O espaco

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O espaco

  1. 1. 1 UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO CENTRO DE EDUCAÇÃO DEPARTAMENTO DE GEOGRAFIA GRAZIANI GATTI JOAQUIM FELIX SILVA MARQUES [DIGITE UMA CITAÇÃO DO DOCUMENTO OU O RESUMO DE UMA QUESTÃO INTERESSANTE.VOCÊ PODE POSICIONAR A CAIXA DE TEXTO EM QUALQUER LUGAR DO DOCUMENTO. USE AGUIA FERRAMENTAS DE CAIXA DE TEXTO PARA ALTERAR A FORMATAÇÃO DA CAIXA DE TEXTO DA CITAÇÃO.]O ESPAÇO GEOGRÁFICO: SUA REPRESENTAÇÃO DIDÁTICA A PARTIR DOS CONCEITOS ACADÊMICOS. VITÓRIA 2010
  2. 2. 2 UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO CENTRO DE EDUCAÇÃO DEPARTAMENTO DE GEOGRAFIA GRAZIANI GATTI JOAQUIM FELIX SILVA MARQUESO ESPAÇO GEOGRÁFICO: SUA REPRESENTAÇÃO DIDÁTICA A PARTIR DOS CONCEITOS ACADÊMICOS. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao curso de Licenciatura em Geografia da Universidade Federal do Espírito Santo como requisito à obtenção do título de Licenciado em Geografia. VITÓRIA 2010
  3. 3. 3 GRAZIANI GATTI JOAQUIM FELIX SILVA MARQUES O ESPAÇO GEOGRÁFICO: SUA REPRESENTAÇÃO DIDÁTICA A PARTIR DOS CONCEITOS ACADÊMICOS.Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao curso de Licenciatura emGeografia da Universidade Federal do Espírito Santo como requisito àobtenção do título de Licenciado em Geografia. Apresentado em 24 de Junhode 2010.COMISSÃO EXAMINADORA___________________________________________Prof.ª OrientadoraSolange Lins GonçalvesUniversidade Federal do Espírito Santo_______________________________________Prof.ª M ª Stela Maris de AraújoUniversidade Federal do Espírito Santo________________________________________Prof.Dr. Paulo César ScarimUniversidade Federal do Espírito Santo__________________________________Prof. Devaldir Teixeira do Nascimento
  4. 4. 4 AGRADECIMENTOSAgradecemos aos amigos e profissionais que, direta ou indiretamente,contribuíram para realização deste trabalho. Especialmente aos alunos daescola “Denizart Santos”, que sempre se mostraram interessados na propostae empenhados nela, mesmo com suas limitações.A todos os funcionários da escola, que deram total apoio e incentivo durante oprocesso, especialmente a pedagoga Lúcia Lorencine, a coordenadora Márciada Rocha Prestholdt e a diretora Aurora de Fátima P. Barbosa.À professora orientadora Solange Lins Gonçalves pela atenção dispensada epela paciência e compreensão das nossas dificuldades, e respaldo as nossassolicitações.Aos amigos da turma 2006/2 que, com o passar dos anos, tornaram-se maisamigos e que passamos a admirar suas particularidades.
  5. 5. 5 RESUMOO presente estudo buscou utilizar os conceitos acadêmicos sobre espaçogeográfico e suas categorias, lugar, paisagem e território, enfatizando suaimportância, para levar seu entendimento conceitual e sua aplicabilidade deforma didática em sala de aula e em campo, para estudantes de sétima sériedo ensino fundamental da Escola Municipal de Ensino Fundamental “DoutorDenizart Santos”, no bairro Industrial, no município de Viana, no estado doEspírito Santo.PALAVRAS-CHAVE: Espaço Geográfico, Conceitos, Ensino de Geografia.
  6. 6. 6 LISTA DE FOTOGRAFIASFotografia 1 – Laboratório de informática. “EMEF Denizart Santos”. ...............15Fotografia 2 – Subida na parte mais alta da aula de campo. Bairro Industrial,Viana, ES...........................................................................................................36Fotografia 3 – Área com maior quantidade de residências do bairroIndustrial............................................................................................................37Fotografia 4 – Alto do morro onde poderiam ser vistas todas as categoriasespaciais conceituadas em sala. ......................................................................37Fotografia 5 – Exposição dos trabalhos na “EMEF Denizart Santos”...............39Fotografia 6 – Exposição dos trabalhos na “EMEF Denizart Santos”...............40Fotografia 7 – Foto utilizada por um aluno em seu trabalho..............................41Fotografia 8 – Foto utilizada por um aluno em seu trabalho..............................41Fotografia 9 – Foto utilizada por um aluno em seu trabalho..............................42
  7. 7. 7 LISTA DE FIGURASFigura 1 – Mapa do município de Viana............................................................13Figura 2 - Foto aérea da região de aplicação do trabalho e descrição docaminho percorrido na aula de campo. (Imagem Google Earth).......................33
  8. 8. 8 SUMÁRIO1. JUSTIFICATIVA.....................................................................................101.1 Objetivo Geral..........................................................................................121.2 Objetivos Específico................................................................................122. APRESENTAÇÃO DO PERFIL DA ESCOLA........................................133. A IMPORTÂNCIA DOS CONCEITOS.....................................................173.1 Breve Introdução Epistemológica aos Conceitos Geográficos..................184. OS ASPÉCTOS TEÓRICOS DAS CATEGORIAS ESPACIAIS E SUAAPLICAÇÃO DIDÁTICA EM SALA DE AULA.................................................214.1 Paisagem................................................................................................224.1.1 Trabalhando o conceito em sala..........................................................234.2 Território..................................................................................................254.2.1 Trabalhando o conceito em sala.........................................................264.3 Lugar.......................................................................................................274.3.1 Trabalhando o conceito em sala..........................................................295 PRATICANDO OS CONCEITOS – O CAMPO E A FOTOGRAFIA.......315.1 A Importância do campo..........................................................................315.1.1 Descrição do campo..............................................................................325.2 Por que a fotografia?................................................................................385.3 A exposição na escola...............................................................................386 ANÁLISE DAS FOTOGRAFIAS E DOS TRABALHOS.............................41
  9. 9. 97 CONSIDERAÇÕES FINAIS...........................................................................438 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..............................................................45ANEXO A...........................................................................................................46ANEXO B...........................................................................................................48
  10. 10. 101 1JUSTIFICATIVAAo iniciar a vida acadêmica deparamos com realidades muitas vezes não vistasna vida estudantil, no nível fundamental e médio. Novos modelos didáticos sãoinseridos no cotidiano como método de ensino e aprendizagem. Essa novarealidade nos apresentou à questão do debate a partir de conceitos de grandesautores da Geografia, e que através do nosso entendimento e debates em salade aula, nos levaram a formulação dos nossos próprios conceitos.Questões que pareciam fazer parte do nosso conhecimento como formasimples e definida ao modo que foi passado nos níveis de ensino abaixo aosuperior, retoma novos rumos e nos levam a questionar o conhecimento quehavíamos adquirido até então. Questões como:O que é Geografia? O que se estuda em Geografia? O que é espaçoGeográfico? Podemos dividi-lo?Então começamos a questionar em nossa graduação se realmente isso nos foipassado ao longo de nossa vida escolar e se tínhamos clareza do que issorepresentava para essa ciência e disciplina escolar, que estaríamosresponsáveis por futuramente instruir. Percebemos que, mesmo já tendoiniciado um curso superior na disciplina em questão, não tínhamos umaconvicção clara dessas mesmas questões. Então, demos início, ainda comoestudantes do curso de Geografia, à nossa vida docente. Estas inquietaçõesconduziram-nos a experimentar uma Geografia prática. Como palco dosexperimentos, escolhemos a escola na qual trabalhamos como professores deGeografia, pois, segundo Almeida e Passini (1989): “É na escola que deve ocorrer à aprendizagem espacial voltada para a compreensão das formas pelas quais a sociedade organiza seu espaço – o que só será plenamente possível com o uso de1 Correção ortográfica e normatização feita por Calimério Soave de Almeida. Profº de Lingua Portuguesaformado pela UFES.
