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Direção de atores
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Direção de atores

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    Direção de atores Direção de atores Presentation Transcript

    • DIREÇÃO DE ATORES
    • “Eu sabia exatamente o que eu queria, mas não sabia dizer claramente”
    • “Eu pensei que tinha descrito exatamente como eu queria, e o ator disse “sim, entendi”, e então ele não fez nada parecido com o que havíamos conversado”
    • “A problemas da produção exigiram tanto de mim que quando cheguei no set eu estava exausto”
    • “Os atores gostaram de mim e me senti bem à vontade no set, mas quando cheguei na edição todo o material estava uma porcaria”
    • Não há fórmula para trabalhar com atores. Mas há princípios, há habilidades, há uma preparação árdua, e então você tem a chance de pular de um penhasco sem saber se irá dar certo ou não.
    • “Atores são um outro irracional e desconcertante.”
    • Muitos diretores vem de uma formação técnica e sabem muito pouco sobre como os atores trabalham. E diretores que tem origem na produção podem até ter preconceito contra atores.
    • Diretores que escreveram o roteiro ficam pertubados e impacientes com os atores porque eles não falam as falas como o diretor imaginou na cabeça dele
    • Muitos diretores que são muito talentosos visualmente e ficam à vontade com a câmera tendem a ficar incomodados com os diálogos e com os atores
    • A pior coisa de um projeto audiovisual de baixo orçamento geralmente é a atuação
    • Atuar e Dirigir um filme são dois trabalhos distintos. O diretor é o que ver e o ator o que é visto.
    • Se o ator assistir a si, a relação quem vê-quem é visto é terminada e a magia acaba.
    • O ator depende do diretor pra dizer se o esforço dele teve sucesso. Só o diretor pode dizer se a atuação está boa ou não.
    • Se o ator se assistir ele começa a se dirigir.
    • A responsabilidade do diretor é contar uma história.
    • A responsabilidade do ator é de criar um comportamento verdadeiro enquanto segue direções e cumpre os requisitos do roteiro.
    • Os atores querem que o diretor saiba quando dizer “corta” e não desistir enquanto não conseguir uma performance verdadeira, e quando o que ele faz conta a história
    • A maioria das pessoas quando lê um roteiro vêem uma versão em miniatura em suas mentes. Elas chamam de “visões” do roteiro, e consideram o tempo que passam nessas visões como sua “preparação criativa”. E qual o problema dessa preparação?
    • O problema é que faz com que o diretor faça escolhas baseadas em outros filmes ao invés do que ele sabe sobre a vida. E essa preparação faz com que dirija os atores com uma “Direção de Resultado”
    • Uma direção focada no resultado procurar moldar a atuação ao descrever o resultado que o diretor quer.
    • 10 exemplos de direção de resultado
    • 1- “Você pode fazer mais excêntrico?” • Dizer para o ator qual efeito você quer que ele tenha para o público é um exemplo de direção de resultado – “Essa cena deve ser engraçada” – “Eu preciso que você seja mais macabro” • A partir desse momento a relação diretor/ator se torna um jogo de adivinhação, pois a direção é vaga demais
    • 1- “Você pode fazer mais excêntrico?” • Dificilmente o ator consegue acertar o que foi pedido porque ele começa a prestar atenção em si e na sua performance. – Pode diminuir a qualidade do ator ao pedir que ele se concentre no efeito que ele está tendo no público
    • 1- “Você pode fazer mais excêntrico?” • Descrever o “clima” da cena também entra nesta categoria – Opressivo, distante, dinâmica • Se quiser criar um certo clima pra cena é possível usar um “ajuste” – “como se”
    • Se quisesse uma cena de jantar indiferente poderia pedir para atuarem “como se a primeira pessoa a falar fosse sentenciada à prisão perpétua”
    • 2- “Você pode fazer com menos intensidade? Ou com mais energia?” • Menos intensidade pode significar que o ator está exagerando • Com mais energia pode significar que o ator está atuando sem vida. De qualquer maneira é muito vago pra saber ao certo o que o diretor quer.
    • 3- “Não diga “Você sempre faz isso”, diga “Você sempre faz isso” • Isso é chamado de leitura de fala, ou seja, dizer para o ator qual inflexão deve usar na fala – O problema é que o ator pode obedecer e repetir a fala com a nova inflexão mas sem nenhuma vida à fala – Pode parecer que o diretor não sabe qual o significado da fala
    • 3- “Não diga “Você sempre faz isso”, diga “Você sempre faz isso” • O significado da fala, não a inflexão ou o resultado é o que o diretor deveria comunicar ao ator.
