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    • UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO CENTRO DE EDUCAÇÃO DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO, POLÍTICA E SOCIEDADE CURSO DE LICENCIATURA EM GEOGRAFIA THIEMERSON DE PAULA BAUTZ Ano de eleição:a Geografia Escolar e a formação da cidadania VITÓRIA 2010
    • UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO CENTRO DE EDUCAÇÃO DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO, POLÍTICA E SOCIEDADE CURSO DE LICENCIATURA EM GEOGRAFIA THIEMERSON DE PAULA BAUTZ Ano de eleição:a Geografia Escolar e a formação da cidadania Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à disciplina de Projeto de Conclusão de Curso de licenciatura em Geografia da Universidade Federal do Espírito Santo como requisito de obtenção do título de Licenciado em Geografia, orientado pela Professora Doutora Marisa Valladares. VITÓRIA 2010
    • Aos meus pais, Arlindo e Maria daPenha, que acreditaram em mim e mederam o apoio para chegar até aqui.
    • AGRADECIMENTOSPrimeiramente, gostaria de agradecer a Deus pela vida e pela escolha que mefez tomar ao escolher o curso de Geografia.À professora orientadora Marisa Terezinha Rosa Valladares que, desde o iníciodo curso, me incentivou a pesquisar sobre o tema eleição e nunca me fezdesanimar quando percebi as dificuldades, e, pela paciência por me atenderpor tantas vezes além do meu tempo de orientação.À Secretaria de Educação de Viana, por me acolher e me dar apoio para aformulação prática do meu trabalho, em especial, à Professora Tereza Pollezipor estar o tempo todo me auxiliando, e, aos professores de Geografia daquelemunicípio, por contribuírem tão generosamente com minhas inquietaçõesteórico-metodológicas e por permitirem a entrevista filmada.Novamente, à minha família por ter tido tanta paciência comigo, permitindo-meocupar todo o meu tempo, desde cedo até as madrugadas, para concluir estetrabalho.Aos amigos da turma 2007/1 que até aqui seguiram comigo, nas tolerânciasmútuas, nas parcerias, na solidariedade, nas brincadeiras, nas conversas, nasviagens de estudo......Á todos vocês a minha sincera admiração! Thiemerson
    • Com a força que Cristo me dá, possoenfrentar qualquer situação. FP 4-13(L.H).
    • ResumoAs questões relativas à cidadania de adolescentes ganham destaque em anoseleitorais. Contudo, no ensino de Geografia percebe-se uma deficiência naprodução de estudos sobre a temática, em especial no que se refere aosegmento final do ensino básico. Assim, este trabalho tem como objetivoproblematizar a ação docente relativa à formação política dos adolescentes noensino básico, do 6° ao 9° ano, por meio da Geografia, colocando em focoquestões concretas de suas vivências de cidadania. Pretende-se relacionarformas e tratamentos dados à questão por professores de Geografia,elaborando e experimentando uma proposta de estudo escolar abordando oano eleitoral. Para tanto, utilizou-se Saviani (1983) e Buffa (1988) como basenas discussões sobre cidadania; Santos (1993) na análise do contexto políticobrasileiro, associando-se estes estudos às abordagens relativas ao ensino deGeografia elaborado por Carlos (1999), numa perspectiva crítica relacionada aocotidiano escolar e ao contexto político vivenciado por alunos. A perspectiva dapesquisa-ação incluiu a conversação como metodologia complementar deentrevistas, orientando a elaboração e a realização de uma oficina pedagógica,com professores da rede municipal de Viana. A oficina pedagógica abordouquestões relativas à cidadania na Geografia escolar, com experimentação deatividades para conexão entre o ano eleitoral e a formação em cidadania, paraestudantes do ensino básico do 6° ao 9°anos. A análise dos dados obtidosaponta para a velha perspectiva sobre política, da sua descrença e falta deperspectivas futuras, e que é apresentado nos capítulos deste trabalho.Palavras chave: 1. Geografia e Cidadania. 2. Geografia e Eleições. 4. Ensinoda Geografia e Política.
    • AbstractThe questions relatives for teenager‟s citizenship win focus in electoral years.However, on Geography studies we realize a deficiency on production ofstudies about the thematic, in special on reference the final continuation ofelementary school. In this way, this labor has the objective to problematize theteacher action relative for the politic formation of teenagers from six to nineyears of Elementary School, trough Geography, putting in focus the concretequestions of their citizenship experiences. Seeks to list forms and treatmentsprovided for the questions by Geography teachers, elaborating and experiencedone proposal of scholar study, addressing electoral year. For that, used Saviani(1983) and Buffa (1988) as base on discussions about citizenship; Santos(1993) on analyses of Brazilian politic context, associate this labors for theapproaches relatives of Geography education elaborated by Carlos (1999), in acriticizes perspective related of the scholar daily and of the politic contextexperienced by the students. The perspective of research/action included theconversation as complementary methodology of interviews, guiding theelaboration and the achievement of a pedagogical workshop with Viana‟smunicipal teachers. The pedagogical workshop approached questions relativesfor the citizenship on scholar Geography, with experimentation of activities forconnection behind the electoral year and the citizenship formation, for studentsof six and nine years of Elementary School. The analyses of data acquiredshow for the old perspectives about politics, your disbelief and the lack of futureperspective and that is showed on the chapter of this labor.Key words: 1. Geography and Citizenship. 2. Geography and Elections. 4.Geography teaching e Politic.
    • Lista de FotografiasFoto 1- Professores em formação…..………………………...……..….17Foto 2- Professores realizando trabalhos didáticos..........................20Foto 3- Construindo legendas políticas..............................................23Foto 4- Encontro com os professores de Viana................................35Foto 5- Parte da entrevista...................................................................36Foto 6- Professores discutindo sobre o tema eleição.......................36Foto 7- Professor coloca o seu ponto de vista frente a política.......40Foto 8- Professora cria forma de trabalhar com política em sala deaula.........................................................................................................42Foto 9- Conversando com os professores sobre a entrevista eoficina.....................................................................................................47Foto 10- Professores estudando um texto de eleições.....................49
    • Lista de ImagensImagem 1- Localização de Viana....................................................................21Imagem 2- Comparação do crescimento de eleitores do Espírito Santo pormunicípio nos anos de 2000 e 2004 .............................................................27Imagem 3- Mapa político administrativo do Espírito Santo.........................28Imagem 4- Perfis de eleitores.........................................................................30Imagem 5- Em quem votar..............................................................................32Imagem 6- Texto de Moacir Gadotti...............................................................34
    • Sumário1- Da Constituição para a Geografia........................................................10 1.1- Conceitos necessários..................................................................10 1.2- Relação Política e Geografia.........................................................142- Da geografia para o campo de pesquisa............................................173- Do campo de pesquisa para a sala de aula........................................224- Da sala de aula ao encontro com os professores..............................35 4.1- A entrevista....................................................................................36 4.2- Análise final da entrevista............................................................475- Do encontro com professores à solidão das reflexões.....................516- Referências............................................................................................56
    • 10 1. Da Constituição para a Geografia 1.1. Conceitos necessáriosPara muitas pessoas discutir a política não é nada interessante e importante.Mas até que ponto essa discussão não é interessante e importante paraadolescentes? Que contribuições o ensino de Geografia pode proporcionar àformação política de adolescentes, numa perspectiva de construção decidadania jovem?Acreditando no potencial geográfico de análise do contexto político cotidiano econsiderando que é papel do professor envidar esforços no enfrentamentodesse desafio, buscou-se reunir bases teóricas e práticas necessárias parauma proposta de estudo que tornasse essa discussão interessante para jovensque estão no ensino básico, do 6° ao 9° ano. Como parceiros desta pesquisa,selecionei um grupo de professores de Geografia que, gentilmente, meforneceu pistas para elaboração da proposta, experimentando-a e avaliando-a.Para fundamentação inicial, tomei como base os direitos do cidadão brasileirode acordo com a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, ondese elucida: TÍTULO I Dos Princípios Fundamentais Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui- se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: I - a soberania; II - a cidadania; III - a dignidade da pessoa humana; IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; V - o pluralismo político. Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.
