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Varal do amor

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  • 1. Literário, sem frescuras! 1664- ISSN 1664-5243Ano 3- Julho- 2012- Edição Especial sobre o Amor 16B 3- Julho- 2012-
  • 2. ® 1664- ISSN 1664-5243 LITERÁRIO, SEM FRESCURAS Genebra, Verão de 2012 Edição Especial Varal do AmorbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhuyuyuytuyhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhjkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrffffffffffffffmanajudyebeneogguaenejuebehadddddddddddddddddddddddddddmnheeƩpamƟngnrihssssssssssssssssssnerrrrrrrrrrrrrrekkkkkkkkkkkkkkkkkkkkbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhuyuyuytuyhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhjkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrffffffffffffffmanajudyebeneogguaenejuebehadddddddddddddddddddddddddddmnheeƩpamƟngnrihssssssssssssssssssnerrrrrrrrrrrrrrekkkkkkkkkkkkkkkkkkkkbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhuyuyuytuyhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhjkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrffffffffffffffmanajudyebeneogguaenejuebehadddddddddddddddddddddddddddmnheeƩpamƟngnrihssssssssssssssssssnerrrrrrrrrrrrrrekkkkkkkkkkkkkkkkkkkkbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhuyuyuytuyhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhjkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrffffffffffffffmanajudyebeneogguaenejuebehadddddddddddddddddddddddddddmnheeƩpamƟngnrihssssssssssssssssssnerrrrrrrrrrrrrrekkkkkkkkkkkkkkkkkkkkbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmhhhhhh
  • 3. Varal do Brasil—julho de 2012 EXPEDIENTERevista Literária VARAL DO BRASIL® 1664-ISSN 1664-5243Edição Especial Varal do AmorJulho de 2012— Genebra - CHCopyright Vários AutoresSite do VARAL: www.varaldobrasil.comBlog do VARAL:www.varaldobrasil.blogspot.comTextos: Vários Autores ETERNO AMORIlustrações: Vários AutoresCapa: © JeaneƩe Dietl - Fotolia comRevisão parcial de cada autor Por Anair WeirichRevisão geral VARAL DO BRASIL AMAR É...Composição e diagramação: TE ENCONTRAR, COMO AGORA!Jacqueline Aisenman SÓ QUE NA VELHICE,Editora-Chefe: Jacqueline Aisenman DE BENGALA, E AINDA ASSIM,A distribuição ecológica, por e-mail, é SENTIR A MESMA EMOÇÃOgratuita. QUE ESTOU SENTINDO NESSA HORA!Se você deseja parƟcipar do VARAL DOBRASIL:varaldobrasil@gmail.com(peça o formulário!) Visite e siga o VARAL no Facebook e no blog! hƩp://www.facebook.com/pages/VARAL-DO- BRASIL/107298649306743 www.varaldobrasi..blogspot.com Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 4
  • 4. Varal do Brasil—julho de 2012Falar de amor é a coisa mais fácil do mundo. Nós poderíamos com certeza fazer aqui umFalar de amor é a coisa mais difícil do mun- especial com mais de duzentas páginas e odo. Depende de quem fale ou escreva, pode assunto não se esgotaria.ser uma das duas opções. Porque o amor O Varal do Amor estende-se hoje e é maisestá em tudo, faz parte de tudo, é tudo. atual do que nunca: falar de amor nunca foiO amor nós temos por nós mesmos e é o mais importante do que agora, nestes tem-que nos faz ter forças para viver e enfrentar pos de pequenas e devastadoras guerras,obstáculos. É o que sentimos por nossos fi- revoltas, descasos com o ser humano, co-lhos, nossos familiares, nossos amigos; o mos animais, o planeta por inteiro.amor é o que sentimos por nossos parceiros Precisamos urgentemente de amor, muitona vida; pelos animais que convivem conos- amor, mais amor.co ou mesmo por toda a natureza e seus ma-ravilhosos reinos. Esta é nossa pequena contribuição. Que ler sobre o amor nos traga alegria e paz!Ama-se o universo e a fé é um ato de amor.Ama-se com devoção, com paixão, com deli-cadeza, com vigor, com suavidade, com Sua equipe do Varalemoção!Convidamos as pessoas para falar de amorporque falar de amor, seja de que jeito for, émuito importante.Seriam os cinquenta primeiros inscritos, mascomo os últimos dois chegaram ao mesmotempo, temos então cinquenta e um escrito-res falando de amor!Neste especial você vai encontrar todos ostipos de amor dos quais falamos acima e ain-da mais. Fizemos uma volta ao mundo doamor.Amor por uma cidade, amor pelo animalcompanheiro que partiu, amor pela pessoaque divide a vida conosco, amor por aquelesque colocamos no mundo, amor pelos ocea-nos, pela mãe terra, pela vida. Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 5
  • 5. Varal do Brasil—julho de 2012 SONETO DO AMOR MAIOR Por Vinícius de Moraes* Maior amor nem mais estranho existe Que o meu, que não sossega a coisa amada E quando a sente alegre, fica triste E se a vê descontente, dá risada. E que só fica em paz se lhe resiste O amado coração, e que se agrada Mais da eterna aventura em que persiste Que de uma vida mal aventurada. Louco amor meu, que quando toca, fere E quando fere vibra, mas prefere Ferir a fenecer - e vive a esmo Fiel à sua lei de cada instante Desassombrado, doido, delirante Numa paixão de tudo e de si mesmo.* Poeta essencialmente lírico, também conhecido como "poetinha", apelido que lhe teriaatribuído Tom Jobim[, notabilizou-se pelos seus sonetos. Conhecido como um boêmio inve-terado, fumante e apreciador do uísque, era também conhecido por ser um grande conquis-tador. O poetinha casou-se por nove vezes ao longo de sua vida . (Wikipédia) Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 6
  • 6. Varal do Brasil—julho de 2012• ALEXANDRA MAGALHÃES ZEINER • JOSSELENE MARQUES• ANA MARIA ROSA • JU PETEK• ANA ROSENROT • LENIVAL NUNES ANDRADE• ANAIR WEIRICH • LUIZ CARLOS AMORIM• ANNA BACK • MARCELO DE OLIVEIRA SOUZA• ANDRÉ VALÉRIO SALES • MARIA EUGENIA• ANDRÉ VICCTOR • MARIA MOREIRA• ARA MITTA • MARINEY K• CARLOS R. PINA DE CARVALHO • MÁRIO REZENDE• CHAJA FREIDA FINKELSTEIN • NORÁLIA DE MELLO CASTRO• CLÉO REIS • ODENIR FERRO• DENISE REIS • RAIMUNDO CANDIDO TEIXEIRA FILHO• DOUGLAS SILVA • RENATA IACOVINO• FLAVIA ASSAIFE • ROBERTO ARMORIZZI• GERMANO DIAS MACHADO • ROSELIS BATISTA R• GILDO P. OLIVEIRA • SANDRA NASCIMENTO• GILMA LIMONGI BATISTA • SARAH VENTUTIM LASSO• GLADYS GIMÉNEZ • SILVIO PARISE• GUACIRA MACIEL • SONIA NOGUEIRA• HERNANDES LEÃO • URDA ALICE KLUEGER• ISABEL CRISTINA SILVA VARGAS • VALQUIRIA GESQUI MALAGOLI• IVANE LAURETE PEROTTI • VALDECK ALMEIDA DE JESUS• JACQUELINE AISENMAN • VARENKA DE FÁTIMA ARAUJO• JOSÉ ALBERTO DE SOUZA • VÓ FIA• JOSÉ CARLOS PAIVA BRUNO • YARA DARIN• JOSÉ HILTON ROSA Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 7
  • 7. Varal do Brasil—julho de 2012NOITE FELIZ...Por André Valério SalesTeus OlhosOh!Teus olhos negrosTernos e puros.Duas grandes pétalasDe alegria.Energia felizEmana de teus olhos.Tua boca miúdaPede carinho,Quentura de um beijo molhado.Calor de corpos ardentes,Paz de florestaAo alvorecer,Paz de luaA brincar de lâmpadaDo céu noturno.Nós, juntosNum mar deSensações e etereidade,PareciaQue o sol não ia levantar-se. Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 8
  • 8. Varal do Brasil—julho de 2012O DESENCARNE DA Aos críticos desavisados Antes que usem da mãoCACHORRA PRISCILA Pra arremate zonzeado Eu digo que os animaisPor Wilton Porto No tocante ao Amor Eles são insuperáveis.Passam os dias Sem falar-se de outros valoresMas o dia não passa. Como o da fidelidade.No repasse de cada diaSente-se que o dia que passou Assim lágrimas sofrimentoPor mais que queira passar Desmedido sentimentoA todo instante repassa Por uma simples cachorra.E no repassar de cada dia É normal justificávelFaz com que nunca ele passe. Para os que vivem do Amor. O Sol brilha para todosSe o dia em que ela passou Para todos a chuva caiPudesse ter só passado Se o amor é parcialEm nós cada passo dado Se facilmente se esvaiNão teria essa máxima dor. Acredite não é Amor É fumaça ao léuNo entanto por mais que o tempo passe Que só o bobo atrai.Por mais que não queiramos repassar opassadoMais presente é o passadoEm cada passo que é dado. Priscila desencarnou em 19/06/2010 às 17h40Se pudéssemos arrancar Viveu nove anos.O passado que mais presenteTalvez a dor que latentePor ela estar ausenteFosse um descontente contentePois dor já ela não sente.Porém a todo momentoPela casa ela presenteE por mais que a gente tenteEliminar o sofrimentoMais sofrimento se senteJá que é no ausenteQue ela está presente.Priscila era cachorraMais agia como gente.Nuca vi entre os viventesAlguém tão inteligente.E se falarmos de amorAonde quer que a gente váNão se encontrará superior.Por isso já de antemão Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 9
  • 9. Varal do Brasil—julho de 2012 o amor Por Sarah Venturim Lasso O amor invade o coração Inunda a alma Sacrifica o corpo Confunde a mente O amor chora para ser correspondido Leva nome de bandido Sofre sem saber o motivo Intensamente O amor não te limites Não conhece razão Não sabe mede distâncias Não usa de preconceitos O amor gruda no peito Como catarro de tuberculoso Como ferida aberta e exposta Para estar lá sem estar O amor apenas existeNasce e cresce mesmo não sendo alimentado Cuidado Nutrido O amor apenas é O amor. Imagem: hƩp://themescompany.comWww.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 10
  • 10. Varal do Brasil—julho de 2012AMOR-LOVE-AMORE-LIEBE-AMOUR daquele povo simples, isso era considerado um verdadeiro incesto, porque cunhado era mesmo que irmão e ninguém de juízo perfeito se apaixonaPor Vó Fia por um parente tão próximo; Santiago o escolhido de Dilma percebeu o discutível interesse da moça e não gostou nada,Em qualquer idioma usado no planeta terra, o amortem e faz sentido, porque desde tempos imemori- Para se livrar do que considerava encrencaais que as pessoas se amam e os motivos são vá- na certa, ele arranjou um repentino namoro comrios: os pais amam seus filhos e os filhos amam Julinha, mas terminou por se apaixonar de verdadeseus pais, avós amam seus netos e são amados pela moça e a falar em se casar com ela; a viúvapor eles e tem o amor entre amigos, mas o amor Dilma se enfureceu com a rejeição e passou a seque fala mais alto é e sempre será o amor de um portar de maneira nada usual naquela recatadahomem por uma mulher e vice versa, porque nes- vila, onde o amor existia, mas em respeitoso silen-se a razão vai embora. cio e a linda viúva deixou o sigilo de lado e disse que amava o cunhado. A palavra muda de som na pronuncia de po-vos variados, mas quer sempre dizer a mesma coi- Foi um escândalo que se tornou o assuntosa em qualquer pais e se amar é bom para o corpo preferido dos fofoqueiros de plantão e a namoradae o espírito, devia sempre trazer paz, harmonia e do disputado Santiago recebeu o apoio incondicio-muita alegria entre as pessoas, mas nem sempre nal da população da Vila dos Prazeres; Dilma foiisso acontece, porque atrás do amor vem o ciúme relegada ao ostracismo, mas não se deu por acha-e o ciúme carrega junto a desconfiança e muitas da e continuou a perseguir o cunhado de todas asvezes a violência pura e simples e ai o amor se maneiras possíveis e impossíveis e o desfechodesvirtua e fere. dessa historia aconteceu durante um animado bai- le no pequeno clube local. Dilma era uma jovem casada e feliz, porqueamava Antonio seu marido e era amada por ele, Durante o baile a festiva viúva fez de tudomas o rapaz amava ainda mais um bom copo de para chamar a atenção de Santiago, se aproximoucachaça e tanto bebeu que adoeceu com cirrose e e o convidou para dançar e foi recusada, empurroufoi levado para um hospital na capital do estado Julinha e deu-lhe um puxão de cabelos; envergo-para se tratar e talvez se curar do alcoolismo, mas nhada com aquele inusitado procedimento suaa morte chegou primeiro e o levou embora; a jo- família se retirou, mas ela ficou e foi convidada avem viúva era uma moça linda e muito apreciada se retirar pelo diretor da agremiação, foi um mur-naquela vila. múrio de desaprovação geral quando ela se foi. Nos primeiros tempos da viuvez Dilma se Até ai se descontou tudo em cima do coitadovestiu de preto e chorou potes e mais potes de la- do amor que estava na companhia do ciúme; Dilmagrimas, mas passou o tempo e aquela dor deses- não foi para casa, esperou em frente ao clube eperada foi amainando como chuva de verão e pas- quando o baile terminou ela tentou falar com Santi-sou; a vida voltou a seu caminhar normal e a agora ago e foi empurrada por ele que seguiu em frente,viúva alegre tratou de abandonar os vestidos ne- levando Julinha pela mão, quando os dois entra-gros, comprou roupas novas e vistosas e voltou as ram no modesto Fusca, ela encerrou a noite atiran-festas típicas daquela região, mas ela queria mes- do pedras apanhadas na rua sobre o carro e gri-mo era um amor novo. tando: eu te amo, te amo. Pretendentes apareceram logo e Dilma podia Como amor não se compra e nem se vende,se dar ao luxo de escolher, mas escolher era fácil e Dilma perdeu seu tempo, sua dignidade, seu amorela queria mais e todos da comunidade esperavam próprio e o pior de tudo, perdeu Santiago também;que ela escolhesse o mais rico ou mais bonito; Julinha e o amado cunhado se casaram mesesela falava com todos e as esperanças morriam lo- depois desses lamentáveis acontecimentos e fo-go, porque a bela viuvinha não se decidia por nin-guém e as pessoas apostavam alto nos seus can- ram muito felizes, mas a alegre e mal compreendi-didatos e ela não se resolvia nunca frustrando to- da viúva se deu muito mal, seus muitos preten-das as expectativas. dentes sumiram e ela ficou só e triste, tudo por Na verdade a viúva já tinha feito sua escolha amar a pessoa errada e no lugar errado, onde oem segredo, porque estava apaixonada por um amor é silencioso e o ciúme é amordaçadoirmão do falecido Antonio e na opinião tacanha Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 11
  • 11. Varal do Brasil—julho de 2012 Deixe o amor enterrado! Por Raimundo Candido Teixeira Filho Não ressuscite o amor que um dia foi vida, deixe-o lá: enterrado! Quando se exuma algo tão forte que um dia morreu ele reflorirá desbotado numa flor dorida na magoada relva cinzenta do tempo passado!Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 12
