Fotografia - Carolina Fernandes
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Fotografia - Carolina Fernandes Fotografia - Carolina Fernandes Document Transcript

  • Estruturação palestra A fotografia ontem e hoje Fotografia x realidade (Trecho Closer) No início do século XIX, a fotografia surgiu como espelho do real. Ela era tida como a imitação perfeita da realidade, sem que a mão do fotógrafo interviesse diretamente sobre a foto. O fotógrafo se contentava em admirar a cena. A fotografia era um simples instrumento de documentação do real, e seu papel era conservar os traços do passado. Enquanto isso, a pintura era vista como um produto subjetivo da sensibilidade do artista, de sua criatividade. Quando, no final do século XIX, alguns quiseram elevar a fotografia ao status de arte, foram chamados de pictorialistas. Porém, estes começaram a tratar fotografias como pinturas, manipulando as imagens de todas as maneiras, principalmente sobre o próprio negativo, com uso de pincéis, lápis e produtos químicos. Transformações na fotografia passaram a ocorrer desde 1901, mas isso não significa que o discurso mimético se encerrou completamente. O realismo na fotografia não é negado, é apenas deslocado. No século XX, o discurso de transformação do real foi acoplado à fotografia. Essa nova maneira de ver a fotografia foi baseada em textos que se inspiravam na psicologia da percepção e nos discursos antropológicos. Antes, a fotografia não tinha um caráter social claro, pois eram poucos os que possuíam aparato técnico para manusear a câmera. A foto é vista como uma visão fragmentada da realidade, além de reduzir o universo tridimensional à bidimensionalidade, reduzir cores às variações de preto e branco e desconsiderar quaisquer relações olfativas ou auditivas. A câmera deixa de ser um elemento neutro e passa a adquirir também um caráter de encenação (Robert Capa). Nesta visão, almeja-se que a verdade interior será revelada por meio da foto, como num retrato (Richard Avedon – Conhecer alguém por meio da fotografia). Em um discurso posterior, convencionou-se que a fotografia é um traço do real. Apesar de conter certa enunciação, não se pode negar que um fato está realmente ocorrendo. Por exemplo, numa fotografia de alguém chorando, encenando ou não, não se pode negar que este alguém está chorando. Neste sentido, a fotografia é índice, e só mais tarde poderá se tornar parecida (ícone) e adquirir sentido (símbolo). Assume-se a pragmática da fotografia (ação humana) e o sentido que lhe é atribuído é exterior ao plano da foto.
  • • Mito da caverna de Platão: Sombras deformadas da realidade Mas ser educado por fotos não é o mesmo que ser educado por imagens antigas, artesanais. • A foto como interpretação do real - Pode-se tratar uma foto como uma transparência estritamente seletiva • A realidade sempre foi interpretada por meio de imagens. Exemplo: Mosaicos Bizantinos - Filósofos desde Platão tentaram extinguir nossa dependência do entendimento por meio das imagens. Acreditava que imagens se assemelhariam ao real, mas seriam sempre falsas. - A foto, no entanto, é mais que uma interpretação do real; é também algo decalcado do real - Algo de que duvidamos se torna comprovado quando nos mostram uma foto • Apesar do medo primitivo de que fotografias aprisionam almas, algo ainda perdura. Vemos isso em nossa sociedade quando nos recusamos a rasgar uma foto de uma pessoa querida, ainda mais quando distante ou falecida. • Um evento conhecido por meio de fotos torna-se mais real do que se não houvesse fotos. Por exemplo, as guerras. • No mundo burocrático, documentos importantes não têm valor se não possuírem foto. Neste caso, as fotos têm valor por carregarem informações • Fotos são um meio de aprisionar a realidade. Não se pode possuí-la, mas podem-se possuir imagens. Logo, as fotos tornam as imagens acessíveis, e não a realidade. • Elas nos fazem sentir que o mundo é mais acessível do que realmente é. Visão fotográfica • Fotografar é atribuir importância. Descobrir beleza no que é comum. • Releitura do banal. É deixar de ver o lado utilitário de um objeto e fotografar aparências- observar como as coisas se comportam sob a luz daquele momento. Exemplo: Irving Penn • A visão fotográfica sai da visão do dia-a-dia e passa a ver cenas inteiras apenas como linhas, formas, padrões, texturas
  • • Ao fotografar, deve-se prestar atenção aos relacionamentos criados entre os elementos dentro de uma fotografia. Assim, começamos a usar realmente o espaço enquadrado, e não o contrário. Não nos tornamos, assim, escravos do enquadramento. • A câmera torna íntimas coisas que são distantes e exóticas. - Dá uma aparência de participação - Tirar fotos é um evento em si mesmo , o que proporciona ao fotógrafo alguns direitos- interferir, invadir ou ignorar • A releitura do feio, que ganha status de belo. (Diane Arbus, Witkin, Terry Richardson) - Um tema feio ou grotesco pode ser comovente porque o fotógrafo honrou-o com sua atenção - As fotos de Diane Arbus, porém, não despertam o sentimento de compaixão -Um fotógrafo pode captar pessoas “normais” de maneira que pareçam estranhas, anormais. -As pessoas fotografadas por Arbus parecem conformadas com sua situação. -A fotografia modifica a moral: Algo que antes era repulsivo pode ser suprimido ou pelo menos reduzido. A câmera elimina fronteiras sociais e morais, afinal ela não está interferindo, está apenas visitando outra realidade. • Objets Trouvé: lascas fortuitas do mundo - É o uso modificado de um objeto, é um objeto tirado de seu contexto natural. - Concebido pela primeira vez por Marcel Duchamp. Fountain é sua obra mais famosa. • Surrealismo na Fotografia (distância imposta pela foto- social e temporal) - Apagar as fronteiras entre a arte e a vida - O Surrealismo já aparece na própria fotografia, por ser uma duplicata de um mundo que já existe - As primeiras fotos surreais provêm da década de 1850, quando fotógrafos tentaram fotografar um mundo sem pose. O surrealismo, porém, está contido na própria fatia do tempo: Aquilo que estava lá, não está mais. -As fotos acabam tornando o passado um objeto de consumo, além de um objeto afetuoso.
