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Nomeação na Biblioteca - Buckland

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  • 1. Enviado para publicação. Revisado em 1º de Julho, 2006. Nomeação na Biblioteca: Marcas, Significados e Máquinas Michael K. Buckland IntroduçãoEm uma biblioteca existe muita nomeação: marcar documento com nomesdescritivos e atribuir documentos a categorias nomeadas. Essa atividadenecessária de nomeção é, no entanto, local de tensões entre a necessidadeprocessual de marcas estáveis e a multiplicidade e instabilidade inerente deexpressões lingüísticas utilizadas para respresentar tópicos. Aqui fornecemosuma breve introdução às questões, tensões e compromissos envolvidos. Documentos, Coleções e Descrições de Tópicos Bibliógrafos listam e bibliotecários colecionam documentos em quaisquermídias ou gêneros (livros, periódicos, conjuntos de dados, filmes, etc.) quedeverão ser úteis para comunidades e aos propósitos a que servem. Mas uma vez incluídos, os documentos devem ser acessíveis de modoorganizado. Em parte esta é uma questão de escala. Uma coleção de um ou bempoucos documentos pode simplesmente ser colocado em uma lista ou em umaestante e não precisa nem de catálogo ou de arranjo sistemático. Mas fazer cadaum de milhares de documentos diferentes acessíveis de forma útil é umaquestão diferente. Acesso bibliográfico efetivo é alcançado através de descriçõesmuito conscisas. Svenonius (2000) e Taylor (2004) fornecem introduções sobreeste assunto. Bibliotecários fazem descrições de documentos em seus catálogos e atravésde arranjos classificados em suas prateleiras. Atribuir nomes de tópicos adocumentos e atribuir documentos a categorias nomeadas de tópicos é central.Nos termos coloridos de Robert Fairthorne: ... todos os sistemas de recuperação demandam marcas de algum tipo... Um objetopode ser marcado por alterá-lo intrinsecamente de algum modo reconhecível – comopintá-lo, perfurar um buraco, ou introduzi-lo a um gambá. A isso eu chamo de‘inscrição’. Ou isso pode ser mudado relativo ao seu ambiente por invertê-lo, em um lado, emum buraco de pombo inscrito e assim por diante. A isto eu chamo de ‘ordenação’ doitem. Termos melhores, para contextos menos formais são ‘marcar’ e ‘estacionar’(Fairthorne 1961: 84-85).
  • 2. Nomes (marcas) são essenciais para que sistemas de bibliotecas funcionem,mas eles são, necessariamente, expressões lingüísticas e, como veremos aseguir, criam tensões e dificuldades para além do controle efetivo dosbibliotecários. Bibliotecas são instituições culturais preocupadas comconhecimento registrado e sua missão é apoiar o aprendizado, tanto a pesquisa(saber mais) e ensino (compartilhar entendimento). Bibliotecas existem parapromover a aprendizagem, conhecimento, compreensão e crença. Mas o que aspessoas sabem, o que elas gostariam de saber e o que outros aprenderam eescreveram sobre, tudo isso resiste a um tratamento mecânico. De outro modo,gestão do conhecimento seria reduzida a processamento de dados. Usuários de biblioteca que buscam documentos relevantes aos seusinteresses precisam localizar o que eles precisam na terminologia dabiblioteca. Existe, ou deveria existir, colaboração, com bibliotecários buscandoantecipar os interesses de seus usuários e vocabulário, e usuários tentandoentender os nomes de categorias no catálogo, classificação e bibliografias dabiblioteca. Descrever é inerentemente uma atividade da linguagem, mesmo selinguagens restritas ou artificiais são utilizadas, uma vez que elas sãoculturalmente fundamentadas e fazem parte do caráter da linguagem natural. Descrições bibliográficas seguem regras. Por mais de um século temexistido uma padronização internacional gradual de regras para representaçãode marca (onde e por quem foi publicado), colação (características físicas deum documento), nomes próprios (autores, instituições e lugares) e outrosatributos de documentos. A verdadeira dificuldade, entretanto, tanto parabibliotecários quanto para usuários está em descrever sobre o que é umdocumento, em nomear seu tópico, que geralmente é apresentado como umprocesso de dois estágios: Primeiro, o catalogador examina um documentopara determinar sobre quais conceitos ele é; e então, segundo, atribuir termos(expressões lingüísticas) de um vocabulário para denotar estes conceitos. Aliteratura de biblioteconomia tem muito pouco a dizer sobre o primeiroestágio e concentra-se no segundo. Uma pesquisa revelou que diferentesindexadores irão frequentemente atribuir termos diferentes ao mesmodocumento, do mesmo modo que fará um único indexador em temposdiferentes. Linguagens Documentárias para Nomeação de Tópicos Existe uma variedade de métodos para representar sobre o quedocumentos são: classificações de assunto, listas de cabeçalhos de assunto,tesauros, e assim por diante. Variedades recentemente desenvolvidas incluem“ontologias” e “folksonomias”. Um termo coletivo tradicional para todos elesé “linguagens documentárias” (ou às vezes “linguagens bibliográficas”). Nãoprecisamos examinar cada tipo, mas notaremos quatro dimensões ao longodas quais elas variam.
