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Das situações do jogo ao ensino das fixações no handebol
 

Das situações do jogo ao ensino das fixações no handebol

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Artigo Suporte para a Disciplina de Handebol

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    Das situações do jogo ao ensino das fixações no handebol Das situações do jogo ao ensino das fixações no handebol Document Transcript

    • Motriz, Rio Claro, v.17 n.1, p.39-47, jan./mar. 2011 doi: http://dx.doi.org/10.5016/1980-6574.2011v17n1p39 Artigo Original Das situações do jogo ao ensino das fixações no handebol Rafael Pombo Menezes Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio, Itu, SP, Brasil Resumo: Os objetivos deste trabalho são apontar a importância das fixações no handebol como ações táticas ofensivas e apontar possíveis desdobramentos individuais e coletivos vantajosos e desvantajosos para os atacantes durante o jogo. O ensino desse elemento técnico-tático é abordado com vistas às categorias de formação no handebol, para o qual sugere-se que os jogadores, a partir da imprevisibilidade das situações impostas, sejam inseridos em um contexto de ensino-aprendizagem-treinamento que propicie a vivência dos mais variados tipos de situação. As variações das experiências anteriores permitem a formação de jogadores que possam agir inteligentemente e que adaptem seus comportamentos às pressões impostas pelos adversários e às possibilidades oferecidas pelos companheiros. Palavras-chave: Pedagogia do Esporte. Handebol. Tática Ofensiva. Ensino. From the game situations to the teaching of fixations in handball Abstract: The aims of this work are to show the importance of the fixations in handball as a technical- tactical offensive element and pointing to possible advantages and disadvantages for the attackers in the game. The teaching of this technical-tactical element is discussed in the young categories in handball, for which it is suggested that players, from the unpredictability of conditions imposed, are embedded in a context of teaching-learning-training which provide experience of all kinds of situation. Changes from previous experiences allow the formation of players who can act intelligently and to adapt their behavior to the pressures imposed by the opponents and the possibilities offered by fellow. Key Words: Sport Pedagogy. Handball. Offensive Tactic. Teaching. Introdução manutenção ou conservação da posse de bola, a Os Jogos Coletivos Esportivizados (ou JCE’s, progressão em direção ao alvo ou à metaem concordância com REIS, 1994) estão adversária e a consecução ou anotação dosganhando atualmente, em sua dimensão pontos ou gols.pedagógica e na abordagem das questões de Para a obtenção de êxito no que se refere àensino e aprendizagem específicos, um enfoque contemplação de cada um dos princípiosmais voltado para as questões técnico-táticas, em operacionais são necessários procedimentosoposição a um enfoque técnico (GRECO, 2001; técnico-táticos (denominados no handebol deDAOLIO, 2002; GRAÇA; MESQUITA, 2002; meios técnico-táticos) que possibilitem aosCOSTA; NASCIMENTO, 2004; GRAÇA; atacantes certa continuidade do seu jogo. NoMESQUITA, 2007). Ante esse enfoque técnico, ou caso da conservação da posse de bola, sãotecnicista, historicamente construído e baseado requisitados alguns deslocamentos para gerarna teoria associacionista, os autores situações de desmarque e boa qualidade nosmencionados anteriormente tecem importantes passes e recepções dos jogadores,considerações sobre a relevância de se preferencialmente com o menor risco possível deconsiderar também os fatores táticos, interceptação do passe pelos defensores. Noprincipalmente nas relações envolvidas entre as caso específico da progressão dos atacantes emações dos jogadores e o momento de realização direção ao alvo, além da conservação da possedessas, além da situação ou contexto que envolve da bola, os mesmos devem preocupar-se emtal tomada de decisão. executar os fundamentos técnicos (passe, drible, Quaisquer ações ou decisões ofensivas, sejam recepção, empunhadura, ritmo trifásico, duploessas do atacante em posse ou não da bola, ritmos trifásico e arremesso) e os meios táticosdevem buscar atender os princípios operacionais ofensivos (individuais e coletivos) para(BAYER, 1994) inerentes à tal fase nas desequilibrar os defensores a fim de conseguirmodalidades coletivas, em específico caso do situações favoráveis à infiltração e,handebol – foco desta pesquisa –, que são: a principalmente, para arremessar de posições