  • 12. Varal do Brasil—julho de 2012 Amor sem Limites Por Flávia Assaife Fogueira que queima em meu peito Ardente por teus beijosPelas labaredas de teus dedos ao toque de meus desejos Pelo calor que envolve nossos corpos sem receios Suor embebido no mais puro vinho da paixão Brinda nossos corações em erupção Eleva nossas almas em pura sublimação Volitamos com anjos em ascensão Ondas de intenso prazer Vem e vão ao encaixe perfeito da sedução Neste oceano de sussurros e emoção Que nos faz navegar sem bússola ou direção Amor intenso e verdadeiro Não há limites e nem ponteiro As horas seguem sem orientação Brincando com nuvens de algodão... Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 13
  • 13. Varal do Brasil—julho de 2012Amor: ontem,hoje e sempre! Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 14
  • 14. Varal do Brasil—julho de 2012CONDUZINDO COM SABEDORIA A VIDA Por Gildo P. Oliveira Vamos tocando, céleres, Com clareza e vontade forte a vida; pastoreando, com muita luz, Os instintos, os apetites e as paixões; Vitalizando a razão, os fins e os propósitos, com força poderosa previa ,rejuvenescedora,Para que da viva interação deles façamos surgir no solo sagrado do coração etérico humano, o ritmo da verdadeira vida, o amor ! Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 15
  • 15. Varal do Brasil—julho de 2012 A UM (A) FILHO (A) antes que o mundo o pegasse, levasse e não me trouxesse. Ah, estes medos de mãe: do tamanho do mundo enquanto aquele que ali dá seus primeiros tropeços mal tem idade para saber que está no mundo! Ouvi suas primeiras palavras! Balbuciando le- tras, tentando formar palavras, depois peque- nas frases. E o jeito de quem já discursa e sa- be que o mundo apenas espera por sua voz! Sofri as penas de seus primeiros tombos, dos arranhões sobre a pele, os cortes rasos ou profundos, as quedas que me levavam junto e faziam de mim a criatura mais miserável da terra! A cada dor, cada gota de sangue, cada choro, quis eu mudar de lugar, me transformar naquele ser que não podia mais ser uno comi- Imagem: Nachan go. Assisti seu crescimento. Via sua infância pas- sar como se fosse um filme breve, tão rápidaPor Jacqueline Aisenman passou. Tantas informações: a escola, os ami- gos, as festas de aniversário, as brincadeiras, as perguntas, os sonhos, o tudo que se resu- mia no “quando eu crescer...”. Passou tão de-Nasceu de mim, ou diria melhor...brotou. Viu a pressa...luz pela primeira vez através dos meus braços Depois veio a adolescência, novamente os ri-e foi depois de cortado o laço que a união se sos e os choros, mas já os segredos tomavamfez maior. conta e o tempo dos amigos ganhou sobre oNão há como separar a criatura que viveu do tempo que tínhamos para nós. Egoísmo deventre daquele ventre que a nutriu. mãe eu bem quis em certos momentos, menosDos balanços dentro de meu corpo surgiram amigos... Mas foram pensamentos de segun-os balanços nos meus braços então inseguros dos, logo depois vinha o desejo de cada vezcom tanta responsabilidade. mais amigos, mais bons amigos! Assisti destaVi seu primeiro sorriso – alguns dizendo que vez numa distância precavida e não desejada,nem era – que poderiam ser apenas caretas. choros para os quais não pude emprestar meuMas que importa? Vi também suas primeiras ombro e nem doar meu coração. Mas vi tam-caretas e todos os sorrisos que vieram depois. bém sorrisos e gargalhadas que encheram aChorei junto e juntas caíram nossas primeiras minha vida de esperança e luz. Vi brilhar noslágrimas, pois imaginar a dor de quem não sa- olhos o esplendor do primeiro amor. Com tris-be dizer o que ou onde dói, é pior do que sentir teza também o vi desaparecer e dar lugar aoa própria dor. Sequei aquelas e tantas outras sombrio desapontamento. Mas, experiência delágrimas... mãe, ah! que não pode ser repassada poisVi seus primeiros passos, fiz festa, tive medo, conselhos não são sempre bem-vindos, sabiaquis pegar de volta e esconder dentro de mim que o tempo daria jeito. E deu. Sempre dá. Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 16
  • 16. Varal do Brasil—julho de 2012Hoje vejo adulta a pessoa que chamo de filho(a). Continuo seguindo seus passos, nuncaestou mais do que um passo atrás. Em al-guns momentos, estou mesmo um passo adi-ante, esperando já, para abrir os braços eamparar. Vejo seu caminhar, admiro sua for- Quase dois mil dias contigoça, tenho orgulho de quem é.Distâncias acontecem, aproximações tam-bém. É a vida. De repente me dou conta que Por Lenival de Andradejá estive aqui exatamente neste lugar e vejocomo a vida é perfeita. Em outras épocas,estive aqui e era eu que chamavam filha. Era Meu amorpara mim que queriam dar conselhos. Para Único, Verdadeiro sem tirar nem pormim que estendiam os braços. Dias maravilhosos você já meHoje sou eu quem olha para trás e sorri ten- proporcionoutando não chorar ao lembrar o quanto já se Minha vida você apimentou, me deu razão para viver e me emocionoufoi. Sou eu quem olha para diante e, com o Estou me sentindo um doutor do amorpensamento no presente, tenta guardar toda Amar você é bom e gostoso a todoa força para tudo o que der e vier. mundo eu digoUm dia, nasceu de mim este (a) filho (a). A Me tirou e livrou do perigo e castigovida assim o quis, fosse eu o seu canal para Ter você na minha vida a DEUS euaqui se expandir, crescer, ser o que é. E nin- agradeçoguém mais do que eu pode dizer o quanto de Nem sei se mereço mais de coração agradeçofelicidade sinto por ter sido escolhida. Por estar a quase dois mil dias contigoFilho (a), sabe o que é amor? É você! E sen-do você o amor, tudo o que posso dizer davida é que, graças a ela eu tenho amor.Filho (a), esteja você onde estiver, sempre,saiba apenas de uma coisa: eu estou do seulado. Olhe bem: eu estou do seu lado! Nuncalonge, nunca perto demais: do seu lado!E como eu também sou filho (a), também souamor.Por isto, ser que de mim brotou, sejamos es-te amor que a vida é um para o outro. Sem-pre!E onde a vida o (a) levar, estique o braço seprecisar de ajuda: minhas mãos estarão láamparando os seus passos exatamente co-mo quando andava nos seus primeiros anos.Seja a sua vida como seus sonhos um diaquiseram que fosse!Sua mãe Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 17
  • 17. Varal do Brasil—julho de 2012Aqui jaz um "turbinho"Por André Victtoraqui jaz um turbinhoque ainda filhote e chorãotinha pêlo brilhanteera lindo e bravinhoaqui jaz um turbinhocãozinho serelepejovem, travessoe sempre doidinhoaqui jaz um turbinhoque adorava ir pro terrenocorria o dia todopulava dentro da piscinae se molhava todinhoaqui jaz um turbinhoque viu meus filhos cresceremnossa casa ser construídaele era o nosso bichinhoaqui jaz um turbinhoque ganhou um companheiroum outro cachorro ligeiroguardiões o dia inteiroaqui jaz um turbinhoque nunca teve luxomas tinha sua bela casinhae o seu querido paninhoaqui jaz um turbinhoque com o tempo envelheceuagora muito velhinhoficou doente e faleceuaqui jaz um turbinhoque junto dele levouum pedaço de todos nóse um outro dele deixou______________________________________* Homenagem ao nosso cachorrinho que partiu em 04/07/12.* Beethoven (1999*2012) Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 18
  • 18. Varal do Brasil—julho de 2012 Minha vida Por Isabel C S Vargas Luz para meus olhos Fonte de inspiração, Meu porto seguro, Âncora nos vendavais Meu amor, meu tesouro Tudo de melhor que me aconteceu. Tua palavra me conforta Teus braços me aquecem, Teu olhar é farol luminoso Que me aponta caminhos Tuas mãos, instrumento De transmissão das energias Sem a qual viver se torna difícil. Preciso de tiPara não ser um grão de areia na tempestade A última gota desperdiçada Uma lâmpada sem luz Um cristal despedaçado. Preciso de tua luz Porque sem ela não vejo caminho.Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 19
  • 19. Varal do Brasil—julho de 2012O moreno da aquarela Obra do pintor Custave Caillebot-Por Vanessa Clasen te "Homem Jovem à Janela", de 1876A artista pinga gotas de óleo sobre a tela e retrata você comsuaves pinceladas,Suas formas vigorosamente tomam conta das folhas outrorabrancas e opacas,Moreno sim, singelo nem um pouco,de linhas fortes e voz de traço rouco,Elegantemente trajado qual rei,tal qual este bambino nunca avistei,Olhos cor de imbuia, pele tal qual a seiva, alva e macia,Âmbar e cardamomo se fundem a sensualidade latente dogengibre e a força do cedro,E um forte vento oriental quente sopra da sua pele envolvendo meus sentidos... Sem aviso mequebro!Desmancha minha inquietação, dissipa minhas duvidas e descortina meus olhos,Pinceladas de carmim e pétalas sedosas compõe seus robustos lábios,E num último toque eu te trago a mim, ganhas vida, sais do papel e corres em frente aos meusolhos surpresos,Meu forte desejo te criou e te tornou real, palpável, doce e estimulante, seguro e forte,Lindo e perspicaz, maduro e sagaz, sereno e impulsivo, lânguido e caprichoso,O oceano não te segura, ele não é páreo para nossa sede, e te traz para mim, leve, flutuante,mas não oscilante; fervente nem tampouco latejante, amável e respeitoso, presente e provocan-te.Abro meus olhos e você está de volta à tela branca opaca. Se um sonho se fez, por que teu per-fume está grudado a minha tez e teu sorriso teima em não sair do meu olhar com candura e ro-bustez? Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 20
  • 20. Varal do Brasil—julho de 2012 Tua ausência em mim Por Josselene Marques Tal qual uma onda, Tua imagem vem e volta Toda vez que escuto aquela melodia... A voz da consciência grita teu nome E faz coro com o coração, Que pulsa acelerado diante dessa miragem. Nessas horas, percebo Que meus sonhos ainda estão verdes... Quando a melodia acaba, Sinto o beijo do teu silêncio. A lembrança de tuas promessas Povoa-me a mente. Entre suspiros, respiro o ar da noite... Chego a uma conclusão: Não estou só... A tua ausência está em mim.By the shore (Pela orla) by M&I Garmash – 20" x 24" on canvas). Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 21
  • 21. Varal do Brasil—julho de 2012Voando pelos aeroportos do mundoPor Valdeck Almeida de JesusNão importa quão longe você vá. Onde quer que resolva parar e viver, as necessi-dades básicas precisam ser satisfeitas.No aeroporto de Lisboa, ou em qualquer outro, além de comer, descansar, usarsanitários ou internet para se comunicar, algo mais se impõe: o encontro.Seja um caixa pra trocar dinheiro, uma tomada para recarregar a bateria do celu-lar, ou um canto para sentar e observar ao redor. Outro encontro, este mais valio-so e insubstituível é o olhar avistar e reconhecer alguém que estamos esperando.O café “Slice of Variety”, em frente à saída de desembarque de passageiros, pro-porciona a quem ali se alimenta por necessidade física ou para ocupar um lugarprivilegiado, ampla visão de quem chega de vários lugares do mundo.Os olhos percorrem curiosos, vigilantes e ansiosos, cada movimento de pessoas,em busca de reconhecer o ente querido ou simplesmente o cliente, o patrão, quemchega. Não importa se negros, mestiços, asiáticos, sul-americanos ou noruegue-ses. O ponto é de encontro, de identificação, de conexão.Apesar de aeroporto ser um lugar de dispersão, de partida, é, também, lugar dechegada e de passagem, lugar de ninguém, território neutro, lugar nenhum, só seconcretiza no encontro, na conexão entre seres afins e que se situam, no momen-to do encontro, em um mundo possível e concreto!Lisboa, 21 de abril de 2012 Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 22
  • 22. Varal do Brasil—julho de 2012O FILHO DO BOTO COR-DE-ROSA cantado, quando descobriu que estava espe- rando uma criança. Os dois decidiram quePor Alexandra Magalhães Zeiner quando eu nascesse eu moraria com meus avós. Algumas pessoas até viram meu pai de- pois do meu nascimento, ele costumava nos visitar...Minha mãe ficou comigo até quando pôde. Ela não era feliz vivendo longe do meu pai. Um dia, ela disse aos meus avós que iria viver com meu pai no Encantado e que eu fica- ria e moraria com eles. Tenho saudades dos meus pais, mas aprendi tudo que sei com meus avós e meus amigos da vila. Alguns bo- tos também se tornaram meus amigos e até nadam comigo, eles são parte da minha família e da minha vida. Todos sabem que sou filho do boto cor-de-rosa, sou parte do rio e da floresta, sou como eles. Eu faria tudo para proteger o rio e a floresta porque aqui nós todos somos“O Filho do Boto Cor-de-Rosa”© Livro bilingüe um só.”infanto-juvenil publicado pela Educa Brazil nosEstados Unidos no Ano Internacional das Flo-restas.Autora & Ilustradora: Alexandra MagalhãesZeiner & Judit FortelnySegue a narrativa de Pedro sobre o amor aprimeira vista entre sua mãe e o boto cor-de-rosaPor alguns minutos, todos ficaram a contem-plar as águas do rio. Que fascinação ver aque-la água correr, ouvir a orquestra de pássaros erespirar o doce perfume vindo da mata. A vozde Pedro também soava como música, umaestória sobre a magia da floresta iria come-çar...-“Eles se encontraram pela primeira vez emuma festa. A primeira vez que meu pai, o botocor-de-rosa viu minha mãe, ele se apaixonou.Todos queriam saber quem era aquele rapazbonito e atraente, todo vestido de branco,usando um elegante chapéu. Ninguém sabiaquem era ele, mas todos admiraram a graçacom que ele dançava. Ele só tinha olhos paraa moça mais atraente da festa, minha mãe. Elaparecia uma rosa d´água, uma vitória-régia.Ninguém pôde proibir os dois se encontraremtodas as noite na beira do rio. Ela já tinha deci-dido ir morar com ele na cidade mágica, o En- Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 23
