UNIVERSIDADE FEDERAL DO PAMPA/UNIPAMPACOMUNICAÇÃO SOCIAL – HABILITAÇÃO: JORNALISMO     TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO     ...
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6“Não existe uma ética específica do jornalista:sua ética é a mesma do cidadão”.Cláudio Abramo.
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12      1. INTRODUÇÃO          Ao falarmos da importância da comunicação e o acesso às informações, uma vez queestamos em ...
13necessidade de analisar o lugar da moral nesse emaranhado de informações que muitas vezespotencializam o trabalho da míd...
14       - Serão os blogs aliados do jornalismo convencional, exercendo papel de continuidade,abastecendo-se deste para ga...
15metodológicas e bibliográficas, esperamos contribuir de forma significativa na compreensãodos novos espaços da configura...
16                                        CAPÍTULO I                                           ÉTICA       Neste capítulo,...
17a tentativa de vivenciá-lo em seu cotidiano pessoal e social”.       Desde a Antiguidade às sociedades mais complexas at...
18       Dessa forma, toma igual sentido o aporte de Vázquez (2010, pág. 22) na distinçãoentre ética e moral: “(...) não s...
19       Dessa forma, a moral assume natureza de norma, ou normatização, conforme algunsautores observam e da qual comunga...
20104). Ainda que o homem seja um ser livre e consciente, este se encontra em um espaço emque ele mesmo condiciona-se no a...
21        No próximo tópico deste capítulo completaremos as peculiaridades da ética e do moralrefletindo sobre os problema...
22condenados (LEÃO, In: KOSOVSKI, 2008, pág. 18). Entretanto, para Vázquez (2010, pág.109), podemos apenas condenar moralm...
23       Segundo Vázquez (2010, pág. 77), os motivos também são fatores que devem serconsiderados na atitude da esfera mor...
24                       preferibilidade de uma ação possível em relação a outras, ou sobre o dever ou a                  ...
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26operar em âmbito acima da moral, a deontologia revela-se como um conjunto de deveres cujomodelo estabelece um sistema he...
27liberdade que lhes é próprio (CORNU, 1998, pág. 79-80).       Apesar disso, os códigos deontológicos têm deixado falhas ...
28aponta Karam (2004, pág. 91): “Os códigos buscam, de certa maneira, um „controle dequalidade‟, feito por quem apura a in...
29intercâmbio (...)”.           Não se pode, portanto, negar a influência deste novo meio de comunicação. A internettem in...
30simples em informação simbolicamente representável. Em linguagem computacional,podemos dizer que informação é “tudo aqui...
31pela informática, o jornalismo vê então, no espaço on-line, uma nova mídia de comunicação,e a internet, um novo instrume...
32mais nos últimos tempos. O mutualismo entre homem e máquina é uma característica do quese chama de cibercultura. Conform...
33hiperdocumentos, arquivos digitais de todas as espécies. (LÉVY, 1999, pág. 159)        São assim, então, novas formas de...
34pensando a cibercultura, deve propor algum tipo de interação entre autor e receptor. Logo quecontextualiza:             ...
35                       (SANTAELLA, 2003, pág. 121)       Lévy afirma ainda que as comunidades virtuais sejam o espaço de...
36saberes, as imaginações, as energias espirituais daqueles que estão conectados a ele” (Lévy,1999, pág. 133). Podemos, en...
37          Percebemos que o ciberespaço propiciou algo que a rede está desenvolvendo comocultura (ou hábitos de se relaci...
38Segundo Hugh Hewitt (2007, pág. 09), os blogs ganharam grande visibilidade quandoentraram para a seara política e do jor...
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  1. 1. UNIVERSIDADE FEDERAL DO PAMPA/UNIPAMPACOMUNICAÇÃO SOCIAL – HABILITAÇÃO: JORNALISMO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO DEISE ELENICE KOBER JESKEÉTICA, MORAL E DEONTOLOGIA JORNALÍSTICA EM TEMPOS DE CIBERCULURA UM ESTUDO DE CASO SOBRE A BLOGOSFERA E A IMPORTÂNCIA DO NEWSMAKING SÃO BORJA 2010
  2. 2. 2 DEISE ELENICE KOBER JESKE ÉTICA, MORAL E DEONTOLOGIA JORNALÍSTICA EM TEMPOS DE CIBERCULTURA:UM ESTUDO DE CASO SOBRE A BLOGOSFERA E A IMPORTÂNCIA DO NEWSMAKING. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Comunicação Social da Universidade Federal do Pampa, como requisito parcial para a obtenção do Título de Bacharel em Jornalismo. Orientador: Prof. Ms. Marco Bonito São Borja 2010
  3. 3. 3 DEISE ELENICE KOBER JESKE ÉTICA, MORAL E DEONTOLOGIA JORNALÍSTICA EM TEMPOS DE CIBERCULTURA:UM ESTUDO DE CASO SOBRE A BLOGOSFERA E A IMPORTÂNCIA DO NEWSMAKING. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Comunicação Social da Universidade Federal do Pampa, como requisito parcial para a obtenção do Título de Bacharel em Jornalismo. Monografia defendida e aprovada em:____/_____/2010 Banca examinadora:__________________________________________________________________ Prof. Ms. Marco Bonito Orientador Comunicação Social/Hab.: Jornalismo – Unipampa___________________________________________________________________ Profª. Ms. Mara Ribeiro Comunicação Social/Hab.: Jornalismo – Unipampa____________________________________________________________________ Profª. Drª. Michele Negrini Comunicação Social/Hab.: Jornalismo – UFPel
  4. 4. 4Dedico este Trabalho de Conclusão de Cursoaos meus amados pais, maiores incentivadorese fontes inesgotáveis de apoio, amor ecompreensão.
  5. 5. 5 AGRADECIMENTOAo professor Marco Bonito, pela orientação, dando-me liberdade na produção e rigormetodológico.À Professora Mara Ribeiro, quem fez com que eu me interessasse pelo assunto.Á todas as pessoas que, direta ou indiretamente contribuíram para a realização desta pesquisa.
  6. 6. 6“Não existe uma ética específica do jornalista:sua ética é a mesma do cidadão”.Cláudio Abramo.
  7. 7. 7 RESUMOO presente trabalho tem por objetivo discutir a ética, a moral e a deontologia jornalísticas apartir da produção informativa, jornalística e comunicacional originários dos weblogs. Umavez que a comunicação blogueira, enquanto comunicação digital, só se tornou possível graçasaos avanços da internet e dos estudos sobre a cibercultura, analisaremos a ética e a moral emtempos de cibercultura, visto que a blogosfera situa-se no ciberespaço. Proporemos analisartambém a importância do Newsmaking e do Gatekeeper neste processo de produçãoinformativa proveniente dos weblogs, ensejando examinar os cuidados éticos nessesprocessos. O estudo de caso que se fará pretende discutir como a produção jornalísticaconvencional percebe a importância do jornalismo participativo que se legitima nos weblogs.Palavras-chave: Ética. Moral. Deontologia jornalística. Cibercultura. Ciberespaço.Blogosfera. Weblogs. Newsmaking. Gatekeeper.
  8. 8. 8 ABSTRACTThis paper aims to discuss ethics, morals and ethics news from the production information,news and communications originating in the weblogs. Since the communication blogger,while digital communication was only possible thanks to advances in Internet andcyberculture studies, we analyze the ethics and morality in times of cyberculture, since theblogosphere lies in cyberspace. Propose to analyze the importance of Newsmaking andGatekeeper in the process of production information from blogs, occasioning examine ethicalguidelines in such cases. The case study that will want to discuss how conventional newsproduction realizes the importance of participatory journalism that legitimates itself inweblogs.Keywords: Ethics. Moral. Journalistic ethics. Cyberculture. Cyberspace. Blogosphere.Weblogs. Newsmaking. Gatekeeper.
