David Melo da LuzPROGRAMAÇÃO DE SOFTWARES DE ENSINO: A CONTRIBUIÇÃO DA             ANÁLISE DO COMPORTAMENTO               ...
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“Dedico este trabalho a meu tio.Por tudo que já fez por mim. Esta conquistaé também dele.”
AgradecimentosAos meus familiares, amigos e professores pelo apoio durante todo o curso.
David Melo da Luz - Programação de softwares de ensino: A contribuição da Análisedo Comportamento, 2012.Orientadora: Prof....
SumárioIntrodução............................................................................................................
1.0 O avanço das tecnologias da informação e da comunicação       As tecnologias que os homens vêm desenvolvendo há milhar...
Alguns dados como os apresentados pela Vigésima terceira pesquisa anual douso de tecnologia da informação realizada pela f...
"O computador é usualmente dividido em duas partes:                            hardware e software. Hardware é identificad...
Segundo Haydu (2011) a realidade virtual consiste em “uma tecnologia queenvolve uma interface avançada, a qual permite ao ...
praticamente extinguiram o uso destes artefatos. Com o uso de um computador, atravésde uma interface virtual, o usuário po...
Outras tecnologias estão mais baratas e acessíveis. Computadores de usodoméstico hoje já chegam a ter sete núcleos de proc...
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1.4 A possível contribuição da Análise do Comportamento para o desenvolvimentode softwares efetivos de ensino       O comp...
Aplicada do Comportamento (AAC), que é mais ligada às práticas da análise docomportamento no cotidiano, e uma terceira áre...
selecionados da listagem contida no artigo “Acesso a Skinner pela sua própria obra:publicações de 1930 a 1990” (Carrara, 1...
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3.0 Análise e Discussão dos Resultados       A preocupação de Skinner em propor um modelo tecnológico educacional éevidenc...
Um panorama geral sobre os processos de ensino e aprendizagem       Alguns apontamentos gerais devem ser feitos antes de s...
sido aprendido, pelo menos uma vez, por alguém que não foi                             ensinado, mas graças à educação já ...
Ainda falando sobre o processo de ensino, o trecho a seguir foi extraído docapítulo “a etimologia do ensinar” que resume a...
Skinner atribui um valor especial aos jovens no papel da manutenção de       uma cultura. Para ele:                       ...
para uma platéia de “alunos” que assiste à exposição dos conteúdos, “aprende”. Tem sebuscado reproduzir da forma mais fiel...
O modelo teórico proposto por Skinner é um modelo de difícil compreensão e,por este motivo, até hoje gera muita incompreen...
ou ter mais tempo para acompanhar os estudantes individualmente), os atuais softwaresde ensino podem libertar o papel dest...
Como o próprio Skinner “criou” um instrumento próprio destinado ao ensinobaseado na análise do comportamento, as máquinas ...
fazer com que uma criança aprenda a ler a palavra “bola”. Este objetivo deve estar clarodesde o princípio para o programad...
Muito provavelmente por sua noção de um ensino “arranjado” e com conteúdos“claramente definidos”, o autor sofreu inúmeras ...
aos recursos principalmente de realidade aumentada, os softwares de ensino podemfazer surgir e modelar até mesmo comportam...
O uso de jogos educativos nas salas de aula pode ser corretamente ecientificamente justificado se tiverem características ...
A noção de estímulo reforçador ainda é equivocadamente utilizada para referir-se a coisas em si. Cabe ressaltar que a únic...
não o “aprender” é quem está controlando o ensinar do professor. Em softwares deensino este cuidado deve ser igualmente to...
experiências heroicas com sistemas pluricurriculares e de promoção                             automática, a prática-padrã...
indústria de hardware bem como pelos avanços nos campos de estudos dodesenvolvimento de softwares, que hoje podem produzir...
Além de falar diretamente do como ensinar, o autor em muito do materialanalisado também faz algumas críticas a certos mode...
Outra alternativa para o uso de castigos é fortalecer comportamentos                      que sejam incompatíveis com os q...
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Objetivamente falando, verificou-se que softwares de ensino, como instrumentosde ensino, devem ter objetivos claros e defi...
tecnológicos, e acabam chegando em questões humanas tradicionais da psicologia. Ogrande desafio colocado hoje talvez seja ...
ANDREWS, D. H., & Goodson, L. A. A comparative analysis of models ofinstructional design Journal of Instructional Developm...
6.0 Anexos:     Anexo 1: Tabela de Trechos Extraídos do Material Analisado  Publicação         Local da       Trecho      ...
consequências, aversivo              desta maneira. Os estudantes estão naturalmente                                      ...
pessoa inteligente. Há trabalho mais importante a ser                                                                     ...
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Programação de softwares de ensino: A contribuição da Análise do Comportamento TCC  - PUCSP 2012
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TCC - David Melo da Luz - Curso Psicologia - PUCSP

Os avanços das novas tecnologias da comunicação e computação propiciaram ao homem novas formas de interação e, consequentemente, de ensino e aprendizagem. Softwares de ensino, como uma destas possibilidades, graças à popularização do acesso a avançados recursos de hardware na última década, aparecem como instrumentos promissores para o ensino. O presente trabalho se desenvolveu como um estudo histórico/conceitual e investigou possíveis contribuições da Análise do Comportamento para o planejamento de softwares efetivos de ensino no contexto destas novas possibilidades de interação. Para tal tarefa foram analisadas 16 publicações do cientista e pesquisador B.F Skinner, um dos mais influentes teóricos da Análise do Comportamento. As publicações foram selecionadas do artigo “Acesso a Skinner pela sua própria obra: Publicações de 1930 a 1990” de acordo com a relevância do título para a temática do trabalho. A partir das leituras e de uma análise preliminar foram levantados os aspectos mais relevantes para uma discussão que objetivou utilizar os princípios da Análise do Comportamento que pudessem ser aplicados a softwares de ensino atuais. Os resultados e a discussão apresentados apontam que muito da produção de B.F Skinner sobre a Análise do Comportamento, pode ser útil para se pensar modelos efetivos de softwares de ensino que aproveitem de forma mais efetiva os novos recursos computacionais.

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  1. 1. David Melo da LuzPROGRAMAÇÃO DE SOFTWARES DE ENSINO: A CONTRIBUIÇÃO DA ANÁLISE DO COMPORTAMENTO Curso de Psicologia Faculdade de Ciências Humanas e da Saúde Pontifícia Universidade Católica São Paulo 2012
  2. 2. David Melo da LuzPROGRAMAÇÃO DE SOFTWARES DE ENSINO: A CONTRIBUIÇÃO DA ANÁLISE DO COMPORTAMENTO Trabalho de Conclusão de Curso como exigência parcial para a graduação no curso de Psicologia, sob orientação da Prof.ª Dr.ª Denize Rosana Rubano Curso de Psicologia Faculdade de Ciências Humanas e da Saúde Pontifícia Universidade Católica São Paulo 2012
  3. 3. “Dedico este trabalho a meu tio.Por tudo que já fez por mim. Esta conquistaé também dele.”
  4. 4. AgradecimentosAos meus familiares, amigos e professores pelo apoio durante todo o curso.
  5. 5. David Melo da Luz - Programação de softwares de ensino: A contribuição da Análisedo Comportamento, 2012.Orientadora: Prof.ª Dr.ª Denize Rosana Rubano Resumo Os avanços das novas tecnologias da comunicação e computação propiciaram aohomem novas formas de interação e, consequentemente, de ensino e aprendizagem.Softwares de ensino, como uma destas possibilidades, graças à popularização do acessoa avançados recursos de hardware na última década, aparecem como instrumentospromissores para o ensino. O presente trabalho se desenvolveu como um estudohistórico/conceitual e investigou possíveis contribuições da Análise do Comportamentopara o planejamento de softwares efetivos de ensino no contexto destas novaspossibilidades de interação. Para tal tarefa foram analisadas 16 publicações do cientistae pesquisador B.F Skinner, um dos mais influentes teóricos da Análise doComportamento. As publicações foram selecionadas do artigo “Acesso a Skinner pelasua própria obra: Publicações de 1930 a 1990” de acordo com a relevância do títulopara a temática do trabalho. A partir das leituras e de uma análise preliminar foramlevantados os aspectos mais relevantes para uma discussão que objetivou utilizar osprincípios da Análise do Comportamento que pudessem ser aplicados a softwares deensino atuais. Os resultados e a discussão apresentados apontam que muito da produçãode B.F Skinner sobre a Análise do Comportamento, pode ser útil para se pensarmodelos efetivos de softwares de ensino que aproveitem de forma mais efetiva os novosrecursos computacionais.Palavras-Chave: Análise do Comportamento; Softwares de ensino; E-learning; DesignInstrucional; Informática Educativa.