  • 3. Notação Abordagens verbais, uso de palavras de linguagem natural, são modossimples e populares de se criar descrições. Entretanto, usar vocabuláriocomum tem suas desvantagens, e a facilidade de criação não nos leva afacilidade de uso efetivo. A multiplicidade e fluidez do vocabulário delinguagem natural nos fornecem resultados imprevisíveis: eu deveria buscarpor violino ou rabeca ou ambos? A multiplicidade da terminologia delinguagem natural pode ser mitigada pela adoção de um vocabulário restrito(controlado). Palavras de linguagem natural não arranjam a si mesmas de modoprestativo. Apresentação por ordem alfabética é determinada por acidentes deortografia ao invés de relacionamentos semânticos significantes. “Se os nomesdas classes, em uma linguagem natural, são usados para arranjá-los, nós nãoconseguimos uma ordem útil. Na verdade nomes dispersam classes em umaordem mais caótica e inútil. Nos fornecerá uma ordem como álgebra,ansiedade, abacaxi, arrogância, asfalto e astronomia”, escreveu o famosobibliotecário indiano S. R. Ranganathan (1951, 34). Outra limitação de usar a linguagem natural para criar índices é que elassão comumente criadas apenas em uma única língua. Estes problemas podem ser solucionados utilizando uma notação artificialpara os nomes descritivos (como na Classificação Decimal de Dewey, CDD)designada para alcançar algum arranjo desejado, com índices de linguagemnatural à classe de números em quantas linguagens diferentes desejadas. Teruma notação artificial de letras, números e outros símbolos não significa quenão se trata mais uma linguagem. É uma linguagem artificial e não está imunea problemas de obsolescência e perspectiva discutidos abaixo. É a mesmaabordagem como o uso de linguagens restritas, artificialmente construídasusadas, por exemplo, em nomenclatura botânica e química. Controle de Vocabulário A linguagem é caracterizada pela multiplicidade, tais como formassingulares e plurais, variantes de ortografia, sinônimos e antônimos. O mesmotópico poderia ser atribuído qualquer número de nomes, ou representado emum número indefinido de modos (“semiose ilimitada”), para que documentossobre o mesmo tópico pudessem ser dispersos em quaisquer de várioscabeçalhos diferentes. Um pesquisador pode encontrar alguns e não outros. Asolução dos bibliotecários é um “controle de vocabulário” pelo qual umaforma de nome, por exemplo Violinos, é “preferido” e utilizadoexclusivamente. Outros termos comumente usados mas “não preferidos” sãolistados, mas apenas para redirecionar o pesquisador ao termo preferido:exemplo “Rabecas ver Violinos”. Uma “Lista de autoridades” uma lista de
  • 4. termos cuidadosamente diferenciados entre preferidos e não-preferidos écompilada e seguida. Controle de vocabulário pode cuidar de sinônimos, quase-sinônimos,antônimos e ortografias variantes. Sinônimos exatos são bastante raros. Sãoquase-sinônimos que são freqüentes. Por exemplo, Pássaros e Ornitologia sãomuito proximamente relacionados mas não são exatamente a mesma coisa.Quase-sinônimos requerem julgamentos situacionais infinitos relativos ao quecombinar e o que diferenciar. Na prática, controle de vocabulário também se estende às relaçõeshierárquicas e outras (“Ver também”). O controle de vocabulário embibliotecas estende-se para além de relacionamentos semânticos parafuncionais, o que diferencia este tipo de tesauro de um tesauro tradicionallexicográfico. Por exemplo, “Biogás”, “Dejetos de Porco” e “Jacintos de Água”são muito diferentes em etimologia e denotação, mas, uma vez que dejetos deporco e jacintos de água são ingredientes importantes na criação de biogás,qualquer um interessado nisso, pode também estar interessado nos outros eentão “ver também” faz referências em ambas direções entre cada e biogás sãojustificáveis em um cabeçalho de assunto de biblioteca.Coordenação Vários documentos preocupam-se com tópicos complexos, necessitando deuma frase para expressar seu escopo. Uma abordagem