    • R. P. Menezesvantajosas para marcar o gol, contemplando o táticos, individuais e coletivos, dessa fase do jogo;terceiro princípio ofensivo. e b) apontar possíveis desdobramentos coletivos a partir da execução de cada tipo de fixação. Para solucionar com êxito as tarefasreferentes a essa fase, os atacantes devem Contextualização das fixaçõesbuscar alternativas que se baseiam nas suas Os deslocamentos se constituem empossibilidades de intervenção técnico-tática e nas conteúdos importantes do jogo de handebol e dainterações com os companheiros, bem como no maioria dos JCE’s. Quando se observam osposicionamento e atitudes dos defensores e das deslocamentos dos atacantes, foco central destasuas relações de oposição com os demais pesquisa, atenta-se para fatores como a posse ouatacantes. não da bola pelo jogador, as distâncias que os Entende-se, então, que os jogadores devam apoios (atacantes próximos ao possuidor da bolater bem desenvolvidas as capacidades de e potenciais receptores) se encontram e aspercepção, antecipação e tomada de decisão respostas dadas pelos defensores, com a(GRECO, 1988), que serão os pilares no seu premissa do cumprimento dos três princípiosprocesso de formação, permitindo aos jogadores ofensivos (BAYER, 1994).intervenções inteligentes no jogo, com principal Uma das ações realizadas pelos atacantes,ênfase à resolução dos problemas técnico-táticos. dentre os deslocamentos, que merece atenção eAinda para Greco (1997) os jogadores devem que também fornece os parâmetros ebuscar uma constante associação entre a decisão informações espaciais e temporais necessáriosa ser tomada e a possibilidade de obtenção de para a execução dos meios táticos ofensivos eêxito, gerando também associação de respostas mesmo para a continuidade do jogo ofensivo, é atáticas do tipo “quando-então”, ou seja, “quando” fixação.o defensor apresentar um determinadocomportamento, “então” o atacante toma tal Quanto ao termo “fixação” Molina (2006, p.56)decisão. afirma que o principal objetivo é o de “chamar a atenção de um defensor”, assim o atacante deve Os atacantes, além de conhecerem todas as fixar o marcador em uma determinada posiçãoformas de atuação, ou o “como fazer” de cada vantajosa para este. Já para Romero et al. (1999,fundamento, devem tirar proveito da vantagem p.118) as fixações no jogo de handebol têm porque possuem em relação aos defensores quanto finalidade “obter superioridade numérica e obter aao planejamento de suas ações. O atacante que penetração ou a progressão (quando não ocorre apossui a bola deve criar uma diversidade de penetração)”. Dessa forma, entende-se que, oopções em que tenha como possibilidades a fato de o atacante buscar constantemente aprogressão, um arremesso, uma finta ou um atenção do defensor deve estar inserido em umpasse, por exemplo, ao ponto que o defensor contexto técnico-tático, com uma finalidade bemdeverá tentar reagir e intervir o mais rápido definida, como citado anteriormente por Romeropossível quanto à decisão tomada pelo atacante. et al. (1999), e que possibilite uma série deO mesmo ocorre para as situações nas quais o desencadeamentos grupais ou coletivosatacante não possui a bola, como na ocupação ofensivos.temporária, pelos pontas ou armadores, do postoespecífico de pivô. Com base nas afirmações supracitadas, é possível afirmar que o principal objetivo das Essa criação de diversidade de opções fixações é buscar situações favoráveis aosofensivas inicia-se antes do recebimento