    • 11 Fonte: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao. htmA Constituição Brasileira é considerada uma das constituições nacionais maiscompletas, tendo servido de base para formulações de semelhante documentode diversos países do mundo.Com essa representação de lei dos direitos e deveres, é possível instigar asociedade a pensar quem não está fazendo o que deveria para universalizaçãoda cidadania no país. Parece-me ser um erro de pensamento da sociedade emgeral, justificar por meio da crítica aos dirigentes e agentes políticos, os desviosde conduta e de investimentos públicos, que se tornam cada vez maisrotineiros, sem que nada ou quase nada se efetive para maiores mudanças nocenário político nacional. Acredito que é preciso investir na educação para secompreender a real necessidade do saber ser cidadão, principalmente nomomento das eleições, quando se exerce a função apontada no parágrafoúnico do Art. 1° da Constituição: votar em um representante que discuta,analise, avalie e proponha ações governamentais e sociais que atendam àsnecessidades coletivas da sociedade.Com este entendimento e tomando em conta a proposta de intervençãopretendida, torna-se necessário esclarecer alguns conceitos importantes parainiciar a discussão do complexo contexto que envolve as questões destetrabalho.Os conceitos que vão embasar e permear todo este trabalho, sem dúvida, serefere ao ser Cidadão e ao exercer Cidadania: um ligado ao outro de forma tãoexigente que se torna impossível tratar de um sem considerar o outro. Aoadmitir a cidadania como direito universal a cada sujeito de quaisquercategorias de território, admite-se também a cotidianidade desse direito e,subsequentemente, a sua relação com o saber popular, aquele próximo da vidaordinária do dia a dia, onde o senso comum orienta o fazer, o querer e o poder.Assim sendo, busco, em primeiro lugar, a definição do conceito de Cidadão.Segundo a Declaração dos Direitos Humanos e do Cidadão, sendo este um
    • 12dos primeiros atos democráticos da história que trata do termo como “osdireitos que a sociedade e o Estado atribuem ao cidadão como membro dessasociedade. Destacam-se a liberdade de participar, ou não, de todos os atos evalores da sociedade, bem como do poder exercido pelo Estado e a proteçãodo indivíduo pelo poder público”, e a cidadania “esta relacionado ao cidadão(...) com os direitos políticos” (Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadãode 1789, apud MARTINEZ, 1996, p. 8).Aprofundando um pouco mais, na atitude de pesquisa científica, rigorosa noconceituar, resgato em Burdeau, no século XVIII, outra forma de entender o serCidadão: Cidadão é um homem de ordem, suficientemente esclarecido para poder escolher seus representantes com conhecimento de causa, bastante independente para estar ao abrigo das pressões (BURDEAU, apud BUFFA, 1988, p. 26).É comum observar o exercício da cidadania somente em situação de eleições,pois é então que se exerce um dos seus direitos básicos, qual seja a escolhade representantes legais para as ações políticas numa escala mais ampla.Ainda sobre o assunto, Damiani afirma: A noção de cidadania envolve o sentido que se tem do lugar e do espaço, já que se trata de materialização das relações de todas as ordens, próximos ou distantes. Conhecer o espaço e conhecer a rede de relações a que se está sujeito, do qual se é sujeito (DAMIANI, 1999, p. 50).A cidadania é um termo muito comum, sendo conhecida pelas pessoas a suapalavra, mas não totalmente o seu conceito. Sendo assim, tomei a liberdade deexpor a fala de uma professora que participou da entrevista. Quando você nasce e os pais te registram, você se torna um cidadão e este é o seu primeiro ato político (...) (Professora que participou da entrevista no dia 21/05/2010, respondendo a pergunta dois).
    • 13Fazendo uma ponte entre cidadania e política, Lana de Souza Cavalcanti fazuma ligação direta, atribuindo a igualdade democrática constituído por lei, comocondição de vida a todos, pensando no coletivo com associação forte aosdireitos e deveres inerentes ao exercício político democrático da vida nasociedade. A idéia de cidadania ativa que cria seus direitos ao longo da história e a depender da organização, permite pensar criticamente os tipos de direitos mais convencionalmente atribuídos à composição da cidadania (civis, políticos, sociais), buscando ampliar essa composição a partir de demandas sociais democráticas e contextualizadas (...) (CAVALCANTI, 2002, p. 51-52).Já para conceituar o termo “política”, rebusco sua invenção por gregos eromanos segundo CHAUÍ (1997). A palavra vem do grego ta politika vinda depolis que é a Cidade formada pelos cidadãos ou politikos, com direitos acidadania e homens iguais. Ta politika são os negócios públicos dirigidos pelos cidadãos: costumes, leis, erário público, administração dos serviços públicos (abertura de ruas, estradas, portos, aeroportos, obras de prédios de serviços públicos), organização da defesa e da guerra (...). Ta politika (...) corresponde ao que designamos modernamente por práticas políticas, referindo-se ao modo de participação no poder, aos conflitos e acordos na tomada de decisões e na definição das leis e de sua aplicação, no reconhecimento dos direitos e das obrigações dos membros da comunidade política e às decisões concernentes ao erário ao fundo público (CHAUÍ, 1997, p. 371-372).Em outras palavras, fazer política é participar da organização e daadministração do país, estado, município e comunidade em que se habita.A política é exercida por cada um, seja de forma não institucional ouinstitucional, no exercício de um cargo público ou não. Todos têm o direito e odever de fazer política e não só no ramo da questão pública ou dos governos,mas fazemos política também em casa, no trabalho, na escola, na rua etc.
    • 14Fazemos política quando ajudamos ao próximo, no sentido do fazercomunitário.Já a eleição é considerada o ato de eleger, ou seja, de preferir entre um ououtro, de escolher ou eleger, e isso ocorre através da votação. As eleições, noBrasil, acontecem a cada dois anos, para eleger diferentes cargos no decorrerde 4 (quatro) anos. Segundo a Constituição da República Federativa do Brasilde 1988: CAPÍTULO IV DOS DIREITOS POLÍTICOS § 1º - O alistamento eleitoral e o voto são: I - obrigatórios para os maiores de dezoito anos; II - facultativos para: a) os analfabetos; b) os maiores de setenta anos; c) os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos. Fonte: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao. htmCom estes conceitos podemos partir para outra discussão, que envolveprofessores e futuros professores de Geografia: a importância do ensino dapolítica em sala de aula, para alunos que farão parte do eleitorado, tomandocomo meta sua formação consciente de política. 1.2. Relação Política e Geografia.A disciplina de Geografia, como é sabida, tem importância fundamental para asociedade, no que tange diversos assuntos relacionados à atualidade ou oespaço em que habitamos e nossas relações com ele.Sem aprofundar muito nos conceitos de Geografia, pois com certeza issopoderia ser outro material de pesquisa, o conceito declarado no dicionário
    • 15britânico The Concise Oxford Dictionary, em seu verbete, “Geografia” é a“Ciência da superfície da Terra, sua forma, aspecto físico, divisões políticas,clima, produções, população etc” (The Concise Oxford Dictionary, apudWOOLDRIDGE; GORDON EAST, 1967, p.13). Ainda tomando como baseWooldridge e Gordon East: A explicação de suas divisões políticas também (...) decorrem de processo humanos que se desdobram através de largo tempo – migrações, guerras, revoluções e a complicada sequência de mudanças políticas e sociais (WOOLDRIDGE; GORDON EAST, 1967, p.13).O interesse maior do geógrafo e do professor de geografia é entender como sedão essas relações, como se desenvolvem e como isso tem mudado duranteos diferentes acontecimentos, naturais ou não, na Terra.O ensino da política pode ser visto dentro da Geografia, onde são estudadosvários processos da interação entre os homens que envolvem aspectoshumanos, políticos, culturais, sociais e econômicos. Wooldridge e Gordon Eastaprofundam seu conceito sobre política escrevendo: A Geografia Política concentra sua atenção nas relações externas e internas dos Estados (...). As considerações políticas situam-se entre as muitas que dizem respeito ao homem (...) que deverão ser apreciadas como elementos integrantes da matéria em geral, embora possam constituir-se em temas de estudo particular dos especialistas em política (WOOLDRIDGE; GORDON EAST, 1967, p.130).Desta forma, o ensino de política também tem grande destaque na disciplina deGeografia e por isso deve ser trabalhado não só como ensino complementar,uma vez que na sociedade brasileira existe um preconceito sobre este assunto,principalmente nas novas gerações que consideram política como coisa suja oucomo coisa distante do seu cotidiano.O estudo das relações políticas é pensado por Andrade da seguinte forma:
    • 16 O geógrafo deve utilizar o seu potencial teórico, o domínio das técnicas modernas e o seu comprometimento com os altos objetivos nacionais para dar uma contribuição positiva à solução dos problemas do país. Ciência é também política, e o cientista deve saber por que é utilizado, como é utilizada e em favor dos interesses de quem ela é utilizada (ANDRADE, 1999, p.13).Desta maneira, a contribuição da Geografia para a formação cidadã dosalunos, pode ser entendida como Cavalcanti problematiza: O ensino da Geografia contribui para a formação da cidadania através da prática de construção e reconstrução de conhecimentos, habilidades, valores que ampliam a capacidade de crianças e jovens compreenderem o mundo em que vivem e atuam, numa escola organizada como um espaço aberto e vivo de culturas (CAVALCANTI, 2002, p.47).Por isso, acredito que o ensino da política é de extrema necessidade pararealizar um trabalho educativo, visando esclarecer os indivíduos,principalmente os mais jovens, sobre sua condição de cidadãos.O trabalho do professor, em relação à temática, deve considerar o fato de queas transformações na nossa sociedade exigem uma mudança comportamentaldos indivíduos e que essa mudança requer um novo tratamento do professorpara com o aluno. É por esse motivo que o professor deve adequar-se arealidade dos alunos, trabalhando com eles a evolução do conhecimentohumano. Ao discutir essa evolução, que promove constantes modificações nomeio em que vivemos, deve associar à reflexão de que com a política não édiferente.Fazer e aprender política e cidadania deveria ser uma prática cotidiana nocurrículo dos alunos. É um conhecimento essencial que torna o aluno não sómais informado, como também mais humano para discernir o certo ou errado, obom e o ruim, o que é melhor ou pior.