    • 4- “Eu acho que o personagem está preocupado” • Dizer para o ator qual sentimento o personagem deveria ter faz com que o ator tente ter o sentimento e consequentemente faz com que ele pareça um ator e não uma pessoa de verdade. – Com raiva, decepcionado, incomodado, excitado, apaixonado, com medo, etc.
    • 4- “Eu acho que o personagem está preocupado” • Uma direção interpretável deve permitir escolhas, mas não podemos escolher nossos sentimentos. – Não escolhemos como nos sentir, e mesmo nos esforçando para mostrar outro sentimento que não aquele que estamos sentindo ninguém é enganado. • Preferíamos não ficar nervosos em determinadas situações
    • 5- “Quando ela falar que não está com o dinheiro você fica com raiva” • Essa é uma extensão de falar pro ator qual emoção ele deve ter: Dizer qual a reação. – No roteiro essas pequenas ou grandes revelações são as transições emocionais do filme. – É o momento mais propício para a atuação parecer atuação
    • 5- “Quando ela falar que não está com o dinheiro você fica com raiva” • Fazer com que as transições emocionais verdadeiras é uma das tarefas mais difíceis de um ator. – Faz com que a performance tenha a aparência da vida real quando as reações são espontâneas
    • 6- “Quando a cena começa ele está preocupado. Quando a esposa chega ele se acalma. E quando ela diz que não tem o dinheiro fica desconfiado” • Isso é um mapa emocional – Destacando todas as emoções e reações que o personagem deve ter na cena. – Também falamos assim quando falamos de outras pessoas, ou seja, fofoca.
    • 6- “Quando a cena começa ele está preocupado. Quando a esposa chega ele se acalma. E quando ela diz que não tem o dinheiro fica desconfiado” • Melhor do que desenhar um mapa emocional, o diretor pode apresentar ao ator a intenção e o objetivo do personagem – Objetivo: o que o personagem quer do outro personagem – Intenção: o que ele fará para conseguir
    • 6- “Quando a cena começa ele está preocupado. Quando a esposa chega ele se acalma. E quando ela diz que não tem o dinheiro fica desconfiado” • Essa é a diferença entre uma direção empírica, baseada nas necessidades e vontades, versus uma direção de resultados e intelectualização
    • 7- “É assim que eu vejo o personagem” • Falar sobre como é o personagem é improdutivo – Não decidimos como nos sentir e não decidimos como ou o que ser – As pessoas não podem mudar quem são e sim o que fazem
    • 7- “É assim que eu vejo o personagem” • Para o ator, tentar ser “como o personagem é visto” produz stress e dúvidas – O ator e o diretor devem decompor o personagem em uma série de tarefas interpretáveis
    • 8- “Você pode interpretá-lo agressivo, mas simpático?” • O diretor pensa que ao dar tais direções estão chamando atenção para a complexidade do personagem, mas na verdade estão pedindo algo confuso e que não dá para interpretar – As pessoas são complexas mas não conseguem estar em dois estados emocionais diferentes
    • 8- “Você pode interpretá-lo agressivo, mas simpático?” • Um ator não consegue interpretar duas coisas ao mesmo tempo, e geralmente as duas coisas cancelam uma à outra. – Ou o ator termina fingindo uma ou as duas emoções
    • 9- “Ele é mau” ”Ele é estúpido” • Estes são julgamentos negativos. Uma das formas de decidir “como o personagem é visto” – Mas se o ator não estiver do lado do personagem, quem estará? – É tarefa do público julgar os personagens, e se são fracos, preguiçosos, gananciosos e etc.
    • 9- “Ele é mau” ”Ele é estúpido” • Quando o bom e o mau são retratados sem ambiguidade o filme perde todas oportunidades para as revelações – Vilões retratados como um ser humano são muito mais assustadores
    • 10- “Vamos dar ao personagem uma atitude hostil” • O problema em pedir dos atores uma atitude é que na tentativa de fazer o que o diretor pede eles comecem a interpretar a atitude. – Falar pra alguém x Falar com alguém
    • 10- “Vamos dar ao personagem uma atitude hostil” • Os personagens não ouvem uns aos outros. • Ou estão genuinamente afetando um ao outro no momento, ou estão apenas dizendo falas um ao outro. – Nada faz com que a performance pareça mais amadora do que uma falha ao ouvir e ao interagir com outros atores
    • Quando o diretor pede um resultado generalista o pior que pode acontecer é que o ator faça o que ele pediu. E isso pode significar que as únicas idéias que o diretor tem são clichés.
