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Bases filosóficas da organização da informação

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Por Miguel Angel Rendon Rojas e Lizbeth Berenice Herrera Delgado.

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Bases filosóficas da organização da informação

  1. 1. Bases Filosóficas da Organização da InformaçãoMiguel Angel Rendon Rojas Pesquisador do Centro Universitário de Investigações Biblioteconômicas da Universidade Nacional Autônoma do México. Doutor em Filosofia.Lizbeth Berenice Herrera Delgado Licenciada en Biblioteconomia pela faculdade de Filosofia e Letras da Universidade Autonoma do México. Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Biblioteconomia e Estudos da Informação na UNAM. traduzido por Isadora Garrido, 18.02.2011 [isadoragarrido@gmail.com]A ordem, como categoria filosófica, provém da filosofia grega e é um dos princípios daorganização da informação. Analisamos a natureza da ordem, de sua origem e de sua presençanos sistemas da classificação da Ciência da Informação. Nós concluímos que esta ordem éintroduzida pelo bibliotecário, mas sem conseqüências subjetivistas ou relativistas. O“documentário cosmo” construído tem bases ontológicas objetivas procedentes do “serinformativo” do sujeito, por isso tem regularidades e características que podem ser estudadasobjetivamente.Palavras-Chave: Epistemologia da Ciência da Informação; Organização da Informação;Organização Bibliográfica; Ordem bibliográfica; Sistemas de Classificação; Ordem. Ἐν ἀρχῇ ἦν ὁ Λόγος (no princípio era o verbo/a palavra) João 1:1. * Se um eterno viajante a atravessasse em qualquer direção, comprovaria depois de séculos que os mesmos volumes se repetem na mesma desordem (que, repetida, seria uma ordem: a Ordem). – J. L. Borges A validade objetiva de todo conhecimento empírico repousa sobre isto e apenas isto: que a realidade é ordenada de acordo com as categorias, dado que são subjetivos, em um sentido específico. – M. Weber.1 IntroduçãoO presente trabalho tem como objetivo fazer uma reflexão sobre os fundamentos filosóficos daordem bibliográfica. Neste sentido, consideramos que as idéias e pressupostos desenvolvidos aolongo da história no âmbito da organização bibliográfica, não são independentes de outras
  2. 2. manifestações culturais; pelo contrário, estamos convencidos que existem fortes vínculos entreo fazer bibliotecário e os desenvolvimentos e avanços na concepção do conhecimento. A partirdesta abordagem, a justificativa deste trabalho consiste em tratar de mostrar que a organizaçãoé um dos princípios fundamentais que viabilizam a existência da biblioteca, pois garante a livrecirculação social da informação, que leva a um melhor conhecimento da realidade. Além disso,nós pensamos a tarefa bibliotecária como um produto humano comprometido com ainvestigação científica e cultural, que não apenas tem suas raízes no conhecimento socialmenteacumulado (e que sempre será um produto dos seres humanos); mas também está destinada afornecer a qualquer pessoa que deseje, quando necessite, os conhecimentos e informaçõesrequeridos, de forma ágil e prática.Refletir sobre as bases filosóficas de organização da informação é voltar aos primórdios domundo bibliotecário e seus construtores. Apenas basta lembrarmo-nos que a grande bibliotecada Antiguidade, a biblioteca de Alexandria, foi dirigida por grandes humanistas e cientistas [1],alguns dos quais eram filósofos, tradição a qual depois se uniriam através da história nomescomo Casiodoro [2], Alcuino [3], Ockham [4], Leibniz [5], apenas para lembrar alguns. Tambémpodemos lembrar que os princípios de classificação bibliográfica tiveram sua fonte emclassificações das ciências criadas por diferentes filósofos.Nessa linha de conexão entre as bibliotecas e a filosofia, Riaño Alonso diz que as bibliotecas naGrécia foram uma conseqüência direta do exercício e da prática da filosofia. Desta maneira aBiblioteca de Alexandria não nasceu apenas por capricho, ocorrência ou desejo de prestígio dosPtolomeus, nem tinha como modelo os depósitos orientais das tábuas de argila, mas sua origemestava ligada a uma visão histórico-cultural concebida dentro das escolas filosóficas helenísticas(a Academia, o Liceu, a Estoa). A missão básica que lhe era conferida era criar e irradiar o climapolítico e cultural do Helenismo. É por isso que o modelo bibliotecário alexandrino, culminadopela figura de Calímaco de Cirene, teve tal êxito e se inseriu profundamente no paradigmabibliotecário, que se converteu no arquétipo dos centros bibliográficos que continuaramaparecendo no mundo greco-romano (RIAÑO ALONSO, 2005).Nosso objetivo neste texto é mostrar que a categoria de “ordem” que cria o cosmos e aharmonia, está na base da organização bibliográfica, como seu fundamento último. Mas aomesmo tempo que esta ordem é dada, não é dada a priori pelo objeto de