ALBERT CAMUS
DIÁRIO DE UM ESTRANGEIRO NO BRASIL
EDGAR ARRUDA / IZASKUN UZKUDUN
2007
Produtora e Associação Ojobegi
C/ Aitzuri, 2 4C 20750 Zumaia – Guipúzcoa – Espanha
Telf. (0034) 943 577 512 – 645 732 446 – 669 964 736
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ÍNDICE
Apresentação
1. Sinopse do Projeto
2. Hipótese de trabalho e interpretação
2.1. Ponto de vista
2.2. A ação
2.3. Conflitos
2.4.Tema e exposição
2.4. Personagens principias
2.5. Elementos principias
2.6. O conflito
2.7. Preconceitos do público
3. A estrutura
4. Forma e estilo
5. Desenlace
6. Roteiro
7. Entrevistas e Entrevistados
8. Plano de rodagem
9. Cronograma
10. CV dos realizadores e produtoras
11. Orçamento
12. Plano de financiamento
13. Anexo
1. APRESENTAÇÃO
“Ainda que estreita desde faz tempo, a relação entre a França e o Brasil
começou sendo um pouco mais fria. A França tentou instalar colônias em várias
ocasiões (entre 1500 e 1822), e a fronteira com a Guiana Francesa foi fonte de
litígios (até 1900). Ainda assim, algumas figuras francesas contribuíram muito
cedo para fortalecer os laços entre ambos povos. Assim ocorreu com o
especialista em geodésica e naturalista Charles Marie da Condamine, que mediu
o Equador descendo a Amazônia, ou com o naturalista Auguste de Saint-Hilaire,
que estudou a fauna e a flora do país. Mais tarde, o pintor Eduard Manet viveria
ali, de onde voltou enfeitiçado. Em 1889, data da proclamação da República
Federal brasileira, o filósofo Auguste Comte também deixaria sua marca, quando
o Brasil adotou o lema positivista "Ordem e Progresso" em sua bandeira.Com o
século XX, as relações franco-brasileiras vivenciam um importante
estreitamento. A influência francesa é notória no Rio, onde em 1931 o escultor
Paul Landowski erige o Cristo do Corcovado, que se converteria no símbolo da
cidade (e foi escolhida como uma das Sete Maravilhas do mundo moderno no
2007). Os escritores Paul Claudel e Blaise Cendrars, o compositor Darius
Milhaud, o arquiteto Le Corbusier também viveram longas temporadas no Brasil.
Em 1948 se assinou, por fim, um acordo cultural entre os dois países, e em
1996, uma comissão geral franco-brasileira coordena as relações bilaterais.
Hoje, o Ano de Brasil na França servirá para aproximar ainda mais as duas
nações. Uma idéia que confirmam os comissários, para quem "será a ocasião
(…) de criar novos laços, inclusive de dar um novo impulso às relações franco-
brasileiras para as futuras décadas". A defesa da diversidade cultural poderia ser
um terreno de cultivo propício.”
(www.diplomatie.gouv.fr)
Esta citação recolhida da página Web do governo
francês faz referência à comemoração da presença da cultura brasileira na
França, em 2006. Em 2008 será celebrado o ano da presença da cultura
francesa no Brasil. Para esta celebração sugerimos um tema mais imaterial
desta presença, mas um dos mais ativos: a presença do escritor e filósofo Albert
Camus. A investigação e a celebração desta presença, através de um
documentário sobre Albert Camus no Brasil, ensinam sua importância na
formação do pensamento dos leitores que amam nele a conjunção exemplar do
homem e da obra. Poucos casos existem, efetivamente, em que a obra e o
homem apareçam mais identificados, tão indissoluvelmente unidos e tão atual
como Camus.
O projeto para o documentário “Albert Camus - Diário de um
Estrangeiro no Brasil” está baseado no “Diário de Viagem” de Albert Camus. A
narrativa desta viagem, num momento especial para o escritor, relata seu
encontro e sua leitura da cultura brasileira. Ademais, esta viagem nos revelará a
importância de seu pensamento que no Brasil orientou, inspirou, personagens de
diferentes vertentes filosóficas e estéticas. Cabe destacar ao senhor Abdias do
Nascimento, dramaturgo, filósofo, político, em suma, um homem de ação, que
leva o ideário do pensamento de Camus na realidade brasileira. O senhor
Abdias é um personagem fundamental na história recente de Brasil por sua luta
pela preservação das identidades e das conquistas sociais para os afro-
descendentes.
Fazendo um contraponto entre divergentes correntes de pensamentos atuais, o
roteiro apoia-se em diversas entrevistas realizadas com escritores, poetas,
filósofos e músicos que nos informarão da importância da obra de Camus em
suas formações pessoais, bem como sua presença na cultura brasileira. A
eleição dos entrevistados se dá pela composição de um todo, tendo como
enfoque o humanismo de Albert Camus, sua filosofia e seus conceitos. É uma
história da coerência e da ética do século XX, num de seus melhores expoentes.
O projeto foi apresentado pela primeira vez em janeiro de 2007, pela Associação
“Ojobegi”, da Espanha, no FIPA (Festival Internacional de Produtos
Audiovisuais) em Biarritz (França), onde participou na seção do “Pitching”. Em
maio deste mesmo ano participou na Bolsa de Projetos do MERCADOC, Festival
de Málaga (Espanha), na qual se apresentou para diferentes televisões e
produtoras internacionais.
Sinopse do Projeto
Título do projeto – “Albert Camus – Diário de viagem de um estrangeiro no
Brasil”
Formato – 52´HDV
Localização – Brasil
Objetivos gerais
1) Em consonância com a celebração da presença da cultura francesa no Brasil
em 2008, pesquisar através de Albert Camus esta herança.
2) Pesquisar a herança filosófica de Albert Camus no Brasil baseando-se em
entrevistas realizadas com artistas e intelectuais brasileiros de diferentes
correntes filosóficas e políticas.
3) Explorar o encontro de Albert Camus com a cultura brasileira baseado em seu
diário de viagem.
Objetivos particulares
1) Pesquisar parte da história do dramaturgo Abdias do Nascimento. Ele
encenou pela primeira vez no Brasil - em 1949 - a peça de teatro Calígula, de
Camus, com o grupo Teatro Experimental Negro (TEM), ao qual assistiu o
próprio autor.
2) Partindo do “Diário de Viagem de Albert Camus” expor citações de sua obra
através de textos de áudio livros lidos pelo mesmo.
3) Registrar a leitura que Camus faz da cultura popular, tradicional, do Brasil.
Especialmente o Candomblé, o Bumba-meu-boi, o Frevo e o Cavalo Marinho.
HIPÓTESE DE TRABALHO E INTERPRETAÇÃO
2.1. PONTO DE VISTA
Quando Camus viajou ao Brasil, em que pese que estava
muito enfermo de tuberculose, redescobriu um mundo onde, para sua surpresa,
ele era bastante conhecido. No Rio de Janeiro deu uma conferência para quase
2 mil pessoas. No Recife, na conferência que pronunciou na Universidade de
Direito, mudou o tema da conferência sobre o “Existencialismo”, e fez uma
análise de Europa pós-guerra. Este texto do autor permanece inédito até a
presente data, pois não foi incluído em suas obras completas, da Editorial
Gallimard. O enfoque que faz Camus do Brasil é quase profético. Como
observador crítico que era, Camus faz uma leitura do Brasil exemplar:
“O Brasil, com sua fina armadura moderna, como uma chapa metálica sobre
esse imenso continente fervente de forças naturais e primitivas, faz-me pensar
num edifício, corroído cada vez mais de baixo para acima por traças invisíveis.
Um dia, o edifício se desmoronará e todo um pequeno povo agitado, negro,
vermelho e colorido se espalhará pela superfície do continente, mascarado e
armado de lanças, para a dança da vitória” (Camus, “Diário de Viagem”).
Suas observações sobre a cultura popular, tradicional, fazem referência à
identidade multicultural, uma realidade que ainda hoje é vigente no Brasil. Nesta
descoberta, a música teve um importante papel. “O Importante, porém, é que o
Brasil seja o único país de população negra que produz canções sem parar”
(Camus “Diário de Viagem”).
Portanto, em nossa abordagem, a música será a ponte entre seu diário, as
entrevistas e os rituais mágicos/religiosos do Candomblé, do Bumba-meu-boi e
do Cavalo Marinho. Sendo, assim, a composição narrativa resultante é uma
tríade:
1) O diário
2) As entrevistas
3) A cultura popular
2.2- A ação
Existe a possibilidade fílmica de realizar a narrativa de Camus na primeira
pessoa, já que existem uma grande variedade de imagens dele em movimento
em 35mm, 16mm, VHS e quatro áudio-livro, lidos por ele mesmo: “O
Estrangeiro”, “O Mito de Sísifo”, “A Queda” e “O Homem Revoltado”. As imagens
em movimento de Camus podem ser capturadas e inseridas no contexto
narrativo. É possível traçar uma narrativa onde se sintetizem estes elementos
com o diário numa exposição de sua obra.
