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Metodo aba[1] Metodo aba[1] Document Transcript

  • saudeaba:Layout 1 12/22/08 2:30 PM Page 88 saúde entrevista Método ABA Uma esperança para a autonomia das crianças autistas Na Costa da Caparica, o primeiro Centro ABA em Portugal auxilia meninos autistas. Nesta edição, damos-lhe a conhecer o método ABA – Análise Comportamental Aplicada (Applied Behavior Analysis), cujo objectivo é intervir em crianças e jovens autistas e que conta com vários anos de aplicação nos EUA, entre outros países, com óptimos resultados. No ano de 2008, foi inaugurado o primeiro Centro ABA, em Portugal, sedeado no Colégio Campo de Flores, com o objectivo de ajudar crianças autistas. Para o conhecermos melhor, entrevistámos a Dra. Albertina Marçal, uma das grandes mentoras do projecto. Gostaria que me contasse um pouco a história do seu filho… Nos EUA, os especialistas conseguem reabilitar um indivíduo Há um ano atrás, eu, o meu marido e o meu filho fomos aos EUA pa- ra tirar um curso na ABC Real e gostámos tanto daquilo que vimos autista em três meses que não conseguimos deixar de nos meter na aventura de trazer o Ap- filho foi consultado por um especialista em Asperger e em duas horas plied Behavior Analysis para Portugal. Já tínhamos alguma expe- (tempo de duração da consulta) foi feita uma avaliação. A realidade riência nesta área porque já participámos noutras Fundações e Asso- portuguesa é realmente diferente. ciações relativamente à problemática do autismo porque o nosso filho Ouvi mais nessas horas do que em sete anos em Portugal. Ele começou tem o Síndrome de Asperger. Nos EUA, os especialistas conseguem a ser trabalhado aos três anos. Não quer dizer que sejamos menos com- reabilitar um indivíduo autista em três meses. Nessa semana, o meu petentes mas eles têm um percurso histórico e um know-how que nós 88 Mãe Ideal Janeiro 2009
  • saudeaba:Layout 1 12/22/08 2:31 PM Page 89 “Em determinadas áreas do autismo, nós estamos a descobrir que a diferença não tem de ser uma deficiência”
  • saudeaba:Layout 1 12/22/08 2:31 PM Page 90 saúde entrevista não temos. A área mais difícil do meu filho é a sociabilização que in- terfere em tudo, como por exemplo, no processo de aprendizagem. O meu filho cansa-se muito se estiver com outros meninos mas consegue estar três horas seguidas ao final do dia com a explicadora de mate- mática. Isto não quer dizer que ele não goste dos outros. Ele tem uma O meu filho cansa-se muito se estiver com outros meninos mas consegue estar três horas seguidas ao final do dia com a explicadora de matemática performance cognitiva geralmente acima da média, o que não signi- fica que não tenha problemas de aprendizagem. O meu filho é extre- Escola ABC Real em Sacramento mamente inteligente e sensitivo. Há um grande especialista do Asper- ger que diz que um indivíduo com Asperger tem um funcionamento dem desenvolver capacidades que não nos passam pela cabeça. extremamente visual. Se a nossa aprendizagem é sobretudo baseada A nossa ida à Califórnia foi o culminar de um processo que temos vin- na oralidade, é evidente que o meu filho está em grande diferença em do a caminhar. Temos trabalhado muito nestas áreas. Foi de lá que relação aos outros. trouxemos a ideia do ABA. Este projecto tem 30 anos lá fora. O meu A ida aos EUA foi essencial para a abertura do filho poderia ter beneficiado do mesmo aos três anos quando lhe foi Centro ABA? diagnosticado o Síndrome de Asperger. É espantoso que em Portugal não se saibam destas coisas. O que nós sabemos ao nível da saúde men- Em determinadas áreas do autismo, nós estamos a descobrir que a di- tal em Portugal é muito pouco. Estamos abaixo dos Filipinos. Na prática, o que é o ABA? ferença não tem de ser uma deficiência. Todos nós somos deficientes em alguma coisa. Estes indivíduos podem ensinar-nos que a diferença não tem de ser vista como algo negativo ou inferior. Estes indivíduos po- Originalmente, chama-se Applied Behavior Analysis. Em portu- guês, significa