maneira natural, mas aposteriori em função do sujeito de maneira artificial. O anterior não significa que essa realidadecriada seja relativa e irreconhecível, mas humana; da mesma maneira que a linguagem e toda acultura, que podem ser estudadas com metodologias e enfoques específicos (hermenêutica,pragmatismo, tipos ideais, construtivismo, teoria crítica, entre outros) e onde dificilmente seencontrarão leis que as expliquem, mas que podem ser conhecidas através de sentidos esignificados que nos conduzem a sua compreensão.Deve-se notar que utilizamos os termos ‘organização da informação’ e ‘organizaçãobibliográfica’ de maneira distinta. Seu emprego corresponde à diferenciação que se faz notempo e à evolução conceitual e terminológica que se estabelece em cada um dos períodoshistóricos. A conotação permanece sendo a mesma: em primeiro lugar a informação, como enteideal (abstrato) mas ao mesmo tempo objetivizado (materializado) em documentos que podemser de naturezas distintas; e em segundo lugar as formas de descrição, como se denomina econcebe na atualidade a matéria prima do fazer bibliotecário, esta informação objetivada.2 No início era a ordem: o cosmos gregoNa cultura grega, que segue permeando nossa cultura contemporânea em política, filosofia,literatura, arte, linguagem entre outros aspectos, e também no problema que nos ocupa destetrabalho, nos ajuda a encontrar um elo para compreender o fundamento filosófico daorganização bibliográfica. Este elo é a categoria de kosmos (κόσμος ou) que possuía um lugarcentral dentro da cosmovisão grega. O termo mencionado significa não apenas universo,
  3. 3. mundo, céu, mas ao mesmo tempo, denota ordem, organização, disciplina. O anterior porque ouniverso era para os gregos frente a todo um universo ordenado, onde reinava a harmonia (lei,ordem, justa proporção). Antes do cosmos só havia o caos. Podemos lembrar o mito de Hesíododa cosmogonia, onde o caos é o que existe antes de nada, mas depois deixa seu lugar a primeirae à segunda geração de deuses. Com o cosmos constituído não havia lugar para o caos, já queum e outro são antagônicos.Essa ordem é presente na natureza, na arte, na conduta humana existe por que está regido pelologos (Λόγος) que é Razão, lei, palavra, pensamento entre outros muitos significados. Umfragmento de Heráclito descreve essa cosmovisão grega onde reina a ordem, a harmonia, graçasà direção de um logos: “Quando se escuta, não a mim, mas à Razão (logos), é sábio concordarque todas as coisas são uma” (HERÁCLITO, 1987).A ordem regida pelo logos é necessária, já que o ser humano só pode viver e orientar-se em ummundo com ordem, como se adaptar as coisas à regra imposta pelo logos, se faz possível, “sabero que são as coisas agora e sempre, captar o que elas tem de eternas, o permanente em meio àmudança” (ZEA, 1993, p. 30-31). Mas ainda “na vida de cada indivíduo “ibris” (υβριξ εωξ) oexcesso, ultrapassando o que é bom e adequado ao homem, traz consigo a queda e exige acorreção, a volta ao equilíbrio da balança, assim, por extensão ao universo, reina em tudo a leicósmica, a conservação de um equilíbrio que impede o caos e a anarquia” (COPLESTON, 1986, p.36)Também, durante o Medievo a idéia de um universo ordenado continuou, embora comroupagens teo-ontológicas. A cosmovisão medieval tinha agora como centro Deus e estepassava a ser o ordenador, aquele que cria tudo perfeitamente; o logos grego deu seu lugar aoDeus medieval. Para Santo Agostinho e São Tomás a ordem é uma determinada relaçãorecíproca das partes; é uma perfeição que aparece como subordinação do inferior ao superior,onde existe uma hierarquia ontológica.Na filosofia da Idade Média podemos encontrar a harmonia do universo na doutrina tomista doschamados transcendentes do ente, que são a unidade, a verdade, a bondade e a beleza. Deacordo com esta idéia, todo ente é único, verdadeiro, bom e belo.O ente é único por que em relação a seu ser não pode decompor-se em partes, o único que seopõe é o nada, e o nada não existe, é dizer que o ente tem unidade em si mesmo (ou é, ou nãoé; mas como é, então é e ponto). Ao mesmo tempo, é não-contraditório (é e não pode ser) podeser captado pelo intelecto e por isso é verdadeiro, apenas o ser é compreensível, o não-ser éinconcebível. A verdade se entende como a adequação do ser com o intelecto.Simultaneamente o ente como único e verdadeiro é captado pela vontade e é desejável,querido, nesse sentido é bom. A Bondade se concebe como a adequação do ser com a vontade.Finalmente, como verdadeiro e bom, o ente é belo.Essa doutrina dos transcendentais nos mostra o otimismo e equilíbrio do pensamento medieval.O mundo é criado por Deus e como este é não só onipotente mas tem todas as perfeições, entreelas a sabedoria e a bondade, portanto, esse mundo também é inteligível, bom e belo.3 A ordem da modernidade: um olhar para a razão e o conhecimentoO mundo medieval deu lugar ao mundo moderno, isto significou uma mudança de cosmovisãoonde o centro era Deus, garantia de harmonia no mundo natural, da possibilidade deconhecimento, da ordem política e social, da ética e da justiça; uma cosmovisão na qual a razãohumana levantou-se com tais pretensões quase divinas. A modernidade se impôs à razão comogarantia de ordem e harmonia. É por isso que se na antiga Grécia as reflexões giravam em tornode uma ontologia lógica; na Idade Média, em torno de uma ontologia teológica; namodernidade os olhares se voltaram para reflexões gnoseológicas, sobre o conhecimento, sobre