  11. 11. 11 representações formais (ou convencionais) deste espaço”.( ALMEIDA; PASSINI, 1989, p.5)No estudo da Geografia, enquanto disciplina escolar e acadêmica, o estudo doconceito de espaço geográfico é o mais abrangente, e esse espaço sendopalco de diferentes categorias, como território, paisagem e lugar. Mas,enquanto na academia ouvimos discussões e debates calorosos sobre o tema,nas escolas geralmente se encontram dificuldades em trabalhá-lo de formainteressante e de fácil compreensão para todos.Alguns livros didáticos abordam conteúdos compartimentados, dificultando oentendimento e a atuação sobre o espaço geográfico. Portanto, cabe aoprofessor trabalhar os conteúdos conceituais despertando nos alunos um olharinvestigativo sobre o espaço geográfico.Essa compartimentação do estudo do espaço pelos livros comprometem apercepção e o conhecimento espacial do aluno, gerando, então, cidadãos quenão compreendem, a teoria tão pouco a prática, a importância deste saber.Professores acostumados ao uso exclusivo do livro didático de geografia,muitas vezes, encontram dificuldades de tornar aplicáveis os conteúdosconceituais. Alguns se tornaram repetidores do conteúdo apresentado nessesmanuais, sem gerar uma reflexão sobre os conceitos. Embora não seja oprofessor o nosso principal foco de estudo, podemos afirmar que muitos estãodesmotivados em aprimorar o saber geográfico, devido à longa jornada detrabalho, aos baixos salários, etc. O reflexo dessa situação incide direto noaluno, comprometendo o seu saber geográfico e a percepção espacial que eletem do seu espaço vivido.Os saberes geográficos adquiridos na escola só poderão tornar-se práticos seproporcionam momentos de compreensão conceitual, aplicado no cotidiano denossos alunos.Entendemos a importância de tornarmos aplicáveis os conteúdos conceituaisministrados no ensino da Geografia e proporcionarmos aos alunos
  12. 12. 12possibilidades de percepção no seu espaço vivido. Pensando assim,elaboramos um processo de intervenção, traçando os seguintes objetivos.1.1 Objetivo geralCompreender o espaço geográfico como importante foco do estudo dadisciplina de geografia, ampliar o entendimento conceitual das categoriasespaciais, possibilitando a análise a partir das percepções dos alunos, gerandouma intervenção crítica na sua organização espacial e os auxiliando para aprática que será aplicada.1.2 Objetivos específicos– Compreender o Espaço Geográfico e as principais categorias que dele seramificam: Paisagem, Lugar e Território.– Identificar no espaço cotidiano dos alunos as principais categorias do espaçogeográfico estudadas em sala de aula e aula de campo.- Observar e analisar em campo os conceitos estudados, e produzirem comoresultado um trabalho de identificação do espaço a partir de fotografia.
  13. 13. 132 APRESENTAÇÃO DO PERFIL DA ESCOLAA Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) “Doutor Denizart Santos”,na qual este Trabalho de Conclusão de Curso foi executado, está localizada noBairro Industrial, à Rua Xavier, S/N, CEP. 29130-000, no Município de Viana,localizado a 22 Km da capital Vitória, também é um dos municípios queintegram a Região Metropolitana da Grande Vitória no estado do EspíritoSanto.Geograficamente, o bairro Industrial está localizado às margens da BR 262, KM7,3 no sentido sul, entre os Bairros Marcílio de Noronha (Viana) e BairroOperário (Cariacica), tendo limites com o Rio Formate, que divide ambos osmunicípios citados.
  14. 14. 14Figura 1 – Mapa do município de Viana.Esse mapa anexado ao texto foi retirado do site oficial da prefeitura de Viana. Apartir de dados do IDAF (Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal) e IBGE(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), há informações e dadosinteressantes sobre o município, como área, população, localização no estadodo Espírito Santo, entre outras. Embora seja um mapa que não possua escala,foi o melhor encontrado para representar o município.A escola foi fundada em 1979, no governo estadual de Eurico Resende e naadministração municipal do prefeito Carlos Magno Pimentel, tendo sidoreconhecida pelo decreto-lei Nº 932/84 e inscrita no CNPJ de número01.959.874/0001 – 33.A origem do nome da escola vem da homenagem a um médico, o senhorDenizart dos Santos.Os alunos da unidade de ensino são provenientes principalmente, dos bairrosIndustrial (Viana), Marcílio de Noronha (Viana), Operário (Cariacica), e outrosbairros do município de Cariacica.O bairro Industrial, onde a escola está localizada, é um bairro carente e de umainfra-estrutura precária (somente a rua principal possui saneamento básico ealgumas ruas asfaltadas, possuem iluminação pública e água encanada). Ostipos de serviços oferecidos aos moradores são atendimento à saúde naUnidade de Saúde localizada ao lado da escola, coleta de lixo realizado umavez por semana. A EMEF “Dr. Denizart Santos utiliza apenas os serviçosoferecidos pela unidade de saúde, na prevenção de doenças e atendimentoaos alunos.A turma de alunos escolhidos para aplicação desse trabalho é formada poradolescentes com idades entre 13 e 15 anos. Os alunos se mostraraminteressados na proposta, demonstrando até um “velho” romantismo em
  15. 15. 15adquirir conhecimentos novos que surgem no dia-a-dia de suas vidas, “típicosdessa faixa etária”.Esses alunos da 7º série do ensino fundamental da “EMEF Denizart Santos” jácriaram certa independência na sua vida escolar e social, por isso a escolhadessa turma para a aplicação do trabalho, devido à fácil aceitação deles àproposta de alcançar as conclusões a partir, também, da sua liberdadeindividual de percepção do meio em que vivem o que seria de sumaimportância.Alguns alunos, mesmo não tendo acesso financeiro que possibilite a aquisiçãodas tecnologias necessárias para realização da atividade prática, não sedemonstraram preocupados ao serem informados do uso desses aparelhos,como câmeras digitais, computadores e impressoras, o que demonstra totalaceitabilidade as tendências de um mundo globalizado e informatizado no qualcresceram e do qual têm conhecimento. Fotografia 1 – Laboratório de informática. “EMEF Denizart Santos”. Fotografia: Graziani Gatti.
  16. 16. 16A “EMEF Denizart Santos” possui fazendo parte de suas dependências umlaboratório de informática, com 20 computadores e um monitor que fica adisposição para auxiliar os professores e alunos. Esse foi de suma importânciapara realização dos objetivos alçados pelo trabalho. Alguns alunos utilizaramdo laboratório para redigir à análise dos conceitos e das fotografias, que secaracterizava como resultado final desse trabalho.
