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Que tipo de ciência pode ser a ciência da informação?
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Que tipo de ciência pode ser a ciência da informação?

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Tradução do artigo de M. K. Buckland, What Kind of Science can Information Science be?

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  • 1. Que tipo de ciência pode ser a Ciência da Informação?Michael BucklandSchool of Information, University of California, Berkeley, CA 94720-4600.E-mail: buckland@ischool.berkeley.eduDurante o século XX existiu um grande desejo de desenvolver uma ciência da informação a partir dabiblioteconomia, bibliografia e documentação e em 1968 o American Documentation Institute mudou seu nomepara American Society for Information Science. No início do século XXI, entretanto, departamentos de(biblioteconomia e) ciência da informação voltaram-se para as ciências sociais. Esses programas tratam de umavariedade de tópicos importantes, mas tem sido menos bem sucedidos em prover uma explicação coerente sobre anatureza e o escopo do campo. Progresso pode ser feito em relação a uma visão coerente e unificada dos papéisdos arquivos, bibliotecas, museus, serviços de informação online e organizações relacionadas se forem tratadascomo serviços provedores de informação. No entanto, tal abordagem parece muito incompleta em relação aentendimentos comuns de fornecimento de informações. Ao invés de perguntar o que é a ciência da informação ouo que gostaríamos que ela fosse, perguntamos ao invés disso que tipo de campo ela pode ser dadas as nossassuposições sobre o assunto. Abordamos a questão examinando algumas palavras chave: ciência, informação,conhecimento e interdisciplinar. Concluímos que se a ciência da informação está preocupada com o que as pessoassabem, então é uma forma de engajamento cultural, e no máximo, uma ciência do artificial.Introdução Durante o século XX houve um grande desejo para que a prestação de serviços setornasse científica, para se deslocar da biblioteconomia, bibliografia e documentação para umaciência da informação. Conforme isso, em 1968 o American Documentation Institute mudou seunome para American Society for Information Science. No início do século XXI, entretanto,departamentos de (biblioteconomia e) ciência da informação voltaram-se para as ciênciassociais. Os principais programas aumentaram seu tamanho e visibilidade com uma publicidadehábil liberalmente utilizando as palavras “informação”, “sociedade” e “tecnologia”. “Escola deInformação” atualmente é um nome ou apelido optativo. Esses programas tratam umavariedade de tópicos importantes, mas eles têm sido menos bem sucedidos em prover umaexplicação coerente sobre a natureza e escopo do campo. É sábio para organizações realizarema prospecção de novas oportunidades, mas ser oportunista sem uma justificativa coerenteadjacente parece imprudente. Um problema relacionado tem a ver com a análise de serviços de informação. Algumprogresso pode ser visto em relação a visões unificadas e coerentes sobre os papéis de arquivos,bibliotecas, museus, serviços de informação online e organizações relacionadas se elas sãotratadas como serviços provedores de informações (Buckland, 1991a), mas tal abordagemparece muito incompleta em relação a entendimentos comuns de fornecimento de informações.Bibliotecas públicas, por exemplo, fazem mais do que simplesmente fornecerem informações.Novamente necessitamos de uma explicação mais ampla, profunda ou diferente.Abordagem Nossa abordagem considera algumas palavras-chaves: ciência, informação,conhecimento e interdisciplinar e faz distinções entre científico, acadêmico e crítico. Embora a palavra ciência seja às vezes usada amplamente por qualquer corpo deconhecimento (por exemplo, ciência doméstica, ciência de bibliotecas), aqui a utilizamos nosentido normativo como denotação das ciências físicas e formais (por exemplo, química,matemática e física). A ciência é um empreendimento construtivo. Ser científico envolveconstrução de modelos. Hipóteses e teorias são desenvolvidas para explicar e prever fenômenosobserváveis. Ser acadêmico envolve mais do que ter muito conhecimento. Requere a buscaafirmativa por evidências contrárias às teorias de alguém. Isso é verdade para todos os campos:nas humanidades, nas ciências sociais, nas ciências e práticas profissionais. Neste contexto, ser