  4. 4. como a razão conhece. Descartes, Leibniz, Bacon, Locke, Hume, Kant centram seus interessesprimeiro no aspecto mais gnoseológico que ontológico pois tinham que fundamentar todo ummodo de pensar de uma época, baseados na razão humana.A transição da Idade Média para a Idade Moderna começa a acontecer a partir dos séculos XIV eXV com o movimento que se denominou Renascimento, mas se preparou quase um séculoantes com as lutas políticas entre o Papa e os Imperadores, levantamentos sociais disfarçados deheresias; mudanças ideológicas e filosóficas como o despertar, com Robert Grosseteste e RogerBacon, de uma metodologia empírica e matemática. O desenvolvimento desta nova forma deinvestigação científica levou a um progresso vertiginoso da ciência, principalmente da Física eAstronomia, conhecido como revolução científica dos séculos XVI e XVII. Os nomes deCopérnico, Galileu, Tycho Brahe, Kepler e Newton estão ligados a essa revolução, produto deobservações, experimentos, medições que levarão ao descobrimento de leis e regularidades.Ao mesmo tempo que esses descobrimentos nas ciências particulares, se deu a fundamentaçãofilosófica deste processo mediante à crítica aos conhecimentos medievais, puramenteespeculativos, baseados no escrito de textos de certos autores, reconhecidos como autoridades(Aristóteles, Tomás de Aquino, Padres da Igreja, Bíblia) sem se tornar uma realidade, através dajustificação da metodologia empírica, indutiva e matemática; assim como na ênfase do valorprático do conhecimento frente ao meramente contemplativo.Nesta linha cabe ressaltar os pensamentos de Descartes, reconhecido como o pai dopensamento moderno, e de Francis Bacon, filósofo do método indutivo experimental. Ambospensadores criticam o conhecimento medieval, Descartes com sua conhecida dúvida metódica“não aceitar nada como verdadeiro, antes de se obter evidência de que seja assim”; e Bacon comsua crítica aos ídolos ou prejuízos que impedem chegar ao conhecimento, os ídolos da tribo(idola tribus), próprios da espécie humana que tende a ver ordem e causas universais; os ídolosda caverna (idola specus) próprios da individualidade, que por gostos, interesses, educaçãointroduzem subjetividade na visão do mundo; os ídolos de mercado (idola fori), que aparecempelo contato entre os homens e problemas de linguagem, causam confusões, já que “quando osconceitos faltam, os suprem oportunamente as palavras”; e os ídolos do teatro (idola Theatri)que são os erros causados por pseudocientíficos que como atores proclamam suas falsas teoriasem escolas ou universidades.Em respeito ao método que posam estes filósofos, Descartes depois de sair de sua dúvidametódica ao encontrar a verdade “clara e evidente” no princípio de cogito ergo sum, volta oolhar para a matemática como modelo de conhecimento, por que proporciona a necessidade,evidência e clareza em seus conhecimentos buscados. Desta maneira, como disse Galileu, asmatemáticas são a linguagem própria da natureza e portanto o método para investigá-la, semsua ajuda resulta como impossível compreender uma palavra da natureza.Por sua parte, Francis Bacon propõe uma rejeição da lógica aristotélica, que equivalia asilogística, como um método inadequado para a investigação científica, e salienta a necessidadede encontrar um novo método de investigação da natureza. Por isso denomina sua obra comoNovum Organum já que a obra lógica de Aristóteles se conhece como Organon. Baconfundamentou o indutivismo como um método experimental. Para ele era necessário reorientar aciência de sua época com a natureza e os fatos, bem como o uso de uma metodologia queconsistiu em uma observação cuidadosa e completa dos fatos, que chama <<história natural eexperimental>> realizada de acordo com tabelas de presença, ausência e comparação ou graus.Outra característica que o pensamento moderno concedeu ao saber científico é a utilidadeprática do conhecimento teórico. Principalmente Bacon estabelece a estreita relação entre aciência e o domínio da natureza. “Conhecimento é poder” por que proporciona aos sereshumanos a possibilidade de manipular a realidade de acordo com o seu desejo, e claro, avontade se considera boa. Ela deve estar sob o controle do intelecto. Desta maneira se abrem oshorizontes do progresso humano impulsionado pelo desenvolvimento científico.