Análise Comportamental Aplicada. Este processo foi um pouco guiado por Deus. No dia de Natal, começámos a trabalhar “Há um grande especialista do Asperger e em Maio lançámos na Universidade Lusófona, o primeiro curso pa- que diz que um indivíduo com Asperger ra pais e o primeiro curso para técnicos. Correu de tal maneira bem que tem um funcionamento extremamente resolvemos avançar para o Centro propriamente dito. Antes de irmos visual. Se a nossa aprendizagem é para a Califórnia, já tínhamos a ideia de avançar com o Centro. Te- sobretudo baseada na oralidade, é evidente que o meu filho está em grande mos o projecto escrito há muito tempo. Pensámos aplicá-lo em algumas diferença em relação aos outros” associações mas não foi possível porque nos faltava um background. Tivemos a ajuda da Escola Americana. Eles gostaram do nosso tra- balho. A Escola tem filiais espalhadas por todo o mundo. O projecto era integrado por duas fases: a primeira, composta pelos cur- 90 Mãe Ideal Janeiro 2009
  • saudeaba:Layout 1 12/22/08 2:31 PM Page 91 sos que correram muito bem, e a segunda pela abertura do Centro. Is- nhuma daquelas crianças fala. Há meninos sentados a trabalhar co- to foi tudo muito rápido porque tivemos o aval dos americanos para mo se fosse numa escola perfeitamente normal. avançarmos no final de Junho. Perante o trabalho que nós desenvol- Existe um técnico para cada criança. Depois, há um professor que não vemos, os americanos chegaram à conclusão que a formação, nos pri- tem crianças e observa como é que a aprendizagem é efectuada pelas meiros tempos, não seria paga por nós, o que fez toda a diferença. crianças e um técnico que observa como é que as técnicas estão a ser ope- racionalizadas. Isto obedece à técnica de psicologia comportamental Este projecto tem 30 anos lá fora. que pressupõe um grande esforço para os técnicos. A ideia é que as crianças evoluam de forma que não sintam que estão O meu filho poderia ter beneficiado ali há cinco horas a trabalhar. Estão como se fosse numa sala de aula do mesmo aos três anos quando lhe normal. Isto exige um trabalho muito grande. Há uma formação prá- foi diagnosticado o Síndrome de tica dos técnicos em que eles trabalham directamente com as crianças. Cada criança tem o seu perfil, apesar do grupo ser mais ou menos ho- Asperger. É espantoso que em mogéneo. Têm quase todos a mesma idade e as mesmas competências. Portugal não se saibam destas coisas Neste momento, temos onze crianças connosco que ficam também da parte da tarde em actividades de tempos livres. Assumimos essas ac- No dia 18 de Janeiro deste ano, já tinha o espaço, o Colégio Campo de tividades sem qualquer custo, o que facilita imenso a vida dos pais Flores que nos cede as instalações a título gratuito. porque eles trabalham e não têm disponibilidade para os colocar nou- A Escola americana trabalha em rede com a Universidade, com o Es- tros sítios. Têm algum projecto para o futuro? tado da Califórnia e com as organizações ligadas ao autismo. Cá em Portugal, trabalhamos sozinhos com eles. O projecto português tem su- pervisão técnica total. Em termos técnicos, são os americanos que coor- Em Fevereiro, vamos abrir um novo desafio. Vamos arrancar um gru- denam tudo. Há um primeiro grupo de crianças, na sua maioria, mui- po de meninos mais velhos. O trabalho vai ser ao nível da autonomia to pequenas para apresentar os tais resultados. Nas crianças mais ve- da sociabilização para os meninos mais velhos. Estes meninos serão lhas, a reabilitação é muito mais difícil. Nós trabalhamos crianças a integrados no Centro Paroquial da Costa da Caparica. partir dos dois anos e meio, três e quatro. Este é o grupo maioritário. Temos ainda outro menino com cinco, outro com seis e outro com dez. Escola ABC Real em Sacramento Os profissionais são todos portugueses. Qual é o tipo de aprendizagem que fazem? O Centro Terapêutico tem uma intensidade terapêutica que não exis- te em mais lado nenhum. Duas horas por semana de terapia da fala, por melhor que seja a terapeuta da fala, é uma operação de cosmética. Meninos com três anos que não falam, não passam a falar com ape- nas duas a três horas semanais de terapia da fala. Portanto, eles estão lá cinco horas diárias em terapia, das 8h30 às 13h30. É tudo feito de uma forma muito especial. Entra-se e vê-se uma sala aparentemente como outra qualquer. Há muitos pais que entram e que consideram que aquela não é uma escola de meninos autistas e nem têm noção que ne- Janeiro 2009 Mãe Ideal 91