  9. 9. 9 LISTA DE FIGURASFigura 1: Blog do Políbio Braga – parte 1...............................................................................49Figura 2: Blog do Políbio Braga – parte 2...............................................................................49Figura 3: Blog do Políbio Braga – parte 3...............................................................................50Figura 4: Blog do Políbio Braga – parte 4...............................................................................50Figura 5: Blog do Políbio Braga – parte 5...............................................................................51
  10. 10. 10 LISTA DE TABELASTabela 1: Percentual de notícias diárias por tema.....................................................................55Tabela 2: Análise dos critérios de noticiabilidade.....................................................................55
  11. 11. 11 SUMÁRIO1. INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 122. JUSTIFICATIVA .................................................................................................................. 133. OBJETIVOS ......................................................................................................................... 144. METODOLOGIA ................................................................................................................ 14CAPÍTULO I ............................................................................................................................ 16ÉTICA ...................................................................................................................................... 161.1 O Princípio da ética e da moral .......................................................................................... 171.2 Desvios éticos e morais ...................................................................................................... 211.3 Ética no Jornalismo ............................................................................................................ 24CAPÍTULO II ........................................................................................................................... 29JORNALISMO EM TEMPOS DE CIBERCULTURA ........................................................... 292.1 Cibercultura ........................................................................................................................ 322.2 A Blogosfera ....................................................................................................................... 352.3 Modelos e características do jornalismo digital ................................................................. 42CAPÍTULO III ......................................................................................................................... 46ANÁLISE DE CASO DO WEBLOG “BLOG DO POLÍBIO BRAGA” ................................ 463.1 O Newsmaking ................................................................................................................... 513.2 O Gatekeeper ...................................................................................................................... 563.3 Desvios ciber-éticos ............................................................................................................ 58CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................................... 61REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS......................................................................................64
  12. 12. 12 1. INTRODUÇÃO Ao falarmos da importância da comunicação e o acesso às informações, uma vez queestamos em meio aos avanços tecnológicos que possibilitam a comunicação interativa,estamos falando também de democratizar a forma de como produzimos informações.Independente do meio que procuramos informação há sempre a concepção de que essa sejajornalística. Dessa forma, remetemos essa noção de “notícia verdadeira” aos valores e práticasmorais que fazem do jornalismo convencional uma informação apurável e credível. ConformeGomes (2004), ...a moral caminhou em direção mais específica ao ser vinculada ao conjunto de valores que norteiam uma sociedade ou determinado segmento social. A ética também assume por vezes esse significado, como é o caso da referência freqüente à ética do jornalismo. (GOMES, 2004, p. 17) Como podemos ver, há uma preocupação em relação ao comportamento profissionaldo jornalista. Independentemente do media, seja ela impressa, radiofônica, televisiva oudigital, o jornalista tem seus valores e modus operandi estabelecidos por normas de condutas.Nos últimos anos, com o surgimento da internet, uma ferramenta tornou possível a publicaçãode informações e divulgação rápida no ciberespaço, tornando o processo de escrita edivulgação de textos e demais conteúdos de forma simultânea e interativa. Esta ferramentachama-se weblog. De acordo com André Lemos apud Recuero (online, s.d.) “ciberdiários, webdiários ouweblogs são práticas contemporâneas de escrita online, onde usuários comuns escrevem sobresuas vidas privadas, sobre suas áreas de interesse pessoais ou sobre outros aspectos da culturacontemporânea”.1 Segundo SILVA (2003), os weblogs tornaram-se um dos meios mais utilizados na redepara a difusão de informações, notícias e conteúdos de caráter jornalístico: O weblog se tornou então um dos formatos de publicação mais populares na web, que conseguiu fomentar uma cultura própria em relação a outros sítios, mecanismos e subsistemas incorporados que facilitam a criação das páginas e o estabelecimento de processos comunicacionais e interativos entre indivíduos e pequenos grupos. (SILVA, 2003. pág. 04) Nesse sentido, analisaremos o comportamento moral dos blogueiros no processo decaptura da informação, apuração, edição e publicação (no caso dos blogs, a publicaçãochama-se postagem) de conteúdo. Essa variedade de sítios proporciona uma série deproblemáticas no que diz respeito ao processo de apuração dessas informações. Vê-se então, a1 Disponível em: <http://www.bocc.uff.br/pag/recuero-raquel-war-blogs.pdf > Acessado em 29 Jun 2010
  13. 13. 13necessidade de analisar o lugar da moral nesse emaranhado de informações que muitas vezespotencializam o trabalho da mídia convencional. Dessa forma, proporemos analisar as potencialidades dessa nova ferramenta, comofomentadora de conteúdo noticioso – aliado ao jornalismo convencional, ou uma ameaça parao exercício do jornalismo tradicional.2. JUSTIFICATIVA Estudar as manifestações informativas na era da internet exige compreender ofenômeno dos blogs. A rede mundial de computadores é o canal onde todos podem interagir,participar ativa (autor) e passivamente (leitor), publicar e produzir conteúdos. Os blogssurgiram como principal ferramenta deste evento, democratizando o acesso à informação epossibilitando para muitos o acesso à comunicação, unindo os vários cantos do planeta comrapidez e facilidade. Mas que informação é essa que todos têm acesso rápido e imediato? Ainformação em quantidade também ganha em qualidade? Por isso, o lugar da moral no newsmaking2 deve ser observado e analisado comobaluarte de todo processo de produção de notícias. Atualmente, mais de 70 mil blogs sãocriados diariamente e acredita-se que um em cada quatro internautas brasileiros recorra aosblogs todos os dias em busca de informação e atualização3. Dessa forma, estudar as intençõesna publicação da mensagem e a responsabilidade moral são necessárias, de forma quepossibilitemos refletir se os blogs possam possibilitar mais uma forma de fazer jornalismoético de forma independente ou se essa nova ferramenta representa uma crítica ao jornalismoconvencional. 1.1 HIPÓTESES RELACIONADAS Para o desenvolvimento deste trabalho definimos algumas hipóteses que pudessem nosorientar e contribuir para a resolução do problema proposto, são elas:2 Processo que também se conhece por rotinas de produção. As fases principais de produção cotidiana deinformação, as que podem ser encontradas em todos os aparatos e incidem principalmente na qualidade dainformação. Essas fases são três: a coleta, a seleção, a apresentação. Cada uma delas dá lugar a rotinas eprocedimentos de trabalhos articulados, dos quais são tratados apenas alguns aspectos significativos. In: WOLF,Mauro. Teorias das comunicações de massa. São Paulo: Martins Fontes, 2008.3 HEWITT, Hugh. Blog: Entenda a revolução que vai mudar seu mundo. Rio de Janeiro: Thomas Nelson,2007.
  14. 14. 14 - Serão os blogs aliados do jornalismo convencional, exercendo papel de continuidade,abastecendo-se deste para garantir a sua própria existência? - Os blogs funcionam como extensões que negligenciam os processos de apuração eedição do jornalismo tradicional e por isso são uma crítica ao jornalismo convencional?3. OBJETIVOS 3.1 GERAL - Observar o lugar da moral no processo de publicação blogueira, situados em âmbitocibercultural e analisado sob o ponto de vista dos estudos relacionados ao newsmaking.Analisar como acontecem as etapas de apuração da informação e se há esse processo; 3.2 ESPECÍFICOS - Perceber as potencialidades dessa nova ferramenta como fomentadora de conteúdonoticioso aliado ao jornalismo convencional, observando os códigos morais e éticos; - Compreender de que forma as postagens em blogs interagem com o jornalismoconvencional e se há essa interação; - Colaborar com o campo da comunicação social e do jornalismo em âmbito científico.4. METODOLOGIA Etimologicamente, método (mete= através de, odos= caminhos) é o caminho atravésdo qual se chega a um fim ou objetivo. Para produzir o presente trabalho de conclusão decurso, o método utilizado será o estudo de caso, que me permitirá estudar com mais precisão eobjetividade as propostas dessa pesquisa. Estudo de caso, segundo Gil (2007, pág. 54) “consiste no estudo profundo e exaustivode um ou poucos objetos, de maneira que permita seu amplo e detalhado conhecimento.” Porisso, escolheremos um objeto de estudo, que será um blog, definido no corpo do trabalho.5. RESULTADOS E REPERCUSSÕES ESPERADOS Levando em consideração os objetivos e hipóteses da pesquisa, as escolhas
  15. 15. 15metodológicas e bibliográficas, esperamos contribuir de forma significativa na compreensãodos novos espaços da configuração jornalística. Contribuir também para o campo dacomunicação e do jornalismo, a fim de colaborar na produção de novos espaços demanifestações informativas com procedimentos éticos e morais que levem em conta aresponsabilidade na divulgação de uma informação, em um espaço plural, democrático einterativo chamado ciberespaço.6. CRONOGRAMA ATIVIDADE Abril Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Pesquisa bibliográfica x Leituras iniciais x x Preparação pré-projeto x x Entrega pré-projeto x Leituras concentradas x x x x Produção monográfica x x x x Entrega de TCC x7. OUTROS PROJETOS E FINANCIAMENTOS Não existem projetos relacionados ao presente trabalho, como também não existemfinanciamentos para o presente projeto.