  5. 5. Dentro deste contexto onde tudo gira ao redor da problemática gnoseológica, o interessetambém se centralizou na classificação da ciência. Embora a classificação da ciência seja umtema especificamente moderno, desde a antiga Grécia com Aristóteles encontramos apreocupação de estabelecer uma divisão do conhecimento filosófico. Segundo o Estagirita, afilosofia se divide em teórica, onde se busca a verdade; prática, onde se estuda a ação dirigida aum objetivo; e poética, onde o objeto exterior é produzido por um agente. A lógica é classificadacomo um instrumento (organon). Posteriormente na Idade Média a classificação das ciênciasaparece ligada a educação que se ensinava nessa época e que incluía o ensinamento das entãochamadas sete artes liberais (próprias dos homens livres e que se opunham às artes manuais).Tais artes liberais se dividiam no Trivium (Gramática, Dialética, Retórica) e no Quadrivium(Aritmética, Geometria, Astronomia, Música).Para Descartes o conhecimento científico se divide em forma de árvore, onde a raiz é a Filosofia,o tronco a Física; os ramos são a Lingüística, a Economia, a Medicina, o Direito, a Astronomia, aGeometria e a Ética.Para Francis Bacon, as ciências se classificam segundo as faculdades do homem: razão, memóriae imaginação. A cada uma destas faculdades correspondem algumas disciplinas:Esta classificação se tornou muito importante por que serviu como base para o sistema declassificação de M. Dewey.Outro grande pensador da modernidade foi Leibniz, que concebe as ciências como umcontinuum, cujas divisões são arbitrárias e só admissíveis por comodidade. Em sua obra Novosensaios sobre o entendimento humano Leibniz expressa a idéia de que o corpo inteiro dasciências pode ser considerado como o oceano, que é contínuo por todas as partes e seminterrupções, embora os homens possam conceber linhas e nomeações à sua comodidade.Neste continuum as ciências são equipotentes e podem se organizar de várias maneiras,
  6. 6. segundo a função que ocupem no todo ou segundo outros critérios materiais ou formais.Leibniz deixou não menos de vinte classificações das ciências (LEIBNIZ, 1764, p. 247-250).A idéia de que não existe uma “ordem natural” na classificação das ciências também éimportante em nossa análise por que como veremos mais adiante, a ordem dada aoconhecimento científico é concedida pelo classificador, questão que Borges colocaria emevidência em seu “Torre de Babel”, onde “os mesmos volumes se repetem na mesma desordem(que, repetida, seria uma ordem: a Ordem)”.Durante o Iluminismo as idéias de Bacon influenciaram a estrutura e a ordem que recebeu aEnciclopédie ou Dictionaire raisonné des sciences, des arts et des métiers [Dicionáriofundamentado das ciências, das artes e dos ofícios]. Efetivamente, D’Lambert e Diderot,seguiram o projeto baconiano, pois deram a sua obra uma seção de história, outro para afilosofia e uma terceira para as belas artes. Assim, cada um destes grandes grupos de ciências eatividades humanas se subdividiu em muitas outras seções que configuram a árvore <<dasciências, das artes e dos ofícios>>. Adicionalmente, a diferença entre as enciclopédias antigas (aHistoria natural, de Plínio, O velho, as Etimologías de São Isidoro, as Sumas dos escolásticoscristãos) e as modernas está em que aquelas, tentam conservar os conhecimentos de umaépoca; e estas, difundi-los [6]. Visto assim, a enciclopédia se apresentou como um sistema detodos os conhecimentos humanos; quando estes são ilimitados, busca-se uma maneira derepresentá-los em síntese.O modelo científico desenvolvido na modernidade foi o das ciências naturais por que como jáindicamos, foram a Física e a Astronomia nos séculos XVI e XVII as que se desenvolveram demaneira vertiginosa. Em seguida foi a vez da Química no século XVIII e a Biologia no século XIX,para que finalmente no século XX se realizasse uma revolução em todas as ciências naturais enas tecnologias, destacando-se o desenvolvimento da computação, telecomunicações egenética. Desta maneira, tendo como modelo da ciência as ciências naturais, nasceu opositivismo, que exaltava o uso do método científico empírico, matemático e lógico paradescobrir leis gerais que permitiram explicar e predizer a realidade.Foi até o século XIX, com exceção do pensamento de G. Vico no século XVIII, que as CiênciasSociais e Humanas levantaram a mão para que fossem tidas em conta como um corpo deconhecimentos distinto ao das ciências naturais. Desta maneira para os neokantianos W.Windelband se distinguem as ciências nomotéticas (que descobrem leis) e as idiográficas (quebuscam sentidos), e para H. Rickert esta distinção equivale às ciências naturais e às ciências dacultura. De maneira semelhante, W. Dilthey divide as ciências naturais, que pretendem explicar eseguem o modelo positivista, das ciências do espírito, que tendem a compreender e cujométodo é a hermenêutica (interpretação para chegar ao sentidos das ações).4 A pós-modernidade e o advento do caosFoi dentro deste contexto onde aparaceu um novo movimento que se tem denominado pós-modernidade. Em efeito, devido ao desenvolvimento das ciências sociais e humanas; umadecepção para chegar a um conhecimento universalmente verdadeiro [7]; ao desencanto pelaspromessas não cumpridas baseadas no poder da razão [8], o projeto da modernidadecambaleou e surgiu outra visão alternativa: a pós-modernidade, a qual em sua vez, tambémafetou o modo de organizar o conhecimento.