  6. 6. SumárioIntrodução..........................................................................................................................61.0 O avanço das tecnologias da informação e comunicação............................................91.2 O contexto das novas possibilidades de interação.....................................................101.3 Softwares como instrumentos de ensino..................................................................121.4 A possível contribuição da Análise do Comportamento para o desenvolvimento desoftwares de ensino..........................................................................................................132.0 Método.......................................................................................................................143.0 Análise e Discussão dos Resultados..........................................................................174.0 Considerações Finais ................................................................................................355.0 Referências................................................................................................................396.0 Anexos.......................................................................................................................40
  7. 7. 1.0 O avanço das tecnologias da informação e da comunicação As tecnologias que os homens vêm desenvolvendo há milhares de anos têmproduzido mudanças não só na forma como se relacionam com seu mundo de coisas(espaços físicos e objetos), mas também na forma como interagem com os outroshomens. Citando Abreu (2001): “Desde os primórdios de sua existência, o homem criouferramentas que dependendo da sua utilização, puderam fazê-lo viver melhor, tanto emsua relação com a sociedade, quanto em sua relação com a natureza” (p.1). A escrita como uma destas ferramentas, por exemplo, permitiu que homensseparados por tempo e espaço se comunicassem. Além disso, este tipo de tecnologiapermitiu e facilitou a transmissão do conhecimento entre homens de diferentes gerações. Os computadores, como outra destas ferramentas tecnológicas, têm uma históriarelativamente recente e que é marcada por dois grandes momentos: o primeiro é o seusurgimento no século 20 e o segundo sua popularização no início do século 21. O maissimples dos computadores de hoje, pode realizar em segundos, cálculos matemáticos elógicos que um homem levaria décadas para resolver. A respeito desta capacidadeDeitel e Deitel (2003) afirmam: “O computador é um dispositivo capaz de realizarcálculos e de tomar decisões lógicas a velocidades de milhões e até mesmo bilhões devezes mais rápidas que seres humanos.” (p.54). Outra característica dos computadores, e talvez tão importante quanto a suacapacidade de realizar cálculos e tomar decisões lógicas, diz respeito as possibilidadesque estes trouxeram de comunicação e interação entre indivíduos da nossa espécie. Estacaracterística dos computadores é tão marcante, que nos tempos atuais, os estudosrelacionados a esta temática, passaram a se concentrar também nos campos datecnologia da informação (T.I) e da comunicação (T.C). Estas tecnologias vêm crescendo e se popularizando cada vez mais ( dados arespeito deste crescimento, são apresentados e discutidos ao longo deste trabalho ). Estecrescente desenvolvimento da tecnologia da informação e computação tem ampliado aspossibilidades de o homem interagir com o ambiente a sua volta. Estas possibilidadestêm viabilizado, dentre outras coisas, novas formas de interação social e porconsequência, de ensino e aprendizagem, e é principalmente a respeito desta temática,que se desenvolve este trabalho. 8
  8. 8. Alguns dados como os apresentados pela Vigésima terceira pesquisa anual douso de tecnologia da informação realizada pela fundação Getúlio Vargas no ano de2012, têm evidenciado o crescimento das tecnologias computacionais. Os resultados dapesquisa estimam que no Brasil hoje existam 99 milhões de computadores. Ainda deacordo com dados da mesma pesquisa, um computador é vendido por segundo no nossopaís. Outro dado a ser considerado, é a velocidade em que este processo estáocorrendo. A mesma pesquisa realizada há pouco mais de uma década (1998) apontavauma realidade de cinco milhões de computadores. Todavia cabe destacar que todos estesdados se referem exclusivamente ao que se convencionou chamar de computadorpessoal (PC). Não estão inclusos nestes dados tecnologias mais recentes que cada vezmais desempenham funções antes atribuídas aos PC’s. São exemplos destas tecnologiasos novos celulares, smartphones, tablets, videogames e etc. Um fator em comum entre todas estas tecnologias, é que todas elas possuempara o seu funcionamento o que se convencionou chamar de software ou programa decomputador. Um Software pode ser definido como uma sequência de instruções quedetermina o “funcionamento” de um computador. Em termos mais práticos, softwarespodem ser entendidos como interfaces computacionais que permitem a interação doshomens com computadores e/ou com os outros homens. Um primeiro esclarecimento deve ser feito quanto à utilização do termo“programação”. Isto porque o termo carrega uma ambiguidade em seu significado.Programação, quando ligada a “softwares de ensino” pode significar tanto aprogramação de softwares (enquanto a atividade de escrever códigos que são lidos einterpretados por computador ) quanto o planejamento sistemático do ensino (entendidocomo o processo de arranjar as condições para que haja aprendizagem) e que é o sentidoutilizado neste trabalho. A palavra “software” é geralmente utilizada como significando o contrário de“hardware”. Hardware é um termo em inglês utilizado para referir-se a periféricosfísicos do computador (placa mãe, processador, componentes e etc.). A respeito da divisão entre software e hardware Domigues (2001) coloca: 9
  9. 9. "O computador é usualmente dividido em duas partes: hardware e software. Hardware é identificado como a parte física do computador. Software é o termo geral para designar os programas de computador, ou seja, o conjunto de instruções arranjadas logicamente para serem executadas pela máquina. Na realidade, a palavra hardware foi formada pela justaposição de dois termos do inglês: hard, que significa duro, resistente, firme, rígido, compacto + ware, usado geralmente no plural como significado de mercadores, produtos. Software, por outro lado, é composição de soft, que em inglês exprime macia, mole, suave, brando, ameno +ware.” (p.81) O mesmo autor ainda destaca que se tem utilizado um terceiro tipo declassificação. O chamado peopleware seria parte do computador relacionada às pessoas: Em geral supõe-se que cada parte desta divisão não pode funcionar satisfatoriamente sem a outra. Ou seja, um computador que só tenha componentes físicos não tem utilidade prática se não tiver um software. Por outro lado, um programa não pode ser executado sem hardware. Mas isto pode não passar de mera ilusão. (p.81) Atualmente alguns autores têm alertado para a importância de se incluir uma terceira parte nesta classificação: a de peopleware. Peopleware é a parte do computador relacionada às pessoas que usam o computador. O principal argumento para a inclusão nesta classificação é que da mesma forma que o computador não pode funcionar somente com a existência do hardware, nem só com a existência de software, tampouco pode funcionar sem o componente humano. Por exemplo, um computador não pode ser ligado se não houver a participação do seu usuário. (p.81) Em linhas gerais, o que é relevante para esta pesquisa, é que softwaresrepresentariam as dimensões não físicas presentes no computador. É senso-comumreferir-se a softwares como pertencente à dimensão “virtual” do computador. A possibilidade de geração de uma interface gráfica produzida pelos recursoscomputacionais, cuja visualização pode ser feita por meio de um monitor, “criou” estadimensão de interação que se denominou chamar de “virtual”. A evolução dastecnologias de hardware ampliaram as possibilidades de interação nesta dimensão. Ainteração humana com ambientes “virtuais” hoje está tão avançada e complexificadaque um novo campo de estudos emergiu: o campo de estudos da realidade virtual. 10
  10. 10. Segundo Haydu (2011) a realidade virtual consiste em “uma tecnologia queenvolve uma interface avançada, a qual permite ao usuário navegar e interagir emambientes tridimensionais simulados por um sistema computacional.” (p.1). Dentro campo do virtual, graças aos recursos computacionais, é possível seformar e/ou reproduzir estímulos visuais como imagens, figuras e vídeos, estímulosauditivos como sons e músicas, estímulos sensoriais e muitos outros. Além disso, umusuário humano pode interagir com este campo através de periféricos como mouse,teclado, telas de toques, detectores de movimentos e muitos outros recursos. Os softwares são os programas responsáveis por controlar praticamente tudo oque se passa dentro do campo do virtual, pois neles estão contidas todas as instruçõesque são necessárias para o funcionamento dos programas dentro dos computadores eoutros dispositivos. Desde que surgiram no meio do século passado, softwares têm sido programadoscom diversas finalidades. Em geral estes são desenvolvidos para melhorar ou resolvertarefas e rotinas humanas. Um exemplo de software bastante comum e utilizado emquase todo o mundo são editores de textos (como o utilizado para redigir este trabalho). O surgimento do virtual impactou diretamente em mudanças na realidade“física” humana. Há pouco mais de duas décadas atrás, as máquinas mais popularesresponsáveis pela tarefa de redigir textos eram as famosas máquinas datilográficas.Estas máquinas eram pesados artefatos mecânicos, cuja interação se dava por meio deteclado. Após o usuário pressionar algumas teclas, estas acionavam mecanismos que“carimbavam” em uma folha de papel caracteres (letras, números e símbolos). Estasmáquinas tinham como objetivo ajudar os seres humanos a produzir textos quepudessem ser lidos por outros seres humanos. Inúmeras eram as limitações deste tipo deartefato. Qualquer erro de digitação do usuário, por exemplo, não poderia ser desfeito,restando ao mesmo alternativas como sobrescrever o texto, utilizar tinta branca paracobrir o erro, ou simplesmente refazer o texto. Além disso, a maioria destas máquinasfuncionava com uma fita-tinta descartável de apenas duas cores. A troca de tinta exigiahabilidade do usuário para não sujar as mãos. A versão “virtual” das máquinas de escrever, os softwares editores de textos, porpossuírem inúmeras vantagens em relação às máquinas de escrever, quando surgiram 11