A primeira parte começa com Camus chegando ao porto para pegar o navio que
lhe levará ao Brasil. Esta viagem terá um caráter filosófico. Neste ambiente,
sobre o mar e sob o céu, é apresentado, com imagens de arquivo de Camus e
sua própria voz, citações de sua filosofia misturada com entrevistas.
A segunda parte trata de sua chegada ao Rio de Janeiro onde assistirá a um
ritual religioso afro-brasileiro, o Candomblé. Esta descrição nos narrará o senhor
Abdias do Nascimento. Para acompanhar a narração do senhor Abdias do
Nascimento apresentaremos imagens do Candomblé e inseriremos citações das
observações de Camus. Também trataremos das recordações que tem o senhor
Abdias de Camus, que dirigiu ao grupo de Teatro Experimental Negro (TEM) na
montagem da obra “Calígula”.
A terceira parte mostra sua estadia em Recife, Pernambuco. Analisaremos o
impacto cultural que experimentou o escritor ao descobrir novos estilos musicais
e teatrais, particularmente nas manifestações “coletivas” do Bumba-meu-boi, do
Cavalo Marinho e do Frevo. Concretamente, o Bumba-meu-boi é uma
manifestação do folclore brasileiro, também encontrável na França e na África,
que possui uma riquíssima mise-en-scène. Uma mistura de teatro, música e
poesia na qual participam mais de 70 personagens e cuja dramatização
completa pode ter mais de 12 horas. O Cavalo Marinho é uma dramatização
contida no Bumba-meu-boi, mas com autonomia própria; e o Frevo é um estilo
musical para orquestra. Através das entrevistas e da visualização destas
manifestações, comentaremos o papel da cultura popular, tradicional, no mundo
contemporâneo. As imagens das manifestações do Candomblé, do Cavalo
Marinho, do Bumba-meu-boi, e do Frevo serão imagens atuais, pois queremos
apenas indicar ao Camus que assistiu.
2.3.TEMA E EXPOSIÇÃO
O documentário expõe ao autor do “Estrangeiro” na condição de estrangeiro,
num espaço-tempo diferente, num momento de metamorfose, de confrontação
interior e de doença.
Desejamos que a audiência sinta a transformação de um homem ferido por
muitas batalhas filosóficas e que encontra no repertório do imaginário coletivo,
popular, uma respiração e uma inspiração para novas produções simbólicas.
Queremos que o público sinta e se identifique com a beleza da música e do
teatro do Bumba-meu-boi, do Cavalo Marinho, e a força do Candomblé.
Elegemos mostrar ao público um Albert Camus vivo e atuante.
O transfundo ambiental será constituído a partir:
1) Da natureza: o sol, que revela o absurdo, o mar e as praias brancas e as
igrejas barrocas do Recife e Salvador.
2) Da Cultura: a dramatização do Bumba-meu-boi, do Cavalo Marinho, a dança e
o estilo musical Frevo, os rituais da religião afro-brasileira, o Candomblé, e a
expressão musical do Maracatu.
3) Das entrevistas que discutirão o legado de Camus na realidade atual
brasileira.
2.4. Conflitos Principais
Primário - Se produz entre Albert Camus e seu reencontro, no Brasil, com um
mundo mítico e teatral, um mundo da “Commedia dell´arte” viva, tal como se
encontra descrito em seu diário. Mostra-se o conflito pessoal entre sua memória,
sua expectativa na viagem, sua doença e suas observações sobre a realidade
brasileira.
Secundário - Se baseará na narrativa paralela que construirão os entrevistados,
com suas reflexões, sobre a influência de Camus no pensamento brasileiro
tendo como ponto de interseção a atualidade de sua obra. Este conceito
possibilitará leituras transversais dos múltiplos estratos culturais de Brasil. Os
personagens selecionados para as entrevistas são personalidades reconhecidas
em termos nacionais e/ou internacionais por sua trajetória de vida como literatos,
filósofos, juristas, historiadores, político e artistas.
Terciário - O conflito se manifesta entre a alegria explosiva, contagiante, do
Bumba-meu-boi, com os sentimentos e a incerteza dos questionamentos de
Camus; do discurso sobre o existencialismo mudado no último momento para
uma análise de Europa no pós-guerra. O desenvolvimento do confronto entre
estas forças opostas virá da mitificação da realidade e da realização do mito
encenada pelo Bumba-meu-Boi.
2.5 PERSONAGENS PRINCIPAIS
Camus - Chega ao Brasil para dar umas conferências e se encontra em estado
delicado de saúde, com um surto de sua tuberculose. O personagem permite ao
documentário uma investigação de seu pensamento e de seu encontro com
manifestações tradicionais da cultura popular, a confrontação entre sua razão e
sua emoção.
Entrevistados – Se entrevistará aos nomes mais marcantes e contraditórios
entre si da cultura brasileira na atualidade, procurando através destas diferentes
visões o essencial de Camus.
Pretende-se pesquisar às personalidades que se mencionam a seguir:
Gilberto Gil (músico e Ministro de Cultura); Abdias do Nascimento
(dramaturgo, ator, filósofo, escultor); Chico Buarque de Hollanda (músico e
compositor); Caetano Veloso (músico); Ariano Suassuna (Secretário de cultura
de Pernambuco, escritor e filósofo); José Miguel Wisnik (musicólogo e filósofo);
Ricardo Aronne (filósofo e jurista).
2.6. ELEMENTOS PRINCIPAIS
Candomblé – Ritual religioso afro-brasileiro e um dos mais importantes
arquétipos do imaginário popular no Brasil. Este ritual oferece a Camus uma
leitura do sincretismo religioso.
Bumba-meu-boi – O "Bumba meu Boi" é uma mistura do "Boi de Canastra" de
Portugal, a "Burrinha" de Daomé, o "Boeuf gras" da França e a "Festa da Vaca"
de San Pablo dos Morros da Espanha. A música e o canto são os fios
condutores. É uma manifestação coletiva, tradicional, que engloba o teatro, a
música e a improvisação poética. Faz alegorias da morte, da existência, da
injustiça através de seus 70 personagens. Sua representação é sempre ao ar
livre e pode chegar a durar mais de doze horas.
Cavalo Marinho - Dramatização popular com elementos do Bumba-meu-boi
representado pelos trabalhadores da cana de açúcar da zona norte do estado de
Pernambuco.
Frevo – É um estilo musical de orquestra que tem as mesmas origens que o
Jazz de New Orleans. Caracteriza-se por seu baile, parecido aos cossacos, e
uma alegria quase histérica.
O sol- Elemento temático na obra de Camus.
O mar – A liberdade em Camus.
2.7. DIFICULDADES DO PÚBLICO
Camus é um personagem que quase dispensa apresentações, já que é um dos
autores de língua francesa cujas obras mais se reeditaram. O documentário está
dirigido a um público que tem conhecimento da obra Camus e também dos
entrevistados. Mas, por sua vez, não deixa de ser uma apresentação do escritor
e de sua obra através dos entrevistados para quem não o conhece.O público
captará as novas contribuições dos conceitos do pensamento camusiano
através das entrevistas e citações de sua obra em contraponto com os ritos do
Candomblé, do Bumba-meu-boi e do Cavalo Marinho.
Os fatos, as idéias, os sentimentos que o público deve entender é o papel de
Camus na literatura, na filosofia e na política desde meados do século XX até a
atualidade; sua resistência ética frente aos sistemas políticos e filosóficos
autoritários de direita, esquerda. E a importância das culturas populares,
tradicionais, de qualquer povo, como uma fonte permanente de investigação e
inspiração.
3. A ESTRUTURA
O trabalho está estruturado, por uma parte, em função de uma progressão
temporária do diário; e, por outra parte, pelas entrevistas transversais que
comporão um quadro do pensamento brasileiro a partir do enfoque do
pensamento de Camus.
Estrutura das seqüências:
1) Saída de Camus da França num navio cargueiro.
2) A viagem de Camus e suas recordações.
a) Entrevistas
3) Chegada de Camus ao Rio de Janeiro.
a) Entrevistas
b) Camus no Candomblé
4) Suas recordações em 3D, compostas a partir de citações de sua obra “O Mito
de Sísifo”, sua filosofia e as observações de seu diário.
5) Sua chegada à cidade de Recife.
a) Entrevistas
6) Sua narrativa do Bumba-meu-boi
8) As reflexões desta viagem
4. FORMA E ESTILO
Narração – O idioma utilizado será o francês e o português. Textos de Camus
em off, lidos por ele mesmo: “O Estrangeiro”, “O Mito de Sísifo”, “A Queda” e
“O Homem Revoltado”. Utilizar-se-á imagens suas em movimento inseridas no
contexto das localizações através da técnica do “Croma”.
Entrevistas- Para cada entrevista, que se realizará em português, terá uma
correspondente descrição visual com base em imagens de arquivo e imagens
filmadas por nós.
Iluminação – Natural, desde que seja possível. A estas imagens exteriores se
misturam, interagindo com o meio, as imagens em movimento de Camus, em
croma. O Sol tem uma importância primordial na obra de Camus, de maneira
que deve ser tratado como um elemento temático artificial, na narrativa de suas
recordações. As citações de seus personagens devem ser tratadas em 3D e
misturadas com imagens gravadas num estudo.
