Caderno de rúgbi no jornal Brasil Econômico
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Caderno de rúgbi no jornal Brasil Econômico

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Caderno especial de rúgbi publicado no jornal Brasil Econômico na edição de 4, 5, 6, 7 e 8 de março de 2011.

Caderno especial de rúgbi publicado no jornal Brasil Econômico na edição de 4, 5, 6, 7 e 8 de março de 2011.

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  • 1. Rúgbi parte para a conquista dos brasileiros Volta à cena olímpica nos Jogos do Rio de 2016 atrai investimentosESPECIAL Modalidade triplica receita e tentaE S P O RT E atrair novos patrocinadoresSUPLEMENTO – SEXTA-FEIRA, Empresas aderem ao espírito de lutaFIM DE SEMANA, SEGUNDA E TERÇA-FEIRA,4, 5, 6, 7 E 8 DE MARÇO, 2011 como estratégia de marketing Foto: Sylvia Diez
  • 2. B2 | BRASIL ECONÔMICO - ESPECIAL ESPORTE | Sexta-feira, fim de semana, segunda e terça-feira, 4, 5, 6, 7 e 8.3.2011NEGÓCIOS EM JOGORúgbi triplica resultados e entraem campo para faturar R$ 3,5 miModalidade voltará à cena olímpica nos Jogos do Rio de Janeiro, em 2016; confederaçãoespera atrair empresas de automóveis, bebidas e telefonia para fortalecer patrocínios em 2011TEXTO M A U R Í CI O CAPELA Sylvia Diez o paulistano do bairro doN Brás Charles Miller, filho de um escocês e de uma brasi- leira de origem inglesa, vi- rou lenda no país ao trazer duas bolas de futebol, uni-formes e um conjunto de regras debaixodo braço do Reino Unido. Mas pouca gen-te sabe que não foram apenas esses ape-trechos, que deram início à gloriosa histó-ria do futebol brasileiro, que Miller enfiouna bagagem, quando retornou ao país em1894. Em sua mala, também havia espaçopara a clássica bola oval de rúgbi. E, apesarde não ser um esporte ainda muito popularno Brasil, já há quem aposte que, em bre-ve, esse paulistano também será lembradopor mais esse feito nos trópicos. Até por-que o rúgbi voltará a ser modalidade olím-pica justamente nos jogos do Rio de Janei-ro em 2016, quase um século depois de suaúltima participação nas Olimpíadas de1928 em Amsterdã, na Holanda. A julgar pelo crescimento vertiginosoda arrecadação da Confederação Brasileirade Rugby (CBRu) a aposta faz sentido. Em2011, a entidade projeta angariar perto deR$ 3,5 milhões. Um salto se comparadoaos R$ 990 mil obtidos em 2010 e um abis-mo em relação aos R$ 90 mil de 2009. Etoda essa montanha de recursos vem dospatrocínios da fabricante de material es- Partida de rúgbi no Brasil: emportivo Topper e do banco Bradesco, além todo o mundo, o esporte superoudas verbas do Comitê Olímpico Brasileiro 4 bilhões de telespectadores(COB), do International Rugby Board(IRB) — a entidade mundial do esporte —,e do valor pago de inscrição pelos clubesdo país. As empresas não revelam valores mos de valores, a cifra também não é nada de cena a Associação Brasileira de Rugbyinvestidos individualmente. modesta. A última Copa do Mundo de rú- NO PAÍS (ABR), de 1972, para que fosse sucedida Mas esse número tem tudo para ser gbi, por exemplo, realizada na França em pela CBRu, fundada em 2010.chutado em direção às nuvens. De acordo 2007 faturou £ 201,6 milhões (R$ 542 mi- 115 Mesmo com tudo em acordo à luz da lei, acom Duda Magalhães, diretor-geral da lhões), mais que o dobro do registrado no clubes de rúgbi estão no diretoria que se debruçou sobre as mudan-agência