simplistaordinariamente usada nas máquinas de busca atuais é simplesmente listar ostermos, em qualquer ordem, necessários para compor o significado.Documentos sobre “pais de crianças deficientes” teriam três termos: as trêspalavras-chave crianças e deficientes e pais. Mas também existem algunsdocumentos sobre “as crianças de pais deficientes”, que também seriarecuperado pelas mesmas palavras chave, mas, sendo relativamente poucos,provavelmente não seriam notados no conjunto recuperado. Computadorespodem facilmente lidar com buscas de palavras-chave, mas os catálogos defichas de antigamente não podiam: qualquer combinação do tipo teria que ser“pré-coordenada” usando sintaxe no momento de catalogação para diferenciare expressar relacionamentos entre os termos. Os Cabeçalhos de Assunto daBiblioteca do Congresso tem dois cabeçalhos bem separados: Crianças de PaisDeficientes e Pais de Crianças Deficientes, e, uma vez que eles constituem frasesgramaticais, não há confusão entre elas. Este é um caso simples. Regrassintáticas são usadas para gerar cabeçalhos um tanto quanto elaborados nosquais um termo primário é progressivamente qualificado, tanto como frasecomplexa, tais como Combate Mão-a-Mão, oriental, em filmes ou com uma cadeiade termos qualificadores, como em Deus—Cognoscibilidade--História dasDoutrinas--Igreja Primitiva, ca. 30-600--Congressos. O último é um cabeçalho deassunto único no qual a sintaxe está implícita no posicionamento dos termos.
  • 5. Para um falante nativo de inglês acostumado com adjetivos antecedendo ossubstantivos eles qualificam, soa mais natural se tais cabeçalhos são lidos emordem reversa com algumas conjunções e preposições adicionadas:“Congressos na história das doutrinas nas Igrejas Primitivas, Ca 30-600, relativoà cognoscibilidade de Deus”. A notação artificial dos esquemas de classificaçãodas bibliotecas permite que tópicos elaborados de modo coordenado sejamexpressos de modo mais conciso. Deste modo todas as linguagensdocumentárias de temas de nomes, além do mais simples uso de palavras, têmgramática bem como um vocabulário.Excelência Uma coleção composta de um ou bem poucos documentos não precisa decatálogo. No outro extremo, distinguir cada pequena minúcia a fim dediferenciar cada documento se torna incômodo. Coleções de milhões precisamde descrição muito detalhada a fim de alcançar a excelência de filtragemrequerida para selecionar um punhado ao invés de uma inundação deregistros. Na prática o nível de detalhe em catalogação de assunto ésituacional, dependendo de quantos livros diferentes são adquiridos em cadatópico. Uma vez que, como uma economia, a maioria das bibliotecas usaqualquer cabeçalho de assunto que a Biblioteca do Congresso atribuiu, aexcelência de detalhe tende a não seguir as necessidades locais.Nomeação é antecipação O exame clássico de Patrick Wilson sobre a natureza do controlebibliográfico, Two Kinds of Power (1968), formula a tarefa como uma questão deencaixe de descrições. O desafio é criar descrições que irão permitir àqueles aserem servidos de identificar e selecionar os melhores meios documentáriospara quaisquer que sejam os seus fins. Por definição, as descrições utilizadaspor bibliotecários são para uso futuro. Isso requer que o bibliotecário pensesobre prováveis necessidades e descreva (nomeie) de modo antecipador. Parafazer isso o bibliotecário constrói, conscientemente ou não, alguma narrativamental sobre uso futuro, alguma história na qual o documento à mão seriarelevante para necessidades futuras. Não é simplesmente uma questão doassunto do documento, mas sobre em que lugar ele poderá ser útil num futuroimaginado. Familiaridade com a comunidade e seus propósitos, modos depensar e terminologia é um requerimento importante para o bibliotecárioeficaz. Vesa Souminen (1997) fez a pergunta “O que faz um bom bibliotecário?”.Baseando-se nas idéias de Saussure, ele responde que a tarefa é a de“preencher um espaço vazio”. O bom bibliotecário é aquele que é eficaz noarranjo de documentos em relação a cada necessidade de cada pessoa que
