órgão sólido): fígado mkhris pa como snod (órgão oco): vesícula biliar, intestino delgado bad kan como constituinte corporal: quilo, carne, gordura, medula óssea, sêmen bad kan como excreção: fezes, urina 95
  • 96. bad kan como órgão sensorial: nariz, língua bad kan como don (órgão sólido): baço, rins, pulmões bad kan como snod (órgão oco): estômago, bexiga rlung mkhris pa bad kan 1 6 11 Constituintes Quilo, carne, corporais Ossos* Sangue gordura, medula óssea, sêmen 42 47 52 2 7 12 Excreções [Pêlos] Suor Fezes, urina 43 48 53 3 8 13 Órgãos Ouvido [tato] Olho Nariz, língua sensoriais 44 49 54 4 9 14 Órgãos Coração Baço, rins, sólidos (don) [canais Fígado pulmões vitais] 45 50 55 5 10 15 Órgãos ocos Vesícula (snod) Intestino biliar, Estômago, grosso intestino bexiga delgado 46 51 56 A atribuição dos cinco componentes a rlung (vento), mkhris pa (bile) e bad kan (fleuma) pode ser esclarecido através das explicações orais de Yeshe Donden. 96
  • 97. Do 6º ramo crescem 9 folhas Idade, região, época na so, yul, dus (ldang dus) 1 Idade na so Uma pessoa idosa (57) rgas pa sofre principalmente de doenças de rlung (vento). Uma pessoa jovem (58) mi dar ma sofre principalmente de doenças de mkhris pa (bile). Uma criança (59) byis pa sofre principalmente de doenças de bad kan (fleuma). 2 Região yul Em locais frios e com brisa perfumada (60) ngad can predominam doenças de rlung. grang ba Em locais quentes e secos (61) skam pa predominam as doenças de mkhris pa. tsha ba Em locais úmidos e oleosos (62) rlan can predominam as doenças de bad kan snum pa 3 Época dus Na estação chuvosa (verão), dbyar ka no começo da noite (tarde) e dgongs ao amanhecer (63), ocorrem as doenças de tho rangs rlung. No outono, à noite e ston ka à meia noite (64) ocorrem as doenças de nyin dgung mkhris pa mtshan dgung Na primavera, ao anoitecer e pela manhã dpyid ka (65) ocorrem as doenças de bad kan. srod 97
  • 98. snga dro Do 7º ramo crescem 9 folhas Resultados (frutos) „bras bu 1 Os três fatores vitais completaram-se (66) „tsho ba gsum (i. e. = aqueles determinados pelo tempo de zad pa vida, pelo mérito e pelas mortes anteriores) 2 A combinação caiu nas mãos do algoz (67) „du ba gshed du (i.e. = a combinação de quente e frio oculta o babs pa tratamento necessário). 3 Mistura (de medicamentos) semelhantes (68) sbyor ba (i. e. = com relação ao calor ou frio, apega-se mtsungs pa firmemente ao mesmo tratamento, ao invés de alterá-lo. 4 Um ponto vital é atacado (por armas) (69) gnad du babs (i. e. = órgãos vitais são lesados). pa 5 A sustentação da vida é interrompida, (porque) dus „das rlung o tempo no qual era possível o (tratamento) da nad srog rten doença por rlung terminou (70). chad pa 6 (O momento) (para o tratamento de uma tsha ba la „das doença) quente foi ultrapassado (71). pa 7 Ser acometido por frio intenso (72) grang ba gting (i. e. = o momento certo para o tratamento de „khar ba uma doença fria passou). 8 Os constituintes (corporais) não são capazes zungs kyis mi de suportar (o tratamento médico) (73) thub (i. e. = apesar do tempo para o tratamento não ter sido ultrapassado, o corpo não tolera tratamento). 9 Perseguição aguda (por demônios) (74) rnam par „tshe (i. e. = doenças psíquicas). ba rnams Do 8º ramo crescem 12 folhas Causas opostas (umas às ldog pa‟i rgyu (ldog rgyu) 98
  • 99. outras) O termo referente a este ramo é difícil de traduzir; Yeshe Donden explicou que através da progressão destas “mudanças reversíveis” as doenças podem ser transformadas de um componente para outro. As seguintes doze possibilidades são significativas: (75-86) + - + + + + rlung - mkhris pa rlung - bad kan mkhris pa - bad kan 75 76 77 - - - - - - rlung - mkhris pa rlung - bad kan mkhris pa - bad kan 78 79 80 - + - + - + rlung - mkhris pa rlung - bad kan mkhris pa - bad kan 81 82 83 + - + - + - rlung - mkhris pa rlung - bad kan mkhris pa - bad kan 84 85 86 Do 9º ramo crescem 2 folhas 1 Frio (87) grang ba rlung e bad kan são frios e possuem afinidade com o elemento água. 2 Calor (88) tsha ba Sangue e mkhris pa são quentes e possuem afinidade com o elemento fogo. Todas as doenças podem ser classificadas em frias ou quentes. 63 folhas 99
  • 100. Estas 63 folhas contém detalhes específicos do tronco I = organismo doente. Raiz A Tronco I = organismo saudável 3 ramos 25 folhas Tronco II = organismo doente 9 ramos 63 folhas 12 ramos 88 folhas O princípio da medicina tibetana segue a partir do texto: o elemento fundamental da medicina tibetana é a divisão em três partes, da mesma forma que a divisão em duas partes (Princípio Yin-Yang) da medicina chinesa. Esta divisão tripla, que pode ser basicamente relacionado com todos os termos, só poderá tornar-se clara quando todo o sistema for apresentado. A primeira proposição na medicina tibetana, que pode ser deduzida a partir dos textos, não difere da indiana: rlung (vento), mkhris pa (bile) e bad kan (fleuma), os constituintes corporais (lus zungs) e as impurezas (dri ma) fazem com que o corpo, em condições inalteradas, permaneça saudável e o equilíbrio prevaleça, enquanto que, em uma condição alterada, a doença ocorra. Como mostram nossos textos, a medicina tibetana é uma doutrina da constituição; se não conseguirmos reconhecer este aspecto, nem o diagnóstico nem a terapêutica serão possíveis. Evidentemente, a terminologia que temos trabalhado desde o primeiro capítulo pode fornecer apenas um pálido vislumbre de luz sobre os tipos constitucionais. Apenas a apresentação do sistema como um todo e a prática da medicina tibetana mostrará que a teoria tibetana 100
  • 101. da constituição, que neste ponto difere completamente da indiana, tem suas características próprias: a teoria do diagnóstico pelo pulso, a anamnese (as vinte e nove questões), a classificação das doenças e o uso de terapias tipicamente tibetanas se tornam compreensíveis apenas com o conhecimento dos tipos de constituição. A seguinte tabela mostra que conceitos são associados com os tipos: rlung, mkhris pa e bad kan (e.g. Tronco II). rlung mkhris pa bad kan Causas Desejo Aversão Ilusão Locais de Região inferior Região mediana Região superior instalação do corpo do corpo do corpo (sítios) Constituintes Ossos Sangue Quilo, carne, corporais gordura, medula óssea, sêmen Impurezas [pêlos] Suor Fezes, urina Órgãos Ouvido, [Tato] Olhos Nariz, língua sensoriais Órgãos Coração, Fígado Baço, rins, sólidos [canais vitais] pulmões Órgãos ocos Intestino grosso Vesícula biliar, Estômago, intestino bexiga delgado Idade Idoso jovem criança 101