  16. 16. 16 CAPÍTULO I ÉTICA Neste capítulo, trataremos das noções de ética, moral e códigos de conduta, ou“prescrições morais”. Ao tratar da ética, abordaremos o sentido histórico e filosófico dotermo, discutindo como a ética está inserida no comportamento humano. Na discussão sobremoral, definiremos quais são as distinções dadas ao que se denomina por moral ou imoral,juntamente com as problemáticas que se criam em torno de tais alcunhas. Ao passo que essasdenominações também acompanham as decisões dos indivíduos, que muitas vezesdenominam por “ética” àquilo que se encontra no moral. Dessa forma, aproximaremos osestudos sobre moral das convenções prescritivas que norteiam o comportamento humano: oscódigos, as leis e as normativas. Como veremos, falar de moral implica entender que existem díspares entendimentos,tais como moral, moralidade e comportamento, uma vez que, moral implica também noção devalores. Deste modo, articularemos tais concepções do moral com a ciência em que seencontra: a comunicação e a aplicação de códigos de conduta na atuação do profissional dejornalismo. Para tanto, utilizaremos a distinção entre ética e moral para elucidar o conceito de“código de ética”. Os estudos que examinam o comportamento humano desenvolvem-se em uma ciênciaque se chama ética. Segundo Adolfo Sánchez Vázquez (2010, pág. 23), “A ética é a teoria ouciência do comportamento moral dos homens em sociedade”. Vázquez sublinha, ainda, anecessidade de se encarar a ética com um caráter científico: “isto é, corresponde à necessidadede uma abordagem científica dos problemas morais” (idem). No entanto, a ética vem também sofrendo alterações conceituais, como aponta JoséTrasferetti (2007, pág. 48): “o termo ética, como o qual indicamos a reflexão ou o saber sobreo ethos, tem origem grega. Aristóteles, responsável pela introdução desse termo na filosofiaocidental, entendia que era desnecessário demonstrar a existência do ethos, pois era evidente”.Para o pensador, o homem se revela não somente na natureza, mas igualmente no exercíciohumano, ou seja, no ethos, compreendido como hábitos, costumes, instituições, produzidospela sociedade (TRASFERETTI, 2007, pág. 48). É comum entender por ética o conjunto de tomadas de decisões que parte do princípiodo bem ou do bom, do mal ou do mau, do certo para o errado, pois para Trasferetti (2007, pág.49) “o ser humano vive sempre em tensão, nessa busca perene entre o conhecimento do bem e
  17. 17. 17a tentativa de vivenciá-lo em seu cotidiano pessoal e social”. Desde a Antiguidade às sociedades mais complexas até a contemporânea, estudar aética implica entender que o homem é movido por escolhas, e a reflexão que se faz sobre elasé que está a razão de ser a ética. De acordo com Jung Mo Sung e Josué Cândido da Silva “Demodo geral é comum usar o conceito de ética e moral como sinônimos ou, quando muito, aética é definida como o conjunto de práticas morais de uma determinada sociedade, ou então,os princípios que norteiam estas práticas.” (2007, pág. 13). Sobre essa aproximação designificados, Vázquez (2010, pág. 24) explica assim: “ética e moral se relacionam, pois comouma ciência específica e seu objeto”. Diferencia ainda, a teoria do objeto de estudo: “a éticanão é a moral e, portanto, não pode ser reduzida a um conjunto de normas e prescrições; suamissão é explicar a moral efetiva e, neste sentido, pode influir na própria moral” (idem). Nesse sentido, vê-se a necessidade de diferenciar as peculiaridades de cada conceito,de modo que possamos ampliar as características de cada idéia.1.1 O Princípio da ética e da moral Historicamente, ética e moral possuíam significados etimológicos semelhantes,indicando uma conexão entre ambos os termos, sendo que o primeiro refere-se à posturaindividual do homem e o segundo a uma maneira de ser, ou costume. De acordo com Karam(1997, pág. 33) “Em sua origem, ética e moral tinham significado quase idêntico, o decaráter, costume, maneira de ser, sendo que o primeiro termo é derivado do grego ethos,enquanto o segundo é originário do latim moralis”. Nesse sentido, Vázquez (2010, pág. 24) éainda mais didático: Certamente, moral vem do latim mos ou mores, “costume” ou “costumes”, no sentido de conjunto de normas ou regras adquiridas por hábito. A moral se refere assim, ao comportamento adquirido ou modo de ser conquistado pelo homem. Ética vem do grego ethos, que significa analogamente “modo de ser” ou “caráter”, enquanto forma de vida também adquirida ou conquistada pelo homem. (VÁZQUEZ, 2010, pág. 24) Embora ética e moral tivessem inicialmente conceituações equivalentes, não se podeconfundi-las, pois, a diferença reside no “refletir o ato” e a distinção entre os dois termos foiacontecendo ao longo da história da sociedade humana, conforme aponta Karam (1997, pág.34): Ao longo da história humana, foi-se diferenciando ética de moral. Enquanto esta envolvia-se com o conjunto de normas que refletia determinado comportamento, cultura, período, aquela, para alguns autores (...), significava a reflexão sobre o mundo moral dos homens. (KARAM, 1997, pág. 34)
  18. 18. 18 Dessa forma, toma igual sentido o aporte de Vázquez (2010, pág. 22) na distinçãoentre ética e moral: “(...) não se podem confundir a ética da moral. A ética não cria a moral.Conquanto seja certo que toda moral supõe determinados princípios, normas ou regras decomportamento, não é a ética que os estabelece numa determinada comunidade”. Pois, “Aética é a ciência da moral, isto é, de uma esfera do comportamento humano. Não se deveconfundir aqui a teoria com o seu objeto: o mundo moral” (VÁZQUEZ, 2010, pág. 23). Portanto, podemos inferir que a moral é, em primeiro grau, um fato histórico, poispercebemos que ela é conseqüência de um modo de agir, da mesma forma que a ética, nãopode ser deduzida a um termo único. Desse modo, afirma Vázquez (2010, pág. 37): Portanto, a moral é um fato histórico e, por conseguinte, a ética, como ciência da moral, não pode concebê-la como dada de uma vez para sempre. A moral é histórica precisamente porque é um modo de comportar-se de um ser – o homem – que por natureza é histórico. (VÁZQUEZ, 2010, pág. 37) Entretanto, para além de um ser histórico, o homem também é um ser social, e o moralefetivamente surge quando o indivíduo atinge este grau social. De acordo com Vázquez(2010, pág. 39): “A moral só pode surgir – e efetivamente surge – quando o homem supera asua natureza natural, instintiva, e já possui uma natureza social, isto é, quando já é membro deuma coletividade”. Desta forma, o homem passa de um ser puramente “natural” e históricopara um ser social, de forma que faça parte de uma sociedade ou comunidade. A moral, nessesentido, tem função de regular o comportamento do homem, para fins de sustentação daordem daquela comunidade ou sociedade. Destarte: Como regulamentação do comportamento dos indivíduos entre si e destes com a comunidade, a moral exige necessariamente não só que o homem esteja em relação com os demais, mas para também certa consciência – por limitada e imprecisa que seja – desta relação para que se possa comportar de acordo com as normas ou prescrições que o governam. (VÁZQUEZ, 2010, pág. 39) Podemos entender, então que, a moral, por ter um caráter regulamentar, assume umpapel de estabelecer princípios, para que se mantenha uma estrutura adequada. Para isso,podemos partir do princípio que a moral, então “é um conjunto de normas, aceitas livre econscientemente, que regulam o comportamento individual e social do homem”. (VÁZQUEZ,2010, pág. 63). Da mesma forma observa o pesquisador Muniz Sodré (In KOSOVSKI, 2008,pág. 58): “Desse „Ethos‟ vem o termo „Ethiké‟ (Ética) para designar o conjunto dos „nomoi‟ –regras e valores que dão forma à territorialização do indivíduo humano, que organizam, emvários níveis, a morada do grupo num determinado lugar”.
  19. 19. 19 Dessa forma, a moral assume natureza de norma, ou normatização, conforme algunsautores observam e da qual comunga Vázquez (2010, pág. 63-4): encontramos na moral dois planos: a) o normativo, constituído pelas normas ou regras de ação e pelos imperativos que enunciam algo que deve ser; (...) No plano normativo, estão as regras que postulam determinado tipo de comportamento. (VÁZQUEZ, 2010, pág. 63-64) Uma vez que a moral ganha dimensão normativa, entendemos então que ela diz comoalgo deve ser e requer uma série de prescrições, com relação ao comportamento individual.Segundo Vázquez (2010, pág. 64): “A norma postula um tipo de comportamento e, com isso,exige-se que passem a fazer parte do mundo dos fatos morais”. Entretanto, segundo o mesmo autor “o normativo existe para ser realizado, o que nãosignifica que se realize necessariamente; postula um comportamento que se julga dever ser;isto é, que deve realizar-se, embora na realidade efetiva não se cumpra a norma”. (Pág. 64-5).Desta forma, as normas existem como dever e não como obrigação. Na mesma direção, caminha o pressuposto da moralidade das normas, que além docomportamento indicado, leva em consideração os princípios que considera moral. De acordocom Vázquez (2010, pág. 65): “Ou seja, tanto o conjunto dos princípios, valores e prescriçõesque os homens, numa dada comunidade, consideram válidos como atos reais em que aquelesse concretizam ou encarnam”. Contudo, moral e moralidade não podem confundir-se. A moralpossui efeito de orientar, de estar no plano da recomendação. Já a moralidade seria umelemento que efetivamente influencia uma tomada de decisão. Para Vázquez (2010, pág. 66):“A moral estaria em plano ideal; a moralidade, no plano real. A „moralidade‟ seria umcomponente efetivo das relações humanas concretas (entre os indivíduos e a comunidade)”. Mesmo quando falamos de moral e/ou moralidade, estamos diante de fatores queinterferem nas tomadas de decisões. O comportamento moral depende de atitudes individuais,mas que possuem um caráter coletivo. Como afirma Vázquez (2010, pág. 68): “A moralpossui um caráter social enquanto regula o comportamento individual cujos resultados econseqüências afetam outros”. Dessa forma, o homem é um ser consciente e livre, que tem autonomia para, de acordocom os seus valores, decidir o seu comportamento moral perante a sociedade. Ainda queexistam “normas” pré-estabelecidas, o ser individual é tencionado a refletir segundo seuspróprios julgamentos. É nesta área em que ocorre uma atuação consciente de uma vontadeexclusiva em que se discerne uma vontade específica e livre. (LOPES DE SÁ, 2005, pág.
  20. 20. 20104). Ainda que o homem seja um ser livre e consciente, este se encontra em um espaço emque ele mesmo condiciona-se no ambiente das obrigações e deveres, como afirma MunizSodré (In KOSOVSKI, 2008, pág. 58-9): No jogo do reconhecimento, vê-se de um lado, o valor ético-institucional, que impõe obrigações (a pressão no sentido de se manter a integridade do grupo), e do outro, a regra universal da linguagem (logos), que impõe o sistema das posições (o sistema lingüístico dos pronomes pessoais) pelo qual o indivíduo se oferece ao reconhecimento, entrando no jogo das obrigações. (MUNIZ SODRÉ In: KOSOVSKI, 2008, pág. 58-59) Neste sentido, ainda que condicionado nas regras pré-estabelecidas, o sujeito, alémdisso, possui valores que nortearão seus atos e determinarão sua convivência com o grupo,que afetam o coletivo. Esta passagem da obrigação moral imposta pelo coletivo e da mesmaobrigação que precisa da aprovação individual consciente é resgatada nas definições deVázquez (2010, pág. 72): “O indivíduo age então de acordo com as normas aceitas por umgrupo social ou por toda a comunidade, sancionadas pela opinião e sustentadas pelafiscalização atenta dos demais.”; e “A consciência moral é a esfera em que se operam asdecisões de caráter moral”. (pág. 73). A moral, nesse sentido, por possuir caráter social (porque age na sociedade e para asociedade, no sentido de prescrever a constituição do comportamento) não pode dissociar aatividade individual na composição da esfera moral para o coletivo. Refere-se Vázquez (2010,pág. 74): “Desta maneira, portanto, quando se sublinha o caráter social da moral, e adecorrente relação entre o individual, está-se muito longe de negar o papel do indivíduo nocomportamento moral”. Podemos concluir então, que, a moral compõe um conjunto de elementos queconstituem o comportamento de uma sociedade ou grupo, aceitas ou entendidas entre osindivíduos para manter certa ordem, e para isso, essas normas, ou leis, são aceitasconscientemente e livremente. Conclui Vázquez (2010, pág. 84): A moral é um sistema de normas, princípios e valores, segundo o qual são regulamentadas as relações mútuas entre os indivíduos ou entre estes e a comunidade, de tal maneira que estas normas, dotadas de um caráter histórico social, sejam acatadas livre e conscientemente, por uma convicção íntima, e não de uma maneira mecânica, externa ou impessoal. (VÁZQUEZ, 2010, pág. 84) Desta forma, o indivíduo que aceita um sistema de normas, de forma livre eespontânea, tem certa independência nas tomadas de decisões, ou seja, ele tem umcomportamento que é autônomo.