  • saudeaba:Layout 1 12/22/08 2:31 PM Page 92 saúde entrevista Exercícios e actividades por aluno Em que consiste um programa ABA? Uma das formas de facultar oportunidades de aprendizagem é o adulto apresentar uma série de exercícios/actividades ao aluno. Um programa ABA consiste numa terapia Cada um deles tem uma pista ou uma instrução específica, cons- intensiva que pode ir até 40 horas semanais, por tituindo uma oportunidade para o aluno responder e dependen- um período de aproximadamente de dois anos, do da resposta, o adulto aplicar a consequência que será o reforço, em contexto escolar e/ou doméstico. Os no caso de resposta correcta. Estes exercícios são chamados "dis- terapeutas (normalmente três técnicos por cada crete trials" e são essenciais para a construção de muitas compe- aluno) trabalham com a criança na proporção de tências importantes em alunos com autismo. É adoptada uma es- um para um, durante cinco a oito horas por dia, tratégia positiva e de sucesso, ou seja, os exercícios são adequados cinco ou sete dias por semana. para que o aluno consiga responder o mais correctamente possí- Inicialmente é realizada uma avaliação cuidadosa vel sentindo-se motivado a trabalhar, sempre que necessário com e aprofundada para determinar as competências que o aluno possui e as que estão ausentes. ajuda do instrutor. Os reforços, bem como as ajudas para a con- Para cada aluno, as competências a ser cretização das tarefas, vão sendo gradualmente reduzidos e elimi- aumentadas e os problemas a ser reduzidos são nados uma vez que o que se pretende é a autonomia. claramente definidos em termos observáveis e Nos programas ABA de qualidade, os procedimentos de alteração mensuráveis através de observação directa, com comportamental são especificados claramente. As instruções, as verificação independente por um segundo pistas, os reforços, os materiais e procedimentos que são utiliza- observador. A definição dos objectivos da dos para desenvolver/criar cada competência são adaptados indi- terapia/intervenção é feita com base nos dados vidualmente a cada aluno. da avaliação inicial, de um currículo base e da Existe um programa escrito ou um conjunto de instruções para en- sequência de aquisição de competências em sinar cada competência; o analista comportamental todos os domínios (aprender a aprender, comunicativo, social, académico, auto- responsável pelo programa treina todas as pes- Escola ABC Real -cuidado, motor, brincar e divertimento, soas que trabalham com o aluno para im- em Sacramento etc.), os quais são decompostos em plementar estes programas consistente- pequenos passos, sendo estes mente. A família tem um papel funda- desenvolvidos sequencialmente, ou mental na medida em que deve pro- dos mais simples para os mais mover a generalização das compe- complexos. tências adquiridas, nas sessões de en- O objectivo final é ajudar cada aluno a sino, a todas as situações do dia-a-dia, desenvolver competências que lhe incentivando a criança a adaptar-se a permitam ser o mais independente e bem novos contextos. sucedido na sua vida possível. São Os programas ABA devem ser dirigidos utilizados abundantemente reforços positivos que são identificados individualmente durante a por profissionais com formação avançada em avaliação inicial e são permanentemente análise comportamental e experiência supervisio- actualizados. nada no desenho e implementação de programas ABA para alu- nos com autismo. Para mais informações, consulte o site: http://www.autismoescolaaba.org/ MI 92 Mãe Ideal Janeiro 2009