  • 23. Varal do Brasil—julho de 2012 Encontro Inesperado observo cada detalhe das pinturas, as cores, a beleza dos traços, lindo e estranhamente fami- liar; tento ler quem assina os quadros, não Por Ana Rosenrot consigo reconhecer o nome e pergunto a um rapaz ao meu lado se ele conhece o artista, Mesmo com o ar condicionado deixando sorrindo, ele indica uma mesa, do outro ladoo ambiente quase gelado, eu sentia um calor do salão, onde o pintor está sentado, começoinsuportável, uma constrangedora gota de suor a atravessar o salão lotado para poder cumpri-insistia em deslizar por minhas costas, tudo o mentá-lo e ao me aproximar um pouco mais,que eu queria era estar bem longe, em casa, consigo ver seu rosto de perfil e imediatamentesentada no sofá com um livro nas mãos, talvez paro, quase perco os sentidos; não pode servendo televisão ou mesmo sem fazer nada, Luis Claudio, meu grande amor da juventude,somente aproveitando a tranquilidade e a se- seria muita ironia, depois de vinte anos... en-gurança que só sentimos no aconchego de contrá-lo justamente hoje...nossa casa...Casa...Que casa...Acabei de sa- É tudo tão irreal, como se eu estivesseber que teremos que vendê-la, devido à parti- vendo um fantasma do meu passado, ali, hálha dos bens, em nosso acordo “amigável” de poucos metros de distância... Luis Clau-divórcio. Como sempre, Célio, agora meu ex- dio...com uma aparência jovem, elegante, bemmarido, fizera tudo da forma mais organizada sucedido− incrivelmente diferente do rapaz po-possível: chamou-me, após o jantar - bre que conheci na adolescência, a cabeçaformal e requintado −, para dar a cheia de sonhos e a carteiranotícia de sua decisão, com os do- ... uma cons- vazia−; vejo que conseguiucumentos e o acordo prontos, até a realizar seus sonhos artísti-audiência no fórum já estava mar- trangedora go- cos, ficou famoso, tornou-secada; fico a imaginar por quanto profissional. ta de suor in- Sua presença me faztempo ele viveu ao meu lado, men-tindo, fingindo que estava tudo mergulhar nas lembranças, sistia em desli-bem, enquanto elaborava, nos mí- nossos encontros proibidos,nimos detalhes, o golpe final em zar por minhas quando eu te esperava, ansi-nosso casamento de dezenove osa, atrás do muro da escola,anos. costas... com medo de que alguém nos Agora, aqui estou, no segun- visse; nosso amor era tão pu-do andar do fórum da cidade – onde ro, éramos jovens e inocentes,nem em sonhos imaginei que um dia estaria−, para nós, tudo era tão simples, sonhávamosesperando pela audiência que definirá legal- com um futuro cheio de amor, beleza e arte;mente o que me pertence ou não, como se ca- ele queria ser um pintor famoso e eu uma can-da objeto, com suas lembranças e familiarida- tora de sucesso; sonhos que minha famíliades, não passassem de valores num acerto de achava impossíveis, apenas tolices de um ra-contas de negócios; acho que meu casamento paz miserável, que estava tentando dar o gol-se resumiu exatamente nisso: um simples ne- pe do baú, numa moça rica e boba como eu,gócio. Mas, mesmo não sendo perdidamente que poderia ter uma carreira promissora, umaapaixonada por meu ex- marido − coisa estra- vida brilhante.nha e difícil de acostumar−, sinto-me derrota- Meus pais nos perseguiam, tornando oda, perdida, sem saber o que fazer, completa- namoro cada dia mais difícil, ameaçaram matámente aparvalhada... -lo se eu insistisse em continuar o romance, Para tentar esfriar um pouco a cabeça, então, para salvá-lo, decidi acabar com tudo,desço ao primeiro andar do prédio, onde está aceitando as imposições familiares, me formeisendo exibida uma exposição de arte, descen- no que queriam e pior, me casei− como meusdo as escadas, vejo pinturas a óleo maravilho- pais desejavam−, com um rapaz “adequado”;sas; quem sabe com isso consigo esquecer o que hoje vai divorciar-se de mim, sem maioresque me aguarda... Ando pelo salão iluminado, explicações. Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 24
  • 24. Varal do Brasil—julho de 2012Descobri da pior forma, que o casamento sem suas palavras, as únicas depois de tantosamor é uma prisão sem muros, enquanto Célio anos, foram tão poderosas que livraram minhagalgava posições nas empresas de meu pai e alma do desespero, sinto-me confiante e comcolecionava namoradas, eu me tornei uma coragem para iniciar uma nova vida, enfrentarpessoa fria, uma dona de casa frustrada; a tris- o divórcio e voltar a viver, talvez a amar nova-teza fez com que eu nunca mais conseguisse mente, ou reatar uma antiga paixão. Somentecantar; fui ficando murcha, seca; observando o tempo, meu amigo e carrasco é que poderáas rugas destruírem meu rosto e minha alma dizer.morrer um pouco a cada minuto. E hoje, o destino resolveu torturar-meainda mais, colocando meu único amor nova-mente em meu caminho; preciso sair daqui an-tes que Luis Claudio veja a mulher horrível que Amor à Amizademe tornei, não suportaria receber, depois detantos anos; de alguém que nunca pude es-quecer, um olhar de pena, ou repulsa; sei que Por Maria Moreirase isso acontecesse, eu morreria aqui mesmo,no meio do salão− causando um enorme es-cândalo−, o que uma mulher da minha Amigos adorados, agradeço!“posição”, não poderia se dar ao luxo. A alegria alcançada atualmente Tento desviar das pessoas e encontrar Adornos de almas e apreçoa saída, fugir, correr, desaparecer, mas o local De amores altaneiros o presenteestá muito cheio e sou obrigada a andar deva-gar, quando finalmente chego às escadas, sin- Abençoados antes da aurora!to um toque gentil em meu ombro, paro, sa- Ah! São aves alçadas em voobendo exatamente quem está atrás de mim, Atentas aladas se alvoragiro o corpo lentamente, não há como escapar; Amante das artes em revooele sorri, ficamos assim, parados, olhos nosolhos, vinte anos de amor perdido girando em Ao nascer do dia é plantanossas mentes; todo meu temor desaparece A noite brilha o perfumediante de seu olhar doce, nostálgico, não me Antes do amanhecer encanta,sinto mais feia, nem miserável, sou novamente A aurora de amores e lumes.a menina cheia de sonhos; estamos mudos,pois, não haveria palavras para descrever o Amores que vem e se vãoque sentimos, nossos corpos estão tão próxi- Na aurora de dias vividosmos, sinto a iminência de um beijo, me entrego Mas amor a amizade nãoaos sentimentos, seguro suas mãos e me Estes perpetuam com vida!aproximo mais, pronta para destruir as barrei-ras; mas o encanto é quebrado pelo som dosautofalantes chamando-me para a audiência;lhe solto as mãos e vou subindo as escadascom lágrimas nos olhos, antes de chegar aoúltimo degrau, ouço-lhe a voz ecoando no sa-lão: −Maria Helena, saiba que eu não te es-queci e que você está mais linda do que nun-ca! Não respondo, subo correndo em dire-ção à sala de audiências, mas, algo de repentemudou dentro de mim, a tristeza e a sensaçãode desamparo que eu sentia desapareceram, Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 25
  • 25. Varal do Brasil—julho de 2012 ONDE? Por chajafreidafinkelsztainPreciso de uma linda flor vermelhaPara enviar a quem mais queroQue seja bela , perfeita e muito perfumada e... queTransmita todo o meu sentimento...Onde ... poderia encontrá-la?Preciso de um belo vestido, sensual e arrojadoQuero sapatos e bolsa adequados, brincos e umColar combinando... preciso estar muito bela paraQuando encontrá-lo...Preciso olhar a folhinha e escolher dia e horaDo nosso encontro... e a partir disso ficarei planejando...Planejarei dia e noite... enquanto a insôniaNão for vencida!Quero sonhos belos com flores, correndo com cenasLindas... quero personagens ... mais belos ainda...Preciso esquecer das dores que apertam e me magoamAh! se pudesse escolher...Optaria por outro lugar... onde ...Tanta coisa aconteceria! Os sinos repicariam sons seguidosAnunciando o encontro... os ares soprariam uma brisa tãoLeve ! tão leve! l- e- v -í- s- s- i- m- a...Cada qual saindo de um ponto , se encontrariam nesseLocal onde as flores emprestariam a paisagem o coloridoDiversificado e marcante, e o sol seria a testemunha.A partir daqui... o destino tomaria as rédeas... e a ninguémMais importaria a vida deles!No canto ancorado, o amor desabrocharia, sem medos eSem culpas...No tempo marcado tudo aconteceria,Só não sei onde? Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 26
  • 26. Varal do Brasil—julho de 2012 Hino de Amor Por Sonia Nogueira Quando a noite no silêncio ronda Levando a canção aos namoradosEu sinto meu pulsar em sons aladosBuscando amor, encanto ao teu lado. É música afinada em sintonia Trocando na distância as vontadesO mesmo acorde vem em liberdades Inebriando o mote em agonia.As notas dançam, riem debruçadas, Vibrando cada tom em meu sonharQuerendo teu sonhar no meu pensar Nas cordas do violão extasiadas. E nesta emoção as notas vibram Quase desmaiada eu seu acorde Envolta da emoção quase recorde Duas notas dão-se e se cativam. Hino de encanto que me desnuda Em cada emoção pranto contido No mudo coração, jardim banido, Vai nesta poética a canção muda.Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 27
  • 27. Varal do Brasil—julho de 2012 AMANDO Por Cléo Reis Amar é conjugar o mesmo verso , viver o mesmo sonho Compartilhar mistérios , dividir dúvidas e passar o tempo na mesma espera É querer o mesmo amanhã Desejar o impossível, mas estar juntos na realidade cósmica Viver o êxtase no olhar Ir até onde é permitido e ficar feliz com pouco Amar é ter o mesmo objetivo: encher o mundo de amor.Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 28
  • 28. Varal do Brasil—julho de 2012 A Carta Por Douglas SilvaUm dia escrevi uma carta de amor tão simples, pois por mais que eu tentasse gritar as palavraspronunciadas jamais conseguiria transmitir todo o meu sentimento.Foi um momento mágico escrever cada palavra que se uniram as minhas lágrimas que rolavampelo meu rosto, quando debruçado sobre minha alma procurava eu unir as humildes palavras aomeu sentimento, na tentativa de simbolizar todo o significado do que eu sentia por você.Após todo aquele momento de entusiasmo, na qual me perdi completamente, sem saber a realexplicação de tamanha emoção em compor tão singelos versos, eu que não sou dono de nadame dei conta da magnitude do meu silêncio que junto às lágrimas fizeram com que as palavrasque um dia jamais entreguei ficassem eternamente gravadas em meu coração.Foi ai que de um jeito muito especial passei a acreditar que o amor pode ser verdade. Por isso,não sei bem o quanto as palavras significam, mas o importante é que nesse exato momentoseus olhos me olham sem aquela indiferença, que talvez nunca existisse, pois ser alguém espe-cial é acreditar que a perfeição só existe quando um amor tão grande, oculto dentro da gente po-de conseguir ir mais além que a intensidade simbolizada pelas palavras que insistem quasesempre sem sucesso descrever o que é o amor. E que só foi percebida quando os olhos pude-ram ultrapassar o que estava descrito no papel. Transformando a simplicidade da fala transmiti-da pela a força do coração em um momento que ultrapassou a realidade de um sonho, sonho deamar e ser amado. Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 29
  • 29. Varal do Brasil—julho de 2012Outra história de amor: Sibila Essa cachorrinha nos causava momen- tos hilariantes quando era chegada a hora de (um amor canino) tomar os antibióticos, administrados por via oral com seringas, pelo estado de euforia em que ficava, só ao lhes sentir o cheiro; adoravaPor Guacira Maciel esses momentos e saía me lambendo as Ao escrever histórias de amor venho mãos para aproveitar os menores vestígios dosendo perseguida pela certeza de que esta remédio.também é uma delas. Um amor novo, masnem por isso de menor valor, muito pelo con-trário, ele me tem servido como forte referenci-al para as análises que hoje faço sobre essesentimento que dizem ser privilégio dos sereshumanos. Será? Sibila é uma cadelinha insuportável, deseis meses de idade; uma linda vira-lata quevirou princesa, mas por não ter uma ascendên- Pois, como nosso objeto de análise é o amor,cia registrável sofre preconceitos por parte de esse sentimento tão controverso e maltratado,seres humanos, os únicos que se dizem capa- posso afirmar jamais ter observado um amorzes de amar. Minha filha e eu vimos morar nu- tão sem reservas, tão puro, tão espontâneo,ma casa e assim ela pode realizar o sonho de sem máscaras e incondicional, o que me levouter um cachorro. Nós ganhamos Sibila de uma a pensar que os nossos próprios filhos, nãoveterinária que lhe buscava uma família, por- nos dão para sempre e com tanta intensidade,que a tinha encontrado na rua e não podia essa sensação, essa segurança, por precisa-adotar mais um filho. rem um dia alçar seus próprios voos, o que acho normal nessas circunstâncias. Nos foi entregue desidratada, magrinha,doente e infestada de pulgas. Logo percebi ne- Ao voltar para casa à noite, após um cansativola a fragilidade própria dos que não creem; dos dia de trabalho, às vezes desesperançosa eque aceitam o abandono como destino, e a com receio de estar só, sou recebida por ela,consequente solidão. Diante desse quadro, logo que abro o portão de casa, com uma ma-precisamos interná-la numa clínica, e quando nifestação de felicidade, de saudade acumula-retornou a nós, iniciamos uma verdadeira ma- da, que chega a me parecer um desvario, umratona com uso de medicamentos e alimenta- acesso de loucura...ção adequada para que se recuperasse. Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 30
  • 30. Varal do Brasil—julho de 2012Então, começa a correr de um lado para ou-tro, desenfreada, sem cuidado e sem medode se machucar, dando a impressão de es- Ah, o amor!!!tar chorando de felicidade com a minha pre-sença. Quando saio do carro, pula sobre Por Ju Petekmim, me arranha, me puxa a roupa numademonstração de extravasamento, de entre- Ah o amor!!!ga sem limites e sem cobrança pelo fato de esse que envolve a todos nós,tê-la abandonado por todo o dia; aí, se deita que nos abriga e nos embriagaaos meus pés pedindo um carinho e isso a que nos tecefaz feliz...e isso basta... e desce rumo e fundo ao coração. Outro dia, ao falar sobre esse assun- ah! a alma nossa de cada diato com um amigo, me veio a resposta de que clama o pão do sustento,que essa demonstração eufórica não seria que reza a prece do porvir do amor.amor, porque os animais são irracionais; e ah! cada traço, cada linha,se não pensam, não amam; seria apenas todo esse belíssimo em dizer ..instinto. Mas que definição, que conceito te- amo amarmos de amor? o que seria amar? o que nós, minha alma eleva-se ao amar,seres humanos, sabemos sobre isso? por meus traços escrevem o amar ...que, pretensiosamente, nos achamos os meus braços abrem-se ao amarúnicos seres capazes abrigar esse senti- doce amar de todo esse encantomento? Nós, que somos considerados ani- em simplesmentemais superiores, somos capazes de ferir em naturalmentenome dele, em nome do amor, oferecendo singelamenteuma incontestável prova de irracionalidade! ternamente Não creio que o amor espontâneo e ... amar ....puro que vejo em Sibila possa estar aprisio-nado na racionalidade. E se os cães são ca-pazes de amar, das duas uma: ou eles nãosão irracionais ou os homens, que ferem in-vocando o seu nome é que o são... Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 31
