Plantas Medicinais: A Logica do Pensamento Medico Popular

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Palestra apresentada durante a realização da VI Jornada Catarinense de Plantas Medicinais, em Florianópolis no dia 28 de setembro de 2010.
A palestra resume os resultados da pesquisa realizada na década de 80, através de abordagem antropológica, junto aos praticantes e usuários da medicina popular do município de Magé (RJ), na região do Grande Rio. Os informantes localizados foram estudados com o objetivo principal de estabelecer os princípios lógicos formadores do pensamento médico popular. Utilizou-se o método qualitativo de análise dos dados, recolhidos através de entrevistas gravadas com os informantes indicados socialmente como mateiros, raizeiros, rezadores, parteiras ou umbandistas. Sempre que possível foram recolhidas amostras do material utilizado para posterior identificação científica. As indicações terapêuticas recolhidas e consideradas difundidas na região, foram comparadas com a história terapêutica de cada substância. Ficou evidenciada com a pesquisa, um alto nível de congruência com a história registrada na bibliografia disponível. Além disso constatou-se a existência de dois níveis de saber popular: primário e secundário e os três princípios do pensamento mágico de Mauss/Lévi-Strauss: a similaridade, a contrariedade e a contiguidade.

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Plantas Medicinais: A Logica do Pensamento Medico Popular

  1. 1. Plantas Medicinais – A Lógica do Pensamento Popular Prof. Douglas Carrara [email_address] Biblioteca Chico Mendes http://www.bchicomendes.com Dedicamos este trabalho aos seus verdadeiros autores: os mateiros, rezadores, pais-de-santo, parteiras, curadores de cobra, pajés e raizeiros que, no exercício de uma autêntica vocação médica, produziram e utilizam um sistema médico que tem sido, no Brasil, a medicina que a cultura popular reconhece e legitima como a sua medicina.
  2. 2. Apresentação Pessoal Bacharel em Ciências Sociais pela UFRJ/IFCS com concentração em Antropologia (1971/1977). Atualmente é professor, escritor e pesquisador de medicina popular, plantas medicinais e fitoterapia. Ministra conferências, cursos e palestras na área de medicina popular, fitoterapia e antropologia da saúde desde 1977, assim como tem participado de congressos e simpósios de plantas medicinais, terapias naturais e fitoterapia. Autor do livro “Possangaba – O Pensamento Médico Popular”, com base em pesquisa realizada através da Fundação Oswaldo Cruz (Programa Peses/Peppe) na região do Grande Rio, especialmente no município de Magé (RJ) na década de 80. Coordenador da Biblioteca Chico Mendes com sede em Maricá – RJ ( www.bchicomendes.com ). .
  3. 3. René Dubos (1901-1982) “ Um grande número de medicamentos ainda hoje em uso como o ópio, a quinina, a digitalina, a reserpina e o salicilato foram descobertos e usados pela primeira vez empiricamente há muito tempo por práticos que desconheciam a ciência médica.” in “O Despertar da Razão – Por uma Ciência mais Humana” – Ed. Melhoramentos/Edusp – São Paulo – pp. 70
  4. 4. A Região do Grande Rio
  5. 5. O Processo de Conquista e de Colonização A região do Rio de Janeiro foi palco de intensa luta entre colonizadores portugueses, franceses e os índigenas nativos: os tamoios que se aliaram aos franceses e os temiminós que se aliaram aos portugueses. Os franceses foram derrotados e os tamoios foram dizimados em 1570, em Cabo Frio. Inicia-se dessa forma o processo de colonização e seus ciclos econômicos: pau-brasil e o da cana-de-açúcar.
  6. 6. O Porto da Estrela – Magé - RJ O Porto da Estrela localizado no fundo da baía de Guanabara era a única porta de entrada para o interior de Minas. Hoje o antigo porto se encontra em ruínas, e localiza-se no município de Magé. RUGENDAS, J. M. (1802-1858): Viagem Pitoresca através do Brasil (1835)
  7. 7. A Atuação dos praticantes da Medicina Popular - dispersão dos praticantes atuando de maneira isolada dos demais praticantes.  - espontaneidade e informalidade no tratamento indicado.  - afetividade na relação médico/paciente.  - legitimidade popular junto à comunidade.  - muita intimidade com a ação das drogas utilizadas na matéria médica popular.  - difusão dos conhecimentos sobre plantas medicinais entre a comunidade.  - transmissão do saber através da tradição oral. - uniformidade do saber ao longo da história. 
