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sucesso das organizações e para a evolução tecnológica e econômicada sociedade. Utiliza também fontes abertas, de domínio ...
SOBRE O AUTOREdnilson Guimarães Hummig é formado em Engenharia Elétrica pelaUniversidade Federal de Santa Catarina (UFSC),...
SUMÁRIOA INOVAÇÃO ............................................................................. 6   Inovação e Criatividad...
A INOVAÇÃO     Inovação significa “novidade ou renovação”. A palavra é derivada do termo latinoinnovatio, e se refere a um...
introdução de uma inovação no sistema econômico é chamada por Schumpeter de atoempreendedor, realizada pelo empresário emp...
ABORDAGENS DA INOVAÇÃO       A inovação numa organização pode seapresentar de várias formas: operacional, deproduto, de mo...
valor de mercado para o inovador, mas, em geral, um modelo de negócios diferenciado é maisfacilmente decifrado e neutraliz...
MODELOS DE INOVAÇÃO      O conhecimento útil tornou-se amplamente difundido. Um século atrás, muitascompanhias industriais...
que, por sua vez, levava a novas conquistas semelhantes. E como a propriedade intelectual(PI) derivada dessa P&D era contr...
A presença desse caminho externo acabou rompendo o círculo virtuoso. A companhiaque havia investido na descoberta não mais...
PRINCÍPIOS DA INOVAÇÃO                     Fechada                                                   AbertaAs melhores pes...
O PROCESSO DE INOVAÇÃO       A criação de ideias inovadoras raramente acontece por coincidência. Nem é domínioexclusivo do...
características do processo: incerteza na saída, bagunçado e oportunista, até se concentrar emum único ponto de clareza um...
PROCESSO DE INOVAÇÃO - 5 FASES                           Adaptado: Livro Business Model Generation, 2010      No ambiente ...
DESAFIOS DA INOVAÇÃO     Vijay Convindarajan faz uma interessante analogia em seu livro O Outro Lado daInovação (2010), co...
os dias, a Máquina de Desempenho instintivamente derruba as iniciativas de inovação – ouqualquer projeto, com esse fim, qu...
Fazendo a inovação acontecer1. O real desafio da inovação está além da ideia. Ela está na longa e árdua jornada – da   ima...
Ao sintetizar as recomendações de Govindarajan, sugerimos a seguinte fórmula paraque a execução da inovação aconteça:     ...
REFERÊNCIAS1. Dorothy, Leonard e Walter Swap. “Centelhas Incandescentes: Estimulando a criatividade   em Grupos”. Porto Al...
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Este estudo tem o objetivo de trazer ao leitor uma visão geral sobre os principais aspectos que envolvem a inovação, em empresas constituídas ou em constituição. Sua leitura é indicada para todas as pessoas que, direta ou indiretamente, desenvolvem iniciativas de inovação ou as apoiam. Tem o propósito de unificar o conhecimento sobre o tema em grupos de trabalho, e se aplica às equipes de pesquisa e desenvolvimento, bem como aos gestores que veem a inovação como estratégia chave para a longevidade e competitividade organizacional.

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  1. 1. PREFÁCIODesde os tempos primitivos, os avanços tecnológicos se deram porintermédio da criatividade humana aplicada nas técnicas,metodologias e ferramentas que melhoraram a qualidade de vida daspessoas, bem como contribuíram para a evolução da sociedade.Da mesma forma, nas organizações, manter-se em constante evolução,crescimento e com postura competitiva exige a busca contínua donovo, da proposta de valor que garantirá novo diferencial no futuro,sem deixar de lado as atividades rotineiras, que garantem asobrevivência da companhia no presente. Essa busca e conquista donovo, que seja aplicável e útil para as pessoas e as empresas,chamamos de inovação.Este estudo tem o objetivo de trazer ao leitor uma visão geral sobre osprincipais aspectos que envolvem a inovação, em empresasconstituídas ou em constituição. Sua leitura é indicada para todas aspessoas que, direta ou indiretamente, desenvolvem iniciativas deinovação ou as apoiam. Tem o propósito de unificar o conhecimentosobre o tema em grupos de trabalho, e se aplica às equipes de pesquisae desenvolvimento, bem como aos gestores que veem a inovaçãocomo estratégia chave para a longevidade e competitividadeorganizacional.O trabalho reúne, sob a forma de curadoria e interpretações do autor,várias opiniões e perspectivas de pesquisadores e escritoresespecializados no tema inovação. Tema que é muito importante para o A Inovação da Inovação | Ednilson Guimarães Hummig | 2