  • 102. Região Frio, brisa Seco, quente Úmido, oleoso perfumada Época Estação Outono, à noite, Primavera, ao chuvosa ao meio dia anoitecer, pela (verão), final da manhã tarde, ao amanhecer 102
  • 103. PESQUISA NA MEDICINA TIBETANA As seguintes traduções assim como resumos do livro rGyud bzi estão disponíveis – à parte os trabalhos em hindi e japonês mencionados na bibliografia que ainda necessitam ser revisados. 1835 A. Csoma de Körös fez uma importante análise do livro rGyud bzi em seu trabalho “Análise de um trabalho médico tibetano”. 1898 P.A. Badmaev trabalhou com a Parte 1 e a Parte 2 da versão mongól. Os nomes tibetanos infelizmente foram traduzidos apenas foneticamente. 1903 O mesmo autor escreveu um trabalho que é um resumo bastante sucinto da Parte 1 e da Parte 2 do rGyud bzi. 1901 D. Ul‟janov, de acordo com W.A. Unkrig, fez uma tradução inadequada da Parte 1 do rGyud bzi. (Por esta razão nós não mencionamos na Bibliografia a pequena edição alterada de 1903). 1908 A. M. Pozdneev traduziu a Parte 1 e a Parte 2 das versões mongól e tibetana, e realmente, de forma não reduzida. 1934 W. A. Unkrig traduziu do mongól: “Das Kapitel vom praktischen Arzt” (Capítulo 31 da Parte 2) e “Zur Gegenwartsstellung der lamaistischen Heilkund 103
  • 104. und über ihr Instrumentarium (Capítulo 22 da Parte 2). 1937 J. Filliozat traduziu o Capítulo 73 da Parte 3: “Chapitre du traitement des démons des enfants” (In Documents tibétains do livro Le Kumaratantra de Ravana, páginas 123-142). 1954 J. Filliozat traduziu o Capítulo 3 da Parte 1 (Asiática). Dos trabalhos listados, a tradução russa (1908) por A. M. Pozdneev (da Parte 1 e Parte 2 do livro rGyud bzi) é a mais valiosa. A lista mostra que pouquíssimas traduções são disponíveis e que uma tradução do livro rGyud bzi por inteiro não existe. Agora que podemos entrar em contato com médicos tibetanos no exílio, um estudo da medicina tibetana a partir das fontes deve ser tentado novamente (os trabalhos russos datam do começo do século). Este estudo deve começar com a terminologia médica tibetana. Com relação a um outro método asiático de cura, a acupuntura, que vem adquirindo reconhecimento acadêmico, temos protelado o trabalho conjunto com sinologistas para a tradução de trabalhos fundamentais chineses, e perdido muito tempo com desnecessárias especulações filosóficas. Não devemos repetir este erro com a medicina tibetana. Precisamos ver a medicina tibetana a partir do tratado padrão tibetano, o rGyud bzi, e isto, com real auxílio dos tibetologistas e médicos tibetanos. Este volume 1 começa com uma pesquisa (estudo da medicina tibetana, história da medicina, autores, trabalhos médicos, conteúdo do livro rGyud bzi) e então faz uma introdução a temas mais difíceis. Com a tradução e 104
  • 105. apresentação do Capítulo 6 (Sistema) e a tradução e apresentação do Capítulo 3 (Raiz A = organismo saudável e doente) fizemos um ponto de partida na elaboração da terminologia médica. Este estudo tem sido estabelecido de forma que a medicina tibetana possa continuar a ser sistematicamente derivada e apresentada a partir das fontes. A continuação da análise vem a seguir: Volume 2 Título: Fundamentos da Medicina Tibetana. Diagnóstico e Terapia de acordo com o livro rGyud bzi. (Título do trabalho). Capítulo 4 da Parte 1 do rGyud bzi. Blocos de impressão, transliteração do texto, análise do Diagnóstico (Raiz B = Tronco III, IV e V do Sistema). Capítulo 5 da Parte 1 do rGyud bzi. Blocos de impressão, transliteração do texto, análise dos Métodos de Cura (Raiz C = Tronco VI, VII, VIII e IX do Sistema). Terminologia médica de conceitos específicos, denominados: 3 Raízes, 9 Troncos, 47 Ramos e 224 Folhas do Sistema de medicina tibetana. Produção de um índicexxxix dos termos mencionados, consistindo de: caracteres tibetanos – transliteração – transcrição fonética – tradução para o inglês - português. Desta forma estará disponível uma nomenclatura derivada das fontes para o estudo da medicina tibetana. No volume 2 a estruturaxl do livro rGyud bzi e o conhecimento óctuploxli será discutido. A apresentação completa do Sistema de medicina tibetana, que não é encontrado em nenhum trabalho 105
  • 106. médico indiano, levantará a questão sobre o motivo pelo qual os médicos tibetanos criaram um sistema independente e individual. A classificação das disciplinas individuais serão vistas a partir da apresentação das nove seções do conhecimento médico (Tronco I-IX). Na Terapêutica, por exemplo, o estudo mais extenso é sobre os medicamentos, o restante trata dos Métodos de tratamento (externo). Os números que aparecem no Sistema serão estudados e relacionados com aqueles utilizados na filosofia budista. A interpretação dos números é uma extensa área de estudo; o número 9 em particular será discutido, pois é de suprema importância. xlii É possível que certos números do Sistema apresentem alguma relação com os conceitos da teoria dos tridoshas indiana, a saber, com as qualidades dos sabores e a elevação ou redução dos doshas; este fato pode ser comprovado com exemplos. Os termos derivados dos textos serão comparados com conceitos conhecidos do budismo. Apenas em um caso foi feita referência aos conceitos budistas (Tronco II, Ramo 1 = causas desencadeantes). Quando continuarmos a comparação entre os termos médicos e os conceitos oriundos do ensinamento budista poderemos observar quão próxima está a ligação entre a medicina tibetana e a filosofia budista. Concluindo, a origem e autoria do livro rGyud bzi devem ser consideradas. No momento, podemos apenas arriscar uma possibilidade; pode ser que no caso da Parte 3 do livro rGyud bzi – o mais compreensível e comentado (que também contém o conhecimento óctuplo) – um 106