  8. 8. A Atuação dos praticantes da Medicina Popular - estruturalidade do pensamento médico popular seguindo os princípios do pensamento mágico.  - descontinuidade na prática médica popular.  - precariedade das práticas por falta de recursos financeiros.  - desorganização institucional.  - categorias nosológicas próprias diferentes eventualmente das categorias médicas científicas.  - a história terapêutica de cada planta medicinal confirma a relativa uniformidade na prática médica popular.  - padrões de medida individuais utilizados pelos praticantes da medicina popular.  
  9. 9. Os Praticantes da Medicina Popular <ul><li>a) O mateiro: é o coletor de ervas ou comerciante de ervas medicinais, geralmente encontrado nas feiras-livres, com distribuição através do CEASA. </li></ul><ul><li>b) o rezador: é o praticante que trata seus pacientes exclusivamente com rezas e rituais de cura. </li></ul><ul><li>c) a parteira: é a praticante, obrigatoriamente do sexo feminino, que assiste os partos, ajudando ou socorrendo as parturientes em sua residência.  </li></ul><ul><li>d) o umbandista: é o praticante que somente trata de seus pacientes através de entidades espirituais que se incorporam no indivíduo, podendo também indicar receituário com base de nas plantas medicinais. </li></ul><ul><li>e) o raizeiro: é o praticante que utiliza a matéria médica popular para tratar de seus pacientes. </li></ul>
  10. 10. O Raizeiro Joaquim, raizeiro e rezador da região de Citrolândia. Profundo conhecedor da mata Atlântica. Bastava solicitar a espécie para que ele de pronto identificasse o habitat onde poderia encontrá-la e nos levasse até à planta. Profundamente religioso, aprendeu a ler sozinho com a ajuda da Bíblia. Trabalhava com agricultor e apesar de possuir poucos recursos, ajudava os vizinhos, colhendo ervas e tratando as pessoas da região que o procurava. Algumas plantas, apenas ele conhecia. Tinha uma fórmula especial para emagrecimento e que muitas pessoas da região utilizavam. Citrolândia – Guapimirim - RJ
  11. 11. O Raizeiro Sinais desenhados na areia para solicitar proteção ao mundo espiritual e ajudar na localização das plantas desejadas. Joaquim Citrolândia - RJ
  12. 12. O Raizeiro Teodoro – Raizeiro da região de Guapimirim e do Paraíso. Trabalhou como guarda da reserva ambiental. Profundo conhecedor das espécies medicinais da região e dos hábitos dos animais da mata Atlântica. Paraíso - RJ
  13. 13. O Raizeiro Olisso, raizeiro , mateiro e rezador, oriundo do Espírito Santo. Anteriormente trabalhara para o Dr. Monteiro da Silva, fundador da Flora Medicinal, que o contratava em Mimoso do Sul, para coletar plantas medicinais para o Laboratório existente desde 1912 no Rio de Janeiro. As plantas eram colhidas e na própria fazenda eram dessecadas e torradas. Coletava poaia, raiz de bugre, jaracatiá, jatobá, catuaba, guararema, casca doce, cipó cravo, folha de mamão, aroeira, tomba, andá-açu, sapucaia, braúna, cerejeira, taiuiá, jiquiri. Olisso foi mordido por cobras 8 vezes. Aprendeu com os índios a enterrar o membro atingido na própria terra. Aprendeu a rezar com sua madrinha. Vale das Pedrinhas Magé – RJ
  14. 14. O Raizeiro Cabo Antônio, militar reformado, que manipulava preparados fitoterápicos em sua própria residência. No quintal cultivava inúmeras espécies para utilização nas garrafadas para tratamento de gastrite, úlcera nervosa, dores de coluna, artrite, bronquite, anemia. Piabetá - RJ
  15. 15. O Mateiro Cosme Mateiro da região de Piabetá, Nova Taquara, Xerém. Conhecedor das espécies da mata Atlântica. Oferecia apoio ao terreiro de candomblé de Nova Taquara. Piabetá - RJ Valcides – Mateiro da região de Magé. Coletor de ervas para venda no mercado de feiras da região. Magé - RJ
  16. 16. O Rezador Placidino Rezador da região de Guapimirim. Rezava os pacientes em sua oficina de trabalho de carpintaria. Diagnosticava a espinhela-caída, o quebrante, e receitava plantas e rezas. Não permitiu a gravação de seu trabalho como rezador. Alegava que não estava autorizado pelos representantes do mundo espiritual.
