“Dada não cheira a nada. Não é nada, nada, nada. É como suas
esperanças: nada. Como seus paraísos, nada. Como seus ídolos, nada.
Como seus políticos, nada. Como seus heróis, nada. Como seus artistas,
nada. Como suas religiões, nada. Vaiem, gritem, esmurrem meus dentes,
e daí? Continuarei dizendo que vocês são uns débeis mentais. Daqui a
três meses, meus amigos e eu estaremos lhes vendendo seus retratos
por uns poucos francos”.
Francis Picabia, 1920.
“O que é Dada?
Uma arte? uma filosofia? uma política?
Um seguro contra fogo?
Ou: religião estatal?
Dada é energia verdadeira?
Ou é coisa nenhuma, i.e., tudo?”
Raoul Hausmann, 1919.
Para fazer um poema dadaísta
Pegue um jornal.
Pegue a tesoura.
Escolha no jornal um artigo do tamanho que você deseja dar a seu
poema.
Recorte o artigo.
Recorte em seguida com atenção algumas palavras que formam esse
artigo e meta-as num saco.
Agite suavemente.
Tire em seguida cada pedaço um após o outro.
Copie conscienciosamente na ordem em que elas são tiradas do saco.
O poema se parecerá com você.
E ei-lo um escritor infinitamente original e de uma sensibilidade graciosa,
ainda que incompreendido do público.
(Tristan Tzara)
Tristan Tzara, Coeur à Gaz
Francis Picabia The Child
Carburetor (L'Enfant carburateur),
1919.
Francis Picabia Girl Born without a Mother 1917-18
Francis Picabia Here, This Is
Stieglitz Here, 1915
Francis Picabia Portrait of Cézanne,
1920.
Francis Picabia, Américane
(American Woman), 1917
Francis Picabia Very Rare
Picture on the Earth (Très rare
tableau sur la terre), 1915.
Kurt Schwitters, Merz Picture
32A (Cherry Picture). 1921
Kurt Schwitters, Merz Pictures,
1921.
Kurt Schiwiters Merz bau 2
Kurt Schwitters, Merzbau, 1924-37
Jean Arp com monóculo dada
(?) Retrato do Dr. R.
Dumouchel, 1910.
Marcel Duchamp
Marcel Duchamp, Nu descendo
as escadas, 1912.
Duchamp descendo as
escadas, Life Magazine, No.
284, Nova York, 1952
Foto de Eliot Elisofon
Marcel Duchamp, Fonte.
1917
Marcel Duchamp, Roda de
Bicicleta, 1913
Marcel Duchamp, Belle
Haleine, 1921
Marcel Duchamp, Why not
sneeze Rose Sélavy, 1921
Marcel Duchamp, Escorredor
de garrafas, 1914
Marcel Duchamp, Discos em
espiral, 1923
Marcel Duchamp, O grande
vidro, 1915
Marcel Duchamp, Etant donnés,
1946-66
Marcel Duchamp, Etant donnés,
1946-66
Marcel Duchamp, L. H. O. O. Q.,
1919
Marc Chagall, The
Promenade, 1917
Ainda vivemos sob o império da lógica, eis aí, bem entendido,
onde eu queria chegar. Mas os procedimentos lógicos, em nossos
dias, só se aplicam à resolução de problemas secundários. O
racionalismo absoluto que continua em moda não permite
considerar senão fatos dependendo estreitamente de nossa
experiência. Os fins lógicos, ao contrário, nos escapam. Inútil
acrescentar que à própria experiência foram impostos limites. Ela
circula num gradeado de onde é cada vez mais difícil faze-la sair.
Ela se apóia, também ela, na utilidade imediata, e é guardada pelo
bom senso. A pretexto de civilização e de progresso conseguiu-se
banir do espírito tudo que se pode tachar, com ou sem razão, de
superstição, de quimera; a proscrever todo modo de busca da
verdade, não conforme ao uso comum. Ao que parece, foi um
puro acaso que recentemente trouxe à luz uma parte do mundo
intelectual, a meu ver, a mais importante, e da qual se afetava não
querer saber. Agradeça-se a isso às descobertas de Freud.
Com a fé nestas descobertas desenha-se afinal uma corrente de
opinião, graças à qual o explorador humano poderá levar mais longe
suas investigações, pois que autorizado a não ter só em conta as
realidades sumárias. Talvez esteja a imaginação a ponto de retomar
seus direitos.
Se as profundezas de nosso espírito escondem estranhas forças
capazes de aumentar as da superfície, ou contra elas lutar
vitoriosamente, há todo interesse em captá-las, capta-las primeiro, para
submetê-las depois, se for o caso, ao controle de nossa razão. Os
próprios analistas só têm a ganhar com isso. Mas é importante
observar que nenhum meio está a priori designado para conduzir este
empreendimento, que até segunda ordem pode ser também
considerado como sendo da alçada dos poetas, tanto como dos sábios,
e o seu sucesso não depende das vias mais ou menos caprichosas a
serem seguidas.
(Trecho extraído do Manifesto Surrealista de 1924, escrito por André
Breton)
Hieronymus Bosch, Hell (circa, 1490)
Marc Chagall, A
noiva e a Torre
Eiffel, 1938-9.
Marc Chagall, Solidão,
1933-4.
René Magritte, Traição das
imagens, 1928-9.
René Magritte, Golconda, 1953.
René Magritte, Os amantes, 1928.
Juan Miró, Carnival-Harlequin, 1925
Juan Miró, Personagem atirando uma
Pedra num Pássaro, 1926
Aula ministrada por Daniela Pinotti e Marcelo Maluf more
Aula ministrada por Daniela Pinotti e Marcelo Maluf, no espaço cultural Terracota, em junho de 2009.
Mais informções acesse:
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