  17. 17. 173 A IMPORTÂNCIA DOS CONCEITOS.Os conceitos geográficos ou categorias geográficas constituem-se comoimportante instrumento de aprendizagem para educadores na ciênciageográfica, para que eles possam compreender a realidade humana e suastransformações.As categorias estudadas a partir do espaço geográfico são território, lugar epaisagem. Elas também representam a base inicial para adquirir oconhecimento de outras categorias geográficas. É importante ressaltar que osconceitos geográficos não sejam abordados sem associação com a realidadedo aluno. Os alunos possuem idéias e conhecimentos sobre o espaço em quevivem, sobre outros lugares e a relação entre eles.Os alunos trazem consigo diversas informações e idéias sobre o meio em queestão inseridos e sobre o mundo. Eles têm também acesso ao conhecimentoproduzido pela escola e nas relações escolares, familiares e de amizade e,além disso, há as informações veiculadas por meios de comunicação sobre oespaço geográfico e suas categorias. Dessa forma, entende-se que aintrodução dos conceitos geográficos, aliados aos conhecimentos dos alunos,potencializa a possibilidade do conteúdo estudado.Os Parâmetros Curriculares Nacionais (1999) também ressaltam a importânciados conceitos e explica-os como sendo: “[...] a representação das características gerais de cada objeto pelo pensamento. Conceituar significa ação de formular uma idéia que permita, por meio de palavras, estabelecerem uma definição, uma caracterização do objeto a ser conceituado. Tal condição implica reconhecer que um objeto não é real em si, e sim uma representação desse real, construída por meio do intelecto humano”. (PCN, 1999, pag. 24)
  18. 18. 18Assim, devemos considerar ainda que uma consequência importante do ensinode conceitos é que o educador pode formular seus próprios conceitos atravésde sua realidade e isso possibilita solucionar novos problemas, com acompreensão de situações novas (pois os conceitos estão em constanteconstrução), em Geografia ou em sua realidade e suas explicações possíveis,a partir da aprendizagem de idéias gerais, que possibilitará ao educando umgrau de independência em relação ao professor e em especial usar oconhecimento como instrumento de ação na sociedade. A conseqüência detodo o processo é o adquirir do saber geográfico: “Um instrumento de açãopopular poderoso como o saber geográfico não pode mais continuar usurpado.”(MOREIRA, 1982, p.9).3.1 Breve introdução epistemológica aos conceitos geográficosA Geografia foi definida por diferentes correntes do pensamento geográfico e,durante toda a metade do século XIX e a primeira do século XX, girou em tornode suas matrizes a escola francesa e a alemã, nas quais o espaço estáimplícito.Segundo Moreira (1982), La Blache definiu a Geografia como o “estudo doslugares”; Hitter como “estudo das diferenciações de áreas”; e Cal Sauer como“estudo das paisagens”. Pierre George, antes do rompimento marxista em1956, definiu como sendo Geografia o “estudo da organização do espaço pelohomem” (MOREIRA, 1982, p.40). Cabe, então, ressaltar que as categorias(espaço, território, paisagem e lugar) de estudo sempre estiveram presentespara definir o que é Geografia.Como o nosso objetivo de estudo não é fazer uma análise das definições doespaço e nem da evolução do pensamento geográfico durante os séculos desua existência como ciência, utilizamos dos autores Milton Santos e ClaudeRaffestin os conceitos geográficos para desenvolvimento do trabalho proposto.
  19. 19. 19Como vimos, a palavra espaço é utilizada em diferentes circunstâncias eformas. Em função disso, é utilizada por diversas ciências. Astrônomos,filósofos, matemáticos, psicólogos, antropólogos, economistas, sociólogosentre outros, utilizam-se das expressões, como “espaço sideral”, “espaçotopológico”, “espaço econômico”, “espaço temporal”, “espaço social”, ediversas outras.Nossa intenção é conceituar e mostrar a importância do espaço, no qual ohomem vive e transforma. O ser humano também interage com o espaçogeográfico e integra-o. De acordo com a forma como a sociedade vai serelacionando com o espaço e modificando-o – e com o aumento damodificação –, o espaço geográfico torna-se mais extenso, podendo seranalisado em escala global, continental, regional, de uma cidade, bairro, rua,casa, ou de uma escola e seu entorno. O espaço geográfico é concebido comolugar da reprodução das relações sociais de produção, ou seja, reprodução dasociedade. É onde as trocas de relação entre espaço e sociedade constituem-se. A sociedade só se torna concreta através de seu espaço, do espaço queela produz. Por outro lado, o espaço só é entendido por meio da sociedade.Assim, não podemos falar em espaço e sociedade de forma separada.Partindo dessas breves considerações, passemos ao conceito de espaço quese constitui como “[...] um misto, um híbrido, um composto de formas econteúdo” (SANTOS, 2002, p.), assim sendo o mais abrangente e o maisabstrato. Santos, também expressa o conceito de espaço geográfico, comosendo “um sistema de objetos e um sistema de ações” que: “[...] é formado por um conjunto indissociável, solidário e também contraditório, de sistemas de objetos e de ações, não considerado isoladamente, mas como um quadro único na qual a história se dá. No começo era natureza selvagem, formada por objetos naturais que ao longo da história vão sendo substituídos por objetos fabricados, objetos técnicos, mecanizados e, depois cibernéticos fazendo com que a natureza artificial tenda a funcionar com uma máquina”. (SANTOS, 2002, p. 63)Assim, podemos observar que na concepção de espaço geográfico estácontida a expressão das diferentes categorias: território, paisagem e lugar. Os
  20. 20. 20conceitos acadêmicos de espaço geográfico e as categorias trabalhadasremetem a importância desses serem abordados e entendidos de uma maneiradidática, pois esses são algumas vezes aplicados e estudados de formacomplicada, fora do cotidiano dos alunos.Os conceitos acadêmicos e os respectivos autores Milton Santos (espaço,paisagem e lugar) e Jean Claude Raffestin (território) foram escolhidos paraserem trabalhados, pois esses propõem uma conceituação proveitosa, tantopara a proposta do trabalho, quanto para a aprendizagem do aluno. Outrosautores e conceitos poderiam ser abordados, mas para o trabalho acreditamosque esses, melhor representam e auxiliam na proposta de formação deconceitos a partir do espaço vivido. A abordagem de vários conceitos deespaço geográfico, e das diferentes categorias estudadas poderia constituirtambém, como um problema no processo de ensino – aprendizagem, pois osalunos poderiam ter maior dificuldade na formulação dos conceitos e suasdefinições, durante o processo de aplicação da proposta do trabalho.