    • 17A carga de cultura relacionada a este assunto é grande, criando umdiversificado imaginário juvenil sobre o tema e seus desdobramentos. Por isso,é preciso que os jovens percebam a importância do entendimento da política ecompreenda que isso é para a vida inteira, que eles são o presente construindoo futuro, que eles são cidadãos e não somente o „outro‟ que vota.Para tanto é importante que o professor de Geografia esteja preparado paracompartilhar tal assunto que possibilite ao aluno a visualizar a cidadania e ademocracia como algo importante para ele e para todos que estão a sua volta. 2. Da Geografia para o Campo de PesquisaFoto 1: Professores em formação.Liberdade, igualdade e participação é a fórmula da política democrática assimcomo a famosa declaração de Lincoln Von Gettysburg, o “governo do povo,pelo povo e para o povo” (Holanda, 1951). Porém, o povo da sociedadedemocrática está dividido em classes sociais distintas entre si e entre seusinteresses.O Brasil ainda tem muitos obstáculos à democracia, dentre os quais, osconflitos de interesses entre aqueles que detêm o poder, aqueles que querem opoder e a classe mais baixa da sociedade, que sequer ousa querer o poder ou
    • 18detê-lo, já que no nosso país existiu (e ainda é possível ver seus resquícios)uma cultura onde os Coronéis e somente aqueles que detinham oconhecimento, podiam participar.Essas questões de políticas muitas vezes são extintas de qualquer temaabordado em sala e por isso, cabe à Geografia trabalhar essas questões, umavez que elas estão ligadas diretamente com o espaço geográfico, com asrelações entre as sociedades, objetos da ciência geográfica.Nos últimos anos ainda se vê, nas políticas públicas no nosso país, o caos nasquestões que deveriam ser resolvidas pelo Estado. Isso é exemplificadoquando vemos a educação pública de baixa qualidade em relação às escolasprivadas, os hospitais públicos super lotados, a segurança pública limitada edespreparada.Outro ponto fundamental para a elaboração deste trabalho é sobre o direito daparticipação política. Muitas vezes, o valor desta participação não é de extremaimportância a todos. Normalmente, aqueles que detêm maior conhecimento einteresse pela política, o que no nosso país são poucos, deveriam buscar ointeresse comum. E ainda, são estes também os que dirigem a política, mas,segundo os seus interesses. Para Vesentini: Cidadania é uma tarefa de aprendizagem para todos, não apenas para o professor. E é uma tarefa que não se „ensina‟, mas se aprende conjuntamente, se aplica nas relações inter-humanas, inclusive no ensino (VESENTINI, 1999, p. 31).Por isso é importante realizar um trabalho educativo, visando esclarecer osindivíduos sobre sua condição de cidadãos.Há de se considerar ainda, que os meios de comunicação em massa,principalmente a TV, influenciam os eleitores e parciais de forma absurda.Muitas vezes, essas informações errôneas que passam para a população sãoem demasia e ainda duvidáveis e vemos, mais uma vez, o interesse de seusproprietários com grupos que apóiam partidos e candidatos.
    • 19E ainda, mesmo acontecendo projetos relacionados às eleições, nas escolas,com simulação de voto, divisão de cargos políticos, entre outros projetos,trabalhos estes preocupados com a formação e construção da cidadania, énotável o número de cidadãos, que já foram ou ainda são alunos descontentesquanto aos políticos e aos governadores de nosso país.Como objetivo, buscou-se problematizar a ação docente, relativa à formaçãopolítica das crianças e adolescentes do ensino básico do sexto ao nono ano,por meio da Geografia, em especial nas questões da cidadania no seu espaçode vivência.Assim, no trabalho tentou-se experimentar propostas de atividades para o anoeleitoral e para formação em cidadania, ao mesmo tempo em que se fez aanálise de produções bibliográficas sobre cidadania e sobre Geografia escolar,buscando-se relacionar o cotidiano escolar com o contexto político vivenciadopor alunos.A idéia de fazer o trabalho surgiu principalmente da necessidade de resgatar ede refletir sobre a importância da cidadania dentro da nossa sociedade, que decerta forma acomodada, não buscam criar cidadãos informados.Para tanto, foi feita uma pesquisa bibliográfica, tentando relacionar o tema comrecursos didáticos para a realização de atividades em sala de aula. Como parteda metodologia de pesquisa deste trabalho, realizou-se ainda um encontro comos professores para entrevistas não estruturadas sobre o que fazem para aformação da cidadania e como tratam o ano eleitoral nas escolas. Para esseencontro, foi preparada uma oficina com três atividades para os professores deGeografia, com alternativas de ação para o trabalho com política e cidadaniana escola. Ao término da oficina, realizou-se uma avaliação da oficina cominstrumentos preenchidos pelos professores e alguns testemunhos oraisnarrados, para a elaboração de um relatório final.
    • 20Esta oficina foi trabalhada com professores de Geografia do Ensino Básico domunicípio de Viana, município pertencente a Grande Vitória, localizado entre osmunicípios de Cariacica, Vila Velha, Domingos Martins e Guarapari.O município, de acordo com as estimativas populacionais do Instituto Brasileirode Geografia e Estatísticas de 2009, possuía 60.829 habitantes e em 2004tinha um total de 33.343 eleitores. Esse número decresceu em relação ao anode 2000 em 17% devido a algumas politicagens internas como duplicidade devotos, votos de moradores de municípios vizinhos, votos de pessoas jáfalecidas entre outras. E isto me motivou a trabalhar ainda mais com osprofessores desta localidade, que ainda tem características de uma cidadepequena, apesar de pertencer a região metropolitana, e que viveu momentospolíticos ruins nos últimos anos. Foto 2: Professores realizando trabalhos didáticos.
    • 21 Localização do município de Viana no Espírito SantoImagem 1: Localização de VianaFonte: paulosergiomeu.blodspot.com
    • 22 3. Do Campo de pesquisa para a sala de aulaMuitos professores desacreditam no tema política, alegando que não há muitoque ensinar. Contudo, ao se omitirem estão fazendo a política do silêncio e daomissão (CHAUI, 1997). Daí, que o objetivo pedagógico deste trabalho não éensinar aos professores como tratar do assunto em sala de aula, mas simdemonstrar a importância da educação para cidadania, política e democracia,apresentando algumas alternativas didáticas como contribuição para atividadese ações que poderiam dar certo em sala de aula.Esse trabalho foi apresentado para os professores efetivos de todas as escolaspúblicas de Viana, do Ensino Básico do sexto ao nono ano, na Casa dosConselhos, no bairro Viana Sede, onde o desenvolvimento se deu em doismomentos: um grupo na parte da manhã e outro na parte da tarde. Houve umaboa representatividade das escolas, pois compareceram pela manhã quatrodos sete professores e pedagogos e na parte da tarde compareceram catorzedos dezoito professores e pedagogos, contando um percentual de 72% departicipação.Para sua apresentação foi feito uma sequência didática, organizando o queseria trabalhado, de qual forma e qual o tempo para cada atividade proposta.Todos os materiais expostos na oficina (com exceção da tabela de comparaçãodo crescimento de eleitores do Espírito Santo por município nos anos de 2004e 2000 e o mapa político administrativo do Espírito Santo) foram retirados doProjeto Ano Eleitoral, do acervo do Laboratório de Ensino e Aprendizagem deGeografia (LEAGEO), do Centro de Educação, situado no campus daUniversidade Federal do Espírito Santo, em Goiabeiras, Vitória, Espírito Santo,ao acesso de qualquer educador que necessite de materiais didáticos paraauxiliá-lo. Oficina Política e cidadania: No voto começa a democracia... Sequência didática:
    • 23Foto 3: Construindo legendas políticas.1. Apresentação. 5‟2. Dinâmica de acolhimento e reflexão:a) leitura partilhada dos textos Político analfabeto e Analfabeto político: usarmarcador em cada cópia para indicar o que cada um vai ler.b) discussão sobre o conteúdo dos textos e aproveitamento da dinâmica.Tempo de leitura: 5‟ Tempo de discussão: 5‟ Tempo total: 10‟3. Entrevista:a) organização da sala em meia-lua, favorecendo a filmagem;b) dinâmica da urna quente: as perguntas (entrevista da pesquisa) serãocolocadas numa caixa (urna) e serão puxadas sequencialmente, tendo em vistaque estarão escritas numa tira, que deverá ser cortada ao término de cadapergunta. A urna circulará de mão em mão, ao som de duas músicas (Rita Lee– Vote em mim – e Raul Seixas – Caubói fora da lei) que será interrompidapara que aquele que estiver com a urna na mão retire uma pergunta e a leiapara todos, encaminhando a discussão no grupo. Tempo para cada questão: 8‟Tempo total: 1h e 5‟.4. Transformando tabelas em mapas:
    • 24a) Apresentar dados, indicando como coletá-los: Tabela comparativa dequantitativo de eleitores no ES em 2000 e 2004.b) Transformar dados em mapas do ES: entregar mapa político do ES para queelaborem legendas e mapeiem os dados da tabela.c) Discutir como essa tarefa pode ser feita com alunos: partidos, reeleição,gênero do candidato, escolaridade dos eleitores etc. Como tais mapeamentosinfluem na formação política dos adolescentes? Tempo de mapeamento: 20‟Tempo total: 40‟5. Dinâmica coletiva: Um perfil de eleitores. Pedir que se organizem em grupose que preparem, com revistas velhas ou com desenhos, um perfil de eleitor quenotam em seus alunos adolescentes. Exemplificar com o texto – Umaradiografia das muitas caras do eleitor. Pedir que apresentem suas produções.Questionar como podem intervir para tentar mudar o retrato para melhor.Sugerir que façam o mesmo com seus alunos. Tempo: 1 h6. Apresentar o texto Em quem votar? Apresentar formas de como trabalharcom ele junto aos alunos. Pedir que apontem por que sim ou não trabalhariamde uma das formas apresentadas. Tempo: 20‟7. Reflexão final: Texto de Moacir Gadotti. Tempo 5‟8. Café eleitoral. Pequena pausa para conversa informal Tempo: 15‟9. Avaliação. Tempo: 10‟10. Despedida.Como materiais propostos para a atividade, foram usados, em ordem, osseguintes:O Político Analfabeto
    • 25 O pior analfabeto é o político analfabeto. Ele não ouve, não fala, nemparticipa de nada se não for do seu próprio interesse, e só lembra de aparecerquando está perto a eleição e se houver divulgação. Muitas vezes até estudou,mas não aprendeu a ter educação. Ele finge que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, doaluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas quando naverdade todo mundo sabe de cor e salteado, que quem decide mesmo são osoutros tipos de poder.O político analfabeto é tão burro que se orgulha e bate no peito dizendo que “opior analfabeto é o analfabeto político”, porque a única coisa que políticosanalfabetos sabem bem fazer é “dizer”. Não sabe o imbecil que parece até ter boa intenção, que dos seusexemplos de arrogância, conivência com os “furos” de seu partido e partidários,desinformação, falta de tato, ética e educação, nasce a prostituta, o menorabandonado, o nojo aos políticos e a política, e o pior de todos os bandidos queé o político analfabeto de fachada, uns vigaristas e pilantras, corruptos queadoram frases de efeito tipo “exploradores do povo”, que é o que está todomundo careca de ver até na TV. Pena que os únicos que não sabem disso tudo são os PolíticoAnalfabetos. Deixou a BrechaAbaixo está a versão original que associada a interesse pelo “emburrecimento” ao povo e atodo o tipo de maluquice que invariavelmente acontece nas épocas que antecedem as eleiçõese anda, atualmente, entulhando email de muita gente. O difícil é imaginar Bertold Brecht,dramaturgo e poeta consciente de seu tempo, marxista que prezava a existência social comodeterminante da consciência, e que viveu num passado (1898-1956), onde o mundo e osvalores morais eram outros, se dirigir de hoje desse jeito.O Analfabeto Político O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nemparticipa dos acontecimentos políticos.