Câmara – Na narrativa documentária das manifestações de cortejo se utilizará a
câmara subjetiva como sua mirada que conduz a narrativa. A Camus se lhe
apresentará sobretudo através de insinuações de sua imagem: silhueta, sombra.
Ritmo – O ritmo será marcado por três narrativas paralelas. Por um lado,
exposições da obra de Camus; por outro lado, a narrativa do Candomblé, o
Bumba-meu-boi, o Frevo; e por último, as entrevistas.
Justaposições de termos comparativos – A alegoria do Mito de Sísifo em 3D
acompanhará ao longo do documentário a Albert Camus como uma recordação
do Absurdo, numa citação alegórica de sua obra, um pesadelo fruto de sua
doença.
DESENLACE – O desenlace é uma composição, um mosaico dos pensamentos
sobre a realidade atual do Brasil vista por personalidades da cultura brasileira,
tomando por base a filosofia da ação de Camus. A filosofia camusiana é uma
filosofia da ação, uma “provoca ação”.
ALBERT CAMUS
DIÁRIO DE UM ESTRANGEIRO NO BRASIL
EDGAR ARRUDA / IZASKUN UZKUDU
ROTEIRO
(Em construção)
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ROTEIRO
Abertura- Letras: Diário de viagem de um estrangeiro no
Brasil. Créditos. Letras: 30 de junho de 1949. Fusão.
CENA 1– Exterior. Dia. O porto de Marselha. A câmara
explora o porto. Focaliza um navio cargueiro. Entra no
navio. Voz em off:
“Ao Mar. Dia exaustivo. R. e eu conduzimos a toda
velocidade para chegar à hora em Marselha, calor tórrido,
ao mesmo tempo em que sopra um vento cortante. Até a
natureza é inimiga. Depois do jantar, G., que fez alusões
ao estado dos que têm a peste, apresenta-me como o “autor
da Peste”. Fico sem graça – só faltava esta! A senhorita C.
comete duas gafes enormes, ao tentar persuadir aos
brasileiros de que há uma revolução por dia na América do
Sul. Eu ouço: “Ela era do povo, tudo o que há de mais
baixo” e outras pérolas. Cumprimento e me retiro. Na proa,
onde vou me refugiar, os imigrantes tomam vinho em odres e
cantam. Fico com eles, desconhecido e feliz (por 10
segundos). Depois vou olhar o mar. Uma lua minguante
sobreleva-se acima dos mastros, até perder de vista, na
noite densa, o mar – e um sentimento de calma, uma poderosa
melancolia sobe, então, das águas. Sempre apazigüei-me com
o mar, e essa solidão infinita me faz bem por um momento,
conquanto que tenha a impressão de que esse mar hoje
revolva todas a lágrimas do mundo.”
A descrição da cena. A maioria delas no navio e no mar.
Fotografia marítima. O navio na solidão do mar. O céu é
como uma lente de um telescópio que deixa toda a paisagem
cósmica à vista, pode-se ver as galáxias fugindo – o
absurdo. Fusão com o mar. Imagens marinhas. Estratos do
“Mito de Sísifo” em 3D. Voz de Camus:
“Galileu, que tinha uma verdade científica importante,
abjurou com a maior facilidade deste mundo quando ela pôs
sua vida em perigo. Num verdadeiro sentido, ele fez bem.
Essa verdade não valia a fogueira.
Um mundo que se pode explicar com parcas razões é um mundo
familiar. Ao invés, no entanto, num universo subitamente
privado de luzes ou ilusões, o homem se sente um
estrangeiro. Esse exílio não tem saída, pois é destituído
das recordações de uma pátria distante ou da esperança de
uma terra prometida. Esse divórcio entre o homem e sua
vida, entre o ator e seu palco, é que é propriamente o
sentimento do absurdo. O verme se acha no coração do homem.
É ali que é preciso procurá-lo (...).
No apego de um homem pela vida há alguma coisa mais forte
que todas as misérias do mundo. O juízo do corpo vale tanto
quanto o do espírito, e o corpo retrocede ante o
aniquilamento. É o absurdo que domina a morte: é preciso
dar a este problema precedência sobre os outros, fora de
todos os métodos de pensamento e dos jogos do espírito
desinteressado. É sempre cômodo ser lógico. É quase
impossível ser lógico até o fim. Os homens que morrem por
suas próprias mãos seguem assim até o fim a inclinação de
seu sentimento. A reflexão sobre o suicídio me dá, então, a
oportunidade de tratar do único problema que me interessa:
existe uma lógica até para a morte?
A perspicácia e a tenacidade são espectadores privilegiados
para o jogo desumano em que o absurdo, a esperança e a
morte se alternam em seus lançamentos. Os grandes
sentimentos trazem junto com eles seu universo, esplêndido
ou miserável. Com sua paixão, aclaram um mundo exclusivo
onde reencontram seu próprio clima. Há um universo dos
ciúmes, da ambição, do egoísmo ou da generosidade. Um
universo, isto é, uma metafísica e um estado de espírito. O
que é verdadeiro para sentimentos já especializados o será
mais ainda para emoções, no fundo, a um tempo tão
indeterminadas, tão confusas e tão "corretas”, tão
distantes e tão "presentes" quanto aquelas que o belo nos
desperta ou que o absurdo nos suscita”.
Tratamento fotográfico. Fusão do céu com o mar.
CENA 2. Entrevista com Gilberto Gil, que nos fala sobre o
ano da comemoração da presença da cultura francesa no
Brasil.
(Aplicação do questionário da entrevista.)
CENA 3. Ext. Dia. Cenas do vento no mar, cenas marinhas.
Camus:
“Desperto com febre, fico na cama, sonhando e dormido
durante parte da manhã. ÀS 11 horas, estou melhor e saio. O
vento me bate na cara brutalmente, de frente, depois de
percorrer espaços cujas vastidades nem imagino. Sento-me só
e um pouco perdido, por fim, transbordante e sinto que
pouco a pouco renascem minhas forças adiante deste futuro
desconhecido e desta grandeza que amo. As grandes obras
nascem, freqüentemente, na esquina de uma rua ou no barulho
de um restaurante. Assim também a absurdidade. O mundo
absurdo, mais do que qualquer outro, extrai sua nobreza
desse nascimento miserável. Em certas situações, responder
"nada" a uma questão sobre a natureza de seus pensamentos
pode ser uma dissimulação para com um homem. Os entes
queridos sabem disso.
Mas se essa resposta é sincera; se representa esse estado
da alma em que o esvaziamento se faz eloqüente, em que a
corrente dos gestos cotidianos é rompida, e em que o
coração inutilmente procura o anel que a restabeleça, então
ela é como que o primeiro sinal da absurdidade. Da mesma
forma, e ao longo de todos os dias de uma vida sem brilho,
o tempo nos carrega. Mas sempre chega um momento em que é
preciso carregá-lo. Vivemos para o futuro: "amanhã", "mais
tarde", "quando você tivesse uma”. O cansaço está no final
dos atos de uma vida mecânica, mas inaugura ao mesmo tempo
o movimento da consciência em si, o cansaço tem alguma
coisa de desanimador. Aqui, eu tenho que concluir que ele é
bom. Pois tudo começa com a consciência e nada sem ela tem
valor”.
CENA 4- Barco. Noite. Sonho de Camus: “O Mito de Sísifo”.
Sísifo cego empurra a rocha até a cume de uma colina e
justo antes de lá chegar ela começa a rodar ladeira abaixo.
Sísifo olha ao redor, sente o vento em sua cara, contempla
o mundo com seus ouvidos. Esta cena se fará com um ator mas
com efeito de 3D e gravura em estudo. Superposição.
CENA 5- Ext. Dia. Mar. “O sol achata ao mar, que mal
respira, e o navio está carregado de gente silenciosa na
proa e na popa. Em compensação, a vitrola de bordo berra
canções vulgares aos quatro pontos cardeais. Triste. Tomo
veio. Depois do jantar, conversa, mas olho o mar e tento,
uma vez mais, fixar a imagem que tento faz vinte anos para
esses arabescos e estes desenhos que a água lançada pela
proa traça no mar. Quando a encontre, tudo estará
acabamento. Essas inconseqüências são admiráveis porque,
finalmente, trata-se de morrer. Reconhece que está num dado
momento de uma curva que confessa ter que percorrer. Ele
pertence ao tempo e, nesse horror que o agarra, reconhece
nele seu pior inimigo. Amanhã, ele queria tanto amanhã,
quando ele próprio deveria ter-se recusado inteiramente a
isso. A primitiva hostilidade do mundo, através dos
milênios, levanta-se de novo contra nós. Por um segundo,
não a compreendemos mais, porque durante séculos só
compreendemos nela as figuras e os desenhos com que
previamente a representávamos, e porque doravante nos
faltam forças para que nos valhamos desse artifício. O
mundo nos escapa porque volta a ser ele mesmo.