  2. 2. sucesso das organizações e para a evolução tecnológica e econômicada sociedade. Utiliza também fontes abertas, de domínio público,existentes na internet, como wikis, blogs e mídias especializadas.O estudo inicia com uma conceituação abrangente, A Inovação,proporcionando ao leitor as bases fundamentais para identificar ediferenciar criatividade, invenção, e inovação.Em Abordagens da Inovação, são apresentadas as aplicações dainovação nas camadas estratégicas de uma organização. Nessa sessão,verifica-se que a longevidade competitiva, proporcionada por umainovação, depende do nível estratégico no qual ela impacta.Na sessão seguinte, Modelos de Inovação, são expostas as mudançasque vêm ocorrendo no contexto macroeconômico e seus impactos nosprincípios fundamentais que conduzem os processos de inovaçãodentro das organizações.Em Processo de Inovação, busca-se conscientizar o leitor de que aatividade de inovar exige preparação, tempo, dedicação e muitotrabalho. Apresenta uma sugestão de processo de inovação para serusado como referência, que deve se adaptar a cada iniciativa deinovação. Mostra que qualquer processo de inovação adotado não serálinear, mas cheio de idas e vindas.Historicamente, nas organizações, muito tempo e dinheiro têm sidodesperdiçados com iniciativas inovadoras que não se convertem empropostas de valor perceptíveis pelo mercado. A principal causa dessaineficiência está na má execução das ideias inovadoras. Em Desafiosda Inovação, procura-se trazer os principais aspectos que influenciamo processo de execução e algumas dicas de como implantá-lo dentrode uma empresa estabelecida. A Inovação da Inovação | Ednilson Guimarães Hummig | 3
  3. 3. SOBRE O AUTOREdnilson Guimarães Hummig é formado em Engenharia Elétrica pelaUniversidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e especializado emGestão Integrada de Processos e Serviços – Qualidade, Produtividadee Recursos Humanos pela UFSC. Possui MBA em Marketing pelaFundação Getúlio Vargas (FGV).Possui amplo conhecimento e vivência nos Setores deTelecomunicação, Tecnologia da Informação, Inteligência, Educação,Saúde e Comércio. Acumula experiências em modelagem,planejamento e alavancagem de novos negócios, gestão de equipesmultidisciplinares, com ênfase em projetos de inovação, marketing evendas. Tem habilidade em desenho estratégico, implantação, gestãode novas operações e internacionalização de marcas.Atualmente, exerce a função de executivo de marketing da DígitroTecnologia, uma empresa brasileira desenvolvedora e provedora desoluções de Inteligência, TI e Telecom para o mercado brasileiro epaíses de língua hispânica. A Inovação da Inovação | Ednilson Guimarães Hummig | 4
  4. 4. SUMÁRIOA INOVAÇÃO ............................................................................. 6 Inovação e Criatividade.................................................................... 7 Inovação e Invenção......................................................................... 7ABORDAGENS DA INOVAÇÃO................................................. 8 Considerações adicionais..................................................................9MODELOS DE INOVAÇÃO......................................................10O PROCESSO DE INOVAÇÃO................................................ 14DESAFIOS DA INOVAÇÃO......................................................17 Fazendo a inovação acontecer........................................................ 19REFERÊNCIAS.........................................................................21 A Inovação da Inovação | Ednilson Guimarães Hummig | 5
