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The research paper search demonstrate how web 2.0’ tools can operate in the libraries …

The research paper search demonstrate how web 2.0’ tools can operate in the libraries
helping the patron’s care process and promoting improvements in the services of the reference sector. Through a literature review are presented the main tools and features, identified examples of their application in information units, introduce aspects about the appearance of the internet and web 2.0. Also presents the historic of the main functionalities and concepts of the tools such as: Google, YouTube, Wikipedia, Flickr, Delicious, Twitter, Blogs, RSS Feed and Facebook. After the conceptual analysis of these tools begins to study focused in the patron’s care and compares the libraries
generations (library 1.0 x library 2.0). Then presented examples of how these tools can
be utilized in libraries, especially in the reference sector. It is concluded that the
importance of the adoption of these tools in information centers, the value, the lack of
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  • 1. 0 JESUS, Deise Lourenço de. Produtos e serviços da web 2.0 no serviço de referência das bibliotecas. 2009. 74 f. Trabalho de conclusão de curso (Bacharel em Biblioteconomia). Departamento de Ciência da Informação e Documentação, Universidade de Brasília, Brasília. 2009. RESUMO Este trabalho busca demonstrar como as ferramentas da web 2.0 podem atuar nas bibliotecas auxiliando o processo de atendimento ao usuário e promovendo melhorias nos serviços prestados pelo setor de referência. Por meio de uma revisão de literatura, são apresentados quais são as principais ferramentas e suas funcionalidades, identifica exemplos da sua utilização em unidades de informação, introduz aspectos sobre o surgimento da internet e da web 2.0 e apresenta o histórico de funcionamento das principais funcionalidades e conceitos de ferramentas como: Google, YouTube, Wikipédia, Flickr, Delicious, Twitter, Blogs, RSS Feed e Facebook. Após análise conceitual dessas ferramentas se inicia um estudo sobre o serviço de referência com foco no atendimento ao usuário e compara as gerações de bibliotecas (biblioteca 1.0 x biblioteca 2.0). A partir de então são apresentados exemplos de como tais ferramentas podem ser utilizadas na biblioteca, especialmente no setor de referência. Conclui-se que a importância da adoção dessas ferramentas em centros de informação, a utilidade das mesmas, a falta de iniciativa por parte das bibliotecas brasileiras, o rápido avanço e desenvolvimento de unidades de informação estrangeiras, principalmente americanas em relação a utilização de ferramentas da web 2.0 é um fato que deve ser considerado pelos profissionais da informação como ponto central do processo de evolução das bibliotecas num futuro próximo. Palavras-chave: Web 2.0. Biblioteca. Serviço de Referência. Internet. Atendimento ao usuário.
  • 2. 1 Jesus, Deise Lourenço de. Products and services of web 2.0 in the reference service of libraries. 2009. 74 f. Final paper. (Librarianship graduate). Department of Information Science and Documentation, University of Brasilia, Brasilia. 2009. ABSTRACT The research paper search demonstrate how web 2.0’ tools can operate in the libraries helping the patron’s care process and promoting improvements in the services of the reference sector. Through a literature review are presented the main tools and features, identified examples of their application in information units, introduce aspects about the appearance of the internet and web 2.0. Also presents the historic of the main functionalities and concepts of the tools such as: Google, YouTube, Wikipedia, Flickr, Delicious, Twitter, Blogs, RSS Feed and Facebook. After the conceptual analysis of these tools begins to study focused in the patron’s care and compares the libraries generations (library 1.0 x library 2.0). Then presented examples of how these tools can be utilized in libraries, especially in the reference sector. It is concluded that the importance of the adoption of these tools in information centers, the value, the lack of initiative by Brazilian’s libraries, the fast advance and developing of foreign information units main the Americans ones in relation to application of the web 2.0 tools is a fact that must be considered by information professionals as main point of the evolution process of libraries in a future soon. Keywords: Web 2.0. Library. Reference Service. Internet. Patron’s care.
  • 3. 2 LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Gerações da Web ............................................................................... 21 Figura 2 – Número de verbetes da Wikipédia ..................................................... 27 Figura 3 – Página inicial do Flickr ........................................................................ 29 Figura 4 – Página inicial do YouTube .................................................................. 31 Figura 5 – Exemplo de perfil no Facebook .......................................................... 33 Figura 6 - Quadro de evolução do Twitter ........................................................... 35 Figura 7 – As atividades de uma biblioteca ......................................................... 43 Figura 8 – A rede da biblioteca 2.0 ...................................................................... 47 Figura 9 – University of Sydney – Meta Wiki ....................................................... 49 Figura 10 – Charles Stuart University – Library Wiki ........................................... 50 Figura 11 – Blog da biblioteca da Universidade de Aveiro .................................. 58 Figura 12 – RSS Feed – Library of Congress ...................................................... 62 Figura 13 – RSS Feed – Biblioteca Digital de Teses e Dissertações/IBICT ........ 63
  • 4. 3 LISTA DE QUADROS Quadro 1 – Web 1.0 x Web 2.0 ........................................................................... 18 Quadro 2– Serviços do Google ........................................................................... 24 Quadro 3 – Biblioteca 1.0 x Biblioteca 2.0 ........................................................... 44
  • 5. 4 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS AIM AOL Instant Messaging AJAX Asynchronous Javascript and XML API Application Program Interface ARPA Advanced Research Projects Agency C&RL College & Research Libraries News DSI Disseminação Seletiva de Informação EVDB Events and Venues DataBase HTML Hyper Text Markup Language IBICT Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia IM Instant Messaging/Messenger LIBGUIDES Library Guides MIT Massachussets Institute of Tecnology MP3 MPEG Layer 3 OPAC Online Puclic Acess Catalog OWL/RDF Web Ontology Language / Resource Description Framework RSS Really Simple Syndication SAAS/RIA Software as a Service / Rich Internet Application TCP/IP Transfer Control Protocol / Internet Protocol UA Universidade de Aveiro URL Uniform Resource Locator VOIP Voice Over Internet Protocol
  • 6. 5 WDSL Web Services Description Language WEB OS Web Operation System WEB/SOA World Wide Web / Service-Oriented Architecture WWW World Wide Web XHTML Extensible Hyper Text Markup Language XML Extensible Markup Language
  • 7. 6 SUMÁRIO 1 Introdução........................................................................................................ 13 2 Um breve histórico da internet....................................................................... 15 3 Web 2.0............................................................................................................. 17 3.1 O que é Web 2.0.......................................................................................... 19 3.1.1 Aplicações .................................................................................................. 22 3.2 Ferramentas gerais da Web 2.0 .................................................................. 23 3.2.1 Google......................................................................................................... 23 3.2.2 Wikipédia..................................................................................................... 25 3.2.3 Flickr............................................................................................................ 27 3.2.4 Youtube ....................................................................................................... 29 3.3 Ferramentas de relacionamento social ....................................................... 32 3.3.1 Facebook .............................................................................................. 32 3.3.2 Twitter ................................................................................................... 34 3.3.3 Delicious ............................................................................................... 36 3.4 Ferramentas de divulgação ........................................................................ 37 3.4.1 Blogs ..................................................................................................... 37 3.4.2 RSS ....................................................................................................... 38 3.5 Ferramentas de atendimento remoto .......................................................... 39 4 O serviço de referência .................................................................................. 40 4.1 Definição e importância .............................................................................. 40 4.2 Os usuários ................................................................................................... 42 4.3 Os serviços de informação na era da internet ............................................... 44 5 A Web 2.0 e a biblioteca 2.0 ........................................................................... 46 5.1 As ferramentas da web 2.0 no serviço de referência .................................. 47 5.1.1 Ferramentas de pesquisa ........................................................................... 48 5.1.1.1 Wikis ............................................................................................. 48 5.1.1.2 Flickr ............................................................................................. 51 5.1.1.3 Youtube ........................................................................................ 53 5.1.2 Ferramentas de relacionamento social ....................................................... 54 5.1.2.1 Facebook ...................................................................................... 54 5.1.2.2 Twitter ........................................................................................... 56 5.1.2.3 Social Bookmarking ...................................................................... 56 5.1.3 Ferramentas de divulgação ........................................................................ 57 5.1.3.1 Blogs ............................................................................................. 57 5.1.3.2 RSS .............................................................................................. 60 5.1.4 Ferramentas de atendimento remoto ......................................................... 63 5.1.4.1 Mensagens instantâneas .............................................................. 63 5.1.4.2 Skype ............................................................................................ 65 6 Considerações finais ..................................................................................... 67 Referências ........................................................................................................ 70 Bibliografias Consultadas ................................................................................ 72
  • 8. 13 1 Introdução O mundo globalizado permitiu o avanço da tecnologia de maneira surpreendente e aos poucos consegue acompanhar tais inovações. Um dos papéis da nova biblioteca, ou como alguns autores já denominaram a “biblioteca 2.0” é se utilizar de toda essa tecnologia disponível para melhorar e aperfeiçoar os seus produtos e serviços. Dentro das bibliotecas e centros de informação que mais pode tirar proveito da nova geração da World Wide Web, a web 2.0, é o setor de referência. O atendimento ao usuário apesar de ser feito diferentemente de uma biblioteca para outra, segue um certo padrão adotado por quase todos os centros de informação, ou seja, pesquisa, empréstimo, devolução e atendimento num sentido mais geral. O que se propõem no presente trabalho não é a substituição dos serviços de referência da biblioteca por atendimentos on-line, e sim, uma combinação entre as duas frentes para tornar o atendimento ao usuário mais eficiente. A biblioteca tradicional como instituição que todos estão acostumados a imaginar está sofrendo enormes mudanças. A maneira como a informação está sendo organizada foi alterada. Sistemas para informatização das bibliotecas estão disponíveis num nível avançado de desenvolvimento, com todos os setores interligados, ou seja, um mesmo sistema cadastra usuário, realiza empréstimos e devoluções, além de fazer todo o processamento técnico do livro, da catalogação à impressão de etiquetas. O foco das bibliotecas está se voltando para as tecnologias que podem se aliar ao funcionamento interno e externo dessas unidades. Os usuários e como a informação será repassada para eles, é um dos pontos chaves desse desenvolvimento. Dessa maneira, é necessário um estudo de como essas tecnologias que surgem na web podem se tornar um aliado no processo de atendimento do usuário sem deixar que elas ultrapassem o valor de uma biblioteca como fornecedor da informação. Ferramentas como o YouTube, Wikipédia, sites de relacionamento como o Facebook e o MySpace, são exemplos de como a biblioteca pode se interar dessa tecnologia utilizando o conteúdo disponibilizado para auxiliar o atendimento ao usuário. A web 2.0 também pode estar presente de outras maneiras, como na divulgação da biblioteca por meio desses serivços e a disseminação da informação com o Really Simple Syndication (RSS).
  • 9. 14 A motivação para o tema central a ser abordado neste trabalho se deu com a notória rapidez com que a tecnologia da web se desenvolve e como tal pode ser útil num ambiente que precisa acompanhar essa evolução, como é o caso das bibliotecas tradicionais e até mesmo as chamadas bibliotecas digitais ou eletrônicas. Pois cada mudança significativa que acontece no mundo virtual afeta diretamente o mundo real e o comportamento dos usuários, que ficam cada vez mais exigentes e desejosos de informação na mesma velocidade que a Internet pode oferecer com a mesma precisão dos melhores mecanismos de busca disponíveis. O presente trabalho teve como objetivo identificar as tecnologias da web 2.0 que podem ser utilizadas como ferramenta na oferta de serviços e produtos na referência para o atendimento aos usuários. Diante desses fatos, perguntou-se: como as bibliotecas podem utilizar a tecnologia e a interatividade da web 2.0 na provisão de produtos e serviços para seus usuários? A metodologia empregada para o desenvolvimento desta pesquisa, foi a revisão de literatura cronológica, analisando a evolução da web desde a sua eclosão até o momento atual. O cronograma foi composto por quatro fases. Na primeira, trata-se da coleta de material, elaboração dos pontos principais a serem desenvolvidos dentro do trabalho e da pesquisa bibliográfica. Na segunda fase, apresenta-se o estudo do material coletado, identificação dos pontos principais para ênfase em produtos e serviços e organização do material coletado. Na terceira fase é descrita a elaboração da parte escrita e o estudo e avaliação do material escrito. Na quarta fase expõe-se a avaliação da literatura revisada e considerações finais sobre a viabilidade da utilização das ferramentas da web 2.0 nas bibliotecas.