    • Independente se suas idéias são superficiais ou profundas, se enquadrá-los em termos de resultado, você precisa entender que você está pedindo aos atores: primeiro a descobrir o que você quis dizer, e segundo para traduzir seus desejos em algo interpretável.
    • Uma forma rápida de saber se você está usando uma direção por resultado é perceber como fala com os atores: perceba quando usar adjetivos, advérbios ou explicações.
    • Qual o problema com os adjetivos ou advérbios?
    • Adjetivos descrevem a coisa (substantivo) Advérvios descrevem a ação (verbo)
    • Adjetivos são estáticos, eles descrevem a percepção de outra pessoa sobre o personagem. Adjetivos são subjetivos, interpretativos e portanto não são uma boa ferramenta de comunicação.
    • Boa direção, ou seja, direções interpretáveis, geram comportamento no ator, por isso é ativa e dinâmica ao invés de estática, sensorial ao invés de intelectual, objetiva e específica ao invés de generalista e intelectual.
    • Ao invés de adjetivos, advérbios ou explicações comecem a usar 5 ferramentas pra dirigir uma atuação: Verbos, fatos, imagens, eventos e tarefas físicas.
    • Verbos descrevem o que alguém está fazendo, o que os tornam ativos ao invés de estático. Os verbos descrevem a experiência e não uma conclusão sobre a experiência.
    • Nem todos os verbos são utéis. Os que são utéis são chamado de verbos de ação. Um verbo de ação é chamado de verbo transitivo (algo que você faz pra alguém).
    • Verbos Transitivos exigem complemento para que tenham sentido completo
    • O verbo de ação tende a ter um componente emocional e um componente físico.
    • “Acreditar” é um verbo mas não de ação porque acreditar é uma descrição de um estado de espírito. “Acusar” é um verbo de ação; alguém acusa outra pessoa de alguma coisa. Tem o componente emocional e físico.
    • A vantagem do usar o verbo é que faz o ator por sua atenção no outro ator. Isso permite que os atores afetem um ao outro e assim criando os eventos emocionais da cena.
    • Use verbos ao invés de emoções
    • Os verbos de ação descrevem uma troca emocional quando as pessoas fazem algo uma para outra. O público não se importa com o que os atores sentem e sim o que fazem com o que estão sentindo. Ou seja, o que vai acontecer?
    • Use verbos ao invés de atitudes
    • Quando um ator está interpretando uma atitude ele se concentra nele. “Estou sendo sexy o suficiente?” “Isso é raiva ou ira?”. Quando a concentração do ator está em si sua interpretação se torna exagerada e falsa.
    • Ao invés de pedir que um ator “interprete de maneira sexy” (adjetivo), pode pedir para paquerar, seduzir, flertar com a outra atriz. Isso muda o foco da concentração do ator e faz com que interaja com o elenco.
    • Use verbos ao invés de “diminua a intensidade” ou “com mais energia”
    • “Você deve ser malvado com ele, mas não tão malvado” O diretor poderia pedir para punir, avisar, coagir, reclamar.
    • Use verbos ao invés de “assim que vejo o personagem”
    • Atores e diretores gastam muito tempo discutindo se um personagem faria ou não tal coisa. “Ela é muito legal”, “Ele não iria flertar, ele é muito tímido”.
    • O que torna o personagem complexo é o fato de fazer coisas diferentes em momentos diferentes. Numa sequência o personagem pode encantar, desafiar, reclamar, seduzir e isso o torna complexo e imprevisível.
    • Use verbos ao invés de um julgamento
    • Ao invés de acusar um personagem de manipulador, procure identificar quais os comportamentos específicos de quem manipula. Talvez ele pode persuadir, adular, incentivar, demandar, punir e outros.
    • Use verbos ao invés de uma leitura de fala
    • O importante é não tentar ser uma lista de verbos, e sim poder dar direções que são interpretáveis quando entender que o que procura não é uma inflexão mas sim a intenção da fala.