    • 26 Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha,do aluguel, do sapato, e do remédio dependem das decisões políticas.O analfabeto político é tão burro que se orgulha e bate no peito dizendo queodeia política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, omenor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista,pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo. Bertold BrechtO texto acima é um texto de Bertold Brecht, que escreveu diversos textos, até adécada de 50, criticando aqueles que não tinham conhecimento oudesprezavam a política.A adaptação, de autoria indefinida, foi uma releitura de Brecht, no qual coloca oPolítico que não faz nada para ajudar a sociedade, que simplesmente após sereleito, desaparece.Este texto surge como uma forma de despertar no aluno uma consciência deque ele deve escolher muito bem seus candidatos antes de votar, pois este éum caso muito comum visto por pessoas que ocupam cargos, onde muitasvezes é mais difícil de ver o seu trabalho para criticarmos (como vereador,senador e deputados).Os materiais utilizados para as três atividades foram: o mapa político do estadodo Espírito Santo e uma tabela contendo os dados das eleições de 2000 e2004 e o crescimento por município no Espírito Santo; o texto „um perfil deeleitores‟ e; o último texto „em quem votar‟.A primeira atividade foi algo bem prático, onde os professores puderamtransformar os dados da tabela em mapas, tornando as estatísticas visíveisdentro do território do estado do Espírito Santo.
    • 27 COMPARAÇÃO DO CRESCIMENTO DE ELEITORES DO ESPÍRITO SANTO POR MUNICÍPIO NOS ANOS DE 2004 E 2000Município 2004 2000 % Município 2004 2000 %Vila Velha 246222 217729 13,1 Itaguaçu 11895 11145 6,7Vitória 231986 211706 9,6 Piúma 11517 9982 15,4Serra 210394 178619 17,8 João Neiva 11499 11483 0,1Cariacica 206054 164301 25,4 Boa Esperança 11193 10085 11Cachoeiro 114265 100561 13,6 Vila Valério 10480 8898 17,8Linhares 84470 73122 15,5 Muqui 10223 10942 -6,5Colatina 77495 72273 7,2 Marechal Floriano 10032 10874 -7,7Guarapari 69512 60270 15,3 Fundão 9983 8674 15,1São Mateus 62292 55879 11,5 Iconha 9363 8479 10,4Aracruz 44761 44655 0,2 Rio Novo do Sul 9298 8599 8,1Viana 33433 40138 -17 Alfredo Chaves 9247 10381 -11Nova Venécia 30923 28118 10 Mantenópolis 9068 10718 -15Barra de S. Francis. 29401 26622 10,4 Itarana 9023 8372 7,7Castelo 25509 22153 15,1 Santa Leopoldina 9007 8109 11Alegre 24581 22726 8,1 Laranja da Terra 8677 8310 4,4Domingos Martins 24415 20999 16,3 Jerônimo Monteiro 8557 9390 -8,9Afonso Cláudio 23442 21154 10,8 Brejetuba 8168 7458 9,5Itapemirim 23379 19812 18 Água Doce do Norte 8081 11675 -31Marataizes 22606 19536 15,7 S. José do Calçado 7962 8686 -8,3Santa Mª de Jetibá 20652 17377 18,8 S. Roque do Cannã 7859 6796 15,6São G. da Palha 20546 17942 14,5 Ibiraçu 7790 8895 -12Mimoso do Sul 20401 19121 6,7 Pres. Kennedy 7781 8391 -7,2Iuna 20086 19083 5,2 Águia Branca 7771 6456 20,3Baixo Guandu 19884 21746 -8,5 Marilândia 7723 7959 -3Conceição da Barra 19232 17452 10,2 Gov. Lindenberg 7723 6979 10,6Guaçuí 19127 17723 7,9 Irupi 7596 6918 9,8Ecoporanga 18573 18243 1,8 Bom Jesus do Norte 7245 7653 -5,3Pinheiros 16965 15776 7,5 Ibitirama 7147 6396 11,7Pancas 15568 15049 3,4 Conc. Do Castelo 7112 8656 -18Ibatiba 15423 12703 21,4 Atílio Vivacqua 7062 6796 3,9Jaguaré 15365 12240 25,5 Vila Pavão 6749 6107 10,5Santa Teresa 15227 16128 -5,5 Apiacá 6094 5921 2,9Sooretama 13992 11278 24 Ponto Belo 5242 5817 -9,8Anchieta 13962 15544 -10 Dores do R. Preto 5131 4608 11,3Muniz Freire 13959 12890 8,3 São Domingos 5115 6465 -21Pedro Canário 13774 18467 -25 Alto Rio Novo 4481 6006 -25Montanha 13665 13097 4,3 Mucurici 4055 4980 -19Rio Bananal 13250 12382 7 Div de São Lourenço 3573 3707 -3,6 Venda Nova do Imig. 12295 10254 19,9 Total no ES 2004 2235897 Vargem Alta 12289 11131 10,4 Total no ES 2000 2033765 9,9Imagem 2: Comparação do crescimento de eleitores do Espírito Santo por município nos anosde 2004 e 2000.Fonte: IBGE e Jornal A Gazeta.
    • 28Imagem 3: Mapa político administrativo do Espírito Santo.
    • 29O trabalho desta atividade foi dividido em grupos para que cada um fizesselegendas diferentes. Para isso, criei três tipos diferentes para aquela situação: 1- Legenda em que mostra o número absoluto de votantes 2- Legenda que mostre o valor do crescimento percentual dos votantes. 3- Legenda que mostre os municípios onde o crescimento foi alto, estático e negativo.Após esta atividade, pude mostrar outras formas que eles podem aprofundareste trabalho em sala de aula, podendo criar legendas como: a- De partidos ganhadores por município. b- De prefeitos reeleitosDepois ainda foi sugerido um estudo aprofundado para o município de Viana,como buscar dados das últimas eleições do município, para saber qual foi aporcentagem do último prefeito(a) a ser eleito(a), qual a porcentagem deeleitores por faixa etária, qual o grau de satisfação dos eleitores com a gestãoatual, o que a população tem reivindicado etc.O texto para a segunda atividade foi pedido aos professores que recortassemem revistas, rostos que parecessem ser perfis deles quanto cidadão. Solicitou-se que explicassem o porquê da escolha, perguntando-lhes se poderiammelhorar este perfil e que escrevessem essas mudançasSugeriu-se que fizessem o mesmo com os alunos. Como tarefa extra para osalunos sugeriu-se que perguntassem como participariam das decisões dacomunidade em que moram e que fizessem as mesmas perguntas aos pais.Essas formas de trabalhar poderiam culminar em um resultado percentualdaquela turma para saber onde a maioria se encaixaria similarmente aos perfisdo texto em destaque.
    • 30Imagem 4: Perfis de eleitores.
    • 31A última atividade da oficina seria trabalhada com o texto „Em quem votar‟poderia trazer diversas idéias que contribuiriam para o aprendizado em sala deaula. Para a oficina, selecionaram-se exemplos de como poderiam sertrabalhados em qualquer turma do Ensino Básico do sexto ao nono ano.Uma delas seria criar dois políticos para as eleições internas da turma: umcandidato iria fundamentar idéias ilusórias, mas que faça o povo acreditar nele,e este seria um mau político; e o outro candidato seria o honesto e criaria umaplataforma política com projetos cabíveis ao seu mandato. Depois, pediria paraque os alunos debatessem e fizessem uma votação em sala de aula. Com oresultado em mãos, explicaria quem eram os dois políticos e daria o resultado.Essa forma de trabalhar seria para mostrar aos alunos como diferenciar umbom político de um péssimo, que só aparece na época de eleições, como dizno texto „O Político Analfabeto‟. A partir disso, poderia ser feito a discussão dotexto e depois dividir os alunos em grupos e pediria que fizessem charges emque mostrassem maus exemplos de políticos.Ainda seria possível trabalhar interdisciplinamente com outras matérias como,por exemplo: as charges poderiam ser estudadas em Educação Artística;quando fosse usar os cálculos em porcentagem, poderia ser trabalhado comMatemática; quando trabalhar formas de montar gráficos poderia trabalhar coma disciplina de informática e; ainda há um leque enorme de como unir o temapolítica a outras disciplinas que só acrescentaria mais no conhecimento e nasdiscussões em sala de aula.Lacoste fala da necessidade de conhecimento múltiplo para melhoresresultados: O fato de que os geógrafos consideram elementos de conhecimento elaborados por múltiplas ciências não deve mais ser tomado, hoje, como a prova das carências ou do estatuto epistemológico ultrapassado da geografia. Essa pode ser considerada um saber científico, mas com uma condição formal de que todos esses elementos de conhecimento, mais ou menos disparatados, não sejam mais enumerados, justapostos num discurso do tipo enciclopédico, mas, ao contrário, articulados em função de um fim. De fato, a legitimidade epistemológica de um saber se baseia não mais num quadro acadêmico, seja ele científico, mas sobre práticas sociais providas de resultados tangíveis (LACOSTE, 1988. p, 228).