Esses palcos mascarados pelo hábito aparentam ser o que
são. E se afastam de nós. Assim como há certas horas em que
sob o rosto familiar de uma mulher se redescobre como uma
estranha aquela que nos acompanha faz meses ou faz anos,
talvez cheguemos até a desejar o que nos torna subitamente
tão sós. Daí eu chego finalmente à morte e à sensação que
temos dela. Sobre esse ponto já se disse tudo e é decente
evitar o patético. Mas nunca nos espantaremos
suficientemente com o que todo mundo vive como se ninguém o
“soubesse". É que, na realidade, não existe experiência da
morte. Num sentido estrito, só é experimentado o que foi
vivido e se fez consciente. Com isso, é indiscutível que se
pode falar da experiência da morte dos outros. É um
sucedâneo, uma visão do espírito, e jamais ficamos muito
convencidos dela. Só há uma coisa: essa espessura e essa
estranheza do mundo é o absurdo.
Tenho tempo para indignar-me com isso? Vocês já mudaram de
teoria. Assim, essa ciência que devia ensinar-me tudo se
limita à hipótese, essa lucidez se perde na metáfora, essa
certeza se resolve como obra de arte. Compreendo que se
posso, com a ciência, apoderar-me dos fenômenos e enumerá-
los, não posso da mesma forma apreender o mundo. Quando
tiver seguido com o dedo todo seu relevo, não saberei nada
além disso.”
Cena 7 - Entrevista com o senhor Abdias do Nascimento. Tema
da entrevista: O estrangeiro e a cultura. O modelo da
multiculturalidade no Brasil como um modelo internacional.
Cena 8 – Ext. Dia. Rio de Janeiro. Imagens de arquivos e
imagens atuais. Câmera subjetiva e Voz em off de Camus:
“Essa razão universal - moral ou prática -, esse
determinismo, essas categorias que explicam tudo têm com
que fazer rir o homem honesto. Não têm nada que ver com o
espírito. Negam sua verdade profunda, que é estar
encadeado. Nesse universo indecifrável e limitado o destino
do homem, daí em diante, adquire seu sentido. Eu dizia que
o mundo é absurdo: estava andando muito depressa. Esse
mundo em si ainda não é razoável: é tudo o que se pode
dizer a respeito. Mas o que é absurdo é o confronto entre
esse irracional e esse desejo apaixonado de clareza cujo
apelo ressoa no mais profundo do homem. O absurdo depende
tanto do homem quanto do mundo.
Há casamentos absurdos, desafios, rancores, silêncios,
guerras e até acordos de paz. Para cada um deles, a
absurdidade nasce de uma comparação. Tenho base, portanto,
para dizer que o sentimento da absurdidade não nasce do
simples exame de um fato ou impressão mas que ele brota da
comparação entre um estado de fato e uma verdadeira
realidade, entre uma ação e o mundo que a ultrapassa. O
absurdo essencialmente é um divórcio. Não está nem num nem
no outro dos elementos comparados: nasce de sua
confrontação. A singular trindade que desse modo se divulga
não tem nada de uma América de repente descoberta. Tem, no
entanto, de comum com os dados da experiência, isso de ser
a um tempo infinitamente simples e infinitamente
complicada.
Não pode haver absurdo fora de um espírito humano. Assim,
como todas as coisas, o absurdo termina com a morte. Mas
também não pode ter absurdo fora deste mundo. E é com esse
critério elementar que eu julgo que a noção do absurdo é
essencial e que ela pode figurar como a primeira de minhas
verdades. Por um raciocínio singular, que parte do absurdo
sobre os escombros da razão, num universo fechado e
limitado ao humano, eles divinizam aquilo que os esmaga e
encontram uma razão de esperar em aquilo que os
desguarnece. Essa esperança forçada é, em todos eles, de
caráter religioso. Ela merece que a examinemos. Se há
absurdo, é no universo do homem."Que seria pois a vida?" É
preciso, como o burro, nutrir-se das rosas da ilusão.
Os motoristas brasileiros ou são alegres loucos ou frios
sádicos. A confusão e a anarquia deste trânsito só são
compensadas por uma lei: chegar primeiro, custe o que
custar. O contraste mais impressionante é proporcionado
pela ostentação do luxo dos palácios e dos edifícios
modernos, com as favelas, às vezes a cem metros do luxo,
agarradas ao flanco dos morros. Sem água nem luz, vive uma
população miserável, negra e branca. As mulheres vão
procurar água ao pé do morro, onde fazem fila, e trazem de
volta sua provisão em latas de alumínio que levam na cabeça
como as mulheres Kabilas. A realidade é descontinua, e
encontra sua unidade através das rupturas e não tentando
tampá-las”.
Cena 9 – Ext. Noite. Camus na macumba. Entrevista:
Recordações do senhor Abdias do Nascimento. Representação
do Candomblé.
“Almoço em casa de uma romancista brasileira. Os convidados
se espantam quando digo que quero assistir a uma partida de
futebol e literalmente deliram ao descobrir que tive uma
longa carreira como jogador de futebol. Encontrei, sem
querer, minha paixão principal.”Depois do almoço recepção
na casa da Senhora M., a tarde está fresca sobre as águas.
Muita gente, mas esqueci seus nomes. Um filósofo polaco do
qual o céu, se fosse bom, me preservaria. Uns jovens negros
querem montar Calígula e me comprometo a trabalhar com
eles. Convidam-me para assistir a uma Macumba. As Macumbas,
Candomblés, são cerimônias de religião católica e dos ritos
africanos. Seu propósito parece constante: obter que os
deuses se incorporem em alguém, por meio de danças e
cantos. O objetivo é o transe”.
Cena 10 – Rio de Janeiro – Entrevista com Caetano Veloso.
Tema da entrevista, o estrangeiro.
Cena 11 – Entrevista com Dorival Caymi. Recordações de um
encontro. (Esta cena dependerá do estado de saúde de
Dorival Caymi devido sua avançada idade).
“Depois do jantar chega Caymi, um negro que compõe e
escreve todos os sambas que o país canta. Vem cantar com
sua viola. São canções tristes e comovedoras. O mar e o
amor, a saudade da Baía. Pouco a pouco, todos cantam e se
vê um negro, um deputado, um professor da Faculdade e um
notário cantando esses sambas em coro, com uma graça
natural. Totalmente seduzido”.
Cena 12- Recife – Exterior. Dia Interior. Quarto do hotel.
Voz em off:“Paris está cerca de 10 mil quilômetros. Na
rádio soa “La vie em rose”. Recife. Terra vermelha e
coqueiros. E em seguida, o mar e as praias imensas. O hotel
olha para o Porto. Os mastros ultrapassam o parapeito.
Tento dormir. Em vão. É preciso que se diga, no entanto,
que estou bronzeado, repousado, alimentado e vestido de
roupas claras. Tenho todos os ares da vida. Poderia
agradecer. Mas a quem?
Cena 13- Recife.“São quatro horas. Vêm procurar-me. Está o
diretor do mais antigo jornal de América de Sul, o Diário
de Pernambuco. É ele quem me leva a visitar a cidade”.
Cena 14 - Exterior dia. Camus caminha por Recife, enquanto
se desenvolvem cenas urbanas. Voz em off:“Não se vive
apenas de luta e de ódio. Nem sempre se morre com as armas
na mão. Existe a história e existe outra coisa: a simples
felicidade... a beleza. Consegui fazer muito dinheiro
porque fui capaz de articular a desilusão do homem pelo
homem. Toquei algo no interior de muita gente, porque
identificam em minhas obras a angústia e o desespero.
Dirigi-me ao sem sentido e à incerteza. Isto, mais do que
nenhuma outra coisa, é o que me consterna, esta é a raiz de
minha desesperança.”
Cena 15-Exterior/Interior. Capela dourada. Igrejas.
“Igrejas coloniais admiráveis, onde domina a claridade, com
o que o estilo jesuíta se vê iluminado e tornado mais leve.
O interior é barroco, mas sem o peso excessivo do barroco
europeu. Os azulejos estão perfeitamente conservados.
Singelamente, como também nas pinturas, os “maus” Judas, os
soldados romanos, etc. foram desfigurados pelo povo. Todos
apresentam as caras corroídas e sangrentas”.
Cena 16- Exterior. Recife. Voz em off:
“Admiro a cidade antiga, as casinhas vermelhas, azuis e
ocre, as ruas pavimentadas com grandes pedras pontiagudas.
A Praça de São Pedro. A liberdade não é nada mais que uma
oportunidade para ser melhor”.
Cena 17- Ext. Dia. Olinda. Entrevista com dramaturgo, poeta
e literato Ariano Suassuna.
“Vamos ver Olinda, pequena cidade histórica de frente para
a baía. Belíssimo Convento de São Francisco. A pergunta do
século XX que rasga ao mundo contemporâneo se precisou
pouco a pouco: como se pode viver sem Graça? O público e os
leitores de minhas novelas, ainda que vejam esse
esvaziamento, não encontram as respostas no que estão
lendo. Estou procurando algo que o mundo não me dá”.
Cena 18- Exterior. Noite. Praça de São Pedro. Flashes back
se afundam com a descrição de Camus. Voz em off: “Jantar
só. Ouve-se uma orquestra moribunda. O exílio tem seus bons
momentos. Positivamente, agrada-me Recife, Florença dos
Trópicos, entre suas florestas de coqueiros, suas montanhas
vermelhas, suas praias brancas.”