  • 107. original em sânscrito tenha sido perdido em uma época bastante remota, mas anteriormente traduzido por tibetanos, e as Partes 1, 2 e 4 tenham sido adicionadas depois. Talvez seja possível neste ponto encontrar detalhes da autoria e origem do livro rGyud bzi. As opiniões de tibetologistas sobre a questão também serão citadas. O Volume 2 conterá, portanto, a base para a terminologia médica necessária e ao mesmo tempo reunirá com a prática da medicina tibetana, exemplos do que já foi apresentado no Volume 1. Volume 3 Título: A prática da Medicina Tibetana. Uma vez estabelecida a terminologia médica, tornar- se-á possível a descrição da prática da medicina tibetana. As diversas tabelas e painéis fornecidos por Yeshe Donden puderam ser utilizados aqui, juntamente com experiências reunidas pelos médicos tibetanos nos Himalaias, para a apresentação da prática da medicina tibetana – a área específica da autora. Agora é possível afirmar que a medicina tibetana não possui apenas interesse teórico mas, como experimentado no caso da acupuntura, pode ser aplicada com grande sucesso. No Capítulo 1 são indicadas as influências que marcaram a medicina tibetana, ou seja: as influências pré- budistas, o budismo tibetano, a antiga medicina indiana e a antiga medicina chinesa, para mencionar as mais importantes. A medicina tibetana apresenta características marcantes mas o impacto especial desta arte de curar 107
  • 108. pode tornar-se clara apenas quando as influências mencionadas forem mostradas individualmente. Portanto – no final desta longa jornada – é possível dizer: Esta é a característica especial da medicina tibetana. 108
  • 109. TRANSLITERAÇÃO As palavras tibetanas não são traduzidas foneticamente, mas uniformemente transliteradas de acordo com o Hamburger Transliterationsystem. (Ver M. Hahn: Lehrbuch der Klassischen Tibetischen Schriftsprache). Este sistema está baseado em dois princípios: 1 Os caracteres, que também são encontrados no alfabeto Devanagari, são transliterados da mesma forma. 2 A transliteração deve dar uma tradução não ambígua do modelo. Os 30 caracteres básicos são: 109
  • 110. TÍTULOS DOS TRABALHOS A Blocos de impressão Os seguintes blocos de impressão foram usados para este trabalho: 1) rGyud bzi (Título abreviado) bdud rtsi snying po yan lag brgyad pa gsang ba man ngag gi rgyud Edição: Lhasa, Chak po ri. Volume: 396 fólios Tamanho do fólio: 58 x 10 cm. Área impressa: 51 x 7 cm. Número de linhas: 6 O bloco de impressão no qual o texto está baseado está em minha posse. 2) Bai du rya sngon po (Título abreviado) gso ba rig pa‟i bstan bcos sman bla‟i dgongs rgyan rgyud bzi‟i gsal byed bai dur sngon po‟i malli ka (Parte 1) Edição: Lhasa, Chak po ri. Volume: 40 fólios Tamanho do fólio: 58 x 10 cm. Área impressa: 51 x 7 cm. Número de linhas: 6 O bloco de impressão foi analisado em Dharamsala. Nenhuma referência particular a este trabalho foi feita neste estudo que, no entanto, foi usado para esclarecer o capítulo traduzido. 3) Glang thabs (Título abreviado) bdud rtsi snying po yan lag brgyad pa gsang ba man ngag yon tan rgyud kyi glang thabs zug rnyu‟i tsha gdung sel ba‟i katpura dus min „chi zhags gcod pa‟i ral gri Edição: Lhasa, Chak po ri. Volume: 288 fólios Tamanho do fólio: 46 x 9 cm. Área impressa: 42 x 7 cm. 110
  • 111. Número de linhas: 6 O bloco de impressão está em meu poder e foi consultado para esclarecer a terceira parte do rGyud bzi. B Reprodução dos Blocos de Impressão 1) cha lag bco brgyad Bloco de impressão do monastério de Dga‟ ldan phun tshogs gling. Reproduzido pelo Professor Lokesh Chandra sob o título Yuthok‟s Treatise on Tibetan Medicine. International Academy of Indian Culture, Sata-Pitaka Series, Indo-Asian Literatures, Vol. 72, New Delhi, 1968. Capítulo 16 (págs. 368-508): rgyud chung bdud rtsi snying po (Resumo do livro rGyud bzi) foi utilizado para elucidar o Sistema. 2) gso byed bdud rtsi‟i „khrul med ngos „dzin bzo rig me long du rnam par shar pa mdzes mtshar mig rgyan zhes bya ba bzhugs so Reproduzido pelo Professor Lokesh Chandra sob o título An Illustrated Tibeto-Mongolian materia medica of Ayurveda of „Jam dpal rdo rje of Mongolia. Da coleção de Sua Santidade Z.D. Gomboev, com o Prefácio de E. Gene Smith. International Academy of Indian Culture, Sata- Pitaka Series, Indo-Asian Literatures. Vol. 82, New Delhi, 1971. Diagrama da Raiz A (fól. 16/170, diagrama da Raiz B (fól. 20/21), diagrama da Raiz C (fól. 26/27,28/29): utilizado na apresentação do Sitema com a permissão do Professor Lokesh Chandra. 111
  • 112. As reproduções dos blocos de impressão estão em minha posse. 112
  • 113. BIBLIOGRAFIA Vimos na Introdução que pouco da literatura de importância relevante sobre o assunto da medicina tibetana está disponível. Não há qualquer livro sobre o assunto que – baseado em fontes – descreva a medicina tibetana, nem uma bibliografia, além da de Rechung Rimpoche: Tibetan Medicine, Wellcome Institute for the History of Medicine, Londres, 1973. W. A. Unkrig escreveu em sua Introdução: “Aquele que deseja orientar-se neste tópico está sujeito a exaustivas pesquisas em jornais e referências ocasionais em filmes de viagens e literatura etnológica.” A compilação de uma bibliografia portanto, apresenta um grande problema: alguns dos títulos mencionados foram conseguidos a partir dos seguintes trabalhos: 1. W. A. Unkrig forneceu algumas informações valiosas, na acima mencionada Introdução, sobre a literatura russa e polonesa. 2. H. Laufer reuniu uma grande quantidade de material até 1900 (Beiträge zur Kenntnis der tibetischen Medizin). Esta bibliografia não pretende ser completa; no entanto, representa um começo. Os livros que relatam a história e a religião do Tibete devem ser incorporados em uma bibliografia própria para um trabalho posterior. Nesta bibliografia, livros e trabalhos menos extensos foram listados juntos. Os números marginais mostram que os trabalhos de mesma autoria são menos abrangentes, 113
  • 114. mas não menos valiosos ao leitor. Incluímos uma tradução (entre parênteses) de alguns títulos estrangeiros; foram adicionadas notas sobre o conteúdo de algum livro importante após o título. As primeiras referências à medicina tibetana nos trabalhos sobre a História da Medicina: 1867 - Th. A. Wise fez a primeira tentativa de esboçar a medicina tibetana dentro do campo da história da medicina. Este médico, dedicou um capítulo para a medicina, e neste – de acordo com H. Laufer – repete o trabalho de A. Csoma de Körös Analysis of a Tibetan Medical Work quase que palavra por palavra, adicionando o uso das anotações de viagem de Turner e Huc como suas fontes. 1875 - Uma breve referência é encontrada em H. Haeser. 1893 - G. A. Liétard dedicou 1-5 colunas à medicina tibetana; 1906 - M. Neuburger, uma página. De material recente dificilmente pode-se encontrar qualquer coisa sobre medicina tibetana na maioria dos trabalhos sobre História da Medicina. 1. Badmaev, P.A.  O sisteme vracebnoj nauki Tibeta. I. St. Petersburg, 1898. (Sobre o sistema da ciência médica no Tibete.) Tradução das Partes 1 e 2 do rGyud bzi, resumo abreviado.  Glavnoe rukovodstvo po vracebnoj nauke Tibeta Zud-si v novon perevode P.A.Badmaeva s ego vvdeniem, raz‟ jasnjajuscim osnovy tibetskoj vracebnoj nauki. St. Petersburg, 1903. (O trabalho padrão para o conhecimento da medicina tibetana, rGyud bzi, em uma 114