    • 32Imagem 5: Em quem votar.
    • 33Finalizando a respeito da oficina, o último texto de reflexão seria o texto deMoacir Gadotti, doutor em educação e autor de diversos livros que trata depolítica, cidadania e democracia na sala de aula.O texto, que não tem título, é uma crítica ao modelo/forma de ensino de certosprofessores, que se alinham a um ensino imposto, e que não busca trazer aoaluno uma forma crítica de ver a sociedade em que vive.Muitas vezes, o aluno toma o professor como alguém em se espelhar, pelo fatode ser o professor quem passa a maior carga de conhecimento, e a cidadania éum dos conhecimentos mais importantes a ser passado. Callai afirma que: O conteúdo da Geografia, neste contexto, é o material necessário para que o aluno construa o seu conhecimento, aprenda a pensar. Aprenda a pensar significa elaborar, a partir do senso comum, do conhecimento produzido pela humanidade e do confronto com outros saberes (do professor, de outros interlocutores), o seu conhecimento. Este conhecimento, partindo dos conteúdos da Geografia, significa „uma consciência espacial‟ das coisas, dos fenômenos, das relações sociais que travam no mundo (CALLAI, 2000, p. 93).O papel que do professor não é o de direcionar o aluno a uma situação que ele(professor) acha o certo, mas o de colocar ao aluno opções que ele possaescolher, onde ele poderá ter conhecimento e falar: isso é certo ou isso éerrado.A crítica é a medida mais correta de transferir ao aluno uma “Ciência comConsciência” (Gadotti).
    • 34Imagem 6: Texto de Moacir GadottiEsses textos foram uma forma simples e prática de mostrar como é possíveltrabalhar diferentes formas de abordar o tema eleições, política, cidadania edemocracia em sala de aula.
    • 35 4. Da sala de aula ao encontro com professoresComo dito anteriormente, o encontro com os professores aconteceu em doismomentos, um na parte da manhã com um grupo e outro momento na parte datarde com mais um grupo.Foto 4: Encontro com os professores de VianaNos dois momentos houve uma entrevista com estes professores, que sedisponibilizaram a fazer uma gravação em forma de entrevista, queposteriormente seria utilizado para análise e inserção do mesmo nestetrabalho.A identidade de cada professor foi mantida em sigilo, a fim de que elespudessem ter total liberdade para falar o que pensavam sobre o assunto. Paratal, foram elaboradas oito perguntas que norteariam a discussão.Para que houvesse a participação da maior parte do grupo, foi posto umapequena urna que passava pelas mãos dos professores enquanto uma músicatocava, e quando a música era interrompida, a pessoa que estava com a urnana mão teria que ler a pergunta e começar discussão e então, todos tambémeram convidados a participar.
    • 36Foto 5: Parte da entrevistaA partir de agora será feito uma releitura do que esses professores discutiram arespeito do tema sendo posto em primeiro lugar qual era a pergunta. Aidentificação dos professores foi numerada a partir de cada pergunta, nãosendo, por exemplo, o mesmo professor a ter falado em todas as perguntas. 4.1. A entrevista Foto 6: Professores discutindo sobre o tema eleição.Pergunta 1- Você em sua escola tem que seguir algumametodologia/plano de ensino?
    • 37Professor 1- Sim, normalmente a gente segue.Professora 2- Temos sim que fazer um planejamento, mas a escola em quetrabalho me dá liberdade para trabalhar com qualquer assunto extra, masdesde que seja dentro do tema em que eu estou trabalhando naquele momentoe naquela turma. Portanto eu tenho liberdade sim.Pergunta 2- Você trabalha com questões relacionadas à política no ensinobásico do sexto ao nono ano?Professora 1- Quando eu trabalhava em sala de aula sim, eu trabalhei. Euexplicava quem era o prefeito, o vereador, pra que servia a assembléialegislativa, o que era o poder executivo e judiciário. Pra que servia todas essasesferas, qual era a importância delas, porque existia o voto. E sempre surgiamaquelas dúvidas que nós professores já conhecemos desse assunto. E naépoca da eleição a gente acostumava trabalhar com “urninha”. E dois alunosvotavam e tudo isso a gente fazia. Mas como eu trabalhava somente com asséries iniciais eu não trabalhava com a crítica, mas desde antes eu tratava dapolítica em sala, com os conceitos para os pequenos.Professora 2- Eu acredito que os professores trabalham com política o tempotodo, mesmo que ele pense que não. Quando ele trata, por exemplo, a questãoambiental, ele relaciona o desperdício, com a falta de alimento, ele já estátrabalhando com política. Tudo que a agente trabalha em sala de aula, mesmoque indiretamente acaba envolvendo a política. Então, a gente não pode dizerque odeia política. A política está em nós. Inclusive na política educacional.Porque quando você coloca um líder em sala, tem escolas que tem grêmio, temescolas que tem eleição para diretores, então tudo isso está envolvendo apolítica. A política está no sangue e não temos como fugir. Você é obrigado dealguma forma a relacionar o assunto da política.Professora 3- Quando você nasce e os pais te registram você se torna umcidadão e é o seu primeiro ato político. E se a gente não conscientizar os
    • 38jovens a gente vai perder muita coisa. Porque como você (Thiemerson) disse ojovem vota e alguns meses depois ele já esqueceu pra quem ele votou, porexemplo. E esses jovens costumam falar que odeiam política, odeiam ospolíticos, e só com isso ele já está fazendo é um ato político.Professora 1- Esse negócio de ser a favor ou não de um político, de tomarpartido ou não de questões políticas nunca é livre, não tem como ser livre.Algumas pessoas dizem que votam em branco ou que vende voto. Nada dissoé suficiente. Nada disso vai fazer com que ele se redima da responsabilidadede participação, por quê? De uma forma ou de outra aquilo vai retornar paraele, seja por meio de sua decisão, ou seja, por meio da decisão dos outros queeles estão deixando que os outros tomem por meio da sua decisão.Professora 2- Complementando o que amiga acabou de falar alguns anosatrás quando eu era estudante, se eu não me engano nas séries iniciais veio aquestão do impeachment e ali o povo teve noção de como nós temos o poderpolítico forte, só que a gente está esquecendo isso. Isto está se perdendo como passar do tempo. Por isso que eu acho que os professores de geografia ehistória, quando trabalhar essa fase prática da política brasileira tinha queenfatizar que nós temos o poder enorme nas mãos. Não basta eleger, eleger éo mínimo. A gente tem que cobrar sim, a televisão fala isso, que a gente temque cobrar. E o povo se esquece disso. A gente tem que voltar isso para a salade aula. E olha vocês vão até concordar, eles (candidatos) estão incentivandopra „caramba‟ esses meninos de dezesseis anos a votar, porque eles achamque podem colocar qualquer coisa na cabeça desses meninos. E eles vão lá evão votar. Eu acho que a gente tem que colocar na cabeça desses meninosque eles têm o poder na mão, e que podem cobrar. Se não aqueles meninosvão lá naquela “bagunçinha” votar e vão embora.Professora 4- A gente ta costumado a tanta coisa suja na política que a gentese acomoda do que se revolta, aí a gente faz igual a colega que falou ali. Dávontade de votar no „menos pior‟, pra dizer que você não votou em branco.Tem que fazer justamente o outro lado: de votar, de cobrar de quem eu votei,porque você não está fazendo isso, ainda mais o vereador, que é o político
    • 39mais próximo, mais acessível. Porque o senador já é alguém mais distante.Mais por exemplo, nós podemos cobrar do presidente da associação demoradores do nosso bairro, do diretor da nossa escola, que acabamos deeleger, mas a gente não faz. Ou seja, a gente acaba se acomodando, sóreclamar e não agir. E a gente vai vendo as coisas sujas da política crescendocada vez mais.Professora 3- Voltando o que a amiga (professora 2) falou ela falou que nósvemos os alunos fazendo “festinhas” na hora de votar, é porque a nossa culturavem desde a colonização, a não ensinar e cobrar. Então o povo em geral nãosabe cobrar do político. Então aquele que tem menos acesso ao estudo ecultura então quando ele chega perto de um político ele até treme de medo.Porque ele nem lembra que foi ele que colocou, no poder. Ele não temconsciência disso. Então eles não vão cobrar.Professora 5- Eu acho que o voto não é uma arma mais. O voto foi uma armaquando existiu uma situação de oposição. E quem acompanha os bastidoresda política sabe que não existe mais essa situação de oposição. Existemconchaves, existem acordos, então o voto deixou de ser arma, não é armamais não.Professora 2- Eu acho que você tem que ensinar a lutar pelos seus ideais.Tem uma minissérie que passou há alguns anos atrás, chamado “AnosRebeldes”, você lembra a história daqueles rapazes? Eles lutaram por um idealpolítico deles. Muitos morreram mais ele lutaram. Então qual o nosso problemahoje? Nós não lutamos por nada, e quando a gente vai lutar, a gente é punidade alguma forma. Vocês já repararam na nossa greve de professores? A gentenão ta fazendo nada mais do que lutar pelos nossos direitos. Eles não estãoquerendo deixar lutar pelos nossos direitos, eles estão querendo pessoasapáticas. O que ta lá ta bom. Não te cobram, não te dá trabalho, não temproblema, só que a gente tem que lembrar que o povo pode só que a gentenão pode acomodar, se a gente acomodar acabou.