  • 2. crítico não é questão de ser hostil ou negativo, mas de questionar pressupostos subjacentes eescolhas metodológicas. Como as conclusões foram determinadas, ou pelo menos influenciadas,por pressupostos particulares ou a escolha do método? O ideal é ser científico e acadêmico ecrítico. Quanto mais pudermos nos aproximar deste ideal, mais robustas nossas idéias serão. Também é importante lembrar-se da distinção entre as coisas e seus nomes:descrever algum fenômeno é uma questão separada de decidir como nomeá-lo. Nomes podemser múltiplos, ambíguos e instáveis. Discussões passadas sobre informação e termosrelacionados têm sido dificultadas pela falha em reconhecer essa distinção óbvia e qualquerdeclaração na forma de “Informação é...” deveria ser vista com desconfiança se não houveralguma explicação sobre o que está se referindo. Outro guia útil é a navalha de Ockham, oprincípio que, outras coisas sendo iguais, a explicação mais simples é geralmente a preferida.Esses princípios fornecem uma base não apenas para examinar noções individuais deinformação, mas também por considerar que tipo de campo a ciência da informação pode ser e,assim, identificar um terreno plausível para programas de ciência da informação.Informação A palavra informação tem sido tão usada que chegou a dominar o discurso (Day,2001). Um website de pós-graduação em Informação recentemente continha duas declaraçõesimpressionantes: “161 exabytes de novas informações são criadas a cada ano” (eles queriamdizer bits digitais) e “Informação: o poder de transformar o mundo” (eles não queriam dizer bitsdigitais). A vagueza e inconsistência são vantajosas para slogans e o uso de “palavras camaleão”que assumem cores diferentes em contextos diferentes permite flexibilidade para leitoresperceberem o que querem. Entretanto, quando a clareza é buscada definições mais cuidadosassão necessárias. Nossa primeira restrição é limitar nosso uso de informação à sua associaçãotradicional com conhecimento e aprendizagem humana. Isso diferencia nosso escopo de outroscampos importantes que também usaram o nome “ciência da informação”. Um é a ciência dacomputação, preocupada com a teoria e aplicação de algoritmos. Outra, preocupada comentropia, probabilidade, a teoria da informação de Shannon-Weaver, padrões físicos (in-formar),e tópicos relacionados, é às vezes reconhecido como a “física da informação”. Também, a palavrainformação é, claro, usada na tecnologia da informação (TI, também TIC, para tecnologias dainformação e comunicação), mas amplamente restrita em prática ao uso de eletrônicos paracomunicação e computação. Essas outras áreas não são consideradas aqui. Ao invés disso, nospreocupamos com aquelas áreas geralmente entendidas como sendo o escopo dabiblioteconomia e ciência da informação (BCI) e os interesses da American Society forInformation Science and Technology. Para uma análise mais ampla e detalhada de várioscampos com interesse em informação, veja Machlup e Mansfield (1983). Jonathan Furner (2004) sabiamente nos lembrou que para cada um dos múltiplossignificados da palavra informação já existe outra palavra satisfatória mais específica. Estudos dainformação não requerem uso da palavra informação! Outra mudança é classificar os usosvariados da palavra informação em categorias, incluindo:- Informação-como-conhecimento para conhecimento transmitido, o que foi aprendido como resultado de ser informado;- Informação-como-processo para se tornar informado, para aprendizagem; e- Informação-como-coisa para bits, bytes, livros, sons, imagens e qualquer coisa física percebida como significante. A palavra “documento”, que não foi historicamente limitada à mídia textual, pode ser usada como termo técnico para informação-como-coisa (Buckland, 1991a, 1991b, 1997).
  • 3. Começando com esta última categoria, informação-como-coisa, podemos perguntarquais documentos fazem ou, mais, corretamente, o que pessoas fazem com informações-como-coisas, com documentos, isto é, com dados, registros, textos e mídia de qualquer tipo.O uso de documentos Achamos, quando olhamos, que documentos são amplamente utilizados para umavariedade de propósitos. Governos os usam para nos controlar, requerendo o uso depassaportes, declarações fiscais de renda, carteiras de habilitação, e assim por diante. Escolasutilizam textos e padrões curriculares para guiarem estudantes e professores. Religiões utilizamtextos sagrados para instigarem crença e influenciarem condutas. Comerciantes investem muitoem propaganda para influenciar o que compramos. Políticos usam slogans e declaraçõespolíticas para ganharem votos e atraírem apoio financeiro e eleitoral. Artistas utilizam mídiasvariadas para nos entreter e geralmente atrair pagamentos de nós. Indivíduos utilizammensagens para se comunicar e os social media para chamar atenção. Museus apresentaminterpretações de nossos antepassados através de uma apresentação seletiva e interpretaçãohabilidosa de artefatos. Bibliotecas fornecem acesso a coleções de documentos... E assim pordiante. Qualquer um pode fazer tal lista e a lista rapidamente se torna longa. Contemplar isso ou qualquer lista similar nos lembra de alguns pontos importantes: 1. Documentos estão infiltrados em nossa sociedade e dão forma à nossas vidas. Dependência de documentos aumentou ao longo do tempo. Economias modernas são baseadas em uma divisão do trabalho cada vez maior e na existência de mercados, ambos dependentes de comunicação e documentação, que em troca têm sido progressivamente facilitados pelas inovações técnicas (escrita, impressão, telégrafos, rádio, Internet, etc.). Como Patrick Wilson coloca, estamos mais e mais dependentes de “conhecimento de segunda mão” (Wilson, 1983a). 