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PÚBLICO de cara nova

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Primeira edição do diário português “PÚBLICO” com grafismo renovado (11.02.2007). …

Primeira edição do diário português “PÚBLICO” com grafismo renovado (11.02.2007).

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  • 1. Seg 12 Fev Edição Lisboa The Blues DVD ¤7.95 Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 Segundo de oito volumes Ano XVII, nº 6163 Portugal: 0,90€ (IVA incluído) da colecção produzida por Espanha: 2,00€ (IVA incluído) Director: José Manuel Fernandes Martin Scorsese. Amanhã Directores adjuntos: Nuno Pacheco e Manuel Carvalho Cinema Barack Obama Eastwood Quem é o homem que quer mudar a América YouTube Tem lixo e tem arte, como encontrar os melhores videos? Sim59% Não41% Abs56% Balanço ‘independente’ MAI fez ajuste directo ilegal de estudo dos fogos Agora sim a O Ministério da Administração In- terna contratou através de um ajuste directo no valor de 375,7 mil euros a empresa que fez “pela primeira vez” o balanço “independente” das opera- ções de combate aos incêndios flores- tais do ano passado. Três juristas que analisaram o despacho do secretário de Estado consideram que o mesmo é ilegal. c Nacional, 20/21 PUBLICIDADE ENRIC VIVES-RUBIO a“Sim” obteve mais um milhão de votos do que no referendo de 1998 aAbstenção acima de 50 por cento não torna o voto vinculativo aPS promete alterar depressa a lei e combater o aborto clandestino ¬ Desta vez o “sim” à despenalização tes, que imprimiu ao PS uma posição do aborto venceu. Numa noite que foi sem equívocos a favor do “sim”. Do curta no apuramento de resultados, lado perdedor, surgem na linha da confirmaram-se as expectativas for- frente a Igreja católica e Marcelo Re- madas pelas sondagens. O “sim” ficou belo de Sousa, na sua qualidade de Eleições em França muito próximo dos 60 por cento dos votantes, num referendo que voltou a “pai” político de um referendo que, pela segunda vez, não conseguiu atrair Ségolène Royal não atrair a metade de eleitores que a lei exige para que se torne vinculativo. mais de metade dos eleitores. A análise do mapa de resultados propõe pacto De qualquer forma, houve imediato consenso entre vencedores e vencidos confirma um país dividido ao meio, com o Sul a favor do “sim” e grande de esquerda em considerar que a abstenção não é parte do Norte a votar “não”. um obstáculo à passagem a lei do re- Deste referendo fica ainda a novi- a Ségolène Royal, a candidata socia- sultado da consulta popular. dade da participação dos movimentos lista que aspira a ser a primeira mulher O Partido Socialista compromete- cívicos, cuja mobilização, de ambos os Presidente de França, anunciou ontem se a tratar o tema com carácter de lados, animou uma campanha onde um plano em 100 pontos que assinala urgência em sede parlamentar. Nos os partidos não foram os principais uma clara mudança de política à es- vencedores da noite surge, de forma protagonistas. Agora a palavra é-lhes querda. Prometeu maior intervenção incontornável e destacada, José Sócra- devolvida na Assembleia. do Estado na economia e um modelo de redistribuição ainda mais generoso, tentando demarcar-se do liberalismo Tudo sobre a noite do referendo c páginas 2 a 17 de Nicolas Sarkozy. c Mundo, 24
  • 2. 2 • Público • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 Destaque Referendo 2007 Despenalização da interrupção voluntária da gravidez NUNO FERREIRA SANTOS Uma onda de felicidade inundou ontem o Hotel Altis, em Lisboa “Sim” vence dez semanas deverão ser indiciadas São José Almeida em Óbidos, mas deverão receber o É importante que Portugal a À segunda, foi. A lei que despenaliza consenso do PSD. combata o aborto clandestino o aborto a pedido da mulher até às dez Ontem, Marques Mendes, um dos em passo firme para uma com maioria semanas, em estabelecimento legal- perdedores da noite, deixou claro mente autorizado, vai ser submetida que não se oporá ao veredicto das sociedade mais aberta a votação final global com carácter de urnas e que a despenalização é para urgência, depois de ontem 59 por cen- seguir em frente no Parlamento, onde José Socrates ontem à noite expressiva to dos votantes se terem exprimido nas o PSD, aliás, deverá repetir a liberdade urnas a favor do “sim”. A abstenção, de voto. É também provável que os so- me da despenalização na campanha, na ordem dos 56,4 por cento, faz com cialistas venham a acordar com o PSD marcando a diferença de forma abissal que o resultado do referendo não seja os contornos da regulamentação. Um para a atitude de António Guterres, em e PS promete vinculativo, pois não votaram metade consenso de centro, suficientemente 1998, que cedeu então o referendo ao mais um dos eleitores. Mas, ontem à abrangente, para que a lei resista à líder do PSD, Marcelo Rebelo de Sousa, noite, todas as forças políticas foram contestação e à polémica que o CDS e bloqueando a acção do PS em relação consensuais a aceitar a inevitabilidade o movimento Plataforma Não Obriga- à campanha e acabando mesmo por aprovação política da aprovação da lei. Até por- da já prometeram. afirmar que era partidário do “não”. que esse foi o compromisso assumido Mas se esta é uma vitória de Sócrates pelo primeiro-ministro e líder do PS, Vitória pessoal de Sócrates ela é igualmente a solução do último José Sócrates, ainda antes da campa- Se esta é uma vitória do PS, ela é, compromisso com os partidos mais urgente da lei nha, no Congresso do PS, que se reali- sobretudo, a vitória do próprio José à esquerda e particularmente com zou em Novembro, em Santarém. Sócrates. Não só pela forma pessoa- o BE que Sócrates transportava con- A certeza da celeridade na finali- líssima como assumiu esta causa:ins- sigo desde a sua eleição como secre- zação do processo legislativo sobre creveu-a no programa eleitoral e no tário-geral, a receber a herança do a despenalização é garantida pelos programa do Governo e insistiu na guterrismo neste dossier. Agora, está socialistas e foi ontem afirmado pe- repetição do referendo. Mas também liberto de compromissos com o Bloco lo primeiro-ministro, José Sócrates. pela forma como deu a cara em no- de Esquerda. Com carácter de urgência, seguir- se-á a posterior regulamentação da A força dos cidadãos lei. Ontem, o primeiro-ministro não Os números finais A vitória do “sim” foi também uma adiantou pormenores sobre a solução vitória do BE. Desde o início da dis- a adoptar, apenas deu dois sinais: vai cussão sobre a repetição do referendo, seguir soluções em vigor noutros paí- 2238053 pelo “Sim” ou seja, praticamente desde a anterior Sócrates obteve uma vitória ses e garantirá um período de reflexão Com mais quase um milhão de consulta popular, que o BE tem sido à mulher que quer abortar. A próxima votos do que em 1998, graças a categórico na defesa da necessidade pessoal. Mas a vitória foi também intervenção de Sócrates sobre o assun- uma maior mobilização, o “Sim” de não fugir a esta etapa de legitima- to deverá ser feita depois de amanhã, ganhou agora por 18,5 pontos. ção popular da lei. Ontem, Francisco da ideia de que a participação cívica em Óbidos, o palco escolhido pelo PS Louçã não deixou de puxar pelos seus para, numas jornadas parlamentares, 1539078 pelo “Não” louros de ganhador, marcando a dife- é possível. Segue-se a aprovação dar ao primeiro-ministro espaço para A diminuição da abstenção rença de atitude em relação ao PCP. cantar vitória neste referendo. ainda permitiu que, mesmo Isto porque os comunistas entraram final da lei e a sua regulamentação, As decisões que Sócrates venha a perdendo, o “Não” recolhesse na campanha do “sim” com tudo, mas tomar sobre o tipo de regulamenta- este ano mais 200 mil votos. nunca deixaram de afirmar a sua opo- com carácter de urgência ção da lei da despenalização até às sição absoluta ao facto de o PS ter op-
  • 3. Público • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 • 3 O movimento do “Não” mostrou profissionalismo mesmo na derrota MIGUEL MADEIRA tado por repetir o referendo. O resultado de ontem foi ainda uma clara vitória dos movimentos de cida- Presidente ao votar Cavaco desaconselha O dia seguinte à escolha dos portugueses dãos. Quer do lado do “não” quer do lado do “sim” surgiram, pela primeira precipitação sobre vez, em momentos de decisão nas ur- Lei do Referendo deveriam ocupar os legisladores deixará de se colocar é a da nas, grupos de cidadãos organizados Editorial é, depois de alterado o artigo do objecção de consciência dos em torno de uma causa. Pelo lado Com níveis de abstenção Código Penal, de tirar partido médicos. Em França, quando a lei do “não” e prometendo não desistir superiores a 50 por cento, o da nova realidade para que o foi introduzida, o tema gerou uma – Isilda Pegado e Pinheiro Torres foram referendo não foi vinculativo. E número de abortos, agora legais, crise e quase levou à dissolução peremptórios – a Plataforma Não Obri- embora o número de votantes não aumente, antes diminua. da respectiva Ordem. Ora num gada mostrou uma capacidade de mo- tenha sido superior ao anterior A experiência de outros países país onde os médicos têm de bilização e um profissionalismo que referendo, foi inferior ao da mostra que se pode evoluir em seguir um Código Deontológico foi inédito e que, até certo ponto, consulta sobre regionalização. direcções diferentes e isso tem que nem contempla as situações aumenta o peso da sua derrota. Esta situação volta a avivar o muito a ver, por exemplo, com a despenalizadas desde 1984, são Do lado do “sim” o Movimento Res- debate sobre a necessidade ou prevalência de problemas como a de prever problemas na aplicação José Manuel Fernandes ponsabilidade e Cidadania, como prin- não de rever a Lei do Referendo. gravidez adolescente ou o défice em concreto da nova legislação, cipal agrupamento, era o outro grande Isto porque, face ao carácter a Os eleitores deram, desta vez, de informação sobre planeamento sobretudo nos serviços públicos. vencedor da noite. E isso foi visível na vinculativo voltar a ser nulo, uma maioria confortável ao “sim”. familiar tanto nos serviços de Aqui aconselha-se prudência onda de felicidade que irrompeu no discute-se o interesse da O que significa que a Assembleia saúde ou entre as comunidades e persuasão, assim como a Hotel Altis, em Lisboa, quando foram claúsula legal de vinculação. da República pode, como foi pior integradas. A experiência utilização do sector privado. anunciadas as projecções. Em 1998, esta discussão foi prometido pela maioria dos de países que têm lidado com A quarta questão remete para Agregando personalidades de várias lançada durante a campanha partidos, modificar o artigo do situações mais complexas indica as sempre adiadas promessas áreas da esquerda, algumas até então por figuras como Jorge Sampaio, Código Penal que criminalizava a que estes problemas não se de ter políticas que contrariem em ruptura, este movimento, ainda que defendeu que a lei poderia interrupção da gravidez a não ser resolvem apenas nas escolas ou a tendência dos portugueses que com contornos absolutamente ser alterada. Ontem, o actual em circunstâncias excepcionais. no consultório médico, antes para terem cada vez menos amadores em alguns aspectos orga- Presidente da República, Por isso, o dia seguinte à escolha promovendo uma cultura de filhos. Não há qualquer relação nizacionais, revelou uma dinâmica Cavaco Silva, desaconselhou dos portugueses é também o dia responsabilidade nas relações de directa entre a liberdade dada inédita na sociedade civil portuguesa qualquer alteração legislativa em que os eleitores devolvem aos onde possa resultar uma gravidez. à mulher para interromper em torno de causas políticas. Daí que precipitada: “É matéria que seus representantes o direito e o Estude-se, neste domínio, o uma gravidez e a necessidade uma das incógnitas para o “day after” deve ser analisada, mas não me dever de legislar olhando para o exemplo inglês. que o país tem de que nasçam do referendo seja a de saber o que vai parece que, com tanta facilidade futuro e tendo em conta os sinais A segunda questão que a mais crianças, pois ninguém é acontecer a esta nova onda de parti- ou rapidez se possa pôr de parte saídos da campanha. lei ou a sua regulamentação responsável por carregar sozinho cipação cívica. o instrumento do referendo.” Na verdade é bom estar deveriam prever é a conveniência um peso que cabe a todos. Há, Falando depois de votar, Cavaco consciente que os problemas não da interrupção voluntária da contudo, necessidade de, agora acrescentou, segundo a Lusa: acabam no momento em que gravidez poder ser antecedida por que desapareceu da agenda um Uma das incógnitas do “Talvez seja matéria para a for revisto o famoso artigo do uma consulta de aconselhamento. tema que impedia a discussão Assembleia meditar, mas pode Código Penal. Podem acabar as Por incrível que pareça, há de outros, tratar de melhorar as “day after” do referendo ser precipitado pôr já de lado a investigações e os julgamentos, parteiras clandestinas que já o condições para uma maternidade passa por saber o que vai possibilidade de os portugueses mas não desaparece o país e o faziam, mesmo podendo perder e uma paternidade responsáveis se pronunciarem directamente” povo que, tendo até agora uma lei nessa conversa uma cliente. e adaptadas às exigências da vida acontecer a esta nova onda sobre temas “consideradas idêntica à espanhola, aplicavam- Práticas deste tipo são regra em neste início do século XXI. Aí importantes” para o país. na de forma bem distinta. muitos países europeus. convinha olhar para, por exemplo, de participação cívica A primeira questão de que se A terceira questão que não os países nórdicos.
  • 4. 4 • Público • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 Destaque Referendo 2007 Um país que continua dividido entre Norte e Sul 2007 Sondagem pós-referendo Homens foram mais pelo “sim” do que as mulheres Foram os homens, e particulares ou estar não as mulheres, os que longe do local de voto. O mais terão contribuído tema de o referendo não para a vitória do lhe interessar ou manter- “sim” no referendo de -se indeciso sobre como ontem, revela uma votar foi referido por um sondagem telefónica da quarto dos entrevistados. Intercampus para a TVI e Apesar de nova baixa o Rádio Clube Português participação eleitoral, a cujos dados o PÚBLICO esta sondagem detectou teve acesso. Este dado, o interesse dos eleitores coincidente com o de para se pronunciarem algumas sondagens em referendo sobre a realizadas antes das eutanásia, a liberalização eleições, é em parte do consumo de drogas explicado por o número leves, a reintrodução de mulheres com mais da pena de morte, o 55 anos ser superior ao casamento homossexual número de homens e os e a adopção de crianças eleitores mais idosos por homossexuais. tenderem a votar “não” Este estudo foi enquanto os mais novos realizado ontem pela se inclinaram, de forma Intercampus para a quase esmagadora, TVI e o Rádio Clube para o “sim”. Os eleitores Português. O universo com filhos, os casados, é constituído pela os que vivem em união população portuguesa de facto e os viúvos eleitoralmente também se inclinaram recenseada, de ambos proporcionalmente os sexos, residente em menos para o “sim” do Portugal, com mais de 18 que os solteiros e os anos. A informação foi separados ou divorciados. recolhida através de 1043 Entre os inquiridos entrevistas telefónicas pela Intercampus para a residência dos que admitiram não inquiridos. A margem ter votado, os motivos de erro associada é de mais vezes invocados 3,0%, com um nível de foram impedimentos confiança de 95%. 1998
  • 5. 6 • Público • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 Destaque Referendo 2007 Legislação será inspirada nas “boas práticas” de países desenvolvidos DANIEL ROCHA José Socrates entrou com uma expressão fechada na sede do PS e não se mostrou nunca muito emotivo José Sócrates sem euforias não revela para já como a lei vai ser aplicada O líder do PS falou pelas 21h na da direita e dos movimentos do “não”, por dizer, ladeada por representantes Primeiro-ministro sede socialista, em Lisboa, uma hora José Sócrates disse que a vitória do de todos os movimentos. “Os resulta- garante que discussão depois de as televisões terem avan- “sim” mostra que o seu envolvimento dos são um sinal inequívoco para que çado com a “vitória inequívoca” do na campanha foi justificado. “Este re- a Assembleia da República legisle de no Parlamento vai ser “sim”. O ambiente ao longo da noite sultado veio-nos dar razão”, afirmou, acordo com a vontade dos portugue- feita “de imediato” no Largo do Rato foi sempre sereno, sugerindo que quase nove anos depois ses”, afirmou, sublinhando depois que sem manifestações de entusiasmo da última votação sobre a interrupção “a partir de agora, as mulheres vão ser nem multidões, tendo estado apenas voluntária da gravidez era necessário tratadas com o respeito e a dignidade Ricardo Dias Felner reunido o núcleo duro de militantes voltar a auscultar a população. que merecem desde sempre e amanhã a Era a grande dúvida da noite, após do Governo e do PS. vamos arregaçar as mangas e come- saber-se o resultado do referendo, mas O secretário-geral socialista entrou çar a trabalhar para que este sonho o primeiro-ministro e secretário-geral na sala de imprensa com a expressão se concretize.” do PS não quis adiantar pormenores. fechada que normalmente usa nas in- Abraços, lágrimas As ovações interromperam por Sobre a forma como irá ser aplicada a tervenções como primeiro-ministro. e champanhe num O “sim” fez a festa diversas vezes a breve declaração e lei, José Sócrates apenas disse que ha- Nunca hostilizando os derrotados da soaram mais fortes quando a médica verá um período de reflexão, para que noite, Sócrates louvou a “participação “dia muito feliz para a concentrados junto aos televisores, li- deu voz a um sentimento que todos “a opção da mulher seja mais reflec- significativamente superior” compara- democracia” bertaram a tensão acumulada ao longo ali partilhavam: “Hoje é um dia muito tida e ponderada”. Quanto ao resto, tivamente com o referendo de 1998, de todo o dia e insuflada pelas notícias feliz para a democracia”. limitou-se a sublinhar que serão tidas repetiu que “em democracia o refe- da parca afluência às urnas. “Ao fim A festa foi dos movimentos cívicos, Maria José Oliveira em conta as “boas práticas” de outros rendo é sempre vinculativo”, elogiou destes anos todos...”, dizia uma acti- mas também houve elogios para o países desenvolvidos. o “debate aberto” e garantiu que não a Gritos de “vitória, vitória”, bandei- vista, comovida, enquanto olhava para “empenho” dos membros dos parti- Em causa estão, por exemplo, o mo- esteve em causa “derrotar ninguém”, ras verdes e brancas no ar e um longo os ecrãs de televisão. dos. Acorreram ao Altis Vasco Rato, delo de financiamento das interrup- nem se tratou de um “confronto entre aplauso acompanhado de gritos de ale- Seguiram-se abraços e beijos, abri- Leonor Coutinho, Helena Pinto, Sónia ções voluntárias da gravidez e a for- partidos”. gria. Quando as estações de televisão ram-se garrafas de champanhe, algu- Fertuzinhos e Pedro Nuno Santos. Ape- ma como será feito o aconselhamento Quanto à discussão da lei, o secretá- anunciaram a antevisão dos resultados mas mulheres que lutam há anos pela sar do contentamento partilhado por médico, dois tópicos muito debatidos rio-geral sublinhou que a Assembleia do segundo referendo sobre a inter- despenalização da IVG — como Maria militantes e activistas e do consenso durante a campanha — e duas questões da República começará a trabalhar o rupção voluntária da gravidez (IVG), Antónia Palla, Ana Sara Brito, Lígia sobre a vitória do “sim”, as leituras so- que, no entender do primeiro-minis- diploma “de imediato” e que as três às 20h em ponto, a sala do Hotel Altis, Amâncio ou Manuela Tavares — não bre a taxa de abstenção dividiam-se. tro, são para já secundárias. O “mais deputadas da bancada do PS que fize- em Lisboa, irrompeu em alegria. esconderam a comoção. Choraram e De um lado estavam os movimentos, importante”, reforçou Sócrates, é que ram campanha pelo “não” serão sub- Centenas de activistas de cinco mo- cantaram em coro “vitória, vitória”. defensores de uma análise profunda Portugal combata o aborto clandesti- metidas à disciplina de voto imposta vimentos cívicos pelo “sim” ( Jovens Das projecções para a primeira de- dos resultados; do outro, os membros no “na linha do que fizeram os países pelo grupo parlamentar. pelo Sim, Cidadania e Responsabili- claração da noite, feita pela médica dos partidos, despreocupados com a mais desenvolvidos”, em “passo firme Por fim, naquilo que pareceu uma dade pelo Sim, Em Movimento pelo Maria José Alves, o salto foi rápido. abstenção e optando antes por relevar para uma sociedade mais aberta”. reacção às críticas feitas pelos partidos Sim, Médicos pela Escolha e Voto Sim), “Boa noite, o sim ganhou”, começou o aumento da votação face a 1998.
  • 6. Público • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 • 7 Marques Mendes respeita o ‘sim’ mas põe condições à aprovação do novo diploma Rostos tristes entre os apoiantes do “não” só mesmo até às dez semanas”, dizia ENRIC VIVES-RUBIO Sede do PSD sem festa alguém. Mas a frase mais repetida nem lamentos e com era outra: “Só já faltam oito anos”. Muitos queriam um novo referendo. mais jornalistas que Pinheiro Torres, da associação Juntos militantes pela Vida, era um deles: “Quando as circunstâncias políticas o permitirem, tentaremos revogar esta lei”. Leonete Botelho A noite decorreu sem sobressaltos. a No PSD, tudo se passou como há Aplausos para o discurso de Pegado. oito anos atrás... só que ao contrário. Apupos para o discurso de Sócrates. O O partido deu liberdade de voto, tal mau perder revelou-se uma única vez, como em 1998; o líder fez campanha quando alguém subiu o volume para pelo “não”, como na altura fez Marcelo ouvir o discurso do primeiro-ministro. Rebelo de Sousa; a sede do partido não Pedro Líbano Monteiro, mandatário fi- se preparou para ser palco de festas. nanceiro, mandou silenciar o socialista Mas desta vez venceu o “sim”, para ao mesmo tempo que dizia “eu não o a felicidade exuberante de Assunção convidei”. Uma mulher atirou: “a tua Esteves, a vice-presidente “laranja” mãe era uma grande mulher, senão que passeou ontem pela S. Caetano à não estavas aqui...” Lapa como gata pelas brasas. Já a passagem de algumas perso- Foi esta coerência que o presidente nalidades pouco agitou a sede. Zita do partido sublinhou ontem à noite, Seabra, ex-comunista e deputada do 40 minutos depois de conhecidas as PSD, Ribeiro e Castro, presidente do projecções da noite referendária: a CDS, e Braga da Cruz, reitor da Uni- consulta popular voltou a não ser “ju- versidade Católica, passaram quase ridicamente vinculativa” mas, apesar despercebidos. disso, a vontade da maioria “deve ser respeitada”. “É um imperativo de coe- rência, adoptar o mesmo princípio de Movimentos do “não” há oito anos, quando venceu o não”, prometem luta para declarou Mendes. Estava traçado o rumo do maior hoje, amanhã e daqui partido da oposição na legislação a oito anos que se segue, mas não sem avisos à maioria. Num “apelo ao Parlamento”, Nuno Sá Lourenço Mendes lembrou que a votação mos- tra “um país dividido” e que é preciso a Vencidos mas não derrotados. A “evitar clivagens e radicalismos”. Por noite da Plataforma Não Obrigada e isso, defende que a nova lei deve ser movimento Diz que Não decorreu marcada por “critérios de prudência ontem sem grandes dramas e com e equilíbrio”. promessas de contestação à mudan- Concretamente, aponta duas exi- ça do Código Penal. gências, que poderão ser condições Durante a noite, na baixa lisboeta, para aprovar a lei: a obrigatoriedade poucas eram as expressões abatidas do período de aconselhamento da mesmo depois de se ter tornado ób- mulher inclinada a abortar e dar “um via a vitória não vinculativa do “sim”. sinal claro de compromisso do Estado Entre os activistas discutia-se o que fa- no apoio a uma política de prevenção zer, a partir de agora, para contrariar e ataque às causas” do aborto. Ou seja, a despenalização. apoiar as mulheres grávidas em situ- Isilda Pegado, uma das figuras da ação de carência e as instituições de Plataforma, assumia a batalha já para defesa da vida, especificou. os próximos dias. “Se se mantiverem Mendes fez ainda uma menção ao estes resultados, 75 por cento dos “excelente exemplo de cidadania” de portugueses não disseram sim à alte- muitos movimentos cívicos que se ração da actual lei.” Pegado questiona organizaram para a campanha e re- a autoridade para mudar a lei sem a cusou qualquer derrota pessoal por ter participação de mais de 50 por cento participado na campanha pelo “não”. dos eleitores. “É um estudo que tem de “Num referendo que não é partidário, ser feito pelos constitucionalistas. E o não há resultados políticos”, frisou. Presidente da República vai ter de ana- Pela sua parte, fez “o que devia”, de- lisar a questão se promulgar a lei.” fendeu aquilo em que acredita. Na sala, os activistas davam largas De resto, a sede do partido foi mais aos seus piores receios. “Temos que dos jornalistas que dos filiados. A en- estar atentos se os abortos vão ser tourage chegou já após as 19h: Marques Mendes e o vice-presidente Azevedo Soares quase juntos; Miguel Macedo, o porta-voz, subiu os degraus dois a dois, cinco minutos depois. Juntaram-se a outros três dirigentes e por lá ficaram, longe dos olhares dos jornalistas. A grande sala de visitas, preparada com quatro pequenos televisores e um ecrã gigante, foi grande demais para a dúzia de militantes que acorreram à sede. E durante as cerca de duas horas em que por lá andou gente o ambiente não foi nem de festa nem de enterro: simplesmente não houve ambiente. Mendes destacou a cidadania
  • 7. 8 • Público • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 Destaque Referendo 2007 A noite da votação nas sedes dos partidos Esquerda RUI GAUDENCIO comemora e direita promete continuar a luta penhamento e da contribuição dados PCP O partido que não pela acção e campanha que o partido queria o referendo desenvolveu”. O fait divers da noite na Soeiro Pereira Gomes foi a vitória realçou o seu contributo esmagadora do “sim” em Pirescoxe, na vitória do “sim” a freguesia operária de Santa Iria de Azóia que viu nascer o secretário-geral do PCP – mil eleitores votaram “sim” e Diana Ralha apenas 169 optaram pelo “não”. a Na sede do partido que se bate há Os comunistas, que, no passado, mais anos pela despenalização da apresentaram uma proposta legislativa interrupção voluntária da gravidez e que despenalizava o aborto até às 12 que, no entanto, se opôs à realização semanas, admitem recuar até às dez. de um segundo referendo, não se ouvi- “A pergunta era muito concreta. Inde- ram palmas ou ovações aos primeiros pendentemente de considerarmos que segundos das oito da noite, quando se podia dar um passo mais adiante, divulgadas as primeiras projecções. este já é um passo muito grande que Com uma casa cheia de jornalistas e irá resolver a maioria das situações”, com muito poucos militantes presen- afirmou o secretário-geral do PCP. tes – que optaram por se concentrar e festejar aos resultados na sede do mo- vimento cívico pelo “sim” – , o secretá- CDS Sócrates rio-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, exigiu “a rápida concretização do pro- responsabilizado por cesso legislativo que contribua para uma das “páginas tristes não prolongar o tempo perdido”. Para Jerónimo de Sousa, houve ape- da História portuguesa” nas um vencedor no referendo sobre a despenalização da interrupção volun- Isabel Leiria tária da gravidez: a mulher portugue- sa. “Que ninguém erga a taça. Esta é a Pela manhã, José Ribeiro e Castro, uma vitória das mulheres.” líder do único partido com assento Vitória à parte, o secretário-geral parlamentar a defender oficialmente não deixou passar em branco, na sua o “não” no referendo de ontem, dizia declaração, feita perto das 21h, “a com- esperar “ter razões para estar contente provada inadequação do recurso à fi- ao fim do dia”. Conhecidos os resulta- gura do referendo em matéria que a dos, já na sede do CDS-PP, no Largo do Assembleia da República não só podia, Caldas, os sentimentos eram, afinal, de como devia, ter assumido”. “Não era “mágoa, serenidade e determinação”, preciso o referendo”, afirmou, acu- admitia o próprio. Mas com a certeza sando o Governo PS e o BE de terem de que o partido votará “contra as leis Ribeiro e Castro não escondeu a adiado a resolução do problema por de liberalização do aborto” e que pug- sua mágua pela derrota do “não” mais dois anos. nará, “no futuro, pela sua alteração”. Se A abstenção também foi alvo de o CDS-PP voltar ao Governo, é isso que pública”, passando pelo “abuso de em- em direcção ao “século XXI”. pressivo na alegria. A declaração da interpretação por parte de Jerónimo fará, reforçou Ribeiro e Castro. presas especializadas no aborto, que “Agora é tempo de olhar para o médica Maria José Alves, em nome dos de Sousa: “A grande maioria dos por- Com um cartaz rosa e branco por exploram um negócio de violência so- futuro”, convidou o coordenador do movimentos cívicos que fizeram cam- tugueses que não votou fê-lo porque trás, onde se via uma impressão di- bre a vulnerabilidade da mulher, com partido, Francisco Louçã, apelando “a panha pelo “sim”, foi recebida com a Assembleia tinha legitimidade para gital e um feto no meio e o lema Ne- o financiamento do Estado”. todos que agora se juntem à imensa uma ruidosa salva de palmas. Ribei- legislar”. nhuma vida é de mais, o líder popular Uma hora antes, João Vacas, da co- maioria que decidirá” a regulamenta- ro e Castro foi o único que conseguiu O contributo do partido no resulta- afirmou peremptoriamente que o missão política, afirmara que o nível ção da lei, que deve, nomeadamente, tirar o sorriso da cara de Louçã, que do de um referendo que o PCP sempre primeiro-ministro “ficará responsável de abstenção mostrou “que esta não “impedir que a objecção de cons- abanava a cabeça enquanto criticava o considerou desnecessário foi, porém, por uma das páginas tristes da História era uma questão essencial para os por- ciência obstaculize” o cumprimento “descaramento” do líder do CDS-PP. realçado pelo seu secretário-geral: “Os portuguesa”. Porque, com a vitória do tugueses” e que se tinha aberto “uma da despenalização do aborto até às Feita a declaração da noite pelo co- resultados obtidos em zonas de maior “sim” e a subsequente “liberalização fractura artificial na sociedade”. dez semanas pelo Serviço Nacional ordenador do partido – ainda houve afluência do PCP são expressão do em- total do aborto até às 10 semanas de de Saúde. “Nos próximos dias, po- quem pedisse a palavra para “uma gestação”, “Portugal desacertou o pas- deremos entrar finalmente no século mulher”, mas Ana Drago diria que “a so com a História”, justificou. BE Louçã convida XXI e na Europa em que queremos vitória é de todos” –, o eurodeputado Acompanhado por vários dirigen- “todos” a contribuírem estar”, vincou. Miguel Portas depressa pôs em marcha tes do partido, que se mantiveram à A tensão foi muita antes de anun- uma comitiva de gente e de bandeiras entrada da sala de imprensa e apenas para regulamentar a lei ciadas as sondagens, com os princi- verdes com a palavra “sim”, em direc- pontualmente aplaudiram a interven- pais dirigentes do BE a, volta e meia, ção ao Hotel Altis, a umas centenas de ção, Ribeiro e Castro reafirmou a con- escaparem para uma salinha mais metros, onde se reuniam os movimen- Sofia Branco vicção de que a alteração da legislação recatada. tos pela despenalização. Porque a “vi- “fere a matriz humanista da História” e a “Hoje é o primeiro dia do resto da Oito minutos para as oito e um tória não é dos partidos políticos, mas consagra “uma dupla violência: sobre tua vida.” A voz de Sérgio Godinho militante anunciava que, apuradas dos cidadãos”, reconheceu Louçã. o filho e sobre a mulher, mãe”. saía assim das colunas de som após a 1979 freguesias, o “sim” acabava de Fazendo ouvidos moucos a quem O CDS promete, no entanto, escru- intervenção de Francisco Louçã. An- ultrapassar o “não”. “Agora é sempre lhe pedia para desacelerar o passo e tinar tudo o que vai seguir-se: desde tes, tinha cantado que “a vida é feita de a subir”, animava. animado com as buzinadelas de apoio o “conteúdo e a constitucionalidade pequenos nadas”. Mas, ontem à noite, Conhecidas as projecções, os olhos vindas dos carros que por ali circula- das leis e regulamentos que a maioria para os militantes do Bloco de Esquer- estiveram sempre postos no grande vam, Miguel Portas estugava o passo, socialista e o Governo se preparam pa- da reunidos numa sala do hotel Sofitel, ecrã, que ia saltando de canal em comentando: “Esta [vitória] sabe-me Jerónimo esteve discreto ra adoptar”, às “prioridades de saúde em Lisboa, o país deu um grande passo canal. Francisco Louçã era o mais ex- bem, demos o litro”.
  • 8. Público • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 • 9 A festa do “não” e a não-festa do “sim” frente, na vetusta Associação — estão na rua a fumar. “Este NUNO FERREIRA SANTOS Reportagem Comercial de Lisboa, com o seu mês tivemos várias vitórias. Cada interior apalaçado de mármore pessoa que convencemos de e alabastro, o “não” montou a que o aborto é um mal foi uma Kathleen Gomes sua sede em noite de referendo. vitória”, diz José Maria Duque. Houve champanhe mas o Com banca no átrio de entrada, “A vida não acabou hoje. O mais para quem quiser adquirir, certo é sairmos daqui e irmo-nos “sim” não saiu à rua. E o ainda, o merchandising do “não” divertir”. “não” montou a sede na — os bonecos de plástico de um E quando sairão daqui? Baixa de Lisboa, um bom embrião com 10/12 semanas “Quando a festa acabar.” lugar para celebrar vitórias custam um euro. Já passa da nove da noite e no São 19h30 e dentro de meia Hotel Altis há uma garrafa de hora tudo isto terá desaparecido. champanhe vazia num cinzeiro. a A Rua das Portas de Santo Dentro de meia hora, a SIC Sorrisos, abraços. Uma mulher Antão, em Lisboa, é um bom lugar antecipa a vitória do “sim”, com brinca com uma criança: “Estás para celebrar vitórias. Porta- imagens em directo — esfuziantes contente, é? Mas tu não votaste...” sim, porta-não há néons, as luzes — da respectiva sede. Os defensores do “sim” começam competem entre si. O silêncio é absoluto na a sair para a rua, de bandeiras Há famílias a sair da sessão da Associação Comercial de Lisboa. verdes ao ombro. Meia dúzia de tarde do Música no Coração de La Mas não foi isso que as jovens gritam “votámos sim!” à Féria, no Politeama, ao mesmo televisões mostraram. Quando porta do hotel — show off para as tempo que a fila se adensa no as câmaras se ligaram e Isilda O show off à saída do Hotel Altis câmaras dos fotógrafos. Coliseu dos Recreios onde, daqui Pegado disse “boa noite a todos”, O Marquês de Pombal, rotunda a nada, haverá concerto dos Nine a sala rompeu em palmas. está a passar aqui? “Sim”, diz ele. voto de Santos-o-Velho para aqui, de celebrações eleitorais e Inch Nails — que rapazes de rímel “A noite ainda é uma criança”, “Também somos contra.” Ela: depois da contagem ter dado a futebolísticas, é já ali ao lado, mas esperavam ver em Portugal há diz alguém. Um jornalista da TVI “Bela sala, a de lá de cima.” vitória ao “sim” na sua freguesia. não há programa de festa. mais tempo do que o anterior fala com o filho, por telemóvel: De vez em quando, o “não” Não que isso o desanimasse: “Não “Isto não é propriamente referendo. “Não perca a esperança...” festeja — quando os resultados achei que fosse representativo do uma coisa de apitar...”, justifica É uma improvável vizinhança Um casal de turistas belgas vem na Madeira são divulgados, por país”. Daniel Oliveira, dirigente do para os movimentos de apoio ver as vistas. Descem a escadaria, exemplo — e os festejos ouvem-se Ele e os amigos — todos do Bloco de Esquerda e porta-voz do ao “não” — mas ninguém lançam um último olhar aos na rua. Bernardo Gomes de Castro movimento Diz Que Não, com movimento Voto Sim. “Cada um escolhe os vizinhos. Mesmo em altos-relevos. Sabem o que se veio directamente da mesa de idades entre os 23 e os 18 anos festejará como quiser.” PUBLICIDADE
  • 9. 10 • Público • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 Destaque Referendo 2007 Os dias diferentes de um pároco e de um ginecologista-obstetra A consciência é um santuário íntimo, mas o padre Geraldo quer educá-la PEDRO CUNHA Reportagem Bárbara Wong É um homem carinhoso para com os seus fiéis, mas pouco compreensivo para com os que votam “sim”. a À porta da igreja de São Pedro, dentro das muralhas de Óbidos, entre os avisos da catequese e da Cáritas, há uma página com um poema: “A criança que queria nascer”. Diz: “Era tão pequeno, que ninguém o via” (...) “foi sacrificado, enquanto dormia/ esterilizado, com toda a mestria” (...) “Negaram-lhe tudo, o destino inteiro/ porque os abortistas nasceram primeiro”. Não está assinado. Lá dentro, num outro placard, o mesmo poema. Na missa do meio- dia, o padre Paulo Geraldo, de 43 anos, não fala sobre “abortistas” nem sobre o aborto. É dia de ir às urnas e o sacerdote não quer fazer campanha. A única vez que se refere ao assunto é por entre os habituais avisos semanais: vai haver um retiro quaresmal, uma peregrinação a Fátima, um curso bíblico, estão abertas as inscrições para a preparação para o crisma e já agora “hoje é dia de voto... Construam um mundo melhor, mais justo e mais O padre Geraldo diz que os padres que são a favor do “sim” fazem-no de um modo um pouco tonto humano”, apela. Três horas antes, na Igreja de gesto hora e meia depois, na igreja publicamente que votariam “sim”. de produtores e comerciantes de decidir se queriam ser esclarecidas Nossa Senhora do Rosário, na de São Pedro de Óbidos, onde “Neste ponto a doutrina da Igreja fruta; outras mais urbanas. Durante sobre o tema, só três o pediram. Usseira, uma povoação agrícola aproveita para desejar os parabéns a não admite outra perspectiva [que o tempo da campanha, só houve “A Igreja diz que a consciência a poucos quilómetros de Óbidos uma paroquiana. No final da missa, não seja contra o aborto]”. E os um domingo em que aproveitou a é um santuário íntimo, ao qual se a deixa praticamente a mesma vem até à porta da rua, para se padres que são a favor da mudança homília para falar contra o aborto, deve obedecer, mesmo que não se mensagem. Nem mais uma palavra despedir de todos e desejar uma boa da lei? “Dizem-no em nome pessoal, diz. “Parece que querem encontrar conduza pelos ditames da Igreja. sobre o tema. É já no carro e durante semana. de uma maneira um bocado tonta e outras formas de desengravidar. Mas o nosso dever é educar as a curta viagem de Usseira para o Este é o mesmo homem que se que não é para levar a sério.” A única possibilidade é a consciências”. É o que o padre Vau, perto da Lagoa de Óbidos, que revela pouco compreensivo para A comunidade de Óbidos tem maternidade”, resume. Nesse tempo, Geraldo vai fazer, agora que o “sim” fala sobre o aborto: “A posição da com os católicos que declararam sete paróquias, umas mais rurais, as paróquias tiveram liberdade para ganhou. Igreja é clara. O porta-voz, que é o Papa, está farto de falar sobre o tema. Antes de se pôr esta questão já o Concílio Vaticano II, há 40 anos, chamou ao aborto um crime O médico que fez “dezenas” de abortos e festejou o “sim” horrendo”. várias na fachada. Um edifício “consultas normais de ginecologia”, o cytotec não resulta ou já não Alexandra Lucas Coelho “Não é para levar a sério” nobre do centro da cidade, cheio de fizesse em condições seguras o que a pode ser tomado, faz aspirações. O padre Geraldo é um homem Num prédio nobre de Lisboa, consultórios. lei penalizava. Um aborto que implique a pequena amoroso e atencioso para com os Não é o cliché da clandestinidade Respeitando “os colegas que cirurgia (raspagem ou aspiração) seus paroquianos. “Vim para fazer A., que é estrangeiro, tem e A. não é uma parteira. É consideram que a prática abortiva pode custar até 500 euros, incluindo desta gente a minha família. Foi por atendido portuguesas entre ginecologista-obstetra desde 1976, e não entra na profissão”, A. encara consulta e ecografia. O seu “limite isso que não me casei”, justifica. os 25 e os 40 anos concluiu a especialidade com uma “a interrupção voluntária da pessoal” são as 24 semanas, a partir Está em Óbidos há quatro meses, tese sobre as consequências do gravidez como parte do espectro das quais “há uma viabilidade do antes estivera dez anos em Colares, a 20h05. Uma campainha desata aborto clandestino. Isto, num país O médico feto” e “o feto já pode sentir algo”. perto de Sintra, para onde seguirá a tocar no bolso de A. “Si, si, da União Europeia, onde exerceu os espanhol diz Sala a sala, A. mostra um depois do almoço, para votar. ganhámos, estou mui contento”, primeiros dez anos. Quando a actual que a saúde consultório equipado para tudo isto. É com um sorriso que acolhe atende ele, já à porta do consultório, lei espanhola sobre o aborto foi pública não é só De resto, a equipa é pequena, “uma as malandrices que os pequenos com metade do casaco vestido. “Si, aprovada, em 1986, mudou-se para da competência secretária e duas assistentes”, uma acólitos fazem em cima do altar. agora vou para o Altis.” Juntar-se aos Espanha, onde teve uma clínica até do Estado, mas delas com formação de enfermagem. O mesmo sorriso com que afaga o portugueses que votaram “sim”. A. 2000. dos médicos Mas a maioria das consultas, rosto da velhinha que se arrasta até não votou porque não é português. Foi então que se instalou em envolvidos afirma, são consultas normais de à sacristia para, com saudades da De resto, o referendo dizia-lhe muito Lisboa. Por razões pessoais (uma profissional”. ginecologia. “O meu consultório não voz do marido que partiu, pedir ao directamente respeito. É o seu separação) e porque cada vez mais Nesta mesma sala, recebeu nos depende de cobrar mais ou menos sacerdote que reze por ele. nome que está escrito na placa deste médicos e enfermeiros espanhóis últimos quatro anos mulheres pelos abortos.” Além disso, crê, Durante a missa, por entre os consultório-clínica no centro de encontravam trabalho em Portugal, “sobretudo de classe média alta”, continuará a haver uma faixa de ritos, o padre Geraldo desce do altar Lisboa onde desde 2003 “dezenas de mas não só. “Não escondo que entre os 25 e os 40 anos. Nos casos mulheres a preferir a discrição das para dar o abraço da paz aos fiéis mulheres” já abortaram. fui um observador interessado do de gravidez até 6/8 semanas, receita clínicas privadas. que se sentam nos primeiros bancos Ginecologia-obstetrícia-ecografia- referendo anterior. Uma decepção.” um fármaco abortivo, o cytotec, A sua satisfação com a vitória do da paróquia de Nossa Senhora da planeamento familiar, anuncia a Havia espaço em Lisboa para depois do qual pode ou não ser “sim” é total, garante. “Uma boa Piedade do Vau. Repete o mesmo placa, a maior e mais vistosa entre uma pequena clínica que, além das necessária uma raspagem. Quando notícia, sem dúvidas.”
  • 10. 12 • Público • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 Destaque Concelho a concelho “Sim” ganhou terreno ao “não” com ajuda de abstenção mais baixa 1988 2007 1988 2007 1988 2007 1988 2007 1988 2007 Sim Não Sim Não Abs. Sim Não Sim Não Abs. Sim Não Sim Não Abs. Sim Não Sim Não Abs. Sim Não Sim Não Abs. Águeda 43,67 56,33 55,68 44,32 61,67 Aljustrel 83,57 16,43 90,41 9,59 52,26 Amares 13,81 86,19 28,46 71,54 55,14 Alfândega da Fé 25,95 74,05 41,06 58,94 60,33 Belmonte 52,45 47,55 69,36 30,64 62,34 Albergaria-a-Velha 33,38 66,62 44,01 55,99 59,86 Almodôvar 66,74 33,26 76,00 24,00 70,73 Barcelos 16,60 83,40 32,58 67,42 48,39 Bragança 32,77 67,23 47,13 52,87 66,67 Castelo Branco 58,09 41,91 68,03 31,97 57,42 Anadia 40,41 59,59 51,01 48,99 61,44 Alvito 75,71 24,29 78,88 21,12 62,01 Braga 32,40 67,60 47,98 52,02 51,36 Carrazeda de Ansiães 26,94 73,06 41,78 58,22 66,91 Covilhã 54,05 45,95 67,25 32,75 57,85 Arouca 13,31 86,69 22,84 77,16 54,84 Barrancos 62,41 37,59 68,26 31,74 69,15 Cabeceiras de Basto 15,02 84,98 37,53 62,47 64,17 Freixo de Espada à Cinta 31,69 68,31 47,87 52,13 69,69 Fundão 48,07 51,93 62,98 37,02 60,74 Aveiro 46,77 53,23 53,93 46,07 56,57 Beja 77,76 22,24 83,18 16,82 54,70 Celorico de Basto 11,89 88,11 28,15 71,85 61,49 Macedo de Cavaleiros 13,21 86,79 28,72 71,28 62,77 Idanha-a-Nova 45,83 54,17 63,16 36,84 66,46 Castelo de Paiva 20,79 79,21 37,04 62,96 63,97 Castro Verde 81,65 18,35 86,84 13,16 58,15 Esposende 15,74 84,26 31,84 68,16 51,66 Miranda do Douro 28,77 71,23 44,74 55,26 64,17 Oleiros 19,16 80,84 35,58 64,42 62,96 Espinho 44,24 55,76 52,52 47,48 52,31 Cuba 72,55 27,45 83,00 17,00 64,22 Fafe 25,67 74,33 49,42 50,58 60,51 Mirandela 29,45 70,55 41,64 58,36 62,96 Penamacor 32,59 67,41 53,09 46,91 67,30 Estarreja 32,10 67,90 43,75 56,25 60,88 Ferreira do Alentejo 87,26 12,74 89,66 10,34 55,03 Guimarães 27,87 72,13 47,71 52,29 53,26 Mogadouro 22,29 77,71 35,75 64,25 66,25 Proença-a-Nova 23,72 76,28 38,70 61,30 54,98 Santa Maria da Feira 25,05 74,95 40,34 59,66 55,68 Mértola 81,64 18,36 85,77 14,23 62,99 Póvoa de Lanhoso 14,88 85,12 30,14 69,86 58,39 Torre de Moncorvo 30,16 69,84 43,35 56,65 65,44 Sertã 27,18 72,82 46,96 53,04 63,32 Ílhavo 37,53 62,47 49,49 50,51 61,11 Moura 72,43 27,57 80,55 19,45 68,55 Terras de Bouro 11,58 88,42 27,24 72,76 58,79 Vila Flor 30,53 69,47 44,38 55,62 62,82 Vila de Rei 14,23 85,77 29,87 70,13 44,83 Mealhada 63,79 36,21 71,92 28,08 63,16 Odemira 79,20 20,80 84,54 15,46 59,12 Vieira do Minho 14,70 85,30 28,54 71,46 63,93 Vimioso 19,44 80,56 35,02 64,98 69,96 Vila Velha de Rodão 68,83 31,17 78,15 21,85 61,50 Murtosa 19,69 80,31 29,52 70,48 64,81 Ourique 74,41 25,59 78,20 21,80 68,68 Vila Nova de Famalicão 25,92 74,08 45,59 54,41 51,77 Vinhais 24,08 75,92 41,20 58,80 73,12 Oliveira de Azeméis 24,46 75,54 39,05 60,95 55,93 Serpa 78,04 21,96 83,08 16,92 60,63 Vila Verde 10,50 89,50 25,02 74,98 55,86 Oliveira do Bairro 26,35 73,65 36,37 63,63 59,37 Vidigueira 76,99 23,01 84,33 15,67 61,92 Vizela - - 49,83 50,17 57,59 Ovar 38,62 61,38 50,55 49,45 57,03 De braço dado com o número Em 1998, o “não” ganhou com S. João da Madeira 41,14 58,86 51,39 48,61 56,13 É o distrito mais jovem do país, mas de votantes, o “sim” registou uma vantagem de cerca de cinco Sever do Vouga 24,65 75,35 35,09 64,91 55,45 Aljustrel foi dos concelhos mais em Braga a vitória continuou a ser no distrito de Bragança um por cento. Ontem, o desfecho foi Vagos 18,29 81,71 27,85 72,15 58,76 Vale de Cambra 20,20 79,80 32,21 67,79 54,45 empenhados na causa do “sim” do “não”, que ontem registou 58,8 crescimento assinalável. De um diferente: o “sim” registou 61,63 por de todo o país: a abstenção ficou- por cento contra os 41,2 por cento a total de 26,3 por cento registado cento dos votos, enquanto o “não” Seis concelhos do distrito de se “apenas” pelos 52,3 por cento, favor do “sim”. Mas o “não” perdeu em 1998, os defensores da se ficou pelos 38,37%. Em 1998, Aveiro – Águeda, Anadia, Aveiro, e 90,4 por cento dos votantes margem relativamente a 1998, ano despenalização do aborto saltaram recorde-se, o “não” tinha obtido 52,8 Espinho, Ovar e S. João da Madeira aljustrelenses optaram pelo “sim”. O em que registou vitória estrondosa agora para os 41 por cento, num por cento dos votos, contra os 47,2 – transferiram-se do “não” para o panorama foi semelhante no resto com 77,3 por cento, muito acima dos universo de votantes que disparou por cento do “sim”. A abstenção “sim”, juntando-se deste modo à do distrito. Com excepção do mais 22,78 por cento do “sim”. A afluência dos 28,6 para os 34,36 por cento. diminuiu ligeiramente, tendo o Mealhada, único que em 1998 tinha pequeno município do continente, às urnas subiu de 39,5 por cento Ainda assim, esta subida não foi referendo de ontem registado uma votado o favor da despenalização. Barrancos (onde o “sim” teve 68,3 registados em 1998 para os 46,4 suficiente para pôr em causa o participação de 40,53 por cento, na Este concelho melhorou, aliás, o por cento), em todo o lado o “sim” registados ontem. Na soma dos 14 triunfo do “não” que, apesar de soma das 160 freguesias. Há nove seu “score” (de 63,8 para 71, 9%). Em ganhou com mais de 75 por cento. concelhos do distrito, dividido em uma queda dos 73,8 para os 59 por anos, os votantes não foram além Ílhavo, o “não” (50,5%) rivalizou com Apesar de Beja ter hoje menos oito 515 freguesias, ressalta Vila Verde cento, registou uma vantagem de dos 28,81 O concelho de Vila de Rei, o “sim” (49,4%) e Arouca continua mil eleitores inscritos que em 1998, pela adesão ao “não”, que teve 18 pontos percentuais. No quadro onde a escassa natalidade se sente à frente no “não”, embora com o número total de votantes cresceu 74,98 por cento dos votos. Em 1998, distrital, foi em Freixo-de-Espada- com particular acutilância, foi o algum recuo: desceu de 86,7 para – foram mais 21 mil que há oito Vizela ainda não existia enquanto -à-Cinta que o “sim” teve mais força que registou maior percentagem de 77,1%, tendência que se verificou anos. E esse acréscimo foi quase concelho, mas, neste referendo, (47,87 por cento), quedando-se votos “não”: 70,13. Do lado do “sim”, na generalidade dos restantes dez todo para o “sim”. O “não” teve destaca-se por ter registado a maior Vimioso como o mais importante Vila Velha do Ródão foi o concelho concelhos. A participação subiu de apenas 8641 votos – ainda assim, percentagem de votos a favor do reduto do “não”, com 64,98 por com a mais alta percentagem de 37,4% para 45,5 % dos inscritos. F.F. mais 1500 que em 1998. P.R. aborto: 49, 8 por cento. N.F. cento dos votos. N.S. votos: 78,15 por cento. N.F. 1988 2007 1988 2007 1988 2007 1988 2007 1988 2007 Sim Não Sim Não Abs. Sim Não Sim Não Abs. Sim Não Sim Não Abs. Sim Não Sim Não Abs. Sim Não Sim Não Abs. Arganil 45,04 54,96 54,68 45,32 63,44 Alandroal 77,89 22,11 82,71 17,29 62,24 Albufeira 72,11 27,89 76,48 23,52 61,58 Aguiar da Beira 18,04 81,96 34,01 65,99 63,97 Alcobaça 48,01 51,99 57,39 42,61 53,53 Cantanhede 36,39 63,61 47,81 52,19 61,33 Arraiolos 80,31 19,69 83,09 16,91 53,28 Alcoutim 68,85 31,15 73,81 26,19 72,68 Almeida 30,76 69,24 47,61 52,39 62,44 Alvaiázere 22,13 77,87 36,33 63,67 62,76 Coimbra 60,18 39,82 66,83 33,17 54,45 Borba 74,40 25,60 82,61 17,39 54,40 Alzejur 77,16 22,84 80,53 19,47 61,59 Celorico da Beira 28,76 71,24 45,87 54,13 65,28 Ansião 26,83 73,17 42,05 57,95 59,98 Condeixa a Nova 52,64 47,36 67,01 32,99 55,12 Estremoz 71,13 28,87 73,78 26,22 60,74 Castro Marim 68,58 31,42 73,98 26,02 66,50 Fig. Castelo Rodrigo 35,76 64,24 53,96 46,04 67,80 Batalha 30,99 69,01 45,97 54,03 47,73 Figueira da Foz 69,22 30,78 74,95 25,05 62,10 Évora 71,17 28,83 76,81 23,19 53,40 Faro 73,38 26,62 75,71 24,29 55,39 Fornos de Algodres 23,54 76,46 42,50 57,50 60,40 Bombarral 47,07 52,93 59,97 40,03 59,89 Góis 43,25 56,75 63,05 36,95 65,07 Montemor-o-Novo 77,92 22,08 82,63 17,37 50,74 Lagoa 65,86 34,14 69,97 30,03 60,18 Gouveia 38,96 61,04 52,79 47,21 66,09 Caldas da Rainha 57,25 42,75 61,86 38,14 58,00 Lousã 48,73 51,27 63,77 36,23 56,17 Mora 72,23 27,77 77,13 22,87 61,61 Lagos 72,97 27,03 75,49 24,51 56,74 Guarda 37,03 62,97 53,90 46,10 55,53 Castanheira de Pêra 58,22 41,78 68,51 31,49 66,26 Mira 28,01 71,99 40,69 59,31 61,00 Mourão 57,88 42,12 71,95 28,05 67,54 Loulé 71,21 28,79 73,78 26,22 63,80 Manteigas 35,29 64,71 52,33 47,67 64,58 Figueiró dos Vinhos 33,14 66,86 46,52 53,48 63,28 Miranda do Corvo 44,45 55,55 62,50 37,50 61,72 Portel 71,84 28,16 80,78 19,22 66,77 Monchique 35,16 64,84 51,34 48,66 60,52 Meda 19,60 80,40 36,96 63,04 62,85 Leiria 43,67 56,33 54,78 45,22 50,92 Montemor-o-Velho 55,94 44,06 65,41 34,59 66,27 Redondo 74,27 25,73 78,90 21,10 65,71 Olhão 69,08 30,92 69,80 30,20 65,36 Pinhel 24,90 75,10 41,84 58,16 64,25 Marinha Grande 82,37 17,63 83,26 16,74 50,5 Oliveira do Hospital 32,40 67,60 50,85 49,15 65,13 Reguengos Monsaraz 56,29 43,71 71,18 28,82 66,01 Portimão 68,56 31,44 72,03 27,97 58,12 Sabugal 23,43 76,57 41,03 58,97 62,59 Nazaré 67,29 32,71 74,83 25,17 63,65 Pampilhosa da Serra 20,37 79,63 44,27 55,73 64,12 Vendas Novas 78,83 21,17 81,28 18,72 53,28 S. Brás de Alportel 67,42 32,58 72,54 27,46 62,94 Seia 29,47 70,53 44,25 55,75 59,73 Óbidos 57,57 42,43 67,22 32,78 63,08 Penacova 43,65 56,35 55,67 44,33 65,51 Viana do Alentejo 78,03 21,97 83,11 16,89 58,51 Silves 69,71 30,29 76,77 23,23 63,34 Trancoso 22,09 77,91 40,57 59,43 64,00 Pedrógão Grande 33,94 66,06 50,63 49,37 67,95 Penela 28,12 71,88 48,03 51,97 66,58 Vila Viçosa 69,97 30,03 75,24 24,76 58,25 Tavira 69,42 30,58 72,43 27,57 64,31 Vila Nova de Foz-Côa 31,53 68,47 45,32 54,68 63,97 Peniche 56,39 43,61 64,33 35,67 61,96 Soure 54,83 45,17 65,32 34,68 60,62 Vila do Bispo 76,21 23,79 80,98 19,02 59,66 Pombal 37,87 62,13 51,93 48,07 63,59 Tábua 41,22 58,78 56,06 43,94 66,74 Vila Real de St. António 69,42 30,58 74,98 25,02 64,25 Porto de Mós 35,61 64,39 51,90 48,10 52,45 Vila Nova de Poiares 52,72 47,28 66,92 33,08 70,48 Há oito anos, os eborenses haviam O “não” voltou a ganhar na Guarda, votado em massa “sim”; o cenário Só o concelho de Monchique havia mas agora com 53,1 por cento dos A Batalha é um caso raro neste No referendo de 1998, o “sim” já repetiu-se em 2007, com o “sim” votado “não” em todo o Algarve em votos, muito longe dos 70,1 por referendo: mais de metade dos seus ganhara em Coimbra, mas com a aumentar ainda mais a sua 1998. Desta vez, até na serra o “sim” cento que conquistara no referendo eleitores foi votar – a abstenção apenas 52,9 dos votos – uma vitória vantagem. Em todos os concelhos triunfou – teve 51,3 por cento. No anterior. Em 1998, os partidários ficou-se pelos 47,7 por cento. No tangencial, se comparada com os do distrito, o “sim” à pergunta resto do distrito de Faro, registou- da despenalização haviam mesmo conjunto do distrito houve uma expressivos 63 por cento que ontem colocada neste referendo teve pelo se uma vitória a toda a linha do perdido em todos os 14 concelhos clara inversão de tendência: o responderam afirmativamente à menos 71 por cento dos votos. A “sim”, com pelo menos 70 por cento do distrito, e a sua melhor votação “não” ganhara em 1998 com 51,8 pergunta que lhes foi colocada. E, abstenção registou uma redução dos votos expressos em todos os não ultrapassara os 39 por cento, por cento, desta vez ganhou o “sim” ao contrário de 1998, quando o “sim” extraordinária – de 73,3 por cento concelhos. Faro já havia dado uma obtidos em Gouveia, um dos quatro com 58,3. Leiria foi dos distritos venceu muito à custa dos centros em 1998 para 57 por cento este ano. ampla vitória ao “sim” em 1998, mas únicos concelhos – juntamente mais divididos: os resultados urbanos de Coimbra, Figueira da Isso resultou em mais votos, tanto a margem de vitória cresceu este com a Guarda, Manteigas e variaram entre os 83,3 por cento Foz e Montemor-o-Velho, tendo sido para o “sim” como para o “não”, mas ano quatro pontos percentuais. Figueira de Castelo Rodrigo –, onde do “sim” na Marinha Grande e os minoritário em 11 dos 17 concelhos sobretudo para o “sim”. Na capital Como no resto do país, o factor mais o “sim” ontem venceu. Apesar da 63,7 do “não” em Alvaiázere. Mas a do distrito, desta vez o “não” só de distrito, a abstenção ficou-se importante nos resultados globais campanha local do movimento tendência geral é reflectida pelos ficou à frente em Cantanhede, Mira, pelos 53,4 por cento, enquanto o foi a abstenção: só 22,4 por cento “Guarda’a Vida”, os defensores resultados na capital de distrito: no Pampilhosa da Serra e Penela. Tal “sim” triunfou com 76,8 por cento dos eleitores algarvios tinham do “não” desceram 17 por cento município de Leiria, o “sim” havia como em 1998, o “sim” obteve o seu dos votos expressos. Em todo o ido às urnas em 1998. Desta vez, relativamente a 1998, uma queda perdido há oito anos por 13 pontos melhor resultado – 74,9 por cento distrito, apenas 13311 eborenses diminuiu: 38,8 por cento deram-se muito superior à da média percentuais, e desta vez ganhou – na Figueira da Foz. L.M.Q. votaram “não”. P.R. ao trabalho de ir votar. P.R. nacional. L.M.Q. por nove pontos. P.R.