  11. 11. praticamente extinguiram o uso destes artefatos. Com o uso de um computador, atravésde uma interface virtual, o usuário podia digitar textos e vê-los em tempo real. Alémdisso, o usuário também podia editar e “guardar” textos sem precisar imprimi-los. Umapalavra, uma frase ou mesmo texto, uma vez digitado podia ser “copiado” e colado aoinvés de ser escrito mais de uma vez. Os textos podiam facilmente embutir imagens, ecom o tempo os softwares editores de textos, podiam até “ajudar” o usuário a escrever,apontando erros ortográficos. Estes softwares evoluíram tanto que hoje são capazes dereconhecer sentenças inteiras e fazer precisas análises e correções gramaticaisautomáticas ao nível de sintaxe. Além disso, eles são capazes de traduzir em tempo realum texto enquanto ele é digitado, ou mesmo ler o texto para o usuário (o usuário digitao texto e o editor é capaz de reproduzir estímulos sonoros escritos). Outros recursosmais recentes destes mesmos softwares é o reconhecimento de voz (o usuário fala, e osoftware é capaz, através de um sistema de reconhecimento, de digitar o texto). Estas tecnologias têm facilitado a vida dos humanos em muitos aspectos.Deficientes visuais podem, por exemplo, “escutar textos” digitados por um outrousuário e narrados por um computador. Ou pode, ele mesmo, “digitar” um texto apenasnarrando para um computador. O exemplo anterior do impacto que os “softwares” editores de texto tiveram nanossa forma de editar e produzir texto é só um dos exemplos de como as tecnologiasproporcionadas pelos softwares tem revolucionado as possibilidades de interação entreos humanos.1.2 O contexto das novas possibilidades de interação As últimas duas décadas foram marcadas por grandes mudanças nos padrões deinteração entre os homens. O surgimento da internet no início dos anos 90 pode serconsiderado o grande marco nos padrões de comunicação entre os humanos, mas não foio único. A democratização do acesso aos aparelhos “mobiles” como os smartphones eos tablets (que no Brasil chegam a custar hoje menos de um salário mínimo) e apopularização das “redes 3G” impactaram em novas formas de comunicação, interaçãoe produção de conhecimento, que produziram mudanças tão relevantes quanto o própriosurgimento da internet. 12
  12. 12. Outras tecnologias estão mais baratas e acessíveis. Computadores de usodoméstico hoje já chegam a ter sete núcleos de processamento, e o mais simples deles écapaz de processar dados centenas de vezes mais rápido do que o mais potentecomputador da agência aeroespacial americana de 20 anos atrás. Videogamescontrolados por sensores de movimentos, computadores e televisores com recursos deimersão 3D, periféricos e acessórios de realidade virtual e realidade aumentada hoje sãorecursos relativamente baratos, principalmente se comparados com a realidade de vinteanos atrás, quando os mesmos não existiam, ou existiam com menos recursos e acessolimitado a pequenos grupos de pesquisadores (em consequência do alto custo). A expansão da rede mundial de computadores e da banda-larga revolucionou omodo de produção de conhecimento no mundo inteiro. Hoje qualquer pessoa, que saibafazer qualquer coisa, pode escrever um texto com instruções e publicá-lo para o mundoutilizando a internet. Este mesmo usuário pode optar também por gravar por meio deum celular ou qualquer outro dispositivo eletrônico com este recurso um “vídeoinstrucional” e publicá-lo gratuitamente para o mundo em questão de minutos. Outrosusuários das redes podem não só opinar e fornecer feedbacks destes conteúdos, comotambém alterá-los, republicá-los e disponibilizá-los de forma igualmente rápida. A internet se firmou como um espaço onde a troca de informações entre duaspessoas ou mais trazia a possibilidade de serem públicas (como os fóruns e as redessociais). Além disso, estas informações podem ficar armazenadas e servirem como umregistro histórico. Usuários separados por tempo e espaço podem ter acesso a estas trocas. Hoje,por exemplo, é possível encontrar na rede, através de mecanismos de buscas, registrosreais das discussões entre usuários da rede de períodos históricos, como o 11 deSetembro de 2001. Estas possibilidades de produção de conhecimentos agregadas às novaspossibilidades de relacionamento a distância produziram um espaço colaborativo dedesenvolvimento de várias ciências, dentre elas a própria ciência da computação. Redes sociais de profissionais de várias áreas começaram a surgir. Fóruns, blogse sites passaram a levar conhecimento que antes só chegava aos indivíduos por meio decaros e poucos livros. Um exemplo desta transformação é da própria comunidade de 13
  13. 13. desenvolvedores de softwares. Com a possibilidade de interação via internet, pequenosgrupos de programadores independentes, programando juntos, passaram a produzirgrandes aplicações de “código aberto”. O termo software de código aberto se refere asoftwares não comerciais, cujo código é aberto para alterações por qualquer um quesabia e queira modificá-lo. Desta forma surgiram os famosos CMS’s como Wordpress,Joomla, Dupral, Moodle etc. Todos estes “softwares CMS’s” livres ou parcialmentelivres foram desenvolvidos e são mantidos por uma enorme comunidade dedesenvolveres autônomos que sozinhos levariam dezenas de meses para desenvolver osmesmos projetos com uma alta probabilidade de ficarem menos estáveis (possuíremmais erros). Todos estes avanços no processo de comunicação e produção entre os sereshumanos só foram possíveis graças aos avanços das tecnologias de hardware e dastecnologias de desenvolvimento de softwares e, por consequência, das possibilidades deinteração dos homens com outros homens e dos homens com as máquinas.1.3 Softwares como instrumentos de ensino A utilização de softwares como instrumentos de ensino não é recente. Desde queos computadores se popularizaram como instrumentos de uso doméstico existemsoftwares rotulados como “educativos”. Autores como Andrews e Goodson (1980) eCampos (1991) já problematizavam a questão da avaliação de softwares educativosdesde as décadas de 80-90. Outros recursos mais modernos, como sensores de movimento presentes emcomputadores, celulares e consoles como o Nintendo Wii, não são tecnologias recentes,mas se tornaram acessíveis ao público fora dos laboratórios de pesquisa em tecnologiahá pouco mais de cinco anos. Este tipo de tecnologia ampliou enormemente aspossibilidades de interação entre os humanos e máquinas, e dos humanos com outroshumanos. Estas tecnologias são hoje amplamente utilizadas nas escolas no processo deensino. O presente trabalho propõe que estas tecnologias, se amparadas por uma ciênciaque estude os processos de ensino e aprendizagem, podem se tornar mais efetivas natarefa para a qual se propõem, que é a de ensinar. 14
  14. 14. 1.4 A possível contribuição da Análise do Comportamento para o desenvolvimentode softwares efetivos de ensino O comportamento dos organismos, como evidenciado por Skinner (1953),Sidman (1989), Selligman (1977), Keller (1950) e tantos outros estudiosos doslaboratórios de psicologia experimental, por ser fruto da seleção natural, é sensível acertas leis gerais do comportamento. Por exemplo, comportamentos que na presença deuma determinada condição ambiental (estímulo discriminativo) são consequenciadospor certos eventos ambientais (estímulos reforçadores positivos), têm sua frequênciaaumentada. Além disso, diferentes frequências, intensidades, durações e outras variáveisdestes mesmos estímulos reforçadores produzem diferentes efeitos no comportamento.Estes são só alguns exemplos de leis gerais do comportamento estudadas e exploradaspor cientistas analistas do comportamento e que podem contribuir para modificação oumanutenção do comportamento humano. Analistas do comportamento têm estudado estas leis gerais que, apesardemasiadamente complexas, graças ao rigor científico utilizado em tais pesquisas têm setornado não só passíveis de mensuração, como de replicação e aplicações práticas. Os estudos e pesquisas realizados nos laboratórios de psicologia experimental ede análise do comportamento relacionados com a aquisição e manutenção docomportamento são potencialmente muito promissores e úteis a diversos campos dasciências. Historicamente a Análise do Comportamento se desenvolveu como uma ciênciadedicada a entender e melhorar o comportamento humano. Fundamentadaepistemologicamente nos pressupostos filosóficos do behaviorismo radical, propostoinicialmente pelo cientista e pesquisador B.F Skinner, a preocupação com a relevânciasocial é um aspecto marcante desta filosofia. Em outras palavras a produção de ciência econhecimento é voltada para a melhoria da vida das pessoas, voltada para aplicação(assim como os softwares de computador). As pesquisas relacionadas a este campo de estudos mais frequentemente têm sedividido em três grandes áreas: a Análise Experimental do Comportamento (AEC), queé mais ligada às atividades nos laboratório de psicologia experimental, a Análise 15
  15. 15. Aplicada do Comportamento (AAC), que é mais ligada às práticas da análise docomportamento no cotidiano, e uma terceira área em que se inserem os estudosconceituais. O presente trabalho, apesar de se apresentar como um estudo conceitual, éuma tentativa de fornecer subsídios para uma possível aplicação prática. Aplicações baseadas na Análise do Comportamento voltadas parainstrumentação do ensino não são novas e nem recentes. As máquinas de ensino deSkinner (1968) são só um dos exemplos que podem ser utilizados para ilustrar a estetipo de aplicação. A hipótese deste trabalho é de que os estudos e pesquisas desenvolvidos pelocampo de estudos da Análise do Comportamento podem contribuir para a produção desoftwares efetivos de ensino, aproveitando de forma produtiva as novas possibilidadesde interação propiciadas pelos novos recursos de software e hardware disponíveis, masainda pouco explorados.2.0 Método Encontrar um método para realizar a proposta deste trabalho foi uma dasprincipais dificuldades no desenvolvimento desta pesquisa. Os fatores que contribuírampara esta dificuldade estão relacionados com a multiplicidade do que hoje se temchamado de Análise do Comportamento. Como uma tentativa de se tornar este trabalho viável optou-se por analisar aprodução científica de um único autor. A escolha de B.F Skinner como o autor para odesenvolvimento deste trabalho foi arbitrária, mas não aleatória. Pautou-sefundamentalmente por dois critérios: o grande volume de produção do próprio autor e ogrande número de obras que o referenciam. Como método optou-se, então, por analisar as publicações de B.F Skinner cujatemática fosse relevante para a proposta desta pesquisa, que foi a de verificar umapossível contribuição da Análise do Comportamento no pensar softwares efetivos deensino no contexto das novas possibilidades de interação. Dada a impossibilidade de seanalisar todas as obras do autor, foram selecionadas 16 delas (entre capítulos de livros eartigos). A escolha destes textos também foi arbitrária, mas não aleatória. Todos foram 16