2. O uso de informação e comportamento informacional são ordinariamente compreendidos como se referindo ao indivíduo que gostaria de ser informado. Entretanto, como fica claro com a lista, esta é apenas uma pequena parte da história. Muito do uso de documentos não é iniciado pelo usuário, mas por um conjunto amplo e diverso de agentes ativos (governos, escolas, religiões, comerciantes, etc.) com propósitos diferentes e que às vezes competem entre si. 3. A forma mais comum de comportamento relacionado à informação é simplesmente notar as coisas, um papel minimamente ativo. Pode ser não-intencional (bem como quando ouvimos um trovão), inesperado, ou inconsciente (quando for subliminar). 4. O uso de documentos pode incluir – mas não se reduz a – achar fatos, buscar informações ou solucionar problemas. Como fica claro com a lista, as agendas e meios são variados. Bibliotecas públicas não são simplesmente serviços de informação, ao menos não em um sentido simples e normal. “Uma das coisas que bibliotecas públicas tem feito razoavelmente bem é perceber que sua missão, seu trabalho, tem a ver com a criação de comunidades”, coloca Martin Gómez (Institute of Museum and Library Services, 2009, p. 9). Se contemplarmos a lista acima ou qualquer lista similar, é razoável perguntar qualtermo pode abarcar esse leque de atividades relacionadas à informação. A característica emcomum é que elas são culturais. Aqui não utilizamos “cultura” no sentido popular de alta cultura,denotando ópera e outras atividades elitistas, mas no sentido amplo acadêmico utilizado emantropologia. A definição clássica é do Sir Edward Tylor em 1871: “Cultura ou civilização, levado
  • 4. em seu sentido etnográfico amplo, é um todo complexo que inclui conhecimento, crença, arte,moral, leis, costumes e quaisquer outras capacidades e hábitos adquiridos pelo homemenquanto membro de uma sociedade” (p.1). A suposição mais simples então, é que os usos dainformação, quando falamos de informação-como-coisa, são propriamente vistos como umengajamento ativo na esfera cultural.Conhecimento A teoria do conhecimento foi dominada pela filosofia analítica com uma ênfase naverdade de sentenças proposicionais e conhecimento como uma crença verdadeira justificada(Chisholm, 1989). Esta abordagem é problemática de vários modos. Podemos questionar oadjetivo “justificada” porque é provável que ninguém aceite que tenha crenças injustificadas. Overdadeiro critério também não se mantém bem na inspeção. No discurso comum, “verdade”tende a implicar consistência com alguma realidade objetiva, mas o conhecimento subjetivo darealidade objetiva é filosoficamente suspeito e na prática, a verdade se reduz à congruência comalguma crença anterior ou suposição. Conhecimento proposicional (crença verdadeira justificada) é ilustrado neste excertoda Enciclopédia Stanford de Filosofia (2006): Suponha, por exemplo, que James, que está relaxando num banco em um parque, observe um cachorro que, há uns sete metros dele, está mascando um osso. Então ele acredita 5. Existe um cachorro ali. Suponha ainda que o que ele acredita ser um cachorro é na verdade um robô-cachorro tão perfeito que, apenas com a visão, não poderia ser distinguido de um cachorro de verdade. ... Colocadas estas suposições, (5) é, naturalmente, falsa. Mas suponha ainda que apenas a alguns centímetros de distância do robô-cachorro exista um cachorro de verdade. Atrás de um arbusto ele está escondido da visão de James. Dada esta hipótese, a crença de James é verdadeira. Então mais uma vez, o que temos diante de nós é uma crença verdadeira justificada que ... nos dá o resultado errado do que James conhece (5). A filosofia analítica deste tipo tem pouca relevância às realidades do dia a dia emuma sociedade permeada por documentos, nossa dependência inevitável em conhecimentosde segunda mão, e a necessidade perene de ter de decidir em quem e no que confiar. Um livrode lógica famoso do século XVII resumiu muito bem a situação: … uma ampla diferença deve ser feita entre dois tipos de verdades: uma, que é relacionada simplesmente à natureza das coisas e sua essência intercambiável, independentemente de sua existência; os outros, que têm relação com as coisas que existem, e especialmente aos acidentes humanos e eventos,... No primeiro tipo de verdades, uma vez que tudo é necessário, nada é verdade o que não é verdade universalmente; e ainda podemos concluir que uma coisa é falsa, se é falsa em um único caso. Mas se pensarmos em seguir as mesmas regras na crença de eventos humanos, devemos sempre, exceto por acidente, julgar falsamente, e fazer centenas de raciocínios falsos sobre eles. Por estes eventos serem contingentes por natureza, seria ridículo buscar neles uma verdade necessária: ... (Arnauld, 1662/1850, pp. 345–346). Em 1946 Gilbert Ryle (1946) escreveu, “Os filósofos não tem feito justiça à distinçãoque é bem familiar a todos nós entre saber que algo é o caso e saber como fazer coisas” (p. 4). Eleargumentou que saber como não pode ser definido em termos de saber que e que saber como élogicamente anterior a saber que. Mas isto não é o suficiente. A teoria do conhecimento precisaser levada mais longe para uma outra distinção bem familiar a todos nós: saber sobre. Em nossasvidas diárias, operamos com conhecimento necessariamente imperfeito, incompleto e incerto.Continuamente decidimos em quais documentos depender, se neste ou aquele. Na vida real,temos um saber sobre imperfeito e temos que contar mais com a confiança do que com averdade. Visto deste modo, a importância de armazenar os documentos mais adequadosdisponíveis para nós mesmos ou para os outros, uma preocupação nuclear da biblioteconomia eciência da informação é evidente. Nesta situação uma distinção entre conhecimento e crença