  • 31. Varal do Brasil—julho de 2012 CANÇÃO DE AMOR... Por Luiz Carlos AmorimNão quero falar do inverno, de solidão, de saudade. Quero falar de aconchego, de carinho, deternura. Quero falar de seu sorriso, dos seus olhos castanhos, da sua companhia. Pois eu gostode acordar com o seu beijo, de dizer-lhe "eu te amo", assim, de maneira simples, descomplicadae sincera.Gosto das coisas simples: de um sorriso de criança, de um rio de águas claras, de flores, cam-pos e praças. E gosto do meu amor. Gosto da sua companhia, na noite quente ou fria, na tardede chuva ou de sol. Também gosto de poesia, seja com rima ou sem ela. Mas gosto mesmo édela, meu poema mais bonito...Gosto de natureza, simplicidade, pureza, da flor do jacatirão, de terra, mar e de sol.E gosto mesmo é dela. De segurar sua mão, de sussurrar no seu ouvido, de misturar nossoseus. Gosto do sol na pele, mas gosto mais da luz dos seus olhos castanhos a aquecer minhaalma.Gosto de sonhar, viajar, a bordo do seu sorriso. Ele me embala, me enleva; me leva de encontroao seu coração. Se embarco numa saudade, numa lágrima, numa dor, que falta eu sinto dela:me perco pelo caminho, à procura da passagem, que é a janela do sorriso, o sorriso da chega-da.Aqueles olhos castanhos, brilhantes pedaços de sol, entraram pelos meus e nunca mais saí-ram... Aqueles olhos castanhos - meigos, brejeiros, malandros, sinceros - são as luzinhas ace-sas na janela do seu rosto, convite irresistível que me atrai para o aconchego carinhoso do seu/nosso coração. E eu me sinto em casa, com todo amor que há lá dentro. Só saio pra ver de no-vo aquelas luzes castanhas convidando-me a entrar.E eu me refaço em nós. Sou eu, completo, por inteiro, sou nós, sou ser. Ela é parte de mim, in-divisível, é coração que pulsa no meu peito, é luz a brilhar no meu olhar, é música a tocar nossacanção, é ternura de mãos entrelaçadas, é carinho ao tocar de peles. Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 32
  • 32. Varal do Brasil—julho de 2012 absoluta Calcada, na contrição dos atos de outrora... FRATERNIDADE resultando no verdadeiro Amor! Cuja proficiência exaltada, será a plenaHernandes Leão harmonia! E não mais, um tabu utópico, ante as nações...Nós... não somos Seres beligerantes... A humanidade sentirá orgulho de seuRivais, de um mundo, mergulhado no caos progresso moral... sim, haverá esse dia!E muito menos, Almas perdidas... e ignorantes Que o pássaro da pacificidade dos povos,Somos, sim, responsáveis pelos nossos atos... coroará todos os vossos corações!Mas, ainda existe uma "luz no final do túnel"... E ainda nesse dia, a população consagrada,uma esperança! erguerá as mãos numa mutra de paz!Ora! Somos a derradeira oportunidade de Gaia Em louvor à Grande Providência... e,Basta que deixemos a benção Divina vivenciará o sublime Paraíso - tão almejado!impregnar-nos, dia a dia... Malgrado; essa data demasiadamenteE quando percebermos, estaremos por especial, será o começo de um novo tempocompleto, em sintonia com a bem- consagradoaventurança! Onde, o arco-íris verificar-se-á como uma ponte sublimada e celeste... aquele que forÉ necessário uma íntima reflexão pertinaz...E com a razão compungida, caminhar... enunca esmorecer! O Mundo, o nosso planeta... temCom as emoções aspergidas, pela latente sentimentos... tem clamor!essência da Criação E nesse momento, ele pede pelo mais distintoE abandonar os corrosivos vícios, obliterando Amor...paulatinamente o nosso Ser... ...O Amor da infinita bondade, igualdade e comum felicidade!Somos, Seres errantes... que estão destinados Ora! Necessita, da salutar e já ensinada,à evolução! Crística Fraternidade!...Somos chispas, da Grande e OniscienteEterna Luz!Somos pontes de energia, que ao Todo,conduz...Somos, peregrinos em busca da perfeição......Enfermos, sedentos pela benção domanancial da vida!Cuja expiação, segue o constante curso dospatamaresAlmejamos a regeneração dos sentimentoscoletivos e singularesEm prol, do amadurecimento cintilante, dosnossos passos nessa jornada!Afim, de vislumbrar um mundoportentosamente melhorOnde, as pessoas são equânimes e serenas,pela condutaVivendo na mais benéfica reciprocidade Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 33
  • 33. Varal do Brasil—julho de 2012Deságio do flerte... Um pequeno lembrete!Por José Carlos Paiva BrunoHarmonia da via, vida terapia sorria...Espia magia pista, despista, conquista.Pique esconde das almas, explique...Um, dois, três é o pique, piquenique!Verdade que resiste; toalha voar que existe...Imaginação do paraíso, anjos quase com juízo,Brincadeiras de amor em quase louvor,Encontros sem pudor, talvez quase amor...Interrogo minha prece, ópera de luz...Certeza de corpos e mentes, limites latentes,Infinita alma, sem as travas da calma, alva,Alvo do gozo, delírio dum ponto, infinito pesponto...Encontro, ligação do riso e do pranto...Misterioso recanto... Conjunção do céu e da vontade!Encanto onde as metades transformam-se no todo...Confusão profusão do criador e criatura... Denodo?Sei que são momentos de verdadeira embriaguez...Alcance de tocar o astral... Melodia animal...Crepúsculo da semelhança... Kabuki poente lembrança...Truque muito rápido... Intrépido tornassol ácido!Então entorna seus entornos... Quentes e mornos...Gueixa que seduz... Atmosfera da era guardando a Terra!Combinações e lembranças fugidias daquela trança...Todo o sempre naquele momento... Idas e vindas ao pó...Porque o que contém, conduz...Dimensão além, almadraque da luz...Almanaque de estarmos vivos,Contidos ventres ativos... Imagem: Maytê Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 34
  • 34. Varal do Brasil—julho de 2012 AMOR DE MÃE Por Mariney KHá alguns anos atrás, eu tinha uma casa em Cabo Frio.O paraíso dos meus filhos adolescentes. Recebíamos muitos amigos.Era sagrado passarmos, ali,nossas férias dos meses de janeiro e fevereiro e os grandes feria-dos como Carnaval e Páscoa.Embora eu tivesse em minha sala um quadro entalhado, escrito: "A dona da casa TAMBÉMestá em férias", em muitas ocasiões eu ia dormir no hotel, tal a lotação da casa que não mepermitia nem entrar e ir para o meu quarto.Num destes feriados, o de Carnaval, recebemos um casal amigo e seus filhos.Eram dois adolescentes e um menino, ainda pequeno, o temporão.Eu, também, tinha o meu temporão: o meu filho mais novo, na época com 6 anos. O filho delestinha 7.Eu me preparava para ir ao clube, da cidade, para pular o carnaval.Meu filho, sentado numa cadeirinha de praia (daquelas tipo "espreguiçadeira") via televisão.O filho dos meus amigos chegou por trás da cadeira e a puxou pra cima. A cadeira destravou efechou.No ímpeto de não cair, meu filho apoiou a mão na cadeira que fechava e o pior aconteceu.A cadeira, ao fechar, arrancou a unha do seu dedo polegar.Foi um corre-corre danado. Por fim, recoloquei no lugar o "toco" de unha e prendi com espara-drapo.Dei algumas gotas de analgésico e ele foi dormir. Eu fui ao baile.No meio da noite, o meu polegar começou a latejar.E continuou, tão insuportavelmente, que decidi voltar pra casa.No dia seguinte, sem ter conseguido pregar o olho, com tanta dor, o meu dedoinchou e ficou preto.Mais alguns dias e minha unha caiu.Nem preciso dizer que meu filho jamais chorou de dor pelo machucado sofrido.Aproveitou as férias, como sempre, intensamente.Acho que amor de mãe é pra isso...rsrs. Nossos filhos não podem sofrer. Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 35
  • 35. Varal do Brasil—julho de 2012SAUDADE DO MEU PAIPor Mário RezendeSenta aqui meu pai,pertinho de mim.Põe o pé no banco,ou senta aí na cadeira de balanço.Tenho uma coisa pra conversar,falar da minha infância que vai longe,das brincadeiras que a gente fazia;meu coração saltitando de alegriapor ser seu filho, meu pai.Galgava o corpo do meu heróie sobre os seus ombros, confiante,a melhor fruta eu alcançava.Como era bom dormir nas suas costas,embalado pelo sobe e descedo respiramento do meu paizãoou, na fresca da tarde,no balanço da rede esticada no pomar.Bons tempos que não voltam não é meu pai?Aonde você ia, na certa eu estava atrás.Que segurança você me dava,quando em sua mão me apoiavae com toda a ternura me abraçava.Senta aqui meu pai,agora eu sei o que você sentia.Eu quero te envolver num longoe bem apertado abraço.Encosta a cabeça no meu peito,na sua face eu quero dar um beijo.O mais simples gesto de agradecimentodeste homem que por você foi feito. Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 36
  • 36. Varal do Brasil—julho de 2012 MÃE TERRA a dinossauros, leopardos e onças; a bem-te-vis, beija-flores e corujas; Por Norália de Mello Castro a peixes, baleias e pirarucus; todas as piracemas da vida, sua missão:Amores buscados, ser mulher junto a outras mulheres.Suportes catados, abismos caídos. Ser homem junto a outros homens.Por detrás dos carros ou através das janelas, Ser animal junto a outros animais.ou mesmo em passos firmes, a longitude de Todos e tudo: a correr pelas pedras,tudo: a cantar pelos ventos.são tiriricas no descampado, desordeiros do a se pôr ereto quantas vezes necessário,caminho, principalmente a dançar todas as músicasterra solta ou socada, sem manchas de asfal- que possa ouvir.to – o artificial – Sempre com as mãos cheias de terra.contornados pelo verde de árvores e matas, Sempre.cintilados de azul. De coração aberto a quem perto estivesse.Refazem aos olhos o sentido desse existir. Sempre. A mão estendida num afago e beijosNuma tarde, a resposta foi encontrada: estalados,As argilas falaram entranhadas lá no fundo: quer seja gente feito a gente,- Tu és barro, tu és terra quer seja a orquídea, até mesmo aTu és dessa Mãe Terra que te moldou espinhadeira,e te pôs a descobrir púrpuras raízes quer seja animal, feito o rinoceronte.sopradas de teu âmago. Sou argila maravilhosamenteE a Mãe Terra se mostrou: trabalhada, detalhada, esculpidafez ventanias, fez tormentas e também por esta Mãe Terra portentosa,noites serenas com estrelas a entrelaçar dos que vibra ao som mais alto deste Desconhe-ventos cido..– ares amenos e brabos,a emitir torrões de paladares Mãe Terra vibra, respira acolhe e enternecedos mais apetitosos aos mais sofisticados a cada estalo de um gesto de filho seu.alimentos. Não há pedra ou penhasco, não há mistérioMãe Terra sorriu, que impeça tamanho despertar:acolheu e acalantou sua cria desgarrada. AmorPostada então em reverência,sentiu o mais alto dos animaisa correr pelos prados, montanhas, rios eflorestas:num sopro interligado às folhas, flores efrutos, Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 37
  • 37. Varal do Brasil—julho de 2012Outras vidasPor Renata IacovinoAmor meu, sempre penso: em outra vida(mui antes desta aqui, pois, existir),comungavam destinos que hão de vir.Por quê? Pra quê, se nas crenças caídasas máculas se tornam o porvir?Se não te mantivesses escondida,se o passado foi sem a despedida,é porque algo faltou a construir.Por isso nesta vida te encontrei,pra resgatar algum elo que haviae, ah! Como saber?... Nunca eu saberei...Mas pressinto que aquilo que nos guiaserá cumprido tal qual uma leie isto independe, até, no que se fia. Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 38
  • 38. Varal do Brasil—julho de 2012 Planeta Terra Por Yara Darin Nossa Terra , tão amada... Com o seu calor nos envolve, Com o seu amor, nos acolhe, Nos dá imensa fartura, A beleza do mar, As ondas que se agitam, Na claridade do luar. A suavidade dos campos, A singeleza dos pássaros, A abundância dos alimentos, A imponência das montanhas. Planeta amado, te agradeço Neste tão nobre gesto, De me trazeres aqui à morar, À viver nesta intensa energia tão abrangente... Neste sol que me aquece, As estrelas dos meus sonhos, O luar dos meus encantos, Que em noites claras me banho. Pelas águas que me saciam, As chuvas que lavam a m"alma, Pelos amores que me amaram, Pelos filhos que me fizeram, A mulher mais feliz deste planeta.Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 39
  • 39. Varal do Brasil—julho de 2012AMOR NÃO HÁPor Roberto ArmorizziComo o amor é perdível,desmancha-se no mero esperar,acaba-se ao ver-se invencível,ou perde-se no começar.Como o amor é volátil,dispersa-se ao se firmar,esfuma-se ao se ver tátil,deságua-se em seu chorar.Como o amor é sofrível,termina-se quando é louvável,esboroa-se quando é crível, Imagem: Khimaereusesparsa-se no mero afável.Como o amor é passível,espraia-se aqui e acolá,encontra-se no impossível,conclui-se que amor não há ...Mas ele ainda há de chegar. Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 40
  • 40. Varal do Brasil—julho de 2012Uma carta necessáriaPor Maria EugêniaDestinatário: O amorQuem és tu, amor que eu tanto busco?Estive tentando detê-lo junto ao meu corpo numabraço quente, mas parece que nunca conhecirealmente a tua face, parece que ela, ficou demim escondida.Talvez, nesse abraço desesperado eu tenha de-sejado possuí-lo mais que compreendê-lo e porisso, porque és filho da liberdade amor, tu medeixaste.Abandonaste-me, deixando-me sentada nochão da sala. Foste para algum lugar incerto edistante.Ai amor, não me deixaste só abandonada, medeixaste órfã, sem referência, sem endereço.E passado tanto tempo, descobri que morassempre na felicidade. Eu, por não estar contigo,fui despejada. E num ato vil de vingança colo- NASCEMOS PARA O AMORquei em teu lugar várias paixões. Fui tola aopensar que um número sem fim de paixões su- Por Carlos Roberto Pina de Carvalhoplantaria o verdadeiro amor.E perambulei como que bêbada, caindo deabraço em abraço, voltando para casa só, Nascemos para o amorolhando-me no espelho e vendo-me como que E para o mistério das palavrasvazia. Sem me conhecer, dia após dia tornei-meoutra, até reconhecer que não posso possuí-lo, Que ouvimos e pronunciamos.somente cultivá-lo em mim.Assim, eu me curvo amor, diante do teu poder e Nascemos para o amorte peço, uma vez que tens esse poder infinito:"Traga para perto do meu coração o Meu Queri- E para a paz do quartodo"! Onde está a mulher amada. Nascemos para o amor E para o amor renascemos Todos os dias! Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 41