  • 10. 15 2 Um breve histórico da Internet A internet, como a conhecemos hoje, é resultado de 40 anos de evolução e desenvolvimento. No início, na década de 1960, o governo americano criou um sistema no intuito de unificar os programas de pesquisa elaborados por suas universidades para fortalecer o conhecimento gerado e superar a antiga União Soviética na corrida pela liderança militar, esse programa ficou conhecido como Arpanet. A Arpanet constituía-se de uma rede de computadores criada por uma agência dos Estados Unidos, a Advanced Research Projects Agency (ARPA), em setembro de 1969, que permitia aos computadores uma vez conectados, transmitir e receber informações simultaneamente. (CASTELLS, 2003, p. 14) A partir dessa primeira rede iniciada pelo governo americano, novos projetos surgiram para melhorar o desempenho da mesma. Foi assim que apareceram os protocolos, TCP e o IP, que depois se uniram formando o TCP/IP utilizado até hoje como protocolo de transferência de dados da internet. Com o crescimento e o envolvimento de várias camadas da sociedade no projeto da Arpanet, o governo começou a temer pela segurança das informações tomando assim, a decisão de criar sua própria rede de dados para interesses militares específicos, dedicando a Arpanet para pequisa, que então tornou-se ARPA-INTERNET em 1983. Em 1990 devido ao rápido desenvolvimento das tecnologias da internet, a Arpanet ficou ultrapassada, sendo descartada pelos Estados Unidos. Esse acontecimento motivou a privatização da internet. Com a tecnologia iniciada pelos militares americanos, várias empresas do ramo da computação deram início a pesquisas voltadas para o desenvolvimento dessa tecnologia, e em meados de 1990, a maioria dos computadores norte-americanos já tinha capacidade para se conectar a internet. Inúmeras empresas tentaram tomar a dianteira no processo, entre elas a IBM e a Microsoft. O modelo de implementação que mais se destacou foi o do inglês Tim Bernes- Lee que criou o www, chamado por ele mesmo de World Wide Web, um sistema de compartilhamento de informações baseado nas tecnologias de rede. Com uma
  • 11. 16 plataforma de operação definida começaram a ser desenvolvidos os chamados navegadores, ou seja, o programa que serviria como interface para o usuário da rede. O primeiro navegador mais difundido a ser comercializado foi o Netscape Navigator. Em 1995, a Microsoft lança juntamente com Windows 95, seu navegador, o Internet Explorer. De 1995 até os dias atuais, uma das tecnologias que mais tem ganhado espaço e credibilidade no mercado são as de código aberto. Assim aconteceu com o Mozilla Firefox, um navegador de código aberto inicialmente disponibilizado para o sistema operacional Linux, e também com portabilidade Windows. A web, desde que surgiu em 1993, tem modificado a vida de toda a sociedade e proporcionado um nível de globalização das informações, antes só conseguida através dos meios de comunicação mais difundidos como rádio e televisão. Entretanto, todos esses meios de comunicação se tornam obsoletos quando comparados com a tecnologia disponibilizada pela internet. Todos os tipos de mídia se unem nela. Não apenas a comunicação foi afetada pelo advento dela, a maneira de se fazer ensino, a maneira de atuar do governo, causando revoluções no mercado de trabalho e até mesmo mudanças drásticas na maneira de atuação das bibliotecas. Elas agora dispõem de recursos que há apenas 15 anos não eram nem imaginados pelos profissionais da área, como catálogos on-line, acervos informatizados, redes de cooperação, serviços de referência, pesquisas, entre tantos outros que ainda podem ser citados. A adaptação a essas tecnologias precisa ser rápida, devido à constante evolução das mesmas. Nesse sentido, grande parte das bibliotecas e centros de informação estão ficando para trás quando comparados a outros setores que lidam com informação. Pois a web 2.0 disponibiliza recursos de interação e compartilhamento que podem auxiliar no processo de desenvolvimento de setores importantes da biblioteca, como o setor de referência. Algumas das tecnologias da web 2.0 podem e devem ajudar no processo de busca e recuperação da informação e atendimento ao usuário no setor de referência.
  • 12. 17 3 Web 2.0 Nos Estados Unidos a internet entrou na vida das pessoas no início de 1993, a partir de então se consolidou como um dos meios de comunicação mais poderosos do planeta. Ela possibilitou inovações que mudaram a vida de toda a sociedade, conectando o mundo em tempo real e mantendo redes de relacionamento e interação que crescem e evoluem constantemente. O advento da internet modificou o modo como as pessoas vivem, a velocidade com que uma informação chega do outro lado do mundo, mudando todo o conceito de comunicação que a sociedade vivia há apenas 10 anos. A plataforma criada por Bernes-Lee organizava e representava os dados da rede de maneira mais visual, onde os usuários leigos poderiam utilizá-la como sendo apenas mais um programa sendo processado em seu computador. Utilizando os protocolos TCP/IP para transferência dos dados e a Uniform Resource Locator (URL) como endereço de cada página na internet, a rede se tornaria a principal fonte de informações e pesquisa dos usuários. Esse desenvolvimento evoluiu, criando os chamados navegadores ou “browsers”, os programas utilizados como mediador entre a web e o usuário. A partir do estouro da “bolha” em 2001 quando várias empresas quebraram devido à mudança do paradigma no comércio, onde a internet passou a ser um dos principais meios de divulgação e de mercado financeiro, a própria web começou a sofrer mudanças evoluindo para um novo conceito definido por O’Reilly como web 2.0 ou a segunda geração da web: O conceito de Web 2.0 começou com uma conferencia de brainstorming entre a O’Reilly e a MediaLive International. Dale Doughherty, pioneiro da Web e vice-presidente da O’Reilly, notou que, ao contrario de haver explodido, a Web estava mais importante do que nunca, apresentando instigantes aplicações novas e sites eclodindo com surpreendente regularidade. E, o que é melhor, parecia que as companhias que haviam sobrevivido ao colapso tinham algo em comum. Será que o colapso ponto-com marcou uma espécie de virada que deu sentido a uma convocação do tipo “Web2.0”? (O´REILLEY, 2005, p . 1) Desde a sua eclosão, em meados de 2004, a segunda geração de aplicações da web, ou web 2.0 tem se consolidado como algo presente constantemente na vida das pessoas. Muitos ainda acreditam que essa denominação seja algo apenas comercial,
  • 13. 18 que web 2.0 é apenas a evolução natural da web e que classificá-las em fases ou gerações nada mais é do que estratégias de marketing. Porém, estrategicamente ou não, a web 2.0 é algo real e que está presente na vida e no cotidiano de todos, mesmo daqueles que ainda não se deram conta disso. O mundo da web é virtual, rápido e fácil. Criar, participar e compartilhar são ações que o usuário da web 2.0 pode fazer com a mesma facilidade com que pode comprar uma revista em uma livraria. A interação é o novo lema da World Wide Web. Os sites estão cada vez mais participativos, deixando que a opinião do usuário decida o rumo a ser tomado pelos administradores No contexto da web 2.0 existem algumas diferenças básicas entre a segunda geração e a primeira que foram definidas no brainstorming promovido pela O’Reilley Media e a MediaLive International como as constantes do quadro 1. Web 1.0 Web 2.0 DoubleClick Google AdSense Ofoto Flickr Akamai BitTorrent Mp3.com Napster Britannica Online Wikipedia Personal websites Blogging Evite Upcoming.org and EVDB Domain name speculation Search engine optimization Page views Cost per click Screen scraping Web services Publishing Participation Content management systems Wikis Directories (taxonomy) Tagging ("folksonomy") Stickiness Syndication Fonte: Conceituando o que é web 2.0 (2008) Quadro 1 - Web 1.0 x Web 2.0 Os autores do quadro 1 deixam evidente que esses são apenas alguns dos exemplos que podem ser citados para diferenciar a web 1.0 da web 2.0. A intenção é demonstrar a mudança de atitude de uma geração para outra. Na primeira, o usuário era apenas um espectador do conteúdo disponibilizado e na segunda, ele se torna um agente participativo que pode criar, editar, opinar e compartilhar qualquer tipo de informação que desejar.
  • 14. 19 3.1 O que é Web 2.0 A definição para web 2.0 gira em torno de um termo designado para determinar uma nova geração na internet, que deixa de ter enfoque individual para ser compartilhada. Algumas definições de autores relevantes na área são apresentadas a seguir. Segundo O’Reilly (2005) “a web 2.0 é a mudança para uma internet como plataforma e um entendimento das regras para obter sucesso nessa nova plataforma”. Ainda na definição de Tim O’Reilly o criador do termo web 2.0 existem dois conceitos importantes para caracterizar a web 2.0: programação e conteúdo. Eles são parte essencial do que diz respeito à nova geração da web, pois o usuário pode programar e modificar o conteúdo de um site que adota a tecnologia da web 2.0. Isso faz com que a participação dos internautas seja a peça-chave na produção do conteúdo dos sites e como eles serão apresentados, como é o caso da Wikipédia. Outro conceito de web 2.0 que defende a perspectiva de que esse termo nada mais é do que uma simples jogada de marketing é a de Sampaio (2007). “Na verdade, a web 2.0 não representa nenhuma mudança tecnológica significativa, mas uma mudança de foco. Começou com uma percepção de que os websites deveriam se integrar, deixando de ser estanques e passando a trocar conteúdo”. Ao se estudar o conceito de web 2.0 é muito comum encontrar essa divergência na opinião dos autores, pois para alguns a segunda geração da web é a apenas uma evolução natural da primeira e nomeá-las em diferentes gerações seria apenas classificar e não criar um novo conceito para a web, pois nenhuma mudança significativa acompanha o surgimento da web 2.0 para justificá-la como tal. Segunda geração ou não, a verdade é que o conceito de web vem crescendo a cada dia e os estudos para entender esse fenômeno mundial que afeta não só a sociedade, mas também a economia já faz parte do dia-a-dia das pessoas. E dizer que não está inserido na web 2.0 é a mesma coisa que dizer que não vive no século XXI. A evolução das gerações da web se deu de maneira muito rápida. A primeira geração teve início na década de 1990, a segunda e atual surgiu em 2004 e já se fala
  • 15. 20 na terceira geração que será a web semântica, com recuperação inteligente do conteúdo disponibilizado na internet. A primeira geração da web que durou até 2003 possuía uma interatividade entre conteúdo/usuário muito menor da que a segunda que começou a se mostrar mais presente na rotina de utilização da internet quando Tim O’Reilly numa conferência em 2004, com várias empresas de mídia da internet, mencionou as novas aplicações que estavam surgindo na web como um ponto divisor entre duas gerações da World Wide Web. Cada era da web teve sua importância para o mundo virtual. Na primeira, o conteúdo era disponibilizado ao usuário, considerado apenas um espectador, ou recebedor das informações disponibilizadas pelos administradores dos sites. Estes por sua vez possuíam características de individualidade, onde apenas uma pessoa oferecia o conteúdo e poderia modificá-lo. O contrário acontece na segunda geração da web, onde o usuário é também o criador. Ele pode interferir editar, criar, compartilhar, discutir, interagir, enfim, o usuário da web 2.0 possui um mundo de possibilidades para gerar e modificar o conhecimento disponibilizado na internet. A terceira geração será a da semântica, onde o conteúdo da internet será recuperado e armazenado de forma muito mais inteligente com conexões como as dos neurônios humanos que interligam um assunto ao outro, facilitando o processo de busca e recuperação. Além de compartilhar e interagir, o usuário poderá encontrar uma informação com um nível de precisão muito maior além de permitir uma diminuição no tempo de busca.
  • 16. 21 Fonte: <http://flickr.com/photos/franz_photo_gallery/1194939773/sizes/m/in/pool-66821607@N00/>. Aceso em: 2 fev. 2009. Figura 1 - Gerações da Web
  • 17. 22 A figura 1 demonstra a evolução da web e quais tecnologias acompanharão o desenvolvimento das ferramentas disponibilizadas. Na web 1.0 baseada na linguagem HTML, a internet era basicamente formada por páginas pessoais, páginas de comunidades, fóruns, ambiente de aprendizagem virtual e grupos de notícias. A web 2.0 apresenta alguns serviços diferenciados como o conteúdo geral administrado pelo usuário, RSS¹, comunidades de relacionamento social e rede social. No processo de evolução e transformação da web 2.0 para a web 3.0 começa a se desenvolver a web semântica e os sistemas adaptados levando a evolução da máquina que nas próximas gerações da web já será capaz de compreender e interpretar os dados provendo serviços pragmáticos e inteligentes. 3.1.1 Aplicações A Segunda geração da web trouxe novas aplicações que mudaram a maneira de se navegar na internet. Os usuários têm a sua disposição ferramentas capazes de manipular o conteúdo da rede de maneira muito mais fácil e interativa. Entre as principais aplicações da web 2.0 ( Folha de São Paulo), estão: AdSense: um plano de publicidade do Google que ajuda criadores de sites, entre os quais blogs, a ganhar dinheiro com seu trabalho. Tornou-se a mais importante fonte de receita para as empresas Web 2.0. Ao lado dos resultados de busca, o Google oferece anúncios relevantes para o conteúdo de um site, gerando receita para o site a cada vez que o anúncio for clicado Ajax: um pacote amplo de tecnologias usado a fim de criar aplicativos interativos para a web. A Microsoft foi uma das primeiras empresas a explorar a tecnologia, mas a adoção da técnica pelo Google, para serviços como mapas on-line, mais recente e entusiástica, é que fez do Ajax (abreviação de "JavaScript e XML assíncrono") uma das ferramentas mais quentes entre os criadores de sites e serviços na web. Blogs: de baixo custo para publicação na web disponível para milhões de usuários, os blogs estão entre as primeiras ferramentas de Web 2.0 a serem usadas amplamente. Mash-ups: serviços criados pela combinação de dois diferentes aplicativos para a internet. Por exemplo, misturar um site de mapas on-line com um serviço de anúncios de imóveis para apresentar um recurso unificado de localização de casas que estão à venda RSS: abreviação de "really simple syndication" [distribuição realmente __________________ ¹RSS: Really Simple Syndication, é uma ferramenta que serve como um “alerta” das notícias ou conteúdos de sites onde usuários podem se inscrever e receber o conteúdo que lhes forem de interesse.