  16. 16. selecionados da listagem contida no artigo “Acesso a Skinner pela sua própria obra:publicações de 1930 a 1990” (Carrara, 1992) de acordo com a relevância do título paraa temática do trabalho. O livro Tecnologia do ensino, em sua versão em português de 1975, foi lidointegralmente para a produção do presente trabalho. Esta obra foi especialmenteimportante para a fundamentação das análises aqui apresentadas, já que nela Skinnerapresenta não só toda sua concepção sobre ensino e aprendizagem, como também seupróprio modelo instrumental de máquina de ensinar, modelo este cujas característicaspoderiam ser aproveitadas para pensar softwares de ensino. Além dos 11 textospresentes nesta obra, foram lidos mais cinco textos: o capítulo “Educação” do livroCiência e comportamento Humano, do ano de 1953; os capítulos Some Implications ofMaking Education More Efficient e Designing Higher Education do livro Reflexions onbehaviorism and society (estes dois foram as únicas das publicações analisadas lidas emseu idioma original); por último foram lidos dois capítulos do livro Questões recentesna análise comportamental: A escola do futuro e Programmed Instruction Revisited.Este livro, de 1989, é o último do autor antes de seu falecimento em 1990. A partir da leitura dos textos, foram extraídos alguns trechos que foramdispostos em tabelas e que posteriormente ajudam na ilustração de algumas concepçõesdo autor no pensar o ensino. O critério para seleção dos trechos foi apenas apossibilidade de ilustrar aspectos que poderiam ser considerados relevantes para pensara contribuição de Skinner sobre materiais e instrumentos de ensino e/ou outros aspectosrelevantes na discussão sobre softwares de ensino. A estes trechos foram atribuídas palavras chave que facilitaram a sua posteriorlocalização, por meio da utilização de um mecanismo de localização computadorizado(mecanismo de localização do software word 2010). Ao final nem todos os trechos selecionados foram utilizados. Os trechosextraídos foram dispostos em uma tabela. (Ver Anexo 1). O objetivo de organizar os dados desta forma foi o de possibilitar uma melhorvisualização e uma posterior análise e discussão sobre como a Análise doComportamento pode contribuir para o desenvolvimento de softwares efetivos de 17
  17. 17. ensino no contexto das novas possibilidades de interação propiciadas pelos novosrecursos computacionais. 18
  18. 18. 3.0 Análise e Discussão dos Resultados A preocupação de Skinner em propor um modelo tecnológico educacional éevidenciada pelos inúmeros artigos e trabalhos que o autor produziu durante toda suavida acadêmica sobre o assunto. O autor também publicou, no ano de 1968, o livroTecnologia do ensino, que viria a se tornar uma das mais influentes obras da psicologiada educação do século passado. De acordo com o próprio Skinner, quatro dos capítulos deste livro já haviamsido publicados anteriormente: o capítulo II em 1954, o capítulo III em 1958 e oscapítulo IV e V em 1965. Além disso, três dos capítulos inéditos do livro (VI, VII,VIII), já haviam sido anteriormente apresentados. Os capítulos foram apresentados emsituações distintas. Todos estes capítulos, publicados ou não, foram revistos para olivro. Quatro capítulos foram publicações inéditas e nunca apresentadas, escritasespecialmente para o livro. Estes dados a respeito da produção do livro revelam queSkinner demorou pelo menos 14 anos na produção total do livro. Além disso, o autordeixa claro que todos os capítulos foram revistos antes de serem publicados. Esta obra aparece como uma sistematização prática de tudo o que o autor haviaestudado até aquele momento e que seria útil à educação. Muitos dos princípios edescobertas realizados por Skinner e seus colaboradores nos laboratórios de Análise doComportamento são utilizados no livro, que ilustra a aplicação prática dos princípios daAnálise do Comportamento. Os capítulos inéditos do livro são: o capítulo I: Etimologia do ensinar, IX:Disciplina comportamento ético e autocontrole, o X: Uma revisão do ensino, e por fim ocapítulo XI: O comportamento do sistema. Estes capítulos revelam um amadurecimentodo autor principalmente no que diz respeito a questões ligadas à educação (entendidacomo diferente de ensino e aprendizagem). Os três últimos, principalmente, tratammenos de questões relativas a técnicas e instrumentalização do ensino e mais deeducação que, na perspectiva skinneriana, aparece como indissociável dos processos deensino e aprendizagem. 19
  19. 19. Um panorama geral sobre os processos de ensino e aprendizagem Alguns apontamentos gerais devem ser feitos antes de se realizar maisdiretamente uma análise de uma possível contribuição da obra skinneriana para aconstrução de softwares efetivos de ensino que aproveitem ao máximo as novaspossibilidades de interação humanas. Estes apontamentos dizem respeito à próprianoção dos processos de ensino e de aprendizagem. Para Skinner aprendizagem diz respeito à sensibilidade do organismo no contatocom o meio. Isso significa que é através do contato do organismo com seu ambiente queeste aprende. Aprender é passar a fazer algo que antes de um determinado eventoambiental, o organismo não fazia ou fazia de maneira diferente. Na espécie humana(como em muitas outras), a capacidade de aprender é natural, no sentido de que oorganismo humano nasce com esta capacidade. A origem desta capacidade está nahistória filogenética da nossa espécie. Aprendizagem não é função, necessariamente, deensino; assim, um indivíduo pode aprender sem ser ensinado. O trecho seguinte ilustra aconcepção do autor sobre a diferença entre os processos de ensino e aprendizagem: Entregue a si mesmo, em dado ambiente, um estudante aprenderá, mas nem por isso terá sido ensinado. A escola da vida não é bem uma escola, não porque ninguém nela aprende, mas porque ninguém ensina. Skinner (1968 /1975, p.4 ) Neste trecho fica claro uma das mais marcantes características do modeloskinneriano de ensino: a característica do ensino guiado por objetivos. Estacaracterística vem contrapor modelos os mais tradicionais, segundo os quais o alunodeve descobrir por si próprio o mundo. As características de um ensino como “dirigidoa objetivos” é discutida exclusivamente e de forma mais detalhada em um tópico deanálise posterior. Ainda sobre a diferença entre o aprender instruído (ser ensinado) e o “aprenderda vida” o autor aponta uma das vantagens do primeiro tipo de aprendizagem: Ensinar é o ato de facilitar a aprendizagem; quem é ensinado aprende mais rapidamente do que quem não é. O ensino é, naturalmente, muito importante, porque, do contrário, o comportamento não apareceria. (Tudo o que hoje se ensina deve ter 20
  20. 20. sido aprendido, pelo menos uma vez, por alguém que não foi ensinado, mas graças à educação já não é preciso esperar por estes eventos raros) Skinner (1968/ 1975, p.4) Facilitar aprendizagem é essencialmente o trabalho de quem ensina. Daperspectiva do aluno, por vezes pode parecer “melhor” ou mais agradável aprender algosozinho. Skinner atribui como causa deste fenômeno os elementos reforçadorespresentes na surpresa ou no sucesso de uma descoberta pessoal, que em tese sãomelhores que as tradicionais consequências aversivas: O organismo humano, com efeito, aprende sem ser ensinado. É uma boa coisa que isto aconteça, e seria ainda melhor se mais coisas pudessem ser aprendidas desta maneira. Os estudantes estão naturalmente interessados no que podem aprender por si próprios, pois, do contrário, não aprenderiam e, pela mesma razão, lembram-se com maior probabilidade do que aprenderam assim. Há elementos reforçadores na surpresa e no sucesso de uma descoberta pessoal que são alternativas bem recebidas às tradicionais consequências aversivas. Skinner (1968/1975, p.105) Em linhas gerais para o autor, ensinar é arranjar as contingências para que oorganismo aprenda, ou seja, criar as condições para que haja aprendizagem. A partirdestas definições chegamos ao entendimento de que para dizermos que um organismofoi ensinado, não basta olharmos para o que foi aprendido; precisaríamos também olharpara a forma como esta aprendizagem ocorreu. Aprendizagem existe sem ensino, masensino não existe sem aprendizagem. No contexto das novas possibilidade de interação e ensino propiciados pelosnovos softwares educativos, ensinar deveria ser mais do que apresentar o material aoaluno: o ensino deve garantir que o comportamento a ser ensinado apareça no repertóriodo individuo e este comportamento deve ser reforçado, mantido e generalizado. Muitasdas novas tecnologias computacionais desenvolvidas pelo homem, principalmente nasúltimas duas décadas, podem contribuir nesta tarefa. Algumas destas contribuições sãoapresentadas neste trabalho nas análises que se seguem. 21
  21. 21. Ainda falando sobre o processo de ensino, o trecho a seguir foi extraído docapítulo “a etimologia do ensinar” que resume a posição de Skinner em relação aprocessos relativos a como ocorreria a aprendizagem: Três são as variáveis que compõem as chamadas contingências de reforço sob as quais há aprendizagem: (1) a ocasião em que o comportamento ocorre, (2) o próprio comportamento e (3) as conseqüências do comportamento. Skinner (1968/1975, p.4) As definições anteriormente apresentadas de ensino e aprendizagem sãoimportantes ao se pensar instrumentos de ensino porque, dentre outras coisas, a partirdelas podemos afirmar que um instrumento de ensino não é necessariamente aquele como qual o indivíduo aprende, e sim aquele que efetivamente ensina o indivíduo. A educação como diferente de ensino e aprendizagem Além de discutir ensino e aprendizagem como coisas distintas, Skinner também tem uma ideia própria para falar de “educação”. No livro Ciência e Comportamento Humano o autor afirma que: A educação é o estabelecimento de comportamentos que serão vantajosos para o indivíduo e para os outros em algum tempo futuro. Skinner (1953/2000, p.402 ) No livro Tecnologia do ensino, primeiro Skinner afirma que: Educação é uma importante função de uma cultura. Skinner (1968/1975, p.132 ) Mais à frente, e no mesmo livro, Skinner afirma que: A principal função da educação é transmitir cultura Skinner (1968/1975, p.149) 22