  • 41. Varal do Brasil—julho de 2012MINHA MÁXIMA CULPA, Aureliano estava uma grande, absoluta e qua-MEU AMOR MÁXIMO se intocável timidez. Timidez essa que a ale- gria contagiante expressada em sorrisos, bom gosto musical, inclinação para as dançasPor Ivane Laurete Perotti quentes e movimentadas fariam por cavoucar, extrair, arrancar. Zelinha era uma daquelas mulheres que sabe _ Você não é tímido!sorrir com a alma. Bom, melhor dizer o que ela _ ...mesma diz: _ Você é egoísta! _ Eu sabia sorrir! Sabia! _... Segundo as falas de Zelinha, sua alma trans- _ Meu Deus, Aureliano. Você não abre a bocabordara em sorrisos, alegria, boas amizades e nem mesmo para se defender?todo o restante das manifestações que fazem _ ...a vida valer a pena ser vivida. Zelinha sabia _ Eu respeito o seu jeito, mas nós dois preci-viver, até o dia em que decidiu desposar Aure- samos conversar.liano. _ ...Existe um axioma popular que determina o iní- _ Você é o meu parceiro, eu quero conversarcio dessa história ainda real: com você!_ Água e vinho não se misturam, minha filha. _ ...Não se misturam! _ Casei com você para sempre! Nós vamos_ Ora, minha mãe! Não é água e vinho. É envelhecer e precisar um do outro...água e óleo! _ Estou me sentindo sozinha!_ Que seja! Estou dizendo que muitas mistu- _...ras não dão certo. _ Está bem que você não goste de nem de_ Mas ele é tão bonzinho... vinho, nem de água, nem de óleo, nem de_ Bonzinho não é a palavra certa. azeite..._ Mas... é honesto. _ ..._ Sim! É! _ Eu não sei do que você gosta!_ Então, mamãe! Se ele é a água e eu o vi- _ ...nho... _ Aureliano, olha para mim!_ O óleo! _ ..._ Não! Prefiro o vinho..._ Hum!!! Quarenta e oito anos depois, com um rol de_ Talvez a mistura faça bem para nós dois. diálogos traduzidos pelo silêncio de Aureliano _ Desde quando você gosta de água tingida? e as tentativas de Zelinha ela entendeu o in- _ Você está sendo severa, mãe! compreensível:_ Melhor você pensar... agora ainda dá tempo _ Você não sabe se está vivo, Aureliano.de desistir. _ Au! Au! Au!_ Eu gosto dele! _ Bonitos vocês dois! Diz para o seu cachorro_ ... que eu não quero que ele se meta na conver-_ Às vezes ele me lembra o papai. sa! _ Nunca! Seu pai gostava de vinho puro e... _ Au! Au! Au!_ E, o que? _ Desisto!_ Seu pai era um homem vivo! _ Mamãe!? De acordo com Zelinha, desistir também era _ E sabia abrir a boca para conversar. uma forma de aceitar o que não poderia mu- _ ... dar. Tentara, e quem a conhecia sabia do es- forço que fizera durante mais de quatro déca-Esse era um ponto. das.Zelinha pensava que por trás do silêncio de Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 42
  • 42. Varal do Brasil—julho de 2012Esforçara-se para descobrir do que Aureliano ficando!gostava. Incentivara-o a participar do que elagostava. Tentara descobrir com ele novos gos-tos. Buscara amigos que gostavam deles e Sabia disso!queriam ajudar na empreitada de devolver a Não havia dúvidas sobre a distância que Zeli-alegria à mulher que soubera sorrir. Buscara nha e Aureliano mantinham vivendo juntos háajuda para Aureliano descobrir sozinho. tanto tempo. Quem os conhecia lamentava aNada! situação que sombreava dia a dia o semblante Ou melhor: tudo estava perfeito da forma que antes iluminado de Zelinha.estava, para o Aureliano, claro! Ela deixara de dançar, para não ofender a hon-Ele vivia da forma que gostava. Vivia bem, se- ra de Aureliano e a sua própria: mulher casadagundo olhares externos. Não mostrava sinais deve ficar com o marido. Sim, ela ficara!de qualquer tristeza, de enfado, de desconcer- Deixara de sorrir, por que fora perdendo o viçoto, de cansaço... tanto quanto não apresentava que lhe subia da alma. Sorrir sozinha? Paraqualquer outro sinal. Aureliano vivia. Simples- quem e por que motivo? Mulher casada semente vivia, como que sugando o ar que lhe comporta como mulher casada!passava sem pressa e preço pela frente das Deixara de ir a festas porque Aureliano não anarinas. acompanhava. Mulher de família acompanha oE parecia viver ainda melhor desde o dia em marido. Ela acompanhara, na solidão em queque descobrira sua afinidade visceral com os sua vida se transformara.mamíferos da raça canina. O filho, como todo filho, cresceu rápido demais _ Eu não quero esse cachorro na nossa cama! e tomou o próprio rumo. Zelinha só tivera um_… filho, um único filho para alegrar sua existên-_ Não quero! cia. Nem sabia exatamente como e por qual _ Au! Au! Au! milagre o tivera, pois Aureliano também esque-_ Ora! Você pare de latir que a conversa ainda cia de comparecer em suas obrigações mari-não chegou aí. tais.Chegara! A conversa chegara até o universocanino dos vira-latas que Aureliano trouxera de _ A partir de hoje, vou dormir em quarto sepa-algum lugar. Chegara e fazia efeito sobre as rado.percepções do bicho. _ ..._ Pode uma coisa dessas? O seu cachorro me _ Ouviu, Aureliano?responde e você, depois de todos esses anos _ Au!Au!Au!continua sem falar nada! _ Você, eu sei que ouviu, não é? _ Au! Au! Au! _ Au!Au!Au! _ Mas é claro! A cama agora é toda sua!Era demais para Zelinha. Tudo bem aceitar o _ Au!Au!Au!marido mudo, quieto e parado já que não havia _ Minha nossa! Estou conversando com umescolha. Mas deixar um cachorro ocupar o seu cachorro! Acho que fiquei maluca!lugar na cama, já era demais até para ela, es- _ Au!Au!Au!colada em paciência e boa vontade! _ Você não acha nada, Totó! Nada!Conversou com o filho que a apoiou incontes- Para garantir a sua sanidade mental, Zelinhate. Era também difícil para ele conviver com esmerou-se em organizar o novo quarto. Comaquele pai silencioso que em nada expressava a ajuda do filho e da nora, pintou as paredesestar ciente da vida que levava. de uma cor viva, alegre, aberta. Comprou uma cama de viúva..._ Ele não é doente, mamãe! Simplesmente é ojeito dele! _ Mamãe!_ Que ele não é doente, eu sei. Mas eu estou _ Meu filho, eu sou realista! Realista! Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 43
  • 43. Varal do Brasil—julho de 2012 para a sorte, segundo ela mesma, não se des- tinavam ao universo marital. Sorte no amor? E quem imaginaria ser possível arriscar em um contexto tão... tão... _ Tão improvável! Movediço! _ Mamãe! Eu sou o resultado de seu casa- mento. _ Para ter você eu não precisaria ter casado... _ Mãe!? _ Não se faça de desentendido, meu filho! É isso mesmo! Eu casei sem conhecer o seu pai. _ Está vendo? A responsabilidade também é sua. _ Eu nunca disse que não era. Se eu soubes- se o que sei hoje, teria mandado o seu pai pa-Com o apoio da nora, instalou um computador, ra a p...conectou-se a todas as redes sociais disponí- _ Mamãe!veis, assinou canais pagos de televisão, refor- _ Palavrões fazem bem à saúde. Limpam amou o antigo aparelho de som e... garganta e desanuviam a alma._ Estou virando gente! _ Você também deveria dizer alguns vez ou_ Não exagera, mãe! outra. Faz bem!_ Isso é pouco, meu filho. Muito pouco. _ Você mesma me ensinou o contrário. _ Erros de percurso, meu filho. Erros de per-Ainda com a ajuda da esposa do filho, apren- curso.deu a acessar as músicas que gostava via in-ternet, a enviar e-mails com anexo em alta ve- Zelinha montou o quarto a seu gosto e prazerlocidade e a usar a câmera do computador. completo. Nada faltava na fase da indepen- dente convivência com Aureliano e seu ca- _ Mamãe, será que precisa instalar essa câ- chorro vira-latas.mera?_ Por que não? O cachorro, pobre animal, não poderia ser pe-_ E por que sim? nalizado pelo dono que o representava._ Deixe sua mãe, meu amor. Ela está se rela- Verdade verdadeira, ela não sabia exatamentecionando com o mundo. Deixe. quem comandava quem, quem representava_ Ah! Vocês duas... quem, mas na dúvida, a responsabilidade legal_ Cuidado, meu filho. Um percentual seu é do recaía sobre o de duas patas. Dos dois, suaAureliano. apreciação tendia, em momentos de silêncio e_ Ô!, mamãe, só estou preocupado com a sua paz, a quedar-se sobre o Totó, ser iracional,segurança! indefeso, sem muitas escolhas. Um vira-lata_ Há quase cinquenta anos estou segura de- cuja fidelidade ela admirava. Olhar para dentromais! Demais! daquela alma canina a levava a conjecturas_ Mãe... sobre as atitudes de Aureliano: teria levado o_ Você sabe que tenho razão! cachorro para a cama de casal por que dese- java que ela, Zelinha, deixasse o leito? Porque preferia a companhia do cachorro a dela?Zelinha tinha razão. A última vez em que arris- Não tinha dúvidas sobre a assertiva das duascara em alguma situação na vida fora no dia questões, mas será que Aureliano usara o ca-em que, a despeito de todas as falas de sua chorro para economizar o contato verbal? Sim,mãe e conhecidos, aceitara casar com Aurelia- pois o visual era manifestação inválida na vidano. Arriscara e descobrira que suas tendências dele desde há muito e muito tempo. Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 44
  • 44. Varal do Brasil—julho de 2012O quarto era um espaço próprio, único, inde- _ É!pendente. Sua identidade amarfanhada agora _ A senhora já tentou, com jeitinho, com muitotinha um lugar para resgatar-se. Vivia sozinha jeitinho, fazer com que ele...a dois fazia tanto tempo que dar-se o luxo de _ Com jeitinho, com jeitão, com carinho, comnão sofrer mais quase, quase, quase gerou gritos, com pedidos, com ameaças...culpa. Gerou, mas tratou de empurrar o senti- _ É difícil. O sogro é um pouquinho distante!mento que surgia em situações específicas _ Um pouquinho? Minha filha, reveja o seupara a “ilha” de quadros passados e presentes conceito sobre distância!que amparavam os movimentos de sua liberta- _ É...ção. Ilha essa que ainda sofria _ É só isso. Eu já aceitei. Mas não vou dividir o caixão com ele. Ainda mais um caixão cheio de pelos.Maremotos com algumas lembranças e pre- _ Sogra! Não fale assim. Aqui é sua casa.senças de sua condição de “mulher do Aurelia- _ Minha casa está fechada há muito tempo,no”. Olívia. Mas não vou ajudá-lo a me enterrar vi-Em algum lugar da cidade, por todas as ra- va também!zões que explicam uma cidade pequena, uma _ Ai!, sogra! Vamos parar com essa conversafamília grande e pessoas interessadas na vida pesada.alheia, havia alguém pronto para perguntar-lhe: Zelinha tentava, mas ainda era pega pelas ar- madilhas que ela mesma criava. Falar do Au-_ E o Aureliano, melhorou? reliano era mais comum do que desejava._ E ele estava mal? Decidiu que o marido não entraria em seu es-_ Como assim? Você é a mulher dele e não paço.sabe como ele está?_ Saber eu sei, mas não foi isso que você per- _ Quero vocês dois longe de minha porta.guntou. _ ..._ Mas, vocês não moram juntos há cinquenta _ Au!Au!Au!anos? _ Entenderam?_ Pois é, para você ver. A casa é muito gran- _ ...de. _..._ ... O silêncio de Totó poderia ser uma negação. Não!, ele não entendera; não!, ele não queriaO olhar espanto-julgamento-condenação não entender; não!,ele entendera e não obedeceriafalhava. Mudava de rosto, alterava a duração e e, portanto o problema estaria instalado maiso comprimento, mas estava lá! Infalível! uma vez. Falar do marido na rua? Superara essa fase.Aprendera que ao falar de Aureliano vivencia- _ Eu vou colocar você para fora, Totó! Me res-va novamente a situação que contava, tama- peita ou eu lhe deixo no olho da rua!nha a frustração acumulada pelas décadas de _ Grrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr!!!desencanto. E ainda, precisava lidar com um Era a prova de sua desconfiança. Teria outrosoutro olhar, o do tipo “eu não disse?”, sem sa- problemas com o cachorro além dos atuais.ber qual das duas situações a enfurecia mais. _ Vou marcar meu território.Dessa forma, optara por se fazer de desenten- _ Grrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr!!!dida, desinformada, desconhecedora de qual- _ Faço xixi aí se for preciso. Mas daqui vocêquer assunto relativo ao marido. não passa!_ Sou uma viúva de marido vivo. A delimitação por dedo em riste e a linha ima-_ Não seja tão radical, sogra. ginária traçada de uma parede a outra exigiu_ Mas é a pura verdade, Olívia. correção material após a primeira saída de Ze-_ É... linha. Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 45
  • 45. Varal do Brasil—julho de 2012_ Quem mandou você sujar o meu tapete? antigas peças da tragicomédia: “muda-se o_ Grrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr!!! palco, mas os personagens são os mesmos_ Tal dono tal cão! em histórias que se repetem”.Novamente Zelinha encheu-se de vontade e Zelinha foi chamada para várias reuniões emaumentou o espaço de seu espaço. Tomou grupos de mulheres interessadas na soluçãocomo território particular a pequena sala que pacífica das diversidades domésticas.antecedia o seu quarto. Tomou, particularizou De reunião em reunião ela dividia parte dee colocou uma porta segura para garantir que sua história, especialmente a que explica co-nada além dela e de quem convidasse pudes- mo deixara de fazer o que gostava e agora sese se aproximar do território recém conquista- recuperava aprendendo a fazer coisas novas.do. Zelinha conheceu mulheres com histórias pa- recidas com a sua. Conheceu outros Aurelia-_ Ninguém mais vai me fazer passar pelo que nos que apesar de não expressarem direta-eu não quero. Nem mesmo você, Totó! Nem mente o descontentamento que sentiam, dei-mesmo você! xavam claro que ela poderia ter permanecido onde estava por mais tempo.Espaço ampliado, consciência expandida. Criou um blog onde escreve suas impressõesZelinha gostou da ideia de aumentar seus do- diárias, responde dúvidas, opina, expõe con-mínios e resolveu comemorar a nova conquis- selhos, dita receitas de como manter-se a sal-ta: vo da invasão de identidade em casamentos que amadurecem sem crescer para lado al-_ De grão em grão a galinha enche o papo. gum._ Não entendi, mamãe!_ É simples: aos poucos, como quem não quernada... Zelinha hoje completa 82 anos de idade e_ Mamãe! mais e mais algumas décadas de Aureliano._ Você está exagerando, meu filho! Sou sua Totó morreu de velho. Zelinha, compadecida,mãe! presenteou seu marido com uma cachorrinha_ É! Ainda bem que você lembra! peluda e cheia de vontades. Aureliano tomou-se de tal arrebatamento dian-A esposa de Aureliano convidou as duas ami- te do novo cachorro que tentou esboçar umgas mais chegadas, companheiras de infortú- sorriso de agradecimento.nios semelhantes em número, grau e gênero, Zelinha entendeu: quem não tem gato, dormecasadas com outros Aurelianos da vida para com cachorro.inaugurarem sua sala de visitas. E afinal, a culpa era dela, só dela se, aos qua- se noventa anos Aureliano ainda era o mes-_ Uma sala só para você? mo._ É só uma salinha..._ Mas é para você! _ Minha culpa, meu filho. Minha máxima cul-_ Com certeza! Aqui ninguém entra a não ser pa!que eu queira._ Quando você vai tomar o resto da casa? _ Mamãe!..._ Bem, a cozinha não me interessa. Afinal, oAureliano faz comida como ninguém. E a la-vanderia... humfp! Deixa lá para ele pensarque ainda tem a maior parte!_ Mas..._ Devagar, minha amiga! Devagar!A novidade se espalhou. Afinal, como já dizia Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 46