  • 5. parece questionável, e conhecimento proposicional, preocupado com a verdade de sentençasavulsas, torna-se uma fundação teórica implausível.Se tornar informado A categoria remanescente, informação-como-processo, preocupa-se com atransmissão do conhecimento, com o aprendizado. Enquanto estamos preocupados com acompreensão ao invés da mera memorização, aprendizado depende do que já sabemos. Aaprendizagem é incremental, uma mudança no que já sabíamos ao invés de uma simples adição,exceto, parece, na pesquisa em BCI onde encontramos uma deficiência fundamental. Umaanálise de conteúdo detalhada da literatura em BCI realizada por Allan Konrad (2007) descobriuque apenas 5.6% de uma seleção de 413 textos canônicos examinados eram harmônicos com oprincípio de que a aprendizagem é incremental; a maioria (88.8%, incluindo 83% em umsubconjunto categorizado como estudos cognitivos) ou ignoraram o princípio ou fizeramapenas menção a ele; 5.6% explicitamente ou implicitamente refutaram-no (p. 499–569,especialmente a p. 508). Dada a moda do campo em relação às ciências sociais e conversa explícita sobre uma“virada cognitiva” (Ingwersen & Järvelin, 2005), estes achados são impressionantes. Podemosespecular sobre suas razões. Uma consideração é que é muito difícil na prática levar emconsideração o que os indivíduos já sabem. Outro fator é que técnicas formais e algorítmicas porsua natureza resistem à inclusão de cultura (Ekbia, 2008). A física newtoniana não permitiunenhum lugar para céu ou inferno, e a CI focou-se muito no armazenamento da informação esistemas de recuperação, principalmente em sistemas de fornecimento de documentos, ao invésde sistemas que informam (Buckland, 1991a). Em terceiro lugar, com algumas exceçõeslouváveis (tais como Allen Bryce e Carol Kuhltau) os então chamados “virada cognitiva” tiveram atendência ao invés disso de ser uma virada baseada rasamente em ciência cognitiva.(testemunhe a freqüente referência a artigos de inteligência artificial ao invés dos campos maisamplos de psicologia educacional). A freqüente referencia à “estados do conhecimento” implicauma simplificação dúbia porque cada vez que lembramos de algo criamos uma lembrançalevemente diferente. Søren Brier (2008) caracterizou a situação como se segue: o paradigmadominante atual é muito influenciado pela ciência cognitiva que é um programa de pesquisalógico e algorítmico que investiga o processamento da informação em humanos, animais, emáquinas. Esta abordagem é baseada na cibernética de Wiener, na teoria de informação deShannon e Weaver, em lógica, em teoria de conjuntos e computação. É inadequado porquefracassa em acomodar as realidades culturais de aprendizagem e comunicação, a complexidadefenomenológica de percepção e compreensão, ou a interação social e pessoal. O resultado éuma confusão geral entre vários significados alternativos da palavra “informação” e umaabordagem ao comportamento informacional que é inóspito tanto à comunicação quanto aoaprendizado (Brier, 2008).Linguagem e Fatos Recuperação da Informação, amplamente reconhecida (juntamente com abibliometria) como sendo a parte mais científica dos estudos de informação, depende muito deoperações algorítmicas sobre texto, especialmente a co-ocorrência de palavras especificadas (naverdade, linha de caracteres) tanto em documentos quanto em questões de busca. Estesmétodos são muito úteis apesar de algumas fraquezas que surgem das palavras com múltiplossignificados e formas variantes, palavras diferentes terem a mesma grafia, e significados sendoinstáveis. A comunicação humana, em contraste, depende de códigos culturais e significado.Robert Fairthorne (1974) teve bons insights sobre essas questões com sua distinção cuidadosaentre menção e significado e sua explicação sobre a irresistível obsolescência da indexação deassuntos. A linguagem evolui no diálogo e no discurso. O indexador é necessariamenteretrógrado pois termos de índices precisam ser baseados no uso já estabelecido no discurso