  22. 22. Skinner atribui um valor especial aos jovens no papel da manutenção de uma cultura. Para ele: A força de uma cultura está em seus membros. Seus jovens são o seu mais importante recurso natural, sua maior riqueza. Skinner (1968- 1975, p. 247) Como observado nos trechos, para o autor a educação deve preparar o aluno para o futuro, para que este possa agir eficazmente em favor da sua própria sobrevivência e para sobrevivência da sua espécie. O indivíduo que age eficazmente no seu ambiente, na perspectiva de Skinner, é um indivíduo autônomo. Todos estes apontamentos revelam também a noção skinneriana de liberdade, segundo a qual os indivíduos são livres a partir do momento em que têm consciência das contingências das quais seu comportamento é função. A educação, então, deveria ser capaz de criar indivíduos livres e autônomos. Além disso, a cultura na perspectiva de Skinner seria a responsável por transmitir a educação e o conhecimento acumulado para os membros do grupo entre gerações. Estes apontamentos todos foram feitos em relação à cultura e à educação porque se observou no material analisado que uma das preocupações de Skinner durante toda sua obra foi destacar que todos estes fatores têm influência direta nos processos de ensino. Uma observação em relação à cronologia dos textos sugere que esta noção foi amadurecida após anos de trabalho. Os textos em que esta noção aparece com maior frequência são justamente os últimos textos do livro Tecnologia do ensino. No trecho a seguir Skinner enfatiza que apesar de uma tecnologia do ensino se ocupar principalmente com o comportamento do aluno, existem outras figuras no processo da educação às quais também se aplica uma análise experimental. Tem-se visto nos últimos tempos, escolas, instituições e empresas investindo emsoftwares e tecnologias que sejam capazes de reproduzir cada vez mais o espaço da salaaula nos computadores (em ambiente local ou internet). Programas de videoconferência,como Skype e o Msn colocam alunos e professores “frente-a-frente”. O “professor” fala 23
  23. 23. para uma platéia de “alunos” que assiste à exposição dos conteúdos, “aprende”. Tem sebuscado reproduzir da forma mais fiel o possível, os espaços das salas de aulas dentrodo computador. Este tipo de concepção parece equivocada, por pressupor que osmodelos tradicionais seriam modelos “perfeitos” a serem copiados. Desta forma muitasdas novas possibilidades de interação e ensino que softwares podem propiciar, sãosacrificadas. As formulações de Skinner parecem apontar uma melhor maneira de seutilizar estas tecnologias educacionais e serão vistas mais à frente.A Oposição aos modelos cognitivos de ensino Dada a noção de causalidade proposta por Skinner segundo a qual asconsequências produzem os comportamentos, e não o contrário, o autor se opôs até ofim de sua vida aos modelos cognitivos explicativos de aquisição de conhecimento.Pensamento para o autor é um comportamento como qualquer outro; a única diferençaestaria na acessibilidade. Nos trechos abaixo Skinner fala sobre pensar: “Pensar” significa muitas vezes o mesmo que comportamento. Dizemos, neste sentido, que se pensa matematicamente, musicalmente, politicamente, socialmente, verbalmente, ou não-verbalmente, e assim por diante. Em um sentido ligeiramente diverso, significa comportar-se em relação a estímulos. Skinner (1968/1975, p.113) Pensar é também identificado com certos processos comportamentais, como aprender, discriminar, generalizar, e abstrair. Estes processos não são comportamentos, mas sim modificações no comportamento. Não há ação, nem mental, nem qualquer outra. Skinner (1968/1975, p.113) Logo Skinner fez questão de se opor claramente a estes modelos que hoje sãobastante populares entre os desenvolvedores de softwares de ensino. Esta oposição é tãomarcante em sua obra, que em muitos momentos ele procura explicar porque, segundoele, estes modelos “levariam vantagem” na explicação do comportamento humano: As teorias mentais e cognitivas parecem levar vantagem, pois, por mais deterministas que pretendam ser, deixam geralmente lugar para o capricho ou espontaneidade entre os determinantes interiores. Skinner (1968/1975, p. 160). 24
  24. 24. O modelo teórico proposto por Skinner é um modelo de difícil compreensão e,por este motivo, até hoje gera muita incompreensão, principalmente no que diz respeitoa sua aplicação. Algumas destas incompreensões são discutidas ao longo deste trabalho. A dificuldade no entendimento do modelo teórico, somado às incompreensõesdo modelo, talvez sejam os fatores que mais contribuam para o modelo de Skinner ter setornado pouco popular em tempos atuais (principalmente se comparado com os modeloscognitivos). O papel dos Professores O interesse de Skinner em produzir máquinas que pudessem ensinar fez com oque o autor discutisse questões que viriam a surgir com uma frequência maior no fim doséculo 20. Em outras palavras, Skinner, ao menos sobre esta temática, pensou muito àfrente do seu tempo. Esta discussão que o autor faz, por exemplo, relacionada ao papeldo professor frente a estas máquinas de ensino, pode contribuir no pensar a atuação dosprofessores frente aos softwares de ensino. Se softwares educativos, quando cuidadosamente planejados para o ensino,podem ensinar, qual seriam então as atribuições do professor frente a esta novarealidade? No trecho a seguir Skinner coloca um “mal-entendido”: a noção de que asmáquinas de ensinar são simples artefatos que mecanizam funções que eramdesempenhadas por professores humanos: Há muito mal-entendido sobre máquinas de ensinar. Acredita-se muitas vezes que são simples artefatos que mecanizam funções outrora desempenhadas por professores humanos. Skinner (1968/1975,p.58) Esta mesma leitura que Skinner faz das máquinas de ensinar podem sertranspostas para discussões atuais sobre o papel do professor frente a softwares deensino. Frequentemente tem se feito críticas a uma possível tentativa da substituição dos“professores” por sistemas informatizados de ensino, ou por softwares. Entretanto domesmo modo que as máquinas de ensinar propostas por Skinner podiam deixar oprofessor livre para tarefas mais importantes (como por exemplo, preparar o material, 25
  25. 25. ou ter mais tempo para acompanhar os estudantes individualmente), os atuais softwaresde ensino podem libertar o papel deste papel. No trecho abaixo Skinner fala da melhoraque os recursos instrumentais podem trazer nas relações que ele chama de“insubstituíveis” entre professores e alunos: Naturalmente, a professora tem uma tarefa mais importante do que dizer certo ou errado. As modificações propostas devem libertá-la para o exercício cabal daquela tarefa. Ficar corrigindo exercícios ou problemas de aritmética – “Certo, nove e seis são quinze; não, não, nove e sete não são dezoito” – está abaixo da dignidade de qualquer pessoa inteligente. Há trabalho mais importante a ser feito, no qual as relações da professora com o aluno não podem ser duplicadas por um aparelho mecânico. Os recursos instrumentais só virão a melhorar estas relações insubstituíveis. Skinner (1968/1975, p. 25). Nos dias de hoje, pelas escolas do Brasil não é incomum encontrar nas salas deaulas alunos que denominem as ferramentas computacionais melhor que o professor. Amá formação dos professores e o despreparo para lidar com as novas ferramentaseducacionais é um problema que tem se debatido ao longo de muitos anos. No trechoabaixo Skinner não trata exatamente deste assunto, mas nele o autor apresenta um dosmotivos para o ensino não progredir. Afirma que os professores iniciantes não recebempreparação profissional e quase sempre começam ensinando como foram ensinados: O professor principiante não recebe preparação profissional. Geralmente começa ensinando simplesmente como foi ensinado e, se melhora, é apenas graças à sua própria e desamparada experiência. Skinner (1968/1975, p. 90). Se os professores forem libertos de tarefas mecânicas como a de reforçar ocomportamento terão mais tempo livre para personalizar o ensino, deixando-o maisindividualizado, outra característica que Skinner defende como fundamental para umprograma de ensino de sucesso. Quanto maior a escola ou a classe, pior a escola ou o professor Skinner (1968/1975, p. 118)Ensinar: como fazer? O que os softwares de ensino atuais podem fazer paraensinar 26
  26. 26. Como o próprio Skinner “criou” um instrumento próprio destinado ao ensinobaseado na análise do comportamento, as máquinas de ensinar, muitas dascaracterísticas deste artefato podem ser consideradas como base para pensar odesenvolvimento de tecnologia voltada para o ensino. Foi este o enfoque com que foramabordadas tais “máquinas” no presente trabalho. Porém, dado o contexto em que estasmáquinas surgiram, estas possuíam algumas limitações, principalmente por seremartefatos mecânicos. A dimensão do virtual e as novas possibilidades de interação entreos homens e as máquinas transformam os softwares de ensino em promissores recursosque talvez pudessem ser adjetivados como “novas máquinas de ensinar”. Existem hoje disponíveis no mercado muitos recursos computacionaisdestinados ao ensino. A maior parte deles talvez, pudesse ser melhor aproveitado, sealém de toda a tecnologia instrumental empregada, estes fossem cuidadosamentepreparados para o ensino. Não é incomum encontrar softwares educativos altamentetecnológicos (em se tratando de hardware ou software), mas com uma qualidadepedagógica muito baixa. O inverso também ocorre; por vezes professores ou pedagogosse arriscam a produzir, eles próprios, ferramentas educacionais computadorizadas comum rico valor pedagógico, mas com um aparato tecnológico deficiente. Apoiar odesenvolvimento de softwares educativos em uma sólida tecnologia do ensinodesenvolvida por Skinner a partir da prática experimental (como o mesmo tentou fazercom suas famosas máquinas de ensino), muito provavelmente contribuirá para ummelhor aproveitamento destes recursos computacionais tão sofisticados. As análises quese seguem são uma tentativa de pensar esta possibilidade. A partir da perspectiva de Skinner, um primeiro passo antes de se ensinar é terum objetivo claro e definido do que se quer ensinar. O professor ou quem ensina, devesaber claramente o que quer ensinar. Neste ponto não há diferenças se o comportamentoque se deseja ensinar é um comportamento mecânico ou um comportamento verbal. O primeiro passo ao planejar a instrução é definir o comportamento terminal. Skinner (1968/1975, p.189 ) Aquele que ensina deve ter de forma clara o comportamento que o organismoprecisará passar a “realizar” caso a aprendizagem ocorra. No caso dos softwares, oprogramador do ensino deve saber aonde quer chegar. Por exemplo, se o objetivo é 27
  27. 27. fazer com que uma criança aprenda a ler a palavra “bola”. Este objetivo deve estar clarodesde o princípio para o programador. Esta prática torna a qualidade de intervençãomensurável, pois ao final do programa o programador será capaz de dizer se o softwarefoi eficaz na tarefa de ensinar, se este atingiu seus objetivos, neste caso dizer “Bola”(comportamento previamente definido). Além disso, tal prática ainda ajuda em umaoutra etapa do planejamento do ensino, observada nos textos de Skinner, que é dirigi-loa objetivos. O ensino na perspectiva de Skinner aparece antes de tudo, como dirigido aobjetivos. A respeito destas características, os seguintes trechos são bastante claros: Esperar simplesmente que o comportamento ocorra, para depois ser reforçado, é ineficiente Skinner (1968/1975, p.196) Em resumo, muito da delicada arte de ver e ouvir não pode ser ensinada com só reforçar o aluno quando responde de maneira a mostrar que previamente viu ou ouviu cuidadosamente. É necessário instruir diretamente. Skinner (1968/1975, p.116) Saber o que se quer que o organismo faça ao final de uma intervenção é umpasso, caminhar em direção ao objetivo é outro. No mesmo exemplo, se quisermos queuma criança leia bola, podemos planejar os passos para que ela atinja este objetivo. Esteaspecto aparece de forma bastante recorrente nos textos skinnerianos analisados. ParaSkinner o comportamento humano é complexo demais para ser deixado ao que elechama de “experiência casual”. Alguns comportamentos, se não programados, poderiamnão acontecer, ou demorar mais para ocorrer: O comportamento humano é complexo demais para ser deixado à experiência casual, ou mesmo organizada no ambiente restrito da sala de aula. Os professores necessitam de auxílio. Em particular, necessitam da espécie de auxílio oferecida por uma análise científica do comportamento. Skinner (1968/1975, p.91) Um exemplo bastante simples de comportamento preliminar que ilustra a diferença entre deixar o estudante descobrir as técnicas por si só e formá-lo para um autogoverno é a atenção. Se tivéssemos que responder com a mesma rapidez e energia a todos os aspectos do mundo à nossa volta, ficaríamos irremediavelmente confusos. Skinner (1968/1975, p.114 ) 28