  • 115. nova tradução por P.A. Badmaev, com uma introdução do mesmo explicando as bases da medicina tibetana.) Tradução das Partes 1 e 2 do rGyud bzi. Em parte, trata- se de um resumo sucinto, contém desenhos extraídos de originais mongóis e tibetanos. 2. Badmajeff, W.N.  Chi-szara-badahan. Warsaw, 1927.  Tajemnica Zdrowia. Warsaw, 1931. (O Segredo da Saúde)  Medycyna tybetanska, jej istota, cele i sposoby dzialania. Warsaw, 1933. (Medicina tibetana, sua natureza, cuidados e métodos de prática).  Na drogach zycia i zdrowia czlowieka. Warsaw, 1935. (Sobre os caminhos da vida e ad saúde do homem).  Vade mecum-kalendarz leczniczy na rok 1937. Warsaw, 1935. Calendário médico.  Lekarz Tybetansky. Warsaw, 1932-1936. (O Médico Tibetano). Jornal mensal.  Medycyna Syntetyczna. Warsaw, 1936-1938. (Síntese Médica). Jornal de publicação trimestral. 3. Beigel, H.  Ein Beitrag zur Medizin des tibestanischen Buddhaismus. Em: Weiner med. Wochenschrift, 13, 1863, Col. 507-508, 523-524. 4. Bergemann, H.H.  Manramba: Der tibetiche Arzt, seine Ausbildung und seine Praxis. Em: Zahnärztliche Mitteilungen, 34, 1943, págs. 200-202 e 219-221.  Heilender Geschmack. Em: Zahnärztliche Praxis, 16, 1963, págg. 192. 115
  • 116.  Zahnärztliche Anschauungen und Massnahmen des Lama-Arztes. Em: Zahnärztliche Mitteilungen, 1, 1964, págs. 25-28.  Die Mutter des Arztes weilt im Paradies. Em: Deutsches Ärzteblatt (Geschichte der Medizin), 41, 1966, págs. 2383-2385.  Die Bedeutung der lamaistischen Heilkunde. Em: Erfahrungsheilkunde, 10, 1967, págs. 321-328.  Die Anatomie des Kopfes und der Mundhöle in der tibetischen Medizin des 17. Jahrhunderts. Em: Blätter für Zahnheilkunde, 28, 1967, pág. 135.  Der Krankheitsbegriff in der Lehre des tibetischen Buddhismus. Em: Erfahrungsheilkunde, 11, 1968, págs. 418-421.  A tibete gyógyito tudomány történetéböl. (Da história da medicina na Tibete). Em: Orvosi hetilap. Hungarian Medical Weekly Journal, 109, 1968, págs. 1885-1887.  Die Psychiatrie des Lama-Arztes. Em: Deutsches Ärzteblatt, 11, 1969, págs. 732-735.  Aus der tibetischen Heilkunde: maligne Tumoren. Em: Deutsches Ärzteblatt (Geschichte der Medizin), 49, 1972, págs. 3239-3242. 5. Brodowski, F.  Badmajeffowie-Medycyna Tybetu w zetknieciu z cywilizacja zachodu. Warsaw, 1932. (Os Badmajeffs – A Medicina do Tibete em relação com a civilização Ocidental). 6. Burang, Th. (pseud.), ver Illion, Th. 7. Csoma de Körös, A.  Analysis of a Tibetan Medical work. Em: Journal of the Asiatic Society of Bengal, 4, 1835, págs. 1-20. 8. Filchner, H. 116
  • 117.  Kumbum Dschamba Ling. No Capítulo XVIII: “Von der Heilkunde und den praktischen Lebensregeln des Lamaismus”. Traduções do rGyud bzi, págs. 362-375, e Notas, págs. 519-528. Leipzig, 1933.  Kumbum. No Capítulo: “Dr. Med. In Tibet...”, págs. 209- 218. Zurich, 1954. 9. Filliozat, J.  Le Kumaratantra de Ravana et les textes parallèles indiens, tibétains, chinois, cambodgien et arabe, págs. 133/142 e 143/145. Paris, 1937.  Un chapitre du Rgyud bzi sur les bases de la santé et des maladies. Em: Asiatica. Leipizig, 1954, págs. 93- 102. 10. Finckh, E.  Die Kosmologischen Beziehungen zwischen Wundergefässen und Jahreszeiten. Em: Deutsche Zeitschrift für Akupunktur, 11/12, 1954, págs. 120-123.  Ein Erfahrunsbericht über tibetische Medizin. Em: Abendländische Therapie und östliche Weisheit, págs. 118-122. Publicado pelo Prof. Dr. Med. E Filos. W. Bitter, Stutgart, 1968.  Tibetische Heilkunde. Em: Akupunktur - Theorie und Praxis, 3/1975, págs. 193-151. 11. Gammermann, A. F. e Semicov, B. V.  Tibetische Arzneistoffe. Em: Fortschritte der Medizin, 52, 10, 1933, págs. 193-196.  Slovar‟ tibetsko-latino-russkich nazvanij lekarstvennogo rastitel‟nogo syrja primenjaemogo v tibetskoj medicine. Ulan-Ude, 1963. (Dicionário Tibetano-Latino-Russo de descrições de substâncias de plantas medicinais que são utilizadas na medicina tibetana). 12. Haeser, H. 117
  • 118.  Geschichte der Medizin, Volume 1, Terceira Edição, pág. 9, Jena, 1875. 13. Heissig, W.  Die Pekinger lamaistischen Blockdrucke in mongolischer Sprache. Wiesbaden, 1954.  Mongolenreise zur späten Goethezeit. Verzeichnis der orientalischen Handschriften in Deutschland. Suplemento Volume 13. Wiesbaden, 1971.(Entre outros, notas de viagem pelo médico J.M.A. Rehmann, que viveu de 1779-1831). 14. Hoernle, F.R.  The Bower Manuscript. Calcutá, 1893 (-1908). 15. Huc, E.R.  Souvenirs d‟un voyage dans la Tartarie et le Thibet pendant les années 1844, 1845 et 1846. Paris, 1850. Edição alemã: Wanderungen durch die Mongolei nach Thibet zur Haupstadt des Tale Lama. Leipzig, 1855.  Wanderungen durch die Mongolei nach Tibet, 1844-1846 (Capítulo 11). Stuttgart, 1966. 16. Huth, G.  Verzeichnis der im tibetischen Tanjur, Abt. MDo (Sutra), Volume 117-124, enthaltenen Werke. Em: Sitzungsberichte der Königlich Preussischen Akademie der Wissenschaften zu Berlin. Philosophisch-historische Klasse, 1895, págs, 267-286.  Nachträgliche Ergebnisse bezügl. Der chronologischen Ansetzung der Werke im tibetischen Tanjur, Abt mDo (Sutra), Volume 117-124. Em: Zeitschriff der Deutschen Morgenländischen Gesellschaft, 1895, págs. 279-284. 17. Hübotter, F. 118
  • 119.  Beiträge zur Kenntnis der chinesischen sowie der tibetisch-mongolischen Pharmakologie. Berlim/Viena, 1913.  Chinesisch-tibetische Pharmakologie und Rezeptur. Ulm, 1957. 18. Hummel, S.  Die Leichenbestattung in Tibet. Em: Monumenta Serica, 1961, págs. 266-281. 19. Illion, Th. (Burang, Th.)  Lamaistische Zaubermedizin. Em: Berliner Illustrierte, 42, 1942, págs. 499-500.  Tibeter über das Abendland. No Capítulo: ”Wie heilt der Tibeter Krankheiten”, págs. 139-210. Salzburg, 1947.  Tibetische Heilkunde. Zurich, 1957. (Edição inglesa: The Tibetan Art of Healing. Londres, 1974). 20. Jaquot, F.  La Tartarie et le Tibet. Topographie et Climat. Hygiène, Médecine. Gaz. Méd. de Paris, 9, 1854, págs. 607-612, 643-649, 671-676; 10, 1855, págs. 421-427. 21. Jolly, J.  Medicin. Grundriss der Indo-Arischen Philologie und Altertumskunde, 3, 10, parágrafo 16, pág. 17. Strassburg, 1901. 22. Kirilov, N. V.  Vestnik obscestvennoj gigieny, sudebnoj i prakticeskoj mediciny. St. Petersburg, 1892. (O atual significado da medicina tibetana como uma parte da doutrina Lamaísta). Em: Bote für Socialhygiene, gerichtl. und prakt. Medizin, 15, 1892. 23. Koffler-Harth, A.  Chi-Schara-Badahan. Grundzüge der tibetanischen Medizin. Pfullingen, (o. J.), Johannes-Baum-Verlag. 119