  • 6. utiliza a biblioteca. Que a população de documentos, de pessoas que utilizama biblioteca e de necessidades sejam todos muito grandes e bem instáveis fazcom que a tarefa seja ainda mais difícil, mas não debilita este princípio. Suzanne Briet (1954: 43) aumentou a ideia desta postura antecipadora comsua imagem de bibliotecário como cão de caça, guiado pelo caçador(pesquisador), mas realizando uma prospecção a frente apontando para a caçainvisível ao caçador em uma parceria dinâmica (`Comme le chien du chasseur –tout à fait en avant, guidé, guidant.’) (Ver também Briet (2006: esp. 50-51)).Nomeação é retrospecção O esforço do bibliotecário para se antecipar é, no entanto, afetado peloprocesso de descrição (nomeação). Descrição de assunto é questão de nomearsobre o que é um documento e descrever é uma questão de resumir. Atribuircabeçalhos de assuntos é o extremo do resumo que pode ser feito sobre o que éum evento. Mas sobre o que é, na verdade, a “temacidade” (aboutness)?Declarar que um cabeçalho de assunto respresenta um assunto ou um conceitoé válido, mas inútil porque dizer isso meramente aponta para outro nome enão o explica. Uma explicação do que um cabeçalho de assunto (e, entretanto,um documento) é “sobre” deve ser derivado do discurso do qual o nome seorigina (Fairthorne 1974). Uma descrição de assunto atribuída a umdocumento diz que esse discurso (documento) relaciona-se com aquelediscurso (literatura, discussão ou diálogo) o que significa que a descrição deassunto é invariavelmente baseada no passado. Similarmente, pessoas queutilizam a biblioteca não querem tópicos, eles querem discurso: umaafirmação, uma descrição, uma explicação, ou, ao menos, uma discussão sobreo que quer que eles estejam curiosos sobre. Então um cabeçalho de assunto“sobre” um tópico deriva sua importância de um discurso passado. Significados são estabelecidos pelo uso, e assim sempre se baseiam nopassado. O bibliotecário, então, está criando descrições baseando-se nopassado, mas expressando-os com um olho no futuro. Essa postura de Janopode parecer difícil o suficiente em um mundo estável, mas a realidade daspráticas de nomeação da biblioteca faz com que fique muito pior por conta dotempo, da tecnologia, pela natureza da linguagem e pelas mudanças sociais.Nomeação, Tempo e InstabilidadeTempo de Inscrição O ato formal do bibliotecário de nomear, de registrar a descrição do tópicode um documento ou de especificar um relacionamento entre chamadas detópicos é necessariamente realizada em algum ponto no tempo e inscrita no
  • 7. aparato de índices e catálogos. Uma vez que o tempo passa, este ato recua dopresente para o passado. Durante o mesmo fluxo de tempo o discurso prévio,sobre a qual a escolha do nome foi derivada, continuou, evoluiu e mudou, e aspráticas de nomeação evoluiriam com essas mudanças. Além disso, como ofuturo se torna o presente, novos futuros continuam a serem previstos, e aperspectiva antecipadora seria cada vez mais relacionada a discursos futurosmutáveis. Entretanto, um nome atribuído, uma vez inscrito, é fixado. Então,com o passar do tempo, seu relacionamento tanto com os discursos passados,quanto com os discursos sobre o então-futuro esperados precisa afastar-se darelevância para a percepção de um presente porvir. Nomes atribuídos são,portanto, inerentemente obsolescente no que diz respeito ao passado e aofuturo. Discursos e o bibliotecário fluem em frente como tempo, mas os nomesatribuídos têm sido inscritos para, e fixados em, um passado retrocedente.Uso figurativo da linguagem Novos nomes surgem, especialmente para novos tópicos, através de usofigurativo da linguagem, especialmente através de metáforas. Termos bemestabelecidos são usados figurativamente, baseados em alguma similaridadepercebida, para conceitos emergentes, por exemplo, o Mouse do computador. Eentão, através da utilização, o novo significado é fixado, primeiro