  • - O erro é comparar a vida “real” às fotos: fotografias são detalhes, e instantes fixos para sempre, enquanto a vida é fluida. • Deve-se pensar em cada detalhe dentro da composição. Se uma foto contém muitas distrações visuais, o impacto visual do que se quer realmente mostrar é menor. Turismo de classe – viajar entre realidades que não são a do fotógrafo (Cartier- Bresson, Richard Avedon, foto de Omayra Sanchez • Fotografia como denúncia da realidade • Brutal ascensão do valor das aparências. - A noção de que a câmera podia mentir deixou mais popular o ato de se deixar fotografar. As pessoas querem que a câmera as mostre com a melhor aparência possível. • Cartier-Bresson defendia que a fotografia era um modo genuinamente novo de ver. Já outros, como Robert Frank, atribuíam à câmera um valor democrático, que não reivindique uma nova maneira de ver. • O realismo da fotografia cria uma confusão do respeito do real. (foto desclassificada no concurso- Photoshopada) • Fotos não explicam, constatam. • O instante decisivo de Cartier-Bresson. - Fotos devem ser pensadas antes e depois de se tirar a foto- nunca durante. - Alguns, no entanto, acreditam na casualidade, na sorte. • Hoje, nos defrontamos mais do que nunca com a realidade - O fotógrafo toma de assalto a realidade • “Fazer” fotos no lugar de “tirar” fotos- Ansel Adams - Paradigma entre apagamento do eu a favor do mundo e a atitude do fotógrafo diante do mundo
  • • Um fotógrafo que busque diferentes abordagens durante sua carreira, parece não ter a mesma integridade daqueles que são facilmente identificáveis por repetirem estilos e temáticas. Isso se deve ao fato do assunto prevalecer na fotografia. Exemplo: Spencer Tunick • No mundo da imagem, o fato retratado aconteceu e sempre acontecerá da mesma maneira. • A fotografia também recicla o real: Coisas e fatos passados recebem novos usos, novos significados. • No fim das contas, a necessidade de fotografar vem da própria lógica do consumo. Consumir é queimar, e quanto mais queimamos, mais queremos ser reabastecidos com ainda mais imagens. Hoje, recebemos muito mais informações visuais, porém nunca estamos satisfeitos. Fotografia e Arte • A fotografia ganha status de arte com a industrialização. Ao mesmo tempo em que a industrialização propiciou os usos sociais para as atividades do fotógrafo, a reação contra esses usos reforçou a consciência da fotografia como arte. • Os fotógrafos alegavam que a fotografia era vanguardista no sentido em que ia contra os padrões comuns da visão, assim como a pintura • A fotografia influenciou o Cubismo, o Impressionismo. -Interesse pelas propriedades da luz -Ângulos incomuns e formas descentralizadas • É uma interpretação assim como a pintura • As fronteiras entre o amador e o profissional são difusas: há fotos de amadores tão interessantes e cheias de significado quanto de fotógrafos consagrados. • A fotografia tem a limitação de nunca pode transcender completamente seu tema. Uma pintura sim. • Hoje, “saber se os produtos de uma câmera se enquadram na categoria de arte é irrelevante” (p. 143) • A fotografia, assim como a Pop Art, tirou o estigma da arte de ser difícil, e agora a arte é mais relacionada aos seus temas do que com a arte enquanto técnica.