  • 120.  Tibetanische Medizin. Traduzido por W. Badmajeff. Em: Atlantis, 7, 1935, págs. 45-46. 24. Korvin-Krasisski, C. von  Die tibetische Medizinphilosophie. Der Mensch als Mikrokosmos. Com uma Introdução de W.A. Unkrig. Zurich, 1953; 2a Edição: Zurich, 1964. 25. Lalou, M.  Texte médical tibétais. Em: Journal Asiatique, 233, 1941- 1942, págs. 209-211. 26. Lauf, D.I.  gYu-thog-pa und Medizingottheiten in Tibet. Em: Sandoz Bulletin, 23, 1971, págs. 11-24. 27. Laufer, H.  Beiträge zur Kenntnis der tibetischen Medicin. Discurso inaugural, Parte 1 e Parte 2, Berlim, 1900. 28. Liétard, G.A.  Médecine, Histoire. Grande Encyclopédie (1-5 colunas), 1893-1904. 29. Masselot, F.  La médicine thibétaine, vue par le père Huc, prêtre missionnaire de la congrégation de Saint-Lazare (1842). Em: Presse Médicale (Paris), 67, 1959, pág. 800. 30. Mizutani, K.  The principles of Tibetan medicine in the Rgyud bschi. [Japonês, com título em inglês no Índice]. Em: Journal of Indian and Buddhist Studies, 6, 12, 1958, págs. 448-453. 31. Müller, R.F.G.  Ein Beitrag zur ärztlichen Grapik aus Zentralasien (Turfan). Em: Archiv für Geschichte der Medizin, 15, 1923, págs. 21-26.  Über Votive aus Osttibet (Kin-tschwan). Em: Anthropos, 18/19,1923-1924, págs. 180-188. 120
  • 121.  Die Skelettdarstellungen und ihre Verbreitungswege in Asien. Em: Umschau, 29, 1925, págs. 154-155.  Die Heilgötter des Lamaismus. Em: Archiv für Geschichte der Medizin, 19, 1927, págs. 9-26.  Die Krankheits-und Heilgottheiten des Lamaismus. Em: Anthropos, 22, 1927, págs. 956-991.  Grundlagen altindischer Medizin. Halle, 1942. 32. Mukherjee, G.N.  The Tibetan surgical instruments. Em: The Journal of Ayurveda, págs. 5-15. Calcutá, 1933. 33. Neuburger, M.  Geschichte der Medizin, págs. 90-91. Stuttgart, 1906. 34. Obermiller, E.  History of Buddhism [Chos-„byung] by Bu-ston. 2 Volumes. Heidelberg, 1931/1932. 35. Olschak, B.C.  The art of healing in ancient Tibet. Em: Ciba Symposium, 12, 1964, págs. 129-134. 36. Pecci, G.  L‟Italia ed i rapporti medici com la Cina ed il Tibet durante i sec. XVI e XVII. Em: Annali di medicina navale e coloniale (Roma), 75, 1970, págs. 41-51. 37. Pozdneev, A.M.  Ucebnik tibetskoj mediciny. I. St. Petersburg, 1908. (Livro-texto de medicina tibetana). Do mongol e tibetano. Tradução da Parte 1 e 2 do rGyud bzi.  Ocerki byta buddijskich monasteyrej i buddijskogo duchovenstva v Mongolii. St. Petersburg, 1887. (Esboços sobre a vida em monastérios budistas e o clérigo budista na Mongólia). Análise do livro Glang thabs, notas sobre a rotina médica. 38. Rechung Rimpoche 121
  • 122.  Tibetan Medicine illustrated in original texts. Londres, 1973. 39. Rehmann, J.M.A.  Beschreibung einer Thibetanischen Handapotheke. Ein Beytrag zur Kenntniss der Arzneykunde des Orients. Também no: Journal der practischen Heilkunde, Volume 32, 1811, págs. 50-92. St. Petersburg, 1811. 40. Rock, J. F.  Contributions to the shamanism of the Tibetan-Chinese borderland. Em: Anthropos, 54, 1959, págs. 796-818. 41. Rowntree, G.  Surgery in Tibet. Em: Ethnologica Cranmorensis, 3, 1938, págs. 11-13. Chislehurst Ethnological Museum. 42. Sastri, P.  Pracine Tibbat mem Ayurved ka pracar (Ayurveda no Tibete antigo). Em: Journal of the Bihar-research Society, 3, 1954, págs. 266-271; 2, 1955, págs. 217-228; 1, 1956, págs. 47-71. 43. Semikov, B.V.  Die tibetische Medizin bei den Burjaten. Em: Janus, 39, 1935, págs. 1-36. 44. Tucci, G.  To lhasa and beyond. Diary of the expedition to Tibet in the year MCMXLVIII with an appendix on Tibetan medicine and hygiene, by R. Moise. Págs. 98-100 e 163- 176. págs. 98-100 e 163-176. Roma, 1956. 45. Ul‟janov, D.  Podstocnyj perevod l-j casti Tibetskoj Mediciny „Zavi- dzjud‟. St. Petersburg, 1901. (Tradução inter-linear da Parte 1 da medicina tibetana „rTsa-bai rGyud‟.) 46. Unkrig, W.A. 122
  • 123.  Ein eigenartiges Kapitel mittelasiatischer Lebensweisheit. Nach mongolischen Quellen. Em: Braunschweiger G-N-C-Monatsschrift, 15, (9/10), 1928, págs. 364-372.  Mönche und Mediziner im Kampf. Em: Fortschritte der Medizin, 52, 1933.  Zur Gegenwartswertung der lamaistischen Heilkund und über ihr Instrumentarium. (Capítulo 22, Parte 2 do rGyud bzi). Em: Die Medizinische Welt, 1934, págs. 139-143.  Das Kapitel vom praktischen Arzt. Eine Übertragung aus dem Mongolischen. (Capítulo 31, Parte 2 do rGyud bzi). Em: Fortschritte der Medizin, 52, 16, 1934, págs. 359- 363.  Die Drogen und Arzneien de Tibeter in einheimischer Klassifikation. Em: Medizinische Mitteilungen (der Schering-Kahlbaum A. G., Berlim), 7, 7, 1935.  Zur Terminologie der lamaistischen Medizin, besonders ihrer Arzneien. Em: Forschungen und Fortschritte, 12 (20/21), 1936, págs. 265-266.  Die Tollwut in der Heilkunde des Lamaismus nach tibetisch-mongolischen Texten. Em: Statens Etnografiska Museum. Estocolmo, 1942.  Introdution to Die tibetische Medizinphilosophie pelo padre Dr. Cyrill von Korvin-Krasinski. Zurich, 1952. 47. Veith, I.  Medizin in Tibet. Bayer-Leverkusen, Pharm- Wissenschaftl. Por volta de 1960. 48. Vogel, C.  On Bu-ston‟s view of the eight parts of Indian medicine. Em: Indo-Iranian Journal, 6 (3/4), 1963, págs. 290-295.  Vagbhata‟s Astangahrdayasamhita. Wiesbaden, 1965. 49. Vostrikov,A.I. 123
  • 124.  K bibliografii tibetskoj literatury. Leningrado, 1934. (Sobre a bibliografia da literatura tibetana). 50. Waddell, L.A  Lhasa and its mysteries. Págs. 140-144 e págs. 366- 379. Londres, 1905.  Ancient Indian anatomical drawings from Tibet. Em: Journal of the Royal Asiatic Society of Great Britain and Ireland, 1, 1911, págs. 207-208. 51. Walsh, E.H.C.  The Tibetan anatomical system. Em: Journal of the Royal Asiatic Society of Great Britain and Ireland, 1910, págs. 1215-1245. 52. Wise, Th. A.  Review of the history of medicine, 2, 1867, págs. 400- 450. Londres, 1867 53. Yoshimura, S.  Fragments of Tibetan medical books in the Library of Ryukoku University [Japonês, com título em inglês no Índice]. Em: Journal of Indian and Buddhist Studies, 5, 9, 1957, págs. 200-204. Gramática 1. Hahn, M.  Lehrbuch der klassischen tibetischen Schriftsprache. Hamburgo, 1971. 2. Jäschke, H.A.  Tibetan Grammar. New York, 1954. Léxico 1. Das Sarat Chandra 124