dentro de seucontexto, e então mais amplamente. A instabilidade da linguagem não é dofeitio dos bibliotecários, mas eles devem segui-la. Eles tem uma abordagemconservadora em relação a isso pois mudanças na terminologia os fazquestionar terminologias mais antigas e a tarefa de fazer alterações retroativasnas marcas de um catálogo tiram os recursos de outros fins valiosos.Bibliotecas e Tecnologia Bibliotecas dependem muito de tecnologia. Documentos são objetos físicosem papel, filme, discos magnéticos, ou outras mídias físicas. Bibliotecas nãopoderiam operar como operam se as tarefas a serem performadas não fossemtotalmente rotinizadas e, a maior parte delas, reduzidas a procedimentosclericais realizados pela equipe de apoio ou delegados a máquinas. Abiblioteca moderna surgiu no espírito do modernismo tecnológico do final doséculo XIX como “economia da biblioteca” imbuída por Melvil Dewey eoutros com uma ênfase em padrões, sistema, eficiência e progresso coletivoque continuam nas visões sobre bibliotecas digitais, a “web semântica” e o“virtual”. Controle detalhado é necessário para efetividade e para eficiência eos bibliotecários, pioneiros da nova tecnologia para arquivamento eprocessamento de registros, inspiraram procedimentos modernos de gestão(Flanzreich 1993, Krajewski 2002).
  • 8. Em uma biblioteca, o maquínico e o cultural colidem como duas placastectônicas, e a nomeação está na linha de falha em que os bibliotecáriosutilizam “controle de vocabulário” para tentar mitigar as rupturas lingüísticase deslizamentos que não podem nem prevenir, nem evitar. Então, no alvoroçosilencioso da biblioteca há uma batalha endêmica entre o caráterincorrigivelmente cultural e estético da missão subjacente e as tendênciasmaquínicas essenciais para performances custo-benefício. A linha de batalhacentral dessas tensões está na nomeação dos documentos e sobre o que elessão.Mênção e Significado O fato de que documentos em bibliotecas são esmagadoramente textuaispermitiu o uso pesado de técnicas de processamento de linguagem natural parainferir relações semânticas entre documentos e entre documentos equestionamentos. Mas esta é uma questão de entidades lexicais, de cadeias decaracteres, não de significados. Fairthorne (1961) analisou essa diferençadizendo que essas técnicas lidam com mênçãos e não significados. Por exemplo,se informação e recuperação comumente co-ocorrem nessa ordem, então presume-se que eles constituam uma frase. E se a frase recuperação da informação e a fraseespaço vetorial tendem a co-ocorrer nos mesmos textos, elas são computadascomo sendo próximas em “espaço do documento” e uma relação tópica éinferida desta proximidade “espacial”. Se relacionamentos entre marcas sãoestatisticamente significantes, afinidades semânticas são implicadas mas nãoexplicadas. Máquinas podem ser programadas para detectar irregularidades einconsistências entre marcas, mesmo que não possam distinguir o que fazsentido do que não faz. É mais uma prova do caráter inerentemente lingüístico do acessobibliográfico onde as técnicas formuláicas de processamento de linguagemnatural funcionam muito bem, mas nem sempre e não muito confiavelmente.Esta é a similaridade textual (lexical) entre documentos que permitemrelacionalidades (relatedness) entre discursos e/ou que descrições sejaminferidas, uma vez que as mesmas palavras são mencionadas quando a mesmaou linguagem muito similar está em uso. A partir do método empregado,homógrafos com diferentes significados (por exemplo hóspede (senhorio) ouhóspede (grupo)) diluirão a precisão da recuperação. A atração econômicairresistível desta abordagem é, claro, mecânica então pode ser delegada àsmáquinas. A pobreza desta abordagem surge quando diferentes vocabuláriossão utilizados para referirem-se ao mesmo tópico sem utilizar (mencionar) osmesmos termos. Para isso e para buscas inter-linguísticas, estruturas formais,tais como dicionários bilíngües ou associações estatísticas, são úteis.