de marketing e patrocínio Dream último mundial de 2003 na Austrália, que Brasil, espalhados por oito ças foi além nessa passagem de siglas. E re-Factory Sports, que presta consultoria e somou £ 95,1 milhões (R$ 255 milhões), estados, sendo que metade solveu dar a camisa de titular a um time demarketing esportivo para a CBRu, há al- segundo dados do IRB. A próxima copa dessas agremiações está profissionais para que tocassem o cotidianoguns pênaltis a ser batidos em direção ao acontecerá em agosto deste ano na Nova localizada em São Paulo. da confederação e criassem um plano es-“H” do rúgbi em 2011. “Buscamos au- Zelândia. Em ingressos vendidos, o mun- tratégico de dez anos. Mas a grande jogadamentar a receita da confederação com pa- dial de rúgbi também não deve nada a nin- ADEPTOS ocorreu quando se estabeleceu padrões detrocínios e miramos empresas do setor au- guém. Foram 2,2 milhões de tíquetes na governança idênticos aos de companhiastomotivo, de telefonia e de bebidas”, diz o França, e 1,9 milhão na Austrália. 3 com ações nas bolsas de valores.executivo, cuja agência faturou R$ 9 mi- Muito embora as cifras do rúgbi no milhões de pessoas “Temos orçamento, planos e transpa-lhões em 2010. Com contrato assinado Brasil ainda estejam distante dos valores praticam a modalidade rência nos números da entidade. Os ges-desde novembro com a entidade, passível no mundo, não há como ignorar a atuação no mundo, enquanto tores têm vínculo empregatício. Nossade renovação anual automática, a agência do melhor jogador em campo no momen- no Brasil existem gestora financeira, por exemplo, prestanão detalha o estágio dessas negociações. to no país, o crescimento. “Essa previsão 10 mil atletas federados. contas ao COB e ao Ministério dos Espor- de aumento da arrecadação da confede- tes. E, além disso, contratamos contadorBOLA PARA FRENTE ração em 2011 deverá ocorrer em função externo, auditoria independente e pos-Mesmo com o bom cenário de hoje, o Bra- do incremento das verbas do COB, do IRB suímos conselho fiscal”, afirma o presi-sil ainda tem um bom chão para demons- e também dos recursos da Secretaria Na- dente da CBRu, cujo mandato vai até 2012.trar a garra e o espírito de equipe, caracte- cional de Esportes de Alto Rendimento do O fato é que o mercado comprou a ideia.rísticas tão próprias a esse esporte, no Ministério dos Esportes”, diz Sami Arap, “Além de ser muito profissionais, o pessoalcampo dos negócios. Só para se ter uma presidente da CBRu. da CBRu tinha planos concretos para o es-ideia, essa modalidade no mundo é tão Mas acessar as verbas do COB e da se- porte”, diz Ricardo Matera, gerente depopular, que além de ser jogada em mais cretaria do Ministério dos Esportes não marketing da Topper, do grupo Alpargatas.de 120 países, o seu mundial é o terceiro aconteceu do dia para noite. A CBRu so- “A confederação conduzida por profissio-evento esportivo em termos de audiência, mente passou a contar com esse reforço de nais facilita muito na hora de negociar comcom mais de 4 bilhões de espectadores, caixa, depois que adaptou a modalidade à as companhias, porque elas enxergam pla-perdendo somente para a Copa do Mundo legislação esportiva e atualizou seus esta- nejamento e governança”, afirma o execu-de futebol e os Jogos Olímpicos. E, em ter- tutos. Ou seja, na prática, significou tirar tivo da Dream Factory Sports.