  • 125.  A Tibetan-English Dictionary with Sanskrit synonymus. Calcutá, 1902. 2. Jäschke, H.A.  A Tibetan-English Dictionary. Londres, 1965. Diagrama Dobrável O sistema de medicina tibetano assemelha-se a uma árvore. De suas raízes brotam 9 troncos, 47 ramos e 224 folhas. Para demonstrar isto adicionamos este diagrama dobrável. Os desenhos – extraídos do livro original de „Jam dpal rdo rje (Ver no apêndice Títulos dos Trabalhos: B2) – foram reproduzidos em formato reduzido de forma que retratam apenas as raízes, os troncos e os ramos. Isto pode esclarecer as relações dos 9 troncos, que correspondem às 9 seções sobre a ciência médica. Até agora apenas a Raiz A (Troncos I e II) foram derivados do texto. Os termos específicos no Tronco II (organismo doente) foram adicionados em colchetes ou parênteses. Quando todos os termos do Volume II foram definidos, os desenhos serão reproduzidos em seu tamanho original em um gráfico ampliado com a apresentação do sistema, desta forma os termos das 224 folhas estarão legíveis sobre seus desenhos. 125
  • 126. NOTAS i W. A. Unkrig: “Zur Terminologie der lamaistischen Medizin, besonders ihrer Arzneien”. págs. 265-266. ii C. Vogel: Vagbhata‟s Astangahrdayasamhita. iii C. Vogel: Ver na Introdução (do Vol. 2): “Não é possível responder antecipadamente a questão de sua verdadeira proveniência e autoria”. iv W. A. Unkrig: Introdução ao Die tibetische Medizinphilosophie por C. von Korvin-Krasinski, págs. XV-XXXI. A Introdução por W.A. Unkrig é valiosa e neste estudo faz-se uso freqüente do mesmo. v Nota do Autor: Não podemos confirmar este fato; nosso exemplar impresso em blocos fornece o mesmo nome em sânscrito da mesma forma que o encontrado em várias outras blocos de impressão que me foi possível consultar. vi Não podemos afirmar com certeza que os primeiros médicos foram figuras históricas. De acordo com Yeshe Donden, estes médicos, após gYu thog pa Yon tan mgon po gsar pa (“o mais jovem”) – os nomes nos são familiares – transmitiram o conhecimento da medicina de pai para filho ou de professor para aluno em uma sucessão ininterrupta. Conta-se que alguns dos primeiros médicos tibetanos visitaram a Índia, outros fundaram escolas e escreveram trabalhos médicos, quase todos eles baseados no rGyud bzi. vii H. Hoffmann: “Quellen zur Geschichte der tibetischen Bon- religion”, do capítulo 24, pág. 277. viii O “Debate de bSam yas” - de acordo com Yeshe Donden. ix Os “Quatro Votos” - de acordo com Yeshe Donden. Nome tibetano e fonte desconhecidos. As ações do médico devem ser sempre determinadas por uma atitude de generosidade. 126
  • 127. O médico deve trabalhar diligentemente e energicamente. Ele não deve ser indolente e não deve mostrar hesitação. O médico não deve ingerir bebidas intoxicantes e deve possuir sempre um bom caráter. O médico deve exercer meticulosamente seu trabalho médico, ser amigável e moderado em sua fala. x As “Treze Leis” - de acordo com Yeshe Donden. Nome tibetano e fonte desconhecidos. O médico deve ser estimado e honrado. O rei deve ser respeitado como líder do povo, da mesma forma, o médico deve ser reconhecido como um líder. Mesmo quando o médico vive muito próximo da residência do paciente, ele deve ser convidado a visitá-lo montado no cavalo oferecido pelo paciente. Deve ser oferecido ao médico um assento confortável e acolchoada. Deve ser oferecido ao médico alimento e bebida, quando possível, em travessas de metal precioso tais como ouro e prata. Mesmo a um médico medíocre deve ser oferecido um lugar de respeito. Mesmo se o médico consumir uma grande quantidade de alimento ele não deve ser chamado de glutão. Mesmo se o médico desejar obter bens materiais ele não deve ser chamado de ganancioso. Mesmo que o médico administre pedras e detritos como medicamentos o preço deve ser pago em ouro. As recomendações do médico devem ser seguidas da mesma forma que as ordens do rei devem ser obedecidas. Mesmo que o paciente morra como resultado de um erro ou acidente o médico não deve ser acusado, ou seja, sua cabeça não deve ser exigida. Mesmo que o médico demonstre irritação, ninguém pode retaliá-lo com raiva. 127
  • 128. O médico deve ser sempre respeitado com seu próprio parente, seja qual for sua maneira de expressar-se. xi G. Tucci/W. Heissig: “Die Religionen Tibets und der Mongolei”, pág. 325. xii J. Rall: “Die vier groen Medizinschulen der Mongolenzeit”. 1.Die Fieberschule von Liu Wan-su (c. 1110-1200) 2.Die Angriffsschule von Chang Ts‟ung-cheng (c. 1156-1228) 3.Die Tonisierungsschule von Li Kao (c. 1180-1251) 4.Die eklektizistische Schule von Chu Cheng-heng (c. 1281-1358) xiii Chak po ri foi fundada por Sangs rgyas rgya mtsho por ordem do quinto Dalai Lama. xiv SMan rtsi khan foi estabelecido posteriormente por mKhyen rab nor bu, professor de Yeshe Donden. A escola, na qual ensinava-se também astronomia, levava o nome de “Medical and Astronomical College”. xv Conhecer estes gentis tibetanos causou-me tal impressão que, ao retornar, organizei uma forma de auxílio aos tibetanos na Alemanha; fundei o “Tibetan Friendship Group” e tornei-me presidente do “German Aid to Tibetans”. Dar assistência ao povo tibetano que perdeu sua liberdade é parte do contato entre o Oriente e o Ocidente. xvi C. Vogel: Vagbhata‟s Astangahrdayasamhita, pág. 15. Ver colofão tibetano. Huth (SPAW 1895, pág. 270), evidentemente, dependendo das indicações mongól, manchu e chinesa, incorretamente transcreveram o nome como Candrananda. Ele foi seguido por Unkrig (Korvin-Krasinski, Medizinphilosophie pág. XIX), apesar de Cordier (JA ix 17 pág. 185; BEFEO pág. 614) ter corrigido este erro muito tempo antes. xvii C. Vogel: Vagbhata‟s Astangahrdayasamhita, pág. 15/16. xviii W.A.Unkrig: Introduction to Die tibetische Medizinphilosophie por C. von Korvin-Krasinski. Todas as afirmações de Unkrig foram feitas 128