    • 40Pergunta 3- Este ano há eleições, vocês pretendem trabalhar de algumaforma com seus alunos?Professora 1- Este ano, nós estamos com o calendário completamentecorrido, pedagogicamente falando, por que nós estamos com muitas datascomemorativas seguidas. A gente não pode esquecer o Dia das Mães, nãopode esquecer-se da Copa, não pode esquecer-se das Eleições. Eu falo comopedagoga. Então a gente tem que trabalhar um de cada vez. A gente estátrabalhando com a Copa, mas nós não nos esquecemos das Eleições. E prafalar a verdade, nós sabemos que existem muitos interesses políticos para, porexemplo, saber quem será o campeão e para os investimentos nas cidadessede da Copa de 2014. Mas que nós vamos trabalhar isso vamos, mas eu teconfesso que eu ainda não sei como.Professora 2- Eu, essa semana, estava pensando e dando uma „pincelada‟ noassunto, porque como eu trabalho com Geografia, faz parte da minha matéria,eu pensei em trabalhar com sistemas políticos e eu estou agora começandocom este assunto, principalmente com o oitavo e nono ano.Pergunta 4- Você faz discussões em sala para incentivar o olhar crítico doaluno?Foto 7: Professora coloca o seu ponto de vista frente a política.
    • 41Professora 1- Isso é uma prática cotidiana na sala de aula. Todas asquestões, só pelo fato de você não colocar o aluno para agir, pensar, isso aí jáé uma ação que você faz para ele não avançar. A partir do momento que vocêcoloca o aluno para fazer uma coisa „mecânica‟ ou não faz nenhuma reflexão,você está contribuindo para que ele seja letárgico e apático. Essa é a intençãomesmo, você não ter o dialogo para não tirar a criança da letargia. Isso é ruim.Professora 2- Com certeza, isso é muito importante. Eu não deixo de fazer osmeus alunos participar. Por exemplo, quando eu trabalho com os doissistemas, o Capitalismo e o Socialismo, eu sempre faço um paralelocomparando e, nesse momento, eu sempre reforço o nosso lado brasileiro queculturalmente nós não fomos preparados para entender os direitos que nóstemos para exigir.Professora 3- Eu acho que nós temos que ensinar desde pequenininhos. Atéuma historinha que você vai contar lá na educação infantil, lá nas sériesiniciais, você tem que fazer com que a criança veja alguma coisinha. Vocênunca vai contar uma história por contar. Você já tem que estar colocando paraessas crianças essas questões, porque se você deixar para falar de política sóquando ele estiver lá no sexto ano, no oitavo ano, você já perdeu grande parteda vida dele que você poderia estar construindo um cidadão melhor. Nãoprecisa ser exatamente sobre política, mas uma brecha que você tem parainserir sobre política, cidadania, preconceitos, você já está contribuindo para odesenvolver daquelas crianças, que pode surtir efeito ou não lá na frente.Depende de todo um contexto de onde ele vive e tal, mas você tem quecomeçar cedo.Professora 1- No início as colegas falaram aqui a questão de que quandonascemos já estamos inseridos na política. Nós somos políticos. Não tem jeito.Aquela expressão “a política” é errada. E a questão do posicionamento, como acolega agora falou. A gente se posiciona fazendo política pra gente ou umapolítica coletiva que é a melhor forma de viver. É como ela (professora) falou:ou você se posiciona de uma forma ou de outra. E formar pessoas conscientes,pessoas que se posicionem é uma opção. Você (professor) tem uma
    • 42responsabilidade muito grande. E o que a gente ta vendo é muita genteirresponsável, muito educador irresponsável.Nós temos que pensar que estamos envolvendo muitas pessoas, muitas vidas.E a gente está vendo muita irresponsabilidade nessa questão. Como professor,como pedagogo, nós temos que prestar muita atenção no que estamosfazendo ou no que estamos falando, e nas atitudes que estamos tomando.Pergunta 5- Quando você fala de eleições com seus alunos é sondado deque forma?Foto 8: Professor cria forma de trabalhar em sala de aula com política.Professora 1- Essa questão de falar especificamente de eleições, eu achovocê pode fazer com que ele (aluno) chegue nesse assunto. Você podesondar, fazer ele falar, principalmente agora que é ano eleitoral, você podepegar assuntos pertinentes e está levando para falar o que ele acha, porexemplo, se têm políticos na religião dele, no caso estudar qual o papel decada político. No caso eles vão abrir a consciência deles para saber os papéis.Eu me lembro o professor da minha quinta série (do antigo EnsinoFundamental) dizendo: “gente, o senador não faz obras, ele só aprova asnovas leis. Então se o senador ficar prometendo obras, não acredita nele”.
    • 43Então, eu acho importante ensinar, quem faz o que (na política), porque essespolíticos vão aos bairros carentes e prometem coisas surreais para secandidatarem. Então, qualquer assunto que for pertinente que chegue aoouvido dele é bom falar, principalmente esse ano.Muitos alunos perguntam sobre política aos seus pais e muitos dizem nãogostar de política e de políticos, e dentro da escola, o aluno tem maior base.Igual ao que a professora disse antes: é bom ensinar um pouco de política aessas crianças desde as séries iniciais. Então, na escola, nós podemos mudarum pouco essa questão de não gostar de política.Talvez essa geração que nós temos educado, possa começar a mudar essahistória (dês desgosto com política). Assim como a outra professora disse, nóssabemos que tem muitos conchavos por trás das „mangas‟, mas não são todos.Então nós temos que começar a mudar essa realidade dentro da escola. Nós,como professores, podemos e temos que formar pessoas com consciência. Éum trabalho árduo e que talvez nós só teremos resultados daqui a muitos anos,mas temos que começar agora, porque se não eu acho que a nossa profissãonão tem sentido.Professor 2- Eu acho importante a gente colocar na cabeça dessas criançasuma cultura de cobrança desses políticos, porque isso realmente não existe. Esobre a questão de falar de política nas escolas, só o fato de este ano você terCopa do Mundo de Futebol cassado justamente com o ano eleitoral, isso pramim é até certa „aberração‟ para poder desviar o foco não só da criança, de aténós mesmos já com censo crítico formado. Então eu acho importante explicarpara as crianças que este ano vai ter eleições para governador, senador entreoutros, e fazê-los entender que estas pessoas que eles estão elegendo é queno futuro irá disponibilizar verba e outras coisas como aposentadoria para ointeresse deles (alunos).Quando é uma questão local, quando há eleições para vereador e prefeito, euacho que você tem que trabalhar mais focado com o aluno. Por exemplo, overeador fiscaliza o prefeito e cria leis e o prefeito é o executor disso, mas uma
    • 44coisa bem crítica que poderia trabalhar com aluno que eu acho que daria certo,é sobre as necessidades do bairro daquele aluno onde ele mora. Se há postode saúde, se ele funciona, se nas escolas públicas precisa de alguma coisa oureforma, se há professores para todos, se a rua é pavimentada, se hásaneamento básico, por que todas essas coisas são responsabilidades doprefeito e do vereador que foi eleito por aquela comunidade e cabe a eles estarsolucionando estes problemas. Aí sim, é mais fácil você estar incentivando oaluno a estar cobrando algo que está ao alcance deles.Professora 1- A política comanda em todos os aspectos. E eu vi no jornalsemana passada que as pessoas estão comprando televisores maiores e seendividando para assistir melhor a Copa. Só que quando chegar na época daspropagandas políticas, essa televisão será desligada. As pessoas nãoentendem como é importante ele conhecer os candidatos, o que eles pensam,qual a postura deles, enfim, não querem saber conhecer melhor o seurepresentante.E outra coisas importante que pensei aqui, é que nas escolas nós podemosformar também bons candidatos à política. Talvez daqui a alguns anos, essealuno pode ser eleito pela sua comunidade e ele pode fazer muito pelo seumunicípio. E ele pode trazer novamente a idéia de representante do povo quese perdeu hoje em dia.Professora 3- Eu concordo que há muitos políticos que acham que a política éum meio de „vida‟ (de trabalho para sobrevivência). Mas eu acredito que hápessoas que estão na política para fazer coisas boas, porque se não, como nóspoderíamos chegar aonde chegamos? Será que toda a política acabou? Eunão posso mais acreditar em nenhum político?Professora 4- Eu acho que a preocupação da colega é a mesma que a minha.É claro que existem políticos bem intencionados. Eu conheço um vereador quese elegeu e depois de quatro anos ele nunca mais quis saber de cargo político.Então, há pessoas de boa fé. Então como eleitor nós temos que nos perguntar:qual a proporção de pessoas bem intencionadas que nós elegemos para
    • 45trabalhar? Porque também há políticos que quando se elegeu fez muita coisa,mas quando se elege para um segundo mandato, ele não faz mais nada. Mas agente não pode perder a esperança.Professora 3- Mas quando você perde a esperança, você não deixa de fazerpolítica, por que você continua fazendo parte da sociedade.Professora 1- Se eu sou uma pessoa bem intencionada, então na sala de aulaeu posso trabalhar com essa boa intenção e educar os meus alunos de formaconscientizadora.Pergunta 6- Quando você fala de política, a „cara‟ dos alunos são sempreiguais?Professora 1- Eles detestam, dizem que isto está longe deles. Longe do localdeles, que muitos não prestam.Professor 2- Já aconteceu em uma escola em que trabalhei onde um alunodisse que o pai dele foi eleito e disse que agora ele estava morando em umbairro „digamos‟ mais nobre.Professora 3- O grande problema é que o nome política está sempreassociado aos cargos que nós elegemos. Eu penso que é por isso que aspessoas têm pavor de falar sobre política. A partir disso há pessoas que seintitulam apolíticos. Mas isso pode ser relacionado a outros assuntos dentro daescola. E acho que é por isso que eleição não deve ser falado só no ano deeleição. Todo ano de eleição tem Copa do Mundo e ela acaba escondendomais ainda a importância da política.E hoje as pessoas escolhem seus candidatos a partir da TV, e existe muito aquestão da beleza, da imagem da pessoa. Na época que Collor foi eleito minhavizinha argumentou que votou nele por isso. E Isso é imaturoPergunta 7- Você já buscou formas diferentes de abordar o tema eleiçõesem sala de aula?