  5. 5. A INOVAÇÃO Inovação significa “novidade ou renovação”. A palavra é derivada do termo latinoinnovatio, e se refere a uma ideia, a um método ou a um objeto que é criado e que pouco separece com padrões anteriores. Atualmente, a palavra inovação é mais usada no contexto de ideias e invenções, assimcomo a exploração econômica relacionada, sendo que inovação é a invenção que chega aomercado. De acordo com Christopher Freeman, inovação é o processo que inclui atividadestécnicas, concepção, desenvolvimento, gestão, e que resulta na comercialização de novos (oumelhorados) produtos, ou na primeira utilização de novos (ou melhorados) processos. Inovação pode ser também definida como fazer mais com menos recursos, por permitirganhos de eficiência em processos, sejam eles produtivos, administrativos ou financeiros, deprestação de serviços, além de potenciar e ser motor de competitividade. A inovação, quandocria aumentos de competitividade, pode ser considerada fator fundamental no crescimentoeconômico de uma sociedade. Vijay Govindarajan, em seu livro O Outro Lado da Inovação (2011), define: “Umainiciativa inovadora é qualquer projeto que seja novo e que possua um resultado incerto”. Segundo Chesbroug, embora seja relativamente fácil prever as capacidades potenciaisde uma inovação tecnológica radical, em termos dos produtos que ele habilita, torna-sepraticamente impossível prever a maneira pela qual esses produtos, ou ofertas, virão aconformar as práticas sociais. No contexto da ciência econômica, a palavra inovação foi introduzida pelo economistaaustríaco Joseph Schumpeter (Teoria do Desenvolvimento Econômico) na sua obra BusinessCycles, de 1939. Em Capitalismo, Socialismo e Democracia (1942), ele descreve o processode inovação como “destruição criadora”. Segundo o autor, a razão para que a economia saiade um estado de equilíbrio e entre em um processo de expansão é o surgimento de algumainovação, do ponto de vista econômico, que altere consideravelmente as condições prévias deequilíbrio. Exemplos de inovações que alteram o estado de equilíbrio da economia são: aintrodução de um novo bem no mercado (ex: iPhone); a descoberta de um novo método deprodução ou comercialização de mercadorias e serviços (ex: internet, e-mail, eBay, Amazon,iTunes); a conquista de novas fontes de matérias-primas (ex: escavação de petróleo em águasprofundas), e a alteração da estrutura de mercado vigente, como a quebra de um monopólio. A A Inovação da Inovação | Ednilson Guimarães Hummig | 6
  6. 6. introdução de uma inovação no sistema econômico é chamada por Schumpeter de atoempreendedor, realizada pelo empresário empreendedor, visando à obtenção de um lucro.Inovação e Criatividade Os conceitos de criatividade e inovação são indissociáveis, no entanto, não sãosinônimos. Os autores Duaibili & Simonsen Jr. distinguem os conceitos afirmando que “Acriatividade é a faísca, a inovação é a mistura gasosa. A primeira dura um pequeno instante, asegunda perdura e realiza-se no tempo. É a diferença entre inspiração e transpiração, adescoberta e o trabalho”. Não existe inovação sem criatividade, pois a inovação é a aplicação prática dacriatividade, ou seja, uma ideia resultante de um processo criativo, só passará a serconsiderada uma inovação quando realmente aplicada, caso contrário, é considerada apenasuma invenção. Citando Larry Hirst, um dos antigos chairman da IBM: “Invenção é transformardinheiro em ideias, inovação é transformar ideias em dinheiro”. Inovação tem, pois, essecaráter de concretização, que só assim poderá gerar criação de valor.Inovação e Invenção A invenção costuma surgir de um processo criativo que transcende o escopo da ideiapara uma ação prática. A invenção pode ou não ter um foco mercadológico ou um objetivocomercial determinado. A invenção costuma ter um protótipo, uma espécie de primeiroexemplar ou modelo do produto ou solução desenvolvida. A invenção torna-se inovação quando possui algum potencial para ser utilizada nomercado e, portanto, comercializada. A inovação, grosso modo, é a invenção que encontrouuma utilidade prática e demanda do mercado. É quando o protótipo se transforma em produtocomercializável. A Inovação da Inovação | Ednilson Guimarães Hummig | 7
  7. 7. ABORDAGENS DA INOVAÇÃO A inovação numa organização pode seapresentar de várias formas: operacional, deproduto, de modelo de negócio, e de gestão.Cada categoria dá sua contribuição para o bomresultado organizacional. Mas aoclassificarmos as formas de inovação, pelo seugrau de criação de valor e defensibilidadecompetitiva, temos a seguinte hierarquia: Na base da pirâmide, está a inovaçãooperacional, que tem como foco oaprimoramento dos métodos, técnicas eferramentas operacionais que melhoram o desenvolvimento produtivo das organizações(operações). Num cenário altamente competitivo, em que as empresas atuam, a eficiênciaoperacional é importantíssima para reduzir custos e aumentar a produtividade. Entretanto, esse tipo de inovação não oferece uma vantagem competitiva duradoura,pois é facilmente copiada, seja