  21. 21. 214 OS ASPECTOS TEÓRICOS DAS CATEGORIAS ESPACIAIS ESUA APLICAÇÃO DIDÁTICA EM SALA DE AULA.O livro adotado pela escola e utilizado pela turma da 7ª série do ensinofundamental como recurso didático, é o livro da editora Moderna, ProjetoAraribá, esse não aborda o tema de forma satisfatória para ser utilizado naaplicação do projeto. Dessa forma, um material complementar mostrando osconceitos que iríamos trabalhar e descrição das etapas de aplicação do projetofoi elaborado para que unido ao conhecimento do aluno, nos auxiliaria naexecução do mesmo. (ANEXO A)Após os alunos lerem o material complementar produzido pelos aplicadorescomeçamos a questioná-los sobre seu conhecimento a respeito do temaespaço geográfico, em nossa primeira aula expositiva. Ouviram-se muitasrespostas como:– “É o nosso planeta!”– “É onde nos moramos e vivemos!”– “O meio-ambiente, a natureza!”Dificilmente ouviríamos respostas como estas abaixo, pois esse seria nossoobjetivo, o de despertar a compreensão mais aprofundada sobre o assunto:O espaço geográfico é o palco das realizações humanas, no entanto, abrigatodas as partes do planeta passíveis de serem analisadas, catalogadas eclassificadas pelas inúmeras especialidades da ciência geográfica.(http://www.mundoeducacao.com.br/geografia/espaco-geografico.htm)O espaço geográfico é aquele que foi modificado pelo homem ao longo dahistória. Que contém um passado histórico e foi transformado pela organizaçãosocial, técnica e econômica daqueles que habitaram ou habitam os diferenteslugares (“o espaço geográfico é o palco das realizações humanas”).(http://www.infoescola.com/geografia/espaco-geografico/)
  22. 22. 22Na primeira parte da aplicação de nosso projeto, ministramos uma aulaexpositiva e dialogada, e uma sondagem com a turma para aceitação ou nãoda nossa proposta e aplicabilidade do trabalho. Conceituamos apenas oespaço geográfico, que seria o foco principal do estudo desse projeto. Pediu-separa que, ao final da aula, cada aluno escrevesse sobre o que teria entendidonessa primeira aula e o que sabia do tema.Os alunos foram informados sobre o cronograma das aulas que seriamministradas e sempre, ao final de cada aula, eles deveriam escrever um poucosobre o entendimento adquirido a partir das explicações expositivas dialogadasde cada categoria. No cronograma foi incluída uma aula de campo e a entregados trabalhos finais (sete dias após aula de campo). (ANEXO B).Esclarecemos as dúvidas em relação ao material necessário para o trabalhoprático. Como já esperávamos, nem todos tinham câmera digital ou celularescom essa função, computador e impressora colorida, que se faziamnecessários à execução do trabalho prático. Combinados com os alunos quecolocaríamos estes materiais a disposição para ajudar quem solicitasse, assimcomo a escola também colaboraria com o que fosse possível.4.1 PaisagemO conceito mais simples de paisagem, como sendo um espaço alcançado pelavisão, bastante usual no senso comum, não dá conta da complexidade que otermo abrange. Mesmo sendo a visão o principal sentido com o qual seobserva o real, outros sentidos também compreendem o processo deidentificação da paisagem, com a audição, o tato, o olfato. Santos definepaisagem, como: “Tudo aquilo que nós vemos, o que a visão alcança, é a paisagem. Esta pode ser definida como o domínio visível, aquilo que a vista abarca. Não é formada apenas de volumes, mas também de cores, movimentos, odores e sons etc”. (SANTOS, 1988, p. 61)
  23. 23. 23A paisagem como realidade pode ser representada visivelmente, para alguns,por uma fotografia. Como um momento temporal da dinâmica espacial, elaretrata um determinado espaço em um determinado momento.A paisagem modifica-se de acordo com a nossa mudança de localização, ou donosso ângulo de visão e sua escala pode aumentar ou diminuir. Santos abordaque, além da localização e do ângulo de visão, outro fator de grandeimportância para análise da paisagem é a percepção, como “A dimensão dapaisagem é a dimensão da percepção, o que chega aos sentidos”. E continua: “A percepção é sempre um processo seletivo de apreensão. Se a realidade é apenas uma, cada pessoa a vê de forma diferenciada: dessa forma, a visão pelo homem das coisas materiais é sempre deformada. Nossa tarefa é de ultrapassar a paisagem com aspecto, para chegar ao seu significado”. (SANTOS, 1988, p .62)A paisagem também pode ser formada através do acúmulo de eventos ou deeventos passados, uma vez que a sociedade é fator transformador dela,através de atividades produtivas. A paisagem resulta da vida e das relaçõesdas pessoas, das forças produtivas, adicionado da transformação da natureza,podendo ser essa de forma lenta ou rápida.O homem tem cada vez mais humanizado a paisagem, modificando a natureza,ou seja, criando a paisagem artificial. Santos (1988), também faz a distinçãoentre paisagem natural e artificial,como sendo: “A paisagem artificial é a paisagem transformada pelo homem, enquanto grosseiramente podemos dizer que a paisagem natural é aquela ainda não mudada pelo esforço humano. Se no passado havia a paisagem natural, hoje essa modalidade de paisagem praticamente não existe mais”. (SANTOS, 1988, p. 62)4.1.1 Trabalhando o conceito em salaApós o entendimento preliminar dos alunos sobre a proposta de trabalho naprimeira aula conceitual, e a satisfação ao diagnosticar a possibilidade deavançar para a próxima etapa, iniciamos a parte conceitual sobre as categorias
  24. 24. 24espaciais a serem estudadas, que serão os temas para o trabalho prático.Paisagem foi à primeira categoria a ser conceituada.Na aula sobre paisagem, começamos utilizando o conhecimento espacial quejá era familiar para os alunos. Questionando sobre seu trajeto casa – escola eescola – casa. Nesses caminhos que percorremos diariamente, sempre somoslevados a observar objetos do espaço que nos chamam a atenção, ou por sertão familiar a nossa visão nem os notamos mais, então muitos detalhespassam despercebidos.Motivamos os alunos, propondo situações como: i Aquela casa pela qual você passa em frente todo dia está igual à ontem, ou modificaram sua estrutura, ou pintaram sua fachada, e você nem percebeu? ii Aquela árvore de tantos anos, que é tão familiar no seu caminho, se for cortada, você perceberá e sentirá um vazio na observação visual que pratica diariamente no seu caminho?Questões como estas foram expostas aos alunos para chegarem à conclusãode que paisagem seria tudo que os olhos vêem nesse caminho, já queestaríamos trabalhando a questão do seu espaço vivido. Todos os objetos alicontidos faziam parte dessa categoria, sejam eles naturais ou artificiais,bastava somente a sua percepção.Paisagem, para muitos alunos, era apenas o que se contemplava de formaagradável aos olhos e o que apreciamos pela visão e sentidos. Mas, não só debeleza ou de natureza se faz uma paisagem. Vimos que nela estão inseridoselementos naturais como a árvore, que foi usada como exemplo, e tambémelementos construídos pelo homem, como as casas. Então, fez-se necessárioum entendimento da paisagem como um todo, ou seja, tudo que nósobservamos: morros, vegetações, prédios grandes e pequenos, pontes – tudoisso se faz presente nesta categoria. Todavia, temos que a dividir em duas: as
  25. 25. 25naturais e as artificiais. Dessa forma, pediu-se para que cada estudante fizesseseu trabalho sobre paisagem, evidenciando qual paisagem ele pretendiarepresentar em sua foto e em seu texto, bem como a sua importância e como areconheceu a partir de seu olhar, ou seja, de sua percepção.4.2 TerritórioO conceito de território refere-se a uma área delimitada sob a posse de umanimal, de uma pessoa ou mais, de uma organização ou de uma instituição.Sendo o termo tão abrangente, ele acaba por ser usado em diversas ciências:nas ciências políticas e sociais (refere-se ao estado nação, por exemplo), nabiologia (área de vivência de uma espécie animal) e na sociologia, psicologia,para explicar as ações de animais ou indivíduos para defesa de um espaço(por exemplo). Há vários outros sentidos para a palavra território, mas todas asciências compartilham da idéia da apropriação-dominação de uma parcelageográfica por um indivíduo ou mais, onde esses exercem seu poder.Na Geografia, temos na obra Por uma Geografia do Poder, de Raffestin (1980)uma importante referência para construção do conceito de território, sendo: “O território é um espaço onde se projetou um trabalho, seja energia ou informação, e que, por conseqüência , revela relações marcadas pelo poder. [...], o território é a prisão que o homem constrói para si”. (RAFFESTIN, 1980, p.144)Tomando esse conceito como referência, identificamos que toda a relação depoder exercida por um ou mais indivíduos em determinado espaço, produz oterritório. A intensidade e a forma de se exercer poder nas diferentesdimensões do espaço originam diferentes tipos de território. O espaço constitui-se como condição para a existência da matéria e, quando ela é modificada pelohomem, o espaço torna- se território, a partir da ação humana.