    • 46Professora 1- Na Serra, eu já fiz em uma escola. Eu trabalhei com elesfazendo cartazes explicativos sobre diversos assuntos envolvendo política.Pedi para que fizessem entrevistas com os pais, já que eles (alunos) nuncatinham votado e depois nós expusemos esses cartazes para que todos osalunos e pessoas que passassem pela escola também poderiam ver.Professora 2- Eu já trabalhei sim, mais não envolvendo somente o temapolítica. Eu já trabalhei com os alunos em sala fazendo votação para líder deturma, já fiz algumas dinâmicas fazendo que eles votassem por pessoasdiferentes na sala que os representariam como político. Já trabalhei comalunos criando panfletos educativos sobre eleições para eles distribuírem narua. Não necessariamente trabalhando definições.Professora 1- Eu já trabalhei muito em sala essa questão teórica, de quem é oprefeito, quem é vereador, quem é o senador, deputado, mas nunca foi algomuito específico.Pergunta 8- Você acha importante abordar o tema “Eleições” no ensinobásico do sexto ao nono ano?Professora 1- Claro que sim. Eles precisam saber o que é política, para quêserve, o objetivo. Às vezes, muitos alunos não gostam de falar de política,porque eles não sabem o que podem conseguir com o voto. O problema é quea gente está vindo com tanto conteúdo que a gente não pode perder tantotempo com um tema tão importante. Aí, acaba sendo passado de forma bemrápida e atropelada. Você não pode ter tempo de focar porque se você passarmuito tempo com aquilo, você não dá conta do seu conteúdo, você não dáconta da suas provas e tal. Eu sei disso porque as vezes eu vou conversar comos professores e muitos falam que passam rapidinho e aí eu falo para que eles,mesmo passando rapidinho, não deixem de falar sobre esse assunto porque agente tem pouco tempo. Então, eu acho que coisas tão importantes comoeleição deveriam ter mais tempo, mas nós temos tantas coisas que não
    • 47sabemos o que são mais importantes priorizar para os alunos. Mas que éfalado, isso é, e pra mim é super importante. 4.2. Análise final da entrevistaFoto 9: Conversando com os professores sobre a entrevista e oficina.Achei muito satisfatório a entrevista com os professores, pois além daparticipação de grande parte deles no debate livre, diversos assuntosrelacionados às eleições foram destacados.A princípio a pergunta foi relacionada à política no geral. Muitos embasaramsuas respostas na política não como representativa, mas como algo jáinstitucionalizado, lembrando principalmente dos cargos políticos queelegemos, sendo que apenas uma professora tocou no assunto do “euescolho”.Logo depois, eles falaram algo importante. Uma das professoras disse que“nós já nascemos políticos”. Quando nascemos, estamos sujeitos àquilo quenossos pais nos oferecem. Além disso, temos o tempo inteiro nos relacionado,mesmo sem querer, com outras pessoas próximas à nossa família. Essarelação de convivência é natural desde recém nascidos e nós não podemos
    • 48fazer nada contra isso, até porque essa dependência é necessária para anossa sobrevivência.Ainda na pergunta dois, os professores falaram da questão cultural, lembraramdo Movimento dos Caras Pintadas que conseguiram um impeachment do entãopresidente Fernando Collor de Melo e lembraram-se da importância de lutarpelos direitos como cidadão.Muitas pessoas hoje desacreditam, mas mais pelo fato de não teremferramentas que possam fiscalizar o que os políticos eleitos estão fazendo,mas mesmo assim, não procuram orientação para exigir mudanças e o queacontece muito é a acomodação por grande parte da população e com issoesquecem que o seu papel como cidadão é o de cobrar.Outro ponto fundamental que foi tocado é a questão cultural da política noBrasil. Essa acomodação visível da população não é de agora. Já vêm dealgum tempo. Os movimentos contra questões políticas, sempre foram pormotivações que prejudicava uma grande parcela da sociedade brasileira, masos problemas locais, que talvez seriam fáceis de resolver, costumam ser osque demoram uma eternidade para serem resolvidos. O brasileiro tem umavelha cultura de deixar que outro resolva e só participa de algum movimento seaquilo for de seu interesse, sendo que a política deveria ser pensada para ocoletivo.Com isso, os pais que hoje não se interessam por essas questões e que nuncatocam no assunto de política em casa, tornam os seus filhos como eles, e estescrescem sem expectativas de mudança. E mais uma vez, porque não pensamno coletivo e muito menos buscam por seus direitos como cidadão.Quando perguntado aos professores se eles já estavam se programando paratrabalhar com seus alunos sobre eleições, uma vez que este ano é um anoeleitoral, apenas duas professoras responderam a essa pergunta, sendo queuma alegou falta de tempo para uma melhor elaboração do assunto paratrabalhar com os alunos.
    • 49Essa mesma professora alegou que “há muitas datas comemorativas e quedevem ser colocadas para se trabalhar com os alunos e que quando chegarpróximos a eleição, eles com certeza iriam trabalhar com o tema política”.O problema para alguns professores é que a falta de tempo e o planejamento aque são submetidos faça com que eles não deem tanta ênfase no assunto,uma vez que o conteúdo das turmas já são imensos e os professores sedesdobram para trabalhar tudo, mesmo que para eles é super importante aconscientização.Essa conscientização pode ser trabalhada através do olhar crítico dos alunos.Todos os professores foram unânimes em dizer que isso é importante etrabalham focando a questão de fazer com que o aluno participe, que dê suaopinião, que forme sua linha de raciocínio. Isso já contribui para que ele (aluno)se sinta importante e ele sabe que sua „voz‟ pode ser ouvida. Isso o faz sesentir importante e cria nele um incentivo maior de participação em decisões nasala de aula e que depois poderá participar nas decisões da sua escola, de umgrêmio estudantil, do seu bairro, do seu município etc.Foto 10: Professores estudando um texto de eleições.Além da conscientização, há a questão da educação em sala de aula. Nós,“futuros professores” e professores, temos a obrigação de incentivar o aluno a
    • 50pensar como uma pessoa capaz de formar sua opinião, e isso é umaresponsabilidade tremenda. Uma das professoras cita que “há muitosprofessores irresponsáveis nesse sentido”. O professor lida com sereshumanos e suas atitudes podem ajudar ou não na formação destes alunos. Porisso é importante que o professor esteja preparado para quando abordar esteassunto.Todos os professores disseram ser importantes começar com aconscientização do aluno desde cedo. Se possível, desde as séries iniciais.Obviamente que para cada faixa etária, seria necessário criar formas que estespudessem compreender melhor e assim evoluir.Segundo o Plano Decenal de Educação para todos de 1993-2003: Compreender que as melhorias nas condições de vida, os direitos, os avanços técnicos e tecnológicos e as transformações sócio-culturais são decorrentes de conflitos e acordos, que ainda não são usufruídos por todos os seres humanos e, dentro de suas possibilidades, empenhar-se em democratizá-las (BRASIL, 1993, p. 121)O professor de Geografia tem papel fundamental de tornar o aluno um críticoda sociedade em que vive principalmente por causa das diferenças sociais eculturais que fazem de nosso país um lugar onde se devem lutar,principalmente os mais atingidos por estes fatos, para que consiga umamudança real nas condições hoje vivida.E não somente lutar pelo que eu quero. A democracia só tem sentido quandolutamos por algo comum, quando vai ao encontro do interesse coletivo. E éisso que nos torna cidadãos conscientizados.