pela contratação de consultorias especializadas, que trazem asmelhores práticas de mercado (empresas excelentes), ou pela aquisição de ferramentas desuporte operacional, como equipamentos mais sofisticados ou novas de Tecnologias daInformação e Comunicação. Na sequência ascendente da pirâmide, está a inovação de produtos. Um excelenteproduto/serviço pode alavancar uma organização do dia para a noite. No entanto, na ausênciade proteção obrigatória da patente, a maior parte dos produtos/serviços é rapidamente imitadae vendida a preços mais baixos que o original. Além disso, o ritmo cada vez mais acelerado doprogresso tecnológico dá às start-ups a oportunidade de dar um salto sobre as empresaspioneiras do passado. Como resultado, produtos/serviços revolucionários raramente conferema uma empresa a liderança duradoura no mercado. Segundo Chesbroug, uma inovação de sucesso muitas vezes exige um modelo denegócio inovador quase tanto quanto exige o oferecimento de um produto inovador. Elaborarrapidamente protótipos de modelos de negócio e testá-los junto aos potenciais clientes éfundamental para o sucesso da inovação tecnológica. Mais acima na pirâmide, encontra-se a inovação em modelo de negócio (estratégica).Essa forma de inovação objetiva elaborar novos e arrojados modelos de negócios que colocamos já existentes na defensiva. Como exemplo: o iTunes Music Store, da Apple; e a alta-costurachique, mas barata, da Zara. Um modelo de negócios formidável pode gerar muito dinheiro de A Inovação da Inovação | Ednilson Guimarães Hummig | 8
  8. 8. valor de mercado para o inovador, mas, em geral, um modelo de negócios diferenciado é maisfacilmente decifrado e neutralizado do que um sistema não-convencional de gestão. No topo da pirâmide está a inovação em gestão. Entre todas as formas de inovação, aque se aplica em gestão possui uma capacidade inigualável de criar vantagens competitivasdifíceis de copiar. Isso ocorre porque inovar em gestão requer o questionamento dos atuaismodelos, muitos deles assumidos como verdades eternas, exigindo revisão dos princípios emudança na forma de pensar e praticar a gestão. Muitas vezes, essa inovação exige orompimento com os modelos de gestão do passado. Como exemplo disso, podemos considerarque, provavelmente, uma pessoa acharia mais fácil ajustar suas preferências de moda quemudar suas convicções religiosas. Da mesma forma, a maioria dos executivos acha mais fácilreconhecer os méritos de um modelo de negócios inovador que abandonar os princípiosbásicos de suas opiniões consolidadas sobre gestão.Considerações adicionais Segundo Gary Hamel, em The Future of Management (2007), nem toda inovação emgestão cria uma vantagem competitiva. Algumas são incrementais; outras, errôneas. E muitasnunca compensam. O mesmo pode ser dito de outros tipos de inovação. Da mesma forma quena operacional, de produtos e estratégica, a inovação em gestão obedece a uma lei depotência: para cada ideia verdadeiramente radical, que muda para sempre a prática de gestão,há dezenas de outras de menor valor e influência, mas isso não é impedimento para nãoinovar. Conforme Hamel, “A inovação é sempre um jogo de números: quanto mais númerosvocê jogar, maiores as chances de ganhar um bom prêmio”. Além disso, nenhum grande avanço em gestão, por mais ousado ou bem executado queseja, pagará dividendos competitivos para sempre. No histórico da inovação em gestão, hámuitas empresas que já deixaram de lado o pensamento convencional, mas nunca repetiram afaçanha. Embora suas estrelas venham perdendo o brilho, nas últimas décadas, a Ford não sebaseou apenas no desenvolvimento da linha de montagem móvel, mas também na inovaçãodos métodos de gestão necessários para administrar a que era, na época, a maior e maisverticalmente integrada empresa do mundo. Atualmente, porém, seus modelos de gestão sãotão pouco diferenciados como seus veículos. Faz quase um século que essa empresa é umadas líderes na revolução da gestão. A Inovação da Inovação | Ednilson Guimarães Hummig | 9