  • 11. Público • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 • 13 1988 2007 1988 2007 1988 2007 1988 2007 1988 2007 Sim Não Sim Não Abs. Sim Não Sim Não Abs. Sim Não Sim Não Abs. Sim Não Sim Não Abs. Sim Não Sim Não Abs. Alenquer 70,30 29,70 76,41 23,59 53,64 Alter do Chão 69,72 30,28 75,74 24,26 61,15 Amarante 24,96 75,04 42,43 57,57 62,19 Abrantes 61,87 38,13 69,47 30,53 56,38 Alcácer do Sal 86,70 13,30 89,45 10,55 54,28 Amadora 74,10 25,90 75,26 24,74 51,75 Arronches 68,62 31,38 75,26 24,74 66,27 Baião 24,54 75,46 40,52 59,48 72,16 Alcanena 56,17 43,83 64,09 35,91 54,28 Alcochete 82,34 17,66 82,33 17,67 50,57 Arruda dos Vinhos 71,71 28,29 75,86 24,14 56,31 Avis 84,50 15,50 85,30 14,70 46,22 Felgueiras 18,23 81,77 36,68 63,32 57,89 Almeirim 66,96 33,04 74,28 25,72 61,22 Almada 79,58 20,42 79,59 20,41 50,18 Azambuja 68,66 31,34 72,75 27,25 54,88 Campo Maior 69,87 30,13 79,84 20,16 61,86 Gondomar 52,40 47,60 62,57 37,43 55,61 Alpiarça 86,69 13,31 86,79 13,21 52,84 Barreiro 85,74 14,26 84,66 15,34 47,13 Cadaval 55,15 44,85 65,30 34,70 60,22 Castelo de Vide 72,56 27,44 80,34 19,66 60,22 Lousada 17,51 82,49 39,30 60,70 60,29 Benavente 78,16 21,84 77,63 22,37 58,51 Grândola 88,03 11,97 89,39 10,61 51,47 Cascais 65,61 34,39 68,72 31,28 51,9 Crato 68,16 31,84 76,37 23,63 57,05 Maia 53,29 46,71 63,88 36,12 51,32 Cartaxo 73,21 26,79 78,05 21,95 56,43 Moita 85,49 14,51 84,10 15,90 52,59 Lisboa 64,31 35,69 67,50 32,50 51,57 Elvas 55,88 44,12 67,96 32,04 66,61 Marco de Canaveses 18,40 81,60 35,68 64,32 59,75 Chamusca 69,77 30,23 75,24 24,76 63,03 Montijo 80,82 19,18 81,71 18,29 58,12 Loures 76,22 23,78 76,52 23,48 48,74 Fronteira 68,93 31,07 74,02 25,98 58,28 Matosinhos 60,92 39,08 67,67 32,33 52,77 Constância 64,67 35,33 70,39 29,61 54,03 Palmela 83,49 16,51 83,40 16,60 53,99 Lourinhã 35,41 64,59 50,48 49,52 57,06 Gavião 58,22 41,78 69,18 30,82 59,38 Paços de Ferreira 15,34 84,66 28,86 71,14 57,11 Coruche 77,23 22,77 79,73 20,27 60,03 Santiago do Cacém 84,38 15,62 86,15 13,85 53,59 Mafra 52,78 47,22 64,16 35,84 52,63 Marvão 66,38 33,62 70,27 29,73 70,53 Paredes 17,53 82,47 33,93 66,07 55,38 Entroncamento 71,85 28,15 73,63 26,37 50,59 Seixal 80,29 19,71 80,82 19,18 49,92 Odivelas - - 74,07 25,93 51 Monforte 53,70 46,30 70,83 29,17 57,86 Penafiel 21,33 78,67 36,99 63,01 54,53 Ferreira do Zêzere 25,41 74,59 46,61 53,39 59,46 Sesimbra 80,68 19,32 79,58 20,42 53,34 Oeiras 69,21 30,79 71,34 28,66 46,47 Nisa 64,10 35,90 73,39 26,61 61,33 Porto 56,14 43,86 61,91 38,09 53,06 Golegã 65,77 34,23 69,82 30,18 57,29 Setúbal 78,68 21,32 80,40 19,60 52,77 Sintra 73,33 26,67 75,58 24,42 52,12 Ponte de Sor 73,57 26,43 77,83 22,17 59,86 Póvoa de Varzim 24,32 75,68 39,00 61,00 56,17 Mação 37,81 62,19 51,93 48,07 49,29 Sines 87,24 12,76 86,84 13,16 53,92 Sobral de Monte Agraço 71,03 28,97 77,66 22,34 59,33 Portalegre 69,57 30,43 73,44 26,56 60,21 Santo Tirso 30,14 69,86 49,91 50,09 55,73 Rio Maior 44,52 55,48 56,60 43,40 58,06 Torres Vedras 50,36 49,64 60,63 39,37 56,37 Sousel 70,39 29,61 74,56 25,44 56,46 Valongo 45,48 54,52 57,98 42,02 55,43 Salvaterra de Mag. 72,00 28,00 79,99 20,01 64,0 Vila Franca de Xira 78,61 21,39 79,86 20,14 49,44 Vila do Conde 36,67 63,33 50,64 49,36 55,12 Santarém 64,34 35,66 69,12 30,88 55,11 Em 1998, nenhum distrito Vila Nova de Gaia 50,99 49,01 60,74 39,26 54,06 Sardoal 34,04 65,96 50,38 49,62 45,25 No Alto Alentejo, a tendência havia votado tão claramente “sim” Trofa - - 43,29 56,71 54,54 Tomar 48,49 51,51 60,30 39,70 55,76 No distrito de Lisboa vive quase um foi idêntica à do resto do país. Torres Novas 54,16 45,84 64,39 35,61 52,02 como Setúbal (81,9 por cento dos quinto dos eleitores portugueses. A abstenção caiu 14 pontos Vila do Conde, onde o “não” tinha Vila Nova da Barquinha 65,57 34,43 72,33 27,67 54,74 votos). O cenário repetiu-se este Há oito anos, o triunfo do “sim”, com percentuais, mas ficou mesmo vencido (63,3%) há oito anos, foi Ourém 22,19 77,81 34,44 65,56 51,82 ano – 82 por cento dos setubalenses 68 por cento dos votos, não fora assim muito acima de metade dos onde se registou maior viragem a votaram “sim”. Aliás, só num suficiente para “arrastar” o resto do eleitores (61,06 por cento). favor do “sim”, que subiu de 36,7 Até em Fátima o “sim” ganhou concelho de Setúbal é que o “não” país; desta vez o “sim” teve 71,4. O Há oito anos, o “sim” tinha tido por cento para 51,2. No distrito do adeptos: 1195 votos pelo “sim” conseguiu chegar aos 20 por cento equivalente a 609 mil votantes. O mais do dobro dos votos do “não”; Porto esta não foi a única mudança: contra os 420 de 1998. O “não” dos votos (Sesimbra, 20,4 por “sim” “varreu” todo o distrito – até desta vez, teve mais do triplo (74,5 Valongo transferiu o seu voto do triunfou em Fátima (72,5 por cento), cento); em todos os 13 municípios na Lourinhã, único concelho onde por cento). O concelho de Avis foi “não” para o “sim” (de 45,5 para mas perdeu 12 pontos percentuais setubalenses a vitória do “sim” foi havia perdido em 1998. Na capital daqueles raros exemplos de um 57,9 por cento) e em Santo Tirso em relação ao referendo anterior. avassaladora. Com destaque para do país, vitória clara do “sim” (67,5 município em que houve mais registou-se um empate técnico: 49,9 No resto do distrito, registaram-se Grândola, o concelho mais “sim” por cento). O concelho de Odivelas, gente a votar que a ficar em casa para o “sim” e 50,1 para o “não”. De também avanços do “sim” – que de 1998 (88 por cento), que foi que não existia em 1998, estreou- (a taxa de abstenção foi de 46,2 resto, manteve-se a divisão entre ampliou a votação de 56,6 por ainda mais “sim” desta vez se em referendos com uma das por cento); Avis foi também o o voto no interior do distrito e o cento para 65 por cento. O “não” (89,4 por cento); no entanto, foi em vitórias mais expressivas do “sim” concelho portalegrense onde a litoral: o “sim” voltou a ganhar em ganhou em Ourém e Ferreira do Alcácer do Sal que o “sim” sadino – 74 por cento. Lisboa foi o distrito margem de vitória do “sim” Gondomar, Maia, Matosinhos, Porto Zêzere – em todos os outros 19 foi mais expressivo (89,45 por do país mais mobilizado por este foi mais expressiva – 85,3 por cento e Vila Nova de Gaia. Nos restantes concelhos escalabitanos, triunfou cento). A abstenção no distrito foi referendo: a abstenção ficou-se contra apenas 14,7 por cento para o concelhos, o “não” venceu mas com o “sim”. A abstenção caiu 15 pontos das mais baixas do país: 51,52 por pelos 51,3 por cento. P.R. “não”. P.R. resultados menos expressivos. F.F. percentuais. P.R. cento. P.R. 1988 2007 1988 2007 1988 2007 1988 2007 1988 2007 Sim Não Sim Não Abs. Sim Não Sim Não Abs. Sim Não Sim Não Abs. Sim Não Sim Não Abs. Sim Não Sim Não Abs. Arcos de Valdevez 22,37 77,63 39,01 60,99 72,41 Alijó 28,20 71,80 41,26 58,74 64,24 Armamar 19,22 80,78 34,92 65,08 60,78 Angra do Heroísmo 20,65 79,35 33,49 66,51 66,95 Calheta 10,17 89,83 17,47 82,53 56,93 Caminha 40,59 59,41 54,34 45,66 58,26 Boticas 15,42 84,58 35,98 64,02 67,85 Carregal do Sal 36,96 63,04 47,55 52,45 68,7 Calheta 7,70 92,30 19,63 80,37 67,93 Câmara de Lobos 8,88 91,12 15,85 84,15 58,4 Melgaço 27,62 72,38 44,76 55,24 75,09 Chaves 23,19 76,81 38,09 61,91 64,71 Castro Daire 14,61 85,39 26,20 73,80 64,25 Corvo 30,00 70,00 31,50 68,50 61,42 Funchal 36,97 63,03 45,00 55,00 62,8 Monção 29,23 70,77 46,69 53,31 69,87 Mesão Frio 21,11 78,89 34,80 65,20 66,57 Cinfães 15,22 84,78 34,48 65,52 70,1 Horta 22,71 77,29 34,38 65,62 64,88 Machico 22,82 77,18 35,96 64,04 65,37 Paredes de Coura 23,17 76,83 41,41 58,59 70,5 Mondim de Basto 13,44 86,56 25,09 74,91 62,82 Lamego 24,69 75,31 36,84 63,16 60,51 Lajes das Flores 18,55 81,45 32,35 67,65 61,44 Ponta do Sol 8,56 91,44 16,84 83,16 61,64 Ponte da Barca 17,29 82,71 35,55 64,45 64,41 Montalegre 22,19 77,81 39,66 60,34 70,29 Mangualde 26,44 73,56 40,97 59,03 67,2 Lajes do Pico 24,46 75,54 38,74 61,26 69,59 Porto Moniz 6,80 93,20 18,45 81,55 53,8 Ponte de Lima 13,61 86,39 22,67 77,33 49,9 Murça 23,14 76,86 32,70 67,30 65,56 Moimenta da Beira 21,10 78,90 36,23 63,77 65,71 Lagoa 15,37 84,63 30,42 69,58 78,29 Porto Santo 29,65 70,35 37,61 62,39 66,47 Valença 29,52 70,48 48,08 51,92 67,89 Peso da Régua 33,75 66,25 45,98 54,02 67,64 Mortágua 50,41 49,59 61,35 38,65 68,03 Madalena 18,99 81,01 30,21 69,79 64,39 Ribeira Brava 10,87 89,13 18,91 81,09 61,1 Viana do Castelo 32,48 67,52 45,86 54,14 54,35 Ribeira de Pena 11,93 88,07 28,29 71,71 70,2 Nelas 37,96 62,04 47,81 52,19 65,06 Nordeste 8,43 91,57 23,18 76,82 63,94 Santa Cruz 24,51 75,49 42,15 57,85 57,98 Vila Nova de Cerveira 33,68 66,32 47,24 52,76 62,56 Sabrosa 22,95 77,05 35,81 64,19 64,19 Oliveira de Frades 16,69 83,31 34,05 65,95 58,62 Ponta Delgada 21,95 78,05 34,43 65,57 72,16 Santana 12,78 87,22 25,76 74,24 62,07 Stª Marta de Penaguião 23,05 76,95 38,76 61,24 67,09 Penalva do Castelo 13,26 86,74 30,07 69,93 63,36 Povoação 7,74 92,26 18,93 81,07 64,99 S. Vicente 13,85 86,15 25,71 74,29 64,78 Valpaços 18,23 81,77 28,36 71,64 69,7 Penedono 19,08 80,92 42,49 57,51 63,82 Praia da Vitória 14,06 85,94 29,57 70,43 68,81 A vitória do “sim” no concelho V. Pouca de Aguiar 23,00 77,00 35,68 64,32 72,05 Resende 12,93 87,07 24,29 75,71 63,38 Ribeira Grande 11,45 88,55 25,07 74,93 76,33 O concelho do Porto Moniz, apesar Vila Real 29,94 70,06 43,20 56,80 55,48 Santa Comba Dão 37,65 62,35 50,91 49,09 66,7 Santa Cruz das Flores 22,91 77,09 36,12 63,88 72,74 de Caminha (54,3 por cento) foi a S. João da Pesqueira 28,40 71,60 49,07 50,93 67,6 Santa Cruz da Graciosa 16,87 83,13 30,95 69,05 73,23 de registar a maior percentagem excepção no distrito de Viana do S. Pedro do Sul 27,97 72,03 44,01 55,99 63,25 S. Roque do Pico 27,20 72,80 47,19 52,81 69,4 de votantes da região autónoma da Castelo, onde o “não” ganhou nos O “não” manteve-se firme em Satão 11,35 88,65 23,85 76,15 57,26 Velas 12,74 87,26 26,16 73,84 67,43 Madeira, perdeu ontem o título de Sernancelhe 17,21 82,79 32,92 67,08 63,45 Vila do Porto 30,64 69,36 50,87 49,13 77,9 restantes nove concelhos. Em 1998, todos os 14 concelhos – o “sim” não Tabuaço 19,42 80,58 32,53 67,47 60,81 Vila Franca de Campo 7,31 92,69 16,25 83,75 69,33 recordista nacional do “não”, obtido quando o “não” levou vantagem ganhou em nenhum tal como há Tarouca 19,26 80,74 36,27 63,73 65,23 no referendo de 1998, ao baixar a em todos os concelhos do distrito, oito anos. Com algumas descidas. Tondela 22,75 77,25 37,79 62,21 63,01 Nos Açores, tal como na Madeira, votação contra a despenalização da Vila Nova de Paiva 14,17 85,83 22,63 77,37 59,15 tinha sido já Caminha aquele que A mais acentuada aconteceu nos Viseu 29,70 70,30 41,85 58,15 56,97 voltou a ganhar o “não”, mas o Interupção voluntária da gravidez registou a maior percentagem de concelhos de Ribeira de Pena (de Vouzela 23,43 76,57 38,91 61,09 61,71 resultado global das duas regiões de 93,2 por cento para 81,5 por votos favoráveis à IVG, com 40,6 88,1 para 71,7), Alijó (de 71,8 para autónomas, pela amplitude da cento. A melhor votação por cento dos votos contra 59,4 do 58,7) e Boticas (de 84,6 para 64). Só o “não” é que não subiu, embora diferença conseguida pelo “sim” no do “não” foi conseguida na “não”. Tal como há oito anos, Ponte Peso da Régua, o concelho que em tenha conseguido uma votação de continente, já não inverteu, como freguesia do Estreito da Calheta de Lima continua a liderar o “não”, 1998 registou a maior percentagem 61,49 por cento. A percentagem de em 1998, o resultado nacional. O (89,79 por cento) e do “sim” – que ainda que tivesse recuado cerca de votos no “sim” (33,7) reforçou votantes subiu de 30,4 por cento “sim”, que duplicou a votação no não venceu em nenhuma das de nove pontos, ficando agora na essa posição (45,9). O mesmo em 1998 para 37,65 por cento. Os arquipélago açoriano, só venceu, 54 freguesias do arquipélago casa dos 77,3 por cento. Valença aconteceu na capital do distrito, adeptos do “sim” também foram mas tangencialmente (50,9), num – no Caniço (49,23 por cento). (58,5) e Paredes de Coura (51,9) onde o “sim” passou de 29,9 para mais – 38,51 por cento, contra 24,2 dos 19 concelhos, em Vila do Relativamente à última consulta, o registaram as maiores descidas do 43,2, aquém, no entanto, dos 56,8% por cento. Em 98, votaram “não” Porto. A maior votação do “não” “sim” duplicou o número de votos, lado do “não”, com menos 18 pontos obtidos pelo “não”. A abstenção 75,8 por cento dos eleitores, ontem foi conseguida em Vila Franca do à custa da redução da abstenção, percentuais. Comparativamente desceu ligeiramente, situando-se 61,49 por cento. Mortágua continua Campo (83,8), tendo sido em Lagoa que neste referendo baixou de 67,2 com o anterior referendo, a a participação neste referendo em a ser o concelho do distrito mais a menor afluência às urnas, onde só por cento para 61,43 por cento, por participação subiu no distrito de 34 apenas mais 4 pontos percentuais favorável à despenalização da IVG: compareceram 21,7 por cento dos comparecerem nas urnas mais 22 para 39,6 por cento. M.G. comparativamente com 1998. M.G. 50,41 em 1998, 61,35 agora. S.C. eleitores inscritos. T. de N. mil eleitores. T. de N.
  • 12. Público • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 • 15 Referendo 2007 O escrutínio dos resultados foi rápido e a noite eleitoral curta RUI GAUDENCIO Os directos voltaram a ser uma das apostas fortes das televisões Citações “[O referendo] é um “José Sócrates é instituto que se está a claramente o vencedor enraizar.” da noite.” Marcelo Rebelo de Sousa Constança Cunha e Sá “Estamos em linha com a “O primeiro-ministro leva generalidade dos países vantagem, leva.” do nosso espaço Paulo Portas político.” António Vitorino “O Serviço Nacional de Saúde está em condições “Os nossos sentimentos de realizar aquilo que os no CDS são de mágoa e portugueses lhe pedem, de serenidade.” para dar a equidade e a Ribeiro e Castro qualidade que decorrem da despenalização de uma situação que é verdadeiramente uma vergonha nacional.” Correia de Campos “Vai ser difícil acabar com as humilhações e com as prisões, porque continuam lá até às dez TVI eficaz, RTP1 morna, SIC molenga semanas.” António Lobo Xavier assunto transita directamente para Comentário o parlamento como pela vitória da opção e empenho do PS, PCP e BE. “A questão não vai ficar Dos directos no exterior, as duas Eduardo Cintra Torres resolvida de vez. Vai únicas intervenções interessantes e “O referendo não atinge haver sempre um resíduo a A TVI começou a emissão na hora bem escritas da noite foram as dos exacta, avançou com resultados líderes do PS e do PSD, o que quer os 50 por cento mas é de abortos realizados correctos, teve muito mais ritmo, dizer alguma coisa sobre o estado da politicamente clandestinamente e o grafismo mais espampanante política partidária e permite prever mas mais legível, foi o canal que os duelos eleitorais do futuro. legitimador.” ilegalmente.” disse primeiro e claramente que Sem surpresas, sobra o Paulo Portas José Pacheco Pereira o vencedor político da noite era espectáculo. O espaço cénico da José Sócrates, avançou com uma RTP1 era arejado, não tão grande interessante sondagem sobre o como o da SIC. Qualquer destes “Foi uma vitória “Um referendo é uma luz perfil dos eleitores e temas para espaços era muito maior do que extraordinária. A verde para uma lei bem próximos referendos e conseguiu ser o da TVI, mas este foi eficaz na o primeiro a fechar a loja. Além do distribuição de apresentadores, democracia vinculou o feita.” “sim” e de Sócrates, a TVI ganhou comentadores da casa e convidados Parlamento.” Maria José Nogueira em toda a linha. e, em especial, no uso dos grafismos Francisco Louçã Pinto A RTP1 começou bem, avançando principais, acompanhando, em com uma projecção de abstenção cima, as duas paredes do estúdio antes das oito horas, mas não que confluíam sobre a mesa, “Espero que a “Os nossos sentimentos chegou a levantar voo, com uma enquanto o resultado da abstenção emissão morna, mesmo nos surgia no espaço vago ao centro. interpretação que no CDS são de mágoa, comentários. Marcelo, principal A SIC teve uma noite molenga. venha a ser feita pela serenidade e figura mediática do “não”, foi Chegou atrasada, depois dos outros parte do ‘sim’ seja determinação. (...) comedido, e António Vitorino, generalistas, aos directos nas sedes nº2 do PS, também. Ambos do do “não”, PSD, CDS-PS, BE, de novo moderada.” Continuamos, Bloco Central, estavam demasiado do PSD e do PS. Antes dos outros, Marcelo Rebelo de Sousa continuaremos, do lado comprometidos precisamente por só mesmo a fazer o intervalo, que serem demasiado comprometidos Rodrigo Guedes de Carvalho, numa da vida.” politicamente. piada sem gosto nem graça, disse ser “Acho que há pouca José Ribeiro e Castro Não houve, nos resultados “uma coisa que nunca falta nestas maturidade do referendo, “nada” de noites de eleições”. surpreendente, como referiu Na TVI, Constança Cunha e Sá democrática.” “Se o Estado legislar a Pedro Magalhães (RTP1) e, quanto a e Miguel Sousa Tavares fugiram Gentil Martins favor disso [da comentadores, os três canais fizeram aos habituais salamaleques do a habitual ronda pelos suspeitos do comentário hipócrita que recusa despenalização do costume, sem nenhuma surpresa ver vitórias e derrotas políticas “A vitória do ‘sim’ põe fim aborto], vai ter que dar argumentativa, excepto quando num referendo com um tema como a um longo processo dinheiro à Madeira, nós Pacheco Pereira disse, na SIC, que o de ontem e disseram, preto no os resultados são mais significativos branco, que Sócrates era vencedor. dilatório.” não estamos preparados, numa análise sociológica do que Foi também a TVI quem deu um Jerónimo de Sousa nós não temos dinheiro, política. Mostram o progresso da passo em frente ao apresentar uma laicização, da individualização sondagem revelando o perfil porque fomos roubados. e da independência do voto (ou sociodemográfico e familiar do “Esta é uma vitória do Quem nos tirou dinheiro da abstenção) relativamente aos eleitor e do abstencionista, razões Portugal moderno.” vai ter de pagar.” partidos. Todavia, diminuir o deste para não votar e ainda os valor político do referendo não temas que os portugueses gostariam Edite Estrela Alberto João Jardim parece possível quando não só o de ver referendados.
  • 13. 16 • Público • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 Destaque Referendo 2007 Teresa de Sousa e São José Almeida analisam principais protagonistas Um sabor muito diferente do de 1998 Os vencedores Os vencidos José Sócrates em volta desta causa foi uma prova de maturidade da democracia Igreja Católica uma figura central da Igreja laica na defesa do “não”. Foi ele um portuguesa, que terá certamente dos responsáveis pelo derradeiro Com o nível de abstenção registado, beneficiado o “sim”. argumento da campanha do embora inferior ao de 1998, não se Foi talvez a maior derrota da Igreja “não”: a suspensão das penas às pode dizer que José Sócrates veja Católica em Portugal desde o mulheres que praticassem o crime inteiramente reflectido no resultado do referendo o “país moderno e Paula Teixeira restabelecimento da democracia. A questão do aborto é uma questão de aborto. Chegou a propor como pena alternativa o trabalho para progressista” a que apelou na sexta- da Cruz nuclear da doutrina católica, em a comunidade. Insurgiu-se contra feira passada. Mas a vitória do “sim” relação à qual a Igreja nunca cedeu o recurso ao SNS, declarando que dá-lhe, pelo menos, a legitimidade um milímetro. A mobilização foi “não deveria pagar opções” e para finalizar o processo legislativo Provando que total, ao ponto de o Bispo de Viseu, considerou que o “sim” era “um que legalizará a pergunta feita aos esta questão é porta-voz da Conferência Episcopal cheque em branco sem provisão”. eleitores. Pode pois dizer-se que capaz de juntar portuguesa, reconhecer que, desde Assumiu nesta campanha o lugar o primeiro-ministro e líder do PS uma ampla a Acção Católica, movimento que central que há oito anos foi ocupado ganhou a sua dupla aposta: libertar faixa central teve o seu apogeu nos anos 60, por Maria José Nogueira Pinto. o PS da ambiguidade do tempo de e urbana da “não se assistia a uma tão grande António Guterres, recolocando o sociedade mobilização por uma causa”. A partido na sua tradição política; e ganhar a batalha nas urnas. O portuguesa que partilham a mesma visão das democracias estratégia da Igreja foi distinta da de 1998. Desta vez, o protagonismo Marques Mendes líder do maior partido de esquerda modernas enquanto espaço coube mais aos laicos do que à conseguiu imprimir uma estratégia de liberdade individual, Paula hierarquia eclesiástica e houve da Marques Mendes de moderação à campanha que seu Teixeira da Cruz, presidente da parte desta mais cuidado em relação começou por dar frutos. Está é uma vitória do PS sem “distrital” do PSD de Lisboa, foi aos argumentos mais radicais. liberdade de voto dúvida, mas é, acima de tudo, uma a face mais visível do seu partido Mas, também desta vez, as vozes aos militantes do aposta pessoalíssima do próprio na campanha do “sim”, mas dissonantes no próprio seio da Igreja PSD, sublinhando primeiro-ministro. Por isso, lhe cabe também a que mais se empenhou foram mais e mais audíveis. A Igreja a natureza a principal vitória política da noite. na defesa desta causa. “As pessoas pode considerar-se, por isso, mais ética e de têm de se habituar à liberdade”, do que os partidos ou as figuras consciência individual da disse. Não foi a única. Cerca políticas que protagonizaram o questão que se colocava. Mas, Francisco Louçã de três dezenas de deputados da bancada social-democratas “não”, como a principal derrotada deste referendo. ao envolver-se pessoalmente na campanha do “não”, acabou por anunciaram publicamente o ser inevitavelmente uma das suas O líder do Bloco seu voto no “sim”. Algumas José Sócrates conseguiu libertar caras mais visíveis. Chegou a ser de Esquerda é também um das suas figuras de referência intelectual empenharam-se no o PS da ambiguidade do tempo de António Guterres e ganhou Marcelo Rebelo criticado dentro do seu partido e acusado de entrar em contradição ganhador. debate político e ético suscitado também a batalha nas urnas de Sousa com a posição oficial mais distante, Primeiro, pela campanha ao lado da quando, por exemplo, organizou porque foi desde despenalização, como Pacheco Marcelo Rebelo de uma conferência sobre o tema em o primeiro Pereira ou Vasco Rato. Figuras tão Sousa é o grande que predominaram os oradores momento um aliado de José mediáticas como Miguel Relvas, perdedor político do “não”. Ao perder, fragiliza a Sócrates, demarcando-se de Rui Rio, Assunção Esteves, Jorge deste referendo. sua liderança e penaliza o seu outros protagonistas da esquerda, Neto ou Ana Manso fizeram o Averbou uma partido. Na verdade, a sua margem como os dirigentes do PCP, que mesmo. tripla derrota. de manobra era muito limitada. queriam dispensar a repetição do Primeiro, porque Como líder da oposição, tinha “referendo” para alterar a legislação. foi ele que protagonizou, em 1982 e de demarcar-se de José Sócrates. A moderação dos argumentos que utilizou e fez o seu partido utilizar Ana Vicente 1984, ao lado de Nuno Krus Abecasis, a oposição à lei de despenalização do Como líder de um partido com no contra-ataque às posições aborto. Segundo, porque foi ele que, mais radicais dos adversários contrastaram com o comportamento Ana Vicente é a cara mais há oito anos, “inventou” o referendo e o impôs a António Guterres. Gentil Martins do BE no referendo de 1998. conhecida do Quanto mais não seja, das duas movimento vezes os portugueses mostraram Médico reputado Nós Somos uma escassa vontade de participar. e conhecido, Mov. Cidadania e Igreja, onde está ao lado Terceiro, empenhou-se a fundo e de todas as formas possíveis (chegou a António Gentil Martins foi, Responsabilidade de outras activistas católicas por em causa a pergunta, por sinal nessa qualidade, como Maria João Sande Leme a mesma que em 1998 negociou, uma das faces ou Leonor Xavier e agora como líder do PSD, com o então líder mais radicais da Pela primeira vez, esteve a favor do “sim”. No do PS e primeiro-ministro António campanha do “não”. Foi uma voz um movimento âmago deste movimento está a Guterres) para obter a vitória do implacável na defesa do embrião de cidadãos concepção desigual que a Igreja “não” mais uma vez. Jogou forte e como vida humana. Foi um acusador existe de facto em tem das mulheres. Foi este perdeu. igualmente implacável dos médicos Portugal em torno também um dos seus grandes que aceitassem praticar o acto de uma causa argumentos nesta campanha: “O médico da interrupção voluntária com implicações eleitorais. Quase sem meios desenvolvimento humano (social, económico e político) de qualquer Bagão Félix da gravidez, considerando-os meros licenciados em medicina. Deu financeiros ou profissionais e com comunidade está estreitamente suporte científico à ideia-força da apoios das máquinas partidárias ligado ao estatuto das mulheres Bagão Félix campanha do “não”, traduzida no relativamente fracos, o Movimento e dos homens”. Bateu-se contra simbolizou o lado slogan “aqui bate um coração”. Não Cidadania e Responsabilidade as mensagens “ameaçadoras da mais radical da esteve sozinho, pelo contrário. Ao conseguiu aguentar uma campanha consciência individual” da Igreja. argumentação seu lado estiveram outras grandes prolongada e difícil. Perdeu em Defendeu a Igreja “humanista” do “não”. Mas o figuras da medicina como o obstetra organização o que ganhou em e criticou a instituição “dirigida antigo ministro Álvaro Malta ou o cardiologista autonomia, ao evitar que os exclusivamente por homens da Segurança Manuel Antunes. A vitória do “sim” partidos dominassem o discurso celibatários”. O seu movimento Social e das Finanças dos últimos é também a derrota da própria ou as acções. A facilidade com não foi a única voz dissidente, Mais do que os partidos ou as governos de coligação de direita Ordem dos Médicos, que mantém que pessoas de culturas políticas e longe disso, mas pode simbolizar figuras do “não”, a Igreja Católica participou na campanha menos no respectivo Código Deontológico a experiências de vida tão distintas se a vitória de uma parte da Igreja pode considerar-se a principal como uma personalidade do seu proibição da prática de aborto pela juntaram e trabalharam em conjunto Católica. derrotada deste referendo partido (o CDS-PP) e mais como classe médica.
  • 14. Público • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 • 17 Porque foram a Al-Jazira e a CNN a uma escola de Lisboa? cidadão de participar num acto ENRIC VIVES-RUBIO Reportagem eleitoral. Só não esperava que essa sua disponibilidade fosse motivo de tanta curiosidade. Luciano Alvarez “Também cá está a CNN?”, Com o referendo português questionou, espantado, quando foi informado de que também o no top do noticiário nacional canal dos EUA o pretendia filmar a e internacional, Jorge receber os votos dos eleitores. Sampaio, presidente de uma “Não sabia que o cumprimento mesa de voto, acabou por ser de um dever cívico dava tanta notoriedade. E isto é mesmo um um dos protagonistas do dia dever de cidadão, porque eu agora já não preciso nem de fotografias a A secção de voto número 4 nem de tempo de antena”, disse aos da Escola Marquesa de Alorna, jornalistas ao mesmo tempo que em Lisboa, teve ontem como ia distribuindo cumprimentos às presidente um ex-presidente. Uma dezenas de pessoas que com ele se situação tão pouco habitual que, cruzavam no corredor da escola. além da maioria dos órgãos de Passar o dia a receber votos, comunicação social portugueses, numa sala fria, mal aquecida por também lá foram registar o insólito dois radiadores portáteis – o que a CNN e a Al-Jazira. Jorge Sampaio obrigou o ex-presidente a estar não escondeu o espanto por o quase todo o dia de casaco e cumprimento de um dever cívico cachecol vestidos –, vai valer a Jorge merecer tanta atenção. Sampaio, como a todos os outros Jorge Sampaio já tinha estado milhares de cidadãos que estiveram em mesas de voto antes de ser nas mesas de voto, 72,64 euros. O presidente da Câmara de Lisboa que vai o ex-chefe de Estado fazer e chefe de Estado. Agora que se com esta verba estipulada por lei? reformou da política activa, resolveu “Não é uma daquelas quantias voltar a assumir o seu dever de Jorge Sampaio passou o dia a receber votos numa sala fria chorudas que me perturbe.” 414 Tarifas sujeitas a condições especiais. Taxas não incluídas. Para mais informações consulte www.klm.com ou www.airfrance.com
  • 15. 18 • Público • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 Portugal Justiça Acção de poder paternal é disputada entre tribunais de dois países Supremo MIGUEL MADEIRA Frederik Salomons recorda a tristeza do filho ao ser levado pela GNR da Noruega critica justiça portuguesa Duas crianças estão, há três anos, no meio da guerra que os pais travam pela sua guarda e à espera que dois tribunais decidam o seu destino dos menores atingiu o seu ponto máxi- Paula Torres de Carvalho mo quando o pai decidiu ausentar-se a A demora no julgamento de um com eles para Espanha durante oito processo de regulação do poder pa- meses, negando-se a voltar a entregá- ternal de duas crianças, filhos de um -los à mãe. holandês e de uma norueguesa, pelo Kristin acusou Frederik de rapto Tribunal de Cascais, levou o Supremo com base na Convenção de Haia Tribunal da Noruega a pronunciar-se sobre rapto internacional de crian- a favor da abertura de um processo ças, acusação a que responderá em também naquele país, para acelerar a julgamento, também na Noruega, no decisão sobre a guarda dos menores, próximo dia 19. com seis e oito anos. Os dois proces- Para decidir a atribuição do poder sos estão agora a decorrer, ao mesmo paternal, o Tribunal de Cascais mar- tempo, nos dois países. cou a primeira audiência de julgamen- O acórdão de 26 de Dezembro úl- to para 4 de Setembro de 2006, três timo, assinado por três juízes, consi- anos depois da entrada do primeiro dera que “os interesses das crianças” requerimento para acção do poder pa- se “sobrepõem ao tempo de espera” ternal. A segunda sessão realizou-se na a que têm estado sujeitas pela demo- terça-feira passada, ficando marcada ra do tribunal em decidir o assunto. nova audiência para 27 de Março. Uma primeira conferência está marca- Impaciente, Kristin Grankvist já da para o próximo dia 21, no Tribunal requerera, em 2005, a abertura do A demora processo na Noruega, o que foi nega- do Tribunal do, já que o caso estava num tribunal de Cascais português. Foi então acordado um prejudica período de espera de seis meses pa- o interesse ra dar oportunidade à marcação do das crianças, julgamento e a uma decisão definitiva acusa a justiça sobre o destino das crianças, mas tal norueguesa não se verificou. de Trondheim, a 500 quilómetros de Oslo, com a presença dos pais das Noruega mais célere a tribunal porque os adultos chegam lá com as crianças. “Estavam felizes, crianças, que residiam em Cascais. Kristin voltou a pedir a abertura do Resgate das crianças a acordo acerca do regime de guarda frequentavam um infantário, convi- Em Portugal, o processo arrasta-se processo. Frederik recorreu, contes- GNR foi buscá-las dos filhos. viam com crianças da idade delas”, desde Setembro de 2003, quando a tando que o caso fosse apreciado, ao conta. Assegura que teve sempre o norueguesa Kristin Grankvist reque- mesmo tempo, por dois tribunais dife- com metralhadoras Ele ama-os cuidado de fazer chegar informação reu a custódia dos seus dois filhos, um rentes em dois países. Mas o Supremo Numa fotografia em cima de um móvel a Kristin, para que soubesse que os menino de cinco anos e uma menina Tribunal acabou por decidir a favor. No dia 4 de Março de 2005, cinco da sala, em Cascais, um menino louro filhos estavam bem. “Só não dizia de três, após ter decidido separar-se “Neste caso, é muito importante soldados da GNR armados com e uma menina de cabelo mais escuro onde estávamos”, afirma, explicando do pai deles, o holandês Frederik Sa- uma decisão rápida”, consideram metralhadoras foram a uma sorriem. Frederik Salomons, alto e que os levara porque temia pela sua lomons, de 59 anos. os juízes, alegando que, quando a casa de Malveira da Serra onde forte, fala pausadamente. Os seus segurança junto da mãe que estaria A conferência de pais para atribuir decisão de um processo no estran- o holandês Frederik Salomons olhos brilham quando se refere aos perturbada psicologicamente. a guarda das crianças foi marcada pelo geiro “levar muito tempo”, como “é convivia com amigos. Tinham seus “meninos”. Tinham então seis e “É inaceitável que os tribunais, em Tribunal de Cascais para 19 de Feve- o actual caso, pode haver uma necessi- uma ordem do Tribunal de quatro anos. Resolvera levá-los para Portugal, só considerem os processos reiro de 2004. Na impossibilidade de dade forte de ser decidido na Noruega Cascais: resgatar duas crianças, Espanha, entre Alicante e Valência, já urgentes quando há vítimas e não fa- conseguir acordo entre as partes, o num processo mais rápido”. de quatro e seis anos, que que a mãe recusara cumprir o regime çam nada para o evitar”, critica. juiz confiou as crianças, provisoria- Contactada pelo PÚBLICO, a advo- estavam ilegalmente na posse de férias e visitas das crianças estabe- “Estive quase oito meses sem ver os mente, à mãe, até ao julgamento. gada de Frederik, Trine Stromman, do pai. “Quando viu os GNR, lecida pelo tribunal. meus filhos e sem ter a certeza de que O incumprimento de períodos de considerou este processo “especial”. o meu filho desatou a chorar, “Estava tudo combinado para ir estavam bem”, diz Kristin, contactada férias e de visitas das crianças e a falta Disse que não é habitual que os tribu- estava muito nervoso”, conta com os meninos à festa dos 87 anos telefonicamente pelo PÚBLICO. de pagamento da pensão de alimentos nais noruegueses apreciem casos que Frederik. Foi um amigo que, do meu pai, na Holanda. Já tinha os “Nós não conseguimos viver jun- levou, entretanto, a frequentes atritos estão em tribunais de outros países, com o acordo dos soldados, bilhetes na mão. Ela não mandou os tos, eu resolvi sair e ele não aceitou. e discussões entre o casal que levaram o que só acontece nesta situação de- levou as crianças até ao posto. miúdos”. Quando os apanhou, mais Decidi ir para a Noruega para tirar as à apresentação de diversos requeri- vido ao “atraso” na decisão que está Segundo a mãe, a primeira coisa tarde, em Portugal, resolveu seguir crianças do meio”, explica Kristin. mentos, tanto ao Tribunal de Cascais a “prejudicar” os menores. que a filha lhe disse quando o conselho de alguns amigos para ir “Ele estava muito triste, eu compre- como ao de Trondheim, onde Kristin Stromman explicou que, na No- chegou junto dela, foi: “Mãe, eu “dar uma voltinha” com os filhos, em endo. Explico às crianças que ele só está hoje com os filhos. ruega, a grande maioria dos casos de nunca mais vou ser má contigo”. vez de os entregar à mãe. Arrendou os levou para Espanha e faz isto tudo A “guerra” entre o casal pela posse regulação do poder paternal não vai uma casa em Espanha e instalou-se porque as ama.”
  • 16. Público • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 • 19 O primeiro-ministro vai entregar substituirá o BI e os cartões de na quarta-feira, no Faial, os dois contribuinte, Segurança Social primeiros Cartões do Cidadão. Os e Saúde. O Cartão do Cidadão portugueses vão pagar 12 euros vai servir sobretudo para pela emissão deste cartão, que identificação electrónica. Antropóloga defende que pais biológicos Portuguesa acusada de e pais adoptivos não têm de ser inimigos morte de bebé dois. E ela optou pela adopção restrita donam, que são más, e das que adop- a Está marcado para hoje, na Cidade Ana Cristina Pereira de um e pela tutela de outro. Os seus tam, que são boas”, avalia. Só que a Esmeralda faz anos do Cabo, África do Sul, o julgamento É uma espécie de “caso filhos “têm uma história, que é deles, realidade não é a preto e branco. “Pais de Dina Rodrigues, uma luso-descen- que ninguém pode apagar”. biológicos e pais adoptivos não têm de dente acusada de contratar quatro Esmeralda” ao contrário. O quadro, pintado pela técnica ser inimigos.” homens para matar um bebé de seis Antropóloga podia fazer de segurança social, era de absoluto O caso de Esmeralda, objecto de meses, por desentendimentos com o adopção plena e optou por abandono. A mãe biológica partira feroz disputa legal entre o pai bioló- pai da criança. tutela para manter o pai sem olhar para trás. M. não tinha pai gico e os pais “adoptivos”, fere a sua O alegado crime remonta a 15 de Ju- e o pai de L. “não lhe ligava”. “A insti- sensibilidade — “Aqueles pais fazem nho de 2005. A jovem, de 25 anos, está biológico na vida da criança tuição olha com preconceito para este espelho um ao outro”. O problema é detida desde Outubro do ano passado. homem negro, que trabalha na cons- que “a sociedade ainda vê os filhos co- O magistrado revogou a sua liberda- a Todas as noites L. pede pelo pai e trução civil.” Eglantina não. “Achei que mo propriedade dos pais”. “Não é por de sob caução por supostamente ter pelos meninos do centro de acolhimen- era importante manter a relação.” acaso que só se quer adoptar crianças ameaçado os pais da criança. to que um dia o recolheu. Nas férias, A progenitora era prostituta, como já pequenas. Há aquela preocupação de Pelo quarto ano, o pai biológico, A rapariga, que à data namorava a meia-irmã faz voluntariado lá. No o fora a avó. Tivera vários filhos rapa- ‘tornar igual a mim”. E isso “não é só Baltazar Nunes, comprou uma com o pai da menina, clama inocên- Natal, M. recebeu algum dinheiro e zes e não ficara com nenhum. Manteve falta de altruísmo, é falta de mundo, de prenda que Esmeralda, que faz cia. O julgamento arrasta-se desde 30 quis levar as crianças ao Museu de apenas M. Talvez “para fazer carreira”. disponibilidade para a vida”. hoje cinco anos, não receberá. de Janeiro de 2006. Foi interrompido Ciência Viva. O trolha conheceu-a na Madeira. Dese- Tem medo que, um dia, o pai de L. Está com a mãe adoptante, diversas vezes por motivos de variada Não vieram parar à quinta algar- joso de cortar rotinas, convenceu-a a o queira levar – “Também tenho medo que sempre impediu contacto natureza. via, que agora habitam, por acaso. mudar-se para o Algarve. Quando ela o que alguém os rapte da escola. Não é entre ambos e que foge com ela Depois de um interregno de quatro Eglantina Monteiro, antropóloga, deixou, com uma criança de seis meses por isso que hipoteco uma relação logo desde que o tribunal decidiu meses, deveria ter recomeçado a 29 candidatou-se a adopção e a família e outra de sete anos, ficou atarantado. à partida!” Para já, estão todos felizes. a sua entrega a Baltazar. O pai de Janeiro. O tribunal concedeu mais de acolhimento. Atribuíram-lhe uma Entregou-as. “Às vezes, o pai de L. telefona. De vez adoptante continua preso. 14 dias à defesa para esta preparar menina de nove anos e um menino de “Há a ideia das pessoas que aban- em quando, vem vê-los.” melhor a sua estratégia. A.C.P. 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  • 17. 20 • Público • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 Portugal Incêndios Balanço “independente” à época de 2006 pode ser anulado MAI fez ajuste directo ilegal a empresa que avaliou combate aos fogos Ministério não justificou condições excepcionais que lhe permitiram fugir ao concurso público. Estudo custou 375 mil euros ao Estado O secretário de Estado assinou o Mariana Oliveira despacho de contratação dos servi- a O Ministério da Administração In- ços a 13 de Julho e a McKinsey come- terna (MAI) contratou, através de um çou a trabalhar no terreno logo no ajuste directo no valor de 375,7 mil eu- dia seguinte, segundo o próprio MAI. ros, a empresa que fez “pela primei- O contrato durou três meses, tendo ra vez” o balanço “independente” das terminado a 14 de Outubro. Na altura operações de combate aos incêndios da apresentação pública do estudo, a florestais do ano passado. Três juris- 17 de Novembro, o ministro da Admi- tas que analisaram o despacho do se- nistração Interna, António Costa, real- cretário de Estado da Administração çou a importância de as operações de Interna, Ascenso Simões, a justificar o combate terem sido acompanhadas recurso excepcional ao ajuste directo, “pela primeira vez por uma entidade consideram que o mesmo é ilegal, po- independente”, o que “era importante dendo ser susceptível de anulação. que continuasse”. A McKinsey & Company, a empresa contratada, não quis comentar o caso. Contrato é nulo, dizem juristas O MAI, por sua vez, diz que o contrato Vieira de Andrade, catedrático em Di- foi estabelecido de acordo com a lei. reito Administrativo na Universidade Para fugir à regra do concurso de Coimbra, considera que para se di- público, o MAI recorreu à alínea d) zer que existe apenas um fornecedor do artigo 86º do Decreto-Lei 197/99 único tem que haver uma justificação (regime de contratação pública), que que convença uma pessoa normal. justifica o recurso ao ajuste directo em “Do despacho não resulta esse casos que, por motivos de aptidão téc- fundamento. Por isso, o contrato é nica ou artística excepcional, haja um inválido, porque tem pelo menos um único fornecedor de bens ou serviços. vício de forma”, defende o professor O despacho assinado por Ascenso Si- universitário. Vieira de Andrade diz mões, por proposta do presidente ainda que qualquer empresa que A Sociedade esteja em condições de fornecer es- a quem foi te serviço pode pedir a anulação do entregue o contrato. Contudo, como este já foi estudo já tinha concretizado, só terá direito a uma trabalhado de indemnização se conseguir provar a borla para o existência de prejuízos. ministério de Pedro Gonçalves, docente de Direi- António Costa to Administrativo na Universidade de do Serviço Nacional de Bombeiros e Coimbra, também não tem dúvidas de Protecção Civil (SNBPC), não refere, que há uma ilegalidade no contrato. “A contudo, que a McKinsey é a única lei prevê um ajuste directo quando no capaz de fazer este estudo. mercado não há mais ninguém com- Pela primeira vez, o balanço foi feito por uma entidade externa O despacho diz apenas que, “após provadamente capaz de prestar aque- uma pesquisa de mercado de empre- le serviço”, argumenta. E exemplifica sas que, a nível internacional, desenvol- com “uma obra do Siza Vieira que só Estudos das Scut seguiram o mesmo caminho veram trabalhos que correspondem às necessidades do SNBPC, evidencia-se ele pode fazer” ou com “uma situação de monopólio na oferta”. Contratos de 275 mil euros entregues a empresa de adjunto de ministério alguns trabalhos relevantes desenvol- “Não está em causa o valor da vidos pela empresa McKinsey & Com- McKinsey na avaliação do combate A adjudicação, feita também por adjunto de Paulo Campos, saiu suspeitas de favorecimento de pany na área da protecção civil”. a incêndios florestais. Podem até ser ajuste directo, de dois estudos que da empresa para o Governo. No empresas com ligação a membros De seguida, o documento enume- os melhores, mas isso tem que ser de- sustentaram a decisão do Governo despacho de nomeação, lia-se do actual Governo”. O deputado ra cinco trabalhos nesta área e outras monstrado num processo de concurso de colocar portagens em algumas que Gueifões “mantém vínculo social-democrata Jorge Costa, o experiências de alguma forma relacio- público e transparente. O despacho diz Scut a uma sociedade fundada à empresa F9 Consulting”, uma primeiro subscritor do documento, nadas com o tema. Entre os estudos que a McKinsey é muito boa, mas isso por um adjunto de Paulo Campos, referência que o ministério veio lembrou que “o processo de feitos, refere-se um que a McKinsey não chega”, sustenta. actual secretário de Estado das dizer tratar-se de um “lapso”. O adjudicação destes mesmos realizou para o MAI, gratuitamente, João Correia, advogado com uma Obras Públicas, esteve envolta PSD apresentou na altura um estudos foi realizado por ajuste entre Janeiro e Março do ano passa- vasta experiência nesta área, concorda em grande polémica. A notícia, requerimento ao Ministério das directo, sem recurso a concurso do. O “apoio” destinava-se a ajudar a que o despacho não está devidamente divulgada em finais de Outubro, Obras Públicas, considerando que público”. Os pareceres técnicos definir prioridades para a época de fundamentado, tornando-se por isso precisava que Vasco Gueifões, os estudos suscitavam “graves custaram 275 mil euros. incêndios de 2006. susceptível de anulação.