É muito difícil definir um fenômeno tão complexo que abarca múltiplos pensadores e esferas dacultura como a pósmodernidade. Abordaremos este problema seguindo Habermas (1989, p. 69;1988, p. 19-36) e Beuchot (1996) que tomam como ponto de partida para sua análise dasdiferentes escolas posmodernas a posição que se adota frente à razão e ao ideal do Iluminismo.De acordo com este critério, segundo Habermas se pode criticar a modernidade a partir da
  7. 7. esquerda ou direita. Em ambos os casos se aceita algo do projeto da modernidade. Mas tambémpodemos criticá-la negando-a totalmente.No caso da crítica à modernidade a partir da esquerda, por um lado se aceitam algumas de suasrealizações, mas por outro, também se deseja superar a razão meramente instrumental comoutro tipo de razão, seja através da ação comunicativa (Habermas), a hermenêutica (Gadamer),ou a pragmática (Appel). Por sua parte, os críticos da direita ou neoconservadores, aceitam atécnica, a razão instrumental; mas rechaçam a cultura, a razão ética-utópica. Entre estesencontramos C. Schmitt, Gottfried Benn, Arnold Gehlen, Daniel Bell. Finalmente, encontramosaos que negam por completo a modernidade e são críticos radicais da razão; são os chamadosantimodernos, e alguns de seus representantes são o “segundo” Heidegger, J. Derridá, G.Bataille, G. Deleuze, M. Foucault, F. Lyotard, G. Vattimo, R. Rorty. Nesta mesma linha de negar amodernidade mas com a proposta de voltar a posições anteriores à modernidade como oneoaristotelismo se encontram alguns pensadores que são conhecidos comopaleoconservadores ou prémodernos, entros os que podemos enumerar L. Strauss, R. Spaeman,A. MacIntyre; H. Jonas e S. Hauerwas. (BEUCHOT, 1996, p. 9)A pósmodernidade alcança o problema da organização do conhecimento em dois aspectos; oprimeiro enquanto se pode ver o sonho da sociedade da informação o conhecimento como umavertente pós-moderna de direita, e segundo como a introdução do relativismo, subjetivismo ecerta “desordem” na organização (uso de linguagem livre, lógicas difusas) como influência deuma posmodernidade antimoderna.5 Biblioteconomia ContemporâneaEmbora tenhamos visto que a prática bibliotecária data da antiguidade e da idade média, é naidade moderna que se toma consciência desta prática e ela finalmente se constitui comodisciplina independente. Não é de se estranhar que o primeiro manual conhecido debiblioteconomia, obra de Gabriel Naudé Advis pour dresser une bibliothèque fora publicado noséculo XVII, que a criação dos sistemas de classificação apareceram no século XIX, M. Dewey seinspirou na classificação das ciências de Bacon, e a Biblioteconomia nasceu sob o modelopositivista da ciência. Todas essas circunstâncias são um reflexo de que esta disciplina é umaciência eminentemente moderna, é produto da modernidade.De fato, se considerarmos alguns dos valores que mais se apreciam em biblioteconomia: ouniversalismo para resumir todo o saber humano; o ideal do Iluminismo que prega que oconhecimento e a verdade costumavam ser melhores; a preocupação com a normalização, aorganização e a sistematização; então descobrimos que esses mesmos valores são distintivos ecaracterísticos da modernidade.Levando em consideração todo o enunciado anterior, podemos afirmar que na biblioteconomiarege o princípio da ordem, já que se respeitam os conceitos de organização, hierarquia eprioridade, posteridade e sucessão, assim como a estrita observância do conjunto padrão e suarelação recíproca. O sustentar a organização documental nas relações de documentos, seusconteúdos e a representação simbólica que os localiza e agrupa, permite que se integremcoleções documentais que façam explícito o significado de tais relações, criando um núcleo deconhecimentos acerca dos documentos que conformam a coleção, obtendo sua relevânciadentro da mesma organização.Isso leva o bibliotecário ao reconhecimento da necessidade de utilizar a classificação comoferramenta de organização. A tradução da classificação como uma regra resulta no sistema declassificação no qual a representação documental é constituída e dirigida pela atribuição eemprego de símbolos. Então, o sistema classificador tem como finalidade, servir na ordenaçãodos documentos mediante relações de interpretação que implicam um processo dirigido a, porum lado representar o documento e por outro dotá-lo de significado, com o qual se pretende