  • 18. 23 simples], é uma maneira de distribuir informação por meio da internet que se tornou uma poderosa combinação de tecnologias "pull" --com as quais o usuário da web solicita as informações que deseja-- e tecnologias "push" --com as quais informações são enviadas a um usuário automaticamente. O visitante de um site que funcione com RSS pode solicitar que as atualizações lhe sejam enviadas (processo conhecido como "assinando um feed"). O presidente do conselho da Microsoft, Bill Gates, classificou o sistema RSS como uma tecnologia essencial 18 meses atrás, e determinou que fosse incluída no software produzido por seu grupo Tagging [rotulação]: uma versão Web 2.0 das listas de sites preferidos, oferecendo aos usuários uma maneira de vincular palavras-chaves a palavras ou imagens que consideram interessantes na internet, ajudando a categorizá- las e a facilitar sua obtenção por outros usuários. O efeito colaborativo de muitos milhares de usuários é um dos pontos centrais de sites como o del.icio.us e o flickr.com. O uso on-line de tagging é classificado também como "folksonomy", já que cria uma distribuição classificada, ou taxonomia, de conteúdo na web, reforçando sua utilidade Wikis: páginas comunitárias na internet que podem ser alteradas por todos os usuários que têm direitos de acesso. Usadas na internet pública, essas páginas comunitárias geraram fenômenos como a Wikipedia, que é uma enciclopédia on-line escrita por leitores. Usadas em empresas, as wikis estão se tornando uma maneira fácil de trocar idéias para um grupo de trabalhadores envolvido em um projeto. (Entenda o que á web 2.0, 2009) 3.2 Ferramentas gerais da Web 2.0 A seguir serão apresentadas algumas das principais ferramentas da web 2.0 para pesquisa e disponibilização de conteúdo. 3.2.1 Google O nome Google dispensa apresentações. Hoje o maior mecanismo de busca da internet é uma das maiores empresas em termos financeiros e a marca mais valiosa do mundo valendo mais de 66 bilhões de dólares, superando a Coca-Cola e a Microsoft (TRINDADE, 2009).
  • 19. 24 O sucesso conseguido dentro do mundo virtual ultrapassa as barreiras da internet e mostra como uma marca inovadora que busca sempre desenvolver e adaptar os seus serviços às novas tecnologias da web é capaz de crescer e gerar lucro. A história do Google começa em 1996 na Universidade de Stanford, quando dois alunos de doutorado, Larry Page e Sergey Brin, insatisfeitos com os mecanismos de busca disponíveis na internet criaram um próprio de acordo com seus conhecimentos, buscando uma eficácia maior no resultado das buscas. O significado da palavra Google é derivado de uma expressão para representar o número 1 (um) seguido de 100 zeros: Googol, ou seja, um número grande para representar a grandeza do serviço, ou ainda segundo as palavras do próprio site: “Google é um trocadilho com a palavra 'googol', que foi inventada por Milton Sirotta, sobrinho do matemático americano Edward Kasner, para designar o número representado por 1 (um) seguido de 100 zeros. O uso do termo Google reflete a missão da empresa de organizar o enorme montante de informações disponíveis na web e no mundo.” (Google, 2009, site) Além dos serviços de busca e recuperação da informação que o Google oferece com liderança no segmento de buscadores, diversos outros são oferecidos aos usuários em sua maioria e de maneira gratuita. No quadro 3 são apresentados esses serviços de acordo com informações fornecidas pelo site. Acadêmico Serviço de pesquisa apenas em trabalhos acadêmicos Adiciona uma barra de ferramentas com aplicativos do Google no Barra de Ferramentas navegador Serviço para recortar e colar informações da web enquanto navega Bloco de Notas nos sites Google Chrome Navegador de internet Cria atalho dos serviços da Google na área de trabalho do seu Google Desktop computador Diretório Procura as informações na internet organizadas por tópicos Mapa da Terra em 3D com diversos aplicativos e imagens por satélite Earth de qualquer lugar do planeta igoogle Serviços personalizados do Google na sua página inicial
  • 20. 25 Imagens Busca de imagens na internet Serviços on-line de mapas de cidades de todo mundo, distâncias, Mapas quilometragens, imagens por satélite, terreno entre outros Pesquisa de blogs Pesquisa para achar blogs em toda internet Projeto de digitalização de livros do Google com milhares de livros e Books revistas na íntegra Pesquisa na web Pesquisa em mais de 8 milhões de sites na web Organiza suas atividades através de um serviços de agenda, com Agenda compromissos, horários etc. Domínio de Blogs do Google, um dos maiores do mundo neste tipo de Blogger serviço Gmail Serviço de email inovador com mais de 7gigabytes de espaço gratuito Cria grupos de discussão na internet, permite compartilhamento de Grupos documentos, mensagens e discussões Site de rede social do Google, o maior do Brasil e um dos maiores de Orkut mundo Software para manuseio de imagens, edição, organização e Picasa compartilhamento Gtalk Serviço de mensagens instantâneas na web Serviço de documentos na web, permite que o usuário compartilhe Docs seus documentos na internet Maior site de vídeos da internet, compartilha vídeos de diversos YouTube conteúdos Pack Pacote com software que melhora o desempenho do computador Fonte: google.com Quadro 2 - Serviços do Google 3.2.2 Wikipédia O desejo de agrupar todo o conhecimento do mundo em um só suporte tem sido a ambição de muitos apaixonados pela ciência de organizar a informação. Um dos exemplos de maior sucesso nessa iniciativa é a Wikipédia: a enciclopédia livre. Um site onde qualquer usuário de qualquer parte do mundo pode adicionar informações que sejam de seu conhecimento ou interesse sem qualquer discriminação.
  • 21. 26 Criado em 2005, a Wikipédia é resultado do idealismo de James Wales que tentou inicialmente formar um site na internet de acesso livre, com conteúdo revisado e produzido por apenas por especialistas, chamado de Nupedia. Infelizmente, a rapidez com que o conteúdo era desenvolvido estava longe de ser suficiente se comparada com um site de conteúdo colaborativo, e em um ano a Nupedia não tinha mais que 24 artigos prontos. Wales então resolveu abandonar o projeto da Nupedia e criar um outro tipo de iniciativa: a aberta. Onde qualquer pessoa poderia inserir ou modificar os artigos postados na Wikipédia. Criada em 2001 e com apenas a versão em inglês, rapidamente o site se desenvolveu por meio do conceito de wiki (rápido em havaiano), apresentado a Wales por Jeremy Rosenfeld da empresa Bomis (História da Wikipédia, pt.wikipedia.org). Entrou no ar oficialmente em 15 de janeiro de 2001, no domínio wikipédia.com. Em apenas um mês, o site já contabilizava cerca de mil artigos e ao final do primeiro ano, já eram vinte mil. Em oito anos de história, a Wikipédia se tornou um dos maiores sucessos da segunda geração da web, provando o conceito de colaboração na rede. Como demonstra Camargo (2008) ao dizer que “com a explosão do conceito de web 2.0, o qual, supõe que os usuários dos sites interajam cada vez mais com o serviço que estão acessando, é de se esperar que sites que possibilitem esta interação estejam no topo do ranking de acessos.”
  • 22. 27 Fonte: http://www.wikipédia.org. Acesso em 9 jun. 2009. Figura 2 – Número de verbetes da Wikipédia 3.2.3 Flickr Um dos exemplos mais bem sucedidos do que é a nova geração da web é o Flickr. Diferentemente dos sites de relacionamento, o Flickr possibilita ao usuário um compartilhamento diferente, o de imagens. O Flickr foi criado pela empresa canadense Ludicorp em 2004 e comprado em março de 2005 pela Yahoo! o que, conseqüentemente, mudou sua localização do Canadá para os Estados Unidos. (Wikipédia, Flickr, 2009.) Nesse site, cada usuário possui a sua conta e organiza as suas fotos ou imagens de acordo com tags de sua preferência. As tags são a indexação feita pelos próprios usuários que advinda da folksonomia trás a individualidade do internauta como seu criador e colaborador. Na tradução literal do inglês, tag significa etiqueta. Entretanto
  • 23. 28 inserida no mundo virtual, as tags se tornam os elementos descritores do conteúdo da internet. No caso do Flickr são os descritores das imagens postadas pelos usuários. Segundo definição do próprio site: O Flickr é certamente o melhor aplicativo online de compartilhamento e gerenciamento de fotos do mundo. O Flickr é uma maneira de levar suas fotos e vídeos às pessoas que importam para você. E como as contas básicas são gratuitas, não há por que não explorar ainda mais esse recurso. (Flickr.com, 2009) Buscando inovações no serviço disponibilizado, o Flickr oferece aplicativos para manuseio e organização das imagens que se destacam de seus concorrentes, fazendo a diferença na preferência do usuário, que pode produzir uma página pessoal com álbuns criados por ele mesmo com tags e anotações pessoais, e ainda contar com a participação de todos os outros usuários do site que podem, entre outras possibilidades opinar, sugerir, incluir novas tags ou discutir De acordo com informações do Blog do Flickr existiam, em abril de 2009, mais de 3 bilhões de imagens no site, todas elas indexadas de alguma maneira pelos usuários, o que facilita a recuperação de imagens relevantes na busca, diferentemente de sites como o Google Imagens ou o MSN Imagens, que indexam suas buscas por meio de robôs que varrem milhões de sites diariamente indexando-os de acordo com o número de visualizações, ou seja, quanto mais visualizada uma imagem mais ela vai aparecer no resultado das buscas. (Ver figura 3)
  • 24. 29 Fonte: http://www.flickr.com Acesso em 15 abr. 2009 Figura 3 - Página inicial do Flickr 3.2.4 YouTube O YouTube é um site de compartilhamento de vídeos na internet que permite aos usuários postarem ou assistirem a filmes de qualquer natureza, desde que respeitados os direitos autorais. YouTube numa tradução livre significa você (you) e TV (tube, gíria norte-americana para televisão), ou seja, você TV (WIKIPÉDIA).
  • 25. 30 O site foi criado em fevereiro de 2005 por Chad Hurley, Steve Chen e Jawed Karim, então funcionários da Pay Pal, empresa que funciona como um banco na internet permitindo transações econômicas entre os usuários. Em apenas um ano, o YouTube cresceu em proporções gigantescas com milhões de acessos e um número cada vez maior de usuários. Diante desse crescimento, a Google anunciou em 2006 a compra do YouTube por 1,6 bilhões de dólares, uma das maiores aquisições da empresa. Estima-se que seriam necessários mais nove mil anos para assistir a todos os vídeos postados no YouTube, e esse número cresce a cada segundo. Diante desse crescimento incontrolável, um dos maiores problemas que o site enfrenta é do direito autoral. Como a postagem dos vídeos é indiscriminada, usuários adicionam todos os dias séries de TV, desenhos animados, programas, shows, clips e uma quantidade infinita de material protegida por direitos autorais. O YouTube anunciou algumas ações na tentativa de impedir a postagem desse material, como a diminuição do tempo dos vídeos que a partir de 2006 não poderiam ultrapassar 10 minutos, além de funcionários que avaliariam diariamente o conteúdo dos vídeos. Porém, com o volume de informações que são armazenadas todos os dias é inviável, o controle total por parte do site em relação ao conteúdo, sendo facilmente encontrados vídeos que infringem direitos autorais. Percebe-se ainda, que outros problemas são encontrados, como a qualidade de alguns vídeos e bugs que atrapalham o carregamento. Entretanto, o YouTube é o maior site de vídeos da internet com cerca 11 bilhões de vídeos vistos por mês. Num mundo de 1 bilhão de internautas isso representa 79% de mercado dominado pelo YouTube entre concorrentes como o Yahoo! Vídeos, Google Vídeos, MetaCafe, MySpace TV, Veoh, Facebook Vídeos e outros, segundo informações do blog Blue Bus. Segundo a Wikipédia, diariamente o YouTube recebe em números cerca de 20 mil vídeos e mais de 30 milhões de visualizações. O número total de vídeos hospedados ultrapassam os 6 milhões. De acordo com o site iftk.com.br, o conteúdo di site ocupa 45 terabytes de armazenamento, o equivalente a 5 mil computadores Um dos motivos que faz do site líder em seu segmento, são as ferramentas de web 2.0, disponibilizadas aos usuários que permite um aumento na interação e
  • 26. 31 colaboração, e que fazem o conteúdo se tornar cada vez mais relevante e preciso. Com milhões de vídeos armazenados é impossível a indexação centralizada dos mesmos, ou seja, a indexação deve ser feita pelo próprio site. Os usuários são quem mantém e atualizam seus próprios vídeos, colocando as tags de sua preferência para melhor representar o conteúdo postado. Apenas quando são flagrados materiais protegidos, o YouTube intervém, excluindo automaticamente o vídeo, sem a permissão do usuário. Outra funcionalidade é a personalização. O usuário que utiliza o site com uma conta tem serviços personalizados, como lista dos vídeos de preferência, vídeos que podem ser do interesse do usuário, mais assistidos etc. Além de que um usuário com conta possui uma página pessoal no YouTube, podendo colocar e compartilhar todos os vídeos e ainda interagir com outros usuários, opinando sobre seus vídeos, adicionando-os aos seus favoritos, fazendo comentários, entre outros. (Figura 4) Fonte: http://www.youtube.com. Acesso 20 maio 2009. Figura 4 - Página inicial do YouTube
  • 27. 32 Assim, devido a sua funcionalidade e o grande interesse dos usuários pelos serviços disponibilizados, o YouTube é um dos maiores exemplos de web 2.0 que podem ser encontrados na internet. A colaboração em massa permite que o site se torne maior a cada dia, sem perder o rumo como acontece com outras empresas, que quando alcançam um determinado nível de sucesso, estacionam e não conseguem evoluir, fazendo os usuários perderem o interesse devido a falta de inovação por parte das empresas. 3.3 Ferramentas de relacionamento social Um dos segmentos que mais tem se destacado na web 2.0 são os sites de relacionamento social, a seguir serão apresentados alguns dos mais importante e atuantes nas bibliotecas que já estão adotando a web 2.0. 3.3.1 Facebook O Facebook é um site de relacionamentos criado por Mark Zuckerberg em 2004. Na época, o estudante de graduação em Havard tinha apenas 19 anos e juntamente com seus colegas de quarto Dustin Moskovitz e Chris Hughes, colocaram o site no ar em 4 de fevereiro. Inicialmente, o acesso era disponibilizado apenas para os estudantes da própria universidade, entretanto, o sucesso foi tão grande que em apenas 4 horas o site já havia sido visitado por 450 pessoas e em menos de um mês mais da metade dos estudantes de Havard já possuía um perfil no Facebook. (www.mundodasmarcas.blogspot.com). Diante desse crescimento, Mark Zuckerberg ampliou o acesso à rede para várias universidades da região de Boston, entre outras, como: Rochester, Stanford, Columbia, Yale, NYU e Northwestern e, rapidamente, o número de usuários ultrapassou a marca de 1 milhão. As inúmeras alternativas oferecidas pelo Facebook por meio de seus aplicativos fazem o diferencial em relação a seus adversários, além de uma interface limpa e de
  • 28. 33 fácil utilização, uma das principais características de sucesso de outro gigante da internet, o Google. O Facebook se diferencia de outras redes sociais em vários sentidos. O site permite a seus usuários a utilização de aplicativos inusitados, dentre os quais estão o calendário de eventos, criação de redes específicas, grupos de discussão, aplicativos como take the quiz ou descubra seus segredos, aceitando ao convite desse aplicativo é autorizado a pessoa que o enviou a ter acesso a todas informações do seu perfil para descobrir o máximo de informações sobre quem o aceitou. (Ver figura 5). Fonte:http://www.facebook.com. Acesso em 30 maio 2009. Figura 5 - Exemplo de perfil no Facebook De fato, um dos termos do Facebook que mais irrita seus usuários é o de que todas as informações compartilhadas na rede pertencem ao Facebook, entretanto, os usuários não se mostraram satisfeitos com essa exigência, forçando a empresa modificar algumas cláusulas do contrato de termos de serviço. As ferramentas que o Facebook desenvolve permite que seus usuários utilizem o site para diversos fins comerciais e profissionais, não só sociais como a maioria das outras redes. O sistema de propagandas paga do Facebook já é considerada a maior
  • 29. 34 fonte de renda da empresa, considerada bilionária. Seus usuários podem facilmente divulgar serviços em seus perfis ou se preferirem utilizarem a divulgação paga do Facebook. Até maio de 2009 o Brasil ainda não era um dos maiores adeptos do Facebook que já é considerada a maior rede social do mundo com mais de 200 milhões de usuários em abril de 2009, segundo informações da revista Galileu desse respectivo mês. A rede social predominante no Brasil, o Orkut é administrada pelo Google. 3.3.2 Twitter Em 2009, alguns aplicativos da web 2.0 explodiram de maneira repentina e alcançaram um sucesso que certas organizações como a Wikipédia só conseguiram após alguns anos no mercado. Um dos exemplos desse sucesso repentino é o Twitter, um microblog² que permite aos usuários postarem mensagens de tamanho limitado sobre “o que você está fazendo agora” e se comunicarem em tempo real com pessoas de sua rede ou amigos, e ao mesmo tempo saber o que essas pessoas estão fazendo. A história de sucesso do Twitter começa em 2003 com as dificuldades que a empresa Odeo Inc estava sofrendo com a concorrência acirrada da Apple. Diante dessa situação, os administradores da empresa decidiram reestruturar a mesma e mudar seu segmento de mercado, dando a seus funcionários a “missão” de desenvolver novas idéias para ela. A idéia do microblog foi a mais promissora dentre as apresentadas, e depois de algumas sugestões para aperfeiçoar a idéia original, seus criadores a colocaram em prática para testar a aceitação dos usuários na internet. E em 2009, o New York Times, um dos jornais mais influentes dos Estados Unidos classificou o Twitter como um dos fenômenos de crescimento mais rápido na Internet, segundo informações do próprio site (twitter.com). As mensagens são limitadas a 140 caracteres cada, o que pode ser considerada uma estratégia para forçar seus usuários a escreverem cada vez mais e atualizarem suas postagens mais rapidamente. As mensagens podem ser postadas diretamente na _______________ ² Microblog é uma forma de “blogging” que permite ao usuário postar mensagens curtas, geralmente 140 caracteres e publicá-los.