  • 3. BRASIL ECONÔMICO - ESPECIAL ESPORTE | Sexta-feira, fim de semana, segunda e terça-feira, 4, 5, 6, 7 e 8.3.2011 | B3
  • 4. B4 | BRASIL ECONÔMICO - ESPECIAL ESPORTE | Sexta-feira, fim de semana, segunda e terça-feira, 4, 5, 6, 7 e 8.3.2011NEGÓCIOS EM JOGOPraticantes querem anotar um tryEntidade que rege o rúgbi no Brasil pretende popularizar a modalidade por meio de investimentoTEXTO D O U G L A S W ILLI ANS Para a ConfederaçãoL ine-out para o Brasil. O posição ao esporte. Além disso, passamos incentivar o nascimento de novos talen- hooker brasileiro arremessa. Brasileira de Rugby, ao planejamento do Comitê Olímpico Bra- tos para defender a seleção brasileira no A bola oval está no ar. No gra- a internet teve um sileiro (COB). Agora, recebemos incentivo futuro. O planejamento da confederação mado, o maul está formado. da Lei Agnelo-Piva. Poderemos participar prevê a formação de jogadores vindos de Os segundas linhas da nossa importante papel de torneios internacionais, o rúgbi entrou classes mais populares — até hoje, os seleção travam uma disputa na disseminação no programa dos Jogos Pan-Americanos. principais jogadores do país surgiram emferrenha com os forwards da Argentina, do esporte A partir desse ano até 2016, teremos uma grupos com maior poder aquisitivo.mas a posse é do half-scrum do time ver- série internacional. Tudo isso ajuda a po- “Hoje em dia, a mídia, sobretudo a inter-de-amarelo. Ele inicia uma jogada com a pularização do esporte”, disse Arap. net, ajudou a fazer o esporte explodir. Atual-linha ofensiva. Os backs rivais apelam mente temos a prática em classes mais ca-para uma sequência de tackles. Em vão: a “PRIORIDADE ESTRATÉGICA” rentes, graças a vários projetos na periferia.velocidade dos passes orquestrada pelo Disseminar o rúgbi no Brasil também é uma Vemos o rúgbi ser praticado pelas classes C,centro brasileiro envolve os argentinos. A missão promovida pela International D e E. O rúgbi não é caro, mas a espinha dor-ala está aberta para o ponta do Brasil deci- Rugby Board (IRB), entidade máxima do es- sal dele depende primordialmente da in-dir. Ele recebe a ovalada e dispara. A ar- porte no planeta. De acordo com a CBRu, há fraestrutura dos clubes existentes no país. Arancada termina em mergulho no in- o interesse da IRB em popularizar a prática nossa meta é desenvolver um modelo como-goal. Não tem jeito. É try da seleção! no país. Tanto que a federação aponta o Bra- temos no Bandeirantes, no Rio Branco (am- Você pode não ter entendido absoluta- sil como “prioridade estratégica de desen- bos da cidade de São Paulo) e em outros cen-mente nada do que leu há pouco. É sinal de volvimento”. Para Sami Arap, o foco da IRB tros onde o esporte é levado a sério e é bem-que o rúgbi ainda tem muito a crescer no reflete o respeito que a confederação adqui- -estruturado. Defendemos que haja umaBrasil. A intenção da Confederação Brasileira riu com o planejamento em longo prazo. parceria entre Confederação, Federação Es-de Rugby (CBRu) é fazer com que, em cinco “Poucas confederações no Brasil têm o nível tadual e clubes para a gestão desse modelo.”anos, opúblico comeceasefamiliarizarcom da nossa. Traçamos um plano até 2020 – e Potencializar os resultados das seleçõestermos como tries, scrums e tantos outros ele vem sendo executado. Temos um país de brasileiras e garimpar novos talentos é aque dominam uma partida da modalidade. 200 milhões de habitantes, com um poten- fórmula projetada pela CBRu para colocarSegundo o presidente da CBRu, Sami Arap, cial natural graças ao porte físico do brasi- o rúgbi na boca do povo. Se daqui a dezessa perspectiva existe graças à exposição leiro. A IRB avalia o Brasil como o próximo anos a população discutir a formação deque os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Ja- grande centro do rúgbi”, diz o dirigente. um scrum, lamentar o erro de uma con-neiro, proporcionará ao esporte. Além de receber o apoio de COB e IRB versão, vibrar com um tackle e se emocio- “Sem dúvida a reintrodução do rúgbi para o desenvolvimento do rúgbi de alto nar por um try anotado nos últimos se-nas Olimpíadas de 2016 trouxe muita ex- rendimento, um outro objetivo da CBRu é gundos, o programa terá obtido êxito.
