1.história breve da_lua
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1.história breve da_lua 1.história breve da_lua Presentation Transcript

  • PARTE 1
  • Decerto Já não te lembras da sensação do maravilhoso que experimentastequando pela primeira vez olhaste a Lua que se ergue no Céu. A Lua, no seuesplendor, é um feitiço que justifica o lugar de relvo que a Poesia lhe temconcedido. Mas é também um objeto físico e, como tal, motivo de interesse paraos estudiosos da Natureza. Neste auto que vais ler (e por que não representar?)o Autor imaginou para ti uma história divertida em que Poesia e Ciência dão asmãos.
  • FigurantesNarradoraCamponêsSenhor do MundoJerónimoAgapitoAstrónomoRapariga
  • (A cena representa uma paisagem campestre, arborizada, à hora em que aNatureza emerge do sono noturno, permanecendo o céu ainda estrelado. Nessecéu, que deverá observar-se numa ampla superfície, a Lua está ausente e apenasdeverá aparecer no momento exato em que o texto o indica.Ouvem-se cantos de aves.Quando a cena se inicia estará presente a Narradora, mulher nova e insinuante, deface para os espetadores.Silêncio.)
  • Vou contar-vos uma história que espero que vos agrade.A história não tem idade, vem de tempos recuados conservada na memória dos nossosantepassados.Ainda eu era pequena, mas recorda-me tão bem de estar com a minha mãe em certanoite serena, eu, aconchegada a ela, ela, aconchegada a mim, olhando pela janela ofirmamento sem fim.No profundo céu estrelado subia o disco da lua como um balão prateado enquanto umgato, na rua, miava de rabo alçado.
  • - Ó mãezinha, tu já viste a Lua como está suja? Parece que tem ´ma c´ruja, umavaca ou lá o que é! Gostava de a ver ao pé.E tu, mãe? De que te riste?- Das tuas suposições. Não é c´ruja nem vaca, nem macaco nem macaca, nemnada do que supões.Contou então minha mãe, sempre bondosa e amiga, a tal história muito antigaque vou contar-vos também.Diz essa história que outrora a superfície da Lua não era como é agora.
  • (À medida que a Narradora fala vai-se elevando no céu, muito lentamente, umaenorme Lua cheia, impecavelmente branca, sem manchas.)
  • Mostrava-se então polida, branquinha, macia e nua como uma prataestendida.Assim era, até que um dia, por milagre ou por magia, tudo num sopro numsopro mudou.A superfície esmaltada apar´ceu toda manchada e assim, prá sempre, ficou.Uma enorme mancha escura representava a figura de uma humana criatura,perfeitamente visível: era um homem que lá estava, mexia as pernas,andava, abria a boca, falava, que até par´cia impossível!
  • É claro que isto é´má história.E essa história também diz quem foi o desinfeliz que teve a suprema glória de ser oprimeiro na Lua.Ó que sorte malfadada!Mas a história continua até ´star toda acabada.Pois lá vai.Era uma vez o pobre camponês…
  • (Simultaneamente com as últimas palavras da Narradora entra o pobreCamponês. Caminha curvado ao peso de um molho de lenha, pára eretoma o passo. Ouvem-se vozes alegres de aves, na alvorada, enquanto océu continua a cintilar de estrelas. O pobre Camponês pára a descansar)
  • Camponês- Ó miséria derradeira!Anda um pobre como eu a fossar a vida inteira prá não ter nada de seu!Ó triste da minha vida!Ó pesar do meu viver!Tanta gente bem comida e eu sem nada prá comer!Ando a apanhar garavatos por essas serrasalém e só recebo maus tratos sem carinhos deninguém.Fui assim desde criança, sem culpa já nasci torto. Agora,perdida a esp´rança, só me resta cair morto.
  • (Entra o Senhor do Mundo, exuberante, sacudido e dominador, o rostoquase invisível pela abundância de barbas e de cabelo. Entra, desandálias, com passos largos e apressados, como quem tem muito quefazer. A entrada do Senhor do Mundo é anunciada por um ribombar detrovões, que logo amedronta o Camponês, e durante a sua presença emcena ouve-se continuadamente um rumor de trovoada)
  • Senhor do mundo (Estacando ao encarar com o Camponês, e recuando num pulo)- O quê? Que vejo? Que é isto?(pausa de espanto)- Que é que tu fazes aqui?Camponês (tremendo)- Senhor! Senhor!Senhor do mundo (escarninho)- Pelo visto não te arreceias de mil!Camponês (na mesma)- Senhor!
  • Senhor do mundo (irado )- Não há cá senhores!Agora te chega o medo?Não sabes que não concedo nem piedade nem favores aoshumanos pecadores, e que mais tarde ou mais cedo pagarão com suas dores? P´raninguém isto é segredo.Camponês (sempre aterrorizado)- Senhor! Só por esta vez! Tende de mim compaixão!Sou um pobre camponês que anda a ganhar o seu pão!Senhor do mundo (sempre irado)- Para ganhares o teu pão tens a semana contigo. Não merece compaixão quemnão respeita o que digo.Não sabes que hoje é domingo? Como tal não se trabalha? Não sabes que eu seme vingo não há ninguém que te valha?
  • Camponês (patético)- Ó miséria sem futuro! Tristeza do homem pobre! Nunca passado pão duro, dos trapos com que se cobre.Alegria é coisa vã.Não há esp´ranças que despontem.Sempre o dia de amanhã vem igual ao dia deontem. Meu senhor, tende piedade! Se hojeé domingo e aqui ando não é por minha maldadeque me oponho ao vosso mando.É tudo necessidade.Necessidade até quando?
  • Senhor do mundo (Sempre irado)- Não tenho nada com isso! Pecaste? Vais ter castigo! Tenho tudo ao meu serviço eninguém brinca comigo!O castigo vais ter será, prá vergonha tua…(olha em redor como quem procura o que há-dedecidir. Apontando para a Lua)- Olha prá ali.Camponês (parvamente)- É a Lua.
  • Senhor do mundo (irado)- Pois que é que havia de ser!?(com dignidade)Essa Lua que além vês irá ser tua morada.Camponês (aflito)- Senhor! Só por esta vez! Sou um pobrecamponês!Senhor do mundo- Já sei. Não digas mais nada. Procuravas esconder-te mas de mim ninguém seesconde.Vais ficar num sítio onde toda a gente passa a ver-te. Para sempre na memóriateu exemplo ficará. Será essa a tua glória.(bravamente, apontando para a Lua)- Já!
  • Camponês (tremendo)- Senhor!Senhor do mundo (mais forte)- JÁ!Camponês (no máximo susto)- Senhor!Senhor do mundo (definitivamente)- JÁ!
  • (Com o ribombar de um trovão, a cena escurece quando o Senhor do Mundopronuncia o último ”Já”. Quando a cena de novo se ilumina, o Senhor do Mundo e o pobre Camponêsdesapareceram, e a Lua cheia, no local que estava, patenteia agora as suasmanchas, onde se evidência, até forçadamente, a figura do pobre Camponêscom o molho de lenha às costas, em atitude de caminhando. A Narradora, quepermaneceu no palco durante a cena anterior, volta-se para o público e diz,apontando para a Lua)
  • - E lá está ele, coitado!E dali ninguém o tira!O que vale é que émentira porque foi tudoinventado.(pausa)Espero que tenham gostado da letra e do desempenho da história breve da lua.Mas a peça continua.Eu vou lá dentro e já venho.(sai)
  • Continua na próxima sessão do projeto “Que aventura maissegura… a da Leitura!”