  • 30. 35 página de cada usuário do Twitter na internet, via comunicadores como o Gtalk e o AIM, pelo celular ou ainda via RSS. (PACHECO, 2007). Neste sentido é apresentado uma tabela que demonstra a evolução do Twitter de abril de 2007 a abril de 2008: Fonte: http://images.businessweek.com/ss/08/05/0515_twitter/index_01.htm Figura 6 - Quadro de evolução do Twitter De fato, percebe-se que várias empresas têm utilizado o twitter como ferramenta para relações públicas e obter informações sobre os clientes, o site oglobo.globo.com acrescenta que “para multinacionais como Dell, Starbucks e Amazon, o twitter está se tornando uma ferramenta fundamental em suas relações públicas e uma excelente fonte de informação sobre opinião de seus clientes, cada vez mais engajados no serviço”. As possibilidades de utilização dessa ferramenta na web por parte das empresas e ou até mesmo bibliotecas, podem ser aproveitadas utilizando esses aplicativos para divulgar notícias atualizadas e pertinentes sobre seu funcionamento e fontes de informação.
  • 31. 36 3.3.3 Delicious O Delicious foi criado por Joshua Schachter em 2003, e pertence ao Yahoo! (Wikipédia, 2009). É um tipo bookmarking social, é o termo mais conhecido em português como marcador, que permite a marcação de páginas na internet que sejam de interesse do usuário. Essa ferramenta serve para todas as pessoas que queiram acessar seus sites preferidos de qualquer computador, o que não é possível em marcadores tradicionais como o “Favoritos” do Internet Explorer e Mozilla Firefox, e o “Bookmark” do Natscape Navigator e Google Chrome que só podem ser acessados no computador em que foram marcados. Existem inúmeras ferramentas de social bookmarking disponíveis gratuitamente na internet, entretanto, a que mais se disseminou entre os internautas foi o Delicious, que além de marcar as páginas, permite que elas sejam organizadas logicamente e descritas com tags pelo usuários, permitindo que outras pessoas vejam suas páginas adicionadas no Delicious e adicionando tags as mesmas. Uma das ferramentas mais interessantes do site é o fato de que ele mesmo organiza suas páginas de maneira “inteligente”. À medida que é adicionado tags a ele, as agrupa de acordo com o nível de relacionamento de cada uma. Outros exemplos de sites de social bookmarking: • Yahoo! My Web; • Google Bookmarks; • BlinkList; • Magnolia; • Technorati; • Digg; • Reddit.
  • 32. 37 3.4 Ferramentas de divulgação As ferramentas da web 2.0 têm uma funcionalidade interativa que permite contato constante com o público (usuário) e ajuda principalmente no processo de divulgação de notícias, como são apresentadas a seguir. 3.4.1 Blogs Blog é a junção de web log e representa um site onde informações são atualizadas e comentadas constantemente. Segundo (PANISSI, 2007) um blog é uma “página pessoal ou corporativa, geralmente escrita em primeira pessoa. É caracterizada por uma escrita informal, e traz experiências pessoais de seus autores”. Os blogs criaram a sua própria atmosfera na web devido à dimensão que acabaram adquirindo no mundo virtual, chamada de blogosfera. A facilidade com que pode ser criado e manuseado despertou o interesse dos internautas assim que a web 2.0 começou a mostrar seus primeiros sinais de inovação na rede. Todos se interessam pela facilidade com que poderiam transmitir e compartilhar informações na web por meio dele. Os blogs se popularizaram no Brasil a partir do ano 2000, quando alguns sites começaram a disponibilizar o serviço de hospedagem de blogs em português. Inicialmente, no mundo, os blogs eram utilizados apenas por empresas para divulgar seus produtos, posteriormente, alguns usuários viram potencial nesse tipo de plataforma para trabalharem com sites pessoais, tornando-se hoje, a ferramenta mais utilizada para esse tipo de serviço. Dentro da página de um blog é possível publicar qualquer tipo de conteúdo em diversos formatos: texto, figura, documentos, vídeos etc. e organizá-los da maneira que o usuário deseja, seja por data, por assunto ou palavra-chave. O layout da página é organizado por atualizações. Toda atualização é denominada de post que pode ser comentado por um número limitado de pessoas e estimulado pelo próprio dono do blog.
  • 33. 38 De acordo com o site interney.net existem hoje no Brasil, mais de 100.000 blogs ativos, que são atualizados com regularidade. As principais empresas que hospedam esse tipo de serviço são: • Blogger; • Wordpress; • Blog UOL; • Blig. 3.4.2 RSS Mais conhecido como RSS, o Really Simple Syndication, é uma ferramenta que serve como um “alerta” das notícias ou conteúdos de sites onde usuários podem se inscrever e receber o conteúdo que lhes forem de interesse. Almeida (2008) define: “[...] Assim, um arquivo RSS (feed) é, na realidade, uma lista constituída pelos elementos essenciais que descrevem uma determinada informação da Web: o título do documento, sua URL (Uniform Resource Locator, o endereço que localiza os sítios na Web) e uma breve descrição de seu conteúdo. Outros dados poderão ser acrescentados, melhorando a qualidade da informação referenciada.” (ALMEIDA, 2008, p. 90) O RSS foi criado em 1999 pela empresa Netscape, porém devido a problemas de recursos financeiros e retornos econômicos o projeto foi abandonado. A partir de então a UserLand adotou o projeto e o desenvolveu até a especificação mais atual RSS 2.0. A iniciativa deu certo e hoje a ferramenta é mundialmente conhecida e amplamente utilizada na web como um dos maiores agregadores e fornecedores de notícias. (ALECRIM, 2009). Essa é uma ferramenta essencial como agregadora de informações, permite que o usuário selecione e receba informações apenas de seu interesse, poupando o tempo do internauta com conteúdos personalizados.
  • 34. 39 3.5 Ferramentas de atendimento remoto A evolução da tecnologia tem permitido enormes mudanças nos meios de comunicação, por meio dessas tecnologias é possível se comunicar de diversas maneiras remotamente, o Skype é uma das principais ferramentas da nova geração da web no sentido de fornecer esse tipo de atendimento como é apresentado a seguir. Skype O Skype é um software da internet que utiliza a tecnologia VoIP (Voice over Internet Protocol) permitindo que usuários de qualquer lugar do mundo se comuniquem como se fosse uma ligação telefônica, com a essencial diferença de que o serviço é gratuito, desde que, uma pessoa utilizando o Skype “ligue” para outra que também esteja nele. Além do serviço gratuito a empresa disponibiliza outros serviços pagos de ligações nacionais e internacionais entre o Skype e um telefone fixo ou celular. Os criadores desse programa são os mesmos de que desenvolveram o KaZaA, um dos maiores compartilhadores de arquivos na internet, o sueco Niklas Zennstroem e o dinamarquês Janus Friis. (Temperini, aletp.com, 2007). Com o revolucionador serviço de voz desenvolvido pelo Skype, rapidamente ele se tornou um dos maiores fenômenos de telefonia do mundo, e dois anos após a sua criação em 2003, foi vendido para o eBay por $ 2,6 bilhões. Segundo o site omundodasmarcas.blogspot.com, em 2006 foi introduzida a versão 3.0 para o Windows no mercado. Atualmente, o Skype está na sua versão 4.0, e em 2007 foi desenvolvido também uma versão para Macintosh. Em abril de 2009, o Skype tinha mais de 250 milhões de usuários (dos quais cerca 20 milhões são ativos) e está presente em quase todos os países do mundo e existem versões do software em mais de 28 idiomas.