  9. 9. MODELOS DE INOVAÇÃO O conhecimento útil tornou-se amplamente difundido. Um século atrás, muitascompanhias industriais líderes mantinham monopólios sobre conhecimento; elas lideravam aindústria. Hoje, esses monopólios de conhecimento foram, em sua maioria, quebrados, àsvezes por políticas governamentais antitruste, mas, com maior frequência, pelo aparecimentode novas companhias start-ups, acompanhado pela crescente qualidade e produtividade dapesquisa das universidades. A difusão do conhecimento espalhou-se, muito além doconhecimento antes reservado aos laboratórios centrais de pesquisa, com importantes pools deconhecimento distribuídos entre companhias, consumidores, fornecedores, universidades,laboratórios nacionais, consórcios industriais e firmas pioneiras. Dentro desse contexto macroeconômico, podemos identificar como as organizaçõesconduzem seu processo de inovação em dois modelos distintos: Closed Innovation e OpenInnovation. Segundo Henry Chesbrough, em seu livro OpenInnovation: The New Imperative for Creating andProfiting from Technology (2003), o modelo ClosedInnovation (figura ao lado) trata-se de uma visãosegundo a qual “inovação de sucesso exige controle”.As companhias precisam gerar suas próprias ideias e,em sequência, desenvolvê-las, financiá-las, construí-las, comercializá-las, distribuí-las, assessorá-las, e dar-lhes todo o suporte possível para a concretização do sucesso. Esse paradigma aconselha asempresas a serem fortemente autoconfiantes, porque não é possível ter certeza da qualidade,disponibilidade e capacidade das ideias dos outros: “Se você quiser que alguma coisa sejafeita da maneira certa, faça-a você mesmo”. A lógica da inovação fechada criou um círculo virtuoso. As companhias investiam em P&D interna, o que levava a muitas descobertas revolucionárias. Tais descobertas davam a essas companhias as condições para lançar novos produtos e serviços no mercado, para realizar maiores vendas com altas margens em função desses produtos, e, então, reinvestir os lucros em mais P&D interna, A Inovação da Inovação | Ednilson Guimarães Hummig | 10
  10. 10. que, por sua vez, levava a novas conquistas semelhantes. E como a propriedade intelectual(PI) derivada dessa P&D era controlada rigidamente, não havia maneira de terceirosexplorarem essas ideias em proveito próprio. Durante boa parte do século XX, esse paradigma funcionou muito bem. Mas com opassar dos anos, a crescente capacitação das pessoas, a mobilidade de pessoas altamenteexperientes entre organizações distintas, os avanços nas tecnologias de informação ecomunicação, começaram a quebrar o círculo virtuoso da inovação fechada. O conhecimentopassou a emigrar dos laboratórios de pesquisa centrais das grandes corporações paracompanhias de todos os tamanhos em inúmeras indústrias. Outro fator foi a crescente ofertade capital de risco (CR), que seespecializou em criar novas firmas quecomercializavam pesquisa externa, atétransformar essas empresas emcompanhias inovadoras de alto valor.Muitas vezes, essas empresas start-upsde alta capacidade tornaram-seconcorrentes formidáveis para aquelasempresas maiores, estabelecidas, queanteriormente financiaram a maior parte da P&D na indústria – as próprias ideias de que essasstart-ups se alimentavam enquanto competiam pela liderança da indústria. Quando ocorriam descobertas tecnológicas fundamentais, os cientistas e engenheirosresponsáveis por essas conquistas tinham a consciência de uma opção externa com que elesanteriormente não contavam. Se a companhia que tivesse financiado essas descobertas não asempregasse de maneira adequada, os cientistas e engenheiros podiam colocá-las em práticapor sua conta e risco – em uma nova empresa. A empresas iniciantes se dedicavam a comercializar essas descobertas. Muitas vezes, essa empresa start-up fracassava. Mas quando conseguia sucesso, poderia se transformar numa atraente oferta pública inicial (IPO) de ações ou ser adquirida por preço compensador. A companhia iniciante normalmente nãoreinvestiria em novas descobertas fundamentais. Como a Cisco, buscaria no mercado externooutra tecnologia alheia que tivesse condições de comercializar. A Inovação da Inovação | Ednilson Guimarães Hummig | 11