  • 18. Público • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 • 21 FOTÓGRAFO ANDRE AMARAL São muitas as críticas dos pilotos SNBPC está a analisar denúncia Governo terá perdoado multa a consórcio a quem alugou meios aéreos a O Ministério da Administração ao PÚBLICO que a instituição recebeu Interna (MAI) terá tratado “diferen- o relatório da APPLA, estando neste ciadamente” as várias empresas a momento a analisá-lo. quem alugou meios aéreos de com- O comandante Galinha Dias, da bate a fogos, perdoando a umas as Agroar, recusa que tenha havido per- inoperatividades — tempo em que dão de inoperatividades, mas admite os aparelhos não estão disponíveis que o MAI e o SNBPC recuaram em para voar por motivos imputados à parte das penalizações. “A 26 de Julho, companhia —, que implicam multas, fomos informados de que os pilotos e a outras não. A denúncia é feita pela que não eram fluentes em Português Associação dos Pilotos Portugueses de [uma exigência do caderno de encar- Linha Aérea (APPLA), nas conclusões gos] deviam parar a operação”, refere das jornadas que fizeram o balanço Dias, o que obrigou a que cinco aviões dos fogos florestais de 2006. médios de combate aos fogos e alguns O relatório, concluído em finais de ligeiros tenham estado parados duran- Janeiro, diz que “foram detectados te quase dois dias. tratamentos diferenciados” quanto “Enviámos um ofício ao SNBPC a às várias companhias contratadas. explicar que, como as assinaturas Segundo a APPLA, “o avião que ficou dos contratos foram feitas apenas um ‘inop’ [inoperativo] na Covilhã teve mês antes da operação, não tivemos um tratamento diferenciado” [mais hipótese de ter pilotos fluentes em Por- gravoso] do que “outros pertencen- tuguês e com experiência em combate tes ao consórcio Agroar, Avitrata e a fogos. A alternativa era ter um oficial Aeronorte”. Os pilotos adiantam que de ligação que falasse Português, co- estas três empresas tiveram as ino- mo o Governo fez no Beriev”, justifica. peratividades retiradas “depois da “Aceitaram a justificação e retiraram- interferência do ministério”. -nos as ‘inop’ durante os dois dias.” “Esta é uma questão crítica, por- Galinha Dias insiste, contudo, que que quantas mais ‘inop’ existirem outras três inoperatividades — duas de- mais multas paga a empresa. O MAI vido a falhas técnicas e outra devido ou retira as ‘inop’ a todos ou então tem à fraca fluência em Português de um que explicar muito bem porque tirou a piloto polaco — não foram perdoadas. uns e a outros não”, argumenta o co- Assume que alguns dos pilotos polacos mandante Luís Pereira Santos, relator tinham problemas em compreender das conclusões das jornadas. as indicações que lhes eram dadas, O MAI remeteu explicações para mas alega que o caderno de encargos o Serviço Nacional de Bombeiros e exigia “falar fluentemente Português Protecção Civil (SNBPC). Gisela Oli- e não perceber fluentemente Portu- veira, porta-voz do SNBPC, adiantou guês”. M.O.
  • 19. 22 • Público • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 Portugal As 100 medidas de Ségolène Royal para a presidência de França Mundo, página 24 Companhia recusou seguro de vida a Sandra por sofrer de doença grave doras. Recusaram, às vezes com um ano passado, um crédito à habitação ca existiu, por parte desta seguradora Catarina Gomes conselho: ocultar o seu estado de noutro banco: não lhe exigiu um segu- qualquer discriminação”. Bateu à porta de vários saúde. Recusou. Muitos “mentem e ro de vida — até hoje por atribuir. No caso concreto, refere-se que “não a seguradora fica com a faca e o quei- O BPI respondeu por e-mail que, no se trata de uma recusa, mas sim de um bancos, nalguns casos foi jo na mão”, diz. “Se a pessoa volta a caso de Sandra, “aprovou o crédito, adiamento, dada a especificidade da aconselhada a esconder que adoecer, o contrato é considerado que só não foi concretizado porque doença em causa e a consequente aná- tinha leucemia. A seguradora nulo. Toda a gente sabe, toda a gen- a Allianz recusou o seguro e a cliente lise clínica, baseada no estádio actual te se cala. Esbarrei contra um muro não apresentou alternativa”. do conhecimento relativo a essa doen- Allianz rejeita qualquer gigantesco.” Segundo a seguradora, a avaliação ça”. A Allianz Portugal diz não dispor prática discriminatória “Como é que o Estado me atribui individual de cada pedido “é feita pelo de estatísticas de recusa, mas remete Os fechos têm motivado protestos um grau de incapacidade para me dar corpo clínico da companhia” e com- para estudos internacionais que refe- a Ter uma taxa de juro bonificada era benefícios e depois isso seja o maior plementada por “análise estatística”. rem que só um a dois por cento dos Na resposta por e-mail lê-se que “nun- Consulado para Sandra Nobre a única vantagem de uma doença dignosticada em De- problema?”. Conseguiu finalmente, no pedidos de seguro são recusados. de Portugal zembro de 2003: leucemia. Esteve em isolamento quatro meses, recebeu um PAULO RICCA Queixas duplicam em Vigo poderá autotransplante, duvidou que ia recu- perar mas saiu do Hospital de São João, Regulamentação da lei manter-se no Porto, em Maio do ano seguinte. As idas ao médico começaram a ainda por promulgar espaçar-se. “Estou em remissão total desde 2004”, conta. Uma junta médi- A lei que proíbe as seguradoras ca atribuiu-lhe 80 por cento de inca- de recusar seguros de vida com Ana Cristina Pereira pacidade. Podia “ficar sentada a ver base em deficiência ou “risco a O ministro dos Negócios Estran- televisão”, mas isso seria desistir de agravado de saúde” entrou em geiros, Luís Amado, deverá explicar, viver. Sandra tem 34 anos, é produto- vigor em Agosto passado. As sexta-feira, no Parlamento, o plano de ra de conteúdos num site da Internet, queixas sobre este assunto reestruturação consular. A imprensa trabalha oito horas por dia. recebidas na Associação galega adiantava ontem que o Consula- Com “uma boa situação profissio- Portuguesa para a Defesa do de Vigo, afinal, não deverá fechar. A nal”, foi ao seu banco pedir um crédito do Consumidor duplicaram porta-voz do ministério não confirma à habitação, o BPI. Disse que tinha tido de 20 para 40, sobretudo de nem desmente. leucemia. “Fui sincera.” Por lei, estava doentes com cancro, mas a O ministério está relutante em isenta do pagamento de spread devido regulamentação da nova lei libertar informação sobre eventuais ao seu grau de incapacidade. espera promulgação. alterações ao plano inicial antes de se Aceitaram-lhe o crédito à habitação A legislação prevê sanções reunir com o Conselho das Comunida- em Janeiro de 2006, avisando-a que o — desde coimas até à suspensão des Portuguesas (CCP), na quarta-feira. seu seguro de vida poderia agravar-se da actividade — para práticas A contraproposta daquele órgão “tem em 100 por cento. discriminatórias, tanto de recolhido opiniões positivas”, adianta Pagos seis mil euros de entrada e seguradoras como de bancos. o presidente daquela estrutura, Carlos assinado o contrato de promessa de António Lino, jurista da Deco, Pereira. compra e venda, recebeu do banco considera “a legislação Vigo é precisamente um dos pontos a recusa de crédito. A seguradora demasiado recente para se saber de discórdia. Os conselheiros não só Allianz, que pertence ao grupo do o âmbito verdadeiro da sua contestam a anunciada pretensão de BPI, recusou-lhe o seguro de vida. A intervenção”, mas “o problema encerrar o consulado como reivindi- recusa baseou-se no facto de sofrer continua a existir”. cam o seu reforço. Na Galiza, de resto, de leucemia. “Não sabem de que Rui Narciso, da Federação de políticos dos diversos partidos, sindi- tipo é, o que pensa o meu médico Instituições de Apoio a Doentes catos e entidades patronais defendem assistente”. Assentaram a recusa no Crónicos, diz que as seguradoras igual posição. Há 20 mil portugueses rótulo de doença incurável, critica. têm, nalguns casos, contornado recenseados naquela região autónoma Informaram-na que podia ir a outras situações de possível recusa espanhola e um incontável número de seguradoras. fazendo seguros de vida aos trabalhadores pendulares. Foi o que fez — procurou mais Sandra Nobre tinha um benefício cônjuges dos doentes. O plano de reestruturação consular quatro bancos e respectivas segura- que se tornou num problema tem suscitado protestos em vários paí- ses, com destaque para os Estados Uni- dos e para França. Anteontem, meio milhar de portugueses concentrou-se em frente ao Consulado de Versalhes. Portugueses residentes na Suíça não foram autorizados Ao longo de duas horas, os manifes- tantes cantaram, por diversas vezes, a ver o cadáver nem sabem causa da morte do filho a Portuguesa, empunhando cartazes com os dizeres: “Reestruturação con- sular sim, liquidação não.” No consu- clínica psiquiátrica. A 12 de Outubro, 2 de Janeiro. “Fomos diversas vezes O embaixador Eurico de Paes já Ana Cristina Pereira lado de Versalhes, aberto há 35 anos, a polícia levou-o. ao hospital para o ver e foi-nos sem- terá solicitado, sem sucesso, os re- estão inscritos 120 mil portugueses. a A dúvida consome os pais, resi- Por várias vezes, Tiago terá ligado pre negada a visita. Foi-nos negado o latórios ao hospital. “A situação é A França é o país mais afectado. A dentes na Suíça desde 1986. Inter- para a Embaixada de Portugal em direito de ver o nosso filho em vida, demasiado grave”, considera o con- reforma prevê para ali o encerramento nado numa clínica psiquiátrica de Berna a pedir ajuda. “O resultado foi como nos foi negado o direito de o ver selheiro Manuel de Melo. O enigma de seis estruturas. Desde que tal in- Munsingen,Tiago Jorge morreu mis- nulo”, alega o pai, Miguel Jorge, que morto. Foi negado o nosso direito de deverá ser esclarecido “não apenas tenção foi revelada, em Dezembro, teriosamente em Janeiro, no Hospital também terá contactado a diplomacia reconhecer o corpo, foi negado o nos- no que diz respeito à acção dos servi- os portugueses residentes em França Insel de Berna. Tinha 23 anos. Em co- portuguesa. A última vez que Miguel so direito de nos pronunciarmos sobre ços e autoridades hospitalares suíços, desdobraram-se em vigílias, concen- municado à imprensa, o conselheiro Jorge e a mulher viram o filho foi a 17 a autópsia”, insurgiu-se Miguel Jorge, mas também” sobre o modo como a trações, petições e abaixo-assinados. das comunidades portuguesas Manuel de Dezembro. A partir dali, a clínica citado pelo Gazeta Lusófona. embaixada acompanhou o caso. “Por Para 4 de Março, estão agendadas de Melo fala em “negligência grave”. recusou-lhes as visitas, tal como o Da certidão de óbito não consta a que razão não foi promovida uma manifestações em Nogent, Versa- Hospitalar e diplomática. hospital para onde o rapaz entrou a causa da morte. Duas autópsias terão qualquer visita a um jovem que se lhes, Orléans, Tous, Lille e Toulouse A história fez manchete no último A acção dos sido realizadas, sem que os resultados encontrava internado num hospital (os seis com morte anunciada). Para número do Gazeta Lusófona. Em Julho, serviços e chegassem aos pais. O rapaz morreu a e que, de forma desesperada, pedia dia 18, grande concentração em Paris. Tiago fora consultado pelo médico de autoridades 8 de Janeiro e a 12 a agência funerária insistentemente ajuda à embaixada? O Governo dá já sinais de algum recuo. família, em Thun, sem que este lhe ti- hospitalares entregou as cinzas. Os pais não foram Qual a informação trocada entre os Manter-se-á o Consulado de Portugal vesse encontrado doença que não a suíços está consultados sobre a opção. Para sua serviços da embaixada e os pais do em New Bedford (Estados Unidos), dependência de cannabis. Fumava 20 pouca clara “surpresa, existe um documento, “um jovem Tiago? Que acções foram de- garantiu já o presidente do Governo a 30 charros por dia. Mediante denún- na morte do tipo de testamento”, em que o jovem senvolvidas pelos serviços da embai- Regional dos Açores, Carlos César. cia, foi forçado a fazer uma cura numa português afirma querer ser cremado. xada?”, questiona.
  • 20. Público • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 • 23 Portugal Helena Matos vai concordar ou discordar de Rui Tavares? Amanhã na última página Vital Moreira chegará ao Tribunal Mais 41 militares portugueses Constitucional já a pensar na presidência a caminho do Afeganistão dez que são eleitos pela Assembleia escolhida em 1998, logo após a altera- Ministério Público — e Pedro Bacelar Leonete Botelho da República (os outros três são coop- ção da Lei do TC, pelos então líderes de Vasconcelos, constitucionalista PS e PSD preparam, no tados por aqueles) em lista única que do PS e do PSD, António Guterres e da Universidade do Minho e que foi a Quarenta e um militares portugue- tem de obter dois terços dos votos dos Marcelo Rebelo de Sousa. cabeça de lista pelo PS à Assembleia ses partem hoje, às 9h, num Hercules segredo dos gabinetes, a lista deputados. Agora, José Sócrates e Marques Municipal do Porto nas últimas elei- C-130, da base aérea de Figo Maduro, dos próximos juízes. Eleições Com a saída do actual presidente, Mendes têm pela frente a mesma ta- ções autárquicas. em Loures, para a capital afegã, com o podem ocorrer em Março Artur Maurício (conotado com o PS), é refa: propor ao Parlamento nomes de Na área socialista, também há a hi- intuito de render parte do contingente provável que ascenda à presidência do juristas com elevado reconhecimento pótese Vitalino Canas, actual deputado português que integra a Força Interna- TC o actual vice-presidente, Rui Moura e independência, que possam desem- e porta-voz do PS e também especialis- cional de Assistência e Segurança. a As negociações ainda decorrem Ramos. É que, apesar de a lei dizer que Vital Moreira é ta em assuntos constitucionais. Mas é Três destes militares, que perten- num inner circle dos dois maiores os presidente e vice-presidente do TC incontestado, um nome que agrada menos a alguns cem à quarta missão portuguesa no partidos, mas já estarão fechadas ao são eleitos por voto secreto, a tradição proposto pelo PS, sectores, dada a excessiva proximida- Afeganistão, irão para o quartel-ge- nível dos líderes do PS e do PSD: em aponta para uma sucessão quase di- mas há outros de com o aparelho partidário, o que neral da força da NATO, comandada breve, as eleições para os seis novos nástica do presidente. juízes a eleger não garantiria a imagem de distancia- desde dia 4 pelo general norte-ame- juízes do Tribunal Constitucional Se a tradição continuar a ser o que cujos nomes mento que um juiz do TC deve ter. ricano Dan McNeill. O resto da 2.ª (TC) têm de ser marcadas e o assunto é, as escolhas que agora se fizerem ainda estão em Pelo lado do PSD, são apontados os Companhia de Comandos, explicou aberto é demasiado sério para se deixar para poderão determinar o destino do TC nomes de Blanco de Morais, Jorge Ba- o porta-voz das Forças Armadas, via- a última hora. Vital Moreira é um no- nos próximos nove anos. Vital Morei- penhar o papel que a Constituição lhes celar Gouveia e Luís Marques Guedes. jará no final do mês para Cabul, tota- me incontestado, proposto pelo PS já ra deverá ser o nome indicado para reserva — e que é o de garantir o res- Este último poderia causar alguma sur- lizando 150 militares portugueses no a pensar na próxima presidência do a vice-presidência, de modo a que, peito pela própria Constituição. presa pelo facto de ser o actual líder Afeganistão. TC, a assumir dentro de quatro anos quando daqui a quatro anos e meio O leque de nomes de que se fala é da bancada social-democrata no Parla- Vinte e um militares da 11.ª Com- e meio. Mas a democracia é assim: Rui Moura Ramos atingir o limite do bastante restrito, sendo certo que aqui mento. Mas num cenário de alteração panhia do Batalhão de Infantaria Pá- pensa-se a prazo. mandato, possa ser substituído natu- não há paridade, pois entram apenas do grupo parlamentar que tem vindo ra-quedista que está desde Agosto no Dentro de um mês, a 11 de Março, ralmente. homens. Pelo lado do PS, além de Vital a ganhar terreno, sobretudo pelo cres- Afeganistão regressa na próxima sexta- seis dos 13 juízes do TC cumprem os Mas as indicações não ficam por Moreira, são apontados como prová- cente descontentamento interno, a -feira. Os soldados que partem hoje nove anos de mandato que a lei im- aqui. Dos seis juízes que saem, três são veis Rui Pereira — presidente da Uni- “prateleira dourada” para o filho do vão estar pela segunda vez no Afega- põe como prazo máximo e têm de conotados com o PS e outros tantos dade de Missão para a Reforma Penal primeiro presidente do TC significaria nistão, depois da primeira missão rea- sair. Todos pertencem ao grupo de com o PSD. A composição tinha sido e membro do Conselho Superior do uma saída pela porta grande. lizada no último semestre de 2005. PUBLICIDADE Os cofres de Alta Segurança da Fábrica de Chaves do Areeiro, são concebidos à medida dos nossos clientes e de acordo com as suas necessidades. Serviço de Assistência por Técnicos especializados e responsáveis.
  • 21. 24 • Público • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 Mundo “Não vale a pena negar que tem sido o drama da minha vida”, diz Chirac sobre a anorexia da filha em L’Inconnu de l’Elysée, livro a sair em breve, onde fala pela primeira vez da vida privada França O pacto presidencial da candidata do PSF ao Eliseu Ségolène vira ERIC FEFERBERG/AFP A socialista apresentou a educação como “o coração da República” à esquerda com 100 medidas para a França Candidata socialista às presidenciais de Abril-Maio prometeu ontem economia mais intervencionista e um modelo social mais generoso o índice dos preços”. As pensões de Carina Branco, Paris reforma seriam aumentadas em 5 por a Perante cerca de oito mil partidários cento e transferidas mensalmente. e 600 jornalistas que se deslocaram Royal começou por assumir a “crise a Villepinte, perto de Paris, Ségolène social, económica, moral e ecológica” Royal, a candidata socialista que aspi- que a França atravessa e propôs um ra a ser primeira mulher Presidente “pacto de honra” com os eleitores. Es- de França detalhou ontem um plano te pacto prevê também a construção em 100 pontos para tornar o seu país anual de 120 mil residências sociais, “mais forte e justo”. um “seguro de alojamento vitalício”, Royal prometeu que o seu governo facilidades para as famílias que preten- será mais intervencionista na econo- dam adquirir uma propriedade e uma mia e defenderá um modelo social “extensão dos créditos a custo zero”. “mais generoso” contra as ideias de Outro dos grandes vectores do pro- globalização e economia liberal do seu grama incide sobre a juventude, para a rival da direita na corrida ao Eliseu, qual Ségolène Royal promete o “direito Nicolas Sarkozy. ao primeiro emprego”, limitando a sua Aquilo que “Sego” apresentou como busca até aos seis meses. Quinhentos um “pacto presidencial” inclui pro- mil “empregos jovens” e 2000 euros postas novas e outras inspiradas em é o montante que poderia ser empres- 6200 debates e 130 mil contribuições tado àqueles que estão a começar um dos “internautas-eleitores” alimenta- projecto profissional. A candidata pro- dos pelo seu site Desirs d’avenir. O re- põe ainda o reenquadramento militar sultado foi compilado em centenas dos jovens delinquentes. de páginas dos Cahiers de l’espérance, também apresentados ontem. Escola aos três anos A nível económico, a socialista pro- A educação foi apresentada como “o meteu o aumento do salário mínimo coração da República”, pelo que a “o mais rápido possível” e anunciou candidata anunciou a escolarização uma “conferência nacional sobre os obrigatória a partir dos três anos, o salários”, ainda este ano, para “rever apoio escolar gratuito (dado por estu- dantes que teriam contrapartidas nas universidades) e a imposição da “carta comum para ajudar os agricultores e poderíamos usar o termo ‘demagógi- ses”, num discurso que constituiu um Algumas promessas escolar” para “facilitar a mistura social a autorização da construção limitada co’”, comentou. contra-ataque a Ségolène Royal. “Que- e evitar a criação de guetos”. a normas ambientais são outras das Para Owen, “parte da intervenção ro falar a todos os franceses, quando Aumentar o salário mínimo A reforma das instituições é outra propostas. de Ségolène Royal menciona algumas outros só querem falar aos militantes para os 1500 euros “na nova das medidas que a socialista advo- Depois de uma série de polémicas sugestões “retiradas dos debates par- socialistas”, atirou “Sarko”, numa alu- legislatura” ga, a ponto de reclamar uma “Nova e sondagens recentes desfavoráveis, ticipativos”. No entanto, entende que são à adversária. Criar 500 mil empregos para República”. Quer introduzir a “de- Royal submeteu-se a um exame de estes devem ser considerados como Tal como Ségolène Royal, Nicolas jovens mocracia participativa”, através dos credibilidade diante dos eleitores, uma “operação mediática do Partido Sarkozy reiterou várias vezes preten- Assegurar que nenhum jovem “cidadãos-júris”, dos “orçamentos da própria família socialista e dos Socialista”. Frédérique Matonti resu- der ser “o porta-voz” daqueles “que fica mais de seis meses sem de participação social colectiva” ou adversários políticos. “Penso que “Quero falar nunca têm a palavra, daqueles cuja emprego do “referendo de iniciativa popular”. ela teve nota positiva neste exame”, a todos os voz é demasiado frágil”. Outra seme- Construir 120 mil habitações Descentralização é mais uma palavra- disse ao PÚBLICO Frédérique Maton- franceses, lhança com o discurso da candidata sociais por ano -chave, propondo a candidata dimi- ti, professora de Ciência Política na quando outros socialista foi a criação de “um novo Cobrar mais impostos às nuir o número de ministérios. Sorbonne-Paris I. “Uma das críticas só querem falar pacto republicano, baseado na con- empresas pelos seus proveitos e Para a saúde, Ségolène Royal preten- que lhe apontavam era a ausência de aos militantes fiança e no respeito”. menos nos lucros reinvestidos de ver a gratuidade dos cuidados mé- um programa e vimos que ela tem, de socialistas”, Naquela que constituiu a primeira Tentar que em 2020 a França dicos até aos 16 anos, a contracepção facto, um”, continuou Matonti. disse Sarkozy reunião dos seus comités de apoio assegure 20 por cento das gratuita às mulheres com menos de 25 me o programa como uma síntese dos local, Sarkozy usou mais uma vez no- necessidades energéticas com anos e o reforço da medicina escolar e Críticas de demagogia “debates participativos”, cujas ideias mes da esquerda francesa, como Max energias alternativas universitária. O ambiente é outro dos Já Bernard Owen, professor de Ciên- estão na base dos pilares do discurso Gallo e Léon Blum. Ao longo de todo o Contraceptivos grátis para cavalos-de-batalha da antiga ministra cia Política na Universidade de Paris – economia, sociedade e ambiente. discurso, o candidato da UMP apenas mulheres com menos de 25 anos do Ambiente, que defende um “plano II, crê que o discurso pode dar azo a Longe de Villepinte, no Quartier La- fez um anúncio: a eventual legalização Dar aos residentes estrangeiros de desenvolvimento maciço das ener- críticas de demagogia. “Ela propõe vá- tin, em Paris, o candidato da União da eutanásia: “Respeito as convicções, direito de voto nas eleições gias renováveis”, potenciando “cem rias medidas que implicam despesas e para o Movimento Popular (UMP, di- mas, no fundo, penso que há limites locais mil novos empregos”. o financiamento das mesmas não foi reita), Nicolas Sarkozy, assumiu ver-se ao sofrimento que se impõe a um ser A refundação da política agrícola explicado. Neste sentido, penso que como “o presidente de todos os france- humano”.
  • 22. 26 • Público • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 Mundo Saiba como foi a refeição da vida de Dick Nieeport Pública do próximo Domingo Irão tenta reabrir negociação sobre o nuclear Harvard tem pela primeira Jorge Almeida Fernandes é discretamente apreciada em Paris e Uma segunda mensagem iraniana vez uma mulher EUA acusam Teerão Teerão parece querer Berlim. Desagrada aos EUA, cuja polí- tica é aumentar o cerco económico ao foi ontem emitida por Ahmadinejad: “Estamos prontos para conversações presidente Irão e fazer pairar a ameaça de uma O Exército dos EUA acusou o mas não suspenderemos as nossas ac- estabelecer uma ponte de acção militar. Governo iraniano de fornecer tividades [nucleares].” diálogo com os europeus Larijani declarou ter informado explosivos cada vez mais Num discurso perante dezenas de Lucinda Canelas e russos, de modo a evitar ElBaradei sobre a disposição e as sofisticados à insurreição milhares de iranianos nas celebrações condições iranianas para retomar as iraquiana. Desde 2004, estes do aniversário da revolução islâmica, a Drew Gilpin Faust derrubou ontem o isolamento e a diluir a negociações. O mesmo terá debatido terão morto 170 militares prometeu a revelação de “progressos mais uma barreira nas instituições ameaça americana com Solana. americanos e ferido 620. Três únicos”, sobretudo no campo nucle- norte-americanas, ao ser nomeada oficiais convocaram ontem os ar. Admite-se tratar-se do anúncio da presidente da Universidade de Har- a O Irão está disposto a retomar as O outro discurso jornalistas em Bagdad para dar montagem de uma cadeia de 3000 vard, a mais antiga dos EUA. É a pri- negociações para “resolver” o conten- Além da vulnerabilidade às sanções conta das acusações e mostrar centrifugadoras. meira vez que uma mulher assume o cioso nuclear e para “não agravar” a económicas, o Irão confronta-se as armas, cuja “utilização “Por trás da suspensão, eles [oci- cargo desde a fundação da universi- situação” no Médio Oriente, decla- com o risco de isolamento regional: aumentou consideravelmente dentais] pensam burlar-nos, fazendo dade, há 371 anos. rou ontem em Munique Ali Larijani, a Arábia Saudita lançou uma ofensiva nos últimos seis meses”. “Estas promessas vazias para nos impedir “Sou uma historiadora. Passei muito o principal negociador iraniano. Teve junto dos países sunitas para travar actividades são comandadas ao de dominar o ciclo do combustível tempo a pensar no passado e em como um encontro com o chefe da diploma- as ambições iranianas. Mas, ao con- mais alto nível”, acusaram os nuclear.” ele dá forma ao futuro”, disse Faust cia europeia, Javier Solana”, por am- trário dos EUA, Riad está a negociar responsáveis que falaram sob Para alguns analistas, Teerão só no discurso divulgado por Harvard. bos considerado “construtivo”. Falan- com Teerão, designadamente sobre o anonimato e apontaram o dedo poderá retomar as negociações após “Nenhuma universidade no país, tal- do em Teerão, o Presidente Mahmoud Líbano, e opõe-se frontalmente a um aos Guardas da Revolução. uma demonstração de força que lhe vez no mundo, tem um passado tão Ahmadinejad, prometeu o anúncio de ataque militar. salve a face. extraordinário como esta. E agora a novos progressos nucleares e refutou nossa tarefa comum é tornar o futuro BEHROUZ MEHRI/AFP qualquer ideia de suspensão do pro- de Harvard ainda mais extraordinário grama. São mensagens opostas, mas do que o seu passado.” não necessariamente contraditórias. A escolha, oficializada pelo conselho Larijani, secretário do Supremo de supervisão da universidade, divi- Conselho de Segurança, é a voz auto- de opiniões. Os que a criticam dizem rizada do dossier nuclear. Falando na que lhe falta firmeza e experiência de 43.ª Conferência de Munique sobre Se- gestão de uma grande universidade. gurança, tentou romper o isolamento Os que a apoiam elogiam o seu estilo internacional do seu país e estabelecer conciliador. uma ponte com os “amigos europeus” Drew Faust, de 59 anos, nasceu na – Alemanha, França, Grã-Bretanha e Virgínia e foi professora na Universi- Rússia – que têm assumido uma posi- dade da Pensilvânia. Autora de cinco ção diferente da dos EUA. livros, na maioria sobre a guerra civil Afirmou que o Irão baniu as armas americana e a vida das mulheres no nucleares e químicas, que sofreu duas A historiadora guerras impostas, que tem “uma es- Drew Gilpin tratégia defensiva”, que “não ameaça Faust enfrenta nenhum país”, resume a AFP. Negou o desafio de apoio ao terrorismo e lembrou que os restaurar a bombistas que se suicidam na região confiança na “provêm de países amigos dos EUA”. presidência da universidade Condenou o “conflito sectário” entre sunitas e xiitas. Sul dos EUA, era até aqui reitora do Teerão parece interessada na Radcliffe Institute, o mais pequeno proposta de Mohamed ElBaradei, instituto de Harvard, que se dedica director da Agência Internacional de sobretudo a temas sociais. Energia Atómica (AIEA), que sugeriu “Harvard esperou muito tempo”, um compromisso, a “dupla pausa”: o disse ao jornal norte-americano Conselho de Segurança suspenderia The New York Times Patricia Albjerg as sanções ao Irão, que, por sua vez, Graham, professora de História da suspenderia o enriquecimento de urâ- Educação em Harvard, lembrando nio durante as negociações. Esta pro- que, quando era bolseira de pós-dou- posta, que tem o apoio de Moscovo, Desafio ao Ocidente nas celebrações da revolução islâmica em Teerão toramento, em 1972, estava proibida de entrar no clube da universidade pela porta da frente e de usar a sala Uma guerra fria bastou, responde Robert Gates a Putin de jantar principal. A decisão ocorre dois anos depois do então presidente de Harvard, La- wrence H. Summers, que se demitiu Gates defendeu que os EUA ainda são na importância da Aliança Atlântica, xos”, disse. “Quase”, porque “uma em Fevereiro do ano passado sob Teresa de Sousa “uma força para o bem no mundo”, não poderiam contrastar mais com a guerra fria bastou”. E passou ao que forte contestação, ter defendido que a Depois do virulento ataque de Vla- apesar da imagem criada pelos abusos imagem do antecessor. Foi também em verdadeiramente interessa – o futuro as mulheres eram menos aptas do dimir Putin aos Estados Unidos, que cometidos no Iraque ou em Guantána- Munique, em 2003, que Rumsfeld pro- da NATO, ao qual dedicou grande que os homens para atingir o topo da marcou o primeiro dia da conferência mo e do défice de explicações sobre as vocou a fúria dos aliados com a célebre parte do seu discurso. Para dizer que hierarquia universitária nas áreas da anual de Munique sobre segurança, foi suas decisões. Putin tinha acusado a frase sobre “a velha e a nova Europa”. a Aliança testa a sua credibilidade no Ciência, Engenharia e Matemática. a vez de Robert Gates lhe responder América de “unilateralismo” e de re- Nessa altura, véspera da invasão do Afeganistão, mas que também é do Professores ouvidos pelo diário ame- com humor, fleuma e uma boa dose correr sistematicamente à força para Iraque, a nova doutrina de segurança interesse de todos os aliados que as ricano e pelas agências Reuters e AFP de franqueza. O secretário da Defesa resolver os problemas mundiais, sem americana contrapunha à velha alian- coisas terminem bem no Iraque. defenderam que o estilo de gestão de americano disse que “uma guerra fria respeito pelo “direito internacional”. ça ocidental as “coligações de vonta- Curiosamente, foi dos participan- Drew Faust foi mais importante para bastou” e que a Rússia, se quiser, con- Foi a primeira intervenção de Gates de”, segundo as quais “é a missão que tes europeus que vieram as reacções a comissão que há um ano procurava tinuará a ser um parceiro do Ocidente num fórum internacional, desde que determina a coligação”. mais preocupadas ao discurso de Pu- um novo presidente do que o desejo para fazer face aos “muitos desafios co- substituiu Donald Rumsfeld à frente Gates, ao desdramatizar amigavel- tin. “Devemos levá-lo à letra”, disse o de nomear uma mulher. “É uma esco- muns que todos temos pela frente”. do Pentágono em Dezembro. O tom mente o ataque de Putin e ao insistir chefe da diplomacia sueca, Carl Bildt. lha cautelosa, que parece destinada a No sábado, o Presidente russo, que moderado que utilizou, a insistência precisamente no tópico que mais in- “Não sei como vamos negociar nova curar as feridas dos anos da presidên- pela primeira vez aceitou participar Se a Rússia comoda Putin – o reforço da Aliança parceria [com a Rússia] nesta base”, cia Summers e a restaurar o ímpeto de num fórum onde pontifica a fina-flor quiser, disse Atlântica –, acabou por aliviar o am- disse a “verde” alemã Angelika Beer. Harvard”, disse ao New York Times Ri- da defesa ocidental, abriu os trabalhos Robert Gates, biente pesado criado pelas críticas “Esta conferência costuma ser sobre chard Bradley, autor do livro Harvard da conferência com um ataque em li- continuará a ser contundentes do seu colega do anti- as bicadas entre americanos e euro- Rules (Harper Collins, 2005). nha aos EUA, lançando sobre o encon- um parceiro do go KGB. “Como um velho guerreiro peus. Será engraçado verificar se Putin Harvard passou a ser a quarta uni- tro a sombra da Guerra Fria. Ontem, Ocidente, para da Guerra Fria, um dos discursos de acabou por conseguir unir-nos”, disse versidade da Ivy League – oito universi- num tom diametralmente oposto, que fazer face aos ontem [sábado] quase me encheu de Ron Asmus, director de um think-tank dades com níveis de excelência e elitis- chegou a envolver alguma autocrítica, muitos desafios nostalgia por tempos menos comple- de Bruxelas. mo – presidida por uma mulher.
  • 23. 28 • Público • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 Mundo Há pais adoptantes que não querem cortar o laço dos filhos com os pais biológicos Portugal, pág. 19 Doença relacionada com o autismo desactivada através de terapia genética ças saudáveis e caracteriza-se por uma mente inesperados”, diz Bird, citado Ana Gerschenfeld regressão total da fala e uma perda da EUA com taxa alta por um comunicado da universidade. Em poucas semanas, motricidade, para além de ser frequen- “Até agora, a síndrome de Rett era con- temente acompanhada de dificuldades siderada irreversível, mas o nosso tra- tratamento genético fez respiratórias e de tremores semelhan- 560.000 balho mostra que a função neuronal Três vezes mais risco aos 40-44 desaparecer os sintomas tes aos do parkinsonismo. Há 560.000 americanos com é, de facto, recuperável”. da síndrome de Rett em Os cientistas, liderados por Adrian menos de 21 anos com autismo. Foi Bird quem identificou, em 1990, Grávidas depois ratinhos Bird, do Centro de Biologia Celular do Fundo Wellcome da Universidade de O número é muito mais elevado do que se pensava e traduz o MECP2, um gene que determina o fabrico pelas células de uma proteína dos 40 têm mais a O resultado apanhou de surpresa Edimburgo, provocaram a doença em ratinhos desactivando o MECP2 atra- uma incidência de um caso de autismo em cada 150 crianças cuja função é regular a expressão de outros genes, agindo como “interrup- nados-mortos os próprios autores da experiência, uma equipa de investigadores da vés da introdução, no meio do gene, de uma sequência genética que podia com menos de oito anos – uma das mais altas taxas do mundo. tor” desses genes na altura certa. Em 1999, Huda Zoghbi, do Baylor Universidade de Edimburgo, no Rei- ser retirada. Os ratinhos nascidos com A estimativa foi feita pelos College of Medicine, no Texas, desco- no Unido, que conseguiu erradicar o gene desactivado desenvolveram, Centers for Disease Control briu que a síndroma de Rett era cau- os sintomas da síndrome de Rett em uns meses depois, os sintomas carac- and Prevention, organismo sada por mutações no gene MECP2. Clara Barata ratinhos afectados por esta doença. terísticos da síndrome de Rett. responsável pelo controlo E, desde então, mutações neste gene a As mulheres que ficam grávidas após A descoberta permite esperar que, Mas quando os cientistas reactiva- epidemiológico nos EUA, e também têm sido detectadas em al- os 40 anos correm maiores riscos de um dia, esta doença humana possa ram o gene utilizando uma substân- publicada na revista Morbidity guns casos de esquizofrenia infantil, o seu bebé morrer no útero, concluiu ser travada e o seu curso invertido. O cia prevista para o efeito, observa- and Mortality Weekly Report. O de autismo clássico e de deficiências um estudo norte-americano apre- que é interessante, porém, é que esta ram uma remissão espectacular: em trabalho foi feito sobre dados de da aprendizagem. sentado ontem na Conferência sobre síndrome tem pontos de contacto com apenas quatro semanas, os ratinhos seis regiões em 2000. Catherine “Estes resultados são relevantes não Saúde Materna e Fetal, em São Fran- o autismo e a esquizofrenia e este tra- doentes pareciam ter recuperado as Rice, autora do estudo, considera só para a síndrome de Rett, como tam- cisco (EUA). balho vem abrir novos caminhos para suas faculdades motoras e cognitivas. que os dados fazem do autismo bém para uma classe muito mais alar- Há cada vez mais mulheres que são a investigação de novos tratamentos Estes resultados foram publicados no uma “preocupação urgente de gada de doenças, incluindo o autismo mães pelos 40, e há vários riscos asso- dessas doenças. último número da revista Science. saúde pública”. e a esquizofrenia”, declara agora Zogh- ciados a estas gravidezes, que podem Hoje em dia, não se fala apenas em “Os nossos resultados foram total- bi num comunicado da Fundação para resultar num nado-morto. A equipa de autismo, mas em “doenças relaciona- o Estudo da Síndrome de Rett, uma Mert Ozan Bahtiyar, da Universidade das com o autismo” (autism spectrum organização que também financiou as CARLA CARVALHO TOMAS de Yale, usou uma base de dados dos disorders). Basicamente, trata-se de experiências da equipa de Bird. Centros de Controlo e Prevenção das uma classe de perturbações do de- Embora doenças como o autismo ou Doenças que regista a mortalidade de senvolvimento que aparecem antes a esquizofrenia envolvam certamente fetos e nados-mortos. De acordo com dos três anos de idade e que têm em mecanismos muito mais complexos do a BBC on-line, os cientistas concluíram comum os sintomas do que se costu- que um único gene, os investigadores que as grávidas com idades entre 40 e ma chamar autismo, ou seja: por um acreditam que esta é uma nova via que 44 anos corriam três vezes mais riscos lado, graves deficiências ao nível da vale a pena explorar. Os tratamentos de ter um nado-morto do que as mu- comunicação e da interacção social e potenciais poderão passar por terapias lheres que tinham 25 e 29 anos. afectiva e, por outro, comportamentos genéticas que permitam substituir o A medida que mais reduz o nasci- e interesses estranhos e repetitivos. A gene MECP2 defeituoso pelo gene mento de bebés mortos é fazer testes estes sintomas centrais pode juntar-se normal, ou por tratamentos à base ao feto às 38 semanas de gestação, que o atraso mental, mas existem pessoas de substâncias capazes de inibir as incluam o registo da batida do coração autistas extremamente dotadas. proteínas fabricadas pelo gene mu- e a análise do líquido amniótico. A síndrome de Rett, por seu lado, é tante. “A recuperação de função nor- uma doença genética extremamente mal demonstrada no modelo animal”, incapacitante do ponto de vista físico acrescenta Zoghbi, “sugere que se con- Cheias em que se acompanha de sintomas de tipo autista e de atraso mental. Causada por seguirmos desenvolver terapêuticas contra a perda do MECP2 poderemos Moçambique já mutações num gene do cromossoma X, o MECP2, atinge principalmente as ser capazes de reparar os danos neu- rológicos em crianças e adultos com com 200 mortos raparigas (uma em cada dez mil). Sur- ge no segundo ano de vida em crian- Os autistas podem lidar melhor com animais do que com pessoas Rett, no autismo e nas doenças neu- ropsiquiátricas associadas”. Jorge Heitor a As cheias que desde Janeiro afectam Polícia de Cabo Verde acredita que o assassínio o Centro e o Norte de Moçambique já causaram mais de 200 mortos, quan- de duas turistas italianas no Sal foi premeditado do ao longo da última semana só tinham sido noticiados 29, noticiou ontem a Rádio Moçambique. A Direc- tinha sido detido pela polícia na sexta- zido as três turistas para Fontona, um nhã [hoje]”, fez saber a PJ. Andreia Sanches ção Nacional das Águas prevê que o feira à tarde – foi posto em liberdade, local paradisíaco, pouco movimenta- Ontem, a imprensa italiana relatava pico possa ser atingido nas próximas a O assassínio de duas turistas italia- mas “que todas as hipóteses de inves- do, sobretudo à noite. “Nenhuma de ainda que Dalia Saiani foi enterrada 48 horas, em especial nos distritos de nas na ilha do Sal foi premeditado, diz tigação continuam em aberto”, pelo nós suspeitava de nada”, contou ao quando ainda respirava. “A autópsia Caia e Marromeu, na província de So- a Polícia Judiciária (PJ) de Cabo Verde. que “continuará a ser investigado” diário italiano La Stampa a jovem que revelou que tinha vestígios de ter- fala, avançou Arão Dava, jornalista da Um guia turístico local, que teve no qual foi o seu papel. sobreviveu ao ataque. ra nos pulmões”, disse à Reuters o Rádio Moçambique, em Maputo. passado uma relação amorosa com O guia turístico agora detido, natu- A PJ está a averiguar a “possibilidade cônsul honorário italiano em Cabo O Instituto Nacional de Gestão das uma das vítimas, terá pedido ajuda ral de Cabo Verde, terá convidado, na de ter havido violência sexual”, já que Verde, Luigi Zirpoli. A PJ não adianta Calamidades (INGC) considera a pos- a um segundo homem para matar noite de sexta-feira, Dalia Saiani – de foram encontrados indícios de que tal mais pormenores. sibilidade de lançar um apelo interna- as mulheres, na noite de quinta para quem já fora namorado – para jantar. poderá ter acontecido. Antonio Trin- A jovem sobrevivente contou, no cional para fazer face a esta situação, sexta-feira. Giorgia Busato e Dalia Saia- A mulher levou duas amigas. “Nunca chese, o representante da embaixada entanto, ao La Stampa que um dos que começa a apresentar-se susceptí- ni foram apedrejadas. Uma delas foi chegaram a ir jantar”, afirma a mesma italiana em Dacar, no Senegal – que atacantes terá usado um gás para imo- vel de ser ainda mais grave do que as enterrada ainda com vida, segundo a fonte da PJ. se deslocou ao Sal depois do crime bilizar as vítimas. Disse ainda que terá inundações de 2001, que causaram imprensa italiana. Uma terceira jovem Em vez disso, o suspeito terá condu- – disse à agência de notícias italiana chegado a tentar contactar um amigo, perto de um milhar de mortos. de 17 anos escapou e teve ontem alta Giorgia Busato, Ansa que ainda não é possível saber por SMS, para pedir socorro. Perdeu a A presente crise está a afectar 58 do hospital. uma das vítimas, se as duas vítimas mortais foram ou consciência depois de ter sido apedre- mil pessoas, das quais 24 mil tiveram Os dois suspeitos ficaram detidos tinha 28 anos, não alvo de violação. jada. Quando acordou, fugiu a pé. de ser retiradas para centros de aco- depois de, na sexta-feira, terem com- era dona de A rapariga que sobreviveu terá dito Giorgia Busato tinha 28 anos, era modação. O Instituto das Calamidades parecido perante um juiz, fez saber a uma agência a alguns amigos que foi violada. Mas a dona de uma agência de viagens em calcula que o número de afectados PJ de Cabo Verde. Uma fonte ligada à de viagens em jovem não foi ainda interrogada. “Está Verona, Itália. Dalia Saiani, de 33 anos, atinja em breve os 285 mil, só no vale investigação disse ontem ao PÚBLICO Verona, Itália abalada, queremos que recupere um era ex-campeã de windsurf. Ambas co- do rio Zambeze. que um outro homem – que também pouco mais e falaremos com ela ama- nheciam bem a ilha do Sal.
  • 24. 30 • Público • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 Mundo Atlas Reino Unido Exposição Primeiras imagens de Paris mostradas em Washington Cameron fumou cannabis aos 15 anos EUGÈNE ATGET/AFP “Teremos sempre Paris”, quase se pode ouvir Humphrey Bogart David Cameron, o líder do Partido dizer, na célebre despedida Conservador britânico, fumou final do filme Casablanca, ao cannabis aos 15 anos, quando olhar para as fotografias da andava no selecto colégio de Eton. exposição que ontem abriu A revelação é oficial. Cameron na National Gallery of Art, em foi punido com uma semana de Washington. Paris in Transition reclusão no colégio, sem poder mosta as primeiras fotografias receber visitas. Um amigo do líder, de Paris, as que foram feitas citado pelo The Observer, diz que depois da invenção da fotografia o episódio fê-lo abrir os olhos, e em 1840, e vai até à década de terminou o colégio com excelentes 30 do século XX. A colecção notas. Foi para a Universidade de do museu de Washington é Oxford, onde terá experimentado especialmente forte em imagens outra vez cannabis. Esta revelação de Eugène Atget (1857-1927), já não abala carreiras políticas – que fotografou intensamente um em cada três britânicos adultos as cenas das ruas da cidade. já experimentou substâncias Durante os últimos anos da sua ilícitas. vida, Atget captou regularmente a Catedral de Notre Dame, especialmente no princípio da Primavera antes das folhas nascerem. O fotógrafo escolhia geralmente um ponto de vista peculiar e não procurava enfatizar a magnificência do monumento gótico mas antes as suas qualidades pictóricas. Aqui, Atget cria uma relação visual entre os pináculos e os arcobotantes da catedral e o rendilhado delicado dos ramos das árvores. A exposição, comissariada por Sarah Kennel, Universidades explora as tensões de um retrato de uma cidade que é ao mesmo Britânicos revêm tempo uma capital moderna, mas também um lugar mágico. financiamento Está lá a famosa Prostituta de Brassaï, uma das imagens O Governo britânico vai que fecham a exposição, mas compensar as universidades também as fotografias feitas que melhor souberem angariar nas décadas de 1840 e 1850 fundos, noticiou ontem a BBC. por William Henry Fox Talbot, Os donativos em dinheiro feitos Gustave Le Gray, Charles por privados serão reforçados Nègre, porque a exposição por uma participação pública, de sublinha a importância de Paris acordo com um plano que será no aparecimento da escola apresentado esta semana pelo francesa de fotografia. A cidade primeiro-ministro Tony Blair. transforma-se com Napoleão III, Segundo o jornal The Observer, como mostram Charles Marville o Executivo planeia atribuir um e Louis-Émile Durande, e milhão de libras (1,5 milhões de explode numa cultura moderna euros) por cada dois milhões nos anos 20 do século XX, numa angariados pela universidade, até dinâmica retratada por André um máximo de dois milhões de Kertész, Germaine Krull, Ilse participação pública. Downing Bing e Brassaï. A ver até 6 de Street não confirmou os números. Maio. Madrid Jerusalém Terrorismo Violência Manequins muito Escavações vão Base da Al-Qaeda Pilhagens na magras não desfilam continuar instalada no Mali República da Guiné Cinco das 69 modelos que ontem O Governo israelita decidiu Osama Bin Laden estabeleceu no Milhares de pessoas manifestaram foram sujeitas ao controlo de peso ontem prosseguir os trabalhos Mali, um dos países mais pobres do ontem a sua fúria na cidade que dá acesso ao famoso desfile arqueológicos no complexo de mundo, uma base de treino da Al- de Kankan, no Leste da Guiné- de moda na Pasarela Cibeles, em Haram al-Sharif, que alberga a Qaeda e dos seus aliados argelinos Conacri, pilhando lojas e matando Madrid, foram chumbadas. O mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém: do Grupo Salafista para a Prédica e o um soldado, o que eleva pelo evento começa hoje na capital os trabalhos têm sido criticados por Combate, segundo serviços secretos menos a 23 o número de mortos espanhola e está interdito a países árabes e motivaram protestos europeus e norte-americanos registados nas últimas 48 horas manequins que tenham um Índice palestinianos que causaram mais citados ontem pelo jornal espanhol no país, onde a oposição contesta de Massa Corporal (IMC) inferior a de 30 feridos, sexta-feira. “Não há El País. No Norte do território, Eugène Camara, escolhido pelo 18 – o que significa, por exemplo, assunto religioso aqui”, afirmou o entre o rio Níger e a fronteira com Presidente Lansana Conté para que uma profissional com 1,75 primeiro-ministro, Ehud Olmert. O a Argélia, foram detectados sinais primeiro-ministro. Os sindicatos metros de altura tem de ter pelo complexo é o terceiro santuário do de activismo islâmico radical. Essa entendem que o chefe de menos 56 quilos. Algumas das islão. Jerusalém é capital disputada seria uma zona para “preparar Estado deveria ter escolhido um jovens afastadas (três estrangeiras por palestinianos e israelitas. novos ataques” à Europa. “É um independente, não comprometido e duas espanholas) têm um IMC de Sobre o acordo para um governo perigo potencial para a França e a com o regime que consideram 16. A magreza excessiva “pode ser de unidade palestiniano, Olmert Espanha”, comentou um oficial da corrupto. Na capital, as ruas causa de problemas relacionados comentou que “Israel não aceita Guardia Civil citado pelo jornal de estavam desertas, na expectativa com anorexia”, segundo El Mundo. nem rejeita”. Madrid. da greve geral que hoje recomeça.
  • 25. 34 • Público • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 Mundo EUA Primeiro fim-de-semana intenso de campanha democrata Só Kennedy A recepção ao discurso de Obama foi entusiasta, mas nem todos acreditam que vença as primárias causou mais emoção que Barack Obama No estado do Illinois, é enorme o entusiasmo com a candidatura do senador negro à Casa Branca em menos de dois quilómetros Reportagem quadrados. “Aqui, em Springfield, as pessoas estão de boca aberta com todo Rita Siza, em Springfield este frenesim. Ainda causa muita a Dos mais de 500 jornalistas admiração que este antigo senador oficialmente acreditados, nem sinal: estadual, que tanta gente estava mal acabou o discurso de Barack habituada a ver rotineiramente, Obama, assim que se desligaram os esteja a ser alvo de um interesse tão holofotes dos últimos comentários, intenso”, explica ao PÚBLICO Bernie Springfield, a capital do Illinois, Schoenburg, repórter político e onde o senador anunciou a sua colunista do State Journal Register, candidatura à presidência dos o jornal diário de Springfield (que Estados Unidos, esvaziou-se de destacou catorze repórteres para gente — devagar, como um balão cobrir o evento). muito muito cheio que não rebenta, Puxando pela memória, antes vai desinchando até definhar Schoenburg não encontra por completo. comparação com o fenómeno Aqueles que não saíram à Obama, excepto talvez a comoção pressa, prosseguindo o calendário causada por John F. Kennedy, da apertado do candidato, ficaram qual guarda apenas a recordação inesperadamente confrontados com efabulada das crianças. “Nunca vi poucos motivos de reportagem. tanta excitação com um candidato Um cenário confrangedor que como com Obama, nunca”, garante. contrastava em absoluto com o dia “As pessoas querem mesmo uma anterior, quando as ruas da Baixa pessoa em quem possam acreditar, e de Springfield vibravam com o Barack Obama parece ser a resposta nervosismo e a antecipação que para esse desejo. Este entusiasmo precedem os grandes eventos e 17 é algo de verdadeiramente mil pessoas se concentraram no incomparável, e que não sei quanto jardim do antigo Capitólio. tempo mais durará, mas lá que é um Na montra da loja de souvenirs de fenómeno, isso é”, considera. Shirley Schmidt, um quarteirão ao lado do edifício do antigo Capitólio Debate interessante (o centro geodésico da cidade), No final do discurso de Obama, estavam coladas várias fotocópias quando ainda era possível encontrar com a imagem de Barack Obama. grupos numerosos distribuídos “Apareceram aqui umas pessoas pelos cafés e restaurantes da a pedir para enfeitarmos a loja, cidade, o fenómeno era evidente. estamos a distribuir as fotocópias e Pessoas enfeitadas de autocolantes, ainda estes autocolantes”, contou pins e novas T-shirts com o nome ao PÚBLICO. “Leve alguns consigo, do candidato repetiam uns aos amanhã isto vai tudo parar ao lixo”, outros os momentos preferidos do acrescentou. discurso, discutiam animadamente as suas perspectivas de vitória nas Nem Clooney nem Oprah primárias, combinavam encontros Nas várias esquinas do jardim, para novas iniciativas de campanha. dezenas e dezenas de equipas de Como Mike Taylor, de charuto televisão digladiavam-se, logo às na boca, que não escondia a sua exclama, numa constatação do tivesse os mesmos anos que ela no cinco da manhã, para conseguir admiração pelo candidato e pela Um frenesim óbvio. “Os americanos não estão Senado, se o seu nome estivesse o melhor ângulo para a tribuna. sua refrescante oratória. “Com preparados para um candidato ligado a legislação muito importante 17.000 Algumas centenas de pessoas Obama na corrida, o debate vai preto, digam o que disserem. Não para o país, acredito que não daria a esperavam teimosamente à porta necessariamente tornar- vai acontecer”, garante, exagerando mínima hipótese”, entende. dos hotéis Hilton e Abraham Lincoln -se mais interessante. Acho que o seu sotaque negro. “Pode ser que No domingo à tarde, as fotografias (um em frente ao outro): desde esta vai ser uma das melhores Hillary o vá buscar para vice- de Obama ainda não tinham sexta-feira, corria o rumor de que épocas de primárias que o país já -presidente”, intromete-se o seu desaparecido da montra da sua Obama se faria acompanhar de viveu”, antecipa. Quanto às reais pessoas concentraram-se amigo. “Isso já seria uma grande loja. Mas a vida em Springfield já celebridades como George Clooney possibilidades de Obama chegar ao no relvado em que Obama vitória”, acrescenta. tinha regressado à normalidade. Ou e Oprah Winfrey — os dois acabariam fim, o optimismo de Mike Taylor falou, o mesmo espaço de Shirley Schmidt tem o mesmo quase. Para entreter os repórteres por frustrar as expectativas dos dá lugar a um resignado realismo: menos de dois quilómetros palpite. “Acho que Barack Obama do State Journal Register, outro nome caçadores de autógrafos. Em troca, “Acredito que Obama vai ser o quadrados em que se tem boas hipóteses, mas vencer importante de Washington: Karl muitos dos habitantes de Springfield grande catalisador que colocará acotovelaram 500 jornalistas, Hillary Clinton parece uma tarefa Rove, amigo de Bush e conselheiro tiveram direito aos seus cinco Hillary Clinton na Casa Branca”. incluindo 14 destacados impossível. Ele é um candidato da Casa Branca, que hoje se junta ao segundos de glória mediática, com Quer dizer que o seu candidato pelo diário da cidade com enorme personalidade, que comité do Partido Republicano do os cumprimentos de mais de meio não tem hipóteses de chegar à de Springfield se preocupa com as pessoas, e que Illinois para o almoço comemorativo milhar de jornalistas concentrados presidência? “Isto é a América!, daria um bom presidente. Se ele do aniversário de Abraham Lincoln.