  • 35. 40 4 O Serviço de referência Dentro de uma unidade de informação, seja de proporções grandes ou pequenas, sempre existirá um setor de referência. É nele que todo o trabalho interno e externo da biblioteca se concentra. Tudo que é feito em todos os outros setores como a catalogação, indexação, processos técnicos, aquisição entre outros, volta-se para o setor de referência, pois é nele que se encontra a razão final de toda existência de uma biblioteca: o usuário. O atendimento ao usuário é o objetivo final de todo centro de informação. Essa atividade se desenvolve de tal maneira que atualmente existem certificados, como a ISO 9000 para unidades de informação que realizam um atendimento ao usuário de qualidade. O serviço de referência serve como um mediador entre o conhecimento disponibilizado e o usuário que fará uso desse conhecimento, pois sem a participação do mediador a informação recebida dificilmente seria eficiente ou de qualidade. A tradução da informação buscada para um documento que contenha a mesma informação é feita por profissionais que são especializados em pesquisar e atender a necessidade de informação. 4.1 Definição e importância Existem muitas vertentes no serviço de referência, os autores costumam convergir em opiniões quanto à importância desse serviço numa unidade de informação como sendo o “coração” da mesma, ou seja, aquela que mantém a unidade funcionando como um todo. Segundo Lancaster (2004): Uma representação genérica das atividades da biblioteca, vistas pelos olhos de um avaliador, constitui um modo conveniente de se enfocar a avaliação dos serviços bibliotecários. Acredita-se que o objetivo de longo prazo da biblioteca seja produzir certos resultados na comunidade a ser atendida. [...] O insumo primário, ou seja, os recursos financeiros, é usado para conseguir insumos secundários importantes, a saber, recursos informacionais (principalmente publicações de vários tipos), pessoal para utilizar esses recursos, e instalações
  • 36. 41 físicas para armazenar o material, oferecer serviços e assim por diante.(LANCASTER, 2004, p. 1) De fato, a biblioteca possui um objetivo final, que é conseguido por meio de dois insumos: o primário, que é a parte financeira, e o secundário, que são as atividades realizadas pela biblioteca para atingir seu objetivo final. Dentro do insumo secundário é importante frisar o papel essencial do usuário, que, de acordo com Lancaster, é representado pelo “pessoal para utilizar esses recursos” e ainda para usufruir dos serviços prestados pela junção dos insumos primários e secundários. Segundo Kenneth Whitaker, “a finalidade do serviço de referência e informação é permitir que as informações fluam eficientemente entre as fontes de informação e quem precisa de informações. Sem que o bibliotecário aproxime a fonte do usuário, esse fluxo jamais existirá ou só existirá de forma ineficiente.” (WHITAKER, apud VIEIRA, 2004) Dessa maneira, é possível verificar a importância do serviço de referência na biblioteca, visto que, o atendimento ao usuário representa a essência do funciomanento de uma unidade de informação no seu contexto mais amplo. Os serviços prestados aos usuários podem variar de uma unidade a outra, mas de maneira geral, o atendimento deve abranger o atendimento de circulação: empréstimos, devoluções, renovações e reservas de material; pesquisa no acervo documental; auxílio em pesquisas gerais, com o material de referência disponibilizado pela biblioteca. Cunha (aula expositiva, 2008) entende que os setores de atendimento devem fornecer aos usuários os seguintes serviços: • Informação a respeito dos novos documentos adquiridos ou acessíveis; • Disseminação Seletiva da Informação (DSI); • Divulgação dos artigos dos novos números de periódicos; • Serviços comerciais (ISI); • Assistência pessoal aos usuários na busca de informação; • Instrução formal e informal sobre o uso da biblioteca e seus recursos: visitas orientadas, uso da biblioteca, como preparar monografia, treinamento do usuário;
  • 37. 42 • Preparação de bibliografias, índices, resumos, sumários correntes, etc; • Seleção de materiais (inclusive o descarte); • Gerenciamento do Serviço de Referência; • Empréstimo entre bibliotecas: comutação bibliográfica. • Arquivamento; • Conferência de material; • Manutenção de registros; • Gerenciar a home Page da biblioteca; • Orçamento; • Pessoal; • Publicidade; 4.2 Os usuários O objetivo final de qualquer unidade de informação são os usuários. Em conseqüência, muitas bibliotecas, principalmente as de grande porte, realizam estudos para avaliar e conhecê-los como parte do processo de um atendimento de qualidade e eficaz. Cada usuário possui uma necessidade de informação específica, cabendo a biblioteca estudar e analisar as necessidades de cada um para prover um serviço personalizado que seja capaz atender individualmente, e ainda sim, eficientemente as suas necessidades. As definições para estudo de usuários partem do princípio de um estudo para investigação das necessidades dos indivíduos dentro das unidades de informação. Na opinião de Figueiredo (1979): Estudos de usuários são investigações que se fazem para se saber o que os indivíduos precisam em matéria de informação, ou então, para se saber se as necessidades de informação por parte dos usuários de uma biblioteca ou de um centro de informação estão sendo satisfeitas de maneira adequada.”(FIGUEIREDO, 1979, p. 79)
  • 38. 43 Novamente é ressaltada a importância do usuário numa unidade de informação, bem como os estudos deles para verificar se as suas necessidades estão sendo atendidas de maneira adequada. Para que isto aconteça, é necessário ter definições utilizadas por diversos campos do conhecimento, muitas vezes para denominar o seu público alvo, na ciência da informação e na documentação. Desse modo, para Cunha (2008, p. 372) o usuário pode ser assim definido: 1. Pessoa que consulta os documentos de um arquivo. Erroneamente denominado de leitor. 2. Pessoa que utiliza os serviços da biblioteca no próprio local ou por meio da retirada de documentos por empréstimo, ou pela solicitação, entre outros serviços, de buscas bibliográficas e pesquisas sobre temas especializados; parte interessada, utente. 3. pessoa que se relaciona com a informação através dos diversos canais de acesso a esta informação. Ainda segundo Lancaster (2004), a função da biblioteca é entendida como: “Pode-se então considerar a biblioteca como uma interface entre os recursos de informação disponíveis e a comunidade de usuários a ser servida. Portanto, qualquer avaliação a que a biblioteca seja submetida deve se preocupar em determinar em que medida ela desempenha essa função de interface.” A biblioteca é o resultado desses dois insumos que deve ter como objetivo final à comunidade de usuários a ser servida como demonstra a figura 5: Fonte: (LANCASTER, 2004) Figura 7 - As atividades de uma biblioteca
  • 39. 44 Cabe destacar que o aspecto importante a ser ressaltado diz respeito as cinco leis da biblioteconomia de Ranganathan, a saber: 1. Os livros são para usar; 2. A cada leitor seu livro; 3. A cada livro o seu leitor; 4. Poupe o tempo do leitor; 5. A biblioteca é um organismo em crescimento. Fica claro que para Ranganathan, a biblioteca existe para servir ao usuário, com rapidez e eficiência, poupando assim, o tempo do leitor. Segundo o autor, a biblioteca é um organismo em crescimento, ou seja, é um organismo vivo que deve estar em constante evolução para que seus serviços não se tornem obsoletos. 4.3 Os serviços de informação na era da internet O advento da internet trouxe mudanças significativas nos serviços de referência das bibliotecas. A essência do atendimento ao usuário continua a mesma. As ferramentas que auxiliam esse atendimento evoluíram trazendo consigo algumas revoluções nos conceitos existentes nas bibliotecas do “passado”. A nova biblioteca, chamada de “biblioteca 2.0” utiliza a tecnologia a seu favor, aumentando a rapidez e a qualidade dos serviços. Uma das maiores revoluções nesse sentido diz respeito à informatização da biblioteca com demonstra o Quadro 3: Biblioteca 1.0 Biblioteca 2.0 Catálogo Manual Catálogo On-Line (OPACs) Serviços informatizados agilizando Serviço de circulação o atendimento e melhorando a manual qualidade do serviço Panfletos e folders para Sites dinâmicos, com informações divulgação sobre a biblioteca
  • 40. 45 Catalogação informatizada e Catalogação manual cooperativa, em rede. Biblioteca sem fronteiras, uso de Comunidade restrita redes sociais na internet Coleções especiais Coleções especiais digitalizadas físicas Vocabulário controlado Folksonomia Indexação Tags DSI RSS Fonte: A autora Quadro 3 - Biblioteca 1.0 x Biblioteca 2.0 De fato, a biblioteca na era da internet sofreu modificações substanciais, alterando completamente o modo de atuação de um centro de informação. Ainda hoje é possível encontrar bibliotecas que não possuam seu acervo informatizado, sendo essas exceções que se aplicam apenas por falta de condições financeiras. No Brasil a biblioteca 2.0 ainda não é tão presente quanto em países desenvolvidos, principalmente se comparado a bibliotecas nos Estados Unidos como a Library of Congress, Ithaca College Library, Missouri River Regional Library, New York Public Library; bibliotecas universitárias como: Havard Libraries, Yale University Library, Michigan University Library e outras. Todos esses exemplos são bibliotecas que utilizam de alguma maneira, ferramentas da web 2.0 em sua rotina.
  • 41. 46 5 A Web 2.0 e a biblioteca 2.0 As bibliotecas fazem parte da história do mundo. Por motivo de heresias e revoluções, algumas delas foram queimadas e condenadas como se abrigasse algo terrível capaz de destruir o mundo, uma caixa de pandora. Certamente, elas são fontes de conhecimento poderoso e que, atualmente, é subestimada por alguns. A biblioteca como instituição provedora de informação e conhecimento vem perdendo espaço para o novo motor da economia e da sociedade: a internet. Há mais de uma década, a rede se desenvolve numa velocidade que nem a mesma é capaz de se adaptar. Novas tecnologias surgem a cada segundo e inflam a web com aplicativos capazes de transformar a vida dos usuários. A web 2.0 é o principal agente dessa mudança de paradigma. Junto com a nova geração da web, também surgiu um novo conceito de interação e colaboração para formar um conteúdo muito mais amplo e acessível a todos os usuários. As ferramentas que a internet dispõe hoje são indispensáveis para o mundo globalizado, ou seja, a informação não precisa mais viajar de um lugar ao outro, ela está em todo lugar e ao mesmo tempo. Ela não é mais estática, sujeita a ação de quem apenas às coloca em folhas de papel, e sim, dinâmica e se complementa a todo instante na web e em sites como a Wikipédia. Visando acompanhar essa mudança, várias bibliotecas diversificaram sua maneira de atuação, buscando se adaptar a sociedade da informação na era da internet. Devido a essa mudança, autores como Michael Casey (MILLER, 2005) já consolidaram o termo “biblioteca 2.0”, como sendo aquelas que utilizam as ferramentas da web 2.0 para aperfeiçoarem seus serviços, aumentando assim, a qualidade e a eficácia, além de tornar a biblioteca mais dinâmica e propensa as rápidas adaptações que o uso da internet exige. Para Arnal (2008) a biblioteca 2.0 é uma rede dividida em três partes principais: atitudes, ferramentas e conteúdo social. Dentro de cada uma dessas partes existem subdivisões que se completam e fecham um círculo para formar uma biblioteca com as características da web 2.0.
  • 42. 47 A Figura 6 demonstra como esse círculo é formado facilitando a visualização de como é a biblioteca 2.0: Fonte: (ARNAL, 2008) Figura 8 - A rede da biblioteca 2.0 5.1 As Ferramentas da Web 2.0 no Serviço de Referência Os processos realizados nas bibliotecas estão interligados, fazendo com que um setor se complemente ao outro, no intuito de gerar os produtos e serviços para atender ao seu objetivo final, o usuário. Os aplicativos da web 2.0 estão se tornando um aliado no processo de geração desses serviços e produtos, como é apresentado nos exemplos a seguir.
  • 43. 48 5.1.1 Ferramentas de Pesquisa Dentre as utilidades das ferramentas de pesquisa da web 2.0 estão as aplicações que permitem aos usuários criar, editar ou adicionar conteúdos. A seguir serão apresentados exemplos de como essas ferramentas podem atuar nas bibliotecas. 5.1.1.1 Wikis Outra ferramenta inovadora que apenas começou a ser desenvolvida nas bibliotecas é o wiki, totalmente colaborativa pois permite aos usuários editarem qualquer texto conforme seus interesses. A facilidade de utilização, que dispensa conhecimentos específicos de informática e tecnologia atrai os internautas que podem fazer parte da elaboração de uma página na internet cooperativa, com um conteúdo formado por diversas opiniões e fontes de conhecimento. Segundo Maness (2006): “Wikis são essencialmente web-pages abertas, onde qualquer um que seja registrado na wiki pode publicar, acrescentar e mudar o conteúdo. Assim como os blogs, eles não tem a mesma confiabilidade de fontes tradicionais, freqüentes discussões sobre a Wikipédia (uma enciclopédia online onde qualquer usuário registrado pode escrever, acrescentar e editar artigos) no universo das bibliotecas demonstram isso; mas isto é claro não elimina o valor da Wikipédia, isso muda na biblioteconomia devido a complicadas instruções para desenvolvimentos de coleção e informação. A falta de revisão dos pares e a editoração é um desafio para bibliotecários, não que eles devam evitar o uso das wikis, mas eles deveriam entender que essa parte do processo depende somente deles. Wikis como um item numa coleção, e instruções para os usuários associados, são certamente parte do futuro das biblioteca.” (MANESS, 2006) A partir da visão de Maness (2006) fica claro que as bibliotecas ainda estão resistentes ao uso das wikis, mas que a falta de certificação por parte do conteúdo não deveria ser um empecilho para a utilização das mesmas. Os profissionais da informação devem ser os responsáveis por validar a informação criada, editada e compartilhada no ambiente da sua biblioteca. Outra dificuldade na utilização das wikis é a falta de artigos sobre o assunto. Um estudo realizado em 2006 por Matthies, Helmke e Slater revela que até aquela data ainda não existiam artigos publicados sobre a utilização de wikis em bibliotecas que
  • 44. 49 pudesse demonstrar a experiência de unidades de informação com a ferramenta. Entretanto, em 2009, já é possível encontrar alguns exemplos de unidades de informação utilizando wikis. Os autores como Maness (2006) defendem a força e pertinência dessa ferramenta numa biblioteca tradicional e Frunkim (2005) apóia a utilização das wikis em biblotecas digitais. Um exemplo de utilização de wiki em bibliotecas é o caso da Biomedic Library da University of South Alabama, que possui uma wiki sobre temas biomédicos como instrumento de pesquisa para os usuários da biblioteca. Outros exemplos são as da University of Sydney e Charles Stuart University ambas na Austrália. As bibliotecas buscaram criar essa ferramenta para contribuir com mais instrumentos de pesquisa para seus usuários, além dos já tradicionais fornecidos em material impresso. (Ver Figuras 9 e 11). Fonte: http://wiki.arts.usyd.edu.au/meta/index.php/Main_Page Figura 9 – University of Sydney – Meta Wiki Outra iniciativa interessante são as bibliotecas do Baruch College e Butler University Libraries que criaram uma wiki de referências para ajudar os usuários nas pesquisas de determinados assuntos, ou seja, funciona como uma base de dados de
  • 45. 50 referências colaborativa. Sempre que um usuário registrado encontrar uma referência interessante sobre determinado assunto ele pode adicioná-lo na base para compartilhá- lo com outras pessoas. Essa iniciativa aumenta as fontes de pesquisa disponíveis para os estudantes destas universidades. Fonte: http://csulibrary.wetpaint.com/ Figura 10 – Charles Stuart University – Library Wiki Por meio dos exemplos citados é possível perceber como uma wiki pode ser útil na biblioteca, seja para criar conteúdos colaborativos, manuais ou bases de referências o conteúdo desenvolvido por envolver um universo ilimitado de pessoas envolve também a biblioteca com seu usuário que participa ativamente do processo de criação e gerenciamento de conteúdo. Iniciativas desse porte podem ajudar bibliotecas do mundo todo a aumentar sua atividade online e fazer crescer a interação usuário/biblioteca, e principalmente fornecer alternativas para as fontes de informação tradicionais disponibilizadas.