  • 6. passado. Mas o indexador também precisa ser atual porque a indexação é destinada ao usofuturo. Significados de palavras continuam a evoluir com o tempo, mas um termo de índiceinscrito em algum ponto fixo no tempo retrocede ao passado enquanto discurso, linguagem e oindexador segue em frente (Buckland, 2007, impresso). Se a cultura e a linguagem resistem a algoritmos e técnicas formais, mais progressopoderia ser feito se pudéssemos reduzir o literário ao factual. Paul Otlet pensava assim. Eleconsiderava livros e artigos ineficientes, teimosos e duplicados. A idéia dele era extrair fatos detextos, como ervilhas de vagens e organizar os fatos em uma web semântica oficial usandodeclarações unitárias factuais (“monografias”) descritas, posicionadas, e coletivamenteassociadas usando o sistema de Classificação Decimal Universal (Frohmann, 2008). O resultado,ele declarou, poderia ser compartilhado como uma extensão comum do cérebro. (Oentendimento de Otlet de um “mundo cérebro”, compartilhado com Wilhelm Ostwald e H. G.Wells, era uma fonte de comunidade mais como uma Wikipédia rigorosamente editada do queuma entidade autônoma como o computador Hal em 2001: uma Odisséia no Espaço). Mas, ao mesmo tempo Otlet estava resumindo suas idéias em seu enciclopédicoTraité de documentation, publicado em Bruxelas em 1934, Ludwik Fleck (1935/1979) na Polôniaestava argumentando uma visão muito diferente em sua Gênese e Desenvolvimento do FatoCientífico publicado no ano seguinte em 1935. Fleck argumentou que fatos encontrados nasenciclopédias populares eram super simplificados quando reduzidos a simples afirmações forade contexto e isoladas de narrativas explicativas. Além disso, fatos surgiram apenas em umrelacionamento triádico de um conceito, o indivíduo e a mentalidade cultural prevalecente(Denkkollektiv) que tanto permitia e restringia. Mesmo fatos científicos, argumentou Fleck, pormuito tempo antecipando os paradigmas e revoluções científicas de Thomas Kuhn e aarqueologia do conhecimento de Michel Foucault, são construtos culturalmente situados. Atémesmo um pouco de atenção à história intelectual ilustra o caso dele. Paracelsus, o médico daRenascença que lutou pela ciência moderna sendo pioneiro no uso medicinal de química eaguda atenção ao tamanho da dose, estava tão imerso em alquimia medieval que lhe faltavaconceitos adequados e terminologia (Ball, 2006). Ele não teria compreendido nossos textosmédicos modernos e nós não podemos compreender os dele.O arranjo adequado de documentos A resposta de Vesa Suominen (1997) à questão “O que constitui um bombibliotecário?”, foi a que um bom bibliotecário é aquele que alcança um arranjo adequado dedocumentos para o leitor. Que existem vários diferentes leitores, que cada um tem múltiplosinteresses, que existem muitos e muitos documentos, e que leitores, interesses e documentossão todos bastante instáveis, complica enormemente a tarefa, mas a noção é, em princípio,atraente. Certamente, a biblioteconomia e a ciência da informação estão muito preocupadascom o arranjo adequado de documentos de uma forma ou de outra. Bibliografia e descrição bibliográfica estão preocupadas em estabelecer arranjosadequados de dois modos: relacionamentos entre documentos são estabelecidos através dedescrições, listas descritivas, e índices e estas descrições, listas descritivas e índices são utilizadospara identificar meios documentários adequados para algum propósito (Wilson, 1968). Sistemas de recuperação da informação, no entanto complexos, tem a mesmapropriedade subjacente que bibliografia. Todas as máquinas de seleção (tanto para recuperaçãoe para filtragem) são compostas de correntes de apenas dois tipos primitivos de operação: amodificação de documentos (incluindo a derivação de índices) e seu (re)arranjo (classificando,fazendo ranking, agrupando e coisas do tipo) (Buckland & Plaunt, 1994; Plaunt, 1997). Arecuperação da informação é algorítmica, quantitativa e amplamente útil, mas é científica? (cf.Neill, 1992). Sistemas de operação de seleção dependem de teoria de conjuntos e relevância. Ateoria de conjuntos é uma conveniente simplificação porque documentos não são realmentediscretamente diferentes em conteúdo ou significado. Um problema mais amplo é que não hátal coisa como relevância, ou pelo menos nada tangível, uma vez que se torna mais claro que
  • 7. substituímos a palavra “adequado” por “relevante” que podemos fazer sem trocar o significado.A relevância pode parecer mais científica porque tem um significado formal de vinculação emlógica e por causa de 50 anos de medidas de relevância em avaliação de recuperação dainformação. Na prática, documentos são classificados usando algum substituto arbitrário pararelevância. Estes substitutos vagam das co-ocorrências de linhas de caracteres através do uso dejulgamentos de relevância de terceiros, às vezes modificados, depois da recuperação inicial pelapercepção subjetiva daqueles para os quais a recuperação foi realizada. Em geral, a posição derecuo é se o tópico (ou uso da palavra) é similar (Buckland, 1983). Não é de se admirar que asdefinições e a literatura sobre relevância têm permanecido teimosamente problemáticas por 50anos apesar dos esforços sustentados de tantos pesquisadores talentosos e motivados. Umaciência natural (como química ou física) requer uma propriedade de medida física. Uma ciênciaformal (como lógica ou matemática) requer uma definição clara e rigorosa. É característico dasciências sociais mais suaves que nenhum