  • 46. Varal do Brasil—julho de 2012 MEU BEM Por Anna Back Há tanto tempo te amo, e nem cansei! Há tanto tempo te conheci, nem percebi. Que o tempo passou... Que os filhos vieram... Cresceram, estudaram, amaram... E nós paramos!... Paramos para lamber as crias, Planejar a educação, a formação, De cada um e de todos. E eles foram, alçaram seus voos. De sonhos e buscas, encorajados por nós. Foram e vieram, para a escola, para a vida. E nós, mais uma vez, paramos. Paramos para achá-los lindos, Presentes dos céus, os maiores. E os melhores troféus... E vieram os netos, tesouros ímpares. E o amor na família, redobrado foi! Os meninos viraram homens, E a menina, mulher já é. E nós paramos! Voltados um para o outro. Percebemos o quanto nos deixamos levar, Na correnteza da vida e do nosso amor. Vivência e convivência, cumplicidade... Nos sentimos ainda no início, No estremecer da primeira vez, Com a experiência de milhares de vezes, Na cama e na vida, a idade não é empecilho. Pois temos o espírito empreendedor, Queremos sonhar, para nós e para os filhos. E viver...viver... Meu bem!Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 47
  • 47. Varal do Brasil—julho de 2012 Déjà-vu Por Ana Maria Rosa Ia passando por uma rua próxima, quando sentiu o desejo irresistível de rever aquela ca-sa. Parou o carro e deixou que suas pernas a levassem à rua das mangueiras. Era melhor vol-tar; uma mulher de trinta anos parecendo uma adolescente; iria apenas passar como quem nãoquer nada, só para dar uma olhada. De longe avistou a casa amarela; parou tentando recupe-rar a respiração; ainda havia tempo de voltar; seu corpo impulsionou-se até o número 25; que-dou-se observando: a fachada imponente, a porta entalhada, o muro de pedra, o jardim de ro-sas, a grade alta... Em que momento tudo se acabara? Antes, entrava sem se anunciar, agoranão podia sequer tocar a campainha; precisava desistir; dobrou a esquina e viu o portãozinhodo quintal, aberto; olhou para os lados e entrou. Experimentou o trinco da porta da cozinha; arrodeou a casa; uma janela aberta; volte,Marina, volte... escutou o silêncio da casa, o coração aos pulos. Estava louca. Uma mulher ca-sada com um deputado, mãe de dois filhos – escondida – espreitando o interior de uma casa!Assomou a cabeça à janela e viu a sala de jantar parada no tempo: a mesa grande, as cadeirasde veludo verde, os quadros, o lustre; as cortinas eram novas – cor de vinho; mulherzinha demau gosto. Fechou os olhos; calculou a altura da janela – como da primeira vez que dormiracom ele – agarrou-se ao parapeito e pulou. Ouviu o chuveiro e a voz dele vinda de longe – quem é? Entrou no quarto; escondeu-se atrás da cortina; ficou a espiá-lo – belo e viril – enxugandoo cabelo; ouviu a ordem – Marina, saia daí! Marina fundiu-se ao corpo nu e desejou morrer; não queria acordar em sua cama ao ladodo marido. A mulher dele viajara com os filhos; podia passar a noite ali; dessa vez não estavasonhando. Era real. Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 48
  • 48. Varal do Brasil—julho de 2012 O BOUQUET Por Roselis BATISTAR O bouquet que me brindou o barão era vasto Como se os vários varões assinalados que insinuava fossem uma flor! E que exangues por travessia dos mares buscassem os lares os cantares e as cantigas de amigo! O bouquet era como beijo latente Como o copo de leite Com o ajeito de caules de cores De supor que eram glórias Pelas vencidas vitórias que um calendário marcava! Mas era só uno o bouquet Ramalhete mais que nobre de um sentir tão premente. E a cada flor de magia escollheria a caricia que demonstraria depois... Assim num binômio a dois Duplicamos a profecia que vem deslizando dia a dia Num arco íris de amores!Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 49
  • 49. Varal do Brasil—julho de 2012AmarPor Denise ReisAmar é sussurrar emoçõese cintilar desejos no arsem estampar consternaçõescom a indiferença do olhar.Amar é desfolhar encantoscom igualdade e alinhoentão derramar o prantona surpresa do espinho.Amar é garimpar sonhos e alegriasnos céus e mares da ternuraé lapidar ausênciascom pétalas de brandura.Amar é amanhecer carinhosno entardecer da lidasem fatigar caminhoscom os desígnios da vida.Amar é plantar confiançana inquietude das magoasE Propiciar esperançaaos anseios e fráguas.Amar é rimar candurasna rotina solitária das dorese descobrir a curaNa essência de seus valores.Amar é um tesouro onipotenteguardado pelo fogo da paixãoseu brilho fulgura a gentee transcende a emoção. Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 50
  • 50. Varal do Brasil—julho de 2012 Natal Permanente Hoje: DO AMOR Por Germano Dias Machado No coração do tempo, nasceu Jesus. No tempo do coração do Pai no Espírito, Jesus nasceu No tempo e pelo coração, Jesus desceu... Grande pergunta neste Natal de 2012: No coração do nosso tempo Jesus nasceu?No tempo do coração do Pai no Espírito, Jesus nasceu em nós? No tempo e pelo coração Jesus desceu em nós? Cada um se interrogue: Diante do Natal de Jesus você pretende nascer? Um Natal permanente hoje Ou apenas uma fantasia? SÓ COM AMOR AMOR É O JESUS QUE SE QUER HOJE... Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 51
  • 51. Varal do Brasil—julho de 2012Resiliência vistas na televisão são feitas geralmente no mesmo lugar, será que só tem gente lá?). E a falta da pronúncia mastigadinha de farinha,Por Gilma Limongi Batista sou caboquinha-cunhã, falo nhengatú. Nas linguagens confusas diferenças mistura- Reza a lenda que, na ânsia pela busca de das, precisou incorporar novas palavras e ex-seu MUIRAQUITÃ da felicidade, a vitória-régia pressões. RESILIÊNCIA: muito além de sobre-partiu para o cerrado de solidão. Ele parecia vivente, “dá conta” de suportar superar ou con-estar lá esperando-a. Tinha que vir. tinuar a viver, simplesmente... Trouxe consigo o tremor da malária na alma Na vegetação careca sobre a grama, tantae, na memória a poesia de Shakespeare grama foram implantadas muitas árvores de“inferno é viver longe daqueles a quem ama- caules magrinhos e folhas fraquinhas. Comomos”. as vitórias régias submersas em igapós pro- fundos, elas resistem. O verde, apavorado No impacto da chegada, como aprender a transveste-se em ressecado marrom, porém,viver em desérticas paisagens à beira de logo vem à tona, sem medo assim que lheságuas que não chegam em lugar algum? A po- oferecem a segurança do solo molhado.eira é fétida, seu cheiro invade e torna tudo depegajoso vermelho. Para a Novidade antiga: choveu fora do tempo. Afalta de ar, ela pensou até em poeira sacudida, levantada, encon-enlatar ou engarrafar um pou- trou e varreu as estrelas, muitoco de umidade, junto com chei- acima da solidão, vou me juntar aro de mato, para trazer de sua elas.longínqua Amazônia. Quanto mais seco, parece que Por fim, entre o estranha- as flores mais se esforçam, em do-mento do frio e do calor extre- res, para aparecer e oferecer suasmos, ficou literalmente no pétalas em coloridos apelos. Exis-meio, central. Distanciamento te uma flor parecida com tulipade si mesma. Começou a olhar vermelho-alaranjado ou pequenasem sua volta. Nesse ponto, mãos que rezam para os céus fica-passou a aceitar, de certa forma, a mudança: a rem branquinhos, pingando.pirâmide no meio desse deserto era um túmu- Se eu sou flor, também posso fazer igual,lo, só que não era o seu! raciocinou a vitória régia. Não sei se consigo Mais que balzaqueana, a cinquentona, ain- amar, mas vou me acostumar com o cheiro dada, mantem seus encantos de deslumbrantes poeira, deixar de cumprir pena, só, na sauda-ocasos, a cor da sua beleza preservada em de. Deixo a lama para a política.espaços a ela dedicados. No inicio, tinha a im- Com seu MUIRAQUITÃ agora achado, erapressão de haver aterrissado em outra galáxia de pedra e se quebrou, dividido em dor insu-naquele tempo, pouco se presenciava das de- portável e alegrias inenarráveis, ela sobrevive.sumanidades tão comuns a outras paragens. Tornou-se RESILIENTE. Desobedecendo o sino, amanhece antes de- Como aquelas pessoas que deixam para ole soar. A luminosidade gritando, entra insidi- final o melhor da refeição, pedacinhos ao redorosa pelas frestas da cortina. Ao escurecer as do prato, ela degusta em cada um deles as de-luzes das cidades rodeiam os 360º, formam licias da vida, momento a minuto, quem sabeuma auréola. Poder-se-ia mesmo pensar que o quando será a última vez?entorno é um contorno de piscante brilho, uma Ofereço estes rabiscos às minhas duas cabo-coroa iluminada para cobrir a miséria, a doen- quinhas-candanguinhas, Felicidade e Benção,ça e a lama. ou vice-versa que como aquelas estátuas sím- Gente, que falta me fazem as pessoas bolos, continuarão abraçadas pela vida afora,amontoadas em cidades barulhentas (as entre- dentro do meu amor. Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 52
  • 52. Varal do Brasil—julho de 2012 entender mesmo – as pessoas que não o co-OCEANOS nhecem iriam começar dizendo que na praia tal, no Estado tal, tem uma praia onde se con- segue ver os seus pés, ou mergulhar e terPor Urda Alice Klueger uma visibilidade de dez metros – tudo coisa pouca para quem conhece o Caribe. Não dá para explicar o Caribe: há que se ir lá e vê-loEu sou uma pessoa do Oceano Atlântico. Pen- para se poder entender.so que já o vi de quase todos os jeitos, emquase todas as suas possibilidades, menos Já andei, também, pelas margens do Índico,sob um furacão, e a minha vida sempre foi mas foi coisa de pouca demora e estava muitomuito ligada a ele. Conheço o Oceano Atlânti- frio – mal e mal tirei sapatos e meias para di-co desde as beiradas do Rio Grande do Sul zer que entrei dentro dele por um instante, láaté as incomparáveis praias de Cayo Largo, lá na acolhedora e doce cidade de Maputo/já longe, no Caribe. Já vi o Oceano Atlântico Moçambique, e o Índico era um mar bem azulverde como esmeralda, ou profundamente naquele dia, muito bonito e suave, apesar doazul, ou delicadamente azul como se fosse o frio.céu, emendando-se ou se confundindo com E então um dia também conheci uma das bei-ele, ou cinzento e violento, ou escuro e sujo radas do Pacífico, lá na cidade de Lima, Peru.como imagino a alma de um sujeito como Hi- Também estava frio, e intensa cerração vindatler, em dias de lestada no sul do Brasil, ou da corrente de Humboldt quase que mo es-parecendo uma caixa de joias preciosas nas condia, e havia que se descer uma boa rampatarde de verão em que o vento nordeste o en- desde a cidade até a praia. Aquilo me desen-crespa todo e o deixa assim com jeito de que- corajou, e acabei não indo tomar a bênção dorido e amado, e também nas manhãs de terral, Pacífico.quando ele fica tão lisinho e encolhido que se Algum tempo depois, no entanto, voltei ao Pa-tem a sensação de se poder patinar sobre sua cífico, desta vez no ponto onde ele, todo mági-superfície. co e cheio de rochedos, se encontra com oPara mim, a parte mais fantástica do Oceano Deserto do Atacama, no Norte do Chile. Ai, foiAtlântico é o Caribe, onde se podem ver coi- lindo! Por um dia inteiro viajei pela sua beira-sas como a Playa Blanca de Cartagena das da, deserto de um lado e mar profundamenteÍndias, na Colômbia, onde, numa praia só, o azul do outro, e pequenas colônias de pesca-mar tem 17 cores, variando desde o mais ex- doras parecendo pinçadas de calendários ca-tremo verde translúcido até o mais intenso ro- nadenses instaladas em cenários desérticosxo, passando por todas as outras variedades na beira das praias de rochas negras! E dedos verdes mais maravilhosos, dos rosas e tarde cheguei a Iquique, balneário chileno quedos lilases, e onde a gente nada bem devaga- é também um oásis, e havia tanta coisa pararinho, com muito cuidado, para se ter certeza ver em Iquique, desde uma greve de funcioná-de não fazer nenhum movimento mais violento rios públicos até um fantástico museu de Ar-e machucar algum dos milhões de peixinhos queologia num centro histórico parecido fugidode todas as cores que nadam junto com a do século XIX – e nessa cidade tão colorida egente, sem nenhum medo daqueles seres es- mágica fiquei hospedada num hotel luxuoso,tranhos chamados humanos que entram no onde tinha uma enorme janela que me permi-seu ambiente sem pedir licença. Eu não acre- tia ver, à minha frente, toda a grandiosidadedito que possa existir no mundo outra praia do Oceano Pacífico vestido do mais profundomais bonita do que a Playa Blanca de Carta- azul! Então fiquei namorando o Pacífico, egena – talvez até possa ter outra tão bonita, passei uma mensagem eletrônica para meumas mais que aquela, acho impossível. sobrinho Mteka, dizendo: “Entra na página doTambém falar sobre a transparência das hotel tal e encontre o de Iquique. Lá, no quartoáguas do Caribe é redundância, e ninguém iria andar, olhando para o mar, a tua tia está te abanando!” Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 53
  • 53. Varal do Brasil—julho de 2012Então, começou a vir a noite, e o sol, ali, sepunha, bem por detrás do grande oceano.Desci para a praia quase deserta, onde umcasal de namorados chilenos trocava arru-lhos, e até conversei um momento comeles. Depois eles se foram, e fiquei por ali,catando conchas um pouco quebradas, nãotão bonitas quanto as que eu tenho doAtlântico, espiando se aparecia mais al-guém, porque eu queria fazer uma coisabem grandiosa e não queria ninguém porperto. Daí, quando a claridade do dia quaseque se ia de vez, bem naquele balneárioroubado do colorido Deserto do Atacama,sozinha diante do grandioso Oceano Pacífi-co, eu gritei – do fundo das minhas forças edo meu coração, eu gritei para o Oceano oquanto amava você! Meu grito ecoou lá pe-las distâncias desertas, e talvez tenha che-gado até Honolulu. Pelo menos, eu tinha a Viver o amorconsciência que o lugar mais próximo, dalipara a frente, seria Honolulu. Talvez em Ho-nolulu também tenham ficado sabendo o Por José Hilton Rosaquanto eu amo você! E não gritei secreta-mente: gritei seu nome todinho, e então talsegredo deixou de ser segredo, pois se até Para o sonho no infinitoo imenso Oceano Pacífico ficou sabendo! Imagino cantar somente o amorNum dos banheiros da minha casa, hoje, Sem tristeza e sem choro à mortetenho um aquário de vidro onde conservoas conchas que tinha colhido naquele mo- É preciso ter fé em nosso coraçãomento. Elas não são muito bonitas, e eu bo- É tão simples vivertei um peixinho de plástico e algumas péro-las entre elas. Então, a cada vez que entro É tão longe o fimnaquele banheiro, eu tenho certeza de que Vamos então viver juntosnão sonhei – e também me certifico que o No mesmo planeta, respirando o mesmomeu amor é tão grande que até o Oceano arPacífico ficou sabendo! Quem é maior? Porquê? Quem merecerá mais? Viveremos alegres Vamos cantar, dar as mãos Todos por um Este um, por todos É nosso este planeta terra, enfim!!! Viver o amor, amar a vida Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 54