  21. 21. 21 No próximo tópico deste capítulo completaremos as peculiaridades da ética e do moralrefletindo sobre os problemas relacionados ao tema que afetam a sociedade.1.2 Desvios éticos e morais Como vimos anteriormente, as convicções íntimas determinam diretamente asprescrições normativas. Estas efetivadas por um grupo que não é passivo de qualquer regraque se imponha. Este indivíduo, segundo Vázquez (2010, pág. 78) é um ser dotado deconsciência: “O ato moral supõe um sujeito real dotado de consciência moral, isto é, dacapacidade de interiorizar as normas ou regras de ação estabelecidas pela comunidade e deatuar de acordo com elas”. Tais concepções morais do sujeito implicam uma possívelvaloração daquilo o que se determina como apropriado para se tornar norma. Quando se refereà valoração, Vázquez aponta: “Quando falamos em valores, temos presente a utilidade, abondade, a beleza, a justiça, etc., assim como os respectivos pólos negativos: inutilidade,maldade, fealdade, injustiça, etc.” (Pág. 136). Dessa forma, vivemos numa sociedade que está passando por uma crise de valores,conforme anuncia Leão (In KOSOVSKI, 2008, pág. 19): A nossa época dá um espetáculo de verdadeira má-fé no absurdo e de incoerência no reino dos valores: do ponto de vista ético, bem e mal não são dois princípios separados que se opusessem (...). O bem e o mal constituem, ambos, o mistério insondável de toda ética digna deste nome. (LEÃO In: KOSOVSKI, 2008, pág. 19) Como podemos perceber, há uma tendência em relativizar e/ou separar aquilo que ébom do mau, do certo e do errado, etc. Assim sendo, o homem é guiado por escolhas entrevalores. Como afirma Vázquez (2010, pág. 135): “Ter de escolher supõe, portanto, quepreferimos o mais valioso ao menos valioso moralmente ou ao que constitui uma negação devalor desse gênero (valor moral negativo ou desvalor)”. De acordo com Leão (InKOSOVSKI, 2008, pág. 19): “É uma atitude sempre empenhada em determinar escolhas edefinir decisões. O mistério se faz o indeterminável determinante de toda determinação ética”. Para Leão (In KOSOVSKI, 2008, pág. 18), “Vivemos uma aberração ética” 4, comrelação aos sentidos mortal e venal. Para o autor, a sociedade julga com condescendênciacrimes diários e por vezes até tolerados, enquanto crimes de outra natureza são severamente4 Leão refere- se aos crimes políticos, considerado pecado mortais, contrapondo-os aos crimes comuns, essesconsiderados crimes venais, mas que de certa forma, trata-se da mesma crise ética.
  22. 22. 22condenados (LEÃO, In: KOSOVSKI, 2008, pág. 18). Entretanto, para Vázquez (2010, pág.109), podemos apenas condenar moralmente um ato, ou um indivíduo, se este detiver umaresponsabilidade na conseqüência do ato. Para o autor, o sujeito, deve ainda estar gozando decondições como liberdade e opção de escolha para poder ser responsabilizado: Mas o problema da responsabilidade moral está estreitamente relacionado, por sua vez, com o da necessidade e liberdade humanas, pois somente admitindo que o agente tem certa liberdade de opção e de decisão é que se pode responsabilizá-lo pelos seus atos.(VÁZQUEZ, 2010, pág. 109) Por isso, o fator fundamental na tomada de decisões, segundo o mesmo autor, étambém o elemento da consciência compreendido como discernimento das suas ações, nestecaso, para julgar moralmente um ato. Para ele, o sujeito não pode ignorar a ocasião nem osefeitos de sua ação: “que o sujeito não ignore nem as circunstâncias nem as conseqüências dasua ação, ou seja, que seu comportamento possua um caráter consciente” (VÁZQUEZ, 2010,pág. 110). Neste sentido, o indivíduo traz consigo o sentido da responsabilidade. Estudo que vai ao encontro do que Vázquez diz, Gomes (2004, pág. 65) tambémexamina o fator da liberdade como capacidade para responder por atos morais e a capacidadede responder a si próprio: “A autonomia tem, então, que restringir sua significação àpossibilidade de reflexão e escolha de uma visada normativa. Ora, tanto uma quanto a outrasó se realizam na condição de liberdade”. Observa também, o fator da responsabilidade naescolha como um ser não isolado e sim partícipe de uma organização, nas palavras deMarilena Chauí, a autora delineia a ação ética como uma alternativa autônoma e não provindade uma coação externa: Assim uma ação só será ética se consciente, livre e responsável e será virtuosa se realizada em conformidade como o bom e o justo. A ação ética só é virtuosa se for livre e só o será se for autônoma, isto é, se resultar de uma decisão interior do próprio agente e não de uma pressão externa. (CHAUÍ apud GOMES, 2004, pág. 66). Entretanto, o indivíduo está inserido numa natureza moral, em que ele é o agentedesses conflitos e autor dos valores que constituem a esfera moral. Conforme Gomes (2004,pág. 67): Ora, essa adesão consciente só pode ser medida pelo investimento, pelo engajamento real numa linha de ação que assume o nome de responsabilidade pelas próprias escolhas e atos. (...) Assim, essa responsabilidade não diz respeito à pessoa isoladamente, mas sempre em relação a todos os outros partícipes da condição. (GOMES, 2004, pág. 67)
  23. 23. 23 Segundo Vázquez (2010, pág. 77), os motivos também são fatores que devem serconsiderados na atitude da esfera moral: “Os motivos constituem, por conseguinte, umaspecto importante do ato moral”. Mais adiante, discorre que todo ato moral é um ato único edeterminado: “Com ajuda da norma, o ato moral se apresenta como a solução de um casodeterminado, singular. A norma, que apresenta um caráter universal, se singulariza, destamaneira, no ato real” (VÁZQUEZ, 2010. pág. 81). Até agora, sustentamos os atos morais nos valores. Isto implica em determinar amoralidade dos próprios valores, a fim de deduzir a singularidade dos atos morais.Ocupamos-nos agora, então, em objetivar os valores. Os valores não existem por si só, sãocriados pelo homem e para o homem que, como já dissemos, é um ser histórico e social.Segundo Vázquez (2010, pág. 147), os valores, por conseguinte, existem unicamente em ummundo social; isto é, pelo homem e para o homem. Logo, examinamos a avaliação da valoração moral como um ato de consciência, aodeterminar a distinção entre os valores que os indivíduos estabelecem com os produtoscriados pelos homens, realizados de modo consciente e voluntário. Contudo, numa avaliaçãosobre ética, o autor Karam (1997, pág. 90) afirma que “a ética não deve estar subordinada (...)a critérios pessoais. A única forma de se movimentar no campo dos valores, com um projetode liberdade, (...) é que a particularidade transite para a universalidade e vice-versa”. Nestesentido, os critérios pessoais são fundamentais, mas não únicos no processo de valoração, poisa ética se movimenta no sentido coletivo, universal e não somente no sentido particular, masde forma que os critérios pessoais também transitem para o campo universal. Para configurar a objetivação dos valores, encontramo-nos agora num campo em queos valores possuem um caráter de virtude, que são os valores morais e não-morais. Nestecampo, entram em cena os adjetivos como o bom e o belo como unívocos de virtude.Entretanto, valores morais como o bom quando sinônimo de qualidade difere do bom que nãopossui a natureza moral, ou seja, não compete à moral a valoração, Como confirma Vázquez(2010, pág. 148): “Por isso, o uso do termo „bom‟ não pode levar a confundir o „bom‟ emsentido geral, relativo a qualquer valor, e „bom‟ em sentido estrito, com um significadomoral”. Tal compreensão sobre o bom também se aplica ao certo e ao errado, neste sentido, asconcepções já aparecem como juízos de valores, aplicando-se como juízos da moral. Osjuízos morais refletem-se nos atos que foram executados ou que denotem a disposição a umato à que outro. De acordo com Vázquez (2010, pág. 237) e ainda sobre a questão da bondadee da maldade ele diz: os enunciados sobre a bondade ou a maldade dos atos realizados, assim como a
  24. 24. 24 preferibilidade de uma ação possível em relação a outras, ou sobre o dever ou a obrigatoriedade de comportar-se de certo modo, conformando o comportamento com determinada norma ou regra de ação, se expressam sobre a forma de juízos. (VÁZQUEZ, 2010, pág. 237) Nesse sentido, os juízos morais também constituem a organização das prescriçõesmorais. Juízos que enunciam como algo deve ser, prescrita em norma – normativa ouimperativa – levam em consideração a qualidade do valor para poder ser expressa através denorma. Assim, nas palavras de Vázquez (2010, pág. 240): “Mas esses tipos de juízos –normativos ou imperativos – não pode ser separado dos juízos de valor, porque aquilo que sejulga que deve ser realizado é sempre algo considerado valioso”. Sendo assim, a forma lógicada norma, que é a de regulamentar o comportamento assenta-se nos juízos de valor, que searrolam a essa necessidade de regrar. Contudo, correspondendo a essa necessidade de secomportar de tal maneira e a ordem de agir de determinada postura, é que discerne o juízonormativo do juízo de valor. (VÁZQUEZ, 2010, pág. 241). Portanto, cada indivíduo apela à consciência para justificar seus atos morais ecompreender o que devemos fazer ou não. As normas – ou prescrições morais – atuam como“receitas” a fim de regular o comportamento humano. Podemos concluir então que, oscódigos morais exercem a função de regulamentar tanto o comportamento quanto os atos dosindivíduos. Porém, a obrigatoriedade moral afirma o que devemos fazer, e não como fazer,por isso, no próximo tópico, abordaremos as teorias mais importantes sobre a obrigação morale sua relação com a sociedade e com a comunicação.1.3 Ética no Jornalismo No decorrer do nosso estudo, percebemos que a função social da moral compõe-se naregulamentação das relações entre os homens (entre os indivíduos e entre estes e a sociedade).Como podemos ver, os atos humanos estão sempre ligados a uma instância moral, geralmenteligada a uma norma. Como as normas estão arroladas em códigos, veremos o que os códigosmorais prescrevem para a atividade do jornalista. Os códigos morais visam preservar a sociedade no seu conjunto e no seu interior aintegridade de um grupo social (VÁZQUEZ, 2010, pág. 69). Neste sentido, podemos perceberque há um progresso moral e do comportamento dos homens através dos códigos. Ao longodo tempo, os indivíduos vivem num ambiente moral, na qual se desenha um conjunto desistemas de normas e regras de ação.