  • 26. Público • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 • 35 Candidato democrata alvo de trocadilhos MANDEL NGAN/AFP O senador que também é Hussein e não gosta de usar o seu nome do meio a Barack Obama não usa o seu nome o segundo maior, a seguir ao de Ann vez desde o divórcio, e o pai morreu do meio: Hussein. Mas vários comen- Coulter, outra comentadora também em 1982. tadores de direita (extrema-direita) loura, também conservadora e espe- O rival de Hillary Clinton passou por servem-se dele como arma de arre- cialmente politicamente incorrecta) uma escola muçulmana quando viveu messo contra o aspirante a candidato baseou-se no Hussein de Obama para na Indonésia, mas esta era moderada, democrata à Casa Branca. Também garantir que a ligação ao islão seria e ele apenas esteve lá dois anos lec- Obama (que deriva da expressão um problema para o candidato. Isto tivos, tendo depois frequentado um swalili “aquele que é abençoado”) apesar de já ter sido esclarecido que estabelecimento cristão. tem sido usado para trocadilhos com a ligação é muito ténue. Enfim, como se não bastasse ser Osama. Juntam-se assim, para os que o Barack Hussein Junior é filho de pai associado a Bin Laden e a Saddam, querem atacar, referências a duas bes- queniano, de quem herdou o nome. um analista político da CNN chegou tas negras nos EUA: o defunto ditador Barack Hussein Obama, o pai, um a comparar o estilo business casual de iraquiano Saddam Hussein e o líder da economista descrito como um mu- Obama com o de outra figura política Al-Qaeda, Osama bin Laden. çulmano não praticante, divorciou- internacional. O comentador político A estação de televisão norte-ameri- se da mãe de Obama júnior, ameri- Jeff Greenfield afirmou que o modo cana CNN exibiu recentemente uma cana cristã do Kansas, quando este como o senador do Illinois se veste peça sobre o paradeiro do líder da Al- era criança. O senador, entretanto a faz lembrar o do Presidente iraniano. Qaeda. Numa imagem de Bin Laden viver no Hawai, terá visto o pai uma Maria João Guimarães junto ao seu “número dois”, Ayman JASON REED/REUTERS Al-Zawahiri, uma legenda questionava: “Onde está Obama?” A imagem foi ra- pidamente replicada em blogues, que questionaram se se trataria de um erro ou de uma confusão mal intencionada. A estação foi obrigada a pedir descul- pas e garantir que se tratou de um erro inocente – troca de letras no teclado. Esta confusão está a servir a Rush Limbaugh, um comentador da direi- ta radical. O apresentador do popu- lar programa de rádio Rush Limbaugh Show se refere-se ao senador do Illi- nois como Osama Obama, depois de inicialmente o chamar Barack Hussein Odumbo (numa referência às orelhas do candidato). No seu site, a comentadora de di- reita Debbie Schlussel (que sublinha que o seu clube de fãs na Internet é A CNN já confundiu Obama com Osama (bin Laden) Primárias democratas Hillary em rota paralela no Norte a Barack Obama e Hillary Clinton, os e estou na corrida para ganhar”, afir- se referiu sábado como “um erro trági- favoritos dos democratas à nomeação mou a senadora de Nova Iorque. co”, sublinhando que sempre pensou para as presidenciais, lançaram-se es- Enquanto Clinton fala como “can- assim. Quando o Senado autorizou a te fim-de-semana em campanha pelas didata a Presidente” e não como can- invasão, em 2002, Obama não era ain- estradas do Norte dos Estados Unidos. didata à nomeação para descolar de da senador. Clinton era e autorizou a Do Illinois (Norte), Obama partiu para Obama, este lembra o ponto fraco da intervenção. um périplo pelo estado de Iowa (Cen- opositora – a guerra do Iraque, a que Entre a assistência em New Hamp- tro), onde a 14 de Janeiro de 2008 se- “Eu sou Hillary shire, Clinton ouviu Roger Tilton, um rá lançado o processo para designar o Clinton e estou consultor financeiro, exigir desculpas. candidato. Já hoje é aguardado noutro na corrida “Eu assumi responsabilidades pelo estado-chave, New Hampshire. para ganhar”, meu voto”, retorquiu a ex-primeira Foi precisamente aí, na cidade de reafirmou em dama. “Até que diga que foi um erro, Berlin, que Clinton esteve no fim-de- New Hampshire não terá o meu voto”, afirmou, por semana. “Eu sou Hillary Clinton, sou a senadora de seu turno, Tilton, citado pelo Wa- candidata para ser eleita Presidente Nova Iorque shington Post. SÃO NOVOS x 9 Novos x 9 é um ciclo dedicado à revelação de novos talentos em diversas áreas da criação artística. Novos Actores apresenta oito trabalhos criativos, LUIZ ACTORES seleccionados entre 24 candidaturas, de actores FEV~O7 7, 14 FEV recém-formados ou desconhecidos. COLABORAÇÃO: JOSÉ MANUEL COSTA REIS CICLO 21H00 JARDIM DE INVERNO SÃO LUIZ TEATRO MUNICIPAL Rua António Maria Cardoso, 38, NOVOS X 9 silva!designers 1200-027 Lisboa ENTRADA LIVRE www.egeac.pt teatrosaoluiz@egeac.pt CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA
  • 27. 36 • Público • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 Local Urbanismo Aquisições aos privados atrasam intervenção Requalificação MIGUEL MADEIRA Uma das medidas do programa é fazer frente à insegurança ainda mal saiu do papel na Cova da Moura Autarquia da Amadora disposta a suportar 25 por cento do investimento total, estimado em 120 milhões de euros fase de acerto dos valores propostos Alexandra Reis pela câmara”: 4000 a 5000 euros por a O programa de requalificação do cada um dos cerca de 900 fogos que bairro da Cova da Moura, na Amadora, existem na Cova da Moura. ainda mal saiu do papel. O protocolo O Laboratório Nacional de Engenha- que formalmente deu início ao pro- ria Civil já se deslocou ao bairro a fim jecto foi assinado em Novembro, mas de iniciar o levantamento das condi- enquanto a aquisição dos terrenos, nas ções de habitabilidade. É este diagnós- mãos de privados, não estiver concluí- tico que irá permitir saber qual a área da, as obras dificilmente andarão para a demolir ou não e que, por sua vez, a frente. O presidente da autarquia, o “constitui o ponto de partida do Plano socialista Joaquim Raposo, começa a de Pormenor que definirá as áreas a tecer críticas ao Governo: “Não aceito reabilitar e a manter no bairro”. que anunciem iniciativas [no âmbito Segundo o ponto de situação feito do programa] sem as concertar com ao PÚBLICO pelo gabinete de im- a câmara.” prensa do Ministério do Ambiente, o “Ainda não foi feito nada. De uma concurso público para elaboração do maneira geral foi assinado o protocolo. Plano de Pormenor da Cova da Moura Enquanto não se resolverem as ques- deverá ser lançado durante o segundo tões do terreno, não se consegue pôr semestre deste ano, devendo a inter- o programa em prática”, disse o pre- venção urbanística ter início “a partir sidente das associações de Moradores de finais de 2008”. e de Solidariedade Social do Alto da Até lá, vão ser aplicados “pequenos Cova da Moura, Ilídio Carmo. melhoramentos” ao nível da recolha Os 16,5 hectares de terreno que do lixo, sinalização, manutenção e compõem o bairro são propriedade pavimentação provisória das ruas de privada. A sua aquisição é um “pro- terra batida, o que, segundo o Minis- cesso urgente para que se possa dar tério do Ambiente, deverá ter início início ao plano de intervenção”, lê-se “a partir do segundo semestre” des- no protocolo assinado em Novembro. de ano. Segundo o presidente da Câmara da “Não tem medo?”, diz uma comer- Amadora, Joaquim Raposo, já foi ciante numa das entradas do bairro feita uma “primeira abordagem” quando se lhe perguntou onde se si- Pelo menos este é o sentimento que Segundo Joaquim Raposo, deverão de Pormenor”, diz a presidente da AMJ aos advogados que representam os tuava a Associação Moinho da Juven- recolho das pessoas.” ser investidos no bairro um total de Juventude, Anabela Rodrigues. proprietários, estando-se agora “na tude. “Se não tem, então pode subir a Contudo, Joaquim Raposo lamenta 120 milhões de euros. A última estima- O programa de acção para a Cova rua e chegando lá acima pergunta.” que este tipo de acções sejam feitas “à tiva apontava para os 70 milhões. da Moura — que se insere na iniciati- A PSP da Amadora reforçou a sua revelia da câmara”. O autarca não gos- Joaquim Raposo afirma que a câ- va governamental “Bairros Críticos” Custos do programa intervenção na Cova da Moura. Desde tou de saber que a PSP já tinha iniciado mara está disponível a suportar 25 que contempla ainda os bairros do meados de Janeiro, 12 agentes calcor- a sua intervenção sem que fosse infor- por cento dos 120 milhões, mas diz Lagarteiro, no Porto, e o do Vale da reiam diariamente o bairro. Esta é, mado. “Tomei conhecimento quando que espera que este valor “não conte Amoreira, na Moita — prevê, até 2001, 120 precisamente, uma das medidas do já estavam no bairro. Não posso ser o Joaquim Raposo, a construção e reabilitação de casas, a milhões de euros é o programa para fazer frente à violên- último a ser informado”, retorquiu. presidente da valorização de novos espaços comer- investimento do programa cia e ao tráfico de droga. CM da Amadora, ciais e a criação de equipamentos so- “Bairros Críticos”, que envolve “Ainda estamos numa fase embrio- Críticas da câmara não admite que ciais, escolares e recreativos. Outra das também bairros no Porto nária, mas pode dizer-se que foi a Joaquim Raposo diz ainda que não se anunciem vertentes do plano — que será o eixo e na Moita primeira medida a ir para o terreno”, gostou que o Governo tivesse anun- iniciativas sem para a criação da marca “Nova Cova diz um dirigente da Associação de So- ciado que iam ser instaladas Lojas da as concertar com da Moura” onde as palavras “seguro” 5000 lidariedade Social da Cova da Moura, Juventude no bairro: “Não aceito que a câmara e tranquilo” prometem fazer frente à euros é o valor máximo que a Manuel Rocha. anunciem iniciativas sem as concertar para a capacidade de endividamen- fama de gueto do bairro – passa pelo câmara está disposta a pagar Segundo o Ministério do Ambiente, com a câmara”. O autarca salvaguarda to”. Segundo o autarca, é preciso que combate à criminalidade e tráfico de por cada um dos 900 fogos “a população tem manifestado o seu que não se opõe a estas medidas, mas o ponto “fique claro através de um droga, regularização dos cidadãos existentes na Cova da Moura agrado, quer quanto ao reforço da que “é à câmara a quem compete a despacho”. estrangeiros e prevenção e combate segurança, quer em relação à manei- gestão do território”. “A intervenção na Cova da Moura é à violência doméstica. 16,5 ra como a polícia intervém junto das “Há muito voluntarismo e inexperi- muito complexa. É muito mais que rea- Além do Ministério do Ambiente es- hectares é a área de terreno do populações”. O mesmo foi dito pelo vi- ência por parte das pessoas que repre- bilitação”, explicou. “A população ain- tão envolvidos, para além da CM Ama- bairro na mão de privados que ce-presidente da Associação de Mora- sentam os ministérios. Tem que haver da não conseguiu sentir o programa. dora, os ministérios da Administração terá de ser negociada dores do bairro, Jorge Humberto: “Há respeito em relação às competências Mas estamos expectantes em relação Interna, Trabalho e Solidariedade So- um sentimento de maior segurança. de cada um”, acrescenta. à qualificação tendo em conta o Plano cial, Saúde, Educação e Cultura.
  • 28. Público • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 • 37 A vida quotidiana em Timor no blogue de Ângela Carrascalão. distância. E a saudade. Ontem, o fado de Coimbra a blogs.publico.pt/timor/ Jogador chinês do Benfica já sabe dizer obrigado em português e admira Rui Costa Desporto, página 48 Câmara de Lisboa diz-se alheia a atrasos Prémios do Euromilhões na reabertura de bombas de gasolina furtados em Queluz ASAE para os serviços camarários em cumpra os requisitos, tendo em conta Inês Boaventura Maio de 2006. Nove meses depois, são o cumprimento das normas urbanís- Edilidade lisboeta atribui várias as bombas de gasolina da cidade ticas e a segurança dos utentes dos a Um homem de 51 anos foi assalta- que continuam fechadas e que entre- postos de abastecimento e dos muní- do na madrugada de ontem por três responsabilidade pelos tanto se transformaram em locais de cipes”. Questionada sobre a demora indivíduos que lhe roubaram cerca de atrasos no licenciamento à estacionamento não autorizado, mas a na reabertura das bombas, a autar- mil euros em dinheiro de prémios do Direcção-Geral de Energia CML garante que “muitos dos atrasos” quia justifica: A “falta de informação euromilhões, numa avenida de Que- lhe são “alheios”. na transmissão dos processos entre a luz, informou a PSP. Segundo os números facultados Direcção-Geral de Energia e a CML” e A vítima foi ameaçada com uma ar- a A Câmara Municipal de Lisboa ao PÚBLICO pela autarquia, dos 21 o facto de “muitos processos estarem ma e ficou sem a mala que continha, (CML) rejeita a responsabilidade por postos referidos sete são para desac- incompletos”. segundo informações que prestou à “muitos dos atrasos” no licenciamento tivar, outros tantos estão em análise O gabinete de urbanismo da Câmara polícia, cerca de mil euros em dinheiro das bombas de gasolina encerradas pe- já com pareceres favoráveis, dois têm Municipal de Lisboa esclarece que foi a e um cheque de valor superior a 500 la Autoridade de Segurança Alimentar alvará emitido (um posto na Avenida partir de 2002 que herdou do Ministé- euros. Segundo a PSP, os assaltantes e Económica (ASAE), afirmando que Infante Dom Henrique e uma área de rio da Economia e Inovação as compe- puseram-se em fuga. se devem a “falta de informação” na serviço no Eixo Norte-Sul, junto ao tências na área do licenciamento dos Em outro incidente, quatro homens transmissão dos processos pela Direc- Alto da Faia) e três têm o projecto postos de abastecimento de gasolina. arrombaram um cofre de uma residên- ção-Geral de Energia ou ao facto de os de arquitectura em análise. Há ainda Nessa altura, salienta a edilidade lisbo- cia particular em Algés, furtando 11 mil processos estarem “incompletos”. um requerente que não iniciou o pro- eta, “existiam em Lisboa 230 bombas euros em notas e 100 mil euros em Segundo o gabinete de urbanismo cesso de licenciamento e outro que o de gasolina, a maioria sem alvará ou cheques. O furto terá ocorrido cerca da autarquia, foram 21 os processos de abandonou. com licenças caducadas há muito”, das 18h30 de sábado e os assaltantes encerramento de postos de abasteci- A CML afirma que “tudo tem feito além de “muitas sem licença de uti- fugiram numa viatura de marca Fiat e mento de combustível enviados pela para que o licenciamento seja célere e Sete postos vão encerrar lização emitida pela CML”. ainda não foram localizados. Lusa PUBLICIDADE
  • 29. Público • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 • 39 Local Quem disse o quê? O quiz de Janeiro em www.publico.pt Palácio da Pena vai passar a ser gerido Três náufragos resgatados com pela empresa Parques de Sintra vida na Figueira da Foz MIGUEL MADEIRA Luís Filipe Sebastião Presidente da sociedade a Um helicóptero da Força Aérea Portuguesa resgatou com vida três responsável pelos jardins tripulantes de um veleiro que se históricos sintrenses justifica afundou, anteontem, ao final da transferência com “lógica tarde, junto à Figueira da Foz. Já du- de gestão cultural” rante a madrugada, um acidente de viação em Águas Santas fez um mor- to e duas pessoas foram atropeladas mortalmente em Esposende. a O Palácio da Pena vai passar para Os três tripulantes do veleiro que a gestão da Parques de Sintra-Monte naufragou à entrada do porto da Fi- da Lua. O segundo monumento mais gueira da Foz foram recolhidos por visitado da vila, mas o mais lucrati- um helicóptero, que os transportou vo em termos de receitas, faz parte para o aeroporto da Portela. Segundo dos planos governamentais para a fonte do Centro de Coordenação de viabilização financeira da sociedade Busca e Salvamento Marítimo, o aler- responsável pelos parques históricos ta de socorro foi dado pelos tripulan- sintrenses. tes do veleiro Way of Life, que ficou A Parques de Sintra-Monte da Lua sem máquina e sem vela, acabando (PSML) foi criada em 2000 com a por se afundar. Além da Força Aérea, missão de gerir os jardins históricos participaram na operação de resgate (Pena e Monserrate) e monumentos a Polícia Marítima e os Bombeiros (Convento dos Capuchos e Castelo Municipais da Figueira da Foz. dos Mouros) situados na zona clas- Em Águas Santas, um jovem mor- sificada património mundial pela reu e outro ficou ferido num aciden- UNESCO. A sociedade é actualmente te de viação ocorrido na A3, junto à detida maioritariamente pelo Institu- ponte sobre o rio Leça, no sentido to de Conservação da Natureza, com Braga-Porto. De acordo com fonte a participação da Câmara de Sintra, dos bombeiros da Maia, a vítima do Instituto Português do Património mortal, com cerca de vinte e poucos Arquitectónico (Ippar) e da Direcção- O Palácio da Pena foi mandado construir por D. Fernando II no séc. XIX anos, era o condutor da viatura, que Geral dos Recursos Florestais. se terá despistado. A mesma fonte Embora a PSML tenha ficado com a mil visitas. Estes números só foram no nosso país”. O responsável pelo explicou que o ferido foi transpor- gestão do parque da Pena, o palácio superados, de entre os 19 espaços Seteais na mira palácio destaca, de entre os projec- tado para o Hospital de São João, no de influência manuelina e mourisca mandado construir por D. Fernando culturais tutelados pelo Ippar, pelos 560 mil visitantes registados no ano Importante receita tos concretizados, a ligação à rede de água e saneamento e a abertura Porto, mas livre de perigo. Em Forjães, no concelho de Espo- II, no século XIX, aproveitando estru- passado no Mosteiro dos Jerónimos, para reabilitar a serra da Sala do Óculo, espaço onde eram sende, um homem e uma mulher fo- turas de um antigo mosteiro quinhen- em Lisboa, também classificado pela guardados os instrumentos de obser- ram atropelados mortalmente quando tista, manteve-se na tutela do Ippar. UNESCO. O director do Palácio da Pena, vação astronómica da família real que alegadamente seguiam para a missa É que o palácio edificado no topo da O Governo decidiu, entretanto, que José Manuel Carneiro, concede ocupou os aposentos da Pena. E es- dominical. Segundo fonte da Guarda serra foi, segundo dados do instituto, vários dos palácios que actualmente que “a receita do palácio é pera, este ano, remodelar a sinalética Nacional Republicana, na sequência o mais lucrativo dos monumentos de estão sob a tutela do Ippar vão passar importante para juntar à receita de tão importante monumento, mas deste acidente aconteceu um outro, 382 mil visitas foram para a esfera da gestão do novo Ins- do parque, porque aumenta a também conseguir apoio de mecenas na freguesia vizinha de Marinhas, de registadas em tituto dos Museus e da Conservação. capacidade da Monte da Lua para reabilitar o Salão Nobre. que resultaram cinco feridos, entre os 2006 no palácio O Palácio da Pena vai ser um destes para reabilitar a serra”. Desde “Não se trata apenas de um pro- quais dois agentes da GNR que ficaram mais lucrativo casos, mas o monumento mais lucra- Abril de 2006 que voltaram blema de recursos financeiros, é em estado grave. do Ippar, o que tivo do país será depois confiado à a ser entregues ao Ippar as uma questão de lógica de gestão O acidente mortal registou-se às representou um gestão da Parques de Sintra-Monte verbas dos bilhetes de acesso cultural”, afirma, por seu turno, 6h40, na EN103, quando uma viatura aumento de da Luz. A transferência da gestão ao palácio, depois de não terem António Lamas, presidente da Par- colheu um casal residente naquela 51 mil visitantes do monumento, de acordo com uma sido transferidas durante ques de Sintra-Monte da Lua, em freguesia. Uma patrulha da GNR de Sintra em 2006, com perto de 1,3 mi- fonte do Ippar, faz sentido, uma vez dois anos, para ajudar na relação à concentração da tutela da Esposende deslocou-se ao local para lhões de euros de receitas de bilhetei- que “tanto o parque como o palácio recuperação das coberturas gestão daquele palácio e do parque tomar conta da ocorrência e levou ra, lojas e eventos. são uma realidade única”. e fachadas do Palácio de na mesma entidade. consigo o condutor do veículo que Estes valores ultrapassaram o mi- Monserrate. A PSML aguarda “Aquela unidade foi concebida em atropelara mortalmente as duas lhão de euros no Palácio Nacional de Notável romantismo pela reorganização dos seus conjunto. Um sem o outro não faz pessoas, para efectuar o teste de Sintra, apesar de o singular monu- O director do Palácio da Pena, José accionistas, que poderão passar sentido nenhum”, reforça aquele despistagem do álcool no posto da- mento com as duas colossais chami- Manuel Carneiro, não comenta, pa- a contar com o Instituto do responsável, que há muitos anos, quele concelho. nés no centro histórico ter alcançado ra já, a futura gestão pela Parques de Turismo, que permitiria a gerir enquanto dirigente do instituto que Já na zona das Marinhas, na EN13, 391 mil visitantes, contra 382 mil na Sintra-Monte da Luz, mas salienta que a zona do Cabo da Roca e a antecedeu o Ippar, já havia defendido a viatura da GNR acabou por colidir Pena. Em 2005, os dois palácios tive- “o Palácio da Pena, no seu conjunto, é concessão do palácio de Seteais. a união “do verde com a arquitectura” com uma outra, num acidente de que ram, respectivamente, 361 mil e 331 um exemplo notável do romantismo do Palácio da Pena. resultaram cinco feridos. Lusa PUBLICIDADE INTERPRETAÇÃO últimas SÃO MARIA RUEFF, MIGUEL GUILHERME GRACIANO DIAS, JOÃO BARBOSA, JOSÉ AIROSA, MIGUEL BORGES, MILTON 5€ p/ menores de 30 anos representações LUIZ LOPES, RICARDO AIBÉO, RUI MORISSON TEXTO CO-PRODUÇÃO RÁDIO MEDIA APOIOS JAN~MAR HERMAN MELVILLE OFICIAL PARTNER silva!designers ENCENAÇÃO ANTÓNIO PIRES MOBY DICK ADAPTAÇÃO MARIA JOÃO CRUZ ATÉ 3 MAR SÃO LUIZ TEATRO MUNICIPAL BILHETEIRA todos os dias as 13h às 20h;T: 21 325 76 50; QUINTA E SEXTA ÀS 21H00 ~ SÁBADO ÀS 16H00 E ÀS 21H00 Rua António Maria Cardoso, 38, 1200-027 Lisboa bilheteira.teatrosaoluiz@egeac.pt; SESSÕES PARA ESCOLAS ÀS QUARTAS ÀS 11H00 E ÀS 14H30 www.egeac.pt teatrosaoluiz@egeac.pt Informe-se sobre descontos e assinaturas. SESSÕES C/ INTERPRETAÇÃO EM LÍNGUA GESTUAL: Bilhetes à venda em: www.ticketline.pt, MARCAÇÕES T. 21 325 76 60 ~ 7 FEV ÀS 11H (ESCOLAS) ~ 10 FEV ÀS 21H CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA lojas FNAC, Agência Alvalade. M/6
  • 30. 40 • Público • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 Local Habitação População das zonas antigas está a envelhecer Preços altos JOÃO MATOS Os bairros antigos são procurados, mas os preços são elevados afastam jovens dos bairros históricos encontra-se em “muito mau estado” Reportagem de conservação, e mesmo as que já foram sujeitas a reabilitação de fachadas e interiores “estão a preços Filipa Bela absolutamente absurdos”, explica Os bairros históricos de Ricardo Barreto. Alfama e do Castelo parecem Casas degradadas atrair moradores jovens, A tipologia mais dominante dos mas o mau estado e o preço fogos é de reduzida dimensão, e muitas vezes encontram-se das habitações constituem demasiado degradados. As casas impedimento com uma ou duas assoalhadas constituem mais de 60 por cento a Os bairros antigos e históricos de do total existente, o que representa Lisboa parecem continuar cada vez uma limitação no que diz respeito às mais degradados e despovoados, reais necessidades actuais. ainda muito devido a uma Apesar desse facto, e da existência insuficiente aposta na reabilitação de outros problemas, como a de espaços e edifícios e aos preços insegurança naqueles locais, e os de habitação desadequados às transtornos de estacionamento possibilidades da maioria dos automóvel para os residentes, jovens, que assim se vêem obrigados Ricardo Barreto explica por que a procurar casa nas zonas periféricas não trocaria esta casa por outra da capital. em sítio nenhum: “Já não me vejo De acordo com dados do Instituto a morar em outra zona. Isto aqui é Nacional de Estatística (INE), a tudo muito característico, o bom população dos bairros históricos ambiente entre a vizinhança, o lisboetas está a envelhecer a um comércio de bairro, a roupa a secar ritmo acelerado. Entre 1994 e nas janelas, é tudo diferente”, 2001, Alfama, um dos bairros mais conclui, com ar divertido. carismáticos da capital, perdeu Alfama é o bairro mais antigo de mais de cinco mil habitantes, sendo Lisboa. Surgiu com os mouros, que que o número de jovens moradores ocuparam a região em torno das também decresceu, constituindo muralhas do castelo. Mais tarde foi esta franja apenas 15 por cento do habitado por pescadores e artesãos, total de residentes. e resistiu practicamente intacto ao Estes dados parecem contrariar terramoto de 1755. Neste sentido, uma nova tendência anunciada de conserva ainda hoje características atracção pelas zonas mais antigas de um bairro medieval, com a suas ruas estreitas e íngremes, repletas de “Isto está uma miséria; por igrejas e largos históricos. São estas Lisboa, parece, ainda assim, não vista do Miradouro de Santa Luzia, este andar, daqui a uns anos particularidades que parecem atrair O que eles dizem contagiar os seus moradores situa-se num prédio já bastante os turistas, visita habitual durante mais antigos. É com nostalgia que degradado. Ainda assim, Amândio não vê ninguém”, desabafa todo o ano. Segundo dados do Acha que há muitos jovens Amândio Garrido, de 77 anos, fala da Garrido nem pensa em sugerir ao observatório de Turismo de Lisboa, a viver no centro de Lisboa? sua Alfama de outros tempos. senhorio qualquer tipo de renovação um morador, referindo-se quase 73 por cento dos estrangeiros “Isto está uma miséria; por este ou remodelação. “Não podemos ao crescente envelhecimento que debandam Lisboa acabam, Sofia Guerra andar, daqui a uns anos não vê dar parte de fracos, senão acabam obrigatoriamente, por passar por Explicadora, ninguém”, desabafa, referindo-se ao por nos tirar daqui, pois ainda do bairro onde vive Alfama. 26 anos crescente envelhecimento do bairro. constroem algum prédio de luxo e já há mais de 50 anos Foi nesta condição que Raúl Conta mesmo que, no prédio onde não nos deixam voltar”, refere. Martín, espanhol, de 24 anos, “Há alguns, vive há mais de 50 anos, a situação Também Maria da Conceição, da cidade, por parte de jovens que conheceu o bairro e decidiu adoptá- mas deveria haver mais. Mesmo começa a ser muito preocupante: de 72 anos, ouve as palavras do procuram a sua primeira casa. -lo como seu, quando há mais de com os concursos promovidos “Há dez anos viviam aqui 13 pessoas, marido e questiona: “Não sei por Ricardo Barreto, de 29 anos, mora seis meses chegou a Portugal para pela Empresa Pública de agora somos apenas três residentes e que querem eles construir estes perto da Igreja da Graça e é um dos estudar ao abrigo do programa Urbanização de Lisboa, os todos acima dos 65 anos de idade.” condominíos de luxo, se depois casos que constitue, a excepção. Erasmus, que permite o intercâmbio actuais preços das casas ninguém tem dinheiro para vir para “Morava em Odivelas com os meus entre universitários de vários países. são muito elevados para as Aumento da insegurança aqui morar.” “Só se vê por aqui pais, mas quando surgiu a vontade Mora num apartamento alugado possibilidades dos jovens.” Amândio Garrido fala também gente velha, e a verdade é que os de vir morar sozinho e andei à perto do Castelo de São Jorge e de um sentimento crescente da jovens não têm interesse nisto”, procura de habitação própria, garante que planeia, assim que insegurança, em grande parte comenta. apaixonei-me por esta zona”, refere. acabar o curso, comprar uma Bruno Augusto devido ao despovoamento e ao Carmona Rodrigues, presidente Ricardo Barreto já mora há dois casa naquele bairro e ali viver. “É Empregado de mesa, 24 anos envelhecimento do bairro. “Hoje da Câmara Municipal de Lisboa, tem anos com a namorada, numa “casa fantástico morar aqui, é estar no em dia já não podemos viver dito que acredita numa renovação de duas assoalhadas, antiga e a pedir centro de Lisboa e sentir que se “Acho que descansados, pois à noite não se vê e no renascimento destes bairros obras”, e mesmo assim assegura está em alguma aldeia do interior”, sim, mas ninguém nas ruas, estamos sempre históricos e tem reiterado a intenção que “a renda mensal não é nada descreve, acrescentando que “ainda principalmente com medo de estar aqui isolados”, de a autarquia encarregar-se de barata”. “Tenho muitos amigos se vive muito o passado histórico, habitam em lamenta, para acrescentar que, “por parte do processo de reabilitação e que gostam desta zona e que até vive-se outros tempos, devido à casas alugadas. aí, nessas zonas mais escondidas, o de tornar a habitação nestas zonas equacionam morar aqui, mas depois proximidade do castelo.” São poucos os que conseguem que se vê é só tráfico de droga”. mais acessível aos jovens, através tudo se torna muito complicado.” Este entusiasmo por um dos ter casa própria.” A casa onde vive, de onde pode de concursos da EPUL, a rendas Tudo isto porque a maioria das casas bairros mais característicos de desfrutar da majestosa e desafogada condicionadas e custos controlados.
  • 31. Publicidade “WIENER GALA STRAUSS“ NA AULA MAGNA DA UNIVERSIDADE DE LISBOA Noites de Viena em Lisboa “Wiener Gala Strauss” na Aula Magna da Universidade de Lisboa, 3, 4 e 5 Março 21h Tão harmoniosa que nos deixa sem Strauss. O novo programa donde cer- garter Staatsoper - interpretará temas respiração, precisa, bem executada, é tamente não faltarão as favoritas de como por exemplo “So elend un so assim conhecida pelo público a Wiener sempre “Radetzkymarsch” e “O Danú- treu” da aclamada opereta “O Barão IMPRENSA Gala Strauss. A 3, 4 e 5 de Março 2007, bio Azul”. Cigano”. às 21h, Lisboa terá pela terceira vez a Em Janeiro de 2006 os dois concertos possibilidade de desfrutar a produção O Danúbio Azul oferecidos a Lisboa esgotaram-se ... Com um programa ágil e bem original austríaca da Da Capo, na Aula extraordinariamente rápido após a delineado, a produtora Da Capo Magna da Universidade de Lisboa. Monika Rebholz, a encantadora abertura de bilheteiras. Por esta razão demonstrou conhecer perfeita- Soprano, dona de uma voz previlegiada recomendamos-lhe a adquirir as suas mente o público dos seus concer- Coreógrafa - que cantou nomeadamente na Stutt- entradas com suficiente antecipação. tos, que procura passar um bom momento a trautear as conhecidas do Concerto de Ano melodias vienenses. O público Novo de Viena ficou maravilhado e aplaudiu com entusiasmo até conseguir 3 quot;enco- Seis pares da companhia de ballet resquot;... austríaco K&K dançarão a coreografia El Diaro Vasco, San Sebastián de Gerlinde Dill, coreógrafa do conhe- cido Concerto de Ano Novo de Viena durante mais de 20 anos. ... Uma gala que nada teve a Serão também protagonistas deste invejar aos tradicionais concertos espectáculo, avaliado por mais de de Ano Novo de Viena. A produção 500.000 espectadores como a “tournée” austríaca não desiludiu e o público com mais êxito da Europa, os 58 músi- de Salamanca saiu satisfeito e com cos da orquestra Filarmónica K&K. o sentimento de ter assistido a um Maestro Matthias Georg Kendlinger Soprano Monika Rebholz concerto memorável... Kendlinger dirige a La Gaceta, Salamanca Filarmónica K&K A Direcção Musical estará nova- mente a cargo do fundador da orque- stra, Matthias Georg Kendlinger. Este E N T R A D A S Director de 41 anos já se apresentou, entre outras, nas salas de concerto de Vendas e reservas: www.plateia.iol.pt Oslo, Copenhaga, Paris, Berlim, Ma- 214 346 304, www.ticketline.sapo.pt 707 drid e Viena. 234 234, FNACs, Abreu, El Corte Inglés, No passado dia 9 de Dezembro Bertrand, Almedina, Letra. M/4 Matthias Georg Kendlinger dirigiu um www.dacapo.at programa de Strauss na Sala Dourada do Musikverein de Viena. O público levantou-se por duas vezes para ova- COM O APOIO DE cionar a interpretação da Filarmónica K&K, situação que não é habitual nesta prestigiosa sala. Será apresentada ao público uma selecção das eternas melodias de Xardas pelo Ballet Austríaco K&K
  • 32. 42 • Público • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 Tel. 21 011 10 10/20 Fax 21 011 10 30 Classificados Rua Viriato, 13 1069-315 Lisboa De segunda a sexta das 09H00 às 18H00 pequenosa@publico.pt Imobiliário Olivais Sul - 3 ass. re- Mensagens BENFICA BRASILEIRA Vende-se cuperadas, sala dupla 24 ALTA CENTRO DE MASSA- GEM - Tântrica intercor- CLÍNICA DOS ARCOS PENAFIEL ARMAZÉNS m2, 2 quartos, cozinha A... AMIGA CHINESA Sexy,meiga,lindissima, Tratamento Voluntário LISBOA LARANJEI- poral desportiva. equipada, arrecadação. -20a... Bonita... Massa- completa.Priv.Hoteis da Gravidez Arrendo, 400 e RAS- Três assoalhadas www.fisiotai.com 900 m2, bons luxo garagem arrec- Vista desafogada de ci- gem!!! 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  • 33. Público • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 • 43 DIVERSOS 4.º Juízo Cível TRIBUNAL DE 1.º JUÍZO DE FAMÍLIA 4.º Juízo Cível JUÍZOS CRIMINAIS E Tribunal Judicial do Porto FAMÍLIA E MENORES E MENORES DE LISBOA do Porto DE PEQUENA INSTÂNCIA de Évora TWIN TOWERS - Comércio de Relojoaria, Ld.ª 4.º Juízo - 2.ª Secção E DE COMARCA DE 2.ª SECÇÃO 4.º Juízo - 3.ª Secção CRIMINAL DE LOURES 2.º Juízo Cível LOURES Processo: 870/03.0TMLSB 4.º Juízo Criminal CONVOCATÓRIA ANÚNCIO 1.º Juízo Família e Menores Divórcio Litigioso ANÚNCIO Processo: 142/04.3GCLRS ANÚNCIO Processo: 1706/06.6TJPRT. Processo: 7889/05.5TCLRS ANÚNCIO Processo Comum (Tribunal Singular) Processo: 245/07.2TBEVR. Acção de Processo Sumário. Autor: Maria Isabel Pires Martins Processo: 1268/06.4TJPRT. Carta Precatória (Distribuída). Convocam-se os sócios da sociedade Twin Towers - Comércio de ANÚNCIO Acção de Processo Sumário. ANÚNCIO Autora: OPTIMUS - TELECOMUNI- Pereira. Autora: OPTIMUS - TELECO- A Mma. Juíza de Direito Dra. Ana Clara N/Referência: 823012. Relojoaria, Ld.ª, com sede no Centro Comercial Fonte Nova, loja CAÇÕES, S.A. Divórcio Litigioso Réu: Rui Micael de O. Simplício da Ré: SERRALHARIA EDUARDO Autora: Ana Morgado Fer- Silva Pereira. MUNICAÇÕES, S.A. Serra Baptista, do 4.º Juízo Criminal Exequente: AXA PORTUGAL - 49, Estrada de Benfica, 503, freguesia de São Domingos de Benfica, Réu: PEDRO MIGUEL GO- - Juízos Criminais e de Pequena Ins- COMPANHIA DE SEGUROS. VIEIRA, LDA. reira Bule Nos autos acima identificados, cor- tância Criminal de Loures: concelho de Lisboa, pessoa colectiva n.º 505762978, matriculada na MES DIAS CARDOSO. Executado: MARIA PALMIRA MENDES Nos autos acima identificados, Réu: José Manuel Evaristo rem éditos de 30 dias, contados da FAZ SABER que no Processo correm éditos de 30 dias, contados Bule data da segunda e última publicação Nos autos acima identifica- Comum (Tribunal Singular) n.º 142/ COELHO ROCHA. 3.ª Secção da Conservatória do Registo Comercial de Lisboa, com o do anúncio, citando o(a) ré(u) Rui Mi- dos, correm éditos de 30 04.3GCLRS, pendente neste Tribunal da data da segunda e última pu- Nos autos acima identifica- Processo de origem: de Execução capital social de € 15.000,00, para a reunião da Assembleia Geral que dos, correm éditos de 30 cael de O. Simplício da Silva Pereira, dias, contados da data da contra o(a) arguido(a) Lilian Vasylka blicação do anúncio, citando a Ré: Sumária, Processo n.º 22503-A/1996 filho(a) de Georgé Vasylka e de Elena SERRALHARIA EDUARDO VIEIRA, dias, contados da data da com última residência conhecida em segunda e última publicação Yasylka nascido em 31-08-1971 estado – de Lisboa – Pequena Inst. Cível terá lugar na sede social, no próximo dia 30 de Março de 2007, pelas LDA., NIF: 501783318, domicílio: segunda e última publica- domicílio: Rua Luís Gomes, 59-R/c, do anúncio, citando o Réu: civil: Casado (regime: Desconhecido), (liq), 8.º Juízo. 19.00 horas, com a seguinte ordem de trabalhos: Rua da Tascoa, n.º 42 - A, Massa- ção do anúncio, citando o Mina-Amadora, 2700-000 Amadora, PEDRO MIGUEL GOMES profissão: Motorista de Automóveis má, 2745-852 Queluz, com última réu José Manuel Evaristo para no prazo de 30 dias, decorrido DIAS CARDOSO, domicílio: Ligeiros - Mercadorias, Passaporte Nos autos acima identificados foi residência conhecida na morada Bule, com última residência que seja o dos éditos, contestar, Rua S. João, 936 A, Boa - 09492- Fed. Rus domicílio: Rua do Barril - Asseiceira Pequena, Malveira, designado o dia 08.03.2007, pelas 1 - Deliberar e votar o projecto de fusão por incorporação da socie- indicada, para, no prazo de 20 dias, conhecida em domicílio: R. querendo, a presente acção de Água 1, 2795-158 Quinta do 13.30 horas, neste Tribunal, para a decorrido que seja o dos éditos, Laureano de Oliveira, N.º Divórcio, visto que não existe uma Conde, com última residên- 2665-239 Mafra, o(a) qual foi acusado pela prática do(s) seguinte(s) crime(s): abertura de propostas, que sejam dade Twin Towers - Comércio de Relojoaria, Lda, e da sociedade 18 - 1.º Esq.º, Loures, 1885 relação familiar entre autora e réu, contestar, querendo, a acção, com a Moscavide, para no prazo não existindo também qualquer cia conhecida na morada 1 crime(s) de Condução de veículo em entregues até esse momento, na Comporel - Companhia Portuguesa de Relojoaria, Lda, na socieda- cominação de que a falta de contes- indicada, para, no prazo de estado de embriaguez, p.p. pelo art.º de 30 dias, decorrido que intenção de a restabelecer, tendo Secretaria deste Tribunal, pelos de Manuel dos Santos, Ld.ª, e da sociedade Comporel - Companhia tação importa a confissão dos factos 20 dias, decorrido que seja 292.º do C. Penal, praticado em 15-02- seja o dos éditos, contestar, por fundamento a separação de 2004; é o(a) mesmo(a) declarado(a) interessados na compra dos seguintes articulados pela autora e que em o dos éditos, contestar, Portuguesa de Relojoaria, Ld.ª, que é rigorosamente idêntico ao querendo, a presente acção, facto ininterrupta com indicação contumaz, nos termos dos art.ºs 335.º, bem bens: substância o pedido consiste em ser querendo, a acção, e que em 337.º todos do C. P. Penal. a Ré condenada a pagar à Autora a com a indicação de que a de que a falta de contestação não 1. Uma aparelhagem, de marca projecto de fusão a apresentar nas assembleias gerais da sociedade falta de contestação não im- substância o pedido consiste A declaração de contumácia, que quantia de 6263,79 €, acrescida dos importa a confissão dos factos arti- “Pioneer”, modelo J-510, com rádio, porta a confissão dos factos no pagamento da quantia de caducará com a apresentação do(a) incorporante e da sociedade incorporada Comporel - Companhia juros vincendos contados, à taxa culados pelo(s) autor(es) e que em arguido(a) em juízo ou com a sua articulados pelo(s) autor(es) substância o pedido consiste no de- 6614,18 €, acrescida de juros leitor de cassetes (duplo-deck), leitor legal supletiva estipulada para os e que em substância o polido cretar do divórcio entre autora e réu vincendos e custas, tudo detenção, tem os seguintes efeitos: a) Suspensão dos termos ulteriores com capacidade para seis cd’s, um Portuguesa de Relojoaria, Ld.ª e que corresponde integralmente ao juros comerciais, sobre o montante de 5438,85 €, até efectivo e integral consiste, tudo como melhor declaração deste último como único como melhor consta do du- do processo até à apresentação ou amplificador e duas colunas, em projecto de fusão registado na Conservatória do Registo Comercial consta do duplicado da pe- culpado, tudo como melhor consta plicado da petição inicial que detenção do(a) arguido(a), sem prejuí- bom estado de conservação, ao qual pagamento, custas e procuradoria, tição inicial que se encontra do duplicado da petição inicial que se encontra nesta Secretaria, zo da realização de actos urgentes nos foi atribuído o valor de 500,00 €; 2. de Lisboa, mediante transferência da totalidade do património das tudo como melhor consta do nesta Secretaria, à disposição termos do art.º 320.º do C. P. Penal; b) duplicado da petição inicial que se do citando. se encontra nesta Secretaria, à à disposição do citando. Anulabilidade dos negócios jurídicos Uma televisão, de marca “Nokia” ecrã sociedades incorporadas para a sociedade incorporante. disposição do citando. Fica advertido de que é de natureza patrimonial celebrados encontra nesta Secretaria, à dispo- Fica advertido de que é pequeno a “cores”, com comando Fica advertido de que é obrigatória a obrigatória a constituição de pelo(a) arguido(a), após esta decla- sição da citanda. obrigatória a constituição de constituição de mandatário judicial. mandatário judicial. ração; c) Proibição de obter quaisquer à distância em bom estado de Dá-se ainda conhecimento aos sócios e credores sociais de ter sido Fica advertida de que é obrigatória a mandatário judicial. documentos, certidões ou registos conservação. Ao qual foi atribuído o constituição de mandatário judicial. N/ Referência: 5300855 N/Referência: 2015893 25.01.2007 junto de autoridades públicas. já registado na 3.ª Secção da Conservatória do Registo Comercial Lisboa, 06-02-2007 valor de 100,00 €. 01.02.2007 Loures, 08-02-2006. A Juíza de Direito A Juíza de Direito N/Referência: 2015893 Penhorados à Executada MARIA de Lisboa o referido projecto de fusão e de que este e a respectiva O Juiz de Direito Dr.ª Augusta Maria Pinto Ferreira Dra. Maria Gorette Roxo Pinto Loures, 02-02-2007 Dr. Paulo Duarte de Mesquita Teixeira A Juíza de Direito Rodrigues Palma Baldaia de Morais A Juíza de Direito PALMIRA MENDES COELHO ROCHA, documentação anexa, se encontram à disposição para consulta na Dr.ª Alcina da Costa Ribeiro Dr.ª Ana Clara Serra Baptista domicílio: Rua 25 de Abril, n.º 30, A Oficial de Justiça A Oficial de Justiça O Oficial de Justiça A Oficial de Justiça A Escrivã Adjunta Valverde, 7000 Évora. sede social. Carla Vaz Dulce Pinheiro Mário Jorge Ribeiro Regina Pinheiro Paula Henriques Valor total dos bens penhorados é Assiste aos credores o direito de se oporem à fusão, nos termos do PÚBLICO, 2007.02.12 PÚBLICO, 12/02/2007 - 1.ª Pub. PÚBLICO, 12/02/2007 - 1.ª Pub. PÚBLICO, 2007.02.12 PÚBLICO, 12/02/2007 - 1.ª Pub. atribuído o valor de € 600,00. artigo 101.º-A do Código das Sociedades Comerciais. Valor de venda a anunciar: Verba 1: € 350,00 (art.º 889 n.º 2 do A presente convocatória constitui, igualmente, um aviso aos credo- C.P.Civil); Verba 2: € 70,00 (art.º 889 res. n.º 2 do C.P.Civil). 05.02.2007 Lisboa, 5 de Fevereiro de 2007 MUNICÍPIO DE PALMELA A Juíza de Direito CÂMARA MUNICIPAL Dra. Ana Mafalda Sequinho dos Santos A Gerência EDITAL O Oficial de Justiça TWIN TOWERS, Ld.ª Pedro Ascenção Assinatura Ilegível 05/DGAF/2007 PÚBLICO, 2007.02.12 CONTROLO DE QUALIDADE DA ÁGUA PARA CONSUMO HUMANO - 2.º TRIMESTRE DE 2006 ANA TERESA VICENTE CUSTÓDIO DE SÁ, Presidente da Câmara Municipal de Palmela: Torna público, nos termos da alínea h), do n.º 1, do artigo 8.º, do Decreto-Lei 243/01, de 5 de Setembro, os resultados das análises de demonstração de conformidade, obtidos em colheitas de água na rede pública de distribuição de água, de acordo com o Plano de Controlo de Qualidade, aprovado pelo Instituto de Águas e Resíduos, que se anexam ao presente Edital. Para constar se publica o presente Edital e outros de igual teor que vão ter a costumada publicitação. E eu, José Manuel Monteiro, Director do Departamento de Administração-Geral e Finanças, o subscrevi. Câmara Municipal de Palmela, 31 de Janeiro de 2007 A Presidente da Câmara - Ana Teresa Vicente O Director do Departamento - José Manuel Monteiro Demonstração de conformidade de acordo com o art.º 8.º n.º 1 al. h) do D.L. 243/01 de 5 de Setembro De forma a dar cumprimento ao estipulado no D.L. 243/01 de 5 de Setembro, a C.M.P. realizou 58 colheitas de água na rede pública de distribuição de água de acordo com o plano de controlo de qualidade aprovado pelo organismo competente, Instituto Regulador de Águas e Resíduos. Controlo de Rotina 1 Unidades N.º de Amostras Máximo Mínimo VLE - Decreto-Lei 243/01 N.º de Amostras >V.P. Cloro Residual mg/l 58 0,46 0,1 - - Escherichia coli /100ml 58 0 0 0 0 Bactérias Coliformes N/ml 58 4 0 0 5 Controlo de Rotina 2 Azoto Amoniacal mg/l NH4 22 0,02 <0,02 0,5 0 N.º de colónias a 22º N/ml 30 >300 <1 s/alteração anormal - N.º de colónias a 37º N/ml 30 150 <1 s/alteração anormal - Condutividade µS/cm 22 649 126 2500 0 Cor mg/l PtCo 22 8,1 <2 20 0 pH unidade de pH 22 7,7 6,2 6,5=<pH=<9 2 Nitratos mg/l NO3 22 33 <10 50 0 Nitritos mg/l NO2 22 <0,025 <0,025 0,5 0 Oxidabilidade mg/l O2 22 1,2 <1 5 0 Cheiro a 25º C Factor diluição 22 2 0 3 0 Sabor a 25º C Factor diluição 22 2 0 3 0 Turvação UNT 22 16 <0,5 4 1 Manganês mg/l Mn 22 0,11 <0,015 0,05 2 Controlo de Inspecção Alumínio µg/l Al 8 <60 <60 200 0 Clostridium Perfringens UFC/100ml 8 0 0 0 0 Antimónio µg/l Sb 8 <5 <5 5 0 Arsénio µg/l As 8 <10 <10 10 0 Benzeno µg/l 8 <0,5 <0,5 1 0 Benzopireno µg/l 8 <0,005 <0,005 0,01 0 Boro mg/l B 8 <0,3 <0,3 1 0 Bromatos µg/l BrO3 8 <2 <2 10 0 Ferro µg/ Fe 8 467 14 200 1 Cádmio µgl/l Cd 8 <1,5 <1,5 5 0 Chumbo µg/l Pb 8 <5 <5 25 0 Cianetos µg/l Cn 8 <10 <10 50 0 Cloretos mg/l Cl 8 41 23 250 0 Cobre mg/l Cu 8 0,04 <0,01 2 0 Crómio µg/l Cr 8 <15 <15 50 0 1,2 dicloroetano µg/l 8 <0,5 <0,5 3 0 Enterococos N/100ml 8 0 0 0 0 Fluoretos mg/l F 8 0,1 <0,1 1,5 0 Mercúrio µg/l Hg 8 <1 <1 1 0 Níquel µg/l Ni 8 <20 <20 20 0 Hidrocarbonetos Aromáticos Policíclicos µg/l 8 <0,005 <0,005 0,1 0 Selénio µg/l Se 8 <10 <10 10 0 Sulfatos mg/l SO4 8 10 <8 250 0 Tetracloroeteno e tricloroeteno µg/l 8 <0,5 <0,5 10 0 Tri-halometanos total µg/l 8 77 <10 150 0 Acrilamida µg/l 8 <0,1 <0,1 0,1 0 Epicloridrina µg/l 8 <0,1 <0,1 0,1 0 Cloreto de Vinilo µg/l 8 <0,2 0 0,5 0 Sódio mg/l Na 8 25,5 <5 200 0 2,4 D µg/l 8 <0,1 <0,1 0,1 0 Alacloro µg/l 8 <0,1 <0,1 0,1 0 Atrazina µg/l 8 <0,1 <0,1 0,1 0 Bentazona µg/l 8 <0,1 <0,1 0,1 0 Desetilatrazina µg/l 8 <0,1 <0,1 0,1 0 Desetilterbutilazina µg/l 8 <0,1 <0,1 0,1 0 Dimetoato µg/l 8 <0,1 <0,1 0,1 0 EPTC µg/l 8 <0,1 <0,1 0,1 0 Linurão µg/l 8 <0,1 <0,1 0,1 0 Pendimetalina µg/l 8 <0,1 <0,1 0,1 0 S-metalacloro µg/l 8 <0,1 <0,1 0,1 0 Terbutilazina µg/l 8 <0,1 <0,1 0,1 0 Controlo de Rotina 1 Os incumprimentos registados foram alvo de repetição da análise e não se confirmaram. Controlo de Rotina 2 Os incumprimentos registados ao nível do parâmetro pH foram de imediato corrigidos através do ajuste do tratamento. Os incumprimentos ao parâmetro manganês foi uma situação pontual. O incumprimentos ao parâmetro turvação foi registado devido a uma ruptura. Controlo de Inspecção O incumprimento do parâmetro ferro encontra-se relacionado com a rede predial.