  • 46. 51 5.1.1.2 Flickr Ao contrário do Facebook e do YouTube, segundo a literatura estudada, o Flickr demonstra ser muito mais aceito pela comunidade da Ciência da Informação na utilização desse serviço numa biblioteca. Dentre as possibilidades de utilização do Flickr nas bibliotecas, Houghton-Jan (2005) cita as seguintes: licenciar as imagens, incluir tags nas imagens, fazer coleções particulares, acompanhar quantas pessoas visualizam cada imagem, permitir comentários, entre outras. Já Stephens (2009) lista 10 maneiras para se utilizar o Flickr: 1) editar o perfil e fazer contatos, ou seja, colocar no perfil da biblioteca no Flickr a URL, missão, informações, contatos e procurar outras bibliotecas da mesma área para fazer contatos. 2) Colocar tags nas imagens do perfil com localização geográfica da biblioteca, bem como nome, universidade, escola ou instituição a qual pertença para facilitar a busca. Dessa maneira, usuários que busquem tags sobre sua cidade ou região poderão encontrar informações sobre bibliotecas que estejam perto dele. 3) Divulgar imagens via RSS. Cada conta, tag ou grupo no Flickr possui um RSS Feed que pode ser utilizado para divulgar aos usuários as últimas atualizações do perfil. O Flickr permite também que as atualizações sejam divulgadas em web sites pessoais através de um código HTML. 4) Criar conjuntos de informações sobre programas, eventos e especialidades através da ferramenta de aplicativos do Flickr. 5) Hospedar imagens do blog ou web site da biblioteca através do código HTML. As imagens hospedadas através dos links no Flickr podem ser estáticas ou dinâmicas, significando que pode ou não ser permitido ao usuário comentar ou incluir tags na imagem na página do Flickr. 6) Usar notas para links HTML e mais. Usando a ferramenta de adicionar notas é possível inserir um link em web sites, blogs ou catálogos, permitindo ao usuário uma navegação virtual em várias bibliotecas diferentes de acordo com os links colocados. 7) Motivar os usuários com imagens, ferramentas dinâmicas e hiperlinks eles são incentivados a comentar e complementar o conteúdo postado pela biblioteca.
  • 47. 52 8) Compartilhar a história da biblioteca, postando imagens da biblioteca através dos anos é possível montar uma história interativa e ainda permitir aos usuários que compartilhem suas próprias memórias acrescentando mais informações a história da instituição. 9) Utilizar algumas das ferramentas do Flickr para fazer gráficos estilosos. Muitas bibliotecas já possuem seus cartões visitas, pôsteres etc., criados com a ajuda do Flickr. Elas também postam capas históricas de revistas, pôsteres de filmes, entre outros. 10) Permitir acesso ao Flickr nos computadores das bibliotecas. Por motivos de segurança muitas instituições bloqueiam o acesso a diversos tipos de sites, inclusive ao Flickr. Outros exemplos de utilização do Flickr que ainda podem ser citados são: divulgação das novas aquisições da biblioteca postando as capas dos materiais para que os usuários visualizem; divulgação de imagens históricas que não podem ser manuseadas devido a idade do material. De fato, citando novamente a Library of Congress, ela digitalizou e disponibilizou em seu perfil do Flickr na web, centenas de imagens históricas, inclusive do Brasil e as organizou por álbuns para facilitar a busca por interesse. Assim como no YouTube, todo o material disponibilizado pela biblioteca possui informações de copyright, formato, notas, autoria, data e indexação. Existem fotos de Abraham Lincoln, isto é, álbuns com imagens, fotos cromáticas de paisagens do planeta, panorâmicas da Primeira Guerra Mundial, imagens históricas de Minas Gerais, entre outros. Como pode ser constatado por meio dos exemplos, as possibilidades de utilização do Flickr na web são bastante variadas, cabendo apenas a unidade de informação descobrir de que maneira as ferramentas do Flickr lhes podem ser úteis. 5.1.1.3 YouTube O YouTube é considerado a maior comunidade de vídeos da internet. No artigo de Paula Webb (2007), a autora menciona algumas das maneiras que essa ferramenta poderia ser utilizada em uma biblioteca. Segundo ela, uma das possibilidades de uso
  • 48. 53 para o YouTube é que ele seja um “depósito para vídeos instrucionais” que poderiam ser acessados através de um link no website da biblioteca. Ou ainda, uma maneira de complementar o conteúdo do acervo, utilizando vídeos que não são de autoria da biblioteca, e que não pertencem a mesma para acrescentar algum conteúdo disponibilizado, como é citado no artigo, o exemplo da America’s CareerInfoNet, que lista os vídeos sobre as diferentes profissões que existem no YouTube para ilustrar seu site e facilitar o entendimento do conteúdo, acrescentando-se assim mais um recurso áudio-visual para os usuários. A autora cita ainda como parte da utilidade do YouTube, que a biblioteca poderia criar um manual com recurso áudio-visual, passo a passo, com instruções para a utilização da biblioteca; guia de uso para estudantes; tutoriais para alunos e usuários de como usar a base de dados; tutoriais sobre o software utilizado pela biblioteca e como usá-lo. Outro exemplo citado no artigo é o da Valdosa State University que criou um vídeo sobre “Como encontrar uma mesa de referência”. O vídeo se inicia na entrada da biblioteca e segue o caminho que deverá ser percorrido pelo usuário até os balcões de atendimento, facilitando a visualização do estudante, que sentirá familiarizado com o ambiente, antes mesmo de ter entrado na biblioteca. A Library of Congress que mantém uma conta no YouTube com dezenas de vídeos antigos restaurados pela biblioteca e que são considerados raros, como vídeos filmados por Thomas Edison datados de 1897 e apresentações culturais como a Imperial Japanese Dance de 1894. Todos os vídeos apresentam suas descrições completas, fontes e copyrights para não infringir os direitos dos autores. Paula Webb (2007) lembra que é importante que os administradores das bibliotecas não tenham medo de utilizar essas ferramentas por não serem convencionais, pois a sua utilização prova a sociedade que as bibliotecas estão prontas para o século XXI.
  • 49. 54 5.1.2 Ferramentas de Relacionamento Social Os sites de relacionamento social são ferramentas que permitem uma interação com usuário dificilmente conseguida com o uso de outros meios de comunicação. Exemplos de utilização são apresentados a seguir. 5.1.2.1 Facebook A utilização do Facebook em bibliotecas tem sido motivo de muita discussão na comunidade acadêmica e biblioteconômica, que divide opiniões sobre o site ser mais uma ferramenta para auxiliar na divulgação dos produtos e serviços das bibliotecas ou apenas uma rede social sem utilidade para fins profissionais. De acordo com Secker (2008), alguns membros diretores da Libraries and Social Software in Education (LASSIE) se mostraram contrários a utilização do Facebook dentro das bibliotecas, principalmente por motivos de segurança da informação que, segundo eles, a utilização do Facebook é indiscriminada, podendo qualquer pessoa mesmo que fora dos interesses da biblioteca acessar suas informações. Outro ponto relatado por Secker (2008) diz respeito ao fato de que muitos profissionais da informação não acham apropriada a utilização de uma rede social na internet para serviços bibliotecários. Segundo o autor, essas redes tem fundamento puramente social com a função de ser apenas uma distração para as pessoas, não tendo assim, valor para utilização profissional. Entretanto, existem profissionais que defendem a utilização do Facebook como ferramenta de divulgação da biblioteca devido as inúmeras possibilidades oferecidas pelo site. Um participante do Facebook pode acrescentar diversos aplicativos em seu perfil, além de criar listas para compartilhar informações com pessoas de uma rede e com interesses específicos. O site permite a utilização do Delicious como bookmarking, e que um membro divulgue suas fotos em seu perfil por meio do Flickr. Além da postagem de vídeos, criação de álbuns, feed de notícias detalhadas de tudo que acontece com as pessoas da sua rede, criação de grupos de interesses específicos, e utilização de calendário
  • 50. 55 para criação de eventos, utilização de notas e divulgação de links de interesse para divulgação etc. Todas essas ferramentas utilizadas com responsabilidade e interesse profissional podem ser aliados dentro de uma unidade de informação, como são demonstrados a partir dos exemplos a seguir (SECKER, 2008, p. 8): • LibGuides Librarian: permite ao usuário exibir os guias de seu perfil e também busca em catálogos de bibliotecas que tenha perfil no Facebook; • Facebook Librarian: funciona como um “fale conosco” ou “pergunte a um bibliotecário” através das pessoas que tenham a biblioteca fornecedora do serviço em seu perfil; • Books iRead: esse é considerado o maior aplicativo relacionado a livros do Facebook. Nele é permitido ao usuário compartilhar suas preferências de leitura, informando quais livros ele já leu, quais gostariam de ler, quais nunca leriam e fazer um ranking de livros de acordo com critérios estabelecidos pelo próprio usuário. Dessa maneira, é possível perceber quais são as utilidades do Facebook numa biblioteca. Entretanto, apesar das idéias serem promissoras, é preciso estudá-las com cuidado e avaliar se a utilização da rede é mesmo viável para a instituição. Apesar de aparentemente parecer um aliado, se usado indiscriminadamente, o perfil da unidade de informação pode rapidamente se tornar inutilizado ou sobrecarregado com informações inúteis para os interesses da biblioteca. Ao contrário, se utilizado com discernimento pode ser uma rede de compartilhamento de informações valiosas e de crescimento contínuo para a biblioteca. 5.1.2.2 Twitter O uso do Twitter nas bibliotecas ainda está em processo de adaptação. Entretanto, já existem alguns estudos de casos em bibliotecas dos Estados Unidos, pioneiras na utilização destas ferramentas da web 2.0. A Missouri River Regional Library está utilizando o twitter para se comunicar com a comunidade local. Tudo que acontece na biblioteca esta sendo colocado no Twitter
  • 51. 56 para que seus “seguidores” (termo designados para aquele que adicionam um perfil do twitter para acompanhar suas atualizações) possam ter acesso a todas as novidades da biblioteca, como novas aquisições de base de dados, eventos promovidos pela biblioteca, alterações no funcionamento ou horários. Outra funcionalidade do Twitter é o fato de que o aplicativo possui RSS feed, outra ferramenta que tem feito muitos adeptos nos centros de informação. De acordo com Arnal (2008) o blog BusEmpresarials da Universidade Autônoma de Barcelona também utiliza o Twitter como ferramenta de divulgação das notícias mais breves que podem ser visualizadas por meio de uma assinatura RSS feita pelo usuário no blog. Apesar do sucesso do Twitter na internet ser indiscutível, os centros de informação ainda estão receosos ao se depararem com tal ferramenta, seja pelo desconhecimento dos profissionais da informação do potencial de um microblog como o Twitter no auxilio a divulgação das atividades das bibliotecas. Mas, essa visão está se modificando como demonstram os exemplos dados por bibliotecas que buscam alternativas inovadoras, como a utilização desses microblogs para divulgação de seus produtos e serviços. 5.1.2.3 Social Bookmarking Umas das aplicações da web 2.0 que mais tem se destacado é o social bookmarking, uma maneira de se “guardar” todos os sites de interesse e que podem ser resgatados de qualquer computador. Uma das bibliotecas que serve de exemplo para ilustrar a utilização do social bookmarking dentro de unidades de informação é a Ithaca College Library. O artigo de Ron Gilmour e Jennifer Stickland (2009) explicam como e porque essa biblioteca do Ithaca College adotou esse aplicativo e está investindo em divulgá-lo para melhorar os serviços para seus usuários. Os autores relatam que o trabalho com o Delicious, uma das ferramentas mais famosas de social bookmarking disponíveis na web, começou quando um docente da faculdade solicitou que os bibliotecários adicionassem ao cabeçalho de assuntos da
  • 52. 57 Library of Congress termos relacionados à presença de estereótipos asiáticos em filmes holywoodianos. Em resposta a sua solicitação, a Library of Congress informou que isso era impraticável e contrário a boa prática de catalogação, além de não corresponder aos objetivos do cabeçalho de assuntos da instituição. Como esse não fora o primeiro pedido incomum dos docentes da universidade, os bibliotecários resolveram desenvolver um cabeçalho de assuntos não tão tradicional quanto o da Library of Congress por meio do social bookmarking. Disponibilizando o aplicativo do Delicious em sua página na internet, a biblioteca pode utilizar tags para descrever páginas interessantes sobre o assunto pesquisado e salvá-las para formar uma base com todos os documentos relevantes sobre diversas pesquisas solicitadas pelos docentes. Dessa maneira, a colaboração entre os interessados faria a pesquisa se tornar mais eficiente, uma vez que qualquer usuário poderia adicionar sua própria tag ou página conforme achasse relevante. O resultado do trabalho foi muito satisfatório, e agora a biblioteca utiliza essa técnica de social bookmarking sempre que é solicitado. 5.1.3 Ferramentas de divulgação A divulgação de informação na internet muitas vezes se dá de maneira conturbada. Algumas ferramentas surgiram para tentar personalizar esse fornecimento de informação como é o caso dos blogs e do RSS. 5.1.3.1 Blogs O blog é um dos elementos da web responsável por toda a revolução e evolução da web 1.0 para a web 2.0. É uma ferramenta totalmente interativa, que permite compartilhar conteúdo de maneira simples e fácil como são baseadas as ferramentas da web 2.0. Os blogs fazem parte da “cultura popular” dentre as pessoas que tem acesso a internet, são exemplo que a tecnologia da web está ao alcance de quase todas as bibliotecas e são uma maneira de comunicação com os menos rígida que a exigida por sites institucionais. (ARNAL, 2008).