  • 5. BRASIL ECONÔMICO - ESPECIAL ESPORTE | Sexta-feira, fim de semana, segunda e terça-feira, 4, 5, 6, 7 e 8.3.2011 | B5no coração dos brasileirosnas equipes de alto rendimento e na revelação de novos talentos O BE-A-BÁ DO RÚGBI ● Conversão — Efetuado um try, ● Free-kick — Infrações médias ● Linha/Back — Os jogadores mais rápidos Para todas a equipe que pontuou recebe cobradas de duas maneiras: em campo. Em oposição aos forwards, a chance de fazer uma conversão, que consiste em chutar a bola, para a lateral, com posse de bola do time adversário; ou a saída poderiam ser considerados como o ataque. No rugby union, eles são em sete. as idades via drop-kick ou apoiada ao solo, para o ataque, a mais comum. Existem formas modificadas do rúgbi por cima do H, bonificando o acerto ● Penal — Infrações graves como que foram desenvolvidas para permitir com mais 2 pontos no placar. ● “H” — É a trave do rúgbi. Possui impedimento, tackle alto, forward pass que qualquer pessoa, de qualquer idade, formato de H, com as traves laterais proposital, agressão. Pode ser cobrado possa praticar a modalidade. Há diversas ● Drop-kick — Tipo de chute no qual sendo bem altas. de três maneiras: chute para a lateral do variações de rúgbi, como o tag, o touch, a bola deve sair das mãos do jogador, campo, line-out a favor da equipe não o tip, o flag e o beach rugby. No tag, quicar no chão e, na sequência, ser ● In-goal — Linha de meta, fica infratora e chute direto para o H. Se por exemplo, os atletas utilizam tiras chutada. Com esse chute inicia-se atrás das linhas de fundo do campo. acertado, vale três 3 pontos. de pano penduradas na cintura em um a partida, faz-se conversões e, no meio Área onde acontecem os tries. cinto. Remover um desses tags constitui do jogo, se o drop passar pelo H, ● Penal-try — Um penal proposital um tackle, e o portador tem que passar bonifica-se com 3 pontos a equipe. ● Knock-on — Outra falta técnica perto do in-goal pode render a bola. O principal atrativo destas versões no rúgbi. Acontece quando um penal-try — cinco pontos de rúgbi é a ausência de contato. Isso ● Forward — Os jogadores mais o jogador não consegue segurar para o time não infrator. permite que sejam praticados por pessoas pesados do time, a linha de defesa. a bola de maneira que, a partir dele, de todas as idades, ambos os sexos Esses jogadores fazem o scrum e ou batendo nele, ela vá para ● PushOver try — É quando o scrum e com qualquer nível de preparo físico geralmente estão em quase todos rucks frente, para o lado do adversário atacante carrega o scrum adversário em diversos tipos de superfícies. D.W. e mauls. No rugby union, eles são oito. do campo. Também penalizado para o seu próprio in-goal, uma vez com um scrum. dentro do in-goal, o oitavo ou o half, ● Forward pass — Do inglês “passe somente toca a bola e o try é deferido. para frente”. Consiste em uma falta ● Line-out — É a cobrança de lateral técnica e acontece quando o jogador no rúgbi, onde posicionam-se ● Try — É a pontuação máxima do passa a bola para um companheiro à os dois times em linha perpendicular esporte, consiste em carregar a bola até sua frente. Penalizado com um scrum à lateral, na marca onde a bola saiu, a área do in-goal e apoiá-la no chão. contra o time que cometeu a infração. e disputam a bola, geralmente no ar. Essa investida vale cinco pontos. Infografia: Alex Silva