  17. 17. A Parteira Zizinha Parteira popular, esposa do mestre da Folia de Reis e também bandeirista. Suruí - RJ
  18. 18. Os Praticantes da Medicina Popular Os praticantes da medicina popular no Brasil localizam-se geralmente na área rural ou na periferia dos grandes centros e compõem-se de indivíduos oriundos da classe camponesa. Numa visão geral podem ser entendidos como praticantes e usuários da medicina popular na medida em que os usuários eventualmente também receitam e se automedicam. Denominamos o pensamento desses grupos de pensamento médico popular em virtude de sua razoável uniformidade, mas também pela possibilidade de identificar nesse discurso os princípios do pensamento mágico, estudados especialmente por Marcel Mauss. Assim todos os princípios do pensamento mágico podem ser identificados no discurso médico popular, tais como, a similaridade, a contrariedade e a contigüidade.
  19. 19. O Pensamento Mágico “ A crença na magia não é muito diferente das crenças científicas, pois cada sociedade tem a sua ciência igualmente difusa, cujos princípios foram algumas vezes transformados em dogmas religiosos.” Marcel Mauss (1872-1950) “ O mago primitivo conhece a magia no seu aspecto prático; nunca analisa os processos mentais nos quais sua prática está baseada e nunca reflete sobre os princípios abstratos arraigados nas suas ações. Para ele, como para a maioria dos homens, a lógica é implícita, não explícita; relaciona exatamente como digere seus alimentos, isto é, ignorando por completo os processos fisiológicos e mentais essenciais para uma ou outra operação; em uma palavra, para ele, a magia é sempre uma arte, nunca será uma ciência.” James Frazer (1854-1941)
  20. 20. Os Princípios do Pensamento Mágico O princípio da contiguidade Este princípio estabelece que tudo o que está em contato imediato com a pessoa - as vestes, a marca de seus passos ou de seu corpo sobre a cama, a própria cama, a cadeira, os objetos que habitualmente faz uso são assimilados à totalidade da pessoa. Assim a parte vale pelo todo. Os dentes, os cabelos, a saliva, os excrementos representam integralmente a pessoa, e até mesmo o seu nome, de modo que, por meio deles, é possível agir diretamente sobre ela, seja para seduzi-la, seja para enfeitiçá-la. Não é preciso que o contato seja habitual ou frequente. Mesmo o contato acidental transmite, encanta o objeto tocado. Da idéia de contiguidade origina-se a idéia de contágio.
  21. 21. Os Princípios do Pensamento Mágico O princípio da similaridade Para definir o princípio da similaridade, basta dizer que o semelhante produz o semelhante ou que o semelhante age sobre o semelhante e especialmente cura o semelhante. Nesse caso, a imagem está para a coisa, assim como a parte está para o todo. Assim uma simples figura é, independente do contato e de qualquer comunicação direta, integralmente representativa. A noção de imagem ou de semelhante pode, alargando-se, se transformar em símbolo. Podem-se simbolicamente representar a chuva, o sol, a febre, o amor por um laço e fazem-se criações através dessas representações. No pensamento mágico, os símbolos, as semelhanças tornam-se realidades concretas.
  22. 22. Os Princípios do Pensamento Mágico O princípio da contrariedade O princípio da contrariedade está ligado diretamente como princípio da similaridade. Na verdade eles se complementam. Assim como o semelhante age sobre o semelhante, o contrário é anulado pelo seu contrário. Portanto, a noção abstrata de similaridade é inseparável da noção abstrata de contrariedade. O pensamento mágico sempre especula a respeito dos contrários: a sorte ou o azar, o frio e o quente, o cru e o cozido, a água e o fogo, o macho e a fêmea, a chuva e o sol.
  23. 23. O Sistema Classificatório Popular O sistema indígena, através do tronco linguístico tupi, cujos dialetos eram falados pelas tribos do litoral. Os jesuítas elaboraram um língua geral para facilitar o processo de catequese religiosa. O sistema africano, através das diferentes línguas faladas pelas etnias trazidas da África, especialmente o iorubá e o quimbundo. O sistema europeu ou português, através de vocâculos da língua portuguesa. Ao estudar o pensamento médico popular pode-se analisar a existência intrínseca de um sistema classificatório popular que se utiliza para denominar doenças, plantas, animais, minerais, localidades, através do qual reúne vocábulos oriundos das três vertentes culturais básicas que formam a cultura brasileira.