  • 54. Varal do Brasil—julho de 2012 A casa Amarela Por Varenka de Fátima Araujo Em tempos idos e louvados Portugal com um rei poderoso Tão querido e amado por todos E por mandado seu, uns portugueses Por mares navegaram a descobrirem terras Avistam uma bela e tropical Sendo a mãe pátria do Brasil Os lusos aportaram na terra rica Construíram a cidade de Salvador na Bahia Com semelhança da capital de Portugal O Pelourinho e o Carmo no centro histórico Com arquitetura igual a Lisboa tropical Aqui é a nova Lisboa, tão festejada Neste novo tempo vibramos no pelourinhoCom tambores coloridos e musicas contagiantesDaqui canto, elevando e meu amor por Portugal.Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 55
  • 55. Varal do Brasil—julho de 2012 Conspiração dos desejos Por Gladys Giménez A cidade a seu pés. Refletia sobre os últimos acontecimentos de sua vida. Maravi-lhado com o belo espetáculo que o entardecer lhe proporcionava, sentia-se extasiado com tantabeleza que aquelas colinas lhe propiciavam. Inexplicável, fatalidade do destino, pensou- passan-do os dedos entre os platinados de seus fios que teimavam em tornar-se visíveis pelos anos quejá vivera. De repente, por impulso de seus corpos, seus olhares se cruzaram e aqueles olhosverdes, como duas pequenas pepitas de jade lhe queimava o ser. Chegou devagarinho, inconse-quentemente, qual anjo descido de algum afresco medieval. Contaram os anos, permaneceram em silêncio. Tempo demais - calou ele, tempo de-mais, caladas nas dores da alma, disse ela baixinho. Num lampejo de consciência quase in-consciente, na loucura do vento, na aragem úmida da noite, aproximaram-se um do outro. Seushálitos, suas peles, seus poros, olhos fixos um no outro, centelha inconfessável de amor contra-ditório e na conspiração dos desejos murmuraram: Já não somos os mesmos. O coração bateu descompassadamente, quiseram enfrentar os quatro ventos, os setemares, quiçás, desbravar os cinco continentes, faltou-lhes coragem. Faltou-lhes o ar, as pala-vras, faltou-lhes o conluio secreto do Cosmo. E no encontro mergulhado em silêncio paradoxal;não me esqueças suplicava. Buscou rapidamente em suas memórias, vasculhou até o fundo desua alma e não encontrou em nenhum momento de seus anos sentimento mais contraditório, tãointenso e perturbador, não se reconheciam, estavam os dois ali frente a frente, sem nome, semsobrenome, só os dois. Um momento de encantamento, um momento de magia irracional, dúbio e inconfes-sável sentimento, estava ali, ao seu lado, viva, úmida à espera, diante desse silêncio magistral –Amava-a. Num fulgor rápido, sentiu dentro de si a verdade que tentara soterrar naquelas terrasde verde profundo, de colinas enfeitiçadas: esperara-a toda uma vida e esperaria toda uma eter-nidade, como aquelas colinas esperam o sol ao final da tarde para mansamente acostarem-sesob o manto cúmplice da noite. E no silêncio dos lábios descobriram-se. Amor sem argumento, escreveu bem mais tarde em seu opúsculo, se me deixares dequerer, deixa de querer-me em gotas homeopáticas, não existem culpados, pois o outono jáchega à minha janela, apenas deixa que me esconda uma única vez em teus braços e forja emteu coração: dos amores, fostes meu último amor . Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 56
  • 56. Varal do Brasil—julho de 2012 O MEU PRIMEIRO AMOR Por Silvio Parise Todos nós devemos amar O nosso Criador espiritual Porque, se pensarmos bem,Foi Ele quem nos amou primeiro. Daí, poder dizer sem medoQue Jesus é e eternamente será O meu primeiro Amor. Uma noite Por Ara Mitta O tato, o contato, os lábios... A dor no ardor do desejo Minha vida a teus pés Meus brios no chão E eu, ardente e feliz. O contato, o ato, a paixão Nos unindo em leviana ilusão... E na volúpia do ato Enleita-te em meu quarto Minha cama, Meu espaço, Minha vida. Por momentos, Nossa vida, Nosso espaço, Nossa cama, Nosso quarto... E depois da despedida Busco nos panos jogados O resto do seu perfume Temendo o tédio e as trevas Da solidão e saudade. Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 57
  • 57. Varal do Brasil—julho de 2012Oui, monsieurPor Sandra NascimentoSe algum diaem uma tarde qualquereu conseguisse sentar num bancoda Place des Vosge, em Parispara descansar meus pensamentos,à sombra daquelas árvores antigas...Talvez, ainda quisesse ver você chegando...Sorrindo...Com o reflexo de algum raio de Solclareando os seus cabelos,envelhecendo o seu semblante...Senta aqui, eu diria – em português,porque a emoção iria impedirque eu gastasse o meu francês caprichado –E você se deixaria ficar alipara dividir as impressões do lugar...E um bom vinho de gargalo longoDepois me contaria– como costuma –todas as histórias que faz... hƩp://mry.blogs.com/As que leu e as que gosta de ouvir...E eu poderia conjugar pra vocêO verbo mais importante das línguas... Quetal?Em primeira pessoa e em todos os tempos...Eu amo...No embalo das letras dormiríamos ali...E então, no dia seguinte –antes que saíssemos pela manhã –você balbuciaria:Ainda me ama?Oui, monsieur. Oui– eu diria –Se os grandes amores são possíveis... Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 58
  • 58. Varal do Brasil—julho de 2012 NOSSO SANTO GRAAL INTERIOR vez mais próximos da nossa atualidade. En- quanto vamos olhando para os afetos que se encontram e se concentram ainda, no futuro Por Odenir Ferro da nossa realidade porvir e que vão demons- trando, desnudando-se e instintivamente, sen-Amar é sabermos como nos encontrar median- sivelmente, apontando-nos o percurso a se-te um amplo estágio espiritual de abnegado e guir, dentro da direção certeira dos nossosrefulgente sublimado esplendor! Quando impri- passos que vão os seguindo. Certos, coeren-mimos na alma, as páginas emocionais cons- tes, cadenciados e seguros, rumo aos incógni-tantes no histórico emocional pregresso do tos deste futuro – enquanto ao mesmo temponosso amor. Fazendo um importante elo entre vamos deixando-nos livres, impressos dentronossa vida vibrando-se dentro da harmonia das mais sonoras, numas horas, e noutrasexpressa nos compassos rítmicos, das batidas mais silentes, entonações pulsantes e maisdissonantes do nosso coração, perante o es- vivas ou mais sangrentas do nosso impulsivo,petáculo tão inconstante, tão insolúvel, que as ditoso ou abstraído coração abnegando-se! Ounarrativas emocionais da natureza humana, sublimando-se, extrapolando-se, através desempre nos dispõem, ao vivenciarmos dentro todas as essências impressas nestas perfuma-das nossas experiências de vida, os afetos e das páginas impregnadas de forças cênicas!desafetos que vão espelhando-nos uns nos Por atuarem explosivas em tão belos e poéti-outros, formando um elo sequenciado. Dentro cos enredos que se expressam nas lógicasdum aprendizado sem fim. mais irracionais que se imprimem dentro dasAprendizado que vai se tornando aos poucos, nossas sempre muito apaixonantes atitudesembora gradativamente, o merecedor dos nos- para com o bem-estar da Humanidade inteira!sos mais incansáveis e sempre tão valorosos Podendo desta forma, viver a satisfação emo-enleios pelos quais vamos desnudando os an- cional perante as lógicas emocionais e inspira-seios dos nossos emotivos sonhos espectado- tivas, concentradas no todo do inconscienteres deste lírico estado de amor. coletivo; aonde, através do qual, nós podemosAmor que se torna um mensageiro fiel deste fazer da criatividade da vida, algumas expres-nosso impetuoso e espirituoso estado de sivas liberdades, ao recontarmos as venturasamar. e desventuras das histórias humanas entrela-Amar é poder encontrar-se feliz, ao deparar-se çadas com as outras mais diversificadas histó-com as portas abertas perante uma lógica vis- rias que acontecem nos enredos dos demaislumbrada entre as atitudes irracionais dos nos- reinos! Traduzindo em palavras, as emoçõessos sentimentos comparados aos nossos de- expressadas nos ritmos das vivências que vãosejos práticos, objetivos e diretos – ao equili- se sucedendo através da riqueza apaixonávelbrá-los laboriosa e pacientemente, com os que atua em cada existência. E das quais, po-nossos prazeres despertos entre as razões demos com certa dose de habilidade inspirati-que sempre nos mostram a realidade de se va e emocional, recriá-las ao recontá-las atra-seguir em frente – caminhando com os pés vés das Artes! Usando dos recursos dos donsfincados no chão e sempre atento às pegadas que temos, aproveitando através das Artes, asdeixadas nos rastros do passado. construções literárias, que vão se formandoEnquanto seguindo em frente, avançamos mi- através da trajetória da nossa existência ...rando nossos objetivos materializarem-se cada Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 59
  • 59. Varal do Brasil—julho de 2012... E desta maneira, usar estes dons para fa- se se assomando junto às nossas expectativaszermos da nossa própria vida, uma alavanca, de melhorias em qualidade de vida. Fazendo-uma ferramenta de trabalho, uma haste, um nos então, com que sejamos uma ponte, umapêndice, para que possamos dar uma conti- elo, um fio, um termo equilibrado da passagemnuidade ou amparo aos demais enredos de verdadeira das mensagens que vibram perpé-outras vidas que se seguem esperançosas tuas entre nós! Humanos que somos harmoni-iguais a nós. E então, gerarmos inúmeras pos- zando-nos com as majestosas forças imperiaissibilidades de forças criativas para encontrar- da Natureza. Centralizada nas essências plu-mos uma saída satisfatória para solucionarmos ralizadas que se encontram no Éter, dentrode uma vez por todas, os inúmeros conflitos das primícias mais sensíveis do Sublime, noexistenciais que andam acontecendo por este Eterno espaço atemporal aonde reinam as mú-mundo afora! Penso obstinado e esperançoso, sicas mais belas – arquitetadas dentro das be-de que isto possa ser possível ainda, apesar líssimas ressonâncias da musicalidade eternade tudo. Apesar das muitas crises existenciais – que se derrama harmônica e melodiosa,que se perduram por aí, dentro do nosso con- através do Etéreo vibracional lírico do estadovívio social... Devido acima de tudo, a esta de Amor!muita falta de amor que anda acontecendo poraí...Amar é um fenômeno que criamos através da Amar é podermos conquistar a felicidade de seinterpretação dos nossos sentimentos em rela- ter o poder da prazerosa força da comunica-ção a algo ou a alguém. Assim como o desa- ção nas mãos. E dentro da alma do coração,mor também é um fenômeno que se apresenta poder reproduzi-la, ao privilegiadamente ler,em aspectos desorganizados, fazendo com sonhar, amar, interpretar as mais puras e asque os nossos desajustes e desassossegos se mais belas intraduzíveis emoções plenas detornem um mar bravio em noites escuras de anseios ricos de valorosos amores vivos, for-fortes tempestades acontecendo em alto-mar. tes, dramáticos e reais. Impressos dentro daAmar é calmaria, é resplendor de alma. São poética essencial e existencial de todos os se-encantos manifestados em pureza sobressaí- res humanos que ainda se preocupam com asda de pedaços vivos da Eternidade acontecen- belezas entremeadas de extremados encantosdo em torno de nós. É como se o jardim do vindos do amor, da paz, da união, da melhoriaÉden estivesse sobre os nossos pés e as co- da qualidade de vida do Planeta, da amizade,res vivas da vida fossem apenas as exuberân- da família, enfim, de tudo o que for bom, belo ecias advindas das belezas etéreas das árvores duradouro para a harmonia e o equilíbrio dae das flores harmonizadas em muitas tonalida- vida. Demonstrando todas essas dignas es-des de cores e difusas fragrâncias esparrama- sências, nos ímpetos mais belos! Extraídos dedas pelos ventos acariciando as resplandecên- dentro da própria alma, ao transpô-los para ocias refulgentes das luzes das nossas eternas papel – enquanto tecem as construções da ló-essências primaveris vivenciadas nesta caden- gica poética impressa na dialética – sobrevin-ciada calmaria embalada de profundo êxtase das de dentro das mais profundas essênciasdesenvolto num forte clima de encantadora mais belas! E que se concentram no lírico epaixão! tão sublime estado de amar que se demonstraCultivando, através das nossas, as outras mui- envolto ou desenvolto na alma emocional dotas histórias; que virtuosas e venturosas, vêm- espírito de cada um. Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 60