  • 6. B6 | BRASIL ECONÔMICO - ESPECIAL ESPORTE | Sexta-feira, fim de semana, segunda e terça-feira, 4, 5, 6, 7 e 8.3.2011NEGÓCIOS EM JOGO DivulgaçãoMarketing adereaos valores degarra do esporteBradesco usa “espírito de equipe” para motivartime de gerentes e Topper calça chuteiras paralevar esporte ao quarto lugar em vendas da marcaTEXTO M A UR Í CI O CAP ELA rúgbi faz parte daquele sele- Argentina e do Brasil, em 2008, a TopperO to grupo de esportes que ig- assumiu o posto de marca esportiva glo- nora a genética. Peso, altura bal do grupo. Um movimento que já foi acabam ficando pelo cami- feito com a Havaianas pela sua própria nho na hora de montar um controladora, a Alpargatas. time da modalidade, porque A Topper calçou as chuteiras da CBRusempre haverá uma posição em campo à pela primeira vez em 2010. E o executivoespera de um baixinho ou de um jogador não esconde que o primeiro contrato fir-mais forte. Pois é justamente nessa mistu- mado em janeiro do ano passado, e comra de física e técnica que o esporte sela seus previsão de término no primeiro mês devalores, como solidariedade, espírito de 2011, tinha também por objetivo ver as jo-equipe, lealdade, criando ambiente favo- gadas da modalidade no Brasil. Mas, pelorável à crença de que no rúgbi ninguém jeito, a companhia se convenceu rapida-vence um jogo sozinho. Ou seja, disciplina mente que sua tacada poderia ser certeiratática e planejamento são fundamentais e já no decorrer de 2010 acertou um novona hora de bater o adversário. vínculo com a CBRu, que vai até 2013. Portanto, qualquer semelhança com omundo dos negócios está longe de ser FOMENTOcoincidência. Tanto é assim que a Confe- Já o ingresso do Bradesco no rúgbi, segun-deração Brasileira de Rugby (CBRu), e do o diretor de marketing, faz parte de umseus dois principais patrocinadores, a fa- projeto maior da instituição financeira, obricante de material esportivo Topper, de fomentar um legado esportivo para odo grupo Alpargatas, e o banco Bradesco Brasil após a realização das Olimpíadas emsabem muito bem porque resolveram 2016. “Temos uma preocupação com acalçar as chuteiras com cravos apropria- formação de atletas, com as novas moda-dos ao piso desse esporte. Afinal, todos lidades e com um legado de infraestruturatêm seu planejamento. após os jogos”, conta Nasser. Jorge Nasser, diretor de marketing do Além do rúgbi, o Bradesco está alocan-Bradesco, conta, por exemplo, que a ins- do recursos em outras cinco confedera-tituição financeira já andou usando os ções — natação, vela, remo, basquete e ju-valores do rúgbi como fonte de inspira- dô. Faz sentido, afinal o banco, em parce-ção e motivação nas reuniões com o cor- ria com a Bradesco Seguros, adquiriu apo de gerentes de agências. “O espírito primeira cota comercializada para os Jo-de equipe, o fato de o esporte se basear na gos Olímpicos de 2016 no Rio. “O rúgbi seapropriação do campo do outro time são encaixa nessa nossa estratégia de legadosemelhantes às situações diárias de com- no esporte. É uma modalidade pouco co- Ricardo Matera, dapetição dos negócios e servem como in- nhecida no país e agora retorna à Olimpía- Topper: contratocentivo”, exemplifica. O Bradesco, que da”, afirma Nasser. Além disso, destaca o com a Confederaçãonão revela valores investidos, patrocina a executivo do Bradesco, “o rúgbi não era de Rugby até 2013modalidade desde 2010, que se cristaliza incentivado no Brasil e sem o apoio da ini-na camisa da seleção brasileira e também ciativa privada dificilmente teria umano site da confederação. grande participação na competição”. Para os nio Dream Factory Sports, que presta con-META AMBICIOSA ENTUSIASMO patrocinadores, sultoria e marketing esportivo para aQuem também esconde o jogo e não reve- O entusiasmo desses