da bola, atacantes, provenientes de desequilíbriosprincipalmente com a variação das trajetórias temporários de um ou mais defensores, tendoadotadas pelo jogador que a receberá e sua como conseqüência a superioridade numéricaconseqüente fixação do defensor adversário ofensiva ou rápidas interações entre os atacantes(descrita posteriormente), que possibilitará a que possibilitem ocupações inteligentes dosexecução de determinados meios táticos espaços gerados para a progressão em direçãoofensivos baseados nas interações com as ao gol adversário ou para o arremesso.respostas dadas por cada um dos defensores.Para tanto, os objetivos deste trabalho são: a) Dessa forma, as fixações trazem adestacar a importância das fixações como ações necessidade de constantes reposicionamentostáticas ofensivas iniciadoras da maioria dos meios dos atacantes, seja para servir de apoio ao40 Motriz, Rio Claro, v.17, n.1, p.39-47, jan./mar. 2011
    • Handebol: Ensino tática ofensivapossuidor da bola ou para dispersar a atenção desequilíbrio defensivo a partir de superioridadedos defensores. Para Antón et al. (2000, p.97) “o numérica ofensiva ou de desequilíbrio corporal nadomínio dos parâmetros espaço-temporais é uma situação 1x1, e que se apresentam como baseexigência básica do handebol”, apontando para para a continuidade do jogo ofensivo. Latiskevitsque a execução dessas ações na relação (1991, p.101) afirma que as ações individuaisadequada de espaço-tempo e situação ofensivas “constituem a base para o êxito de toda(considerada aqui como a relação espaço- a equipe”, o que justifica a importância detemporal-situacional) traz implicações ao considerar as fixações como ações individuaisposicionamento de cada defensor (por ter que com profundas implicações coletivas.deslocar-se para regiões próximas da marcação O desencadeamento coletivo das ações dede seu oponente direto ou ocupar os espaços fixação tem como premissa que o possívelgerados para a cobertura de um companheiro) e, receptor da bola tenha uma boa percepção daconseqüentemente, ao funcionamento dos situação de jogo. As atividades perceptivas nosistemas defensivos (pelos constantes jogo de handebol são variadas e em grandedesequilíbrios e ameaças sofridas). número e que a visual e a proprioceptiva são as Então podemos considerar as fixações como principais, pois permitem ao jogador “captar osações táticas inseridas em um plano de ação estímulos que definem a situação e o momentoinicialmente individual, mas com um importante do jogo, ajustando a ação de forma imediata”desencadeamento coletivo, que visam o (ANTÓN et al., 2000, p.52). Os tipos e as implicações das fixações Entendendo que as fixações, de forma sumária, estão relacionadas diretamente com os defensoresatraídos pelo atacante que a realiza, podem ser identificados três tipos básicos:- Fixação par: a qual o atacante atrai seu marcador direto (Figura1A);- Fixação ímpar: a qual o atacante atrai seu marcador indireto (Figura1B);- Fixação par-ímpar: a qual o atacante atrai os marcadores direto e indireto (ou ataque ao intervalo,Figura1C). É importante salientar que em qualquer tipo de fixação provoca um contato maior entre ofixação durante o jogo de handebol os atacantes atacante em posse de bola e seu marcador direto,deverão realizar com a maior velocidade possível, que favorece o defensor pela possibilidade deobjetivando dificultar o reposicionamento dos diminuir a velocidade do atacante, roubar a bola,defensores e suas possibilidades de coberturas, ou mesmo possibilitar aos outros defensores umaas trocas de marcação e as ajudas mútuas. marcação mais ofensiva nos atacantes que nãoAssim, os atacantes devem oferecer perigo estão com a bola para dificultar a sua recepção.constante ao gol adversário dificultando as ações Algumas situações para essa fase do jogo sãodefensivas individuais e coletivas. criadas ou beneficiadas a partir da execução daFixação par fixação par, tais como: Segundo Romero et al. (1999, p.117) o a) A criação ou o aumento do espaço para a movimentação do pivô, entre o marcador atraídoconceito par significa “que um atacante conseguiu e a linha da área, principalmente nos momentosuma situação frontal com seu oponente na linha nos quais o defensor encontra-se na primeirade arremesso, ou seja, há um emparelhamento linha defensiva (Figura 2A);bem definido do atacante com o defensor”. EssaMotriz, Rio Claro, v.17, n.1, p.39-47, jan./mar. 2011 41