  • 9. A importância da linguagem e da nomeação não engendrou, no entanto,muito interesse mútuo entre biblioteconomia e lingüística, apesar de algumaconscientização (por exemplo, Sparck Jones & Kay 1973). A escrita técnica sobrerecuperação da informação é profundamente relacionada com o processamentode linguagem natural, especialmente extração de entidade nomeada, analisandopara identificar frases adjetivo-substantivo, e todos os tipos de contagem defreqüência e associação estatística. O nome de George K. Zipf, o pioneiro daanálise de freqüência de palavras, é invocado ao invés de Pierce, Saussure ouWittgenstein. Apenas em anos recentes que a literatura sobre a natureza dalinguagem tem recebido mais atenção na literatura de bibliotecas. A explicaçãode David Blair, em seu Language and Representation in Information and Retrieval(1990), da relevância das idéias de Wittgenstein para descrição de assunto e oproblema insolúvel de semiose ilimitada foi um grande marco. A relevância dotrabalho de Eleanor Rosch e George Lakoff sobre categorias e linguagem (porexemplo, Lakoff 1987) é hoje amplamente reconhecido como importante.Norgard (2002) provê uma boa revisão sobre como expressões linguísticasresistem à automação da indexação. Veja também Blair (2003). Pesquisas sobre as práticas sociais da ciência tem tido um impacto durantea última década na compreensão do uso e papel dos documentos e da descriçãodocumental. Sorting Things Out: Classification and its Consequences por Bowker eStar (2000) é fortemente recomendado uma vez que seus casos de estudorevelam agendas sociais no design de sistemas de categorização.Nomeação e Mudança Cultural Não é simplesmente que um novo documento tem que ser posicionado emrelação tanto ao discurso passado quanto às necessidades futuras.Complexidade adicional surge porque existem, claro, não uma, mas váriascomunidades simultâneas do discurso. A linguagem evolui dentro das comunidades do discurso e produzem eevocam essas comunidades. Então cada comunidade tem sua prática delinguagem mais ou menos estilizada, especializada. Tentativas de vocabuláriocontrolado ou estabilizado devem lidar com os discursos múltiplos e dinâmicose a multiplicidade resultante e instabilidade dos significados. A maioria dasbibliografias e catálogos tem um único índice tópico, mas cobrem materiais deinteresse para mais de uma comunidade. Uma vez que cada comunidade tempráticas lingüísticas levemente diferentes, nenhum índice será ideal para todose, talvez, para ninguém. Por exemplo, em uma discussão vernacular sobresaúde, os termos câncer e ataque súbito são comumente utilizados, mas em umdiscurso médico profissional neoplasma e acidente cérebrovascular são nomespreferidos. Então, em teoria, índices múltiplos, dinâmicos, um por comunidade,seriam ideais. Não é, entretanto, apenas uma questão de variação lingüística,
  • 10. mas também de perspectiva. Diferentes discursos discutem diferentes questõesou, quando discutem a mesma questão, de diferentes perspectivas. Um coelhopode ser discutivo como um bicho de estimação, ou como uma peste ou comocomida. Em medicina, especialistas em anestesiologia, geriatria e cirurgiapodem todos buscar por literatura recente em, vamos dizer, Parada Cardíaca,mas uma vez em que estão interessados em diferentes aspectos eles não irão, naprática, querer os mesmos documentos. A parte destas diferenças de “dialeto”, o vocabulário utilizado porbibliotecários para caracterizar seus documentos podem tornar-seproblemáticos por outros motivos uma vez que o mundo muda. Existemdesenvolvimentos cognitivos; novas idéias e novas invenções precisam denovos nomes. Carruagens Sem Cavalos foram inventadas, e então renomeadasAutomóveis. Igualmente, novos referentes surgem para nomes já existentes. Hásessenta anos atrás a palavra computador significava um humano queperformava cálculos, mas agora sempre significa uma máquina. Maisrecentemente a palavra impressora fez a mesma transição. Práticas de nomeação questionáveis podem ter causas não-linguísticas.Como um exemplo, o International Classification of Diseases (ClassificaçãoInternacional de Doenças), usou amplamente em certificados de óbito paranomear causas de morte, excluídas algumas causas conhecidas