patrocinadores está a presença da CBRu, o potencial do esporte é um de seusla valores de patrocínio é a Topper, que em linha com o planejamento da CBRu. grandes trunfos. “O rúgbi no Brasil é umaalém do recurso financeiro investido na Segundo Sami Arap, presidente da confe- iniciativa privada folha em branco em termos de patrocínio,confederação, fornece o material esporti- deração, a meta é que o Brasil se torne a se- no fomento do já que nenhuma empresa de telefonia ouvo. E, apesar de atualmente o rúgbi ter um gunda nação em rúgbi na América do Sul esporte pode de bebidas colocou sua marca nesse es-papel discreto na geração de receita da até 2015, e fica atrás apenas da Argentina, aumentar sua porte por aqui”, afirma Magalhães. E issoempresa, há metas ambiciosas para a mo- verdadeira potência na modalidade. Hoje, participação no país abre uma possibilidade de atrelar a ima-dalidade no médio prazo. “Em 2016, a o país é a quarta força no continente sul- gem da empresa a um esporte de grandeideia é que o rúgbi ocupe o quarto lugar em -americano, atrás, respectivamente, de potencial e que tem tradição no Brasil,vendas, atrás das linhas de futebol, casual Argentina, Uruguai e Chile. E tem mais. apesar de ser pouco difundido.e running, que hoje ocupam o primeiro, “Queremos ter um bom desempenho nas Sim, porque o rúgbi, além de ter chega-segundo e terceiro postos em faturamen- eliminatórias de 2017 e chegar à Copa do do pelas mãos de Charles Miller ao Brasil, oto”, diz Ricardo Matera, gerente de Mundo em 2019”, diz Arap. O Brasil nunca mesmo que trouxe o futebol, já teve seusmarketing da Topper. participou de um mundial, sendo elimi- dias de glórias. Por exemplo, quando ficou Segundo o executivo, “atualmente, o nado nas fases qualificatórias. com o vice-campeonato sul-americanorúgbi tem papel de reforçar institucio- Para viabilizar esses objetivos, é preciso masculino em 1964. Para o presidente danalmente a marca no segmento esporti- recurso financeiro e planejamento. É por CBRu, não há modismo nessa fase de cres-vo”. Nada mal. Até porque, depois que isso que para Duda Magalhães, diretor- cimento, uma vez que o esporte semprehouve a integração entre a Alpargatas da -geral da agência de marketing e patrocí- esteve por aqui, desde 1894.
  • 7. BRASIL ECONÔMICO - ESPECIAL ESPORTE | Sexta-feira, fim de semana, segunda e terça-feira, 4, 5, 6, 7 e 8.3.2011 | B7 Sylvia Diez Seleção feminina: garotas se preparam para Rio 2016Meninas trazem esperança de medalhaSeleção feminina de rúgbi entra na disputa por um lugar no pódio no Pan de GuadalajaraTEXTO D O UG L A S W I L L I ANS pós se consagrar em Bento afirmou o presidente da CBRu, Sami Arap. “Ainda iremos traçar o planejamento,A Gonçalves (RS) como hep- Porém, o próprio dirigente constatou TOQUE FEMININO mas a ideia é participar de campeonatos tacampeã sul-americana que o momento é de apoiar o trabalho das fora da América do Sul”, contou o treina- de rúgbi sevens (com sete meninas por novos horizontes. “O Brasil 6 dor da seleção brasileira feminina, João atletas), a seleção brasileira está num nível superior na América do Sul campeonatos sul-americanos Nogueira. Como o trabalho das meninas feminina desponta com no sevens, mas as meninas atingiram um foram vencidos pela está consolidado no continente sul-ame-mais possibilidade de conquistas interna- teto. Com esse limite, ou a seleção atua na equipe feminina brasileira. ricano na categoria sevens, a CBRu pre-cionais relevantes que a masculina. Tanto Europa ou faz turnês anuais para os Esta- No último mundial, em 2009, tende intensificar a transição delas para oque a chance de obter medalhas nos Jogos dos Unidos e Canadá”, diz. ficaram em décimo lugar. rugby union (com 15 atletas).Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, não Desde o ano passado, essa medida tem Quem vê a situação do rúgbi femininoé vista como algo distante pela Confedera- sido tomada pela CBRu. Em 2010, a sele- no Brasil com otimismo é Mariana Rama-ção Brasileira de Rugby (CBRu). ção feminina disputou um torneio em lho. Aos 23 anos, a polivalente jogadora “Comparativamente, as mulheres te- Dubai, nos Emirados Árabes, contra equi- do SPAC, de São Paulo, acredita no po-riam mais possibilidade de medalha nos pes de vários continentes, além do Mun- tencial da seleção. “A seleção femininaJogos Olímpicos que os homens. Mas que- dial Universitário, em Portugal. Como ainda tem muito a surpreender. Estamosremos, antes de qualquer coisa, que nos- preparação para os Jogos Pan-America- nos preparando com dedicação e temossas seleções representem o Brasil de forma nos de Guadalajara, em outubro, as meni- todo o apoio para crescer. Estou muitobrilhante no Rio-2016. Essa é a meta”, nas deverão realizar novas turnês. otimista com nosso futuro”, diz.
  • 8. B8 | BRASIL ECONÔMICO - ESPECIAL ESPORTE | Sexta-feira, fim de semana, segunda e terça-feira, 4, 5, 6, 7 e 8.3.2011NEGÓCIOS EM JOGO ARTIGO DivulgaçãoDaniel Gregg, protagonistahistórico do rúgbi brasileiroPonta de 30 anos foi autor do try que pôs fim à invencibilidadede mais de 74 anos da Argentina em solo sul-americanoTEXTO D O U G L A S W I L LI ANS aniel Gregg foi autor daquele res ficaram muito mais confiantes paraD que pode ser considerado o Guadalajara. Tudo passou a ser possível”. Sami Arap Presidente da Confederação Brasileira de Rugby try mais importante da his- A própria classificação para o Pan foi algo tória do rúgbi brasileiro. Gra- a ser comemorado. O Brasil ficou em tercei- ças a esse fluminense de 30 ro no Sul-Americano, o que assegurou a anos, o Brasil pôde comemo-rar sua primeira vitória sobre a Argentina vaga nos Jogos. “Depois do Sul-Americano, recebemos o apoio do COB para o Pan de Planejamento,em um torneio oficial. Foi um 7 a 0 digno delouros. A seleção brasileira derrubou os tra- Guadalajara. Isso será fundamental. Antes não recebíamos nada. O apoio era pequeno, responsabilidadedicionais Pumas — alcunha dada ao timealviceleste – em um único lance. Graças ao não havia investimento. A gente se esforça- va bastante. Mas agora, com esse incentivo, e paciênciagolpe certeiro de Gregg, os argentinos per- “Depois de as coisas vão ficar mais fáceis.”deram uma invencibilidade que existia vencermos adesde 1936 na América do Sul. Argentina, todos INTERCÂMBIO Rúgbi vive sua O ponta foi um dos expoentes da seleção os jogadores De acordo com o ponta, o apoio do COB melhor fase no paísbrasileira na disputa do Campeonato Sul- possibilitará à seleção uma viagem para a-Americano de Sevens, que aconteceu no ficaram muito Europa em junho. “Esse intercâmbio porinício deste mês em Bento Gonçalves (RS). mais confiantes outros países é muito bom. No fim de 2010 eO try histórico está vivo na memória de para Guadalajara” início de 2011, fizemos um tour por Argenti- rúgbi brasileiro atravessa o OGregg. Na TV ele não conseguiu ver o lance , DANIEL GREGG, na, Uruguai e Chile e isso rendeu resultados melhor momento de toda a– apenas por imagens salvas no site Youtu- jogador da Seleção no Sul-Americano”, lembrou. sua história, tanto dentro,be. Mesmo assim, as lembranças do try e da Brasileira de Rúgbi O