    • R. P. Menezesb) Combinada com um bloqueio frontal de outro distância sem a intervenção do marcador diretoatacante possibilita o arremesso de longa (Figura 2B);c) A partir de uma rápida circulação de bola o atacante próximo pode realizar um passe nas costas dessemarcador, tanto para o pivô (Figura 3A) como para o jogador que executou o passe (realização de um passae vai – Figura 3B);d) A possibilidade de realizar cruzamentos, desde que os deslocamentos dos atacantes sejam realizados emaltas velocidades e, possivelmente, com mudanças de direção das trajetórias, como representado na Figura4;e) Em superioridade numérica ofensiva a seqüência de fixações pares pode ser vantajosa, devido àtendência de desmarque do atacante oposto à saída da bola (Figura 5). Outras situações decorrentes da fixação par adaptação dos defensores aos seus marcadores diretos;podem ser desvantajosas para os atacantes natentativa de realizarem suas ações, b) O constante contato com o defensor provocaindividualmente e/ou coletivamente, tais como: um desequilíbrio corporal no atacante em posse da bola, que pode diminuir a eficácia dos passes,a) As constantes situações de 1x1 podem provocando retardos nas ações ofensivas.dificultar as ações individuais dos atacantes Também pode desencadear situações de contra-(como as fintas), provocar lentidão nos passes e ataques para a equipe adversária, devido à maiordescontinuidade do jogo ofensivo, devido à42 Motriz, Rio Claro, v.17, n.1, p.39-47, jan./mar. 2011
    • Handebol: Ensino tática ofensivapossibilidade de interceptação do passe, como possibilidades de realizar uma marcação de boarepresentado na Figura 6A; qualidade e, como conseqüência, diminuir os espaços para a penetração dos atacantes porc) A manutenção do posicionamento do marcador ajudas mútuas e coberturas (Figura 6B).indireto faz com que esse jogador tenha melhoresFixação ímpar distante em relação ao seu marcador direto, ao Consiste do atacante em posse de bola comparada com a fixação par, para dificultar querealizar o ataque direto, ou “chamar a atenção”, a marcação seja capaz de pará-lo ou dedo seu marcador indireto. Romero et al. (1999, desequilibrá-lo. Ainda com base na afirmação dep.117) define que o conceito de ímpar indica que Romero et al. (1999), a partir de uma fixação“um atacante conseguiu a oposição de um ímpar as penetrações sucessivas tornam-sedefensor que não é o seu direto, ou seja, centrar meios viáveis quando o potencial receptor da bolaa atenção ou objetivar uma fixação de um aproveita a situação imposta pelo iniciador deoponente indireto”. desequilíbrio defensivo (Figura 7). A fixação ímpar exige do atacante que possuia bola uma trajetória, geralmente curva, mais A fixação ímpar, assim como a par, possibilita situações ofensivas favoráveis a algunsdesencadeamentos coletivos, bem como à ação do atacante que atua sem a posse da bola nas zonaspróximas a essa, tais como:a) A atração da atenção dos marcadores indireto e direto pode gerar possíveis situações de superioridadenumérica (como o 2x1) a partir de uma situação de inferioridade numérica ofensiva (1x2), comorepresentado na Figura 8A;b) A possibilidade do jogo com o pivô caso haja falha no mecanismo de troca de marcação (Figura 8B).c) A possibilidade de executar arremessos de longa distância, caso os defensores não impeçam osdeslocamentos ou não marquem adequadamente (Figura 9);Motriz, Rio Claro, v.17, n.1, p.39-47, jan./mar. 2011 43