  • 34. 44 • Público • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 DIVERSOS Sociedade de Advogados em Lisboa CERVEJA CASEIRA Admite Já pensou em fazer a sua cerveja? ADVOGADOS ESTAGIÁRIOS Fácil e divertido! Venha descobrir novos sabores! (de 1.ª ou 2.ª fase) Com média final de curso igual ou superior a 14 valores Calçada do Tojal, 47-A - Lisboa Resposta ao n.º 1/2594 deste jornal www.cervejacaseira.com COMPRAMOS - VENDEMOS VENDE-SE T3 Porto Prelada ANTIGAS E MODERNAS T3 com orientação Sul Poente, como novo, com cozinha equipa- PREVENÇÃO Relógios de pulso antigos ou modernos de boas marcas da, lugar de garagem e arrecada- ANTIGUIDADES • IMAGENS • PORCELANAS • MÓVEIS • PINTURAS ção. Zona sossegada com Metro, RODOVIÁRIA escolas, supermercado e comércio Rua de S. Nicolau, 113 loja - Tel. 21 346 99 50 - Fax 21 343 00 65 - 1100-182 Lisboa Metro Baixa Chiado. Saída pela Rua do Crucifixo próximo. Tel 93 6282139. Preço 105.000 € PORTUGUESA VALNOR - VALORIZAÇÃO E TRATAMENTO DE RESÍDUOS SÓLIDOS, S.A. VALNOR - VALORIZAÇÃO E TRATAMENTO DE RESÍDUOS SÓLIDOS, S.A. VALNOR - VALORIZAÇÃO E TRATAMENTO DE RESÍDUOS SÓLIDOS, S.A. ANÚNCIO DE CONCURSO ANÚNCIO DE CONCURSO ANÚNCIO DE CONCURSO Obras III.3.2) As entidades jurídicas devem declarar os nomes e qualificações Obras III.3.2) As entidades jurídicas devem declarar os nomes e qualificações Obras III.3.2) As entidades jurídicas devem declarar os nomes e qualificações Fornecimentos x profissionais do pessoal responsável pela execução do contrato? Fornecimentos x profissionais do pessoal responsável pela execução do contrato? Fornecimentos x profissionais do pessoal responsável pela execução do contrato? Serviços NÃO SIM Serviços NÃO SIM Serviços NÃO SIM O concurso está abrangido pelo Acordo sobre Contratos Públicos (ACP)? SECÇÃO IV: PROCESSOS O concurso está abrangido pelo Acordo sobre Contratos Públicos (ACP)? SECÇÃO IV: PROCESSOS O concurso está abrangido pelo Acordo sobre Contratos Públicos (ACP)? SECÇÃO IV: PROCESSOS NÃO x SIM IV.1) TIPO DE PROCESSO NÃO x SIM IV.1) TIPO DE PROCESSO NÃO x SIM IV.1) TIPO DE PROCESSO SECÇÃO I: ENTIDADE ADJUDICANTE Concurso público x SECÇÃO I: ENTIDADE ADJUDICANTE Concurso público x SECÇÃO I: ENTIDADE ADJUDICANTE Concurso público x I.1) DESIGNAÇÃO E ENDEREÇO OFICIAIS DA ENTIDADE ADJUDICANTE Concurso limitado I.1) DESIGNAÇÃO E ENDEREÇO OFICIAIS DA ENTIDADE ADJUDICANTE Concurso limitado I.1) DESIGNAÇÃO E ENDEREÇO OFICIAIS DA ENTIDADE ADJUDICANTE Concurso limitado Organismo À atenção de Concurso limitado com publicação de anúncio Organismo À atenção de Concurso limitado com publicação de anúncio Organismo À atenção de Concurso limitado com publicação de anúncio Valnor-Valorização e Tratamento de Resíduos Concurso limitado sem publicação de anúncio Valnor-Valorização e Tratamento de Resíduos Concurso limitado sem publicação de anúncio Valnor-Valorização e Tratamento de Resíduos Concurso limitado sem publicação de anúncio Sólidos, S.A. Concurso limitado por prévia qualificação Sólidos, S.A. Concurso limitado por prévia qualificação Sólidos, S.A. Concurso limitado por prévia qualificação Concurso limitado sem apresentação de candidaturas Concurso limitado sem apresentação de candidaturas Concurso limitado sem apresentação de candidaturas Endereço Código postal Endereço Código postal Concurso limitado urgente Endereço Código postal Concurso limitado urgente Concurso limitado urgente Centro Integrado de Valorização e Tratamento 7440-999 Alter do Chão Centro Integrado de Valorização e Tratamento 7440-999 Alter do Chão Centro Integrado de Valorização e Tratamento 7440-999 Alter do Chão Processo por negociação Processo por negociação Processo por negociação de Resíduos Sólidos de Avis/Fronteira. de Resíduos Sólidos de Avis/Fronteira. Processo por negociação com publicação prévia de anúncio de Resíduos Sólidos de Avis/Fronteira. Processo por negociação com publicação prévia de anúncio Processo por negociação com publicação prévia de anúncio Herdade do Meloeiro. Freguesia de Figueira Herdade do Meloeiro. Freguesia de Figueira Herdade do Meloeiro. Freguesia de Figueira Processo por negociação sem publicação prévia de anúncio Processo por negociação sem publicação prévia de anúncio Processo por negociação sem publicação prévia de anúncio e Barros. Apartado 48 e Barros. Apartado 48 Processo por negociação urgente e Barros. Apartado 48 Processo por negociação urgente Processo por negociação urgente Localidade/cidade País IV.1.1) Já foram seleccionados candidatos? (apenas para processos para Localidade/cidade País IV.1.1) Já foram seleccionados candidatos? (apenas para processos para Localidade/cidade País IV.1.1) Já foram seleccionados candidatos? (apenas para processos para Concelho de Avis Portugal negociação e se aplicável) Concelho de Avis Portugal negociação e se aplicável) Concelho de Avis Portugal negociação e se aplicável) Telefone Fax NÃO SIM Telefone Fax NÃO SIM Telefone Fax NÃO SIM 245 610 040 245 619 003 Em caso afirmativo, usar Informações adicionais (secção VI) para informações 245 610 040 245 619 003 Em caso afirmativo, usar Informações adicionais (secção VI) para informações 245 610 040 245 619 003 Em caso afirmativo, usar Informações adicionais (secção VI) para informações complementares Correio electrónico Endereço internet (URL) complementares Correio electrónico Endereço internet (URL) complementares Correio electrónico Endereço internet (URL) IV.1.2) Justificação para a utilização do procedimento acelerado (se IV.1.2) Justificação para a utilização do procedimento acelerado (se geral@valnor.pt www.valnor.pt IV.1.2) Justificação para a utilização do procedimento acelerado (se geral@valnor.pt www.valnor.pt geral@valnor.pt www.valnor.pt aplicável) aplicável) aplicável) I.2) ENDEREÇO ONDE PODEM SER OBTIDAS INFORMAÇÕES ADICIONAIS I.2) ENDEREÇO ONDE PODEM SER OBTIDAS INFORMAÇÕES ADICIONAIS __________________________________________________________ I.2) ENDEREÇO ONDE PODEM SER OBTIDAS INFORMAÇÕES ADICIONAIS __________________________________________________________ __________________________________________________________ indicado em I.1 x Se distinto, ver anexo A indicado em I.1 x Se distinto, ver anexo A indicado em I.1 x Se distinto, ver anexo A IV.1.3) Publicações anteriores referentes ao mesmo projecto (se aplicável) I.3) ENDEREÇO ONDE PODE SER OBTIDA A DOCUMENTAÇÃO IV.1.3) Publicações anteriores referentes ao mesmo projecto (se aplicável) I.3) ENDEREÇO ONDE PODE SER OBTIDA A DOCUMENTAÇÃO IV.1.3) Publicações anteriores referentes ao mesmo projecto (se aplicável) I.3) ENDEREÇO ONDE PODE SER OBTIDA A DOCUMENTAÇÃO IV.1.3.1) Anúncio de pré-informação referente ao mesmo projecto IV.1.3.1) Anúncio de pré-informação referente ao mesmo projecto indicado em I.1 x Se distinto, ver anexo A IV.1.3.1) Anúncio de pré-informação referente ao mesmo projecto indicado em I.1 x Se distinto, ver anexo A indicado em I.1 x Se distinto, ver anexo A Número do anúncio no índice do Jornal Oficial da União Europeia I.4) ENDEREÇO PARA ONDE DEVEM SER ENVIADOS AS PROPOSTAS/ Número do anúncio no índice do Jornal Oficial da União Europeia I.4) ENDEREÇO PARA ONDE DEVEM SER ENVIADOS AS PROPOSTAS/ Número do anúncio no índice do Jornal Oficial da União Europeia I.4) ENDEREÇO PARA ONDE DEVEM SER ENVIADOS AS PROPOSTAS/ /S - de / / (dd/mm/aaaa) /S - de / / (dd/mm/aaaa) PEDIDOS DE PARTICIPAÇÃO /S - de / / (dd/mm/aaaa) PEDIDOS DE PARTICIPAÇÃO PEDIDOS DE PARTICIPAÇÃO ou para processos abaixo do limiar indicado em I.1 x Se distinto, ver anexo A ou para processos abaixo do limiar indicado em I.1 x Se distinto, ver anexo A ou para processos abaixo do limiar indicado em I.1 x Se distinto, ver anexo A no Diário da República III Série no Diário da República III Série I.5) TIPO DE ENTIDADE ADJUDICANTE (informação não indispensável à no Diário da República III Série I.5) TIPO DE ENTIDADE ADJUDICANTE (informação não indispensável à I.5) TIPO DE ENTIDADE ADJUDICANTE (informação não indispensável à / de / / (dd/mm/aaaa) publicação do anúncio) / de / / (dd/mm/aaaa) publicação do anúncio) / de / / (dd/mm/aaaa) publicação do anúncio) IV.1.3.2) Outras publicações anteriores IV.1.3.2) Outras publicações anteriores Governo central Instituição Europeia IV.1.3.2) Outras publicações anteriores Governo central Instituição Europeia Governo central Instituição Europeia Número do anúncio no índice do Jornal Oficial da União Europeia Autoridade regional/local Organismo de direito público Outro x Número do anúncio no índice do Jornal Oficial da União Europeia Autoridade regional/local Organismo de direito público Outro x Número do anúncio no índice do Jornal Oficial da União Europeia Autoridade regional/local Organismo de direito público Outro x /S - de / / (dd/mm/aaaa) /S - de / / (dd/mm/aaaa) SECÇÃO II: OBJECTO DO CONCURSO /S - de / / (dd/mm/aaaa) SECÇÃO II: OBJECTO DO CONCURSO SECÇÃO II: OBJECTO DO CONCURSO ou para processos abaixo do limiar II.1) DESCRIÇÃO ou para processos abaixo do limiar II.1) DESCRIÇÃO ou para processos abaixo do limiar II.1) DESCRIÇÃO no Diário da República III Série no Diário da República IIIª Série II.1.1) Tipo de contrato de obras (no caso de um contrato de obras) no Diário da República III Série II.1.1) Tipo de contrato de obras (no caso de um contrato de obras) II.1.1) Tipo de contrato de obras (no caso de um contrato de obras) / de / / (dd/mm/aaaa) Execução Concepção e execução / de / / (dd/mm/aaaa) Execução Concepção e execução / de / / (dd/mm/aaaa) Execução Concepção e execução IV.1.4) Número de empresas que a entidade adjudicante pretende convidar IV.1.4) Número de empresas que a entidade adjudicante pretende convidar Execução, seja por que meio for, de uma obra que satisfaça as necessidades IV.1.4) Número de empresas que a entidade adjudicante pretende convidar Execução, seja por que meio for, de uma obra que satisfaça as necessidades Execução, seja por que meio for, de uma obra que satisfaça as necessidades a apresentar propostas (se aplicável) indicadas pela entidade adjudicante a apresentar propostas (se aplicável) indicadas pela entidade adjudicante a apresentar propostas (se aplicável) indicadas pela entidade adjudicante Número ou Mínimo / Máximo Número ou Mínimo / Máximo II.1.2) Tipo de contrato de fornecimentos (no caso de um contrato de Número ou Mínimo / Máximo II.1.2) Tipo de contrato de fornecimentos (no caso de um contrato de II.1.2) Tipo de contrato de fornecimentos (no caso de um contrato de IV.2) CRITÉRIOS DE ADJUDICAÇÃO fornecimentos) IV.2) CRITÉRIOS DE ADJUDICAÇÃO fornecimentos) IV.2) CRITÉRIOS DE ADJUDICAÇÃO fornecimentos) A) Preço mais baixo A) Preço mais baixo Compra x Locação Locação financeira Locação-venda A) Preço mais baixo Compra x Locação Locação financeira Locação-venda Compra x Locação Locação financeira Locação-venda Ou: Combinação dos anteriores Ou: Combinação dos anteriores Ou: Combinação dos anteriores B) Proposta economicamente mais vantajosa, tendo em conta x B) Proposta economicamente mais vantajosa, tendo em conta x II.1.3) Tipo de contrato de serviços (no caso de um contrato de serviços) B) Proposta economicamente mais vantajosa, tendo em conta x II.1.3) Tipo de contrato de serviços (no caso de um contrato de serviços) II.1.3) Tipo de contrato de serviços (no caso de um contrato de serviços) B1) os critérios a seguir indicados (se possível, por ordem decrescente Categoria de serviços B1) os critérios a seguir indicados (se possível, por ordem decrescente Categoria de serviços B1) os critérios a seguir indicados (se possível, por ordem decrescente Categoria de serviços de importância) x de importância) x II.1.4) Trata-se de um contrato-quadro? (informação não indispensável à de importância) x II.1.4) Trata-se de um contrato-quadro? (informação não indispensável à II.1.4) Trata-se de um contrato-quadro? (informação não indispensável à a) - Valor Técnico - 45% a) - Valor Técnico - 45% a) - Valor Técnico - 45% publicação do anúncio) NÃO SIM publicação do anúncio) NÃO SIM publicação do anúncio) NÃO SIM Características Técnicas Características Técnicas Características Técnicas II.1.5) Designação dada ao contrato pela entidade adjudicante (informação II.1.5) Designação dada ao contrato pela entidade adjudicante (informação Legalização dos equipamentos; Adestamento; Documentação Técnica II.1.5) Designação dada ao contrato pela entidade adjudicante (informação Legalização dos equipamentos; Documentação Técnica Legalização dos equipamentos; Documentação Técnica não indispensável à publicação do anúncio) não indispensável à publicação do anúncio) não indispensável à publicação do anúncio) b) - Preço - 35% b) - Preço - 35% b) - Preço - 35% Fornecimento e Montagem de um Grupo Móvel de Crivagem para o Sistema Fornecimento e montagem de uma Estação de Desmantelamento para Veículos c) - Nível de garantia e Assistência - 20% Fornecimento de um Britador Rebocável para o Sistema Multimunicipal do c) - Nível de garantia e Assistência - 20% c) - Nível de garantia e Assistência - 20% em Fim de Vida no Sistema Multmunicipal do Norte Alentejano. Norte Alentejano. Multimunicipal do Norte Alentejano. Prazo de garantia Prazo de garantia Prazo de garantia II.1.6) Descrição/objecto do concurso II.1.6) Descrição/objecto do concurso Garantia de manutenção e assistência futura, Eficiência nas reparações II.1.6) Descrição/objecto do concurso Garantia de manutenção e assistência futura, Eficiência nas reparações Garantia de manutenção e assistência futura, Eficiência nas reparações e Aquisição e montagem de uma estação para veículos em fim de vida com uma Aquisição de um britador rebocável. Aquisição e montagem de um grupo móvel de crivagem transportado por fornecimento de peças, fornecimento de peças para os anos seguintes e fornecimento de peças, fornecimento de peças para os anos seguintes e fornecimento de peças, fornecimento de peças para os anos seguin- tractor (semi-trailer) capacidade de 20 veículos/dia. Por ordem decrescente de importância NÃO SIM x II.1.7) Local onde se realizará a obra, a entrega dos fornecimentos ou a tes Por ordem decrescente de importância NÃO SIM x II.1.7) Local onde se realizará a obra, a entrega dos fornecimentos ou a II.1.7) Local onde se realizará a obra, a entrega dos fornecimentos ou a ou prestação de serviços Por ordem decrescente de importância NÃO SIM x ou prestação de serviços B2) os factores indicados no caderno de encargos prestação de serviços B2) os factores indicados no caderno de encargos Distrito de Portalegre, concelho de Avis. Centro Integrado de Valorização e ou Distrito de Portalegre, concelho de Avis. Centro Integrado de Valorização e IV.3) INFORMAÇÕES DE CARÁCTER ADMINISTRATIVO Distrito de Portalegre, concelho de Avis. Centro Integrado de Valorização e IV.3) INFORMAÇÕES DE CARÁCTER ADMINISTRATIVO Tratamento de Resíduos Sólidos de Avis/Fronteira. Herdade do Meloeiro. B2) os factores indicados no caderno de encargos Tratamento de Resíduos Sólidos de Avis/Fronteira. Herdade do Meloeiro. IV.3.1) Número de referência atribuído ao processo pela entidade adjudi- Tratamento de Resíduos Sólidos de Avis/Fronteira. Herdade do Meloeiro. IV.3.1) Número de referência atribuído ao processo pela entidade adjudi- Freguesia de Figueira e Barros. IV.3) INFORMAÇÕES DE CARÁCTER ADMINISTRATIVO Freguesia de Figueira e Barros. cante (informação não indispensável à publicação do anúncio) Freguesia de Figueira e Barros. cante (informação não indispensável à publicação do anúncio) Código NUTS (informação não indispensável à publicação do anúncio): 182. IV.3.1) Número de referência atribuído ao processo pela entidade adjudi- Código NUTS (informação não indispensável à publicação do anúncio): 182. __________________________________________________________ Código NUTS (informação não indispensável à publicação do anúncio): 182. __________________________________________________________ II.1.8) Nomenclatura cante (informação não indispensável à publicação do anúncio) II.1.8) Nomenclatura II.1.8) Nomenclatura II.1.8.1) Classificação CPV (Common Procurement Vocabulary) * (informa- __________________________________________________________ IV.3.2) Condições para a obtenção de documentos contratuais e adicionais IV.3.2) Condições para a obtenção de documentos contratuais e adicionais II.1.8.1) Classificação CPV (Common Procurement Vocabulary) * (informa- II.1.8.1) Classificação CPV (Common Procurement Vocabulary) * (informa- Data-limite de obtenção / / (dd/mm/aaaa) ou … dias ção não indispensável à publicação do anúncio) IV.3.2) Condições para a obtenção de documentos contratuais e adicionais ção não indispensável à publicação do anúncio) Data-limite de obtenção / / (dd/mm/aaaa) ou … dias ção não indispensável à publicação do anúncio) Vocabulário principal Vocabulário complementar a contar da publicação do anúncio no Diário da República (NOTA: Pôr a a contar da publicação do anúncio no Diário da República (NOTA: Pôr a Data-limite de obtenção / / (dd/mm/aaaa) ou … dias Vocabulário principal Vocabulário complementar Vocabulário principal Vocabulário complementar mesma data que em IV.3.3) (se aplicável) a contar da publicação do anúncio no Diário da República (NOTA: Pôr a (se aplicável) mesma data que em IV.3.3) (se aplicável) Objecto principal . . . - - - - Custo (se aplicável): 150 Moeda: euros Objecto principal . . . - - - - Custo (se aplicável): 150 Moeda: euros mesma data que em IV.3.3) Objecto principal . . . - - - - Condições e forma de pagamento: Objectos . . . - - - - Custo (se aplicável): 150 Moeda: euros Objectos . . . - - - - Condições e forma de pagamento: Objectos . . . - - - - complementares . . . - - - - Contra carta timbrada, e pagamento em numerário ou cheque, à ordem da Val- complementares . . . - - - - Contra carta timbrada, e pagamento em numerário ou cheque, à ordem da Val- Condições e forma de pagamento: complementares . . . - - - - nor - Valorização e Tratamento de Resíduos Sólidos, S.A., no acto da entrega. . . . - - - - Contra carta timbrada, e pagamento em numerário ou cheque, à ordem da Val- nor - Valorização e Tratamento de Resíduos Sólidos, S.A., no acto da entrega. . . . - - - - . . . - - - - . . . - - - - IV.3.3) Prazo para recepção de propostas ou pedidos de participação . . . - - - - IV.3.3) Prazo para recepção de propostas ou pedidos de participação nor - Valorização e Tratamento de Resíduos Sólidos, S.A., no acto da entrega. . . . - - - - (consoante se trate de um concurso público ou de um concurso limitado ou (consoante se trate de um concurso público ou de um concurso limitado ou II.1.8.2) Outra nomenclatura relevante (CPA/NACE/CPC) ** IV.3.3) Prazo para recepção de propostas ou pedidos de participação II.1.8.2) Outra nomenclatura relevante (CPA/NACE/CPC) ** II.1.8.2) Outra nomenclatura relevante (CPA/NACE/CPC) ** de um processo por negociação) ________________________ de um processo por negociação) ________________________ (consoante se trate de um concurso público ou de um concurso limitado ou ________________________ / / (dd/mm/aaaa) ou dias a contar do envio do / / (dd/mm/aaaa) ou dias a contar do envio do II.1.9) Divisão em lotes (Para fornecer informações sobre os lotes utilizar o de um processo por negociação) II.1.9) Divisão em lotes (Para fornecer informações sobre os lotes utilizar o anúncio para o Jornal Oficial da União Europeia ou da sua publicação no / / (dd/mm/aaaa) ou dias a contar do envio do II.1.9) Divisão em lotes (Para fornecer informações sobre os lotes utilizar o anúncio para o Jornal Oficial da União Europeia ou da sua publicação no número de exemplares do anexo B necessários) número de exemplares do anexo B necessários) Diário da República Diário da República NÃO x SIM anúncio para o Jornal Oficial da União Europeia ou da sua publicação no número de exemplares do anexo B necessários) NÃO x SIM Hora (se aplicável) 17 horas (NOTA: 15 dias seguidos a contar da data da pu- Diário da República NÃO x SIM Hora (se aplicável) 17 horas (NOTA: 15 dias seguidos a contar da data da pu- Indicar se se podem apresentar propostas para: um lote Indicar se se podem apresentar propostas para: um lote blicação do anúncio relativo ao presente concurso no Diário da República) vários lotes todos os lotes Hora (se aplicável) 17 horas (NOTA: 15 dias seguidos a contar da data da pu- Indicar se se podem apresentar propostas para: um lote blicação do anúncio relativo ao presente concurso no Diário da República) vários lotes todos os lotes IV.3.4) Envio dos convites para apresentação de propostas aos candidatos blicação do anúncio relativo ao presente concurso no Diário da República) vários lotes todos os lotes IV.3.4) Envio dos convites para apresentação de propostas aos candidatos II.1.10) As variantes serão tomadas em consideração? (se aplicável) II.1.10) As variantes serão tomadas em consideração? (se aplicável) seleccionados (nos concursos limitados e nos processos por negociação) IV.3.4) Envio dos convites para apresentação de propostas aos candidatos II.1.10) As variantes serão tomadas em consideração? (se aplicável) seleccionados (nos concursos limitados e nos processos por negociação) NÃO x SIM NÃO x SIM Data prevista / / (dd/mm/aaaa) II.2) QUANTIDADE OU EXTENSÃO DO CONCURSO seleccionados (nos concursos limitados e nos processos por negociação) NÃO x SIM Data prevista / / (dd/mm/aaaa) II.2) QUANTIDADE OU EXTENSÃO DO CONCURSO IV.3.5) Língua ou línguas que podem ser utilizadas nas propostas ou nos II.2.1) Quantidade ou extensão total (incluindo todos os lotes e opções, Data prevista / / (dd/mm/aaaa) II.2) QUANTIDADE OU EXTENSÃO DO CONCURSO IV.3.5) Língua ou línguas que podem ser utilizadas nas propostas ou nos II.2.1) Quantidade ou extensão total (incluindo todos os lotes e opções, pedidos de participação IV.3.5) Língua ou línguas que podem ser utilizadas nas propostas ou nos II.2.1) Quantidade ou extensão total (incluindo todos os lotes e opções, pedidos de participação se aplicável) se aplicável) ES DA DE EL EN FR IT NL PT FI SV Outra - país terceiro Indicada em II.1.6. pedidos de participação se aplicável) ES DA DE EL EN FR IT NL PT FI SV Outra - país terceiro Indicada em II.1.6. x _______________ II.2.2) Opções (se aplicável). Descrição e momento em que podem ser ES DA DE EL EN FR IT NL PT FI SV Outra - país terceiro Indicada em II.1.6. x _______________ II.2.2) Opções (se aplicável). Descrição e momento em que podem ser IV.3.6) Prazo durante o qual o proponente deve manter a sua proposta (no exercidas (se possível) x _______________ II.2.2) Opções (se aplicável). Descrição e momento em que podem ser IV.3.6) Prazo durante o qual o proponente deve manter a sua proposta (no exercidas (se possível) caso de um concurso público) IV.3.6) Prazo durante o qual o proponente deve manter a sua proposta (no exercidas (se possível) caso de um concurso público) __________________________________________________________ __________________________________________________________ Até / / (dd/mm/aaaa) ou meses e/ou 060 dias a contar caso de um concurso público) __________________________________________________________ Até / / (dd/mm/aaaa) ou meses e/ou 060 dias a contar II.3) Duração do contrato ou prazo de execução da data fixada para a recepção das propostas II.3) Duração do contrato ou prazo de execução Até / / (dd/mm/aaaa) ou meses e/ou 060 dias a contar II.3) Duração do contrato ou prazo de execução da data fixada para a recepção das propostas Indicar o prazo em meses e/ou em dias a partir da data da IV.3.7) Condições de abertura das propostas Indicar o prazo em meses e/ou em dias a partir da data da da data fixada para a recepção das propostas Indicar o prazo em meses e/ou em dias a partir da data da IV.3.7) Condições de abertura das propostas consignação (para obras) IV.3.7.1) Pessoas autorizadas a assistir à abertura das propostas (se consignação (para obras) IV.3.7) Condições de abertura das propostas consignação (para obras) IV.3.7.1) Pessoas autorizadas a assistir à abertura das propostas (se em dias 090 a partir da decisão de adjudicação (para fornecimentos e aplicável) em dias 090 a partir da decisão de adjudicação (para fornecimentos e IV.3.7.1) Pessoas autorizadas a assistir à abertura das propostas (se em dias 090 a partir da decisão de adjudicação (para fornecimentos e aplicável) serviços) Ao acto público pode assistir qualquer interessado, apenas podendo nele serviços) aplicável) serviços) Ao acto público pode assistir qualquer interessado, apenas podendo nele Ou: Início / / e/ou termo / / (dd/mm/aaaa) intervir os concorrentes e seus representantes, devidamente credenciados até Ou: Início / / e/ou termo / / (dd/mm/aaaa) Ao acto público pode assistir qualquer interessado, apenas podendo nele Ou: Início / / e/ou termo / / (dd/mm/aaaa) intervir os concorrentes e seus representantes, devidamente credenciados até SECÇÃO III: INFORMAÇÕES DE CARÁCTER JURÍDICO, ECONÓMICO, ao máximo de dois por concorrente. SECÇÃO III: INFORMAÇÕES DE CARÁCTER JURÍDICO, ECONÓMICO, intervir os concorrentes e seus representantes, devidamente credenciados até SECÇÃO III: INFORMAÇÕES DE CARÁCTER JURÍDICO, ECONÓMICO, ao máximo de dois por concorrente. FINANCEIRO E TÉCNICO IV.3.7.2) Data, hora e local FINANCEIRO E TÉCNICO ao máximo de dois por concorrente. FINANCEIRO E TÉCNICO IV.3.7.2) Data, hora e local III.1) CONDIÇÕES RELATIVAS AO CONCURSO Data / / (dd/mm/aaaa), ____________dias a contar da III.1) CONDIÇÕES RELATIVAS AO CONCURSO IV.3.7.2) Data, hora e local III.1) CONDIÇÕES RELATIVAS AO CONCURSO Data / / (dd/mm/aaaa), ____________dias a contar da III.1.1) Cauções e garantias exigidas (se aplicável) publicação do anúncio no Diário da República ou III.1.1) Cauções e garantias exigidas (se aplicável) Data / / (dd/mm/aaaa), ____________dias a contar da III.1.1) Cauções e garantias exigidas (se aplicável) publicação do anúncio no Diário da República ou A caução é de 5% do total da Adjudicação, excluindo o IVA, e será pres- No dia útil seguinte à data-limite para a apresentação de propostas x A caução é de 5% do total da Adjudicação, excluindo o IVA, e será pres- publicação do anúncio no Diário da República ou A caução é de 5% do total da Adjudicação, excluindo o IVA, e será pres- No dia útil seguinte à data-limite para a apresentação de propostas x tada na data da celebração do contrato, por depósito em dinheiro ou em
  • 35. Público • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 • 45 DIVERSOS VALNOR - VALORIZAÇÃO E TRATAMENTO DE RESÍDUOS SÓLIDOS, S.A. ANÚNCIO DE CONCURSO Obras III.3.2) As entidades jurídicas devem declarar os nomes e qualificações Fornecimentos x profissionais do pessoal responsável pela execução do contrato? ANÚNCIO DE CONCURSO Serviços NÃO SIM O concurso está abrangido pelo Acordo sobre Contratos Públicos (ACP)? SECÇÃO IV: PROCESSOS NÃO x SIM IV.1) TIPO DE PROCESSO SECÇÃO I: ENTIDADE ADJUDICANTE para verificar o cumprimento dos re- SECÇÃO I: ENTIDADE ADJUDICANTE Concurso público x I.1) DESIGNAÇÃO E ENDEREÇO OFICIAIS DA ENTIDADE ADJUDICANTE Concurso limitado I.1) DESIGNAÇÃO, ENDEREÇOS E quisitos: Organismo À atenção de Concurso limitado com publicação de anúncio Valnor-Valorização e Tratamento de Resíduos Concurso limitado sem publicação de anúncio PONTOS DE CONTACTO Alíneas a) e b) do n.º 1 do Art.º 12.º do Sólidos, S.A. Concurso limitado por prévia qualificação Designação Oficial: SUCH - Serviço de Programa do Concurso. Concurso limitado sem apresentação de candidaturas Endereço Código postal Concurso limitado urgente Utilização Comum dos Hospitais III.2.2) Capacidade económica e Centro Integrado de Valorização e Tratamento 7440-999 Alter do Chão de Resíduos Sólidos de Avis/Fronteira. Herdade do Meloeiro. Freguesia de Figueira e Barros. Apartado 48 Processo por negociação Processo por negociação com publicação prévia de anúncio Processo por negociação sem publicação prévia de anúncio Processo por negociação urgente Endereço postal: Parque de Saúde de Lisboa - Pavilhão 33A, Av. do Brasil, 53 financeira Informação e formalidades necessárias ENG.º JOSÉ DUARTE AMARAL Localidade/cidade País IV.1.1) Já foram seleccionados candidatos? (apenas para processos para Localidade: Lisboa para verificar o cumprimento dos re- Concelho de Avis Portugal negociação e se aplicável) quisitos: Código Postal: 1749-003 Telefone 245 610 040 Correio electrónico Fax 245 619 003 Endereço internet (URL) NÃO SIM Em caso afirmativo, usar Informações adicionais (secção VI) para informações complementares País: PORTUGAL Pontos de contacto: Gabinete de Apoio III.2.3) Capacidade técnica Informação e formalidades necessárias Missa de 30.º Dia e Agradecimento geral@valnor.pt www.valnor.pt IV.1.2) Justificação para a utilização do procedimento acelerado (se I.2) ENDEREÇO ONDE PODEM SER OBTIDAS INFORMAÇÕES ADICIONAIS aplicável) Administrativo / Executivo da Direcção para verificar o cumprimento dos re- __________________________________________________________ indicado em I.1 x Se distinto, ver anexo A I.3) ENDEREÇO ONDE PODE SER OBTIDA A DOCUMENTAÇÃO IV.1.3) Publicações anteriores referentes ao mesmo projecto (se aplicável) de Compras quisitos: Sua Mulher, Filhos, Netos e demais família parti- IV.1.3.1) Anúncio de pré-informação referente ao mesmo projecto À atenção de: Dr.ª Susana Maurício Aalíneas a), b), c) e d) do n.º 2 do Art.º indicado em I.1 x Se distinto, ver anexo A I.4) ENDEREÇO PARA ONDE DEVEM SER ENVIADOS AS PROPOSTAS/ Número do anúncio no índice do Jornal Oficial da União Europeia Telefone: 217923400 12.º do Programa do Concurso. cipam que será rezada Missa, amanhã, dia 13, às PEDIDOS DE PARTICIPAÇÃO /S - de / / (dd/mm/aaaa) indicado em I.1 x Se distinto, ver anexo A ou para processos abaixo do limiar no Diário da República III Série Fax: 217923430 SECÇÃO IV: PROCESSO 18.30 horas na Igreja de Santa Joana Princesa, I.5) TIPO DE ENTIDADE ADJUDICANTE (informação não indispensável à / de / / (dd/mm/aaaa) Correio Electrónico: IV.1) TIPO DE PROCESSO publicação do anúncio) Governo central Instituição Europeia IV.1.3.2) Outras publicações anteriores direccaocompras@such.pt IV.1.1) Tipo de processo Concurso (Av.ª E. U. América). Agradecem desde já a to- Autoridade regional/local Organismo de direito público Outro x Número do anúncio no índice do Jornal Oficial da União Europeia SECÇÃO II: OBJECTO DO CONCURSO /S - ou para processos abaixo do limiar de / / (dd/mm/aaaa) Mais informações podem ser obtidas público dos os que se dignarem assistir a este acto, bem II.1) DESCRIÇÃO IV.2) CRITÉRIOS DE ADJUDICAÇÃO II.1.1) Tipo de contrato de obras (no caso de um contrato de obras) no Diário da República III Série no seguinte endereço: Ver «pontos de como aos que de qualquer outra forma lhes ma- / de / / (dd/mm/aaaa) IV.2.1) Critérios de adjudicação: Execução Concepção e execução IV.1.4) Número de empresas que a entidade adjudicante pretende convidar contacto» Execução, seja por que meio for, de uma obra que satisfaça as necessidades indicadas pela entidade adjudicante a apresentar propostas (se aplicável) Caderno de encargos e documentos Proposta economicamente mais vantajo- nifestaram o seu pesar. II.1.2) Tipo de contrato de fornecimentos (no caso de um contrato de Número ou Mínimo / Máximo fornecimentos) IV.2) CRITÉRIOS DE ADJUDICAÇÃO complementares (incluindo documentos sa, tendo em conta Compra x Locação Locação financeira Locação-venda A) Preço mais baixo para diálogo concorrencial e para um Os critérios enunciados no caderno de Combinação dos anteriores Ou: II.1.3) Tipo de contrato de serviços (no caso de um contrato de serviços) B) Proposta economicamente mais vantajosa, tendo em conta x Sistema de Aquisição Dinâmico) podem encargos, no convite à apresentação de Categoria de serviços B1) os critérios a seguir indicados (se possível, por ordem decrescente de importância) x ser obtidos no seguinte endereço: Ver propostas ou para participar na negocia- Loja Alvalade II.1.4) Trata-se de um contrato-quadro? (informação não indispensável à publicação do anúncio) NÃO SIM a) - Valor Técnico - 45% «pontos de contacto» ção ou na memória descritiva Servilusa - N. Verde Grátis 800 204 222 Características Técnicas II.1.5) Designação dada ao contrato pela entidade adjudicante (informação Legalização dos equipamentos; Documentação Técnica As propostas ou pedidos de participação IV.3) INFORMAÇÕES DE CARÁCTER não indispensável à publicação do anúncio) Fornecimento e Montagem de uma Prensa de Sucatas Metálicas no Sistema b) - Preço - 35% c) - Nível de garantia e Assistência - 20% devem ser enviados para o seguinte ADMINISTRATIVO Serviço Funerário Permanente 24 horas Multimunicipal do Norte Alentejano IV.3.1) Número de referência atribuído II.1.6) Descrição/objecto do concurso Prazo de garantia endereço: Garantia de manutenção e assistência futura, Eficiência nas reparações e Aquisição a montagem de uma prensa de sucatas metálicas fornecimento de peças, fornecimento de peças para os anos seguintes Ver «pontos de contacto» ao processo pela entidade adjudicante II.1.7) Local onde se realizará a obra, a entrega dos fornecimentos ou a Por ordem decrescente de importância NÃO SIM x prestação de serviços I.2) TIPO DE ENTIDADE ADJUDICANTE Concurso Público Internacional n.º 03/07 ou Distrito de Portalegre, concelho de Avis. Centro Integrado de Valorização e B2) os factores indicados no caderno de encargos E SUAS PRINCIPAIS ACTIVIDADES IV.3.2) Publicações anteriores referen- Tratamento de Resíduos Sólidos de Avis/Fronteira. Herdade do Meloeiro. IV.3) INFORMAÇÕES DE CARÁCTER ADMINISTRATIVO Freguesia de Figueira e Barros. IV.3.1) Número de referência atribuído ao processo pela entidade adjudi- Outro: Pessoa Colectiva de Utilidade tes ao mesmo projecto: Não DIRECÇÃO-GERAL DOS IMPOSTOS Código NUTS (informação não indispensável à publicação do anúncio): 182. cante (informação não indispensável à publicação do anúncio) DF de FARO II.1.8) Nomenclatura Pública Administrativa - Saúde IV.3.3) Condições para obtenção do __________________________________________________________ Serviço de Finanças do Concelho de Faro II.1.8.1) Classificação CPV (Common Procurement Vocabulary) * (informa- IV.3.2) Condições para a obtenção de documentos contratuais e adicionais A entidade adjudicante está a contratar caderno de encargos e dos documen- ção não indispensável à publicação do anúncio) Av. 5 de Outubro, 25 r/c - FARO - 8000-022 FARO Vocabulário principal Vocabulário complementar Data-limite de obtenção / / (dd/mm/aaaa) ou … dias por conta de outras entidades adjudi- tos complementares (excepto para um a contar da publicação do anúncio no Diário da República (NOTA: Pôr a (se aplicável) cantes Não SAD) ou memória descritiva (em caso ÉDITOS DE 30 DIAS PARA CITAÇÃO mesma data que em IV.3.3) Objecto principal . . . - - - - Custo (se aplicável): 150 Moeda: euros Objectos . . . - - - - Condições e forma de pagamento: SECÇÃO II: OBJECTO DO CONTRATO de diálogo concorrencial) complementares . . . - - - - Contra carta timbrada, e pagamento em numerário ou cheque, à ordem da Val- II.1) DESCRIÇÃO Prazo para a recepção de pedidos de . . . - - - - nor - Valorização e Tratamento de Resíduos Sólidos, S.A., no acto da entrega. . . . - - - - II.1.1) Designação dada ao contrato documentos ou para aceder aos docu- II.1.8.2) Outra nomenclatura relevante (CPA/NACE/CPC) ** ________________________ IV.3.3) Prazo para recepção de propostas ou pedidos de participação (consoante se trate de um concurso público ou de um concurso limitado ou pela entidade adjudicante mentos Processo de Execução Fiscal n.º 1058200601085085 de um processo por negociação) II.1.9) Divisão em lotes (Para fornecer informações sobre os lotes utilizar o / / (dd/mm/aaaa) ou dias a contar do envio do Prestação de Serviços para colocação Data: 26/03/2007 Hora: 16 número de exemplares do anexo B necessários) anúncio para o Jornal Oficial da União Europeia ou da sua publicação no de pessoal em Regime de Trabalho Documentos a título oneroso: Sim Luís Alberto Dias Osório, Chefe do Serviço de Finanças de Faro. NÃO x SIM Diário da República Indicar se se podem apresentar propostas para: um lote Hora (se aplicável) 17 horas (NOTA: 15 dias seguidos a contar da data da pu- Temporário. Indicar preço: 50 Faz público que por este Serviço de Finanças correm éditos de vários lotes todos os lotes blicação do anúncio relativo ao presente concurso no Diário da República) Divisa: EUR II.1.10) As variantes serão tomadas em consideração? (se aplicável) IV.3.4) Envio dos convites para apresentação de propostas aos candidatos II.1.2) Tipo de contrato e local da trinta dias, citando o executado Scalfarus - Construção Civil e NÃO x SIM seleccionados (nos concursos limitados e nos processos por negociação) realização das obras, da entrega dos Condições e modo de pagamento: O II.2) QUANTIDADE OU EXTENSÃO DO CONCURSO Data prevista / / (dd/mm/aaaa) fornecimentos ou da prestação de valor indicado pode ser liquidado em Imobiliária,Lda, NIPC504 556 754, que tem a sua sede na R. Dr. II.2.1) Quantidade ou extensão total (incluindo todos os lotes e opções, IV.3.5) Língua ou línguas que podem ser utilizadas nas propostas ou nos se aplicável) pedidos de participação serviços dinheiro ou cheque, a liquidar na Tesou- José de Matos - Urb. Bom João, Lt 17 - Loja A - Faro, encontran- Indicada em II.1.6. ES DA DE EL EN FR IT NL PT FI SV Outra - país terceiro II.2.2) Opções (se aplicável). Descrição e momento em que podem ser x _______________ c) Serviços raria do SUCH, ou pode o C. Encargos do–se actualmente em parte incerta de que pelo presente fica cita- exercidas (se possível) IV.3.6) Prazo durante o qual o proponente deve manter a sua proposta (no Categoria de serviços n.º 93 ser enviado à cobrança. __________________________________________________________ caso de um concurso público) do de que foi ( foram) instaurado (s) neste Serviço de Finanças con- II.3) Duração do contrato ou prazo de execução Até / / (dd/mm/aaaa) ou meses e/ou 060 dias a contar Principal local de execução: Lisboa, Por- IV.3.4) Prazos de recepção das propos- Indicar o prazo em meses e/ou em dias a partir da data da da data fixada para a recepção das propostas IV.3.7) Condições de abertura das propostas to, Coimbra, Portalegre, Tomar tas ou dos pedidos de participação tra V. Ex.a, o processo de execução fiscal n.º 1058200601085085, consignação (para obras) em dias 090 a partir da decisão de adjudicação (para fornecimentos e IV.3.7.1) Pessoas autorizadas a assistir à abertura das propostas (se II.1.3) O anúncio implica: Data: 30/03/2007 por dívida de IRC do ano de 2000 no montante de 12.642,75 serviços) aplicável) Ou: Início / / e/ou termo / / (dd/mm/aaaa) Ao acto público pode assistir qualquer interessado, apenas podendo nele Um contrato público Hora: 16 euros, devendo proceder ao pagamento da dívida exequenda e SECÇÃO III: INFORMAÇÕES DE CARÁCTER JURÍDICO, ECONÓMICO, intervir os concorrentes e seus representantes, devidamente credenciados até II.1.5) Breve descrição do contrato ou IV.3.6) Língua ou línguas que podem FINANCEIRO E TÉCNICO ao máximo de dois por concorrente. acrescido no prazo de 30 dias a contar da concretização desta III.1) CONDIÇÕES RELATIVAS AO CONCURSO IV.3.7.2) Data, hora e local das aquisições ser utilizadas nas propostas ou nos III.1.1) Cauções e garantias exigidas (se aplicável) Data / / (dd/mm/aaaa), ____________dias a contar da citação, nos termos do artigo 250.º do Código do Processo Civil. A caução é de 5% do total da Adjudicação, excluindo o IVA, e será pres- publicação do anúncio no Diário da República ou O presente concurso público tem como pedidos de participação PT tada na data da celebração do contrato, por depósito em dinheiro ou em No dia útil seguinte à data-limite para a apresentação de propostas x finalidade contratar os serviços de traba- IV.3.7) Período mínimo durante o qual o No mesmo prazo poderá requerer o pagamento em regime pres- títulos emitidos ou garantidos pelo Estado, ou mediante garantia bancária Hora: 9 horas. Local: Morada da Entidade Adjudicante indicada em I.1.). ou seguro caução. SECÇÃO VI: INFORMAÇÕES ADICIONAIS lho temporário, com vista a assegurar as concorrente é obrigado a manter a sua III.1.2) Principais modalidades de financiamento e pagamento e/ou VI.1) Trata-se de um anúncio não obrigatório? substituições de trabalhadores ausentes proposta (concursos públicos) tacional, nos termos do artigo 196.º do C.P.P.T., e/ou a dação em referência às disposições que as regulam (se aplicável) NÃO x SIM Os pagamentos ao adjudicatário serão efectuados no prazo de 60 (sessenta) VI.2) Indicar, se for caso disso, se se trata de um concurso periódico e o por motivos de doença, férias e licenças Período em dias: 60 (a contar da data- pagamento nos termos do art.º 201.º do mesmo código ou então dias a contar da data de aceitação dos equipamentos e emissão das calendário previsto de publicação de próximos anúncios respectivas facturas, desde que as mesmas tenham tido a aprovação da __________________________________________________________ de maternidade, durante o ano de 2007. limite para a recepção das propostas) deduzir oposição judicial com base nos fundamentos prescritos entidade adjudicante. VI.3) O presente contrato enquadra-se num projecto/programa financiado II.1.6) CLASSIFICAÇÃO CPV (VOCABU- IV.3.8) Condições de abertura das III.1.3) Forma jurídica que deve revestir o agrupamento de empreiteiros, de pelos fundos comunitários? (informação não indispensável à publicação no artigo 204.º do Código de Procedimento e de Processo Tri- fornecedores ou de prestadores de serviços (se aplicável) do anúncio) LÁRIO COMUM PARA OS CONTRATOS propostas Os concorrentes podem ser empresas ou agrupamentos de empresas, residen- NÃO SIM x PÚBLICOS) Data: 02/04/2007 Hora: 10 butário. tes ou não residentes em território nacional, sem qualquer modalidade jurídica Em caso afirmativo, indicar o projecto/programa, bem como qualquer de associação no momento em que se apresentem a concurso desde que referência útil Objecto principal Lugar: Sala de reuniões do Conselho de Decorrido aquele prazo sem que o pagamento da dívida exequen- declarem a intenção em caso de adjudicação de se associarem em Consórcio Programa Operacional do Alentejo. Externo ou Agrupamento Complementar de Empresas, em qualquer dos casos, VI.4) OUTRAS INFORMAÇÕES (se aplicável) Vocabulário principal: 93900000 Administração da e acrescido se mostre efectuado e caso não exista, nos termos em regime de responsabilidade solidária dos consorciados ou agrupados, entre A entidade que preside ao concurso reserva-se o direito de não adjudicar a II.1.7) O contrato está abrangido pelo Pessoas autorizadas a assistir à abertura si e com o Consórcio ou Agrupamento. nenhum dos concorrentes, nos termos previstos no Decreto-Lei n.º 197/99 Acordo sobre Contratos Públicos das propostas: Sim do Código de Procedimento e Processo Tributário, motivo para III.2) CONDIÇÕES DE PARTICIPAÇÃO de 8 de Junho. III.2.1) Informações relativas à situação do empreiteiro/do fornecedor/do A aquisição do equipamento em concurso depende da aprovação da candi- (ACP)? Não 2 pessoas, no máximo, por concorrente. suspender a execução, a mesma prosseguirá a sua tramitação prestador de serviços e formalidades necessárias para avaliar a capacida- datura ao Fundo Comunitário “Programa Operacional do Alentejo”, pelo que, de económica, financeira e técnica mínima exigida caso esta viesse a não ser aprovada, a Valnor - Valorização e Tratamento de SECÇÃO III: INFORMAÇÕES DE SECÇÃO VI: INFORMAÇÕES COMPLE- legal, designadamente para efeitos da penhora de bens e demais Só serão admitidos concorrentes que, à data da entrega da proposta Resíduos Sólidos, S.A., reserva-se o direito de não adjudicação. CARÁCTER JURÍDICO, ECONÓMICO, MENTARES satisfaçam as condições previstas no artigo 33.º do Decreto-Lei n.º Nos três anos subsequentes à assinatura do contrato, a Valnor - Valorização VI.1) TRATA-SE DE UM CONTRATO DE diligências prescritas no Código de Procedimento e Processo 197/99, de 8 de Junho. e Tratamento de Resíduos Sólidos, S.A., poderá recorrer ao ajuste directo FINANCEIRO E TÉCNICO III.2.1.1) Situação jurídica - documentos comprovativos exigidos quando se trate de entregas complementares destinadas à substituição parcial Tributário podendo ser incluído na lista de devedores tributários, Os indicados no programa de concurso dos bens fornecidos ou ampliação de fornecimentos ou de novos serviços que III.1) CONDIÇÕES RELATIVAS AO CARÁCTER PERIÓDICO: Não III.2.1.2) Capacidade económica e financeira - documentos comprovativos consistam na repetição de serviços similares nos termos previstos no artigo CONTRATO VI.2) CONTRATO RELACIONADO COM organizada em conformidade com os n.ºs 5 e 6 do art.º 64.º da exigidos 86.º do Decreto-Lei n.º 197/99 de 8 de Junho. Os indicados no programa de concurso O processo de concurso poderá ser examinado ou adquirido nas instalações da III.1.1) Cauções e garantias exigidas UM PROJECTO E/OU PROGRAMA LGT. III.2.1.3) Capacidade técnica - documentos comprovativos exigidos Valnor, S.A., de segunda a sexta feira, entre as 9 h e as 17. Os indicados no programa de concurso. VI.5) DATA DE ENVIO DO PRESENTE ANÚNCIO PARA PUBLICAÇÃO NO JOR- Aquando da execução do contrato é FINANCIADO POR FUNDOS COMUNI- III.3) CONDIÇÕES RELATIVAS AOS CONTRATOS DE SERVIÇOS NAL OFICIAL DA UNIÃO EUROPEIA / / (dd/mm/aaaa) exigível a apresentação de caução no TÁRIOS: Não E para constar, se passou o presente Edital - Anúncio e outros de III.3.1) A prestação do serviço está reservada a uma determinada * cfr. descrito no Regulamento CPV 2151/2003, publicado no JOCE n.º profissão? L329 de 17 de Dezembro, para os contratos de valor igual ou superior montante de 5% do valor global da adju- VI.5) DATA DE ENVIO DO PRESENTE igual teor que vão ser afixados nos lugares indicados por Lei. NÃO SIM ao limiar europeu dicação sem inclusão do IVA. ANÚNCIO 06/02/2007 Em caso afirmativo, referência às disposições legislativas, regulamentares ou ** cfr. descrito no Regulamento 3696/93, publicado no JOCE nº L342 de 31 de Serviço de Finanças de Faro, aos 2007-01-31 administrativas relevantes Dezembro, alterado pelo Regulamento 1232/98 da Comissão de 17 de Junho, III.2) CONDIÇÕES DE PARTICIPAÇÃO ______________________________________________________ publicado no JOCE nº L177, de 22 de Junho 06/02/2007 III.2.1) Situação pessoal dos opera- O Chefe do Serviço de Finanças dores económicos, nomeadamente Presidente do Conselho requisitos em matéria de inscrição nos de Administração Luís Alberto Dias Osório União Europeia registos profissionais ou comerciais Dr.ª Paula Maria Mendes PROGRAMA OPERACIONAL REGIÃO DO ALENTEJO FEDER Informação e formalidades necessárias Nanita Lopes de Oliveira PÚBLICO, 12/02/2007 - 1.ª Pub. MARIA DOS SANTOS TEIXEIRA JOSÉ ANTÓNIO ARSÉNIO FALECEU FALECEU Sua filha, neta e restante família participam a todas as pessoas das suas relações e José Manuel Arsénio, Maria Alice Arsénio, João Pedro Arsénio, José Carlos Arsénio e Inês amizade o falecimento da sua ente querida e que o funeral se realiza hoje pelas 10h na Mafalda Arsénio participam o falecimento do seu pai, sogro, avô e bisavô e que o funeral Igreja de Santa Engrácia, Lisboa, para o Cemitério de Avanca - Estarreja, antecedido se realiza amanhã dia 13, pelas 10h30 horas saindo da Igreja de Santo António do Estoril de missa de Corpo Presente às 9h. As cerimónias em Avanca serão pelas 14h. para o cemitério da Galiza, Estoril. Pelas 10h será celebrada missa de Corpo Presente. Agência Mega Loja Cascais de: Edmundo Santos Servilusa - Nº verde grátis 800 204 222 Telf: 21 886 3432 Fax: 21 888 1957 Serviço Funerário Permanente 24 horas
  • 36. 46 • Público • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 DIVERSOS Associação Portuguesa de Familiares e Amigos de Doentes de Alzheimer A APFADA é uma instituição particular de solidariedade social que apoia os Doentes de Alzheimer e os seus Cuidados disponibilizando: Informação sobre a Doença e seus efeitos. Formação para cuidadores, formais e informais. Equi- pamentos e Serviços específicos. Atendimento social e psicológico. Grupos de Ajuda Mútua. Terapia Ocupacional. Banco de ajudas técnicas. Outros benefícios. Contactos Sede: Av. de Ceuta Norte, Lote 1, Lojas 1 e 2 - Quinta do Loureiro, 1350-410 Lisboa Tel.: 213 610 460/8 - Fax: 213 610 469 - E-mail: alzheimer@netcabo.pt - Site: www.alzheimerportugal.org Delegação do Norte: R. Barão do Corvo, 181, 4430-039 Vila Nova de Gaia - Tel.: 226 066 863 - Fax: 223 754 484 - E-mail: apfadaporto@sapo.pt Delegação do Centro: Centro de Saúde de Pombal - 3100-000 POMBAL - Tel.: 236 200 970 - Fax: 236 200 971 - E-mail: chfadm1@cspombal.srsleiria.min-saude.pt Delegação da Região Autónoma da Madeira: Complexo Habitacional da Nazaré, cave do Bloco 21 - Sala E - 9000-135 FUNCHAL - Tel.:/Fax: 291 772 021 - E-mail: alzheimer@netmadeira.com Núcleo do Ribatejo: Rua Dionísio Saraiva, n.º 11, 1.º - 2080-104 Almeirim - Tel.: 243 594 136 - Fax 243 594 137 - E-mail: carla.apfada@netcabo.pt COMPOREL - Companhia Portuguesa de Relojoaria, Lda. CONVOCATÓRIA Convocam-se os sócios da sociedade Comporel - Companhia Por- tuguesa de Relojoaria, Lda., com sede na Avenida Fontes Pereira de Melo, Galerias Saldanha Residence, loja 1.32/3, freguesia de São Sebastião da Pedreira, concelho de Lisboa, pessoa colectiva n.º 504794051, matriculada na 3.ª Secção da Conservatória do Registo Comercial de Lisboa, com o capital social de € 15.000,00, para a reunião da Assembleia Geral que terá lugar na sede social, no próximo dia 30 de Março de 2007, pelas 19.00 horas, com a seguinte ordem de trabalhos: 1 - Deliberar e votar o projecto de fusão por incorporação das sociedades Comporel - Companhia Portuguesa de Relojoaria, Lda, e Twin Towers - Comércio dc Relojoaria, Ld.ª, na socie- dade Manuel dos Santos, Lda., que é rigorosamente idêntico ao projecto de fusão a apresentar nas assembleias gerais da sociedade incorporante e da sociedade incorporada Twin Towers – Comércio de Relojoaria, Lda., e que corresponde integralmente ao projecto de fusão registado na Conservatória do Registo Comercial de Lisboa, mediante transferência da totalidade do património das sociedades incorporadas para a sociedade incorporante. Dá-se ainda conhecimento aos sócios e credores sociais de ter sido já registado na 3.ª Secção da Conservatória do Registo Comercial de Lisboa o referido projecto de fusão e de que este e a respectiva documentação anexa, se encontram à disposição para consulta na sede social. Assiste aos credores o direito de se oporem à fusão, nos termos do artigo 101.º-A do Código das Sociedades Comerciais. A presente convocatória constitui, igualmente, um aviso aos cre- dores. Lisboa, 5 de Fevereiro de 2007 A Gerência COMPOREL, Ld.ª Assinatura Ilegível ZONA CENTRAL SERVIÇO DE APROVISIONAMENTO EDIFÍCIO DO CENTRO DE FORMAÇÃO ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.º 1-0-3005/2007 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE RECOLHA, ARMAZENAMENTO, TRANSPORTE, TRATAMENTO, VALORIZAÇÃO E ELIMINAÇÃO DOS DIVERSOS TIPOS DE RESÍDUOS DO AGRUPAMENTO DE ENTIDADES ADJUDICANTES PARA O ANO DE 2007 O Agrupamento de Entidades Adjudicantes: Centro Hospitalar de Lisboa - Zona Central, Hospital de Dona Estefânia e Hospital de Santa Marta EPE, vai efecturar o Concurso Público referido em epígrafe, que tem como objecto a prestação dos Serviços supracitados. O processo de concurso encontra-se patente no Serviço de Aprovisionamento - Edifício do Centro de Formação, sito na Rua José António Serrano, 1150- 199 Lisboa, todos os dias úteis das 9.00 às 13.00 e das 14.00 às 17.00 horas, desde a data da publicação deste anúncio até ao dia e hora do acto público do concurso. Os interessados podem solicitar em tempo útil e mediante o pagamento da importância de Euros 70,00 + 21% IVA, em dinheiro ou cheque, o programa do concurso e o caderno de encargos no Serviço de Aprovisionamento - Edifí- cio do Centro de Formação, sito na morada acima indicada, todos os dias úteis das 9.00 às 13.00 e das 14.00 às 16.00 horas. As propostas serão entregues até às 17 horas do dia 09/04/2007, no Serviço de Aprovisionamento - Edifício do Centro de Formação, sito na morada acima indicada, ou remetidas pelo correio, sob registo, ocorrendo o acto público de abertura das propostas no dia 10/04/2007, pelas 10 horas. O anúncio completo a que se refere este concurso foi enviado para publicação no Diário da República e Jornal Oficial das Comunidades Europeias em 06 de Fevereiro de 2007. Qualquer esclarecimento pode ser solicitado através do telefone 218 841 916, ou Fax n.º 218 841 069/70. Lisboa, 06 de Fevereiro de 2007 A Técnica Superior de 1.ª Classe Fátima Almeida
  • 37. Público • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 • 47 dura.