destes requerimentos esteja disponível e é precisofazer o melhor que se pode com o mínimo de substitutos insatisfatórios. A bibliometria, baseada principalmente em análise de citações, é o outro epicentrode quantificação na ciência da informação. Aqui, ambos os motivos e a significância de atosindividuais de citação tendem a permanecer obscuros, exceto em termos vagos gerais, então abibliometria assemelha-se à recuperação da informação em que o cálculo virtuoso não ébaseado em fundações firmes. Tanto a bibliometria quanto a recuperação da informação nostrazem métodos desenvolvidos em e para ambientes formais (lógicos, bem definidos) e os usamem objetos e em ambientes que não são formais, lógicos ou bem definidos. Isso produzresultados úteis mas também processos comprometidos, incongruentes.Interdisciplinar Ser interdisciplinar é considerado amplamente uma coisa boa e às vezes é. Um bomexemplo prático seria quando um programa acadêmico desejado não foi aprovado, apresentadocomo uma alternativa de um programa enquadrado como sendo interdisciplinar pode suceder.Não obstante, palavras começando com “inter” comumente implicam uma posição de fraqueza(por exemplo, intervalo, intermissão, interregno e ínterim) e indicam algo posicionado por entreoutras entidades mais substanciais. Uma visão pessoal é que em um ambiente universitário afirmações sobre serinterdisciplinar atrai planejadores, mas que em tempos de crise econômica o poder políticotende a residir em disciplinas bem estabelecidas. Então, argumentar uma reivindicação de fontesbaseados em ser interdisciplinar ou em ser uma disciplina emergente é, em geral, escolherocupar uma posição fraca. Felizmente para estudos da informação, existe uma forte alternativa: necessidadesocial. Quem quer ter de lidar com um mecânico ignorante, um médico com conhecimentosdatados, um gestor mal informado, manuais obsoletos ou um governo não transparente? Comalgumas exceções, notavelmente relacionando-se à privacidade e segurança, todos temos uminteresse substancial investido em uma sociedade bem informada. Precisamos de pessoas beminformadas que saibam sobre o que estão fazendo. As principais necessidades sociais sãotipicamente complexas. Quem quer que se comprometa a tentar resolver os problemas precisaser metodologicamente versátil de um modo que é inadequadamente capturado pela“interdisciplinaridade”. Existe uma ironia nisso porque os departamentos acadêmicos maisrespeitáveis (por exemplo, história, química e linguagens) foram originados na percepção doséculo XIX das necessidades sociais das nações-estado. O livro de Søren Brier’s (2008), Cybersemiotics: Why Information Is Not Enough!(Cybersemiótica: Porque Informação Não é o Suficiente!) é uma teorização excepcionalmenteerudita, completa e coesa da natureza dos estudos de informação. Este livro é interdisciplinar?Inspira-se amplamente em vários campos, incluindo a biologia, cibernética, psicologia, semióticae mais, então claramente é. Mas dizer isso faz com que percamos o ponto mais importante que éuma teoria unificadora coerente para um campo existente.
  • 8. Cada especialidade acadêmica desenvolve sua própria cultura de conhecimento,linguagem, valores e estruturas sociais. Em conseqüência eles são necessariamente mais oumenos diferentes um do outro em escopo e potencialmente incompatíveis, ou ao menosdissonantes. É possível que nenhuma especialidade prefira uma cultura unificada(epistemologia, terminologia) para sua própria cultura nativa que evolui, então uma tensão é deser esperada entre um desejo pelos benefícios da compatibilidade com outras especialidades eo desconforto de lidar com as culturas mais ou menos estrangeiras de outras especialidades. OYlva Lindholm-Romantschuk tardio, que estudou o fluxo de idéias dentro e entre disciplinas, erada opinião de que a posição mais produtiva era ser firmemente enraizada em nossa própria áreapara depois ir fazendo a prospecção nas fronteiras com outros campos (Lindholm-Romantschuk,comunicação pessoal, 1994).Conclusões “Informação” e outras palavras vagas e/ou polissêmicas podem ser muito valiosas emslogans e em retórica. A “Ciência da Informação” tem sido usada para denotar campos diferentes quepodemos distinguir usando nomes diferentes: biblioteconomia e ciência da informação, ciênciada computação, física da informação, entropia, etc., e tecnologia da informação, significandotecnologia eletrônica aplicada à comunicação e computação. Destes, apenas o primeiro édiretamente preocupado com o conhecimento e a aprendizagem. Permitir que pessoas se tornem melhor informadas (aprendizagem, tornar-se maisbem informado) é, ou deveria ser, a preocupação central dos estudos de informação e osserviços de informação são, na prática, mais diretamente preocupados com saber sobre do quesaber como ou saber que. Conhecimento no dia a dia é crença, é cultural e não énecessariamente bem justificado ou verdadeiro em nenhum sentido mais forte. Umaconseqüência é que as sutilezas da filosofia analítica provêm uma base inadequada para ateorização da ciência da informação. No dia a dia