    • R. P. Menezesd) O desencadeamento dos meios táticos ofensivos que dificultem a ação defensiva, como os bloqueios(Figura 10A) e os cruzamentos (Figura 10B); Porém alguns aspectos ou condutas ofensivas, originários da fixação ímpar, podem influenciarnegativamente o bom desenvolvimento dessa fase de jogo, tais como:a) Se o atacante em posse da bola executa a sua trajetória muito próximo do seu marcador direto, essepode ser desequilibrado e com ações comprometidas, o que pode dificultar o passe, reduzir a possibilidadede arremesso e a eficácia dos eventos ofensivos posteriores (Figura 11A);b) Nas categorias mais jovens (infantil e cadete) a fixação ímpar pode confundir o atacante que não possui abola (apoio), o que pode estar relacionado com a dificuldade de leitura das situações de jogo. Na Figura 11Bestá representado um possível erro de leitura no qual dois jogadores atacam a mesma região;Fixação par-ímpar gerado pela atração de seu marcador direto pelo Nesta fixação o atacante em posse da bola primeiro atacante.objetiva atrair a atenção de seus marcadores Algumas situações de jogo podem serdireto e indireto, deslocando-se em direção ao visualizadas quando da utilização das fixaçõesespaço pré-existente entre esses dois defensores, par-ímpar:o que pode provocar falhas no setor defensivo. - É favorável à finalização, devido ao grandeEsse atacante deve deslocar-se com a intenção desequilíbrio dos defensores;de arremessar ao gol, mantendo dessa forma - Permite, na maioria dos casos, melhor leitura dauma postura adequada e orientada de frente para situação do jogo;o gol. Caso os defensores não o marquem - Facilita o desencadeamento de alguns meiosadequadamente, esse poderá finalizar, caso táticos ofensivos, como as penetraçõescontrário o atacante vizinho (ou apoio) poderá sucessivas (Figura 12A) e os cruzamentos (Figurareceber a bola em condições de finalização, 12B)44 Motriz, Rio Claro, v.17, n.1, p.39-47, jan./mar. 2011
    • Handebol: Ensino tática ofensiva- Proporciona a utilização de jogadas aéreas (Figura12A) e desequilíbrio defensivo, passando de umasituação de 1x2 para o 2x1 (Figura12B); Algumas das desvantagens do jogo baseado Partindo da prerrogativa de que a fixação éem fixações par-ímpar são: uma ação realizada pelo jogador em posse da- A necessidade de maior velocidade do atacante bola e que depende da leitura da situação de jogopara buscar o espaço existente entre dois desse e dos comportamentos muitas vezesdefensores, o que torna a sua postura corporal imprevisíveis dos adversários e companheiros,um fator importante pelo fato de poder ser entende-se que uma das possíveis formas demarcado por dois defensores simultaneamente, ensino baseia-se em situações de jogo.exigindo que o passe ou o arremesso seja feito nomomento correto; O processo de EAT nas faixas etárias de formação, como nas categorias infantil (sub-14) e- Aumento da possibilidade de interceptação do cadete (sub-16), deve contemplar alguns dospasse, caso o marcador indireto perceba queessa ação foi tomada apenas com o objetivo de níveis de relação, descritos por Garganta (1995)passar a bola e não o de tentar um arremesso ao como o eu-bola-adversário, no qual o atacantegol. terá a possibilidade de deslocar-se para uma determinada posição e observar a adaptação do O ensino das fixações defensor à essa ação, ou a relação mais simples de oposição direta (2x1) que é caracterizada O processo de ensino-aprendizagem- como eu-bola-colega-adversário.treinamento (EAT, segundo GRECO, 1997) dasfixações torna-se, então, um aspecto importante A aplicação das situações de jogo, ou dodevido aos fatores que são considerados durante método situacional, apresenta como pressupostoa situação, tais como: que o atacante deva adaptar seu comportamento- A percepção que o jogador em posse da bola com vistas à situação que é imposta (GRECO,tem da situação de jogo e sua forma de atuação 2001). Sendo assim, o ensino das fixações nasou decisão tomada; categorias de formação esportiva deve visar a- As adaptações provocadas no sistema defensivo “expansão de todas as capacidades motoras emcom base na tomada de decisão de cada uma base ampla que sirva de reserva paradefensor; facilitar, futuramente, o aprendizado de técnicas específicas” (GRECO, 2001, p.58).- A percepção da situação ajustada do jogo pelojogador que receberá a bola. Em concordância com o autor supracitado, entende-se aqui que durante a formaçãoMotriz, Rio Claro, v.17, n.1, p.39-47, jan./mar. 2011 45