  26. 26. 26Assim, um termo que não podemos deixar de abordar quando nos referimos aterritório, é a totalidade das relações existentes neste, ou seja, a noção deterritorialidade. Segundo Raffestin: “[...] a territorialidade assume valor bem particular, pois reflete o multidimensionamento do “vivido” territorial pelos membros de uma coletividade, pela sociedade geral. Os homens vivem ao mesmo tempo o processo territorial por intermédio de um sistema de relações existenciais e/ou produtivas.” (RAFFESTIN, 1980, pg.158).Portanto, os indivíduos que vivem e produzem o espaço acabamdesenvolvendo uma identidade com esse território. O território é concreto, masao mesmo tempo flexível, dinâmico e contraditório, por isso ele gera tantadiscussão em torno do seu conceito e de suas ramificações: ele é repleto depossibilidades, que acontecem quando colocadas em prática no próprioterritório. O território é a produção do ser humano a partir dos recursos naturaisou artificiais. O mais importante dos recursos para a formação de território é oespaço, ao mesmo tempo, em que o território utiliza-se do espaço ele tambémo reestrutura.4.2.1 Trabalhando o conceito em sala.Tendo em vista a complexidade dos conceitos acadêmicos por nós utilizados ea certeza de dificuldades no entendimento desses, por parte dos estudantes,fomos levados a trabalhar tais conceituações e passá-los de forma maiscompreensível, possibilitando aos estudantes uma melhor assimilação deacordo com sua capacidade cognitiva, utilizando novamente exemplificações eseguindo a percepção de cada aluno.Como exemplificação de território, começamos com uma escala menor, queenvolvia primeiramente a sala de aula e as relações de poder exercidas entre oprofessor e os alunos. A sala, em pequena escala, compunha um espaço noqual essa relação de poder (manifestada nessa porção do espaço), estápresente, tendo como autoridade máxima o professor. Assim, iniciamos a aula
  27. 27. 27mostrando que aquele espaço pequeno tratava-se de território, de acordo comnossos referenciais.Passando para uma escala um pouco maior, exemplificamos o territórioescolar, ou seja, toda escola e as relações de poder exercidas dentro damesma. A escola constitui uma rede de comandos bastante hierarquizados. Deforma simples para compreensão, o caso da direção que constitui o podermáximo, chegando novamente aos alunos, que constituem o cargo decomandados nessa hierarquia.Então, aos poucos fomos dando imaginação e abstração prévia dessacategoria, até chegarmos aos limites municipais, estaduais e nacionais. Nocaso, houve fácil compreensão a partir desses exemplos, bastantes comuns nadisciplina de Geografia. Também destacamos um bom exemplo: os limitespróximos a escola, já que o bairro ao qual ela está inserida (Bairro Industrial,em Viana) faz divisa com um bairro de outro município (Bairro Operário, emCariacica), para que, indiretamente, esse espaço vivido fosse observado poreles na aula de campo, como exemplo de território.Alcançamos a conclusão dessa categoria, como local onde as fronteirasservem para que as relações de poder sejam estabelecidas. As fronteiras doBrasil e de outros países e as relações de poder exercidas dentro delas foramusadas como exemplo, não sendo de grande dificuldade para o entendimentodos alunos. Por isso, consideramos satisfatória – e de ótima compreensão – aconceituação didática de território, a partir dos conceitos acadêmicos.4.3 LugarO lugar atualmente na geografia é um conceito fundamental paraaprendizagem dos educandos e da própria disciplina, e deve ser analisado deforma abrangente.
  28. 28. 28Ao conceituar o lugar, ainda segundo Santos, remete-nos a mais uma análisegeográfica, a de existência, “pois se refere a um tratamento geográfico domundo vivido” (SANTOS, 2002). Assim, Santos, tenta nos alertar acompreender o lugar através de nossas necessidades existenciais quais elassejam, localização, posição, mobilidade, escala, interação-integração com oobjeto e/ou com as pessoas. Essa perspectiva leva-nos a pensar nossaexistência material corpórea e, a partir dela, o nosso estar no mundo, no caso,a partir do lugar, como espaço de existência e coexistência.Estudando o lugar na perspectiva de mundo vivido, fazem com que nóssejamos remetidos as outras dimensões do espaço geográfico, conforme serefere Santos, (2002), quais sejam os objetos, as ações, a técnica e o tempo.Panoramicamente Santos refere-se ao lugar, citando: “No lugar, no nosso próximo, se superpõe, dialeticamente, ao eixo das sucessões, que transmite os tempos externo das escalas superiores e o eixo dos tempos internos, que é eixo das coexistências, onde tudo se funde, enlaçando definitivamente, as noções de realidades de espaço e tempo”. (SANTOS, 2002, p.322)Com a citação de Santos, podemos deduzir que o lugar é representação dadinâmica entre o espaço e o tempo do mundo atual, onde a vida se constitui, eas relações produtivas e afetivas humanas acontecem.Santos, continua citando: “No lugar – um cotidiano compartilhado entre as mais diversas pessoas, firmas e instituições – cooperação e conflito são base da vida comum. Porque cada um exerce ação própria, a vida social se individualiza [...]. O lugar é o quadro de uma referência pragmática ao mundo, do qual lhe vêm solicitações e ordens precisas de ações condicionadas, mas também o teatro insubstituível das paixões humanas, responsáveis, através da ação comunicativa, pelas mais diversas manifestações da espontaneidade e da criatividade.” (SANTOS, 2002, p.322)
  29. 29. 29Trata-se de uma citação que nos remete a reflexão da nossa relação commundo. Para Santos (2002), esta relação era local-local, mas agora é umarelação local-global, ou seja, ela está relacionada aos diversos envolvimentoscom o mundo. A partir dessa citação, podemos desenvolver a visão de mundovivido local-global e, justificar a importância do conceito de lugar no contextoatual da geografia escolar.4.3.1 Trabalhando os conceitos em sala.Inicialmente, antes de inserirmos o conceito de lugar foi perguntado aos alunoso que estes entendiam por lugar. Contendo o alvoroço inicial para que estesrespondessem a questão, surgiram as primeiras respostas.– “Lugar é minha casa.”– “Lugar é para onde eu saio.”– “Lugar é minha cama.”Houve outras respostas que envolviam os lugares preferidos que os alunosgostam de sair para diversão , passear ou namorar. E foram citados até mesmolugares para pensar e descansar ou ficar quando estão tristes (geralmenteseus quartos em suas casas).Percebemos que o lugar é um espaço relacional, pois nele se desenvolvem asrelações afetivas, familiares e de amizade entre os homens. Após ouvir todasas observações, as respostas e os debates, percebemos que, mesmo semsaber, os alunos não estão tão muito distantes do conceito de lugar, propostopor Milton Santos.Após análise do conceito, juntamente com exemplos que envolviam aslocalidades próximas a escola num processo conjunto (entre educador eeducando), foi perguntado novamente o que os alunos entediam por lugar.Foram obtidas respostas mais satisfatórias, como:
  30. 30. 30– “A escola é um lugar dentro do espaço.”– “No nosso bairro, a lugares parecidos com outros no mundo”.– “Um lugar muda de forma com o tempo.”– “O espaço então é formado de vários lugares”.Assim, a propostas de estudar o lugar numa perspectiva de mundo vivido,possibilita um melhor entendimento e orientação do aluno sobre o conceito delugar. O conceito de lugar que no início parecia ser o mais confuso para algunsalunos, a partir da aula teórica junto aos exemplos concretos utilizados durantea aula, mostrou-se mais uma categoria em que eles conseguiram alcançar oentendimento, também, a partir do conhecimento do seu espaço vivido.