  11. 11. A presença desse caminho externo acabou rompendo o círculo virtuoso. A companhiaque havia investido na descoberta não mais lucrava com seu investimento em P&D queoriginara a inovação. E a companhia que realmente lucrava com a inovação não reinvestiaseus ganhos para financiar uma próxima geração de pesquisa orientada para a descoberta.Essa ligação rompida entre pesquisa e desenvolvimento significava que não haveria outraetapa de investimento em pesquisa básica para alimentar outra rodada de avanços. A lógica da inovação fechada também foi profundamente desafiada pelo incremento davelocidade de comercialização de muitos produtos e serviços, que reduziu a vida protegida dedeterminadas tecnologias. Em situações nas quais esses fatores de erosão se estabeleceram, ainovação fechada deixou de ser sustentável. Para tais situações, uma nova abordagem surgiu:inovação aberta. Open Innovation é a abertura do processo de pesquisa de uma companhia para gruposexternos. Chesbrough argumenta que, em um mundo caracterizado pela distribuição doconhecimento, as organizações podem criar mais valor e explorar melhor suas própriaspesquisas ao integrar conhecimento, propriedade intelectual e produtos externos aos seusprocessos de inovação. Adicionalmente, Chesbroug demonstra que produtos, tecnologias, conhecimento epropriedade intelectual internos podem ser monetarizados ao serem disponibilizados paragrupos externos através de licenciamentos, empreendimentos conjuntos ou ramificações. Oautor distingue entre inovação de “fora para dentro” e inovação de “dentro para fora”. Ainovação de “fora para dentro” ocorre quando uma organização traz ideias, tecnologias oupropriedade intelectual externa para seus processos de desenvolvimento e comercialização. Ainovação de “dentro para fora” ocorre quando a organização licencia ou vende suapropriedade intelectual ou tecnologia, particularmente seus recursos não utilizados. A Inovação da Inovação | Ednilson Guimarães Hummig | 12
  12. 12. PRINCÍPIOS DA INOVAÇÃO Fechada AbertaAs melhores pessoas trabalham para nós. Precisamos trabalhar com as melhores pessoas, estejam elas dentro ou fora da empresa.Para lucrar com a pesquisa e desenvolvimento A P&D externa pode criar valor significativo; a P&D(P&D), precisamos descobrir, desenvolver e vender interna é necessária para adquirir alguma porçãopor nós mesmos. daquele valor.Se conduzirmos a maioria das melhores pesquisas Não precisamos originar a pesquisa para nosem nosso setor, venceremos. beneficiarmos dela.Se criarmos as melhores ideias na indústria, Se fizermos o melhor uso de ideias internas evenceremos. externas, venceremos.Devemos controlar nosso processo de inovação, de Devemos lucrar com o uso de nossas inovações pormodo que os competidores não lucrem a partir de outros, além de comprar a propriedade intelectualnossas ideias. de outros sempre que isso apoiar nossos interesses. Fonte: Chesbrough, 2003 A Inovação da Inovação | Ednilson Guimarães Hummig | 13
  13. 13. O PROCESSO DE INOVAÇÃO A criação de ideias inovadoras raramente acontece por coincidência. Nem é domínioexclusivo dos gênios criativos. É algo que pode ser gerenciado, estruturado em processos eutilizado para alavancar o potencial criativo de toda uma organização. Esse processo começa com a seleção das pessoas que produzirão as ideias. Quanto maisheterogênea for a composição do grupo, mais perspectivas diferentes serão utilizadas,enriquecendo o debate criativo. É preciso que lhes sejam dadas ferramentas para estimular seupensamento divergente e que recebam tempo – e espaço – para refletir. Além disso, em algummomento, o processo deve ser redirecionado para se chegar a uma ou algumas poucas opçõesque devem se mostrar úteis. O desafio, entretanto, é que o processo criativo continua confuso e imprevisível, apesardas tentativas de se implementar um processo. Ele exige habilidade para lidar comambiguidades e incertezas até que uma boa solução surja, e isso toma tempo. Os participantesdevem estar dispostos a investir energia e tempo significativos para explorar as muitaspossibilidades sem se apressar muito para adotar uma solução. A recompensa pelo tempoinvestido provavelmente será a melhor solução inovadora. Chamamos esse método de Atitude de Design, mas é bastante diferente da Atitude deDecisão que domina a gestão tradicional. Fred Callopy e Richard Boland, da Escola deAdministração da Whatherhead, explicam esse argumento no artigo Design Matters (ODesign Importa), em seu livro Managing as Designing (Gerenciando como Design). AAtitude de Decisão, afirmam os autores, assume que é fácil inventar alternativas, porém difícilescolher entre elas. A Atitude de Design, em contraste, parte do princípio de que é difícilprojetar uma alternativa impressionante, mas uma vez que isso seja feito, a decisão sobre qualalternativa selecionar se torna trivial. A distinção é aplicável a qualquer iniciativa de inovação. Você pode analisar o