  25. 25. 25 Uma vez que o jornalista opera no campo da comunicação social, as normas que ocercam estão carregadas por uma expressão que equivocadamente é chamada de “código deética” quando na verdade, trata-se de um código moral. A respeito disso, Gomes (2004, pág.19) aponta: Quando dizemos ética do jornalismo, nosso referencial é então o conjunto de regras postas que agrupamos sob os códigos profissionais. Esse é o campo ao qual se dedica a deontologia, como estudo das normas instituídas – tratado dos deveres. Mas, a rigor, não temos uma ética do jornalismo ou de tal e tal profissão. (GOMES, 2004, pág. 19) Neste sentido, apesar de ética, moral e deontologia estarem conectadas entre si, épreciso distinguir um termo do outro. De acordo com Karam (1997, pág. 33): Deontologia, derivado do grego deontos, significa o que deve ser, isto é, a cristalização provisória do mundo moral, validado pela reflexão ética, em normas sociais concretas, em princípios formais e em alguns casos em normas jurídicas. (KARAM, 1997, pág. 33) A normatização deontológica de regras e condutas morais reflete, portanto, asistematização social daquilo que existe na esfera moral e é objeto da reflexão ética. A norma,como já assinalamos, possui o caráter de orientar e coibir certas atitudes. De acordo com Vázquez (2010, pág. 189): “Uma teoria da obrigação moral recebe onome de deontológica (...) quando não se faz depender a obrigatoriedade de uma açãoexclusivamente das conseqüências da própria ação ou da norma com a qual se conforma”.Portanto, a doutrina aponta para aquilo o que é obrigatório fazer e pretende responder àquestão de como definir o que deve ser feito a fim de que essa determinação possa guiar umasituação particular. Desta forma, o caráter é orientado pelo dever. Uma vez que a ética podeser entendida como aquilo que se pensa ser bom e a moral aquilo que se impõe comoobrigatório, a teoria deontológica parece estar bem mais a fim da conceituação da moral,embora tenha sempre o fundamento de se fazer o bem (princípio ético) para que se possaobter um final satisfatório (moral). Conforme Paul Ricoeur, apud Cornu (1998, pág. 09): A distinção entre moral e ética pode também ser compreendida como a expressão da diferença entre preceitos gerais e preceitos específicos de um determinado campo de atividade. A deontologia que se aplica ao dever, seria então o conjunto de regras da aplicação de uma ética „no campo que lhe é próprio‟, ética aplicada a um grupo, a uma profissão, no caso a mídia e os jornalistas. (PAUL RECOIR apud CORNU, 1998, pág. 09) Assim, os códigos de “ética” do jornalismo identificam-se com os códigos morais,neste sentido, por orientarem os indivíduos, atuam como prescrições morais, e por a ética
  26. 26. 26operar em âmbito acima da moral, a deontologia revela-se como um conjunto de deveres cujomodelo estabelece um sistema hermético de regras. De acordo com Cornu (1998, pág. 10-1):“A deontologia concebida como um conjunto de deveres que regulam a prática somentepoderia (...) derivar da moral, da qual constituiria um tipo de território fechado”. Desta forma, podemos compreender também, que, se os códigos deontológicos sãosistemas fechados, poderiam também esses sistemas “fecharem” os indivíduos nas suas leis.Valemo-nos então pressupor que o sujeito “obrigue-se” a participar dela, por mais quetenhamos sublinhado o papel fundamental da liberdade de escolha no comportamentohumano, resgataremos o que Vázquez propôs a partir da Teoria Kantiana sobre deontologia: Agir por dever é operar puramente conforme a lei moral que se expressa nos imperativos universalizáveis, e a vontade que age desta maneira, movida pelo sentimento do dever, independentemente de condições e circunstâncias, interesses ou inclinações, é uma vontade „boa‟. O dever não é outra coisa senão a exigência de cumprimento da lei moral, em face da qual as paixões, os apetites e inclinações silenciam. O dever se cumpre pelo próprio dever, pelo sentimento do dever de obedecer aos imperativos universalizáveis. (VÁZQUEZ, 2010. pág. 195) Por isso, podemos entender que o “Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros(CEJB)” está mais para um código moral deontológico, pois define as normas a que ojornalista deverá subordinar-se, tanto para a sua atuação nas relações com a sociedade, quantopara com as fontes de informação e também para com os próprios jornalistas. Sobre o CEJB,em relação ao sistema “fechado de normas” que impõe a teoria deontológica, analisamos adisposição do código em seus direitos e deveres. O código possui 27 artigos, dos quais oscinco primeiros dispõem sobre o direito de informação em relação ao coletivo, ou seja, para asociedade; seis artigos que tratam de 15 deveres do jornalista, um artigo que enumera cincoitens que o profissional “não pode” realizar e seis artigos distribuem as responsabilidadespenais do jornalista. No código todo consta apenas um direito relacionado à práticajornalística. Nesse sentido, o jornalista fica “engessado” em meio às obrigações, responsabilidadese deveres. Segundo Cornu (1998, pág. 79) “o jornalista exerce sua profissão em meio a umesquema de restrições e de limitações que determinam suas escolhas na aplicação natural dasregras profissionais”. As normas, nesse sentido, impõem certa restrição à atuação dojornalista. Entretanto, a simples aplicação de normas dispostas em códigos, não tem a funçãode desestimular o desempenho do comunicólogo, nem angustiar o jornalista a uma práticahonesta da profissão. Para o autor, as restrições permitem aos jornalistas “trabalhar” sobre osdeterminismos aos quais estão submetidos, objetivando melhor definir e explorar o espaço de
  27. 27. 27liberdade que lhes é próprio (CORNU, 1998, pág. 79-80). Apesar disso, os códigos deontológicos têm deixado falhas quando tenta responder àsexpectativas de natureza moral, uma vez que a própria consciência moral (e individual) temparte na gerência dos atos morais. Nos códigos deontológicos, segundo Cornu: “A atividadejornalística fica então compreendida como uma atividade enquadrada em parâmetros, mas nãoservil” (pág. 97). É por isso que Cornu defende uma “ética da informação”. Para o autor, a ética dainformação pressupõe abandonar o conceito de moral. Para tornar possível falar em ética dainformação sem fazer referências à moral, é preciso situar a ética em níveis: Uma éticadescritiva, que aproxime à etimologia das práticas da informação, costumes e procedimentosdos jornalistas e da mídia, valores referenciados na prática jornalística, ou seja, umadeclaração das exigências dos jornalistas. Uma ética estratégica, em que se situam asresponsabilidades dos meios de comunicação e que abordaria a regulamentação deles, e não ojornalista isolado. Uma ética normativa que regule as práticas e aplique não só deveres, mastambém direitos. Neste sentido, Cornu assegura que aqui, a ética possui o mesmo sentido doscódigos deontológicos que garantem a fiscalização. E por fim, uma ética reflexiva, esta,possui um maior alcance do que as outras, que funciona como legitimação das práticas enormas. Segundo Cornu (1998, pág.14): “É por isso que uma ética da informação não selimita a ação de seus agentes mais visíveis: os jornalistas. (...) Ela compreende igualmente,pelas ações de seus dirigentes, os meios de comunicação como organizações”. Como percebemos, as palavras: “valor e responsabilidade” mais uma vez aparecemcomo elementos que constituem tanto uma moral quanto a deontologia. É nesse sentido queKaram comunga dos mesmos conceitos que Cornu: cada princípio, contido em cada código deontológico, carrega consigo uma afirmação ontológico-moral profissional. Com isso, há neles uma tentativa de afirmação de valores que devem ser compartilhados por todos aqueles que exercem o jornalismo – valores que também compõem o patrimônio jornalístico. Os valores, expressos em palavras, devem integrar o universo da categoria dos jornalistas, dos proprietários dos veículos de comunicação, dos demais trabalhadores da informação, das fontes que fornecem informações de interesse público, dos anunciantes, etc. precisamente por serem profissionais são eles os responsáveis diretos pela incorporação e aplicação de determinados valores (...). (KARAM, 2004, pág. 90-1) Desta forma, podemos inferir que todos que de alguma forma possuem contato com ainformação têm responsabilidades na publicação da mesma. Percebe-se que, estãointernalizados nos códigos deontológicos, éticos e de conduta, o cuidado na transmissão éticae correta da informação, e caminham na direção de respeitar a atividade jornalística. Como
  28. 28. 28aponta Karam (2004, pág. 91): “Os códigos buscam, de certa maneira, um „controle dequalidade‟, feito por quem apura a informação ou vive imediatamente no e do mundo dainformação”. A partir disso, é que Claude-Jean Bertrand estabelece uma clara distinção entremoral, deontologia e controle de qualidade. Por moral, o autor entende aquilo o que se pensaindividualmente, seu entendimento pessoal do mundo. Por deontologia, um conjunto tácito dedeveres e controle de qualidade uma junção dos termos anteriores, tornando a atividade maisvalorizada e reconhecida: Pode-se reservar o termo moral para a ética íntima de cada indivíduo, seu sentido de dever, fundados na sua visão pessoal do mundo, na sua experiência da vida. (...) A deontologia aplica-se a uma profissão. É freqüentemente uma tradição não escrita que determina, por consenso, o que “se faz” e “não se faz”. O “controle de qualidade” (...) tem, primeiramente, a vantagem de ser amplo: engloba moral, deontologia e também as iniciativas da direção da mídia visando melhor satisfazer o público. Tem sobretudo, a vantagem de ser neutro, de poder agradar todos os protagonistas. (BERTRAND,1999, pág. 52-3) Com efeito, a relevância moral do jornalismo torna-se evidente, pois ancorado sobdiversos códigos e sistemas, a atividade tem sua importância reconhecida na construção dasociedade. Jornalismo é, portanto, um campo de conhecimento fundamental para a sociedade,em que a inscrição ética é o ponto central da atividade. É nesse sentido que Karam (1997) defende uma justificação ética da profissão e queatente à importância do jornalismo: “A defesa da necessidade de uma ética jornalística exigeque se considere a atividade importante moralmente e se reconheça, nela, algumaespecificidade que a distinga das outras”. (pág. 37). Portanto, podemos considerar que existe anecessidade de se reconhecer a moral que envolve a profissão, e de uma ética que envolva oprofissional. Existe ainda, um elemento que define a importância e o reconhecimento moral dojornalismo: a informação como componente determinante da atual sociedade. ConformeKaram (2004, pág. 94): “A relevância moral do jornalismo é tão reconhecida e tão valorizadaem códigos porque aparentemente, conforme Alsius, a informação tornou-se „o principalelemento definidor‟ da atual sociedade democrática”. Informação que hoje, ganha espaçomais democrático com o advento da internet. A rede propiciou a criação dos mais diversosconteúdos informativos possíveis, descentralizando o jornalismo impresso, radiofônico etelevisivo. Esse espaço tão amplo de possibilidades permite que consideremos a mídia umanova fonte de informação. Portanto, não se pode ignorar um estudo ético desse novo campode leitura. Segundo Josaphat (2006, pág. 164): “Mais que as outras formas anteriores damídia, a internet oferece reais espaços de liberdade, de participação, de interação e de
  29. 29. 29intercâmbio (...)”. Não se pode, portanto, negar a influência deste novo meio de comunicação. A internettem ingerência na forma de produção informativa. É possível, então, estudar as produçõesjornalísticas neste novo campo comunicacional, que agora encontra um espaço mais amplo,democrático e acessível. Um espaço que está mudando a forma de como vivemos e noscomunicamos. É nesse sentido que buscamos estudar o jornalismo na cultura que sedenominou por cibercultura e tentar tornar possível um estudo crítico e ético deste mundovirtual. CAPÍTULO II JORNALISMO EM TEMPOS DE CIBERCULTURA Como já adiantamos no capítulo anterior, o poder transformador da internet na formade comunicação é evidente e agora se encontra num ambiente chamado “ciberespaço”. Comoveremos adiante, o jornalismo produziu nesse espaço uma nova forma de se comunicar, osjornalistas apropriaram-se da nova ferramenta para produzir diferentes conteúdos comliberdade, rapidez e atualização instantânea. Estudaremos com mais análise e acuidade, o que se entende por cibercultura e como ojornalismo se adequou e se adaptou a essa nova configuração sociocultural. No segundomomento deste capítulo, estudaremos a ferramenta que vem atraindo a produção jornalística einformativa no contexto atual propiciado pelo espaço cibernético a blogosfera5. Nãopoderemos deixar de estudar, uma vez que a web modificou a forma de produzir e consumirconteúdos jornalísticos, as características do jornalismo digital, anterior ao movimento dosblogs. Tentaremos dar lógica ao estudo que fizemos anteriormente e assentar as consideraçõessobre os modelos e características do jornalismo digital ante a configuração da blogosfera. Antes mesmo que se pensasse em cibercultura, a informação era um conceito quecarecia de definições claras e objetivas. Entretanto, em 1948, um artigo científico intitulado“Magna carta da era da informática” de Claude Shannon, propunha esclarecer a naturezadigital da informação. Shannon decidiu trabalhar na conceitualização do que era ainformação, uma vez que havia incertezas sobre o assunto. Ele transformou informação5 Termo denominado ao universo dos blogs na web.