  • 38. 48 • Público • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 Desporto Futebol Dabao fez três golos no primeiro jogo RUI GAUDÊNCIO Se Dabao agradar, o seu passe no final da época pode custar 400 mil euros ao Benfica Yu Dabao, a jovem “pérola” chinesa que já começou a marcar golos no Benfica Tem apenas 18 anos e chegou há duas semanas. Alinha nos juniores do clube “encarnado”, onde já é vedeta, é o primeiro futebolista da China a jogar em Portugal e admira Rui Costa já lhe chamam. Mas não serão tantos respectivamente treinador principal do ficou à experiência dois meses. Mas na mão. Há hábitos que não se alte- Jorge Miguel Matias elogios exagerados? Afinal de contas, e técnico adjunto da equipa de junio- as suas qualidades foram tão eviden- ram facilmente e Dabao não abdica a A bancada do principal relvado do Dabao está em Portugal há pouco res, sublinham a sua capacidade para tes que os “encarnados” avançaram dos seus “talheres”. centro de estágio dos “encarnados”, mais de duas semanas. A resposta fazer golos. Os índices de finalização para a sua contratação. Depois de ter A mudança de país, de continente, no Seixal, estava a abarrotar no sába- tem sido dada pelo asiático, em cam- do jovem ponta-de-lança chinês são regressado à China, o avançado voltou de civilização não parece incomodá- do. É verdade que um Benfica-Spor- po: na primeira partida oficial, frente assombrosos. “É um jogador acima da há pouco mais de duas semanas e irá lo. Dabao é natural da cidade de Qing ting atrai sempre muita gente, mesmo ao Portimonense, marcou três golos, média para o escalão. Na ‘cara do golo’ terminar a época a jogar pelos junio- Dao, que fica a cerca de uma hora e em juniores, mas a justificação para a acertou duas vezes nos postes e fez tem classe, é frio”, explica Lage. res. No final da temporada será decidi- meia de avião de Pequim e de Xangai, enchente não se resumia à rivalidade uma assistência para golo. E se no se- O internacional sub-17, sub-18 e sub- do o seu futuro (o passe custa 400 mil onde vivia com os pais (é filho único). entre “águias” e “leões”. Havia outro gundo encontro, contra o Sporting, 19 chinês não facilita, nem nos treinos, euros), mas Rosário e Justino, adjuntos A solidão que enfrenta no Seixal mata- motivo: Yu Dabao. ficou em branco, o Benfica também onde não há o ambiente de competi- de Fernando Santos, treinador dos sé- a a ler e a estudar inglês e português. Ele é o primeiro jogador chinês do não conseguiu marcar. ção dos jogos. “Em dez situações de niores, já observaram o jogador. Já sabe dizer “obrigado” e contar até Benfica, o primeiro futebolista do golo, marca nove”, garante Renato três – os golos que já marcou. gigante asiático a jogar em Portugal. Dabao é diferente Paiva. E é esta capacidade que está a Agarrado aos pauzinhos Para o ano, espera jogar na equipa Com apenas 18 anos, Yu Dabao está Se pensa que Dabao personifica aquele deslumbrar os responsáveis benfiquis- Dabao vive no centro de estágio do principal do Benfica, quem sabe ao la- a deslumbrar todos no clube. Apesar estereótipo do futebolista chinês – pe- tas. Outra das qualidades elogiadas a clube, no Seixal. E foi lá que falou ao do de Rui Costa, o jogador português de ter feito apenas dois jogos oficiais, queno, frágil e inocente – ,esqueça. Ele Dabao é a sua cultura táctica, “muito PÚBLICO. Pouco surpreendido por que mais admira. Lá fora, prefere o a fama de goleador espalhou-se rapi- é exactamente o contrário. O que o tor- elevada para a idade que tem”, que merecer o interesse da imprensa por- brasileiro Kaká (AC Milan). Futebolis- damente. E a curiosidade tornou-se na diferente, além da origem, é a sua lhe permite jogar com facilidade em tuguesa e chinesa (um jornal chinês tas habilidosos. Talvez mais do que tão grande que anteontem vários mi- frieza em frente à baliza. Dabao não é diferentes esquemas tácticos. também aproveitou a ocasião para o Dabao, mas o chinês espera que os lhares fizeram questão de ver com os apenas um avançado, é um goleador. Não é a primeira vez que Dabao está entrevistar, ajudando na tradução), golos o tornem tão famoso como os seus próprios olhos “a pérola”, como Tanto Bruno Lage, como Renato Paiva, no Benfica – em Outubro do ano passa- apareceu com um par de pauzinhos seus ídolos.
  • 39. Público • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 • 49 Saiba por que é que os juros ainda deverão subir três vezes em 2007 Economia, página 58 Mendonça, o angolano que tarda em sair do Varzim bom para levantar a moral”, disse ao mais nas vistas”, diz Lopes de Castro. treinador do Braga, quem lançou Men- trapassada com a estabilidade familiar Ângelo Teixeira Marques PÚBLICO o jogador do Varzim. O avançado pertence à geração que donça , justamente frente ao Benfica que ganhou. a Mendonça viveu ontem a ressaca O internacional angolano – que já disputou, em 1999, a Taça Africana das (2001/02). Nessa época “jogava como O “salto” para outro clube esteve do sucesso de ter sido um dos grandes vestiu a camisola da selecção mais Nações e que, passados dois anos, che- um número 10”, diz o atleta, que hoje para ocorrer no Verão. “Um clube responsáveis pelo afastamento do Ben- de 50 vezes – chegou à Póvoa. com 17 gou aos quartos-de-final do Mundial é extremo. Lopes de Castro reconhece da 1.ª Liga queria-o por empréstimo, fica da Taça de Portugal em futebol. anos, pela mão do actual presidente do de Juniores. Na Póvoa, era o “meni- que, por vezes, o Mendonça que se mas o Varzim não faz empréstimos”, E o telemóvel não parou de tocar. Fa- Varzim. Teve de disputar com Loyd e no querido” dos adeptos que têm na viu frente ao Benfica “desaparecia”, diz Lopes de Castro, que acredita num miliares e amigos quiseram transmitir Dedas (também internacionais de An- memória outras “pedras preciosas” mas acredita que essa inconsistência grande futuro para o angolano. “Cus- “os parabéns” pela exibição. “Correu gola) uma vaga. “Só podíamos ter um e vindas de Angola, como Vata ou Lu- – em 2004 o atleta esteve suspenso ta-me é perceber como é que ainda bem, foi um bom momento. O jogo foi o Mendonça era o mais atrevido, dava femba. Foi Rogério Gonçalves, actual três meses por doping – está a ser ul- continua no Varzim.” PUBLICIDADE Finlandês Grönholm ganha Rali da Suécia pela quinta vez A primeira clínica privada a O piloto finlandês Marcus Grönholm conseguiu ontem, no Rali da Suécia, a construída e equipada com a assistência técnica sua primeira vitória do ano e a quinta da Direcção Geral dos Hospitais na prova. O tricampeão mundial, Sé- bastien Loeb, terminou em segundo, a 53,8s. O francês mantém o primeiro lugar na classificação de pilotos, com 18 pontos, mais dois que Grönholm. “Estou muito contente. Foi uma bela disputa com Loeb. Não tivemos nenhum problema no carro, apenas frio nos pés”, disse o vencedor. Ontem, num dia em que muitos pi- lotos tiveram problemas, em grande maioria causados pelo piso de neve (das 8 às 22 Horas) e pela pouca visibilidade, Grönholm (Ford Focus) voltou a ser mais rápido CENTRO de ATENDIMENTO - CONSULTAS CENTRO de DIAGNÓSTICO - EXAMES que a concorrência, vencendo três das MARCAÇÕES: AMADORA – 21 499 93 80 SACAVÉM – 21 942 87 77 MARCAÇÕES: AMADORA – 21 499 93 80 SACAVÉM – 21 942 87 77 seis especiais disputadas. Embora sem MEDICINA INTERNA REUMATOLOGIA ANÁLISES CLÍNICAS, HORMONAIS E HISTOLÓGICAS vencer nenhuma das especiais, Loeb CLÍNICA GERAL ENDOCRINOLOGIA RADIOLOGIA GERAL (Citroën C4) foi uma constante preocu- CIRURGIA GERAL ANDROLOGIA MAMOGRAFIA CIRURGIA PLÁSTICA UROLOGIA CITOLOGIA ASPIRATIVA pação para o finlandês, tendo acabado CIRURGIA TORÁXICA UROLOGIA NEUROLÓGICA BIÓPSIA GUIADA POR ECOGRAFIA sempre com tempos muito próximos CIRURGIA POR LAPAROSCOPIA UROLOGIA PEDIÁTRICA ECOTOMOGRAFIA do líder da prova. MICROCIRURGIA GASTRENTEROLOGIA TAC – TOMOGRAFIA COMPUTORIZADA No terceiro posto, a 1m41s, termi- ANESTESIOLOGIA HEPATOLOGIA RM – RESSONÂNCIA MAGNÉTICA nou Hirvonen, compatriota e colega GINECOLOGIA PNEUMOLOGIA DENSITOMETRIA ÓSSEA de equipa de Grönholm, que subiu OBSTETRÍCIA CARDIOLOGIA EEG – ELECTROENCEFALOGRAFIA ao terceiro lugar do Mundial, com CONSULTA DE MAMA CÁRDIO TORÁXICA PACING CARDÍACO ECG – ELECTROCARDIOGRAFIA OFTALMOLOGIA CIRURGIA VASCULAR ECOCARDIOGRAFIA dez pontos. OTORRINOLARINGOLOGIA NEFROLOGIA ULTRASSONOGRAFIA – DOPPLER COLORIDO O piloto português Armindo Araújo ORTOPEDIA NEUROLOGIA PROVAS FUNCIONAIS RESPIRATÓRIAS (Mitsubishi Lancer Evo IX) terminou CONSULTA DA MÃO NEUROCIRURGIA PROVAS DE ESFORÇO CONSULTA DO OMBRO o rali na 21ª posição – foi sexto na ca- CONSULTA DO JOELHO DIAGNÓSTICO PRÉ-NATAL PRESSUROMETRIA tegoria Produção, a escassos 17,5s do CONSULTA DO PÉ PEDIATRIA MÉDICA AUDIOMETRIA quinto classificado. O tetracampeão ORTOPEDIA INFANTIL CIRURGIA PEDIÁTRICA ANGIOGRAFIA OFTALMOLÓGICA nacional, que foi o melhor classifica- DIABETOLOGIA CONSULTA DA ADOLESCÊNCIA YAG LASER HEMATOLOGIA ONCOLOGIA GASTRENTEROLOGIA – ENDOSCOPIA do dos não nórdicos, mostrou-se, no DERMATOLOGIA PSICOLOGIA UROFLUXOMETRIA final, bastante satisfeito com o rendi- ALERGOLOGIA PSIQUIATRIA ARTROSCOPIA mento. “Correu melhor do que o es- IMUNO ALERGOLOGIA TERAPIA DA FALA COLPOSCOPIA perado. Sabíamos que era uma prova MAXILO-FACIAL OBESIDADE MÓRBIDA CELIOSCOPIA de sofrimento e queríamos amealhar MEDICINA DENTÁRIA NUTRIÇÃO LAPAROSCOPIA algum pontinho.” CPRE COLANGIOGRAFIA PANCREÁTICA RETROGADA ENDOSCÓPICA Araújo, que na prática fica em quin- PEQUENAS E MÉDIAS CIRURGIAS UNIDADE DE LITOTRÍCIA RENAL E URETERAL CELIOSCOPIAS to na Suécia, uma vez que o sueco Os- CENTRO HIPERTERMIA PROSTÁTICA UNIDADE DE QUIMIOTERAPIA UNIDADE DE LASER de BRAQUITERAPIA (para o tratamento do cancro localizado da próstata) car Sevedlund, a convite da organiza- ção, apenas fez esta prova, participará TRATAMENTO MÉDICO ORTOTRÍCIA (ondas de choque no combate à dor de ombro doloroso, canal cárpico, joelho, esporão do calcâneo, etc.) TRATAMENTO AMBULATÓRIO SEM ANESTESIA E SEM DOR ainda em mais cinco ralis. O próximo será em Junho (1 a 3), na Grécia. Por NOVAS VALÊNCIAS ACELERADOR LINEAR RADIOTERAPIA CARDIOLOGIA (EXAMES e CIRURGIA) motivos logísticos, Armindo Araújo abdicou de participar nos ralis do México e Austrália, provas que tam- bém fazem parte do calendário da categoria Produção. O Mundial continua já na próxima LINHA DIRECTA: 21 499 93 01 sexta-feira com o inédito Rali da No- CLISA AMADORA Av. Hospitais Civis de Lisboa, 8 – Reboleira Telef. 21 499 93 00 Fax: 21 495 36 97 ruega que, à imagem da prova sueca, CLISA SACAVÉM Urb. Real Forte, E.N. 10 - Sacavém Telef. 21 942 87 00 Fax: 21 942 87 98 também será disputado em piso de ne- ve. Essas condições podem, uma vez CLISA ODIVELAS Colinas do Cruzeiro, Lote 23, Zona 8 – Famões mais, beneficiar os pilotos nórdicos, entre eles Grönholm.
  • 40. 50 • Público • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 Desporto João Loureiro Uma década à frente do destino dos “axadrezados” O novo Estádio do Bessa é um dos principais elementos patrimoniais do clube Geração Loureiro, o reinado que deu uma nova dimensão ao Boavista João Loureiro completa na quarta-feira dez anos na presidência dos “axadrezados”. Uma década em que o clube conquistou todos os títulos nacionais e se afirmou na Europa nesta altura, o clube atravessa mo- na formação e em comprar barato e Manuel Mendes mentos complicados em termos de Património vender caro. “Apercebi-me muito cedo a Quando perguntam a João Loureiro se o melhor presidente do Boavista foi tesouraria. É isso que está a procurar resolver para “fechar este ciclo com Os terrenos do Bessa e os direitos televisivos de que, para sobreviver e crescer, esse era o único caminho. Essa é a filosofia ele ou o pai, o actual líder dos “axadre- chave de ouro”. que ainda hoje se mantém no clube, zados” responde, sem hesitar, que foi Os grandes momentos daquele que Valentim Loureiro, que foi compra dos terrenos onde hoje que continua a conseguir realizar boas Valentim Loureiro. “Sem o trabalho foi o mais jovem presidente de sempre um dos principais motores está implantado o estádio. Já transferências”, explica o presidente que ele desenvolveu, num clube com a sagrar-se campeão nacional foram a da aquisição do terreno onde com os lucros de sucessivas honorário dos “axadrezados”. tradição, mas muito localizado, nunca conquista do título, a inauguração do nasceu o Estádio do Bessa, foi transferências, avançou, no final O primeiro negócio que marca a teria conseguido nada”, explica, quan- novo estádio e a constituição da SAD. também o responsável pela da década de 80, para a compra viragem do Boavista é a contratação do está a dois dias de completar dez “O meu pai deixou tudo muito bem ampliação do património do de mais 13 mil metros quadrados de Moinhos, em 1972, ao Vilanovense. anos como líder do clube. Uma década encaminhado, eu apenas tive de lhe clube. Em 1968, naquele que junto ao Bessa. Com Valentim, o Valentim Loureiro, na altura chefe do em que conquistou todos os títulos na- imprimir novas ideias e conceitos de ficou conhecido como o “jantar Boavista foi o primeiro clube em departamento de futebol, adiantou do cionais, concretizou a construção do modernização”, insiste. Confessa, con- dos presidentes”, foi o actual Portugal a vender os direitos de seu próprio bolso os 150 contos neces- novo Estádio do Bessa, criou a SAD e tudo, que, quando foi “obrigado, por líder da Câmara de Gondomar transmissão televisiva dos seus sários para concretizar o negócio. O levou o clube à Liga dos Campeões e força das circunstâncias” – Valentim quem adiantou do seu bolso 50 jogos e foi o segundo, a seguir ao passe do jogador subiu em flecha e, a uma meia-final da Taça UEFA. “Mas Loureiro, em 1997, assumiu a presi- dos 300 contos necessários à Farense, a ter uma sala de bingo. em 1974, é transferido para o Benfica nada seria possível sem o património dência da Liga de Clubes –, a assumir por 2500 contos. “Era o suficiente pa- que o meu pai construiu ao longo dos os destinos do clube, tinha sonhos e ra pagar dois a três anos de salários anos”, repete. “Só tive o mérito de não um deles era o título. “A oportunidade do nosso plantel”, explica Valentim. PAULO RICCA me conformar com os êxitos do passa- surgiu com a constituição da SAD em Ainda na década de 70, os grandes de do”, concede. 2000. Nesse ano contraímos um em- Lisboa voltaram a rechear os cofres do A história do Boavista confunde-se préstimo que nos permitiu segurar os Bessa. O Sporting pagou 1800 contos com a da família Loureiro, uma ligação melhores jogadores e fazer mais algu- por Fraguito. O Benfica desembolsou que dura há cerca de 39 anos. O pai mas contratações. Com o dinheiro da oito mil por Celso e Jorge Gomes. entrou no clube em 1968, quando se SAD pagou-se o financiamento e ainda Uma transferência famosa foi a de encontrava na II Divisão, e colocou-o sobrou algum dinheiro. E, em termos Ademir, um ponta-de-lança que não entre os grandes do futebol, dando a desportivos, o objectivo era andar parecia ter lugar na equipa das Antas. conhecer as “camisolas esquisitas” à entre os grandes, mas conseguimos Valentim Loureiro avança para compra Europa. O filho modernizou-o e levou- o título”, explica. do passe, mas o jogador nem sequer -o ao título na temporada de 2000/01. Mas, de facto, nada disto seria pos- chega a vestir de xadrez, sendo de ime- Aumentou também o número de sócios sível sem o trabalho desenvolvido por diato vendido ao Celta de Vigo por 13 de oito mil para 28 mil. “A melhor assis- Valentim Loureiro, que encontrou o mil contos. Foi a primeira afronta aos tência no anterior estádio foi de cerca clube sem praticamente nada de seu e portistas, cujo presidente, Américo de de 2800 sócios pagantes num jogo com a disputar a II Divisão. Com Valentim, Sá, ainda tentou impedir o negócio. De- a Lazio. Hoje temos frequentemente o Boavista mudou. Comprou o está- balde. O líder “axadrezado” respondeu cinco a seis mil numa partida vulgar”, dio. Cortou com a política de jogado- que “também” tinha feito “a quarta diz João Loureiro, sem esconder que, res emprestados e passou a apostar Valentim e João Loureiro: o novo estádio é uma das maiores conquistas classe”. E arrecadou os lucros.
  • 41. Público • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 • 51 a João Loureiro termina o mandato Um futuro difícil gando faseadamente essas dívidas. resolvidos. Numa primeira fase, atra- FERNANDO VELUDO à frente dos destinos do Boavista no João Loureiro espera que as autori- vés da conclusão das negociações As dívidas, próximo mês de Dezembro. Ainda não sabe se vai recandidatar-se. Mas antes dessa data quer resolver de uma vez dades públicas venham a corrigir esta injustiça e evitem que “o caso vá parar aos tribunais nacionais e europeus”. relativas ao refinanciamento da cons- trução do estádio, processo que deve estar concluído nos próximos dias. o estádio e por todas os problemas de tesouraria que afectam o clube e que fazem “Um relatório do Tribunal de Contas diz claramente que houve uma discre- Depois, pelo aumento de capital da Boavista SAD com a emissão de 27,5 a alegada surgir com frequência notícias de credores a reclamar os seus direitos. O presidente do Boavista reconhece pância enorme em termos de apoios no âmbito da construção dos estádios do Euro 2004, com claro prejuízo por cento de novas acções para subs- critores internacionais, que devem fazer entrar no clube mais de sete discriminação que existem problemas financeiros, que se devem, sobretudo, à suposta do Boavista. Repare: cinco estádios são municipais. O do Guimarães foi milhões de euros. “Espero que tudo esteja concluí- discriminação de que o emblema te- totalmente edificado com dinheiros do neste primeiro semestre. Vamos rá sido alvo nos apoios à construção públicos. Depois há mais quatro. O saldar todas as dívidas e ficar numa do estádio e que criaram um encargo FC Porto teve fortes apoios através do situação excelente para crescer de anual de dois milhões de euros à SAD João Loureiro forma sustentada”, explica. Loureiro axadrezada. admite que diz ainda que a parceria não está fe- “Até hoje, cumprimos escrupulosa- o clube e a chada, porque tem de garantir que o mente todas as prestações e já pagá- Sociedade Boavista será sempre o principal pro- mos oito milhões de euros”, garante. Desportiva tagonista na gestão. “Se fosse para Com este custo inesperado, explica, o apresentam um vender o controlo a um terceiro, isso clube viu-se obrigado a cortar drasti- passivo máximo já o poderia ter feito há muito. Mas a camente no orçamento, que hoje não de 25 milhões próxima época já será disputada nes- vai além dos quatro milhões de euros. Plano de Pormenor das Antas. O Benfi- ses termos”, garante. “Mas para reduzir foi necessário fazer ca e Sporting tiveram enormes contri- Mesmo que não se concretizasse es- rescisões, cortar nos contratos mais buições da EPUL e ainda recentemente ta operação, o clube já está, segundo elevados, e muitas das reclamações Soares Franco veio reclamar o cum- o presidente boavisteiro, numa fase que agora surgem devem-se a esse fac- primento de alguns acordos por parte de recuperação, tendo conseguido to”, explana, garantindo que o Boavista da autarquia. Depois sobra o Boavista, no ano passado um cash-flow positivo “tem vontade de cumprir” com toda que ninguém apoiou e, pior, ainda se de 1,4 milhões de euros. Além disso, a gente. “As pessoas, no entanto, têm arrogam o direito de nos impedir de João Loureiro admite que o clube e a de compreender que a nossa priorida- rentabilizar o nosso património, como SAD podem ter um passivo no máxi- de é respeitar os compromissos para é o caso da edificação que queremos mo de 25 milhões de euros, mas como com quem aqui trabalha agora e esses fazer em parte dos terrenos dos cam- contrapartida alega que o património estão a ser cumpridos.” Mensalmente, pos de treinos.” do Grupo Boavista está avaliado em porém, a SAD reserva uma verba entre Seja como for, João Loureiro conta cerca de 100 milhões de euros. os 75 mil e os 100 mil euros para ir pa- ter todos os problemas de tesouraria Manuel Mendes PUBLICIDADE
  • 42. 52 • Público • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 Desporto Vital Moreira vai ter de esperar 4 anos e meio pela presidência do Tribunal Constitucional Portugal, pág. 23 Regresso do “traidor” Ronaldo a um Meazza Sporting de novo campeão meio vazio para ver a sua estreia no AC Milan no atletismo DARIO PIGNATELLI/REUTERS Filipe Escobar de Lima Jorge Miguel Matias O futebol voltou a Itália uma a O Sporting conquistou ontem, em masculinos e em femininos, o Nacional semana depois da morte de de clubes de pista coberta, que decor- um polícia. Quatro estádios reu em Pombal. Nos homens, foi o 12º fecharam as portas aos título consecutivo, enquanto nas mu- adeptos. Na Rússia, Hiddink lheres as vitórias seguidas são já 13. O Benfica foi o principal adversário nega ida para o Chelsea dos “leões” em masculinos, ficando apenas a um ponto de distância do a A estreia de Ronaldo pelo AC Milan rival lisboeta depois da desclassifica- não podia ter ocorrido em momento ção da equipa leonina de 4x400m. Na mais conturbado do futebol em Itália. competição feminina, o triunfo spor- A morte de um polícia na Sicília, há tinguista foi mais folgado (22 pontos mais de uma semana, tirou brilho ao sobre o JOMA), resultado de vitórias regresso do brasileiro. Ronaldo apre- em 11 das 13 provas do programa. sentou-se no majestoso Giuseppe Mea- Individualmente, a grande figura zza frente a uma estádio meio vazio. da segunda jornada foi Rui Silva, que Com as novas normas de segurança venceu os 3000m com o tempo de nos estádios aprovadas pelo Governo, 7m54,05s, mínimo para o Europeu quatro recintos não puderam ter on- de Birmingham. Já Marco Fortes, tem as portas abertas – só os de Ro- vencedor do lançamento do peso com ma, Génova, Siena, Cagliari, Palermo 18,33m, ficou a 17cm de Inglaterra. e Turim cumpriram as novas regras. Entre as mulheres, Susana Costa Chievo-Inter (0-2), Atalanta-Lazio (0- destacou-se ao ganhar o triplo salto 0), Fiorentina-Udinese (2-0) e Messi- com 13,35m, a nove centímetros do na-Catania (1-1) tiveram os portões recorde nacional, que data de 1990. fechados. Em San Siro, só entraram os adeptos do AC Milan, os do Livorno ficaram fora. Poucos para ver o regresso do “fe- Isinbayeva bate Foi assim no Chievo-Inter: na foto, um steward numa bancada vazia nómeno” a Itália – os adeptos do Inter chamam-lhe traidor. Passaram quatro recorde do salto anos e nove meses desde o seu último jogo na Série A italiana – em Maio de criticou o Governo. “Reagimos sempre tarde de mais. A violência existe há Terceiro golo de cariam as coisas se saísse passado um ano e fosse para o Chelsea?” com vara 2002. Na altura, jogava no eterno rival anos. Estes jogos, assim, não fazem Nunes em Maiorca Na Premier League, o Arsenal deu Inter de Milão e a derrota com a Lazio sentido e alguns estádios devem a volta ao marcador para derrotar o significou deixar fugir o scudetto. Foi manter-se assim até Setembro.” Couto expulso Wigan, por 2-1. Valeu Henry e Rosicky Jorge Miguel Matias aí, no banco, após ser substituído por A Roma bateu facilmente o Parma, nos últimos nove minutos para deixar Ranieri, que chorou a derrota e pen- por 3-0, num jogo em que o capitão Nunes marcou o seu terceiro os gunners no quarto lugar, a um ponto a A atleta russa Yelena Isinbayeva vol- sou a saída. Totti se tornou o jogador em activida- golo da temporada, contribuindo do terceiro, Liverpool. tou a bater o recorde mundial do salto Ontem, de volta a um estádio onde de com mais golos na prova (139), mais para a vitória do Maiorca Em Espanha, o Valência sofreu uma com vara em pista coberta. Ontem, no já havia jogado uma centena de vezes, um que Chiesa (Siena). Para os parme- sobre o Saragoça (2-1). Deco pesada derrota ante o Getafe (3-0) e Meeting de Donetsk (Ucrânia), elevou entrou ao minuto 62 com a camisola sãos, o calvário continua: o adversário rebocou o Barcelona e marcou perdeu o terceiro lugar para o Real em dois centímetros a anterior melhor 99 e o resultado em 1-1. Ronaldo não do Sp. Braga na Taça UEFA somou a o livre para o segundo golo da Madrid. O Corunha bateu o Villar- marca, que já lhe pertencia, fixando o marcou, mas ajudou o Milan a vencer 13ª derrota em 22 jogos e Fernando equipa, Jorge Andrade também real (0-2), o Espanyol ganhou em novo máximo em 4,93m. por 2-1 – efectuou três remates, mas a Couto foi expulso. festejou o triunfo do Deportivo Vigo (0-2), o Gimnastic perdeu com “Senti-me muito confiante. Tenho estrela acabou por ser o checo Marek Na Rússia, Guus Hiddink voltou a ne- em Villarreal (0-2), mas a 22ª o Osasuna (2-3) e o Levante venceu o a certeza de que este não será o meu Jankulovski, com o golo da vitória. gar a sua demissão do cargo de selec- jornada da Liga espanhola já Recreativo (2-1). único recorde durante esta época”, cionador daquele país para substituir não foi tão feliz para Miguel e Na Bundesliga, o Bayern venceu prometeu a atleta russa, depois de 15ª vitória do Inter José Mourinho no Chelsea no final da Hugo Viana (a partir dos 64’), finalmente sob o comando de Ottmar nova proeza. Sem Ronaldo, mas com Adriano e época. O futuro do técnico português derrotados no Getafe-Valência Hitzzfeld. Os bávaros ganharam ao Ar- O anterior recorde mundial de Isin- Crespo, autores dos dois golos com em Stamford Bridge está em dúvida e (3-0), tal como Beto, no Levante- minia por 1-0 (golo de Makaay) e estão bayeva em pista coberta, 4,91m, tinha que o Inter derrotou o Chievo por 2- o holandês Hiddink surge nos jornais Huelva (2-1). Zé Castro e Maniche no quarto lugar, com mais um ponto sido alcançado há quase um ano, a 12 0, o líder do campeonato vai lançado ingleses como o favorito para os blues. (At. Madrid) só defrontavam que o Nuremberga (2-0 ao Bochum). de Fevereiro do ano passado, no mes- rumo ao título. O estádio Bentegodi O treinador de 60 anos nega: “Ficarei à mais tarde o At. Bilbau. O dia na Alemanha ficou ainda mo meeting. foi um dos que fecharam as portas e frente da selecção da Rússia até 2008”. Fernando Couto foi expulso marcado por um ataque de 800 hoo- Isinbayeva é também a recordista as bancadas vazias pouco afectaram “Nunca falei com Roman Abramovich em Roma e, no Chievo-Inter (0- ligans do Leipzig à polícia, depois de mundial absoluta de salto com vara a equipa de Mancini, que somou a 15ª sobre a minha ida para o Chelsea. Es- 2), Figo entrou apenas aos 75’. um jogo com o Erzgebirge, causando ao ar livre, com a marca de 5,01m, vitória consecutiva: soma 60 pontos tou satisfeito com o meu actual cargo Meira, lesionado na Bundesliga, 36 agentes e seis adeptos feridos. Hou- registada a 12 de Agosto do ano pas- em 22 jornadas e 11 pontos de avanço e muito ocupado agora, com outras tem contractura muscular. ve cinco detenções e a polícia está a sado, durante os últimos Mundiais de sobre a Roma. O treinador milanista coisas para me concentrar. Como fi- investigar o caso. Helsínquia, na Finlândia. PUBLICIDADE
  • 43. 54 • Público • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 Economia Comércio Iranianos querem investir e captar investimento RUI GAUDÊNCIO Ghoncheh Tazmini é a directora da Câmara de Comércio Irão-Portugal Delegação comercial do Irão prestes a chegar a Lisboa A delegação deverá chegar dentro de semanas. Um dos objectivos é avaliar possibilidades de negócios na construção de residências de férias. empresas, mas também “adquirindo Cristina Ferreira segundas residências para vir de fé- a Quinhentos anos depois de os rias”. Ghoncheh Tazmini constatou portugueses terem iniciado relações que “normalmente os rendimentos comerciais com a antiga Pérsia, Lisboa petrolíferos acabam por ser aplicados prepara-se para receber pela primeira no Dubai”, que está associado a um vez uma delegação económica oficial ambiente empresarial dinâmico. do Irão, constituída por representan- tes governamentais e homens de ne- Reuniões com a API e AIP gócios. O objectivo? Sensibilizar os Em Lisboa, a delegação iraniana reu- empresários nacionais a olhar para nir-se-á com a Agência Portuguesa aquele país como destino de investi- para o Investimento (API) e a Asso- mento e chamá-los a envolver-se no ciação Industrial Portuguesa (AIP), movimento de privatizações que está para celebrarem um acordo que visa em curso. Mas não só. Um dos intui- a promoção de um maior intercâmbio tos da viagem é encontrar alternativas económico. Confrontada com estas in- para aplicar fora de portas os petrodó- formações, a API não respondeu às lares que circulam entre os iranianos questões colocadas pelo PÚBLICO, en- e canalizá-los, nomeadamente, para quanto a AIP confirmou a assinatura a construção em solo português de de um memorando de entendimento segundas residências para férias. envolvendo as várias entidades. A directora executiva da Câmara Os contactos decorrem num con- de Comércio Irão-Portugal, Ghon- texto de instabilidade interna e geo- cheh Tazmini, classificou de “muito política, com o Irão a ser intimidado significativa” a vinda a Portugal, no com a aplicação de sanções devido aos A Associação seus projectos nucleares. “Teerão está Industrial a procurar diversificar a economia e Portuguesa, tem um projecto de privatizações no liderada por valor de 1,3 mil milhões de euros”, Rocha de Matos, evocou Ghoncheh Tazmini, aprovei- irá receber tando para recordar que o governo a delegação acaba de criar um departamento des- iraniana tinado a promover as relações econó- final do mês, princípio de Março, de micas e comerciais com Portugal. um grupo “liderado pelo presidente Uma das prioridades é conquistar da Câmara do Comércio de Teerão”, “capitais internacionais e know-how” Nahavandian. Esta instituição de ca- que ajudem à modernização do Irão, pitais públicos com parcerias priva- que cresce a uma taxa de 6,5 por cen- das funciona como uma agência de to ao ano, notou a responsável. O pro- captação de investimento externo e grama de privatizações, disse, vai per- de promoção do comércio, mas tem mitir absorver cerca de 24 mil milhões ainda como desígnio encontrar ne- de euros de capitais externos. “Por gócios no estrangeiro para aplicar as falta de conhecimento” ou ausência receitas petrolíferas, que acumulam de iniciativa, as trocas comerciais de somas exorbitantes. Portugal com o Irão atingem valores A presença dos empresários ira- que se podem considerar irrelevantes nianos em Lisboa (que vão ainda a (ver textos na página ao lado) quando Espanha e Itália) “constitui um sinal comparados com o montante que é importante” de que estão “empenha- associado à Grã-Bretanha, à França, dos” em procurar oportunidades de à Alemanha e à Espanha, que no con- investimento para os dois países. “Os junto se aproxima dos 2,5 mil milhões privados estão cheios de liquidez e de euros. querem internacionalizar-se, para Segundo Ghoncheh Tazmini, em fora do Médio Oriente”, evidenciou 2005, a taxa de expansão da produ- Ghoncheh Tazmini. “Mas não conhe- ção industrial iraniana situou-se em cem o mercado português.” 7,4 por cento, tendo sido exportados Em que áreas pensam investir em produtos não-petrolíferos no valor de Portugal? Tomando posições em 7,7 mil milhões de euros.
  • 44. Público • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 • 55 Paulo Macedo deve continuar na DGCI? O ministro das Finanças, Fernando termina em Maio. Deve o Gover Teixeira dos Santos, tem de manter Paulo Macedo, ou deve decidir rapidamente. O mandato substituí-lo? Responda à quest do director-geral dos Impostos em www.publico.pt Sanções internacionais ameaçam Irão Economia dependente do petróleo a A forte dependência relativamente três por cento. É para encontrar alter- ao petróleo e as ameaças de mais san- PIB vai abrandar nativas que as autoridades iranianas ções comerciais por parte das grandes começam a apostar na atracção de in- 6,3% potências mundiais são os grandes ris- vestimento estrangeiro. Esta estratégia cos que a economia iraniana enfrenta, tem, contudo, problemas. Em Dezem- apesar de os últimos anos terem sido bro passado, o Conselho de Seguran- positivos. Entre 2002 e 2006, a taxa ça das Nações Unidas aprovou uma de crescimento do PIB foi de 6,3 por resolução que proíbe o comércio de cento, e a balança externa apresentou, Entre 2002 e 2006, a economia qualquer tecnologia relacionada com durante todo esse período, exceden- iraniana cresceu a um ritmo o desenvolvimento nuclear ou balísti- tes. Mas estes resultados foram conse- médio anual superior a seis co. E agora, os Estados Unidos tentam guidos, quase na sua totalidade, graças por cento. Esta situação não convencer a Europa a ir mais longe, ao mercado energético mundial. deverá, no entanto, repetir- nomeadamente terminando com a Os preços do petróleo, apesar da re- -se num futuro próximo e a atribuição de créditos às exportações cente tendência de descida, mantém-- economia deverá abrandar. dirigidas ao Irão e tomando medidas se em níveis historicamente altos e isso para travar o investimento naquele tem permitido que as exportações ira- país. Esta situação, a verificar-se, se- nianas continuem a sustentar um ritmo do petróleo face às pressões da Arábia ria grave, já que a Europa é um dos de actividade económica elevado. Os Saudita. E, de acordo com as previsões principais destinos das exportações próximos anos podem, no entanto, da Economist Intelligence Unit, o Irão iranianas. Em conjunto, Alemanha, trazer dificuldades. As expectativas pode voltar aos défices externos já em França e Itália, representam quase um nos mercados internacionais são de 2009, ano em que a taxa de crescimen- terço do total dos produtos importados uma descida progressiva dos preços to da economia não deverá ultrapassar pelo país. S.A. Relações Portugal-Irão Desequilíbrio no comércio e investimento insignificante a O Irão é um dos países do mundo pelo contrário, teimam em não crescer com quem Portugal apresenta uma ba- e limitam-se a vendas esporádicas e de lança comercial mais desequilibrada. reduzido valor em áreas como a ma- Nos primeiros 11 meses do ano passa- quinaria, o papel e a madeira. do, de acordo com os últimos dados A reduzida dimensão do comércio do Instituto Nacional de Estatística, entre os dois países (quando retirado entraram no país produtos de origem o efeito do petróleo) tem como uma iraniana no valor de 247,6 milhões de das principais razões a inexistência euros. Em contrapartida, as empresas de investimentos. O Banco de Por- portuguesas apenas conseguiram re- tugal, responsável por agregar estes alizar vendas de 14,1 milhões, ou seja, dados, não disponibiliza informação um valor cerca de 17 vezes menor. relativamente ao investimento direc- Os enormes recursos energéticos do to do Irão em Portugal e de Portugal Irão são a explicação para este défice no Irão. Isto acontece porque o valor nacional. Quase 95 por cento das ex- tem sido nos últimos anos tão redu- portações iranianas para o mercado zido que se torna, de acordo com o nacional são combustíveis minerais. banco, estatisticamente irrelevante. No decorrer do ano passado, este Uma situação que o Irão tenta agora país do Médio Oriente conquistou inverter. A energia e a refinação são mesmo espaço em Portugal, mais do as áreas prioritárias para captação que duplicando as suas vendas (sem de fundos externos, pois vão exigir, estarem contabilizados os resultados numa fase inicial, investimentos de 23 do último mês) e passando do déci- mil milhões de euros. Mas também os mo oitavo para o décimo terceiro lugar têxteis, a indústria de componentes na lista dos maiores fornecedores de para automóveis, da madeira e a agri- combustíveis. cultura são actividades que aguardam As vendas de Portugal para o Irão, por fundos externos. S.A. e C.F. PUBLICIDADE
  • 45. 56 • Público • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 Economia Análise/Inovação Inteli-Inteligência em Inovação Criar mercados para soluções inovadoras A “aquisição pública de soluções inovadoras de natureza pré-comercial” vem colmatar uma lacuna ao funcionar como indutor do desenvolvimento de novas tecnologias ciona, assim, como indutor do de- ADRIANO MIRANDA Catarina Selada e José Rui Felizardo senvolvimento de novas tecnologias, Despesa em I&D distinguindo-se da noção tradicional a Em paralelo com diversos docu- mentos da Comissão Europeia (CE), de ‘public procurement’ que ocorre quando os compradores lançam um Estados o Relatório Aho, de Janeiro de 2006, destaca a necessidade de lançamento de um Pacto para a Investigação e processo de aquisição de soluções já disponíveis cujas características técnicas e funcionais são conhecidas Unidos Inovação orientado para a criação de uma Europa inovadora. Para tal, e estão em condições de ser comer- cializadas no mercado, envolvendo à frente torna-se essencial o lançamento de políticas de I&D e inovação dirigidas para a geração de um mercado para necessariamente um risco menor ou praticamente nulo. da Europa soluções inovadoras, que potencie a Incentivo ao risco capacidade de valorização dos resul- Legalmente, o pre-commercial procure- a Os EUA (e a Ásia) têm vindo a uti- tados de I&D em produtos e serviços ment of innovation configura-se como lizar o public procurement como ins- comercializáveis. uma aquisição de serviços de I&D, trumento estratégico de política na Neste contexto, o relatório do Natio- sendo considerado uma excepção ao criação de mercados para produtos nal IST Research Directors Forum de Acordo Governamental de Aquisições e serviços inovadores e na obtenção Março de 2006 avança com o conceito Públicas da Organização Mundial de de vantagens competitivas e posições de “pre-commercial procurement of in- Comércio (Government Procurement de liderança nos mercados interna- novation” (com a tradução aproxima- Agreement) e às Directivas de “Procu- cionais. da e extensa de “aquisição pública de rement” da UE de 2004, não escusan- Apesar de o public procurement soluções inovadoras de natureza pré- do contudo o respeito pelos princípios representar cerca de 16 por cento do comercial”), apelando ao papel deste de transparência, não discriminação e PIB da UE, o que é certo é que este instrumento de política como suporte objectividade postuladas no Tratado instrumento de política tem sido à promoção da investigação e inovação da UE. Além do mais, esta abordagem subutilizado pelos Estados-mem- na área das Tecnologias de Informação é coadjuvada pelo novo enquadramen- bros como forma de potenciar a in- e Comunicação na Europa. to das Ajudas de Estado à I&D e Ino- vestigação e a inovação. O referido O documento, apresentado na Con- vação, no qual a CE propõe medidas relatório de Março de 2006 postula ferência de Viena sob a égide da pre- adicionais para promover o risco e a que as agências governamentais dos sidência austríaca da UE, no primeiro experimentação, reconhecendo os EUA gastaram cerca de 15 por cento semestre do ano passado, anuncia projectos de inovação tecnológica do respectivo orçamento global de que o pre-commercial procurement como elegíveis para efeitos de apoio. A partilha de riscos potencia procurement em R&D procurement, of innovation se traduz num processo Com esta perspectiva, é possível a a qualidade da inovação enquanto na UE este número perfez através do qual as autoridades pú- restrição da fase de I&D pré-comer- apenas um por cento. Acresce ainda blicas pretendem adquirir soluções cial à Europa/EEA (European Eco- nhecimento antes e ao longo do pro- peus em questões de interesse comum que, apesar de os dois blocos econó- tecnologicamente inovadoras ainda nomic Area), tornando dispensável cesso de aquisição, potenciando uma para a Europa, como saúde, segurança, micos apresentarem um orçamento não existentes no mercado, com vista a abertura de concursos públicos de melhoria da qualidade e uma redução transportes ou governação. global de procurement similar, os EUA à satisfação das respectivas necessida- aquisição a nível internacional. Este do custo das soluções num ambiente De facto, a aliança entre as necessi- despendem 20 vezes mais que a Eu- des. Apesar de inexistentes, os produ- facto afigura-se como fundamental de inovação interactiva. Face à aver- dades de aquisição de diversas regiões ropa em compras públicas de elevada tos, serviços ou sistemas poderão ser na criação de vantagens competitivas são ao risco da maioria dos compra- e países europeus irá contribuir para a intensidade tecnológica e risco (se re- desenvolvidos, num razoável período para a UE, quer face aos EUA quer dores públicos, passa a ser possível a obtenção de massa crítica do lado da tirarmos a componente da defesa, a de tempo, requerendo um esforço aos países asiáticos que têm vindo a concessão de incentivos com vista ao procura, estimulando a concorrência despesa da UE continua a ser quatro adicional de investigação e inovação proteger a sua base de fornecimento respectivo envolvimento em activida- e explorando economias de escala e de vezes inferior à dos EUA). e comportando um risco acrescido. local através da aplicação estratégica des de I&D pré-comerciais, sendo que gama, com a redução do risco dos com- Alguns autores apontam esta su- O pre-commercial procurement of in- do “public procurement” (caixa). São, se encontra a analisar o potencial de pradores na aquisição de tecnologias butilização do instrumento de public novation vem colmatar uma lacuna assim, abertas oportunidades para as utilização do CIP – Competitiveness inovadoras. Para além dos incentivos procurement como indutor de inves- fundamental do sistema europeu de empresas europeias, nomeadamente and Innovation Programme como ao risco, poderão ser perspectivados tigação e inovação como explicação inovação, ao considerar a atribuição nas fases de commercial procurement, fonte de financiamento. apoios adicionais para o estabeleci- para grande parte do gap de investi- de investimento público directo à que passam a competir em igualdade mento de grupos de compradores, mento em I&D existente entre os EUA I&D não só nas etapas situadas entre de circunstâncias no contexto global. Um programa europeu networking ou análise conjunta de e a Europa (gráfico). a ideia e o protótipo do ciclo de vida Além do mais, o pre-commercial Apesar de os Estados-membros pode- necessidades, por exemplo no âmbi- típico de um projecto de investigação e procurement of innovation baseia-se rem criar os seus próprios esquemas to das acções de coordenação do 7.º inovação, mas também na fase de pré- na partilha de riscos e benefícios de pre-commercial procurement of in- Programa Quadro. comercialização de produtos e serviços entre compradores e fornecedores, novation, a CE vem chamar a atenção O processo em curso a nível euro- testados e validados em contexto real constituindo-se como um processo para a necessidade de uma abordagem peu para a adopção do pre-commercial (figura). de aprendizagem mútuo onde os conjunta, através de um processo de procurement of innovation aponta para Este instrumento de política fun- actores partilham informação e co- cooperação entre compradores euro- a clarificação dos pressupostos legais, a fixação do esquema de incentivos, a realização de workshops entre com- pradores e stakeholders, assim como o desenvolvimento de estudos de boas práticas conducentes à publicação de um Handbook on Procurement of Inno- vation que sirva de guia aos diversos Estados-membros. Apesar de alguns países europeus já se encontrarem sensíveis a esta re- alidade, casos do Reino Unido e Ho- landa, o que é certo é que a maioria dos Programas Nacionais de Reforma não advoga a utilização do public procurement como instrumento de estímulo à investigação e inovação. Portugal tem aqui uma oportunida- de a explorar no âmbito do recente lançamento da Agência Nacional de Compras Públicas.
  • 46. 58 • Público • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 Economia A pele tem 247 espécies de bactérias, um verdadeiro zoo P2 Juros ainda deverão subir três vezes em 2007 às perspectivas de crescimento a economia americana ao nível Pré-abertura económico. Amanhã, serão do crescimento e da inflação. Em conhecidas as primeiras particular, interessará saber em estimativas para o crescimento do que medida Bernanke a vê como Carlos Andrade* PIB na Alemanha, França, Itália o principal risco para a economia aDe acordo com os sinais e zona euro no 4.º trimestre de dos EUA. Outros indicadores transmitidos na reunião do 2006. No conjunto da zona euro, relevantes serão divulgados ao Conselho de Governadores da o PIB deverá ter crescido 0,6 por longo da semana. A “saúde” passada quinta-feira, o Banco cento, ou 3 por cento em termos dos consumidores será avaliada Central Europeu (BCE) deverá homólogos, em aceleração face ao com a divulgação das vendas a elevar as taxas de referência da 3.º trimestre. Este registo deixaria retalho de Janeiro, na quarta-fei- zona euro em Março para 3,75 por o crescimento anual em 2,7 por ra, e do índice de confiança da cento. Tal como em reuniões que cento, confirmando o momento Universidade de Michigan, na antecederam decisões de subida positivo da economia dos Treze. sexta-feira. Na quinta-feira, será de juros, a autoridade monetária Ainda amanhã será divulgado conhecida a produção industrial voltou a referir a necessidade de o índice ZEW (de confiança de Janeiro e o índice Philadelphia “forte vigilância” em relação aos empresarial na Alemanha) relativo Fed de Fevereiro (um indicador riscos de inflação. O nível actual a Fevereiro. Aguarda-se uma de actividade na indústria). No das taxas de juro foi considerado recuperação do sentimento das final da semana, serão divulgados ainda acomodatício e o empresas, dada a percepção de indicadores importantes relativos crescimento da liquidez e da massa que o aumento do IVA de 16 para ao sector da habitação. Primeiro, monetária foi classificado como 19 por cento, em vigor desde o índice de confiança NAHB “forte”. O Banco Central mantém, o início de Janeiro, não está a de Fevereiro, um indicador assim, as suas preocupações produzir os efeitos negativos habitualmente correlacionado centradas numa possível subida esperados. com a construção de habitações da inflação a médio prazo. Para Nos EUA, a semana será e com o emprego neste sector; e, além do possível impacte da marcada pela presença do no dia seguinte, dados relativos à liquidez no crescimento dos chairman da Fed, Ben Bernanke, construção de novas habitações. preços, Trichet salientou também no Congresso. Bernanke divulgará Espera-se uma ligeira deterioração os riscos associados a uma o mais recente relatório semestral face ao final de 2006, sugerindo o aceleração dos salários na zona do Fed sobre a política monetária. prolongamento de uma tendência euro. Na Alemanha, o poderoso Aguarda-se com expectativa de ajustamento em baixa da sindicato IG Metall (importante a avaliação da autoridade actividade no sector. referência para o conjunto da monetária sobre o outlook para * ES Research – BES economia no que respeita às negociações salariais) reivindicou MICHAEL DALDER/REUTERS um aumento dos salários de 6 por cento para 2007. Neste contexto, o Conselho de Governadores terá tido a preocupação de passar uma mensagem para os parceiros sociais da zona euro, avisando que responderá a elevados aumentos de salários com uma atitude mais agressiva da política monetária. Em suma, as declarações de Trichet sugerem que o actual ciclo de subida de juros na zona euro se deverá prolongar. Para além da subida de 25 pontos base esperada para Março, aumentou a probabilidade de mais uma ou mesmo duas subidas adicionais de igual magnitude em 2007. Os indicadores a divulgar esta semana deverão suportar a visão optimista do BCE quanto Jean-Claude Trichet deverá aumentar taxas de juro em Março A seguir Hoje, 12 a reforma da OCM do mercado Quinta, 15 • O ministro das Finanças, vitivinícola. • O INE divulga as Estatísticas do Teixeira dos Santos, reúne-se • Realiza-se hoje e amanhã, Emprego do quarto trimestre de hoje, no Porto, com o director no Hotel Altis, em Lisboa, o V 2006. nacional da Polícia Judiciária, Congresso do Milho. O Presidente • A UGT inicia uma ronda de Alípio Ribeiro, para discussão da República abre os trabalhos às seminários regionais para debater de medidas de combate à evasão 10h. a Europa Social e o Modelo Social fiscal. Europeu. Hoje, pelas 9h30, no • O presidente da API, Quarta, 14 Hotel Melia Ria Aveiro. Basílio Horta, fala sobre A • O Taguspark (Oeiras) Internacionalização da Economia prossegue a iniciativa Pequenos Sexta, 16 Portuguesa, em mais um Almoços Almoços no Parque. Carlos • O Banco de Portugal divulga os do Caldas. Às 13h, na sede Zorrinho, coordenador do Plano Indicadores de Conjuntura. nacional do CDS-PP, em Lisboa. Tecnológico, é o convidado de • No âmbito das celebrações do hoje. Às 8h30. 25.º aniversário do Centro de Terça, 13 • Decorre hoje e amanhã, na Investigação sobre Economia • Jean-Philippe Cotis, da OCDE, Culturgest, em Lisboa, a 2.ª Portuguesa do ISEG, Lars apresenta, em Paris, o relatório Mesa-Redonda com o Governo Sorgard profere uma conferência Going for Growth 2007. português com a Economist sobre as Políticas Estruturais, • A Comissão Europeia dá o Conferences. Participam Regulação e Concorrência, seu aval à estratégia orçamental o primeiro-ministro, vários comentado por Pedro Pita Barros definida pelo Governo português. ministros e o governador do Banco e Vítor Santos. Às 15h00, no ISEG, • O Parlamento Europeu debate de Portugal, Vítor Constâncio. em Lisboa.