  • 129. a partir de sua Introdução (págs. XV-XXXI), a menos que outra afirmação seja diferente. xix xix C. Vogel: Vagbhata‟s Astangahrdayasamhita, pág. 20/21. xx Compare a tradução de E. Obermiller: History of Buddhism (Chos- „byung) por Bu-ston, Parte 1, Heidelberg, 1931, pág. 48. Ver também C. Vogel, IIJ6, 1963, pág. 290ff. xxi W. Heissig: Die Pekinger lamaistischen Blockdrucke in mongolischer Sprache pág. 94. xxii W. Heissig: Die Pekinger lamaistischen Blockdrucke in mongolischer Sprache pág. 113. xxiii A tradução do título é difícil. Fornecemos aqui traduções de vários autores eruditos: R. E. Emmerick: “The Tantra of instruction concerning the nectar- essence that consists in eight branches (and is) secret” (comunicação oral pessoal). W. Heissig: “Quintessenz der Heilkunde, Wursel der Geheimlehre, welche von den acht (Körper-) Teilen handelt” (Die Pekinger lamaistischen Blockdrucke in mongolischer Sprache, pág. 113, nº 125). W. A. Unkrig: “Das Herz (Wesen, Quintessenz) der Heilsäfte (Medizin) –, die Wurzeln (Grundlagen) der achtgliedrigen geheimnisvollen Unterweisungen” (“Einführung”). C. Vogel: “Der Traktat über die Unterweisung im Geheimnis der achtgliedrigen (Wissenschaft), (das) im Wesen des Unsterblichkeitstrankes (besteht)” (comunicação oral). A dificuldade reside na designação da palavra “gsang ba” = “secreto”. Se “gsang ba” não se refere a “Man ngag gi rgyud” = “Tratado da instrução”, a tradução deveria ler: “Tratado da instrução sobre os secretos, oito ramos Essência da Imortalidade”. Qualquer que seja a tradução do título deve ser correta , é bastante certo que os “oito ramos do conhecimento” seja o significado de “yan lag brgyad pa”. 129
  • 130. xxiv W.A. Unkrig escreve (“Einführung”) que a pronúncia incorreta de katpura, também como k‟adbuura, foi sendo transmitida em todas as edições. O que é evidentemente significativo é karpura (sânscrito), que significa “cânfora”. Tive a oportunidade de consultar vários blocos de impressão e encontrei ambas as formas. W.A. Unkrig escreve posteriormente que, suficientemente estranho, ambos, J. Filliozat e Schmidt/Böhtlingk deu a incorreta pronúncia a “zug rdu‟i” ao invés da forma correta “zug rngu‟i”, nós lemos “zug rngu‟i em nosso bloco de impressão. xxv Bai du rya = vaidurya (sânscrito). Com relação ao título Bai du rya sngon po [sngon po (tibetano) = azul, azul-esverdeado] várias traduções foram encontradas na literatura, principalmente “The blue lasur stone” (ou lápis-lazúli) . De acordo com R. Garbe: Die Indischen Mineralien (Leipizig, 1882, pág. 85) e L. Finot: Les lapidaires indiens (Paris, 1896, pág. XLV ff.) vaidurya deve ser traduzido por olho-de-gato. A. Master escreve no Indo-Aryan and Dravidian – seção II Pali veluriya “beryl” – (em BSOAS, Vol. XI, 1943-1946, págs. 304-307), que vaidurya não significa nem lápis- lazúli nem olho-de-gato, mas berilo, e ressalta que a palavra pode ter origem no nome de um lugar indiano. xxvi No Prefácio do Livro 12 (ver no apêndice “Títulos de Livros”) deve-se observar que os seguintes trabalhos de bsTan‟dzin phun tshogs foram publicados no The Smanrtsis Shesrig Spendzod Series (Índia): Livro 10 e Livro 11, assim como um terceiro por este autor: “lag len gces bsdus” (título abreviado). xxvii No livro rGyud bzi está escrito no Capítulo 2 (Parte 1): lus dang byis pa mo nad gdon mtshon dug rgas dang ro tsa pa Que significa: 1 lus = corpo = 1 Corpo (adulto) - doenças 2 byis pa = criança = 2 Doenças das crianças 130
  • 131. 3 mo (nad) = mulher (doença) = 3 Doenças femininas 4 gdon = espíritos prejudiciais =4 Doenças neurológicas 5 mtshon = perfurar = 5 Úlceras, cirurgia 6 dug = veneno = 6 Envenenamento rgas = idade = 7 Doenças senis ro tsa pa = potência = 8 Afrodisíacos xxviii Nesta seção do livro rGyud bzi os oito ramos do conhecimento são descritos assim: 1 Corpo (adulto) - doenças Doenças de rlung - mkhris pa - bad kan 4 capítulos Doenças internas 6 capítulos Febre, infecções 16 capítulos Órgãos sensoriais 6 capítulos Órgãos sólidos e ocos 8 capítulos Sistema urogenital 2 capítulos “Doenças menores” 19 capítulos Epidemias, úlceras 8 capítulos 2 Doenças das crianças 3 capítulos 3 Doenças das mulheres 3 capítulos 4 Doenças neurológicas 5 capítulos 5 Ferimentos, cirurgia 5 capítulos 6 Envenenamento 3 capítulos 7 Doenças senis 1 capítulo 131
  • 132. 8 Afrodisíacos 2 capítulos 91 capítulos xxix Gostaríamos de mencionar que este é um resumo do conteúdo: a tradução completa do livro rGyud bzi pode ocasionar algumas alterações para pontos individuais; no entanto, este resumo do conteúdo traz uma apresentação absolutamente exata da estrutura do livro. xxx a)C. Vogel: “Vagbhata‟s Astangahrdayasamhita, págs. 51,52. b)Isto também se observa no comentário feito por „Jam dpal rdo rje: (12,6) rnam par ma gyur pa‟i lus kyi sdong po dang rnam par gyur pa‟i nad kyi sdong po‟i Isto significa: “...do tronco não alterado, o (tronco do) corpo, e do tronco alterado, o (tronco) da doenças.” xxxi O professor R. E. Emmerick publicará este terceiro capítulo do rGyud bzi no jornal Asia Major (XIX, 2). O título será “A Chapter from the rGyud bzi” (compreende aproximadamente 25 páginas). Desejamos despertar uma atenção especial a este trabalho, pois fornecerá ao leitor particularmente interessado a oportunidade de trabalhar mais meticulosamente com este difícil material. xxxii C. Vogel: Vagbhata‟s Astangahrdayasamhita, pág. 57. “dangs- ma, como complemento do rasa “quilo”, como pronunciado por todo Ah. não é dado desta forma pelos lexicografistas: ao invés disso eles escrevem dvangs ma”. Em nosso texto o termo dangs ma [15] aperece uma vez, e em outro lugar [43] ele aparece como dvangs ma. xxxiii “me” significa, entre outras coisas, “fogo”, mas neste contexto é utilizado o termo “me mnyam” = “o que acompanha o fogo”. 132
  • 133. xxxiv Esta é apenas uma das classificações das doenças em 101 tipos; trataremos posteriormente da classificação em 4 vezes 101 = 404 tipos. xxxv Don e snod: don Jäschke: A Tibetan-English Dictionary, págs. 258/259: “na anatomia don lnga são coração, pulmões, fígado, baço, rins”. snod ibid. pág. 319: “2. Na anatomia: snod drug (os seis vasos) são: vesícula biliar, estômago, intestinos grosso e delgado, bexiga e canais espermáticos (na mulher: útero); don-snod, os seis vasos e os cinco don juntos.” xxxvi A classificação dos órgãos em chinês e tibetano: Chinês Tibetano Chinês Tibetano Órgãos sólidos don Órgãos ocos snod Yin - 5 tsang Yang - 6 fu fígado fígado vesícula biliar vesícula biliar coração coração intestino delgado intestino delgado baço baço estômago estômago pulmões pulmões intestino grosso intestino grosso rins rins bexiga bexiga (circulação-sexo) triplo aquecedor vesícula seminal, útero xxxvii O diagnóstico tibetano pelo pulso, que difere de muitas maneiras do antigo método chinês, mas que mostra maior similaridade do que com o antigo método indiano, será discutido em detalhes em outro trabalho. xxxviii “ba spu” = pequenos cabelos 133