    • R. P. Menezesesportiva a ênfase deva estar voltada para as de um marcador direto para cada atacante e aquestões relacionadas ao “porque fazer” e redução dos espaços para infiltrações. Ao mesmo“quando fazer”, com o intuito de formar jogadores tempo, essa situação provoca nos atacantes acríticos das suas atuações em diferentes cenários necessidade de descoberta de outrasdo jogo. Justifica-se, assim, que os jogadores possibilidades, como as fixações ímpar ou par-devam possuir uma leitura adequada das ímpar objetivando, inicialmente, a criação desituações do jogo, nas quais possam alterar as novos espaços que permitam uma melhorsuas ações em qualquer instante para a circulação da bola.manutenção da posse de bola e progressão ao No desequilíbrio dessa relação numérica degol adversário. jogadores em prol dos defensores (2x3, 3x4, Ao enquadrarmos as fixações em um contexto 4x5...) há problemas ainda maiores para osespaço-temporal-situacional é importante que os atacantes, como a diminuição dos espaços paraatacantes compreendam as duas questões infiltrações, a presença de um marcador direto ecitadas anteriormente, bem como possuam um indireto em condições de equilíbrio e avivências suficientes que os permitam perceber, possibilidade de cobertura permanente dosatuar e alterar o panorama ofensivo objetivando defensores, tendo em vista que as distâncias quemarcar o gol preferencialmente a partir de terão que percorrer até alcançarem os atacantessituações simplificadas, como é o caso da serão mais curtas. Dessa forma, tais situaçõessuperioridade numérica ofensiva. são propícias ao ensino da fixação ímpar, devido à necessidade em buscar inicialmente a A questão relacionada ao “como fazer”, ou à igualdade numérica ofensiva para então alcançarforma analítica do ensino das habilidades a superioridade numérica, o que exige dos(derivada da teoria Associacionista), quando atacantes melhor percepção das situações delidamos com o ensino das fixações nas categorias jogo, bem como a aplicação de elementosde formação passa a ocupar uma posição técnico-táticos que os permitam superar ossecundária à situação de jogo. Essa defensores.secundarização significa que a fragmentação doensino (GRECO, 2001) que visa a perfeição na Considerações Finaisexecução do gesto técnico pode estar Ao pensar no ensino das fixações para adescontextualizada da situação do jogo, e categoria infantil (sub-14) devem ser priorizadastambém a automatização de uma determinada situações de jogo nas quais os atacantes tenhamtomada de decisão pode provocar erros táticos facilidade para vencer a defesa, como as(como passar a bola ou arremessá-la em superioridades numéricas, principalmente pelomomento inoportuno). entendimento de conceitos como a continuidade Sugere-se, então, como ponto de partida para do jogo ofensivo e o aproveitamento de espaçoso ensino das fixações a situação de 2x1, por se vazios. Quando para tais situações os atacantestratar de uma simples relação de causa e efeito apresentarem soluções eficazes, a igualdadeda tomada de decisão do jogador que está com a numérica se torna um problema a serposse da bola e de fácil assimilação pelo atacante apresentado para os jogadores.que não possui a bola. A escolha por uma Já na categoria cadete (sub-16) as igualdadessituação de superioridade numérica ofensiva para numéricas devem fazer parte do cotidiano deo ensino das fixações funda-se na premissa de aulas/treinos, partindo do pressuposto de que asmaior facilidade para os atacantes e melhor situações de superioridade numérica já forampossibilidade de desenvolvimento das suas aprendidas. Nessas situações de igualdadeações. numérica tanto a fixação ímpar como a par-ímpar Conforme aumenta o número de jogadores na devem ser utilizadas como ferramentas para orelação ataque