  24. 24. A Medicina Indígena A própria experiência ensinou aos rudes brasis que suas plantas medicinais não são eficazes em qualquer época do ano. Exemplo desse conhecimento já citamos alhures, isto é, como um índio explicava que a infusão fria do lenho do Echites cururu só era eficaz na febre gástrica se o arbusto já tivesse passado da fase de floração para a de maturação dos frutos. Karl Friedrich Philipp von Martius (1794-1868)
  25. 25. O Sistema Classificatório Indígena Os medicamentos (possanga) específicos, para uma multiplicidade de moléstias, tem sido por eles descobertos e passados depois do empirismo para a ciência. Que específico mais poderoso do que a quinina a ciência até hoje tem descoberto para combater as febres intermitentes e outras? Nada mais se fez que extrair o princípio ativo do vegetal descoberto e aplicado pelos selvagens. Em vez de ser o quinino tomado em pó, os índios o tomam em cozimento, em extrato e até mascando a casca das Cinchonas, chinas ou quinas. O principio antifebril das Cinchonas, eles tambem o descobriram em outrs plantas. Coisa notável! da mesma familia botanica. Como souberam eles que as Coussareas, Exostemmas, Gonzaleas, tinham a mesma propriedade e eram da mesma família, se entre as Cinchonas e estes gêneros o aspecto da planta tanto as afasta? Barbosa Rodrigues ( 1842-1909)
  26. 26. O Sistema Classificatório Indígena “ O resultado da aplicação da inteligência indígena ao reino vegetal é tanta, que muito honra o tino e o tato das suas observações, que são sempre exatas, salvo em casos excepcionais, que, em muitos fatos, tomam os efeitos por causas. A sua nomenclatura é clara, precisa e exata, como são reais os proveitos que se tiram dos vegetais, segundo a maneira de aplicá-los. Das minhas observações entre índios e tapuios, ligados pela mesma língua, quer no norte, quer no sul do país, cheguei a ver que, por uma chave, uniram caracteristicamente vegetais cuja denominação não era arbitrária e sim fruto de observações aceitas e perpetuadas em todo o país.” Barbosa Rodrigues ( 1842-1909)
  27. 27. O Sistema Classificatório Popular Entretanto os contatos com as diferentes etnias africanas, escravizadas e introduzidas forçadamente no Brasil, no processo de expansão do capitalismo mercantil europeu e a dominação cultural e política portuguesa se encarregaram de adulterar aquilo que havia de harmônico no sistema indígena, principalmente no que se refere à botânica indígena. A boa e exata aplicação dos nomes foi transformada pela dominação portuguesa, que, por razões políticas, necessitava impedir e sufocar quaisquer expressões culturais dos legítimos ocupantes da terra colonizada.
  28. 28. A Medicina Popular A medicina popular é um saber construído e exercido por usuários e praticantes de origem camponesa, que transmitem, fundamentalmente, através da tradição oral, um conjunto de categorias nosológicas, uma matéria médica, uma prática, uma filosofia e uma semiologia específicas, constitutivas de um pensamento médico, também específico, que, apesar de seus efetivos cuidados médicos jamais terem sido computados em estatísticas médicas, desde a era pré-colombiana, sempre teve papel significativo no tratamento das doenças que afligem as classes subalternas da sociedade brasileira. Podemos dividi-la em dois níveis distintos: a medicina popular primária e secundária.
  29. 29. A Medicina Popular A medicina popular secundária, formada por usuários que não respeitam os rituais populares de coleta, e, além disso, não experimentam as receitas, mas as divulgam de forma superficial e incompleta. Os rituais de transmissão do saber não são respeitados. A medicina popular exercida pelos praticantes é resultado de experimentações intensas ao longo da histórica e recebida fundamentalmente através da tradição oral. Deve-se obedecer ao ritual de coleta, exigência considerada necessária para que os remédios obtenham resultados positivos. Trata-se nesse caso da medicina popular primária exercido pelos raizeiros, rezadores e parteiras que realmente experimentam as receitas populares em si mesmos e em seus pacientes. A transmissão do saber popular está condicionada pelo parentesco ou pelo merecimento do receptor.