    • 51 5. Do encontro com professores à solidão das reflexões...Este trabalho trouxe-me diversas dúvidas ao começar a elaborá-lo. Trouxe-metambém muito conhecimento a respeito do tema, pois, como aqui foi citado pordiversas vezes, o brasileiro se acomodou em pensar na política como algodesinteressante. E este trabalho veio como uma forma de alertar e atentar,principalmente aos educadores de Geografia, que é necessário mudar essepensamento, principalmente com os alunos do ensino básico que ainda estãoem formação.Levi, a partir de Maquiavel, relata em uma passagem o modo como devemosver a política: Maquiavel, que inaugura um novo modo de encarar a política, é o primeiro a entendê-la como um jogo de paixões e interesses animados por forças opostas. Na sua obra máxima, ele não se dirige a sabedoria do príncipe, mas exclusivamente a seus interesses (LEVI, introduction, in Maquiavel, apud BUFFA, 1987, p. 20).Quando nós vemos estes adolescentes crescerem dizendo não gostar depolítica, na verdade eles juntam essa idéia geral aos políticos. Essesadolescentes que estão descontentes estão ainda abrindo sua cabeça paranovos conhecimentos e é nessa época em que ele se interessa por váriosassuntos novos.O problema aparece quando a sociedade em que ele vive, mostra a políticacomo algo desnecessário e que não é bom ele perder tempo com isso. A mídia,por exemplo, mostra o tempo inteiro sobre escândalos políticos, desvios dedinheiro, licitações apoiadas etc. A respeito disso Santos diz que: Em lugar do cidadão surge o consumidor insatisfeito e, por isso, voltado a permanecer consumidor (SANTOS, 1993, p.17).Há também os próprios pais e familiares que esses meninos convivem que nãotem uma formação política adequada para passar para eles. E o maior
    • 52problema de todos são as escolas, seus planejamentos e seus livros didáticosque não dão importância para o estudo. Pegando como base a fala de umapedagoga que participou da entrevista, ela afirma que: O problema é que a gente está vindo com tanto conteúdo que a gente não pode perder tanto tempo com um tema tão importante. Aí, acaba sendo passado de forma bem rápida e atropelada. Você não pode ter tempo de focar porque se você passar muito tempo com aquilo, você não dá conta do seu conteúdo, você não dá conta da suas provas e tal (Pedagoga que participou da entrevista no dia 21/05/2010 em Viana, E.S).Infelizmente esse ainda é um pensamento comum, não só nas escolas domunicípio de Viana, mas de todo o Brasil.Todos sabem que a política tem influência direta muito forte na nossa vida,porém muitos acreditam que as eleições, ou seja, o voto é a única forma departicipação na política. Um pensamento errôneo.Não há dúvidas de que a participação nas eleições é fundamental para ademocracia, mas isso não é o bastante. Hoje, como foi também muito citado naentrevista, há várias formas de participarmos da política. Em muitos municípios,há o chamado Orçamento Participativo, onde os moradores de certa localidadepodem ter acesso as informações da tesouraria do município e ainda podemdefinir as prioridades de obras em seu bairro, juntamente com os líderes queeles elegeram.Isso já é um bom caminho para voltarmos a falar de democracia. Mas essanoção de participação não deve parar por aí. Hoje, muitos meios decomunicação local dão espaço para a população fazerem reclamações daprefeitura sobre os problemas e dificuldades que estão passando em sualocalidade. E esses meios fazem um link direto com os órgãos responsáveis afim de tentar solucionar o problema.
    • 53Segundo o professor doutor Pedro Guareschi, (2000) “a palavra chave éparticipar”. Esse sistema votar-participar-cobrar deve estar sempre junto etrabalhado de forma paralela, pois, talvez seja essa a noção de democraciaque muitos brasileiros desconhecem. Nesse sentido, Vesentini escreve: Trata-se de ir em direção a uma nova ética e as novas maneiras de viver. Para nós, isso significa romper com o clientelismo e com as relações de favor, de dependência moral, em referência ao representante. Estabelecer novas relações entre as instituições e as pessoas, por meio das quais estas últimas dominem suas condições de existência, o que equivale dizer que se conviveria com uma de autogestão. Quaisquer relações que mantenham posições hierárquicas consolidadas, como verdadeiros estamentos, nos quais uns tem poder o outros não a detêm, comprometem essa idéia de cidadania (VESENTINI, 1999, p. 13).Quando votamos, estamos elegendo alguém para nos representar para onosso benefício coletivo. Então por isso é importante participarmos no voto.Quando elegemos um candidato, temos que entender que dependemos delepara tomar as decisões por nós. Então é importante participar junto a ele. Equando essas decisões não são executadas de forma correta, devemos cobrarpara obtermos resultados.A cidadania pode ser considerada uma luta constante para retomar perdasirreparáveis, mas no sentido de lutas por construções novas, resgatando-a.Isso envolve a geografia, como é possível imaginar o já exposto.A expressão cidadania que os professores devem passar para seus alunos éque eles devem pensar, decidir, desejar participar, enfim,.ele deve querer obem comum. Santos escreve: A cidadania, sem dúvida, se aprende. É assim que ela se torna um estado de espírito, enraizado na cultura. É nesse sentido, que se costuma dizer que a liberdade não é uma dádiva, mas uma conquista a manter (SANTOS, 1993, p. 7).
    • 54O votar é apenas uma expressão do seu anseio como cidadão. Isso não querdizer que ele participe da política somente de dois em dois anos. Isso é umaquestão a ser rompida e sem sombra de dúvida é na escola que isso devecomeçar. Formar cidadãos desde cedo deveria ser obrigatório. Conscientizar eformar cabeças pensantes já são uma prática comum, mas não no âmbitopolítico. Saviani propõe cinco passos para a o desenvolvimento do aluno naescola: O ensino seria o desenvolvimento de uma espécie de projeto, quer dizer uma atividade – vamos aos cinco passos do ensino tradicional: então, o ensino seria uma atividade (1° passo) que, suscitando determinado problema (2° passo), provocaria o levantamento dos dados (3° passo) a partir dos quais seriam formuladas as hipóteses (4° passo) explicativas do problema em questões, empreendendo alunos e professores, conjuntamente, a experimentação (5° passo), que permitiria confirmar ou rejeitar as hipóteses formuladas (SAVIANI, 1983, p. 85).Essa forma de ensinar seria algo mais fácil de entender a política, pois oprofessor instigaria o aluno a pensar sobre o assunto e a partir doconhecimento do aluno, o professor passaria o conteúdo de forma que o alunopudesse compreender melhor. Quando o aluno é chamado a dizer o quepensa, ele se sente parte daquilo e toma essas verdades para ele, e oprofessor faz seu trabalho de conscientizar. E é o professor de Geografia, omaior responsável por isso. Damiani afirma: A geografia deve participar dessa experiência, enquanto pensamento/ação (DAMIANI, 1999, p. 61).Portanto, nós devemos pensar em todos esses conceitos aqui estudados,política, cidadania, eleição, democracia, como um conjunto de idéiasinseparáveis, “apesar de serem distintos e dotados de especificidades próprias”(SAVIANI, 1983, p. 49).
    • 55Os políticos brasileiros não acreditam no povo como entidade consciente, semcapacidade de discernimento e de liberação. E o que precisamos dado aoatraso de ensino de política e cidadania, é que se eduque e conduza os alunospara uma maturidade política. Só assim, estaremos garantindo a cidadania edemocracia.Podemos considerar então que o voto é onde apenas começa a democracia.Nós, enquanto parte da sociedade brasileira, devemos cobrar dos políticos queelegemos capacidade de organização, não de opressão do sujeito.Então, espero que os professores de Geografia do ensino básico do sexto aonono ano, possam fornecer todos os conhecimentos necessários sobre esseconjunto de conceitos para a construção de conhecimentos significativos, quepermitem os alunos a se situarem dentro de uma sociedade politizada, eprincipalmente que esses conhecimentos sejam aplicados em seus espaços devivências: lar, escola, igreja, comunidade, bairro etc. Só assim estaremosconstruindo uma sociedade democratizada de fato.
    • 56 6. ReferênciasBRASIL. Ministério da Educação e do Desporte. Secretaria de EducaçãoFundamental. Plano Decenal de Educação para todos (1993-2003). Brasília:MEC, 1993.BUFFA, Ester; ARROYO, Miguel; NOSELLA, Paolo. Educação e cidadania:quem educa o cidadão? Editora Cortez/ Autores Associados, 1987. 94 p.CARLOS, Ana Fani (organizadora). A Geografia na sala de aula. São Paulo:Contexto, 1999, p. 7-61.ANDRADE, Manuel Correia de. Trajetória e compromissos da geografiabrasileira IN: CARLOS, Ana Fani (organizadora), A Geografia na sala de aula.São Paulo: Contexto, 1999, p. 9-13.DAMIANI, Amélia Luisa. A Geografia e a construção da cidadania IN:CARLOS, Ana Fani (organizadora). A Geografia na sala de aula. São Paulo:Contexto, 1999, p. 50-61.VESENTINI, José Willian. Educação e ensino da Geografia: instrumentosde dominação e/ou libertação IN: CARLOS, Ana Fani (organizadora). AGeografia na sala de aula. São Paulo: Contexto, 1999, p. 14-33.CASTROGIOVANNI, A. C. (org.) Apreensão e compreensão do espaçogeográfico. IN: Ensino de Geografia: práticas e textualizações no cotidiano.Porto Alegre: Mediação, 2000.p 11-22.CALLAI, H. C.; CASTROGIOVANNI, A. C (org.). Estudar o lugar paracompreender o mundo. IN: Ensino de Geografia: práticas e textualizações nocotidiano. Porto Alegre: Mediação, 2000. p. 83-92.CAVALCANTI, Lana de Souza. Geografia e práticas de ensino. Goiânia:editora Alternativa, 2002, volume 1, 127 p.
    • 57CHAUÍ, Marilena: Convite à Filosofia. São Paulo: editora Ática, 6° Ed, 1997. p.367-435.Educação e Sociedade. Revista de Ciência da Educação. Volume 28.Jan/Abr 2007.LACOSTE, Y. A geografia – isso serve, em primeiro lugar, para fazer aguerra. Tradução de Maria Cecíllia França. Campinas: Papirus, 1988. 263 p.MARTINEZ, Paulo. Direitos de cidadania: um lugar ao sol. São Paulo:Scipione, 1996, p. 6-49.SANTOS, Milton. O espaço do cidadão. São Paulo: Nobel, 1993, 142 p.SAVIANI, Demerval. Escola e democracia. São Paulo: editora Cortez, 1983.96 p.WOOLDRIDGE, S. W. ; GORDON EAST, W. Espírito e propósitos daGeografia, 2° Ed. Zahar Editores, 1967. P.13-24; 127-147.Entrevista com Pedro Guareschi ao Jornal Mundo Jovem. No voto começa ademocracia. São Paulo, p. 12, setembro de 2000.Site da Presidência da República onde se encontra a Constituição daRepublica Federativa do Brasil de 1988. Disponívelem:<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao.htm>Acesso em: 05 de abril de 2010.HOLANDA, Sérgio Buarque de. Introdução à democracia. 18 de setembro de1956. Disponível em: <http://almanaque.folha.uol.com.br/sergiobuarque_democracia.htm>. Data doacesso: 28 de maio de 2010.