  8. 8. dar coerência à diversidade documental, com o objetivo de explicar os vínculos existentes entreos documentos que formam parte da coleção.Graças ao sistema de classificação se organiza o conhecimento em taxonomias ou categorias. Astaxonomias representam mecanismos construídos para classificar as coisas em uma série degrupos hierárquicos cuja função é facilitar a identificação, estudo e localização; assim comotambém permite a inclusão de estruturas e aplicações. As estruturas são centradas nos termos esuas relações, e as aplicações são as ferramentas que facilitam o seu uso. Atualmente isto setraduz no processo que inicia-se com análise documental, orientado pelas regras de catalogaçãoe os sistemas de classificação documental que pretendem obter e oferecer representações dodocumento, seu conteúdo e todas as possíveis relações existentes.A classificação na biblioteconomia contida em um catálogo, tem como finalidade definir umuniverso cuja primeira instância permita determinar se um registro em particular pode incluir-seou não como parte do universo de documentos, além de criar um espaço onde se estabelecemrelações lógicas entre os elementos dos registros pertencentes a este universo e sirva de basepara a organização física dos documentos e suas representações.Assim como a organização física dos documentos tem lugar, encontramos a organizaçãotemática ou de conteúdo, a qual para ser visível, manipulável e organizável desenvolve oregistro documental. Tal registro se baseia nos princípios de catalogação, tarefa na qual sedescreve os elementos físicos e temáticos que caracterizam um documento, nomear cada umadas partes que os constitui e estabelecer a ordem que deve guardar dentro de tal registro. Aordem e as relações entre os elementos de um registro, dotam o documento de significado, suainformação e conteúdo, o que permite a relação dos elementos entre registros.Agora a reunião de múltiplos registros dão como resultado a existência do catálogo, que em suaestrutura global, manifesta as relações entre registros documentais, documentos, agrupamentoe localização espacial; fazendo evidente sua própria forma de ordenação que é guiada pelanormalização em seu contínuo crescimento e reflete a ordem bibliográfico-documental dabiblioteca.Assim, o núcleo de conhecimentos se verá representado pelo catálogo da biblioteca, no qual seobserva a conjunção dos três tipos de ordem até agora desenvolvidos – físico, temático e deregistro -, que o convertem à porta de acesso à informação contida nos documentosorganizados no acervo.Embora em nossos dias ainda os grandes sistemas de classificação e as normas catalográficas,que inicialmente foram adotadas como resposta à sobrecarga de informação gerada devido aodescobrimento da imprensa, seguem resolvendo os problemas de arranjo temático dosdocumentos, e podem seguir sendo considerados como eficientes instrumentos desistematização dos conteúdos documentais e de conhecimento, atualmente existem outraspropostas para identificar, representar e ter acesso aos documentos, principalmente devido aaparição de documentos eletrônicos. Por exemplo o modelo proposto pelo Dublin Core parametadados e os alinhamentos de descrição de dados no RDA, no FRBR. No entanto não é difícilconstatar que o princípio e categoria da ordem segue mantendo-se nessas novas propostas.6 Considerações FinaisA análise do que foi aqui exposto nos permite afirmar que há semelhança do mito de Hesíodosobre a teogonia, o caos informacional dá seu lugar ao “cosmos documental”, onde rege umaordem, graças a qual é possível orientar-se, mover-se e atuar neste cosmos. A particularidadedisso que temos denominado cosmos documental é que é construído pela atividade dobibliotecário, é pois uma criação humana e por conseqüência cultural. Em outros escritos temosidentificado o sistema de organização documental como objeto de estudo da biblioteconomia