  • - Andy Warhol não produzia suas peças. Contratava fotógrafos e desenhistas • “Todas as pretensões da fotografia como arte devem enfatizar a subjetividade da visão”. • Para ser vista como arte, o fotógrafo deve ser visto como auter e suas fotos devem ser vistas como compondo uma obra. • Agrupar os fotógrafos em estilos reforça, mais uma vez, a analogia enganosa entre a fotografia e a pintura • Por ter um papel de representar a realidade, no seu início, a fotografia acabou por “libertar” a pintura dessa função. Assim, esta pôde explorar a abstração. - No entanto, a pintura jamais tentou parar de imitar os efeitos realistas da fotografia. E, ainda, a fotografia influenciou a pintura no sentido de buscar detalhes, e analisar a fundo os objetos. - A obra de arte, hoje, depende muito menos da unicidade dos objetos e caminha cada vez mais no sentido de objetos reproduzíveis. - Mas o caráter de posse da fotografia é muito presente ainda, quando obtemos uma foto de uma pessoa querida, por exemplo. - Reforça, então, a ideia de que uma foto permite o controle sobre o objeto fotografado. • “A fotografia não é, antes de tudo, uma obra de arte. Como a língua, entre outras coisas, ela é um meio pela qual obras de arte são feitas” • A fotografia não depende de um criador de imagens. Por mais que o fotógrafo intervenha, ele sempre irá depender de um processo óptico-químico ou de um aparato eletrônico. Fotografia experimental Processos alternativos de fotografia não vêm de hoje. Desde a propagação da fotografia, o experimentalismo surgiu como forma de desafiar a máquina e se destacar no meio fotográfico. A câmera deixou de ser apenas instrumento e se tornou uma reflexão acerca dos próprios limites da fotografia. • Sprocket Hole: É expor o negativo de 35 mm em uma câmera 120 mm (médio formato), fazendo com que o registro sangre. • Dupla exposição: Consiste em expor um negativo ou dispositivo múltiplas vezes. O efeito são imagens sobrepostas. Também é usada para ajustar a qualidade da definição da imagem quando se fotografa objetos inanimados, num tripé. • Redscale: Consiste em virar o filme, deixando a parte sensibilizada ao contrário. O resultado traz os tons vermelhos, amarelos e laranjas supersaturados. As luzes mais
  • intensas tendem ao amarelo e ao laranja, e as mais baixas caem para o vermelho. É necessário expor o filme com 1 ou 2 pontos abaixo do indicado pelo fotômetro. • Lomografia: Surgiu durante a Guerra Fria, na década de 80, na União Soviética. As câmeras Lomo foram idealizadas por um general amante da fotografia, Igor Petrowitsch e tinham como propósito serem acessíveis à população da URSS, pois eram baratas e fáceis de manusear. Elas possuíam diversos problemas em sua estrutura, como entrada de luz, dupla exposição e aberrações cromáticas. No entanto, isso acarretou seu sucesso. Com resultados imprevisíveis, a sua qualidade artística passou a ser bastante valorizada. Hoje, estima-se que cerca de 500 mil pessoas ao redor do mundo sejam “lomógrafas”. 10 regras da Lomografia, segundo a Sociedade Internacional de Lomografia 1- Leve sua Lomo onde você for 2- Fotografe a qualquer hora do dia ou da noite 3- A Lomografia não interfere na sua vida, é parte dela 4- Aproxima-te o mais possível do objeto a ser fotografado 5- Não pense 6- Seja rápido 7- Você não precisa saber antes o que fotografou 8- Nem depois 9- Não fotografe com os olhos 10- Não se preocupe com as regras A Holga, câmera chinesa, também possui qualidades parecidas com as das Lomos antigas. Com a Lomografia, o fotógrafo é levado para uma nova dimensão, desafiando sua criatividade e se livrando de regras impostas e estereótipos fotográficos. Fotografia na Publicidade - Fotografia x Ilustração - A fotografia pode se tornar mais memorável que um comercial, pois a fotografia são imagens isoladas, são fatias do tempo. Na TV, uma nova imagem cancela a anterior.
  • - “Uma pintura falsificada (cuja autoria é falsa) falsifica a história da arte. Uma fotografia falsificada (retocada ou adulterada, ou cuja legenda é falsa) falsifica a realidade.” (foto Ralph Lauren) - Para Susan Sontag, as fotos funcionais, sob encomenda comercial, não rebaixam a fotografia, vista como arte. Na verdade, elas contradizem a natureza da maioria das fotos, que é ingênua e descritiva. - Quando usar fotografia em detrimento à ilustração - Fotografia x Ilustração (Exemplo: artigo Morandini) JOB: - Releitura. Um mesmo objeto em ângulos diferentes. 5 fotos. - Foto inflamável. Cada um vai escrever 5 coisas que te fazem “inflamar”. Colocar o nome e fazer o do colega.