  30. 30. 30simples em informação simbolicamente representável. Em linguagem computacional,podemos dizer que informação é “tudo aquilo que reduz a incerteza de um sistema” ConformeHaven apud Bonito (2010, pág. 1-2) 6: Shannon ultrapassou as tentativas de outros para trabalhar com tipos específicos de informação – textos, números, imagens, sons, etc. Ele também decidiu que ia trabalhar com nenhuma forma única de transmitir informação – por um único fio, ondas sonoras pelo ar, ondas de rádio, microondas e etc. Em vez disso, Shannon decidiu concentrar-se em uma questão tão básica, mas que ninguém tinha pensado em estudar. O que é informação? O que acontece quando a informação viaja do remetente ao receptor? (Haven apud Bonito, 2010, pág. 01-02) Desta forma, Shannon descrevia ingenuamente um dos maiores produtos dacomunicação e dava um pontapé nos estudos da cibercultura. Dessa forma, a informação e aevolução tecnológica puderam caminhar não de forma antagônica ou indiferente, mas deforma associada. A evolução do aparato técnico que dá suporte à comunicação de forma geral e aojornalismo esteve sempre em constante mudança. Desde a invenção da prensa de Gutenberg, ojornalismo ou a comunicação como um todo, vem se desenvolvendo. Ao longo do progressotecnológico, vieram o rádio, a fotografia e a televisão para dar ao jornalismo novos conceitos,formas, linguagens e expansão informativa. Como aponta Christofoletti (2008, pág. 93-4): O jornalismo sempre esteve ligado à tecnologia. A invenção dos tipos móveis por Gutenberg, no século XV, permitiu que a difusão de textos escritos se ampliasse muito (...). Bem mais tarde, o jornalismo continuou a se desenvolver com o advento de novos aparatos tecnológicos, notadamente com os meios eletrônicos. Amparados pelo telégrafo e pelo telefone, rádio e televisão estenderam ainda mais o raio de cobertura do jornalismo e seu atendimento às demandas da sociedade. (CHRISTOFOLETTI, 2008, pág. 93-94) Uma vez que rádio e televisão são considerados meios eletrônicos de difusão, um novoavanço tecnológico e eletrônico facilitou imediatamente as formas de produção noticiosa: ainformática. Por conta dela, a digitalização possibilitou facilidade na distribuição dainformação. A chegada dos computadores fez com que as diversas mídias então existentespudessem ter uma linguagem computacional (CHRISTOFOLETTI, 2008, pág. 95). Amáquina de escrever foi então, substituída pelo computador, além disso, as edições deixaramde ser analógicas/cronológicas para digitais/atemporais. Com o advento da internet, aliada às oportunidades trazidas pelos meios eletrônicos e6 Trabalho apresentado no DT 7 – GP Mídia, Cultura e Tecnologias Digitais na América Latina, no Intercom- Congresso de Ciências da Comunicação, realizado de 2 a 6 de setembro de 2010.
  31. 31. 31pela informática, o jornalismo vê então, no espaço on-line, uma nova mídia de comunicação,e a internet, um novo instrumento de informação7. Para nos encaminharmos ao campo dacibercultura e da comunicação digital adequadamente, precisamos situá-los no ambiente ondea internet propiciou uma expansão na difusão da informação. É graças à internet que qualquerinformação pode ser sabida globalmente. Conforme Pinho (2003, pág. 49): A velocidade de disseminação da Internet em todo o mundo deve transformá-la efetivamente na decantada superestrada da informação. Oferecendo notícias, entretenimento, serviços e negócios, a rede mundial ainda é um novo meio de comunicação que rivaliza com a televisão, o jornal e outros veículos de troca e difusão da informação. (PINHO, 2003, pág. 49) É nesse sentido que o jornalismo tende a ser cada vez mais instantâneo, sendo essauma das características mais importantes desta mídia. A internet, agora como aliada dojornalista, mostra-se também como vilã. O tempo de divulgação da notícia, “em primeiramão” dá ao jornalista a possibilidade do furo, ao mesmo tempo em que potencializa falhas emalguma das etapas de produção da notícia. É neste sentido que a internet modificou aprodução informativa, pois “No jornalismo atual, e principalmente o que é oferecido nainternet, o tempo da produção de informações é distinto do que era há duas ou três décadas. Ointervalo entre o acontecimento e a distribuição do seu relato está muito menor”.(CHRISTOFOLETTI, 2008, pág. 98). No que se refere ao tempo da informação, a autora Mielniczuk8 (2001, pág. 06) apontapara a mesma direção, colocando em evidência a rotina de produção da notícia. A autorasinaliza para o intervalo de tempo entre o acontecimento do fato e a sua publicação, quediminuiu muito com o processo online de notícias; aponta ainda para os problemas que estaredução de tempo pode influenciar na qualidade da informação e na rotina do jornalista. Se inferirmos que uma parcela dessas informações não condiz com a verdade, temosde ter em mente que uma boa parte, senão a maioria dos meios convencionais de imprensaabastece-se das informações da web para utilizar os dados, reproduzindo os mesmos erros(CHRISTOFOLETTI, 2008, pág. 99). O tempo, portanto, pode comprometer a credibilidadede um veículo tanto quanto da informação. Independente de a internet inserir-se nessa gangorra de valores, créditos e/oudescréditos, é certo que a interação do jornalista com o computador vem avançando cada vez7 PINHO, J. B. Jornalismo na Internet: Planejamento e produção da informação on-line. São Paulo: Summuseditorial, 2003. Pág. 49.8 MIELNICZUK, Luciana. Características e implicações do jornalismo na Web. Trabalho apresentado no IICongresso da SOPCOM, Lisboa, 2001.
  32. 32. 32mais nos últimos tempos. O mutualismo entre homem e máquina é uma característica do quese chama de cibercultura. Conforme Rüdiger, (2007, pág. 183) cibercultura é o “conjunto depráticas e representações que surge e se desenvolve com a crescente mediação da vidacotidiana pelas tecnologias da informação e, assim, pelo pensamento cibernético e civilizaçãomaquinística, apareceu como termo nos anos 1990.” Veremos que a evolução das tecnologias da informação e desenvolvimento de novasestruturas informativas possibilitam ao campo da comunicação novas formas de produzirjornalismo. Uma das ferramentas que mais cresceram foram os weblogs. Na próxima fase dotrabalho, examinaremos o jornalismo digital (ou webjornalismo), os blogs9 como parte conexadeste, inteirando a esfera da cibercultura.2.1 Cibercultura Como antecipamos na introdução deste capítulo, cibercultura é toda a ação mútuaentre homem e máquina, cuja interação cibernética se deu através destas mediações. O campoonde atuam estes atores “cibernéticos” é o ciberespaço, lugar remoto em que se operam asrelações entre o homem e aparelho tecnológico, ou dispositivo computacional capaz de gerarinformação virtual. Para Piere Lévy (1999), o ciberespaço tem condições de agregar todosesses dispositivos de criação de informação digitalizados e é o principal canal decomunicação. Nas palavras do autor: Eu defino o ciberespaço como o espaço de comunicação aberto pela interconexão mundial dos computadores e das memórias dos computadores. Essa definição inclui o conjunto dos sistemas de comunicação eletrônicos (aí incluídos os conjuntos de redes hertzianas e telefônicas clássicas), na medida em que transmitem informações provenientes de fontes digitais ou destinadas à digitalização. (...) Esse novo meio tem a vocação de colocar em sinergia e interfacear todos os dispositivos de criação de informação, de gravação, de comunicação (...). (LÉVY, 1999, pág. 95) Essa perspectiva certamente torna a cibercultura e o ciberespaço o ambiente, ou canalde informação e suporte da memória da comunicação. Lugar em que se pode otimizarinformações e unir mídias (impressos, rádio, televisão), torna-se então, um outro caminhopara a comunicação. Uma vez que as novas formas de relação com a máquina trouxeram aohomem uma permuta informacional, as novas relações com o saber também sãotransformadas. O ciberespaço admite tecnologias intelectuais que potencializam, exteriorizame alteram numerosas funções do conhecimento humano, tais como banco de dados,9 Forma reduzida do termo weblog.