  31. 31. 315 PRATICANDO OS CONCEITOS – O CAMPO E AFOTOGRAFIA.5.1 A importância do campo.A aula de campo aparece como um recurso importante para se compreenderde forma mais ampla a relação existente entre o espaço vivido e os conteúdosestudados em sala de aula, fazendo com que os alunos possam ter um melhoraproveitamento. A percepção e o contato com a realidade dará ao aluno umanova dimensão dos assuntos tratados nas aulas. A visão de mundo do aluno éunificada ao processo de aprendizagem, que está associado a uma leituracrítica da realidade e ao estabelecimento da relação entre a teoria e prática.O estudo do espaço geográfico e suas categorias (paisagem, território e lugar)implicam não só estudo teórico, mas também a necessidade de observar,identificar, reconhecer, localizar, perceber, compreender e analisar este espaçoe categorias, por meio do trabalho de campo. Como recurso didático, a aula decampo é de suma importância, porque oferece recursos que devem ser levadosem conta no processo ensino-aprendizagem como uma das técnicaspedagógicas mais acessíveis e eficazes ao professor.Os conceitos acadêmicos conjugados com a prática de campo constituem-secomo instrumento importante em todas as disciplinas, podendo despertar ointeresse dos alunos e propiciar resultados significativos, se o recurso forutilizado de forma correta. Esse recurso mostrou-se proveitoso a aplicação daidéia de aproveitar o conhecimento que o aluno possuía do seu espaço vivido.Assim, não há motivos para não utilizarmos da aula de campo para aaprendizagem dos conceitos teóricos de espaço geográfico e suas categorias.O aluno só terá maior entendimento e formulará melhor seus conceitos, atravésdo espaço vivido, se este observar na prática de campo o que foi estudado emsala de aula. Tomita (1999) também escreve sobre o trabalho de campo comoinstrumento de ensino em Geografia, e como método de leitura do espaço:
  32. 32. 32 “Dentre várias técnicas utilizadas no ensino de Geografia, considera-se trabalho de campo, uma atividade de grande importância para a compreensão e leitura do espaço, possibilitando o estreitamento da relação entre a teoria e a prática”. (Tomita,1999,p.13)Para eficácia da aula de campo devemos sistematizá-la, criando um métodoque orientará o objetivo do estudo. O professor deve primeiramente, orientar osalunos da prática e abordar os assuntos em sala de aula que serãocorrelacionados ao campo para possibilitar melhor entendimento, ou seja, umplanejamento do campo, com roteiro, com horário de saída e chegada,cuidados e outras orientações cabíveis. O segundo momento é a própria aulade campo, onde os alunos farão os registros fotográficos e escritos sobre osobjetos de estudo (espaço geográfico e demais categorias estudadas). Deforma direta no campo, deve-se observar, localizar, registrar, delimitar,correlacionar e explicar os conteúdos estudados. A última tarefa doprocedimento é o trabalho pós-campo, os registros serão organizados para aprodução do trabalho final que os alunos farão, e que serão expostos na escolacom as conclusões obtidas, para socialização, proporcionando, assim oalcance do objetivo pretendido pelo trabalho.5.1.1 Descrição do campo.Terminada a apresentação conceitual ministrada nas aulas expositivas,iniciamos a última etapa do trabalho, a aula de campo. Como observamos nafigura abaixo, ficamos nos limites do próprio bairro onde se situa a escola:
  33. 33. 33Figura 2 – Foto aérea da região de aplicação do trabalho e descrição do caminho percorrido naaula de campo. (Imagem Google Earth – Acesso EM 23/05/2010)Nesse método de ensino existem algumas orientações que devem ser dadaspreviamente aos alunos e a direção da escola, bem como esta seráresponsável por qualquer acontecimento “desastroso” que possa ocorrer aosalunos fora dos limites da escola.Embora a turma escolhida para a realização do trabalho seja formada poralunos que demonstram comprometimento e responsabilidade para situaçõescomo essa, pedimos previamente a permissão da direção da escola para aaplicação da aula. A direção deu suporte e confiança para a realização dotrabalho, pois a diretoria tomaria as atitudes cabíveis aos alunos que tivessemcomportamentos errados ao propósito da aula, o que não ocorreu.
  34. 34. 34Saímos da escola após o recreio, que se encerra no horário de 15:50 eficaríamos o período das duas últimas aulas nessa prática, esse período seencerra as 17:30, mas chegamos a escola às 17:15 para recomposição dosalunos que queriam lavar os pés, beber água e pegar seus materiais queficaram na escola.Instruímos os alunos, há levarem água ou beberem uma quantidade satisfatóriadurante o recreio, e que se alimentassem o suficiente para não termosproblemas em relação á isso, já que o percurso estava nas proximidades e nãoera uma distância exagerada a ser percorrida. E todos não deveriam tomar adianteira em relação aos aplicadores, durante o percurso de campo, pois nósque éramos os guias do percurso. Mas nas paradas e em locais de inexistênciade tráfego de automóveis, e outros fatores que poderiam trazer insegurançaaos alunos, eles tiveram mais liberdade para ficarem livres nas observações.Muitos se mostraram bastante entusiasmados com o percurso e comportavam-se como guias ao nosso lado, outros sequer conheciam o caminho e não semostraram tão empolgados como os outros. De certa forma, no entanto, todosestavam gostando da mudança de local de aprendizagem.Todos estavam em constante ajuda aos colegas que não possuíam osaparelhos para registro das imagens (câmera fotográfica), embora fosseminoria e já tínhamos combinados sobre esse auxílio.Tivemos a presença de um aluno especial que faz parte da turma e nosacompanhou sem criar nenhum tipo de preocupação. Não houve dispersão daturma que eram sempre guiados pelos aplicadores e instruídos a estaremsempre próximos uns aos outros.Fizemos o percurso, estabelecendo breves paradas para observação. Osalunos tiveram liberdade para registrarem o que haviam aprendidoconceitualmente nas aulas expositivas dialogadas. Nos momentos de
  35. 35. 35observação e registros, foram realizadas retomadas sobre os assuntosestudados em sala, reforçando os conceitos trabalhados.O ponto mais importante para observação de paisagens, tanto naturais, quantoartificiais, foi o alto de um morro, onde existe uma espécie de pasto na própriarua da escola, mas já afastado da área residencial. Para acesso a esse morro,passamos por uma trilha, bem próxima a uma lagoa com muita vegetação emseu entorno. Essa parte foi de bastante emoção para muitos alunos, quetiveram que auxiliar uns aos outros nessa travessia. Sempre com muita alegria,fotografavam uns aos outros e o que estavam observando neste momento,sendo orientado a fotografar tudo o que lhe chamasse a atenção.Fizemos uma breve parada no alto desse morro, em que várias formas derelevo poderiam ser vistas, assim como as vegetações naturais, e tambémvários bairros de Viana e Cariacica. Portanto, nessa parada, os alunos tiverammaior liberdade e mais tempo, pois todas as categorias estudadas poderiamser observadas a partir daquele ponto.Os alunos puderam compreender na prática, os conceitos aplicados em sala deaula. Ocorreu a observação da paisagem, ponto fixo no qual a vida nãoparticipa; lugar, porque dali observa-se seus bairros, suas residências e lugaresque estes freqüentavam. O território, também, pode ser notado, pois estamosdiante de dois municípios (Viana-Cariacica), bem como os limites entre eles.Então, este ponto alto localizado no bairro de Viana foi de suma importânciapara aula e para o alcance dos objetivos das propostas do trabalho.Saindo dessa parte mais isolada do bairro e atravessando uma cerca de aramenão prevista na rota, entramos na parte residencial e alta do bairro. Ali osalunos já se sentiam mais familiarizados com o percurso, apontavam lugaresfrequentados por eles e residências conhecidas, o que seria uma ótimaoportunidade para relembrarmos o conceito de lugar, sobre o qual, até omomento, não se tinham ouvidos muitos comentários.
  36. 36. 36Foram realizadas algumas sondagens pelos lugares que passávamos, porexemplo, o campinho de futebol pelo qual passamos perto. Fomos levados aperguntar quem frequentava aquela parte do bairro, para saber se alguémpossuía relações afetivas com aquela parte do bairro (poderia ser utilizado poralgum aluno como exemplo de lugar).Descendo para a parte baixa do bairro e indo ao último ponto de parada queseria a ponte que separa o bairro Industrial, em Viana (onde a aula estavasendo realizada), do bairro Operário, município de Cariacica. Essa ponte ficasobre o Rio Formate divisor desses municípios (poderia ser utilizado por algumaluno como exemplo de território).Estaríamos ali terminando nosso percurso e passando por todas as categoriasestudadas em sala, no próprio bairro da escola e no espaço vivido pelosalunos. Fotografia 2 – Subida da parte mais alta na aula de campo. Parada onde todas as categorias espaciais poderiam ser vistas. Bairro Industrial, Viana, ES. Foto: Graziani Gatti.