de morte. Aexplicação é que doutores pensaram que nomear doenças para as quais nãoexistiam curas conhecidas poderia chamar atenção para as inadequações daprofissão médica, então, ao invés de nomear a causa de morte de verdade,algum outro nome, mais amplo ou mais vago era utilizado. Também existem consequencias para nomeação em bibliotecas a partir demudanças afetivas. Mesmo quando a denotação é estável, a conotação oucomportamentos à conotação podem mudar. Sempre, algumas expressõeslingüísticas são socialmente inaceitáveis. Isso pode não importar muito, excetoque o que é considerado aceitável ou inaceitável não apenas difere de um grupoa outro, mas mudanças através do tempo, e, especialmente durante mudanças,pode ser local de competição. A frase Yellow peril (Perigo Amarelo) eraamplamente utilizada para denotar o que era visto como imigração excessivado oriente, mas agora é considerada muito ofensiva para ser usada mesmo quenão exista um nome substituto conveniente ou aceitável e a frase seja necessáriaem uma discussão histórica.Palavras que lutam Muito têm sido escrito referente à precisão social dos catálogos decabeçalhos de assunto, ambos termos utilizados e como eles se relacionam umcom outro. “Perversão sexual ver também Homossexualismo” era, mas não é maisaceitável. O livro de Sanford Berman, Prejudices and Antipathies: A Tract on the
  • 11. LC Subject Heads Concerning People (1971) é uma excelente introdução e o livrode Joan Marshall On Equal Terms: A Thesaurus for Non-Sexist Indexing andCataloging (1977) é outro tratamento clássico. (Ver também Olson (2002). Berman seleciona dezenas de cabeçalhos de assunto, explica porque cadaum é ofensivo e propõe uma terminologia alternativa mais neutra. Seusexemplos e comentários mostram como nomear sempre reflete uma perspectivacultural, que a terminologia aceitável para um grupo pode ser ofensiva a outro,e que os comportamentos mudam. Seus exemplos são muitos e muitointeressantes para resumi-los adequadamente aqui. Questão Judaica implicapressupostos insustentáveis; Ciganos não são do Egito e preferem ser chamadosde Roma; a referência cruzada “Trapaceiros e vagabundos ver também Ciganos”demonstra preconceito; os cabeçalhos Mammies1 e Negroes2 são ofensivos paraaqueles assim chamados; Esquimós são adequadamente camados de Inuítes. O comportamento de alguém se reflete como superior aos outros: rebeliõescausadas por escravos são nomeadas “inssureições”, rebeliões causadas porbrancos são mais positivamente nomeadas “revoluções”. Índios da América doNorte, Civilização de não se refere à cultura dos Americanos Nativos, mas aoprogresso na erradicação de sua cultura, como a instrução da biblioteca deixouclaro: “Aqui entra a literatura referente aos esforços de civilização dos Índios...”Poderes europeus têm colônias; os Estados Unidos tem “territórios epropriedades” além mar que não são chamadas colônias. Vários dos exemplosde Berman refletem uma visão de mundo masculina e cristã, oscomportamentos sociais de antigamente, e terminologia médica e psicológicaobsoleta (por exemplo, Idiotia). Em alguns casos, contra-argumentos podem serfeitos. Por exemplo. Utiliar Roma para Ciganos é contraprodutivo se ospesquisadores não tem familiaridade com este termo. Rastrear mudanças em nomeação de bibliotecas através do tempo é umaforma altamente educational de arqueologia cultural e lingüística. O Cabeçalhode Assunto da Biblioteca do Congresso, com cem anos, com mais de 100,000cabeçalhos diferentes e dificuldade de atualização, é um alvo fácil apesar devárias reformas. É um bom exemplo de problema que é endêmico em índices esistemas de categorização: expressões lingüísticas são necessariamenteculturalmente fundamentadas, e, por este motivo, em conflito com anecessidade de ter notações estáveis, não-ambíguas para permitir que ossistemas de biblioteca funcionem de modo eficiente.1 Uma tradução aproximada – embora não equivalente – seria “mucama”. No entanto, estetermo não é considerado ofensivo com a mesma intensidade em português.2 No idioma inglês o uso do termo “negroes” (negros) é considerado ofensivo. Termos nãoofensivos mais utilizados são “blacks” (pretos) e nos Estados Unidos, “African Americans” (afro-americanos).