  9. 9. (RENDÓN ROJAS, 2005) e conectando esta idéia com esta reflexão sobre as bases da organizaçãodocumental, podemos dizer que o bibliotecário com sua ação constrói este sistema; o qual não éum ente natural dado (pedra, planeta, elemento químico por exemplo) para o qual devemosinterpretar para dotá-lo de sentido; mas mesmo incluso sua mesma existência é imediata.O nomear (representar) o ente informativo-documental, é criar uma organização e realizar onecessário para fornecer o acesso a este, é construir o mundo informativo documental próprioda biblioteconomia; um mundo como todo o humano, cheio de sentido, mas sentidos desegunda ordem, ou seja, sentidos do mundo natural, mas sentidos de um mundo cultural quepor sua vez é interpretado. Por isso a biblioteconomia não é uma ciência natural, mas seguindo aterminologia de Dilthey, uma ciência do espírito.Se tomamos por exemplo a classificação que se realiza na organização documental,encontramos que a classificação é uma operação lógica realizada com conceitos [12] que sãodivididos coerentemente, com base em certos critérios, o volume do conceito inicial mediante aformação de subclasses ou subconjuntos sucessivos. Tais critérios podem ser propriedadesinerentes ao objeto, presentes como características essenciais; ou podem ser características quepor si mesmas não são relevantes para o objeto em si, mas que se empregam como critériospara realizar uma determinada tarefa. No primeiro caso, se pode dizer que é uma classificaçãonatural baseada em atributos essenciais dos objetos, como é o caso da classificação doselementos de acordo com a Tabela Periódica de Mendeleiev, onde o peso e número atômicodeterminam o lugar e propriedades dos elementos; ou as classificações taxonômicas dos seresvivos na biologia, onde a anatomia comparada e a evolução das espécies orientam aclassificação. No segundo caso, os critérios da classificação se baseiam em características que seescolhem por que são convenientes para alcançar um fim, como seria classificar alunos porestatura, peso, ou as palavras por ordem alfabética. Neste último caso temos classificaçõesartificiais.O ato de criar um mundo informativo documental artificial, com classificações arbitrárias, temlevado a pensar, dentro do contexto posmodernista, onde na biblioteca e em seu cosmos reina asubjetividade total, a arbitrariedade absoluta. Mas devemos deixar claro que o artificial secontrapõe ao natural, no sentido de sua gênese, depende da ação de um sujeito o natural não;mas não é sinônimo de relativismo e incapacidade de ser estudado e conhecido. Em primeirolugar, o sistema criado tem suas regularidades enquanto ente existente. Em segundo lugar, amesma construção do sistema informativo documental não é uma criação ex nihilo, mas éprecisamente uma construção que utiliza matéria prima inicial; e essa matéria prima:informação, documentos, usuários possuem umas características que são os suportes que dãoobjetividade à ordem criada. Toda interpretação, embora dependa do sujeito, deve respeitar otexto, neste caso essa matéria prima da qual falamos linhas acima. O atributo de ser umarealidade objetiva e necessária é o que temos chamado “fundamentação ontológica dabiblioteconomia”, a qual temos desenvolvido previamente (RENDÓN ROJAS, 2005, p. 54-78) econsequentemente demonstrou que o cosmos biblioteconômico possui sua ontologia própria,abstrata e humana; e ao mesmo tempo não é algo inventado por um voluntarismo absoluto,mas repousa em uma ontologia de primeiro nível, ancorado em características reais do serhumano, que englobamos com o termo “ser informacional”, já que o ser humano por suaestrutura ontológica para realizar seu ser necessita criar, consumir, transformar informaçãocomo um ser dialógico, hermenêutico, histórico, simbólico, político, social, econômico, racional.Desta maneira, se queremos seguir com a metáfora da teogonia hesiódica, podemos concluirque no princípio é o ser informacional, disto nasce o cosmos documental regido pela ordem,nascimento mediado pela atividade do sujeito; e finalmente, essa ordem possui suas própriasregularidades, que podem ser estudadas.___________________________* No princípio era o ‘logos’. Frase com que se inicia o Evangelho de São João que resume acosmovisão da Antiguidade. Para o pensamento grego o logos se entendia como palavra,
  10. 10. linguagem, pensamento, mas também é razão, lei, regra, principio racional, razão suprema,conformidade com a lei, princípio que impõe ordem,…[1] Demetrio de Falero, Calímaco de Cirene, Zenódoto de Éfeso, Apolonio de Rodas, Eratóstenes,Aristófanes de Bizancio, Aristarco de Samotracia, Apolonio Eidographos.[2] Junto com Boécio e Isidoro de Sevilha é considerado um dos fundadores intelectuais dopensamento medieval. No início do século VI funda o monastério de Vivaruim e com suas obrasDe Institutione divinarum literarum e De Ortographia elabora um programa para que os mongesde seu monastério se dediquem à leitura e cópia de textos “para servir à Deus”. O Vivariumdesapareceu sem deixar vestígios, mas as ordens monásticas posteriores continuaram esteprojeto, dando assim lugar a uma das instituições medievais mais importantes: as bibliotecasmonásticas com seus copistas (GONZÁLEZ CASTRILLO, 2002, p. 102-103).