  28. 28. Muito provavelmente por sua noção de um ensino “arranjado” e com conteúdos“claramente definidos”, o autor sofreu inúmeras críticas ao longo de sua produção,advindas principalmente dos campos das ciências cognitivas que consideram acriatividade como algo espontâneo. Em muito do material analisado aparecem certostrechos em que Skinner defende que o estudante seja criativo (ainda que o autor entendacriatividade de forma diferente dos autores tradicionais). É claro que é importante estimular o estudante a ter uma curiosidade natural. Skinner (1978, p.158) Claro que é importante que o aluno seja criativo e tenha imaginação. Skinner (1978, p.25) Os trechos acima foram extraídos do livro Reflexions on behaviorism andsociety, mas no livro Tecnologia do ensino, Skinner dedica um capítulo inteiro paratratar da temática ‘criatividade’. No capítulo “o estudante criativo” o autor sistematizasua posição sobre a temática, onde mais vez se opõe às noções “mentalistas” decausalidade de comportamento humano. Para o autor em última instância, são asconsequências que determinam o comportamento (como será visto em muitos pontosdeste trabalho). Neste sentido o ambiente aparece como determinante fundamental nocomportamento dos organismos, excluindo-se assim as possibilidades de uma “mente”criativa ou inventiva. Após ter um objetivo claro e bem definido, e pautando suas ações no sentidodeste objetivo , aquele que ensina, deve, a seguir, arranjar as condições para que estecomportamento aconteça. Ensinar, de acordo com a visão de Skinner envolve o fazer aparecer ocomportamento a ser ensinado. Esta concepção de Skinner pode ser justificada nas próprias análises anterioressobre a sua noção de causalidade ensino e aprendizagem. Um software rotulado comode ensino, deve ser capaz de fazer surgir comportamentos os quais se quer ensinar, e osrecursos computacionais disponíveis hoje são muito promissores neste sentido. Graças 29
  29. 29. aos recursos principalmente de realidade aumentada, os softwares de ensino podemfazer surgir e modelar até mesmo comportamentos mecânicos, através de interfacescomo detectores de presença e movimento. Outro exemplo desta sofisticação dos programas atuais são alguns dos modelosde softwares inteligentes recentes de ensino de línguas. Estes softwares são capazes desolicitar que o aluno repita após ouvir uma primeira vez uma determinada sentença emoutro idioma. Após o aluno repetir o que ouviu, o software, a partir de um sistema dereconhecimento de voz faz uma análise comparativa entre a fala do aluno e a pronúnciacorreta da palavra. Deste modo consegue apontar para o aluno em qual sílaba ele devemelhorar. Alguns deles não fazem isso dizendo diretamente para o aluno qual palavraele deve melhorar. Eles simplesmente apresentam palavras de pronúncia próxima ouparecida Alguns deles reforçam a resposta de pronunciar corretamente a palavra comcertas consequências arbitrárias como pontos (a importância que Skinner atribui aoreforçamento será discutida a seguir). Fazer surgir o comportamento a ser ensinado é um passo importante, mas nãoúnico. O comportamento na perspectiva de Skinner é mantido por suas consequências,portanto um software de ensino deveria ser capaz de fornecer as consequênciasnecessárias para modelagem e manutenção do comportamento a ser ensinado. Estacaracterística é discutida nos parágrafos que se seguem. Em geral tende-se a creditar o sucesso e a eficácia no processo de ensino àscaracterísticas ditas “lúdicas” ou “divertidas” de determinados instrumentos de ensino.Nos tempos atuais o mesmo ocorre como softwares ditos educativos. Ainda parecehaver uma tendência por parte de educadores que defendem o uso de softwares e jogoseducativos nas salas de aula a defenderem este uso. Dizer que “aprender” usando um jogo de computador é mais eficaz, porque émais “divertido” muitas vezes pode não justificar corretamente o seu uso. Em geral, osaspectos que têm se chamado de “lúdicos” ou “divertidos” nos softwares educativosdizem respeito a reforçadores positivos, isto é eventos que aumentam a probabilidade deo aluno continuar utilizando-o. Como já relatado, o comportamento humano é função desuas consequências e por este motivo os reforçadores são muito importantes. 30
  30. 30. O uso de jogos educativos nas salas de aula pode ser corretamente ecientificamente justificado se tiverem características que os tornem reforçadorespositivos. A utilização de reforços positivos imediatos no ensino foi por diversas vezesdefendida por Skinner. Os trechos seguintes são exemplos da concepção do autor sobrea importância do papel das consequências na manutenção do comportamento que sequer ensinar: Uma máquina de ensinar é simplesmente qualquer artefato que disponha contingências de reforço. Skinner (1968/1975, p.63) A instrução programada é, antes de tudo, um esquema para fazer bom uso dos reforçadores disponíveis, não só na modelagem de novos comportamentos como na manutenção do comportamento corrente devidamente fortalecido. Skinner (1968/1975, p.148) Quando um programa não é reforçador, o aluno simplesmente para de responder. Skinner (1968/1975, p.149) A importância atribuída às consequências na modelagem e manutenção de umdeterminado comportamento é um dos aspectos mais recorrentes da teoria skinneriana.Bem como Skinner, centenas de outros estudiosos do campo da pesquisa experimental edo campo da pesquisa aplicada, a partir de estudos empíricos comprovaram que napresença de determinados estímulos antecedentes, se consequenciadas comdeterminados estímulos ditos reforçadores, certas respostas (ou comportamentos) têmsua frequência aumentada. Um problema muito frequente, porém, surge deste fato: umamá compreensão do que comumente se tem chamado de reforçador. Em um estudoempírico realizado com 25 livros de psicologia Gioia (2001) encontrou que a relaçãoresposta-reforço foi a mais tratada em textos e capítulos sobre o behaviorismo em livrosde psicologia geral. De acordo com a autora, foram encontradas 43 descrições das quais 28 eramimprecisas e 15 precisas. Duas foram as características que a autora definiu para tratar adescrição como imprecisa: a primeira delas é incompletude, e a segunda, a atribuição deadjetivos quando o termo reforço foi mencionado. A autora defende que: o problema identificado em descrições que mencionam apenas um dos termos da relação resposta-reforço é caracterizar condicionamento operante sem considerar a relação resposta-consequência. O conceito central da análise do comportamento permite destacar o objeto de estudo – o comportamento – como o produto da interação do homem com seu ambiente. (Gioia 2001, p.78) 31
  31. 31. A noção de estímulo reforçador ainda é equivocadamente utilizada para referir-se a coisas em si. Cabe ressaltar que a única definição de estímulo reforçador é que elereforça, e que este só pode ser observado na sua relação com a resposta(comportamento). Nos dias de hoje, é comum durante a preparação de material deensino (inclusive em softwares e jogos educativos) incluir sistemas de pontos,bonificações, teoricamente pensando nos pressupostos da análise do comportamento.Todavia esta inclusão não é simples, pois o que Skinner chama de reforçador não é umconceito simples e nem fácil de ser aplicado na prática. Como o psicoterapeuta, também o professor geralmente trabalha com variáveis fracas. Mas não são os reforçadores que contam, mas sim a relação em que são postos com o comportamento. Skinner (1965/1975, p. 147) O aluno que sabe estudar sabe como ampliar as consequências imediatas para que se provem reforçadoras. Não apenas sabe, sabe que é reforçado de acordo. Skinner (1965/1975, p. 147) A característica “reforçadora” de um estímulo só é evidenciada ao tomarmoscomo medida o aumento da probabilidade de uma determinada resposta ocorrer, istoquer dizer que nada pode ser definido como um reforçador a priori. Utilizar sistemas denotas, pontos, prêmios ou quaisquer outros artifícios na tentativa de se melhorar oensino de um determinado comportamento, boa parte das vezes é uma alternativa válida,mas apenas se tais estímulos forem reforçadores. Um determinado estímulo ou eventoque é reforçador para um organismo ou pessoa pode não ser para outro. Por tudo isso,ao pensarmos a utilização de reforçadores positivos programados nos softwares deensino, chegamos a outro importante aspecto da teoria skinneriana de aprendizagem: anoção de um ensino individualizado, que é discutida no tópico seguinte. Ao dizermos que para o ensino se torne mais efetivo, ele deve conterprincipalmente estímulos reforçadores positivos, devemos tomar outro cuidado. Algunsreforçadores positivos podem frequentemente produzir respostas de atenção dos alunos,mas isto não significa que estes estão sendo eficazmente ensinados. No trecho abaixo,Skinner atenta para o fato de que existem situações em que o professor pode usar maisartifícios para manter atenção do aluno do que para clarificar os princípios utilizados.Uma análise mais ampla talvez possa sugerir que nesta situação a atenção dos alunos, e 32