  33. 33. 33hiperdocumentos, arquivos digitais de todas as espécies. (LÉVY, 1999, pág. 159) São assim, então, novas formas de acesso à comunicação: a navegação porhipertextos10, e a procura por informações através de canais de busca, novas formas deconhecimento e entendimentos e experiências do pensamento. Enfim, são novas tecnologiasintelectuais. São, também, mecanismos para compartilhar informações entre “numerososindivíduos11” que aumentam de forma significativa, a inteligência coletiva. É então, um fluxodo conhecimento, ou do saber. Este saber compartilhado, ou fluxo de conhecimento proporcionado pelas tecnologiasremotas de inteligência coletiva e individual mudam a forma como são percebidos ossubsídios da educação. Conforme Lévy, 1999, pág. 160: “Devemos construir novos modelosdo espaço dos conhecimentos”. Certamente, o ciberespaço é o campo mais fértil para fazerbrotar essas novas configurações do conhecimento. De acordo com o mesmo autor, ociberespaço fornece as ferramentas que permitem pensar sistemas automatizados acessíveis aqualquer momento em redes. Organizando a comunidade, as academias e universidades, asorganizações cooperariam para o movimento de uma nova economia do conhecimento. Uma das observações mais importantes a serem feitas em torno da cibercultura,sobretudo no ciberespaço é a comunicação mediada através do computador. É neste espaçoque o jornalista vive cotidianamente: rodeado de informações e mídias diversas. Desde que ainformatização da informação tornou-se possível, a hipermídia, de fato, além de agregarmídias convencionais (jornais, rádio e televisão), possibilita também suportes cada vez maisindependentes. Percebe-se que, a informatização avança no sentido de até mesmo“desconstruir” o computador em benefício de uma comunicação navegável, centrado nainformação. Como aponta Lévy, (1999, pág. 43): “Nota-se também o uso crescente de padrõesdescritivos de estruturas de documentos textuais ou multimídia, os quais permitem conservarintacta toda informação, apesar das mudanças de suportes de programas e hardware”. Destaca-se agora, a relação que a cibercultura estabelece com as mídias de massa. Asmídias de massa, já citadas, dão seqüência a uma linearidade universalizante encetado pelaimprensa escrita. Visto que a informação midiática será lida, ouvida e vista por umamultiplicidade de indivíduos, ela é conformada a encontrar o que o autor definiu como o“denominador comum” mental de seus destinatários. Para Lévy, a comunicação de massa10 Hipertexto, segundo Carlos Inireu da Costa, é “uma forma não-linear de apresentar e consultar informações.Um hipertexto vincula as informações contidas em seus documentos (ou “hiperdocumentos”, como preferemalguns) criando uma rede de associações complexas através de hyperlinks ou, mais simplesmente links.” (LÉVY,1999, pág. 264)11 LÉVY, 1999, pág. 160.
  34. 34. 34pensando a cibercultura, deve propor algum tipo de interação entre autor e receptor. Logo quecontextualiza: A verdadeira ruptura com a pragmática da comunicação instaurada pela escrita não pode estar em cena com o rádio ou a televisão, já que estes instrumentos de difusão em massa não permitem nem uma verdadeira reciprocidade nem interações transversais entre participantes. (LÉVY, 1999, pág. 119) Contudo, o espaço cibercultural proposto por Lévy, que insere uma interação entrepartícipes, não irá afetar de maneira eliminatória os demais aparatos tecnológicos anteriores, ooposto disto, irão fomentar sim, novos “planos de existência”: nos modos de relação –comunicação interativa em espaços coletivamente construídos – nos modos de conhecimento,aprendizagem e de pensamentos – comunicações transversais em espaços de comunicaçãoabertos, inteligência coletiva – e nos gêneros literários e artísticos – em hiperdocumentos,criação virtual coletiva e obras interativas12. Uma das idéias da cibercultura é a interconexão, e uma das características maislatentes nas origens do ciberespaço. Para a cibercultura, a conexão entre um partícipe ou mais,via conexão pela rede é preferível à que o isolamento. É nesse sentido que a noção de espaçoganha caracterização, principalmente no que se refere à comunicação em seu aspecto físico,ou o território que ela ocupa, pois para a cibercultura, os veículos não estariam mais no meioa um espaço, e sim, em meio a mudanças “territoriais”. Por isso afirma Lévy (1999, pág.129): “Os veículos de informação não estariam mais no espaço, mas por meio de uma espéciede reviravolta topológica, todo o espaço se tornaria um canal interativo”. Por tudo isso, acibercultura seria ainda, o ambiente onde a interconexão constitui a humanidade em ummovimento contínuo e sem fronteiras. É nesse sentido que o ciberespaço estabelece na rede uma organização dos saberes, dasinformações e das ideias, de todos aqueles que estão conectados a ele. São nessas relaçõesvirtuais que se ordenam as comunidades virtuais. São as comunidades virtuais que a partir deinteresses e projetos em comum, saberes e objetivos, que se estabelece através da rede, umgrupo, sociedade ou comunidade no virtual. São através das comunidades virtuais que asinterconexões, já citadas, legitimam-se. Segundo Lucia Santaella (2003, pág. 121): Todos os tipos de ambientes comunicacionais na rede se constituem em formas culturais e socializadoras do ciberespaço naquilo que vem se chamando de comunidades virtuais, isto é, grupo de pessoas globalmente conectadas na base de interesses e afinidades, em lugar de conexões acidentais ou geográficas.12 LÉVY, 1999, pág. 225.
  35. 35. 35 (SANTAELLA, 2003, pág. 121) Lévy afirma ainda que as comunidades virtuais sejam o espaço de um “processo decooperação ou de troca, tudo isso independentemente das proximidades geográficas e dasfiliações institucionais” (1999, pág. 130). Quanto a isso, então, podemos entender que essascomunidades estabelecem um “espaço” virtual que explora no ciberespaço a oportunidade deexpressar novas formas de comunicação e de informação; as mídias tradicionais, por assimdizer, automaticamente representam uma forma excludente de expressão de opinião, uma vezque respondem aos critérios editoriais de uma empresa, e que nesse sentido são excludentes.As comunidades virtuais situam-se num espaço em que então a prática da “total liberdade depalavra é encorajada e os internautas são, como um todo, opostos a qualquer forma decensura” (Lévy, 1999, pág. 131). Uma vez que o espaço cibernético é polifônico, fica maisevidente o caráter livre e democrático do ciberespaço (através das redes telemáticas). Quantoa isso, Lévy é pontual: “as comunidades virtuais exploram novas formas de opinião pública.Sabemos que o destino da opinião pública encontra-se intimamente ligado ao da democraciamoderna” (idem). É nesse espaço de múltiplas vozes e opiniões que o ciberespaçoproporcionou aos internautas, em especial àqueles que se ocupam de comunicação, quepodemos perceber o crescimento de ferramentas de caráter noticioso. Uma dessas ferramentaschama-se weblog (blog), instrumento de informação e entretenimento que por muitas vezespautam portais e sites jornalísticos. Os blogs, em certa medida, abastecem a sociedade cominformação e conteúdo. Será essa crescente ferramenta que analisaremos no próximo tópicodeste estudo.2.2 A Blogosfera Ao longo do trabalho, delineamos a cibercultura como um elemento fundador dastrocas informativas por meio da rede e a partir disso, possibilitar à comunicação alternativapara operar no ambiente jornalístico. Para dar continuidade e chegarmos ao estudo de caso –os blogs – veremos com mais detalhamento como a cibercultura pode ainda dar subsídio parao assunto. Retomaremos, portanto, algumas contribuições de Lévy e Santaella. O ambiente do ciberespaço provocou de sobremaneira as relações de troca com osusuários da rede. Nesse espaço, segundo Lévy, tem a finalidade da utilidade: “Todosreconhecem que o melhor uso que podemos fazer do ciberespaço é colocar em sinergia os
  36. 36. 36saberes, as imaginações, as energias espirituais daqueles que estão conectados a ele” (Lévy,1999, pág. 133). Podemos, então, acrescentar que nesses “saberes” inclui-se a informação. A blogosfera, como prática da comunicação, assemelha-se muito com os fundamentosdo ciberespaço, lugar em que a relação é voluntária, mútua e variada. O sentido dessacomunicação mútua opera numa via de mão-dupla é a propriedade distintiva do ciberespaço.Segundo Lévy, ..., o ciberespaço como prática da comunicação interativa, recíproca, comunitária e intercomuntária, o ciberespaço como horizonte de mundo virtual vivo, heterogêneo e intotalizável no qual cada ser humano pode participar e contribuir. Qualquer tentativa para reduzir o novo dispositivo de comunicação às formas midiáticas anteriores (esquema de difusão “um - todos” de um centro emissor em direção a uma periferia receptora) só pode empobrecer o alcance do ciberespaço para a evolução da civilização. (LÉVY, 1999, pág. 128). 13 Com a cibercultura, o ciberespaço, opera no campo “todos - todos” , em que acomunicação está acessível e é produzida por todos aqueles que têm acesso a um computadore que esteja conectado à rede. Esse dispositivo de comunicação descentralizado é um exemplode comunicação em que a informação atua de forma autônoma. A natureza dos blogs éevidentemente oferecida pela independência do ciberespaço. Dessa forma, Pessoas sem nenhum conhecimento de programação podem usar as funções de correio e de conferência eletrônica, ou consultar um hiperdocumento a distância dentro de uma mesma rede. Geralmente basta saber clicar nos botões corretos ou escolher as operações que se quer efetuar em um “menu” ou, na pior das hipóteses, digitar alguns comandos que são rapidamente decorados. (LÉVY, 1999, pág. 108) Com isso, a forma que a blogosfera tomou tem como característica a conseqüêncianatural da evolução desses conhecimentos que o ciberespaço provocou, uma vez que asplataformas que permitem a publicação na web são cada vez mais acessíveis. Quando a webatinge esta capacidade de integração, de saberes e procedimentos, Santaella (2003) entãoenxerga no ciberespaço, o elemento cultural que a cibercultura ocasionou: Para realizar tudo isso, o ciberespaço se apropria promiscuamente de todas as linguagens preexistentes: a narrativa textual, a enciclopédia, os quadrinhos, os desenhos animados (...). Nessa malha híbrida de linguagens nasce algo novo que, sem perder o vínculo com o passado, emerge com uma identidade própria. Essa reconfiguração de linguagem é responsável por uma ordem simbólica específica que afeta nossa constituição como sujeitos culturais e os laços sociais que estabelecemos. (SANTAELLA, 2003, pág. 125).13 LÉVY, 1999, pág. 108.