quantoquiser e, ainda assim, fracassar em desenvolver uma inovação satisfatória. O mundo estácheio de ambiguidades e incertezas que a Atitude de Design, de explorar e prototiparmúltiplas possibilidades, provavelmente levará a uma poderosa inovação. Tal exploraçãoenvolve saltos confusos e oportunos, para frente e para trás, entre pesquisas de mercado,análises, prototipagem de invenções e geração de ideias. A Atitude de Design é muito menoslinear e incerta que a Atitude de Decisão, que se concentra na análise, na decisão e naotimização. Ainda assim, uma busca proposital por ideias de inovação competitivas exige ummétodo de design. Damien Newman, da Firma Central de Design, demonstrou a Atitude de Design comuma imagem que ele chama de “o Emaranhado do Design”, em que incorpora as A Inovação da Inovação | Ednilson Guimarães Hummig | 14
  14. 14. características do processo: incerteza na saída, bagunçado e oportunista, até se concentrar emum único ponto de clareza uma vez amadurecido. ATITUDE DE DESIGN Fonte: Damien Newman Uma abordagem do processo de inovação é apresentada no livro Business ModelGeneration (2010), que sugere cinco fases distintas: Mobilização, Compreensão, Projeto,Implementação e Gestão. Conforme citado por Damien Newman, o processo de inovação não é linear, podendocaminhar em várias direções, durante a atividade de inovação. As fases de Compreensão e Projeto (design) tendem a proceder em paralelo. AImplementação (execução) pode iniciar cedo, na fase de Compreensão, na forma de rascunhoou de protótipo. Similarmente, a Implementação durante a fase de Projeto pode guiar paranovas ideias, requerendo pesquisa adicional e uma retomada da fase de Compreensão.Finalmente, a última fase, de Gestão, é sobre o contínuo gerenciamento da inovaçãoproduzida. A Inovação da Inovação | Ednilson Guimarães Hummig | 15
  15. 15. PROCESSO DE INOVAÇÃO - 5 FASES Adaptado: Livro Business Model Generation, 2010 No ambiente altamente competitivo, no qual as organizações estão inseridas, commudanças cada vez mais rápidas, e também pelos substanciais investimentos que as empresasdestinam a transformar ideias inovadoras em novos produtos e serviços, é imperativo umagestão contínua da inovação na tentativa de ampliar, ao máximo, sua vida competitiva. A Inovação da Inovação | Ednilson Guimarães Hummig | 16
  16. 16. DESAFIOS DA INOVAÇÃO Vijay Convindarajan faz uma interessante analogia em seu livro O Outro Lado daInovação (2010), comparando o processo de inovação à escalada de uma montanha. Aprimeira etapa dessa empreitada é similar ao processo de criação e seleção da melhor ideiainovadora. É um procedimento bastante estimulante e que atrai muitas pessoas. O topo émajestoso e inspirador! E brilha à luz do sol. Mas chegar ao topo é só o primeiro estágio dosucesso. Depois vem os desafios além da grande ideia inovadora, a descida do cume: aexecução. Segundo Govindarajan, o maior desafio no processo de inovação é a execução da ideiainovadora. É tornar real e perceptível o resultado do processo criativo que gerou a melhorideia. Esse é o motivo pelo qual há um excesso de excelentes ideias inovadoras que sãodesperdiçadas ou engavetadas nas organizações. As pessoas dão grande importância aoprocesso criativo e pouca, ou quase nenhuma, atenção e perseverança ao processo deexecução. A maioria das empresas têm muita criatividade e bastante tecnologia. O que lhes falta éhabilidade gerencial para converter ideias em impacto. Como exemplo disso, Govindarajancita o auge do boom das empresas “pontocom” em 2000 e sua decadência em 2001, com odiagnóstico de excesso de inovação. Muito exagero! Muita crença no poder da internet emtransformar o mundo da noite para o dia! Mas muitas visões incubadas durante essecrescimento vieram de fato a se concretizar. Levou um pouco mais do que se previa. Porexemplo, ficou claro que havia um tremendo valor no comércio eletrônico entre empresas(business-to-business). Ele apenas se mostrou bem mais complicado do que a venda on-linede varejo e, assim, levou muito mais tempo para se acertar. Além disso, a internet virou “decabeça para baixo” os setores de vídeo e de música, mas não antes que as conexões em altavelocidade estivessem amplamente disponíveis. Um diagnóstico melhor do fracasso das“pontocom” seria: “Grandes ideias, executadas de forma negligente”. Govindarajan comenta que um problema que acompanha as organizações