  32. 32. não o “aprender” é quem está controlando o ensinar do professor. Em softwares deensino este cuidado deve ser igualmente tomado: Os exemplos que dão são escolhidos mais para manter o interesse do aluno do que para clarificar os princípios ensinados. Ao preparar o material para máquina de ensinar o programador deve ir direto ao ponto Skinner (1968/1975, p. 47) O feedback imediato (o reforço contíguo à resposta/ao comportamento) é um dosfatores mais importantes na modelagem e manutenção do comportamento; as máquinasde ensino propostas por Skinner tinham como um dos principais objetivos explorar estapossibilidade. As máquinas de ensino foram planejadas para tirar vantagem do poder reforçador das contingências imediatas. Skinner (1968/1975, p. 125) Quanto mais próximas temporalmente dos comportamentos forem asconsequências, mais efetivas elas serão. As máquinas de ensino para Skinner erampoderosas porque podiam fornecer consequências imediatas. Estas características dasmáquinas de ensinar poderiam libertar o professor da mecânica tarefa de reforçar ocomportamento dos alunos. Softwares de ensino, bem como as máquinas de ensino,também podem ser utilizados para fornecer feedbacks imediatos ao comportamento. Fornecer Feedbacks (consequências reforçadoras) imediatos na modelagem docomportamento é uma atividade importante, mas não simples. Uma vez que estímulosreforçadores são definidos por sua relação com o próprio comportamento, paradiferentes indivíduos um determinado evento pode ou não ser reforçador positivo. Uma das características frequentes na proposta skinneriana de ensino dizrespeito à importância que o autor atribuiu a um método de instrução individualizado ou“personalizado”. Esta preocupação aparece tanto de forma explícita como de formaimplícita. A admissão da variabilidade e de sua importância para a emergência do novoconduz à defesa de um trabalho individualizado, de um ensino que respeite o ritmo doaluno. A desconsideração das diferenças entre os alunos é talvez a maior fonte individual de ineficiência na educação. Apesar das 33
  33. 33. experiências heroicas com sistemas pluricurriculares e de promoção automática, a prática-padrão típica é a de mover grandes grupos de estudantes com o mesmo ritmo, cobrindo os mesmos assuntos e exigindo os mesmos níveis para a promoção de uma série a outra. Adota-se o ritmo apropriado para o aluno médio ou medíocre. Skinner (1968/1975, p. 231) A noção de ensino individualizado aparece também implícita quando o autorfala, por exemplo, da “relatividade” dos estímulos reforçadores. Ou seja, estes estímulossó podem ser definidos como tais, na sua relação com a frequência da resposta. Logo,para cada aluno de uma determinada sala de aula, um estímulo pode ou não serreforçador, em maior ou menor grau. O mesmo ocorre com os estímulos presentes emsoftwares de ensino; pontos, por exemplo, em um determinado jogo, podem ou não serreforçadores para um indivíduo dependendo de sua história de reforçamento diferencial. Um segundo tipo de Feedback, observado por Skinner nas máquinas de ensinar epassíveis de serem replicados em softwares de ensino são os feedbacks para oprogramador. Uma vantagem inesperada da instrução pela máquina foi comprovada pelo feedback para o programador. Skinner (1968/1975, p. 48) Neste trecho Skinner aborda uma vantagem que não foi inicialmente planejadapara suas máquinas de ensinar: o “Feedback” para o programador. O que o autor chamade feedback para o programador seria um retorno de quais instruções mais comumenteproduziram respostas erradas. No caso das antigas máquinas de ensinar os dados com asrespostas dos alunos ficavam armazenados em fitas que posteriormente poderiam seranalisados. Esta vantagem apresentada pelo autor em defesa das máquinas de ensinarem relação aos materiais convencionais da sua época pode ser muito melhor aproveitadanos atuais modelos de softwares de ensino dado os avanços das tecnologias dainformação e computação. Os computadores hoje estão mais sensíveis à interação com os humanos. Há umaampliação na capacidade de armazenar e processar dados, propiciada pelos avanços na 34
  34. 34. indústria de hardware bem como pelos avanços nos campos de estudos dodesenvolvimento de softwares, que hoje podem produzir algoritmos inteligentessensíveis à interação com ambientes. Estes mesmos softwares hoje podem “aprender” àmedida que ensinam. Quanto mais dados softwares têm a respeito do usuário que estáinteragindo com ele, melhores e mais precisos serão os feedbacks a este mesmo usuário,ou outros (se houver padrões de erros, por exemplo). A partir da experiência o softwarepode ser melhorado, e o próprio Skinner apontava esta vantagem em suas máquinas deensinar. O autor ainda enfatiza que a partir da experiência a instrução pode sermelhorada quando afirma: Uma ou duas revisões, à luz de meia dúzia de respostas, resultam num grande melhoramento Skinner (1968/ 1975, p. 48) Esta vantagem apresentada pelo autor em defesa das máquinas de ensinar podeser observada – e talvez possa ser uma grande vantagens dos atuais modelos desoftwares educativos em relação às máquinas de ensinar. Em relação à preparação do material, diferente das concepções mais tradicionaisde divisão de material, em que o material é dividido do mais fácil para o mais difícil,para Skinner o conteúdo a ser ensinado deveria ser dividido em pequenas partes, domais simples para o mais complexo. A diferença prática neste modelo, é que no modelode Skinner, ao se dividir o material desta forma, a cada parte nova que o alunocompletasse, se a anterior fosse totalmente aprendida, todos as partes teriamdificuldades iguais (todas deveriam ser tão fáceis quanto a primeira): Muitas vezes, tenta-se programar o comportamento levando-se em conta a sua dificuldade. Programa-se, em ordem de dificuldade crescente, o material que deve ser aprendido, os problemas a serem resolvidos ou os textos que devem ser lidos. Este procedimento pode ser adequado nos casos em que o reforço depende da produção, à qual o termo dificuldade se refere; porém as sequências destinadas a ensinar comportamentos preliminares diretamente farão menor uso do princípio da dificuldade crescente. À primeira vista, todo programa está em ordem de dificuldade crescente: os primeiros quadros são sempre fáceis e os últimos inatingíveis; mas é preciso lembrar que o último quadro, no momento em que for atingido, poderá ser tão fácil quanto o primeiro Skinner (1968/1975, p. 211) 35
  35. 35. Além de falar diretamente do como ensinar, o autor em muito do materialanalisado também faz algumas críticas a certos modelos de ensino, como o modelo“aversivo” ou “punitivo”. Skinner apresenta ao longo de muitas partes da sua obraextensas objeções ao uso de controle aversivo no ensino. O trecho a seguir é umexemplo desta objeção. Nele Skinner é enfático quanto à questão de contingênciasaversivas naturais deverem ser superadas: As contingências aversivas naturais não são um modelo a ser copiado, mas um padrão a ser superado. Skinner (1968/1975, p. 97) Mais do que uma questão moral, o autor sistematiza cientificamente as inúmerasdesvantagens deste tipo de prática no processo de ensinar. No trecho a seguir o autorfala mais uma vez da importância das consequências na manutenção de um determinadocomportamento, afirmando que para os professores disporem de boas contingênciaseducacionais, estes necessitam de consequências à mão. Atribui a isto o fato de osprofessores comumente utilizarem os reforçadores negativos. Para poder dispor de boas contingências educacionais, o professor precisa de consequências à mão. Os reforçadores negativos foram provavelmente os primeiros a serem usados e são ainda certamente os mais comuns Skinner (1968/1975, p. 140) Como já visto, para o autor os comportamentos estão sempre em função deconsequências. Portanto, mesmo os comportamentos que são punidos, sãocomportamentos que se estabeleceram em função de certas consequências. Para Skinnerestas consequências são quase sempre positivamente reforçadoras, por este motivo, dadaa intermitência que pode ocorrer, entre ser reforçado ou ser punido, um comportamentopode ficar ainda mais resistente à supressão. Em outras palavras punir umcomportamento na tentativa de modificá-lo ou suprimi-lo, na concepção de Skinner nãoé uma boa estratégia porque em paralelo a isto o comportamento em questão pode estarsendo positivamente reforçado de forma intermitente o que consequentemente o tornarámuito mais resistente à supressão: O comportamento punido tem quase sempre consequências muito positivamente reforçadoras, e quando estas são intermitentemente livres de acompanhamentos aversivos, o comportamento pode tornar-se muito resistente à supressão. Skinner (1968/1975, p. 1978) . 36
  36. 36. Outra alternativa para o uso de castigos é fortalecer comportamentos que sejam incompatíveis com os que se deseja suprimir Skinner (1968/1975, p. 180) Como uma estratégia alternativa aos modelos punitivos, Skinner sugere quesejam reforçados comportamentos incompatíveis com o que se está tentando suprimir,ou seja, comportamento que não podem ser emitidos temporalmente juntamente com oscomportamentos que se está tentando extinguir (como o evidenciado no segundo trechoacima).4.0 Considerações Finais Uma preocupação apresentada por Skinner há mais de 40 anos, pode serrepensada hoje no contexto das novas possibilidades de interação humanas. Estapreocupação diz respeito a uma utilização mais produtiva dos instrumentaistecnológicos (e neste caso computacionais) em favor do ensino e da educação. Outradiscussão amplamente realizada por Skinner e ainda bastante presente nos contextosatuais educacionais, diz respeito à própria superação do modelo tradicional de ensino. Quando falamos em um ensino que aproveite os recursos das tecnologias daeducação, parece haver uma tendência em se tentar transpor o modelo presencial deensino (em todos os seus aspectos) para o computador. Como se o modelo tradicional eatual fosse perfeito e por este motivo precisasse ser copiado. O presente trabalhodefende (a partir do material analisado) que uma tecnologia efetiva de ensino talvezpudesse traçar um caminho diferente em que, ao invés de se tentar reproduzir osmodelos da sala de aula para o espaço dentro do computador, se busque explorar outraspossibilidades destas tecnologias. A proposta da aplicação prática dos princípios da ciência do comportamento e dametodologia de ensino desenvolvida por B.F Skinner às novas tecnologiascomputacionais educacionais aparece como uma possibilidade bastante promissora noque diz respeito à produção de ambientes virtuais efetivos de ensino. Ainda que Skinnertenha falecido pouco antes das tecnologias computacionais e de E-learning e EAD 37