x defesa, como o 3x2, o 4x3 e o desenvolvimento do jogo ofensivo. No final desta5x4, por exemplo, aumentam as variáveis a categoria torna-se conveniente o ensino dasserem controladas pelos atacantes e, ao mesmo situações de inferioridade numérica, enfatizandotempo, outras possibilidades de ações são os desdobramentos técnico-táticos ocasionadosproporcionadas, porém mantendo a superioridade pela ausência de um jogador.ofensiva. Essas situações são propícias para o Tendo em vista que o atacante em posse deensino da fixação par, pelo fato de o ataque já bola realiza seu ataque visando arremessar ouiniciar em vantagem numérica. deixar um companheiro em boas condições de Quando essa relação é equilibrada em desenvolver suas ações, inúmerossituações de igualdade numérica, surgem novos desdobramentos ofensivos podem ser possíveis,problemas a serem resolvidos, como a presença devendo ser treinados pelos jogadores das46 Motriz, Rio Claro, v.17, n.1, p.39-47, jan./mar. 2011
    • Handebol: Ensino tática ofensivadiferentes idades em suas mais diversas GARCIA, E. S.; LEMOS, K. L. M. Temas Atuaismanifestações. Esse treinamento das respostas VI em Educação Física e Esportes. Beloofensivas decorrentes das fixações dos jogadores Horizonte: Saúde Ltda., 2001, p. 48-72.deve ter como principal objetivo a resposta peloatacante que será apoio (desmarcando-se e LATISKEVITS, L. A. Balonmano: deporte &criando uma linha de recepção) para que tais entrenamiento. Barcelona: Editorial Paidotribo,situações preocupem os defensores. 1991. Referências MOLINA, S. F. Organización didáctica del proceso de enseñanza-aprendizaje para la construcciónANTÓN, J. L.; CHIROSA, L. J.; ÁVILA, F. M.; del juego ofensivo en balonmano. E-OLIVER, J. F.;, Sosa PI. Balonmano: balonmano.com: revista digital deportiva, Merida,alternativas y factores para la mejora del v. 2, n. 4, p. 53-66, 2006.aprendizaje. Madrid: Gymnos Editorial, 2000. REIS, H. H. B. O ensino dos jogos coletivosBAYER, C. O ensino dos desportos colectivos. esportivizados na escola. 1994. 75 f.Lisboa: Dinalivros, 1994. Dissertação (Mestrado)-Centro de Educação Física e Desporto, Universidade Federal de SantaCOSTA, L. C. A.; NASCIMENTO, J. V. O ensino Maria, Santa Maria, 1994.da técnica e da tática: novas abordagensmetodológicas. Revista da Educação ROMERO, J. J. F.; MARTÍNEZ, L. C.; SUAREZ,Física/UEM, Maringá, v. 15, n. 2, p. 49-56, 2004. H. V.; CARRAL, J. M. C. Balonmán: manual básico. Santiago: Edicións Lea, 1999.DAOLIO, J. Jogos esportivos coletivos: dosprincípios operacionais aos gestos técnicos -modelo pendular a partir das idéias de ClaudeBayer. Revista Brasileira de Ciência eMovimento, Brasília, v. 10, n. 4, p. 99-103, 2002. Endereço: Rafael Pombo Menezes Rua das Camélias, 85/304 Jd. das RosasGARGANTA, J. O ensino dos jogos Itu SP Brasildesportivos. 2. ed. Porto: Centro de Estudos dos 13309-510Jogos Desportivos, 1995. Telefone: (11) 9431.2631 e-mail: rafael.pombo@yahoo.com.brGRAÇA, A,; MESQUITA, I. A investigação sobre oensino dos jogos desportivos: ensinar e aprenderas habilidades básicas do jogo. RevistaPortuguesa de Ciências do Desporto, Porto, v.2, n. 5, p. 69-79, 2002. Recebido em: 29 de janeiro de 2010. Aceito em: 13 de setembro de 2010.GRAÇA, A.; MESQUITA, I. A investigação sobreos modelos de ensino dos jogos desportivos.Revista Portuguesa de Ciências do Desporto,Porto, v. 7, n. 3, p. 401-421, 2007. Motriz. Revista de Educação Física. UNESP, Rio Claro,GRECO, P. J. La formación del jugador SP, Brasil - eISSN: 1980-6574 - está licenciada sob Creative Commons - Atribuição 3.0inteligente. Revista Stadium, [S.l.], v. 22, n. 128,p. 22-31, 1988.GRECO, P. J. Sistematização do processo deensino-aprendizagem-treinamento tático nosjogos esportivos coletivos. In: GRECO, P. J.;SAMULSKI, D. M.; SZMUCHROWSI, L. A. (Org.).Temas Atuais em Educação Física e EsportesII. Belo Horizonte: Cultura, 1997, p. 43-57.GRECO, P. J. Métodos de ensino-aprendizagem-treinamento nos jogos esportivos coletivos. In:Motriz, Rio Claro, v.17, n.1, p.39-47, jan./mar. 2011 47