  30. 30. Processo de Expropriação Científica da Medicina Popular Digitalis purpurea  digitalina (digoxina) (tônico cardíaco)   Ephedra vulgaris  efedrina (agente cardiovascular, expectorante)  Rauvolfia sp  reserpina (hipotensor, tranquilizante)   Cinchona calisaya  quinina (antimalárico)   Strychnos sp  curare (paralisante muscular indígena utilizado na guerra e na caça)   Cephaelis ipecacuanha  emetina (anti-amebiano)   Salix alba  ácido acetil-salicílico (AAS) (analgésico, antifebril) Plantas Medicinais
  31. 31. Processo de Expropriação Científica da Medicina Popular Vacinação preventiva da varíola humana (armênios, árabes, ingleses e chineses)  Edward Jenner (1798) Vacina Soro-Anti-Ofídico Indus (faquires), persas, Grécia (Mitridates VI, rei do Ponto)  Calmette (1907) e Vital Brasil (1911). Antibióticos Fungos (bolores) (emplastros de laranja, queijo, miolo de pão, bisso, feno embolorados)  Antiguidade, Europeus (1745), Brasil, EUA  Fleming (1932)
  32. 32. Caesalpinia echinata Lam. Pau-Brasil A produção de substâncias químicas sintéticas, como os pesticidas, é um fenômeno novo, característico do final do século XX.
  33. 33. Caesalpinia sappan L. Sappan (Pau-Brasil)
  34. 34. Ceratocephalus pilosus (L.) Rich. (1801) Picão-Preto ASTERACEAE
  35. 35. Smilax japicanga Griseb. (1842) Japecanga Herbário Chico Mendes DC_171 – JAPECANGA 28.12.1998 – Parada Ideal – Joaquim SE SMILACACEAE Cipó volúvel abundante nas matas. O rizoma grosso e lenhoso é usado em decocção como depurativo do sangue.
  36. 36. Herreria salsaparilha Mart. (1828) Salsaparrilha AGAVACEAE Herbário Chico Mendes DC_235 – SALSAPARRILHA 21.01.1990 – Adrianópolis – Chiquinho SE Cipó volúvel que vegeta nas florestas, especialmente nas matas do litoral fluminense, até mesmo próximo à praia. Planta de grande importância comercial, suas raízes espessadas, carnosas, tuberiformes, alongadas e de cor vinosa, em estado fresco, são empregadas, em decocção, na sífilis e nas dermatoses. É, portanto, considerada um depurativo do sangue.
  37. 37. Cissus verticillata (L.) Nicolson & Jarvis Insulina, Mãe-Boa VITACEAE Herbário Chico Mendes DC_264 – CORTINA JAPONESA 10/03/1991– Nova Iguaçu – Hélcio SE Cipó escandente, cultivado nos quintais, encontrável nos muros das residências. Indica-se como diurético, assim como para tratamento de pacientes atingidos por derrames cerebrais. Além disso, utilizam a maceração das folhas em álcool para contusões e escoriações e a infusão das folhas para reduzir o índice de glicose no sangue em caso de diabetes.
  38. 38. Cissus sulcicaulis (Baker) Planchon (1887) Mãe-Boa VITACEAE Herbário Chico Mendes DC_088 – MÃE-BOA 25/12/1995– N.S. Aparecida – Fernando SE – RJ, MG Cipó escandente encontrável nas florestas. A infusão das folhas é empregada como diurético, nas cistites e nos cáuculos renais. Indica-se também para recuperação de paralisias provocadas por derrames cerebrais. O caule, quando cortado, exsuda água potável.
  39. 39. Coronopus didymus (L.) Sm. (1800) Mastruço Herbário Chico Mendes DC_026 - MASTRUÇO 02/11/1989 – Ricardo de Albuquerque – RJ Antonio BRASSICACEAE Planta herbácea, semi-prostrada, ruderal. A planta inteira, em decocção, é empregada na tuberculose pulmonar e nas gripes e resfriados.
  40. 40. Momordica charantia L. (1793) Melão-de-São-Caetano Herbário Chico Mendes DC_197 – MELÃO-DE-SÃO-CAETANO 19/01/1990 - Citrolândia – Joaquim SE CUCURBITACEAE Cipó escandente, ruderal, procedente da África, atualmente subespontâneo. A planta inteira é empregada em banhos e em infusão como abortiva e emenagoga. Utiliza-se também nas bronquites, na pneumonia e nas febres. As lavadeiras costumam utilizar as folhas para clarear a roupa assim como para afugentar piolhos.