Entrevista com o filósofo Ricardo Aronne.
Cena 13 – Exterior. Dia/noite. Dramatização do Bumba-meu-
boi. A opereta será encenada com a apresentação dos
personagens.
“Saímos para uma festa popular organizada para mim. O
Bumba-meu-boi é um espetáculo extraordinário. É uma espécie
de baile grotesco, dançado com máscaras e figuras
totêmicas, sobre um tema que é sempre o mesmo: A matança de
um boi. Sobre este tema, os personagens improvisam em
parte; por outro lado, recitam um texto em verso sem parar
de dançar. Esse a que assisto dura uma hora. Mas me dizem
que pode ser toda a noite. As máscaras são extraordinárias.
Dois palhaços vermelhos; o “Cavalo Marinho”; uma “Ema”; o
Capitão Boca-mole; e, naturalmente, o boi; o “morto
carregando o vivo”, tipo de manequim com dois corpos,
animado por um único artista; a cachaça (ou o bêbado); o
filho do cavalo, e, dominando o conjunto, uma “morte” de ao
menos três metros de altura, que contempla o espetáculo,
com a cabeça no alto, no céu da noite. Como orquestra, um
tambor e um tarol. A origem religiosa é evidente (algumas
orações ainda permanecem no texto). Mas tudo isto se afoga
numa dança endiabrada e invenções engraçadas ou grotescas,
finalizando com a morte do boi, que renasce depois e foge,
levando uma menina entre os cornos. Para concluir um grande
grito: “Viva o senhor Camus e os cem Reis do Oriente”. O
importante, de tudo, é que o Brasil é o único país de
população negra, que produz canções sem parar. O remate
final é um Frevo, dança na qual participa a própria
platéia, e que é realmente o canto mais desenfreado do que
tenha visto. Encantadora”.
Entrevista com o musicólogo José Miguel Wisnik.
Cena 17- Ext. Dia. Praia. O Sol. Ensaio fotográfico. A
pedra que cresce. “Depois do almoço, passeio pela orla
marítima através de uma floresta de coqueiros. Vê-se no mar
as “jangadas”, feitas de árvores de uma madeira muito
leves, atadas com cordas. Essa frágil montagem, segundo me
contam, sustenta-se no mar dias e dias. Choças dispersas.
No ar luminoso a sombra dos coqueiros treme adiante de meus
olhos”.
Cena 18- Ext. Dia. Tomada aérea. Imagens da viagem. Voz em
off:“Quanto mais veloz o avião, menos importância têm
França, Espanha e Itália. Elas eram Nações, hoje são
províncias e amanhã serão aldeias do mundo. O futuro não
está em nós e nada podemos contra esse movimento
irresistível. Que fazer? A única esperança é que surja
outra cultura e que a América do Sul quiçá ajude a temperar
a besta mecânica. O Brasil, com sua fina armadura moderna,
como uma chapa metálica sobre esse imenso continente
fervente de forças naturais e primitivas, faz-me pensar num
edifício, corroído cada vez mais de baixo para acima por
traças invisíveis.Um dia, o edifício se desmoronará e todo
um pequeno povo agitado, negro, vermelho se espalhará pela
superfície do continente, mascarado e armado de lanças,
para a dança da vitória.” Entrevista Chico Buarque de
Holanda.
Cena 19- Ext. Dia. Um avião ao longe. Serão selecionados
citações do texto de Camus no discurso de recebimento de
Prêmio Nobel na Suécia. Música. Cenas da atualidade das
televisões, cinemas, políticas, guerra, etc..
Camus voz em off:
"Discurso de Estocolmo"
“Ao receber a distinção com que vossa livre academia quis
honrar-me, minha gratidão é tanto mais profunda quanto a
que mereço e até que ponto essa recompensa excede meus
méritos pessoais. Todo homem, e com maior razão todo
artista, deseja que se reconheça o que ele é ou quer ser.
Eu também o desejo. Mas ao conhecer vossa decisão me foi
impossível não comparar sua ressonância com o que realmente
sou. Como um homem quase jovem ainda rico só de dúvidas,
com uma obra mal em desenvolvimento, habituado a viver na
solidão do trabalho ou no retiro da amizade, poderia
receber, sem certa espécie de pânico, um galardão que lhe
coloca de repente, e só, em plena luz? Com que estado de
ânimo poderia receber essa honra ao mesmo tempo em que, em
tantas partes, outros escritores, alguns entre os maiores,
estão reduzidos ao silêncio e quando, ao mesmo tempo, sua
terra natal conhece incessantes infortúnios?
Sinceramente senti essa inquietude e esse mal-estar. Para
recobrar minha paz interior foi necessário pôr-me a tom com
um destino farto e generoso. E como me era impossível
igualar-me a ele com só apoio de meus méritos, não chegou
nada melhor, para ajudar-me, que o que me sustentou ao
longo de minha vida e nas circunstâncias mais opostas: a
idéia que me forjei de minha arte e da missão do escritor.
Permiti-me que, ainda que só seja em prova de
reconhecimento e amizade, diga-vos, com a singeleza que me
seja possível, qual é essa idéia.
Pessoalmente, não posso viver sem minha arte. Mas jamais
pus essa arte acima de toda outra coisa. Pelo contrário, se
ele me é necessário, é porque não me separa de ninguém e
que me permite viver, tal como sou, ao nível de todos. A
meu ver, a arte não é uma diversão solitária. É um meio de
emocionar ao maior número de homens oferecendo-lhes uma
imagem privilegiada de dores e alegrias comuns. Obriga,
pois, ao artista a não se isolar; muitas vezes elege seu
destino mais universal. E aqueles que muitas vezes elegeram
seu destino de artistas porque se sentiam diferentes,
aprendem cedo que não poderão nutrir sua arte nem sua
diferença senão confessando sua semelhança com todos.
O artista se forja nesse perpétuo ir e vir de si mesmo aos
demais; eqüidistantes entre a beleza, sem a qual não pode
viver, e a comunidade, da qual não pode desprender-se. Por
isso os verdadeiros artistas não desdenham nada; obrigam-se
a compreender em vez de julgar, e se têm de tomar um
partido neste mundo, este só pode ser o de uma sociedade na
qual, segundo a grande frase de Nietzsche, não tem de
reinar o juiz senão o criador, seja trabalhador ou
intelectual.
Pelo mesmo, o papel do escritor é inseparável de difíceis
deveres. Por definição, não pode pôr-se a serviço de quem
faz a história, senão a serviço de quem a sofre. Se não o
fizesse, ficaria só, privado até de sua arte. Todos os
exércitos da tirania, com seus milhões de homens, não lhe
arrancarão da solidão, ainda que consinta em acomodar-se a
seu passo e, sobretudo, se o consentisse. Mas o silêncio de
um prisioneiro desconhecido, basta para tirar o escritor de
sua solidão, cada vez, ao menos, que consegue, no meio dos
privilégios de sua liberdade, não esquecer esse silêncio, e
trata de recolhê-lo e substituí-lo para fazê-lo valer
mediante todos os recursos da arte.
Nenhum de nós é bastante grande para semelhante vocação.
Mas em todas as circunstâncias de sua vida, obscuro ou
provisoriamente célebre, enjaulado pela tirania ou livre de
poder expressar-se, o escritor pode encontrar o sentimento
de uma comunidade viva, que lhe justificasse a condição de
que aceite, na medida do possível, as duas tarefas que
constituem a grandeza de seu ofício: o serviço da verdade e
o serviço da liberdade. E, pois, sua vocação é agrupar o
maior número possível de homens, não pode acomodar-se à
mentira e à servidão que, onde reinam, fazem proliferar as
solidões. Quaisquer que sejam nossas fraquezas pessoais, a
nobreza de nosso ofício arraigará sempre em dois
imperativos difíceis de manter: a negativa a mentir
respeito do que se sabe e a resistência à opressão.
Durante mais de vinte anos de uma história demencial,
perdido sem recurso, como todos os homens de minha idade,
nas convulsões do tempo, só me sustentou o sentimento fundo
de que escrever é hoje uma honra, porque esse ato obriga, e
obriga a algo mais do que a escrever. Obrigava-me,
essencialmente, tal como eu era e como arranjo a minhas
forças, a compartilhar, com todos os que viviam minha mesma
história, a desventura e a esperança. Esses homens -
nascidos ao começo da primeira guerra mundial, que tinham
vinte anos à época em que se instaurou, ao mesmo tempo, o
poder hitlerista e os primeiros processos revolucionários,
e que para poder completar sua educação se viram
enfrentados depois à guerra da Espanha, a segunda guerra
mundial, o universo dos campos de concentração, a Europa da
tortura e as prisões - se vêem obrigados a orientar seus
filhos e suas obras num mundo ameaçado de destruição
nuclear. Suponho que ninguém pretenderá pedir-lhes que
sejam otimistas. Até que chego a pensar que devemos ser
compreensivos, sem deixar de lutar contra eles, com o erro
dos que, por um excesso de desespero, reivindicaram o
direito e a desonra e se lançaram aos niilismos da época.