  37. 37. terem se popularizado, as críticas que o autor fez aos modelos tecnológicos eaudiovisuais de sua época (tv, gravadores, fita k7 etc.), ajudam na compreensão dosnovos modelos de ensino mediados pelos computadores modernos. Softwares educativos, se sistematicamente planejados para o ensino, podemefetivamente ensinar. Uma tecnologia do comportamento para o ensino nós já temos,instrumentos adequados e efetivos também. O grande desafio é transformar tudo issoem práticas que visem ao desenvolvimento da educação. O trabalho a fazer é simples. A tarefa pode ser posta em termos concretos. As técnicas necessárias são conhecidas. O equipamento pode ser facilmente providenciado. Não há nada a vencer senão a inércia cultural. Mas não será a disposição de não aceitar a tradição como algo inevitável a mais marcante característica do temperamento moderno? Skinner (1968/ 1975, p. 26) A formulação de questões de ensino, como relata o próprio o Skinner(1968/1975) “está longe de ser simples” (p..213). Ainda hoje, a análise docomportamento é vista por alguns teóricos e pesquisadores como simplista. Respondendo as este tipo de crítica leiga o próprio Skinner (1968/1975) colocaque “Os verdadeiros simplistas são os que evitam uma análise das contingências dereforço e, em vez disso, explicam os seus efeitos em termos de processos mentais”(p.P213). A afirmação de Skinner reflete um aspecto que é reproduzido em diversosmomentos de sua produção científica: a ideia de que o comportamento humano éespecialmente complexo. Entender os processos comportamentais envolvidos no nossopróprio comportamento é uma tarefa extremamente difícil, e aplicar este conhecimentoàs questões de ensino também. A maior dificuldade em se arranjar o ensino, então, estána sua complexidade. Porém os avanços conseguidos pela prática da pesquisa científicatêm ajudado a superar esta dificuldade. Muito do material produzido pela pesquisa experimental da Análise docomportamento pode ser explorado. Neste trabalho, apenas parte do material produzidopor um único autor foi analisada e mesmo assim, verificou-se uma vasta contribuição nopensar a produção de softwares efetivos de ensino. Outros autores, ou mesmo outraspublicações do mesmo autor poderiam fornecer subsídios para se pensar ainda maiscontribuições da Análise do Comportamento para o desenvolvimento de softwaresefetivos de ensino no contexto das novas possibilidades de interação. 38
  38. 38. Objetivamente falando, verificou-se que softwares de ensino, como instrumentosde ensino, devem ter objetivos claros e definidos do que se deseja ensinar. O trabalho dedesenvolvimento deve seguir no sentido da produção deste comportamento que sedeseja construir, ou seja, deve ser sempre orientado a um objetivo (pré-estabelecido). Osoftware deve fazer o comportamento a ser ensinado aparecer (seja ele verbal ou não).Após o aparecimento este comportamento deve ser reforçado e mantido porconsequências reforçadoras positivas. A possibilidade da construção de um ensinoindividualizado e personalizado é um dos pontos fortes dos softwares de ensino frente aoutras tecnologias educacionais. Softwares de ensino podem ser mais efetivos se a divisão do material a serensinado for feita em pequenas partes da mais simples para a mais a complexa, exigindomaestria para o avanço no conteúdo. Desta forma todo o conteúdo a ser ensinado setornará igualmente “fácil”. Os feedbacks que os softwares podem fornecer são de doistipos: o primeiro é a consequência imediata para o aluno; o segundo é o retorno que oprogramador do ensino terá do próprio material, graças ao registro que será gerado apartir da própria experiência de interação entre o indivíduo e a máquina. Além desta contribuição verificou-se nos textos do autor outros dois aspectosque se repetiram com muita frequência. O primeiro é a oposição aos modeloscognitivos de ensino, oposição justificada pela noção de causalidade do autor, segundo aqual as consequências produzem o comportamento e não o inverso. O segundo é a fortecrítica que o autor faz aos modelos coercitivos de ensino, crítica sustentada por umaanálise experimental do comportamento, e não simplesmente por questões de cunhomoral e ético (ainda que o autor também demonstrasse muita preocupação com estasquestões). Cada uma das contribuições encontradas neste trabalho, isoladamente, poderiamser facilmente tema de grandes pesquisas que visassem a aplicação direta em softwaresde ensino no contexto das novas possibilidades de interação. Talvez a própria psicologiapudesse contribuir mais para o desenvolvimento social se começasse a se expandir maispara fora dos contextos tradicionais nos quais ela se desenvolveu. Pensar o humanofrente às novas possibilidades tecnológicas de interação seria um bom sinal destaexpansão. De qualquer forma, isto já têm sido feito, ainda que na maioria das vezes porautores que fazem o caminho inverso, partem das pesquisas sobre instrumentos 39
  39. 39. tecnológicos, e acabam chegando em questões humanas tradicionais da psicologia. Ogrande desafio colocado hoje talvez seja transformar todo material produzido pelosestudiosos do campo da psicologia em práticas que possam melhorar a vida das pessoas.5.0 ReferênciasABREU, M.A.F.G Análise de recursos computacionais aplicados a pesquisa e ensinode leitura no Brasil – Tese de Doutorado, 2001 40
  40. 40. ANDREWS, D. H., & Goodson, L. A. A comparative analysis of models ofinstructional design Journal of Instructional Development, v.3, n.4-, p.2-16. 1980.CAMPOS, Gilda H. Bernardino de E. ;ROCHA, Ana Regina C. da. Manual deAvaliação de Software Educacional. Relatório Técnico do programa de Engenharia deSistemas. Es-232/91. COPPE/UFRJ. Janeiro/1991.CARRARA, Késter. Acesso a Skinner pela sua própria obra: publicações de 1930 a1990. Didática, São Paulo, v.28, p. 195-212, 2000.Décima terceira pesquisa anual do uso de Tecnologias da Informação da FGV .Disponível em: http://eaesp.fgvsp.br/sites/eaesp.fgvsp.br/files/GVpesqTI2012PPT.pdfAcesso em 4 de Junho.de 2012>DEITEL, M.D- DEITEL, P.J.(2001) Java como programar. São Paulo: PearsonEducation., 2012.DOMINGUES, D.G O uso de de Metáforas na computação – Dissertação deMestrado – USP - 2001HAYDU, Verônica Bender. Realidade virtual: aplicações educacionais e terapêuticas.Disponível em:http://www.uel.br/pessoal/haydu/textos/realidade_virtual_aplicacoes_educacionais_e_terapeuticas.pdf . Acesso em 16 de Maio de 2012KELLER, F. S. & SCHOENFELD, W. N. (1950). Princípios de Psicologia. 3ª Reimpr.São Paulo: Herder, 1971.SELIGMAN E.P (1977) Desamparo sobre depressão, desenvolvimento e morte. SãoPaulo, SP: Hucitec/EDUSP., 1977.SIDMAN, M. (1989) Coerção e suas Implicações. São Paulo: Livro Pleno, 2009.SKINNER, B. F (1978). Reflections on behaviorism and society. Nova Jersey:Prentice-Hall, Inc., 1978.SKINNER, B. F (1989). Questões recentes na análise comportamental. Campinas,S.P.: Papirus, 2005.SKINNER, B. F. (1968). Tecnologia do ensino. São Paulo: E.P.U., 1975.SKINNER, B.F (1953). Ciência e Comportamento Humano. São Paulo: Martins Fontes,2000. 41
  41. 41. 6.0 Anexos: Anexo 1: Tabela de Trechos Extraídos do Material Analisado Publicação Local da Trecho Palavras-chave Ano¹ Trecho Publicação nºA Etimologia do Tecnologia do 1 Ensino, Aprendizagem, 1968 “Entregue a si mesmo, em dado ambiente, um estudante Ensinar ensino (Livro) Ensinar, Aprender aprenderá, mas nem por isso terá sido ensinado. A escola da vida não é bem uma escola, não porque ninguém nela aprende, mas porque ninguém ensina.” p.4A Etimologia do Tecnologia do 2 Ensino, Aprendizagem, 1968 “Ensinar é o ato de facilitar a aprendizagem; Ensinar ensino (Livro) Ensinar, Aprender quem é ensinado aprende mais rapidamente do que quem não é. O ensino é, naturalmente, muito importante, porque, do contrário, o comportamento não apareceria. (Tudo o que hoje se ensina deve ter sido aprendido, pelo menos uma vez, por alguém que não foi ensinado, mas graças à educação já não é preciso esperar por estes eventos raros).” p.4 Por que os Tecnologia do 3 Aprendizagem, Ensinar, 1968 "O organismo humano, com efeito, aprende sem ser professores ensino (Livro) Aprender, Estudantes, ensinado. É uma boa coisa que isto aconteça, e seria Fracassam reforçadores, reforçador, ainda melhor se mais coisas pudessem ser aprendidas 42
  42. 42. consequências, aversivo desta maneira. Os estudantes estão naturalmente interessados no que podem aprender por si próprios, pois, do contrário, não aprenderiam e, pela mesma razão, lembram-se com maior probabilidade do que aprenderam assim. Há elementos reforçadores na surpresa e no sucesso de uma descoberta pessoal que são alternativas bem recebidas das tradicionais consequências aversivas." p.105A Etimologia do Tecnologia do 4 Contingências de reforço, “Três são as variáveis que compõem as chamadas Ensinar ensino (Livro) Tríplice contingência, 1968 contingências de reforço sob as quais há Aprendizagem. aprendizagem: (1) a ocasião em que o comportamento ocorre, (2) o próprio comportamento e (3) as consequências do comportamento.” p.4 A ciência da Tecnologia do 5 Professor, Ensinar, 1968 “Naturalmente, a professora tem uma tarefa maisaprendizagem e a ensino (Livro) Instrumentos de ensino importante do que dizer certo ou errado. As arte de ensinar modificações propostas devem libertá-la para o exercício cabal daquela tarefa. Ficar corrigindo exercícios ou problemas de aritmética – “Certo, nove e seis são quinze; não, não, nove e sete não são dezoito” – está abaixo da dignidade de qualquer 43
  43. 43. pessoa inteligente. Há trabalho mais importante a ser feito, no qual as relações da professora com o aluno não podem ser duplicadas por um aparelho mecânico. Os recursos instrumentais só virão a melhorar estas relações insubstituíveis.” p. 25 A ciência da Tecnologia do 6 Ensinar, Professora, 1968 “Se os progressos conseguidos recentemente noaprendizagem e a ensino (Livro) Instrumentos de ensino controle do comportamento podem dar à criança uma arte de ensinar genuína competência na leitura, na escrita, na ortografia, e na aritmética, então a professora já pode começar a funcionar, não no lugar de uma máquina barata, mas através dos contatos intelectuais, culturais e emocionais daquele tipo todo especial que testemunham a sua natureza de ser humano”. p. 25 A ciência da Tecnologia do 7 Cultura, Educação 1968 “O trabalho a fazer é simples. A tarefa pode ser posta em termosaprendizagem e a ensino (Livro) concretos. As técnicas necessárias são conhecidas. O equipamento arte de ensinar pode ser facilmente providenciado. Não há nada a vencer senão a inércia cultural. Mas não será a disposição de não aceitar a tradição como algo inevitável a mais marcante característica do temperamento moderno?” p. 26 44
  44. 44. Máquinas de Tecnologia do 8 Material instrucional, 1968 “Os recursos áudio-visuais suplementam e podem Ensinar ensino (Livro) Professor mesmo suplantar aulas, demonstrações e livros didáticos. Ao fazê-lo suprem uma função do professor: apresentar as matérias ao estudante e, quando o fazem bem, tornam-nas tão claras e interessantes que o estudante aprende. Há, entretanto, uma outra função para a qual contribuem pouco ou nada. É a função que pode ser melhor observada no intercâmbio produtivo entre professor e aluno nas classes pequenas ou nas aulas particulares .Muito deste intercâmbio já foi sacrificado na educação moderna com a aceitação de um grande número de alunos. Existe um real perigo de que fique totalmente negligenciado se o uso de equipamento, destinado a simplesmente apresentar as matérias, se tornar generalizado. O aluno está se tornando cada vez mais um mero receptáculo passivo da instrução.” p. 27Máquinas de Tecnologia do 9 Material Instrucional, 1968 “ Os exemplos que dão são escolhidos mais para manter o interesse Ensinar ensino (Livro) Máquinas de ensino do aluno do que para clarificar os princípios ensinados. Ao preparar 45

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