  41. 41. Siparuna apiosyce (Mart. ex Tul.) DC. (1868) Nega-Mina SIPARUNACEAE Herbário Chico Mendes DC_096 – NEGA-MINA 25/12/1989– Parada Ideal – Souza SE (RJ,MG) Arbusto muito comum nas capoeiras. As folhas em infusão são usadas nas gripes. Os umbandistas atribuem à planta propriedades mágicas; para proteger-se contra influências negativas, mau-olhado, empregam o banho de “descarrego” preparado com as folhas da planta.
  42. 42. Ocimum campechianum Mill. (1768) Alfavaca LAMIACEAE
  43. 43. Bibliografia Consultada ARAÚJO, Alceu Maynard (1913-1974): 1979 - Medicina Rústica - 3ª Ed. - Ed. C.E.N. - São Paulo - Brasil - 293 p. (Português) [ BCM : 051.068.01] [ARA.01]
  44. 44. Bibliografia Consultada BACHELARD, Gaston (1884-1962): 1973 - El Compromiso Racionalista (L'Engagement Rationaliste) - 1ª Ed. - Ed. Siglo XXI - Buenos Aires - Argentina - 204 p. (Espanhol) [ BCM : 016.016.05]
  45. 45. Bibliografia Consultada CARRARA, Douglas: 1995 - Possangaba, - o Pensamento Médico Popular - 1ª Ed. - Ed. Ribro Soft - Maricá - Brasil - 260 p. (Português) [ BCM : 051.133.01] [DOU.02]
  46. 46. Bibliografia Consultada DUBOS, René (1901-1982): 1972 - O Despertar da Razão - Por uma Ciência mais Humana (Reason Awake) - 1ª Ed. - Ed. Melhoramentos - São Paulo - Brasil - 196 p. (Português) [ BCM : 030.018.02] [DUB.02]
  47. 47. Bibliografia Consultada HOEHNE, F. C. (1882-1959): 1939 - Plantas e Substâncias Vegetais, Tóxicas e Medicinais - 1ª Ed. - Ed. Instituto de Botânica - São Paulo - Brasil - 355 p.  [BCM: 094.042.22] [HOE.22]
  48. 48. Bibliografia Consultada LÉVI-STRAUSS, Claude (1908-2009): 1970 - O Pensamento Selvagem (La Pensée Sauvage) - 1ª Ed. - Ed. C.E.N./EDUSP - São Paulo - Brasil - 331 p. (Português) [ BCM : 199.015.03] LÉVI-STRAUSS, Claude (1908-2009): 1967 - Antropologia Estrutural (Anthropologie Structurale) - 1ª Ed. - Ed. Tempo Brasileiro - Rio de Janeiro - Brasil - 458 p. (Português)  [ BCM : 199.015.02]
  49. 49. Bibliografia Consultada MARTIUS, Karl Friedrich Philipp von (1794-1868): 1979 - Natureza, Doenças, Medicina - e Remédios dos Índios Brasileiros (Das Naturell, die Krankheiten, das Arztthum und die Heilmitt) - 2ª Ed. - Ed. C.E.N. - São Paulo - Brasil - 183 p. (Português) [ BCM : 177.070.01] [MAR.04]
  50. 50. Bibliografia Consultada MAUSS, Marcel (1872-1950): 1974 - Sociologia e Antropologia (Sociologie et Anthopologie) - 1ª Ed. – 2 Vol. - Ed. EDUSP - São Paulo - Brasil - 239 p. (Português) [ BCM : 199.065.02]
  51. 51. Bibliografia Consultada PARDAL, Ramon (1896-1955): 1937 - Medicina Aborigen Americana - 1ª Ed. - Ed. Jose Anesi - Buenos Aires - Argentina - 377 p. (Espanhol) [ BCM : 177.035.01] [PAR.01]
  52. 52. Bibliografia Consultada PECH, J.- L. (1889- ): 1968 - Ameaças contra sua Vida - A Epidemia do Século XX: As Mortes Súbitas (Menaces sur votre Vie) - 1ª Ed. - Ed. Forense - Rio de Janeiro - Brasil - 240 p. (Português) [ BCM : 182.065.01] [PEH.01]
  53. 53. Bibliografia Consultada RODRIGUES, J. Barbosa (1842-1909): 1905 - Mbaé Kaá Tapyiyeté Enoyndaua - ou A Botânica e a Nomenclatura Indígena - 1ª Ed. - Ed. Imprensa Nacional - Rio de Janeiro - Brasil - 87 p. (Português) [ BCM : 048.072.02] [ROD.01]

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