pensamento de Gregg é compartilhado quanto fora de campo. Nos-partida histórica permanecem com deta- pelo técnico da seleção, Maurício Coelho, sas seleções estão evoluindolhes no pensamento do atleta. que acredita que as viagens darão mais ex- tecnicamente, assimilando “Agora é mais fácil de falar sobre o jogo. periência a seus atletas. “Quanto mais jo- o sistema do jogo e conquistando resulta-No momento, era complicado demais. garmos contra seleções mais fortes, mais dos condizentes com a grandeza do espor-Aquele foi o único try da partida. A bola saiu iremos evoluir. Aos poucos o time vai te no país. No rúgbi sevens, a equipe femi-de um scrum fixo. O Lucas lançou para mim. aprendendo e, quem sabe, um dia chegare- nina segue invicta no continente e já somaPassei pela marcação e fiz o try”, descreveu mos à elite do rúgbi mundial.” sete títulos sul-americanos. Já a seleçãoGregg. Na sequência, Lucas realizou a con- Essa é a intenção da Confederação Brasi- masculina fez o que parecia ser impossí-versão, colocando o 7 a 0 no placar. “A van- leira de Rugby (CBRu). Para o presidente Sa- vel: venceu a Argentina, que não perdiatagem foi obtida ainda no primeiro tempo. mi Arap, a cobrança por resultados no mas- uma partida na região desde 1936. AlémDepois, conseguimos manter a posse de culino não devem existir nos próximos disso, os homens garantiram vaga para osbola e asseguramos a vitória”. anos. Eles só devem começar a aparecer em Jogos Pan-Americanos em Guadalajara, No entendimento do herói brasileiro, o longo prazo, mais precisamente a partir de no próximo mês de outubro.triunfo sobre os argentinos foi um divisor de 2015. “A curto prazo, não estipulamos me- Nossa seleção masculina de 15 está emáguas para o rúgbi do país. Tanto que a pre- tas por resultados. Em 2015 queremos estar fase de preparação para o Sul-America-tensão da seleção para os Jogos Pan-Ameri- consolidados como a segunda potência de no da modalidade, em maio, na Argenti-canos de Guadalajara, no México, em outu- Sevens nas Américas, atrás apenas da Ar- na. Estamos oferecendo a melhor estru-bro deste ano, não era das maiores. “Depois gentina, e pretendemos estar na Copa do tura possível, dentro das nossas condi-de vencermos a Argentina, todos os jogado- Mundo de Union em 2019”, diz o dirigente. ções, para nossos atletas e comissões técnicas, adulta e juvenil. Mas ainda há Sylvia Diez muito para construir. Temos um plano de longo prazo 2010-2020 e estamos Lance que gerou apenas iniciando o trabalho. Planeja- o try histórico mento, responsabilidade e paciência são marcado por elementos-chave para o sucesso. Daniel Gregg Atualmente, as Federações Estaduais organizam dez torneios, além do Cam- peonato Brasileiro de 15 (Super 10) orga- nizado pela CBRu que conta com dez equipes de cinco estados diferentes. O Circuito Brasileiro de Sevens tem etapas em vários lugares do país, sempre com grandes jogos e boa quantidade de parti- cipantes. A etapa paulistana teve a pre- sença de 700 atletas e 52 times. Temos 10 mil praticantes federados e torneios voltados para as categorias de base. Os valores do esporte aliados às me- lhores práticas de governança da admi- nistração da entidade motivaram impor- tantes instituições a associar suas valiosas marcas ao rúgbi: Topper, Bradesco e Cul- tura Inglesa têm grande importância nesta fase de transição do rúgbi nacional. O rúgbi é o segundo esporte mais prati- cado no mundo (em termos de atletas fe- derados), está presente em 120 países e sua Copa do Mundo é o terceiro evento espor- tivo com maior audiência no planeta.