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Questões sobre a auditoria às contas públicas

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Pena é que haja visões religiosas sobre o tema. E com sistemas de crenças, o diálogo é impossível

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  1. 1. Questões sobre a auditoria às contas públicas (depois da conferênciacom Eric Toussaint)Estive ontem a ouvir atenta e interessadamente o Eric Toussaint e, comoé óbvio, as conclusões que tirei corroboram o que venho dizendo por aí,particularmente em:http://www.slideshare.net/durgarrai/sobre-a-ideia-enganadora-da-auditoria-dvida 1 - Até hoje só se fizeram auditorias depois de mudança do poder e/ouapós forte mobilização popular (Argentina, Paraguai, Equador, Islândia)e, por “acaso” em países com soberania, moeda, política monetária,financeira e orçamental próprias;2 – Em Portugal não houve mudança no poder, não há mobilizaçãopopular para coisa alguma e não é de esperar quqlquer colaboraçãoda nomenklatura para suportar e fornecer dados aos “auditorescidadãos”… para não falar em pagar essa auditoria que não pode serfeita só com base em boas vontades mas, com conhecimentosprofundos nas áreas juridica, das finanças e da contabilidade pública;3 – Como o Toussaint respondeu a uma pergunta minha, onde não hámobilização, apoio ou interesse do poder político só é concebívelproceder às análises possíveis com os dados disponíveis, fazê-lo demodo sistemático e através de grupos vocacionados para o efeito, comdivulgação e mobilização das pessoas para perceberem einteressarem-se sobre as manobras dos gangs no poder;4 – Portanto, como sempre disse, não há condições técnicas para seproceder a uma auditoria5 – Para se proceder a uma necessária auditoria é preciso primeiromobilizar as pessoas com uma proposta forte do género “não pagamosesta dívida”, avançar com os dados disponíveis que levantem o véu dasua ilegitimidade, que evidenciem a corrupção que atravessa ospartidos do poder, para gerar movimento social que pressione epromova a queda deste poder que, sabemos bem quem serve;6 – Sem uma proposta política séria não há onde enquadrar umaauditoria. Descontextualizar politicamente uma auditoria é transformarum instrumento em objectivo. É coisa de principiantes da política comalgum deslumbramento por protagonismos recentes;7 – Lamento o desapontamento de alguns desses principiantes queforam convidar um homem credenciado que afinal, veio colocarclaramente a inviabilidade técnica de uma auditoria às contas públicasno actual contexto político e, sobretudo da luta política em Portugal
  2. 2. Junta-se em anexo ligações para as intervenções de Eric Toussaint eBoaventura Sousa Santos na referida Conferência realizada em Lisboa a30/6/2011http://www.facebook.com/l/JAQCIj7VmAQD9W-exxOHBikl4_PHlg5SZeePJYH3L_kSa9Q/www.youtube.com/watch?v=a4tpcCdlgJUhttp://www.youtube.com/watch?v=5BgzmtvhCE0http://www.youtube.com/watch?v=sShusloJ3i0&feature=channel_video_title

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