  • 53. 58 As unidades de informação têm utilizado os blogs como instrumento de divulgação das suas notícias ou como descreve a biblioteca da Universidade de Aveiro (Figura 11) em Portugal: “um meio de contato com os nossos utilizadores, uma forma de partilhar a vida das bibliotecas da UA, um caminho para a divulgação de recursos e ferramentas para a aprendizagem e investigação.” (Blog, UA) Fonte: http://portal.doc.ua.pt/blog/ Figura 11 – Blog da Biblioteca da Universidade de Aveiro (Portugal) Os blogs são ferramentas úteis as bibliotecas na medida em que os serviços e as notícias disponibilizadas podem ser repassados aos usuários, de maneira que eles
  • 54. 59 possam responder e comentá-las mesmas, dando um retorno sobre as iniciativas da biblioteca. Arnal (2008) diz como os blogs devem: “(...) abrir espaços de comunicação interpessoal, buscar uma conversação com o leitor, mas uma comunicação unidirecional. Devem demonstrar que comunicação pode ser mais do que apenas o tom formal e institucional de uma biblioteca e que podem ser úteis e apreciadas pelos leitores.” (ARNAL, 2008, p. 11). Outra biblioteca que utiliza o blog como meio de comunicação e interação com seus usuários é a Biblioteca do Agrupamento Vertical de Escolas de Vila Pouca de Aguiar Sul (Portugal), que transmite de maneira mais descontraída e informal as notícias sobre os eventos já realizados e a serem realizados, além de notícias sobre diversos assuntos. Segundo Fichter (2003) existem inúmeras maneiras como os blogs de bibliotecas podem ser usados para divulgá-las: promover os eventos da biblioteca, apoio aos usuários mais freqüentes, engajar a comunidade local, apoiar a comunidade que já utiliza a biblioteca, criar novos laços atraindo novos usuários, entre outros. Dentre as possibilidades de utilização dos blogs é preciso que as bibliotecas encarem a iniciativa de mantê-lo com seriedade pois, como relata Crawford (2009), os blogs podem muitas vezes se tornar inúteis rapidamente. Segundo o autor, para que um blog seja bem sucedido em seus objetivos é necessário: a) um propósito bem definido para nortear as informações que serão disponibilizadas; b) comprometimento para com os usuários que freqüentarão o blog; c) publicidade, antes de tudo é preciso que a biblioteca divulgue a existência do blog para seus usuários; d) começar de baixo, não pensar que o blog deve ser grande e conter uma quantidade exagerada de informações, é preciso discernimento dos profissionais para não sobrecarregar a página com informações que muitas vezes serão inúteis para o público. Isso fará com que o mesmo se afaste e pare de acessar o blog. Outro ponto importante ressaltado por Crawford (2009) é que só devem ser postadas notícias novas quando se tem alguma coisa relevante para se dizer, nunca poste apenas por postar. As bibliotecas não devem também pressupor que os usuários irão até o site apenas porque ele existe, é necessário que haja interesse por parte do público. Elas não devem igualmente pressupor que as notícias receberão comentários.
  • 55. 60 Esse tipo de postura dos usuários deverá surgir com o tempo, à medida que o blog se consolidar. Esses meios de utilização dos blogs possibilitam, principalmente, uma aproximação da unidade de informação com seu usuário, permitindo a coleta de dados importantes sobre as opiniões dos usuários em relação às atividades desenvolvidas pela biblioteca e como elas estão sendo trabalhadas. 5.1.3.2 RSS O Really Simple Syndication (ou RSS), é uma das ferramentas que melhor caracteriza o conceito de web 2.0. Funciona como um feed³ de notícias para blogs e outros tipos de sites, facilitando o processo pelo qual a informação passa até chegar ao usuário. O RSS também proporciona a atualização das notícias em tempo real e com informações direcionadas, já que para sua utilização é necessário que o usuário se inscreva nas determinadas áreas de informação que ele se interessar. Dessa maneira a informação é fornecida de maneira personalizada, filtrando o que usuário vai receber. Sua utilização dentro de uma unidade de informação pode ser muito importante para auxiliar certos serviços que uma biblioteca deve proporcionar, como lista o blog moxielbrarian: 1. Criar um RSS feed para novas aquisições no catálogo on line; 2. Criar um RSS feed ligado ao cadastro de cada usuário na biblioteca para notificações de materiais atrasados; 3. Criar um RSS feed para novos programas e eventos postados no website da biblioteca; 4. Criar um RSS feed para o newsletter eletrônico da biblioteca; 5. Criar um RSS feed para informar a imprensa e outras mídias; 6. Criar um RSS feed para informar sobre os dias que a biblioteca estará fechada e fechamentos de emergência; 7. Criar um RSS feed para vagas de emprego na biblioteca; 8. Inscrever-se alguns feeds RSS, como notícias locais, e compartilhar o conteúdo no site da biblioteca. Isto poderia ser incluído em uma página que contém outros recursos locais e links locais; ________________ ³ FEED Recurso de alguns sites que, aliado a um software específico, permite alertar os visitantes quando há conteúdo novo. (Broguizode)
  • 56. 61 9. Inscrever RSS feeds de interesse para os clientes da biblioteca e compartilhar o conteúdo personalizado de cada cliente na página da biblioteca. Os clientes podem optar por acessar RSS feeds selecionando sua conta com informações sobre: assinatura de bases de dados, e-mail e chat com um bibliotecário; 10. Inscrever RSS feeds de profissionais e compartilhar com a equipe da biblioteca na intranet. Como formas de utilização do RSS em unidades de informação para Almeida (2008): Boa parte das bibliotecas estrangeiras está criando canais RSS para informar seus usuários sobre novos itens incorporados às suas coleções. Um bom exemplo da apropriação deste recurso pode ser verificado nos serviços oferecidos pela biblioteca da Universidade de McMaster (Canadá), que disponibiliza vários canais RSS para divulgar seus serviços, eventos e novas aquisições, segundo as áreas de interesse de seus estudantes, docentes e pesquisadores. A biblioteca mantém, ainda, canais específicos para atualização de documentos diversos, mapas, eventos, novas aquisições, entre outros. Outra iniciativa bem sucedida é mantida pelo serviço de distribuição de sumários da MIT Libraries. (ALMEIDA, 2008, p. 9). Ainda segundo Almeida (2008): “outra aplicação possibilitada pelo uso de RSS é a republicação de conteúdos originados por outras fontes nas páginas da biblioteca ou serviços de informação”. Isto propicia a biblioteca uma compilação de conteúdos de interesse dos usuários mas que tenham sido produzidos por terceiros para ampliar e diversificar as fontes de informação disponibilizadas. Exemplos de bibliotecas que tem utilizado o RSS em suas páginas da internet são: Library of Congress que alimenta em seu blog mais de 35 tipos diferentes de assuntos, entre os quais: notícias gerais da biblioteca, atualizações do site da biblioteca, eventos, tópicos como: direitos autorais, preservação digital, assuntos legais, leis da Library of Congress, jornais e jornalismo, poetas e poesia, ciências, histórias dos veteranos, projetos visuais. Além de feeds específicos para bibliotecários e professores. A University of Michigan Library que alimenta feeds sobre notícias, eventos e exposições da biblioteca. Outra biblioteca universitária americana que permite o serviço de RSS é a Massachussets Institute of Technology Libraries que disponibiliza feeds específicos para cada curso do instituto, além de notícias gerais, atualizações da Classificação Decimal de Dewey e podcasts.
  • 57. 62 A University of Baylor Library atualiza semanalmente todas as novas aquisições o organiza por áreas de interesse, permitindo que usuário escolha somente as áreas do conhecimento que lhes sejam pertinentes. Kansas State University Library: novos livros por assunto ou tipo de material (livro, cd ou DVD) No Brasil a iniciativa de utilizar o feed RSS ainda é tímida, mas já podem ser encontradas em bibliotecas como a do Senado Federal e a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações do IBICT. (Figuras 13) Fonte: http://www.loc.gov/rss/ Figura 12 – RSS Feed – Library of Congress
  • 58. 63 Fonte: http://bdtd2.ibict.br/index.php?option=com_rss&feed=RSS2.0&no_html=1 Figura 13 – RSS Feed Biblioteca Digital de Teses e Dissertações/IBICT 5.1.4 Ferramentas de Atendimento Remoto O atendimento remoto é um dos serviços de referência que mais tem se desenvolvido, através deles é possível manter contato com os usuários e fornecer serviços e produtos a distância. 5.1.4.1 Mensagens Instantâneas Os serviços de mensagens instantâneas (instant messaging, IM) se tornou um dos maiores trunfos da web 1.0 e uma das ferramentas que mais evoluiu através dos anos, ajudando a consolidar o termo web 2.0 devido a certas características que começaram a apresentar conforme evoluíam. Logo o interesse por esse tipo de ferramenta surgiu na comunidade bibliotecária como apresenta Maness (2006): “Esta tecnologia tem sido rapidamente adotada pela comunidade bibliotecária. Mais comumente conhecida como instant messaging (IM), permite uma comunicação textual em tempo real entre indivíduos. Bibliotecas tem começado a empregar e promover serviços de “chat reference”, onde usuários podem sincronicamente se comunicar com bibliotecários muito mais do que o fariam em um atendimento cara a cara.” (MANESS, 2006 )
  • 59. 64 De acordo com este autor, as bibliotecas viram potencial nessa ferramenta, principalmente no que diz respeito ao serviço de referência, onde poderia ser acrescentado outro tipo de atendimento fora os já tradicionais do balcão, face a face. De fato, esse tipo de atendimento pode ser muito instrutivo tanto para a biblioteca quanto para o usuário. Existem diversos tipos de usuários, como relatam os estudos de usuários, e para certos tipos esse atendimento impessoal apresenta uma possibilidade de comunicação e interação muito maior entre usuário-bibliotecário. Maness (2006), relata, ainda, que: Mais do que o usuário tem o costume de definir a biblioteca física pela presença do bibliotecário, chat reference vem se tornando mais persuasivo e pode prover uma situação similar no mundo da web. O tempo é talvez não tão distante quando o chat reference pode ter um lugar dentro da estrutura da rede de trabalho da biblioteca, provendo uma experiência sem fronteiras. (MANESS, 2006). Percebe-se então que a biblioteca deve utilizar as tecnologias da web em seu favor e de seus usuários para desenvolver atividades complementares aos serviços prestados. Dessa forma, os centros de informação poderão se familiarizar com os anseios de seus usuários e formarem uma política de atendimento mais eficiente e de qualidade. Breeding (2003) diz que uma das vantagens do sistema de mensagens instantâneas sobre os tradicionais serviços de e-mail adotados pelas bibliotecas, é que no correio eletrônico, o usuário não sabe quando obterá resposta, ao contrário no IM desde que a biblioteca esteja on line, ou disponível, dependendo do programa utilizado, o usuário sabe que a resposta a sua demanda será imediata. Esse método facilita a finalização do atendimento, já que por e-mail muitas vezes as dúvidas não são resolvidas na primeira conversa, prolongando o processo e desmotivando o usuário, o que prejudica o atendimento. O autor defende ainda o fato de que a nova geração está completamente envolvida com o IM, devido ao sucesso desse tipo de serviço a maioria das crianças e jovens com acesso a internet são adeptos e dominam essa ferramenta. Para Breeding (2003) as bibliotecas podem se aproveitar desse envolvimento para aumentar a interação entre a biblioteca e os jovens.
  • 60. 65 A experiência da Ohio Public Library, segundo York (2009), revela que o serviço de mensagens instantâneas cresceu de maneira inesperada na biblioteca. Em 2004 quando o serviço começou a ser disponibilizado, cerca de 60 pessoas o utilizavam por mês, em 2009, a biblioteca completou 500.000 atendimentos. Segundo a autora, as dúvidas são variadas, vão desde pessoas perguntando sobre o catálogo da biblioteca até jovens pedindo ajuda em seu dever de casa. Para conseguir atender a demanda a biblioteca oferece o serviço 24 horas por dia, sete dias por semana, exceto em feriados. O site libsucess.org lista inúmeras bibliotecas que utilizam o serviço de mensagens instantâneas, cada biblioteca utiliza a política mais adequada a seus serviços, algumas, como a University of California San Diego Science and Engineering Library, disponibilizam o serviço em dias de semana de 10 às 17 horas através do AIM e Yahoo Messenger. Ou ainda, a Colorado College Tutt Library, que disponibiliza o serviço por meio do AIM, Yahoo Messenger e MSN Messenger durante todo o tempo em que tiver um bibliotecário na mesa de referência. Apesar de parecer promissor, Breeding (2003) adverte quanto a algumas desvantagens do uso do IM: Algumas das maiores vantagens do uso de mensagens instantâneas que a fazer atrativos para comunicação individual podem causar problemas quando usadas no trabalho. Faltam sistemas de autenticação dos serviços, e falta de responsabilidade na utilização pode trazer problemas em ambientes empresariais. (BREEDING, 2003). Como aponta o autor, é preciso ter cuidado na disponibilização dos serviços de mensagens instantâneas que pode facilmente se tornar um transtorno para a instituição ao invés de ser mais um aliado no atendimento aos usuários. 5.1.4.2 Skype O Skype é um serviço de voz disponibilizado gratuitamente e que tem ganhado espaço em um meio que antes era dominado pela telefonia. Assim como o serviço de mensagens instantâneas o Skype pode ajudar as bibliotecas a prover um serviço de atendimento remoto em tempo real. Um segmento que está se tornando cada vez mais presente nas unidades de informação, esse tipo de atendimento mesmo sendo remoto
  • 61. 66 aumenta o contato da biblioteca com seus usuários, pois nem sempre o público tem tempo disponível para ir à biblioteca. E se a mesma dispõe desses serviços, as demandas que não precisam ser tratadas pessoalmente ficam mais acessíveis e economizam o tempo do profissional e do usuário. Um exemplo de biblioteca que utiliza o Skype é o da Ohio University. Ela funciona no esquema 24/5 que significa 24 horas por dia cinco dias por semana, nesse caso de segunda a sexta-feira. Em algumas bibliotecas setoriais é oferecido também o serviço por vídeo chat. Outro exemplo é o da University of Canterbury que estão testando uma versão do Skype em vídeo. Eles alertam que, no primeiro momento, os usuários podem ficar um pouco receosos do atendimento em vídeos, mas que após um período de experiências o retorno em relação ao serviço prestado foi bom. O Skype pode se tornar um excelente aliado dos profissionais de informação no setor de referência, por meio do atendimento que ele oferece. A possibilidade do usuário estar em contato com o bibliotecário em tempo real transmite muito mais confiança do que serviços de e-mail ou o fale conosco, utilizado pela que a maioria das bibliotecas. Essa ferramenta é mais uma evolução da web 2.0 que pode ajudar as bibliotecas a proverem um serviço de atendimento ao usuário de melhor qualidade.