Mas sucede que a maioria de nós, em meu país e no mundo
inteiro, recusamos o niilismo e nos consagramos à conquista
de uma legitimidade. Foi preciso forjar-se uma arte de
viver para tempos catastróficos, a fim de nascer uma
segunda vez e lutar depois, frente a frente, contra o
instinto de morte que se agita em nossa história.
Indubitavelmente, cada geração se crê destinada a refazer o
mundo. A minha sabe, no entanto, que não poderia fazê-lo,
mas sua tarefa é quiçá maior. Consiste em impedir que o
mundo se desfaça. Herdeira de uma história corrompida na
qual se misturam revoluções fracassadas, as técnicas
enlouquecidas, os deuses mortos e as ideologias extenuadas;
em que poderes medíocres, que podem destruir tudo, não
sabem convencer; em que a inteligência se humilha até pôr-
se ao serviço do ódio e da opressão, essa geração deveu, em
si mesma e a seu arredor, restaurar, partindo de suas
amargas inquietudes, um pouco do que constitui a dignidade
de viver e de morrer. Ante um mundo ameaçado de
desintegração, no que nossos grandes inquisidores arriscam
estabelecer para sempre o império da morte, sabe que
deveria, numa espécie de carreira louca contra o tempo,
restaurar entre as nações uma paz que não seja a da
servidão, reconciliar de novo o trabalho e a cultura e
reconstruir com todos os homens uma nova Arca da aliança.
Não é seguro que esta geração possa ao fim cumprir esse
labor imenso, mas o verdadeiro é que, por todos os lados no
mundo, tem já feita, e a mantém, sua dupla aposta em favor
da verdade e da liberdade e que, chegado o momento, sabe
morrer sem ódio por ela.
É esta geração a que deve ser saudada e alentada onde
queira que se acha e, sobretudo, onde se sacrifica. Nela,
certo de vossa segura aprovação, quisesse eu declinar hoje
a honra que acabais de fazer-me. Ao mesmo tempo, depois de
expressar a nobreza do ofício de escrever, quereria eu
situar ao escritor em seu verdadeiro lugar, sem outros
títulos que os que compartilha com seus colegas de luta,
vulnerável mas tenaz, injusto mas apaixonado de justiça,
realizando sua obra sem vergonha nem orgulho, à vista de
todos; atento sempre à dor e à beleza; consagrado, enfim, a
tirar de seu ser complexo as criações que tenta levantar,
obstinadamente, entre o movimento destruidor da história.
Quem, depois desses, poderá esperar do presente soluções já
feitas e belas lições de moral? A verdade é misteriosa,
fugidia, e sempre há que tratar de conquistá-la. A
liberdade é perigosa, tão dura de viver como exaltante.
Devemos avançar para esses dois fins, penosa mas
determinadamente, descontando por antecipado nossos
desfalecimentos ao longo de tão dilatado caminho. Que
escritor ousaria, em consciência, proclamar-se predicador
de virtude? Quanto a mim, preciso dizer, uma vez mais, que
não sou nada disso. Jamais pude renunciar à luz, à dita de
ser à vida livre em que cresci. Mas ainda que essa
nostalgia explique muitos de meus erros e de minhas faltas,
indubitavelmente me ajudou a compreender melhor meu ofício
e também a manter-me, decididamente, ao lado de todos esses
homens silenciosos, que não suportam no mundo a vida que
lhes toca viver mais do que pela recordação de breves e
livres momentos de felicidade e esperança de voltá-los a
viver.
Quem, depois desses, poderá esperar do presente soluções já
feitas e belas lições de moral? A verdade é misteriosa,
fugidia, e sempre há que tratar de Reduzir assim ao que
realmente sou, a meus verdadeiros limites, a minhas dívidas
e também a minha fé difícil, sinto-me mais livre para
destacar, ao concluir, a magnitude e generosidade da
distinção que acabais de fazer-me. Mais livre também para
dizer-vos do que quisesse recebê-la como homenagem rendida
a todos os que, participando no mesmo combate, não
receberam privilégio algum e, pelo contrário, conheceram
desgraças e perseguições. Só me resta dar-vos as graças,
desde o fundo de meu coração, e fazer-vos publicamente,
como prova de pessoal gratidão, a mesma e velha promessa de
felicidade que cada verdadeiro artista se faz a si mesmo,
silenciosamente, todos os dias. “
Depois da citação créditos sobre as cenas.
- FIN -
ALBERT CAMUS
Diário de Viajem de um Estrangeiro no Brasil
Entrevistas
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Gilberto Passos Gil Moreira - nasceu a 26 de junho de 1942, em Salvador,
Bahia, Brasil. É cantor, compositor e, desde 2003 é o Ministro da Cultura do
Brasil. Começou sua carreira como músico de bossa-nova, mas imediatamente
começou a compor, junto com seu colega Caetano Veloso, música de conteúdo
social que refletia uma preocupação política. Gilberto Gil é membro do Partido
Verde brasileiro. É conhecido por sua defesa do software livre, e por extensão,
da cultura livre.
Abdias do Nascimento nasceu em Franca, São Paulo,a 14 de março de 1914. É
ex-político, ativista social brasileiro, ator e escultor. Ativista do Movimento Negro
Unificado, é um dos maiores defensores da defesa da cultura e igualdade para
as populações afro-descendentes do Brasil. Intelectual de grande importância
que reflete e atua sobre a questão do negro na sociedade brasileira. Criou o
primeiro grupo de teatro negro no Brasil, o Teatro Experimental do Negro (TEM).
Fez a primeira dramatização da peça teatral “Calígula”, de Camus no Brasil, em
1949, na qual esteve presente o próprio autor. Depois da volta do exílio (1968-
1978), inseriu-se na vida política (foi deputado federal de 1983 a 1987, e
senador da República de 1997 a 1999), ademais colaborou enormemente para a
criação do Movimento Negro Unificado (1978). Em 2006, recebeu o título de
Doutor Honoris Causa da Universidade de Brasília.
Francisco Buarque de Hollanda (Rio de Janeiro, 19 de junho de 1944), mais
conhecido como Chico Buarque, é um poeta, músico, compositor, dramaturgo e
romancista brasileiro. Nasceu no seio de uma família intelectual e privilegiada.
Seu pai, Sergio Buarque de Hollanda, era um conhecido historiador e sociólogo,
e o nome de seu tio, o lexicógrafo Aurélio Buarque de Hollanda, é amplamente
associado com os dicionários brasileiros de português. Sua família foi anfitriã de
Albert Camus em 1949. A Chico Buarque, desde tenra idade, lhe impressionou a
música, sobretudo a bossa nova e em especial o trabalho de João Gilberto. Ao
longo de sua vida foi alternando sua carreira musical com a de romancista e
dramaturgo. Seu último livro, Budapeste (2005), ganhou o importante Prêmio
Jabuti. Durante os anos setenta e oitenta, Chico colaborou com cineastas,
dramaturgos e músicos em trabalhos contra a ditadura.
Ariano Vilar Suassuna nasceu em João Pessoa, então "Cidade da Paraíba", a 16
de junho de 1927. É dramaturgo, romancista e poeta brasileiro. É filho do ex-
governador (1924-1928) João Suassuna. Ariano Suassuna é um dos mais
importantes dramaturgos brasileiros, autor dos célebres “Auto da Compadecida”
e "A Pedra do Reino". É um defensor militante da cultura brasileira. Ariano foi o
idealizador do Movimento Armorial, que tem como objetivo criar uma arte erudita
a partir de elementos da cultura popular do Nordeste Brasileiro. Tal movimento
procura orientar para esse fim todas as formas de expressões artísticas: música,
dança, literatura, artes plásticas, teatro, cinema, arquitetura, entre outras
expressões. Desde 1990, Ariano ocupa a cadeira número 32 da Academia
Brasileira de Letras. Obras de Ariano Suassuna já foram traduzidas para o
inglês, francês, espanhol, alemão, holandês, italiano e polonês.
Ricardo Aronne nasceu em 1968. Advogado, professor e pesquisador inter-
disciplinar. Pós-graduado em Direito Processual Civil, Mestre em Direito do
Estado pela PUCRS e Doutor em Direito Civil e Sociedade pela UFPR. Professor
Titular de Direito Civil na Graduação e Pós-graduação da Faculdade de Direito
da Pontifícia Universidade Católica de Rio Grande do Sul (PUCRS), onde
coordena o Núcleo de Investigação e Iniciação Científica e mantém o núcleo
essencial de sua investigação junto ao Prismas do Direito Civil-Constitucional
(PUCRS/CNPq). Tem como tema de suas investigações Camus e o Direito.
José Miguel Soares Wisnik nasceu a 27 de outubro de 1948, em São Vicente. É
professor de Teoria Literária na USP, e também um dos grandes compositores
da atualidade, dentro da música contemporânea paulista. Com os olhos voltados
para a música, uniu em seu mestrado e doutorado literatura e música, bem como
fez com sua vida. Excepcional músico e grande poeta, tem parcerias com
artistas do porte de Alice Ruiz, Luiz Tatit e Tom Zé, entre outros.