  • 47. Público • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 • 59 Economia Clint Eastwood mostrou em Berlim a obra-prima absoluta P2 Projecto do novo aeroporto da Ota vai Fórum PI arranca hoje no envolver uma dezena de estudos ambientais PÚBLICO on-line tionadas e só o aeroporto deverá mo- a O que podem ganhar os pequenos DANIEL ROCHA Jorge Talixa vimentar cerca de 25 mil trabalhado- países, como Portugal, com a even- Acessibilidades à nova infra- res”, observou o técnico da Câmara de tual adopção pela União Europeia Alenquer, frisando que os municípios de regras que obriguem os Estados- -estrutura, integração da propuseram um conjunto de medidas -membros a estimular, através das linha de alta velocidade e complementares que contemplam o aquisições públicas, novos produtos regularização de rios serão alargamento dos troços regionais do e serviços? O que pode significar a ex- IC2 e da Estrada Nacional n.º 3. pansão de investimento da China pelo igualmente alvo de análises A coligação Pela Nossa Terra (PSD/ Mundo, que começou em África e na técnicas CDS-PP/PPM e MPT), principal força da América Latina? São perguntas como oposição municipal, critica, todavia, estas que o Fórum PI propõe, a partir a O futuro aeroporto da Ota vai en- a forma como o Governo está a tratar de hoje, no PÚBLICO on-line. volver perto de uma dezena de estu- as questões da avaliação de impacte Trata-se de um novo espaço de dos de impacte ambiental, segundo ambiental do futuro aeroporto. reflexão e debate, entre o jornal e a revelou o coordenador do gabinete Luís Barros Mendes, líder da banca- sociedade civil, construído em colabo- técnico de revisão do Plano Director da da coligação na AM de Alenquer, ração com a Inteli. O projecto arranca Municipal (PDM) de Alenquer, du- sustentou que o estudo de impacte com um painel de 20 membros “fun- rante a última sessão da assembleia ambiental do aeroporto da Ota “ain- dadores”, representando vários secto- municipal (AM). Na mesma reunião, O novo aeroporto vai gerar novos focos de dinamismo económico da não começou”, porque o primei- res da sociedade portuguesa: Estado a maioria PS rejeitou uma moção da ro concurso foi anulado. A coligação e política, comunidade académica, coligação de direita que exigia mais está em elaboração um estudo orien- rede de ligações directas à nova ins- apresentou uma moção exigindo científica e artística, mundo empre- garantias de “rigor e isenção” na tador das actividades económicas, talação e de ligação às vizinhas auto- “rigor e isenção” na elaboração des- sarial, media e organizações. elaboração dos estudos ambientais que não deverá ser vinculativo, mas estradas n.ºs 1 e 10 seria insuficiente, tes estudos. José Lourenço, eleito do O Fórum PI tem o duplo significado relativos ao projecto da nova infra- terá bastante peso na distribuição porque as vias actualmente existentes PS, defendeu, no entanto, que uma PÚBLICO-Inteli e Public Intelligence e -estrutura aeroportuária. das diferentes actividades associadas já estão saturadas. “As câmaras foram moção deste teor não faz sentido e procura atingir a exposição livre e Raul Simão, responsável do gabi- ao aeroporto pelas áreas industriais unânimes em dizer que não, porque acrescentou que ela viria “lançar uma aberta de ideias. Ao longo dos pró- nete de revisão do PDM de Alenquer, e multiusos dos concelhos mais pró- não se podia considerar o aeroporto suspeição” com a qual o partido que ximos meses, o painel alargar-se-á explicou que o objectivo do Governo ximos da Ota. Este estudo orientador como se não existisse nada à volta. As representa está em “profundamente a novos participantes e ao público é ter todos os processos de avaliação deverá estar pronto em Maio. “Deverá estradas que existem já estão conges- em desacordo”. em geral. de impacte ambiental concluídos em dizer onde ficam as actividades nas 2008. “Não vamos ter um estudo de nossas zonas industriais e quais são PUBLICIDADE impacte ambiental do aeroporto, as actividades preferenciais para os mas uma dezena de estudos”, expli- diferentes concelhos”, vincou. cou, esclarecendo que, para além do respeitante ao espaço aeroportuário Acessibilidades em análise propriamente dito, haverá também Segundo Raul Simão, também está a análises de impacte ambiental do evoluir o estudo das acessibilidades alargamento do IC2 (antiga Estrada da nova infra-estrutura. Depois da Nacional n.º 1), do traçado da linha Estradas de Portugal e do Ministério ferroviária de alta velocidade e de das Obras Públicas terem apresentado regularização dos rios de Alenquer e uma versão inicial “muito amarrada ao da Ota (linhas de água afectadas pelo aeroporto”, os três municípios mais empreendimento), entre outros. próximos – Alenquer, Azambuja e Vi- O mesmo responsável adiantou que la Franca de Xira – entenderam que a Cimpor lança Oferta Pública de Aquisição sobre cimenteira egípcia milhões de toneladas. O volume de José Manuel Rocha negócios da empresa que a Cimpor a A Cimpor continua a dar passos no quer controlar foi, no ano passado, sentido da diversificação geográfica da de cerca de 520 milhões de libras sua produção e, ontem, anunciou ao egípcias (aproximadamente 70 mi- mercado que vai lançar uma Oferta lhões de euros). Pública de Aquisição sobre uma ci- A Cimpor sustenta a decisão de avan- menteira egípcia, a Misr Cement. çar com a oferta sobre a Misr Cement A operação será iniciada hoje, com com o facto de ela operar num país a formalização da oferta ao preço de onde se verifica um aumento susten- 14,1 euros por acção. Através de comu- tado do consumo de cimento – 13 por nicado colocado no sítio da Comissão cento de crescimento médio anual nos do Mercado de Valores Mobiliários últimos dois anos. 70 (CMVM), a Cimpor refere que a OPA milhões de euros foi ontem aprovada pela Autoridade foi, segundo a do Mercado de Capitais do Egipto. A Cimpor, o volume Misr Cement está cotada na Bolsa de de negócios Valores do Cairo. da cimenteira O objectivo da Cimpor é garantir, egípcia no pelo menos, 50 por cento das acções exercício de 2006 mais uma da companhia egípcia, embora assinale que esta “condição A cimenteira egípcia detém uma pode ser posteriormente dispensada quota de mercado de cerca de 3,5 pela oferente”. por cento, concentrando o essencial A companhia egípcia de cimentos da sua actividade na Zona Sul do país. foi criada em 1997, embora só tenha “Confirmando-se o sucesso da oferta começado a operar cinco anos mais (...), a Cimpor verá reforçada a sua tarde. Dispõe, actualmente, de uma posição entre os principais grupos ci- capacidade anual de produção de ci- menteiros internacionais”, acrescenta mento, com clínquer próprio, de 1,6 o comunicado.
  • 48. Clint Eastwood, Forest Whitaker, Norman Mailer, Enrique Vila-Matas, Michael Cunningham, Harold Bloom, Miguel Sousa Tavares, Moacyr Scliar, Yann Martel, Mário de Carvalho, Manuel António Pina, Miguel Esteves Cardoso, Clara Pinto Correia, Ruy Duarte Carvalho, Álvaro Siza Vieira, Eduardo Souto Moura, Manuel Aires Mateus, The Clipse, Cláudia Soares, Leonor Antunes, Rui Calçada Bastos, Vasco Pulido Valente, Fernando Lopes, António Ferreira, JP Simões, Rui Ramos, António Olaio e Ricardo Araújo Pereira. Falaram ao Ípsilon, o novo suplemento do Público. Não perca na próxima sexta-feira, dia 16.
  • 49. Público • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 • 61 Espaçopúblico Quando a ambiguidade veio do “sim”, como em 1998, o “sim” perdeu. Quando veio do “não”, o “não” perdeu. Simples Anatomia de uma campanha E m vários estudos realizados sobre o referendo de primeira hipótese e apontar a “concepção” como respos- PAULO RICCA 1998, os politólogos André Freire e Michael Baum ta à segunda pergunta. Houve quem interpretasse estas destacavam duas explicações quer para a elevada respostas como sintoma de ignorância dos portugueses abstenção (68%) quer para a derrota do “sim”: em relação ao tema ou mesmo da sua generalizada falta as divisões internas no Partido Socialista e, espe- de sofisticação política. Mas as campanhas do “sim” e do cialmente, a posição de António Guterres, lançando sinais “não”, com sensatez, interpretaram essas respostas como contraditórios para o seu eleitorado; e a “vitória anunciada” aquilo que realmente são: expressão normal de sentimentos do “sim” veiculada por várias sondagens, galvanizando os Pedro de “ambivalência” em relação à despenalização do abor- apoiantes do “não” e fornecendo um falso sentimento de Magalhães to. “Ambivalência” não significa indiferença ou falta de tranquilidade aos defensores da despenalização. opinião, nem sequer necessariamente “moderação”, mas Se nos guiássemos desde o início por estas pistas, a com- apenas a coexistência de atitudes contraditórias em relação paração entre 2007 e 1998 sugeria desde logo uma vanta- a um mesmo objecto ou a diferentes características desse gem clara para o “sim” no referendo de ontem. É verdade objecto, independentemente da intensidade que essas atitu- que dificilmente se consegue pôr uma máquina partidária a des possam ter. Em 1998, estes “ambivalentes” tinham sido funcionar a todo o vapor quando não estão cargos políticos ignorados por ambas as campanhas, mais interessadas em em jogo. Mas também é verdade que as posições do PS e mobilizar os núcleos duros de opinião do “sim” e do “não”, do seu líder dificilmente poderiam ter sido mais claras. Ao no que acabou por se tornar numa competição centrífuga contrário do que muitas vezes se supõe, os partidos contam que alienou uma parte considerável do eleitorado, incapaz muito neste tipo de eleição, ao fornecerem aos eleitores de se rever em qualquer uma das posições. C as pistas de que necessitam para que tomem decisões em contextos de incerteza e complexidade. Quando a ambi- ientes deste problema, ambas as campanhas guidade veio do “sim”, como em 1998, o “sim” perdeu. procuraram lidar com ele. Do lado do “sim”, a Quando veio do “não”, o “não” perdeu. Simples. preocupação fundamental foi a de tornar esta Depois, também não houve, desta vez, uma “vitória campanha o mais monotemática possível, enfa- anunciada” do “sim” pelas sondagens. É certo que, em tizando apenas aquelas dimensões nas quais se 1998, só uma análise muito superficial dos estudos então sabia de ciência certa que a maioria dos eleitores, incluindo divulgados autorizaria a noção de que essa vitória estava os ambivalentes, tinham sentimentos negativos em rela- garantida. E é também verdade que, em Outubro de 2006, ção ao statu quo: o aborto clandestino e a penalização das eles indicavam ainda uma margem de vitória muito ge- mulheres. Já o “não” dificilmente poderia ter feito melhor. nerosa para o “sim”. Contudo, a partir de Outubro, esse Apesar de não ter descurado uma campanha de proximi- sentimento foi-se desvanecendo, à medida que o “não” dade às populações onde se adoptava um discurso mais encetava uma recuperação evidente a partir de Janeiro. A radical, procurou, junto da população urbana e através maioria dos eleitores, claro, não acompanha directamente dos meios de comunicação social, adicionar dimensões ao os resultados das sondagens. Mas a comunicação social, tema, aumentar a incerteza sobre alegadas consequências que é quem veicula, filtra e amplifica este tipo de informa- de uma vitória do “sim” e construir uma interpretação des- ção, entendeu desta vez enquadrar os resultados não pelo sas consequências que aparecesse como “extremista” (“o ângulo da vantagem considerável que, apesar de tudo, o aborto livre”), ao passo que a vitória do “não” seria “mode- “sim” ia mantendo nas intenções de voto, mas sim pelo rada” ou “compromissória”. O “centrismo” do “não” foi ao Realizado o referendo, Por outro lado, por muito ângulo da crescente incerteza em relação aos resultados ponto de propor que a sua vitória seria também a vitória de que se possa duvidar da finais, mensagem essa que os líderes dos partidos favoráveis uma espécie de despenalização. Mas esta foi, também, uma há certamente sensatez da utilização do ao “sim” resolveram, inteligentemente, amplificar o mais táctica de desespero, proposta por quem, pelo percurso instituto do referendo para possível. Se há queixa que o “não” possa ter em relação passado e pela falta de poder presente, não tinha autorida- vencedores e vencidos. tomar decisões em matérias à comunicação social é esta: a de ela ter tido excesso de de suficiente para garantir que seria para valer. Mas não creio que do como esta, e por muito que memória, dramatizando o resultado. Realizado o referendo, há certamente vencedores e a participação relativamen- Há, contudo, um terceiro aspecto do que está em jogo vencidos. Mas não creio que do lado do “não” haja ape- lado do “não” haja te baixa continue a suscitar num referendo como este que não terá sido suficiente- nas vencidos. Por um lado, o debate público ocorrido, apenas vencidos preocupações, a campanha mente analisado em 1998. Em vários estudos de opinião, o resultado final do referendo − apesar de tudo, menos parece ter suscitado um en- muitos dos eleitores que partilhavam uma predisposição desequilibrado do que se pensaria em Outubro passado volvimento político muito considerável dos cidadãos. É genérica para a despenalização – a maioria – acabavam − e a revelação da fundamental ambivalência de muitos difícil defender a ideia de que não estamos hoje mais também, quando questionados sobre se o aborto devia ser eleitores em relação ao tema não deixarão de condicionar informados sobre a questão do que estávamos há uns legal “quando a mulher não deseja ter o filho” ou sobre o as opções da maioria parlamentar quando se tratar de meses. E isso é bom para todos. momento de início de uma “vida humana”, por recusar a regulamentar a prática legal do aborto até às 10 semanas. Politólogo Neste momento de crise estava na hora de retribuir ao Norte alguns dos seus sacrifícios nos anos 80 Afinal, a culpa é nossa A excelente conferência de Al Gore, onde estive a então deprimida península de Setúbal. Desta vez, é o da capital fosse prejudicado com isso, percebi que as coisas a convite do imparável António Cunha Vaz, Norte que está deprimido e precisa de políticas que aju- iriam azedar e não quis ser antipático, porque o ambiente foi uma excelente oportunidade para rever e dem a reconverter a sua economia. Ouvi então as críticas era festivo. A conversa resvalou então para os grandes in- conversar com alguns velhos amigos lisboetas. do costume aos industriais da têxtil que não terão feito o vestimentos, onde todos pareciam concordar em que a Ota A crise do Norte, que, segundo um estudo downsizing em tempo útil e que não souberam usar os fun- era um disparate mas pela simples razão de ser “longe de do Instituto Nacional de Estatística, terá sido a única re- dos estruturais. Perguntei-lhes se conheciam as restrições Lisboa” e, a propósito, falaram-me do “escandaloso” metro gião que nos últimos quatro anos teve um aumento do da nossa legislação laboral e se os fundos só tinham sido do Porto, que seria o exemplo dos vícios que só se agrava- poder de compra inferior à média do país, foi um dos desbaratados a norte, mas a resposta que obtive foi uma Rui riam se o país fosse regionalizado, o que daria mais poder temas da nossa conversa. Tentei justificar que, sendo o graçola sobre a “sintomática” decadência do FC Porto, a Moreira aos autarcas, uma classe amaldiçoada e sempre desavinda Norte a região mais industrializada, tem a sua economia que não tive pachorra de replicar. de que os caciques nortenhos eram o pior exemplo. Não baseada na produção de bens transaccionáveis e é, pois, Preferi falar no centralismo, que se vem acentuando a valia a pena retorquir que, apesar dos seus erros, o nosso mais vulnerável aos fenómenos da globalização e mais cada novo Governo e se vai agravar com o modelo escolhido metro é mais barato e bem gerido do que o da capital mas, sensível a vários factores de competitividade, como são, para a reforma da administração pública mas interrompe- em desespero de causa, lembrei-lhes que o recente escân- por exemplo, o custo da energia e as informalidades, que ram-me, dizendo que vivemos num tempo em que as novas dalo na Câmara Municipal de Lisboa mostrara que, afinal, dependem do todo nacional. Sugeri que, neste momen- tecnologias permitem que os serviços do Estado sejam con- o problema autárquico não era um exclusivo nortenho. O to de crise, estava na hora de retribuir ao Norte alguns centrados e centralizados sem perda de qualidade para o que eu não sabia é que, como na sua origem estava envol- dos seus sacrifícios nos anos 80, quando foi visto como utente e com evidentes benefícios. Quando lhes perguntei vida uma empresa do Norte, era visto como um escândalo a “galinha dos ovos de ouro” e em que muito do investi- se esse argumento de racionalização não era uma faca de de importação, o que, ao fim e ao cabo e aos olhos desses mento industrial estrangeiro que lhe parecia destinado dois gumes, já que pela mesma razão se podiam deslocalizar meus bons amigos, explicava quase tudo!... foi desviado através de medidas discriminatórias para alguns serviços da capital para Bragança sem que o utente Economista
  • 50. P 62 • Público • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 Público L Editorial os Angeles, Novembro de de distribuição da informação. O duro, decidimos avançar com um Um jornal 2019. No caos futurista criado pelo realizador surgimento dos blogues alargou o espectro do debate público. A novo caderno que comprova a nossa abertura às novas necessidades dos para o Ridley Scott para a sua obra-prima Blade Runner, facilidade de colocar na rede textos, sons e imagens dessacralizou a leitores: o P2 representa, estamos convencidos, uma nova atitude futuro Deckard, protagonizado por Harrison Ford, aparece pela primeira vez entre o cenário de penumbra, função dos jornalistas e alterou irremediavelmente a superfície de contacto entre a informação e os editorial que coloca o PÚBLICO uns passos à frente no panorama do jornalismo português. Um lugar com nevoeiro, sujidade e fumo a folhear seus destinatários. A pressa da vida espaço para novos temas e onde a A informação avulsa vagarosamente as páginas de um moderna nem sempre tolera espaço disciplina porventura mais nobre do e padronizada exige, jornal. Quando o filme foi realizado, e tempo para o prazer de ler jornais. jornalismo, a grande reportagem, será mais do que nunca, em 1982, a era da Internet não passava Num ápice, constatámos que qualquer presença assídua. referências, contextos de uma miragem e a discussão sobre alteração incremental redundaria A edição integral a cores, a o futuro da imprensa escrita era numa mera atitude de resistência e reorganização das secções, o e escolhas editoriais tão improvável como a existência estaria condenada ao fracasso. P2 e os novos suplementos, o inteligentes, seja na de “replicantes”, máquinas que Por isso falámos na refundação funcionamento da redacção em rede, edição impressa, seja adquiriram emoções e lutavam pela do PÚBLICO, por isso chamámos com uma ligação permanente por no publico.pt sua sobrevivência como espécie. Leonardo ao processo que culmina videoconferência entre Porto e Lisboa, Hoje, porém, os crentes na ideia de hoje com o lançamento do novo a maior selectividade das escolhas ou que o progresso tecnológico impõe jornal. Quisemos questionar tudo o grafismo renovado são argumentos a destruição inexorável de hábitos e para estar a par dos desafios do nosso com os quais queremos encarar de comportamentos podem ver no gesto tempo. frente o futuro. Mas, a acompanhá-los, F calmo de Harrison Ford a folhear o permanecerá o legado de 17 anos que jornal um anacronismo sem lugar num izemo-lo com a convicção transformou o PÚBLICO num projecto futuro digital. Os jornais impressos de que, num mundo editorial inovador. Ao combinar o enfrentam hoje o seu maior desafio sobrepovoado de notícias e talento e a dedicação de uma equipa desde que entraram nos hábitos de fontes de informação, é excelente, o papel e a Internet, dos cidadãos e revolucionaram cada vez mais importante as heranças do nosso passado de a intervenção democrática, nos a selectividade, o rigor e a exigência. referência e um incontido espírito de primórdios do século XIX. A informação avulsa e padronizada abertura aos novos desafios, quisemos Quando a equipa do PÚBLICO exige, mais do que nunca, referências, encarar o futuro com optimismo. Em iniciou a reflexão sobre o futuro contextos e escolhas editoriais Novembro de 2019, poderá não haver do jornal, na Primavera de 2006, inteligentes, seja na edição impressa, “replicantes”, como no filme de Ridley sabia que os desafios aos quais urgia seja no publico.pt, cujo site também Scott; mas o PÚBLICO continuará a ser responder eram muitos e difíceis. aparece hoje renovado. E como nem o jornal português que melhor reflecte A generalização da banda larga tudo o que de importante acontece o pulsar do mundo. pulverizou radicalmente os canais se enquadra no noticiário puro e A Direcção Editorial Cartas ao Director Quem nos governa surja alguma vez e em alguma época alguma solução. Claro, excluindo a qualquer coisinha sobre esta notícia, uma nota da redacção, uma palavra na tal noticiazinha do passado dia 6, Manuel João Gomes deixou há 30 anos deles próprios, já me esquecia! de um ex-colega, qualquer coisinha aberta uma vaga que nunca mais Ah, mas antes do cobertor e de, que fosse, mas, ou não procurei foi preenchida. As críticas teatrais Quando Santana Castilho, entre inúteis desiludidos e absolutamente bem ou, de facto, a notícia morreu, tornaram-se menos frequentes, muitos outros professores, na sua descrentes, nos entregarmos tal como Manuel João Gomes, num menos completas na cobertura costumada missionária e militante a Caronte para a passagem, pacífico esquecimento. aos eventos que se multiplicam diatribe contra este Governo e, façamos um telefonema: “Alô! É Dizia-se ainda, na curta notícia do por esse país fora. A divulgação principalmente, contra esta ministra da Al-Qaeda? Olhem, seria possível PÚBLICO, que Manuel João Gomes do fenómeno teatral empobreceu da Educação (ou melhor ainda, fazerem o favor de vir até cá pôr foi um crítico “(…) empenhado na significativamente “pós- contra tudo o que “cheire” a Governo uns petardozitos em Belém, em São divulgação do teatro que se fazia pelo modernizando-se” na forma, no – “Hay Gobierno, soy contra!” –, oh, Bento (no quarteirão todo, em baixo país (…)” ao longo dos dez anos em conteúdo e mesmo na quantidade Deus, também eu, durante tantos todas essas aventesmas que são e em cima!), no Terreiro do Paço e que trabalhou para este jornal. Quer- dos textos publicados. anos, tive lugar cativo e permanente todos “os outros” e que poluem o na 5 de Outubro? E já agora, uma me parecer que referir este facto Termino esta carta agradecendo na 1.ª fila dessa tribo anarca!), espaço à nossa volta, foram alunos vez cá, talvez não fosse má ideia constitui uma justa homenagem postumamente a Manuel João Gomes faz, uma vez mais, referência ao das nossas escolas, foram alunos dos arrasar todas as escolas deste país a Manuel João Gomes. Ele estava a honestidade e a qualidade do seu infindável e desgraçado rol de nossos professores, foram nossos que formaram toda esta gentalha sempre lá! Discreto, quase invisível, trabalho. Que descanse em paz. tudo aquilo que já todos sabemos alunos! (...) menor, incapaz e palerma, que nos raros terão sido os espectáculos a Rui Silvares e de que todos temos opinião Além do apontado e sempre tem governado! Mas, atenção, não que este homem não assistiu, mesmo Cova da Piedade formada e segura – a corrupção, o mesmo eternizado “cansativo toquem na “nossa” escola, que nos os resultantes das mais obscuras as negociatas, a impunidade das discurso de décadas”, temos agora fez tão diferentes!” produções de vão-de-escada. Onde As cartas destinadas a esta secção devem criaturas que nos têm governado, o cansativo discurso de dois anos Ruben Marks houvesse teatro haveria de passar indicar o nome e a morada do autor, sem competência nem talento, as (tão cansativo como o outro!) de que Maia Manuel João Gomes e disso daria bem como um número telefónico de medidas disparatadas elaboradas tudo o que está aí em movimento é notícia nas páginas de Cultura do contacto. O PÚBLICO reserva-se o direito por autênticos mentecaptos, a falta mentira, não tem pés nem cabeça PÚBLICO, contribuindo de forma de profissionalismo, de inteligência e vai para pior. Tudo o que se tem Manuel João Gomes sistemática para a fama de jornal de de seleccionar e eventualmente reduzir os textos. Não se devolvem os originais dos e de lucidez de todas as equipas feito só traz o mal absoluto e tudo é referência de que este jornal ainda textos não solicitados, nem se prestará ministeriais portuguesas (ainda que só para nos afundar ainda mais face Foi notícia curta e triste nas páginas hoje goza. Os pequenos grupos dos informação postal ou telefónica a actual pareça ser a mais terrível à Europa! É a desgraça completa! de Cultura do PÚBLICO na terça- subúrbios da Grande Cidade ou os de sobre eles. e mais demencial do mundo!), Fechemos a porta, passemos o feira, 6 de Fevereiro. “O ex-crítico província tinham neste homem um Email: cartasdirector@publico.pt etc., etc. –, esquece-se uma vez cobertor pela cabeça e apaguemos de teatro do PÚBLICO e tradutor espectador atento e interessado, um mais de que toda essa miserável a luz!... Não se espere nunca que, Manuel João Gomes morreu, ontem divulgador incansável. Contactos do Provedor dos Leitores incompetência, todos esses de entre toda a vacuidade sandia ao fim da tarde, em Coimbra (...)” Desde que se retirou, devido Email: provedor@publico.pt desgraçados que nos têm governado, que rodeia estes comentadores, Nos dias seguintes procurei mais aos problemas de saúde referidos Telefone: 210.111.000
  • 51. Público • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 • 63 Contribuinte nº 502265094 226102213; Publicidade, Distribuição 213613400; Fax: 213613469 Distribuição Depósito legal nº 45458/91 226151011 Coimbra Rua do Corpo de Logista Portugal – Distribuição Registo ICS nº 114410 Deus , 3, 2º – 3000-176 Coimbra Telef.: de Publicações, SA; Lisboa: Telef.: E-mail publico@publico.pt Lisboa Rua 239829554; Fax: 239829648 Madeira 219267800, Fax: 219267866; Porto: Telef.: de Viriato, 13 – 1069-315 Lisboa; Telef.: Telef.: 934250100; Fax: 707100049 227169600/1; Fax: 227162123; Algarve: 210111000 (PPCA); Fax: Dir. Empresa Proprietário PÚBLICO, Comunicação Telef.: 289363380; Fax: 289363388; 210111005; Dir. Editorial 210111006; Social, SA Sede: Rua de João de Barros, Coimbra: Telef.: 239980350; Fax: Agenda 210111007; Redacção 210111008; 265, 4150 Porto Impressão Unipress, 239983605. Assinaturas 808200095 Publicidade 210111013/210111014 Travessa de Anselmo Braancamp, Tiragem média total de Janeiro Porto Rua de João de Barros, 265 220, Arcozelo/4405, Valadares; Telef.: 52.732 exemplares Membro da APCT – 4150-414; Telef: 226151000 (PPCA) / 227537030; Mirandela – Rua de – Associação Portuguesa do Controlo 226103214; Fax: Redacção 226151099 / Rodrigues Faria, 103, 1300 Lisboa; Telef.: de Tiragem Um referendo consultivo e simultâneo em todos os países poderia servir de base a uma versão simplificada do tratado O próximo passo da Europa D esde que a França e a Holanda rejeitaram a PHILIPPE WOJAZER/REUTERS proposta de Tratado Constitucional para a União, os líderes europeus têm-se entretido a apontar o dedo uns aos outros ou a culpar os cidadãos franceses e holandeses por terem entendido mal a questão que lhes era colocada. Mas não há exercício de recriminação mútua que possa ocultar o facto de, 50 anos depois da fundação da Comunidade Europeia, Bronislaw a Europa precisar desesperadamente de um novo enqua- Geremek dramento político, se não mesmo de um novo projecto, para cimentar a sua unidade. É verdade que os cidadãos franceses e holandeses não responderam à questão que se esperava que respondessem. O seu voto foi um protesto contra a globalização, uma re- jeição do mundo contemporâneo com os seus distantes e incompreensíveis mecanismos de governação. Tal como o movimento antiglobalização, o novo antieuropeísmo pode ser encarado como a exigência de um “mundo diferente” – neste caso, um “alter-europeísmo”. As duas guerras mundiais e a guerra fria moldaram a integração europeia como um projecto de paz, de defesa dos valores fundamentais do Ocidente e de prosperidade económica. Mas o colapso do comunismo, em 1989, e a oportunidade que criou de ultrapassar as divisões histó- ricas do continente, exigem agora uma redefinição desse projecto. Os tratados de Maastricht (1992) e Amesterdão (1997) criaram uma nova estrutura organizativa e lançaram as bases de instituições políticas capazes de corresponder ao poder económico da UE. Já o Tratado de Nice (2000) foi o resultado de um compromisso bastante pobre. Em vez de um debate va de novos alargamentos comum. Só então será possível uma abordagem comum a As palavras da chanceler alemã Angela Merkel, que – são determinadas tanto questões tão urgentes como o abastecimento energético. ocupa a presidência rotativa da União Europeia, não fo- teórico e fútil entre pela sua capacidade de in- Estes temas poderiam ser matéria para um referendo ram ambíguas: o período de reflexão, definido em 2005, tegrar os países candidatos consultivo a realizar simultaneamente em todos os países. acabou. A presidência alemã procurará aplicar as resolu- modelos “liberal” e como pela capacidade de Os resultados permitiriam apresentar uma versão simplifi- ções referentes ao Tratado Constitucional e a Declaração “social”, precisamos de adaptação destes países. cada do tratado para ratificação nos nove países que ainda de Berlim de 25 de Março – destinada a comemorar o 50.º Depois da entrada da Bul- não o fizeram. A UE ganharia então uma dimensão política aniversário do Tratado de Roma – deverá oferecer uma comparar experiências gária e da Roménia, a UE e regras de procedimento claras. A visão do futuro da UE. O objectivo é deixar para as pre- de países como o tem 27 membros, estando sidências seguintes – Portugal, Eslovénia e França – um a Turquia e a Croácia, mas alternativa é a paralisia. Se a União continuar a roteiro para essa reforma. Reino Unido, Suécia, também os outros países ser governada de acordo com o Tratado de Ni- No passado, quando os políticos debatiam o futuro da dos Balcãs, a Ucrânia e a ce, não haverá condições para mais integração Europa, falavam de uma fórmula definitiva para a integra- Alemanha e França Geórgia na fila de espera. política ou para novos alargamentos. As regras ção europeia, tal como foi definida na célebre conferên- Será o alargamento a única política efectiva para promover actuais não podem garantir o funcionamento cia do antigo ministro dos Negócios Estrangeiros alemão a estabilização e a paz, ou pode a “política de vizinhança”, das instituições europeias, tal como existem, e reescrever Joschka Fischer em 2000 [na Universidade de Humbol- um pouco aquém da plena integração, transformar-se num um novo tratado constitucional exigiria provavelmente ain- dt]. O debate intelectual, inaugurado por filósofos como instrumento de apoio ao desenvolvimento e à estabilização, da mais tempo do que aquele que foi preciso para chegar Jurgen Habermas e Jacques Derrida, definiu a identidade tal como foi o Plano Marshall para a Europa ocidental? à actual proposta. Nestas circunstâncias, o pragmatismo europeia, antes de mais, em contraste com os Estados Em terceiro lugar, em vez de um debate teórico e fútil deve prevalecer. Unidos, mas também em termos dos desafios colocados entre modelos “liberal” e “social” de desenvolvimento eco- A democracia pode trazer consigo custos de curto prazo, pela globalização. Um debate similar sobre as questões nómico, precisamos de comparar as experiências de países mas eles são sempre mais baixos do que os prejuízos de fundamentais do futuro da União Europeia deveria ser como o Reino Unido, Suécia, Alemanha e França. As suas longo prazo da falta de participação popular. Só um novo agora lançado. experiências excluem-se ou, pelo contrário, a convergência debate europeu que inclua os cidadãos europeus e as su- Em primeiro lugar, como deverão ser definidas as rela- é possível? Que políticas conseguem reduzir o desemprego? as instituições pode combater o alter-europeísmo de uma ções entre os interesses nacionais e o interesse comum? Que medidas podem garantir a competitividade da Europa? forma eficaz. O tempo pode ainda não estar maduro para Em causa está não apenas a distribuição de competências Como diminuir as diferenças de desenvolvimento e bem- uma verdadeira Constituição europeia, mas confrontar, mas também a questão mais importante de saber quando estar dentro da Europa? em vez de evitar, as questões fundamentais que a União confiar no entendimento entre os governos nacionais e Em quarto lugar, é preciso responder às aspirações euro- enfrenta pode criar o contexto necessário para ressuscitar quando confiar nas instituições europeias, em especial na peias de uma política externa e de segurança. As ameaças o Tratado Constitucional e preparar a União para os desa- Comissão e no Parlamento Europeu. que o mundo hoje enfrenta são supranacionais, por isso fios do nosso tempo. A segunda questão diz respeito ao desenho da UE. A enfrentá-las também deve ser feito ao nível supranacional. Fundador do Solidariedade, ex-ministro dos Negócios Europa é uma combinação peculiar entre geografia e his- Mas isso é impossível sem uma identidade europeia bem Estrangeiros da Polónia, membro do Parlamento Europeu. tórica, mas as fronteiras da UE – e, portanto, a perspecti- definida – o que significa definir e defender o interesse PÚBLICO/ Project Syndicate Ficha técnica CONSELHO GERAL PROVEDOR DOS LEITORES Rui Araújo Andrea Cunha Freitas, Andreia Sanches, António Ferreira (grande repórter), João Manuel Rocha, João Graça Barbosa Ribeiro (Coimbra), Tolentino de Presidente: Paulo Azevedo Vogais: António Casanova, Arnaldo Mesquita (grande repórter), António Marujo, Ramos de Almeida, Lurdes Ferreira (redactora Nóbrega (Funchal) Fotografia: Alexandra Domingos António Lobo Xavier, Cláudia Azevedo, Luís Filipe Reis EDITORES Bárbara Simões, Bárbara Wong, Carlos Pessoa, Catarina principal), Sérgio Aníbal, Rosa Soares, Inês Sequeira, (digitalização), Adriano Miranda, Carlos Lopes, Daniel Portugal: Dulce Neto, Tiago Luz Pedro, Luciano Gomes, Clara Viana, Filomena Fontes, Isabel Leiria, Luísa Pinto, Natália Faria, Raquel Almeida Correia Rocha, Fernando Veludo, Isabel Amorim (arquivo), DIRECÇÃO DA EMPRESA Alvarez, Raposo Antunes Mundo: Margarida Santos Joana Ferreira da Costa, José Bento Amaro, Leonete Local Lisboa: Ana Henriques, Diana Ralha, José Manuel Roberto, Miguel Madeira, Nelson Garrido, Presidente: Hugo Figueiredo Vogais: José Manuel Lopes, Isabel Salema, Sofia Lorena, Lucinda Canelas Botelho, Mariana Oliveira, Margarida Gomes, Paula António Cerejo, Luís Filipe Sebastião, Luís Francisco Nuno Ferreira Santos, Paulo Pimenta, Pedro Cunha, Rui Fernandes, João Maria Porto Grande Reportagem: Adelino Gomes (redactor Torres de Carvalho, Ricardo Dias Felner, Ricardo Local Porto: Abel Coentrão, Álvaro Vieira, Andréia Gaudêncio Copydesk: Rita Pimenta (coordenadora), principal), Alexandra Lucas Coelho (grande repórter), Garcia, São José Almeida (redactora principal), Sofia Azevedo Soares, Aníbal Rodrigues, Jorge Marmelo André Lopes, Aurélio Moreira, José Luís Baptista, CONSELHO CONSULTIVO André Gonçalves Pereira, Kathleen Gomes, Paulo Moura (grande repórter) Branco, Sofia Rodrigues, Tânia Laranjo Mundo: Clara Última Hora (Público Online): Ana Pereira, Ana Manuela Barreto, Ricardo Neves Agenda: Carlos Gomes António Barreto, António Borges, António Vitorino, Local Lisboa: Carlos Filipe Local Porto: José Barata, Dulce Furtado, Fernando Sousa, Francisca Machado, Cláudia Bancaleiro, Eduardo Melo Mendes, David Andrade, Irene Leite, Maria José Pombo, Diogo Lucena, Isabel Mota, José Amaral, Manuela Melo, Augusto Moreira Desporto: José J. Mateus, Nuno Gorjão Henriques, Jorge Almeida Fernandes (redactor Helena Geraldes, Paulo Miguel Madeira, Pedro Andrade Nuno Pêgas, Paula Moreira Secretariado de Redacção: Rui Guimarães Sousa Economia: José Manuel Rocha, Luís Villalobos principal), Jorge Heitor (grande repórter), Maria João Soares, Sérgio Gomes, Susana Ribeiro Guia do Lazer Alexandra Galvão, Ana Mendes, Isabel Anselmo, (suplemento Economia) Vítor Costa P2: João Carlos Guimarães, Teresa de Sousa (redactora principal) (Público Online): Cláudia Alpendre Webdesign Lucinda Vasconcelos, Paula Dias, Paula Fidalgo, Paula DIRECÇÃO EDITORIAL Silva, Bárbara Reis, Joana Amado Edições de Fim-de- Cultura: Alexandra Prado Coelho, Carlos Câmara Leme, (Público Online): Hugo Castanho, Mário Cameira Leite, Manuel Alves Director: José Manuel Fernandes semana: Sandra Silva Costa Inês Nadais, Isabel Coutinho, Joana Amaral Cardoso, Pública: Marco Vaza, Maria Antónia Ascensão Director Executivo: José Vítor Malheiros Público Online: António Granado, Alexandre Maria José Oliveira, Sérgio C. Andrade, Vanessa Rato, (produção) Digital: Isabel Gorjão Santos, João Pedro DEPARTAMENTO GRÁFICO Directores adjuntos: Nuno Pacheco e Manuel Carvalho Martins Pública: Ana Gomes Ferreira Digital: Pedro Vitor Belanciano Ciência: Ana Gerschenfeld, Teresa Pereira, Maria do Céu Lopes, Nuno Sá Lourenço Editor de fecho: José Souto Paginação: Ana Carvalho, Subdirectores: Amílcar Correia, Paulo Ferreira Ribeiro Fugas: Pedro Garcias Ípsilon: Vasco Câmara Firmino Desporto: Bruno Prata (redactor principal), Fugas: David Lopes Ramos (grande repórter), Luís Carla Noronha, Gil Lourenço, Helena Cabral, Hugo Directora de arte: Sónia Matos Fotografia: David Clifford, Paulo Ricca Filipe Escobar de Lima, Hugo Daniel Sousa, Jorge Maio Ípsilon: Joana Gorjão Henriques, Guia TV: Pinto, Joana Lima, Jorge Guimarães, José Soares, Marco Adjuntas da Direcção: Lucília Santos e Teresa Freitas Miguel Matias, Luís Octávio Costa, Manuel Assunção, Helena Melo Correspondentes internacionais: Isabel Ferreira, Nuno Costa, Pedro Almeida (subeditor), (Porto) Secretária da Direcção: Madalena Rhodes REDACTORES E REPÓRTERES Manuel Mendes, Paulo Curado Economia: Ana Arriaga e Cunha (Bruxelas), Nuno Ribeiro (Madrid), Pedro Costa, Sandra Silva Infografia: Célia Rodrigues, Sérgio Portugal: Alexandra Campos, Ana Cristina Pereira, Fernandes, Ana Rute Silva, Anabela Campos, Cristina Rita Siza (Washington) Correspondentes nacionais: Joaquim Guerreiro, José Alves
  • 52. I S S N : 0 8 7 2 - 1 5 4 8 www.publico.pt Os Dead Combo, a banda cujo disco o Y considerou “o melhor 9 770872 154040 06163 português de 2006”, oferecem-lhe hoje duas músicas para download Economia Irão em Lisboa para negociar residências de férias pág. 54 Desporto Portugal Yu Dabao, o Justiça criticada jovem chinês pelo Supremo que já marca norueguês em golos no Benfica acção de poder pág. 48 paternal pág. 18 inspira na troca de argumentos imprensa. Esta semana é aberta Um diálogo original da blogosfera, mas com outra por Rui Tavares, a próxima será Mudanças na opinião Rui Tavares e Helena Matos vão respiração argumentativa, e Helena Matos a arrancar. De sexta ocupar este espaço de segunda num ritmo diário como tinham a domingo este manter-se-á o Segunda-feira André Freire a quinta num registo que se os folhetins dos primórdios da espaço de Vasco Pulido Valente Pedro Magalhães Rui Moreira Carla Machado Pingue-pongue Terça-feira Vital Moreira Para Badajoz, caramelos José Vítor Malheiros Quarta-feira Rui Ramos Teresa de Sousa alta a probabilidade de terem uma por terceiros, não precisará de se Joaquim Fidalgo hemorragia ruim. No seu próprio esconder, não terá de cruzar as país não seria impossível que fronteiras.Esta é mensagem simples Quinta-feira Constança Cunha e Sá ficassem às portas da morte. Se deste voto, mas há sempre quem Esther Mucznik tivessem de recorrer aos hospitais tenha dificuldade com as palavras. N do seu país, pagos com os impostos Sexta-feira José Miguel Júdice dos seus bolsos, iriam com medo de a primeira frase da Luís Campos e Cunha ser destratadas, e com a certeza de primeira reacção dos Graça Franco Rui Tavares serem encaradas com suspeita. No apoiantes do “não”, a Carlos Fiolhais D seu próprio país chegou a acontecer porta-voz insistiu ainda Laurinda Alves urante anos, Badajoz que fossem denunciadas à polícia. e sempre em chamar o foi para os portugueses Chegou a acontecer que os agentes referendo como da “liberalização” Sábado José Pacheco Pereira a cidade onde se ia policiais, pagos pelos impostos do aborto. Nem depois de, Francisco Teixeira da Mota comprar caramelos e dos seus bolsos, as obrigassem a presumivelmente, ter tido a José Diogo Quintela abortar em condições fazer exames ginecológicos para pergunta em frente aos seus olhos, Eduardo Cintra Torres de higiene e segurança. Às prova judicial. Chegou a acontecer admitiu que o boletim de voto falava São José Almeida 20h00 continentais do dia 11 de que os tribunais do seu país as de “despenalização”. Esperemos Fevereiro de 2007, no momento considerassem criminosas e as que tenham menos problemas com em que escrevo este texto, tudo condenassem a penas de prisão. as suas próprias palavras: uma Domingo António Barreto indica que Badajoz vai ter de se Pouco faltou para que as metessem maioria de apoiantes do “não” Frei Bento Domingues limitar à primeira destas linhas de mesmo na cela de uma cadeia.O declarou-se nesta campanha a favor Paulo Moura negócio.Mas Badajoz não merece que hoje uma maioria de eleitores do planeamento familiar, a favor da João Bénard da Costa a nossa ingratidão. As portuguesas disse a essas mulheres foi: vocês educação sexual, a favor do acesso Catarina Portas que de lá voltavam vinham algumas não merecem ser punidas. Não facilitado aos contraceptivos. Os devastadas, outras serenadas, quase consideramos que sejam criminosas. apoiantes do “sim” concordam todas um tanto tristes. É impossível Não desejamos ter na lei uma com tudo isso. Uns e outros sabem Luís Campos e Cunha, ex- resto enriquecido com as saber absolutamente. Mas vinham pena de prisão que ninguém quer que cada consulta prestada, cada ministro das Finanças, contribuições de algumas de lá com a forte segurança de que, ver aplicada. Mas disse mais: sob aula assistida, cada preservativo José Diogo Quintela, dos dos mais antigas rubricas do quando quisessem engravidar de um prazo razoável, em condições distribuído poderá querer dizer um Gato Fedorento e a cronista jornal como o Fio do Horizonte novo, poderiam levar a gravidez até autorizadas, uma mulher grávida aborto a menos, para satisfação de Catarina Portas são alguns dos de Eduardo Prado Coelho, ao fim. não verá a sua decisão tomada todos. Repito, isto é o que parece novos colunistas do Público, cuja crónica diária está Se tivessem abortado em Portugal, desenhar-se no momento em que mantendo o jornal diariamente temporariamente interrompida às mãos de um qualquer curioso, escrevo. Quando o tiver entre as suas um mínimo de três páginas por motivos pessoais, e do seria mais alta a probabilidade Não é de excluir que mãos, o leitor saberá muito mais do dedicadas à opinião regular Bartoon, de Luís Afonso. de os seus úteros terem sido muitos apoiantes do “não”, que eu. Mas para já, não é de excluir e à contribuição dos leitores, Alguns dos nossos actuais danificados sem retorno e nunca que muitos apoiantes do “não”, para além de um espaço colaboradores passarão a mais poderem engravidar. Se, no atendendo às suas inclinações atendendo às suas inclinações diário na última página e escrever em dias diferentes. seu próprio país, se tivessem auto- religiosas, esperem ainda religiosas, esperem ainda por um de espaços especiais no P2. O alinhamento de alguns dos medicado com um mão-cheia de milagre. Se não houver milagres, aí Este novo caderno será de colunistas é o que está acima. comprimidos abortivos, seria mais por um milagre estará mais um motivo de reflexão. PUBLICIDADE
  • 53. Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 • P2@publico.pt Eastwood mostrou em Berlim uma obra-prima JASON REED/REUTERS Quem é o homem que quer mudar a América Pág.4/6
  • 54. 2 • P2 • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 Blogues No passado 12 de Fevereiro de 1994 de papel Conjugalidade e aquários, problemas de quem não deixou de fumar, diferenças ente homens e mulheres, ateísmo e restos de campanha. Uma primeira selecção de novos e velhos posts favoritos. Amanhã, todos os dias, mais sites Variedades 12.02.07 http://diariodocil.blogspot.com/ Comprámos um aquário redondo e um peixinho vermelho, e nos últimos dias não temos feito mais que alimentá-lo, enternecidos e hipnotizados pelo lufa-lufa da sua boquinha atrás dos flocos de comida – o meu amor disforme, depois do vidro, depois da água, imitava-o no momento em que explodiu. Despejámo-lo na latrina – sem dramas, era um peixe barato – e pusemos o aquário agora jarra de flores em cima da televisão: «ficou bonito», suspirou o meu amor, de si para si, no intervalo das variedades. A Itália ignora o Vaticano e reconhece uniões de facto http://www.ateismo.net/diario/ O Vaticano é um furúnculo encravado no corpo italiano que, Um tesouro quase sempre, o infecta. A coligação que governa a Itália adoptou na Só há báculos nos monumentos última quinta-feira um projecto funerários megalíticos (têm este de lei sobre o reconhecimento nome por serem parecidos com dos casais homossexuais e os báculos dos bispos), e são heterossexuais. B16 e os bispos mais raros do que as placas de rangem os dentes perante este xisto gravadas. Há apenas cerca primeiro passo para reconhecer de 50 e muitas interpretações os casais homossexuais. A Igreja sobre o que eram: objectos católica vai perdendo influência. rituais, reminiscentes de um “culto fálico” ou de um “culto do machado”? Ou eram símbolos de pelo sim # 16 poder civil e/ou religioso? Este http://irmaolucia.blogspot.com/ é o exemplar mais notável – por causa da forma apurada e grande No regresso do cinema recebo um dimensão, e pela decoração folheto de última hora da campanha gravada e silhueta denteada. Foi do não na estação do marquês. por descoberto em 1934 na Herdade deformação vagamente profissional das Antas, em Montemor-o-Novo. atribuo sempre importância a Ao lado, estavam vasos, facas em pormenores como a paleta de cores sílex, setas e contas de colar. escolhidas, no caso um rosa clássico, Báculo pouco luminoso, com capitulares Neolítico Final / Calcolítico Inicial e caixas matizadas a rosa velho, (3º / 2º milénios a.C.) saturado. de súbito faz-se-me luz Museu Nacional de Arqueologia, e recordo que andaram a usar o Lisboa espectro de cores da pílula minulet © Instituto Português de Museus e tenho a confirmação que nem em relação às escolhas de cmyk’s esta malta conseguiu manter a coerência. Alguma vantagem havia de ter http://www.tristes- topicos.blogspot.com/ Isolada de todos, e na maior parte das vezes sozinha, dou-me conta de que a gélida sala reservada aos fumadores é a única explicação para Era sábado e os ladrões entraram que começavam nesse dia. Um ser eu a derradeira sobrevivente O Grito de Munch de madrugada por uma janela na mês depois surgiu o pedido de à virose de estirpe desconhecida que assola toda a gente com quem foi roubado pela National Gallery de Oslo, com a ajuda de uma escada. Bastaram resgate: quase um milhão de euros. A 7 de Maio, o final feliz: trabalho. primeira vez 50 segundos para levarem numa operação das polícias esta versão d’O Grito pintada britânica e local, a obra foi pelo expressionista norueguês encontrada num hotel do sul da A origem do homem (5) Edvard Munch – existem quatro, Noruega. Sem danos. No mesmo http://estadocivil.blogspot.com/ esta é considerada a melhor. dia foi pendurado na parede do Ainda se associou o roubo a Museu Nacional de Oslo. Um dos Os cientistas explicam que as uma campanha anti-aborto, o ladrões é agora um negociador mulheres preferem homens mais que nunca se provou. Também de arte e já tem um Munch – é masculinos durante o período se pensou que tinha sido uma uma litografia e comprou-a em fértil e homens mais femininos no manobra de opositores dos Jogos 2001. Há dois anos, dez depois restante ciclo menstrual. Ou seja, Olímpicos de Lillehammer, do primeiro roubo, outro Grito quando são irrelevantes.