[3] Clérigo de origem inglesa, conselheiro de Carlos Magno e propulsor das reformas emeducação e cultura em geral no chamado renascimento carolíngio. Ao final de sua vida montouuma importante biblioteca.[4] Filósofo nominalista da idade média, nascido na Inglaterra. De acordo com o historiadorsoviético de lógica, N. I. Stiazhkin, a classificação das ciências proposta por Ockham no século XIII“comprovou ser muito firme. Basta dizer que por exemplo no atual sistema decimal declassificação de documentos, a seção “sistema científico” (índice 168) se divide nas subseções:“ciências formais” (índice 168.51) e “ciências reais” (índice 168.52), que exatamente correspondea divisão ockhamista da ciência em racional e real” (STIAZHKIN, 1967, p. 144). Na traduçãoespanhola da CDU o esquema correspondente ao 168 é “O método científico” e ao 168.51 é“ciências formais” e 168.52 “ciências empíricas”.[5] Filósofo, matemático, lógico, jurista, político, foi um dos grandes pensadores do século XVII eXVIII. Foi bibliotecário da Casa de Brunswick em Hannover, onde desenvolveu catálogossistemáticos (ROSS, 1984).[6] A Enciclopédia foi editada pela primeira vez entre os anos de 1751 e 1772 em Paris, França.Formada por 17 volumes editados por Denis Diderot e Jean Le Rond d’Alembert, seu objetivogeral foi difundir as idéias do Iluminismo francês.[7] Apareceram limitações nas ciências, incluindo aquelas que pareciam as mais sólidas. Porexemplo na Física, surgiu a teoria da relatividade que destruiu a Física clássica; a física quântica,que parece falhar algumas leis lógicas; e o descobrimento do chamado princípio deindeterminação de Heisenberg. Em matemática o teorema de Gödel acabou com as esperançasde encontrar um sistema formal para a aritmética, onde todas as fórmulas universalmenteverdadeiras nela sejam teoremas (teorema de completude), já que estabeleceu que qualquerteoria axiomática não contraditora, em uma linguagem de primeira ordem adequada para ateoria de números é essencialmente incompleta, é dizer, sempre existirá um enunciadoaritmético verdadeiro que não se pode demonstrar na teoria.[8] Em vez de progresso há guerras mundiais, campos de concentração, ditaduras, fome,problemas ecológicos.[9] Especificamente no catálogo eletrônico, se visualiza a maior quantidade de relações possíveisentre os conteúdos temáticos dos documentos graças aos sistemas de pré-coordenação e pós-coordenação existentes.[10] O sistema de classificação de Dewey, a classificação decimal universal (CDU), a classificaçãodo Congresso (LC); as Regras de catalogação Anglo-Americanas, segunda edição (AACR2).[11] Resource Description and Access (RDA); Functional Requirements for Bibliographic Records(FRBR).
  11. 11. [12] Entendemos por conceito a forma de pensamento que com base em certas característicasidentifica e distingue certos objetos dentro de um universo, e os agrupa em um conjunto. Esteúltimo se denomina volume do conceito. REFERÊNCIASBEUCHOT, M. Posmodernidad, hermenéutica y analogía. México: Miguel Ángel Porrúa:Librero-Editor; Universidad Intercontinental, 1996.COPLESTON, F. Historia de la filosofía: Grecia y Roma. Barcelona: Ariel, 1986.GONZÁLEZ CASTRILLO, R. Oposiciones a bibliotecas y archivos. (Escalas de Facultativos y deAyudantes). Temario Básico. Madrid: Editorial Complutense, 2002.HABERMAS, J. El discurso filosófico de la modernidad. Madrid: Taurus, 1989.HABERMAS, J. La modernidad un proyecto incompleto. En: FOSTER, H. et al. LaPosmodernidad. México: Kairós-Colofón, 1988. p. 19-36.HERACLITO. Fragmentos. En: KIRK, G. S.; RAVEN, J. E.; SCHOFIELD, Y. M. S. Los filósofospresocráticos: historia crítica con selección de textos. Madrid: Gredos, 1987.LEIBNIZ, G. W. New Essays on Human Understanding. En: BENNETT, J. Early modern texts. 1764.Disponível em : <http://www.earlymoderntexts.com/leibne.html> Acesso em fevereiro de 2011.NAUDÉ, G. Advis pour dresser une bibliothèque. Paris: Klincksieck, [1627], 2008.RENDÓN ROJAS, M. A. Bases teóricas y filosóficas de la bibliotecología. 2 ed. México: UNAM;Centro Universitario de Investigaciones Bibliotecológicas, 2005.RIAÑO ALONSO, J. J. Naturaleza de la Antigua Biblioteca de Alejandría. España: Trea, 2005.ROSS, G. M. Leibniz. Oxford: Oxford University Press, 1984.STIAZHKIN, H. I. Formirovanie matematicheskoi lóguiki (A formação da lógica matemática).Moscou: Nauca, 1967.ZEA, L. Introducción a la filosofía: la conciencia del hombre en la filosofía. México: UNAM, 1993.-Publicado originalmente no periódico Perspectivas em Ciências da Informação, v. 15, n. 1, p. 3-17, jan./abr. 2010.Título Original: Bases filosóficas de la organización de la informaciónTradução publicada no blog Dora Ex Libris, em 18 de fevereiro de 2011.<http://doraexlibris.wordpress.com/2011/02/19/bases-filosoficas-da-organizacao-da-informacao/>

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