  • 62. 67 6 Considerações finais As tecnologias de informação fazem parte do cotidiano das instituições desde que os computadores começaram a serem utilizados como principal instrumento de trabalho. A internet trouxe possibilidades de desenvolvimento nunca antes permitidas e avanços que nem mesmo a própria globalização pode controlar. Este trabalho buscou demonstrar como essas tecnologias, particularmente à web 2.0 pode agir dentro do serviço de referência de uma unidade de informação. Visto que as bibliotecas são organismos vivos, como escreveu Ranganathan, e que elas não podem ficar estagnadas e se acomodarem a serviços consolidados. Esses tipos de serviços são muitas vezes vistos como os mais confiáveis e eficientes. É esse tipo de visão que impede que os centros de informação evoluam, pois meios tradicionais, como fontes de informação impressas e atendimento ao usuário com políticas retrógradas são tidos como base para o funcionamento de qualquer biblioteca. Buscando identificar as tecnologias da web 2.0 que podem ser utilizadas como ferramenta na oferta de serviços e produtos na referência para o atendimento aos usuários, pode-se perceber a clara vantagem de países desenvolvidos na utilização dessas iniciativas em relação ao Brasil, principalmente nos Estados Unidos. Bibliotecas como a Library of Congress, que foi citada em alguns exemplos, mas poderia ter sido citada em 90% das ferramentas estudadas mostra como as bibliotecas americanas estão dispostas a adotar novas tecnologias para desenvolver um atendimento mais qualificado para seus usuários. Outras bibliotecas americanas pioneiras em iniciativas de utilização de novas tecnologias para os serviços de atendimento são as bibliotecas universitárias, como as de Michigan University, MIT, Ohio University e Yale. É possível ver iniciativas importantes também nas bibliotecas públicas que atendem um público muito mais diversificado com demandas totalmente diferentes das bibliotecas especializadas e universitárias, provando que a utilização dessas ferramentas tecnológicas pode ajudar a unidade de informação no que diz respeito ao atendimento aos usuários.
  • 63. 68 Outro ponto a ser considerado é a literatura disponível sobre o assunto, que atualmente está baseada em artigos de publicações periódicas, especializadas em Ciência da Informação e bibliotecas universitárias em sua maioria em inglês e espanhol, onde pode-se observar as maiores iniciativas em relação a estudos referentes a utilização da web 2.0 como aliados nas unidades de informação. No Brasil, já existem alguns estudos principalmente relacionados à biblioteca 2.0, o que é e como surgiu, mas pouca informação relacionada a utilização da ferramentas da web 2.0 nas bibliotecas. Esse atraso se deve mais ao pensamento dos profissionais da informação do que ao fato de o Brasil ser um país considerado em desenvolvimento. O pensamento predominante no meio bibliotecário é de estagnação, os profissionais ainda não vêem essas ferramentas como uma possibilidade de evolução e desenvolvimento no funcionamento das bibliotecas, principalmente nos serviços de referência. Entretanto, pela revisão de literatura feita no presente trabalho, é possível perceber como essas ferramentas podem ser úteis e eficazes na busca por oferecer um serviço sempre melhor e mais eficiente. As ferramentas da web 2.0 podem ser utilizadas para divulgar a biblioteca, e seus serviços, disponibilizar materiais de difícil acesso, como é o caso de vídeos raros em formatos ultrapassados (pela Library of Congress no YouTube) ou ainda a divulgação de informações de interesse específicos pelo RSS, ou ainda “seguir” todos os principais eventos e as novidades da biblioteca pelo Twitter. Disponibilizar fotos e imagens raras pelo Flickr, atendimento remoto personalizado pelo Skype ou serviço de mensagens instantâneas, interação com o usuário e disponibilização de conteúdo pelos blogs entre muitos outros como pode ser percebido por meio dos exemplos no decorrer do trabalho. Para que essas iniciativas obtenham sucessos em países tradicionalistas como o Brasil é preciso que se quebre o paradigma dos métodos de funcionamento e atendimento já consolidados. Esse processo deve começar ainda da formação desses profissionais nas universidades. É preciso mostrar como essas ferramentas são o futuro e que já podem e devem ser aproveitadas no presente. É certo que existem vantagens mas há também desvantagens e que esse processo deve ser estudado para que as bibliotecas se adequem as ferramentas que
  • 64. 69 mais lhes forem pertinentes. É claro que não é necessário que todas as ferramentas sejam adotadas pela biblioteca. É preciso verificar em quais pontos e com quais ferramentas o atendimento pode ser melhorado, pois iniciativas sem discussões e estudos prévios podem sufocar a biblioteca e afastar o usuário em vez de aproximá-lo. A segurança da informação é outro ponto que deve ser considerado ao se utilizar a web 2.0 ainda frágil nesse aspecto. Ferramentas que possam prejudicar a segurança interna da rede devem ser evitadas, devido a fácil disseminação de vírus e programas maliciosos neste meio. Diante desses fatos apresentados, ao analisar como as bibliotecas utilizam as tecnologias e a interatividade da web 2.0 na provisão de produtos e serviços para seus usuários, conclui-se que a web 2.0 já fornece instrumentos promissores e eficazes para complementar o atendimento tradicional realizado pelas unidades de informação. A expectativa é que no futuro as bibliotecas se tornem mais virtuais do que físicas, mas que jamais deixarão de existir. Porém, essa certeza só se confirma em casos em que a biblioteca está disposta a adotar novas tecnologias na busca pelo acompanhamento da evolução informacional que está acontecendo. As bibliotecas podem e devem utilizar a web 2.0 para oferecer produtos e serviços a seus usuários. Acompanhar a tecnologia faz parte do processo de evolução de qualquer instituição. O desenvolvimento permitido por essas ferramentas demonstra a força da biblioteca e o princípio de uma revolução na Ciência da Informação.
  • 65. 70 Referências ALECRIM, Emerson. O que é RSS?. Disponível em: <http://www.infowester.com /rss.php>. Acesso em: 30 maio 2009. ALMEIDA, Robson Lopes de. Disseminação de conteúdos na Web: a tecnologia RSS como proposta para a comunicação científica. 2008. 192 f. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação). Departamento de Ciência da Informação e Documentação, Universidade de Brasília, Brasília. 2008. ARNAL, Dídac Margaix. Informe APEI sobre web social. Informe APEI. Gijón, v.1, 2008. BREEDING, Marshall. Instant messaging: it's not just for kids anymore. Computers in Libraries, Information Today. November / December 2003. CASTELLS, Manuel. A galáxia da internet: reflexões sobre a internet, os negócios e a sociedade. Rio de Janeiro: Zahar, 2003. CONCEITUANDO o que é web 2.0. Disponível em: <http://web2.0br.com.br/conceito- web20/>. Acesso em: 8 dez 2008. CRAWFORD, Walt. Shiny toys or useful tools? Cites & Insights v. 9, n. 3, Feb. 2009. CUNHA, Murilo Bastos da ; CAVALCANTI, Cordélia Robalinho de Oliveira. Dicionário de Biblioteconomia e Arquivologia. Brasília: Briquet de Lemos: 2008. ENTENDA o que é a Web 2.0. Folha de São Paulo. Disponível em: <http://www1.folha. uol.com.br/folha/informatica/ult124u20173.shtml>. Acesso em: 31 mar. 2009. FICHTER, Darlene. Why and how to use blogs to promote your library's services. Infotoday. v. 17 n. 6 nov./dez. 2003. FIGUEIREDO, Nice Menezes de. Avaliação de coleções e estudo de usuário. Brasília: ABDF, 1979. FRUMKIN, Jeremy. The wiki and the digital library. OCLC Systems & Services. v.1 issue 1. 2005. p. 18-22. GILMOUR, Ron; STICKLAND, Jennifer. Social bookmarking for library services: bibliographic access through Delicious. CR&L News, v.70, n.4, abr. 2009. HOUGHTON-JAN, Sarah. Why should librarians care about Flickr?. LibrarianInBlack.net , 13 dez. 2005. Disponível em: <http://librarianinblack.typepad.com/librarianinblack/2005 /12/why_should_libr.html.> Acesso em: 10 mai. 2009.
  • 66. 71 LANCASTER, F. W. Avaliação de serviços de bibliotecas. Brasília: Briquet de Lemos, 2004. MANESS, Jack M. Library 2.0 theory: web 2.0 and its implications for libraries. Webology v.3, n.2, jun. 2006. Disponível em: <http://webology.ir/2006/v3n2/a25.html>. Acesso em: 14 maio 2009. MILLER, Paul.Web 2.0: building a new library. Ariadne n.45 out. 2005. Disponível em: <http://www.ariadne.ac.uk/issue45/miller>. Acesso em 10 maio 2009. PANISSI, Fernando. Dicionário da nova internet. Blog Tira Dúvidas. Disponível em: <http://colunas.g1.com.br/tiraduvidas/2007/10/09/dicionario-da-nova-internet/>. Acesso em: 13 maio 2009. SAMPAIO, Cleuton. Web 2.0 e mashups: reinventado a internet. Rio de Janeiro: Brasport, 2007. SECKER, Jane. LASSIE: Libraries and Social Software in Education: case study 5: libraries and facebook. London: University of London: Centre for Distance Education, 2008. Disponível em: <http://clt.lse.ac.uk/Projects/Case_Study_Five_report.pdf>. Acesso em: 09 mai. 2009. STEPHENS, Michael. Priceless images: getting started with Flickr. Tame the web. Disponível em: <http://tametheweb.com/2008/01/02/priceless-images-getting-started- with-flickr/>. Acesso em: 10 maio 2009. TEMPERINI, Alessandro. Skype: história da marca. Disponível em: <http://aletp.com/2007/11/27/skype-historia-da-marca>. Acesso em: 5 mar. 2009. TRINDADE, Rafael. Google: a marca mais valiosa do mundo. Disponível em: <http://rafaeltrindade.com.br/2007/04/26/google-a-marca-mais-valiosa-do-mundo/>. Acesso em: 3 mar. 2009. VIERA, Kellyn. A prática do serviço de referência. UFSC, 2004. Apresentação de slides. WEBB, Paula L. YouTube and libraries: it could be a beautiful relationship. CR&L News, Chicago, v. 68, n. 6, jun. 2007. YORK, Kate. Instant messaging available at library. Ohio Library News. 2009. Acesso em: 30 mai. 2009. Disponível em: <http://oplin.org/ohiolibrarynews/?p=419>.
  • 67. 72 Bibliografias consultadas ALMEIDA, Robson Lopes de ; MÁRDERO ARELLANO, Miguel A. . Impacto da tecnologia RSS nos serviços de disseminação de informação. In: VIII CINFORM - Encontro Nacional de Ensino e Pesquisa da Informação, 2008, Salvador. VIII Encontro Nacional de Ensino e Pesquisa em Informação. Salvador, 2008. BERTHOLINO, Maria Luzia Fernandes. et al. A web como canal de divulgação de serviços e produtos de bibliotecas universitárias: análise do conteúdo de home pages. Universidade Estadual de Ponta Grossa – Paraná. Disponível em: < snbu.bvs.br/snbu2000/docs/pt/doc/t003.doc>. Acesso em: 20 fev. 2009. BLATTMANN, Úrsula; SILVA, Fabiano Couto Corrêa da. Colaboração e interação na web 2.0 e biblioteca 2.0. Revista ACB: Biblioteconomia em Santa Catarina, Florianópolis, v.12, n.2, p. 191-215, jul./dez., 2007. CAMARGO, Camila Porto de. Conheça mais sobre a Wikipédia. Disponível em: <http://www.baixaki.com.br/info/1151-conheca-mais-sobre-a-wikipedia.htm>. Acesso em: 3 mar. 2009. CAMPOS, Luiz Fernando de Barros. Web 2.0, biblioteca 2.0 e ciência da informação (I):Um protótipo para disseminação seletiva de informação na Web utilizando mashups e feeds RSS. In: VIII ENANCIB – Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação. Salvador, UFBA, 2007. Disponível em: <ttp://www.enancib.ppgci.ufba.br/artigos/GT2--232.pdf>. Acesso em: 20 fev. 2009. CHERYL. 10 ways libraries can use RSS. Blog Moxielibrarian. Disponível em: <http://moxielibrarian.wordpress.com/2008/02/27/10-ways-libraries-can-use-rss/>. Acesso em: 25 mai. 2009. COOMBS, Karen A. Building a library web site on the pillars of Web 2.0. Disponível em:< http://infotoday.com/cilmag/jan07/Coombs.shtml>. Acesso em: 20 dez. 2008. CORMODE, Graham; KRISHNAMURTHY, Balachander. Key differences between web 1.0 and web 2.0. First Monday, v. 13 n. 6, jun. 2008. Disponível em: <http://www.uic.edu/htbin/cgiwrap/bin/ojs/index.php/fm/article/view/2125/1972>. Acesso em: 12 dez. 2008. DELICIOUS. Wikipédia. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Delicious>. Acesso em: 13 mai. 2009. DIAS, Guilherme Ataíde; SILVA, José Wendell de Morais. Tecnologia da informação e serviços de referência eletrônicos: uma Proposta de aplicação baseada em chatterbots e ontologias Enc. Bibli: R. Eletr. Bibliotecon. Ci. Inf., Florianópolis, n. 23, 1º sem. 2007. p.47-61. Disponível em: <http://www.periodicos.ufsc.br/index.php/eb/article/viewPDFInte rstitial/322/391>. Acesso em: 23 fev. 2009.
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