dependemos muito e cada vez mais de conhecimento de segunda mão.Podemos determinar pouco do que precisamos saber por nós mesmos, em primeira mão, daexperiência direta. Temos que depender de outros, amplamente através de documentos. Aomesmo tempo, há uma multiplicidade de agências ansiosas para influenciar nossas vidas usandodocumentos como seus meios de alcançar seus variados e às vezes controversos fins. Nestainundação de informação, precisamos selecionar e precisamos decidir no que confiar. O queacreditamos acerca de um documento influencia em nosso uso dele e mais importante, nossouso de documentos influencia no que acreditamos. Suzanne Briet reconheceu estas questõesquando escreveu em 1951 sobre documentação não apenas como uma “necessidade do nossotempo”, mas também como “uma nova técnica cultural” (Briet, 1951/2006, Grifo Nosso; Day,2006). Recuperação da informação e bibliometria, ambas muito úteis, são quantitativas etécnicas, mas não são científicas no sentido normativo porque são baseadas em fundaçõesfracamente definidas. Se a ciência da informação é uma ciência, é uma ciência do artificial(Simon, 1996) ao invés de uma ciência natural (como a física) ou ciência formal (como amatemática). Patrick Wilson estava certo: estudos da Informação envolvem uma ampla gamadas ciências sociais (e humanidades) e um pouco de engenharia altamente especializada(Wilson, 1983b, 1996). Essas conclusões desagradariam a muitos que no século XX foram determinados emcriar uma ciência séria a partir da ciência da informação. A resposta precisa ser que se umproblema é importante o objeto do problema deveria determinar a metodologia, não ocontrário. Deveríamos nos consolar que qualquer (re)enquadramento do campo ilumineoportunidades bem como limitações. Algumas que vem a mente são que se as técnicas defilosofia analítica em conhecimento proposicional parecem estéreis para nossas necessidades,
  • 9. então a ênfase em conhecimento como crença e como cultural deve ser fértil. Se tivermos umavisão funcional e notarmos que relacionamentos entre documentos tem há muito tempo sidoestudados nas humanidades, então a bibliografia pode ser enriquecida por considerá-lo comouma forma de paratexto e vice versa. Se o uso de algoritmos depende de uma simplificação útil,uma investigação mais profunda das conseqüências deste compromisso é indicada. A Internetamplificou a questão de decidir em quais documentos acreditar, mas estudos sobre como acrença afeta o uso de documentos precisam ser complementados por estudos de como o uso dedocumentos afeta a crença; e se a natureza incremental de tornar-se informado tem sidonegligenciada, há muito a ser feito para mudar a ênfase de serviços de suprimento deinformação parar sistemas que informem. Pelas razões especificadas neste artigo, a ciência da informação preocupa-se comengajamento cultural. Abordagens formais e quantitativas são extremamente valorosas, mas ocampo em si mesmo é incorrigivelmente cultural. Métodos formais e quantitativos, emboraúteis, nunca podem ser mais do que papéis auxiliares altamente valorizados. Caracterizar arecuperação da informação e bibliometria como ciências do artificial é uma descrição, não umacrítica. Essas conclusões não são direcionadas a outros, tipos diferentes de estudos dainformação, notavelmente a ciência da computação, física da informação, ou tecnologia dainformação, que não são diretamente preocupadas com o que as pessoas acreditam. No final, podemos ver que nossos argumentos têm de algum modo uma formacircular. Uma vez que escolhemos reconhecer a noção central de informação como relacionadasà aprendizagem e ao conhecimento existem conseqüências. Primeiro, há uma separação daszonas essencialmente livres de conhecimento ocupadas pela ciência da computação, física dainformação e tecnologia da informação. Segundo, qualquer noção de estudos da informaçãoenvolvendo o que e como sabemos, pode ser apenas um questionamento cultural. Terceiro,aceitar o contexto cultural da ciência da informação deveria nos levar a contribuições maisrealistas e mais efetivas para nossa sociedade permeada por documentos.AgradecimentosVersões anteriores deste artigo foram apresentadas no Document Academy Conference queaconteceu na Faculdade de Informação da Universidade do Norte do Texas de Denton, em 19 demarço de 2010 e na Escola de Biblioteconomia e Ciência da Informação da Universidade daCarolina do Sul, em sete de abril de 2011.ReferênciasArnauld, A. (1850). Logic; or, the art of thinking: Being the Port Royal logic (T. R. Baynes, Trans.).Edinburgh, Scotland: Sutherland and Knox. (Original work published 1662)Ball, P. (2006). The devil’s doctor: Paracelsus and the world of Renaissance magic and science.NewYork: Farrar, Straus and Giroux.Brier, S. (2008). Cybersemiotics: Why information is not enough! Toronto: University of TorontoPress.Briet, S. (2006). What is documentation? Lanham, MD: Scarecrow Press. (Original work published1951)Buckland, M. (1983). Relatedness, relevance, and responsiveness in retrieval systems. InformationProcessing and Management, 19, 237–241.