  • 12. Agradecimentos O autor se beneficiou dos comentários de Howard Greisdorf, Vivien Petrase Julian Warner e da assistência de pesquisa, em 1992, de Janice Woo.ReferênciasBlair, David C. (1990): Language and Representation in Information and Retrieval. Amsterdam: Elsevier Science.Blair, David C. (2003): Information retrieval and the philosophy of language. Annual Review of Information Science and Technology 37:3-50.Bowker, Geoffrey & Susan Leigh Star (2000). Sorting Things Out: Classification and Its Consequences. Cambridge, MA/London: MIT Press.Briet, Suzanne (1954): “Bibliothécaires et documentalistes”. Revue de la Documentation 21, fasc. 2: 41-45.Briet, Suzanne. (2006): What is Documentation? Transl. and ed. by R. E. Day & L. Martinet. Lanham, MD: Scarecrow.Buckland, M. K., Hailing Jiang, Youngin Kim & Vivien Petras (2001). “Domain-Based Indexes: Indexing for Communities of Users.” In: 3e Congrès du Chapitre français de L’ISKO, 5-6 juillet 2001. Filtrage et résumé informatique de l’Information sur les réseaux. Paris: Université Nanterre Paris X. 181-185. http://metadata.sims.berkeley.edu/papers/ISKObuck.pdfFairthorne, Robert A. (1961): Towards Information Retrieval. London: Butterworths.Fairthorne, Robert A. (1974): “Temporal Structures in Bibliographic Classification”. Conceptual basis of the classification of knowledge : proceedings of the Ottawa Conference on the Conceptual Basis of the Classification of Knowledge, Oct. 1-5, 1971, ed. by Jerzy A. Wojciechowski. Pullach, Germany: Verlag Dokumentation, 404-412.Flanzreich, Geri (1993): “The Role of the Library Bureau and Office Technology”. Libraries & Culture 28, 403-429.Greisdorf, Howard/Brian O’Connor (2003): “Nodes of topicality: Modelling user notions of On topic documents”. Journal of the American Society for Information Science and Technology 54, no. 14, 1296-1304.Krajewski, Markus (2002): Zettelwirtschaft: Die Geburt der Kartei aus dem Geiste der Bibliothek. Berlin: Kulturverlag Cadmos.Marshall, Joan, comp. (1977): On Equal Terms: A Thesaurus for Non-Sexist Indexing and Cataloging. New York: Neal-Schuman.Norgard, Barbara A. (2002): Linguistic Expressions and Indexing Information Resources. Ph.D dissertation in Library and Information Studies, University of California, Berkeley.
  • 13. Olson, Hope (2002): The Power to Name: Locating the Limits of Subject Representation in Libraries, Dordrecht/Boston/London: Kluwer Academic Publishers.Petras, Vivien (2006): Translating Dialects in Search: Mapping between Specialized Languages of Discourse and Documentary Languages. Ph. D dissertation in Information Management and Systems, University of California, Berkeley.Ranganathan, S. R. (1951): Classification and Communication. Delhi: University of Delhi.Souminen, Vesa (1997): Filling Empty Space: A Treatise on Semiotic Structures in Information Retrieval, in Documentation, and in Related Research. Oulu University Press. (Acta Universitatis Ouluensis, Humaniora B27).Sparck Jones, Karen & Martin Kay (1973): Linguistics and information science. New York, Academic Press. FID publ. 492.Svenonius, Elaine (2000): The Intellectual Foundations of Information Organization. Cambridge, MA: MIT. Buckland: Naming in the library. July 1, 2006. Taylor, ndArlene (2004): The Organization of Information. 2 ed. Westport, CT: Libraries Unlimited.Wilson, Patrick (1968): Two Kinds of Power: An Essay on Bibliographic Control. Berkeley: University of California Press.Referência do artigo:BUCKLAND, M. K. Naming in the library: Marks, meaning and machines. C.Todenhagen & W. Thiele (Eds.) In: Nominalization, nomination and naming intexts. Tübingen, Germany: Stauffenburg, 2007. p. 249-260. Disponível em:<http://people.ischool.berkeley.edu/~buckland/naminglib.pdf> Acesso em: 17 out2011 Tradução por Isadora Garrido, 28.10.2011 [isadoragarrido@gmail.com]