Caetano Veloso nasceu a 7 de agosto de 1942, em Santo Amaro de Purificação,
uma pequena cidade do estado de Bahia, Brasil. Membro de uma família
numerosa, integrada por oito filhos, dois deles adotados, e amante da música,
Caetano aprendeu em sua casa a tocar o piano e aos nove anos compôs sua
primeira canção. Em 1968, junto com Gilberto Gil, foi um dos primeiros
empreendedores do tropicalismo, movimento cultural cujo objetivo era a re-
avaliação da música tradicional brasileira. Foram-lhe outorgados vários prêmios,
em diferentes festivais de televisão. Em 1969, devido à ditadura que assolava o
Brasil, Veloso se viu obrigado a exilar-se em Londres.
ALBERT CAMUS
Diário de Viajem de um Estrangeiro no Brasil
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NOTA INFORMATIVA: A escritura do roteiro está sendo feita no País Vasco.
A estadia no Brasil de duas pessoas será de três meses. As filmagens se
levarão no Brasil, especialmente no nordeste, estado de Pernambuco. Também
se filmará no Rio de Janeiro e Bahia. A direção musical ficará a cargo do diretor
da orquestra OPBH, o Mestre Forró (www.opbh.com.br). A pós-produção se
realizará na Europa, concretamente na Espanha e na França. O máximo
possível das atividades previstas deverão se dar no País Vasco. Pelo momento,
para a realização das partes em 3D se interessaram Motion Pictures (Catalunha)
e Genoma, Digital Animation Studio (Granada).
ORÇAMENTO
PREPRODUÇAO Custos em !
1-Gastos vários:
a) Pitching FIPA
Copias do projeto: 29,04
Alojamento: 270,00
Dietas: 119,88
Suma: 419,28
b) Brasil
VUELO Bilbao- Recife 1 1159,66
Tecnologia, bateria 93,03
CD, DVD 54,72
Bibliografia 91,36
Papelaria 123,73
Gasolina 176,87
Correios e serviço mensageira 152,79
Parking 12,95
Dieta 136,88
Aluguel de coche 1007,01
Outros 156,87
Suma: 3165,87
Livros + DVD 254,18
Cintas 18,48
Tradução 102,90
Dieta 106,13
Taxi 21,40
Outros 1,50
Total: 1465,79
c) Paris
Viajem 90,20
Alojamento 871,00
Direitos de autor –Áudio/imagem 20.000
Colaborações 3.000
Suma 33.000
2- PERSONAL DE PRODUCCIÓN
Diretor de produção 1 10.000
Administrador y contabilidade 1 1.500
Suma 11.500
3- PERSONAL DE DIRECCIÓN
Diretores 10000 x 2 20.000
Assistente de câmara 1 2.000
Diretor de efeitos especiais y 3D 1 2.000
Editor 1 5.000
Direção musical 1 2.000
Tradução y subtítulos 1 3.000
Suma 34.000
4- PERSONAL TÉCNICO Y STAFF
Operador de câmara 1000 x 2 2.000
Operador de som 1 800
Unidade móvel (Aluguel de maquinaria) 1 2.000
Segurança una pessoa por câmara 2 600
Suma 5.400
5- PESSOAL ARTÍSTICO
Bumba-meu-boi 2.500
Cavalo Marinho 1 1.500
Candomblé 1 1.000
Suma 5.000
6- ABASTECIMIENTOS VARIOS
Necessidades do set(vestuário, maquiagem…) 5.000
Efeitos especiais (3D, mito de Sísifo) 1.000
Aluguel de automóveis 2.000
Alojamento 5.000
Suma 12.000
7- ALUGUEL DE MEIOS TÉCNICOS
Aluguel câmaras 2000 x 2 4.000
c) MERCADOC (Málaga)1
Inscrição, assistência y seleção ao Foro 220,00
Observador a Pitching 75,00
Impressão y encadernação 43,70
Mensageira 23,20
Vôo a Málaga 264,00
Táxi 20,75
Dietas 74,30
Alojamento 241,00
Dietas 58,07
Traduções 594,30
Total: 1614,32
d)Outros
Papelaria 18,94
Gasolina 15,02
Mensageira 35,84
Telefone fixo y celular 2 1201,23
Outros 217,34
Total: 1488,37
2-Montagem do projeto e vídeo demo 3000
3- Compra de equipamento para montagem
da demo do vídeo:
-Computador MAC BOOK PRO: 2494,00
-Vídeo câmara SONY XL HDV 2602,77
1
Assistência de duas pessoas. Apresentação do projeto no foro de projetos a diferentes
compradores e “commisioning editors”: XeipnCanal Once (México), Norweigian
Broadcasting Corp. (Noruega), Claxson (Argentina), Bettina Kunde Distribution
(Alemanha), RTI SPA (Itália), Motion Pictures (Catalunha), ARTE (França, Alemanha),
Joanne Sawicki Media (Reino Unido), Canal Sur (Andalucía), Taskovski Films
(Chequia), Humanistische Omroep (Holanda).
Se interessaram pelo projeto: XeipnCanal Once (México), Norweigian Broadcasting
Corp. (Noruega), Claxson (Argentina), Bettina Kunde Distribution (Alemanha), Motion
Pictures (Catalunha), ARTE (Francia, Alemanha), Joanne Sawicki Media (Reino Unido),
Taskovski Films (Chequia), Humanistische Omroep (Holanda).
Suma 16250,4
(Nota Izaskun Uzkudun y Edgar Arruda adiantaram OjoBegi 16.250,4 ! para
a investigação e desenvolvimento do roteiro).
Tratamento e roteiro 10.000
Equipamento de luzes 1 2.000
Diversos 3.000
Suma 9.000
8- TRANSPORTES Y ALOJAMIENTO
Bilhetes de avião:
Paris, Recife e Rio de Janeiro (Brasil), 6.000
Aluguel de automóveis y diversos 2.500
Alojamento 5.000
Comidas 3.000
Suma 16.000
9- PELÍCULA
Multitracker ( som) 1 2.000
Cintas HD 200 3.000
Suma 5.000
10- DUBLAGEM E MEZCLA
Aluguel de estúdio de som e diversos 5.000
Montagem de som 2.000
Transfer de diversos 500
Suma 7.500
11- MÚSICA
Aluguel de sala de gravação 2.500
Compositor 3.000
Músicos 2.000
Cantantes y coros 1.000
Suma 8.500
12- SEGUROS 10.000
Suma 10.000
13- IMPREVISTOS Y DIVERSOS
Suma 10.000
TOTAL EN ! 183.150 !
PLAN DETALLADO DE FINANCIACIÓN
TV 46.650
(ARTE, FRANCE TELEVISION, TELE CATALANA)
CNC (Francia) 44.000
Ministério de Assuntos Exteriores franceses 10.000
FUNDARPE (Brasil) 30.000
Governo Vasco (Espanha) 20.000
OJOBEGI 16.250
PIERRE ARRANZ FILM 16.250
TOTAL EN ! 183.150 !
ALBERT CAMUS
Diário de Viajem de um Estrangeiro no Brasil
Produção
Produtora y Associação Ojobegi
C/ Aitzuri, 2 4C 20750 Zumaia – Guipúzcoa – Espanha
Telf. (0034) 943 577 512 – 645 732 446 – 669 964 736
www.ojobegi.com
iuzkudun@ojobegi.com
earruda@ojobegi.com
Na primeira etapa deverão ser gravadas as entrevistas e as manifestações
culturais e religiosas. Na segunda etapa se fará a pesquisa e seleção das
imagens de arquivo.
Plano de Produção - Camus Jan Fev Mar Abril Maio Jun Jul Ago
1. Pré-produção. Agenda das entrevistas
2. Gravação Bumba-meu-boi, Cavalo Marinho, Frevo
3. Gravação do Candomblé e entrevistas
4. Investigação e seleção de imagens de arquivo
5. Trilha sonora.
6. Montagem: Edição de imagem e som
7. Distribuição
Observação:
Gravar o Candomblé só é possível um mês depois do carnaval, pelos requisitos
de seu calendário religioso.
ALBERT CAMUS
Diário de Viajem de um Estrangeiro no Brasil
Histórico dos diretores
Produtora y Associação Ojobegi
C/ Aitzuri, 2 4C 20750 Zumaia – Guipúzcoa – Espanha
Telf. (0034) 943 577 512 – 645 732 446 – 669 964 736
www.ojobegi.com
iuzkudun@ojobegi.com
earruda@ojobegi.com
Direção
Izaskun Uzkudun Aldalur
Nacionalidade: Espanhola
RG: 34108862-T.
Direção: Portale Kalea 15-2º; 20740 Zestoa (Guipúzcoa).
www.ojobegi.com
Telefone: 669 96 47 36; 943 57 75 12 .
E-mail: iuzkudun@ojobegi.com; ojobegi@yahoo.com
DADOS ACADÊMICOS
2002 EICTV (San Antonio dos Banhos, Cuba), Ateliê Documentário Santiago Álvarez.
2002-98 Assistência a diversos oficinas e congressos sobre audiovisual. Centro Cultural
Larrotxene (San Sebastián), Salamanca, ICA (Barcelona) e ITA (Tarragona).