  • 10. Buckland, M. (1991a). Information and information systems.Westport, CT: Praeger.Buckland, M. (1991b). Information as thing. Journal of the American Society for InformationScience, 42, 351–360. Retrieved from http:// people.ischool.berkeley.edu/ buckland/thing.htmlBuckland, M. (1997). What is a ‘document’? Journal of the American Society for InformationScience, 48, 804–809. Retrieved from http://people.ischool.berkeley.edu/ buckland/whatdoc.htmlBuckland, M. (2007). Naming in the library: Marks, meaning and machines. In C. Todenhagen &W. Thiele (Eds.), Nominalization, nomination and naming in texts (pp. 249–260). Tübingen,Germany: Stauffenburg. Retrieved fromhttp://people.ischool.berkeley.edu/ buckland/naminglib.pdfBuckland, M. (in press). Obsolescence in subject description. Journal of Documentation.Buckland, M.,&Plaunt, C. (1994). On the construction of selection systems. Library Hi Tech, 48, 15–28.Chisholm, R.M. (1989). Theory of knowledge (3rd ed.). Englewood Cliffs, NJ: Prentice-Hall.Day, R. (2001). The modern invention of information: Discourse, history and power. Carbondale:Southern Illinois University Press.Day, R. (2006). ‘A necessity of our time’: Documentation as ‘cultural technique’. In S. Briet (Ed.),What is documentation? (pp. 47–63). Metuchen, NJ: Scarecrow Press.Ekbia, H.R. (2008). Artificial dreams: The quest for non-biological intelligence. NewYork:Cambridge University Press.Fairthorne, R.A. (1974). Temporal structures in bibliographic classification. In J.A. Wojciechowski(Ed.), Conceptual basis of the classification of knowledge: Proceedings of the Ottawa Conferenceon the Conceptual Basis of the Classification of Knowledge (pp. 404–412). Pullach, Germany:Verlag Dokumentation.Fleck, L. (1979). Genesis and development of a scientific fact. Chicago: Chicago University Press.(Original work published 1935)Frohmann, B. (2008). The role of facts in Paul Otlet’s modernist project of documentation. InW.B.Rayward (Ed.), European modernism and the information society (pp. 75–88). Aldershot,England: Ashgate.Furner, J. (2004). Information studies without information. Library Trends, 52, 427–446.Ingwersen, P., & Järvelin, K. (2005). The turn: Integration of information seeking and retrieval incontext. Dordrecht, The Netherlands: Springer.Institute of Museum and Library Services. (2009). The future of museums and libraries: Adiscussion guide.Washington, DC: Author.
  • 11. Konrad, A. (2007). On inquiry: Human concept formation and construction of meaning throughlibrary and information science intermediation (Unpublished doctoral dissertation). University ofCalifornia, Berkeley. Retrieved from http://escholarship.org/uc/item/1s76b6hpMachlup, F., &Mansfield, U. (Eds.). (1983). Study of information: Interdisciplinary messages.NewYork:Wiley.Neill, S.D. (1992). Dilemmas in the study of information: Exploring the boundaries of informationscience.Westport, CT: Greenwood Press.Otlet, P. (1934). Traité de documentation. Brussels: Editiones Mundaneum.Plaunt, C.J. (1997). A functional model of information retrieval systems (Unpublished doctoraldissertation). University of California, Berkeley.Ryle, G. (1946). Knowing how and knowing that. Proceedings of the Aristotelian Society, 46, 1–16.Simon, H.A. (1996). The sciences of the artificial. Cambridge, MA: MIT Press.Stanford Encyclopedia of Philosophy. (2006). The analysis of knowledge. Retrieved fromhttp://plato.stanford.edu/entries/knowledge-analysis/Suominen, V. (1997). Filling empty space: A treatise on semiotic structures in informationretrieval, in documentation, and in related research. Oulu, Finland: Oulu University Press.Tylor, E.B. (1871). Primitive culture. London: J. Murray.Wilson, P. (1968). Two kinds of power: An essay on bibliographical control. Berkeley: University ofCalifornia Press.Wilson, P. (1983a). Second-hand knowledge: An inquiry into cognitive authority.Westport, CT:Greenwood Press.Wilson, P. (1983b). Bibliographical R&D. In F. Machlup & U. Mansfield (Eds.), The study ofinformation: Interdisciplinary voices (pp. 389–397). NewYork:Wiley.Wilson, P. (1996). The future of research in our field. In J.E. Olaisen, J.E. Munch-Petersen, &P.Wilson (Eds.), Information science: From the development of the discipline to social interaction(pp. 319–323). Oslo, Norway: Scandinavian University Press.Referência do artigo original:BUCKLAND, M. K. What Kind of Science Can Information Science Be? Journal of InformationScience and Technology. Disponível em:<http://people.ischool.berkeley.edu/~buckland/whatsci.pdf> Acesso em: 17 out 2011 Tradução por Isadora Garrido, 25.11.2011 [isadoragarrido@gmail.com]

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