  37. 37. 37Fotografia: 3 – Área com maior quantidade de residências do bairro Industrial. Boasopções para fotografar a categoria Lugar. Foto: Graziani Gatti.Fotografia 4 – Alto do morro onde poderiam ser vistas todas as categorias espaciaisconceituadas em sala. Fotografia: Graziani Gatti.
  38. 38. 385.2 Por que a fotografia?Representar o espaço geográfico como algo concreto após o conhecimentoteórico do assunto, poderia se expressar em diversas linguagens, masescolhemos a fotografia. São inúmeras as possibilidades de representaçãodesse espaço pelos estudantes, de forma bastante didática e lúdica. Noentanto, a representação a partir da fotografia favorece ao entendimentoespacial de cada aluno articulado com sua realidade. Embora também hajauma carga subjetiva, por expressar o ponto de vista de cada um, a fotografiamostra-se o método que mais se aproxima do real. Eustáquio e Moreira (2002)apóiam o uso da fotografia como forma de demonstrar o espaço, partindo doolhar do observador, e de bem representá-lo: “A fotografia, [...] é uma reprodução mais fiel da realidade. Já um desenho, uma caricatura, uma pintura, por ser uma recriação livre, geralmente se distanciam mais do objetivo concreto, palpável, e mostram a realidade como seu criador a sente, vê ou imagina”. (Eustáquio e Moreira, 2002, p.20)Esse método foi utilizado como forma livre de interpretação espacial, pelosalunos, em que todos teriam a liberdade de utilizar o recurso para a obtençãodaquilo que sua percepção julgava estar certo, a partir do seu entendimentoconceitual, e que veríamos o resultado após a conclusão do seu trabalho.5.3 A Exposição na Escola.Para que enriquecesse a didática do nosso projeto, fizemos uma exposição dostrabalhos dentro da escola, para que todos tivessem acesso aos resultados.Essa etapa foi de grande satisfação para nós aplicadores, pois foi recebidacom grande entusiasmo por parte de todos.A direção pediu para levarmos os demais alunos da escola para que fosseexplicado a todos o sentido daquela exposição. Alguns alunos que fizeramparte do projeto, auxiliando nesse processo como monitores, cumprindo mais
  39. 39. 39uma etapa, que nem estava nos planos, mas foi de enorme prazer para nósaplicadores.Como podemos observar nas fotografias da exposição abaixo, demos o titulode “Percepções do Espaço Geográfico”, para que todos tivessem uma leituramais didática da exposição dos trabalhos. Os trabalhos foram expostos nocorredor da escola, com materiais simples como o titulo feito em um cartaz, eas fotografias afixadas em um varal de barbante, com pregadores de roupa.Essa foi à forma mais acessível e didática para visualização dos resultados doprojeto, de todos da escola, devido às características físicas do prédio escolare os materiais disponíveis no momento.Fotografia 5 – Exposição dos trabalhos na EMEF Denizart Santos. Fotografia: Graziani Gatti.
  40. 40. 40 Fotografia 6 – Exposição dos trabalhos na EMEF Denizart Santos. Fotografia: Graziani Gatti.5.4 Análise das Fotografias e dos Trabalhos. .
  41. 41. 416 ANÁLISE DAS FOTOGRAFIAS E DOS TRABALHOS.Após entrega dos trabalhos feitos pelos alunos depois da aula de campo,conforme partes integrantes da nossa proposta foram analisados trêstrabalhos, com fotografias e categorias espaciais diferentes:LUGAR “O lugar faz parte do espaço geográfico, na aula que nós tivemos no bairro, reconheci este campinho como lugar, onde eu jogo bola e brinco com meus amigos quase todos os dias. Então é muito importante para mim.” (Aluno A)FOTOGRAFIA 7 – ALUNO.TERRITÓRIO “A foto dessa ponte representa a divisão entre dois municípios, todos os dias atravesso essa ponte para ir à escola, por que moro em Cariacica e estudo em Viana. E nesses dois territórios, também tem poderes de comando diferente, pois são prefeitos diferentes para cada município.” (Aluno B)FOTOGRAFIA 8 – ALUNO.
  42. 42. 42PAISAGEM “Nessa foto de paisagem consigo ver vários elementos diferentes, paisagem natural como morros e artificiais como construção que nos vemos também. A importância dessa paisagem pra mim é que da pra ver todo meu bairro, as casas, vegetação e montanhas.” (Aluno C)FOTOGRAFIA 9 – ALUNOCom a utilização de fotos, produzidas pelos alunos em seu espaço vivido eaplicação dos conceitos científicos (material cientifico pedagógico), levando emconsideração o conhecimento prévio dos alunos como método de ensino-aprendizagem, obtivemos resultados positivos. Os alunos, em seus textos dotrabalho final, expuseram os conceitos que foram elaborados por eles.Os alunos sentiram-se integrantes do processo de formação do espaço e desuas categorias e compreenderam que podem intervir em sua organização.O método acadêmico proposto busca construir os conceitos científicos deespaço e de suas categorias (lugar, território e paisagem), no pensamentoestudantil, partindo da realidade em que os alunos estão inseridos,aprimorando e transformando esse conhecimento autoconstruído.Percebeu-se que os alunos tornaram-se capazes de construir textos e finalizaro trabalho a partir das imagens, associando-as e relacionando-as com osconceitos geográficos acadêmicos e aqueles presentes em seu cotidiano.Avaliando as amostras selecionadas foi possível apurar que os alunosreconheceram, por meio da análise do espaço onde eles vivem e frequentam,um conjunto de habilidades. Entre elas o desenvolvimento da percepçãogeográfica, que notamos ao avaliar as amostras selecionadas.
  43. 43. 437 CONSIDERAÇÕES FINAISApós a realização desse trabalho, podemos observar que a adesão doconhecimento científico e do cotidiano, somado à análise de fotos, é uma fontemuito rica para construção de conhecimentos que devem ser levados em contano processo de ensino-aprendizagem de conceitos geográficos.Esse modelo de ensino (conceituado para uma prática livre) propicia aformação de conhecimentos pelo aluno e prova que a Geografia integra nocotidiano, pois, a partir de tudo que fazemos, transformamos, lembramos,identificamos e relacionamos socialmente e espacialmente, construímos nossavisão de mundo, contribuindo para o desenvolvimento da nossa percepção doespaço.A escolha por realizar esse trabalho com os alunos de 7 ª série da EMEFDenizart Santos baseou-se na nossa própria dificuldade em conceituar oespaço e suas categorias em pleno estudo acadêmico e do desejo que osalunos em questão não viessem a passar pelas mesmas dificuldades.Consideramos que este trabalho colaborou para a construção do conhecimentodos alunos, conjuntamente com sua realidade de mundo que lhe é apresentadae vivenciada, que é de suma importância para o processo de ensino-aprendizagem, interligando os conhecimentos adquiridos ao longo de sua vidacom os conhecimentos científicos apresentados. Essa crença advém pelametodologia aplicada, que consiste em aula expositiva dialogada, aula decampo e pela análise dos textos construídos pelos alunos, pautada emconceitos científicos geográficos, espaço vivido e fotografia, favoreceu ainterligação entre a percepção geográfica do espaço, conceitos eaprendizagem da disciplina Geografia.Todos esses fatores levam-nos a acreditar que é possível a valorização doconhecimento construído em conjunto como possibilidade de umaaprendizagem significativa. E, dessa forma, dar direcionamento ao processo
  44. 44. 44ensino-aprendizagem que realmente contribua e seja válido para o professor eprincipalmente para o aluno.Consideramos que a aplicabilidade desse trabalho, apesar das dificuldadesencontradas durante a jornada, ser acessível a todos os professores quebuscam a aplicação de uma Geografia relacionada ao debate e a liberdade deformulação individual e coletiva de idéias que nossa disciplina proporciona.Também para aqueles que buscam aproveitar o conhecimento espacial docotidiano, que todos nós possuímos e desenvolvemos ao longo de nossasvidas, através dos contatos sociais, culturais e profissionais como família, casa,amigos, parentes, trabalho e suas interatividades.