1995-98 Universitat Rovira i Virgili (Tarragona), Bacharel em Antropologia Social e Cultural.
EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL
2007-05 Prefeitura de Zumaia: Escritório de turismo.
2005-04 K6 Gestão Cultural: Trabalha os conteúdos e os roteiros audiovisuais para a produção
de museus.
2004-03-02 Prefeitura de Orio e Zestoa: Responsável do escritório de turismo.
2003-02 Centro Cultural Monte hermoso (Vitoria): Professora de linguagem audiovisual no
Programa “Por trás da Câmara”.
2001 Centro Cultural Larrotxene (San Sebastián): Colaboração no programa “Por trás da
Câmara”.
1998-97 Universitat Rovira i Virgili (Tarragona): Bolsa de colaboração do Governo Vasco.
FILMOGRAFÍA
2006 – E. Arruda/ I. Uzkudun (Co-produção, co-direção, co-câmara, edição e som), “Evoé. Outra
história da cultura popular”, Mini-DV, 52min., Brasil 2005 - E. Arruda/ I. Uzkudun (Co-produção,
co-direção do documentário), “Ihauteriak Euskadin”. Selecionado Zinebi 48. 2003 - "Ispiluaren
atzean", Zarautz, ZTB. Vídeo digital. Reportagem. 2002- “O dobro três”, Cuba, S-VHS.
Documentário. Co-direção e co-roteiro.
2003/ 02- “Pika Hieloren Abenturak”, “Amor Profundo” e “Ana eta kaka”, Vitoria-Gasteiz
(Espanha), Centro Cultural Montehermoso. Betacam. Micro-curta-metragem. Coordenadora.
Apresentado no Festival Áudio-Visual de Vitoria- Gasteiz 2002, 2003 no Centro Cultural
Montehermoso.
1999- “Saudade da Terra”, Brasil. Betacam. Documentário. 19!30”. (Em português). Co-direção,
co-roteiro.
IDIOMAS • Euskara: Língua materna (EGA 1988, 4. maila 2006).• Inglês: “Advanced” (TOEFL
2000, First Certificate 1991).• Francês: Intermédio. A2 (2007)• Português: Bom entendimento.•
Catalão: Bom entendimento.
ESTADIAS E OUTROS DADOS DE INTERES
Em Inglaterra, Tarragona (Espanha), Brasil e Cuba
Direção
Edilson Edgar Arruda de Assis
Nacionalidade: Brasileiro
NIF: X3982153-W
Direção: C/ Aitzuri 2, 4 C. 20750 Zumaia (Espanha)
Passaporte: CO 204776 – Brasil
www.ojobegi.com
Telefone: (00 34)645 732 446
E-mail: edgararruda@hotmail.com; edgararruda@ojobegi.com
DADOS ACADÊMICOS
1995 - Curso de Violão com o guitarrista Ednaldo Queiróz, em Recife
1991-93 - Curso de Produção e Rodagem em Vídeo
1989-94 - Curso de Violão Clássico na Universidade Federal de Pernambuco (Brasil)
1989 - Curso de Viola com Santiago Muñoz
1982 - Curso de História na Universidade Federal de Pernambuco (Brasil)
1974/78 - Curso de música na Igreja de Santana, em Gravatá (Brasil)
EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL
2006 - Produz e dirige com Izaskun Uzkudun “Evoé – Outra história da cultura popular”.
2005 - Produz e dirige documentário com Izaskun Uzkudun “Ihauteriak Euskadin”. Selecionado
Zinebi 48.
2004 - Recital de poesia e música, Palácio Yhon, A Bolsa (Bilbao).- Concerto “Palavra de Mulher”
com o coral Amatza no Centro Cívico Bidarte (Bilbao).- Recital de poesia e música “Poetas
Latino americanas” em Bidarte Jauregia (Bilbao).- Recital na Biblioteca de Bidebarrieta (Bilbao),
o dia do livro (23 de abril).- Recital no espaço “SAREA” (Bilbao).- Conferência “Semiótica da
canção em Chico Buarque” na Biblioteca São Francisco (Bilbao).
2003 - Roteirista na agência de publicidade “Center Produções” – Recife (Brasil)
2002 - Produção, direção, sonorização e montagem de CIDADES “INVER$O$ - FRAGMENTOS
DO DELÍRIO COTIDIANO” vídeo documentário experimental. “Centro de Artes e Ciências” da
Universidade Federal de Pernambuco (Brasil). 1998 - Trilha sonora do vídeo “BELA”, prêmio no
“Festival de 5 Minutos“ em Salvador, Bahia (Brasil), Rio de Janeiro e São Paulo.
1997- Trilha sonora da curta-metragem “CIRCO VICIOSO”, película 35mm, de Renata
Nascimento, Recife (Brasil)
1996 - Trilha sonora para o “FESTIVAL 1 MINUTO”, de Lelo Baptista, (Brasil) 1995/99 - Concerto
de viola na inauguração do “Instituto Cultural Brasil-Itália”; -Concerto de viola na inauguração do
intercâmbio entre a Universidade de Évora (Portugal) e da Universidade Federal de Pernambuco.
- Recitais em centros culturais
1988/93 - Pesquisador, historiador no programa “Plantas Medicinais de Pernambuco” (PPMPE)-
Brasil, dentro do projeto “História da Fitoterapia no Brasil” para a “Secretária de Saúde do Estado
de Pernambuco” (Brasil), com a coordenação do Dr. Marcelo Mesel, 1986 - Guitarrista no
concurso de música “Espaço Aberto” na Fundação de Cultura Joaquín Nabuco, Recife (Brasil).
1985 - Produção e direção na TV Baobá, em Recife (Brasil) (prática).
1983-85 Funcionário da Secretária de Educação e Cultura da Prefeitura da Cidade do Recife;
Forte das Cinco Pontas e Biblioteca do Morro da Conceiçao.
IDIOMAS• Português: língua materna. Espanhol: Avançado. Francês: Médio
Direção musical
FRANCISCO AMÂNCIO DA SILVA / MAESTRO FORRÓ
Data Nascimento:
Estado Civil: Casado
Endereço: Rua Pastor Benoby, 154 Casa “A”
RG: 4056776 SDS-PE
CPF: 869.353.644 - 34
OMB: 5870
E-mail: maestroforro@yahoo.com.br
Formação e Experiências Profissionais
• Curso de Extensão em Música UFPB. Trompete com o Dr. Nailson Simões;
• Produtor Cultural
• Fez Direção Musical das Peças: “Viva o Cordão Encarnado” e “Afilhada de Nossa Senhora”,
do Grande Teatrólogo Luiz Marinho;
• Participou como Ator e Músico das Peças: “Rei Rodelas”, “A Comédia do Amor” e o “Auto da
Compadecida”;
• Maestro Idealizador da Orquestra Popular da Bomba do Hemetério;
• Idealizador da Escola Comunitária de Música da Bomba do Hemetério
• Arranjador Oficial do Projeto “As Crianças Cantam o Natal”, Coral composto por 1.000 (mil)
vozes infanto-juvenis das Escolas da Rede Pública de Ensino do Município do Recife,
durante os anos de 2003, 2004, e 2005.
• Participou de aperfeiçoamento musical dentro e fora do Brasil;
• Vem realizando turnê, com performance profissional, em dezesseis Países da Europa com o
Show “DJ Dolores e Aparelhagem” durante os três últimos anos;
• Se apresentou no Continente Asiático (China) com o Maracatu Nação Pernambuco, na
qualidade de Diretor Musical, Compositor e Instrumentista;
• Tocou no Festival de Montreux
• Participou como Compositor e Arranjador da Trilha Sonora do Filme “A Máquina”.
ALBERT CAMUS
Diário de Viajem de um Estrangeiro no Brasil
Anexos
Produtora y Associação Ojobegi
C/ Aitzuri, 2 4C 20750 Zumaia – Guipúzcoa – Espanha
Telf. (0034) 943 577 512 – 645 732 446 – 669 964 736
www.ojobegi.com
iuzkudun@ojobegi.com
earruda@ojobegi.com
ALBERT CAMUS
Diário de Viajem de um Estrangeiro no Brasil
Currículo de las Productoras
Produtora y Associação Ojobegi
C/ Aitzuri, 2 4C 20750 Zumaia – Guipúzcoa – Espanha
Telf. (0034) 943 577 512 – 645 732 446 – 669 964 736
www.ojobegi.com
iuzkudun@ojobegi.com
earruda@ojobegi.com
VIDEOFILMOGRAFIA 2007 –Projeto “Albert Camus – Diário de um Estrangeiro
em Brasil.2006 – E. Arruda/ I. Uzkudun Co-produção, co-direção, co-câmara,
edição e som “Evoé. Outra história da cultura popular”, Mini-DV, 52´, Brasil2005 -
E. Arruda/ I. Uzkundun Co-produção, co-direção do documentário “Ihauteriak
Euskadin”. Selecionado Zinebi 48 2006-2005 Realização de vários videoclipes
musicais.
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