  • 134. H.A. Jäschke: A Tibetan-English Dictionary, pág. 330: “ba spu os pequenos cabelos da pele.” Nenhuma impureza para a trajetória relacionada com rlung (vento) foi encontrada em nosso texto. Yeshe Donden afirma que ba spu, os pequenos cabelos, correspondem à impureza de rlung como trajetória. De nosso texto, no entanto – sem comentários – a impureza de rlung e a classificação do sentido do tato não pode ser determinada. Esperamos que o trabalho do Professor Emmerick acima mencionado conterá detalhes sobre este ponto. 8a Após a publicação deste livro o trabalho do Professor R.E. Emmerick, A Chapter from the rGyud bzi no jornal Asia Major (Vol. XIX/Parte 2 = 21-5 páginas), citado na Referência 1, foi publicado. Como esperado, este trabalho contém numerosos pontos extremamente importantes. Há também explicações sobre as “15 trajetórias de circulação” que nós gostaríamos de citar nesta edição, pois estes pontos ajudam a elucidar em muito as acima mencionadas confusões enquanto torna o leitor enfaticamente consciente das dificuldades particulares deste texto. A passagem em questão (págs. 154-5) é reproduzida aqui com a gentil permissão de Lund Humphries Publishers Ltd., detentores dos direitos autorais do Asia Major: [41-6] “As quinze trajetórias de circulação são as folhas do quinto ramo do segundo tronco da primeira raiz”. Ver na linha [14]. A organização de acordo com V 60 (4-6) (corrigido em parte, ver acima!) é a seguinte: lus zungs dbang po dri ma don snod rlung rus pa rna ba [reg bya] snying long ga [srog rtsa] mkhris khrag mig rngul mchin pa mkhris pa pa rgyu ma 134
  • 135. bad kan dvangs ma sna bshang glo pho ba sha lce gcin mcher lgang pa tshil [mkhal ma] rkang khu ba As dificuldades estão indicadas entre colchetes. O mais fácil de explicar é a ocorrência de mkhal ma dentro do grupo snod ao invés de estar sob don em V. Isto se deve à ordem em nosso texto: glo mcher pho mkhal lgang pa, ou seja, don don snod don snod. V explica: don glo mcher / snod pho mkhal ma‟i lo ma / snod lgang pa‟i lo ma /. „Jam pal rdo rje não traz este erro: don gyi glo mchin mkhal ma / snod kyi pho ba lgang pa‟i lo ma /. Aqui ele tem, é claro, o erro de mchin com mcher. Mas na árvore 16-7 „Jam pal rdo rje traz don gyi glo mcher mkhal e snod kyi pho lgang pa exatamente como esperado. Reg bya “tato” é uma dificuldade visto que não é uma impureza (dri ma, em sânscrito: mala-) mas sim um dbang po “órgão sensorial” (em sânscrito: indrya-). Filliozat (pág. 98 n. 47) desta maneira atribui reg bya a dbang po contra V e „Jam pal rdo rje e comenta “Le vent n‟a toutefois aucune impureté comme „voie d‟exercice‟.” Isto traria a séria desvantagem de reduzir o número de trajetórias para quatorze, quando havia sido explicitamente afirmado em [25] serem 15. Além disso, se vamos completar os dbang po, nós devemos também completar os snod. „Jam pal rdo rje também sentiu a dificuldade aqui, mas ele foi capaz de satisfazer-se citando V. Este, comenta: dri ma‟am snyigs ma rnams kyi nag nas ba spuham reg bya‟i lo ma. “a folha dos pequenos cabelos ou do tato dentre as impurezas ou resíduos”. Os snyig ma são denominados no Caraka e Vagbhata kitta - “matéria residual”. Em Vagbh. Sa. 3 kitta- está traduzido tshigs ma, que é um sinônimo de snyigs ma como indicado por TTC. De acordo com a tradição médica indiana, cada um dos elementos do corpo tem seu kitta-. De acordo com o Caraka, Ci.15: syat kittam kesha-lomasthno 135
  • 136. “o matéria residual do osso estará nos cabelos sobre a cabeça e sobre o corpo”. O mesmo ensinamento é encontrado no 2 T5(55-7): de-rnams snyigs ma pho ba‟i bad kan dang snod mkhris bu ga‟i dri ma zhag dang ni so sem ba spu bshang snum mngal „dzin yin “Os resíduos daqueles [elementos - corpo] são [no caso do quilo no fígado,] o bad kan [da decomposição] do estômago, [no caso do sangue] o mkhris pa no órgão oco [conhecido como vesícula biliar], [no caso da carne] as impurezas [que emergem] dos [nove] orifícios, [no caso da gordura sólida,] a gordura líquida, [no caso do osso,] os dentes, as unhas, e os cabelos, [no caso da medula óssea, a pele,] as fezes, o óleo, [e o líquido dos olhos,] [no caso do sêmen, a semente que gera] a concepção”. Portanto, os cabelos pertencem, de fato, ao mala- ou kitta-, e uma vez que rlung (vento) é ativo nos ossos, é lógico que deve ser considerado também ativo em seu material residual. Mas nenhum destes mostra como reg bya poderia ser considerado uma impureza. Na verdade, a impossibilidade de equacionar reg bya com ba spu pareceria garantida pelos versos seguintes do Caraka, Sa. 1 (136): vedananam adhisthanam mano dehas ca sendriyah kesa-loma-nakhagranna-mala-drava-gunair vina “O aparelho da sensação é a mente e o corpo, juntamente com os órgãos sensoriais, com a exclusão do cabelo da cabeça e do corpo, as extremidades das unhas, o alimento ingerido, fezes, líquidos excretados e objetos da sensação.” (tradução da Gulabkunverba Ayurvedic Society ). No caso de mkhris pa e bad kan, a ordem em nosso texto é lus zungs, dri ma, dbang po, don, snod como [45] seria de esperar. A única exceção é que o texto é que o texto traz pho mkhal ao invés de mkhal pho resultando em confusão em V. No caso de rlung, se reg bya é indicado como dri ma, a ordem deveria ser lus zungs, dbang po, dri ma, don, snod. Ou seja, nós esperávamos reg bya rna ba. Eu suspeito, no entanto, que a ordem que temos é a correta e 136
  • 137. que reg bya pertence a dbang po. Neste caso, ba spu deve ser retirado da colocação entre lus zungs e dbang po. * N. T.: O número em negrito refere-se à folha correspondente. xxxix Neste volume 1 a inclusão de um registro da terminologia médica foi deliberadamente omitida, pois uma terminologia médica completa será apresentada na Parte 2 do estudo. Um índice dos autores e de trabalhos médicos foi deixado pois estes são facilmente distingüíveis nos seus respectivos capítulos. xl O rGyud bzi dividido em quatro partes difere em sua estrutura dos grandes trabalhos indianos dos doutores Caraka, Susruta e Vagbhata: nenhum dos trabalhos indianos está dividido em quatro seções. Talvez tenha sido intenção dos tibetanos chamar atenção, com a divisão em quatro partes (duplicando-a), para o conhecimento em oito partes. Com relação a esta estrutura os trabalhos indianos foram descritos em detalhes e comparados com o rGyud bzi. xli O conhecimento dividido em oito partes – isto já pode ser determinado – é descrito na terceira parte do livro rGyud bzi (ver Sumário do livro rGyud bzi e Referências). O conhecimento óctuplo é claramente definido e difere da organização indiana no qual as doenças femininas são colocadas em terceiro lugar. xlii O número 9, entre outros, representa um importante papel na religião nativa Bon. 137