  • 60. Varal do Brasil—julho de 2012Criando-se, desta forma, uma complexa ca- brada de vivenciarmos a partir de nós e pordeia de boas atitudes que possam espalhar e nós todos, a tão sonhada Paz Mundial!espelharem-se através dos labirintos dos nos- E desta maneira, criarmos e recriarmos numasos mais profundos sentimentos. Como se fos- ordem cronológica e cadenciada, a essenciali-sem eles, uma inesgotável fonte de água pura, dade fundamental de se amar com toda a de-límpida e cristalina. Onde nela e através dela, voção e fervor os entrelaçados históricos de-somente concentrassem-se, extraídos dos senhados nos Registros das páginas da vidamais sublimes anseios amorosos de todos nós de cada um. Fazendo acontecer entre nós, à– somente o que fosse o bom, o belo e o dura- realidade deste manifesto, num sentimentodouro – e numa fórmula mágica que nenhuma que se resplandece em cada profundo íntimorazão compreendida dentro do nosso mundo de alma! Acalentando-nos com uma pura co-quântico tridimensional pudesse ser desmistifi- moção, na formalidade dos laços contínuos dacada – esta poção milagrosa fosse somente felicidade geradora, acima de tudo, das forçassentida, vivenciada, saboreada através desta mais expressivas da União humana – basean-água milagrosa que viesse a tornar-se cada do-se na confiança recíproca entre todos osvez mais, uma forte poção mágica de saciável seres humanos que se predispuserem a amare tonificante fonte de consumo que miraculo- – ao criarem e recriarem para si e para o seusamente, pudesse então, melhorar a qualidade próximo, o bem-estar que sempre advém dade vida da Humanidade inteira! bem-aventurança que se concentra dentro dasE assim, através desta fórmula, através desta inexplicáveis forças que se desprendem daseiva extraída de dentro do Cálice do nosso lírica emocional do livre estado de se viver in-Santo Graal interior, pudéssemos equipararmo condicionalmente, de se ser amado e de amar-nos, equilibrando-nos na reflexiva balança e amar-se, acima de tudo e apesar de tudo!das nossas razões e emoções! Espelhando- Tal como as primaveras concisas nas expres-nos diante de todos nós, através dos nossos sividades mais históricas de todas as Eras,espelhos refletindo-se nos reflexos espalhados aonde em cada ano, em todos os Continentes,pelo mundo, possibilitando a nós todos, visua- em todos os Hemisférios, por todos os recan-lizarmo-nos com todo o apaixonante contexto tos do Planeta – em cada época diferente, dedos históricos das nossas memórias emocio- cada tempo, num local ou noutro do Planeta,nais, na intensa espiritualidade múltipla exis- ela renasce e renova-se nas forças carismáti-tente nas qualidades mais sublimes e amoro- cas e mais belas da Natureza – assim devere-sas residentes na alma de cada um de nós! mos que procedamos nós todos, diante aosFormando um gigantesco elo abrangente, en- tão enigmáticos, prazerosos e belos enredosvolvente, mediante a um comum acordo feito a que geramos através dos ímpetos emotivos dopartir do interior de nós mesmos. Ao integrar- amor!mo-nos com a totalidade dos humanos habi-tantes nos demais diversos lugares deste nos-so gigantesco Planeta Terra!Criando-se assim, a harmonia da beleza con-dutora, no fio magnético das vidas. Numa cha-ma iluminada que se desperta numa realidadeprofusa. Encontrada na equiparada comunhãoentre a vida essencial com a lógica do apósmorte. Depositando nas chamas vivas da es-perança, os teores da fé essencial baseadanas forças das crenças. Numa profunda eimensurável realidade concentrada numa con-tinuidade vivencial espiritual, através dos es-paços etéreos da Eternidade!Criando-se assim, entre todos os povos, apossibilidade assegurada da harmonia equili- Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 61
  • 61. Varal do Brasil—julho de 2012 UM PANACA NA PAQUERA recendo a um destas rezas dos crentes chate- arem a paciência do Santo: “Eu te suplico um olhar pelo menos Por José Alberto de Souza Que seja lenitivo aos dissabores Enquanto subia a travessa do Calçadão, De amargos momentos nunca serenosaqueles versos simplórios afloravam ao seu Sem prazeres, alegrias, só temores”...pensamento. Não sabia por que cargas d’águameditava naquela bobageira lida no Álbum deSonetos de Dona Celeste, numa hora em que Neste estado de espírito, já ia desembo-folgara o trabalho. Fazia anos que ela era sua cando com a Travessa do Calçadão em plenacolega de serviço acostumada a lhe confiar até Rua Principal, seu olhar atingindo sem querermesmo suas inconfidências. Uma autêntica aquela dama a se movimentar despercebidatiete, nutrindo-lhe tremenda gamação e procu- entre a multidão. Alguma coisa despertava-lherando de todas as formas demonstrar seu cari- o interesse naquela mulher não muito jovem,nho. Bastava aparecer com um mal de fígado mas ainda atraente, podia ser a sua pele quei-ou outra função qualquer, ela sempre tinha à mada puxando a caramelo. Os olhos dela des-mão um chazinho milagroso. E nestas horas, pretensiosos também o reparavam e ele sentiuele não deixava de comentar: “Dona Celeste, a -se como censurado naquele ato ingênuo, pro-senhora é uma mãe para mim!” E ela se irrita- curando desviar suas vistas a outras paragens.va sem que ele soubesse o motivo: “Seu Ma- Mas aquela não era uma mulher fácil de es-noel, estamos de relações cortadas”... Como quecer, muito mais ainda com os diabinhos dase pode deduzir, o relacionamento entre am- sua imaginação atiçando-o a ousados vôos. Obos apenas beirava às raias da intimidade, dia era uma sexta-feira – estava com o bolsopois, apesar de trabalharem juntos já um boca- forrado pelo salário recém recebido, já des-do de tempo atendendo o público ali no Cartó- compromissado com os companheiros do cho-rio Eleitoral, ainda permaneciam naquele pin- pe no final de tarde – propício pois a um pro-gue pongue de senhorias. grama diferente. Assim, um belo dia, Dona Celeste confi- “É hoje, vai lá!” – repetiam matreiros osdenciou-lhe sua troca de cartas mais de vinte diabinhos. Era como uma estrela cadente esti-anos com um jovem poeta do Maranhão, vindo vesse indicando novos rumos ao seu destino:a noivar com o dito cujo por correspondência. retrocedeu então no caminho andado e buscouSó não haviam concretizado o ato platônico fazer a triagem daquela jóia misturada no trigalpor razões econômicas e outras evasivas. Mo- dos transeuntes, não demorando muito até elaravam longe um do outro, eram pobretões, não se tornar visível a seus olhos; decidiu segui-lahavia maneira de se encontrarem fisicamente. discreto à distância a fim de resguardar a suaEla cansou de ser enrolada e desistiu, mas privacidade. De outro lado, ficava pensandodessa comunicação ficara um volumoso dossiê ser aquela a ocasião na qual ofereceria moti-de cartas amorosas recheadas de lânguidos e vos plausíveis àqueles que viviam jogando Do-ardentes sonetos a que ela se dera o trabalho na Celeste contra si para acabar de vez com ade compilar naquele álbum, mostrando-o a es- conversinha mole e sem graça de formaremse colega todo gentilezas talvez com a inten- eles um par perfeito.ção de provar que já fora musa inspiradora de Volta e meia dava uma paradinha, pro-um vate ainda futuroso. curando conferir no reflexo das vitrinas sua Pois bem, tentando não ser indelicado e aparência para melhorá-la: acinturava o abdô-desatencioso, ele apenas abrira uma página men; erguia a calça quase caída, pondo porqualquer do álbum e lera em voz alta aquela dentro a camisa solta; entrevia a rebelião dos“Súplica”, provocando nela suspiros enternece- cabelos sobreviventes e buscava ordená-los adores. Agora, aquelas rimas bobas e choças esfregar de um lado e do outro da cabeça naestavam ali lhe martelando a cuca, meio se pa- inutilidade do pente, as mãos espalmadas e Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 62
  • 62. Varal do Brasil—julho de 2012 umedecidas por cuspidinha providencial. In- e fingindo indiferença a deixaria para trás acerto surtisse algum efeito tal disfarce no seu uma prudente distância, entretanto permane-jeito bonachão, o senso do ridículo flagrava-o ceria à espera de sua passagem na esquinadesprevenido e os diabinhos se afastavam por mais adiante como tímido canalha na espreita.um momento cautelosos, seu pensamento re- “Lá vem ela, não deixa escapar!” – cla-tomando a idéia anterior – era o soneto mise- mavam os diabinhos malucos. Porém, questãorável voltando insistente: de instantes, ele fugia de si não querendo ser ...”Se me deres esse olhar ainda quero tomado pela emoção desconhecida e procura- va se dominar, a concentração voltada a ou- Ver na tua face um amável sorriso tras figuras menos perturbadoras, nesse átimo Assim tão sugestivo quanto espero, de segundo ocorrendo-lhe a composição poéti- Desejo que satisfazer preciso”... ca daquele sujeitinho lá do Maranhão: ...”Contudo nem isso seria suficiente Seguia distraído quando se deu conta Enquanto não visse em teus lábios brotarter perdido de vista aquela silhueta conduzindo Uma palavra meiga, sincera, quente”...-o por um trajeto incerto e se desencontrariade uma vez por todas não fosse ela voltar-seolhando para trás, logo ali bem a seu alcance,toda amistosa com um sorriso jovial, infantilaté, deixando-a tão meiga como uma menini-nha. Mas a razão conflitava-o como se quises-se controlar as suas atitudes, afinal escaldadocom tantas desilusões chegou a duvidar da-quela miragem, pensando tratar-se de uma...Cortou: indignava-o por admitir semelhante ab-surdo, tentando se justificar através de tais de-duções com a cor marrom-alaranjada, caracte-rística de certa livraria, do pacote que ela leva-va de encontro ao peito, daí tratar-se de pes- Foi despertado dessa distração com asoa com costume de boas leituras e, portanto, chegada dela nesse ponto de espera, os senti-de refinadas maneiras. dos aguçados ao máximo para não acreditar Parecia ser-lhe proporcionada a oportu- estivesse ela ali presente, sem o pretexto denidade de encontrar a parceira ideal, chegando não a ter ouvido direito quando ela o saudouesta na sua vida nem cedo nem tarde demais. discreta: “Olá, tudo bem?” – “Tu-u-do...” – MalSe não tivesse Dona Celeste o adotado com e mal ele balbuciava esticadas aquelas sílabasseu zelo semi fraterno semi maternal, ele se iniciais, deixando a frase incompleta e ambí-sentiria mais ainda carente de uma afeição gua, pois nem conseguia mover o queixo caídoprofunda quanto esperava receber adorando e nem tinha qualquer reflexo para o gesto invo-aquela imagem, não que ele fosse inabilitado luntário de esconder com a mão sua boca es-para tanto, pois ainda haviam as Verônicas, as cancarada e vulnerável. A esta altura do jogo,Cândidas, as Angélicas e as Inocências a sus- os diabinhos impertinentes retorciam-se empirarem pelo monopólio de sua companhia. sofridas convulsões, tão aflitos estavam comNeste momento, suas defesas tornavam-se aquela expectativa angustiante. E ela cruzoufrágeis e os diabinhos alvoroçados se prevale- de relance, apanhando-o naquela postura deciam da sua condição de bobo alegre para ati- atônita perplexidade e desvanecendo sua pre-çá-lo com picante ironia: “Vê se não perde sença tão suave quanto o apagar da chama demais esta caindo de madura!” Aí ele tomava um lampião. Mas ele teve condições de se re-um fôlego e mais assanhado resolvia tomar compor e sair daquele estado de catalepsia auma iniciativa arrojada: apressando seu passo que fora reduzido por ela irradiado Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 63
  • 63. Varal do Brasil—julho de 2012 E os diabinhos juntavam suas energiasresiduais para levar a termo sua missão, im-plorando-lhe em desespero de causa: “Reage,cara, ainda está em tempo”. Desta forma, percebia-a dobrando na-quela esquina e então saindo desta imobilida-de, ele resolvera ir até as últimas consequên-cias para verificar tal sorte da sua loteria exis-tencial. Retomando o caminho desconhecido,estudava a melhor estratégia de abordagem,compondo um palavreado conveniente de usarna ocasião. Como dizer o quanto curtia a suasolidão nas horas vazias recolhido naqueleambiente fumando-espero-a-mulher-que-mais-quero do quarto de pensão compartilhado comsua consciência, por sinal uma chata a bisbi-lhotar cada um dos seus passos, tão ciumentaa ponto de conferir até resultado de futebol.Que, para se ver livre dessa depressão, valia-se do artifício de recorrer ao seu Del Vecchio,dedilhando suas cordas cúmplices no propósi-to de calar aquela voz interior. E que nem sen-tia o tempo passar, vendo seus dedos ágeisquais bailarinos-equilibristas a saltitarem noscabos esticados, obstinando-se no solo de umtema melódico – La-ra... La-la... La-ri... La-ra-la-ra-ra... – Aí um corte de cena para o da-nado do sonetinho intruso ressurgir e bagun- José Alberto de Souza nasceu em Ja-çar as suas idéias: guarão, RS. ...”Mais além outra coisa não pediria Em 1989, participou da Oficina de Cria- ção Literária da PUCRS, coordenada por Luiz - uma amizade que, para ganhar, Antônio de Assis Brasil, tendo integrado a an- Somente teu coração permitiria”. tologia “Contos de Oficina 5” (Ed. Acadêmica), com três contos. Fez parte do grupo Fábula, quando publicou mais três contos na antologia Esse devaneio não chegou a desviá-lo “Mais ao Sul do que eu pensava” (AGE, 1993).do alvo de seu cuidado, agora voltado para Colaborou com trabalhos nas coletâ-uma fila de pessoas aguardando embarque neas “Julinho 100 anos de história” (AGE,numa condução para o Bairro. Ela estaria no 2000), “Olhares sobre Jaguarão” (Evangraf,último lugar não fosse ele arrogar para si tal 2010) e Varal Antológico (Design Editora,posto. E foi chegando de mansinho, passos 2011).curtos e cruzados, ombros jogados para dian-te, braços gingando manemolentes, a voz saía De sua autoria, tem publicados “Lá pe-anasalada quase fanhosa quando lhe sussur- las tantas”/crônicas (Independente, 2010) erou meloso: “Ô minha, posso falar contigo?” “Para Não Dizerem Que Passei em BrancasEla até se assustou, mas logo se refez para Nuvens”/contos (WS Editor, 2010).atingi-lo no contragolpe: É editor do blogue: - Ah, Manequinha, tu não estás me re- http://poetadasaguasdoces.blogspot.com/.conhecendo, eu sou tua amiga lá da terrinha,Berenice, filha do Mourão, não lembras? Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 64
  • 64. Varal do Brasil—julho de 2012 Revista Varal do BrasilA revista Varal do Brasil é uma revista bi-mensal independente, realizada por Jacque-line Aisenman.Todos os textos publicados no Varal do Bra-sil receberam a aprovação dos autores, aosquais agradecemos a participação.Se você é o autor de uma das imagens queencontramos na internet sem créditos, faça-nos saber para que divulguemos o seu talen-to!Licença Creative Commons. Distribuição ele-trônica e gratuita. Os textos aqui publicadospodem ser reproduzidos em quaisquer mí-dias, desde que seja preservada o nome deseus respectivos autores e não seja parautilização com fins lucrativos. A Metalinguagem do AmorOs textos aqui publicados são de inteira res-ponsabilidade de seus respectivos autores. Por Marcelo de Oliveira Souza A revista está disponível para download nosite www.varaldobrasil.comContatos com o Varal? Substantivo comum varaldobrasil@gmail.com E Abstrato que habita o íntimo da pessoa; Lembrando que o ser é humanoPara participar da revista, envie um e-mail E não pode ser desumano.para a revista e enviaremos o formulário. O amor: substantivo primitivo, Que deriva muitas outras palavras E mantém o desejo... De ver o ser amado sempre bem. Se possível sempre bem próximo Onde o substantivo é abstrato, Conduzindo ao concreto Que é o sentimento eterno. Www.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 65
  • 65. Varal do Brasil—julho de 2012 www.varaldobrasil.comwww.varaldobrasil.blogspot.com varaldobrasil@gmail.comWww.varaldobrasil.com EDIÇÃO ESPECIAL VARAL DO AMOR 66

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