empresariaisestabelecidas é que elas não foram constituídas para inovar, mas para buscar eficiência. Apressão por lucros confiáveis, em cada e em todos os trimestres, é a força que dá forma emolda as empresas à medida que crescem e amadurecem. Inevitavelmente, as empresasevoluem para o que chamamos Máquinas de Desempenho. Nesse contexto, é bastante difícilcombinar a disciplina pela eficiência com a disciplina pela inovação. Os conflitos são sutis. Entretanto, aquele que com mais facilidade se torna aparente é atensão entre as prioridades no curto e no longo prazo. Sob pressão para fornecer lucros todos A Inovação da Inovação | Ednilson Guimarães Hummig | 17
  17. 17. os dias, a Máquina de Desempenho instintivamente derruba as iniciativas de inovação – ouqualquer projeto, com esse fim, que não consegue gerar uma contribuição imediata. A Máquina de Desempenho, existente em todas as empresas de qualquer setor, utiliza omesmo método: para aumentar os resultados, a Máquina de Desempenho luta para que cadatarefa, cada processo e cada atividade sejam o máximo possível repetitivos e previsíveis.Quando o desempenho passado pode servir de base para as futuras expectativas, cadaindivíduo em uma organização pode ser controlado para atingir claros padrões de desempenhojá testados. Ao mesmo tempo, a maior força da Máquina de Desempenho – sua busca pela repetiçãoe pela previsibilidade – estabelece também sua maior limitação. Por definição, as inovaçõesnão são nem repetitivas nem previsíveis. Elas são exatamente o oposto – fora da rotina eincertas. Essas são as incompatibilidades fundamentais entre as inovações e as operações emandamento. Elas atingem diretamente o âmago de como os líderes são treinados, como asorganizações são concebidas e como o desempenho é medido. Govindarajan defende que as inovações devam ser conduzidas por intermédio daparceria entre a Equipe Dedicada e a Equipe Compartilhada, sendo esta um subgrupo daMáquina de Desempenho, que está diretamente envolvido em executar a iniciativa deinovação. A Inovação da Inovação | Ednilson Guimarães Hummig | 18
  18. 18. Fazendo a inovação acontecer1. O real desafio da inovação está além da ideia. Ela está na longa e árdua jornada – da imaginação ao impacto.2. A Máquina de Desempenho é poderosa e capaz. Ela gera produtividade e eficiência; capaz de gerar crescimento e alguma habilidade em inovar; e consegue enfrentar melhorias contínuas de processos e iniciativas de desenvolvimento de produtos que sejam similares aos esforços do passado.3. Além desses limites, as incompatibilidades fundamentais entre inovações e operações em andamento tornam impossível que a Máquina de Desempenho inove por sua própria conta.4. Por causa das incompatibilidades, os líderes de inovação muitas vezes se imaginam como rebeldes lutando contra o sistema estabelecido. Mas a ideia de uma pessoa contra o polvo burocrático é uma aposta extremamente ruim.5. Govindarajan defende que, dentro das organizações, cada iniciativa de inovação requer uma equipe com um modelo organizacional próprio e um plano que seja revisado somente por meio de um rigoroso processo de aprendizado.6. Apesar das tensões inevitáveis, os líderes de inovação devem lutar por um relacionamento de respeito mútuo com a Máquina de Desempenho. A Inovação da Inovação | Ednilson Guimarães Hummig | 19
  19. 19. Ao sintetizar as recomendações de Govindarajan, sugerimos a seguinte fórmula paraque a execução da inovação aconteça: A Inovação da Inovação | Ednilson Guimarães Hummig | 20
  20. 20. REFERÊNCIAS1. Dorothy, Leonard e Walter Swap. “Centelhas Incandescentes: Estimulando a criatividade em Grupos”. Porto Alegre: Bookman, 2003.2. Chesbrough, Henry. “Modelos de Negócios Abertos: como prosperar no novo cenário da inovação”. Porto Alegre: Bookman, 2012.3. Chesbrough, Henry. “Inovação Aberta: como criar e lucrar com a tecnologia”. Porto Alegre: Bookman, 2012.4. Hamel, Gary. “O futuro da administração”. Rio de Janeiro: Campus, 2007.5. Govindarajan, Vijay e Chris Trimble. “O outro lado da inovação”. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.6. Osterwalder, Alexander. “Business Model Generation”. New Jersey: Wiley & Sons, 2010.7. Duailibi, Roberto e Harry Simonsen Jr.. “Criatividade & Marketing”. São Paulo: M. Books, 2009. A Inovação da Inovação | Ednilson Guimarães Hummig | 21

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