  45. 45. 458 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASALMEIDA, Rosângela Dion; PASSINI, Elza Yasuko. O espaço geográfico:ensino e representação. São Paulo: Contexto, 1989. (Repensando o ensino).MOREIRA, Ruy. (Org.) Geografia: teoria e crítica. O saber posto em questão.Petrópolis: Vozes,1982.PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS: Introdução aos parâmetroscurriculares nacionais/Secretaria de educação Fundamental – Brasília. MEC /SEF, 1999.RAFFESTIN, Claude. Por uma geografia do poder.Tradução de Maria CecíliaFrança. São Paulo: Ática,1993.SANTOS, Milton. A natureza do espaço: técnica, tempo, razão e emoção. 4.ed. Ed. São Paulo: Edusp,2006.__________. Metamorfose do espaço habitado: Fundamentos,Teorias emetodologias. São Paulo: Hucitec,1988.SENE, Eustáquio de; MOREIRA, João Carlos. A geografia no dia-a-dia: 5ªsérie. São Paulo: Scipione, 2002. (Coleção Trilhas da geografia).TOMITA, L.M.S. Trabalho de campo como instrumento de ensino em geografiain: Geografia: Revista do Departamento de Geociências. Universidade Estadualde Londrina. Vol. 08 nº. 01 p. 13-15, jan./jun. 1999.<http://www.mundoeducacao.com.br/geografia/espaco-geografico.htm> acessoem 23 abril 2009.<http://www.infoescola.com/geografia/espaco-geografico/> acesso em 23 abril2009.<http://www.viana.es.gov.br/site/index. php?target=geografia> acesso em 05junho 2010.
  46. 46. 46 ANEXO AMATERIAL DIDÁTICO CONCEITUAL:Espaço geográfico: O autor Milton Santos (2002), geógrafo, expressa oconceito de espaço geográfico, como sendo “um sistema de objetos e umsistema de ações” que: “[...] é formado por um conjunto indissociável, solidário e também contraditório, de sistemas de objetos e de ações, não considerado isoladamente, mas como um quadro único na qual a história se dá. No começo era natureza selvagem, formada por objetos naturais que ao longo da história vão sendo substituídos por objetos fabricados, objetos técnicos, mecanizados e, depois cibernéticos fazendo com que a natureza artificial tenda a funcionar com uma máquina”. (SANTOS, 2002, p 63)Paisagem: A primeira categoria que iremos estudar é a de paisagem,continuamos utilizando o mesmo autor, Milton Santos em obra e ano diferente,fez uma definição sobre paisagem e a distinção entre a paisagem natural eartificial: “Tudo aquilo que nós vemos, o que a visão alcança, é a paisagem. Esta pode ser definida como o domínio visível, aquilo que a vista abarca. Não é formada apenas de volumes, mas também de cores, movimentos, odores e sons etc.’’ (SANTOS, 1988, p. 61) “A paisagem artificial é a paisagem transformada pelo homem, enquanto grosseiramente podemos dizer que a paisagem natural é aquela ainda não mudada pelo esforço humano. Se no passado havia a paisagem natural, hoje essa modalidade de paisagem praticamente não existe mais”. (SANTOS, 1988, p. 62)Território: Já o conceito de território que utilizaremos para compreensão dessacategoria foi feito pelo autor francês Claude Raffestin na sua obra “Por umaGeografia do Poder ( 1980 ), e traduzida pela autora Maria Cecília França, noano de 1983. “O território é um espaço onde se projetou um trabalho, seja energia ou informação, e que, por conseqüência , revela relações marcadas pelo poder. [...], o território é a prisão que o homem constrói para si”. (RAFFESTIN, 1980, p.144).
  47. 47. 47Assim, um termo que não podemos deixar de abordar quando nos referimos aterritório, é a totalidade das relações existentes neste, ou seja, a noção deterritorialidade. Raffestin aborda essa relação, também em sua obra: “De acordo com nossa perspectiva, a territorialidade assume valor bem particular, pois reflete o multidimensionamento do “vivido” territorial pelos membros de uma coletividade, pela sociedade geral. Os homens vivem ao mesmo tempo o processo territorial por intermédio de um sistema de relações existenciais e/ou produtivas.” (RAFFESTIN, 1980, p.158)Lugar: Voltando ao geógrafo brasileiro, Milton Santos, que também nosreferenciou em outra categoria, a de lugar, a partir da sua obra “A Natureza doEspaço” (2002). “No lugar - um cotidiano compartilhado entre as mais diversas pessoas, firmas e instituições - cooperação e conflito são base da vida comum. Porque cada um exerce ação própria, a vida social se individualiza [...]. O lugar é o quadro de uma referência pragmática ao mundo, do qual lhe vêm solicitações e ordens precisas de ações condicionadas, mas também o teatro insubstituível das paixões humanas, responsáveis, através da ação comunicativa, pelas mais diversas manifestações da espontaneidade e da criatividade.” (SANTOS, 2002, p.322).
  48. 48. 48 ANEXO BINSTRUINDO OS ALUNOSAulas teóricas sobre o tema:1º A proposta.2º O que é espaço geográfico?3º Paisagem, lugar, território. Categorias espaciais e seus conceitos.4º Aula de Campo.Como fazer:– Após as aulas expositivas dialogadas sobre os conceitos e a aula de campo.Os alunos deverão escolher uma das categorias espaciais, ou objetos deestudo da geografia e, após a identificação visual, obter imagem digital domesmo, o que deverá ser realizada no campo. Nesse momento, ele deveaproveitar ao máximo seu conhecimento a partir do seu espaço vivido e dasaulas teóricas realizadas anteriormente.– Os alunos deverão transferir a foto para um computador comum que possuaimpressora colorida para impressão da imagem e do texto na mesma folha(A4).– Os alunos redigirão um texto, dizendo o porquê da escolha daquela categoriaespacial, qual a sua importância (pessoal ou mesmo para a disciplina) e comoa reconheceu de acordo com as suas percepções.– Os alunos formatarão o trabalho de forma esteticamente correta (título, textoe foto na mesma folha), conforme explicação recebida pelo professor.– Os alunos produzirão seu trabalho em sete dias.
  49. 49. 49– Os alunos apresentarão os trabalhos concluídos ao professor e vão os deixarexpostos na escola.Recursos:– Professor: material explicativo, formulado pelo por ele, entregue aos alunos.– Alunos: material dado pelo professor, câmera digital ou aparelho similar,computador, que contenha impressora colorida como componente em seuhardware, que possa ser usado para impressão em folha A4.
  50. 50. 50 Bibliografia1 SANTOS, Milton. A natureza do espaço: técnica, tempo, razão e emoção. 4.ed. Ed. São Paulo: Edusp.2006.p.63.2 SANTOS, Milton. Metamorfose do espaço habitado: Fundamentos, Teoriase metodologias. São Paulo: Hucitec. 1988.p.61.3 RAFFESTIN, Claude. Por uma geografia do poder. Tradução de MariaCecília França. São Paulo: Ática. 1993.p.144.4 RAFFESTIN, Claude. Por uma geografia do poder. Tradução de MariaCecília França, São Paulo: Ática. 1993.p.158.5 SANTOS, Milton. A natureza do espaço: técnica, tempo, razão e emoção. 4.ed. Ed. São Paulo: Edusp.2006.p322.

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