  • 55. P2 • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 • 3 Um mau negócio No futuro Frases O perfume do mar de ontem a tudo gratuitamente, só pelo facto Se, devido às dramáticas Em Público de ter nascido. Transformavam alterações climáticas que se “A democracia, aqui concertos em batalhas campais avizinham, os oceanos viessem como em todo o lado, porque na assistência berravam por a desaparecer, temos agora a entradas livres, perante músicos garantia de que pelo menos o precisa de se reinventar furiosos com tais exigências – até cheiro característico das praias para vingar nesse porque a música era já então, para perduraria. Na Science de 2 mundo que se reinventa muitos deles, o único sustento. de Fevereiro, uma equipa de “Não nos peçam para dar a única cientistas britânicos anuncia todos os dias. Mas essa coisa que temos para vender” a identificação, numa bactéria reinvenção da é uma frase que ainda hoje se que vive nas lamas das salinas democracia terá, Nuno Pacheco escuta a músicos de vários níveis de Stiffkey, na costa leste de de qualidade e exigência. Não Inglaterra, do gene responsável naturalmente, de a Não é novidade para ninguém por um espírito miserabilista ou pela produção de sulfureto de começar por uma mais que a pirataria é como a guerra: mercantil, mas por ser uma verdade dimetilo. Mais conhecido como quanto mais as empresas se tentam indesmentível: os músicos vivem DMS, este é o gás que dá o seu activa participação proteger das descodificações e (bem ou mal, alguns até bastante cheiro tão característico ao mar política de todos.” cópias ilegais, mais depressa alguém mal) do que fazem. Não é assim (não, não é o iodo nem o ozono), João Morgado Fernandes inventa métodos para quebrar todos que vivem, por exemplo, pintores com milhões de toneladas a os possíveis “cadeados”. E copiar, ou romancistas? Alguém imagina serem libertadas continuamente Diário de Notícias, de modo gratuito, o que devia ser a bizarria de os convencer a pintar pelos micróbios que convivem pago. Devia? Há quem ache que não. gratuitamente só para atrair o povo com o plâncton e as algas “Na nossa sociedade, o O director da revista Wired, Chris a galerias e museus? Ou a despejar marinhas. Bastará clonar essa Anderson – autor de, entre outros, livros atrás de livros na net para bactéria para reproduzir o ambiente, tal como um livro sobre o crescimento de serem falados, premiados e só muito cheiro no laboratório. Assim, outras questões de negócios em nichos de mercado, The remotamente pagos? Anedótico. no pior dos cenários futuristas, civilização, está sujeito a Long Tail – acha mesmo inevitável É claro que há muitos problemas quando já não houver rasto que os direitos sobre a música a resolver neste circuito. Por de vida na Terra, o cheiro das surtos de atenção desapareçam. Steve Jobs, presidente exemplo: quem vende? O autor nossas férias à beira-mar poderá pública e mediática da Apple, chegou lá perto mas da obra, directo ao consumidor? perdurar, preso para sempre durante os quais não ousou dizê-lo, quando apelou A indústria, em suportes cuja dentro de um frasquinho de aos patrões da indústria musical qualidade justifique o preço perfume... Ana Gerschenfeld parecemos encarnar em para abandonarem os controlos pedido? E como se produz? Com nórdicos ou britânicos.” antipirataria que colocam na meios artesanais, permitindo Elisa Ferreira música vendida na net. Atrapalham preços baixíssimos mesmo que e não são eficazes. Logo, é melhor o resultado seja confrangedor? Jornal de Notícias, venderam-na sem protecções. Ou com investimentos arriscados No fundo, os entusiastas da (bons músicos, óptimos estúdios, “É preciso sermos muito “música livre” imaginam um mundo tecnologias de ponta) que exigem onde os artistas (que, dizem eles, retorno ou forçam à falência? mais ambiciosos na “querem ser ouvidos”) façam música Músicos, indústria e demais actores forma como estamos a para ofertar à plebe. Simplificando: do meio musical terão de enfrentar uma canção passará a ser um seriamente tais desafios. Mas forçar lidar com o problema gracioso engodo, apenas para levar os artistas às “galés” da pirataria, ambiental.” gente às salas de concertos; aí, sim, roubando-lhes o devido tributo, é Carlos Pimenta os artistas fariam dinheiro. Com a cortar pela raiz qualquer hipótese de música gravada, nem pensar. ter cada vez melhor música e arte. Correio da Manhã, Este não é, ao contrário do que É um velho e mau negócio, de onde possa parecer, um mundo novo. É todos sairão a perder. “O maior crime contra a até bastante velho e recupera um dos sonhos idílicos da era “hippie”, Eduardo Prado Coelho encontra-se Humanidade perpetra-se nascida e enterrada entre os anos doente e, até à sua recuperação, este todos os dias com a 60 e 70 do século passado. Gente espaço será ocupado, de 2ª a 6ª, pelo cumplicidade das nações demasiado florida queria ter direito director-adjunto Nuno Pacheco mais industrializadas e mais gananciosas da Terra. Algumas Bartoon consideram-se baluartes da democracia e da defesa dos direitos humanos.” Fernando Marques Jornal de Notícias, Escrito na pedra Liderança é a arte de conseguir levar alguém a fazer o que queremos ver feito por essa pessoa o querer fazer. Dwight D. Einsenhower, Presidente dos Estados Unidos (1953-1961) (1893) foi levado de manhã do Museu Munch (Oslo), com o museu aberto ao público e muitos visitantes no interior. Foi levada outra obra conhecida de Munch: Madona. A recuperação das pinturas demorou mais de dois anos e as pinturas estavam danificadas. Não se sabe se é por ser uma representação da angústia do homem moderno (e pelo seu alto valor) que O Grito parece estar no topo das preferências dos ladrões de arte. José J. Mateus
  • 56. 4 • P2 • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 JASON REED/REUTERS
  • 57. P2 • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 • 5 Obama “Há qualquer coisa de espiritual nele” Teve que viajar de Chicago até uma aldeia queniana junto das margens do Lago Vitória para se encontrar. A vida de Barack Obama, a estrela política do momento nos Estados Unidos, dava um livro. Ele já o escreveu. Aos 33 anos. of race and inheritence começa no seguiu para os Estados Unidos, a viver despreocupadamente os Joana Amado meio da história, em Nova Iorque, integrando a primeira vaga de “O teu pai e eu apenas primeiros anos da sua infância a Obama é branco e é negro. É quando o estudante universitário africanos que foram enviados (com chegámos à conclusão em Honolulu, uma cidade onde do Kansas e é do Quénia. Nasceu Barack recebe um telefonema fundos ocidentais) para o “Primeiro as tensões raciais não se faziam no Havai, cresceu na Indonésia, de longa distância a informá-lo Mundo” para se formarem de que devíamos tratar sentir de forma tão intensa como estudou em Los Angeles e Nova que o seu pai tinha morrido num forma a regressarem a casa com decentemente as no resto do país. Sobre os avós do Iorque e construiu a sua carreira acidente de carro no distante as ferramentas necessárias para Kansas, Obama escreve que a sua profissional e política em Chicago. Quénia. “Na altura da sua morte, “construir uma nova e moderna pessoas”, explicou-lhe postura anti-racista nunca foi algo Obama é exótico. Obama é o meu pai permanecia um mito África”. assumidamente politico. “O teu pai diferente. Obama é uma estrela para mim”, escreve Obama. De Em 1959, com 23 anos, chegou a avó e eu apenas chegámos à conclusão rock. É sexy. Os americanos estão Barack Hussein Obama, o filho só à Universidade do Havai como que devíamos tratar decentemente excitados com o novo candidato. conhecia as histórias que a mãe o único estudante africano da as pessoas”, explicou-lhe a avó, “Há qualquer coisa de espiritual e os avós lhe foram contando ao instituição. Em três anos graduou- enquadrando desta forma as nele”, diz Kris Schultz que dirige longo da infância e da adolescência. se em Econometria como o melhor histórias meio-inventadas de actos o site Run Obama, criado para Ao vivo, e que Obama se lembre, da turma. Foi também o mentor e heróicos em defesa da tolerância “convencer” o senador de 45 anos só conheceu o pai uma única vez, primeiro presidente da Associação racial contadas pelo seu avô. a candidatar-se à presidência dos quando este o visitou no Havai Internacional de Estudantes da Estados Unidos. Convencido, tinha o jovem “Barry” dez anos. universidade. Conta Obama, filho: Festas com cocaína Obama confirmou sábado, no Antes disso não conta, porque o “Num curso de russo, [o meu pai] Quando tinha seis anos, Anna, a sua Illinois, que vai tentar conquistar a pai deixou a sua família americana conheceu uma americana tímida, mãe, voltou a casar, desta vez com Casa Branca. quando o filho tinha dois anos. que tinha apenas 18 anos, e os um indonésio chamado Lolo, que Há 12 anos, quando era ainda E quem era Barack pai? “Era dois apaixonaram-se. Os pais da tentou ensinar ao enteado Barry que uma figura em ascensão na cena um africano”, escreve Obama. Um rapariga a princípio mostraram-se era sempre melhor ser forte do que política de Chicago, escreveu as queniano da tribo Luo, nascido muito prudentes mas depois foram fraco, ou, na pior das hipóteses, ser suas memórias, um livro de auto- nas margens do Lago Victoria conquistados pelo seu charme e a fraco mas estar sempre do lado dos descoberta que se tornou num best- num sítio chamado Alego. A aldeia sua inteligência; os dois casaram-se mais fortes. Dos quatro anos que seller nacional quando Obama foi era pobre, mas o seu pai – o avô e tiveram um filho que recebeu o viveu em Jacarta, Obama recorda eleito senador pelo estado de Illinois Hussein – tinha sido um agricultor nome do pai.” no seu livro os cheiros exóticos e a em 2004. Um livro de memórias importante, um ancião da tribo, Depois..., bem, depois Barack pobreza extrema; as lições de boxe aos 33 anos? O próprio explica que um curandeiro. “O meu pai cresceu não podia parar. Deixou a sua dadas pelo padastro, a solidão da se trata do relato “de uma rapaz a pastar as cabras do seu pai e a recém-inaugurada família para ir mãe e os pedintes a quem aprendeu à procura do seu pai, e de como estudar na escola local, estabelecida para Harvard, onde se doutorou, e a não dar esmolas. Foi na Indonésia através dessa busca encontrou um pela administração britânica, onde regressou ao Quénia onde tinha a que Obama aprendeu, antes dos significado prático para a sua vida se revelou um aluno promissor.” sua missão por cumprir. dez anos e muito antes de chegar a como um negro americano”. De Alego partiu para Nairobi com Obama, o filho, ficou com “os África, que “o mundo era violento, Dreams from my father, A story uma bolsa de estudo e depois brancos do Kansas” (mãe e avós) imprevisivel e cruel”.
  • 58. 6 • P2 • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 JOSHUA LOTT/REUTERS A experiência indonésia terminou e Obama saiu-se sufientemente seus préstimos demasiado cotados “E se eu estiver errado? Nairobi com a sua meia-irmã Auma quando Obama foi enviado pela mãe bem no liceu para poder escolher, para aquele tipo de trabalho. numa viagem há muito desejada de novo para o Havai para estudar entre várias ofertas de bolsas, a que Sem respostas de lado nenhum, E se a verdade só me e temida para tentar “preencher na respeitada Punahou Academy. queria para prosseguir os estudos. acabou por trabalhar para uma um vazio imenso”.“E se eu estiver A viver com os avós, típica classe O eleito foi o Occidental College em multinacional durante um ano, bem desapontar, e a morte errado? E se a verdade só me média branca remediada (ele Los Angeles, Califórnia por onde pago, bem vestido e bem comido. do meu pai não tiver desapontar, e a morte do meu pai era vendedor e ela trabalhava passou sem nunca ter posto um pé Até ao dia em que recebeu uma não tiver significado nada, e o facto num banco), Barry enfrentou na nos bairros mais problemáticos da carta de Chicago. significado nada?” de ele me ter deixado para trás não adolescência os primeiros embates Cidade dos Anjos. Idealismo político era o que não significar nada, e se a única ligação da realidade de ser um afro- Segiu-se a Universidade de faltava em Obama. Na altura já não entre mim e ele, ou entre mim e americano, uma identidade que lhe Columbia (também uma de várias queria ser tratado por Barry, mas África, for um nome, um tipo de era tão imposta pelos outros como escolhas possíveis para o promissor sim Barack. Não queira mudar o sangue ou motivo de chacota para desejeada por si próprio – era esse o estudante de Direito). Nova Iorque mundo, queira “ajudar o pobres a os brancos?” legado principal do seu pai-mito. foi a cidade onde enfrentou pela mobilizarem-se para melhorarem Mas Obama não estava errado. No liceu tinha amigos brancos e primeira vez na sua vida uma as suas comunidades”. O seu novo No Quénia descobriu uma familia, amigos negros. Ia às festas de uns tensão racial inescapável. Uma emprego era num pequeno grupo as raízes num povo que sentiu ser e dos outros. Falava “à branco” ou tensão que, escreve Obama, “fluía ligado à igreja, que estava a tentar o seu e caminhou confortável pelas “à preto”, integrava-se em ambas livremente, não apenas nas ruas ajudar os residentes de um dos ruas de Nairobi, sentindo em todo as realidades mas angustiva-se por mas também nas casas de banho da bairros mais pobres do South Side o lado a presença do pai pedindo- não pertencer verdadeiramente a Universidade, onde por muito que a de Chicago a reagiram a uma vaga lhe que “compreendesse”. É que o nenhuma delas. Tentou misturá- Administração tentasse pintá-las de de encerramentos de fábricas que mito, afinal, tinha sido apenas um las, mas não conseguiu. Nas suas novo, as paredes estavam sempre deixaram no desemprego e no homem cheio de ilusões, generoso memórias sucedem-se recordações riscadas com a correspondência desespero centenas e centenas de mas também egoista, forte mas de momentos seminais que foram frontal entre brancos e negros. Era famílias. vunerável, grande e mesquinho. cimentando a sua identidade afro- como se todo o terreno intermédio Frustrante, cansativo, mal pago Em Alego, a aldeia onde tudo americana, a mesma de Martin tivesse colapassado”. e por vezes pouco edificante. começou, e ajoelhado junto das Luther King e de Malcolm X, heróis Foi assim o dia-a-dia de Obama sepulturas do pai e do avô, Obama inspiradores assumidos. Morre Barry, nasce Barack durante três anos. Três anos chorou cumprindo um luto adiado Passou a ir só às festas dos Terminado o curso em Columbia, que “comem” grande parte de e “compreendendo” finalmente as “irmãos”. Festas onde se bebia o jovem advogado recebeu várias Dreams from my father num relato suas origens africanas. muito, fumava-se ainda mais, ofertas de emprego em grandes exaustivo do desespero vivido nos O vazio desaparecera. Estava engatavam-se raparigas, enrolavam- empresas, mas o que ele decidiu bairros degradados das grandes pronto para regressar. À sua espera se charros de marijuana e, “quando (em 1983, quando tinha 22 anos) cidades americanas, das políticas estava Harvard, a advocacia e o havia dinheiro”, cheirava-se alguma é que queria ser “organizador inadequadas e da auto-destruição ensino em Chicago, a futura mulher cocaína. A fronteira para a “auto- comunitário”. Escreveu cartas dos negros. Michelle, o Senado. E agora, quem destruição” nunca foi ultrapassada para dezenas de sítios a oferecer os De Chicago, Obama partiu para sabe, a Casa Branca.
  • 59. 8 • P2 • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 FOTÓGRAFO Os outros heróis Obra-prima que é preciso ter visto um para (um extraordinário Ken Watanabe) Jorge Mourinha, em Berlim compreender o outro: o mérito de para lutar contra dois inimigos. a Já fora assim o ano passado com Eastwood é ter feito dois filmes que Porque não são só as muito maiores O Novo Mundo, de Terrence Malick: funcionam como duas faces de uma e muito melhor equipadas forças o primeiro filme que mereceria de mesma moeda – não precisamos americanas que preocupam caras o Urso de Ouro em Berlim de ver a outra face para saber que Kurabayashi; são, sobretudo, os seus absoluta passa fora de competição. Pior: é um ela está lá. As Bandeiras… era sobre próprios superiores hierárquicos no filme que – coisa rara na selecção heróis que não achavam merecer Japão, os seus oficiais subalternos, oficial berlinense – está também sê-lo; Cartas… é sobre heróis que que constituem o seu maior inimigo. nomeado para os Óscares (quatro, ninguém soube que o foram. A outra É isso o que mais perturba o incluindo Melhor Filme). E chamar face da moeda. espectador de Cartas de Iwo Jima: a obra-prima a Cartas de Iwo Jima, de Depois do lado americano de Iwo súbita compreensão do desperdício Clint Eastwood, não chega. Jima, então, vemos agora o lado de vidas humanas impostas por um O homem que, com Imperdoável, japonês da batalha que decidiu rígido código de valores militares deu a “machadada final” no western Fora de concurso, em Berlim, Cartas como género heróico americano o curso da Segunda Guerra no Pacífico, acompanhando os esforços herdado dos samurais, preferindo o suicídio ritual a continuar o de Iwo Jima, magnífico requiem por natureza (nunca mais vimos os pistoleiros da mesma maneira…) heróicos do general Kurabayashi combate, em nome de uma honra pelos mortos do último guardião leva agora o filme de guerra clássico a uma espécie de ponto-limite, do cinema clássico dos EUA depois do qual nada mais pode ser igual. Crepuscular é dizer pouco: onde o filme-gémeo As Bandeiras dos Nossos Pais era a história de uma vitória contada como se fosse uma derrota (e era, de certa maneira; a derrota de uma certa inocência americana, quando os “heróis” de Iwo Jima compreendem a armadilha em que se deixaram cair), Cartas de Iwo Jima é a história de uma derrota com travo amargo de vitória maldita, ambas custando um quinhão pesado de vidas inocentes. A outra face da moeda Sim, estamos, outra vez, a falar de heroísmo; mas As Bandeiras… falava da culpa de ter sobrevivido e Cartas… fala do desperdício de não sobreviver. Isto não quer dizer Clint Eastwood
  • 60. P2 • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 • 9 Competição O grande silêncio e o carcereiro bondoso a O que é suposto ser hoje um festival de cinema? Um espaço aberto à descoberta de cinema novo? Ou uma montra de estrelas de passagem para garantir cobertura mediática nas rádios e televisões? É evidente que um festival não tem que ser uma ou outra coisa (nele cabe tudo o que se quiser, é para isso que servem as secções paralelas): há bons e Goodbye Bafana maus filmes de autor como há bons e maus filmes comerciais esconderijos que parecem ecoar (Cartas de Iwo Jima é um grande uma exigência total de submissão. filme de autor e um grande filme É um filme inteligente, mais comercial ao mesmo tempo…). espiritual que religioso, que O problema é quando – como soçobra sempre que o realizador aconteceu na competição se afasta da dúvida para entrar na ontem – os próprios filmes se certeza – certeza, só a de que está conformam aos lugares-comuns. aqui um cineasta a seguir. Com In Memoria di Me (Em Minha Não se pode dizer o mesmo de Memória), o italiano Saverio Bille August – já se tinha percebido Costanzo propõe um bom filme desde A Casa dos Espíritos… - e – mas um bom filme de autor; com Goodbye Bafana confirma o seu Goodbye Bafana, o dinamarquês tarefeirismo de aluguer ideal para Bille August assina um mau filme estas co-produções internacionais – mas um mau filme comercial. de prestígio, que querem ser tudo Costanzo, que causou sensação para todos e acabam por não ser com a sua primeira longa, nada. E, contudo, há aqui bom Private, sobre o conflito israelo- material de trabalho: é a história palestiniano, faz de In Memoria verídica do guarda prisional sul- di Me uma espécie de mistério africano destacado para vigiar policial existencialista, sobre Nelson Mandela, e do modo como um jovem desiludido com o a convivência entre ambos ao mundo que decide seguir a longo de 20 anos (e a evolução do vocação religiosa. Mistério regime do apartheid) mudou o seu policial, entenda-se, em busca modo de ver o mundo. de si próprio, da sua verdadeira O problema é que Goodbye identidade, de quem se é bem Bafana segue todas as regras de lá no fundo; é um objecto ouro do bom telefilme “caso- rigorosíssimo, difícil, exigente, da-vida”, é rodado em piloto A Filha rodado com seguríssima e precisa automático e sucumbe ao peso geometria formal no mosteiro de das boas intenções liberais do San Giorgio Maggiore, em Veneza. guião. Joseph Fiennes, sozinho, Costanzo cria suspense, não pode fazer muito contra o explora a fé e a dúvida dentro Mandela de papelão de Dennis Rebelde de um universo sufocantemente Haysbert e contra o anonimato concentracionário, transformando funcional de Bille August. O que cada recanto do edifício em isto faz em Berlim é um mistério. que já deixou de fazer sentido e que ninguém dizia publicamente esqueçamos que Steven Spielberg é que quase parece ter condenado o estar acabado. É difícil não pensar um dos produtores do díptico de Iwo de José Pedro Castanheira e Valdemar Cruz exército nipónico à derrota. na Vida do Coronel Blimp de Michael Jima). Mas o que Eastwood faz em Powell e Emeric Pressburger, filme Cartas de Iwo Jima é infinitamente Um caos aleatório que (em plena Segunda Guerra) mais perturbante: mostra-nos É o absurdo da guerra que Eastwood perguntava que sentido podia fazer quem são estes homens, o que os Tudo por uma paixão... trabalha com um classicismo continuar preso a uma ideia de faz mexer, como foram ali parar do Portugal de Salazar à Cuba de Che Guevara depurado, de novo nos tons “guerra de cavalheiros” totalmente – cria-nos empatia, mostra como o dessaturados, cinzentos e pretos inadaptada da realidade. Mas o fanatismo da ética do samurai não e desmaiados, da areia vulcânica de Iwo Jima; o modo como tudo se filme de Powell e Pressburger era uma comédia gentil, Eastwood era transversal ao exército japonês. E, numa cena extraordinária, encenação Helena Pimenta parece resumir a um caos aleatório aborda o mesmo tema com um desmonta com delicadeza a ideia versão cénica Margarida Fonseca Santos e sem sentido, ora visto pelos olhos realismo impressionante. do inimigo como alienígena, como cenografia José Manuel Castanheira de Kuribayashi, o estratega sabotado Muito se falou das semelhanças de outro. a cada passo, ora pelos de Saigo, tom entre as cenas de combate de Talvez fosse mesmo essa a ideia de direcção musical João Cabrita soldado raso incorporado à força As Bandeiras dos Nossos Pais e de O Eastwood ao contar esta história em figurinos Ana Garay em nome de um glorioso império Resgate do Soldado Ryan (e não nos dois filmes, ao mostrar os dois lados movimento Nuria Castejón da moeda: tal como não precisamos de ver o reverso para saber que ele desenho de luz José Carlos Nascimento A fazerem-se ao Urso está lá, não precisamos de conhecer o inimigo para saber que ele não é com Téchiné e Eslinger hoje na competição oficial diferente de nós. Alexandre Ovídio, Amílcar Zenha, Contado de modo mais linear do Ana Brandão, Anabela Teixeira, Bibi Gomes, Dois filmes apresentam-se hoje André Téchiné, é o último que As Bandeiras…, Cartas de Iwo Célia Alturas, Eurico Lopes, Joana Brandão, em competição, de um veterano trabalho do realizador de Os Jima é-lhe infinitamente superior, francês e de um quase estreante Ladrões e Os Juncos Selvagens. confirmando Eastwood como José Henrique Neto, Jaime Vishal, norte-americano. Trata-se de uma nova o último guardião das grandes Lídia Franco, Manuel Coelho, When a Man Falls in the Forest radiografia da França moderna virtudes do cinema clássico (EUA/Canadá/Alemanha) de através das mudanças que um americano e, sobretudo, como um Marques d’Arede, Nádia Santos, Raquel Dias, Ryan Eslinger, é a segunda jovem recém-chegado a Paris dos raros cineastas capazes de as Rui Quintas, Sérgio Silva e Vítor Norte longa-metragem de um jovem traz às vidas de quatro pessoas. reinvestir em cada filme como se realizador americano, cruzando as histórias de três homens Fora de concurso, passa igualmente Diário de um nunca o tivesse feito antes. Numa carreira que nos últimos vinte anos Estreia a 15 Março (Timothy Hutton, Pruitt Escândalo (Grã-Bretanha/EUA), nos tem dado mais grandes filmes Sala Garrett M/12 Taylor Vince e Dylan Baker) de Richard Eyre, adaptação do que seria previsível, Cartas de e uma mulher (Sharon Stone, pelo dramaturgo Patrick Iwo Jima é (talvez até mais que o igualmente produtora) que Marber (Perto Demais) de um magnífico As Pontes de Madison buscam qualquer coisa nas suas romance de Zoë Heller que valeu County) uma obra-prima absoluta. vidas. nomeações para os Óscares para Chega a Portugal na quinta-feira. Les Témoins (França), de Judi Dench e Cate Blanchett. Perdê-lo é perder um dos filmes maiores de 2007.
  • 61. 10 • P2 • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 Engenharia sem medo da natureza Jorge Calado, crítico de fotografia e curador da exposição Ingenuidades, Fotografia e Engenharia - 1846-2006, na Gulbenkian até Abril, escolheu quatro fotografias e explica porquê QUEBRANDO NAVIOS #13 CORTESIA DO ARTISTA AIRBUS A380 CORTESIA DO ARTISTA Edward Burtynsky George R. Lawrence Fotógrafo canadiano de grande O terramoto de S. Francisco, em com a máquina e depois ele reputação que admiro muito. 1906, foi a primeira catástrofe accionava a máquina da terra. Este trabalho (de 2001) é extensivamente coberta pela Mas esta imagem não foi tirada sobre o desmantelamento de fotografia e pelo cinema, que com o balão, foi com um sistema navios, no Bangladesh, em tinha começado nesta altura. de papagaios que ele também Chittagong. Os petroleiros e Todos os grandes fotógrafos inventou. A 5 de Maio de 1906, outros grandes navios que já não captaram a cidade logo a seguir os papagaios faziam subir o estão em estado de navegar são ao terramoto. Este fotógrafo, cesto que tinha uma máquina desmantelados muitas vezes à que era também engenheiro, panorâmica de varrimento que mão, com maçaricos ou até com interessou-se pela aviação e pela rodava a objectiva a 160º. Depois machados pelos habitantes da fotografia áerea numa altura em de ter a máquina estabilizada zona. É um cemitério dos grandes que quase não havia aviação civil no ar, a mais de cem metros, via petroleiros. A obra de engenharia ou comercial. Tirou fotografias do com os binóculos se estava a nasce, é usada e depois morre ou ar enquanto voava de balão.Teve apontar na direcção que queria. é assassinada. Aqui está a tratar- um acidente gravíssimo em Os papagaios eram orientados se da morte destas carcaças Chicago: o cesto onde viajava através de um sistema de para serem usadas noutras com a máquina desprendeu-se fios e com um primitivo sinal construções. É um exemplo de do balão e caiu de uma altura de telefónico, disparava a câmara reciclagem à custa de trabalho centenas de metros. Não sofreu que varria o seu campo de visão. humano. muito porque a cesta ficou presa (...) A devastação foi, como quase nos fios do telégrafo e do telefone. sempre é, causada pelo fogo, e A partir daí, inventou um sistema não só pelo tremor de terra. diferente em que o balão subia
  • 62. P2 • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 • 11 JÁ NÃO FIGURAM NA LISTA TELEFÓNICA CORTESIA DA NATIONAL GALLERY OF AUSTRALIA, CAMBERRA Eric Thake Esta imagem mostra as ruínas de uma empresa de engenharia nuclear, onde ainda se vê claramente um letreiro. O autor deu à fotografia (de 1962) o título irónico “Já não vem na lista telefónica”. Podia ser uma fotografia emblemática para as pessoas que se opõem ao uso da energia nuclear, que já não mora ali. Mark Power Uma das ambições do homem, e isso tem sido um dos grandes motores do desenvolvimento da engenharia, é fazer coisas cada vez maiores, viajar cada vez mais depressa, estar onde nunca ninguém esteve. Esta esplêndida fotografia de Mark Power, da Magnum (de 2004), mostra a construção do novo Airbus gigante, o novo Jumbo A380. De certo modo, há aqui também uma nota de optimismo em relação ao futuro da engenharia e ao futuro da aviação que esta fotografia celebra. Entrevista completa a Jorge Calado em http:// www.publico.clix.pt/shownews.a sp?id=1285390&idCanal=21 SEM TÍTULO CORTESIA DA SCOTT NICHOLS GALLERY, SAN FRANCISCO
  • 63. 12 • P2 • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 Dois anos a despejar arte e lixo no YouTube No YouTube há de tudo, do objecto de arte mais sublime à parvoíce mais imbecil. Como realizar e encontrar RUI GAUDÊNCIO melhores vídeos mudanças de grandes planos para bem Jackass (uma série da MTV), Ann Hornaday as panorâmicas das montanhas o YouTube também permitiu, a O YouTube está repleto do Wasatch, nos EUA. Variadas, as embora em menor número, que acidental e do indiscriminado. imagens vão da abstracção ao artistas talentosos explorassem este Há imagens apanhadas da tv, há documentário na primeira pessoa (a meio e despertassem o interesse quartos e pátios das traseiras sem actriz Sienna Miller a fazer um gesto do mundo. É o caso de Ze Frank, significado. Um vídeo muito visto, o obsceno para a câmara de Stuart). um humorista de Brooklyn, Nova do bebé panda que espirra no jardim Provavelmente, funcionariam bem Iorque, cujo site é uma verdadeira zoológico e que por momentos no grande ecrã, mas, como ensaio mina de jogos, de transmissões na assusta a mãe, parece uma imagem pessoal e impressionista, funcionam Web e uma miscelânea de clips mais típica da sensibilidade desordenada ainda melhor no computador. ou menos surrealistas. Frank gerou do YouTube. Mas, vendo bem, O sarcasmo é fácil, a sátira é um fenómeno na Web quando o seu parece que quem gravou sabia difícil. O YouTube poderá ser o vídeo privado e feito para amigos que estava perante um momento último meio pós-moderno e, como Como dançar apropriadamente se decisivo. tal, está sujeito a um dos maiores transformou num vírus. A verdade é que, mesmo defeitos do pós-modernismo: a Quando na década de 40 foi pequenas e aparentemente imitação. Por cada adolescente a lançada uma versão mais portátil espontâneas, as melhores coisas da tentar provar como pode imitar da câmara Arriflex, isso permitiu o Web são fruto de um trabalho duro e cuidado. Uma imagem pequena, um som imperfeito, uma luz pobre Melhores sítios de vídeos na Web — mesmo um vídeo feito nas melhores condições aparecerá Procurar o que é mais popular Zefrank.com assim no YouTube. E os filmes no YouTube é bastante mais Jogos, projectos de áudio e o que superam o que há de pior em fácil do que encontrar alguma diário de Ze Frank, The Show, ver vídeos num computador (ou coisa com qualidade. Usar fazem deste site um espaço num telemóvel ou num iPod) são sites que fazem uma filtragem onde se pode passar semanas os que assumem isso. O cineasta e juntam grupos de pessoas a navegar. Frank também é um Mitchell Rose, de Los Angeles, usa a que gostam das mesmas coisas magnífico conselheiro, que dança e os movimentos físicos para pode ser um bom caminho. fornece ligações para sítios de criar sátiras poéticas e engraçadas Estes são alguns endereços qualidade. sobre a vida contemporânea. Com onde podem ver-se dos fundos lisos e vozes off, as imagens melhores filmes. Hollywood-elsewhere.com ajustam-se perfeitamente ao ecrã do É um excelente site de Jeffrey computador, enquanto superfície Mitchellrose.com Wells sobre a indústria bidimensional. Rose, cujo trabalho foi mostrado cinematográfica, que serve primeiro em festival, tem aqui de repositório a várias Ensaios pessoais todos os seus pequenos filmes reportagens e comentários. O facto de o ecrã ser mais pequeno (Elevator World é o melhor). Também remete para os trailers do que uma tela de cinema ou dos filmes mais engraçados e uma televisão não tem de limitar Snobsite.com para outros vídeos ligados aos a ambição cinematográfica. Em Não é oficialmente um site filmes. White Plastic Flower, um diário em de vídeos, mas os Snob forma de podcast sobre o festival experimentam tudo e YouTube.com de cinema de Sundance, feito para encaminham os internautas Procure por God, Inc., Hope a revista Filmmaker, o realizador para algumas das coisas mais is Emo, Le Grand Content Jamie Stuart conseguiu uma engraçadas que existem e Pancakes e encontrará impressionante profundidade de na Web. conteúdos inovadores. campo nas imagens, com hábeis
  • 64. P2 • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 • 13 Portugal Autores em busca de sites mais criativos Isabel Gorjão Santos a No YouTube, os autores portugueses estão “um passo à frente, sabendo manter-se um passo atrás”. A definição é de Vítor Pardal Simões, criador de páginas na Internet e professor de multimédia digital no Instituto Superior de Tecnologias Avançadas em Lisboa. Mas a frase pede explicação: estar um passo atrás significa que não se privilegia o YouTube como meio para divulgar os vídeos. E isso será um passo à frente, porque o YouTube “valoriza mais a curiosidade do que a criatividade”. Vítor Pardal Simões refere-se aos contadores de histórias, àqueles que não se limitam a pôr on-line um bocado de um programa de tv ou do concerto a que assistiram. “Encontramos mais aspectos criativos em sites como o MySpace do que no YouTube”, diz. E salienta que os autores portugueses “percebem que existem redes de criativos noutros lados, e que no YouTube o seu trabalho não seria valorizado”. Ao pesquisar no YouTube a palavra Portugal aparecem mais de 19 mil resultados. No top, futebol e sketches dos Gato Fedorento. Não é fácil fazer com que um vídeo de autor, feito para a Internet, chegue rapidamente a muitas pessoas. O principal potencial do YouTube ainda está por explorar Se escrevesse um livro sobre o YouTube, Vítor Pardal Simões aparecimento de uma nova geração O que é que fez com que Noah seja chamar-lhe-ia “Montra de acasos”. e de um novo género de criação de a versão YouTube de Greta Garbo? Para ele, o YouTube é isso mesmo: filmes, desde o movimento neo- Quem é este homem que chegámos um espaço de acasos onde, de vez realista italiano do pós-guerra, que a conhecer intimamente, sem o em quando, se encontram pérolas. criou Roma, Cidade Aberta, até conhecer de todo? Repare-se como Para quem pretende colocar clássicos do cinema de 1960. os olhos nunca se afastam do centro os seus vídeos na Internet, mas do ecrã, na música repetitiva, na quer ir mais além do que o simples Experiência solitária edição rítmica. O que poderia ter diário ou a gravação instantânea Verdadeira Arriflex moderna, a sido um exercício de narcisismo de um momento privado, existem VALORIZE A SUA FORMAÇÃO câmara do telemóvel criou uma pueril tornou-se uma representação sobretudo três aspectos a ter em nova forma de realismo, de entrega comovedora da saudade e da perda. conta: a criatividade, o rigor técnico E espontânea, de intimidação e de E trouxe-nos para uma realidade: e o planeamento. Pardal Simões filme não editado. No seu melhor, por mais que o YouTube crie uma explica o que quer dizer com estas OBTENHA NOVOS GRAUS ACADÉMICOS estes pedaços de vida — sem comunidade virtual, é sempre uma regras: “O que parece simples pode conceitos estruturais e, muitas experiência solitária. ser muito difícil, e colocar uma vezes, narração — transportam o câmara a filmar sobre uma mesa de espectador para lugares e situações Primeiro rir, agora pensar café tem muito que se lhe diga.” a que, de outra forma, não teria Alguns dos mais recentes clássicos A câmara ajuda, claro, mas acesso. Podem ser um inesperado do YouTube — por exemplo, o não é o essencial. “Até podemos murro no estômago. Nenhuma vídeo com a banda OK Go a fazer ter um bom vídeo feito com um Na Universidade Autónoma de Lisboa todas as reportagem da CNN e poucos coreografias hilariantes, com telemóvel. Mas provavelmente não formações anteriores ao Processo de Bolonha documentários poderão captar uma precisão impressionante conseguiremos ter um bom vídeo se completamente o terror de um — têm qualidades essenciais. São não pensamos nele antes.” podem ser creditadas para a obtenção de novas vídeo de dois minutos, colocado há pequenos, poderosos, divertidos Depois da gravação começa competências, de acordo com o Dec.-Lei n.º 74/2006, pouco em Metacafe.com, em que e, por vezes, sublimes. Apesar de uma parte crucial do trabalho, de 24 de Março. Esta creditação tem em consideração uma patrulha do Exército norte- efémeros, vídeos relacionam-se com a edição, que implica o uso de americano numa missão de rotina o próprio passado dos filmes: os software específico. Editar o som os créditos e a área escapa a um atentado bombista no OK Go e o panda bebé que espirra é uma necessidade nem sempre científica onde foram obtidos. Iraque. ficariam bem no canal infantil de considerada. É um erro: “Existe O YouTube já produziu a sua televisão Nickelodeon. a possibilidade de destruir uma quota de estrelas: desde Lonelygirl, Mas o principal potencial do imagem por causa do som.” uma adolescente que se destacou YouTube está por explorar. Onde Todas as informações disponíveis em como a criação ficcionada da actriz é que está o Henri Cartier-Bresson www.universidade-autonoma.pt Jessica Rose, até Lisa Donovan, da Web, esse pioneiro do momento Quaisquer esclarecimentos poderão ser obtidos através que conseguiu entrar no elenco da MADtv devido à sua popularidade decisivo que encontrou a poesia e a graciosidade nas ruas de Paris? ICS Imprensa do nº. 21 3177600, do n.º verde 800 291 291, ou das como Lisa Nova, no YouTube. Se o YouTube tem falta de alguma de Ciências Direcções Científico-Pedagógicas dos diferentes Departamentos: Rose e Donovan são exemplos de jovens actores para quem o YouTube coisa, é de reflexão, de um centro de gravidade, de uma poética. Sociais Departamento de Arquitectura: dep.arq@universidade-autonoma.pt é só outra maneira de atingir um fim Claro que já haverá realizadores Departamento de Ciências da Comunicação: dcc@universidade-autonoma.pt tão velho como o mundo: tornar-se a fazer exactamente isso, forçando www.ics.ul.pt/imprensa Departamento de Ciências Documentais: cienciainformacao@universidade-autonoma.pt famoso. É o equivalente virtual à a transformação de uma novidade Departamento de Ciências Económicas e Empresariais: dcee@universidade-autonoma.pt loja Schwab, ponto de encontro de numa forma de arte. As regras ainda actores de cinema em Hollywood. estão a ser feitas. O YouTube já Departamento de Ciências e Tecnologias: dct@ual.pt Mas o exemplo perfeito das estrelas anunciou que irá partilhar os lucros Departamento de Direito: direito@universidade-autonoma.pt do YouTube é Noah, um jovem com quem lá colocar os vídeos, e Departamento de História: cursohistoria@universidade-autonoma.pt que tirou um auto-retrato por dia, isso deverá espicaçar a criatividade. Departamento de Lit. Modernas, Trad. e Interpretação: llt@universidade-autonoma.pt durante seis anos, e cujo obcecante Departamento de Psicologia e Sociologia: psicologia@universidade-autonoma.pt e nostálgico vídeo se tornou um Exclusivo PÚBLICO/The Washington Departamento de Relações Internacionais: relint@universidade-autonoma.pt clássico. Post
  • 65. 14 • P2 • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 RUI GAUDÊNCIO Rui Santos vê sombras negras Ele olha a face negra do futebol Rui Santos, jornalista, comentador, fez o seu retrato do “estado da bola”. Não poupa nada nem ninguém. Não se vê como um D. Quixote e mais como “um Francisco Louçã do futebol” a denúncia daquilo que é o futebol. trabalhei muito no terreno, fui aos “Os jornais desportivos nada a ver com o futebol”. Filipe Escobar de Lima Tento dar saídas, fazer propostas, sítios mais difíceis. Isso contribui Para ele, são tudo manobras de a Olhou a face mais negra do colocar as pessoas a reflectir”. para ter a visão que tenho sobre quiseram fazer-nos ver diversão par não atingir o nervo do futebol e o retrato só podia ser “A crítica no futebol é necessária alguma boçalidade do dirigismo “Apito”: “A certa altura, os jornais pessimista. Rui Santos usou um para espicaçar. Cronistas, desportivo”. que o Apito Dourado não desportivos quiseram fazer-nos ver trocadilho para título do seu comentaristas que tenham a Ninguém sai bem tratado. Sobre tinha nada que ver com que não tinham formas de investigar primeiro livro, chamou-lhe Estádio capacidade de confrontar e o presidente do FC Porto: “Pinto da e que o Apito Dourado não tinha de Choque. Ao mesmo tempo, criticar, sem ofender, estas pessoas Costa mais os seus dirigentes–satélite o futebol. É um embuste” nada a ver com o futebol. Isto é um pede um “autêntico choque são necessárias ao futebol e à não vão permitir a mudança, nem embuste.” futebológico”. A alternativa democracia. Como o Francisco que personalidades como Filipe Outro exemplo de promiscuidade é qualquer coisa próxima da Louça na política. Estas pessoas têm Vieira se arvorem em arautos da é o caso da transferência-que- catástrofe: “Não são as infindáveis um papel utilíssimo na sociedade.” regeneração”. Sobre o presidente nunca-chegou-a-ser de Simão para o campanhas de intoxicação dos O estilo que escolheu para a do Benfica: “O vierismo é um Liverpool. “Nunca vi campanha tão dirigentes desportivos, nem mesmo escrita é afiado, como o que usa nos estado de espírito que oscila entre a vergonhosa desencadeada por certa alguns êxitos dos clubes portugueses comentários de rescaldo dos fins- depressão, a euforia e a opressão”. imprensa para ajudar a promover e das selecções nacionais que vão de-semana de futebol e que o torna Sobre Valentim Loureiro – o “chefe a venda de um jogador. A técnica mascarar o essencial – não estamos odiado por uns e adorado por quem supremo das forças futebolísticas” é sempre a mesma: dar notícia de próximos de atingir um estádio vê nele a coragem que falta a outros. e a “Floribella da bola”: “O Apito interesse nem sempre real com a preocupante de ruptura; o futebol Dourado constituiu o golpe final esperança de que os dirigentes, em Portugal está em ruptura!”. Guerrilha permanente na sua reputação. O presidente de o jogador ou o empresário Dom Quixote ou Francisco Louçã? A opção foi metralhar os agentes roupão e chinelos foi a imagem de reconheçam o favor e o troquem por Rui Santos escolhe o político para desportivos portugueses com um major cansado de tantas guerras notícias, entrevistas ou tratamento descrever o lugar em que se vê adjectivos contundentes. A mas incapaz de abandonar o campo preferencial. Por causa desses no mundo do futebol português. explicação parece mais do que de batalha”. favores de notícias falsas nunca mais Estádio de Choque (ed. Esfera dos aceitável: “Não fujamos às palavras: conseguirão o retorno”. Livros), com lançamento hoje, foi o ambiente no futebol português Jornais promíscuos O seleccionador de Portugal escrito por alguém com 46 anos e não apela ao cavalheirismo, Quem também não sai nada bem também não escapa. “Uma das que passou quase 30 como jornalista nem ao sentido cívico nem ao é a imprensa desportiva. Rui coisas que Scolari não tem o direito em A Bola, de onde saiu em ruptura, desportivismo. Pinto da Costa talvez Santos chega a escrever que certos é fazer pouco de nós. Portugal já e que hoje se diz desapaixonado seja o maior responsável pelo clima “jornalistas se entregam como existia antes de ele chegar, bem pela modalidade. Nas 240 páginas, de guerrilha. Mas a dupla Luís prostitutas aos seus proxenetas”. O como a selecção e os jogadores que não poupa ninguém – uma imagem Filipe Vieira-José Veiga deu um forte exemplo máximo é o Apito Dourado: já estavam formados. Ele está aqui que foi construindo ao longo dos contributo”. “Não é tratado pelos jornais com um objectivo único, que é o anos e que aprimorou no espaço de A narrativa cruza o passado e desportivos. O silêncio era de tal negócio. Não é mais nada. Quando comentador na SIC e na SIC-Notícias o presente, não esquece o “Apito maneira escandaloso e cúmplice que ele canta o hino nacional eu não e como cronista semanal no Correio Dourado” e salta fronteiras para a certa altura, com a nomeação da acredito em nada daquilo. Ele pode da Manhã. criticar a FIFA e UEFA como Maria José Morgado para coordenar cantar até o Tony Carreira. Mas é O que é afinal este livro? “É uma instituições não regeneradoras da o processo, os próprios jornais para inglês ver – eu gostava de o reflexão sobre o futebol. Quem me modalidade. Rui Santos diz não ter desportivos tiveram que fazer ter visto agora no Portugal-Brasil conhece, vê nele a minha imagem medo de ser frontal: “Dei sempre alguma coisa. Há ainda quem ponha cantar o nosso hino. Ser coerente: – a forma como eu penso o futebol. a cara. Não me estou a esconder as notícias do Apito Dourado numa se é tão português e se assume tão Não é para enganar ninguém, não atrás de uma câmara de televisão secção chamada Fora de Campo português então por que é que não chega a ser um grito de revolta mas ou sentado na minha secretária. Eu [Record] como se isto não tivesse cantou agora o hino?”.
  • 66. 16 • P2 • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 Obituário Manuel João Gomes Um crítico de teatro diferente Não é fácil falar dele. Falo de um amigo, do companheiro da Luiza Neto Jorge, amiga e colaboradora desde Ah Q, em 1976, falo do pai de um amigo actor, o Dinis. Luís Miguel Cintra a Chega um dia a vez em que somos nós, gente do teatro, a falar dos A última crítica críticos. Para nós, os mais velhos, e Excerto de 25.10.2000 nesta terra pequena, acabaram por ser nossos especiais companheiros na luta que ao longo de muitos anos fomos travando para que o teatro existisse na cidade. Todos, nós e eles, entrámos nesse pequeno jogo de dependências: nós à espera que pelo menos eles nos reconhecessem o esforço e o trabalho. Eles, dependentes do nosso trabalho e do nosso reconhecimento para se sentirem importantes, à espera que os amássemos ou os odiássemos. Mas neste pequeno, e no fundo A Galeria Zé dos Bois (Lisboa) tão fechado, jogo mundano, todos está a atrair uma aura mística. finalmente com vontade de que o Dificilmente se teria previsto teatro existisse. que esta casa em ruínas (...) Hoje já não é assim. Com a também viria a pedir (...) um perda de importância dos jornais lugarzinho para cultos mais ou e com os critérios comerciais menos heterodoxos (...). Depois que lhes presidem, e com a de um Esboço no Verão, (...), “profissionalização” da actividade o projecto em que estiveram teatral, quem manda que o teatro implicados Miguel Loureiro, exista ou não é o dinheiro, é a Mariana Sá Nogueira, Gonçalo publicidade. Os críticos perderam Ferreira de Almeida, Marcello espaço e importância. E, apesar Urgeghe, Pedro Tobias (e não só) das pequenas guerras e das muitas tentou “tornar o acontecimento ofensas e ressentimentos a que a sua cénico em acto de amor e actividade dava origem, eu tenho louvor “de... (Deus)”. Teatro do pena. crente. A subida ao Gólgota da O Manuel João Gomes também foi ZDB culminaria no sulfúrico crítico de teatro. Mas com ele tudo protesto de Job e do seu Livro se passou de maneira diferente. Foi inesgotavelmente acusador. O talvez de todos os críticos, o mais peixe vivo em cena, símbolo discreto, o mais modesto, o mais perfeitíssimo de Cristo e de militante. Foi na crítica de teatro Job, é uma imagem cénica uma espécie de doce guerrilheiro. impressionante, que faz do Não é fácil falar dele. Falo de um animal um involuntário, mas amigo, do companheiro da Luiza eficaz performer do espectáculo- Neto Jorge, amiga e colaboradora celebração. Qualquer coisa, desde o espectáculo Ah Q, em 1976, porém, terá falhado para que o tão fundador de tanto trabalho Esboço (I) perdesse qualidades posterior da Cornucópia, falo do no Esboço (II). Valerá a pena pai de um amigo actor, o Dinis, esperar por um outro rito que que, pela mão de seus pais, já em complete este, o qual, tal como 1985 foi um dos pequenos príncipes está, soçobra um pouco no assassinados pelo meu jovem vazio? Vale a pena esperar. Ricardo III e que, depois de, em Luiza Neto Jorge desenhou o marido no início dos anos 80 adolescente, em 1989, ter sido o anjo que aparecia ao Papa em Vida as companhias subsidiadas a princípios de 90, difíceis para o Viu mais que ninguém lado contra a incompreensão da e Morte de Bamba de Lope de Vega, apresentar anualmente um texto teatro português, acompanhou- importância pública do trabalho agora tem feito parte importante da da dramaturgia portuguesa, me nos a par e passo, saltando todos os espectáculos, teatral pelas políticas culturais. Foi nossa Companhia. Falo mais de um sugeriu o teatro esquecido de um descaradamente da bem pensante o crítico mais ousadamente parcial. quase membro da Cornucópia que autor importante do nosso século pretensa neutralidade de um crítico sem hierarquia. Mais do que estar interessado em de um crítico. Várias vezes deixou XVIII, Manuel de Figueiredo, e, para um profundo compromisso Descobriu actores e ser juiz da qualidade, trabalhava o seu ofício de incansável tradutor conhecendo como ninguém “o com o que, a seu ver, era o teatro discretamente contra o poder. discreto lá no alto de uma casa da nosso jeito”, com ele fez uma tão que importava defender. Andou encontrava talento onde Consciente do poder que tinha na rua da Misericórdia, para voltar engraçada e inteligente dramaturgia, “infiltrado” nos jornais a trabalhar menos se esperava sua posição de crítico, boicotando ao teatro onde, na Companhia de com teatro dentro do teatro, para para nós. E quando digo aqui nós, o bom senso. Campolide, tinha trabalhado, e o espectáculo Um Poeta Afinado. E não falo da minha companhia, uma alegria de estar em cena, São tempos que já lá vão. E na traduzir para nós. Sempre tão bem, para muitos outros grupos e pessoas falo de todos aqueles em quem um projecto político, um sonho última fase da sua vida ele já não sempre com tanto entusiasmo e trabalhou, sempre que gente de reconhecia uma vontade criadora, de sociedade regida por outras pôde acompanhar-nos. Gostava graça e sempre projectos especiais bem o desafiava. Nesses anos 80 e uma possibilidade de inovação, regras mais generosas que as do de saber como teria reagido à de quem conhecia mais literatura mercado. A sua actividade como recente afluência de público e à que a de toda a gente, e quase crítico rompeu as regras. Viu simultânea degenerescência de sempre projectos brincalhões, Perfil talvez mais que ninguém todos uma chama que tanto defendeu. apesar daquele seu ar sisudo: foi os espectáculos, sem nenhuma Não sei. Imagino que com alguma ele que traduziu do latim as cenas Manuel João Gomes nasceu o Prémio PEN Clube de tradução hierarquia. Viu e escreveu muito melancolia. Que aqui fique um de tantas peças de Plauto que em em Coimbra em 1948 e morreu por A Vergonha, de Salman sobre todos os projectos a que pouco lembrado como bom amigo 1979 deram origem ao espectáculo a 5 de Fevereiro de 2007, na Rushdie, foi vice-presidente mais ninguém dava importância, e como esse caso especial, um Paragens Mais Remotas que Estas mesma cidade, com uma da Associação Portuguesa os dos muito novos, os de quem crítico diferente, menos amigo de si Terras, foi ele que em 1986 traduziu broncopneumonia. Crítico de Tradutores, e fundador não tinha dinheiro, os dos próprio e mais amigo da margem, A Mulher do Campo de Wycherley, de teatro do PÚBLICO desde do Grupo de Teatro de Campolide. amadores, os de quem não tinha da indisciplina e das revoltas. e, com a Luiza, a Vida e Morte de a fundação e durante uma Casado com a poeta Luiza ainda história. Descobriu muitos Adeus, Manuel João. Bamba. E foi ele que em 1990, década, foi ainda um tradutor Neto Jorge (1939-1989) é o pai actores, encontrava talento onde quando alguém na Secretaria de reconhecido. Em 1988 recebeu do actor Dinis Gomes. menos se esperava. Mais do que Encenador, actor e director Estado da Cultura resolveu obrigar nenhum crítico, trabalhou ao nosso do Teatro da Cornucópia
  • 67. 18 • P2 • Segunda-feira 12 Fevereiro 2007 Cultura Livro DANIEL ROCHA Paul Auster Paul Auster sentou-se num escritório a olhar para a América “Que melhor maneira de unir as pessoas do que inventar um inimigo comum e iniciar uma guerra?”, pergunta o escritor no novo livro ou um escritor, ou uma personagem Tim Rutten que outra pessoa criou para um a Quando falamos de boa escrita, relatório, ou para uma ficção – ou a distinção entre cheio de arte e para as duas coisas. cheio de artifício é uma questão com algum peso. Personagens revisitadas Ao longo dos anos, é uma questão Algumas convenções pós-modernas cuja sombra se tem projectado com são observadas. Leitores para quem visibilidade sobre os que praticam o trabalho de Auster é familiar a ficção pós-moderna, com as suas reconhecerão, mesmo nesta convenções de auto-referência paisagem minimalmente povoada, inteligente e de sofisticação auto- personagens da Trilogia de Nova consciente. Testemunho de como Iorque, No País das Últimas Coisas, O Paul Auster é um bom escritor, Palácio da Lua ou Leviatã. O último embora tenha construído a sua dos que visitam Blank partilha o reputação como um dos principais nome com o detective do primeiro pós-modernistas norte-americanos, romance de Auster, Cidade de Vidro. é o facto de ter sempre parecido Mas há aqui outras coisas em mais engenhoso do que apenas acção. Enquanto Blank lê o relato esperto. do conflito entre a nação chamada Agora, aos 60 anos e com uma a “Confederação” e os “Primitivos”, dezena de romances publicados, interroga-se: “Que melhor maneira Auster parece, à primeira vista, ter de unir as pessoas do que inventar regressado às suas raízes metafísicas um inimigo comum e iniciar uma com Travels in the Scriptorium, guerra?” É possível ler toda a uma ficção que gira em torno de narrativa como uma fábula sobre o questões de identidade, objectivo, destino dos presos pela América em responsabilidade e conhecimento. lugares como Guantánamo ou a rede O protagonista, Mr. Blank, acorda secreta de prisões da CIA. num quarto espartano, parecido Também é possível lê-la como com uma cela. Uma câmara no tecto uma homenagem ao mestre original. A versão inglesa vai ser com emendas subtis, acrescentos e um microfone na parede gravam modernista em cuja sombra Auster bem mais curta do que a francesa.’ ou mudanças radicais. No processo cada um dos seus movimentos tem sempre trabalhado, Samuel E eu disse (lembrem-se de como era de transmissão, o tempo pode até para um relatório de um narrador Beckett. Auster já escreveu de resto novo): ‘Mas porque é que havia de elevar a um estatuto canónico o invisível. Na secretária que está no sobre as suas várias conversas fazer uma coisa dessas? É um livro simples erro mecânico do escriba. quarto há um manuscrito inacabado com Beckett em Paris no início da maravilhoso. Não devia ter retirado que Blank recebe instruções para ler década de 1970. Tem recordado, uma palavra.’ E ele abanou a cabeça A igreja gosta de gramática e, finalmente, para terminar. Pode em especial, uma conversa em e disse: ‘Oh, não, não, nada de Mais ainda, os primeiros manuscritos ser também um relatório ou pode que Beckett referiu terminar uma muito bom.’”“Continuámos a falar produzidos pelos scriptoria eram ser um trabalho de ficção, o relato tradução para língua inglesa de um sobre outras coisas e de repente, a compostos em scripta continua, isto de uma América imaginada e do romance – Mercier et Camier – que propósito de nada, dez ou quinze é, sem parágrafos, capitulares ou seu conflito com “primitivos” que tinha escrito anos antes em francês. minutos depois, ele debruçou- pontuação. Os autores e os copistas podem ser índios americanos... ou Auster escreveu: “Tinha lido o se sobre a mesa, aproximou-se e presumiam que existia um leitor talvez não. livro em francês e gostado muito disse-me, muito sério: ‘Você gostou capaz de, no decurso da sua leitura Vários visitantes entram e saem dele, e disse: ‘Um livro maravilhoso.’ mesmo, hem? A sério que pensou É possível ler toda a individual, fornecer esses elementos do quarto fechado de Blank e No fim de contas era apenas um que era bom?’ É bom lembrar que narrativa como uma de interpretação essenciais. fazem várias sugestões sobre a sua miúdo. Não conseguia suprimir o era o Samuel Beckett. E nem ele A pontuação surgiu, em parte, possível identidade, a sua possível meu entusiasmo. Beckett abanou tinha qualquer ideia do que valia fábula sobre o destino como uma extensão do desejo da cumplicidade em crimes ou talvez a cabeça e disse: ‘Oh, não, não, o seu trabalho. Bom ou mau, com dos presos pela igreja para que houvesse uma única os de alguma outra pessoa. Pode ser nada de muito bom. Na verdade, ou sem significado, nunca nenhum leitura ortodoxa dos textos sagrados. que seja um antigo chefe de espiões, cortei cerca de 25 por cento do escritor sabe, nem mesmo os América em lugares Em Travels in the Scriptorium, melhores.” Auster invoca a autoridade humana Há mais de vinte anos, Auster como Guantánamo de Beckett, e depois, com elegância, As primeiras linhas escreveu esta frase: “A questão é a retira-se, presumindo a inteligência própria história, e se significa ou dos seus leitores. Eles podem “O velho está sentado na beira da terra. Mesmo que soubesse não alguma coisa não compete à escolher ler este pequeno livro da cama estreita, as palmas das que estava a ser observado, história dizer.” Tendo isto em conta, elegante como uma alegoria das mãos abertas sobre os joelhos, a não faria qualquer diferença. a palavra scriptorium (escritório) actuais dificuldades do seu país, cabeça baixa, a olhar fixamente Tem o pensamento noutro lado, no título deste romance torna- como um conceito de escrita, ou para o chão. Não faz ideia de que perdido entre os fragmentos da se relevante. Em primeiro lugar, como um comentário mais amplo há uma câmara colocada no tecto sua cabeça enquanto procura porque os scriptoria dos extintos sobre a condição humana... talvez directamente por cima dele. O uma