  37. 37. 37 Percebemos que o ciberespaço propiciou algo que a rede está desenvolvendo comocultura (ou hábitos de se relacionar, no nosso caso, na web). A blogosfera neste sentido é umcampo de comunicação já consolidado devido ao grande número de blogs e páginas do tipoque emergem todo dia na rede. Para darmos seqüência ao campo da blogosfera, ousimplesmente dos blogs, teremos de situá-lo historicamente e conceituá-lo, enfatizando,sobretudo a sua estrutura. A partir de 1999, a democratização da informação passa a serefetiva. Uma pluralidade de editores individuais começa a publicar no novo fórum públicoque a internet oferece: o ciberespaço. Valem-se das novas tecnologias de publicação dainformação para chegar até os confins da rede até pessoas que tenham os mesmos interesses egostos (VARELA In: ORIHUELA, 2007, pág. 60). Blog é a contração do termo Weblog. Log, por sua vez, adquire significado de diário,logo, “diário da web”. São páginas mantidas na internet com o objetivo de relato, por um oumais autores. Percebemos a importância que essas páginas adquirem por possuíremautonomia no conteúdo divulgado, além de ser uma ferramenta que não requer conhecimentosavançados em HTML. Como esclarece José Orihuela (2007, pág. 02): Weblogs ou blogs são páginas pessoais da web que, à semelhança de diários on-line, tornaram possível a todos publicar na rede. Por ser a publicação on-line centralizada no usuário e nos conteúdos, e não na programação ou no design gráfico, os blogs multiplicaram o leque de opções dos internautas de levar para a rede conteúdos próprios sem intermediários, atualizados e de grande visibilidade para os pesquisadores. (ORIHUELA, 2007, pág. 02). Dessa forma, pela simplicidade na manipulação da ferramenta que, como já citado,proporcionou a qualquer internauta publicar conteúdo na rede, os programas que permitem ahospedagem de um blog no sistema permitem acesso simples e resolvem obstáculos técnicos,permitindo ao usuário centrar mais no conteúdo. É, portanto, um meio de publicação na redesem intermediários, no caso do jornalismo, sem editores. Os blogs são em sua natureza, ummeio oriundo da rede, por ser proveniente dela14. O objetivo inicial dos blogs era publicarpequenas notas, mais tarde eles foram tomando forma de diários pessoais. Genericamente, osblogs tinham como base o link, como indica Orihuela (2007, pág. 03): “links com um brevecomentário, um registro (log) da navegação na web”. Originalmente, em 1999, com ocrescimento da rede e o acesso a internet pela população em geral, existiam apenas 23 blogs,entretanto, com o aparecimento de serviços de publicação e criação de blogs, como o Blogger,fez o panorama da situação mudar completamente, porque proporcionaram sua popularização.14 ORIHUELA, 2007, pág. 02.
  38. 38. 38Segundo Hugh Hewitt (2007, pág. 09), os blogs ganharam grande visibilidade quandoentraram para a seara política e do jornalismo com força. Desde 1999, o número de blogsaumentou significativamente, chegando a mais de quatro milhões deles em apenas cinco anosmais tarde. Os usuários são os mais diversos, e por isso, qualquer um pode se tornar umjornalista em potencial15. Tanto quanto o número de blogs que vem crescendo, o número de leitores, que buscamna web informação e conteúdo, também tem aumentado. Os blogs constituem neste campo,portanto, uma mídia independente de obtenção e produção de informação. Conforme Hewitt(2007, pág. 21): A blogosfera está evoluindo a um ritmo inacreditavelmente acelerado, abocanhando bom número de leitores, mas ainda há excelentes oportunidades entre centenas de milhões que precisam olhar além da TV para perceber que há um acesso mais rápido, mais específico, mais emocionalmente satisfatório à informação. (HEWITT, 2007, pág. 21). É nessa estreita relação entre blogs e informação que a blogosfera representa grandenúmero de páginas mantidas por jornalistas e tecnólogos16, e outra grande parte de blog comconteúdo jornalístico. Em função dessa facilidade de publicação e manipulação, os blogsdeixaram de ser apenas diários pessoais, e tornaram-se influentes instrumentos de trabalho prajornalistas, etc. De acordo com Alex Primo (2010, internet), os blogs são alvo de estereótipossobre o movimento da cibercultura, reiterando o que já havíamos sublinhado sobrecomunidades no ciberespaço: não se pode esquecer que blogs/texto (...) são criados através de um processo de escrita coletiva. Além dos posts do(s) blogueiro(s), que ocupam o espaço mais privilegiado na interface, os comentários devem ser vistos como parte do blog/texto. Os debates tem um impacto sobre o grupo e inclusive sobre a redação de novos posts. Tendo em vista essa produção colaborativa, não se pode deixar de reconhecer os blogs como importante espaço de sociabilidade. Portanto, o blog/espaço pode se transformar em um ponto de encontro de um grupo de interagentes. A interação recursiva e o comprometimento dos participantes com o grupo pode resultar na emergência de uma comunidade virtual. 17(PRIMO, 2007, internet) Percebemos que Primo vai ao encontro com o que Lévy registra sobre comunidades15 HEWITT, Hugh. Blog: Entenda a revolução que vai mudar o seu mundo. Rio de Janeiro: Thomas NelsonBrasil, 2007.16 Pesquisa mostra que 57% dos blogueiros mais populares do Brasil tem formação em Comunicação eInformática. Disponível em: <http://www.interney.net/blogs/alexprimo/2010/06/23/pesquisa_mostra_que_57_dos_blogueiros_ma > Acessoem: 23, Jun 2010.17 O que são blogs, afinal? Ou, manifesto pelo respeito à complexidade da blogosfera. Disponível em: <http://www.interney.net/blogs/alexprimo/2007/08/20/o-que-sa-227-o-blogs-afinal-ou-manifesto/> Acesso em: 10Ago, 2010.
  39. 39. 39virtuais e sociais, pois vemos na blogosfera as relações possíveis para a criação decomunidades ou redes sociais virtuais, por isso, a blogosfera torna-se uma ferramentadinâmica. Para a pesquisadora Raquel Recuero os blogs constituem atualmente, um dosgrandes componentes de transformação do jornalismo do ponto de vista tecnológico.Corroborando com a nossa hipótese anterior, de que a internet promoveu uma alternativa defluxo de informação. Segundo a autora, “Esse diálogo entre o pessoal e o coletivo forma econstitui novas formas e espaços de interação com a informação e com a notícia, queacabaram por modificar também o jornalismo” (RECUERO, s.d., pág. 02). Outra característica importante que merece ser relembrada, a partir do que estudamossobre cibercultura e ciberespaço, é o que referencia André Lemos apud Recuero, ao passo queweblogs são o mesmo que “ciberdiários”: “Ciberdiários, webdiários ou weblogs são práticascontemporâneas de escrita online, onde usuários comuns escrevem sobre suas vidas privadas,sobre suas áreas de interesse pessoais ou sobre outros aspectos da cultura contemporânea”.(LEMOS apud RECUERO s.d., pág. 03). Como se pode observar, os weblogs são umfenômeno complexo, para isso, é necessário que se categorize a estrutura dos blogs, poiscomo já citamos, a que nos interessa é aquela que se assemelha dos formatosjornalísticos/informativos. Para isso, nos valeremos das categorizações que Recueroorganizou. De acordo com a autora, os blogs atualmente não podem ser fundamentados emapenas uma categoria de publicação. Com base na divisão da pesquisadora, os blogs podem ser categorizados em: BlogsDiários, em que se referem apenas na publicação da vida pessoal do usuário. Blogs dePublicação, em “que destinam principalmente a trazer informação de modo opinativo. São 18informações que são discutidas pelo autor, sempre discutidas ou comentadas (...) ”. BlogsLiterários, estes são destinados a contar uma história ficcional. Blogs de Clippings, que sedestinam apenas a organizar um apanhado de links disponíveis na web ou retalhos de outraspublicações e blogs com publicações mistas, que são aqueles que evidentemente misturam-seposts pessoais entre posts informativos. De qualquer forma, a matéria-prima dos blogs é ainformação19. Para Orihuela “Os visitantes procuram no blog o ponto de vista, o estilo e a temáticado seu autor (...). Finalmente, o blog é um meio sem editores”. (Orihuela, 2007, pág. 05).Enfim, chegamos a um ponto em que o diferencial dos demais mecanismos de publicação-padrão na internet, como sites, por exemplo, dos blogs: os jornalistas das redações on-line18 RECUERO, s.d., pág. 0419 Idem;
  40. 40. 40ainda possuem a figura do Gatekeeper; entretanto, o blogueiro é o seu próprio editor. Nessesentido, o blog funciona sem editores, sem prazos e em muitas vezes, sem qualquer vínculocom a grande mídia; a independência é o mote dos blogs. Segundo Orihuela (2007, pág. 06): Diante da “realidade jornalística”, o blog possui uma resposta mais rápida, mais impressionista e mais pessoal do que os meios de comunicação tradicionais e, por sua vez, contribui para ampliar as fronteiras da realidade midiática. Um dos efeitos da apropriação paulatina da rede por parte dos novos atores que produzem o conteúdo é que a agenda pública já não é exclusivamente marcada pelos grandes meios de comunicação. (ORIHUELA, 2007, pág. 06) Dessa forma, podemos concluir que os blogs possuem grande interferência na procurapor conteúdo na rede. Os meios sociais devolvem às pessoas a possibilidade da comunicaçãoe opinião pública, incluindo a circulação da informação e a construção de uma nova agendapública, que em sua maioria, era até o momento gerenciado exclusivamente pelos meiosmidiáticos tradicionais. Nesse sentido, os blogs contribuíram de forma significativa paraalavancar os meios sociais ou compartilhados que permitem acesso á informaçãodesvinculada de qualquer interesse hegemônico. É claro, que, um blog, por ser exatamentepessoal, ainda que informativo, pode de alguma maneira, vincular uma opinião sobre oconteúdo. Entretanto, é exatamente essa visão ou opinião independente que o internautaprocura neste tipo de ferramenta. Conforme aponta Recuero, “essa personalização acaba porgerar empatia e debate, pois os leitores vêm a informação não como proveniente de uma fonte“toda-poderosa”, mas como proveniente de alguém” (RECUERO, s.d., pág. 11). É neste sentido que a mídia hegemônica (tradicional) vem perdendo força. Comoresultado, temos espaços de comunicação mais abertos, de interação e discussão que permitenão apenas uma segunda visão, e de forma mais independente, mas uma discussão entre leitore internauta e entre leitor e leitor, algo que até então não era possível em relação à mídiatradicional. Dentro dessa idéia, segundo Primo (2001, online) apud Recuero (s.d., online),“um weblog é constituído de interação mútua”, sendo essa interação fundamental para aconstituição de um espaço para o jornalismo democrático, simbolizado pelos posts,comentários e reações, representados pela forma hipertextual dos textos20. Muitos autores têm comparado os blogs como o novo jornalismo participativo, poismuitos acreditam que já não é mais possível fazer jornalismo sem a colaboração dos leitores.É o jornalismo participativo, ou jornalismo 3.0, é a terceira versão do jornalismo digital. Paraesses estudiosos, o jornalismo deve ser uma conversa com o leitor e não mais um envio20 RECUERO, s.d., pág. 09

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